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Sociedade:. Ecumênica:. do Triângulo: e da Rosa:. Dourada:.

Fraternidade:. Espiritualista:. do Cruzeiro:. do Sul:.


Núcleo de Estudos Espirituais

Fundamentos da Umbanda – Apt. III

O conhecimento relativo às ervas II


Conceituações

“Quando uma determinada personificação possui uma força tão grande para
poder ser governada sem a presença de um Deus, a própria personificação
recebe o título de uma Divindade”.
(Cicerone, De Natura Deorum., 2, 61)

A frase escrita por Marco Túlio Cícero, filósofo e político romano (106 – 43 a.C.) em seu tratado sobre a
natureza dos Deuses (De Natura Deorum), permite observar parte das relações que elevaram as diferentes estruturas
do inteiro Reino Vegetal à condição de Divindades antropomorfizadas como se verá mais adiante. Desde quando
Aristóteles (século IV a.C.) diferenciou as plantas, considerando-as seres “entre os vivos” e dando então definição
ao termo “vegetativo”, essas passaram a ocupar a posição de criaturas passivas desprovidas de qualquer atributo que
pudesse aproximá-las ao Reino Animal ou àquele Humano. Tal fator ocorre mesmo sendo as propriedades naturais
e magísticos das plantas conhecidas há milhares de anos por todos os povos da antiguidade, não deixando de
mencionar que as teofanias agrárias e os cultos que as representam e a elas se encontram associados situam-se desde
sempre como os mais antigos da humanidade.
No sistema de que nos ocupamos, o sagrado das folhas nos consente uma manipulação ambivalente no
sentido positivo. O conceito de sacro de que se revestem as plantas, juntamente com todo o rico conhecimento
magístico e litúrgico que proclamam (apresente-se esse velado ou não), admite que o mágico, dentro dos limites
considerados, seja experimentado e manuseado tanto por parte daqueles que se iniciam nos mistérios do culto dos
Orixás, como por aqueles que nelas buscam conforto e solução para os males do corpo e do Espírito. As folhas e o
poder que encerram assim estão para todos e sem distinção, consentindo uma interação harmônica entre as
argumentações do sagrado e do profano, mesmo não estando todos, de fato, situados no mesmo nível em relação
ao conhecimento, às práticas rituais e magísticas que envolvem. Todavia, isso nem sempre importa.
As folhas, suas potencialidades e o rico simbolismo de que se revestem, esbarram em importantes
considerações de natureza medicinal, fitoterápica, litúrgica e magística, cada qual fundamentada em alicerces
próprios que sustentam cada um desses aspectos. O isolamento dos princípios ativos reconhecidos nas substâncias
presentes nas plantas definem suas propriedades medicinais, estejam essas isentas ou não de riscos, sempre na
dependência das características que lhes são dominantes.
A realidade em relação às folhas quando usadas liturgicamente se ampara em argumentações de natureza
energética e vibratória. Em muitos dos casos, as propriedades de que se fazem portadoras constituem os elementos

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ativos e essenciais que se prestam ao uso litúrgico. Diferentes exemplos podem ser verificados nos casos das plantas
alucinógenas ou detentoras de princípios ativos específicos como a Trombeteira (Àgogó), o cipó-de-leite (Ewé ogbó),
o balainho-de-velho (Amúnimúyè), a comigo-ninguém-pode (Wobomú funfun), o aveloz (Ikikigún), o pinhão roxo
(Bòtúje pupa) e tantas outras que lhes doam suas particularidades e por vezes corroboram com o contexto mitológico
ou divino.1 Mesmo sendo detentoras de princípios tóxicos, partes dessas plantas são empregadas sobretudo nos
rituais de iniciação com intentos específicos, combinando-se suas partes.
Mesmo não estando a par dos processos que se desenrolam em relação ao universo iniciático, lugar onde o
universo magístico das folhas se apresenta absoluto, o não iniciado não transgride nenhuma lei ao procurar nas
folhas o elemento de sua conexão com o sagrado. Ainda que desconhecendo os encantamentos que despertam suas
potencialidades magísticas, todos podem, de certa forma, manipular a energia que encerram em diferentes níveis em
razão do poder da própria folha de se dar a qualquer um, seja para o bem ou para o mal. Certo, quanto mais
conhecimento acerca das interações, harmonias e combinações entre as folhas consideradas sagradas, mais o
indivíduo poderá manipular essa energia e conhecer sejam as razões, seja o momento de empregá-las nas mais
diferentes situações que julgar conveniente.
Quando lidamos com as folhas envoltas pelo contexto do sagrado, o rico simbolismo que abarcam se coloca
como a mola principal que impulsiona o intento, que articula a linguagem presente nos encantamentos verbais que
despertam seu poder, e que estabelece a gesticulatura ritual, esse último aspecto presente em atos por vezes
considerados simples, como a forma correta de se arrancar uma folha, o processo de maceração, à apresentação às
Forças, à cabeça, ao corpo e a conexão estabelecida com os Deuses e demais Entidades a que estejam vinculadas.
Sendo as plantas consideradas como seres viventes dotados não apenas de uma existência biológica, mas
possuidoras de uma Alma particular, multiplicam seu poder e sua importância no ato ritual de apresentar e de cantar
os seus mistérios. Cantar as folhas equivale a exaltar os seus valores dento e fora do sagrado. Sua participação nos
mitos e as relações estabelecidas com cada Orixá às convertem em elementos fundamentais, dotados de
importância particular e a qual devemos certa consideração.
Uma folha resulta num fragmento-símbolo; numa unidade que se multiplica, evocando o simbolismo da
continuidade e da descendência, da mesma forma que as escamas e as penas estão vinculadas ao mesmo sentido
simbólico. Um fragmento símbolo desprendido de um todo que o representa como uma presença particularizada.
Uma porção mística e individualizada que concebe uma força vivente reconhecida na própria planta. Se uma folha é
um ser, a árvore ou planta da qual descende é um todo. As plantas então constituem pequenos clãs naturais.
Linhagens detentoras de um poder que lhes é único e de particularidades que não lhes podem ser subtraídas
indiferentemente. Representam coletividades de individualidades dotadas de peculiaridades e caprichos, carregadas
de humores, capazes de projetar e captar emoções, de salvar ou extinguir a existência.
As folhas possuem características que as particularizam, tornando-as únicas em sua própria natureza. No
contexto simbólico-magístico, a planta toda encerra uma história, um mito ao qual se conecta, um poder que
encerra e uma alma que pode ser fragmentada sem deixar de ser ela mesma e nem sequer perder sua essência. Retire
uma folha e parte da alma da planta irá com ela. Renascendo outras folhas, essa mesma alma se regenera exaltando
cada vez mais suas potencialidades.
As plantas encontram-se estreitamente vinculadas com a totalidade dos ciclos naturais, participando do círculo
das teofanias agrárias e vegetais. Esse conceito teológico expressa à manifestação de uma ou de diferentes
Divindades e forças juntamente com as influências que exercem sobre determinada estrutura ou sistema, nesse
caso, o reino vegetal. Povoado por um grande número de forças espirituais, sejam essas fantásticas, hipotéticas,

