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Livro de

Ester
Análise tado por informes específicos. Esse livro, semelhantemente à
0 livro de Ester pinta graficamente as vigorosas lutas dos profecia de Ageu (1.1,15; 2.1,10,20), é dalado de conformida
jndeus dispersos durante o tempo do rei persa, Assuero, con- de com o reinado de Assuero, o qual é comumente identifica­
■a as tramas nefandas de certo primeiro-ministro chamado do com Xerxes I (485-465 a.C.) dos tempos antigos. As mo­
H s n ã . Embora o nome de Deus não seja mencionado uma vez dernas escavações efetuadas em Susã (isto é, Susa) têm
icquer nesse livro, Sua mão se manifesta continuamente em confirmado substancialmente a exatidão histórica do autor do
sdas as circunstâncias detalhadas do relato. Ester, por sua be­ livro, que deve ter possuído conhecimento pessoal do povo e
leza, suplanta Vasti como rainha; Mordecai, por sua habilida­ dos acontecimentos do relato.
de suplanta Hamã, como primeiro-ministro. Todas as Talvez nenhum outro livro da Bíblia tenha sido atacado
jasonagens desde o rei até o escravo servil desempenhamseus com tanta amargura e veemência como o livro de Ester. Por
papéis no momento. Hamã é a encarnação da maldade; Mor­ causa de seu espírito de nacionalismo e de vindita, os críticos
decai a essência da bondade; Assuero, embora fraco e manu- têm-no declarado indigno de figurar nocânon sagrado. Se, en­
* á v e l, tambémtinhapontos fortes em seu caráter. Ester, prima tretanto, nos aproximarmos com reverência da história, depen­
e M e la d a de Mordecai, tomou-se a heroína da história, devi­ dendo humildemente do Espírito de Deus para dele receber
do à sua disposição em arriscar sua vida e posição, a pedido ensino, encontraremos verdades que satisfarão a mente e edi-
de Mordecai emprol de seu próprio povo e em seu período de ficarão a alma. Quanto mais se estuda essa inigualável histó­
■ gente necessidade. ria, tanto mais se conclui que suas profundas verdades devem
ser desencavadas como pepitas:de ouro.
Autor
Nenhuma evidência certa se pode ter a respeito do autor
do livro de Ester. Tem sido obra atribuída a diversos indiví- Esboço
daos (Esdras, Jeoaquim, Mordecai, membros da Grande Sina­ VASTI É D EM ITID A 1 .1 -2 2
goga). Nada existe de intrinsecamente improvável em ESTER É PROMOVIDA, 2.1 -2 3
«nbuir-se o livro a Mordecai, a personagem principal e guar- IRA DE HAMÃ, 3 .1 -1 5
O PALCO ARMADO POR ESTER, 4.1 — 5.8
éão de todos os fatos relevantes envolvidos.
HAMÃ É LIQUIDADO, 5 .9 — 7.10
Diferentemente de obras de ficção e romance, o livro de MORDECAI (E ESTER) EXALTADOS, 8 .1 — 10.3
E a e r está inteiramente entrincheirado nahistóriaeé documen­

O banquete de Assuero seu reino e o esplendor da sua excelente gran­


Nos dias de Assuero0, o Assuero que deza, por muitos dias, por cento e oitenta dias.
I reinou, desde a índia até à Etiópia, sobre
o e n to e vinte e sete províncias,
5 Passados esses dias, deu o rei um ban­
quete a todo o povo que se achava na cidadela
2 naqueles dias, assentando-se o rei As- de Susã, tanto para os maiores como para os
SBero no trono do seu reino, que está na cida­ menores, por sete dias, no pátio do jardim do
dela de Susã,h palácio real.
3 no terceiro ano de seu reinado, deu um 6 Havia tecido branco, linho fino e estofas
tanquete a todos os seus príncipes e seus ser­ de púrpura atados com cordões de linho e de
r o s , no qual se representou o escol da Pérsia púrpura a argolas de prata e a colunas de ala-
e Média, e os nobres e príncipes das provín­ bastro. A armação dos leitos era de ouro e de
cias estavam perante ele.c prata, sobre um pavimento de pórfiro, de már­
4 Então, mostrou as riquezas da glória do more, de alabastro e de pedras preciosas .d
1 .1 Assuero. Este é o rei ao q u a l os gregos d e ra m o n o m e de tiva para cortesãos e funcionários, q u e d uro u seis meses, em
t e n e s , sendo esta a sua m aneira d e in te rp reta r as consoan- 4 8 4 - 4 8 3 a .C .
d o n o m e persa d o rei khshayarsha, filh o d e D ario p o r
t e s s a , filha de Ciro. Reinou e n tre 4 8 6 e 4 6 5 a .C ., sobre 1 2 7 1.5 Nesta festa pública, o rei era o hospedeiro d e to d o o
tv m n c ia s , en q u a n to seu pai, D ario, só tin h a 1 2 0 , sobre as povo; u m a sem ana já era m u ito, q u a n d o se tratava d e um
^ a i s n o m eo u sátrapas (D n 6 .1 ). n ú m ero tã o elevado d e pessoas. Susã. O u Susa, 3 2 2 k m a leste
1 3 Escol. H e b hayil, "fo rça", " p o d e r", "v irtu d e ", "escol"; são da Babilônia, era capital d e Elão e residência d e inverno dos
m m aiorais d o g a b in e te d e Assuero. H ouve u m a festa priva­ reis persas.
ESTER 1.7 708
7 Dava-se-lhes de beber em vasos de 1.10 e Memucã, os sete príncipes dos persas e dos
ouro, vasos de várias espécies, e havia muito e2Sm 13.28 medos, que se avistavam pessoalmente com
vinho real, graças à generosidade do rei. o rei e se assentavam como principais do
8 Bebiam sem constrangimento, como es­ reino)9
tava prescrito, pois o rei havia ordenado a 15 sobre o que se devia fazer, segundo a
todos os oficiais da sua casa que fizessem lei, à rainha Vasti, por não haver ela cumprido
segundo a vontade de cada um. o mandado do rei Assuero, por intermédio
9 Também a rainha Vasti deu um ban­ dos eunucos.
quete às mulheres na casa real do rei As- 16 Então, disse Memucã na presença do
suero. rei e dos príncipes: A rainha Vasti não so­

nc
1.13 mente ofendeu ao rei, mas também a todos os
Vasti, a rainha, recusa assistir r12.32; príncipes e a todos os povos que há em todas
ao banquete Dn 2.12 as províncias do rei Assuero.
10 Ao sétimo dia, estando já o coração do 17 Porque a notícia do que fez a rainha
rei alegre do vinho, mandou a Meumã, Bizta, chegará a todas as mulheres, de modo que
Harbona, Bigtá, Abagta, Zetar e Carcas, os desprezarão a seu marido, quando ouvirem
sete eunucos que serviam na presença do rei dizer: Mandou o rei Assuero que introduzis­
Assuero/ sem à sua presença a rainha Vasti, porém ela
11 que introduzissem à presença do rei a não f'oi.h
rainha Vasti, com a coroa real, para mostrar 18 Hoje mesmo, as princesas da Pérsia e
aos povos e aos príncipes a formosura dela, da Média, ao ouvirem o que fez a rainha,
pois era em extremo formosa. dirão o mesmo a todos os príncipes do rei; e
1.14 j 2Rs 25.19
12 Porém a rainha Vasti recusou vir por haverá daí muito desprezo e indignação.
intermédio dos eunucos, segundo a palavra do 19 Se bem parecer ao rei, promulgue de
rei; pelo que o rei muito se enfureceu e se sua parte um edito real, e que se inscreva nas
inflamou de ira. leis dos persas e dos medos e não se revogue,
13 Então, o rei consultou os sábios que que Vasti não entre jamais na presença do rei
entendiam dos tempos (porque assim se trata­ Assuero; e o rei dê o reino dela a outra que
vam os interesses do rei na presença de todos seja melhor do que ela.
os que sabiam a lei e o direito;^ 20 Quando for ouvido o mandado, que o
14 e os mais chegados a ele eram: Car- rei decretar em todo o seu reino, vasto que é,
sena, Setar, Admata, Társis, Meres, Marsena 1.17 HEf5.33 todas as mulheres darão honra a seu marido,

