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HIDROCICLONES

Introdução e princípios de funcionamento


Hidrociclones são equipamentos muito utilizados nas indústrias mínero-metalúrgica,
petroquímica e alimentícia para classificar e separar misturas de partículas leves e pesadas,
sendo utilizados nos processos de espessamento, deslamagem e classificação, por
exemplo. No processamento, a polpa é injetada, sob pressão, pelo duto de alimentação na
parte superior cilíndrica do equipamento. Como a entrada dessa mistura é tangencial, as
partículas são submetidas à força centrífuga, além da gravitacional, dando origem a um
movimento circular descendente (helicoidal) denominado vortex. As partículas maiores
sofrem maior ação dessas forças e, assim, ficam mais próximas à parede do equipamento,
enquanto as menores ficam mais perto do centro. O estrangulamento da parte cônica final
do hidrociclone, o ápex, dá origem a uma saída que não comporta todo o fluxo de entrada.
Estando as partículas mais pesadas mais próximas à parede e pela ação do campo
gravitacional, surge o underflow, fluxo de saída composto, majoritariamente, de fluido e
partículas maiores da polpa inicial. Por outro lado, a fração da polpa com partículas
menores, em razão das mesmas forças, ao se dirigirem ao estrangulamento, e sem saída,
formam um vortex secundário ascendente, na parte central do equipamento. Essa mistura,
então, sobe e passa pelo vortex finder, um pequeno prolongamento cilíndrico na parte
superior do hidrociclone, e é encaminhada para a segunda saída, o overflow. A Figura 1,
mostra com mais detalhes esse movimento de partículas no interior do equipamento em
funcionamento.

Figura 1. Representação dos vórtices no interior do hidrociclone. Fonte:


http://www.akwauv.com/Hidrociclones-AKA-VORTEX-e-distribuidores-radiais-AKA-SPIDER.htm

Classificações clássicas
Os dois grupos mais conhecidos de hidrociclones são os de geometria Rietema e Bradley.
As proporções geométricas desses dois grupos podem ser observadas na Tabela 1 abaixo,
sendo os parâmetros indicados na Figura 2.

Tabela 1. Proporções geométricas dos hidrociclones Rietema e Bradley.

Figura 2. Esquema mostrando as principais dimensões do hidrociclone.

Equacionamento e curva de partição

O diâmetro de corte (D*) do hidrociclone (diâmetro da partícula cuja probabilidade de


sair pelo underflow é de 50%) pode ser relacionado conforme a Equação 1.

(1)
Nessa equação, Dc é o diâmetro da parte cilíndrica do hidrociclone, k um parâmetro
que depende da configuração, μ e Q são a viscosidade e a vazão de fluido que alimenta o
hidrociclone, respectivamente, f(RL) é um fator de correção que leva em conta o fato de que
uma fração das partículas sólidas é coletada no underflow sem a ação da força centrífuga
(efeito "T") e g um fator que leva em conta a concentração volumétrica de sólidos na
alimentação, cv (Massarani, 1991). O fator f está relacionado ao quociente entre as vazões
de fluido no underflow e na alimentação (RL). As Equações 2 e 3 mostram como calcular f
(RL) e RL. Os parâmetros A, B, e C estão relacionados à configuração do hidrociclone. Du e
Dc são, respectivamente, os diâmetros do underflow e da parte cilíndrica do equipamento.
(2) (3)

Para partículas arredondadas, o fator g pode ser expresso por meio da equação 4.
Os parâmetros A, B, C e K e as condições de validade de operação estão reunidos na
Tabela 2.

(4)

Tabela 2. Parâmetros de configuração do hidrociclone e condições operacionais


recomendadas.

A expressão clássica que relaciona vazão e queda de pressão na Mecânica dos


Fluidos, regime turbulento estabelecido, é utilizada também para os hidrociclones, sendo a
queda de pressão medida entre o overflow e a alimentação. O valor de β (Equação 5)
depende da configuração do hidrociclone. A Equação 6 representa a velocidade média do
fluido na seção cilíndrica do hidrociclone (uc).

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A eficiência individual de coleta relativa à partícula com diâmetro D pode ser
expressa pela correlação empírica na Equação 7, enquanto a eficiência global alcançada no
hidrociclone pode ser expressa pela Equação 8 (em que D’ e n são parâmetros obtidos pelo
modelo proposto por Rosin-Rammler-Bennet (RRB)).

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Referências Bibliográficas
LUZ, A. B. et al, Tratamento de minérios, CETEM, 5ª edição, p 268-275. Rio de Janeiro, 2010.
SAMPAIO, J. A. et al, Tratamento de minérios: Práticas laboratoriais, CETEM/MCT, p 139-153.
CREMASCO, M. A.,Operações Unitárias em Sistemas Particulados e Fluidomecânicos, Blucher, 2ª
edição, p 193-198.