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A situação da música no fim do mundo antigo:

800-461 a.c – Ascensão das cidades-estados gregas

 A música grega assemelhava-se à da igreja primitiva em muitos aspectos


fundamentais. Era, em primeiro lugar, monofônica, ou seja, uma melodia sem
harmonia ou contraponto. Muitas vezes, porém, vários instrumentos embelezavam a
melodia em simultâneo com a interpretação por um conjunto de cantores, assim
criando uma heterofonia. Mas nem a heterofonia nem o inevitável canto em oitavas,
quando homens e rapazes cantavam em conjunto, constituem uma verdadeira
polifonia. A música grega, além disso, era quase inteiramente improvisada. Mais ainda:
na sua forma mais perfeita (teleion melos), estava sempre associada à palavra, à dança
os a ambas; a sua melodia e seu ritmo ligavam-se inteiramente à melodia e ao ritmo
da poesia, e a música dos cultos religiosos, dos teatros e dos grandes concursos
públicos era interpretada por cantores que acompanhavam a melodia com
movimentos de dança predeterminados. Porém: foi a teoria, e não a prática, dos
gregos que afetou a música da Europa Ocidental na Idade Média.
 Olhas modos gregos.
 Nos primeiros séculos da igreja cristã alguns aspectos da vida musical antiga foram
rejeitados. Um desses aspectos foi a ideia de cultivar a musica apenas pelo prazer que
tal arte proporcionava. Não porque lhes desagradasse a música, mas porque sentiam a
necessidade de desviarem o número crescente de convertidos de tudo que os ligasse
ao seu passado pagão.
 Todo o corpo do cantochão provém de fontes francas, que, provavelmente, se
baseavam em versões romanas, com acrescentos e correções da responsabilidade dos
escribas e músicos locais.
 Este repertório foi reorganizado sob a supervisão do papa Gregório I na intenção de
regulamentar e uniformizar os cantos litúrgicos.

Canto litúrgico e canto secular da Idade Média

 Duas principais categorias de serviços religiosos são: ofício e missa.


 Os ofícios ou horas canônicas, celebram-se todos os dias a horas determinadas, a
horas determinadas sempre pela mesma ordem (admitia canto polifônico).
 Missa:

Próprio Ordinário
Introdução Intróito (salmo + antifonia)
Kyrie
Gloria
Colecta
Liturgia da Palavra Epístola
Gradual
Aleluia (ou tractos)
Evangélio
[Sermão]
Credo
Liturgia da Eucaristia Ofertório
Prefácio
Sanctus
Agnus Dei
Comunãho
Pós –comunhão
Ite, missa est

 Missa começa com introito (Salmo mais sua antifonia), cantado durante a entrada do
padre. Logo em seguida o coro canta o Kyrie (Senhor, tende piedade de nós) e o Gloria
(iniciado pelo padre e seguido pelo coro). Em seguida vêm a Colecta (orações) e a
Espístola do dia e logo após o gradual e o aleluia (ambos cantados por solista). Lê-se o
evangélio e o credo é começado pelo padre e continuado pelo coro. O ofertório e o
prefácio levam ao Sanctus e o Agnus Dei (ambos cantados pelo coro).
 O cantochão pode ser:
o Bíblico e não bíblico;
o Antifonal (alternância entre coros), responsorial (solista altera com o coro) ou
directo (sem alternância);
o Silábico (1 sílaba por nota), melismático ou neumático (2 ou mais sílabas por
nota).
 Na maioria dos casos a linha melódica tem a forma de um arco: começa em baixo,
eleva-se até um ponto mais alto, onde permanece por um tempo e volta a descer no
final da frase.
 Em relação à forma de canto, podem ser: as formas exemplificadas nos tons de
salmodia, forma estrófica e forma livre.

