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APELAÇÃO CRIME N.º 890.

743-3
VARA CRIMINAL E ANEXOS DA COMARCA DE DOIS VIZINHOS
APELANTE: MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DO PARANÁ
APELADO: MARCOS CELSO POMAGERSKI
RELATOR: MACEDO PACHECO
REVISOR: ANTÔNIO LOYOLA VIEIRA

APELAÇÃO CRIME. RECURSO DO MINISTÉRIO PÚBLICO.


PLEITO DE CONDENAÇÃO DO ACUSADO PELOS CRIMES
CAPITULADOS NOS ARTIGOS 147 E 359 DO CÓDIGO
PENAL. PARCIAL ACOLHIMENTO. AMEAÇA - VIOLÊNCIA
DOMÉSTICA - AUTORIA E MATERIALIDADE
DEMONSTRADAS - PALAVRA DA VÍTIMA AMPARADA NO
CONJUNTO PROBATÓRIO CONTIDO NOS AUTOS. ART.
359 DO CÓDIGO PENAL – ADEQUAÇÃO TÍPICA
INCORRETA - POSSIBILIDADE DE ALTERAÇÃO EM
SEGUNDO GRAU, VIA EMENDATIO LIBELLI, NOS TERMOS
DO ART. 383, DO CÓDIGO DE PROCESSO PENAL, PARA O
CRIME DE DESOBEDIÊNCIA (ART. 330 DO CÓDIGO
PENAL) - DESCUMPRIMENTO DE MEDIDAS PROTETIVAS
DE URGÊNCIA FIXADAS EM RAZÃO DE VIOLÊNCIA
DOMÉSTICA DAS QUAIS TINHA O OFENSOR INEQUÍVOCA
CIÊNCIA – CONJUNTO PROBATÓRIO SUFICIENTE PARA O
ÉDITO CONDENATÓRIO. PRETENSÃO DE CONDENAÇÃO
ACOLHIDA. RECURSO PROVIDO, PARA CONDENAR O
APELADO COMO INCURSO NAS SANÇÕES DO ART. 147 E
ART. 330 DO CÓDIGO PENAL.

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VISTOS, relatados e discutidos estes autos de Apelação Crime


n.º 890.743-3, da Vara Criminal e Anexos da Comarca de Dois Vizinhos, em
que é apelante o Ministério Público do Estado do Paraná e apelado Marcos
Celso Pomagerski.

O Dr. Promotor de Justiça em exercício na Vara Criminal e


Anexos da Comarca de Dois Vizinhos denunciou MARCOS CELSO
POMAGERSKI como incurso nas sanções do art. 147, c/c art. 61, inc. II,
alíneas ‘e’ e ‘f’, do Código Penal, na forma da Lei 11.340/06 (1º fato) e, art. 359,
caput, do Código Penal (2º fato), pela prática dos seguintes fatos:

1º Fato
“No dia 02 de setembro de 2011, em horário ainda não
especificado nos autos, na Rua Capanema, 622, bairro
Sagrada Família, nesta cidade e comarca de Dois
Vizinhos/PR, o denunciado Marcos Celso Pomagerski, com
consciência e vontade de sua conduta, ciente de decisão
judicial de afastamento de lar, proferida nos autos nº 2011.262-
6 oriunda do Juízo de Direito desta comarca, dirigiu- se até a
residência de sua ascendente e vítima Maria de Fátima
Pomagerski, situada no endereço acima referido e mediante o
uso de violência psíquica contra a mulher ameaçou, por
palavras, de causar mal injusto e grave, dizendo que se a vítima
o mandasse sair da residência o denunciado iria matá-la”
(fl.09).

2º Fato

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“No dia 05 de setembro de 2011, por volta das 10 horas e 30


minutos, na Rua Capanema, 622, bairro Sagrada Família,
nesta cidade e comarca de Dois Vizinhos/PR, o denunciado
Marcos Celso Pomagerski, com consciência e vontade de
sua conduta, ciente da decisão judicial de afastamento do lar e
proibição de aproximação, proferida nos autos nº 2011.262-6
oriunda do Juízo de Direito desta comarca (fls. 15), exerceu o
direito de locomoção do qual foi privado por força de decisão
judicial anteriormente referida, pois se aproximou da vítima
Maria de Fátima Pomagerski a uma distância inferior a 100
(cem) metros e adentrou na residência da vítima no dia, hora e
local acima referidos (auto de prisão em flagrante fls. 05/12),
mesmo após tomar pleno conhecimento da decisão judicial e
das limitações nela impostas ao seu direito de locomoção”.

