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RelatórioEspecialsobreoIPOdaRHPY3

20demarçode2018

Está previsto, para o próximo dia 29/03, o início de negociação na B3 da


empresa Ri Happy (RHPY3), empresa varejista especializada em artigos infantis.

Como forma de auxiliar os investidores, produzimos este relatório, gratuito e


especial, com os principais dados da empresa, a nossa análise e recomendação
sobre se os investidores devem participar ou não deste IPO.

RI Happy S.A - RHPY3


A Oferta consistirá na distribuição primária de cerca de 22.167.487 novas ações
ordinárias
de emissão da Companhia e na distribuição secundária de, inicialmente,
14.778.325 ações
ordinárias de emissão da Companhia e de titularidade dos Acionistas
Vendedores. Abaixo, enumeramos os principais dados da oferta.

Características da oferta pública


Preço por ação: Estima-se que o preço fixado desta oferta estará situado entre
R$ 20,30 e R$ 26,30.

Valores mínimos e máximos para reserva: O valor mínimo de investimento é


de R$ 3.000,00 e o máximo é de R$ 1 milhão.

Acionistas vendedores: CTS Fundo de Investimento em Participações


Multiestratégia, Fundo Brasil de Internacionalização de Empresas FIP, RHPBK
Coinvestimento FIP Multiestratégia, RHPBK II Coinvestimento FIP Multiestratégia,
CTS II Fundo de Investimento em Participações Multiestratégia.

Os fundos com maiores participações no capital da empresa são geridos pelo


Carlyle Group.

Ticker de negociação: RHPY3

Ações em free float após a conclusão da oferta: Estima-se que cerca de


36.945.812 ações ordinárias de emissão da companhia, sem considerar os lotes
suplementares, que representam cerca de 62,52% do capital social, estarão em
circulação no mercado.
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Destinação dos recursos: A companhia pretende utilizar os recursos obtidos


com a oferta primária para expandir sua base de lojas, direcionar recursos para
projetos estratégicos e reforçar o balanço e estrutura de capital.

Cronograma Estimado da Oferta:

Valor total da oferta: R$ 860.837.419,60, considerando R$ 23,30 por ação, que


é o ponto médio da faixa de preço.

Composição acionária antes e depois da oferta: Sem considerar as ações


suplementares e adicionais, teremos a seguinte composição acionária após a
oferta. Percebe-se que os fundos do Carlyle deixarão de deter posição
majoritária na empresa.
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Descrição
A Ri Happy, empresa fundada em 1988 na cidade de São Paulo é uma
companhia do setor varejista especializada em artigos infantis, como
brinquedos para crianças de 0 a 12 anos, puericultura leve e pesada e também
confecção de vestuário infantil.

A empresa opera praticamente em todo o território nacional através de uma


rede multicanal com 259 lojas situadas em 25 Estados do País e no Distrito
Federal, sendo 224 lojas próprias e 35 lojas franqueadas, além de três canais
eletrônicos para venda de uma ampla variedade de brinquedos e artigos para
bebês.

A companhia opera marcas reconhecidas no mercado brasileiro, como a própria


marca Ri Happy, que é a mais lembrada entre os varejistas de brinquedos do
país segundo pesquisa da Officina Sophia Retail, além de marcas como PBKids e
Ri-Happy Baby, marca direcionada para artigos para bebês, que é um mercado
de baixa penetração e bom potencial de crescimento.

Desde a aquisição da companhia pelo Carlyle, um dos maiores grupos de private


equity do planeta, e a aquisição da PBKids neste mesmo ano, a empresa se
focou em tentar ganhar eficiência e rentabilidade, além de crescimento, sendo
que elevou sua base de lojas, de 109, em 2011, para 259 em 2017, com um
crescimento de área de vendas de 56 mil m² para 132 mil m².

Abaixo, pode-se evidenciar a distribuição geográfica das lojas da rede com base
em 31 de dezembro de 2017:
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Hoje, cerca de 62% das vendas da companhia se concentram na região sudeste,


onde a empresa também concentra suas operações, com cerca de 59% de suas
lojas posicionadas nessa região, mas a empresa também vem elevando sua
participação no nordeste, onde comprou uma concorrente recentemente, e
sempre avalia a expansão em outras regiões.