Categorias de canto utilizados nas missas

 Recitação: os cantos para recitação de orações estão na fronteira entre a fala e o


canto. Consistem numa única nota de recitação (tenor). A nota de recitação pode ser
por uma formula introdutória de duas ou três notas (initium).
 Tons de salmodia são entoados nos ofícios e compostos da seguinte maneira: initium,
tenor, mediatio (meia cadência no meio do versículo), e terminatio (cadência final).
Geralmente o último versículo é seguido pela dixologia menor (Gloria Patri, et Filio, et
Spiritui Sancto). O entoar do salmo num ofício é precedido por um antífona. Este tipo
de canto é antifonal porque há alternância coral.
 Antífona é o versículo cantado antes do salmo. Como se destinavam a um grupo de
cantores e não a solistas, não tinham ou tinham pouca ornamentação e ritmo não
complexo.
 Responsório: parecido com antífona. Um versículo é cantado pelo solista e repetido
pelo coro (antes de uma oração).
 Tracto é originalmente cantado por solista. São os cânticos mais longos por terem os
textos mais longos e muitos desenhos melismáticos.
 Graduais são mais ornamentados que os tractos e têm uma estrutura diferente: um
refrão introdutório ( responso ) começado pelo solista e continuado pelo coro e um
versículo cantando pelo solista e acompanhado pelo coro na última frase.
 Aleluias consistem num refrão sobre a palavra aleluia com jubilus (melisma sobre o
“ia” do aleluia), um versículo do salmo e a repetição do refrão. Possui uma forma
diferente de todas as outras categorias pois, apresenta uma repetições sistemáticas de
seções diferentes.
 Ofertórios são semelhantes no estilo melódico aos graduais e na forma aos aleluias. Os
melismas do ofertório tem relação direta com o texto e desempenham uma função
expressiva, não decorativa.
 Cantos dos ordinários: melodias silábicas muito simples cantadas pela congregação.

Desenvolvimentos do cantochão

 O renascimento carolíngio dos séculos VIII e IX proporcionou um desenvolvimento de


certo número de centros musicais. Junto a isso a conversão de novos povos ao
cristianismo não apenas novas melodias ao cantochão, mas também novas formas.
 Tropos: aparecem com mais frequência nos introitos e servem de introdução a um
cântico regular ou como interpolação do seu texto e música.
 Sequências se originaram dos grandes melismas encontrados no aleluia. Porém, a
sequência logo se separou e começou a se desenvolver como uma forma
independente de composição. Na sequência cada estrofe é seguida por outra com
exatamente mesmo número de sílaba e mesma acentuação (a bb cc dd).
 Drama Litúrgico são encadeamentos de muitos cânticos, com procissões e
movimentações que, embora, não seja ainda propriamente teatro, aproxima-se muito
de tal. A música era, porém, o principal embelezamento e recurso expressivo
complementar aos textos litúrgicos.

Teoria e prática musical na Idade Média

 Os tratados da Idade Média eram muito mais ligados à pratica. Boécio destacava-se
com fundamentos da matemática na formação de escalas e intervalos, porém, seus
tratados não resolviam problemas na composição de formas primitivas de polifonia.
 Guido de Arezzo venerava Boécio, mas afastava-se da teoria musical grega, propondo
modos diferentes onde se conseguia compor melodias e combinar duas ou mais vozes
cantando simultaneamente.
 Modos eclesiásticos:
o Modos autênticos: dórico (RÉ – primeiro modo), frígio (MI – terceiro modo),
lídio (FÁ – quinto modo) e mixolídio (SOL – sétimo modo);
o Modos plagais (começam uma quarta abaixo do modo autêntico
correspondente;
o Finais eram a primeira nota do modo autêntico e quarta nota do modo plagal
correspondente;
o Tenor ou tom de recitação era a quinta nota do modo autêntico e uma terça
abaixo do modo autêntico no modo plagal (sempre que o tenor cai na nota Si,
ele sobe para a nota Dó);
o A final, o tenor e o âmbito da melodia são o que caracterizam o modo.

 O único acidente utilizado no cantochão era o Sib.


 Os modos eram um meio de classificar os cânticos e organizar os livros litúrgicos. Mas
nem todo cântico seguia as regras dos modos, logo, funcionava mais na teoria que na
prática.
 Guido de Arezzo utilizava as sílabas ut, re, mi, fa, sol, la para auxiliar os cantores na
leitura a primeira vista.
 O modelo de solmização de Guido deu origem aos hexacordes, que possuíam o Si duro
(si natural) e o Si mole (si bemol).
 Quando a leitura ultrapassava as notas do hexacorde, ocorria a mutança, onde se
deixava o hexacorde e passava-se para outro.
 Mão guidoniana: os alunos aprendiam a cantar com o mestre apontando as notas com
a mão direita e articulando com a mão esquerda. Existiam articulações para as 20
notas do sistema.
 Guido de Arezzo descreveu a pauta de 4 linhas no século XI, o que tornou possível
registrar com precisão a altura relativa das notas e não depender da tradição oral.
Porém não existia a notação de duração, e na prática moderna todas as notas
possuem o mesmo valor.
Música não litúrgica e secular