1
Antes de prosseguirmos, convém salientar que a intenção aqui é analisar o uso litúrgico e magístico das folhas, concentrando-
se em suas propriedades energéticas, uma vez que a literatura em relação aos seus efeitos medicinais e terapêuticos é abundante,
não havendo a necessidade de replicar conceituações já bastante conhecidas.

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personificadas ou reais, as teofanias vegetais envolvem uma abrangência de conceitos, os quais se interligam uns aos
outros compondo uma estrutura incapaz de ser compreendida em apenas um de seus aspectos, exigindo as relações
com os diferentes reinos da Natureza na composição do todo que representam.
As relações diretas com a terra, a interação direta com os ciclos pluviais, sazonais e lunares, a influência dos
astros, os ritos agrários de semeadura e colheita, o simbolismo do feminino, do masculino, da atividade
fecundadora e daquela geradora, a participação ativa dos Deuses, o papel dos sacerdotes e feiticeiros e as relações
com os próprios seres humanos, todos constituem elementos importantes na caracterização dos argumentos aos
quais as folhas ditas sagradas se prendem.
O poder incontestável de que são as plantas possuidoras e que independe de crença para subsistir, pode ser
liberado por meio de preces dirigidas aos Numes Tutelares, os Espíritos guardiões que cremos habitá-las ou com
elas estabelecerem uma relação qualquer, a qual se encontra ao de lá da compreensão e da lógica puramente humana
e racional. As folhas falam. E como falam! Expressam relações boas e más entre si, estabelecem simpatias e
antipatias com outras Forças, afinizam-se com os diferentes padrões de ressonância representados pelos Elementos,
aumentam ou diminuem suas potencialidades em concordância com os ciclos lunares, encerrando em si mesmas
dois poderes absolutos que não podem ser destituídos ou delas dissociados, posicionando-se como fundamentais
em meio ao argumento tratado e que fala do seu envolvimento com o sagrado.
Primeiro, pelo conjunto das substâncias que lhes doam suas particularidades medicinais as plantas são
detentoras do poder da vida e da morte. Curam ou matam, apaziguam ou dizimam. Nesse contexto as plantas são
“encantadas”, passando a ser consideradas dentro da esfera do fantástico, o qual não deixa de conter sua parcela de
realidade como feiticeiras e curandeiras naturais. Estruturas dotadas de um certo tipo de inteligência ainda em
grande parte desconhecida para nós, são capazes de sentir, de emanar e de expressar emoções.
Absolutamente individualizadas, as plantas obedecem ao impulso natural que nelas predomina, estando sua
natureza conectada diretamente à essência das propriedades que carregam. Subestimamos o poder das folhas por
desconhecermos suas potencialidades, seus valores curativos e magísticos. E embora desconheçamos na íntegra os
aspectos sensíveis e astrais que se afirmam na heterogeneidade de cada grupo de plantas em particular,
considerando apenas as partes que nos são conhecidas, as folhas enaltecem a sorte ou impelem à ruína, carregam
consigo caprichos que podem proporcionar benefícios ou malefícios, sendo doadoras de vida e portadores da
morte. Aqui, esses dois conceitos se interpenetram, constituindo dois aspectos de uma só realidade que pode ser
divisível ou separada, sempre a depender da forma como movimentamos as propriedades naturais e também
magísticas de que são as folhas portadoras.
O segundo poder pode ser reconhecido na capacidade única conferida somente as folhas de despertarem o
Orixá na Cabeça do Yawò ao longo dos ritos de feitura e por meio de combinações específicas e rigidamente
elaboradas. Nenhum rito ou elemento as substitui, especialmente no caso das folhas oriundas das grandes árvores
ou tratadas como ancestrais. São imprescindíveis e todas as coisas que se desenrolam numa iniciação estão na
dependência das folhas sagradas, tanto da ser comprovadamente verídica no universo iniciático a expressão Ko si
ewè, ko si Orixá, “sem folha, sem Orixá”. A natureza dessa afirmação é tão importante, que faz com que Òsànyìn
seja reverenciado acima dos demais Orixás e assuma um papel essencial ao lado de Èxú, Òrúnmilà e Yemanjá no
decurso das iniciações e mesmo depois dessas.
De fato, os Iniciados rendem a Forças como Òsànyìn, Ìròkò e Ònílé, reverência lado a lado com Èxú,
considerando-os Divindades essenciais e equiparando suas potencialidades. Como se verá mais adiante em outros
apontamentos, da mesma forma que individualizamos a energia de Èxú ao darmos geração aos Barás, também
individualizamos a energia de Òsànyìn, diferenciando-a em tantos outros seres, cada qual afeto às particularidades
distintas de um Orixá ou grupo de Forças.
A iniciação envolve um conjunto complexo de símbolos, ritos, cantigas, elementos e preceitos. Mas quem de
fato chama o Orixá “para fora” é a folha envolvida pelos segredos que encerra consigo. Representando
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manifestações intrínsecas dos próprios Orixás a que estão associadas, as plantas passam a ser consideradas
detentoras do poder do Orixá. Nesse sentido, as substâncias de que são as plantas portadoras se posicionam como
o elemento de ação da Força a que se encontra essa vinculada.
A característica principal e sagrada desse fundamento se encontra no sumo que se converte no èjè tútù, o
“sangue verde” obtido pela maceração ritual das folhas, o qual passa a ser considerado pelo poder do simbolismo
empregado no sangue do próprio Orixá. Logo, o sumo das folhas se consagra como uma manifestação tangível das
potencialidades carregadas pelo Orixá, uma vez que os laços entre Divindade e folha são muito estreitados. Por essa
razão o rito de Òsànyìn se posiciona como um dos principais atos litúrgicos de toda a Iniciação, exatamente por
sintetizar o momento em que a folha “doa seu sangue”.
Como determina o conceito magístico, o ato representa o instante em que o Orixá entrega seu sangue para ser
derramado sobre o Neófito numa espécie de “transfusão” ritual, cujo poder potencializado pela coversão do
símbolo determina a eficácia do processo e a comunhão estabelecida entre as partes. Assim, sem o cantar em
coletividade dos mistérios e poderes das plantas que serão usadas no ritual, o Orixá não desperta e não se assenta
em nenhuma cabeça. Logo, sem folha, sem Orixá (Ko si ewè, ko si Orixá).
As três noites que antecedem a feitura propriamente dita, são de fato dedicadas à Yemanjá, reconhecidamente
saudada como “Senhora de todas as Cabeças”; à Òsànyìn (quando então ocorre o ritual do cantar as folhas pela
manhã e o da maceração à noite), e à Ajalá, Orixá Funfun conhecido como “Oleiro Divino”, aspecto diferenciado
de Oxalá em sua condição de criador, daquele que molda as cabeças para que possam receber o Orixá devidamente.
Nessa noite (de Ajalá), por meio de um rito onde o Yawò é inteiramente pintado de branco e sua cabeça
simbolicamente comparada a um grão de canjica, ocorre à raspagem dos cabelos de madrugada, período de
transição, de modo que os três ritos fundamentais de assentamento consagrados aos Princípios Funfun, Pupá e
Dudu possam então ocorrer. Raspados os cabelos, o èjè tútù específico é versado pela primeira vez na cabeça do
neófito. Daí para frente, o estado de transe é passível de ocorrer naturalmente, não impondo-se, no entanto, como
um ato obrigatório.
Essa relação rica em símbolos, representações e manifestações magísticas fez com que Òsànyìn fosse acostado
em importância a Divindades como Òrúnmilà e Èxú, passando a ser considerado um Orixá fundamental. Como se
verá mais adiante, na África Òsànyìn ocupa um papel de relevo no panteão das Divindades, o que se revela
inclusive pelo fato de lá não ser feito em nenhuma cabeça, pois condivide do poder das Divindades ditas Essenciais
ou Originais, aquelas que fazendo parte do todo não podem ser individualizadas em apenas uma criatura.
No tocante a certas compreensões a respeito das plantas tidas como sagradas, a Natureza não reconhece o
sentido de bem e mal da forma como os expressamos. Mais uma vez, predominam nela os ciclos de consequências
e necessidades. As Forças estreitamente ligadas ao contexto das teofanias vegetais são o que são, vibrando em
consonância com as naturezas predominantes nelas mesmas, podendo expressar conceitos bons ou ruins a
depender do impacto sofrido por uma determinada estrutura ou sistema. Isso porque a Lei de Ação e Reação
também opera em todos os Reinos, incluindo aquele Animal e Vegetal, ainda que por meio de impressões
diferentes e por vezes desconhecidos, tendo em vista, por exemplo, que animais e plantas não geram karma a ser
esgotado ou ajustado como a criatura humana.
Uma planta dotada de particularidades negativas como a espirradeira, por exemplo, não conhece em si própria
uma natureza negativa que possa ser alimentada por meio de emoções ou inclinações projetadas com o intento
consciente.2 Suas propriedades tóxicas não se restringem apenas a planta em si, mas se estendem à sua contraparte
astral. Essa planta de fato se alimenta apenas de energias agressivas e negativas. Bela e mortal, quanto mais um
ambiente se encontra carregado por correntes nocivas, mais a espirradeira se desenvolve e floresce. É