Estrutura societária
A Ri Happy, atualmente, é controlada pelo The Carlyle Group, um dos maiores
gestores globais de ativos, com cerca de US$ 170 bilhões em ativos sob gestão e
com experiência em ativos brasileiros.

O Carlyle comprou a Ri Happy, em 2012, através do T4U Participações, um


veículo de investimentos, adquirindo 85% das ações da Ri Happy, e, desde então
o grupo tem se focado em melhorar a rentabilidade da empresa, no
desenvolvimento de mecanismos de controle interno e aquisições.
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Em 2014, os fundos geridos pelo grupo Carlyle adquiriram, ainda , dos antigos
acionistas, os 15% restantes da Ri Happy, se consolidando no controle da
empresa, e, desde então, também realizaram lançamentos de programas de
desenvolvimento de vendas, além de acordos exclusivos com fornecedores,
expandiram o conceito Baby store in store e inauguraram a primeira loja no
conceito flagship em São Paulo.

Em 2016, a empresa também realizou a compra da Planeta Brinquedos, sua


principal concorrente especializada no Norte e Nordeste, com 13 lojas em 5
estados, possibilitando à Ri Happy ganhar marketshare nesta região.

Uma outra medida recentemente tomada pela Carlyle foi a de realizar melhorias
no seu Centro de Distribuição, justamente com o propósito de criar ganhos de
eficiência na cadeia de suprimentos, com melhores custos e um processo
logístico mais inteligente.

A entrada da Carlyle no bloco de controle da empresa, sem dúvida, trouxe


aspectos positivos, porém, como veremos mais adiante neste relatório, ainda
assim a empresa vem apresentando inconsistências de resultados e baixa
rentabilidade.

Abaixo, pode-se verificar a atual estrutura acionária da empresa, antes da oferta


ser realizada:
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Modelo de negócios
O modelo de negócios da empresa dá ênfase, principalmente, na experiência de
compra diferenciada e na excelência no atendimento, tentando sempre criar
uma experiência agradável às crianças e também aos pais, em um ambiente que
encante as crianças, com uma grande variedade de produtos e vendedores
dispostos a sanar quaisquer dúvidas e oferecer informações sobre os produtos.

Por isso, o modelo da empresa se dá através da operação em lojas


especializadas em cada ramo de produtos, que oferecem, cada uma delas, um
sortimento amplo de brinquedos e artigos para bebês, com tamanhos de lojas
que variam entre 113 m² a até 1700 m², e essas lojas estão, majoritariamente,
localizadas em shoppings centers, onde a empresa acredita que consegue
capturar, de forma mais eficiente, a atenção de seus clientes alvo, além de
oferecer lojas com atendimento e ambientes diferenciados.

Vale lembrar que a companhia não fabrica seus brinquedos, e sim os compra de
fornecedores para revender. Dentre os maiores fornecedores da Companhia
estão Lego, Hasbro, Mattel, DTC, Candide e Estrela, que são marcas consolidadas
de brinquedos e de grande demanda por parte do público da empresa.

A empresa conta com os seguintes canais de venda físicos e eletrônicos:

Lojas de brinquedos: As lojas de brinquedos são o "carro chefe" da empresa, e


são as de maior representatividade para a empresa de forma isolada.

A empresa opera cerca de 210 lojas de brinquedos sob as marcas Ri Happy e


PBKids, em que oferece cerca de 5.000 SKUs, além de franqueados que operam
35 lojas. As lojas de brinquedos, geralmente, ocupam imóveis alugados,
especialmente em shoppings centers, e a receita bruta proveniente dessas lojas
respondeu por cerca de 89,6% no exercício de 2017.

Lojas de artigos de bebês: Neste segmento, que é relativamente novo na


companhia, tendo sua primeira loja piloto aberta em 2013, a empresa opera
vendendo artigos exclusivos para bebês.

Essas lojas também ocupam imóveis alugados de terceiros, em áreas que vão de
379 m² a 518 m². A companhia ainda possui cerca de 62 pontos de venda
localizados em lojas de brinquedos (Ri Happy e PBkids), na modalidade store-in-
store, em que a companhia também vende brinquedos e artigos para bebês.
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A receita bruta das operações direcionadas para bebês representaram apenas


1,2% das receitas da empresa, demonstrando um grande potencial de
crescimento nessa modalidade.

