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UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL

ESCOLA DE ENGENHARIA
DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA CIVIL

Henrique Trespach Armiche

A INFLUÊNCIA DA TECNOLOGIA BIM NO


DESENVOLVIMENTO DO PROJETO ESTRUTURAL

Porto Alegre
Dezembro 2017
HENRIQUE TRESPACH ARMICHE

A INFLUÊNCIA DA TECNOLOGIA BIM NO


DESENVOLVIMENTO DO PROJETO ESTRUTURAL

Trabalho de Conclusão de Curso a ser apresentado ao


Departamento de Engenharia Civil da Escola de Engenharia da
Universidade Federal do Rio Grande do Sul, como parte dos
requisitos para obtenção do título de Engenheiro Civil

Orientador: Eduardo Luis Isatto


Coorientadora:Virgínia Maria Rosito d'Avila Bessa

Porto Alegre
Dezembro 2017
HENRIQUE TRESPACH ARMICHE

A INFLUÊNCIA DA TECNOLOGIA BIM NO


DESENVOLVIMENTO DE UM PROJETO ESTRUTURAL

Este Trabalho de Diplomação foi julgado adequado como pré-requisito para a obtenção do
título de Engenheiro Civil e aprovado em sua forma final pelo Professor Orientador e pelo
Professor Relator da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

Porto Alegre, dezembro de 2017

Prof. Eduardo Luís Isatto Profa.Virgínia Maria Rosito d'Avila Bessa


Dr. pela Universidade Federal Do Dra. pela Universidade Federal Do
Rio Grande do Sul Rio Grande do Sul
Orientador Coorientadora

BANCA EXAMINADORA

Prof. Eduardo Luis Isatto Profa. Virgínia Maria Rosito d'Avila Bessa
(UFRGS) (UFRGS)
Dr. pela Universidade Federal do Rio Dra. pela Universidade Federal do Rio
Grande do Sul Grande do Sul

Prof. Roberto Domingos Rios (UFRGS) Flávia Scortegagna Maritan


Dr. pela Universidade Federal do Rio (Construtora Virtual)
Grande do Sul Arquiteta pela Unisinos
Dedico este trabalho aos meus pais e minhas duas irmãs
pelo apoio incondicional que sempre me deram e,
especialmente, para a minha namorada Luana pela
paciência e compreensão que foram fundamentais durante
o desenvolvimento deste trabalho.
AGRADECIMENTOS

Agradeço ao Prof. Eduardo Luís Isatto e a Profa. Virgínia Maria Rosito D'avila Bessa pelo
conhecimento e dedicação que foram fundamentais para a realização desse trabalho.

Agradeço aos profissionais entrevistados por terem dedicado seu tempo para responder o
questionário e que tornaram a conclusão desse trabalho possível.

Agradeço aos meus familiares e a minha namorada Luana pelo apoio que me deram ao longo
de toda a graduação, inclusive nos momentos conturbados que me levaram a desistência do
curso, em um certo momento, e cujo apoio foi fundamental para o meu regresso.

Agradeço, por último, a UFRGS e a Escola de Engenharia por proporcionarem o


conhecimento que tornou necessário a obtenção do título de Engenheiro Civil.
RESUMO

Este trabalho versa sobre a influência da tecnologia BIM no processo de


desenvolvimento de um projeto estrutural, assim como na colaboração e troca de
informações entre engenheiros estruturais e arquitetos ao longo do processo de projeto.
Em um primeiro momento buscou-se na literatura as informações necessárias para a
compreensão dos principais aspectos que constituem essa tecnologia. Posteriormente,
através de entrevistas com profissionais da área procurou-se identificar os principais
impactos que o BIM causa na rotina do projetista de estruturas. Observou-se que a
forma como o BIM utiliza a informação e representa os objetos, proporciona a
automatização de processos morosos como a extração de relatórios, assim como a
realização de estudos de zonas complexas das peças estruturais, com altas taxas de
armadura. Além disso, foi constatado que o ambiente colaborativo fornece os meios
para que as equipes tenham acesso facilitado a informação e desenvolvam um projeto
de melhor qualidade. No âmbito do projeto simultâneo, os conceitos da Engenharia
Simultânea propõem alterações no fluxo de trabalho, trazendo a tona discussões que
seriam realizadas mais a jusante do processo de projeto quando o custo de alterações
se torna alto. Por último, foram analisadas as mudanças que ocorrem no fluxo de
trabalho do projeto estrutural e percebeu-se que as principais mudanças acontecem no
tempo dedicado a cada fase do projeto, deslocando a maior concentração de trabalho
da fase de detalhamento, para a fase de desenvolvimento da estrutura.

Palavras Chave: Projeto Estrutural. BIM. Estrutura. Colaboração. Projeto Simultâneo.


ABSTRACT

Armiche, Henrique. The influence of BIM technology on the structural design of


construction projects. Coursework dissertation. Porto Alegre, Brazil: Universidade
Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), School of Engineering, Department of Civil
Engineering. 2017.

The present research investigates the influence of the adoption of Building Information
Modeling (BIM) on the process and content of the structural design in construction
projects. The research began with a literature review on BIM to obtain a broad
comprehension of the main concepts of the BIM technology and its influence on the
product development in construction projects. Then, a number of interviews with
structural designers were carried on in order to understand the traditional workflow of
structural design and to assess their perception of how the adoption of BIM changed
their work routine. The interviews confirmed some of the arguments found in the
literature that encourage the adoption of BIM: less time to generate reports and bills of
quantities and simpler and effective ways to evaluate alternatives of complex structural
detailing. Moreover, it was possible to observe BIM favors the adoption of a more
collaborative environment along the design process by facilitating the design process
and providing means for easy access to the design information. An important finding
of the study is that the adoption of BIM technology affects significantly the workflow
of the structural design process by transferring a great share of work from the detailing
to the initial phases of product development cycle.

Keywords: Structural Design. BIM. Structure. Collaboration. Simultaneous Project.


LISTA DE FIGURAS

Figura 1 – Diagrama das etapas de projeto ...................................................................... 18


Figura 2 – Sequencia tradicional das etapas de projeto..................................................... 26
Figura 3 – Processo de projeto estrutural ......................................................................... 27
Figura 4 – Imagem 3D renderizada de uma instalação de ar condicionado ..................... 33
Figura 5 – Representação dos esforços estruturais ........................................................... 33
Figura 6 – Alterações nas medidas de um pilar de concreto ............................................ 35
Figura 7– Objetos BIM fixos, semiparamétricos e totalmente paramétricos ................... 36
Figura 8 – Troca de informações no modelo tradicional e no modelo compartilhado ..... 39
Figura 9 – Níveis de LOD de uma sapata rasa ................................................................. 45
Figura 10 – Comparação entre desenvolvimento de produto na Engenharia Sequencial
e na ES ............................................................................................................... 47
Figura 11 – Fluxograma genérico do projeto simultâneo aplicado a Construção Civil... 51
Figura 12 – Cronograma de desenvolvimento do projeto simultâneo ............................ 52
Figura 13 – Extração precisa de quantitativos ................................................................. 55
Figura 14 – Estudo de uma região com uma alta taxa de armadura ................................ 57
Figura 15 – Processo de projeto estrutural no ambiente BIM .......................................... 63
LISTA DE QUADROS

Quadro 1 – Etapas e atividades de projeto....................................................................... 24


Quadro 2 - Descrição dos Profissionais entrevistados .................................................... 53
LISTA DE SIGLAS

2D – Duas dimensões espaciais

3D – Três dimensões espaciais

AIA – American Institute of Architects

AEC – Arquitetura, Engenharia e Construção

AsBEA - Associação Brasileira de Escritórios de Arquitetura

BIM –Building Information Modeling

CAD – Computer Aided Manufacturing

EAN – European Article Number

ELS – Estado Limite de Serviço

ELU – Estado Limite Último

ES – Engenharia Simultânea

IDM - Information Delivery Manual

IFC – Industry Foundation Classes

LOD – Level Of Development

MVD - Model View Definition

NBR – Norma Brasileira

NIST – National Institute of Standards and Technology

PEB – Plano de Execução BIM

TI – Tecnologia da Informação

UV - Ultra Violeta
SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO .......................................................................................................... 15
2 DIRETRIZES DA PESQUISA.................................................................................. 17
2.1 QUESTÃO DE PESQUISA ..................................................................................... 17
2.2 OBJETIVOS DA PESQUISA .................................................................................. 17
2.2.1 Objetivo Principal................................................................................................. 17
2.2.2 Objetivo Secundário ....................................... .................................................... 17
2.3 DELIMITAÇÕES .................................................................................................... 17
2.4DELINEAMENTO .................................................................................................. 18
3 PROJETO ESTRUTURAL ..................................................................................... 20
3.1 ETAPAS DO PROJETO ESTRUTURAL................................................................ 20
3.1.1 Concepção Estrutural........................................................................................... 20
3.1.2 Análise Estrutural ............................................................................................... 21
3.1.3 Dimensionamento................................................................................................. 21
3.1.4 Detalhamento ....................................................................................................... 22
3.2 A INFLUÊNCIA DA INFORMÁTICA E OS DESAFIOS DO SETOR ................ 22
3.3 PROCESSO TRADICIONAL DE PROJETO......................................................... 23
3.3.1 Etapas do Processo Tradicional de Projetos...................................................... 23
3.3.2 Processo de Projeto Estrutural .......................................................................... 26
4 BIM - MODELAGEM DE INFORMAÇÕES DA CONSTRUÇÃO.................... 30
4.1 FUNCIONALIDADES E BENEFÍCIOS ................................................................ 32
4.1.1 Visualização 3D..................................................................................................... 32
4.1.2 Realização de Simulações Virtuais...................................................................... 33
4.1.3 Identificação de Interferências............................................................................ 34
4.1.4 Fácil Geração de Documentos e Quantidades.................................................... 34
4.1.5 Ambiente Voltado ao Trabalho Colaborativo................................................... 35
4.2 MODELAGEM PARAMÉTRICA DE OBJETOS 3D ............................................ 35
4.3 AMBIENTE COLABORATIVO ............................................................................. 37
4.3.1 Modelo Compartilhado........................................................................................ 38
4.3.2 Interoperabilidade................................................................................................ 40
4.3.2.1 IFC ...................................................................................................................... 41
4.3.2.2 IDM/MVD........................................................................................................... 42
4.3.3 Plano de Execução BIM ou Mandate................................................................... 42
4.3.4 LOD (Nível de Desenvolvimento)........................................................................ 44
4.4 PROJETO SIMULTÂNEO...................................................................................... 46
4.4.1 Projeto Simultâneo na Construção Civil .......................................................... 48
4.4.2 Fluxograma de um Projeto Simultâneo na Construção Civil ......................... 50
5 A INFLUÊNCIA DA TECNOLOGIA BIM NO DESENVOLVIMENTO DE
UM PROJETO ESTRUTURAL ........................................................................... 53
5.1 A INFLUÊNCIA DA MODELAGEM PARAMÉTRICA DE OBJETOS 3D....... 54
5.1.1 Informação Precisa Gerada de Forma Facilitada............................................. 54
5.1.2 Compatibilização de Projetos ............................................................................ 56
5.2 A INFLUÊNCIA DO AMBIENTE COLABORATIVO .......................................
57
5.2.1 Modelo Compartilhado como Centro do Processo de Projeto......................... 57
5.2.2 Interoperabilidade............................................................................................... 58
5.2.3 LOD (Nível de Detalhamento)............................................................................ 60
5.3 A INFLUÊNCIA DO PROJETO SIMULTÂNEO ................................................. 60
5.4 FLUXO DO PROJETO ESTRUTURAL NO AMBIENTE BIM............................ 62
5.5 PONTOS NEGATIVOS DO BIM ........................................................................... 64
6 CONSIDERAÇÕES FINAIS.................................................................................... 66
REFERÊNCIAS ............................................................................................................ 68
15

1 INTRODUÇÃO

Nos últimos anos, a tecnologia BIM (building information modeling) vem se consolidando
como o novo paradigma de projeto da construção civil. Esta tecnologia, que teve início na
década de 80, consiste em desenvolver um projeto onde informações são agregadas aos
elementos construtivos desenvolvidos em um ambiente de desenho 3D. Os softwares que a
utilizam trazem um ambiente colaborativo, onde é feito um modelo da construção exatamente
como será construído. Além disto, projetistas de diferentes especialidades podem trabalhar na
mesma plataforma virtual e ter acesso a todos os projetos no mesmo modelo. Esta ferramenta
tem grande potencial e pode trazer mudanças significativas para o processo tradicional de
desenvolvimento do projeto de Engenharia.

Da maneira como é tradicionalmente realizado, o projeto é majoritariamente uma atividade


sequencial. Os diferentes projetistas pouco ou nada discutem a concepção inicial do
empreendimento, salvo eventuais consultas ao engenheiro de estruturas (FABRICIO, 2002, p.
84), que normalmente recebe o projeto arquitetônico já definido, cabendo a ele apenas lançar
a estrutura em algum software, dimensionar e resolver as posteriores incompatibilidades. Por
isto, Fabrício (2002, p.86) afirma que a colaboração dentro deste processo fragmentado é
bastante prejudicada e a identificação, por parte de um projetista, da necessidade de mudanças
pode significar grandes retrabalhos em projetos feitos anteriormente

Como resultado deste processo pouco integrado, muitos problemas passam despercebidos e
são resolvidos diretamente na obra, de acordo com a criatividade da equipe de execução, que
na maioria das vezes não tem o conhecimento necessário para resolver problemas mais
complexos. Somando-se a isto, o fato da parte estrutural de um empreendimento ser,
geralmente uma das partes mais caras da obra, fica evidente a necessidade de um bom projeto
para evitar gastos desnecessários e desperdício de material.