2Também flor-de-são José ou loureiro rosa. Toda a planta é tóxica (raiz, caule, folhas e flores), causando envenenamento que
pode levar a morte em poucas horas, sendo que 12g (uma folha) são suficientes para matar uma pessoa. Muitos estudiosos a
consideram a planta mais venenosa do mundo.
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vampirizadora das plantas que lhe estão em torno e Pai Sebastião denomina suas flores de “lágrimas da morte”, pela
beleza e toxidade que possuem. Nunca deve ser colocada no interior dos ambientes porque da mesma forma que
capta, também libera eflúvios agressivos potencialidades pelos efeitos etéreos da planta, sendo que a espirradeira
incita à agressividade e à discórdia entre as pessoas, fato que já pode ser comprovado em inúmeras ocasiões.
A planta não possui uma consciência acerca de sua capacidade negativa de assim agir. Ela é o que é. Essa é a
sua natureza e ela obedece apenas aos estímulos biológicos e astrais que determinam sua estrutura. A capacidade de
matar lhe é indiferente e para ela a morte não significa nada. Isso porque não reconhece esse estado como objetivo
e não raciocina ou discorre sobre seus efeitos, ainda que sua essência procure pelo que é aparentemente negativo.
Mais uma vez devemos levar em consideração o ponto de vista das energias, para o qual as coisas são aquilo que
são. Energeticamente, toda força, qualquer que seja ela, é sempre considerada uma consequência de uma potência e
de uma vibração.
As plantas são dotadas de inteligência, ainda que de certa forma incompreensível para nós. Possuem
mecanismos de linguagem, cognição, memória, defesa e são capazes de fazer escolhas, sendo absolutamente
sensíveis e na maioria dos casos autônomas. Um exemplo a ser considerado é aquele das plantas que se suicidam ou
que se deixam morrer por uma série de diferentes fatores, mas também das que expressam contentamento e alegria
através de um desenvolvimento surpreendente. Exatamente por acreditar nessas afirmações hoje corroboradas pela
ciência, é que expressamos certo respeito pelas folhas consideradas sagradas. Os preceitos litúrgicos como o ato de
pedir licença no momento de arrancar a folha, de realizar oferendas quando as podamos e até mesmo rituais e
homenagens fúnebres quando as cortamos, fundamentam-se nas alegações de que constituem um sistema vivo
capaz de expressar emoções.
Seja como for, a comunicação entre as plantas acontece, sendo um fenômeno estudado já há muitos anos pela
ciência. Isso lança alguma luz sobre o fato de “cantarmos” para as folhas louvando suas propriedades, bem como
sobre a interação energética entre aquelas que se combinam e a rejeição por parte das que se antipatizam. Mesmo
após ter sido arrancada, a folha mantém o vínculo energético com a planta mãe, sendo capaz de expressar suas
potencialidades.
Essa energia, é claro, não perdura a longo, esvaindo-se gradualmente com o passar das horas. Nas folhas secas
utilizadas nas defumações, por exemplo, a energia é reabsorvida pelos compostos da própria planta, a qual então se
presta juntamente com as propriedades nela encerradas aos processos debeladores de correntes agressivas ou
mesmo purificatórios. Todavia, como por vezes erroneamente se crê, a energia da planta não permanece inalterada
na folha depois de colhida. Água, Sol, sumo da casca de laranja, flor de laranjeira, alecrim e hortelã são usados na
manutenção dessa energia, uma vez que são capazes de atuarem como preservadores ou prolongadores das
mesmas. Utilizamos muito esses recursos nas Iniciações ou em ritos onde as folhas não podem ser usadas no
mesmo momento.
Que as plantas emitem sinais elétricos semelhantes à sinapse entre os neurônios já é um fato comprovado.
Uma única folha pode conter milhares de transmissores que enviam informações entre uma célula e outra. De igual
modo, assim como o sistema nervoso das serpentes permanece ativo por um certo espaço de tempo, mesmo após a
separação da cabeça, as folhas produzem efeito semelhante quando separadas da planta em si.
Plantas reunidas num mesmo lugar são capazes de programar mecanismos de defesa, expondo aquelas que
consideram mais frágeis e suscetíveis ao ataque de formigas e outros parasitas que são manipulados por meio da
liberação de certos elementos químicos secretados. Dessa forma, viciam as formigas, por exemplo, fazendo-as
atacar sempre a mesma planta ou espécies semelhantes, de modo que todas as outras possam estar seguras.
Recentemente tivemos provas visíveis dessa afirmação, após compreender que as formigas atacavam sempre a
mesma planta e não se aproximavam das outras.
As plantas pressentem não somente a aproximação como também os intentos daqueles que lhes estão por
perto, fazendo com que seu sistema nervoso entre em alerta naturalmente. Algumas plantas então programam