1 .9 Vasti. Esta palavra persa, q u e significa " b e la ", é u m títu lo rem livres d a rainha déspota.
d a d o a Amestris, u m a das esposas d e Assuero (X erxes I). Era
1 .1 9 £ não se revogue. M e m u c ã n ã o q u e r q u e u m a decisão,
m u lh e r d e m á fam a p o r causa d e sua cru eld ad e e sensua­
feita pe lo rei n u m m o m e n to d e cólera, instigada pela festa,
lidade.
pela a titu d e d a rainha e pelos conselhos dos sábios, ven ha,
1 .1 2 Amestris recusou-se a ser " b rin q u e d o d o rei e m b ria ­ depois, a ser revogada, pois a rainh a, u m a vez restaurada,
g a d o ", que, q u e re n d o fazer a larde púb lico da beleza d e sua lo g o se vingaria. Exigia-se, p o rta n to , u m d e c re to real regis­
esposa, estava v ioland o o costum e persa d e nã o c o n v id a r m u ­ tra d o nos arquivos do im pério, q u e passaria a fazer p a rte das
lheres para as festas dos hom ens. inalteráveis leis d a M é d ia e d a Pérsia. A diferença e n tre casos
1 .1 3 Os sábios. H e b hakhãmim, q ue, n a situação persa, nada particulares e tem porários, e leis im utáveis, se percebe nitida­
m ais e ra m senão astrólogos e prognosticadores, q u e diziam m e n te e m D n 6 . 7 - 9 , 1 4 - 1 6 . A outra. Lit "à com panheira
discernir "os tem p o s favoráveis". Para os persas, eram d e n tis ­ d e la ", o u seja, a lg u m a o utra d a m a da corte, d e n tre as sete
tas cuja o pinião devia ser considerada e m todos os assuntos fam ílias reais. D e n tro da providên cia d e Deus, p o ré m , as coi­
im p o rta n tes d o reino. sas estavam sendo planejadas d e m aneira diferente: o rei, vo­
1 .1 4 Esses hom en s e ram os sete príncipes d a M é d ia e da lúvel e sensual, ao sentir falta da rainha, haveria d e ser
Pérsia q ue a giam c o m o m inistros d o Estado, os conselheiros fac ilm e n te persuadido a pro c u rar a m o ça mais bela d o reino
d o rei, d e cujas fam ílias o rei tra d ic io n alm e n te escolheria sua (2 .4 ), e era ju stam ente Ester, d o p ovo d e D eus, q ue tin h a essa
rainha. qualid a d e (2 .7 ).

1 .1 6 M e m u c ã passa a d em on strar q u e qu a lq u er fro u x id ã o ao 1 .2 0 M andado. H e b pithgãm , é a palavra persa p róp ria para
tra ta r d o assunto d a rainha, provocaria u m a aluvião d e a titu ­ u m m e m o ria l real, u m d e c re to o u e d ito . N a fo rm a aram aica
des d e desrespeito d a parte das m ulheres para co m seus m ari­ p ithg ãm ã ', ocorre e m Ed 5 .7 para d e fin ir a "relação escrita",
d os. Tal a rg u m e n to , q u e p a re c e u m p o u c o in fa n til, o u consulta fo rm al feita ao rei D ario , p e d ín d o -s e um a res­
to m o u -s e , p rovavelm ente, o p re te x to para os nobres se v e ­ posta e m fo rm a d e decreto.
709 ESTER 2.11
1 .2 0 'Ef 5.33; homem judeu, benjamita, chamado Mor-
tanto ao mais importante como ao menos im­
1 Pe 3.1
portante.' decai, filho de Jair, filho de Simei, filho de
21 O conselho pareceu bem .tanto ao rei Quis,
como aos príncipes; e fez o rei segundo a 6 que fora transportado de Jerusalém com
palavra de Memucã. 1 .2 2 /Et 8.9;
os exilados' que foram deportados com Jeco-
22 Então, enviou cartas a todas as provín­ lT m 2.12 nias, rei de Judá, a quem Nabucodonosor, rei
cias do rei, a cada província segundo o seu da Babilônia, havia transportado.
modo de escrever e a cada povo segundo a 7 Ele criara a Hadassa, que é Ester, filha
sua língua: que cada homem fosse senhor em de seu tio, a qual não tinha pai nem mãe; e era
soa casa, e que se falasse a língua do seu 2.1 *Et 1.19-20 jovem bela, de boa aparência e formosura.
povo./ Tendo-lhe morrido o pai e a mãe, Mordecai a
tomara por filha.m
Ester feita rainha
8 Em se divulgando, pois, 0 mandado do
Passadas estas coisas, e apaziguado já 2 .6

2 o furor do rei Assuero, lembrou-se de


Vasti, e do que ela fizera, e do que se tinha
í2Rs 24.10-16;
2 0 36.10
rei e a sua lei, ao serem ^juntadas muitas
moças na cidadela de Susã, sob as vistas de
Hegai, levaram também Ester à casa do rei,
decretado contra ela.*1
sob os cuidados de Hegai, guarda das mu­
2 Então, disseram os jovens do rei, que lhe
lheres."
serviam: Tragam-se moças para o rei, virgens 2 .7 m E t2 .1 5 9 A moça lhe pareceu formosa e alcançou
de boa aparência e formosura.
3 Ponha o rei comissários em todas as pro­ favor perante ele; pelo que se apressou em
víncias do seu reino, que reúnam todas as dar-lhe os ungüentos e os devidos alimentos,
moças virgens, de boa aparência e formosura, como também sete jovens escolhidas da casa
2 .8 n Et 2.3
na cidadela de Susã, na casa das mulheres, do rei; e a fez passar com as suas jovens
sob as vistas de Hegai, eunuco dò rei, guarda para os melhores aposentos da casa das mu­
das mulheres, e dêem-se-lhes os seus un- lheres.0
g&entos. 2 .9 °Et 2.3 10 Ester não havia declarado o seu povo
4 A moça que cair no agrado do rei, essa nem a sua linhagem, pois Mordecai lhe orde­
reine em lugar de Vasti. Com isto concordou nara que o não declarasse.p
o rei, e assim se fez. 11 Passeava Mordecai todos os dias diante
5 Ora, na cidadela de Susã havia certo 2 .1 0 pEt 2.20 do átrio da casa das mulheres, para se infor-

1 .2 2 O assunto da a u to rid a d e d o pai no lar, sendo ele q u e m C ativeiro, e a ida d e Esdras e N eem ias para Jerusalém: o pe­
im p õ e os costum es e a língua, n ão era insignificante naquela ríodo s u bentend ido e n tre os c ap 6 e 7 d e Esdras.
época d e in tem acionalism o, q u a n d o im périos enorm es ha­
2 .6 Que fora transportado. R efere-se a Q uis, bisavô d e M o r­
viam e lim in a d o as antigas barreiras nacionais. As deportações,
d e c ai, q u e teria c h e g a d o à B abilônia c o m D a n ie l, e m
conquistas e colonizações p ro d u ziram u m a confusão d e casa­
6 0 5 a .C ., ou co m Joaquim , e m 5 9 7 a .C ., ou com Zedequias,
m entos m istos qu e nunca poderia ser prevista poucos séculos
e m 5 8 7 a .C . (c f n o ta d e 2 Rs 2 4 .1 2 ). M o rd e c a i p e rtence a
antes. • N . H o m . C a p 1 . A providência d e Deus controla os
o u tro século: estam os n o an o 4 8 3 a .C .
aco ntecim en tos d e m aneira im previsível: aquela jo v e m cativa,
Ester, jam ais poderia sonhar e m ser rainha, se não tivesse 2 .7 Hadassa. N o m e h eb derivado d e hadhas, " m irta " . Ester.
havido o p ensam ento ind ec e n te e tirânico na m e n te d o rei O n o m e é persa, d e riv a d o da palavra stam, "estrela". Alguns
(v 1 1 ), a altiva recusa d a rainha (v 1 2 ), e a sugestão au d a­ pensam q u e o n o m e se refere a Istar, suprem a deusa dos
ciosa e sem precedentes d a p a rte d e M e m u c ã (v 1 9 ). babilônios. Os judeus m o ra n d o e m países distantes, sem pre
2 .1 Lembrou-se de Vasti. As saudades estavam d ilu in d o a có­ usavam u m n o m e hebraico, religioso e nacional, e u m n o m e
lera im pensada, p o ré m o d ecreto fora fe ito d e m aneira irrevo­ na língua d o p ovo das suas peregrinações. Bela. A qualidade
gável (1 .1 9 ). q u e viria a despertar o interesse d o rei.