Por ser um tópico relativamente novo, muito tem se discutido sobre como esta nova
tecnologia afeta a coordenação entre projetistas de diferentes especialidades e as etapas de um
projeto de engenharia. Embora tal discussão já seja bastante presente entre projetistas de
arquitetura e empresas contratantes de projetos, ela ainda não tem recebido a mesma atenção
por parte dos projetistas de especialidades complementares, em especial do projeto estrutural.
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A Influência da Tecnologia BIM no Desenvolvimento do Projeto Estrutural
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Por isto, este trabalho visa elucidar as diferenças entre este método tradicional de projetar,
geralmente feito com auxílio de ferramentas CAD (computer aided manufacturing), e o
projeto estrutural desenvolvido em ambiente BIM. Além disso, pretende descrever os
princípios dessa nova tecnologia, assim como as possíveis melhorias que as ferramentas BIM
podem trazer para o processo. Por último, esse trabalho visa auxiliar os estudantes de
engenharia a entender este cenário de mudança e se preparar para a futura realidade onde a
maioria dos escritórios de projeto utilizará softwares com esta tecnologia.

Este trabalho se limitará a tratar da influência do BIM no projeto estrutural de obras


residenciais e comerciais e também no intercâmbio de informações entre as equipes de projeto
estrutural e arquitetônico.

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Henrique Trespach Armiche. Porto Alegre: DECIV/EE/UFRGS, 2017
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2 DIRETRIZES DE PESQUISA

Para a elaboração deste trabalho foram elaboradas as seguintes diretrizes de pesquisa.

2.1 QUESTÃO DE PESQUISA

A questão de pesquisa deste trabalho é: Como a tecnologia BIM influencia o processo de


desenvolvimento do projeto estrutural?

2.2 OBJETIVOS DA PESQUISA

Os objetivos da pesquisa são classificados em principal e secundários e são descritos a seguir.

2.2.1 Objetivo Principal:

Investigar a influência da tecnologia BIM no processo de elaboração de um projeto estrutural


e na colaboração entre as equipes de arquitetura e engenharia.

2.2.2 Objetivos Secundários:

a) Descrever o processo tradicional de projetos;


b) Descrever a tecnologia BIM;
c) Mostrar as ferramentas dessa tecnologia que podem influenciar o processo,
assim como, a troca de informações entre os projetistas envolvidos.

2.3 DELIMITAÇÕES

Este trabalho tem como foco o procedimento adotado na elaboração de projetos residenciais e
comerciais do ponto de vista do engenheiro calculista e da sua interação com a equipe do
projeto arquitetônico.

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A Influência da Tecnologia BIM no Desenvolvimento do Projeto Estrutural
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2.4 DELINEAMENTO

O trabalho foi realizado através das etapas apresentadas a seguir, que estão esquematizadas na
figura 1 e são descritas no próximo parágrafo.

a) pesquisa bibliográfica
b) descrição das questões de interesse
c) pesquisa com profissionais da área
d) análise dos resultados
e) considerações finais

Figura 1: diagrama das etapas de projeto

Descrição das questões de


Pesquisa Bibliográfica
interesse

Pesquisa com profissionais


da área

Análise dos resultados

Considerações finais

(fonte: elaborado pelo autor)

Inicialmente, foi realizada uma pesquisa bibliográfica para a obtenção de informações que
foram a base para o desenvolvimento do trabalho. Para isto, foram estudados os conceitos de
projeto estrutural, processo tradicional de projetos, coordenação entre projetistas, ferramentas
BIM, influência da informática nos processos de projeto, projeto simultâneo, entre outros. As
informações foram obtidas através da seleção e análise do conteúdo de livros, dissertações de
mestrado, doutorado, artigos e sites especializados.

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Henrique Trespach Armiche. Porto Alegre: DECIV/EE/UFRGS, 2017
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Após a pesquisa bibliográfica houve um aprofundamento nas questões identificadas como as


mais relevantes para o tema da pesquisa. O método utilizado foi o mesmo usado na etapa
anterior, ou seja, a leitura e análise dos livros, dissertações e artigos considerados os melhores
para serem usados como fonte.

Após a seleção dos assuntos a serem estudados e o aprofundamento nesses temas terem sidos
concluídos, foi feita uma entrevistas com profissionais da área para obter a opinião destes
sobre a influência da tecnologia BIM no projeto de estruturas. As perguntas foram baseadas
na pesquisa bibliográfica e os profissionais que foram entrevistados atuam em escritórios na
região de Porto Alegre.

Com todos os dados da pesquisa bibliográfica e da pesquisa presencial em mãos, foi feita uma
análise geral de todo o estudo para que se chega-se as conclusões sobre a influência da
tecnologia BIM nas etapas de elaboração do projeto estrutural, e na coordenação entre
engenheiros e arquitetos envolvidos do desenvolvimento do projeto.

Na etapa das considerações finais, foi feita uma síntese de todo o trabalho e analisado como o
BIM é utilizado pelos escritórios e até que ponto as empresas estão conseguindo fazer uso dos
benefícios que teoricamente deveriam estar sendo obtidos.

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A Influência da Tecnologia BIM no Desenvolvimento do Projeto Estrutural
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3 PROJETO ESTRUTURAL

O projeto estrutural é uma etapa fundamental na concepção de um edifício, pois deve garantir
os aspectos básicos de uma estrutura. Sendo assim, torna-se a etapa de maior responsabilidade
dentro do processo de projeto, exigindo do engenheiro um conhecimento técnico aprofundado
dos sistemas estruturais e dos materiais que compõem uma estrutura.

Elaborar uma estrutura de qualidade, também requer do profissional a habilidade prática para
identificar qual sistema estrutural é o mais adequado para cada situação. De acordo com
Kimura (2007, pg. 40) um bom projeto proporciona uma estrutura que atinge três requisitos
principais: a capacidade resistente (segurança), desempenho em serviço (funcionalidade) e
durabilidade (não deterioração). Além disto, um bom projeto deve ter uma boa integração
com as outras especialidades (arquitetura e instalações) e ter boa construtibilidade (viabilidade
prática).

Neste capítulo serão analisadas as etapas básicas de um projeto de estruturas e qual a relação
destas com a qualidade do serviço prestado. Por fim, serão discutidos a influência da
informática na produtividade dos Engenheiros e os desafios deste setor para o futuro.

3.1 ETAPAS DO PROJETO ESTRUTURAL

Para realizar um bom projeto é preciso que cada etapa do processo seja feita com alto grau de
competência. De forma simplista, podemos subdividir este procedimento em quatro etapas
básicas (concepção estrutural, análise estrutural, dimensionamento e detalhamento) que serão
discutidas nos próximos itens.

3.1.1 Concepção Estrutural

Todo projeto inicia com uma necessidade de um cliente, e cabe ao engenheiro determinar o
tipo de estrutura que melhor vai satisfazer esta necessidade. De acordo com Kimura (2007, p.
37) "Esta primeira etapa consiste em definir os dados dos materiais a serem empregados, pré-
dimensionar os elementos, bem como definir as ações que atuarão sobre a estrutura."

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Henrique Trespach Armiche. Porto Alegre: DECIV/EE/UFRGS, 2017
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A possibilidade de fazer simulações nos softwares de cálculo, torna possível verificar uma
variedade de modelos estruturais para auxiliar na decisão de qual sistema será adotado. Para
esta escolha, segundo Rebello (2007, p. 8), "é de fundamental importância não se deixar
influenciar por atitudes momentâneas e modismos mas sim levar em conta o seu melhor
desempenho, utilizando parâmetros que tornem a solução escolhida consistente para que
possa ser defendida perante outras propostas [...]".

3.1.2 Análise Estrutural

É a etapa principal do projeto e é feita pelo software de cálculo estrutural, cabendo ao


Engenheiro a verificação da coerência dos resultados. De acordo com Kimura (2007, p. 111)
"A análise estrutural consiste na obtenção e avaliação da resposta da estrutura perante as
ações que lhe foram aplicadas. Em outras palavras, significa calcular e analisar os
deslocamentos e os esforços solicitantes nos pilares, nas vigas e nas lajes que compõem um
edifício." Os resultados desta etapa serão utilizados para realizar o dimensionamento e o
posterior detalhamento dos elementos da estrutura. Kimura (2007 p. 112) também ressalta
que:

Muito embora o produto final do projeto de uma estrutura seja composto somente
por desenhos das armações nos elementos (o cliente não está interessado nos
diagramas de esforços e deslocamentos), a análise estrutural de um edifício deve ser
realizada sempre de forma muito cuidadosa e criteriosa. É necessário ter ciência que
essa etapa é fundamental na qualidade final do produto.

Além de determinar a qualidade de uma estrutura, a análise estrutural tem influência direta no
custo-benefício da mesma. Afinal, elementos superdimensionados são resultado de uma
análise mal feita ou da escolha equivocada do modelo, resultando em custos extras para o
cliente.

3.1.3 Dimensionamento

A NBR 6118 (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2014, p. 114-118)


define esta etapa como a responsável por garantir a segurança em relação aos estados-limites
últimos (ELU) e aos estados-limites de serviço (ELS). Para isto, com os dados obtidos da
análise estrutural, são feitas verificações em cada elemento da estrutura, impondo-se que as
solicitações de cálculo sejam menores que a resistência de cálculo.
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A Influência da Tecnologia BIM no Desenvolvimento do Projeto Estrutural
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Para o dimensionamento ser confiável, devem ser utilizados os parâmetros estabelecidos por
normas técnicas, de acordo com o material escolhido para compor a estrutura. Ao final do
processo, teremos as dimensões de cada elemento estrutural, com a garantia técnica de que
resistirão aos esforços solicitantes.

3.1.4 Detalhamento

É a etapa em que são elaborados os desenhos técnicos, com todas as características e


informações dos elementos estruturais que foram dimensionados na etapa anterior. É
fundamental que estas informações cheguem na obra de forma clara e adequada, para que não
deem margem a interpretações ambíguas durante a execução. Do contrário, todo o trabalho
anterior pode ser desperdiçado.

A graficação é realizada, parcialmente, pelos softwares de projeto, sendo necessária a


posterior complementação e finalização dos detalhamentos em algum software de desenho
(CAD). Além disto, um detalhamento de qualidade vai permitir uma melhor integração entre
o projeto estrutural e as outras especialidades, possibilitando uma execução de qualidade.

3.2 A INFLUÊNCIA DA INFORMÁTICA E OS DESAFIOS DO SETOR

A revolução tecnológica das últimas décadas, exerceu uma grande influência na rotina do
engenheiro calculista. O preço acessível dos computadores, aliado ao acréscimo contínuo da
capacidade de processamento dos mesmos, possibilitou que projetos, antes feitos em meses,
agora sejam feitos em dias ou semanas. Não existe nenhuma etapa do projeto que, atualmente,
não seja influenciada pelos benefícios da informática (KIMURA 2007, p. 23-24).

Entretanto, alguns reflexos desse aumento de produtividade são considerados negativos. Pois,
além de ter possibilitado a entrada de novos concorrentes e baixado os preços do serviço, os
engenheiros são mais pressionados pelos clientes e alguns se veem obrigados a aceitar
trabalhos com prazos mais curtos do que o recomendado. Sobre este fato, Kimura (2007, p.
112) afirma que:

Devido ao grande poder de processamento dos computadores e softwares atuais, que


possibilitam que uma estrutura seja inteiramente calculada em poucos minutos, e
também da enorme produtividade exigida pelo mercado, muitas vezes a análise
estrutural de um edifício é deixada de lado durante o projeto, prestando-se atenção
apenas ao dimensionamento e detalhamento das armaduras finais.
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Devido a esta pressão por produtividade, encontramos projetos problemáticos em todas as


especialidades da Construção Civil, que segundo Helene (1992, p. 17), são responsáveis por
40% dos problemas patológicos em obras civis. Esta percepção da influência do projeto no
desperdício de recursos materiais e financeiros tem feito os agentes envolvidos repensar a
forma como o trabalho é desenvolvido.

No Brasil, apesar de um passado de descaso com a importância do projeto, já existe uma


tendência de concentrar esforços na melhora do processo. Segundo Melhado (2001, p. 169)
"[...] na construção de edifícios, já é clara a importância do projeto para a qualidade, surgindo
a iniciativa de diversas empresas em rever a gestão do projeto, envolvendo desde as formas de
contratação e de orientação do trabalho dos projetistas e os critérios de análise destes projetos
[...]".

A integração e a coordenação entre os projetos são alguns dos desafios da indústria de


arquitetura, engenharia e construção (AEC). Problemas neste quesito significam perda de
tempo e de recursos para refazer as plantas ou reconstruir elementos. Além disto, devido a
natureza fragmentada do setor, a colaboração entre os projetistas das diferentes áreas também
passou a ser discutida na tentativa de se adiantar aos problemas que, tradicionalmente, só
seriam percebidos durante a execução.

Novas técnicas têm surgido na tentativa de tornar o processo tradicional de projetos mais
eficiente. A Engenharia Simultânea surgiu nesta última década como resposta a demanda do
mercado por velocidade e produtividade.

3.3 PROCESSO TRADICIONAL DE PROJETO

Nesse capítulo, aprofunda-se o estudo sobre o processo tradicional de projetos.