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mecanismos de defesa, como no caso da espirradeira, da amoreira e de outras plantas que emitem correntes
contrárias. Trata-se de um sofisticado aparato sensorial distribuído por toda a planta e que faz convergir um
conjunto de estímulos e informações. Em alguns casos são as raízes que pressentem e carregam essas informações,
transmitindo-a a toda a parte superior da planta. Contudo, não devemos antropomorfizar as plantas, mesmo
quando procedemos dessa forma em relação à determinadas forças que representam, tendo o cuidado de
compreender que não se assemelham aos humanos e que seus sistemas, ainda que sofisticados, são diferentes.
Na planta suas raízes equivalem ao seu cérebro. Todos os Guias concordam veementemente que as plantas
sentem dor e que são capazes de expressar sentimentos como tristeza e alegria, chegando mesmo a entrarem em
depressão. Não podemos, é certo, arguir que sejam sentimentos como aqueles humanos. Mas se ponderarmos
sobre a extrema sensibilidade das mesmas e a pureza do Reino vegetal, ainda mais se considerarmos que as plantas
não geram karma, talvez o plano das sensações que expressam esteja mais próximo das impressões sentidas nas
esferas sutis. Tais alegações tornam-se mais fortes na medida em que conhecemos as relações entre o Reino vegetal
e os seres Elementais que o compõem, visto possuírem esses uma enorme sensibilidade emotiva, chegando ao
ponto de se deixarem morrer diante da morte de uma planta ou animal em muitos dos casos, tamanha a simbiose
que se estabelece entre os Reinos naturais e aqueles Elementais.
O Elemental não representa a Alma da planta. Ambos constituem individualidades diferentes, embora por
uma série de diferentes argumentos a vida de um determinado ser Elemental, sobretudo aqueles dos Reinos mais
baixos, possa estar estreitamente conectada com uma árvore ou planta em específico. Embora toque a esfera do
fantástico pelos aspectos que revela, é verdade que Elementais pertencentes a determinado grupo passam a habitar
determinadas árvores coletivamente, extraindo sua própria vitalidade das mesmas. Sendo sua noção de divino muito
diferente da nossa, para essas criaturas a árvore é o principal elo de relação com sua própria existência e eles a
reverenciam como um Espírito divino, embora, reiterando, Elementais dos Reinos Inferiores não concebam a
noção de Deus.
Sabemos que determinados grupos de seres Elementais se ocuparam e se ocupam do processo de criação e
desenvolvimento de cada espécie de planta em tempos antiquíssimos, não havendo, no entanto, interferência direta
no processo evolutivo, onde afirmamos mais uma vez que a Natureza não opera por saltos. Essas Forças são
complementadoras dos próprios processos naturais e se harmonizam também na dependência dos mesmos.
Embora não saibamos muito bem como se descortinaram esses métodos, é conhecido que as propriedades
particulares das plantas não foram ditadas apenas pelo ambiente em que se desenvolveram, mas contaram com a
participação de estruturas inteligentes; forças Elementais que há milhares de anos estiveram presentes no processo
de desenvolvimento do reino vegetal e imprimiram nas plantas as suas marcas e seus humores.
É conhecida a “solidariedade” entre as plantas bem como a capacidade que possuem de alertar outras sobre os
perigos e ataques sofridos ou que estejam prestes a sofrer. Podem emitir compostos perfumados, imperceptíveis ao
olfato humano e que carregam mensagens de alerta para outras plantas, como no caso da presença de parasitas ou
predadores. Pequenos animais são capazes de absorver sensações de uma planta e transferir uma espécie de
mensagem codificada para outra, alertando sobre eventuais perigos. Determinadas plantas conseguem expressar
comportamentos sofisticados e tiveram que passar por uma seleção natural assim como as espécies animais.
Temos inúmeros exemplos já vistos e comprovados de plantas que rejeitam a presença umas das outras ou que
não se harmonizam, expressando antipatias ou simpatias naturais. Plantas vampiras que se alimentam da vitalidade
de outras. Plantas assassinas que matam propositalmente; plantas parasitas capazes de engendrar determinada
espécie de fungo no cérebro de insetos de modo a transferi-los para outras plantas. Uma vez alcançada à planta,
matam o inseto e o fungo se desenvolve por toda essa, matando-a.
Os Guias mencionam o terror que acomete as plantas ao perceberem que outras estão sendo mortas. Mais
ainda, descrevem a capacidade dessas em registrar como uma espécie de memória a pessoa responsável pelo ataque,
podendo armazenar essas impressões por um longo tempo e replicar a sensação de terror sentido. Estudos
científicos nessa direção apontaram para a veracidade desse fato. Da mesma forma, mencionam a capacidade de

