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Nível de Ação NR 9 (ele faz a diferença no seu PPRA)

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Nestor Waldhelm Neto March 9, 2016

Faaaaaaaaalaa prevencionista, tudo bem?

Você precisa entender uma coisa, o PPRA tem ligação com a NR 15, ou seja, a NR 9 tem
ligação com a NR 15. Poucos profissionais sabem disso, poucos profissionais da área de
segurança do trabalho se dão o trabalho de entender sobre isso. Conhecer essa relação é
fundamental para você ter um PPRA eficiente na sua empresa.

Então vamos começar pela NR 9 (Norma Regulamentadora 9), itens 9. 3.6.1:

Para os fins desta NR considera-se o nível de ação o valor acima do qual devem ser
iniciadas as ações preventivas de forma a minimizar a probabilidade de que as exposições
agentes ambientais ultrapassem os limites de exposição. As ações devem incluir o
monitoramento periódico da exposição, a informação aos Trabalhadores e o controle
médico.

Sugestão de vídeo: Controle Sistemático e Repetitivo – NR 9

Limite de Tolerância: É a intensidade (no caso do ruído) ou concentração (no caso do


produto químico) máxima, relacionada com a natureza e o tempo de exposição ao agente,
que não causará dano à saúde da maioria dos trabalhadores expostos, durante a sua vida
laboral. Conceito NR 15.

Nível de ação: É o valor acima do qual devem ser iniciadas ações preventivas de forma a
minimizar a probabilidade de que as exposições a agentes ambientais ultrapassem os
limites de exposição. Conceito NHO 1.

VEJA EM VÍDEO ABAIXO

O PPRA TEM LIGAÇÃO COM A NR 15

O PPRA pode ter ligação até mesmo com a ACGIH (American Conference of
Governmental Industrial Higyenists) a NR 9 deixa em aberto essa possibilidade no item
9.3.5.1 letra “c”.

Quando não houver limites de tolerância na NR 15 eu posso buscar na ACGIH, ou mesmo,


em qualquer outra norma para buscar a segurança do trabalhador.

Vale lembrar que o limite de tolerância é fundamental para ter parâmetros sobre os
agentes agressivos a saúde do trabalho.

NÃO SEJA CABEÇÃO!

O que acontece hoje? O profissional avalia o ambiente de trabalho e descobre “X


decibéis”… A partir daí ele não sabe o que fazer com tal informação! É preciso pensar que:

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de que adianta eu avaliar o ambiente de trabalho se não souber o que eu vou fazer com
tal informação?

Com as informações apresentadas no artigo de hoje você vai saber exatamente como usar
essa informação.

Antes de entrar no limite de tolerância e nível de ação vou te apresentar alguns conceitos
que são casadinhos com eles…

NEM TODO AGENTE AGRESSIVO TEM LIMITE DE TOLERÂNCIA


Se você observar a NR 15 vai perceber uma coisa interessante, alguns agentes até dão
insalubridade, mas não tem limite de tolerância e consequentemente nível de ação, por
exemplo, umidade… O simples fato da pessoa ou do trabalhador trabalhar em ambientes
molhados (trabalhar molhado) dá direito a insalubridade, mas, repare que para esse
agente de risco não tem limites de tolerância e consequentemente nível de ação.

ANALOGIA AO COPO

Em vez de você colocar água nesse copo você vai colocar ruído, faça essa analogia que
vai facilitar bastante a sua compreensão.

Limite de tolerância do ruído ocupacional é de 85 dB(A), o nível de ação e metade do nível


de tolerância, o dobro de 85 é quanto? 170? Isso mesmo! E quanto é a metade de 85
dB(A)?

Se você disse 42,5 você errou… ;(

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No ruído ocupacional segundo a NR 15 a exposição dobra ou diminui a cada 5 dB(A),
certo!

O dobro de 85 dB(A) não é 170 dB(A)! O dobro de 85 dB(A) é 90 dB(A). Da mesma forma,
a metade de 85 dB(A) não é 42,5 é 80 dB(A).

O nosso nível de ação do ruído ocupacional é 80 dB(A).