3.3.1 Etapas do Processo Tradicional de Projetos

O projeto estrutural é uma parte de um processo de projeto maior, que envolve as múltiplas
especialidades da construção civil, e tem como objetivo a construção e entrega de uma
edificação feita de acordo com as normas técnicas de cada país. Este processo começa,
geralmente, com a identificação por parte de um incorporador ou construtor, de uma
oportunidade de negócio via empreendimento imobiliário.
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A Influência da Tecnologia BIM no Desenvolvimento do Projeto Estrutural
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Para colocar seu plano em prática, o empreendedor procura um escritório de arquitetura para
dar início ao procedimento. A partir deste primeiro contato, dá-se início ao que chamamos de
processo tradicional de projeto, que pode ser dividido em uma série de etapas que "são as
partes sucessivas em que pode ser dividido o processo de desenvolvimento das atividades
técnicas do projeto (SOUZA et al., 1995, p. 133 )."Estas etapas estão mostradas no quadro 1.

Quadro 1: Etapas e atividades de projeto

Etapas de Projeto Objetivos Responsabilidade

Levantamento de Levantamento de informações e dados com o Documentação


dados objetivo de caracterizar o produto, condições providenciada pelo cliente
pré existentes e restrições para a elaboração ou pelo escritório de
1
do projeto. arquitetura

Programa de Descrição das exigências de caráter Definido pelo cliente e


Necessidades prescritivo ou de desempenho a serem aprofundado pelo
satisfeitas pela edificação. escritório de arquitetura.
2

Estudo de Viabilidade Análises e avaliações do ponto de vista Cliente, construtores e


técnico, legal e econômico e que promovam a projetistas (arquitetura,
seleção e recomendação de alternativas para a fundações, estruturas,
3 concepção dos projetos. instalações).
Estudo Preliminar Representação da configuração inicial da Apresentado pelo
edificação, considerados os dados do projetista de arquitetura,
levantamento inicial podendo incorporar
4 soluções alternativas

Anteprojeto Representação das informações técnicas para o Desenvolvido pelo


detalhamento da edificação e inter- projetista de arquitetura e
relacionamento das demais atividades técnicas pelos demais projetistas
5 que foram iniciadas a partir do estudo das outras atividades
preliminar Os produtos obtidos devem ser técnicas envolvidas, em
suficientes para a elaboração de uma especial fundações,
estimativa de custos e de um cronograma de estruturais,e instalações.
execução

Projeto Legal Informações para análise e aprovação da Elaborado por escritório de


concepção da edificação pelas autoridades arquitetura e pelos
competentes dos órgãos públicos, observando- projetistas
6 se duas exigências legais. Tem como objetivo complementares, cabendo
obter licenças e alvarás. muitas vezes a construtora
o seu encaminhamento.

Projeto pré executivo Desenvolvimento do anteprojeto arquitetônico Cada projetista elabora seu
de forma a permitir a verificação das projeto específico, e à
interferências com os anteprojetos coordenação de projetos
7 complementares. Documentação usada para cabe a compatibilização.
elaboração de estudos prévios à execução.

continua

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Henrique Trespach Armiche. Porto Alegre: DECIV/EE/UFRGS, 2017
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continuação

Etapas de Objetivos Responsabilidade


Projeto

Projeto Básico Projeto de pré execução compatibilizado com todas as Responsabilidade de todos
interferências, tendo como objetivo a licitação e projetistas envolvidos .
8
contratação dos serviços de execução.

Projeto Desenhos técnicos em escala conveniente contendo as Elaborado por profissionais


executivo soluções, detalhes definitivos e informações de todos os que desenvolveram projetos a
projetos. ser executados
9

Detalhes Desenhos complementares apresentados em escalas Elaborado por profissionais


Construtivos ampliadas para melhor compreensão dos elementos do que desenvolveram projetos a
projeto executivo no momento de execução de ser executados
arquitetura, podendo incorporar solução alternativas
10
Caderno de Informações complementares quanto às especificações Desenvolvido pelos projetistas
especificações técnicas e detalhadas dos materiais previstos em obra, responsáveis por uma atividade
suas condições de execução, locais de aplicação e padrão técnica
11
de acabamento.

Gerenciamento Organização, programação, estabelecimento de critérios, Desenvolvido por escritório


de projetos prioridades, métodos e cronogramas de trabalho para responsável pelo projeto
elaboração e compatibilização dos projetos arquitetônico, empresa
complementares específicos relacionados ao projeto de construtora ou consultoria
12 arquitetura, principalmente para evitar problemas específica.
posteriores na execução de obras.

Assistência à Consulta específica ao escritório do projetista ou visitas Profissionais responsáveis por


execução periódicas à obra para orientação geral, verificação da projetos em execução e que
compatibilidade do projeto com a execução, sejam solicitados pela empresa
esclarecimento de dúvidas, questões relativas à construtora
13 substituição de materiais ou necessidade de alterações ou
complementações do projeto.

Projetos "as Conjunto de desenhos do projeto executivo revisado e Cada projetista elabora seu
built" elaborado conforme o que foi executado em obra, para projeto específico, e à
atualização e recomendações de manutenção. coordenação de projetos cabe a
compatibilização.
14

(Baseado em SOUZA et al, 1995, pg 134)

Abaixo, a figura 2 mostra a sequência tradicional das etapas de projeto. Observa-se que a
equipe de projeto estrutural, via de regra, começa o seu trabalho (etapa 1) logo após o projeto
arquitetônico ser aprovado nos órgãos legais (etapa 6). Até este momento, o projeto é

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A Influência da Tecnologia BIM no Desenvolvimento do Projeto Estrutural
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concebido majoritariamente pela equipe de arquitetos, e esta falta de colaboração acaba


resultando em muitos problemas de compatibilização (etapa 7) e retrabalho.

Figura 2: Sequência tradicional das etapas de projeto

Gerenciamento

Coordenação
de Projetos
de Projetos

Obra
Elétrico 1 3 5 6 7 8 9 10 11 12

Hidro Sanitário 1 3 5 6 7 8 9 10 11 12

Estrutura 1 3 5 7 8 9 10 11 12

Arquitetura 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12

(fonte: USUDA, 2003, pg. 10)

Segundo Souza (1995, p. 129) devido aos projetos serem desenvolvidos separadamente, a
solução final dos elementos construtivos pode se tornar inadequada. Por exemplo, o projeto
arquitetônico pode impor restrições na execução dos elementos estruturais e estes, por sua
vez, podem dificultar a execução dos componentes das instalações.

Neste processo multidisciplinar, é essencial para o sucesso, um real envolvimento entre os


arquitetos e engenheiros. "Entretanto, estudos realizados na França mostraram uma fraca
sinergia entre arquitetos e engenheiros de projeto, [...]" (MELHADO, 2001, p. 68). A
diferença de prioridades entre estes profissionais é um dos fatores que torna a comunicação
problemática.

3.3.2 O Processo de Projeto Estrutural

Continuando a descrição do processo de projeto, neste item, aprofunda-se o estudo a respeito


do processo de projeto estrutural. Para isto, será utilizado um fluxograma que descreve a
sequência de etapas de serviço, destacando no mesmo, as etapas em que ocorre a
comunicação entre equipes. Estas etapas, ilustradas na figura 3, são generalizadas para todos
os tipos de estrutura e representam o procedimento que é feito na maioria dos escritórios de
engenharia.
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Figura 3: Processo de Projeto Estrutural

(fonte: adaptado de USUDA, 2003, pg. 68-69)


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A Influência da Tecnologia BIM no Desenvolvimento do Projeto Estrutural
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O processo começa com o recebimento do projeto arquitetônico (2D), geralmente em formato


de arquivo dwg. Em seguida, ele é aberto no Autocad para ser feita a "limpeza" do arquivo
(etapa 1). Nesta etapa, são apagados todos os itens do desenho que não são necessários para o
lançamento dos elementos estruturais. Feito isto, ele é importado pelo programa de cálculo
estrutural e é feita a configuração dos dados não gráficos (etapa 2). São informados o número
de pavimentos, parâmetros dos materiais, classe de agressividade ambiental, nível da
fundação, entre outros.

Com as configurações definidas, é iniciado o lançamento dos elementos estruturais (etapa 3) a


partir do desenho previamente preparado. Os elementos são pré dimensionados de acordo com
a experiência do projetista, ou com algum método da preferência do mesmo. Após o
lançamento completo da estrutura é feita a verificação da consistência dos dados do
lançamento (etapa 4) e se tudo estiver correto, a estrutura é então processada. Esta etapa de
processamento corresponde a análise estrutural conforme foi visto no item 3.1.2.

Após realizada, é feita outra série de verificações (etapa 5) que podem variar de acordo com o
que o profissional considera importante verificar. Normalmente checa-se a estabilidade e as
deformações dos elementos estruturais para que possam ser comparados com os limites
estabelecidos pela norma. O processamento é repetido até se atingir o resultado exigido.

Com tudo pronto, os elementos que já tinham sido pré-dimensionados, são revisados pela
última vez para dar início ao anteprojeto de formas (etapa 6). Este é enviado para a equipe
responsável pela compatibilização para que sejam verificadas as interferências com o projeto
arquitetônico (etapa 7). Caso existe alguma incopatibilidade, a estrutura é então corrigida,
processada e dimensionada novamente.

A etapa 8 corresponde ao detalhamento dos elementos estruturais. Todas as informações


relevantes para a execução são expostas nas plantas (etapa 9) que serão elaboradas na escala
adequada para serem bem interpretadas pela equipe de execução. Após esta etapa o projeto
vai finalmente para o cliente.

Quanto a comunicação com a equipe de arquitetura, Usuda (2003, p. 66) explica que é feita
em três situações. A primeira é feita para eliminar dúvidas, antes do lançamento da estrutura
no software. A segunda vez é para entregar o anteprojeto de formas e fazer a integração da

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solução estrutural com o projeto arquitetônico. O último contato é feito para a entrega do
projeto estrutural finalizado.

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4 BIM - MODELAGEM DE INFORMAÇÕES DA EDIFICAÇÃO

Neste contexto de integração e compatibilização problemáticos na indústria AEC, a


tecnologia BIM vem ganhando destaque como uma tecnologia capaz de fornecer novas
ferramentas de projeto que estimulam o trabalho colaborativo entre as equipes. Além disso,
devido a implementação do conceito de modelagem na Construção Civil, estimula-se a
entrega de um projeto mais completo e compatibilizado, de forma a evitar que decisões sejam
tomadas durante a execução da obra. Neste capítulo, será apresentado um breve histórico
desta tecnologia e uma descrição detalhada do BIM.

A partir de pesquisas iniciadas no final dos anos 1960 sobre a tecnologia de modelagem de
objetos sólidos em 3D, as primeiras aplicações do gênero voltadas para o projeto de edifícios
começaram a ser desenvolvidas no final dos anos 1970 e início dos anos 1980; por meio dos
sistemas CAD, que fundamentalmente são ferramentas para os projetistas desenharem com a
ajuda de microcomputadores. Em paralelo a estes esforços, eram desenvolvidos os primeiros
conceitos de modelagem de produtos e análise e simulação integradas para o desenvolvimento
de produtos mecânicos, aeroespaciais, de construção e elétricos (EASTMAN, 2014, p. 27).

Esses sistemas de modelagem iniciais eram sistemas híbridos, nos quais permitia-se que
atributos fossem vinculados a um sistema de geometrias tridimensionais simples, e foram os
precursores da modelagem paramétrica de objetos sólidos 3D que é a base da tecnologia BIM.

O objetivo principal da Modelagem de Informações da Edificação (Building Information


Modeling) é produzir um modelo preciso da edificação, que contenha informações suficientes
para cobrir toda a vida útil da mesma. Conforme Eastman (2014, p. 1), " quando completo, o
modelo gerado computacionalmente contém geometria exata e os dados relevantes,
necessários para dar suporte à construção, à fabricação e ao fornecimento de insumos
necessários para a realização da construção".

Além de desenvolver um modelo virtual, a tecnologia BIM visa aplicar conceitos da


Tecnologia da Informação (TI) na indústria AEC, através da criação de um banco de dados
organizado e estruturado, de onde se possa extrair informações relevantes para cada projetista
em cada etapa de um projeto.
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De acordo com Jerry Laiserin na apresentação do livro Manual BIM (EASTMAN, 2014) o
registro mais antigo, que continha as primeiras noções desta tecnologia, foi publicado como
Building Description System (1975) no extinto AIA Journal por Charles M. Eastman, e
continha as seguintes diretrizes:

a) Qualquer mudança no arranjo deveria ser feita uma única vez para todos os
desenhos futuros;
b) Todos os desenhos derivados do modelo deveriam ser automaticamente
consistentes;
c) Qualquer análise quantitativa poderia ser retirada automaticamente do modelo;
d) Estimativas de custo e quantidades poderiam ser facilmente geradas;
e) Banco de dados único e integrado de todas as modalidades de projeto para
facilitar a análise.

O projeto é desenvolvido em uma plataforma colaborativa, com um modelo central que é


elaborado através do acréscimo progressivo de informações pelos projetistas de cada
modalidade (arquitetura, estrutura e sistemas prediais). O fato de compartilharem um modelo
único, permite a redução de perdas de informação quando uma nova equipe entra no processo;
a redução de conflitos entre os projetos; e a garantia de que cada equipe esteja trabalhando
com uma versão atualizada do modelo (TARRAFA, 2012, p. 4).