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certas plantas, sobretudo das árvores muito velhas em atiçarem animais peçonhentos, abelhas, marimbondos e
outras espécies ofensivas sobre os indivíduos que as tenham maltratado ou mesmo àquelas que estejam ao seu
redor. Já tivemos a oportunidade de comprovar esse fato.
Também já presenciamos o ataque de plantas como o cipó da mata e a negra mina sobre aqueles que as
cortaram indevidamente. Isso porque algumas plantas são dotadas de uma capacidade de reação e de defesa muito
forte, chegando mesmo a liberar substâncias tóxicas imperceptíveis contra aquele que as ataca ou provoca. Algumas
dessas reações acometem o agressor com fraqueza, torpores e vertigem, minando rapidamente sua energia no
mesmo momento em que a planta está sendo cortada. Em alguns casos os efeitos se prolongam por dias, isso
quando Elementais diretamente afetos à planta se reservam o papel de revidar as agressões por um impulso natural
inerente à sua própria natureza protetora. Na mesma direção os Guias afirmam que as plantas emitem impressões
sonoras inaudíveis que se assemelham a lamentos ou choro, afirmando que se comparam ao som produzido por
certas baleias.
Que a aura das plantas reage a determinadas agressões e que reconhece alguém que a tenha maltratado ou a
outra planta isso é evidente. Já tive a oportunidade de comprovar esse fato pessoalmente por inúmeras vezes, sendo
que o campo energético da planta se retraí e sua coloração muda imediatamente. Guias também defendem que as
plantas sabem para que servem suas propriedades, porém não no nível de consciência que percebemos e que
podem, a depender da energia liberada, atrair uma pessoa doente para seu campo e até mesmo infundir-lhe
mensagens olfativas ou perceptivas de modo que se possa usá-la para determinados males.
Esse aspecto em particular talvez possa ser exemplificado pela Àgbaó (umbaúba). Essa planta é considerada
“mensageira” de Òsànyìn, sendo um interdito sério para os Iniciados cortá-la. Quando saímos no mato para colher
determinadas ervas, é um preceito obrigatório ofertar uma quartinha com fumo, aguardente e mel, acendendo fumo
de rolo aos seus pés de modo que se possam encontrar as folhas que necessitamos. Os antigos sacerdotes
afirmavam que essa planta era capaz de se comunicar com outras, assim como com animais, alertando sobre as
intenções de quem estava por perto, permitindo ou não que se encontrassem as folhas procuradas na mata. Esse
fato é verídico e a experiência o comprova vividamente, até mesmo porque já colocamos a teoria à prova.
A umbaúba é mágica, sendo uma folha da qual pouco falamos pelas restrições impostas. Considerada a planta
que protege os Iniciados, sua copa de fato se assemelha ao Alá, espécie de para-sol ritual usado para cobrir a cabeça
do Yawò quando se apresenta pintado pela primeira vez. É também denominada Loju dé, o “Senhor que nos vê e
nos cobre” (de olójó, senhor; ojú, olhos; dé, cobrir a cabeça), numa referência à Òsànyìn, Obatalá e Xangô, Orixás aos
quais se encontra associada. Loju dé é também a primeira frase do orín dessa folha quando cantado os seus poderes
no ritual de Òsànyìn, advertindo o Iniciado sobre a necessidade do cuidado em não deixar que a iniciação lhe suba à
cabeça.
Da mesma forma, após a raspagem ritual dos cabelos, uma folha de Umbaúba é colocada diretamente sobre a
cabeça do Yawò e a frase lojú dé é repetida e ritmada com pawó (palmas), expressando que “o Senhor que tudo vê
nos cobriu”, numa referência aos olhos de Oxalá e Òsànyìn, revelando então que o Yawò agora é um Iniciado após
a despersonalização representada pela raspagem dos cabelos.
Seja como for as plantas agem por meio da interação de diferentes sistemas inteligentes e controladores da sua
existência. Adaptam-se ao meio escolhendo as melhores opções que facilitem a sua existência de modo a
compensar sua imobilidade. Conseguem relacionar variáveis como a intensidade da luz solar, os níveis de água, as
particularidades do solo, projetarem-se para um lado ou para o outro ou mesmo manter ou deixar cair suas folhas
de modo a conservar sua energia como se tomassem decisões. O processamento de informações das plantas se
assemelha a uma rede de inteligência artificial. Seus sensores, por exemplo, capturam luzes de diferentes
intensidades ou mesmo sons delicados como o movimento aquático dentro das células ou abaixo do solo,
espalhando-se por toda a planta.