Lojas one-stop-shop: A Ri Happy ainda opera 8 lojas no formato one-stop-shop,


em que a empresa oferece uma ampla variedade de produtos, artigos e
brinquedos para bebês através da marca Ri Happy. O formato one-stop-shop
tem uma grande atratividade e conveniência para os clientes, visto que
disponibiliza, dentro de uma única loja, uma grande variedade e a maior parte
do mix de produtos mais utilizados por crianças de 0 a 10 anos, sejam produtos
para necessidades básicas do dia a dia, ou para diversão.

A Companhia espera continuar crescendo sua base de lojas one-stop-shop, o


que deverá trazer ganhos de eficiência e de margens, através de diluição de
custos fixos no curto e médio prazo. As lojas one-stop-shop também ocupam
imóveis alugados de terceiros e a receita bruta desta modalidade representou
5,9% da receita bruta no exercício de 2017.

Comércio eletrônico: Aqui a empresa atua através dos seus sites


www.rihappy.com.br e www.pbkids.com.br, além de um canal exclusivo para
produtos para bebês, que é o www.rihappybaby.com.br

Através dos canais eletrônicos, a companhia oferta sua ampla variedade de


artigos e brinquedos para bebês e crianças, e existem produtos que a empresa
vende exclusivamente no site, justamente para criar uma maior atratividade
neste canal, entregando para todo o território brasileiro.

A Ri Happy, além da atuação em seus próprios websites e canais de vendas


eletrônicas, atua também como vendedora em grandes sites de comércio. A
receita bruta deste canal representou 3,4% da receita bruta de 2017.

Vantagens Competitivas
Posição de liderança no varejo de brinquedos

Hoje, a Ri Happy é uma das maiores varejistas especializadas em artigos infantis


no Brasil, de acordo com dados da GFK e dados da própria empresa.
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A empresa, inclusive, conta com exclusividade no fornecimento de algumas


linhas de produtos em suas lojas físicas e em canais eletrônicos, como a
exclusividade concedida pela Toys 'R Us na importação de produtos com as
marcas Toys 'R Us e Baby 'R, desde brinquedos até produtos exclusivos que os
grandes fornecedores globais desenvolvem.

A Ri Happy também conta com uma licença da Disney para desenvolvimento de


produtos exclusivos, dentre brinquedos, confecção e puericultura, onde a
empresa conta, hoje, com cerca de 241 itens em brinquedos e 105 itens em
confecção, e também espaços Disney em 10 das lojas conceitos de store in
store, além da exclusividade para distribuição de produtos das marcas Thomas
& Friends, Our Generation e Fingerlings.

Essas licenças e acordos trazem vantagens competitivas à empresa, visto que


com isso a companhia consegue comercializar cerca de 500 itens exclusivos, que
acabam por destacar a Ri Happy em seu segmento.

A Companhia, por ter um forte relacionamento com fabricantes de brinquedos


no mercado asiático, também desenvolveu suas próprias marcas, como Minimi,
Fan Fun e Funtastix em categorias como massas de modelar, jogos de ação e
bonecas. Para 2018, e também nos próximos anos, a empresa pretende
continuar fortalecendo essas marcas através do lançamento de inúmeros itens
novos.

Estratégia de crescimento da companhia e dados do


segmento
Com os recursos captados através da oferta primária de ações, a companhia
pretende continuar em seu projeto de expansão e se tornar a principal varejista
especializada no comércio de artigos que atendem às necessidades de crianças
e bebês.

Dentre as principais estratégias para expansão, estão:


● Expansão orgânica, com ênfase nas lojas com formato one-stop-shop e oferta
de artigos para bebês, onde a empresa visualiza um potencial de crescimento
com ganhos de eficiência e de margens
● Melhoria nos resultados através de ganhos incrementais de eficiência
operacional e disciplina financeira
● Foco nos canais eletrônicos e digitais com integração entre esses canais e as
lojas físicas, além do emprego de ferramentas de customer analytics
● Aquisições e consolidação nos setores em que a empresa já atua, estudando e
avaliando boas oportunidades de alocação de capital
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A junção de fatores, como grande volume de vendas e grande alcance


combinado da rede de lojas físicas mais o canal eletrônico da empresa, além do
fato da companhia entregar produtos exclusivos e de qualidade diferenciada,
coloca a empresa em posição de destaque no mercado, capturando o
crescimento e fatias desse mercado.