A tecnologia BIM fornece as ferramentas para uma nova forma de projetar. Trazendo a
possibilidade de "experenciar" o edifício antes de que se inicie a sua execução, esta nova
abordagem possibilita desde análises simples como análises de custos e quantidades, até
análises mais complexas como análises energéticas, térmicas e estudos de ventilação
(MANZIONE, 2013, pg. 35). Desta forma, é possível garantir que as expectativas do cliente e
as necessidades de desempenho sejam atendidas.

A utilização plena da tecnologia BIM não é um processo simples. Para o sucesso de sua
aplicação nos projetos de engenharia, é crucial o empenho dos profissionais em colaborar e
disponibilizar informações de qualidade, garantindo um projeto final inteligente e eficiente.
Para isto, será necessário, não apenas dominar as plataformas de projeto, mas também
repensar os fluxos de trabalho de forma a tornar o trabalho entre equipes mais integrado e
eficiente (MANZIONE, 2013, pg. 35).

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A Influência da Tecnologia BIM no Desenvolvimento do Projeto Estrutural
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Devido ao esforço empresarial necessário para implementar a tecnologia de forma total, é


comum que escritórios de projetos utilizem o BIM apenas como uma nova ferramenta de
desenho (simples BIM), mas em vista deste fato os usuários mais avançados e líderes da
indústria estão empreendendo seus esforços para buscar um novo conceito (MANZIONE,
2013, p. 7).

Nos próximos itens serão abordados os aspectos fundamentais, que formam a base desta nova
forma de projetar, elucidando-se as diferenças entre este novo método de trabalho e o método
tradicional em CAD 2D. Esses aspectos básicos do BIM são a modelagem paramétrica de
objetos 3D, o ambiente colaborativo e o projeto simultâneo. Além disso, serão apresentados
os principais benefícios e funcionalidades que as ferramentas BIM podem trazer para o
projeto estrutural.

4.1 FUNCIONALIDADES E BENEFÍCIOS

Neste item serão relacionadas as ferramentas e funcionalidades que podem trazer benefícios
do BIM para o projetos estrutural e o intercâmbio de informações entre engenheiros e
arquitetos.

4.1.1 Visualização 3D

Como é enfatizado pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (2016a, pg. 29) "[...]
nem todas as soluções de modelagem 3D são BIM, mas, se forem BIM, certamente serão 3D".
Uma das grandes vantagens de trabalhar com uma tecnologia voltada a objetos 3D é a fácil
visualização e compreensão do que está sendo projetado. Com isto, projetos que geralmente
são de difícil compreensão até mesmo para os projetistas, podem ser facilmente
compreendidos mesmo por quem não tem experiência em desenhos técnicos. Na figura 4, é
possível visualizar um projeto de uma instalação de ar condicionado, que geralmente fica
confuso em planta, renderizado em um software BIM.

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Fgura 4: Imagem 3D renderizada de uma instalação de ar condicionado

fonte: (CÃMARA BRASILEIRA DA INDUSTRIA DA CONSTRUÇÃO, 2016a, pg. 29)

4.1.2 Realização de Simulações Virtuais

Com estas novas ferramentas é possível realizar análises que antes não eram possíveis com os
softwares de desenho 2D. A Câmara Brasileira da Indústria da Construção (2016a, p. 33) cita
algumas análises possíveis de realizar nas plataformas BIM: Análises estruturais (Figura 5),
análises energéticas, estudos luminotécnicos, estudos térmicos e termodinâmicos, estudos de
emissão de CO2 e estudos de insolação e sombreamento.

Figura 5: Representação dos esforços estruturais

fonte:(CÃMARA BRASILEIRA DA INSDUSTRIA DA CONSTRUÇÃO, 2016a, p. 33)

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A Influência da Tecnologia BIM no Desenvolvimento do Projeto Estrutural
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4.1.3 Identificação de Interferências.

Essa ferramenta proporciona um benefício importante para a compatibilização de projetos,


afinal resolve de maneira simples um problema recorrente na indústria AEC: a interferência
física ou funcional entre os elementos construtivos de cada modalidade.

Através da ferramenta clash detection, os softwares conseguem detectar interferências físicas


entre os projetos de cada especialidade, evitando retrabalhos e gastos desnecessários durante a
execução. Além das interferências físicas, os softwares BIM também conseguem determinar
interferências funcionais e problemas normativos (soft clash). Como explica a Câmara
Brasileira da Indústria da Construção (2016a, p. 35) "programação e inserção de "regras de
verificação" também podem ser admitidas em algumas soluções BIM. São válidas, por
exemplo, para averiguar a consistência da rota de acesso de deficientes físicos as edificações
(ou a parte delas) ou ainda para verificar exigências específicas, feitas por códigos sanitários
ou de uso e ocupação do solo."

4.1.4 Fácil Geração de Documentos e Quantidades

Por ser uma tecnologia baseada em modelagem paramétrica, a informação fornecida pelos
projetistas para configurar os objetos é armazenada e utilizada para gerar os documentos e
detalhamentos. Como explica a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (2016a, p. 35),
"no BIM os objetos são paramétricos e inteligentes, e isso significa que esses objetos já tem
informações sobre si próprios, sobre o seu relacionamento com outros objetos, e também com
o seu entorno ou ambiente no qual está inserido." Desta forma as plataformas geram
detalhamentos de forma automática e também refletem as mudanças geradas no modelo de
forma instantânea em todos os desenhos. A Figura 6 mostra que a alteração da altura de uma
viga pode alterar, de forma automática, o detalhamento de todos os outros elementos que a
constituem.

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Figura 6: Alteração nas medidas de um pilar de concreto

fonte: (CÃMARA BRASILEIRA DA INDÚSTRIA DA CONSTRUÇÃO, 2016a, pg. 36)

4.1.5 Ambiente Voltado ao Trabalho Colaborativo

A tecnologia BIM fornece os meios para a realização de um projeto multidisciplinar,


simultâneo e colaborativo. Uma das formas de colaboração no BIM é utilização de um
modelo compartilhado utilizado para armazenar e gerenciar as informações fornecidas por
cada equipe de projeto. Este assunto será aprofundado no item 4.3.

4.2 MODELAGEM PARAMÉTRICA DE OBJETOS 3D

Neste item, estuda-se sobre essa tecnologia que dá suporte ao BIM e porque, se usada
corretamente, a modelagem paramétrica baseada em objetos 3D pode trazer um aumento de
produtividade para o trabalho dos projetistas.

Enquanto nos sistemas CAD tradicionais os usuários trabalham com ferramentas de desenho
(linhas, círculos, retângulos, splines, chanfros, etc.), nos sistemas BIM, trabalha-se com
famílias de objetos que variam de acordo com a especialidade de projeto. A modalidade de
estruturas, por exemplo, trabalha com vigas, pilares, lajes e outros objetos que compõe uma
estrutura. Desta maneira, não há necessidade de desenhar os elementos construtivos, e sim
configurá-los através dos parâmetros que os definem em cada uma de suas instâncias.
Contudo, as famílias de objetos disponíveis são completas apenas para projetos
convencionais. Por isso, os softwares permitem que o usuário crie e também faça o download
de novas famílias e objetos.

De acordo com a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (2016a, p. 64):

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Um objeto BIM é um repositório de dados não apenas sobre a geometria de um


componente ou produto, tanto em 3D quando em 2D, mas também pode incluir
informações como código EAN, valores UV, marcas, modelos (inclusive famílias de
produtos), normas atendidas, materiais componentes.

Atualmente, apenas cerca de 20% das informações de um objeto BIM fazem referência a
geometria (CÂMARA BRASILEIRA DA INDÚSTRIA DA CONSTRUÇÃO, 2016a, pg. 64).

Além disso, é comum a descrição dos objetos BIM como sendo "inteligentes", já que além de
armazenarem informações sobre si próprios, eles guardam informações sobre sua relação com
outros objetos. Segundo Eastman (2014, p. 29) "objetos são definidos usando parâmetros
envolvendo distâncias, ângulos e regras como vinculado a, paralelo a e distante de. Essas
relações permitem que cada instância de um elemento varie de acordo com os valores de seus
parâmetros e suas relações contextuais." Desta forma, o objeto BIM se comporta como se
"soubesse" o contexto no qual está inserido adaptando-se a modificações de forma
automática.

Por exemplo, se um projetista modifica a espessura de uma parede que possui uma janela
incorporada, a espessura dessa janela se ajustará automaticamente a nova medida, gerando um
desenho consistente sem que o profissional precise redesenhar a janela.

Porém, devido ao esforço necessário para parametrizar alguns objetos específicos, nem
sempre é do interesse das equipes de projeto compartilhar objetos totalmente parametrizáveis.
Por isso, os projetistas podem compartilhar com as demais disciplinas, objetos fixos ou
semiparamétricos conforme desejarem. Na figura 7 estão exemplificados estes níveis de
parametrização dos objetos:

Figura 7: Objetos BIM fixos, semiparamétricos e totalmente paramétricos

fonte: (CÂMARA BRASILEIRA DA INDÚSTRIA DA CONSTRUÇÃO, 2016a, p. 69)

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O resultado de trabalhar com objetos paramétricos inteligentes (BIM), ao invés de linhas e


ferramentas de desenho (CAD), é um projeto consistente e sem redundâncias. Devido a
tecnologia de objetos sólidos em três dimensões, torna-se possível para o projetista, através
das ferramentas disponíveis, detectar interferências que dificilmente seriam percebidas antes
da fase de construção. Além disso, para Eastman (2014, p. 35) "a modelagem paramétrica é
uma capacidade crítica para a produtividade, permitindo que modificações de baixo nível se
atualizem automaticamente. É justo dizer que a modelagem 3D não seria produtiva no projeto
e na produção de edifícios sem as características de atualização automáticas possibilitadas
pelas capacidades paramétricas."

4.3 AMBIENTE COLABORATIVO

Como visto anteriormente, o processo de projeto tradicional da Construção Civil é


fragmentado e sequencial, o que torna a colaboração (trabalho em conjunto) entre as equipes
de projeto um processo deficiente. A respeito desse fato, Manzione (2013, p. 9) ressalta que:

Em geral, prevalecem na AEC a cultura de mentalidade de "silos de conhecimento",


e as trocas baseadas apenas em documentos entre os profissionais e a cadeia
produtiva se dão de forma descoordenada e com baixa inteligência. As decisões são
frequentemente tomadas de maneira autônoma e sem participação multidisciplinar, e
com a ausência de uma acurada compreensão holística.

Analisando a tecnologia BIM do ponto de vista do processo de projeto, ela possibilita um


trabalho multidisciplinar, colaborativo e integrado, das diversas especialidades de projeto. O
modelo da construção é mantido em uma base compartilhada, onde é desenvolvido ao longo
das etapas de projeto. (MACIEL, 2016). O trabalho em BIM estimula a troca de informações
e a comunicação precoce e constante entre os projetistas. Entretanto, a tecnologia pode
fornecer apenas a base para um trabalho colaborativo, mas isto não significa que ela ocorra de
maneira automática.

Para que a colaboração realmente aconteça, é necessário que também ocorram mudanças nos
aspectos culturais e organizacionais das empresas envolvidas. Fabrício (2002, p. 205), indica
três transformações necessárias no processo de projeto atual para que se consiga executar um
projeto simultâneo, multidisciplinar e colaborativo. No âmbito cultural, seria necessário
superar a limitação contratual vigente através de um sistema de parceria entre as empresas que
incentive a colaboração e a cooperação técnica entre os agentes envolvidos. No âmbito
tecnológico; a apropriação de novas tecnologias de informática e comunicação para facilitar a
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A Influência da Tecnologia BIM no Desenvolvimento do Projeto Estrutural
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comunicação virtual a distância. Por fim, no aspecto organizacional, seria necessário uma
reorganização dos fluxos de trabalho para se obter a coordenação precoce e o
desenvolvimento em paralelo das modalidades de projeto.

Dentre estes, a atuação do BIM se limita ao aspecto tecnológico envolvido no trabalho


colaborativo, cabendo aos agentes da indústria encontrar maneiras de superar as dificuldades
relacionadas aos problemas culturais e organizacionais.

A integração entre as especialidades de projeto, de acordo com a Câmara Brasileira da


Industria da Construção (2016b, p. 21) é o último estágio a ser alcançado no processo de
trabalho colaborativo. Nesse estágio, a compatibilização e o compartilhamento dos projetos se
daria através de um servidor de modelos (local ou em nuvem) onde trocas bidirecionais
(importação e exportação de dados) seriam realizadas. Para esta realização será necessário
maturidade e eficiência às equipes, e que todas as barreiras para a interoperabilidade sejam
vencidas.

Sobre a colaboração entre os agentes, Eastman (2014, p.22) afirma que "a mudança mais
significativa que as companhias enfrentam quando implementam a tecnologia BIM é o uso de
um modelo de construção compartilhado como base para todo o processo de trabalho [...]."

4.3.1 Modelo Compartilhado

Segundo a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (2016b, pg. 21) "[...] Embora
existam diferentes maneiras de compartilhar e trocar dados e informações, dependendo da
infraestrutura que seja implantada, a adoção BIM permite que se trabalhe com o chamado
“modelo federado”."

Este modelo federado, ou compartilhado, tem o propósito de servir como um repositório dos
modelos autorais desenvolvidos por cada especialidade. Consiste em uma ferramenta para
organizar e gerenciar a informação neste contexto colaborativo e, por meio dele, os projetistas
trocam informações e arquivos. Para a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (2016b,
pg. 21) "Isso já significa uma importante diferença quando se compara com as práticas
anteriormente realizadas pela indústria e baseadas apenas em documentos."

