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NEWTON C.

BRAGA

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O Básico sobre Eletrônica Digital

Newton C. Braga

O Básico sobre Eletrônica Digital

PATROCÍNIO

Editora Newton C. Braga


São Paulo - 2017

Instituto NCB
www.newtoncbraga.com.br
leitor@newtoncbraga.com.br

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NEWTON C. BRAGA

O Básico sobre Eletrônica Digital


Autor: Newton C. Braga
São Paulo - Brasil - 2017
Palavras-chave: Eletrônica - Engenharia Eletrônica -
Componentes – Circuitos práticos – Coletânea de circuitos –
Eletrônica Digital – Curso Rápido.

Copyright by
INTITUTO NEWTON C BRAGA.
1ª edição

Todos os direitos reservados. Proibida a reprodução total ou parcial, por


qualquer meio ou processo, especialmente por sistemas gráficos, microfílmicos,
fotográficos, reprográficos, fonográficos, videográficos, atualmente existentes ou
que venham a ser inventados. Vedada a memorização e/ou a recuperação total ou
parcial em qualquer parte da obra em qualquer programa juscibernético
atualmente em uso ou que venha a ser desenvolvido ou implantado no futuro.
Essas proibições aplicam-se também às características gráficas da obra e à sua
editoração. A violação dos direitos autorais é punível como crime (art. 184 e
parágrafos, do Código Penal, cf. Lei nº 6.895, de 17/12/80) com pena de prisão e
multa, conjuntamente com busca e apreensão e indenização diversas (artigos
122, 123, 124, 126 da Lei nº 5.988, de 14/12/73, Lei dos Direitos Autorais).

Diretor responsável: Newton C. Braga


Diagramação e Coordenação: Renato Paiotti

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O Básico sobre Eletrônica Digital

Índice
Índice.........................................................................................4
Apresentação..............................................................................6
Introdução (da edição original de 1987).....................................7
Circuitos Digitais.........................................................................9
Conversão para a Base 2...........................................................15
Conversão para a Base 10.........................................................17
Por que Binário?.......................................................................19
Circuitos Lógicos.......................................................................24
Funções Lógicas........................................................................31
a) A função E..................................................................31
b) A função OU................................................................34
c) A Função NÃO E ou NE.................................................36
d) A função inversora.......................................................39
e) Função NÃO-OU ou NOU...............................................40
f) Função OU-exclusivo.....................................................43
Postulados da Álgebra Booleana........................................44
Flip-flops...................................................................................47
a) Multivibradores astáveis...............................................47
b) Multivibradores monoestáveis.......................................49
c) O multivibrador biestável ou flip-flop..............................51
O contador binário....................................................................53
BCD ou Decimal codificado em binário.......................................58
Circuitos Básicos.......................................................................60
Função NAND ou NÃO-E...................................................60
Função NOR....................................................................61
Função AND....................................................................62
Função OR......................................................................63
Famílias Lógicas........................................................................65
A família TTL.............................................................................67
Nível LO.........................................................................69
Nível HI..........................................................................69
A família CMOS...............................................................72
Usando Circuitos Lógicos...........................................................76
O 7400...........................................................................80
O 7401...........................................................................84

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NEWTON C. BRAGA

O 7402...........................................................................86
O 7403...........................................................................86
O 7404...........................................................................87
O 7405...........................................................................89
O 7406...........................................................................90
O 7407...........................................................................90
O 7408...........................................................................92
O 7410...........................................................................93
O 7414...........................................................................94
O 7415...........................................................................95
O 7417...........................................................................96
O 7420...........................................................................97
O 7430...........................................................................99
O 7432.........................................................................100
O 7437.........................................................................101
O 7440.........................................................................101
O 7442.........................................................................102
O 7445.........................................................................105
O 7447.........................................................................106
O 7473.........................................................................109
O 7474.........................................................................111
O 7486.........................................................................113
O 7490.........................................................................114
Fazendo Projetos....................................................................118
O 555...........................................................................120
Contador Binário............................................................122
Um Clock Disparado.......................................................124
Sorteador.....................................................................124
Displays........................................................................126
NOSSO PROJETO PRÁTICO......................................................130
MÓDULO CONTADOR DE 0 A 9 - TTL................................130
Aplicação 1 - Contador de Objetos...................................139
Aplicação 2 - Cronômetro................................................140
Aplicação 3 - Sorteador..................................................141

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O Básico da Eletrônica Digital

Apresentação
Este livro foi originalmente publicado em 1987. No
entanto, por tratar de conceitos básicos e de uma teoria que não
mudou desde então, ele é ainda atual e muito importante para os
que desejam trabalhar com eletrônica digital. Na época o autor
Newton C. Braga usou pseudônimo, pois a publicação foi feita por
editora diferente daquela em que ele trabalhava, por exigência da
mesma.
Assim, nesta edição não precisamos mudar nada já que
tanto os conceitos teóricos ainda são válidos como os próprios
componentes tomados como exemplo e os circuitos práticos.
Um livro muito importante para quem deseja dar os
primeiros passos em eletrônica digital.
Este livro faz parte de uma coleção que estamos dando
gratuitamente aos nossos leitores com o patrocínio da Mouser
Electronics ( http://br.mouser.com ).

Newton C. Braga

Capa da Edição de 1987

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NEWTON C. BRAGA

Introdução (da edição original de 1987)


Não é preciso ressaltar a importância da eletrônica digital
em nossos dias, para que os leitores se conscientizem da
necessidade deste livro. Na verdade, com a evolução acelerada
da informática, que se baseia totalmente na eletrônica digital,
cada vez mais dispositivos empregam componentes cujo
funcionamento está totalmente regido por princípios desta
tecnologia.
Não é preciso, pois, explicar exatamente o que se pode
fazer com a eletrônica digital para que os leitores, já ligados na
eletrônica, compreendam que somente conhecendo este setor a
fundo, se pode estar em dia com a eletrônica.
Dando então seguimento a esta série apresentamos este
volume de eletrônica digital sem mistérios, que levará o leitor a
entender os princípios da tecnologia digital aplicada, incluindo
projetos práticos e muitas informações de grande utilidade.
Partindo do fundamental, que é a própria álgebra
booleana, passamos pelas funções lógicas e chegamos aos
circuitos práticos.
Damos informações sobre componentes para eletrônica
digital, o que se pode e o que não se pode fazer, além de
circuitos que o próprio leitor poderá montar. A partir destes
conhecimentos o leitor poderá também partir para a própria
informática, entendendo melhor como funcionam os
microprocessadores e microcontroladores e até desenvolvendo
seus projetos.
A linguagem que utilizaremos é aquela que os leitores que
acompanham os livros do autor já estão acostumados. Usando
termos simples, as vezes-até em prejuízo a uma explicação mais
acadêmica, tornamos compreensíveis os princípios que
precisamos levar ao leitor. A linguagem simples deve servir de
ponto de partida a um aprofundamento futuro maior que
certamente levará o leitor a evoluir em seus conhecimentos,

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O Básico da Eletrônica Digital

quem sabe com a realização de cursos técnicos de nível médio ou


mesmo um curso superior.
Entendendo, mesmo que de maneira rudimentar, é mais
fácil realizar alguma coisa, do que tendo informações avançadas,
mas que não'sejam fáceis de ser decifradas.
Muito simples e didático e o nosso trabalho mas as
informações que nele o leitor vai encontrar, não têm nível de
utilidade. Estas informações serão úteis tanto ao aprendiz,
estudante como ao projetista avançado e mesmo ao engenheiro.
Depois de aprender, o leitor certamente vai usar esta obra
como excelente fonte de consultas.
A extensão do assunto, por outro nos leva a
impossibilidade de incluir tudo o que queremos num único
volume, dai ser este apenas um de uma eventual série!

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NEWTON C. BRAGA

Circuitos Digitais
A palavra digital vem de “dígito", que em latim que
significa “dedo", já que os sistemas de numeração mais utilizados
se baseiam totalmente nos dedos de nossas mãos. Para contar
objetos, os antigos e até mesmo nós, usavam os dedos como
referência.
Os próprios Romanos desenvolveram um sistema em que
as referências principais eram justamente devidas a mãos cheias
que levavam a quantidades maiores. Assim, chegando a uma
mão cheia ou 5 unidades, passava-se a utilizar um outro símbolo,
o V que significa a mão com dois dedos abertos. Para 10
unidades, tinham o X que significa duas mãos cruzadas, ou duas
mãos cheias (Veja afigura 1).

Veja que o nosso sistema "decimal" deriva justamente do


fato de termos 10 dedos em nossas mãos.
Quando ”enchemos" as duas mãos, ou seja, temos uma
quantidade que é representada por 10 dedos, temos de utilizar
mais de um sinal além dos que conhecemos de 0 à 9. Usamos
então um sinal para dizer “quantas mãos cheias" temos e mais
quantas unidades.
O número 27, por exemplo, significa que temos 2 mãos
(duas dezenas) e mais 7 unidades.

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O Básico da Eletrônica Digital

Perceba o leitor que, utilizando este sistema de numeração


só podemos representar quantidades discretas, ou seja, números
inteiros.
Não podemos “trabalhar" (ainda) com quantidades
quebradas como, por exemplo, dois objetos e meio.
Isto diferencia o sistema digital do analógico.
Inicialmente o leitor deve ter em mente que no sistema
digital, somente quantidades inteiras podem ser representadas, o
que não ocorre num sistema analógico em que qualquer valor
intermediário entre duas unidades pode ser representado.
Na verdade, o sistema digital também admite este tipo de
representação, com alguns sacrifícios, mas isso só será visto bem
mais adiante.
O sistema que usamos, normalmente, é o de base 10, ou
seja, utilizamos 10 algarismos diferentes para representar
qualquer quantidade:
0123456789
Para representar uma quantidade maior que 10, passamos
a empregar os mesmos algarismos, mas com uma posição no
número que passa a ter um ”peso".
Este “peso" ou valor relativo é sempre uma potência de
10, ou seja, pode ser10, 100, 1 000,10 000, etc.
Assim, o número 3 456 tem os seus algarismos 3, 4, 5 e 6
com diversos pesos que correspondem a sua posição relativa:
O 6 tem ”peso 1", devendo portanto significar realmente
6.
O 5 tem "peso 10", ou seja, representa 5 dezenas ou 50.
O 4 tem “peso 100", ou seja, representa 4 centenas ou
400.
O 3 tem ”peso 1 000", ou seja, representa 3 milhares ou 3
000.
Somando os valores que cada dígito ou algarismo
representa, temos o valor total do número 3 milhares, 4
centenas, 5 dezenas e 6 unidades, ou ainda como lemos
corretamente:”três mil, quatrocentos e cinquenta e seis".
Será que poderíamos representar outras quantidades
usando outras bases de numeração.

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NEWTON C. BRAGA

Imagine se o leitor vivesse num mundo em que as pessoas


possuíssem um único dedo!
Só existiria então neste mundo a possibilidade de
representar as quantidades com dois algarismos: 0 ,zero (0) que
seria a ausência do dedo e o um (1) que seria a presença do
dedo.
Para facilitar as coisas, neste mundo extravagante,
suporemos também que para compensar a falta de dedos os
habitantes tivessem 8 braços em lugar de apenas dois (veja a
figura 2).

O leitor perceberá então que a contagem de objetos da


maneira de fazemos seria perfeitamente possível, mudando
apenas o modo de fazer a representação.
Se tivermos um único objeto, ele será representado por
um dedo erguido, conforme mostra a figura 3.

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O Básico da Eletrônica Digital

Se tivermos 2 objetos, este dedo não mais serve. Usamos


então o seguinte artifício: para o indivíduo de um dedo em cada
mão, 2 unidades representam duas mãos cheias.
A representação será então conforme mostra a figura 4.

Temos uma mão com o dedo erguido e a outra sem


nenhum, ou seja, 10.
Se tivermos três objetos, a representação será conforme
mostra a figura 5.

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NEWTON C. BRAGA

Teremos uma mão que representa duas unidades e a outra


que representa mais uma, ou seja, 11.
Para quatro objetos, os problemas são resolvidos da
seguinte forma: temos 1 mão que representa que temos duas
vezes duas unidades, ou seja, é erguido 0 dedo com peso 4,
conforme mostra a figura 6.

O resultado é que 4 é representado como 100.


Veja então que, cada mão tem um peso que é uma
potência de 2. Veja a figura 7.

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O Básico da Eletrônica Digital

A mão da direita representa a unidade, ou seja, 20 = 1 e


tem este peso. a seguinte, para a esquerda, tem peso 21 = 1 e
portanto 2. A terceira, para a direita, 22 = 4, a seguinte, 23 = 8,
vindo depois 24 = 16, 25 = 32, 26 = 64, até a última a esquerda
27 = 128.
Veja então que, o indivíduo de 8 braços de um dedo pode
facilmente representar números até 255 (veja a figura 8).

A representação de qualquer número desta forma pode


então ser feita simplesmente por uma decomposição em fatores
múltiplos de 2, conforme explicaremos a seguir.