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As próprias propriedades de uma planta deixam entrever seu emprego na Magia, e muitas vezes são essas
propriedades naturais (e não espirituais) que ditam o direcionamento de uma determinada movimentação. No caso
da espirradeira, é justamente a oleandrina, um de seus princípios tóxicos ativos que é empregada em
enfeitiçamentos com o intuito de matar uma pessoa magisticamente por meio de um ataque cardíaco. Já a
neriantina, outra substância abundante na planta, faz com que seja também utilizada em enfeitiçamentos para
enlouquecer.
Como não poderia deixar de ser, o isolamento e a manipulação da oleandrina também permite que o extrato
da espirradeira seja usado no tratamento de problemas cardíacos pela ciência farmacológica. Por sua vez, é a
utilização das próprias folhas da espirradeira conjugadas com aquelas de abacate e meimendro, usadas juntamente
com o boneco de pano que anulam o feitiço. Vemos então que tudo está na dependência de como combinar e usar
as propriedades de uma determinada planta tanto para o bem quanto para o mal. Em relação às plantas sagradas o
ditado que diz: “o antídoto está no veneno” é bastante certo na quase totalidade dos casos de enfeitiçamento.
Já em relação à Òsànyìn, e a Umbanda, é sempre da se observar como essa relegou de certa forma esse Orixá
ao segundo plano, talvez pela falta de conhecimento e de acesso ao seu culto no início, teoria essa bastante aceita
entre os estudiosos do assunto. A forte influência dos cultos de descendência indígena, bem como da Jurema em
certos aspectos, associado à “independência” dos Guias que passavam suas próprias receitas de ervas, contribuiu
para esse distanciamento, uma vez que projetavam formas diferentes de se manipular as folhas consideradas
sagradas.
O processo de desafricanização que assolou a Umbanda desde o princípio é claro. Tudo foi de certa forma
“enxugado” e manipulado para se encaixar nos moldes então objetivados. Nessa conciliação que só visava um lado,
pela desconsideração daquilo que julgavam primitivo ou ultrapassado muitos conceitos, teorias, ensinamentos e
fundamentos ficaram de fora. O conhecimento mais específico e aprofundado em relação ao potencial litúrgico das
ervas fora um deles e Òsànyìn passou a ser considerado um Orixá quase desnecessário.
O conceito inicial de que os Guias tudo sabiam e tudo determinavam prejudicou muito a Umbanda e lhe
rendeu uma autonomia nem sempre saudável em termos de compartilhamento de conhecimento. Tendo sempre
pressa, aprendeu-se quase tudo pela metade, julgando-se que essa metade bastava e assim permanece em muitos dos
casos. Por motivos muito óbvios, sempre respeito a opinião do Candomblé mais tradicional e vinculado às Grandes
Casas quando o argumento esbarra em Fundamentos. A Umbanda tem muito a aprender com o tradicionalismo de
Orixá, embora já se considere muito sábia e autossuficiente.
Todavia, a maior parte do conhecimento da Umbanda relativo às ervas se origina do culto aos Orixás como
reverenciados pelo Candomblé, sobretudo aqueles de origem bantu, como a Nação Angola e o Omolocô, sendo
esses os que mais se aproximam do contexto raiz abarcado pela Umbanda que se desligou gradualmente das
diretrizes originais estabelecidas por Zélio de Moraes. Como era de se esperar, os diferentes autores em seu
desconhecimento à época e pautando-se sempre na questão da desafricanização do culto, relegaram Òsànyìn ao
segundo plano, convertendo-o em Cabocla e passando a denominá-lo Ossanha. Esse aspecto fora talvez ressaltado
pela androgenia divina de que o Orixá se faz portador, aspecto comum às Divindades consideradas Originais e
nascidas por si só, embora jamais tenha sido considerado de natureza essencialmente feminina. Até hoje Òsànyìn se
apresenta como um Orixá praticamente desconhecido em seus mistérios e ritualística pela maioria dos círculos da
Umbanda.
Da mesma forma que a criatura humana e os animais possuem o seu Duplo Etérico, as plantas também o
possuem, sendo esse Duplo, no entanto, a verdadeira essência do reino vegetal, já que as plantas não possuem
Perispírito. Raízes, troncos, galhos, folhas, frutos e flores concentram variada e imensa quantidade de energia vital
extraída diretamente dos elementos essenciais, possuindo a capacidade de os reter por diferentes espaços de tempo.
As flores, sobretudo, concentram em si toda a essência sublimada da planta, todo o fluido vital absorvido