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Nos métodos de trabalho tradicionais, como se observa na figura 8, a troca de informação


ocorre de maneira descoordenada e caótica, o que pode levar a troca de arquivos
desatualizados. e, consequentemente, a problemas de compatibilização entre os projetos.
Porém, com a utilização de um modelo compartilhado, a obtenção de informações se torna
bem mais organizada.

Figura 8: Troca de informação no modelo tradicional e no modelo compartilhado.

fonte: (CÂMARA BRASILEIRA DA INDÚSTRIA DA CONSTRUÇÃO, 2016b, p. 21)

As informações do modelo vão amadurecendo e se tornando confiáveis ao longo das etapas de


projeto, a medida que o nível de desenvolvimento (LOD) de cada especialidade vai
aumentando. Ao final do processo, os modelos autorais devem conter informações completas
sobre os elementos construtivos, conforme foram executados (as built).

Para o desenvolvimento do modelo central ser produtivo, é essencial que as equipes de projeto
consigam trocar informações íntegras, para que sejam utilizadas por outros projetistas, sem
que seja necessário replicar o trabalho já desenvolvido. Por isso, a interoperabilidade se
torna um fator central para que a colaboração aconteça de fato.

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4.3.2 Interoperabilidade

De acordo com a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (2016b, p. 75) "no contexto
do BIM, a interoperabilidade é a habilidade de gerenciar e comunicar produtos eletrônicos e
dados de projetos entre organizações (empresas) colaboradoras e indivíduos que, em conjunto,
compõem uma equipe para o desenvolvimento de projetos, contratações, construções,
manutenção e sistemas de processos de negócios."

Uma pesquisa realizada pelo NIST (National Institute of Standards and Technology), em
2002, estimou os custos adicionais causados por uma interoperabilidade inadequada na
indústria da Construção Civil americana. Este estudo observou edificações comerciais,
industriais e institucionais, concluindo que os problemas relacionados a interoperabilidade
significaram um acréscimo total de U$ 15,8 bilhões para os proprietários de edificações
(EASTMAN, 2014, p. 11). Por isso, é importante que os meios pelos quais o intercâmbio de
informações será feito sejam estabelecidos desde o início do projeto.

No contexto BIM, a troca de informações pode acontecer das seguintes formas: os agentes
envolvidos podem usar aplicações do mesmo fabricante, e ter a interoperabilidade facilitada
através de formatos de arquivos proprietários; podem, também, utilizar aplicações de
fabricantes diferentes e se comunicar através de arquivos de formato aberto como o CIS\2
(específico para o projeto de aço) ou o IFC de uso amplo e, por isso, o mais utilizado para o
intercâmbio de dados. Além disso, é possível que aplicações de fabricantes diferentes
consigam se comunicar através de aplicativos de ligação direta, criado via parceria, para
suportar funcionalidades que sejam do interesse das empresas fabricantes (EASTMAN,
2014).

Os fabricantes preferem esse último tipo de intercâmbio com empresas parceiras, ao


intercâmbio realizado em formato aberto; desta forma, evitam que seus clientes migrem para
empresas concorrentes em busca de mais recursos. Porém, nenhum software possui todas as
funcionalidades desejadas para todas as tarefas de trabalho e é natural que se deseje ir além de
qualquer limitação.

Segundo Eastman (2014, p. 68) "O setor público também deseja evitar uma solução
proprietária que daria a uma única plataforma um monopólio. Somente o IFC e o CIS/2 (para
aço) são padrões públicos e internacionalmente reconhecidos atualmente. Dessa forma, o

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modelo de dados IFC provavelmente se tornará o padrão internacional para intercâmbio de


dados e integração dentro das indústrias de construção de edificações."

4.3.2.1 IFC

Com o propósito de facilitar a interoperabilidade entre as diferentes aplicações BIM, foi


criado um modelo de arquivo aberto e independente que se chama Industry Foundation
Classes (IFC). Segundo Tarrafa (2012, p. 10) "Este formato é baseado em objetos com um
modelo de dados desenvolvido pela buildingSMART, organização internacional que visa
melhorar o intercâmbio de informações entre aplicações informáticas utilizadas na indústria
AEC, para facilitar a sua interoperabilidade."

O desenvolvimento do IFC é um projeto ambicioso, que pretende cobrir todos os aspectos do


ciclo de vida de uma construção, incluindo contratação, projeto, construção, fabricação,
operação e manutenção (CÂMARA BRASILEIRA DA INDÚSTRIA DA CONSTRUÇÃO,
2016b, p. 77).

Os arquivos IFC são formados por um grande grupo de entidades base, que compõe os
diferentes elementos de um projeto de uma edificação. Estes são chamados de Elementos
Compartilhados e, de acordo com Eastman (2014, p. 75-76):

[...] incluem elementos da construção como paredes genéricas, pisos, elementos


estruturais, elementos de sistemas prediais, elementos de processos, elementos de
gerenciamento e características gerais. Uma vez que o IFC é definido como um
modelo de dados extensível e orientado a objetos, as entidades base podem ser
elaboradas e especializadas em subtipos para criar qualquer número de subentidades.

Os esforço para desenvolver esse formato é contínuo, e a cada etapa de desenvolvimento, são
incluídos novos elementos base na estrutura dos arquivos IFC para que a transferência de
dados entre as plataformas ocorra sem perda ou distorção de conteúdo.

Devido a abrangência dos arquivos IFC ser muito grande, é possível gerar modelos mais
detalhados (vistas) para atividades mais específicas durante o processo. O problema de qual
informação deve ser retirada do modelo em qual momento, é fruto de um estudo específico
que resultou nos conceitos de Manual de Distribuição de Informações (IDM) e Modelo
Definido de Visão (MVD).

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4.3.2.2 IDM/MVD

Para que os benefícios pretendidos pelo BIM sejam alcançados, é necessário que a informação
seja transmitida de maneira estruturada e organizada de acordo com tarefas e fluxos de
trabalho específicos. Neste contexto, a IDM (Information Delivery Manual) surge para que se
identifique, estude e melhore os processos que, se automatizados, poderiam gerar um retorno
de alto valor.

De acordo com Manzione (2013, p. 61): "ao contrário de outros métodos de modelagem de
linguagem de processos, a IDM não tem foco em produtos de informação como documentos,
mas em uma descrição em profundidade de elementos de informação, como atributos, e a
troca desses atributos através de modelos de informação orientados a objetos".

Wix1 (2007 apud MANZIONE, 2013, p. 62) explica o conceito de IDM:

[...] a IDM pode ser entendida como uma metodologia que combina dois domínios:
o dos usuários no que ela é trabalhada como metodologia, em forma não técnica; e o
dos desenvolvedores dos softwares, no qual ela é trabalhada como tecnologia em
forma técnica através do uso de MVD.

No domínio dos usuários, ela é simples de ser entendida, pois descreve de maneira
não técnica os processos que ocorrem na AEC e especifica as informações que
precisam ser fornecidas por esses usuários. No domínio dos desenvolvedores de
software, [...] ela identifica e divide o processo de forma funcional e detalhada,
descrevendo quais recursos IFC deverão suportar cada parte do processo em termos
de entidades, atributos e conjuntos de propriedades.

Portanto, o MVD define, de acordo com o IDM, qual subgrupo de entidades dos arquivos IFC
deverá ser trocado e como será trocado. Estes dois conceitos são essenciais para a
produtividade do trabalho colaborativo por filtrarem a informação do modelo, evitando uma
troca extensa de informações que não seriam utilizadas.

4.3.4 Plano de Execução BIM (BEP) ou Mandate

Como a gama de usos BIM é muito ampla, é necessário que, em cada projeto, fique claro o
que se pretende atingir com o uso da plataforma. Por isso, para orientar as equipes
contratadas, é importante que o contratante especifique através de um documento oficial,
quais serão as regras e os procedimentos do processo de trabalho colaborativo. Segundo a
Associação Brasileiro dos Escritórios de Arquitetura (2015, pg. 2), a chave para o sucesso do

1
WIX, J. User defined property set Disponível em:/
<http://www.projects.buildingsmartalliance.org/files>. Acesso em 28/01/2012.
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processo é o planejamento, que é expresso através do que é chamado de Plano de Execução


BIM ou Mandate. Este plano deve deixar claro qual será o papel de cada participante, garantir
a compatibilidade e a interoperabilidade entre as equipes de projeto e que os dados
disponibilizados estejam de acordo com a necessidade das equipes.

Para a Câmara Nacional da Indústria da Construção, (2016b, p. 29), o Plano de Execução


BIM "é um documento tão importante, que se recomenda fortemente sua geração para todo e
qualquer caso de implementação, mesmo naqueles incomuns, em que a maior parte do
trabalho seja realizada internamente, dentro de uma única organização."

Existe muito a se considerar para elaborar um documento que padronize todo o processo de
trabalho entre as equipes e especifique como a informação será utilizada. De acordo com
McPortland (2017):

O BEP deve incluir funções e responsabilidades acordadas ( e autoridades relevantes


e processos de aprovação), uma estratégia para as entregas principais e qual
informação existente será utilizada; um guia para os marcos de projeto e onde esses
marcos se encaixam do programa mais amplo.

A logística dos processos colaborativos (incluindo modelagem) deve ser


estabelecida com responsabilidades claras. [...] Um Plano de Entrega de Informações
das Tarefas (TIDP) - mostrando a responsabilidade pela entrega das informações de
cada fornecedor - e um Plano Mestre da Entrega de Informações (MIDP) que
estabelece quando as informações de projeto devem ser preparadas [...].

O BEP também deve detalhar o procedimento de trabalho. Como os modelos BIM


serão gerenciados e guardados? Quais as convenções de nome de arquivo serão
adotadas? O que as tolerâncias de construção definem e quais dados de atributos são
necessários? Uma abordagem comum para anotações, abreviações e símbolos
também é necessária para evitar potenciais ambiguidades. Também é preciso
determinar quais softwares serão usados, quais formatos de arquivo serão utilizados
nas trocas e quais outros sistemas de gerenciamento de dados serão implementados.

O BEP é um documento complexo que exige um esforço organizacional considerável para


que se cubra todos os aspectos de um projeto. Porém, é a única forma de garantir que as
equipes saibam o que se espera de cada uma delas e estejam trabalhando conjuntamente em
busca dos objetivos que foram propostos pela empresa contratante. Caso o contratante deseje
realizar o planejamento temporal (4D) da construção, por exemplo, é necessário que esta
informação fique clara para todos os autores de modelos para que não seja necessário nenhum
retrabalho. O Plano de Execução BIM é um acordo complementar aos contratos de prestação
de serviço de engenharia e tem caráter oficial.

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A Influência da Tecnologia BIM no Desenvolvimento do Projeto Estrutural
44

4.3.3 LOD (Nível de desenvolvimento)

O nível de desenvolvimento (LOD) é um índice que faz referência ao grau de maturidade de


um elemento em um projeto, ou conforme a Câmara Brasileira da Indústria da Construção
(2016, p. 112), é o "nível de confiança que usuários podem ter nas informações incorporadas
em um modelo BIM". Do projeto conceitual (LOD 100) ao as built (LOD 500), a linguagem
LOD é uma ferramenta que facilita a comunicação entre as equipes de cada especialidade.

Dependendo do objeto modelado, pode ser difícil distinguir um objeto genérico, usado apenas
como referência, de um objeto cujas especificações já estão definidas de forma precisa.
Apenas o autor do projeto sabe até que ponto a informação foi elaborada e trabalhada. Por
isso, segundo a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (2016b, p. 113):

Num ambiente de trabalho colaborativo, onde diversos usuários precisarão utilizar


informações extraídas de modelos gerados por outros autores, é fundamental definir
claramente quais os níveis de confiabilidade dos elementos, nas suas várias etapas de
desenvolvimento. Assim, todos os envolvidos poderão planejar seus trabalhos já
considerando os momentos futuros quando as informações mais detalhadas e
confiáveis serão disponibilizadas.

É importante salientar que o LOD não se refere ao desenvolvimento do modelo como um


todo, afinal, durante as etapas do projeto, o nível de maturidade dos modelos de cada
especialidade são diferentes um do outro, portanto, possuem LODs diferentes.

A interpretação da BIMForum (2017, p. 6, tradução nossa) para cada nível de LOD é a


seguinte:

a) LOD 100: os elementos LOD 100 não são representações geométricas. Eles
podem ser símbolos ou outras representações genéricas de informações derivadas
de outros elementos do modelo. Qualquer informação derivada de um elemento
LOD 100 deve ser considerada aproximada;

b) LOD 200: os elementos LOD 200 são representados graficamente, mas são
genéricos e estimados, por exemplo, volume, quantidade, localização, ou
orientação. Qualquer informação derivada de um elemento com LOD 200 deve
ser considerada aproximada;

c) LOD 300: os elementos LOD 300 são representados graficamente como sistemas,
objetos ou conjuntos específicos, dos quais quantidade, forma, tamanho e
orientação podem ser medidas diretamente, sem ter que consultar informações
não modeladas [...];

d) LOD 350: os elementos LOD 350 são aprimorados em relação aos LOD 300 pela
adição de informação sobre as interfaces com outros sistemas. Por exemplo, uma
parede de alvenaria LOD 350 incluiria a condições de batente, vigas de
fechamento, células grauteadas, locais de furação e juntas - informações que
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permitam ao usuário do modelo coordenar o elemento de parede com outros


sistemas na estrutura;

e) LOD 400: os elementos LOD 400 são modelados com detalhes e precisão
suficientes para a fabricação do componente representado.