Após regular processamento do feito, sobreveio sentença que


absolveu o réu Marcos Celso Pomagerski das imputações do art. 147, c/c art.
61, inc. II, alíneas ‘e’ e ‘f’, ambos do Código Penal, com fulcro no art. 386, inc.
VII, do Código de Processo Penal e, art. 359 do Código Penal, com base no
art. 386, inc. III, do Código de Processo Penal (fls. 93/104).

Irresignado, o Dr. Promotor de Justiça em exercício na


Comarca de Dois Vizinhos interpôs o presente recurso de apelação alegando
que a materialidade e autoria do delito de ameaça, restaram comprovadas nos
autos, pela palavra da vítima e testemunhas, pleiteando pela condenação do
acusado como incurso no art. 147 do Código Penal. Pede também a
condenação do apelado como incurso nas sanções do art. 359 do Código
Penal, aduzindo que o réu descumpriu ordem judicial de afastamento do lar e
proibição de aproximação de sua mãe e de suas irmãs até o limite de 100

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(cem) metros e, de manter contato com as mesmas por qualquer meio de


comunicação.

Aduz que o descumprimento de medidas de proteção a vitima


de violência doméstica configura o crime descrito no art. 359 do Código Penal,
e não o crime de desobediência, previsto no art. 330, do mesmo estatuto, eis
que este trata de delito contra a Administração Pública, ao passo que aquele,
trata de infração contra a Administração da Justiça.

Sustenta também que estabelecer sanções extrapenais


especiais não é suficiente para inibir a prática do ilícito no presente caso, não
sendo possível invocar o princípio da intervenção mínima, eis que as medidas
protetivas se revelaram ineficientes.

Argumenta que a regra do art. 359 do Código Penal não


especificou qual a natureza da decisão (cível ou penal) cujo descumprimento
enseja sua aplicação, sendo inadequado o reconhecimento da atipicidade da
conduta sob esse fundamento.

Destaca, por fim, que o reconhecimento da atipicidade da


conduta, e a consequente absolvição do acusado, mesmo após o
descumprimento de decisão imposta pelo Poder Judiciário, estaria afrontando
os fins sociais da Lei nº 11.340/06.

Em face do exposto, pugna pelo conhecimento e provimento do


presente recurso a fim de condenar o apelado como incurso nas sanções dos
arts. 147 e 359, do Código Penal.

Em sede de contrarrazões o apelado pugnou pela


improcedência do recurso (fls. 134/136).

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A Douta Procuradoria Geral de Justiça através do ilustre


Procurador de Justiça, Dr. ANTONIO CESAR CIOFFI DE MOURA manifestou-
se pelo conhecimento e provimento do recurso interposto, para condenar o réu
Marcos Celso Pomagerski pela prática dos crimes de ameaça e desobediência,
aplicando em relação a este a regra do art. 383, do Código de Processo Penal.

É o relatório.

Insurge-se o Ministério Público contra a r. sentença proferida


pelo MM. Juiz da Vara Criminal e Anexos da Comarca de Dois Vizinhos, que
absolveu o apelado da prática dos delitos de ameaça e desobediência a
decisão judicial sobre perda ou suspensão de direito, buscando a reforma da
sentença.

A autoria restou amplamente comprovada pela palavra da vítima


e testemunhas.

Primeiramente é válido destacar que o delito de ameaça


prescinde do resultado, bastando que o agente alcance a finalidade de
intimidar a vítima.

Dessa forma, por se tratar de crime formal, a intenção do agente


em concretizar a ameaça não tem relevância, sendo suficiente para configurar
o delito que a ameaça seja proferida, chegando ao conhecimento da vítima e
causando-lhe mal injusto e grave.
A prova é quase sempre muito difícil de ser obtida, por estar
entre os crimes que normalmente não são presenciados por testemunhas,
situação essa que conduz a se ter como relevante a palavra da vítima.