 Jograis eram uma categoria de músicos profissionais que surgiu no século X e sua
tradição profissional levou a conhecida música dos trovadores.
 Trovadores eram pessoas que compunham ou escreviam qualquer tipo de peça
(começaram no sul da França). Podiam subir de categoria social se fossem talentosos.
O principal tema das canções era o amor e o gênero mais cultivado era a Pastourelle
(cavaleiro faz corte a uma pastora).
 As melodias dos trovadores e troveiros eram silábicas com melismas na última ou
penúltima sílaba. Tinham uma estrutura estrófica com rima (ababcdcd) e refrão. Tinha
um âmbito de melodia limitado (sextas, no máximo, oitavas) e utilizavam o primeiro e
o sétimo modos com seus respectivos plagais.
 A música dos troveiros possuía frases curtas e bem definidas, melodia fácil e afinidade
com o folclore francês, enquanto a música dos trovadores tinha uma melodia mais
complexa, ritmo livre e estrutura mais sofisticada. Foi modelo para a escola alemã de
poeta-compositores minnesinger.
 Meistersinger foram os sucessores dos minnesinger. Na França no final do século XIII a
arte dos trovadores começou a ser cultivada pelos burgueses cultos e na Alemanha
ocorreu o mesmo nos séculos XIV, XV e XVI. Porém as regras dos meistersinger eram
tão rígidas que a música acabou ficando inexpressiva.
 As estampidas (dança) dão os mais antigos exemplos conhecidos de um repertório
instrumental que, sem dúvida, remota a uma época muito anterior ao século XIII. É
pouco provável que na alta Idade Média houvesse alguma música instrumental além
do que se associava ao canto ou à dança, mas seria completamente incorreto pensar-
se que a música desse período era exclusivamente vocal.

Antedecentes históricos da polifonia primitiva

 No século XI ocorreram muitas mudanças na Europa Ocidental e isso foi refletido na