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NEWTON C. BRAGA

Conversão para a Base 2


Para converter um número na base 2, sendo ele na base
10, ou sistema decimal, o procedimento é simples.
É muito importante o leitor saber como fazer isso, pois
conforme veremos a seguir os circuitos digitais trabalham todos
na base 2.
Para tornar mais fácil, tomemos o seguinte exemplo:
queremos converter 278 na base 10 (escrevemos 27810) em um
número na base 2 (X2),
Fazemos então a seguinte divisão sucessiva por 2:

Pegamos então os restos, começando por 1, e escrevemos


na ordem inversa:
100010110 = 278

De fato:
1 X 256 = 256
0 X 128 = 0
0 X 64 = 0
0 X 32 = 0
1 X 16 = 16
0 X 8=0

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O Básico da Eletrônica Digital

1X4=4
1X2=2
0X1=0

Somando = 278

Repare que na representação em binário, como em


decimal, o algarismo que tem valor maior fica mais a esquerda e
o que tem valor menor, mas à direita.
É costume representar o de menor por LSD (do inglês Less
Significant Digit) e o de maior valor por MSD (Most Significant
Digit).
Estes termos aparecem muito em eletrônica digital.

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NEWTON C. BRAGA

Conversão para a Base 10


A conversão de um número em binário puro, como vimos,
para um número na base 10 é bastante simples, bastando
lembrar que cada algarismo sucessivo da direita para a esquerda
tem o dobro de peso do que o precede.
Assim, basta escrever o número verticalmente e proceder
ao seguinte cálculo em que tomamos como exemplo o valor
11001011:
1 X 128 = 128
1 X 64 = 64
0 x 32 = o
0 X 16 = 0
1X8=8
0X4=0
1X2=2
1X1=1
Somando = 203

Assim, 110010112 = 20310

Será interessante o leitor treinar um pouco realizando as


seguintes conversões:

a) Converter em binário puro:


1) 324
2) 1067
3) 1089

b) Converter em decimal:
1) 110011
2) 1101111
3) 100000
4) 1000101
5) 100101111

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O Básico da Eletrônica Digital

Respostas (a)
1)110011
2)1101111
3)1000101

Respostas (b)
1) 51
2) 207
3) 32
4) 69
5) 303

Veja que o exemplo que tomamos do indivíduo de 8 mãos


limita a contagem a 255, mas com mais dígitos não há limite para
os valores representados.

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NEWTON C. BRAGA

Por que Binário?


A utilização do código binário nos circuitos eletrônicos
digitais oferece inúmeras vantagens em relação a um eventual
código em base10.
Vamos começar pela própria quantidade de operações.
Utilizando a base 2 as operações são mais simples do que
em relação à base 10.
Num circuito eletrônico, por outro lado, se fôssemos
representar os algarismos de 0 à1,teríamos de dispor de 10 níveis
de corrente ou de tensão.
Na base 2 podemos ter apenas a presença, ou a ausência
da tensão.
Voltado às operações, os leitores devem até hoje se
lembrar das dificuldades em memorizar as operações de
multiplicação envolvendo todos os algarismos na forma de
tabuadas.
Para a multiplicação, partindo da tabuada do 2 até a do 9
(7 tabuadas) temos de memorizar 70 operações, ou seja, o valor
de 70 produtos para poder realizar qualquer multiplicação.
Trabalhando na base 2 memorizamos apenas 4 operações
de multiplicação:

0x0=0

0X1=0

1X0=0

1X1=1

A realização de uma multiplicação em binário não difere


em nada de uma multiplicação em decimal, conforme segue no
exemplo 13 X 29.

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O Básico da Eletrônica Digital

Em binário:

1 1 1 0 1 [29]

X 1 1 0 1 [13]
1 1 1 0 1
0 0 0 0 0
1 1 1 0 1
1 1 1 0 1
1 0 1 1 1 1 0 0 1 [377]

Na própria soma, usada na multiplicação as regras


também são só 4:

0+0=0
0+1=1
1+0=1
1+1=1 (vai um)

De centenas de operações que devem ser memorizadas


para a operação com decimais, caímos num número muito
menor, 4 para multiplicação e 4 para soma que devem ser
conhecidas no cálculo com binários.
O matemático britânico George Simon Boole desenvolveu
nos fins do século XVII uma matemática que trabalhava
exclusivamente com a base 2. Boole partia do principio que dois
fatos só admitiam dois tipos de interpretação: Ou eram falsos, ou
verdadeiros.
Transportando isso para a eletrônica podemos dizer que
um circuito só pode estar em dois estados: ligado ou desligado,
que corresponde justamente a base 2.
A álgebra Booleana esteve durante anos esquecida, sendo
estudada apenas como curiosidade matemática, até que a
eletrônica se desenvolveu a ponto de tornar possível uma
aplicação prática para o que então estava somente na teoria.

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NEWTON C. BRAGA

Surgiram então os circuitos lógicos digitais que podiam ser


projetados exatamente com base naquela álgebra Booleana,
realizando operações matemáticas das mais diversas, totalmente
em função da afirmação de que os fatos só admitem duas
afirmações possíveis: falso ou verdadeiro.
Na figura 9 temos uma possível representação para os
circuitos eletrônicos (ou elétricos).

Um relé ligado (chave fechada) representa um fato


verdadeiro ou um “1" binário. Um relé desativado (chave aberta)
representa um fato falso ou um “0”.
Partindo para outro circuito, conforme mostra a figura 10,
temos outra possibilidade.

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O Básico da Eletrônica Digital

A chave fechada faz aparecer no resistor de carga uma


tensão que significa que olfato e verdadeiro, ou 1. Podemos
também dizer que o nível de tensão é alto, ou “High", abreviado
por HI.
A chave desligada representa um fato falso e, portanto, a
ausência de tensão no resistor. A tensão é baixa ou nula, o que
em inglês é escrito como “low" e abreviado por LO.
Isso significa então que temos uma lógica positiva quando:
Representamos a presença de tensão (ou corrente) por 1
ou HI.
Representamos a ausência de tensão (ou corrente) por 0
ou por LO.
Podemos ter uma lógica “ao contrário", ou negativa, que
também funciona, quando representamos a presença de tensão
por 0 ou LO e a ausência de corrente por 1 ou HI.
Para efeitos didáticos, daqui por diante só falaremos de
lógica positiva.

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NEWTON C. BRAGA

Enfim, as vantagens do binário se tornam patentes se


quisermos projetar um circuito complexo que realize muitas
operações com muitos números.
Cada número pode ser representado facilmente por
apenas dois níveis de sinal (0 ou 1) e as operações podem ser
realizadas facilmente com poucas regras (que no fundo
representam poucos componentes).
O leitor pode imaginar a dificuldade em termos um circuito
digital na base 10, tentando representar os algarismos de 0 à 9
através de 9 níveis de tensão.
Uma pequena variação da tensão da fonte e tudo estará
descontrolado: um 9 pode, repentinamente, se tornar um 8, e
tudo se complica. Com a presença, ou ausência, de tensão,
mesmo com variações de tensão, os circuitos ainda podem
facilmente diferenciar entre presença e ausência numa boa
margem de valores, e o continua sendo 0, assim como o 1
continua sendo o 1.
Com a utilização de uma linguagem binária, a segurança
do operação é muito maior!
De que modo combinar elementos de um circuito para
realizar operações e o que veremos a seguir.
Cabe aqui definir o que é um circuito lógico: um circuito
lógico é composto de entradas e saídas que mantém uma
determinada relação bem definida.

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O Básico da Eletrônica Digital

Circuitos Lógicos
Trabalhando com o sistema binário podemos ter circuitos
lógicos muito simples.
Um relé e uma chave, um relé e duas chaves são alguns
exemplos que podemos dar, conforme mostra a figura 11.

Estes circuitos se caracterizam por apresentar um


determinado estado em seu elemento de saída (o relé) em função
das entradas, ou seja, das situações da chave, ou das chaves.
Como podemos estabelecer exatamente o que acontece
com a saída em função da entrada ou das entradas, dizemos que
uniu circuito corresponde (cada um) a certa função lógica.
Numa função existe uma correspondência única
(biunívoca) entre a entrada e a saída, ou seja, para uma
determinada situação da entrada só existe uma única situação
possível da saída.
No caso da chave podemos dizer que E = S, ou seja, que a
entrada é igual à saída, o que significa que o relé estará ativado
quando a chave estiver ligada (Veja a figura 12).

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NEWTON C. BRAGA

Para o segundo caso, de duas chaves, podemos dizer que


a saída será ativada somente se as duas entradas (duas chaves)
estiverem ligadas (Veja afigura 13).

Este é um exemplo de função em que as duas entradas


podem apresentar 4 condições possíveis e somente em uma delas
a saída será ativada.
Representando as chaves abertas por 0 e a fechada por 1,
e a saída ativada por 1 e desativada por 0, podemos formar uma
tabela que todas as situações possíveis para o circuito são
representadas:

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O Básico da Eletrônica Digital

S1 S2 Relé

0 0 0

0 1 0

1 0 0

1 1 1

Esta tabela recebe o nome de “tabela verdade”, e é usada


para representar as funções lógicas.
Podemos representar as entradas por A, B, C etc. e a saída
por S.
Para o caso da chave única teremos:
AS
00
11
Na figura 14 temos um exemplo mais complicado em que
temos 3 chaves ligadas em paralelo, ativando um único relé.

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NEWTON C. BRAGA

A tabela verdade para este circuito pode ser escrita da


seguinte forma:

S1 S2 S3 RELÉ

0 0 0 0

0 0 1 1

0 1 0 1

0 1 1 1

1 0 0 1

1 0 1 1

1 1 0 1

1 1 1 1

O leitor já deve ter percebido que as situações possíveis


das entradas podem ser representadas justamente por uma
sequência de números binários e que sua quantidade depende
justamente das potências de 2 desta base.
Assim, para uma entrada temos duas situações de saída
possíveis:
Para duas entradas temos quatro possibilidades de saída.
Para três entradas temos oito possibilidades de saída.
Para “n" entradas, temos 2n possibilidades de saída.
Veja o leitor também que não é obrigatório que as saídas
sejam sequências de ”0" ou "1" como nos exemplos dados. Pode
haver uma variação maior, dependendo da configuração.
Os circuitos que descrevemos fazem uso de relés e
chaves. Na eletrônica prática, entretanto, tais dispositivos são
incômodos, pois exigem a atuação do operador para que se tenha
a saída desejada. Circuitos com relés e chaves podem ser usados

27
O Básico da Eletrônica Digital

em escolas para demonstrar como funcionam as funções lógicas


digitais, mas não servem para a montagem de um equipamento
que deva funcionar rapidamente ou automaticamente.
Podemos ter circuitos semelhantes utilizando transistores,
por exemplo, que fornecem a saída no momento em que a
entrada é ativada e de um modo melhor: a entrada é uma tensão
que pode vir de outro circuito.
Isso significa também que os transistores, em
configurações especiais podem ser ligados de modo a exercer
funções em sequência. No instante em que um circuito tem sua
saída definida ele já entrega esta saída a um circuito seguinte que
realiza outra função e assim por diante, até se obter os
resultados desejados com muita rapidez.
Na figura 15 temos um transistor numa configuração que
pode ser considerada básica para um circuito lógico.

O transistor funciona como uma ”chave" comutadora,


conduzindo a corrente, ou “ligando" quando for aplicada uma
tensão determinada em seu circuito de polarização de base.
Podemos então raciocinar da seguinte forma, em torno
deste simples circuito lógico:
Com a ausência de tensão de base, ou seja, com um nível
de entrada ”0" ou “LO", o transistor não conduz, de modo que
sua tensão de coletor é quase a mesma que a tensão de
alimentação. A tensão de saída é, pois, ”1" ou “Hi".

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NEWTON C. BRAGA

Com a presença de tensão na base o transistor conduz e a


tensão de coletor cai praticamente a zero. Para uma entrada 1"
ou “Hl” temos então uma saída “0" ou “LO".
A tabela verdade para esta função seria:
E S
0 1
1 0
Em linguagem técnica dizemos que esta função
corresponde a um “inversor", pois a saída é sempre a entrada
”invertida", ou seja, quando uma é zero, a outra é um, e vice-
versa.
Os primeiros circuitos digitais utilizavam válvulas, depois
vindo os transistores, mas na hora em que se tornaram muito
complexos, mesmo os transistores se tornaram incômodos.
Milhares deles eram necessários para se ter um computador.
O advento do circuito integrado possibilitou uma enorme
economia de componentes e, principalmente, de energia,
obtendo-se assim, montagens muito compactas.
Entretanto, as diversas funções utilizadas num circuito
precisavam ter características que permitissem a interligação de
urna na outra, sem problemas, ou necessidade de componentes
adicionais.
Para desenvolver um equipamento seria então
interessante que a saída de uma função tivesse tal característica
que correspondesse ao que a entrada da função seguinte
necessitava.
No caso de nosso transistor, tomado como exemplo;
vamos supor que, para obter o nível 0, ou seja, a comutação, a
tensão fosse de 5 volts. Neste caso, seria muito interessante que
a sua saída no nível 1 fosse também 5 V.
Assim, teríamos:
nível 0 = 0 V
nível 1 = 5 V

Com isso, sendo a saída da mesma ordem que a entrada


seria possível o acoplamento direto de diversas funções, como
mostra a figura 16, que elas funcionariam perfeitamente.