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A vítima ao ser interrogada em juízo, afirmou que o apelado


proferiu graves ameaças contra ela, consistente em ameaçá-la de morte e de
colocar fogo em sua residência se a mesma não o deixasse ficar ali.

Não obstante a vítima tenha deixado controvérsias ao longo do


seu depoimento quanto à data das ameaças sofridas, no início de suas
declarações ela confirma que foi ameaçada pelo réu na data dos fatos
descritos na denúncia, além de ter sido ameaçada por ele em outras ocasiões.

Ademais, a filha da vítima e irmã do acusado, Gisele Rodrigues


de Moraes Borba, a qual disse ter presenciado os fatos, confirmou que as
ameaças foram proferidas pelo réu na data descrita na denúncia: “(...) ele falou
que iria matar a mãe se ela não deixasse ele ficar dentro de casa ou
expulsasse ele (...) Ele ameaçou a mãe de matá-la e não saiu da casa, falou
que iria ficar (...)”.

O policial militar Adenilton Monteiro prestou atendimento à


ocorrência e confirmou os fatos descritos na denúncia, declarando que a vítima
lhe relatou que foi ameaçada pelo acusado na data dos fatos.

Nesse contexto, verifica-se que a palavra da vítima, que afirma


de forma coerente os fatos ocorridos, corroborada por testemunhas, não deixa
dúvida quanto à autoria do delito ser de responsabilidade do ora apelado, razão
pela qual a sua condenação é a medida que melhor representa a aplicação da
justiça.

Nesse sentido:

“DIREITO PROCESSUAL PENAL E DIREITO PENAL.


APELAÇÃO CRIME. ABSOLVIÇÃO. AMEAÇA EM SEDE DE

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VIOLÊNCIA DOMÉSTIVA (ART. 147, CP, c.c ART. 7º, II, L.


11.340/2006) E AMEAÇA SIMPLES (ART. 147, CAPUT, CP).
CONDENAÇÃO. PALAVRA DAS VÍTIMAS. PROVAS
SUFICIENTES. RECURSO PROVIDO. "As palavras das
vítimas, como de quem foi protagonista do evento criminoso,
importam muito para aferir-lhe as circunstâncias, máxime a
autoria, e podem justificar decreto condenatório, quando em
harmonia com as demais provas dos autos". (TACRSP, RT
776/611) Apelação Crime nº 506.547-2, da 1ª Câmara Criminal
do TJPR, rel. Mário Helton Jorge, julgado em 19.03.2009).

Frise-se ainda que não há nenhum indício que pudesse induzir


ao descrédito as declarações da vítima.

Sobre o tema:

“VIOLÊNCIA DOMÉSTICA ­ AMEAÇA (ART. 147, CP). I ­


PRETENDIDA ABSOLVIÇÃO POR AUSÊNCIA DE PROVA -
INVIABILIDADE - PALAVRA DA VÍTIMA CORROBORADA
POR OUTRAS EVIDÊNCIAS DO CRIME - CONDENAÇÃO
MANTIDA. A palavra da vítima, máxime quando confirmada por
outros elementos de prova, constitui suporte suficiente para a
condenação. II - PENA-BASE. Deve ser reduzida pena-base
estipulada em montante que não se coaduna com o incremento
decorrente de única circunstância judicial desfavorável.
RECURSO PARCIALMENTE PROVIDO.” (TJPR – 1ª Câmara
Criminal – Ap Crime 0721137-6 – Joaquim Távora – Rel. Des.
Telmo Cherem – Unânime – J. 17/03/2011)

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No que toca ao segundo fato descrito na denúncia, o


magistrado a quo decidiu pela atipicidade da conduta por entender que a
sanção penal prevista expressamente na Lei nº 11.340/06 para o
descumprimento das medidas proibitivas de urgência é a prisão preventiva, não
existindo qualquer ressalva sobre a cumulação de sanção de natureza civil ou
administrativa com a de natureza penal, não configurando, ao seu entender, o
crime previsto no art. 359 do Código Penal e nem o delito da desobediência,
previsto no art. 330, do mesmo Codex.

