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Este pequeno texto é o resultado de algumas leituras que tratam sobre a pregação narrativa,

um dos vários métodos de pregação que a homilética nos oferece. O meu objetivo é que
sirva como um pequeno e objetivo manual para aqueles que queiram se aventurar em um
estilo de pregação que nasce e se desenvolve, centrado e dependente do texto das Sagradas
Escrituras.
A história é a forma principal pela qual a revelação de Deus nos foi dada. O gênero literário
preferido do Espírito Santo é a narrativa. Do princípio ao fim, as Escrituras são elaboradas,
principalmente, sob a forma de relatos.
I – O QUE SÃO AS NARRATIVAS?

Narrativas são histórias. Na narrativa somos introduzidos a um cenário onde pessoas


interagem em uma situação específica. A Bíblia contém cerca de 400 narrativas, incluindo
histórias, parábolas e milagres. Isso representa dois terços das Escrituras!
Razões para utilizar Narrativas Bíblicas:

– Deus escolheu este método para revelar-se à humanidade;


– Alcançam pessoas de todas as idades, níveis culturais e pouco alfabetizadas;
– É mais fácil estudar e interpretar uma narrativa do que um texto discursivo;
– As narrativas aplicam-se às mais variadas situações da vida;
– Facilitam a comunicação da mensagem, prendendo a atenção dos ouvintes;
– Ficam na memória dos ouvintes por muito tempo e até para sempre;
– São úteis tanto para evangelizar, como para discipular;
– São grandes instrumentos para o pregador e professor.
II – COMO CONTAR UMA NARRATIVA

Há diversos métodos para comunicar por meio das narrativas:


1. a) Narração com diálogo: conta a narrativa e depois dialoga com os ouvintes sobre o
que eles entenderam;
2. b) Narração com pregação: narra uma historia bíblica e a usa como base para sua
pregação;
3. c) Narração com ensino: conta a história bíblica e a usa como base para ensinar;
4. d) Contemporizando a narrativa: transporta a história bíblica para tempos atuais e
conta a historia como se acontecendo hoje.
Algumas considerações importantes:

– A narrativa já é organizada para ser entendida. Aproveite a estrutura e use a sequência


natural dos fatos;
– Cuidado para não acrescentar fatos além dos que constam na narrativa bíblica (Ex: Não
podemos dizer que Jesus escreveu no chão os pecados dos acusadores da mulher adultera
em Jo 8.2-11);
– Às vezes, é necessário incluir fatos complementares não incluídos no texto, mas é
possível incluir fatos complementares que ajudem os ouvintes a entendê-las com clareza.
III – PREGANDO AS NARRATIVAS – O SERMÃO NARRATIVO

A narrativa é usada como um método para a preparação do sermão e sua entrega. Há duas
maneiras básicas de pregar as narrativas:
1. A Narração com a Pregação Depois: Narra a história bíblica e depois aplica as
lições;
2. A Narração com a Pregação Intercalada: O pregador começa narrando a história.
Quando chega a uma lição, faz a devida aplicação. E assim vai fazendo até o fim.
O ciclo de comunicação no método narrativo

1. a) Ler – Expor a passagem bíblica para o ouvinte, por meio da leitura;


2. b) Explicar – O sermão é a Palavra de Deus explicada. O texto bíblico é explicado
no desenvolvimento da pregação, por meio de divisões;
3. c) Ilustrar (opção) – encontrar exemplos, comparações, outras histórias que lancem
luz à explicação. A ilustração não deve substituir a explicação e deve ser usada
moderadamente;
4. d) Aplicar – A lição à vida dos ouvintes.
Lembre-se:

 O objetivo principal deste ciclo é levar os ouvintes a uma transformação de vida;


 Não importa se a explicação ou a ilustração vem primeiro, mas a aplicação sempre
vem por último;
IV – PROCESSO HOMILÉTICO PARA O SERMÃO NARRATIVO

O primeiro passo da pregação narrativa é o estudo detalhado do texto bíblico. Sem este
estudo, não há o que proclamar. Se o texto bíblico é o que será pregado, é necessário
estudar com cuidado o texto. Negligenciando esta etapa, o pregador poderá apenas propor
os seus próprios pensamentos, os quais podem ou não refletir o texto bíblico. Vejamos os
passos para elaborar uma pregação narrativa:
1. ABSORVER a passagem bíblica:
 Quando o leitor consegue absorver a narrativa para que seja a sua própria;
 Ler, ler e ler. Sempre acompanhado pela meditação;
 Considere o contexto. O contexto revela as circunstâncias históricas da narrativa;
 Determine a pessoa-chave. Quem é a pessoa mais destacada na narrativa? Pode
haver mais de uma;
 Determine o lugar-chave. Qual é o local principal dos acontecimentos?
 Determine as repetições-chave. Os acontecimentos em uma narrativa são ligados
por palavras, temas, fatos que são repetidos para enfatizar verdades;
 Observar a situação final. A narrativa encerra com a solução do problema, que
pode ser positivo ou negativo.
2. DEFINIR o objetivo da mensagem
 O segundo passo é definir o propósito a ser pregado. A definição do objetivo deve
coincidir com uma necessidade entre os ouvintes. Não é simplesmente recontar a
narrativa bíblica. A recontagem deve ter um propósito definido;
 Quando o objetivo for claro e definido, deve-se averiguar que realmente provém da
narrativa em questão. Deve-se, portanto, ter cuidado para estudar bem o texto
bíblico ao definir o objetivo.
3. Destaque os PRINCÍPIOS BÍBLICOS
 A recontagem deve enfatizar os princípios bíblicos que ilustram a natureza da
mensagem;
 É válido apontar ao ouvinte outras narrativas que apóiam os princípios bíblicos, se
for necessário afirmar a centralidade bíblica do assunto. Deve-se cuidar de deixar,
porém, que a narrativa primeiramente fale por si mesma.
4. Conclusão – APLICAÇÃO
 O pregador vai realizar as ligações entre o texto narrado e o contexto presente;
 Aplicar significa trazer para a realidade dos ouvintes o que foi aprendido na
narrativa. É mostrar como devem por em prática as verdades aprendidas;
 O pregador pode ser bom em explicar e ilustrar a lições, mas se falhar em aplicá-la à
vida dos ouvintes, seu trabalho poderá ser em vão.
Observação: Um elemento essencial e indispensável nesse processo é a ORAÇÃO.
V – MODELO DE ESBOÇO

– Tema
– Texto
– Introdução
– Desenvolvimento (divisões)
– Conclusão (aplicação)