música:
o A composição foi pouco apouco substituindo a improvisação. Gradualmente
foi surgindo a ideia de compor a melodia uma vez por todas, em vez de
improvisar a cada interpretação;
o A invenção da notação musical tornou possível escrever a música de uma
forma definitiva. Deste modo, composição e execução passaram a ser atos
independentes, a função do intérprete passou a ser a mediação entre
compositor e público;
o A música começou a ser mais conscientemente estruturada a sujeita a certos
princípios ordenados e foram apresentados em tratados;
o A polifonia começou a substituir a monofonia.
 Nos primeiros mil anos da era cristã a igreja do Ocidente absorveu e adaptou para uso
próprio tudo o que pode da música da antiguidade e do Oriente. Por volta de 600 d.C.
este processo de absorção e conversão estava concluído, e ao longo dos quatrocentos
anos seguintes o material foi sistematizado, codificado e disseminado por toda Europa
Ocidental.
 O Organum primitivo teve origem no século IX num tratado anônimo que descrevia
duas formas distintas de cantarem conjunto e são chamadas de organum.Neste tipo
primitivo de organum, uma melodia é interpretada por uma voz, vox principais, e é
duplicada uma quinta/quarta inferiorpor uma segunda voz, vox organalis (as vozes
também podem ser duplicadas em oitavas). O organum na sua fase primitiva limitava-
se a duplicar a voz original num intervalo fixo, sem grande desenvolvimento utilizando
a três consonâncias (quarta, quinta e oitava). Quando ocorre o uso de outros
intervalos além das consonâncias, eles são considerados dissonâncias e exigem
resolução. O ritmo é o do cantochão.
 Na execução, a polifonia sendo mais difícil, era cantada pelos solistas e a monofonia
pelo coro inteiro em uníssono. No final do século XI, os compositores já conseguiam
combinar duas linhas melódicas independentes fazendo movimentos oblíquos e
contrários. A notação precisa permitia a estabilização dos intervalos simultâneos.
Faltava apenas o desenvolvimento de ritmos independentes.
 O progresso da notação musical se deu ao desenvolvimento da polifonia.
 O Organum melismático teve início no século XII. A melodia do cantochão original
(tocada ou cantada) corresponde sempre à voz mais grave, mas cada nota é
prolongada de modo a permitir que a voz mais aguda (o solo) cante contra ela frases
de comprimento variável. Esse novo tipo de oraganum aumentou a duração das peças
e retirou da voz grave o caráter original de melodia definida (o voz mais grave passou a
ser chamada de tenor).
 Os modos rítmicos indicavam padrões rítmicos diferentes por meio de certas
combinações de notas e especialmente de grupos de notas. Os padrões possuíam
números, como: I = semínima e uma colcheia ou II = colcheia e uma semínima. Nesse
sistema, uma melodia no modo I deveria consistir numa repetição indefinida do
padrão “semínima e colcheia”, terminando cada frase com uma pausa. Porém na
prática, o ritmo era mais flexível, as notas podiam se dividir em unidades menores ou
duas notas combinavam-se numa só. A polifonia até o século XIV permaneceu
dominada por uma divisão ternária semelhante ou 6/8 e 9/8.
 Organum de Notre Dame: a escola de Notre Dame teve dois destaques em
compositores, Leonin (1159-1201) e Perotin (1170-1236). As mais altas realizações do
organum tiveram origem no trabalho da escola de Notre Dame.
o Leonin desenvolveu três tipos de composição: o organum, o conductus e o
motete. Utilizava justaposição de elementos antigos e novos, fazendo alterar o
contraste do organum melismático com o ritmo mais animado das cláusulas de
descante (partes melismáticas com ritmo mais animado). As cláusulas de
descartes forem evoluindo e acabaram tornando-se composições
independentes que deram origem ao motete.
o Perotin utilizava de uma precisão rítmica e das clausulae de substituição
(secções de estrutura bem definida e estilizada que substituíam as cláusulas de
descarte). Expandiu o organum de duas vozes para três ou quatro vozes.
 O Conductos polifônico desenvolveu-se a partir de fontes semilitúrgicas. Eram poemas
métricos em latim quase nunca litúrgicos, porém com temas sagrados. Quando
seculares, falavam de temas morais ou acontecimentos históricos. Eram bem menos
complexos que os organum, com duas, três ou quatros vozes e utilizavam as
consonâncias quartas, quintas e oitavas (com frequência utilizavam as terças). As vozes
evoluíam no mesmo ritmo e tinham letra em forma silábica. O tenro servia de cantus
firmus. O conductus foi a primeira expressão musical ocidental polifônica inteiramente
original. Porém, caíram em desuso na segunda metade do século XIII e deram espaço
para o motete.
 Os motetes tiveram origem nas cláusulas de descarte e substituição, que acabaram
desenvolvendo-se e tornaram-se uma composição independente. A maioria dos
motetes tem textos diferentes para cada voz. Sofreram algumas modificações em
relação às clausulas: podiam introduzir uma maior variedade de ritmo e fraseado nas
melodias; foram escritos para serem cantados fora dos serviços religiosos, em cenários
profanos, utilizavam a estrutura do cantus firmus, mas como, este, não desempenhava
nenhuma função litúrgica, estes tenores, provavelmente, eram tocados por
instrumentos e seguiam um padrão ritmo regular; na segunda metade do século XIII,
por volta de 1215, tornou-se habitual utilizar textos diferentes parar as vozes do
motete. A partir de 1275, os tenores dos motetes passaram a ser extraídos de fontes
que não eram os livros de Notre Dame. Com a expansão do repertório, deu-se um
relaxamento em como eram utilizadas as formulas rítmicas modais e o ritmo foi
ganhando uma maior flexibilidade.
 A notação musical se desenvolveu para acompanhar a complexidade dos motetes,
principalmente a parte rítmica.
 Hoqueto: a melodia é interrompida por pausas, dando a impressão de soluços.
 Resumidamente, o período até agora tratado é denominado Ars Antiqua (século XII até
o final do século XIII). O centro da música era em Paris e as três principais polifonias
eram: Organum, conductus e motete.

Música francesa e italiana do século XIV

 No século XIV houve a separação efetiva da Igreja e do estado.