29
O Básico da Eletrônica Digital

Neste caso, teríamos a função inversa da inversa, ou seja,


a entrada seria igual a saída!
Existem diversas “famílias" de circuitos cujas
características combinam entre si, o que significa que eles podem
ser interligados diretamente, sem a necessidade de componentes
adicionais. Mais adiante falaremos destas famílias.

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NEWTON C. BRAGA

Funções Lógicas
Existe certo número de funções lógicas que são bastante
usadas nos circuitos digitais e que por isso podem ser
encontradas “prontas" nas diversas famílias de circuitos
integrados.
A reunião destas funções permite a realização de projetos
que exercem operações mais complexas. As funções sozinhas,
exercem as operações mais simples.
Analisemos as principais funções:

a) A função E
A função E ou AND (do inglês) corresponde a multiplicação
binária e é representada pelo símbolo da figura 17.

O circuito equivalente ao relé e chaves é mostrado em (b)


e na mesma figura, assim como a representação por um
diagrama de Venn.
Este diagrama tem por universo Ã.B, e dentro deste
universo, as possibilidades de valores assumidos por A e B.

31
O Básico da Eletrônica Digital

Temos então a região em que A está presente, mas B não (B =


negativa de B), e a região comum que corresponde ao universo
em que a saída é 1, ou seja, A.B.
A região hachurada corresponde, pois a interseção de
classes, onde A e B precisam ser consideradas simultaneamente.
A utilização deste tipo de diagrama, que não será
aprofundado aqui, é de grande utilidade na elaboração de
projetos que utilizam funções lógicas.
A tabela verdade para a função E é:
Função E

A B (A.B)=Saída

0 0 0

0 1 0

1 0 0

1 1 1

Podemos expressar a função E através de uma frase que


facilmente possibilita a memorização:
“A saída estará no nível Hl se, e somente se, as entradas
A e B, simultaneamente, estiverem no nível Hl".
Podemos igualmente ter uma função E de três entradas,
ou uma “Porta E" de três entradas, conforme mostra a figura 18.

32
NEWTON C. BRAGA

O circuito equivalente, com três chaves e um relé é


mostrado na mesma figura. Conforme podemos perceber, o relé
só será energizado se A, B e C estiverem fechadas ao mesmo
tempo.
A tabela verdade para esta função E de três entradas será:
A B C (A.B.C)=SAÍDA

0 0 0 0

0 0 1 0

0 1 0 0

0 1 1 0

1 0 0 0

1 0 1 0

1 1 0 0

1 1 1 1

33
O Básico da Eletrônica Digital

Para qualquer situação diferente das três entradas no nível


1 ou HI a saída será zero ou LO.
Perceba que temos 8 combinações de entradas diferentes,
das quais apenas 1 resulta no sinal no nível HI. Uma outra
representação para a função E é mostrada na figura 19.

Observe também o leitor que utilizamos a palavra “porta"


(do inglês gate) para representar um circuito que execute uma
junção lógica. Assim, dizer “porta E" é o mesmo que dizer
“circuito que exerce a função E".

b) A função OU
A função OU ou OR (do inglês) corresponde a adição
binária, sendo representada pelo símbolo da figura 20.

34
NEWTON C. BRAGA

O circuito equivalente é mostrado em (b) da mesma figura


consistindo em 2 chaves ligadas em paralelo, as quais podem
energizar um relé. Conforme podemos perceber, o relé será
energizado se uma entrada, OU outra forem ativadas. Ou seja,
teremos uma saída num nível HI se A ou B forem ativadas ou
levadas ao nível 1.
O diagrama de Venn para esta função é dado na mesma
figura. Veja que o Universo de saída 1 é maior do que na função,
pois a região hachurada abrange tanto A como B.
Podemos escrever para esta função que: S = A + B
A tabela verdade para esta função é a seguinte:
A B (A+B) = SAÍDA

0 0 0

0 1 1

1 0 1

1 1 1

Também podemos ter uma função OU de três entradas


que será representada conforme mostra a figura 21.

A tabela verdade para esta função será então:

35
O Básico da Eletrônica Digital

A B C (A+B+C) = SAÍDA

0 0 0 0

0 0 1 1

0 1 0 1

0 1 1 1

1 0 0 1

1 0 1 1

1 1 0 1

1 1 1 1

Observe então que, para que saída seja 1 é preciso apenas


que uma, ou mais, entradas estejam no nível 1 ou HI. Para três
entradas também são 8 as combinações que podemos obter, das
quais em apenas uma a saída é LO.

c) A Função NÃO E ou NE.


A função NÃO E ou NOR (do inglês) que corresponde à
negação de E é representada conforme mostra a figura 22.

36
NEWTON C. BRAGA

Na mesma figura o diagrama de Venn que claramente


reflete que o universo desta é justamente aquele que não é
abrangido pela função E.
O circuito equivalente com relé mostra que usamos os
contactos NF em lugar de NA para “inverter" o resultado, o que
equivale a “desenergizar” em lugar de energizar com a atuação
sobre as chaves.
O mesmo seria possível se, na saída da função E,
ligássemos um circuito inversor, com transistores ou outros
elementos.
Conforme o leitor pode perceber na saída do símbolo
adotado tem-se uma pequena esfera que indica a negação.
Outro tipo de símbolo para esta função é mostrado na
figura 23.

37
O Básico da Eletrônica Digital

A tabela verdade para a função será:


NÃO E
A B ('A.'B)
0 0 1
0 1 0
1 0 0
1 1 0
(Observe o SINAL [ ' ] que indica a negação).

Igualmente, podemos ter uma porta NÃO E ou NOR de


três entradas que será representada como mostra a figura 24.

O circuito equivalente com três chaves ligadas em


paralelo, mais o relé com os contactos NF usados, é mostrado na
mesma figura.

38
NEWTON C. BRAGA

A tabela verdade para este circuito será:


A B C ('A.'B.'C)=SAÍDA

0 0 0 1

0 0 1 0

0 1 0 0

0 1 1 0

1 0 0 0

1 0 1 0

1 1 0 0

1 1 1 0

A saída estará no nível HI quando todas as entradas


estiverem no nível LO.

d) A função inversora
A função NÃO ou NOT é um simples inversor que tivemos
já a oportunidade de analisar ao falar dos circuitos lógicos. Ela
também é bastante usada e pode ser representada como mostra
a figura 25.

39
O Básico da Eletrônica Digital

O diagrama de Venn para esta função é mostrado nesta


mesma figura, assim como o circuito equivalente em que temos
um relé com os contactos NF empregados.
A tabela verdade para esta função é muito simples, já que
turnos apenas uma entrada e uma saída:
A 'A
0 1
1 0

Quando a entrada está no nível Hl a saída estará no LO e


vice-versa, para a função NAO.

e) Função NÃO-OU ou NOU


A função NÃO OU ou NOU consiste na negação da função
OU, ou ainda, NOR do inglês.
A representação desta função é mostrada na figura 26.

40
NEWTON C. BRAGA

O diagrama de Venn é mostrado na mesma figura, assim


como circuito equivalente usando um relé e duas chaves ligadas
em paralelo. Observe a utilização dos contactos NF do relé.
Outra representação para esta porta é mostrada na figura
27.

A tabela verdade é dada a seguir:


A B ('A.'B) = SAÍDA

0 0 1

0 1 0

1 0 0

1 1 0

41
O Básico da Eletrônica Digital

Também podemos ter esta porta com três entradas, que é


mostrada na figura 28.

O circuito equivalente com chaves e relé é mostrado na


mesma figura, observando no símbolo funcional a presença da
negação na forma da esfera na saída.
A tabela verdade para este caso será:
A B C ('A+'B+'C) = SAÍDA

0 0 0 1

0 0 1 0

0 1 0 0

0 1 1 0

1 0 0 0

1 0 1 0

1 1 0 0

1 1 1 0

Veja que só teremos a saída no nível HI quando todas as


entradas estiverem no nível LO.

42
NEWTON C. BRAGA

f) Função OU-exclusivo
A função OU-exclusivo ou Exclusive-OR é uma das mais
importantes na eletrônica digital e tem seu símbolo mostrado na
figura 29.

Veja que esta função é um pouco diferente do OU, já que


as chaves do circuito equivalente não são simples interruptores
mas chaves de 1 polo X 2 posições.
O diagrama de Venn é mostrado na mesma figura, e a
tabela verdade é a seguinte:

A B (A.'B + 'A.B)

0 0 0

0 1 1

1 0 1

1 1 0

43
O Básico da Eletrônica Digital

Veja que teremos a saída em nível 1 exclusivamente com


num nu outra entrada no nível Hl. Se as duas entradas estiverem
no nível LO ou no nível Hl a saída será LO ou 0.
Reunindo estas funções podemos ter os mais complexos
circuito lógicos, conforme veremos adiante e futuramente.

Postulados da Álgebra Booleana


Conforme vimos, trabalhando exclusivamente com a base
podemos realizar mais complexas operações, utilizando um
mínimo reduzido de regras. Estas regras são fixadas por
postulados, os postulados da álgebra booleana que passamos a
dar em seguida: Lembramos que: 'A significa a negação de A:

A) Lei associativa
(AB)C = A(BC)
(A + B) + C = A + (B + C)

B) Lei comutativa
AB = BA
A+B=B+A

C) Lei distributiva
A(B+C) = AB + AC
A + (BC) = (A + B)(A + C)

D) Lei da identidade
A=A

E) Lei do complementar
'AA = 0
'A + A = 1

F) Lei da equipotência
AA = A
A+A=A

44
NEWTON C. BRAGA

G) Lei da dualização (Teoria de Morgan)


(A+B) = AB
(‘AB) = 'A + B

H) Lei da dupla negação


''A = A

I) Lei da absorção
A(A+B) = A
A + (AB) = A

Com estes postulados podemos projetar diversos tipos de


circuitos digitais.
A prova da validade pode ser feita de diversas maneiras
para todos os casos, mas como não temos muito espaço
disponível, daremos apenas um exemplo.
Queremos provar que AB = BA (Lei comutativa), partindo
das duas configurações mostradas na figura 30.

45
O Básico da Eletrônica Digital

A tabela verdade pra AB será:


A B AB

0 0 0

0 1 0

1 0 0

1 1 1

A tabela para BA teremos:


B A BA

0 0 0

0 1 0

1 0 0

1 1 1

Conforme podemos ver, as saídas AB e BA são iguais, o


que demonstra a validade do postulado. (Observamos que os
postulados não precisam de demonstrações, pois partem de fatos
óbvios, que não necessitam de comprovação alguma, enquanto
que os teoremas são proposições que precisam de
demonstrações).
O que fizemos não foi uma demonstração da validade do
postulado, mas sim dar um exemplo de que realmente ele
“funciona".
Se o leitor tem dúvidas, pode elaborar as tabelas verdade
para todos os outros casos!

46
NEWTON C. BRAGA

Flip-flops
Um dos circuitos mais usados em equipamentos digitais é
o flip-flop, ou multivibrador biestável, ou ainda, disparador ou
báscula de Eccles-Jordan, em homenagem aos que o
desenvolveram.
Para explicar melhor o funcionamento deste circuito,
explicaremos de forma simples o funcionamento também. De dois
outros tipos de multivibradores associados, que são os astável e o
monoestável.

a) Multivibradores astáveis
Na figura 31 temos a configuração básica com transistores
de um multivibrador astável.

Os dois transistores são ligados de tal forma que, em um


dado instante somente um deles pode estar conduzindo a
corrente plenamente (saturado), enquanto que o outro estará
obrigatoriamente desligado (corte).
Assim, se levarmos em conta a tensão nos coletores dos
transistores deste circuito veremos que, enquanto um está com o

47
O Básico da Eletrônica Digital

nível lógico 1 (HI) ou a tensão próxima da tensão de alimentação,


e o outro, no mesmo instante estará no nível lógico 0 (LO) ou
com a tensão de massa, em vista da condução do transistor.
O capacitor C em conjunto com o resistor R de cada ramo
do multivibrador determina o tempo que cada transistor fica em
condução ou desligado. Os transistores trocarão então o estado
continuamente, passando de 0 para 1 e de 1 para 0 produzindo
assim, um sinal retangular, conforme mostra a figura 32.

Veja então que um sinal retangular consiste na forma


característica típica de um circuito digital. Só podemos ter dois
valores de tensão que trocam, conforme a operação do circuito.
O valor alto corresponde justamente ao HI ou 1 enquanto que o
baixo, ao LO ou 0.
Os circuitos digitais operam, pois exclusivamente com
sinais retangulares, e sua frequência dependerá de diversos
fatores, conforme veremos.
Um ”trem de pulsos” ou uma sequência de sinais pode
então perfeitamente ser usada para representar um valor em
binário, conforme ilustra a figura 33.