A Companhia acredita que a integração dos canais físicos e virtuais favorecerá a


combinação da experiência diferenciada de compra com a praticidade do
comércio virtual, proporcionando um diferencial competitivo importante frente
às empresas que atuam apenas através de canais eletrônicos ou apenas através
de lojas físicas.

Marcas reconhecidas pelo público infantil

É inegável que, com quase 30 anos de atuação, a empresa construiu uma boa
reputação de suas marcas, com alto grau de fidelização de clientes. Hoje em dia,
a Ri Happy é a marca top of mind no mercado brasileiro de varejo de brinquedos
e ganhou, em 2017, o prêmio de "melhor loja de brinquedos" concedido pelo
Datafolha e publicado na Folha de São Paulo.

A marca Ri Happy está direcionada para alcançar mais os clientes das classes A,
B e C. Já a PBKids é uma marca voltada para as rendas mais elevadas, como A e
B, com produtos de faixas de preços mais elevadas e de maiores margens.

Grande escala de negócios e estreito relacionamento com fornecedores

A recorrência de compras da companhia durante todo o ano e a crescente


escala e crescimento das operações da empresa leva-na a ter um
relacionamento estreito com seus principais fornecedores. A empresa, hoje, é o
maior comprador de fabricantes nacionais como Estrela, Candide e DTC, e
também compra e negocia condições atrativas com marcas como Hasbro,
Mattel e Lego.

Essa escala na aquisição de mercadorias e o bom relacionamento com


fornecedores de brinquedos propiciam um menor risco de fornecimento de
produtos, melhor gestão de fluxo de caixa, com alongamento dos prazos de
pagamentos aos fornecedores, níveis mais previsíveis de margem bruta, além de
uma menor necessidade de capital de giro para formação e recomposição de
estoques, além do acesso imediato às novas coleções e tendências de
brinquedos.
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A companhia acredita que conseguirá, com seus investimentos e estratégias de


expansão, se beneficiar, no médio e longo prazo, do crescimento do segmento
de brinquedos e jogos tradicionais, que é seu “core business” e um segmento
que vem apresentando resiliência e crescimento ao longo do tempo, e assim,
gerar valor aos seus acionistas.

De acordo com dados da Euromonitor, consultoria especializada, este mercado


em que a Ri Happy atua apresentou crescimento médio nominal anualizado de
10,6% entre 2011 e 2016, bem superior ao crescimento nominal médio do PIB
no período, que foi de cerca de 6,6%.

Além disso, o consumo per capita no Brasil ligado a despesas com brinquedos e
jogos tradicionais foi de aproximadamente US$ 14 em 2016, muito abaixo do
consumo verificado em outros países, como Estados Unidos, Reino Unido,
França e Japão.

Pode-se evidenciar, abaixo, como o consumo per capita de brinquedos e jogos


no Brasil ainda está muito abaixo de países desenvolvidos.
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Entre 2017 e 2021, as despesas com brinquedos, no Brasil, devem crescer cerca
de 6,5% em US$, uma taxa acima da média de crescimento global, que deverá
ficar em torno de 4,1%, segundo estimativas.

Assim, a empresa avalia que existe um bom potencial para elevação da despesa
per capita deste segmento, também levando em conta a recuperação da
economia, que deve reduzir os índices de desemprego, beneficiando o consumo
também deste mercado.

De acordo com a Ri Happy, vem ocorrendo um padrão crescente em que as


crianças têm maior participação nas decisões de compras e maior
suscetibilidade dos pais em indulgenciar seus filhos, buscando uma maior
aproximação emocional, algo que também pode ser observado no artigo "New
Parents and Consumption: Millenials Breaking Away From Tradition", da
Euromonitor.

Segundo pesquisa de intenção de compra do SPC Brasil, realizada para o dia das
crianças, em 2017, os filhos aparecem em primeiro lugar nas intenções de
presentear. Em outras datas comemorativas, como o natal, por exemplo, as
crianças também estão entre as mais presenteadas.

Um dos maiores focos, para os próximos anos, da empresa também está no e-


commerce, que ainda possui uma representatividade muito baixa no
faturamento da empresa e é um canal que pode significativamente elevar a
escalabilidade do seu negócio e gerar crescimento relevante de faturamento.