Z 2 O s jovens souberam apelar à sensualidade d o rei: este 2 .9 Alcançou favor. U m a frase predileta d o a u to r d o Livro
deveria aproveitar a o p o rtu n id a d e d e escolher a m o ça q ue (c f 2 .1 5 ,1 7 e 5 .2 ). A frase inteira nã o ocorre e m o u tro trech o
mais lhe agradasse. bíblico, m as a palavra "fa v o r", h eb hesedh, é im portantíssim a
2 3 Eunuco. O único oficial q ue podia e n tra r na casa das m u - nas Escrituras, c o m o base da d o u trin a d a graça, da misericór­
here s . dia, d o a m o r qu e Deus dem on stra aos hom ens, a trib u to q ue
d eu o rig e m a u m elo vital na história d a redenção.
1 5 Mordecai. Este ju d eu d o C ativeiro q u e n ão v o lto u para
lenjsalém c o m Sesbazar e m 5 3 8 a .C ., tin h a u m n o m e civil 2 .1 0 Não havia declarado. Ester, e m contraste co m D aniel
tn b ilõ n ic o , d erivado d o n o m e da divindade M a rd u q u e . A his­ (D n 1 .9 - 1 6 ) , se co n fo rm o u co m os costum es cívicos d o im ­
tória d e Ester p e rtence a o perío d o e n tre a prim eira volta do pério p a gão ( 9 - 1 4 ) .
ESTER 2.12 710
mar de como passava Ester e do que lhe suce­ 2 .1 5 <7Et 2.7 víncias e fez presentes segundo a generosi­
deria. dade real/
12 Em chegando o prazo de cada moça vir 19 Quando, pela segunda vez, se reuniram
ao rei Assuero, depois de tratada segundo as as virgens, Mordecai estava assentado à porta
prescrições para as mulheres, por doze meses do rei.5
2 .1 8 rEt 1.3
(porque assim se cumpriam os dias de seu 20 Ester não havia declarado ainda a sua
embelezamento, seis meses com óleo de linhagem e o seu povo, como Mordecai lhe
mirra e seis meses com especiarias e com os ordenara; porque Ester cumpria o mandado de
perfumes e ungüentos em uso entre as mu­ Mordecai como quando a criava.'
lheres), 2 .1 9 sEt 2.21
13 então, é que vinha a jovem ao rei; a ela M ordecai descobre uma conspiração
se dava o que desejasse para levar consigo da
21 Naqueles dias, estando Mordecai sen­
casa das mulheres para a casa do rei.
tado à porta do rei, dois eunucos do rei, dos
14 À tarde, entrava e, pela manhã, tomava
2 .2 0 <Et 2.10
guardas da porta, Bigtã e Teres, sobremodo se
à segunda casa das mulheres, sob as vistas de
indignaram e tramaram atentar contra o rei
Saasgaz, eunuco do rei, guarda das concubi­
Assuero.
nas; não tomava mais ao rei, salvo se o rei a
22 Veio isso ao conhecimento de Morde­
desejasse, e ela fosse chamada pelo nome.
cai, que o revelou à rainha Ester, e Ester o
15 Ester, filha de Abiail, tio de Mordecai,
2 .2 2 u Et 6.2 disse ao rei, em nome de Mordecai.u
que a tomara por filha, quando lhe chegou a
23 Investigou-se o caso, e era fato; e am­
vez de ir ao rei, nada pediu além do que disse
bos foram pendurados numa forca. Isso foi
Hegai, eunuco do rei, guarda das mulheres.
escrito no Livro das Crônicas, perante o rei.1'
E Ester alcançou favor de todos quantos a
viam.1) 2 .2 3 >Et 6.1
16 Assim, foi levada Ester ao rei Assuero,
M ordecai odiado por Hamã
Depois destas coisas, o rei Assuero en­
à casa real, no décimo mês, que é o mês de
tebete, no sétimo ano do seu reinado.
17 O rei amou a Ester mais do que a todas
3 grandeceu a Hamã, filho de Hamedata,
agagita, e o exaltou, e lhe pôs o trono acima
as mulheres, e ela alcançou perante ele favor 3.1 " N m 24.7; de todos os príncipes que estavam com ele.1*'
1Sm 15.8 2 Todos os servos do rei, que estavam à
e benevolência mais do que todas as virgens;
o rei pôs-lhe na cabeça a coroa real e a fez porta do rei, se inclinavam e se prostravam
rainha em lugar de Vasti. perante Hamã; porque assim tinha ordenado o
18 Então, o rei deu um grande banquete a rei a respeito dele, Mordecai, porém, não se
todos os seus príncipes e aos seus servos; era 3 .2 ^Et 2.5;
inclinava, nem se prostrava.*
o banquete de Ester; concedeu alívio às pro­ S115.4 3 Então, os servos do rei, que estavam à

2 .1 2 M irra. Estim ada pe lo arom a e pelo p o d e r purificador. m e n te na festa d e p u rim , os judeus assim ilaram a tra d iç ã o de
Os egípcios a e m p reg a v a m n a preparação das m ú m ias, e os cla m a r "Seu n o m e seja a p a g a d o ", "Faze o n o m e dos ím pios
judeus no óleo d a unção. perecer", na hora d a pron úncia desse n o m e. H a m ã destaca-
se pela v aidade, energia, de term in aç ã o , paixão, arrogância e
2 .1 6 N o décimo mês, que é o mês de tebete, no sétimo ano.
p elo egoísm o. A gagita. Talvez u m am a le q u ita (1 Sm 1 5 .8 ).
la n e iro -fe v ereiro d e 4 7 9 a .C ., im e d ia ta m e n te depois d o re­
gresso d e Xerxes da sua invasão d a G récia. • N . H o m . C a p . 3 e 4 Deus, na Sua Providência, já havia
conc ed id o o p o rtun idades vantajosas para Ester e M ord e c a i
2 .1 8 Alívio às províncias. A lg u m desconto nos im postos im p e ­
(2 .1 7 e 2 2 ) antes d e surgir o vilão da peça, H a m ã (3 .1 ). Esta
riais.
m esm a Providência levou M ordecai a to m a r as atitudes que for­
2 .2 0 Linhagem. C f v 1 0 . A revelação foi feita m ais tarde çariam H a m ã a ir a lém dos lim ites, na sua ira ( 5 - 6 ) , para
( 8 . 5 - 6 ) . • N . H o m . (C a p 2 ). A providên cia d e Deus concede ser d e rro ta d o p o r sua p róp ria violência. M as sobretudo
àqueles q ue hão d e fazer a lg u m a obra e m Seu no m e, as q u a li­ revela-se a Providência d e Deus nas palavras d e M ordecai:
dades necessárias para a obra ( 7 ). Ester nã o tin h a linhagem " Q u e m sabe se para tal c onjun tura c o m o esta é q u e foste ele­
real, mas isto ne m foi c o g ita d o (1 0 e 2 0 ), pois Deus, na Sua vada a rainha?" ( 4 .1 4 ). É Deus q u e a elevou, é claro.
p rovidência, tin h a cercado Ester d e am igos e m lugares ines­ 3 .2 H a m ã tin h a o títu lo d e " A m ig o d o Rei", ou o "S egund o
perados (9 e 1 5 ) e d a d o ainda a M o rd e c a i u m a o p o rtu n id a d e no Reino". N a d a havia na religião judaica q u e proibisse o
para se to rn a r pessoa grata ao rei (21 - 2 3 ) . respeito prestado a u m príncipe tã o e m in e n te , e m esm o se
3.1 H am ã. N o m e d erivado d e H u m ã, divin d a d e elam ita. houvesse, o m esm o M ord e c a i, q u e deixou Ester casar-se com
M ais tarde, q u a n d o o livro d e Ester passou a ser lido anual­ u m g e n tio , n ão teria faltad o c om o respeito.
711 ESTER 4.1
parta do rei, disseram a Mordecai: Por que 3.3 yEt 3.2 ta m b é m esse p o v o , p a ra fa z e r e s d e le o q u e
nnsgrides as ordens do rei?)' m e lh o r fo r d e te u a g ra d o .
4 Sucedeu, pois, que, dizendo-lhe eles
BCo, dia após dia, e não lhes dando ele ouvi­ 3.5 'E t 3.2
O rei decreta a morte dos judeus
dos, o fizeram saber a Hamã, para ver se as 12 C h a m a r a m , p o is , o s s e c r e t á r io s d o r e i,
palavras de Mordecai se manteriam de pé, n o d ia tr e z e d o p r im e ir o m ê s , e , s e g u n d o o r­
parque ele lhes tinha declarado que era judeu. d e n o u H a m ã , t u d o s e e s c r e v e u a o s s á tra p a s d o
3 .6 o SI 83.4
5 Vendo, pois, Hamã que Mordecai não se r e i, a o s g o v e rn a d o re s d e to d a s as p ro v ín c ia s e
■clinava, nem se prostrava diante dele, en­ a o s p r í n c ip e s d e c a d a p o v o ; a c a d a p r o v í n c i a
cheu-se de furor/ n o s e u p r ó p r io m o d o d e e s c re v e r e a c a d a
6 Porém teve como pouco, nos seus pro­ 3 .7 bEt 9.24 p o v o n a s u a p r ó p r ia l í n g u a . E m n o m e d o r e i
pósitos, o atentar apenas contra Mordecai, A s s u e r o se e s c re v e u , e c o m o a n e l d o r e i se
parque lhe haviam declarado de que povo era s e l o u .6
Mordecai; por isso, procurou Hamã destruir 3 .8 cEd 4.13
1 3 E n v i a r a m - s e a s c a r ta s , p o r in t e r m é d io
■dos os judeus, povo de Mordecai, que havia d o s c o r r e io s , a t o d a s a s p r o v í n c i a s d o r e i , p a r a
a n todo o reino de Assuero.0 q u e s e d e s tr u ís s e m , m a t a s s e m e a n iq u ila s s e m
d e v e z a to d o s o s ju d e u s , m o ç o s e v e lh o s ,
B tm ã pretende matar todos os judeus 3 .1 0 dGn 41.42 c r ia n ç a s e m u lh e r e s , e m u m s ó d ia , n o d ia
7 No primeiro mês, que é o mês de nisã, t r e z e d o d u o d é c im o m ê s , q u e é o m ê s d e a d a r ,
■d ano duodécimo do rei Assuero, se lançou e q u e lh e s s a q u e a s s e m o s b e n s /
o Pur, isto é, sortes, perante Hamã, dia a dia, 3 .1 2 e 1Rs21.8 14 T a is c a r ta s e n c e r r a v a m o t r a s la d o d o
mês a mês, até ao duodécimo, que é o mês de d e c r e t o p a r a q u e s e p r o c la m a s s e a l e i e m c a d a
adar> p r o v í n c i a ; e s s e t r a s la d o f o i e n v ia d o a to d o s
8 Então, disse Hamã ao rei Assuero; os povos p a ra que se p re p a ra s s e m p a ra
3 .1 3 'Et 8.10-12
Existe espalhado, disperso entre os povos em a q u e le d ia . 9
ndas as províncias do teu reino, um povo •15 O s c o r r e io s , p o is , im p e lid o s p e la o r­
aqas leis são diferentes das leis de todos os d e m d o r e i , p a r t i r a m in c o n t i n e n t i , e a l e i s e
povos e que não cumpre as do rei; pelo que 3 .1 4 p r o c l a m o u n a c id a d e la d e S u s ã ; o r e i e H a m ã
gEt 8.13-14
■ão convém ao rei tolerá-lo.c s e a s s e n t a r a m a b e b e r , m a s a c id a d e d e S u s ã
9 Se bem parecer ao rei, decrete-se que e s ta v a p e rp le x a . h
sejam mortos, e, nas próprias mãos dos que
executarem a obra, eu pesarei dez mil talentos 3 .1 5 í>Et 8.15
Ester promete interceder pelo seu povo
de prata para que entrem nos tesouros do rei. 4 Q u a n d o s o u b e M o r d e c a i tu d o q u a n to se
10 Então, o rei tirou da mão o seu anel, h a v i a p a s s a d o , r a s g o u a s s u a s v e s t e s , e se
den-o a Hamã, filho de Hamedata, agagita, c o b r i u d e p a n o d e s a c o e d e c in z a , e , s a in d o
4.1 'Gn 27.34;
adversário dos judeus, 2Sm 1.11; p e la c id a d e , c la m o u c o m g ra n d e e a m a rg o
11 e lhe disse: Essa prata seja tua, como Ez 27.30 c la m o r ; '