Apesar de não ter sido citado pela BIMForum (2017), o último estágio do nível de
desenvolvimento corresponde ao LOD 500, que como mencionado anteriormente, representa
o objeto como foi executado (as built). Abaixo, na figura 9 é mostrado um exemplo real dos
níveis de LOD de uma sapata rasa:

Figura 9: Níveis de LOD de uma sapata rasa

fonte: (CÂMARA NACIONAL DA INDÚSTRIA DA CONSTRUÇÃO (2016b, pg. 115)

O LOD necessário para cada elemento varia de acordo com o escopo de projeto. Afinal, as
informações específicas necessárias para construir um hospital, são diferentes das necessárias
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A Influência da Tecnologia BIM no Desenvolvimento do Projeto Estrutural
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para se construir um prédio comercial comum. Para que estas demandas fiquem claras, as
especificações de LOD devem estar contidas no Plano de Execução BIM que será
desenvolvido para estabelecer como o trabalho será realizado por cada participante do projeto.

Na definição do escopo de contratação, a definição específica do LOD tem por objetivo:


servir de referência para a especificação dos entregáveis BIM, definindo claramente o que
deve ser incluído em cada um deles; servir de referência para contratos e planejamentos de
trabalho. Além disso, o especificação do LOD propicia que os projetistas que entram a jusante
no processo recebam informações com um nível de informações suficiente para realizar seu
trabalho de forma adequada. (CÂMARA BRASILEIRA DA INDÚSTRIA DA
CONSTRUÇÃO, 2016a, p. 113).

4.4 PROJETO SIMULTÂNEO

Neste momento em que os agentes da indústria AEC buscam por maneiras de melhorar o
processo tradicional de projetos, a Engenharia Simultânea (ES) e o BIM surgem como
alternativas (conceitual e tecnológica) ao processo de projeto estabelecido no mercado.
Tendo sua origem no setor industrial, a ES buscou substituir o processo de elaboração
sequencial de projetos, por um processo multidisciplinar e integrado.

De acordo com Vargas (2008, p 12-13), as primeiras alternativas ao modelo de projeto


sequencial surgiram no Japão na década de 1970. Em um contexto pós guerra, onde a
importância do combate ao desperdício era grande dentro da indústria japonesa, ocorreu o
desenvolvimento de métodos que ambicionavam o aproveitamento máximo de todos os
recursos disponíveis. Para isso, foi feita uma sistematização do trabalho, e este conjunto de
ações foi chamado de "Lean Production" ou "Produção Enxuta". Esse sistema nasceu na
fábrica Toyota e mudou o paradigma de uma produção massiva de produtos padronizados
para uma produção em menor escala, flexível e com variedades de modelos.

Dentro desse novo processo, o projeto é visto como um fator decisivo para o sucesso, e a fase
inicial (de concepção) é vista como fundamental para a qualidade final do produto. Por isso,
na ES a participação de todos os projetistas e agentes de distribuição, comercialização e
marketing é antecipada através da formação de equipes multidisciplinares que discutirão,
desde o início do projeto, todos os aspectos da vida útil de um produto.

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As primeiras etapas do projeto se tornam mais extensas e onerosas. Porém, este fato é
compensado por se antecipar decisões que seriam tomadas mais tarde no processo, onde a
flexibilidade para alterações seria menor e o custo de alteração maior. Na figura 10, abaixo, é
possível visualizar essa diferença de custo entre as fases de projeto em cada um dos métodos
de projeto.

Figura 10 - Comparação do desenvolvimento de produto em Engenharia Sequencial e em ES

(fonte: KRUGLIANSKAS2, 1995 apud FABRICIO, 2002, p. 168)

Outra característica importante da ES, como foi dito anteriormente, é a substituição do


modelo sequencial de projeto. Segundo Vargas (2008, p 11), "diante da percepção de que este
método resulta em um processo de baixa produtividade, custos de produção elevados,
retrabalhos e baixa qualidade final dos produtos, a ES se apresenta na forma de um
desenvolvimento de todas as especialidades de projeto em paralelo,[...] de forma a
proporcionar uma concepção participativa e que não necessite de ajustes e compatibilizações
[...]". Desta forma pretende-se diminuir o tempo total de projeto e produzir um produto de
qualidade superior.

Além disso, " como facilitador e catalisador da integração entre os especialistas envolvidos, a
engenharia simultânea, frequentemente, é associada à utilização intensiva da informática e das

2
KRUGLIANSKAS. I. Engenharia Simultânea e técnicas associadas em empresas tecnologicamente dinâmicas.
Revista de Administração, São Paulo, v. 30, n.2, o. 25-28, 1995.
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A Influência da Tecnologia BIM no Desenvolvimento do Projeto Estrutural
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telecomunicações como ferramentas de apoio às decisões e à interação entre as


especialidades." (FABRICIO, 2002, p. 165-166).

De acordo com Fabrício (2002, p. 173), a aplicação dos princípios da ES busca atingir os
seguintes objetivos: "redução do tempo de projeto; introdução de inovações; ampliação da
qualidade ao longo da vida útil de produtos e serviços; ampliação da manufaturabilidade dos
projetos e aumento da eficiência dos processos produtivos de bens e serviços."

A aplicação da ES de forma eficiente pode trazer uma grande vantagem competitiva em


relação aos outros agentes da indústria, pois, possibilita um aumento da produtividade e um
refinamento maior das soluções de projeto.

4.4.1 Projeto Simultâneo na Construção Civil

O Projeto Simultâneo é uma tentativa de implementar os conceitos da Engenharia Simultânea


no setor da Construção Civil. Porém, "a primeira dificuldade para aplicação da filosofia de
Engenharia Simultânea na gestão do processo de desenvolvimento e projeto de edifícios é que
esses métodos foram desenvolvidos em outros setores industriais, com cultura, estruturas
produtivas e desafios competitivos diferentes."(FABRÍCIO, 2002, p. 176).

Segundo Fabrício (2002, p. 177), para aplicar as ES de forma eficiente na indústria AEC é
necessário, primeiramente, entender as diferenças entre o desenvolvimento do produto na
indústria seriada e na Construção Civil. Após esse discernimento, é necessário desenvolver
um modelo próprio que supra todas as necessidades e particularidades do setor específico da
construção de edifícios.

Certas características da indústria da construção impõem dificuldades a aplicação da


Engenharia Simultânea em um projeto de um empreendimento imobiliário e abaixo estão
listadas algumas delas:

a) Na indústria seriada, a formação de equipes multidisciplinares de projeto é


facilitada pelo fato dos projetistas e demais agentes serem, na maioria das
vezes, funcionários de uma mesma fábrica ou montadora, subordinados ao
comando dessa. Já no projeto de edifícios, cada agente é uma unidade
independente que, tradicionalmente, não está habituada a trabalhar de forma
colaborativa;

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b) As associações entre os agentes da construção são temporárias e regidas por


contratos estabelecidos entre as partes. Essas associações são sazonais e estão
vinculadas a realização de um empreendimento em particular, extinguindo-se
ao término desse;
c) Na Construção Civil, muitas vezes o projetista participa de mais de um projeto
ao mesmo tempo, o que dificulta o processo de gerenciamento, afinal, pode
acontecer de um projeto ser interrompido devido a emergências ocorridas em
um outro projeto;
d) Os agentes envolvidos nos projetos de edifícios, especialmente os arquitetos e
engenheiros, tem um histórico de baixa sinergia no trabalho em conjunto.
e) Na indústria seriada, o controle sobre os fatores de produção é facilitado por ser
um ambiente controlado. Enquanto no canteiro de obras, as condições são
muito mais imprevisíveis podendo surgir redução na qualidade do produto
executado, em relação ao que havia sido projetado;
f) A indústria da construção é um setor conservador, com baixa introdução de
inovações. Devido ao projeto simultâneo não ser natural no setor, encontra-se
forte resistência à mudança de procedimentos.

Apesar das dificuldades, não há razão para acreditar que não seja possível implementar os
princípios básicos da ES na indústria da Construção Civil. Para Fabrício (2002, p. 182):

De fato, diferenças importantes existem entre cada setor industrial e devem ser
consideradas quando se pretende importar modelos de gestão de uma indústria para
outra. Por outro lado, guardadas as peculiaridades e a necessidade de adaptações,
não há motivo para que o novo paradigma de projeto baseado na cooperação, na
comunicação e na interatividade de coletivos multidisciplinares não seja válido para
o desenvolvimento do processo de projeto no setor de construção.

Levando-se em conta que as soluções propostas pela Engenharia Simultânea vão de encontro
as necessidades de maior integração e compatibilidade entre os projetos de edifícios, algumas
empresas vem implementando alguns princípios desse conceito, aliados ao suporte
tecnológico da tecnologia BIM, na tentativa de obter um projeto mais robusto para que se
diminua o retrabalho e o desperdício.

A valorização da fase de concepção de um edifício passa a ser vista como chave para a
qualidade da edificação. Por isso, assim como na indústria seriada, a participação de todos os
projetistas e agentes que participarão do projeto é antecipada para o início do processo. Desta
forma, a compatibilização entre as disciplinas de projeto já é discutida desde o começo,
pensando-se em toda a vida útil do edifício, facilitando a integração das soluções sem que o
trabalho de nenhum participante precise ser refeito por falta de comunicação.

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A Influência da Tecnologia BIM no Desenvolvimento do Projeto Estrutural
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Para que essa comunicação seja feita com qualidade e confiança, a Tecnologia da Informação
vem sendo implementada para coordenar o fluxo de informações entre as especialidades de
projeto.

Além disso, os processos internos, fluxos de trabalho e formas de contratação vem sendo
discutidos pelos escritórios de projeto e pelas lideranças do setor da Construção Civil, para
que se estabeleça a melhor forma de trabalhar colaborativamente.

Os objetivos da aplicação da ES no projeto de edificações são parecidos com os que foram


buscados pela indústria seriada. Segundo Fabrício (2002, p. 204) os objetivos considerados
mais relevantes são, pela ordem:

a) ampliar a qualidade do projeto e, por conseguinte, do produto;

b) aumentar a construbilidade do projeto;

c) subsidiar, de forma mais robusta, a introdução de novas tecnologias e métodos no


processo de produção de edifícios;

d) eventualmente, reduzir os prazos globais de execução por meio de projetos de


execução mais rápida.

No próximo item, buscou-se estudar as mudanças que a Engenharia Simultânea, aliada a


tecnologia BIM, causa no fluxo de trabalho de um projeto de uma edificação.

4.4.2 Fluxograma de um Projeto Simultâneo na Construção Civil.

Para entender melhor as mudanças que ocorrem no desenvolvimento de um projeto estrutural,


é preciso entender o novo contexto no qual o projetista está inserido. O fluxograma genérico
ilustrado na Figura 11, mostra de maneira simplificada, o andamento das principais fases de
projeto, quando associa-se o uso do BIM ao método de projeto simultâneo.

Nessa nova proposta, a compatibilização não é um evento para coordenar os projetos antes da
execução da obra, mas sim, uma atividade que acontece desde a primeira reunião entre os
envolvidos. Desta forma, espera-se eliminar os problemas derivados de soluções construtivas
incompatíveis, que frequentemente ocorre no método tradicional de projeto.

Inicia-se o processo simultâneo após o arquiteto definir sua proposta e fazer um modelo
esquemático do empreendimento. Após essa definição, esse estudo é apresentado aos outros
projetistas, em uma reunião multidisciplinar, que apresentam suas opiniões e iniciam uma
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discussão sobre a melhor maneira de conciliar suas ideias. A partir deste ponto, as equipes
desenvolvem seus projetos paralelamente, mesmo que em níveis de desenvolvimento
diferentes, comunicando-se frequentemente para eliminar dúvidas.

FIgura 11: fluxograma genérico do projeto simultâneo aplicado a Construção Civil

fonte: (adaptado de CÂMARA BRASILEIRA DA INDÚSTRIA DA CONSTRUÇÃO, 2016b, p. 40-41)


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A Influência da Tecnologia BIM no Desenvolvimento do Projeto Estrutural
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No fluxograma apresentado (Figura 11), a fase inicial de planejamento engloba toda a fase
inicial de projeto (levantamento de dados, programa de necessidades, estudo de viabilidade).
Além disso, o processo passa a ser representado em menos etapas do que aquele utilizado para
representar o processo tradicional. Nesta nova metodologia, o projeto é cada vez mais visto
como um fluxo contínuo e integrado do que como um processo sequencial e fragmentado.

Para exemplificar melhor o processo, a Figura 12 apresenta um cronograma ilustrativo dos


momentos em que cada disciplina inicia e encerra sua participação no projeto.

Figura 12: Cronograma de desenvolvimento das atividades de projeto

fonte: (CÁMARA BRASILEIRA DA INDÚSTRIA DA CONSTRUÇÃO, 2016b, p. 42)

Percebe-se que, apesar da sequência de entrada de cada especialidade no projeto não mudar,
as equipes iniciam seus trabalhos com um intervalo de tempo menor em comparação ao
método usual. O engenheiro de estruturas inicia o trabalho um pouco antes dos outros projetos
complementares, para que seja feita uma primeira compatibilização com o modelo da
arquitetura. Esta primeira compatibilização garante uma maior confiança nos dados
fornecidos como base para as outras especialidades.