Segundo a Ebit, consultoria do segmento, o canal e-commerce apresentou um


crescimento nominal médio de cerca de 19% entre 2011 e 2016, atingindo um
público em torno de 50 milhões de compradores únicos.

Pode-se verificar, abaixo, como o canal e-commerce vem crescendo de forma


expressiva nos últimos anos:
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O potencial deste mercado pode ser evidenciado, também, pelo fato de que,
hoje, apenas cerca de 66% da população possui acesso à internet, um patamar
muito inferior ao de países desenvolvidos, como EUA, Reino Unido e Japão, onde
90% da população possui acesso.

Ainda, no Brasil, a penetração do e-commerce é muito baixa, e, de acordo com


critérios definidos pela Statista, atingiu 2,7% do total de vendas do varejo,
patamar muito baixo, e muito menor que países como Reino Unido, Estados
Unidos e Japão.

A Ri Happy avalia que, com seu bom posicionamento de mercado, com suas
lojas presentes majoritariamente em shoppings, onde também é geralmente o
lugar favorito do brasileiro fazer compras, sobretudo o público mais jovem (de
acordo com dados da GFK), além de suas estratégias de crescimento no
segmento de bebês e de e-commerce, que, como vimos acima, devem continuar
crescendo de forma expressiva, e a própria recuperação econômica, a empresa
conseguirá entregar crescimento no longo prazo.

Porém, crescimento sem rentabilidade não é muito interessante, e, abaixo,


também analisaremos os níveis de rentabilidade da empresa e suas margens.
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Histórico operacional
Em relação ao histórico operacional da empresa, de acordo com os dados
divulgados no prospecto preliminar, só estão disponíveis os resultados
operacionais desde o ano de 2015, o que nos impede de avaliar um
desempenho histórico mais abrangente, o que é negativo, em nossa visão, e
exige que o investidor acompanhe a empresa, especialmente após a sua estreia
na bolsa de valores.

De qualquer forma, avaliando desde o ano de 2015, percebe-se uma companhia


com resultados que pouco evoluem e que possui baixas métricas de
rentabilidade, o que pode ser explicado, principalmente, por um cenário de
recessão enfrentado pelo país nos últimos anos e por problemas com eficiência
operacional.

Além disso, pelas próprias características do segmento de varejo, em especial o


de brinquedos, que é bastante competitivo e exige um grande capital intensivo,
com uma grande base de funcionários e de lojas e grandes despesas com
vendas, as margens da empresa, em especial a margem ebitda e margem
líquida, são bastante reduzidas, o que é negativo, já que acaba comprometendo
também a rentabilidade da companhia e seu efetivo fluxo de caixa.

Na prática, apesar da empresa ter um grande faturamento, após todas as


deduções que tem, em especial no que tange às despesas administrativas e
operacionais, além das despesas financeiras, visto que a empresa encontra-se
endividada ,acaba sobrando muito pouco ao acionista, e essa grande base de
despesas impacta em muito a margem líquida, que finalizou o ano de 2017 em
apenas 1,20%, o que é extremamente baixo.

Olhando para o faturamento da Ri Happy, o mesmo vem crescendo bem pouco,


saindo de cerca de R$ 1,65 bi em 2015 para R$ 1,7 bi em 2017, passando por um
período de queda no faturamento em 2016, quando a receita bruta encolheu,
ficando em R$ 1,64 bi, muito por conta de um péssimo desempenho nas vendas
nas mesmas lojas (SSS).

Por outro lado, pode-se notar, também, como o desempenho do canal e-


commerce vem performando muito bem, tendo crescido de R$ 35,1 mi em 2015
para quase R$ 60 mi em 2017, beneficiado pela subpenetração do mercado.
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Outros destaques positivos também foram as lojas one-stop-shop e de artigos


para bebês. Já as lojas de brinquedos, que possuem a maior representatividade
(cerca de 90%), sendo o core business da empresa, não têm performado muito
bem, e o faturamento pouco evoluiu no período, o que é preocupante.

Mesmo com o faturamento do e-commerce e artigos para bebês crescendo nos


próximos anos, a representatividade dessas receitas deve continuar baixa, ao
menos nos próximos anos.