1 7 Nhã. M a rç o -a b ril, n o m e internacional aram aico; antes 3 .1 0 Anel. C o m o selo ou sinete d o rei, d a n d o ao d e te n to r
d s exíSo, usava-se o a n tig o n o m e h eb Abibe, o m ês d a Pás­ a u to rid a d e d e assinar q u a lq u er lei, c o m o d ecreto real. O utras
c o a . N o ano duodécimo, 4 7 4 a .C ., no q u in to a no d e Ester. Pur. referências ao uso d o selo se a ch am e m 8 .2 e e m G n 4 1 .4 2 .
D o assírio puru, "p e d rin h a para lançar sortes". O d ia n o qual
3 .1 1 Essa prata. A som a m e n c io n ad a foi recusada, m as ficou
c aria a sorte, seria um dia auspicioso para os "sábios" que p o r e n te n d id o q u e o rei n ão recusaria sua p a rte dos despojos.
a t e n d ia m dos "te m p o s " (c f 1 .1 3 ). Adar. Fevereiro-m arço.
D e teu agrado. N ã o existe mais possibilidade d e d uvidar-se
tta m ã estava disposto a esperar u m a no para o b te r o dia
desta narrativa, depois d e ter, o m u n d o , presenciado u m h o ­
o i t o . O q ue nos parece ser superstição grosseira, era consi­ loca u s to d o m e s m o tip o , re c e n te m e n te , pelos anos
d e ra d o u m a verdadeira ciência, na época. 1 9 4 0 - 1 9 4 5 , na A lem anh a, dev id o à m a ld ad e dos nazistas.
1 5 D e z m il talentos. O ta le n to pesava 3 0 kg. A renda to tal do
3 .1 5 Correios. H e b rãçim "os qu e c o rre m ". O im p é rio persa
'a p é r io persa era 1 7 .0 0 0 talento s, e os cofres im periais esta-
foi o p rim e iro a estabelecer o sistema d e correios, q ue possuía
m n vazios p o r causa d a guerra co n tra os gregos. A grandeza
a u to rid a d e para requisitar para este serviço público, cavalos,
t e a f e t a , e a cortês recusa d o rei, são a m aneira o rien tal de
p ortadores e alim entos d e n tre as populações civis q ue achas­
d o e r "Vam os despojar os judeus, e d ividir e n tre nós os lu-
sem no seu cam in h o . Esse costum e é a lu d id o e m M t 5 .4 1 .
0 0 5 * . Tanto era o ó d io d e H a m ã , e a ganância d o rei, qu e
a o n s e levava e m consideração o terrível so frim en to e o clim a 4 .1 Rasgou as suas vestes. Sinal d e aflição en tre os judeus
d e te n o r q u e haveria d e p e rm an e c e r n o im pério. (Ed 9 .3 ,5 ; D n 9 .3 ; |n 3 .6 ).
ESTER 4.2 712
2 e chegou até à porta do rei; porque nin­ 4 .7 /Et 5.9 11 Todos os servos do rei e o povo das
guém vestido de pano de saco podia entrar províncias do rei sabem que, para qualquei
pelas portas do rei. homem ou mulher que, sem ser chamado, en­
3 Em todas as províncias aonde chegava a trar no pátio interior para avistar-se com o ra.
palavra do rei e a sua lei, havia entre os ju­ não há senão uma sentença, a de morte, salvo
deus grande luto, com jejum, e choro, e la­ se o rei estender para ele o cetro de ouro, pata
mentação; e muitos se deitavam em pano de que viva; e eu, nestes trinta dias, não fui cha­
saco e em cinza. mada para entrar ao rei .1
4 Então, vieram as servas de Ester e os 12 Fizeram saber a Mordecai as palavras
eunucos e fizeram-na saber, com o que a rai­ de Ester.
nha muito se doeu; e mandou roupas para 13 Então, lhes disse Mordecai que respon­
vestir a Mordecai e tirar-lhe o pano de saco; 4 .8 *Et 3.14-15 dessem a Ester: Não imagines que, por estares
porém ele não as aceitou. na casa do rei, só tu escaparás entre todos os
5 Então, Ester chamou a Hataque, um dos judeus.
eunucos do rei, que este lhe dera para a servir, 14 Porque, se de todo te calares agora, de
e lhe ordenou que fosse a Mordecai para saber outra parte se levantará para os judeus socorro
que era aquilo e o seu motivo. e livramento, mas tu e a casa de teu pai pere-
6 Saiu, pois, Hataque à praça da cidade cereis; e quem sabe se para conjuntura como
para encontrar-se com Mordecai à porta esta é que foste elevada a rainha?
do rei. 15 Então, disse Ester que respondessem a
7 Mordecai lhe fez saber tudo quanto lhe Mordecai:
tinha sucedido; como também a quantia certa 16 Vai, ajunta a todos os judeus que se
da prata que Hamã prometera pagar aos te­ acharem em Susã, e jejuai por mim, e não
4.11 'Et 5.1-2
souros do rei pelo aniquilamento dos comais, nem bebais por três dias, nem de
judeus./ noite nem de dia; eu e as minhas servas tam­
8 Também lhe deu o traslado do decreto bém jejuaremos. Depois, irei ter com o rei,
escrito que se publicara em Susã para os des­ ainda que é contra a lei; se perecer, pereci."1
truir, para que o mostrasse a Ester e a fizesse 17 Então, se foi Mordecai e tudo fez se­
saber, a fim de que fosse ter com o rei, e lhe gundo Ester lhe havia ordenado.
pedisse misericórdia, e, na sua presença, lhe
suplicasse pelo povo dela.* Ester convida ao rei e Hamã
9 Tomou, pois, Hataque e fez saber a Es­ para um banquete
ter as palavras de Mordecai. Ao terceiro dia, Ester se aprontou com
10 Então, respondeu Ester a Hataque e
mandou-lhe dizer a Mordecai: 4 .1 6 f"Cn 43.14
5 seus trajes reais e se pôs no pátio interior
da casa do rei, defronte da residência do rei;