48
NEWTON C. BRAGA

No caso do multivibrador astável, sua troca rápida de


estado, passando de 1 para 0 e de 0 para 1 numa frequência
determinada por C, permite que ele seja usado como ritmador
para o funcionamento de um sistema digital.
O circuito que dá o "ritmo" ou velocidade de um
equipamento digital recebe o nome de "relógio", ou ainda, como
normalmente o chamamos do inglês ”clock".
Assim, é comum termos circuitos digitais cujos "clocks"
operam em 1 MHz,o que significa que as operações podem ser
feitas a razão de 1 000 000 por segundo.

b) Multivibradores monoestáveis
O multivibrador monoestável tem a configuração básica na
figura 34.

49
O Básico da Eletrônica Digital

Neste circuito também, cada um dos transistores só pode


conduzir a corrente quando o outro não estiver conduzindo.
No entanto, a operação de comutação, ou seja, de troca
de estado de condução para não condução do transistor se faz
através de um estímulo externo. Isso significa que multivibrador
monoestável tem uma entrada, além de duas saídas.
O multivibrador monoestável ao receber um pulso de
entrada que o leva a mudar de estado fica nesta nova situação
por um tempo que vai depender dos valores de R e de C no
circuito.
Decorrido o tempo em questão, o multivibrador
monoestável volta ao estado anterior sozinho.
Assim, supondo que a saída do multivibrador seja zero (0),
ao receber um pulso de curta duração (1), ele muda de estado e
passa a apresentar um pulso ou nível 1 em sua saída por um
certo tempo constante (veja a figura 35).

Este tipo de circuito e muito usado quando os pulsos de


entrada têm durações diferentes e se necessita na saída de
pulsos de duração constante (veja a figura 36).

50
NEWTON C. BRAGA

Veja que podemos usar qualquer uma das duas saídas do


multivibrador, ou seja, a que passa de O para 1 ao receber o
estímulo que é a saída Q e a que passa de 1 para 0 ao receber o
estímulo que é a saída complementar 0.

c) O multivibrador biestável ou flip-flop


A configuração básica de flip-flop com transistores
bipolares é mostrada na figura 37.

51
O Básico da Eletrônica Digital

Aqui também, cada um dos transistores somente num


dado instante pode estar conduzindo a corrente. Neste mesmo
instante o outro deve estar desligado. Assim, neste circuito temos
uma entrada de excitação e duas saídas complementares.
A cada pulso de excitação o biestável muda de situação.
Assim se ele estiver inicialmente na situação do transistor
Q1conduzindo (coletor nível Q1 e O2 no estado de não condução
(cortado) com o coletor no nível 1, vindo o o primeiro pulso,
ocorre uma mudança (veja a Figura 38).

No pulso seguinte ele volta a situação inicial.


Para que ocorra nova comutação um novo impulso deve
ser aplicado. Veja que a mudança ocorre quando o pulso
apresenta certa polaridade, ou seja, na sua transição de um valor
HI para LO. Na transição de LO para Hl o circuito permanece
indiferente. Não há resposta.
O multivibrador biestável tem, pois, dois estados em que
ele pode permanecer indefinidamente, até que um pulso na
entrada venha modificar esta situação.
O multivibrador biestável é um dos circuitos mais
importantes da eletrônica digital, pois ele apresenta uma
característica importante: ele pode realizar a contagem dos
impulsos que lhe são aplicados dando em sua saída uma
“situação” que corresponde a sua numeração binária.
Vejamos como isso pode ser feito.

52
NEWTON C. BRAGA

O contador binário
Vamos supor um multivibrador biestável em que no coletor
de um dos transistores que corresponde à saída, liguemos um
LED, conforme mostra a figura 39.

Nestas condições, podemos associar ao transistor em


condução e o LED aceso um valor binário que, por convenção
pode ser 1. (Veja que não é preciso que tomemos a tensão no
coletor neste caso como 1, para termos os mesmos resultados
finais, se convencionarmos de uma forma e a seguirmos até o
fim, para efeito de operação, o resultado final será o mesmo).
Deste modo, associamos ao multivibrador ativado o LED
aceso e desativado o LED apagado:
LED aceso = 1
LED apagado = 0
Fazemos então a conexão de 4 flip-flops em série,
conforme mostra a figura 40.

53
O Básico da Eletrônica Digital

Partimos da situação inicial em que todos os LEDS estão


apagados, ou seja, todos os multivibradores na situação estável
correspondente a 0000 (o que em decimal representa o número 0
também).
Representamos esta situação conforme mostra a figura 41.

Aplicando um primeiro pulso negativo na entrada deste


circuito, o primeiro flip-flop muda de estado, fazendo seu LED,
inicialmente apagado, acender. Teremos então a apresentação do
número binário 0001 que corresponde justamente a 1 em decimal
(veja a figura 42).

54
NEWTON C. BRAGA

Veja que o segundo flip-flop não muda de estado também,


porque a transição na saída do primeiro flip-flop foi de zero para
um, e este só pode responder a uma transição de 1 para 0.
Vindo agora o pulso seguinte, de número 2, o primeiro
flip-flop muda novamente de estado, passando de 1 para 0. O
LED apaga, mas a transição agora na sua saída é negativa e isso
faz com que o segundo flip-flop mude de estado. Seu LED,
inicialmente apagado, acende e passamos a ter a representação
0010. Esta corresponde justamente a ”2" em binário! (veja a
figura 43).

Veja que o terceiro flip-flop não muda de estado, pois no


segundo temos uma transição de 0 para 1 a qual ele não
responde.
Vem agora o terceiro pulso. O primeiro flip-flop novamente
muda de estado, passando de 0 para 1. O segundo não se altera,
pois a transição foi positiva de 0 para 1, o mesmo acontecendo
com o terceiro.

55
O Básico da Eletrônica Digital

Temos então a representação 0011, que justamente


corresponde a 3 em binário.
A representação pode ser melhor vista na figura 44.

Vem agora o quarto pulso. O primeiro flip-flop novamente


muda de estado, passando de 1 para 0. Ocorre então uma
transição negativa que é sentida pelo segundo flip-flop que
também muda de estado, passando de 1 para 0. O terceiro flip-
flop, desta vez, na presença de uma transição negativa muda de
estado e passa de 0 para 1. A passagem de 0 para 1 deste não
afeta o quarto flip-flop que permanece em sua situação de 0.
Temos então a situação 0100 que justamente corresponde
a "4" em binário (veja a figura 45).

Na figura 46 temos o que ocorre nos pulsos sucessivos até


169 quando então o sistema “zera", ou seja, depois de atingir sua
capacidade máxima de contagem volta ao estado inicial.

56
NEWTON C. BRAGA

Conforme o leitor pode perceber, com 4 flip-flop podemos


contar até 16, ou seja 24.
Veja também que, se aplicarmos 3 pulsos no circuito e
depois mais 5, o sistema acumulará 8 pulsos e representará o
resultado da soma 3 + 5 = 8 em binário. Este circuito, por este
motivo, também recebe o nome de acumulador e pode ser usado
na realização de somas.

57
O Básico da Eletrônica Digital

BCD ou Decimal codificado em binário


As representações que vimos foram em binário puro e nós
estamos acostumados a trabalhar com números decimais.
No entanto, se agruparmos 3 flip-flops só podemos contar
até 8, quando nossa base é 10, e se agruparmos 4 flip-flops
passamos de 10, pois vamos até 16.
De modo a adaptar um sistema ao outro existe o código
BCD em que estabelecemos os valores em binário que
correspondem aos algarismos decimais e estes são apenas 10.
Assim, temos o código BCD que é dado por:

Assim, para escrever o número 78 em BCD fazemos:


0111 1000

O número 235 será:


0010 00110101

58
NEWTON C. BRAGA

Em informática é comum o aproveitamento de mais 6


valores em binários que são representados por:
1 0 1 0 A
1 0 1 1 B
1 1 0 0 C
1 1 0 1 D
1 1 1 0 E
1 1 1 1 F

Assim, quando um programa em ”linguagem de máquina"


ou Assembler se digita F5 0 que entra nos circuitos lógicos é:
11110101.
Existem outros códigos que permitem traduzir informações
decimais em binário, como o Octal, mas estes ainda não deverão
ser abordados para não “complicar" a vida do leitor pelo menos
por enquanto.

59
O Básico da Eletrônica Digital

Circuitos Básicos
Do mesmo modo que usamos chaves e relés para formar
circuitos lógicos e transistores para os flip-flops, podemos ter
configurações mais complexas.
Assim, podemos ter todas as funções feitas com
transistores, conforme passamos a exemplificar!

Função NAND ou NÃO-E


O circuito equivalente transistorizado é mostrado na figura
47.

Veja que precisamos ter as duas entradas no nível lógico


HI (presença de tensão positiva) para que os dois transistores
conduzam a corrente e com isso façam a tensão da saída carga
zero, levando-a ao nível lógico LO.
Na figura 48 temos a mesma configuração para uma porta
NAND de 3 entradas.

60
NEWTON C. BRAGA

Função NOR
Com apenas um transistor podemos elaborar uma porta
NOR ou NAO OU com facilidade, conforme mostra a figura 49.

61
O Básico da Eletrônica Digital

Veja então, que podemos fazer com que o transistor


conduza e, portanto, a tensão no seu coletor caia de HI para LO
aplicando tensão em qualquer uma das duas entradas.

Função AND
Usando uma porta NAND e mais um inversor podemos
chegar facilmente a função NAND, conforme mostra a figura 50.

62
NEWTON C. BRAGA

Função OR
Do mesmo modo, com um inversor e a função NOR
chegamos a função OR, conforme mostra a figura 51.

63
O Básico da Eletrônica Digital

Perceba o leitor que podemos reunir as diversas funções


para obter diversos tipos de circuitos, mas que, para isso é
preciso que os circuitos sejam compatíveis, o que nos leva as
diversas famílias que serão analisadas a seguir.

64
NEWTON C. BRAGA

Famílias Lógicas
A possibilidade de termos num único processo de
fabricação a montagem de muitos componentes já interligados,
obtendo-se assim o circuito integrado proporcionou um enorme
desenvolvimento para a eletrônica digital.
Assim, logo os fabricantes elaboraram famílias de
componentes (circuitos integrados) que reuniam em seu interior
um determinado número de elementos interligados com os quais
se tinha funções lógicas as mais diversas, flip-flops, e muitos
outros circuitos de utilidade na eletrônica digital.
Uma família de circuitos integrados digitais é composta de
uma série de tipos, correspondendo a funções, flip-flops e outros
dispositivos que estudaremos com características compatíveis de
modo a poderem ser alimentados por uma fonte comum e
interligados diretamente sem a necessidade de muitos elementos
externos e em alguns casos, nenhum.
Reunindo estes componentes de uma mesma família pode-
se projetar os mais diversos circuitos digitais, tais como
contadores, cronômetros, calculadoras, computadores, máquinas
de controle e automação etc.
Atualmente temos duas famílias básicas que são
amplamente usadas nos projetos, dado seu baixo custo e a
facilidade com que podemos obter no comércio especializado as
diversas funções existentes.
Destas famílias derivam, algumas subfamílias que são
usadas em informática ou na elaboração de projetos especiais em
que se exige baixo consumo, alta velocidade ou outras
características que as famílias normais não podem fornecer.
Na figura 52 temos um exemplo de circuito integrado de
uma família lógica digital bastante comum em invólucro DIL (mais
comum).

65
O Básico da Eletrônica Digital

Este componente reúne em seu interior 4 portas lógicas do


tipo NAND que podem ser usadas independentemente e que
podem ser perfeitamente interligadas numa aplicação em que
isso seja necessário.
Integrados contendo centenas, ou mesmo milhares de
portas, ou outras funções, já são hoje disponíveis para projetos
mais complexos.

66
NEWTON C. BRAGA

A família TTL
O nome TTL vem de Transistor-Transistor-Logic, sendo
esta família a mais popular pelo seu baixo custo, velocidade boa e
baixo consumo.
Os integrados da família TTL devem ser alimentados com
uma tensão de 5 V. Admite-se uma tolerância que os leva a um
funcionamento normal com tensões entre 4,5 e 5,5 Volts.
Os transistores empregados nos integrados TTL são do
tipo multiemissor, conforme mostra a figura 53.

Cada emissor funciona como um diodo, proporcionando


assim um isolamento da entrada em relação ao circuito que a
excita. Assim, dois circuitos, um a cada entrada TTL, eles não
terão qualquer tipo de interação.
Existem diversas subfamílias TTL, que são variações com
características diferentes no que se refere a velocidade e
consumo.
Assim temos o High-Speed TTL que opera em velocidades
maiores, mas também exige mais potência para operação. Por
outro lado, o Low-Speed TTL (baixa velocidade) opera mais
devagar, mas apresenta consumo de energia extremamente
baixo.
Em informática temos o Low-Power Schottky que se
caracteriza pela alta velocidade e baixo consumo de energia,
sendo totalmente compatível com os circuitos internos de maioria

67
O Básico da Eletrônica Digital

dos microprocessadores e microcontroladores. Esta subfamília é


usada em projetos de interfaces e shields.
Na figura 54 temos uma porta NAND típica TTL por onde
podemos analisar seu funcionamento. As demais são bastante
semelhantes.