De 2016 para 2017, de qualquer forma, houve uma recuperação no


faturamento, e a empresa verificou um crescimento de 1,9% nas Same Store
Sales no ano, e um expressivo aumento de 7,8% nas SSS de dezembro de 2017,
período que concentra a maior parte das vendas da companhia, por conta do
Natal que teve um bom desempenho, reflexo da recuperação econômica.

A margem bruta da empresa, apesar da alta concorrência do setor, encontra-se


em um patamar saudável, e vem evoluindo ao longo dos anos. Essa margem
bruta evidencia que, de fato, a empresa, mesmo com os impostos sobre vendas
e o CPV, consegue obter um retorno atrativo sobre seus produtos.
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Vale lembrar, no entanto, que o ganho expressivo de margem bruta de 2016 e


2017 em relação a 2015 se deve, basicamente, a uma mudança no regime
tributário de arrecadação do ICMS, que sofreu uma migração.

Essa mudança fez com que as despesas com ICMS, que, pelo sistema anterior
(Substituição Tributária – ST), eram alocadas como parte do custo das
mercadorias vendidas, passassem a ser alocadas nas linhas de deduções das
vendas brutas, provocando uma redução na linha de receita líquida.

Em relação à receita líquida, a mesma encolheu no período, saindo de R$ 1,42 bi


em 2015 para R$ 1,27 em 2017, com uma queda aproximadamente de 5% ao
ano no período, como podemos verificar abaixo:
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A empresa, apesar de atuar em um segmento que tem crescido acima do PIB,


vem sofrendo bastante com a recessão econômica, o que levou a Ri Happy a
verificar queda em seu faturamento no período.

Com a recuperação da atividade econômica que deve se confirmar nos


próximos anos, e os próprios recursos provenientes do IPO que devem ser
direcionados à elevação da base de lojas, esta retração no faturamento deve ser
revertida, levando a empresa a ter um crescimento nos próximos anos.

Em relação ao Ebit da empresa, que é o Lucro operacional antes do resultado


financeiro e imposto de Renda, já descontada a depreciação, também vem
apresentando um desempenho fraco nos últimos anos, como podemos verificar
abaixo:

Aqui entra um dos pontos mais preocupantes neste business, inclusive, e que
mostra claramente uma falta de eficiência, visto que as despesas operacionais,
administrativas e despesas com vendas, especialmente, consomem cerca de
84% do lucro bruto da empresa.
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Inserida em um segmento que exige constante contratação de muitos


funcionários, que leva a uma grande despesa com pessoal, e onde paga-se
também muito aluguel de lojas, já que, geralmente, os aluguéis por m² também
são mais elevados, além de despesas relevantes com a abertura de lojas novas,
a margem bruta da companhia acaba por não “segurar” toda essa base
onerosa, e a margem Ebit da empresa acaba sendo bastante comprometida,
tendo a mesma atingido cerca de 12,7% em 2017.

Além de toda essa estrutura onerosa, inerente às atividades da empresa e de


seu modelo de negócios,a companhia tem verificado uma grande pressão nas
despesas com vendas e despesas gerais e administrativas nos últimos anos, o
que tem comprometido também a margem ebitda da empresa, que foi de
apenas 8,2% em 2017, tendo sido reduzida do patamar de 9% no ano de 2015.

Especialmente de 2015 para 2016, a empresa teve um crescimento de 13,2% nas


despesas com vendas, mesmo em um período de queda no faturamento,
levando as despesas com vendas a representarem 22,9% da receita bruta, acima
dos 20% verificados em 2015, e comprometendo as margens da companhia.

Esse aumento se deu, principalmente, por conta de três fatores, são eles: (i) a
eliminação do programa de desoneração da folha de pagamento, no qual as
despesas com encargos sociais, anteriormente alocadas como dedução da
receita bruta, passaram a ser alocadas em despesas e vendas; (ii) aumento de
despesas com salários, encargos e benefícios, por conta do maior número de
funcionários, reajustes salariais e (iii) aumento nas despesas com aluguéis de
lojas, por conta da correção da inflação, que foi elevada no período (IGP-M
acima de 10% em 2016) e aumento na base de lojas da empresa.