4 .2 N a presença d o rei nã o se tolerava qu a lq u er sinal d e des­ nid ad e . Ela b e m sabia d o caráter volúvel d o rei.
gosto ou d e aflição (N e 2.1 - 2 ) . 4 .1 6 je ju a i p o r mim. Para p e d ir bênção d e Deus; o jeju m
aco m p a n h a v a, n o rm a lm e n te , a h um ilh ação e a oração, em
4 .4 N â o as aceitou. M o s tra n d o q ue m u d ar o sinal exte rio r da
u m a to d e c u lto a Deus. A pesar d o livro d e Ester te r sido
sua m á g o a não lhe traria consolo a lg u m , a té q u e a causa da
desprezado p o r n ã o m e n c io n ar o n o m e d e Deus, ainda assim
p róp ria m á g o a fosse rem o vid a. Isto levou Ester a resolver-se a
p o dem os nele reconhecer Deus a des em p e n h a r o papel prin ­
e xa m in a r a situação (5 ).
cipal nesta narrativa.
4 .5 N e m o p ró p rio M o rd e c a i teria acesso aos aposentos da 5 .1 Se pôs no pátio. C o lo co u -s e ali para ser vista d o tro n o
rainha. pe lo rei e, para a o p o rtu n id a d e , fizera-se o mais atraente pos­
4 .1 1 Um a sentença. H e b dãth, palavra in te rn a c io n a l da sível, seg undo o gosto d o rei.
época, co m o significado d e "lei" im perial, na língua ara- • N . H o m . C a p 5 e 6 A gora se revela q u ã o providencial
m aica. Artaxerxes usara a palavra ta n to para a lei civil co m o era o fa to d e Ester n ão te r revelado sua descendência, pois
para a Lei d e Deus, mas este sucessor d e Xerxes não percebe­ já teria sido enq u a d ra d a no pla n o d e H a m ã , q u e d e nada sus­
ria a diferença (Ed 7 .2 4 ). O conceito d e lei im utável foi insti­ peitava (6 .6 ). A P rovidência d e Deus conced era a Ester a beleza
tu íd o p o r Deioces, p rim e iro rei dos m edos, para consolidar necessária para alcançar fav o r (5 .2 ). A P rovidência fe z com
sua a utoridade, e a d o ta d o depois pelos reis persas. Ester p o ­ q u e o rei ficasse de v ed o r d e u m favor a M o rd e c a i na hora crí­
dia te r solicitado u m a audiência, mas, visto q ue o rei não tica, e ainda o fe z p e rd e r o sono para, justa m e n te na hora p ro ­
estava d e m o n stra n d o sinais favoráveis, poderia te r sua peti­ pícia, vir a re le m b ra r-se da q u e le fav o r ( 6 . 1 - 3 ) . Essa m esm a
ção recusada, o q ue to m a ria im possível u m a segunda o p o rtu ­ Providência já havia adia d o a hora d a m o rte dos judeus, 3 ,7 .
713 ESTER 6.4
5 .1 "E t 4.11 em que o rei o tinha engrandecido, e como
o rei estava assentado no seu trono real fron­
teiro à porta da residência .n o tinha exaltado sobre os príncipes e servos
2 Quando o rei viu a rainha Ester parada do rei/
no pátio, alcançou ela favor perante ele; es­ 5 .2 o Et 4.11
12 Disse mais Hamã: A própria rainha Es­
tendeu o rei para Ester o cetro de ouro que ter a ninguém fez vir com o rei ao banquete
tinha na mão; Ester se chegou e tocou a ponta que tinha preparado, senão a mim; e também
do cetro.0 para amanhã estou convidado por ela, junta­
3 Então, lhe disse o rei: Que é o que tens, 5 .3 P Mc 6 .23 mente com o rei.
n i n h a Ester, ou qual é a tua petição? Até
13 Porém tudo isto não me satisfaz, en­
aKtade do reino se te dará.P quanto vir o judeu Mordecai assentado à porta
4 Respondeu Ester: Se bem te parecer, ve-
do rei.
aha o rei e Hamã, hoje, ao banquete que eu 5 .6 9 Et 7.2
14 Então, lhe disse Zeres, sua mulher, e
preparei ao rei.
todos os seus amigos: Faça-se uma forca de
5 Então, disse o rei: Fazei apressar a
Hamã, para que atendamos ao que Ester de- 5 .9 i-Et 3.5
cinqüenta côvados de altura, e, pela manhã,
dize ao rei que nela enforquem Mordecai; en­
«ja. Vindo, pois, o rei e Hamã ao banquete
4 K Ester havia preparado,
tão, entra alegre com o rei ao banquete. A
6 disse o rei a Ester, no banquete do vi- sugestão foi bem aceita por Hamã, que man­
^k>: Qual é a tua petição? E se te dará. Que 5 .1 0
dou levantar a forca .u
desejas? Cumprir-se-á, ainda que seja metade s2Sm 13.22

ilo reino. 9 Hamã forçado a honrar a Mordecai


7 Então, respondeu Ester e disse: Minha Naquela noite, o rei não pôde dormir;
petição e desejo são o seguinte:
8 se achei favor perante o rei, e se bem 5 .1 1 tEt 3.1 6 então, mandou trazer o Livro dos Feitos
Memoráveis, e nele se leu diante do rei.1'
parecer ao rei conceder-me a petição e cum- 2 Achou-se escrito que Mordecai é quem
pnr o meu desejo, venha o rei com Hamã ao
basquete que lhes hei de preparar amanhã, e, 5 .1 4 "E t 6.4
havia denunciado a Bigtã e a Tereslv, os dois
emão, farei segundo o rei me concede.
eunucos do rei, guardas da porta, que tinham
procurado matar o rei Assuero.
• Então, saiu Hamã, naquele dia, alegre e
Je bom ânimo; quando viu, porém, Mordecai 3 Então, disse o rei: Que honras e distin­
a porta do rei e que não se levantara, nem se 6 .1 vEt 2 .2 3 ções se deram a Mordecai por isso? Nada lhe
aovera diante dele, então, se encheu de furor foi conferido, responderam os servos do rei
contra Mordecai/ que o serviam.
10 Hamã, porém, se conteve e foi para 6 .2 "E t 2.21-22
4 Perguntou o rei: Quem está no pátio?
a sa: e mandou vir os seus amigos e a Zeres, Ora, Hamã tinha entrado no pátio exterior da
« a mulher/ casa do rei, para dizer ao rei que se enforcasse
11 Contou-lhes Hamã a glória das suas a Mordecai na forca que ele, Hamã, lhe tinha
rajuezas e a multidão de seus filhos, e tudo 6 .4 ^Et 5.1 preparado/

53 Até metade do reino. Fórm ula usual para um a prom essa c o m reverência e honra, não lhe servem c o m o consolo algum
b i im ite s (M c 6 .2 3 ). O rei era fac ilm e n te ind u zid o , pelas (c f 1 3 ).
* õ õ e s , a fazer extravagâncias, ta n to para o b e m c o m o para 6 .1 O livro dos feitos memoráveis. As crônicas d o reinado,
tm L 2 .2 3 . O rei quis b e m aproveitar seus m o m e n to s d e insônia, e
S .4 Sabedora d o caráter volúvel d o rei, Ester quis se assegu- talv ez pensasse q u e os feitos mais em ocio nantes seriam os do
» d e estar e m situação favorável, antes d e to c a r naquele seu próp rio reinado.
â fc a d ís s im o assunto. Era este o rei q ue m a n d o u a lg e m a r o
6 .3 Que honras. H avia e n tre os persas u m a o rd e m cham ada
K z v i o qu e sacudira seus navios!
"o rd e m dos benfeitores d o rei", constituída p o r indivíduos
U Petição. N ã o se negava u m a petição feita n u m ba n q u e te q ue prestaram alg u m serviço excepcional ao rei, os quais pas­
saram a ser sobejam ente recom pensados. M o rd e c a i, te n d o
i t Ester quis adiar o en co n tro final, pois ainda n ão podia d en u n ciad o u m a conspiração contra o rei, deveria te r sido
gaarór q u e ela seria favorecida, e m d e trim e n to d o favorito e n q u a d ra d o naquele g ru p o , mas não foi.
6 .4 A pressa d e H a m ã era tã o g rande, q ue já desde a m a d ru ­
Í3 H a m ã en fu re ce -s e ta n to c o m o fa to d e u m a única pessoa ga d a estava à espera d a prim eira chance d e tra ze r u m a peti­
d a h e prestar h o m e n a g e m , q u e as dem ais, q u e lhe tra ta m ção ao rei.
ESTER 6.5 714
6 .8 Rs 1.33 13 Contou Hamã a Zeres, sua mulher, e a
5 Os servos do rei lhe disseram: Hamã
está no pátio. Disse o rei que entrasse. todos os seus amigos tudo quanto lhe tinha
6 Entrou Hamã. O rei lhe disse: Que se sucedido. Então, os seus sábios e Zeres, sua
fará ao homem a quem o rei deseja honrar? mulher, lhe disseram: Se Mordecai, perante o
Então, Hamã disse consigo mesmo: De quem qual já começaste a cair, é da descendência
se agradaria o rei mais do que de mim para dos judeus, não prevalecerás contra ele; antes,
6 .9 *Gn 41.43
honrá-lo? certamente, cairás diante dele.
7 E respondeu ao rei: Quanto ao homem a 14 Falavam estes ainda com ele quando
quem agrada ao rei honrá-lo, chegaram os eunucos do rei e apressadamente
8 tragam-se as vestes reais, que o rei cos­ levaram Hamã ao banquete que Ester pre­
tuma usar, e o cavalo em que o rei costuma parara.41
andar montado, e tenha na cabeça a coroa
real;>'
6 .1 2
°2Sm 15.30; Ester denuncia a Hamã, que é enforcado
2Cr 26.20 Veio, pois, o rei com Hamã, para beber
9 entreguem-se as vestes e o cavalo às
mãos dos mais nobres príncipes do rei, e vis­
tam delas aquele a quem o rei deseja honrar;
7 com a rainha Ester.
2 No segundo dia, durante o banquete do
levem-no a cavalo pela praça da cidade e vinho, disse o rei a Ester: Qual é a tua petição,
diante dele apregoem: Assim se faz ao ho­ rainha Ester? E se te dará. Que desejas? Cum-
mem a quem o rei deseja honrar .2 6 .1 4 *E t 5.8
prir-se-á ainda que seja metade do reino.c
10 Então, disse o rei a Hamã: Apressa-te, 3 Então, respondeu a rainha Ester e disse:
toma as vestes e o cavalo, como disseste, e Se perante ti, 6
rei, achei favor, e se bem
faze assim para com o judeu Mordecai, que parecer ao rei, dê-se-me por minha petição a
está assentado à porta do rei; e não omitas minha vida, e, pelo meu desejo, a vida do meu
coisa nenhuma de tudo quanto disseste. povo.
11 Hamã tomou as vestes e o cavalo, ves­ 7 .2 c E t5 .6 4 Porque fomos vendidos, eu e o meu
tiu a Mordecai, e o levou a cavalo pela praça povo, para nos destruírem, matarem e aniqui­
da cidade, e apregoou diante dele: Assim se larem de vez; se ainda como servos e como
faz ao homem a quem o rei deseja honrar. servas nos tivessem vendido, calar-me-ia,
12 Depois disto, Mordecai voltou para a porque o inimigo não merece que eu moleste
porta do rei; porém Hamã se retirou correndo o rei.
para casa, angustiado e de cabeça coberta.0 7 .4 dEt 3.9 5 Então, falou o rei Assuero e disse à rai-