ISSO SIGNIFICA QUE…

A partir de 80 decibéis empresa já deve trabalhar no controle de ruído ocupacional. A ação


recomendada não é logo de imediato e fornecer protetor auditivo. Lembre-se da hierarquia
das medidas de controle prevista na NR 9. Medidas administrativas, medidas coletivas e
por último (e esse último só acontece quando não for possível implantar medidas coletivas
anteriores) é que partimos para medidas de controle individual, o ficou famoso EPI
(Equipamento de Proteção Individual).

Com 80 dB(A) de média de exposição ao ruído ocupacional o empresa tem que agir no
controle do ruído. E quando a exposição der o limite que é 85 dB(A) o trabalhador passa a
ter direito a insalubridade.

Para insalubridade preciso lembrar que não deve ser abordada dentro do nosso PPRA.
Insalubridade deve ser abordada na NR 15, e para isso, é preciso fazer um Laudo de
Insalubridade.

INTERPRETANDO O GRÁFICO

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Vamos considerar que o gráfico representa a exposição durante uma jornada de trabalho:

Na curva 1 – A exposição é considerada segura, e sendo assim, não é necessária


nenhuma ação de controle de riscos ocupacionais.

Na curva 2 – A exposição é considerada segura por estar abaixo do LT (Limite de


Tolerância), porém, por ter ultrapassado o nível de ação é necessário ação preventiva.
Exemplo: Uso de EPC (Equipamento de Proteção Coletiva) ou EPI (Equipamento de
Proteção Individual).

Na curva 3 – A exposição é considerada insegura, pois ultrapassou o Limite de Tolerância.


Neste caso é necessário uma intervenção imediata ou interrupção da atividade. Tal
exposição também gera pagamento de insalubridade (reforçando … Essa informação não
deve constar no PPRA)

Na curva 4 – Repare que a exposição 4 mesmo tendo passado o LT em determinado


momento da jornada de trabalho não é insalubre. Pois a maior parte do tempo à exposição
se manteve abaixo do LT. A exposição é considerada segura, porém, por ter ultrapassado
o nível de ação é necessário ação preventiva. Exemplo: Uso de EPC ou EPI.

SUSCEPTIBILIDADE INDIVIDUAL

Outra questão que preciso ficar muito presente é para a questão de susceptibilidade
individual…

Não podemos confiar cegamente no Limite de Tolerância. Ele é um parâmetro importante,


mas, não devemos confiar cegamente nele, assim como não devemos confiar cegamente
no Nível de Ação da NR 9.

Então o que devo fazer?

Eu devo ficar de olho na susceptibilidade individual do trabalhador porque pode ter


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trabalhadores que com 70 dB(A) já vão começar a ter problemas na audição. Já vão ter
zumbido no ouvido, já vão ter problemas…

Sugestão: Trabalhe numa zona de segurança se a NR 15 diz 80 dB(A), Trabalhe com 79,
trabalhe com 78, para não correr risco de ser pego na questão da susceptibilidade.
Fazendo assim você está transformando seu PPRA num programa à prova de balas.

IMPORTANTE!!!

Sempre que a NR 15 fala de exposição limite de tolerância ela está falando de exposição
sem proteção, passou dos 85 sem proteção gera direito a insalubridade. Para atenuar o
ruído o que vou fazer?

Vou pegar observar esses 85 dB(A) e dar uma olhadinha, por exemplo, na caixa do
protetor auditivo, lá tem escrito o nível de ruído que ele atenua. Então seria 85 menos (-) o
nível que atenua. E pronto, eu cheguei à proteção que o meu protetor auditivo fornece.

Então repare que é muito importante você entender sobre nível de ação e limite de
tolerância, senão você vai avaliar, mas não vai saber como controlar e quando o controlar o
agente de risco no seu ambiente de trabalho.

Esse mesmo conceito de nível de ação você pode utilizar para o ruído que no caso é
verificado em dose, você pode utilizar para produtos químicos que no caso verificado
através da concentração, e você pode usar também para vibração.

Outro agente, no caso o calor, tem Limite de Tolerância, mas não tem Nível de Ação.

Quer aprender todos esses conceitos pessoalmente comigo?

Eventos pelo Brasil (Piauí, Bahia, etc)

Que Deus nos abençoe

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