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TÍTULO

Ubirajara de Barros Júnior

Nota sobre o autor:

Ubirajara de Barros Júnior


Perito Judicial nas áreas Econômica e Contábil, Adm. Judicial, Auditor, graduado em Contabilidade, pela
Faculdade de Economia e Finanças do Rio de Janeiro e em Direito pela Faculdade Brasileira de Ciências
Jurídicas; Pós-graduado (MBA) em Direito da Economia e da empresa e também em Mercado de Capitais
pela Fundação Getúlio Vargas-RJ; Pós-graduado em Direito Tributário pela Universidade Estácio de Sá –
RJ; Atuação ininterrupta a mais de 30 (trinta) anos como Perito Judicial no fórum da Capital do Rio de
Janeiro e em outros estados da federação, membro da Comissão de Perícias Contábeis do Conselho
Regional de Contabilidade do Estado do Rio de Janeiro, bem como, Presidente do Alto Conselho da
APJERJ – Associação dos Peritos Judiciais do Estado do Rio de Janeiro.

Resumo

Este capítulo trata da perícia contábil

TÍTULO

1. Introdução

Procedimento levado a efeito em processo falimentar, onde restou apurado através de perícia
contábil realizada no acervo documental da sociedade falida, que a falência decretada foi
motivada por incúria administrativa do Banco Central do Brasil, em razão de injustificável e
substancial depreciação do Patrimônio da empresa no processo de Liquidação Extrajudicial
decretado pelo órgão fiscalizador.

ESCLARECIMENTOS NECESSÁRIOS
MULTICORP DISTRIBUIDORA DE TÍTULOS E VALORES MOBILIÁRIOS LTDA, em 16
de fevereiro de 1993 teve sua falência decretada pelo Juízo da 7ª Vara de Falências e Concordatas da
Comarca da Capital do Rio de Janeiro.

A quebra da instituição, foi por assim dizer, apenas o ápice do processo de


Liquidação Extrajudicial, a qual estava submetida desde 30 de julho de 1987.

É indispensável a caracterização da conduta adotada pelo Banco Central, ao


longo do período compreendido entre a data da decretação da Liquidação Extrajudicial (30/07/1987) e a
da falência (16/02/1993), sendo necessário para melhor compreensão dos fatos, um rápido retrospecto
dos eventos que envolveram a decretação da Liquidação Extrajudicial de MULTICORP D.T.V.M. LTDA.
3. BREVE HISTÓRICO

Em meados do ano de 1987, iniciou-se, por parte do BACEN, uma “auditoria”


envolvendo, precipuamente, as atividades desenvolvidas pela Multicorp junto ao mercado de capitais.

Ao final das investigações patrocinadas pelo BACEN, ficou consignado na conclusão do


“Relatório Preliminar de Inspeção”, datado de 15 de julho de 1987, verbis:

“Levando-se em conta o possível estado de insolvência em que se encontra a


sociedade, entendemos, s.m.j., que não resta para o presente caso nenhuma
outra medida punitiva a ser adotada por esta fiscalização, senão a imediata
intervenção desta autarquia, conforme prevê o art. 2º, da lei 6.024, de
13.03.74”.

Ainda que em rápida “passada de olhos”, poder-se-ia afirmar, frente aos vacilantes
termos do “Relatório Preliminar de Inspeção”, que nem o próprio Banco Central tinha, nos idos
de 1987, a verdadeira noção sobre a situação econômico-financeira da Multicorp.
Indo de encontro à sugestão feita quando do encerramento da inspeção, o BACEN
lançou mão de um remédio extremo, qual seja, decretou arbitrariamente a Liquidação Extrajudicial da
Multicorp D.T.V.M. LTDA..

4. A INCÚRIA ADMINISTRATIVA CONSTATADA PELA PERÍCIA

No decorrer do processo de Liquidação Extrajudicial, a Multicorp sofreu uma


injustificável e substancial depreciação do seu patrimônio. Passados cinco anos do início do regime
especial, houve por bem o BACEN requerer, através de ato de seu preposto, a decretação da falência.

Para tanto, alegou o BACEN na época em que foi ajuizado o pedido de quebra da
Multicorp:
“A base para essa conclusão decorre dos resultados dos balanços da empresa, a
exemplo do que se encontra e anexo (doc. 06), levantado em 30.09.92, que
registra um passivo descoberto de Cr$ 483.722.602,96”.

Abram-se parênteses, nesse instante, para chamar a atenção para o fato de que, com
base no balanço contábil apresentado em 30/07/87, ou seja, cinco anos antes do início da Liquidação
Extrajudicial, a perícia realizada constatou a inexistência de passivo a descoberto.

É bom que fique claro, o ativo da Multicorp era, na época em que foi decretada sua
liquidação, infinitas vezes superior ao passivo. Situação diametralmente diversa daquela espelhada no
balanço datado de 30/09/92, onde se apurou uma grave debilidade econômico-financeira, ao ponto de
ensejar a falência da Multicorp.

O que ficou evidenciado nos exames realizados pela perícia, foi o exaurimento do
patrimônio da Multicorp DTVM LTDA. Visto que no período de aproximadamente 5 (cinco) anos, período
esse compreendido entre a data da Liquidação Extrajudicial e da confissão da falência, a sociedade,
embora sem ter faturamento operacional teve que arcar com pesados ônus, tais como: Salários do
liquidante e seus assessores, secretárias, contadores, advogados, etc.

O Laudo Pericial que concluiu pela incúria do Banco Central do Brasil, na figura do
Liquidante nomeada pela autarquia para funcionar como gestor da sociedade Multicorp DTVM LTDA. é a
seguir transcrito, objetivando uma análise mais aprofundada das questões narradas.

2. Referências

BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil, de 05 de outubro de 1988.


Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constitui%C3% A7ao.htm>.
Acesso em: 15 dez. 2015.
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2015.
BRASIL. Decreto-Lei nº 2.848, de 07 de dezembro de 1940. Código Penal. Disponível em:
<http://www.planalto.gov.br/CCIVIL/Decreto-Lei/Del2848.htm>. Acesso em: 15 dez. 2015.
MATIDA, Janaina Roland. O Problema da Verdade no Processo: A Relação entre o Fato e
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OLIVEIRA, Álan Teixeira de. A relação entre o tipo penal e a prova pericial contábil :
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TARUFFO, Michele. La prueba de los hechos. Trad. Jordi Ferrer Beltrán. – 2. ed. – Madrid :
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