Entendo que, desta feita, não tem razão o MM. Juiz a quo no
que tange a não configuração do crime de desobediência.

Cumpre destacar, antes de adentrar ao mérito, que é possível,


como bem ressaltado pela Procuradoria de Justiça, alterar a adequação típica
em segundo grau, via emendatio libelli, nos termos do art. 383, do Código de
Processo Penal.

Comentando o art. 383, do Código de Processo Penal,


Guilherme de Souza Nucci (in Código de Processo Penal Comentado. Editora:
Revista dos Tribunais, 11ª edição, pág. 730), leciona que: “pode o Tribunal, ao
julgar um recurso do réu, aplicar pena mais grave, desde que o fato esteja
devidamente descrito na denúncia ou queixa”, quanto mais se o recurso foi
interposto pela acusação.

Nesse sentido:

"HABEAS CORPUS. EMENDATIO LIBELLI NO SEGUNDO


GRAU DE JURISDIÇÃO. POSSIBILIDADE. MERA
SUBSUNÇÃO DOS FATOS NARRADOS À NORMA DE
INCIDÊNCIA. CRIME DE TORTURA. INCONSISTÊNCIA

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PROBATÓRIA. INOCORRÊNCIA. CONDENAÇÃO EM


SEGUNDO GRAU DE JURISDIÇÃO. PREJUÍZO AO
EXERCÍCIO DA AMPLA DEFESA. IMPROCEDÊNCIA.
CONDENAÇÃO CONTRÁRIA AOS LAUDOS PERICIAIS
OFICIAIS. JUSTIFICATIVA IDÔNEA. REGRA DO CONCURSO
MATERIAL. APLICABILIDADE. DESÍGNIOS AUTÔNOMOS.
PERDA DE PATENTE E DO POSTO. CONSEQÜÊNCIA DA
CONDENAÇÃO. AUSENTE ILEGALIDADE. ORDEM
DENEGADA. 1. Inexiste vedação à realização da emendatio
libelli no segundo grau de jurisdição, pois se trata de simples
redefinição jurídica dos fatos narrados na denúncia. Art. 383 do
Código de Processo Penal. O réu se defende dos fatos, e não
da definição jurídica a eles atribuída. Ademais, tratou-se,
apenas, da incidência de circunstância agravante, que veio a
ser requerida por ocasião das alegações finais do Ministério
Público.
(...) 7. Ordem denegada." (HC 92181/MG, 2ª Turma, Rel. Min.
Joaquim Barbosa, DJU de 01/08/2008).

"PROCESSUAL PENAL. HABEAS CORPUS. OPERAÇÃO


DIAMANTE. LAVAGEM DE DINHEIRO. LEI N.° 9.613/98.
NULIDADE DA SENTENÇA PENAL CONDENATÓRIA.
MUTATIO LIBELLI NÃO CONFIGURADA. MERA EMENDATIO
LIBELLI – DESNECESSIDADE DE PROVIDÊNCIAS
PRELIMINARES. ORDEM DENEGADA. (...)
3- A emendatio libelli é procedida de ofício, tanto em primeiro
como em segundo grau de jurisdição, sem qualquer
formalidade prévia.

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4 - Ordem denegada." (HC 47.838/GO, 6ª Turma, Rel. Ministra


Jane Silva, Desembargadora Convocada do TJ/MG, DJU de
14/04/2008).

"HABEAS CORPUS. PROCESSO PENAL. DENÚNCIA QUE


TIPIFICOU A CONDUTA DO RÉU EM ESTELIONATO (ART.
171, § 3o. DO CPB) E CORRUPÇÃO ATIVA (ART. 333 DO
CPB). SENTENÇA ABSOLUTÓRIA. RECURSO DE
APELAÇÃO INTERPOSTO PELO MINISTÉRIO PÚBLICO
PARCIALMENTE PROVIDO PARA CONDENAR O PACIENTE
EM CLASSIFICAÇÃO DIVERSA DA IMPOSTA NA EXORDIAL
ACUSATÓRIA (USO DE DOCUMENTO FALSO). FATOS
IMPUTADOS INALTERADOS. EMENDATIO LIBELLI (ART.
383 DO CPP). NULIDADE INEXISTENTE. ORDEM
DENEGADA. (...)
3. A emendatio libelli (art. 383 do CPP), também pode ser
aplicada em segundo grau desde que nos limites do art. 617 do
CPP, que proíbe a reformatio in pejus. 4. Ordem denegada, em
conformidade com o parecer ministerial." (HC 87.984/SC, 5ª
Turma, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, DJU de
22/04/2008).