6 .5 N e m H a m ã poderia e n tra r sem o co n vite d o rei (4 .1 1 ). a q u e d a d e H a m ã , e fo i c o m essas palavras na m e n te que


e le tin h a d e e n fre n ta r o co n fro n to q u e Ester lhe preparara.
6 .6 M ais do que de mim. H a m ã estava certo q u e ele m esm o
era o alvo d e todos os favores d o rei, pois Ester nada revelara. 7 .2 Q ual é a tua petição? S egu ndo H e ró d o to , historiador
g re g o da q u e la época (o qual viveu e n tre 4 8 0 - 4 2 6 a .C .), n e­
6 .8 ,9 C ada u m a das sugestões d e H a m ã constituiria u m a
n h u m a petição apresentada n u m b a n q u e te real poderia ser
g ra n d e honra para os orientais, ta n to o privilégio d e usar ves­
recusada. Esta, p o ré m , era u m a reunião ín tim a , oferecida pela
tes reais c o m o m o n ta r no cavalo particular d o rei. G ram atical­
rainha.
m e n te falando, é possível q u e o cavalo é q u e deveria ser
c oroado, a lé m d o q ue, esse costum e já tin h a sido obede c id o 7 .3 Petição.. . desejo. A rainha ressalta as m esm as palavras
no a n tig o im p é rio da Assíria, m as é mais provável q u e a pes­ faladas pelo rei, para c obrar a prom essa e m duas partes: a
soa a ser honrada fosse tratada, p o r u m m o m e n to , co m o a vida d ela, q u e só e n tão é revelada c o m o u m a vida enq u a ­
u m rei co m coroa. d ra d a na lei d e H a m ã contra os judeus, e a vida dos m em bros
da sua raça.
6 .1 0 O ju deu Mordecai. O rei acabou h o n ran d o u m m e m b ro
da raça cuja extinção tinha sido d ecretada. Alguns ach am isto 7 .4 Vendidos. A oferta d e H a m ã , c om a recusa fo rm a l d o rei,
estranho, m as é d e perfe ito a co rd o com o caráter im petu oso a aceitar a som a m encio nada, sem po ré m , deix a r d e autorizar
d o rei Xerxes. o p lano d e H a m ã , considerada à luz dos term o s d o decreto
da destruição dos judeus (" e q u e lhes saqueassem os bens",
6 .1 2 H a m ã , co m seu ó d io ain d a mais inflam a d o , n ão sabia
3 .1 3 ), n ão deixa d e ser u m c o n tra to d e ven d a das vidas dos
c o m o suportar a espera d e mais alguns meses a té a d a ta m a r­
judeus ( 3 .9 - 1 1 e notas). O inim igo não merece que eu moleste
cada para a destruição dos judeus. M a s era ain d a o favorito
o rei. Lit "Porque o adversário n ã o é suficiente para a perda do
d o rei, a segunda auto rid a d e no reino, e haveria d e achar
rei". Isto q u e r dizer q u e o valo r d e H a m ã , c o m as toneladas
meios d e d e rru b ar a M o rd e c a i daquela posição privilegiada.
de prata q u e p ro m e te u , nada é, c o m p a ra d o co m a perda q ue
6 .1 3 Sábios. M ágicos com os quais os reis consultavam ao o im p é rio sofreria c o m a m o rte d e incontáveis súditos judeus.
deliberar decisões im portantes (c f 1 .1 3 n ). Estes profetizaram A frase c o n té m palavras raras, d o aram aico fala d o na época.
715 ESTER 8.9
é a Ester. Quem é esse e onde está esse cujo 7 .8 «Et 1.6 3 Falou mais Ester perante o rei e se lhe
am^ão o instigou a fazer assim? lançou aos pés; e, com lágrimas, lhe implorou
6 Respondeu Ester: O adversário e ini- que revogasse a maldade de Hamã, o agagita,
■ágo é este mau Hamã. Então, Hamã se per- e a trama que havia empreendido contra os
■fbou perante o rei e a rainha. 7.9 'Et 1.10; judeus.
7 O rei, no seu furor, se levantou do ban- Pv 11.5-6 4 Estendeu o rei para Ester o cetro de
iprtr do vinho e passou para o jardim do ouro. Então, ela se levantou, pôs-se de pé
palácio; Hamã, porém, ficou para rogar por diante do rei i
saa vida à rainha Ester, pois viu que o mal 5 e lhe disse: Se bem parecer ao rei, se eu
oontra ele já estava determinado pelo rei. 7.10 achei favor perante ele, se esta coisa é reta
9 SI 37.35-36
8 Tomando o rei do jardim do palácio à diante do rei, e se nisto lhe agrado, escreva-se
casa do banquete do vinho, Hamã tinha caído que se revoguem os decretos concebidos por
«obre o divã em que se achava Ester. Então, Hamã, filho de Hamedata, o agagita, os quais
disse o rei: Acaso, teria ele querido forçar a ele escreveu para aniquilar os judeus que há
nmha perante mim, na minha casa? Tendo o 8.1 h Et 2.7 em todas as províncias do rei.
r í dito estas palavras, cobriram o rosto de 6 Pois como poderei ver o mal que sobre­
Ham ã e virá ao meu povo? E como poderei ver a
9 Então, disse Harbona, um dos eunucos destruição da minha parentela?k
qoe serviam o rei: Eis que existe junto à casa 8 .2 'Et 3.10 7 Então, disse o rei Assuero à rainha Ester
de Hamã a forca de cinqüenta côvados de e ao judeu Mordecai: Eis que dei a Ester a
ahura que ele preparou para Mordecai, que casa de Hamã, e a ele penduraram numa
falara em defesa do rei. Então, disse o rei: forca, porquanto intentara matar os judeus.'
Enforcai-o nela/ 8 . 4 /Et 4.11
8 Escrevei, pois, aos judeus, como bem
10 Enforcaram, pois, Hamã na forca que vos parecer, em nome do rei, e selai-o com
ele tinha preparado para Mordecai. Então, o o ánel do rei; porque os decretos feitos em
fnror do rei se aplacou.9 * nome do rei e que com o seu anel se selam
não se podem revogar.m
Osjudeus são autorizados a resistir 8 . 6 ‘ Ne 2.3
9 Então, foram chamados, sem detença, os
Naquele mesmo dia, deu o rei Assuero à secretários do rei, aos vinte e três dias do mês
8 rainha Ester a casa de Hamã, inimigo dos
judeus; e Mordecai veio perante o rei, porque
de sivã, que é o terceiro mês. E, segundo tudo
quanto ordenou Mordecai, se escreveu um
Ester lhe fez saber que era seu parente .h
8 . 7 'Et 8.1 edito para os judeus, para os sátrapas, para os
2 Tirou o rei o seu anel, que tinha tomado governadores e para os príncipes das provín­
a Hamã, e o deu a Mordecai. E Ester pôs a cias que se estendem da índia à Etiópia, cento
Mordecai por superintendente da casa de e vinte e sete províncias, a cada uma no seu
Hamã.1 8 .8 " E t 1.19 próprio modo de escrever, e a cada povo na