Observamos na entrada o transistor multiemissor, que


neste caso possui dois, pois são duas as entradas.
Esta etapa alimenta um inversor de fase com mais um
transistor, o qual excita por sua vez, uma etapa de saída de
maior potência com dois transistores em série.
As características elétricas de entrada e de saída dos
circuitos TTL são as que mais interessam na elaboração de
qualquer projeto.
Assim, vamos definir alguns termos importantes a este
respeito.

68
NEWTON C. BRAGA

Nível LO
Que tensões seguramente o integrado TTL interpreta como
um 0 ou LO? Este conhecimento é fundamental em qualquer
projeto.
As tensões situadas entre 0 e 0,8 V são interpretadas
seguramente como LO. O valor 0,8 V é representado por VEL.

Nível HI
A tensão menor que pode ser interpretada como HI é de
2,4 V. Assim, valores entre 2,4 e 5 V são sentidos como Hl ou 1
pelo TTL.
Podemos desenhar um gráfico em que temos duas faixas
distintas de operação para os integrados TTL (veja a figura 55).

Tensões fora desta faixa são proibidas para os integrados


TTL, pois não podemos garantir que elas sejam interpretadas por
0 ou por 1.
O que vimos é a característica de transferência de um TTL.

69
O Básico da Eletrônica Digital

Na saída de cada integrado podemos garantir que os níveis


de sinais em LO e HI estarão também nesta faixa, o que garante
também a possibilidade de interligação de diversos integrados.
Cabe definir neste momento o que seja cargabilidade ou
fan-out.
Se na saída de um integrado TTL temos um nível de
tensão HI, digamos em torno de 4 V,no momento em que ligamos
mais de uma entrada TTL de outras portas, elas “carregam" o
circuito de modo a reduzir a tensão (veja a figura 56).

O resultado é que esta tensão pode cair abaixo do limite


da faixa em que o integrado interpreta a tensão como “1"
induzindo assim o sistema a um funcionamento errático.
Existe, pois um limite para a quantidade de entradas que
podemos ligar na saída de um TTL e isso se chama fan-out.
Um integrado TTL normal (standard) pode excitar 10
entradas de TTL normais.
Damos a seguir uma importante tabela que mostra as
capacidades “fan-out" das diversas subfamílias TTL cruzadas.

TTL normal:
pode excitar 10 entradas TTL normais
pode excitar 40 entradas de TTL low-power
pode excitar 6 entradas de TTL high-power
pode excitar 20 entradas de low-power Schottky
pode excitar 6 entradas de TTL Schottky

TTL low-power:

70
NEWTON C. BRAGA

pode excitar 2 entradas de TTL normal


pode excitar 10 entradas de TTL low-power
pode excitar 1 entrada de TTL high-power
pode excitar 1 entrada de TTL Schottky
pode excitar 5 entradas de TTL low-power Schottky

TTL High-power:
pode excitar 12 entradas de TTL normal
pode excitar 40 entradas de low-power TTL
pode excitar 10 entradas de TTL High-power
pode excitar 10 entradas de TTL Schottky
pode excitar 40 entradas de TTL low-power Schottky

TTL Schottky:
pode excitar 12 entradas de TTL normal
pode excitar 40 entradas de TTL low-power
pode excitar 10 entradas de TTL high-power
pode excitar 10 entradas de TTL Schottky
pode excitar 40 entradas de TTL low-power Schottky

TTL Low-power Schottky:


pode excitar 5 entradas de TTL normal
pode excitar 20 entradas de TTL low power
pode excitar 4 entradas de TTL High power
pode excitar 4 entradas de TTL Schottky
pode excitar 10 entradas de TTL low power Schottky

Importante também é saber, na família TTL normal, quais


são as correntes que temos nas entradas para excitação e que
oblemos nas saídas:
Assim, um TTL normal fornece em sua saída uma corrente
máxima de 16 mA, enquanto sua entrada precisa de uma
corrente de pelo menos 1,6 mA para ser excitada.
Os integrados da série TTL normal começam pelo tipo
7400. Todos os demais iniciam com a numeração “74“. Existe
também uma variação militar desta série que é a 5400.

71
O Básico da Eletrônica Digital

Os integrados das subfamílias têm letras adicionais nos


tipos que indicam a qual delas pertencem. Assim temos:
High-power - 74H00
Low-power - 74L00
Schottky - 74S00
Low-power Schottky - 74LS00

A família CMOS
A palavra CMOS vem de Complementary Metal-Oxide-
Silicon, tendo por característica principal o baixo consumo de
corrente.
As velocidades em geral, para a série normal são menores
dos que a dos TTL, mas já existe a série HCMOS (onde o H é de
High-Speed ou alta velocidade) que tem as mesmas
características de velocidade dos integrados TTL.
Os integrados da série CMOS podem operar com tensões
entre 3 e 15 V, o que significa também maior flexibilidade de
projeto, já que as fontes podem ser adequadas as aplicações.
Na figura 57 temos um exemplo de inversor com transistor
de canal P e de canal N do tipo MOS.
A curva de transferência deste circuito é mostrada na
figura 58, onde se observa os valores em que ocorre a transição
de para 1.

72
NEWTON C. BRAGA

73
O Básico da Eletrônica Digital

Outra característica dos integrados CMOS é a corrente de


entrada extremamente baixa que não carrega as saídas.
A principal série de integrados CMOS é a que inicia com o
4000 (prefixos podem aparecer conforme o fabricante como
CD4000 para a RCA etc.).
Um fator importante deve ser observado no trato dos
circuitos CMOS.
Os transistores de efeito de campo têm suas entradas
abertas nos circuitos lógicos, o que significa que o dielétrico do
semicondutor, extremamente fino, fica sujeito a descargas
estáticas que podem furá-lo. Se isso acontecer o dispositivo é
inutilizado.
Assim, o manuseio do CMOS é delicado, devendo ser
evitado tocar com os dedos diretamente nos pinos, soldar o
componente com o ferro alimentado, ou mesmo deixar o
componente sobre materiais que possam acumular cargas
estáticas, tais como caixas plásticas/tapetes, carpetes etc.
Dependendo do fabricante existe uma proteção interna
para a comporta do integrado, que consiste num diodo, conforme
mostra a figura 59, mas dependendo da intensidade da descarga
ou de sua duração, o circuito pode não ser suficiente para evitar a
queima do componente.

74
NEWTON C. BRAGA

Máximo de cuidado, pois no manuseio dos integrados


CMOS:
- Evite segurar os terminais com as mãos
- Use soquete
- Não solde com pistola de soldar
- Guarde-os sempre em caixa metálica ou na esponja
condutora em que normalmente vêm do fabricante

Algumas regras de uso são importantes:


- Não se deve deixar entradas deportas livres: ligue-as à
terra ou ao positivo da fonte, conforme o caso.
- Use sempre pontas de prova de alta impedância ao
testar integrados CMOS.

75
O Básico da Eletrônica Digital

Usando Circuitos Lógicos


Vista as famílias e os tipos de funções, podemos começar
com a prática. O primeiro ponto a ser observado é em relação
nos invólucros em que obtemos os integrados das duas famílias:
CMOS e TTL.
Normalmente os integrados que mais usamos são os de 14
pinos DIL e de 16 pinos DIL. DIL significa Dual-in-Iine, ou seja,
duas filas de terminais paralelos, conforme mostra a figura 60.

Observe que, para estes invólucros existe uma marca que


identifica o pino 1, a partir do qual fazemos uma contagem.
Funções mais complexas podem exigir invólucros de maior
número de pinos, chegando em alguns casos a mais de 40.
Estes integrados podem ser soldados diretamente numa
placa de circuito impresso ou fixados num soquete, conforme
mostra a figura 61.

76
NEWTON C. BRAGA

Soquetes de baixo custo tipo ”molex" são comuns, e


permitem o aproveitamento dos integrados de uma experiência
em outra. Na verdade, o uso do soquete é sempre recomendado,
pois evita também o choque térmico na soldagem que pode até
danificar o componente.
Para a soldagem direta do integrado, o soldador deve ter
ponta bem fina e deve ser evitado a todo custo solda em excesso
que pode espalhar e curtocircuitar terminais (veja figura 62).

77
O Básico da Eletrônica Digital

Se isso acontecer, a “ponte" de solda pode ser eliminada


com ajuda do próprio soldador e de um palito.
Aqueça o local e passe o palito para remover a solda em
excesso que o problema estará eliminado.
Para alimentar seus aparelhos será preciso dispor de uma
fonte de 5 V (se você trabalhar com TTL) ou entre 3 e 15 V se
você trabalhar com CMOS.
As experiências e montagens que descreveremos, em sua
maioria serão em torno dos integrados TTL. Assim, a fonte que
montaremos será de 5 V (que também serve para CMOS, pois
eles também trabalham com esta tensão).
Existem integrados reguladores de tensão que facilitam no
máximo a montagem de uma fonte.
Em especial recomendamos os integrados da série 78XX
um que o XX indica a tensão que fornecem na saída. Assim,
usando o 7805 teremos uma saída de 5 V.
Na figura 63 temos o aspecto deste integrado que fornece
uma corrente de 1 A e que precisa ser dotado de um radiador de
calor.

78
NEWTON C. BRAGA

A entrada deste integrado pode ficar entre 10 V e 34 V, o


que nos leva a possibilidade de usar qualquer transformador de 9
à 20 V, aproximadamente, com corrente de 1 A.
O circuito pronto, mostrado na figura 64 pode ser usado
para alimentar projetos com grande quantidade de integrados
TTL.

Para alimentar circuitos CMOS damos em especial uma


fonte com 7812 que fornece uma tensão de 12 V (veja a figura
65)

79
O Básico da Eletrônica Digital

O integrado também deve ser dotado de um radiador de


calor, principalmente se for alimentada grande quantidade de
componentes.

O 7400
Começamos por descrever cada elemento da família lógica
TTL e em alguns casos até dando alguns circuitos interessantes,
como no caso do 7400.
O 7400 consiste num integrado que contém 4 portas
NAND (NAO E) de duas entradas, conforme mostra a figura 66.

80
NEWTON C. BRAGA

Cada uma das portas pode ser usada separadamente, e o


consumo de energia é de 12 mA por integrado.
Lembramos então que neste integrado ”Quando as duas
entradas estiverem no nível Hi então a saída será LO". Nas outras
condições possíveis a saída será HI.
A tabela verdade para este integrado e mostrada a seguir:

Tabela verdade
A B S
0 0 1
0 1 1
1 0 1
1 1 0

O circuito da figura 67 permite que o leitor verifique estas


condições com facilidade. O LED acenderá quando a saída do
integrado estiver no nível LO.

81
O Básico da Eletrônica Digital

Veja que é mais vantagem fazer projetos em que o LED


acenda no nível LO, corno mostra a figura 68, pois nesta condição
a corrente que podemos obter é maior.

Na figura 69 temos um oscilador feito com duas das 4


portas NAND do integrado 7400.

82
NEWTON C. BRAGA

Podemos usar este, Circuito no projeto de uma sirene ou


de um pisca-pisca.
Para sirene, temos então o uso de 4 portas, pois duas
oscilam em alta frequência produzindo um sinal de áudio e duas
em baixa frequência produzindo a modulação (veja figura 70).

83
O Básico da Eletrônica Digital

Os capacitores determinam o tom e a modulação podendo


ser variados pelo leitor à vontade.
A etapa de saída de potência permite que um alto-falante
seja excitado com bom volume.
Para alimentar com uma tensão de 6 volts este circuito
existe um artifício muito interessante que consiste na produção
de uma queda de tensão de 0,7 V com um diodo de silício,
conforme mostra a figura 71.

Este diodo ligado em série com a fonte, reduz a tensão


para 5,3 V, aproximadamente, que está dentro do suportado
pelos integrados TTL num funcionamento normal.
O tempo de propagação do sinal por uma porta 7400 é de,
aproximadamente, 10 nanossegundos.

O 7401
Este integrado TTL contém 4 portas NAND de duas
entradas, mas do tipo “Open Colector".
Isso significa que a saída dos transistores não possui um
resistor interno de carga. Este resistor, tipicamente de 2 k2 deve
ser ligado externamente, conforme mostra a figura 72.

84
NEWTON C. BRAGA

Observa-se também, pela figura 73 que a pinagem deste


integrado corresponde a uma disposição diferente do 7400.

O consumo de cada integrado 7401 é de 8 mA tipicamente


e a tabela verdade é a mesma do 7400, pois se tratam das
mesmas funções.
Cada uma das portas deste integrado pode ser usada
independentemente.