 A ars nova na França:
o Os compositores do século XIV produziam muito mais música profana do que
sacra. O motete já estava secularizado no final do século XIII e este fenômeno
só aumentou, com algumas mudanças no motete: o tenor era mais longo, os
ritmos mais complexos e a linha melódica evolui tão lentamente sob as notas
mais rápidas faz voz superior que perde a função de melodia, sendo apenas
alicerce para a construção da peça;
o O motete isorrítmico era composto por color (conjunto de intervalos
melódicos) e talea (estrutura do ritmo). Esses dois elementos se combinavam
e davam complexidade ao ritmo. A isorritmia era utilizada para gerar uma
unidade formal à composições longas. As repetições interligadas de color e
talea não eram obvias para quem ouvia, e essa estrutura oculta agradava o
musico medieval.
o Guillaume de Machaut foi o mais importante compositor do ars nova. Seus 23
motetes baseavam-se no modelo tradicional de um tenor litúrgico
instrumental e textos diferentes para as duas vozes agudas. A isorritmia não
ficava apenas no tenor, era utilizada também, nas vozes agudas. O hoquete
teve papel importante em sua obra. As tendências do ars novas (ritmo binário)
são mais presentes no desenvolvimento do estilo de baladas ou cantilenas
(três ou quatro estrofes com mesma musica, seguidas por um refrão). A Messe
de Notre Dame foi uma inovação para época e para os próximos 75 anos. As
cinco divisões do ordinário foram compostas como uma musica só, sem
separação.
 A música na Itália no século XIV era chamada Trecento. A música sacra era improvisada
e a polifonia só começou a partir de 1330. O códice Squarcialupi contém 352 peças
seculares diferentes, na sua maioria para 2 ou 3 vozes, de doze compositores do
século XIV e inicio do século XV. Essas peças eram divididas em: Madrigal, Ballata e
Caccia.
o O Madrigal era escrito para 2 vozes e assemelhava-se ao conductus;
o A Caccia era uma música animada a 2 vozes iguais em cânone e uníssono.
Tinha um suporte instrumental livre, mais lento e mais grave. Utilizava
hoquete;
o A Ballata foi a última a florescer. Utiliza a polifonia e tinha forma parecida com
o viralai francês;
o Francesco Landini foi o maior compositor de ballate e o mais destacado
musico do século XIV. Não escreveu musica sacra. Sua ballates a 3 vozes
assemelham-se as ballades francês, ou seja, uma voz solo acompanhada por 2
instrumentos;
o No final do século XIV, a música dos compositores italianos começou a perder
suas características nacionais e a absorver o estilo francês contemporâneo.
 A música francesa do final do século XIV é um paradoxo característico da época, pois a
corte papal de Avignon foi o centro mais importante de composição de música
profana. Algumas das baladas incluem referências acontecimentos e personalidades
da época, mas as peças são, na sua maior parte, cantigas de amor, muitas delas obras
de uma requintada beleza, com melodias cheias de sensibilidade e harmonias
coloridas: exemplos de uma arte aristocrática (para ouvintes cultivados e interpretes
profissionais). Um dos traços característicos da musica profana francesa do período é
uma flexibilidade rítmica. O canto utilizava hoquetes, sincopas e rubatos.
 Música ficta era a denominação utilizada quando apareciam notas fora das notas
estabelecidas pela mão guidoniana. Boa parte da música do século XIV, tanto francesa
como italiana, tem um sabor especial conferido pelo uso de notas elevadas ou
abaixadas através de acidentes escritos ou na interpretação.
 A notação musical do século XIV utilizava o sistema francês, pois ele se adaptva melhor
ao estilo musical da época. A divisão ternária era considerada perfeita e a binaria,
imperfeita. Foi nessa época que a notação ficou mais similar com a notação atual.
 Não se sabe ao certo a instrumentação da época, pois os manuscritos musicais nunca
diziam se uma parte era instrumental ou vocal, muito menos especificavam a
instrumentação. Os instrumentos eram divididos em altos e baixos, tendo relação com
o volume e não com a altura dos instrumentos. Os primeiros instrumentos de teclas
foram inventados no século XIV, mas só passaram a ser utilizados no século seguinte.
 Por volta de 1400 os estilos francês e italiano já tinham começado a se fundir num só.
Música inglesa do século XV