A empresa necessita demonstrar, em seus números, que consegue elevar o


faturamento acima de sua base de despesas com vendas e operacionais, e,
obviamente, a recessão pela qual a companhia passa acaba por afetar esse
desempenho. Porém, até agora, a empresa não conseguiu se provar eficiente.

Por fim, quanto ao histórico de lucro líquido, o mesmo foi bastante


inconsistente nos últimos anos, saindo de um lucro líquido de R$ 26,6 mi em
2015 para um lucro de apenas R$ 16,33 mi em 2017.
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Abaixo, vemos a evolução do resultado líquido nos últimos anos:

A queda do resultado líquido no período é reflexo de uma margem Ebitda


menor, decorrente da elevação de despesas a um nível bem maior que o
crescimento de receitas, que demonstra um desempenho fraco em termos de
eficiência e também de uma depreciação maior, por conta da amortização de
software e hardware, além da depreciação e amortização proveniente dos ativos
consolidados desde a aquisição da Planeta brinquedos, em 2016, e da nova base
de lojas.

A companhia também teve um resultado financeiro negativo em cerca de R$ 54


milhões em 2017, fruto do seu endividamento. Esse resultado foi melhor que o
resultado negativo de R$ 72 milhões verificado em 2016, mas ainda incapaz de
trazer um grande alívio à margem líquida da empresa.

Assim, a margem líquida da companhia encerrou 2017 em apenas 1,28%, um


patamar de margem que representa grande fragilidade.

Níveis muito baixos de margem líquida, geralmente, representam perigo ao


investidor, visto que, caso a empresa venha a ter uma piora em seu resultado
financeiro, ou mesmo uma perda mais expressiva de faturamento e margem
ebitda, esse resultado pode rapidamente entrar no patamar negativo de
prejuízo, como o que a empresa entregou em 2016, inclusive.
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Essa inconsistência de resultados da Ri Happy tem também prejudicado o ROE


da empresa, que encontra-se em um patamar muito baixo, não condizente com
uma empresa que se propõe a entregar rentabilidade e valor aos acionistas.

É fato que, através da elevação da representatividade das receitas de e-


commerce e one-stop-shop, a companhia pretende ganhar eficiência e margens,
tornando sua operação mais rentável, porém se a companhia irá, de fato,
conseguir isso é uma incógnita, ainda mais por esses negócios, dentro da
companhia, estarem ainda em estágios embrionários e a própria empresa não
ter uma grande experiência neste segmento.

Além disso, sua estratégia de crescimento pode levar a empresa a fazer algumas
aquisições nestes segmentos, e é difícil saber se essas aquisições serão de fato
rentáveis e representarão uma boa alocação de capital.

Até o momento, no entanto, que é o que temos de “concreto”, a Ri Happy não


entregou rentabilidade e se mostrou um negócio pouco atrativo. Obviamente,
acompanharemos a evolução da empresa nos próximos anos, a fim de avaliar a
evolução de seus números, e o sucesso de suas estratégias.
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Endividamento
Em relação ao endividamento da empresa, apesar das aquisições que a
companhia realizou no passado e do grande capital intensivo que as operações
da empresa exigem, o endividamento encontra-se em um patamar saudável,
tendo a empresa finalizado 2017 com um endividamento de R$ 195 mi, patamar
menor que os últimos anos.

A composição da dívida da empresa encontrava-se da seguinte forma nos


últimos anos:

A relação Dívida líquida/Ebitda ajustado também tem permanecido em um


patamar saudável, apesar de tudo, e foi reduzida para 1,39 em 2017.
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A redução do endividamento da empresa e das taxas de juros deve contribuir


para um alívio na margem líquida para este ano de 2018, porém, nada muito
expressivo.

Fatores de Risco
Abaixo enumeramos os principais fatores de risco que envolvem as atividades
na companhia e o investimento em ações da Ri Happy

Risco da alta sazonalidade

Grande parte das receitas da companhia se concentram no quarto trimestre,


por conta do dia das crianças e do Natal, e, assim, caso a empresa não consiga
atingir um elevado nível de vendas nesse trimestre, o seu resultado do ano pode
ser gravemente comprometido.
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RelatórioEspecialsobreoIPOdaRHPY3
20demarçode2018

Risco de alteração do controle da companhia após a oferta pública

A empresa e suas controladas são partes em contratos financeiros e contratos


de locação, cujos termos preveem vencimento antecipado em caso de alteração
no controle direto ou indireto da companhia. Nesta oferta, os fundos da Carlyle
pretendem alienar parte de suas ações e, assim, caso haja a concretização da
oferta e efetiva venda, os fundos Carlyle deixarão de deter mais do que 50% do
capital votante da empresa, o que poderia resultar em vencimento antecipado
de parte desses contratos.