85
O Básico da Eletrônica Digital

O 7402
Este integrado consta de 4 portas NOR (NÃO OU) de duas
entradas, conforme mostra a figura 74.

As quatro portas podem ser usadas independentemente,


lembrando apenas que a alimentação é comum a todas.
O consumo de corrente por integrado e de 12 mA em
média.
Podemos descrever o funcionamento destas portas
por:”Quando as duas entradas estiverem no nível LO então a
saída será HI". Nas outras condições possíveis a saída será LO.
A B S
0 0 1
0 1 0
1 0 0
1 1 0

O 7403
Este integrado TTL consiste em 4 portas NAND de duas
entradas com coletor aberto na saída. Conforme dissemos, no

86
NEWTON C. BRAGA

caso do 7401, neste tipo de integrado, é preciso ligar um resistor


de 2 k2 entre a saída e o + da alimentação para se obter a saída
em nível HI.
Na figura 75 temos a configuração interna deste integrado,
assim como a sua pinagem.

A tabela verdade é a mesma do 7401 que também e


formado por 4 portas. NAND de duas entradas.

O 7404
Este integrado consiste em 6 inversores, ou seja, um Hex
Inverter, sendo que cada um dos seis inversores pode ser usado
independentemente.
Na figura 76 temos a disposição interna no integrado
destes inversores.
A tabela verdade de cada inversor é muito simples:
A S
0 1
1 0

87
O Básico da Eletrônica Digital

Isso significa que, quando a entrada de um inversor for Hl


a saída será LO, e seja, quando aplicarmos uma tensão entre 0 e
0,8 V na entrada teremos entre 4 e 5 V na saída e vice-versa.
O consumo de corrente por integrado é de
aproximadamente 12 mA. Lembramos que a corrente de saída
máxima de cada inversor é de 16 mA.
Na figura 77 temos um circuito oscilador que utiliza
inversores e que pode ser usado como injetor de sinais, clock ou
mesmo como base para um projeto de sirene.

88
NEWTON C. BRAGA

O tempo de propagação do sinal por uma porta é


tipicamente de 10 ns, sendo este valor um indicativo de sua
velocidade de operação.

O 7405
Este integrado consiste em Seis inversores (Hex Inverter)
com saídas em coletor aberto, o que, conforme já vimos, exige a
ligação de resistores de 2.k2 entre estas saídas e o + da
alimentação para obtenção do nível HI.
Na figura 78 temos o circuito interno deste integrado com
a identificação dos terminais.
A tabela verdade é simples:
A S
1 0
0 1

A saída tem nível lógico contrário ao do sinal aplicado à


entrada.
A corrente drenada por integrado e de 12 mA. Todos os
seis inversores podem ser usados independentemente.

89
O Básico da Eletrônica Digital

O 7406
Este também é um inversor sêxtuplo (Hex Inverter) com
saída em coletor aberto de até 30 V..
Na condição de saída LO pode-se drenar em cada saída
deste integrado uma corrente de 30 mA com tensão de
alimentação de até 30 V. Observe que a tensão de alimentação
deste integrado é ainda 5 V (veja a figura 79).
O consumo de corrente por integrado é de 30 mA e o
tempo de propagação é de 10 ns para levar a saída ao nível HI e
de 15 ns para levar ao nível LO.

O 7407
O 7407 consiste em seis não inversores também com
saídas em coletor aberto até 30 V com a pinagem mostrada na
figura 80.
O consumo por invólucro é de 25 mA em média e cada um
dos não inversores pode ser usado independentemente.

90
NEWTON C. BRAGA

Observe que a tabela verdade deste dispositivo é ultra


simples:
A S
0 0
1 1

Em outras palavras, a saída tem o mesmo nível lógico da


entrada. Para que isso? Este integrado pode ser usado como
“buffer", ou seja, amplificador para fornecer um sinal de corrente
maior ou de tensão maior sobre uma carga, já que as saídas são
para tensões até 30 V.
No nível LO podemos drenar em cada saída uma corrente
-de até 30 mA.
Observe que a tensão de alimentação do integrado
permanece em 5 V.

91
O Básico da Eletrônica Digital

O 7408
Este integrado consiste em quatro portas AND (E) de duas
entradas, com a pinagem mostrada na figura 81.

A tabela verdade para estas portas é a seguinte:


A B S
0 0 0
0 1 0
1 0 0
1 1 1

Para que tenhamos o nível lógico 1 na saída é preciso que


os níveis lógicos das entradas sejam 1.
A corrente drenada por unidade é de 16 mA e o tempo de
propagação, tipicamente, de 15 ns.
Cada uma das 4 portas pode ser usada
independentemente.

92
NEWTON C. BRAGA

O 7410
Este integrado TTL consta de 3 portas NAND de 3
entradas, com a configuração e pinagem mostradas na figura 82.

A corrente consumida por integrado é de 6 mA.


A tabela verdade para uma das portas deste integrado e:
A B C S
0 0 0 1
0 0 1 1
0 1 0 1
0 1 1 1
1 0 0 1
1 0 1 1
1 1 0 1
1 1 1 0

Para termos o nível LO na saída é preciso que as três


entradas estejam no nível HI. Nas outras condições possíveis a
saída será HI.
Cada uma das três portas pode ser usada
independentemente.

93
O Básico da Eletrônica Digital

O 7414
Este integrado corresponde a uma função que ainda não
estudamos, mas que podemos perfeitamente explicar agora.
Trata-se do Schmitt trigger. O “trigger" ou disparador é
um circuito que responde com uma transição muito rápida de
zero para um, ou vice versa, em seu nível de saída, quando a
tensão de entrada passa por um valor determinado, denominado
limiar (veja a figura 83).

Podemos usar um Schmitt trigger para alterar a forma de


onda de um sinal, obtendo um sinal perfeitamente retangular
próprio para o trabalho com circuitos digitais.
Em cada transição pela tensão limiar, o integrado produz
uma transição de 0 para 1 ou 1 para 0 em sua saída.
Observe o símbolo adotado para representar este
“disparador” e que ele inverte o sinal de saída, pois consta de seis
Schmitt triggers inversores (Hex Scmitt Trigger Inverting). Veja a
figura 84.

94
NEWTON C. BRAGA

Cada integrado drena uma corrente de 30 mA em média e


tem um tempo de propagação de 17 ns. A impedância de entrada
destes inversores é de 6 k e o ponto de transição em que ocorre
a excursão positiva está torno de 1, 7 V. A transição negativa
ocorre quando a tensão cai a 0,9 V.
Esta diferença de valores de 0,8 V determinai a ”histerese"
do circuito.

O 7415
Este integrado TTL contém 6 inversores com coletor
aberto, operando em tensões de até 15 V.
A pinagem é mostrada na figura 85.
Na saída LO pode-se drenar correntes de até 40 mA em
cada saída inversora com tensões de até 15 V. O estado de saída
HI só obtido com a ligação de um resistor da saída ao + da
alimentação.
A tensão de alimentação do integrado é ainda de 5 V.

95
O Básico da Eletrônica Digital

O 7417
Este circuito integrado TTL consta de seis não inversores
de coletor aberto para tensões de saída até 15 V. Pode ser usado
para excitar cargas de tensões mais altas, já que no estado LO a
corrente drenada com 15 V pode chegar a 40 mA.
A pinagem do circuito integrado é mostrada na figura 86.

96
NEWTON C. BRAGA

A tensão de alimentação do integrado é de 5 V e a


corrente drenada por unidade é de 25 mA em média.
A saída acompanha a entrada o que nos leva a seguinte
tabela verdade:
A S
0 0
1 1

Cada um dos não inversores pode ser usado indepen­


dentemente.
O tempo de propagação para saída HI e de 6 ns e para a
saída LO é de aproximadamente 20 ns.

O 7420
Este integrado TTL consta de 2 portas NAND (NÃO E) de 4
entradas cada uma, com a pinagem mostrada na figura 87.

97
O Básico da Eletrônica Digital

Cada uma das portas pode ser usada independentemente,


apresentando o circuito uma corrente de consumo de 4 mA em
média. Somente quando todas as entradas estiverem no nível HI
é que teremos a saída no nível LO, o que nos leva à seguinte
tabela verdade:
A B C D S
0 0 0 0 1
0 0 0 1 1
0 0 1 0 1
0 0 1 1 1
0 1 0 0 1
0 1 0 1 1
0 1 1 0 1
0 1 1 1 1
1 0 0 0 1
1 0 0 1 1
1 0 1 0 1
1 0 1 1 1
1 1 0 0 1
1 1 0 1 1
1 1 1 0 1
1 1 1 1 0

98
NEWTON C. BRAGA

Observe que a existência de 4 entradas nos leva a 16


combinações de estado possíveis para este integrado.
Observe também que dois dos pinos do integrado não
possuem conexões (NC) ficando, pois livres.

O 7430
Este integrado contém uma única porta NAND de 8
entradas, apresentando a disposição de ligações mostrada na
figura 88.

O consumo de corrente por integrado é de 2 mA em média


e o tempo de propagação e de 10 ns.
Observe que com 8 entradas temos 28 = 256 combinações
de estado. Somente quando todas as entradas estiverem no nível
HI é que a saída será LO: Para todas as demais 25 combinações
de estado, a saída será HI.

99
O Básico da Eletrônica Digital

O 7432
Este circuito integrado TTL contém 4 portas OR (OU) de
duas entradas, num único invólucro, as quais podem ser usadas
independentemente.
A pinagem é mostrada na figura 89.

O consumo de corrente por integrado e de 19 mA e o


tempo de propagação e de 12 ns em média.
A tabela verdade para este integrado é:
A B S
0 0 0
0 1 1
1 0 1
1 1 1

Para que o nível de saída seja LO é preciso que as duas


entradas sejam LO. Nas demais condições, a saída será HI.
A alimentação, como em todo TTL é de 5 V.

100
NEWTON C. BRAGA

O 7437
Este integrado consiste em quatro “buffers" do tipo NAND
de duas entradas, ou seja, são portas com saídas de potência
maior que podem excitar maior quantidade de outros integrados.
Cada saída deste integrado pode excitar 30 portas TTL
normais. Isso significa que este integrado tem uma capacidade de
excitação três vezes maior que o equivalente funcional 7400.
A pinagem deste integrado é mostrada na figura 90.

A corrente por unidade é de 5 mA quando todas as saídas


estiverem no nível HI. Com as saídas no nível LO a corrente
consumida sobe para 34 mA.
A tabela verdade é a mesma do 7400, já que se trata da
mesma função.

O 7440
Este integrado consta de duas portas NAND de 4 entradas
mas com potência elevada, ou seja, são buffers.

101
O Básico da Eletrônica Digital

Como no caso do 7437, cada saída deste TTL pode excitar


30 entradas de TTL convencionais, o que significa um fan-out três
vezes maior que o 7400.
A pinagem ou disposição dos elementos deste integrado é
mostrada na figura 91.

A tabela verdade é a mesma do 7420 que também consta


de 2 portas NAND de 4 entradas.

O 7442
Eis aqui uma função lógica desconhecida dos leitores até
agora, mas de grande utilidade.
O 7442 é um decodificador BCD para 1-de-10 com saídas
compatíveis TTL.

O que significa isso:


Na entrada deste integrado aplicamos pulsos ou sinais
(níveis lógicos) que correspondam a um número em BCD de 0 a
9.
A saída que vai ser levada ao nível Hl será justamente a
que corresponde a esse número.

102
NEWTON C. BRAGA

Assim, as entradas 1, 2, 4 e 8 (que dão os pesos) podem


ser excitadas da seguinte forma:
1 2 4 8
1 0 0 1

O número em binário corresponde então ao “9". A saída


que será levada ao nível Hl será então a correspondente ao pino.
11, ou seja, o 9, segundo a pinagem mostrada na figura 91-A

Todas as demais saídas ficarão no nível LO.


Na figura 92 temos um interessante circuito que permite
converter números em BCD para decimais.

103
O Básico da Eletrônica Digital

As chaves de entrada (quatro) permitem estabelecer o


número em binário acendendo 4 LEDs que correspondem: acesos
1 e apagados 0.
Na saída acenderá um dos 10 LEDS que corresponde
justamente ao número codificado em binário.
Observamos que qualquer código maior que 1001 (maior
que 9) leva todas as saídas ao nível HI.
Para codificar números de 0 a 7 (1 de 8) basta aterrar o
pino 12 deste integrado.
As saídas podem drenar neste circuito 16 mA o que
suficiente para acender LEDS comuns.
Para correntes maiores de saída, os fabricantes
recomendam usar o 7445.

104
NEWTON C. BRAGA

Podemos estabelecer uma seguinte tabela de


funcionamento para este integrado:
Entradas Saídas
0000. 0000000001
0001 0000000010
0010 0000000100
0011 0000001000
0100 0000010000
0101 0000100000
0110 0001000000
0111 0010000000
1000 0100000000
1001 1000000000

O consumo de corrente por integrado e de 28 mA e sua


velocidade de operação é de 17 ns.