J S Os persas to m a v a m suas refeições reclinados e m divãs, ter, não estava d iz e n d o q u e já fizera o suficiente, mas estava
com o ta m b é m os gregos e os rom anos. A exclam ação d o rei re le m b ra n d o as provas d e sua c ontínua boa v o n ta d e para
rrvelara sua ira im placável co n tra H a m ã , e os seus servos be m co m Ester, g arantia d e mais favores.
sabiam q u e isto significava a pe n a d e m o rte; c o b rira m -lh e o
•osto c o n fo rm e o costum e aplicado às pessoas q ue iam ser 8 .8 Escrevei. A revogação im plorad a p o r Ester (3 ), é im possí­
executadas. O costum e veio a ser c o m u m e n tre os gregos e vel, pois o d ecreto a n terio r já havia sido selado co m o anel do
rom anos, e este versículo dem on stra q ue seus predecessores rei (3 .1 2 ). M as M ord e c a i recebeu a u to rid a d e para elaborar
persas o instituíram , c o m o ta m b é m instituíram m uitas outras o u tro d e c re to (8 .9 ).
coisas.
8 .9 Sivã. M a io -ju n h o . A ind a faltav a m nove meses para a d ata
H - 1 7 O p rim e iro d e c re to , o d e m assacrar os jud eus m a rcada para a destruição dos judeus, a d a r (fe v e re iro -
( 3 .9 - 1 1 ) , era irrevogável, d a n d o aos judeus a a u to rid a d e de m arço). Cento e vinte e sete. Som a d e todos os reinos conquis­
se d e fen d erem contra seus algozes (1 1 ). tados, re a g ru p a n d o -s e as pequenas nações antigas e m áreas
1 6 P rudentem ente, Ester deixa d e frisar a responsabilidade adm inistrativas m ais convenientes. N a sua própria língua. A
d o rei p o r te r assinado o d ecreto, m as acentua q u e o povo língua e m p re g a d a para fins d ip lom áticos nos im périos da As­
por ele c o n d e n a d o se enc o n tra espalhado p o r todas as pro- síria, d a Babilônia e d a Pérsia era o aram aico; m as a região
«incias d o im p é rio , d a n d o a e n te n d e r q ue o pró p rio rei seria abrangia os povos das mais diferentes línguas. M odo de escre­
prejudicado se o d ecreto fosse levado a efeito. ver. H ieróglifos, cuneiform es, silábicos, gravados e m argilas,
8 .7 Assuero, a o e n u m e ra r os benefícios d e q ue cum ulara Es­ pedra ou papiro.
ESTER 8.10 716
sua própria língua; e também aos judeus se­ 8 .9 "E t 1.1
da terra, se fizeram judeus, porque o temor
gundo o seu próprio modo de escrever e a‘sua dos judeus tinha caído sobre eles."
própria língua.”
10 Escreveu-se em nome do rei Assuero, 8 .1 0 °1R s 2 1.8 Osjudeus matam aos seus inimigos
e se selou com o, anel do rei; as cartas foram No dia treze do duodécimo mês, que é o
enviadas por intermédio de correios montados
em ginetes criados na coudelaria do rei.0 8 .11 pEt9.10
9 mês de adar, quando chegou a palavra do
rei e a sua ordem para se executar, no dia em
11 Nelas, o rei concedia aos judeus de que os inimigos dos judeus contavam asse-
cada cidade que se reunissem e se dispuses- nhorear-se deles, sucedeu o contrário, pois os
sem para defender a sua vida, para destruir, judeus é que se assenhorearam dos que os
8.12<?Et3.13
matar e aniquilar de'vez toda e qualquer força odiavam/
armada do povo da província que viessem 2 porque os judeus, nas suas cidades, em
contra eles, crianças e mulheres, e que se sa­ todas as províncias do rei Assuero, se ^junta­
queassem os seus bens,P 8 .1 3 r Et 3.14-15
ram para dar cabo daqueles que lhes procura­
12 num mesmo dia, em todas as provín­ vam o mal; e ninguém podia resistir-lhes,
cias do rei Assuero, no dia treze do duodé- porque o terror que inspiravam caiu sobre to­
cimo mês, que é o mês de adar.fl 8 .1 5 sEt 3.15 dos aqueles povos."'
13 A carta, que determinava a proclama­ 3 Todos os príncipes das províncias, e os
ção do edito em todas as províncias, foi en­ sátrapas, e os governadores, e os oficiais do
viada a todos ps povos, para que os judeus se 8 .1 6 (SI 97.11 rei auxiliavam os judeus, porque tinha caído
preparassem para aquele dia, para se vinga­ sobre eles o temor de Mordecai.
rem dos seus inimigos/ 4 Porque Mordecai era grande na casa do
14 Os correios, montados em ginetes que rei, e a sua fama crescia por todas as provín­
8 .1 7 "C n 35.5;
se usavam no serviço do rei, saíram inconti- Dt 2.25; cias; pois ele se ia tomando mais e mais po­
nenti, impelidos pela ordem do rei; e o edito 1Sm 25.8; deroso.*
foi publicado na cidadela de Susã. S118.43
5 Feriram, pois, os judeus a todos os seus
15 Então, Mordecai saiu da presença do inimigos, a golpes de espada, com matança e
rei com veste real azul-celeste e branco, destruição; e fizeram dos seus inimigos o que
como também com grande coroa de ouro e 9.1 >'2Sm 22.41 bem quiseram.
manto de linho fino e púrpura; e a cidade de 6 Na cidadela de Susã, os judeus mataram
Susã exultou e se alegrou.5 e destruíram a quinhentos homens,
16 Para os judeus houve felicidade, ale­ 9 .2 »vEt 8.11; 7 como também a Parsandata, a Dalfom, a
gria, regozijo e honra.* Sl 71.13,24 Aspata,
17 Também em toda província e em toda 8 a Porata, a Adalia, a Aridata,
cidade aonde chegava a palavra do rei e a sua 9 a Farmasta, a Arisai, a Aridai e a
ordem, havia entre os judeus alegria e rego­ 9 .4 *2Sm 3.1; Vaizata,
zijo, banquetes e festas; e muitos, dos povos IC r 11.9 10 que eram os dez filhos de Hamã, filho

8 .1 1 Os judeus p o d iam m a ta r aos seus algozes. 9 .2 O terror. Os judeus agora g o za v a m d o fav o r d a corte, e
8 .1 5 A gora era M o rd e c a i o " A m ig o d o Rei", o "segun do do M o rd e c a i tin h a gra n d e influência ju n to a o p o te n ta d o X er-
R eino", q ue tin h a a auto rid a d e para fazer uso d o anel d o rei, xes I.
e das vestes reais. 9 .3 Príncipes. A té as mais elevadas autoridades estavam dis­
8 .1 7 Se fizeram judeus. U m a das poucas alusões bíblicas à postas a prestar apo io aos judeus, sabendo d a a titu d e do rei
conversão dos povos ao judaísm o situação já prevista p o r a prop ósito d o assunto.
Isaías (Is 5 6 . 6 - 8 ) . • N . H o m . C a p 7 e 8 . A q u eda d e H a m ã e
9 . 7 - 9 Estes nom es são todos persas, m enos A dalia; na Bíblia
a elevação d e M ord e c a i, n ão p odia te r sido planejada pela
hebraica, cada u m desses nom es é escrito e m u m a linha dife­
força h u m an a, pois todas as prob abilidad es eram contrárias;
rente, uns sobre os outros, fo rm a n d o u m a coluna, e m ver­
mas pela Providência d e Deus, a té o a to d e H a m ã d e pedir
tical.
m isericórdia ( 7 . 7 - 8 ) e o d e p re p a ra r um a forca para M o rd e ­
cai (7 .9 ), con trib u íra m para a destruição d a q u e le in im ig o do 9 .1 0 N o despojo. N ã o quiseram q u e houvesse q u a lq u er se­
p o v o d e Deus. A quela vindicação d o p ovo d e Deus era um a m elhan ça e n tre a ganância d e H am ã e d o rei, e a justa retri­
prova tã o clara d a Providência divina, cujo fa to os pagãos não buição defensiva levada a efeito pelos judeus. V eja-se com o
p o d iam d e ix a r d e reconhecer, e q u e fazia alguns tra n s m u d a r o despojo foi visado na ba rg a n h a “ e n tre H a m ã e o rei
e m seguida (8 .1 7 ). ( 3 .9 - 1 1 ,1 3 ; 7 .4 e notas).
717 ESTER 9.26
de Hamedata, o inimigo dos judeus; porém no 9 .1 0 v£t 5.11; mesmo; e descansaram no dia quinze e o fize­
despojo não tocaram.)' SI 21.10
ram dia de banquetes e de alegria .d
11 No mesmo dia, foi comunicado ao rei o 19 Também os judeus das vilas que habi­
número dos mortos na cidadela de Susã. tavam nas aldeias abertas fizeram do dia ca­
12 Disse o rei à rainha Ester: Na cidadela 9 .1 2 *Et 5.6 torze do mês de adar dia de alegria e de
de Susã, mataram e destruíram os judeus a banquetes e dia de festa e de mandarem por­
quinhentos homens e os dez filhos de Hamã; ções dos banquetes uns aos outros .e
nas mais províncias do rei, que terão eles 9.13 20 Mordecai escreveu estas coisas e en­
feito? Qual é, pois, a tua petição? E se te dará. °2Sm 21.6;
Et 8.11
viou cartas a todos os judeus que se achavam
Ou que é que desejas ainda? E se cumprirá.z em todas as províncias do rei Assuero, aos de
13 Então, disse Ester: Se bem parecer ao perto e aos de longe,
rei, conceda-se aos judeus que sé acham em 21 ordenando-lhes que comemorassem o
9 .1 5
Susã que também façam, amanhã, segundo o dia catorze do mês de adar e o dia quinze do
bEt 8.10-11
edito de hoje e dependurem em forca os cadá­ mesmo, todos os anos,
veres dos dez filhos de Hamã.° 22 como os dias em que os judeus tiveram
14 Então, disse o rei que assim se fizesse; sossego dos seus inimigos, e o mês que se
9 .1 6 cEt 8.11
publicou-se o edito em Susã, e dependuraram lhes mudou de tristeza em alegria, e de luto
as cadáveres dos dez filhos de Hamã. em dia de festa; para que os fizessem dias de
15 Reuniram-se os judeus que se achavam banquetes e de alegria, e de mandarem por­
em Susã também no dia catorze do mês de 9 .1 8 dEt 9.11 ções dos banquetes uns aos outros, e dádivas
»dar, e mataram, em Susã, a trezentos ho­ aos pobres/
mens; porém no despojo não tocaram .b 23 Assim, os judeus aceitaram como cos­
tume o que, naquele tempo, haviam feito pela
A Festa de Purim
9 .1 9 ?Dt 16.11;
Ne 8.10,12 primeira vez, segundo Mordecai lhes pres­
16 Também os demais judeus que se acha­ crevera;
vam nas províncias do rei se reuniram, e se 24 porque Hamã, filho de Hamedata, o
dispuseram para defender a vida, e tiveram 9 .2 2 'N e 8.11; agagita, inimigo de todos os judeus, tinha in­
sossego dos seus inimigos; e mataram a se­ SI 30.11 tentado destruir os judeus; e tinha lançado o
tenta e cinco mil dos que os odiavam; porém PurS, isto é, sortes, para os assolar e destruir.
no despojo não tocaram.c 25 Mas, tendo Ester ido perante o rei, or­
17 Sucedeu isto no dia treze do mês de 9 .2 4 sEt 3.7 denou ele por cartas que o seu mau intento,
adar; no dia catorze, descansaram e o fizeram que assentara contra os judeus, recaísse con­
dia de banquetes e de alegria. tra a própria cabeça dele, pelo que enforcaram
18 Os judeus, porém, que se achavam em a ele e a seus filhos .h
26
9 .2 5 íiEt 7.5;
Susã se ajuntaram nos dias treze e catorze do SI 7.16 Por isso, àqueles dias chamam Purim,