Cinge-se a controvérsia sobre a acusação imposta ao acusado


em razão do descumprimento de medidas protetivas previstas na lei nº
11.340/2006 impostas e aplicadas pelo juiz a quo de afastamento do lar e
proibição de aproximação de sua mãe Maria de Fátima Pomagerski e de suas
irmãs, até o limite de 100 (cem) metros e de manter contato com as mesmas
por qualquer meio de comunicação.

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O acusado foi devidamente intimado desta decisão (fls.19).


Todavia consoante se extrai do auto de prisão em flagrante (fls.09/10), boletim
de ocorrência (fls.18) e dos depoimentos colhidos nos autos, o acusado
descumpriu referida determinação judicial, pois se aproximou de sua mãe
(vítima) e de seus familiares em distância menor que a estabelecida no
comando judicial (100 metros).

O réu, em juízo (fls. 91-cd) declarou que ficou 05 (cinco) meses


preso em razão das ameaças proferidas contra sua genitora, ao ser solto,
voltou para a residência de sua mãe, tendo esta concordado com a
permanência do mesmo em sua casa, alegando, que foi intimado das medidas
protetivas, mas achou que poderia voltar para casa. Por fim, confessou que
tinha conhecimento que não podia se aproximar de sua genitora e seus
familiares, mas a mesma o aceitou em casa, confirmando que realmente
estava na residência da vítima quando foi preso.

A vítima, MARIA DE FÁTIMA POMAGERSKI, mãe do réu,


declarou que o acusado descumpriu pela segunda vez as medidas protetivas
fixadas, entrando na residência daquela e lá permanecendo, se recusando,
inclusive, a sair espontaneamente. Aludiu que o réu tinha conhecimento do
mandado de afastamento do lar e de proibição de aproximação, mas mesmo
assim descumpriu a ordem judicial.

A testemunha presencial Gisele Rodrigues de Moraes Borba


confirmou as declarações da vítima, declarando que o réu, após ser solto,
voltou à residência da mãe, permanecendo lá por aproximadamente 03 (três)
dias, se recusando a sair, descumprindo, deste modo, a ordem judicial
estabelecida.

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Verifica-se assim que restou devidamente comprovado que o


réu se aproximou da vítima e seus familiares a distância inferior a 100 metros,
descumprindo a ordem judicial de manter-se afastado do lar e de entrar em
contato com os mesmos.

Agiu o réu, então, de acordo com o estabelecido no art. 330, do


Código Penal, ou seja, desobedeceu ordem legal de funcionário público.

No caso, foi aplicada a medida protetiva ao acusado de


limitação da distância mínima entre ele e a vítima e os familiares desta em 100
(cem) metros, a teor do art. 22, inc. III, alínea "a", da Lei 11.340/2006, porém o
acusado não cumpriu a determinação legal, ou seja, mesmo devidamente
intimado dessa decisão judicial, voltou a aproximar-se da vítima e de seus
familiares, consoante se verifica das provas dos autos.

Guilherme de Souza Nucci leciona que “Não se pode excluir a


configuração de crime de desobediência, por parte do agente agressor, se, por
exemplo, insistir em se aproximar da vítima, fora do limite mínimo previsto pelo
magistrado”. (Leis penais e processuais penais comentadas, pag. 1057 2ª Ed.
Ed. RT).