O 7445
Este integrado tem a mesma função de 7442, com a
diferença que suas saídas podem excitar cargas com maior
corrente e maior tensão.
De fato, as saídas são para tensões até 30 volts e
correntes até 80 mA.
A pinagem deste integrado é mostrada na figura 93.

105
O Básico da Eletrônica Digital

A tabela de condições de entradas e saídas é a mesma do


7442. Cada integrado exige uma corrente de 43 mA sendo
alimentado por 5 V e opera com um tempo de propagação de 45
ns. Observe que os 80 mA com 30 V de alimentação podem ser
drenados apenas no estado LO de saída. O estado HI é obtido
somente com a ligação de um resistor entre a saída e o + da
alimentação.

O 7447
Esta é outra função bastante interessante e de grande
utilidade devendo ser estudada em pormenores.
O 7447 é um decodificador BCD para display de 7
segmentos.
O display de sete segmentos, ou mostrador, é um
dispositivo que pode mostrar um número de 0 à 7 através do
acendimento combinado de certo número de seus 7 segmentos,
conforme mostra a figura 94.

106
NEWTON C. BRAGA

Observe que o número 3 é obtido quando os segmentos A,


B, C, D e G acendem. O número 8 é obtido quando todos os
segmentos acendem e o 1 quando apenas o B e o C acendem.
Este integrado pode receber uma informação em BCD
através de 4 níveis lógicos e formar na saída os níveis que,
aplicados a um display provocam o aparecimento do número
correspondente. Assim, se aplicarmos nas entradas: ”1" = 0, “2"
= 1 e “8" = 0, que corresponde ao número 5, as saídas A, F, G, C
e D serão levadas ao nível LO de modo que poderá circular uma
corrente por estes segmentos acendendo-os e formando assim o
número 5.
Veja pela figura 95 que o display usado é do tipo ”anodo
comum", ou seja, que tem um anodo para todos os segmentos
ligados ao polo positivo da alimentação, acendendo, pois quando
o catodo é levado ao nível LO.

107
O Básico da Eletrônica Digital

Do mesmo modo, existem displays para catodo comum,


que acendem com outros tipos de decodificadores Este circuito
pode, no estado LO, drenar uma corrente de até 40 mA com
tensão de até 130 Volts, mas necessita de resistores limitadores
de corrente, quando displays de LEDS são usados.
Para displays fluorescentes ou de filamento não são
necessários tais resistores.
A entrada “lamp-test" serve para verificar todas as saídas
do integrado.
Quando esta entrada é aterrada todas as saídas são
levadas ao nível LO, acendendo assim, o número 8. Se algum
filamento, ou segmento não acender podemos suspeitar do
integrado ou do display.
Em algumas aplicações, o zero não precisa acender como,
por exemplo, nos casos em que este algarismo aparecer a
esquerda. Em lugar de aparecer 0045 num grupo de 4 displays
podemos ”apagar" os dois primeiros zeros e projetar apenas 45
(veja a figura 96).

108
NEWTON C. BRAGA

Para que isso aconteça basta levar a entrada (IN) Blanking


ao nível LO. Se ligarmos a saída (OUT) Blanking à entrada
correspondente do circuito seguinte ela também extinguirá o zero
se ele for o dígito projetado no display.
Levando a saída Blanking ao nível LO qualquer algarismo
projetado é também eliminado.
A corrente por integrado é de 43 mA.

O 7473
Este importante integrado TTL contém dois flip-flops do
tipo JK. Trata-se de um tipo de flip-flop que explicaremos melhor
o funcionamento a seguir. A pinagem deste integrado e dada na
figura 97.

109
O Básico da Eletrônica Digital

Estes Flip-flops são do tipo disparado por nível (level


triggered) com um sistema de pre-clear.
Estes flip-flops são controlados por clock externo, ou seja,
mudam de estado não só em função dos sinais de entrada, mas
também em função da presença de um pulso de clock (relógio).
É importante observar esta presença do clock. Num
circuito complexo em que existam muitos flip-flops e portas
operando simultaneamente, deve haver um sistema que
sincronize seu funcionamento. Se isso não existir, pode
perfeitamente que uma porta receba um nível lógico que a leve a
uma resposta antes da outra porta ter tempo de receber o nível
lógico que corresponda ao efeito real desejado.
Num contador binário, por exemplo, onde aparecem os
flip-flops, é preciso que todos sejam sincronizados, pois pode
haver a mudança de estado de um, antes que ele recebe, por
exemplo, o “pulso de vai um" do anterior, ocorrendo então uma
contagem irregular.
Analisemos o funcionamento do 7473:

110
NEWTON C. BRAGA

Sob certas condições Q e Q\ podem mudar de estado


somente se a entrada de clock for levada ao nível LO. As saídas
Q\ e Q não mudarão de estado para uma mudança de estado nas
entradas J e K. O único instante em que pode haver a mudança é
quando a entrada do clock for levada ao nível LO.
Se J e K estiverem no nível LO (aterradas), o clock não
tem efeito algum sobre o circuito. Se J e K forem levadas ao nível
HI, o clock pode mudar o estado das saídas Q e Q\, ou fazer a
contagem binária. Se J estiver no nível HI e K no nível LO, um
pulso de clock leva a saída Q ao nível HI e Q\ ao nível LO.
Se J estiver LO e K HI; Um pulso de clock faz com que seja
levada ao nível LO e Q\ à HI.
As informações nas entradas J e K podem ser mudadas
apenas uma de cada vez, imediatamente após o pulso de clock.
A entrada de Clear, se aterrada, faz com que Q passe ao
nível LO e Q\ ao nível HI.
A corrente consumida por cada integrado deste é de 20
mA.

O 7474
Este é um outro tipo de flip-flop, denominado de Tipo D,
disparando pela transição negativa de um pulso e possuindo
preset e preclear.
Na figura 98 temos a pinagem deste integrado.

111
O Básico da Eletrônica Digital

O integrado possui dois flip-flops independentes que


possuem saídas Q e Q\.
O funcionamento é o seguinte:
A informação levada a entrada D é levada a saída Q, a não
ser que a entrada de clock receba um pulso de transição, do nível
baixo para o nível alto. O único instante em que a saída pode
mudar de estado é quando o clock aparece.
Mudanças na entrada Q não passam para a saída a não ser
que o circuito seja excitado por um pulso de clock (veja a figura
99).

112
NEWTON C. BRAGA

Se D estiver HI, no pulso de clock, então Q passa ao nível


alto e a saída complementar ao nível baixo. Se D estiver LO, no
pulso de clock, então 0 vai ao nível baixo e a complementar ao
nível alto.
As entradas de Clear e Set devem estar sob potencial
positivo para uma operação normal. Se a entrada Clear for
aterrada, o flip-flop imediatamente vai ao estado em que Q fica
LO e sua complementar HI. Se a entrada SET for aterrada, o flip-
flop vai a condição de Q Hl e sua complementar LO.
A máxima corrente consumida é de 17 mA e a velocidade
máxima de operação deste flip-flop é de 25 Mhz.

O 7486
Este integrado TTL consiste em porta Exclusive-Or (Ou
exclusivo). No invólucro existem 4 portas de duas entradas com
um tempo de propagação de 18 ns e um consumo de corrente de
30 mA.
A pinagem deste integrado é mostrada na figura 100.

113
O Básico da Eletrônica Digital

A tabela verdade para estas portas e:


A B S
0 0 0
0 1 1
1 0 1
1 1 0

Observe que, somente quando uma ou outra das entradas


está no nível Hl é que a saída é levada ao nível Hl. Nas outras
condições a saída permanece no nível LO.
Cada uma das quatro portas que formam este integrado
pode ser usada independentemente, lembrando que a
alimentação sempre deve ser feita com uma tensão de 5 Volts.

O 7490
Completamos esta série inicial com o 7490 que é um dos
mais importantes circuitos digitais da série TTL, possibilitando a
elaboração de inúmeros projetos interessantes.
Também se trata de uma função que merece algumas
explicações adicionais, se bem que o leitor já possa entendê-lo
com certa facilidade a partir das explicações dadas quando
falamos dos contadores binários.
O 7490 consiste num contador de década (divisor por 10)
que avança uma unidade a cada transição negativa do pulso de
clock.
Na figura 101 temos a sua pinagem, por onde passamos a
explicar seu funcionamento.

114
NEWTON C. BRAGA

O 7490 é formado por dois blocos, um que divide por 2 e


outro que divide por 5, ou seja, duas séries de flip-flops que
podem contar até estes valores.
Interligando os dois blocos obtemos um circuito que conta
ou divide por 10 (veja a figura 102).

A entrada dos pulsos é feita pelos Clocks. Observe que


temos duas entradas de clock correspondentes aos dois blocos.
Supondo o funcionamento normal como divisor por 10,
temos a ligação mostrada na figura 103.

115
O Básico da Eletrônica Digital

As saídas são em BCD, ou seja, têm peso “1", “2", "4" e


“8”.
Assim, se aplicarmos na entrada 6 pulsos, as saídas serão
levadas ao nível 0110 que corresponde justamente a 6 em BCD.
Observe o leitor que, se ligarmos este circuito ao 7442 que
é um decodificador BCD para 7 segmentos e depois um display já
teremos um importante circuito: um contador digital de 0 até 9.
Esta é justamente a base de nosso projeto prático! (veja a
figura 104).

116
NEWTON C. BRAGA

A cada pulso, a saída do 7490 muda e isso pode ser


acompanhado pelo decodificador BCD X 7 segmentos e pelo
display. Se na entrada for ligado um oscilador de clock que dê um
pulso em cada segundo, já teremos outro projeto interessante!
Um cronômetro.
Para ressetar o contador, ou seja, levá-lo a indicar zero na
saída (0000) basta levar as entradas reset ao nível 0, ou seja,
ligando-as à terra.
Para levar o circuito a indicar “9" basta levar as entradas
de set 9 ao nível HI.
O 7490 somente conta para frente, isto é, em numeração
crescente. Existem contadores que podem ser programados para
contar em valores decrescentes (contagem regressiva), mas
estes serão vistos numa outra oportunidade.
Para fazer a contagem até 9, é preciso interligar externa-
mente os dois blocos.
Liga-se então um "jumper" (fio de ligação) entre o clock 2
e Q8 caso em que o sinal entrará pelo clock 1.
O consumo de corrente por cada integrado é de 32 mA e
sua velocidade máxima de operação é de 18 MHz.

117
O Básico da Eletrônica Digital

Fazendo Projetos
As interligações destes integrados em diversos projetos
exige do leitor um bom estudo e conhecimento de todos os
princípios envolvidos. Deste modo, não será fácil, pelo menos de
inicio, projetar equipamentos digitais mais complexos sema ajuda
de manuais ou informações mais detalhadas.
No entanto, com os ensinamentos que damos aqui o leitor
já pode começar, e muito mais que isso, pode entender como
funcionam aparelhos prontos que apareçam em publicações
técnicas ou mesmo montados.
Os projetos iniciais que daremos a seguir são mais de
cunho didático, permitindo que o leitor entenda o funcionamento
de cada integrado e de sua união em disposições mais
complexas.
Lembramos que o leitor pode desenvolver estes projetos
em placas de circuito impresso de sua própria confecção, ou se
desejar uma experimentação deve fazer uso das matrizes de
contacto, conforme mostra a figura 105.

118
NEWTON C. BRAGA

Com estas matrizes de contactos, o aproveitamento de


componentes é imediato, pois feita a experiência o componente
pode ser retirado e guardado e novamente aproveitado em outro
projeto.
Montagens experimentais muito interessantes com
circuitos digitais podem ser feitas com facilidade.
Se o leitor gosta de eletrônica digital e pretende realizar
seus experimentos, sugerimos comprar um certo número de
integrados.
Os integrados sugeridos são:
2 - 7400
2 - 7402
2 - 7404
2 - 7408
1 - 7410

119
O Básico da Eletrônica Digital

1 - 7420
1 - 7432
2 - 7442
2 - 7447
2 - 7474
1 - 7486
2 - 7490
1 - 555

Este último, o 555 não é realmente um integrado TTL, mas


sua utilidade nos projetos digitais ficará patente com as
explicações que daremos a seguir; não esquecendo naturalmente
a fonte de alimentação.

O 555
O 555 é um timer com características compatíveis com os
circuitos TTL. Podemos usar o 555 como oscilador de frequências
que vão de 0,01 Hz a 100 kHz o que permite utilizá-lo como clock
de circuitos integrados digitais TTL.
Na figura 106 temos a ligação do 555 como oscilador que
produz um sinal retangular.

120
NEWTON C. BRAGA

A frequência de operação é dada pela seguinte fórmula:


f = 1,44/(R1 + 2R2)C

Onde:
f é a frequência em Hertz
R1 é dado em Ohms
R2 é dado em Ohms
C é dado em farads
O valor mínimo de R1 + R2 é de 1 k
O valor máximo de R1 + R2 está em torno de 3 M

Na figura 107 temos um circuito de aplicação para este


integrado, em que ele aciona um LED que piscará na frequência
determinada pelo valor de C e ajustada no potenciômetro P1.