9.11 O núm ero de mortos. Desde os prim órdios, estas c o n ta ­ 9 .1 7 D epois d e sua vitória sobre seus inim igos persas, os ju­
gens eram feitas nas freqüentes guerras q u e h ouveram na deus fizeram u m a festa, e descansaram ; seria u m d ia d e ações
área da M eso p o tâm ia , d e o n d e surgiram os prim eiros im p é ­ d e graças a Deus pela m aravilhosa lib ertação o p e ra d a .
rios. O rei, hav en d o já sacrificado a vida d e u m m ilh ã o d e O s judeus d a capital tiv e ra m dois dias d e lutas (1 3 e 1 8 ), e
soldados, na guerra contra a G récia, p o uco se p e rtu rb o u , e e n tão foi resolvido q ue, nos anos futuros, aquelas datas 1 4
ainda se pron tificou a c o m p le ta r a té o q ue não constava no e 1 5 d e adar, seriam celebradas.
p e dido d e Ester (1 2 ).
9 .1 9 O p ovo d o o rien te, a lém d e c o nvidar os am igos às fes­
9 .1 3 Dependurem em forco os cadáveres dos dez filhos de tas, m a n d a v a m porções àqueles q ue não p o d iam vir, e ta m ­
Hamã. Já tin h a m sido m ortos, cf w 6 - 1 0 , m as esta exposição b é m d e ra m o p o rtu n id a d e aos pobres d e c o m p a rtilh a re m de
pública dos seus corpos era u m a vindicação aberta d o povo a lg u m a coisa (cf D t 1 6 .1 4 ).
de Deus, u m a prova inegável d e q ue a Providência d e Deus
9 .2 0 -3 2 M o rd e c a i forneceu o relato d a situação para os ju­
desvia os m ais terriveis planos d o In im ig o , e m p re g a n d o , às
deus e m todas as partes d o im pério, m a rcando um a c o m e ­
vezes, m eios q u e pareçam ser naturais, acidentais, ou m era
m o ração religiosa anual, e, e m seguida, e m itiu ordens na
coincidência. A chave desta vitória final estava na confiança
fo rm a d e d ecreto real, para qu e fosse cum prida.
d e M ord e c a i, d e q ue Deus sem pre teria um m e io d e socorrer
ao Seu povo, m esm o q u a n d o o ser h u m a n o se recusasse a 9 .2 6 Purim. A festa d e Purim , precedida p o r um je ju m , ainda
fazer sua parte ( 4 .1 4 ), e na petição d e Ester, para q ue os se observa na noite q u e inicia o dia 1 4 d e a d a r (d a ta q ue
judeus fizessem um a gra n d e re união de oração a Deus, ro­ m u d o u a n u a lm en te e m nosso calendário, já q ue não é o
g a ndo Suas bênçãos sobre a q ue se via obrigada a d esem ­ m esm o q ue se usava). N a m a n h ã seguinte, se teria o livro de
penhar. Ester inteiro, e m g re g o ou e m hebraico, ou na língua e n ten -
ESTER 9.27 718
do nome Pur. Daí, por causa de todas as pala­ 9 .2 6 'Et 9.20 seus tempos determinados, como o judeu
vras daquela carta, e do que testemunharam, e Mordecai e a rainha Ester lhes tinham estabe­
do que lhes havia sucedido,1 lecido, e como eles mesmos já o tinham esta­
9 .2 7 /Et 8.17;
27 determinaram os judeus e tomaram so­ belecido sobre si e sobre a sua descendência,
Zc 2.11
bre si, sobre a sua descendência e sobre todos acerca do jejum e do seu lamento.™
os que se chegassem a eles que não se deixa­ 32 E o mandado de Ester estabeleceu estas
ria de comemorar estes dois dias segundo o 9 .2 9 *Et 2.15 particularidades de Purim; e se escreveu no
que se escrevera deles e segundo o seu tempo livro.
marcado, todos os anos;/
28 e que estes dias seriam lembrados e
comemorados geração após geração, por to­
9 .3 0 'Et 1.1 0 renome de Mordecai
das as famílias, em todas as províncias e em 1 A Depois disto, o rei Assuero impôs tri-
todas as cidades, e que estes dias de Purim X U buto sobre a terra e sobre as terras
9.31 mEt 4.3
jamais caducariam entre os judeus, e que a do mar.n
memória deles jamais se extinguiria entre os 2 Quanto aos mais atos do seu poder e do
seus descendentes. 10.1 "Gn 10.5;
seu valor e ao relatório completo da grandeza
29 Então, a rainha Ester, filha de Abiail, e Is 24.15 de Mordecai, a quem o rei exaltou, porven­
o judeu Mordecai escreveram, com toda a tura, não estão escritos no Livro da História
autoridade, segunda vez, para confirmar a dos Reis da Média e da Pérsia?0
carta de Purim .k 1 0.2 °Et 8.15 3 Pois o judeu Mordecai foi o segundo
30 Expediram cartas a todos os judeus, às depois do rei Assuero, e grande para com os
cento e vinte e sete províncias do reino de judeus, e estimado pela multidão de seus ir­
Assuero, com palavras amigáveis e sin­ 10.3 mãos, tendo procurado o bem-estar do seu
pGn 41.40;
ceras, 2Cr 28.7; povo e trabalhado pela prosperidade de todo o
31 para confirmar estes dias de Purim nos S1122.8-9 povo da sua raça.P

did a pela c o n g regação ouvinte. A tu a lm e n te , e a festa d e cará­ 6 .1 . Essas Crônicas d e v e m te r sido estudadas na com posição
te r m ais secular e n tre os judeus, sem , p o ré m , d e ix a r d e ser d o Livro d e Ester.
relacionada à intervenção divina salvando ao Seu pov o , e às 1 0 .3 Segundo depois do rei Assuero. M ord e c a i tin h a g a lg a d o à
ações d e graças q u e se d e v em prestar a Deus. C ada festa posição o ficial d e H a m ã ( 3 .2 e 8 .1 5 c o m as notas).
religiosa israelita te m p o r base c o m e m o ra r a lg u m ato d e Deus Os registros históricos m o stram q u e no a no 4 6 5 a .C ., aquela
realizado no passado, q ue revelara Seu am or, ou a lg u m ato posição pertencia a A rta b a n o , q u e n aquele an o assassinou o
d e salvação p renunciado pelos sacrifícios. rei Assuero (Xerxes 1). Se os aco ntecim en tos narrados nestes
capítulos p e rte n ce m ao a no 4 7 4 a .C ., e n tão é provável que
1 0.1 A gue rra contra os gregos p ro lo n g o u -s e na Ásia M e n o r e n tre 4 7 4 e 4 6 5 a .C ., ta n to Ester c o m o M o rd e c a i teria m m o r­
d u ra n te m u itos anos depois d a ba talh a d e S alam ina. Havia rido ou caído d o poder; n aquele intervalo Vasti reocupou sua
necessidade desses tributos, para q u e o im p é rio arcasse com posição, apesar dos esforços dos nobres para isso evitar. N o
as enorm es despesas havidas. Terras do mar. Os territórios caso d e Ester te r caído d o poder, podem os frisar a expressão
m arítim o s e a ilha d e C hipre; as ilhas d o M a r Egeu já haviam d e 4 .1 4 " Q u e m sabe se para tal conjun tura c o m o essa é q ue
sido perdidas, pe lo im p é rio persa, após as derrotas sofridas d e foste elevada a rainha?" A m ensagem d a sua vida é "Todas as
Xerxes I, na G récia. coisas c o o p e ra m para o b e m daqueles q u e a m a m a Deus,
daqueles q u e são c ham ados s eg undo o seu prop ósito"
1 0 .2 Livro da história. As Crônicas d o im p é rio persa, cf 2 .2 3 ; (R m 8 .2 8 ).