Assim também, a jurisprudência dos Tribunais pátrios:

“APELAÇÃO CRIMINAL. CRIMES DE AMEAÇA E


DESOBEDIÊNCIA. ARTS. 147 E 330, AMBOS DO CÓDIGO
PENAL. CONDENAÇÃO. DECLARAÇÃO DA VÍTIMA E DAS
TESTEMUNHAS OUVIDAS EM JUÍZO COERENTES E
HARMÔNICAS QUE COMPROVAM A PRÁTICA DOS CRIMES
DE AMEAÇA E DESOBEDIÊNCIA. - As declarações da vítima e
de seu filho são coerentes e harmônicas ao indicar o recorrente

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como autor dos crimes de ameaça, consistente em dizer que iria


matá-la, e desobediência por ter descumprido as medidas
protetivas fixadas pelo Magistrado. 2. DOSIMETRIA DA PENA.
PEDIDO DE FIXAÇÃO DAS PENAS NO MÍNIMO LEGAL.
INVIABILIDADE. REDUÇÃO DA PENA DE QUATRO MESES E
QUINZE DIAS PARA TRÊS MESES E CINCO DIAS DE
DETENÇÃO. RECURSO PARCIALMENTE
PROVIDO”.(Apelação Crime nº 658404-7 da 1ª Câmara
Criminal do TJPR, rel. Des. Jesus Sarrão, julgado em
11.11.2010).

“DESOBEDIÊNCIA. ABSOLVIÇÃO IMPRÓPRIA. ABSOLVIÇÃO


PRETENDIDA POR ATIPICIDADE DA CONDUTA OU
AUSÊNCIA DE DOLO. IMPOSSIBILIDADE DE
ACOLHIMENTO. PREVISÃO DE SANÇÕES CIVIS E
PROCESSUAIS DA LEI MARIA DA PENHA QUE NÃO EXCLUI
INCIDÊNCIA DO CRIME DE DESOBEDIÊNCIA QUANDO
DESRESPEITADAS AS MEDIDAS PROTETIVAS
ESTABELECIDAS PELO JUÍZO. NEGATIVA DE CIÊNCIA DA
RESTRIÇÃO VIOLADA CONTRARIADA PELAS PROVAS QUE
NÃO EXCLUI O DOLO, BEM DEMONSTRADO NOS AUTOS.
INTIMAÇÃO. NULIDADE PRETENDIDA POR INCAPACIDADE
RETROATIVA. INOCORRÊNCIA. INIMPUTABILIDADE PENAL
QUE NÃO INVALIDA ATOS PRATICADOS ANTES DA
REALIZAÇÃO DO EXAME. MEDIDA DE SEGURANÇA. CRIME
APENADO COM DETENÇÃO. INTERNAÇÃO.
POSSIBILIDADE. RECOMENDAÇÃO MÉDICA FUNDADA EM
INEFICÁCIA DO TRATAMENTO AMBULATORIAL POR
RESISTÊNCIA DO RÉU QUE JUSTIFICA A ADOÇÃO DE
MODALIDADE MAIS GRAVOSA. RECURSO IMPROVIDO”.

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(Apelação nº 0000601-08.2007.8.26.0019, 5ª Câmara de Direito


Criminal do TJSP Rel. Luís Carlos de Souza Lourenço, julgado
em 17.03.2011)

“APELAÇÃO CRIMINAL. AMEAÇA E DESOBEDIÊNCIA NO


ÂMBITO DOMÉSTICO. RECURSO DA DEFESA. PLEITO DE
ABSOLVIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE, NA ESPÉCIE. AUTORIA
DO CRIME E MATERIALIDADE DEVIDAMENTE
COMPROVADAS. PALAVRAS DA VÍTIMA E DEPOIMENTOS
DE TESTEMUNHAS EM CONSONÂNCIA COM OS DEMAIS
ELEMENTOS PROBATÓRIOS. AMEAÇA. CRIME FORMAL
QUE SE CONSUMA COM A PROMESSA DE MAL INJUSTO E
GRAVE, NO MOMENTO EM QUE A VÍTIMA DELA TEM
CONHECIMENTO. OCORRÊNCIA INDUBITÁVEL DA
CONDUTA TÍPICA. ABSOLVIÇÃO INVIÁVEL.
DESOBEDIÊNCIA. CONFISSÃO DO RÉU. PRISÃO EM
FLAGRANTE E DEPOIMENTOS TESTEMUNHAIS, QUE
DEMONSTRAM A PRÁTICA DO CRIME. RÉU QUE NÃO
CUMPRIU DETERMINAÇÃO JUDICIAL DE MEDIDA
PROTETIVA DE AFASTAMENTO DO LAR, POIS, APÓS SUA
INTIMAÇÃO DA DECISÃO, VOLTOU A PROCURAR A VÍTIMA
EM SUA RESIDÊNCIA. EXIGIBILIDADE DE CONDUTA
DIVERSA. CONDENAÇÃO MANTIDA. RECURSO
DESPROVIDO”. (Apelação Criminal n. 2011.042883-1, da 1ª
Câmara Criminal do TJSC, Relator: Des. Rui Fortes Julgado em
31/08/2011).

