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Pontifícia Universidade Católica de Goiás

Faculdade de Medicina
Aluna: Gabrielly Gomes dos Santos
Subturma: 02

SEMANA 03

Capítulo 1

Por meio dos seminários clínicos, Balint percebeu que a droga mais frequentemente
utilizada na clínica médica é o próprio médico e não existe nenhum tipo de farmacologia sobre
essa substância de tamanha importância, como, por exemplo, a dosagem que o médico deve
prescrever a si mesmo ou os riscos deste tipo de medicação, sobre as diversas condições
alérgicas observadas em pacientes diferentes e efeitos secundários indesejáveis da
substância.

Observou-se que pacientes em estado grande de perturbação, especialmente muito


tensos, sem recursos próprios, enxergam na consulta médica uma possível válvula de escape
usada para queixar-se e desabafar. Nesta fase inicial ainda "não organizada" de uma doença,
é decisiva a capacidade do médico para prescrever sua própria pessoa.

Para resolver esse problema de falta de literatura sobre o uso do médico como droga,
um dos objetivos foi o de elaboração da mesma. Para isso, houve a divisão de 3 tarefas:
1) Estudar as implicações psicológicas na clínica geral.
2) Treinar os clínicos para esse trabalho.
3) Conceber um método apropriado para efetuar tal treinamento.

Material usado: experiências com pacientes relatadas pelo médico, objetivando


descrever processos de relação médico-paciente
Constatações:
1) Só é possível obter uma informação sincera sobre o aspecto emocional da
relação médico-paciente se a atmosfera da discussão é livre o bastante para permitir ao
médico que fale espontaneamente.
2) A substância "médico" encontra-se muito longe de uma padronização.
Capítulo 45 – O medicamento como objeto simbólico

Droga = qualquer substancia conhecida ou não que, ao ser introduzida no corpo, produz
modificação funcional benéfica ou maléfica.
O médico, ao se administrar para o paciente, através da escuta e da fala, produz uma
modificação emocional que pode ser benéfica ou maléfica, caracterizando-se como droga.
Entretanto, não existe uma farmacologia, ou seja, ciência que trata do que o
medicamento faz com o corpo, para prescrever a “utilização do médico”.
O paciente, por sua vez, possui uma relação de imagem com o corpo que é sempre
atribuída pelo olhar do outro. Assim, a fala do médico qualifica e sustenta (a partir dos
sintomas oferecidos pelo paciente) a condição de normalidade ou anormalidade.
A doença constitui um veículo de pedido de amor e atenção, sendo os sintomas um
instrumento simbólico que é singular de cada paciente e de seus mundos.
Essa atenção requer do médico uma escuta atenta para que, através da investigação
clínica e emocional, oriente para a necessidade o uso de algum medicamento cuja função é
reestabelecer o equilíbrio. Através dessa prescrição, o remédio leva juntamente um pouco do
médico e da relação estabelecida com o paciente, influenciando positivamente ou
negativamente no efeito.
A prescrição possui, então, um poder simbólico desde que a fala do médico faça a
intermediação entre o medicamento e o paciente. A eficácia da resposta terapêutica expressa
uma crença no valor da fé nesse poder simbólico.
O paciente deve se comprometer com a cura, utilizando o medicamento de forma
correta.
O medicamento, entretanto, tem perdido sua função restauradora, se transformando
numa mercadoria de consumo, em um objeto de desejo para cobrir falta de algo e ser feliz.
Outras representações do medicamento:
- evolução no controle e prevenção de doenças
- investimento das indústrias farmacêuticas
- possibilidade de evitar, curar ou controlar doenças e propiciar estados intensamente
desejados
- permite um contato singular com o médico, através da consulta e prescrição