 A musica inglesa tinha uma relação bastante estreita com a musica popular, com uma
tendência para a tonalidade maior e o uso de terças e sextas paralelas. No século XV os
ingleses deram preferencia ao cantochão Salisbúria ao invés do cantochão romano. A
escola de composição inglesa estava na catedral de Worcester. As características da
musica inglesa se evidenciam nos rondellus (cânones).
 Fauxbourdon: surgiu entre 1420 e 1450 e afetou todos os tipos de composições. É uma
composição a duas vozes com evolução em sextas paralelas com oitavas intercaladas e
sempre terminavam com uma oitava no final de cada frase. O Fauxbourdon surgiu na
emergência da criação de um novo tipo de composição a três vozes em meados do
século XV.
 John Dunstable foi um importante compositor inglês que cultivou os principais tipos e
estilos de polifonia do seu tempo: motetes isorritmicos, partes de ordinários da missa,
cantigas profanas, e obras a três vozes sobre os mais diversos textos litúrgicos.
 Antífona votivas: gênero musical cultivado na Inglaterra. Era uma composição sacra
em louvor ao um determinado santo (geralmente Virgem Maria).
 A música do ducado de Borgonha tinha como principal compositor Guillaume Dufay e
os principais tipos de composição do período borganhês foram as missas, os
magnificants, os motetes e as chansons profanas com textos em francês. A maioria
das composições eram em compassos ternários, os compassos binários eram usados
para composições mais longas, com fim de causar contraste.
 Chanson de Borgonha: canções solo com acompanhamento. Qualquer composição
polifônica com texto profano em francês.
 Motetes de Borganha: nestes motetes pretendiam-se que as melodias gregorianas
fossem reconhecidas e não apenas limitadas a um resíduo simbólico da tradição.
 As missas e cantus firmus a quatro vozes são peças tardias na obra de Dufay, na sua
maioria posteriores a 1450. É bem evidente que tais composições são frutos de
métodos de construção que as distinguem das chansons, dos motetes escritos à
maneira de chansons e das missas do principio do século. Alguns aspectos das missas
de cantus firmus de Dufay são característicos de um estilo musical erudito que se
tornou dominante a partir de 1450. Todavia, a partir de 1430, a evolução valorizou
principalmente os aspectos que viriam a distinguir o estilo musical da época a que
chamamos Renascimento da Idade Média tardia: controle das dissonâncias,
sonoridades predominantemente consonantes, incluindo sucessões de sexta-terceira,
igual importância das vozes, congruência melódica e rítmica das diversas linhas,
textura a quatro vozes e recurso ocasional à imitação.

A era renascentista

 O principal movimento do renascimento foi o humanismo que consistia em reavivar a


sabedoria da antiguidade (domínio de gramatica, retórica, poesia, historia e filosofia
moral).
 Os compositores começaram a coordenar rigorosamente as silabas com as alturas e o
ritmo da musica escrita (o que antes era feito apenas pelos cantores).
 Johannes Ockeghem não era muito polifônico, tinha uma sonoridade parecida com
Dufay. Deixava o baixo cantar mais grave e como resultado, tem uma textura mais
cheia, mais densa, uma sonoridade mais sombria e ao mesmo tempo mais
homogênea.
 A chanson renascentista eram composições profanas livremente alteradas, escritas em
novos arranjos e transcritas para instrumentos. Constituíram uma reserva inesgotável
de cantus firmi para as missas.
 O Odhecaron era uma seleção de chanons a quatro vozes com uma textura mais
densa, um contraponto mais imitativo e estrutura harmônica mais clara.
 As missas ofereciam poucas formas de inovação, enquanto os motetes eram mais
livres. Logo, o motete tornou-se a forma de composição sacra que mais atraia os
compositores no século XVI.
 Missas de imitação eram as missas com mais de uma voz tiradas de uma chanson,
motete ou missa preexistentes. O modelo escolhido deixa de ser uma única linha
melódica e passa a ser toda uma textura de vozes contrapontísticas.
 Os compositores da época estavam tão preocupados com a musica que deixavam as
questões de distribuição de texto para os cantores. Josquin era destaque em adequar
musica ao texto.
 Musica reservada era a adequação da musica ao sentido das palavras.

Século XVI