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diretamente da natureza, representando a ápice da expressão evolutiva do reino vegetal. A essência extraída das
flores e das folhas é considerada simbolicamente a Alma capturada da planta.
As plantas em geral produzem uma quantidade vasta de diferentes fluídos, sendo esses compreendidos como a
parte etérica e astralizada, considerada como o substrato energético de uma determinada substância. Do ponto de
vista magístico (abarcando aqui aquele curativo), as folhas resultam em fortes acumuladores e potencializadores de
axé ou energia vital. Essa energia, por sua vez, passa a ser compreendida como o tônus essencial, dinâmico e motriz
de um determinado elemento empregado ou mesmo aquela resultante da interação energética de vários princípios
diferentes, por sua vez carregados por fluidos específicos após terem sido condensados, passando a possuir
características e estrutura energética peculiar e individualizada.
Dessa forma, um banho em que se empregam diferentes ervas não é apenas um banho de folhas. É uma
composição de fluídos que se harmonizam, servindo então para um determinado propósito específico segundo as
características e valores essências que agrega. Pelas ressonâncias e afinidades entre as diferentes correntes
energéticas, energia sobre energia finda por produzir um efeito e os banhos e defumações, por exemplo, logram
seus resultados pelos princípios direcionadores da Lei das Correspondências e das Afinidades Vibratórias. A
atuação das ervas nesses casos não é mágica, mas sim energético-vibratória.
Essas energias quando devidamente combinadas e manipuladas segundo seus padrões de ressonância,
permitem a movimentação, a transformação e a exaltação de diferentes correntes, findando por potencializarem sua
própria estrutura, a qual, acoplada ao poder do verbo ou da vontade mental dirigida de quem as manipula, permite
o resultado favorável da ação. Energeticamente falando, todas as folhas empregadas em uma determinada
combinação correspondem a um símbolo característico, passando a valorizar uma representação associada a um dos
reinos naturais.
Esse fator determina por meio de sua ação os resultados da realização e da consumação de seu axé, obtido pela
polarização e condensação astral dessas mesmas potencialidades conciliadas. Em relação às folhas, número, padrão
geométrico, influência lunar, energia diurna ou noturna, hora e ambiente onde se realizam os atos litúrgicos também
determinam correspondências harmônicas, influindo diretamente sobre as mesmas, o que pode ser explicado pelo
Princípio das Correspondências ou das Afinidades Vibratórias.
Pela natureza sobretudo simbólica e energética a que se destinam e as quais se encontram estreitamente ligadas
naturalmente, as folhas também se classificam como “votivas” e “ritualísticas”, estando as primeiras destinadas a
comunhão ou participação direta entre o manipulador e as demais Forças Espirituais, desde Orixás, passando pelos
Guias das diferentes Linhagens, aos Guardiões e até mesmo os Elementais e seus Planos afins.
Essas são as folhas que se caracterizam pelo seu aspecto ritualístico mais simplificado, menos elaborado e
cujos preceitos e fundamentos são mais flexíveis, dispensando a rigidez ritual daquelas consideradas ritualísticas, o
que, contudo, não lhe subtrai nenhum dos fatores relacionados com a sua importância dentro do contexto sagrado
e muito menos em relação às energias que podem ser movimentadas. Em razão desse caráter flexível, as folhas ditas
votivas podem ser manipuladas em suas composições por qualquer indivíduo sem restrição alguma. Ainda assim,
quando tratadas segundo seu contexto ritualístico, essas mesmas folhas podem descrever outras relações e
revelarem outros propósitos, classificando-se segundo sua importância para a ação que se esteja a intraprender.
Já as folhas consideradas essencialmente sagradas e por sua vez, ritualísticas, destacam-se pela sua
complexidade preceitual, estando caracterizadas por uma rica simbologia associada aos Orixás e demais Forças,
apresentando diferentes composições e combinações entre os diferentes elementos que a elas se ajuntam. Passam
então a expressar fundamentos próprios que vão desde o simples modo de as colher, a maneira como são
maceradas e se preparam diferentes composições. Soma-se ao processo a participação direta de energias como
Òssáyìn, Èxú Bará, os Orixás Ajàguns, e por vezes das Forças consideradas letíferas como Ìyámi, Bàbá Égún e até
mesmo Ikú (a Morte).

