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Narradores de Javé:

Análise Historiográfica
CAP-COLUNI

1ª série
Zaqueu: O Fio-Condutor
• O roteiro do filme, estruturado a partir
do relato de Zaqueu (Nelson Xavier)
transmite uma sensação de ceticismo
do espectador em relação à “verdadeira
história de Javé”, uma vez que não é
possível verificar a “autenticidade” dos
fatos narrados pela personagem.
• “Essa foi uma forma de relativizar a
verdade porque todos os fatos do filme
são versões de alguém.” (Eliane Caffé)
Documento/Monumento

Zaqueu e Biá propagam a necessidade de se registrar a “odisseia javéica” com


métodos científicos/objetivos, atendo-se à concepção tradicional de documento, o
que gera conflitos com os moradores, que expressam as suas lembranças com tons
monumentais.
Biá: O Historiador
• A personagem Biá (em meio às
dificuldades de se escrever uma narrativa
plausível e coerente diante de tantas
divergências nos relatos) é uma metáfora
dos dilemas do ofício da ciência de Clio.
Nessa cena, Biá se rende aos apelos por
uma história monumental e reveste o
depoimento de Vicentino com ares épicos.

“Uma coisa é o fato acontecido. Outra coisa é o fato


escrito. O acontecido tem que ser melhorado no
escrito de forma melhor para que o povo creia no
acontecido”
Disputas da memória
• A memória, mais do que apenas um elemento de identidade coletiva,
é também um espaço de disputas dentro de um mesmo grupo. As
disputas da memória ocorrem justamente em torno do quê e de como
lembrar.
• Esses embates que estabelecem acerca da representação de um
determinado passado ou figura histórica, é objeto de investigação da
historiografia contemporânea, que volta as suas atenções não para a
“verdade”, mas para a construção dos usos públicos do passado,
abdicando da dicotomia história x memória, típica do positivismo.
A sátira e a comicidade
• A narrativa do filme faz uma ironia dos ditames “objetivos” e
“imparciais” e “científicos”.
• Além disso, Narradores de Javé nos faz pensar que a história se faz
seguindo as regras acadêmicas e o rigor teórico-metodológico, mas
também se faz com elementos cômicos. Filmes assim “colocam em
primeiro plano sua própria construção; contam o passado de forma
autorreflexiva e a partir de uma multiplicidade de pontos de vista
[...] utilizam humor, paródia e absurdo como maneiras de representar
o passado [...] e nunca esquecem que o momento presente é o locus de
todas as representações do passado”. (ROSENSTONE, Robert. A
História Nos Filmes, Os Filmes Na História. 2ª ed. Rio de Janeiro:
Paz e Terra, 2015, p.38)