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5 A INFLUÊNCIA DA TECNOLOGIA BIM NO DESENVOLVIMENTO


DE UM PROJETO ESTRUTURAL

Cada vez mais, a capacidade de trocar arquivos com plataformas BIM vem sendo um
requisito na contratação de um projeto estrutural. Devido ao uso crescente dessa tecnologia
por parte dos contratantes, a demanda naturalmente chegou aos escritórios de cálculo. Por
isso, escritórios e fabricantes de softwares que atuam nesta área, já deram os primeiros passos
para suprir esta nova demanda de mercado.

Atualmente, todos os principais softwares de cálculo já vem, ao menos, com a capacidade de


exportar arquivos no formato aberto (IFC). Porém, nem todos permitem a importação deste
tipo de arquivo para a sua plataforma. As fabricantes ainda estão se adaptando a esta nova
realidade, e algumas veem na interoperabilidade total uma possibilidade de perder clientes.

Nesse processo de mudança, alguns profissionais do setor de projetos vem buscando descobrir
como extrair o máximo dessa tecnologia que influencia não só a forma de representar os
objetos, mas também a forma como os engenheiros e arquitetos interagem entre si. Com a
ajuda da opinião desses profissionais, aliada a pesquisa de trabalhos acadêmicos, buscou-se
informações para compreender os impactos do BIM no desenvolvimento de um projeto
estrutural, assim como na colaboração com os profissionais de arquitetura. Foram
entrevistados três profissionais de Porto Alegre que trabalham em BIM e que serão
identificados através de pseudônimos (Quadro 2) para que se preserve suas identidades.

Quadro 2: Descrição dos profissionais entrevistados.

Pseudônimo Atuação

Engenheiro Engenheiro de estruturas de um escritório tradicional de Porto Alegre, que foi


responsável pela implementação do BIM na empresa.

Arquiteta A Arquiteta especialista na implementação da tecnologia e processos BIM

Arquiteta B Arquiteta e Gerente de Projetos em um escritório de arquitetura que trabalha em BIM

(fonte: elaborado pelo autor)

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A Influência da Tecnologia BIM no Desenvolvimento do Projeto Estrutural
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Para que se pudesse analisar a influência do BIM no projeto estrutural, a tecnologia foi
dividida em três aspectos fundamentais para que se pudesse analisar a influência de cada um
na atividade do engenheiro calculista. Esses aspectos são os mesmos abordados no capítulo 4
(modelagem paramétrica de objetos 3D, o ambiente colaborativo e o projeto simultâneo) e
seus impactos no desenvolvimento do projeto estrutural são apresentados nos próximos itens.

5.1 A INFLUÊNCIA DA MODELAGEM PARAMÉTRICA DE OBJETOS 3D

A modelagem paramétrica implica em uma quebra de paradigma para quem está habituado às
ferramentas CAD tradicionais. Neste item será mostrada a influência que esta nova forma de
representar os objetos influencia na rotina do Engenheiro de Estruturas.

5.1.1 Informação Precisa Gerada de Forma Facilitada

Como os objetos BIM são criados a partir de informações que o projetista fornece ao
software, (ao invés da criação através de ferramentas de desenho como em CAD); se os
objetos forem bem programados, é possível que seja feita a geração de documentos e
relatórios completos sem que o projetista precise acrescentar qualquer texto ao documento ou
planta gerada pelo software. Além disso, devido a tecnologia de objetos sólidos, a geração de
cortes é automatizada, bastando ao projetista decidir por onde passará o plano de corte.

Segundo o Engenheiro, é possível gerar relatórios de volumes de concreto muito mais


detalhados, através da criação de famílias específicas para cada um dos elementos estruturais
utilizados no projeto (diferentes tipos de lajes, vigas e pilares). Por isso, a modelagem
paramétrica de objetos 3D proporciona, primeiramente, agilidade para o profissional que sabe
como usufruir dos benefícios que o BIM oferece e, além disso, proporciona uma resposta
mais rápida para o cliente pela extração facilitada desses quantitativos.

Além da extração de informações facilitada, a modelagem paramétrica proporciona maior


qualidade nas informações compartilhadas pelo profissional. Para Engenheiro, "[...] a precisão
fica melhor e os quantitativos saem exatos." Para que se entenda a diferença, no método
realizado em CAD, o profissional considera que o processo é muito mais artesanal na hora de
calcular o peso de aço, por exemplo. Afinal, a representação das armaduras é feita através de
linhas (sem espessura) que são medidas e convertidas em peso de aço. Já nas plataformas

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BIM, o objeto é tratado com as dimensões exatas das barras de aço disponíveis no mercado,
tornando a conversão muito mais precisa.

Na Figura 13, abaixo, é mostrado um exemplo de extração de quantitativos de uma sapata


com um detalhamento complexo, que se não fosse feito em uma plataforma BIM, demandaria
um grande esforço para a extração dos quantitativos.

Figura 13: Extração precisa de quantitativos

fonte: (fornecida pelo Engenheiro entrevistado)

Através da criação de novas famílias de objetos, os projetistas podem melhorar e adaptar o


conteúdo disponível nos programas, através da configuração de seus próprios elementos
estruturais, para que se possa extrair informações que não se encontram disponíveis nos
elementos estruturais nativos dos softwares. De acordo com o Engenheiro, os elementos
nativos já vem com uma série de parâmetros, mas nem sempre os que o projetista necessita,
como a área de formas, por exemplo. O tempo gasto com o fornecimento de dados para
programar os objetos corretamente é economizado na hora do detalhamento onde todas essas
informações disponibilizadas, no início, são reutilizadas pela plataforma BIM.

Desta forma, mostra-se verdadeira a afirmação de Eastman (2014, p. 35) sobre a modelagem
paramétrica ser uma capacidade crítica para a produtividade quando se trata do trabalho em
BIM.
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A Influência da Tecnologia BIM no Desenvolvimento do Projeto Estrutural
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5.1.2 Compatibilização de Projetos

O clash detection é uma das ferramentas mais conhecidas das plataformas BIM. Essa
ferramenta proporciona a detecção de conflitos físicos, assim como a de conflitos funcionais
entre os elementos construtivos. Essa funcionalidade é possibilitada pela forma como os
objetos BIM armazenam as informações sobre sua relação com os objetos a que estão
vinculados. Com esta ferramenta torna-se possível detectar problemas de interferência de uma
forma muito mais eficiente do que como é feito no método tradicional, através da
sobreposição de pranchas em 2D. Essa ferramenta diminui consideravelmente a chance de que
uma interferência grave entre projetos chegue até a fase de execução da obra. De acordo com
o Engenheiro, até uma revisão visual feita no modelo 3D possibilita uma detecção de conflitos
muito mais eficiente do que a feita através de pranchas.

Outro grande benefício do projeto feito através da modelagem de objetos paramétricos é a


possibilidade do engenheiro realizar estudos em regiões complexas, onde exista o encontro de
vigas com elevada densidade de aço, por exemplo. Conforme o Engenheiro, tradicionalmente,
em um trecho de encontro de vigas, cada uma seria detalhada individualmente e a forma como
elas seriam executadas em conjunto era um problema de quem fosse executar, porém com o
uso do BIM torna-se possível um estudo mais detalhado dos pontos de alta complexidade para
que se envie a obra um conjunto de informações e detalhes que deixem claro como a
armadura será montada.

Na Figura 14 é ilustrado um estudo de encontro de vigas realizado pelo Engenheiro, no qual a


taxa de armadura é bastante alta. A forma como é possível manejar os objetos torna o estudo
muito mais prático. No método tradicional, muitas vezes esse estudo era feito a mão, com o
auxílio de uma calculadora, para verificar as distâncias entre as barras.

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Figura 14: Estudo de uma região com alta densidade de armadura

fonte: (elaborado pelo autor)

Este tipo de modelagem com a utilização de objetos sólidos em 3D, exige computadores de
alta performance devido a exigência gráfica dos softwares. Mas a alta precisão e qualidade de
representação justificam o alto investimento.

5.2 A INFLUÊNCIA DO AMBIENTE COLABORATIVO

Neste item, será mostrado como o ambiente colaborativo encontrado nas ferramentas BIM
influencia o trabalho do engenheiro estrutural e sua relação com as outras equipes. Foi
analisada a influência da utilização de um modelo compartilhado como forma de
comunicação e do aumento das restrições na troca de arquivos digitais (interoperabilidade) no
desenvolvimento do projeto estrutural.

5.2.1 - Modelo Compartilhado Como Centro do Processo de Projeto.

Trabalhar com modelos 3D não é uma novidade na rotina do engenheiro calculista, afinal,
todo software de calculo estrutural faz uma representação tridimensional da estrutura que está
sendo dimensionada. Porém, antes da tecnologia BIM, esse modelo tinha apenas uma função
visual e não continha nenhuma informação vinculada.

Com o advento do BIM, se tornou possível criar uma espécie de protótipo da estrutura, no
qual, além de uma representação visual de alta qualidade gráfica, os elementos estruturais
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A Influência da Tecnologia BIM no Desenvolvimento do Projeto Estrutural
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armazenam informações que serão compartilhadas com os outros projetistas através do


modelo compartilhado.

De acordo com o Engenheiro, todas as reuniões de compatibilização com BIM são realizadas
com o auxílio do modelo. Desta forma, a compreensão do projeto é facilitada devido a clareza
que a visualização tridimensional proporciona, assim como pela possibilidade de se isolar
qualquer ponto do modelo que necessite ser melhor analisado. Além disso, a exposição visual
que o modelo proporciona, pressiona os projetistas para que não adiem decisões importantes
que acabem deixando pontos obscuros no projeto, trazendo precisão e evitando futuros
retrabalhos para as outras equipes.

Para a arquiteta A, trabalhar em torno de um modelo leva as discussões de projeto para um


âmbito prático, ao invés de teórico. Afinal, é possível que o engenheiro forneça respostas
através da demonstração dos resultados no modelo, para que se compreenda mais facilmente
porque uns elementos podem ser remanejados ou reduzidos e outros não.

Além dos benefícios diretos que o modelo traz para o trabalho colaborativo, ele também
causa alguns impactos indiretos positivos. De acordo com o Engenheiro, quando todos
trabalham em BIM (devido as reuniões serem realizadas com o auxílio do modelo) não é
necessária a impressão das plantas de finalização das etapas, o que acaba por economizar uma
grande quantidade de papel. Nas reuniões pelo método tradicional, cada projetista leva uma
pilha de plantas que muitas vezes não são utilizadas pelo coordenador de projetos. Na visão
das duas arquitetas entrevistadas, a forma como, atualmente, se percebe o processo de projeto
como uma série de etapas de entrega será substituída, com o tempo, por uma visão de um
processo de desenvolvimento contínuo do modelo.

Pelos impactos analisados, a introdução de um modelo digital como forma de representar a


obra e compartilhar informações, propicia os meios para que se eleve o nível de qualidade do
projeto através de uma visualização mais clara dos conflitos e da disponibilização de
informações de forma facilitada através do modelo.

5.2.2 - Interoperabilidade

Com o advento do BIM, a troca de arquivos digitais entre os participantes se tornou mais
complexa. No método tradicional, a troca de arquivos consiste apenas em abrir um arquivo de
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Autocad no software de cálculo estrutural. Porém, como o trabalho em BIM pode ser
realizado através de uma variedade de plataformas, cada uma com seu formato de arquivo
proprietário, a forma como a informação será trocada é um problema que deve ser resolvido já
na elaboração do Plano de Execução BIM, no início do processo.

O modo ideal de trocar arquivos no ambiente BIM ocorre quando todos os participantes
utilizam softwares do mesma fabricante, porém isso nem sempre acontece. De acordo com o
Engenheiro, as trocas realizadas em IFC "[...] estão longe de ser ideais e frequentemente
ocorrem problemas na transferência de alguns elementos da estrutura." Porém, este formato
de arquivo tem suportado bem o trabalho e não oferece empecilhos definitivos à troca de
informação. Neste quesito, a Arquiteta A concorda que o IFC, apesar de causar alguns
problemas de representação, não impede o desenvolvimento do trabalho entre engenheiros e
arquitetos.

Apesar de alguns softwares de cálculo estrutural conseguirem importar o modelo BIM através
dos recursos do IFC, o engenheiro calculista não utiliza este recurso e lança sua estrutura
desde o início no software de cálculo. Essa atitude é necessária devido a responsabilidade que
o engenheiro estrutural tem sobre a precisão das cargas e da consistência do lançamento dos
elementos estruturais. Porém, após o dimensionamento da estrutura, o engenheiro utiliza os
recursos IFC para compartilhar seu modelo com a equipe de arquitetura.

Devido ao tamanho considerável dos arquivos gerados pelos programas BIM, as trocas tem
sido realizadas por intermédio de sites, como o dropbox, onde os arquivos são armazenados
para que as equipes tenham acesso a versão mais atualizada dos modelos. Para o Engenheiro,
ainda vai demorar para que se atinja um nível de integração total, no qual as equipes possam
trabalhar a distância, em um modelo único, conectadas por um servidor local ou em nuvem.
Por isso, devido a limitações técnicas, o BIM ainda não pode ser utilizado no seu mais alto
grau de colaboração.