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Em concordância com os aspectos centrados na estrutura energética de cada Orixá e suas variações de
energias denominadas simbolicamente “Qualidades”, as folhas modificam-se, exaltando suas relações essenciais com
os Princípios do Branco Funfun, do Vermelho Pupá e do Negro Dudu. Um exemplo claro dessa relação são
algumas folhas destinadas a Òyá, Orixá centrado nas relações mais profundas do vermelho Pupá. Ocorre que Yansã
também é exaltada como “Igbalé”, a “Senhora dos Éguns”, ou seja, do Plano dos mortos, quando então parte das
suas folhas assumem características Funfun. Logo, em se tratando do contexto ritualístico mais complexo, uma
folha consagrada à Òyá Ònírà, por exemplo, nem sempre servirá na mesma proporção para Òyá Igbalé. A Àgbólà
(fedegoso), por exemplo, é uma das folhas consagradas à Òyá que serve tanto para as diferenciações do Vermelho
Pupá, quando para o Branco Funfun. Já a Àjóbi Jinjin (aroeira branca), ainda que pertencendo à Òyá não pode ser
usada em banhos na cabeça por se tratar de uma folha muito quente, restringindo-se então às descargas.
As folhas consagradas à Òyá Bagàn, por exemplo, somente poderão ser colhidas no decurso da madrugada e
tendo-se o cuidado de se arriar antes uma oferenda para Èxú, ao passo que as folhas consagradas a Òyá Topé serão
também em parte depositadas sobre carvões em brasa após serem colhidas. A quebra desses oròs (preceitos)
segundo a complexidade ritual a que se esteja vinculado o ato magístico em si, acarretam uma série de desarmonias
nas energias que estão sendo manipuladas.
Contexto similar àquele de Òyá se verifica em relação a Xangô Kamúkàn, única manifestação do Orixá que
lida diretamente com os aspectos de morte, mantendo profundas relações com os Égúns, da mesma forma que
Oxum Bomí, Oxóssi Wawá, Yemanjá Asobá e Oxumaré Azaunodor, sendo os preceitos de todas as suas folhas
diferenciados segundo seus aspectos manifestos.
Esse mesmo conceito se aplica também às folhas quando tratadas em seu contexto ritualística. Assim, Xangô
Barú não recebe Amalá de quiabos, mas a ele se ofertam folhas cozidas de bredo. Em outros termos: em se
tratando do trato direto das folhas em seu contexto ritualístico, Xangô não é somente Xangô. Suas diferentes
manifestações serão respeitadas em seus preceitos e suas folhas seguirão o mesmo princípio, dando-se o mesmo
com o restante dos Orixás.
Essa relação ou antes, interação direta com os Princípios Funfun, Pupá e Dudú, cujo símbolo representativo
para um Iniciado é a Etú (galainha d´Angola), encontra sua manifestação em todos os Fundamentos, o que abarca,
seguramente, também as folhas e os preceitos a elas vinculados. Essa relação mística entre Divindade e elemento
presente na Natureza, nesse caso, as folhas, evoca o princípio de que todas as coisas existentes em virtude de sua
constituição física e espiritual, somadas às suas fortes cargas energéticas, possuem relações profundas com cada
Orixá ou Força da Natureza, sintetizando em sua simbologia os mesmos princípios impressos na antiga religião
ancestral, onde homem e natureza constituíam partes iguais de uma mesma egrégora ou sentido integrado de
manifestação.
As plantas dispõem de uma percepção primária que lhes permite detectar diferentes reações e modulações
energéticas, incluindo aquelas de outros seres vivos, mesmo que a certa distância. Estão dotadas de uma malha
elétrica que se diferencia sempre de acordo com a espécie seu desenvolvimento, sendo que nas árvores, a corrente
elétrica sobe pelo anel externo e desce pelo anel central, seguindo o fluxo da seiva. Uma característica natural das
plantas é a vibração e o fato que se conciliam como expressões ininterruptas de ciclos que se harmonizam e se
complementam.
Árvores e plantas estão suscetíveis às alterações externas e internas (diretamente da terra), as quais podem
provocar diferentes respostas, podendo os estímulos ser provocados pelas alternâncias de luz e escuridão, pela
incidência do magnetismo lunar e solar, pelas correntes eólicas, pela natureza seca ou úmida do ambiente, as
alterações entre frio e calor e mesmo as emoções positivas e negativas desprendidas da aura dos seres vivos. Os
impulsos nervosos das plantas podem passar de uma raiz a outra, determinando assim uma cadeia de informações
dentro de uma espécie de rede neural.
Superada a fascinação que temos pelo fantástico, iremos observar que as reações que alegamos serem as
plantas possuidoras, são na verdade o resultado de padrões de ressonância, impulsos, magnetismo e relações
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energéticas, não esbarrando, como muitos gostariam, num universo fantasioso, ainda que dotadas de uma
inteligência própria.
As raízes das árvores (assim como as demais plantas), por exemplo, funcionam como uma rede neural, um
sistema nervoso que absorve, transforma, manipula e é capaz de se comunicar por meio de estímulos e impulsos,
ou seja, pela troca de energias. Quando as folhas captam e recebem estímulos energéticos, os enviam diretamente às
raízes que rapidamente lhes reenvia uma resposta e ainda impulsiona a comunicação com outras árvores. As
árvores, em especial aquelas mais antigas, possuem a capacidade de interagir com o ambiente que lhes está à volta,
bem como com as criaturas pertencentes aos Reinos Animal, Elemental e Humano.
Todo ambiente natural possui sua própria “identidade energética”, seu código frequencial e seus padrões de
ressonância com os ambientes e diferentes fatores que os circundam. O conjunto das manifestações energéticas
geradas e emanadas por um determinado ambiente natural, incluindo aqui todos os seus processos estáveis e
instáveis, resultam em harmonias contínuas e necessárias à sustentação de todos os ciclos naturais. Ou seja, todos
os padrões estabelecidos pela Natureza através de seus sistemas, se articulam de maneira a produzirem equilíbrio e
vida por meio de seus princípios dinâmicos.
Isso significa dizer que cada padrão impresso pela Natureza vibra em determinada frequência, gerando
diferentes modulações energéticas que interagindo entre si a partir de sua própria matriz, ressonam com o ambiente
que lhe está à volta, resultando disso, núcleos de energia originais e núcleos compostos.
Sabemos que os campos de ressonância Elementais se encontram associados com diferentes campos de
consciência, sendo que as plantas possuem a capacidade de se conectarem com esses mesmos campos, como tudo
o que existe na Natureza e se encontra dotado de vida, donde então temos as plantas Telúricas, Hídricas, Ígneas,
Eólicas e Etéreas.
Plantas possuem uma espécie de consciência hipersensível, sendo que uma das qualidades das sensações mais
refinadas é a capacidade de perceber com maior clareza que os próprios seres vivos a natureza específica de uma
inteira cadeia de sentimentos, mantendo uma relação legítima com outros seres e Reinos por intermédio dos
sentidos.
Dispondo da capacidade de se conectar com diferentes padrões de ressonância, a planta por meio de sua
magnífica modalidade sensitiva consegue transmitir impulsos em concordância com a esfera dos sentimentos.
Quanto maior a planta e mais desenvolvida a espécie, logo a capacidade de responder aos impulsos energéticos
serão maiores.
Plantas possuem campo energético, um Duplo Etérico cuja constituição obviamente difere daquele humano,
absorvem energia vital, produzem e emanam diferentes fluídos sutis, estão preenchidas por intenso magnetismo
lunar, solar e Elemental, além de possuírem propriedades específicas que lhes foram dadas pelos “Construtores
Espirituais”, as Inteligências Elementais que regulam o desenvolvimento e a evolução do Reino Vegetal, cuja Força
Cósmica, ou seja, Divina, reconhecemos sob a denominação de Òssáyìn.
Isso também significa afirmar que as árvores e demais plantas possuem natureza própria, ou seja, uma
identidade energética, uma codificação específica, resultado de diferentes fatores que envolvem não somente o
contexto biológico, como também a complexa estrutura das correntes de energia. Portanto, as plantas não são todas
iguais e muito menos se prestam todas elas aos mesmos propósitos.
Assim sendo, existem plantas positivas e plantas negativas, não possuindo esses fatores, por sua vez, nenhuma
relação com o sentido de bem ou mal, mas tão somente com diferentes aspectos energéticos que doam a planta sua
natureza original, cujos padrões de ressonância se encontram em estreita afinidade com determinados fluxos
emocionais.

Continua

Flávio Juliano:.
Dirigente

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