121
O Básico da Eletrônica Digital

Este circuito pode ser usado como um ”clock experimental


lento" para estudo do funcionamento de circuitos digitais como
contadores.
O LED acende quando o nível de saída é HI.
Ligando este circuito um multivibrador biestável ou flip-
flop podemos analisar seu funcionamento.

Contador Binário
Na figura 108 temos um projeto de contador binário
usando o 555 e o 7490 com 4 LEDS.

122
NEWTON C. BRAGA

Este contador Conta até 9 em binário, acendendo os LEDs


de modo a formar o número correspondente.
Assim, um LED apagado, dois acesos e um apagado,
indicam 0110 que em binário corresponde ao 6.
A velocidade com. que os números mudam dependerá A
da frequência do 555 que pode ser ajustada no potenciômetro P1.
Observe que o 555 também é alimentado com 5 V. Este
integrado pode ser perfeitamente alimentado com tensões de até
15 V que o torna aplicável também em circuitos equivalentes
CMOS.

123
O Básico da Eletrônica Digital

Um Clock Disparado
Um outro circuito que pode ser usado para ativar o
contador experimental até 9 é mostrado na figura 109 e usa um
7400.

A frequência é dada pelo capacitor C que pode ter valores


entre 100 nF e 10 uF. Quanto maior o valor de C, mais baixa é a
frequência e, portanto,mais lenta a mudança dos números.
Neste circuito, somente quando 8 é ativado é;que o
oscilador entra em ação, produzindo os pulsos de clock.
Quando S é solto, o circuito é inibido parando a contagem.
Uma aplicação interessante é dada no projeto a seguir.

Sorteador
Usando o circuito de disparo em questão, em que, ao
apertar S produzimos um número aleatório de impulsos, mais um
decodificador 1 de 10 e um 7490, podemos fazer um interessante
projeto capaz de sortear um número de 0 a 9 (ou 1 a 10). Veja a
figura 110.

124
NEWTON C. BRAGA

O pulsador com o 7400 é ligado ao 7490 que faz a


contagem dos pulsos de 0 a 9 fornecendo uma saída. Em
seguida, vem o 7442 que toma a saída em BCD e a transforma
numa saída de 1 a 10 acionando um dos LEDs ligados.
Assim, quando pressionamos o interruptor um numero de
pulsos aleatórios são produzidos, sendo contado pelo 7490 (no
final de cada 10 ele volta ao 0). Quando soltamos o interruptor, o
circuito para no número de pulsos produzido até então.
Temos na saída do 7490 uma indicação binária (BCD)
deste número de pulsos que é usada para excitar o decodificador
7442.
Na saída deste integrado uma única e levada ao nível LO
acendendo o LED correspondente. Este LED indica o número
sorteado.
O capacitor de 100 nF é o recomendado, pois permite que
a velocidade de clock seja tão grande que o jogador não consiga
controlar o sorteio, fazendo cair o número que ele quer.
Uma versão do jogo “rapa-tudo" pode ser elaborada a
partir desta configuração em que para os LEDs teremos as
seguintes indicações:

0 - tira um

125
O Básico da Eletrônica Digital

1 - tira dois
2 - põe um
3 - rapa tudo
4 - deixa como está
5 - tira três
6 - põe três
7 - jogue outra vez
8 - tira um
9 - põe um
O jogo pode ser feito com fichas, e terminará quando
alguém ficar sem nenhuma delas.

Displays
Os displays usados nas montagens digitais mais comuns,
são os formados por diodos luminescentes ou LEDs.
Cada segmento e um LED que acende com uma tensão
mínima de 1,6 V, aproximadamente, e que precisa ter um resistor
limitador de corrente que normalmente é um resistor de 330
ohms.
Sem este resistor a corrente não tem limite e pode
queimar, tanto o display, como o integrado que o excita.
Existem alguns integrados que possuem o resistor
limitador já em seu interior, dos quais deveremos falar
futuramente.
São dois os tipos principais de displays de 7 segmentos
usados:
a) anodo comum
b) catodo comum

No display de anodo comum, todos os anodos dos


segmentos são interligados a um terminal único, conforme
mostra a figura 111.

126
NEWTON C. BRAGA

Este anodo é então ligado ao (+) da alimentação e os


catodos na saída do integrado decodificador. Os segmentos
acendem então quando o catodo do segmento vai ao nível LO, ou
seja, aterrado.
Displays de anodo comum são usados com o 7447, por
exemplo.
No display de catodo comum, os catodos são interligados
ao negativo da fonte. figura 112.

127
O Básico da Eletrônica Digital

O segmento acende quando a saída correspondente o


integrado passa ao nível LO para o HI.
Um decodificador para este tipo de display é o 9358 que,
apesar do nome, faz parte da linha TTL. Os tamanhos e as
identificações dos terminais dos displays variam conforme o
fabricante.
Se o leitor tiver dificuldades em obter um display
convencional em sua localidade, pode perfeitamente montar um
com LEDs comuns, segundo mostra a figura 113.

128
NEWTON C. BRAGA

A alimentação será de 5 V e serão usados 7 transistores


BC548 para excitar as “barras" ou segmentos, cada qual com 3
LEDs.
A entrada deste circuito é compatível com os dispositivos
TTL, mas seu consumo de corrente existe uma boa fonte.
De fato, cada LED consome em média 20 mA, o que
significa 60 mA por segmento. Como temos 7 segmentos, quando
o número 8 for projetado, caso em que acendem todos os
segmentos, & corrente será de 420 mA.
Numa montagem em que temos dois dígitos, o consumo
de corrente chegará a 840 mA. Uma fonte de 1 A é o mínimo que
«m exige para esta aplicação.
Na figura 114 temos o aspecto deste interessante display
montado.

Uma possibilidade interessante consiste em se utilizar


SCRs e alimentar lâmpadas incandescentes de 110 e assim fazer
um display gigante. Placar de jogos pode ser feito segundo esta
técnica.

129
O Básico da Eletrônica Digital

NOSSO PROJETO PRÁTICO

MÓDULO CONTADOR DE 0 A 9 - TTL.


Damos elementos para que o leitor monte um módulo
contador de 1 digito(0 à 9) com o qual podem ser desenvolvidos
diversos projetos interessantes. Com dois módulos pode-se ter a
contagem até 99, com três até 999 e com 4 até 9999.
Dentre as possíveis montagens que o leitor pode ter
destacamos:
- Contador de objetos em linhas de montagens
- Contador de pessoas em entradas de teatros ou cinemas
- Cronômetro
- Contador de eventos em pesquisas cientificas
- Contador de voltas para enroladores de bobinas
- Medidor de rotações por minuto
A montagem é extremamente simples e não há limite para
o que se pode adaptar na entrada para a produção dos pulsos
que devem ser contados.
A velocidade máxima de contagem e determinada pelas
características do 7490 e está em torno de 18 MHz para o TTL da
série normal.
As características do módulo são:
Tensão de alimentação – 5 Volts
Número de dígitos - 1
Frequência máxima de contagem - 18 MHz
Consumo de corrente -75 mA (mais o display)

Como funciona
Na figura 1 temos a disposição em blocos de nosso circuito
contador usado na entrada é um 7490 que é um contador de
década, divisor por 10, que conta somente no sentido crescente
ou progressivo.

130
NEWTON C. BRAGA

Este circuito recebe os pulsos de entrada do circuito de


sensor ou clock e fornece uma saída em BCD de 4 dígitos.
Futuramente, daremos elementos para que se altere a
contagem até 6, caso em que podemos fazer a montagem de
relógios, ou divisores por 60.
O sinal deste integrado e levado a um 7447 que faz
decodificação dos níveis BCD para acionamento de um display de
7 segmentos.
Este integrado atua pela queda de tensão nos terminais
dos segmentos que devem ser acesos, o que exige o emprego de
displays de anodo comum.
Para displays de catodo comum pode ser usado o 9368,
cuja pinagem e modo de ligação são mostrados na figura 2.

131
O Básico da Eletrônica Digital

Resistores de 330 Ohms devem ser ligados em série com


os segmentos para limitar sua corrente. A alimentação deste
integrado também é feita com uma tensão de 5 V e seu consumo
de corrente está em torno de 43 mA.
Temos finalmente o display, cuja medida é de um tipo
comercial comum para o qual damos diversos equivalentes na
lista de material.
Em suma, a pinagem dada nesta placa de circuito
impresso, assim como as dimensões corresponde a todos os tipos
indicados na lista de material.
Se o leitor tiver outro tipo de display com terminais
diferentes ou dimensões diferentes, nada impede que seja feita
uma alteração no desenho da placa de circuito impresso. A fonte
de alimentação para o circuito pode ser a da figura 3.

132
NEWTON C. BRAGA

Nela temos um transformador com primário de acordo


com a rede local e secundário de 12 V X 1 A.
O circuito integrado regulador de tensão é o 7805 que
deve ser dotado de um radiador de calor. Na figura 4 mostramos
a montagem desta fonte tendo por base uma pequena ponte de
terminais.

133
O Básico da Eletrônica Digital

Os diodos podem ser do tipo 1N4002 ou equivalentes de


maior tensão e os capacitores de filtro têm tensões de trabalho
de 16 ou 25 Volts.
Um LED indicador de funcionamento pode ser
acrescentado com um resistor em série de 1 k.

Montagem
Começamos por dar o diagrama completo do módulo de
contagem (veja a figura 5).

134
NEWTON C. BRAGA

A placa de circuito impresso usada é dada em tamanho


natural na figura 6.

135
O Básico da Eletrônica Digital

Ao realizar a montagem, se possível, use soquetes para os


circuitos integrados e observe o seguinte:
a) Observe a posição dos circuitos integrados e do display,
pois inversões comprometem o funcionamento do circuito.
b) Observe os valores dos resistores limitadores que, se
possível, devem ser todos de 10% de tolerância para que todos
os segmentos acendem com o mesmo brilho.
c) Observe cuidadosamente a polaridade das ligações do
módulo na fonte, pois se houver inversão haverá também a
queima dos integrados e do display.
d) Nunca alimente o circuito com tensões superiores a 5 V,
pois pode haver a queima dos integrados.

136
NEWTON C. BRAGA

e) Observe bem a construção da placa evitando trilhas em


curto ou interrompidas que podem prejudicar o funcionamento do
circuito.
Para experimentar o circuito depois de montado existem
diversas possibilidades;
Na figura 7 temos a ligação do circuito a um interruptor
que serve de produtor de pulsos de contagem, para verificação de
funcionamento do módulo.

Um circuito melhor para a prova de funcionamento é


mostrado na figura 8 em que usamos um 555 para a produção de
pulsos sem o perigo de transientes, como ocorre com a chave.

137
O Básico da Eletrônica Digital

Os transientes podem fazer com que, num fechamento de


chave mais e um pulso seja gerado e o display ”salte" números.
Para acoplar dois módulos ou mais de modo a ter um contador de
dois ou mais dígitos a ligação' é mostrada na figura 9.
Observe que o módulo mais próximo da entrada é o das
unidades, o seguinte o das dezenas, e assim por diante.
A alimentação para todos os módulos é comum.

138
NEWTON C. BRAGA

Lista de material
Cl-1 - 7490 - contador de década TTL
Cl-2 - 47447 - decodificador BCD X 7 segmentos TTL
DY-1 - Display de 7 segmentos
R1 à R7 - 330 Ohms X 1/8 W - resistores (laranja, laranja, marrom)
Diversos: placa de circuito impresso, soquetes para os integrados, fios,
solda, material para a fonte de alimentação.

Aplicação 1 - Contador de Objetos


Na figura 10 temos o circuito para um contador de objetos
utilizando na entrada um 555.

139
O Básico da Eletrônica Digital

O potenciômetro permite ajustar a sensibilidade do


sistema em função da luz ambiente.
O sensor é um LDR comum, e a alimentação é feita com
uma tensão de 5 Volts.

Aplicação 2 - Cronômetro
Novamente temos um 555 como base deste projeto (veja
a figura 11).

140
NEWTON C. BRAGA

O trimpot deve ser ajustado para que o oscilador 555


tenha uma frequência de 1 Hz. O contador com dois dígitos
contará então de O a 99 segundos.
Se o leitor ajustar a frequência para 1 pulso a cada minuto
então o cronômetro contará de 0 a 99 minutos.

Aplicação 3 - Sorteador
O circuito da figura 12 permite sortear qualquer número
de 0 a 99 formando assim um dispositivo de loto à prova de
fraudes.

141
O Básico da Eletrônica Digital

Aperta-se o interruptor S e quando ele for solto aparecerá


no display um número qualquer compreendido entre 00 e 99.
Como não dispomos de memória, nos sorteios seguintes
nada impede que haja repetição do número sorteado numa
probabilidade de 1 para 100.
Com três dígitos, o sorteio poderá ir de 000 a 999.

142