Independente da forma como os arquivos são compartilhados, o projeto em BIM traz estas
questões referentes a interoperabilidade que não existiam no projeto tradicional. Porém, a
escolha de trabalhar com uma plataforma BIM envolve questões mais amplas do que o
formato dos arquivos e a partir do momento que se percebe os benefícios funcionais dessa
tecnologia, a interoperabilidade se torna apenas mais um dos desafios a superar.

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5.2.3 LOD (Nível de Desenvolvimento)

Apesar do conceito de LOD ter bastante influência no desenvolvimento do modelo


arquitetônico, ele não afeta a forma como o que o projeto estrutural é desenvolvido.
Normalmente, os engenheiros não desenvolvem o projeto de armaduras nas plataformas BIM
por ser muito trabalhoso. Além disso, como os elementos estruturais são simples não há muito
o que desenvolver em um objeto estrutural.

A única mudança relacionada ao nível de desenvolvimento dos objetos estruturais, é que, nas
plataformas BIM, o engenheiro pode compartilhar informações anexadas aos objetos para
informar a quantidade de aço em um elemento, por exemplo. Dessa forma o levantamento de
quantitativos é facilitado.

5.3 A INFLUÊNCIA DO PROJETO SIMULTÂNEO

De acordo com os conceitos da Engenharia Simultânea, as equipes de projetos de edificações


que trabalham com BIM tem feito tentativas de alterações no fluxo de trabalho de forma que
se antecipe a participação de todos os participantes no processo. Desta forma, busca-se
antecipar a tomada de decisões importantes, para uma fase do projeto onde as mudanças
implicam em um custo baixo em comparação ao custo que se tem quando é necessário fazer
alterações projetuais próximas da fase de execução do edifício, como acontece com
frequência no método tradicional.

Essa mudança no fluxo de trabalho é um dos aspectos do BIM que mais tem influência na
qualidade final do produto. De acordo com o Engenheiro, as reuniões multidisciplinares na
fase conceitual do projeto, possibilitam a discussão antecipada de pontos importantes de
compatibilização, sendo possível avançar em duas horas de reunião o correspondente a dois
meses de trabalho seguindo o método tradicional.

Como o objetivo dessas primeiras reuniões é resolver os problemas de interface entre os


projetos de forma antecipada, elas geralmente são mais frequentes no início do processo
(reuniões semanais) e vão se tornando mais esporádicas a medida que o modelo evolui. O
objetivo é chegar no projeto executivo com quase tudo resolvido, contrastando fortemente
com o método tradicional em que as reuniões de compatibilização começavam nessa fase do
projeto.
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Essa forma de projetar incentiva a comunicação entre os profissionais, por isso, de acordo
com o Engenheiro as equipes se comunicam frequentemente para resolver dúvidas. A ideia é
não dar prosseguimento ao projeto sem antes resolver os pontos de conflito com as outras
especialidades. A arquiteta A concorda nesse aspecto afirmando que, "independente do
software utilizado, existe a necessidade de uma comunicação alinhada entre os projetistas
para o que processo flua bem".

Além disso, esta constante comunicação com outros profissionais, traz alguns ganhos
indiretos para os agentes participantes. De acordo com o Engenheiro, devido as constantes
interações com profissionais de outras áreas, acaba-se desenvolvendo o censo crítico em
relação as outras especialidades, o que acaba aprimorando o conhecimento dos profissionais,
tornando-os mais preparados, com capacidade de argumentar e questionar ao invés de apenas
aceitar as soluções propostas pelos outros profissionais. Isso acaba por gerar um ambiente de
negociações entre os agentes que evita o superdimensionamento de certas modalidades, assim
como gera um projeto mais conciso e econômico.

Porém, nem todas as premissas do projeto simultâneo se confirmam no projeto de estruturas.


Segundo o Engenheiro e a Arquiteta A, apesar do projeto simultâneo trazer benefícios no
âmbito da qualidade do produto, ainda não foi constatada a redução do tempo de projeto. Em
contrapartida, a arquiteta B afirma que obteve uma redução do seu cronograma final de
projeto, porém, o motivo desse êxito pode ser explicado pelo fato desse escritório de
arquitetura ter uma equipe de engenheiros trabalhando de forma integrada com a arquitetura
dentro mesmo ambiente.

O projeto simultâneo estimula as equipes que utilizam o BIM a repensar os fluxos de trabalho
para que seja possível um método colaborativo que traga além de precisão, produtividade para
o serviço prestado. De acordo com Engenheiro, este novo ambiente estimulou ele e outros
usuários de BIM de Porto Alegre a criar um grupo de discussão para que se debata as
melhores maneiras de trabalhar em conjunto e organizar o processo.

Esta forma colaborativa de trabalhar parece lógica quando se pensa na integridade do projeto
e traz uma série de benefícios para a qualidade do produto final. Por isso, é benéfico para a
indústria AEC que se divulgue e incentive esta metodologia. A eliminação da cultura de
desconfiança que existe no setor não acontecerá de um dia para o outro e o esforço feito por
essas equipes pioneiras é essencial para que esse novo pensamento se propague.
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5.4 FLUXO DO PROJETO ESTRUTURAL NO AMBIENTE BIM

Como o BIM ainda é uma novidade, não existe ainda um procedimento que seja recomendado
com o mais adequado, porém através das entrevistas com os profissionais chegou-se a um
procedimento básico do projeto estrutural no ambiente BIM e que está demonstrado na Figura
14. Além disso, esse trabalho considera um caso no qual a equipe de arquitetura e a de
engenharia estrutural projetam de forma simultânea com o auxílio da plataforma BIM.
Existem casos que o projetista apenas envia o IFC gerado pelo programa de cálculo, mas
neste trabalho, procurou-se identificar a metodologia de trabalho ideal dentro dessa nova
metodologia.

A estrutura básica do projeto estrutural permanece a mesma, porém ocorre o acréscimo de


certas atividades no processo devido as possibilidades oferecidas pela nova tecnologia para
que se diminua o número de loopings no processo, causados por incompatibilidades entre
estrutura e arquitetura.

Enfatiza-se que o foco deste trabalho é sobre a influência do BIM no desenvolvimento do


projeto estrutural e na troca de informações com a equipe de arquitetura, portanto, foram
excluídas do fluxograma (Figura 14) as atividades referentes as outras especialidades.

Após as primeiras reuniões multidisciplinares, o processo de projeto estrutural inicia com o


recebimento (etapa 1) do modelo arquitetônico pela equipe de Engenharia Estrutural. Este
modelo é aberto no software BIM de onde são retiradas as plantas baixas em 2D para que
sejam importadas pelo programa de cálculo estrutural. É feita, então a configuração não
gráfica do programa (etapa 2) da mesma forma que foi descrito no processo tradicional e, em
seguida, a estrutura é lançada no software de cálculo estrutural (etapa 3) para que seja
analisada pelo programa (etapa 4).

Após a resposta da análise ter sido considerada adequada pelo engenheiro (etapa 5), um
modelo BIM é gerado pelo software de cálculo e então é exportado para a plataforma BIM
utilizada no escritório de cálculo (etapa 6). Neste ponto, é feita uma pré-compatibilização
entre o modelo estrutural e o modelo fornecido pela arquitetura (etapa 7), para que se resolva
algumas interferências primárias antes do modelo ser compartilhado . Desta forma, o processo
ganha celeridade e reduz a quantidade de retrabalhos.

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Figura 15: Processo de projeto estrutural no ambiente BIM

fonte: (elaborado pelo autor)

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Esta última etapa de pré-compatibilização é uma novidade no processo de desenvolvimento


do projeto estrutural e é possibilitada pelas ferramentas de compatibilização BIM.

Se o resultado for considerado adequado, o modelo estrutural é trabalhado na plataforma BIM


para que se obtenha os quantitativos necessários (etapa 8) e o novo modelo é enviado para a
equipe de arquitetura fazer a compatibilização entre os modelos (etapa 9). Quando tudo
estiver compatibilizado a equipe pode passar para a fase de detalhamento.

De acordo com o Engenheiro, o detalhamento (etapa 10) ainda é feito da mesma maneira que
no método tradicional. Através de detalhamentos gerados pelos softwares de cálculo que são,
posteriormente, complementados no Autocad (com exceção de detalhamentos complexos, que
são realizados em BIM, como foi mostrado no item 5.1.2). A equipe de projeto monta as
pranchas finais (etapa 11) para que sejam encaminhadas para a execução da obra. Contudo, a
qualidade de detalhamento dessa nova geração de programas de cálculo estrutural apresenta
grande qualidade o que evita que se perca tempo com alterações. Segundo o engenheiro, a
geração de plantas para a obra não será excluída do processo até que a tecnologia BIM chegue
aos canteiros de obras.

No projeto em BIM, ao final, do processo, a equipe de estruturas pode entregar uma versão
simplificada do modelo final, juntamente com as pranchas.

Conforme o Engenheiro, a mudança mais importante no processo não está na inclusão ou


exclusão de etapas, mas sim na alteração do foco do trabalho. No processo tradicional, devido
a quantidade de alterações nos projetos, uma grande parte do tempo era gasto arrumando
plantas e refazendo detalhamentos. Mas, com a precisão proporcionada pelo BIM e a
diminuição do retrabalho, este tempo e energia empreendidos no final do processo são
deslocados para o início, durante a fase de conceituação e discussão das soluções mais
adequadas para o andamento do projeto. Por isso, com a metodologia BIM associada ao
projeto simultâneo gasta-se menos tempo desenhando, e mais tempo praticando engenharia.

5.5 PONTOS NEGATIVOS DO BIM

Durante as entrevistas foi perguntado aos profissionais quais seriam os aspectos negativos da
entrada no BIM e nesse quesito houve um consenso. Todos concordaram ao dizer que o
processo de implementação do BIM pode ser traumático, gerando inicialmente um prejuízo
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para o escritório. A arquiteta A reforça a importância de se saber quais objetivos pretende-se


atingir com o BIM antes de se decidir pela migração.

Seja pelas altas expectativas geradas pelos vendedores de softwares, ou pela falta de
compreensão sobre a tecnologia, a implementação do BIM sem a consciência do esforço
necessário para implantação dos processos, faz com que algumas equipes de projeto voltem
para o método tradicional e desistam definitivamente da implementação. Além disso, a
necessidade de adquirir computadores de alto desempenho gráfico para suprir as demandas
das plataformas BIM, faz com que o investimento inicial em maquinário para o escritório seja
alto.

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6 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Nos últimos anos, a tecnologia BIM vem ganhando destaque no mercado da Construção Civil
e tendo uma rápida adesão dos escritórios de arquitetura. Esta nova tecnologia propõe, não
apenas uma nova ferramenta de desenho, mas sim uma alteração em todo o processo de
projeto, trazendo os princípios da Engenharia Simultânea para dentro do processo de projeto
de edificações.

Essa demanda chegou, naturalmente, aos escritórios de projeto estrutural que tiveram que se
adaptar, juntamente com os fabricantes de softwares, a essa nova tendência. Atualmente, a
maioria dos softwares de cálculo ja possuem a capacidade de exportar arquivos IFC. Por isso,
muito tem se discutido sobre o efeito dessa tecnologia sobre as outras especialidades e sobre a
troca de informações. Por isso, esse trabalho buscou responder a questão de como a
tecnologia BIM influencia o desenvolvimento de um projeto estrutural e a troca de
informações com a equipe de estruturas.

Com o intuito de esclarecer as diferenças entre o método tradicional, em CAD e o projeto


estrutural desenvolvido em um ambiente BIM, buscou-se nesse trabalho compreender os
princípios desta tecnologia para analisar como impactam a rotina do engenheiro calculista. Os
três aspectos considerados fundamentais pelo autor, que foram investigados de forma mais
aprofundada, foram a modelagem paramétrica de objetos em 3D, o ambiente colaborativo e o
processo de projeto simultâneo.

Percebeu-se durante a pesquisa que os escritórios que implementaram a tecnologia BIM


adquiriram uma nova dinâmica em suas rotinas de trabalho e, apesar das dificuldades iniciais,
não pretendem retornar a metodologia tradicional. Seja pela tecnologia em si, ou pela
mudança dos fluxos de trabalho, todos os esforços para implementar o BIM visam a entrega
de um projeto mais preciso, com soluções compatibilizadas, de forma que se economize
tempo e recursos. Com essas novas ferramentas é possível dedicar mais tempo para realizar
engenharia de verdade, discutindo as soluções construtivas mais adequadas para suprir as
demandas do contratante, ao invés de escolher soluções mais confortáveis para que se possa
ter tempo para detalhar todos os elementos.

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Além disso, apesar do esforço dos escritórios de projeto para empreender um trabalho
colaborativo, existem alguns aspectos dessa tecnologia, como o formato IFC, que precisam
ser melhorados para facilitar a troca de informações. De uma forma geral, as equipes de
projeto continuam trabalhando em modelos separados sem a utilização de um modelo
integrado que atualize os modelos de forma instantânea via servidor. Contudo, apesar dessas
limitações tecnológicas, os profissionais da área estão conseguindo tirar proveito dos
benefícios dessa ferramenta.

Para que se desenvolva um ambiente colaborativo no projeto de edificações, essa discussão


também deve ser levada para o meio acadêmico, e se busque incentivar os alunos de
engenharia e arquitetura a desenvolver suas capacidades de trabalhar em conjunto. Por isso,
ao demosntrar nesse trabalho a influência da tecnologia BIM no projetos estrutural, também
se visou fornecer uma fonte de informação para que os alunos de engenharia possam entender
a mudança de mentalidade necessária para que se eleve o nível dos projetos na indústria da
Construção Civil.

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