“APELAÇÃO CRIMINAL - CRIME DE DESOBEDIÊNCIA -


DESCUMPRIMENTO DE MEDIDAS DE PROTEÇÃO - FATO
TÍPICO - CONDENAÇÃO - RECURSO PROVIDO. 1. As

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medidas protetivas previstas na Lei 11.340/06 estão


relacionadas, obrigatoriamente, a ocorrência de uma conduta
delituosa, que deve ser reprimida pelo direito penal e não se
confundem com as matérias atinentes ao direito civil também
reguladas pelo mencionado diploma legal. 2. Ao examinar o
cabimento das medidas protetivas, a fim de resguardar a vida e
a integridade física da ofendida, o magistrado analisa a
plausibilidade da ocorrência de um delito, de um ilícito penal, e
não os requisitos inerentes às cautelares cíveis, que
pressupõem a presença da fumaça do bom direito e do perigo
na demora. 3. O descumprimento de medidas protetivas
deferidas no âmbito abrangidos pela Lei Maria da Penha,
constitui, pelo menos formalmente, o delito de desobediência. 4.
Nos crimes praticados em situação de violência doméstica e
familiar, as declarações da vítima, quando apresentadas de
maneira firme e coerente, assumem importante força probatória,
mormente quando corroborada por outros elementos de provas.
5. Permanecendo o apelante acautelado por período superior à
pena corporal fixada na condenação, esta deve ser declarada
extinta, nos termos do art. 61 e 685 do Código de Processo
Penal, remanescendo a pena de multa. (APELAÇÃO CRIMINAL
N° 1.0324.10.002771-7/001 – da 3ª CÂMARA CRIMINAL do
TJMG, DESª. MARIA LUÍZA DE MARILAC – Relatora, julgado
em 04.10.2011).

Assim, comprovado que o réu ignorou a decisão judicial que o


proibia de aproximar-se da residência de sua mãe e da família desta de que
tinha inequívoca ciência, impositiva a sua condenação pelo crime de
desobediência.

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Por tais fundamentos, o voto é pelo parcial provimento do


recurso para condenar o réu MARCOS CELSO POMAGERSKI pelos delitos de
ameaça e desobediência (arts. 147 e 330, do Código Penal, respectivamente),
aplicando em relação ao último a regra do art. 383, do Código de Processo
Penal.

Passo à individualização da pena.

1. Crime de ameaça

Circunstâncias judiciais do art. 59, do Código Penal.

Culpabilidade: “Deve-se aferir o maior ou menor índice de


reprovabilidade do agente, não só em razão de suas condições pessoais, como
também em vista da situação de fato em que ocorreu sua conduta”
(DELMANTO, Celso. Código Penal Comentado. 3ª ed., pág. 89). No caso,
tenho que a culpabilidade do acusado não foge ao grau ordinário de
censurabilidade das condutas deste jaez.

Antecedentes: em observância à presunção de inocência (art.


5º,LVII da CF) “devem ser consideradas as condenações anteriores, com
exceção daquelas que geram reincidência” (op. cit., pág. 89). O réu registra
antecedentes criminais, consistente em uma condenação com trânsito em
julgado, que não constitui reincidência (fls. 63).

Conduta social: É a interação do acusado no meio em que


vive. Os elementos dos autos são insuficientes para valorar a conduta social do
réu.

Personalidade do agente: “Diz respeito à sua índole, à sua


maneira de agir e sentir, ao próprio caráter do agente.” (op. cit., pág. 59). Os
elementos dos autos são insuficientes para valorar a personalidade do réu.

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Motivos: são inerentes ao tipo penal.

Circunstâncias: é tudo o que se encontra ao redor do fato e


que possa ter influído na sua realização. Nada de relevante a ser observado na
espécie, não justificando aumento sobre o mínimo legal.