O vencimento desses contratos poderia consumir uma parcela expressiva do


caixa da companhia imediatamente, o que poderia resultar em danos à solidez
do balanço da empresa e sua capacidade operacional.

Risco da concorrência

O setor de varejo, como um todo, e também o destinado ao público infantil, é


altamente competitivo e tem grande concorrência. Existem muitas campanhas
promocionais e grandes descontos neste segmento, realizados por outros
players e que podem, em determinado momento, ganhar fatias do mercado,
comprometendo outros players ou prejudicando a margem já baixa da Ri Happy.

Caso a empresa não consiga competir, com sucesso, com seus concorrentes, ou
ainda, tenha que oferecer, em determinados momentos, grandes descontos, a
empresa pode comprometer ainda mais suas margens e seus resultados
operacionais.

Valuation
Em relação ao valuation, considerando a fixação de preços na faixa média do
range de preços do IPO, ou seja, em torno de R$ 23,30, a Ri Happy estaria então
com um valor de mercado de cerca de R$ 1,37 bi.

Com um lucro líquido de R$ 16,3 mi acumulado em 2017, a relação P/L da


companhia seria de cerca de 84,3 vezes, um múltiplo extremamente alto.

No entanto, com a entrada de recursos provenientes da oferta primária, que


devem melhorar o resultado financeiro, também junto com as taxas de juros, e
o próprio crescimento de vendas esperado para 2018 , o lucro líquido da
empresa deve crescer consideravelmente, porém, ainda assim, deverá estar
bem elevado, próximo de 50 vezes.
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RelatórioEspecialsobreoIPOdaRHPY3
20demarçode2018

Mesmo se considerarmos o lucro caixa, ou seja, desconsiderando a linha de


depreciação e amortização, que não possui um efeito caixa e está, de certa
forma, elevada pela aquisição da Planeta Brinquedos e também por conta da
depreciação de softwares, ainda assim teríamos uma relação P/L de 23,40 vezes,
o que é também elevada.

Quanto ao múltiplo EV/Ebitda, também considerando a faixa média de range, o


múltiplo hoje estaria em 11,17, e o EV/Ebitda projetado ficaria em torno de 8,5
vezes, um patamar mais atrativo, mas ainda elevado para uma empresa de
resultados inconsistentes, baixas métricas de rentabilidade e margens
reduzidas.

Assim, consideramos que o valuation da Ri Happy não está nem um pouco


atrativo. Uma companhia com este perfil operacional, em nossa visão, precisaria
ter um valuation muito mais barato para ter alguma atratividade.

Conclusão
Por se tratar de uma companhia com baixas métricas de rentabilidade (ROE de
menos de 5% em 2017), margens reduzidas (Margem líquida de menos de 2%
em 2017), que exige um grande capital intensivo, possui um histórico de
resultados inconsistente e que deverá negociar com um valuation caro, sem
perspectiva de bons dividendos, nós não avaliamos a Ri Happy de forma muito
positiva.

Além disso, o fato da empresa não ter uma base histórica maior de dados de
resultados divulgada para serem avaliados, e, ainda, os fundos de investimento
do Carlyle estarem vendendo suas ações de forma expressiva também nos
deixa desconfortáveis, visto que parece que os próprios controladores estão
menos confiantes com o futuro da empresa.

Por fim, um outro fator que nos preocupa é o fato de que a companhia está
apostando muito em segmentos embrionários e que ainda possuem uma
representatividade muito baixa dentro da companhia (artigos para bebês e e-
commerce) e, sendo assim, caso a empresa não consiga investir de forma
rentável nestes segmentos, os resultados futuros podem não cumprir as
expectativas.

Sendo assim, nós não recomendamos a participação dos investidores neste IPO,
e avaliamos que seja mais prudente esperar para analisar o desempenho da
companhia nos próximos anos, livre também dos possíveis “efeitos do enfeite da
noiva”.
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