Conseqüências: devem ser aferidas a partir da maior ou


menor danosidade da ação típica praticada em relação à vítima, familiares,
amigos e sociedade. Houve a ameaça da vítima, circunstância, contudo,
inerente ao tipo penal, não podendo ser valorada em desfavor do acusado.

Comportamento da vítima: Não há prova se a vítima


contribuiu ou não para eclosão do evento.

Assim, diante dos maus antecedentes, fixo a pena-base em 01


(um) mês e 05 (cinco) dias de detenção.

Agravantes. Incide em desfavor do réu a agravante prevista no


art. 61, inc. II, alínea ‘f’, do Código Penal, razão pela qual agravo a pena em
1/6, ou seja, 05 (cinco) dias.

Atenuantes. Inexistentes.

Causas de Aumento e Diminuição: Inexistem causas de


aumento ou diminuição, razão pela qual torno a pena definitiva em 01 (um) mês
e 10 (dez) dias de detenção.

2. Crime de desobediência

Circunstâncias judiciais do art. 59, do Código Penal.

Culpabilidade: No caso, tenho que a culpabilidade do acusado


não foge ao grau ordinário de censurabilidade das condutas deste jaez.

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Antecedentes: O réu registra antecedente criminal,


consistente em uma condenação com trânsito em julgado, que não constitui
reincidência (fls. 63).

Conduta social: Os elementos dos autos são insuficientes


para valorar a conduta social do réu.

Personalidade do agente: Os elementos dos autos são


insuficientes para valorar a personalidade do réu.

Motivos: são inerentes ao tipo penal.

Circunstâncias: é tudo o que se encontra ao redor do fato e


que possa ter influído na sua realização. Nada de relevante a ser observado na
espécie, não justificando aumento sobre o mínimo legal.

Consequências: Houve o descumprimento de uma ordem


judicial, circunstância, contudo, inerente ao tipo penal, não podendo ser
valorada em desfavor do acusado.

Comportamento da vítima: Não há prova se a vítima


contribuiu ou não para eclosão do evento.

Assim, diante dos maus antecedentes, fixo a pena-base em 20


(vinte) dias de detenção.

Agravantes. Incide em desfavor do réu a agravante prevista no


art. 61, inc. II, alínea ‘f’, do Código Penal, razão pela qual agravo a pena em 05
(cinco) dias.

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Atenuantes. Incide em favor do acusado a atenuante da


confissão espontânea, prevista no art. 65, inc. III, alínea ‘d’, do Código Penal,
razão pela qual atenuo a pena em 05 (cinco) dias.

Causas de Aumento e Diminuição: Inexistem causas de


aumento ou diminuição, razão pela qual torno a pena definitiva em 20 (vinte)
dias de detenção.

Concurso Material: Aplico a regra do concurso material


prevista no art. 69 do Código Penal, cumulando as penas do crime de ameaça
e desobediência, restando uma pena de 02 (dois) meses de detenção, a qual
torno definitiva.

Do regime inicial e das substituições. Diante do quantum da


pena aplicada, o regime inicial para o cumprimento é o aberto, nos termos da
alínea “c”, do § 2º, do art. 33, do Código Penal. Incabível a substituição, posto
que o crime foi cometido com grave ameaça a pessoa, nos termos do art. 44,
inc. I, do Código Penal. Deixo ainda de aplicar a suspensão condicional da
pena prevista no art. 77 do Código Penal, tendo em vista os maus
antecedentes do réu.

Transitando em julgado este acórdão, caberá ao Juízo de


origem adotar as providências de praxe.

Ante o exposto, ACORDAM os Desembargadores integrantes


da PRIMEIRA CÂMARA CRIMINAL DO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO
DO PARANÁ, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, para
condenar o réu como incurso nas sanções dos arts. 147 e art. 330, c/c art. 69,
todos do Código Penal, a pena de 2 (dois) meses de detenção a ser cumprida
em regime aberto.

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Participaram do Julgamento os Desembargadores Telmo


Cherem e Antonio Loyola Vieira.

Curitiba, 29 de novembro de 2012.

Macedo Pacheco

Relator

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