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Módulo Inicial

Criatividade e Rupturas
1. A criação artística: problemáticas – divulgação e consumo; conservação e
ruptura (Síntese 1)

Objectivo da Arte é ser:

- contemplada - sentida
- ouvida - lida
- vista

Arte até ao século XIX Arte depois do século XIX


1. Nasce por encomenda. 1. Obras nascem sem condicionalismos.
2. Tinha um público certo. 2. Artistas têm de criar o seu público.
3. Artistas dependiam de um 3. Arte passa a ser um dom natural.
encomendador. 4. Nascem os marchands d’art e os
4. Artistas cumpriam, apesar da críticos de arte.
liberdade criativa, os requisitos do 5. Nascem os salões de arte e as
encomendador galerias.
6. Procuram-se os estilos pessoais.

A Arte passa a ser um artigo de consumo:


. tem uma cotação ou preço
. vê evoluir o papel do crítico de arte

2. As linguagens das artes: a arte enquanto discurso; as disciplinas artísticas


(Síntese 2)

A linguagem da Arte pretende:

- Representar - Recriar
- Contar - Subverter
- Documentar - Deleitar

Quais são as suas linguagens?


Artes Visuais Dança
Teatro Design
Música Cinema
Literatura Cerâmica

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A linguagem da arquitectura
Forma Função Significado
Projecto (nasce como Tipologia dos edifícios. Significado das suas
autor). Modalidade (pública, formas.
Materiais e técnicas religiosa, militar…). Sua contextualização na
construtivas. Relações do edifício com o época.
Leitura morfológica das seu encomendador.
unidades espaciais. Funcionalidade técnica.
Composição arquitectónica
Princípios ordenadores

A linguagem da escultura
Materiais e técnicas de Efeitos plásticos Composição
trabalho

Materiais: Análise das superfícies. Repouso / movimento:


- pedra
- madeira Análise dos volumes. - contraposto
- argila - requebros
- gesso… Análise da massa. - linhas oblíquas, diagonais…

Técnicas:
- subtractiva
- aditiva

Integrados nos itens:


Tipologia Tema
Cânones anatómicos
Expressão
Intencionalidade

A linguagem da pintura
Aspectos Leitura das Tema/ Composição Significado
materiais formas Conteúdos
Suporte Linha Figurativo Distribuição Leitura da sua
Tintas Cor Abstracto das figuras. mensagem.
Outros Volume: Estrutura Contextualização
materiais a) dos mental que
corpos(escorço distribui os
e do modelado) elementos.
b) espacial
(perspectiva)

História da Cultura e das Artes

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Módulo Inicial

Casos práticos Fundamentação teórica e prática


propostos para
análise

Three Tales, Steve A obra Tree Tales de Steve Reich representa um modelo
Reich comunicacional de fácil apreensão pelo ouvinte médio, ao
(Música). Beryl Korot adoptar:
(Video) ). Nonesuch 3º conto: Dolly. Versão DVD.
Records. Warner . Uma linguagem musical próxima da música Pop/Rock, com
Group Company a acessibilidade característica das obras dos minimalistas, de
que Steve Reich é um dos principais representantes.
. A junção da componente vídeo à musical, num registo
multimédia apelativo, entre a linguagem do video-clip e do
documentário.
. A utilização de temáticas de conteúdo apreensível, didáctico
e de carácter social e politicamente relevante para a
caracterização da história do século XX (veja-se o caso da
clonagem, no conto recomendado).

Lichtung II, A obra Lichtung II de Emmanuel Nunes serve para


Emmanuel exemplificar uma linguagem mais hermética, característica
Nunes. Ensemble da herança avantgarde do século XX. Trata-se igualmente de
Intercontemporain. uma obra recente, de um compositor português de referência
Direcção Jonathan mundial na cultura musical contemporânea. Esta obra pode
Nott. ilustrar:
Ircam. . A utilização de uma linguagem musical altamente
complexa, quer em termos concepcionais, quer em termos
auditivos, que nos transporta para novas dimensões auditivas,
que desafia as nossas noções convencionais e a nossa
capacidade de entendimento – como é apanágio de muita da
produção artística, desde o século XX.
. A utilização da electrónica “ao vivo” na manipulação,
modificação e emissão dos sons produzidos pelos
instrumentos acústicos, através de um programa
computacional concebido pelo próprio compositor. Trata-se
também aqui da continuidade lógica das práticas
composicionais que remontam à segunda metade do século
XX, após o advento dos meios electrónicos, neste caso,
utilizando os meios do Ircam (Institut de Recherche
et Coordination Acoustique/Musique), uma das principais
instituições dedicadas à pesquisa, criação e divulgação
musical contemporâneas.
. A preocupação já não é apenas com os parâmetros
convencionais da música (melodia, ritmo, harmonia, timbre,
etc.) mas também com a questão da espacialização do som. A
disposição dos 12 instrumentos acústicos e dos 13
altifalantes, bem como a gestão electrónica da emissão do
som, são elementos absolutamente intrínsecos à concepção

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da obra, criando um espaço sonoro que deverá ser adaptado
em função das características do espaço físico.

La Fura dels Baus. A revisitação contemporânea do D. Quixote (versão ópera)


Ver D. Quixote na ilustra de forma exemplar as propostas performativas dos La
página on-line Fura dels Baus.
www.lafura.com Grupo eclético que reúne profissionais da diversas áreas
artísticas e que propõe uma dimensão performativa
particular, baseada na procura de novas formas de expressão
e de relação com o público, a saber:
. Utilização de espaços anti-convencionais;
. Utilização de uma série de recursos cénicos que podem
incluir a música, o circo, a pirotecnia, o movimento, o uso de
materiais naturais e industriais e a utilização das novas
tecnologias;
. Utilização de uma linguagem visual própria através do
vídeo e de outros recursos à imagem e à incorporação de
actores que na sua versatilidade dominam quer a expressão
dramática quer o movimento;
. Exploração de situações limite na busca de novas
linguagens e linhas de expressão artística.

A cultura do palco

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Muitos palcos, um espectáculo
1. 1618-1714- Do início da Guerra dos 30 anos ao final do reinado de Luís XIV
(Tempo)
• Foi uma época de crise, generalizada a todos os domínios, do económico ao
espiritual e de numerosos conflitos armados por motivos económicos, políticos e
religiosos.
• Foi uma época de fomes, epidemias e levantamentos populares.
• A guerra dos 30 anos (1618-1648) foi o mais complexo dos acontecimentos
dessa época. Para esta situação contribuíram alguns factores como as
dissidências religiosas da Europa (Principados alemães protestantes não aceitam
o domínio católico dos Habsburgos da Áustria, levando ao confronto entre a
Suécia, Dinamarca, Países Baixos e França contra os Habsburgos e Espanha).

Antigo Regime
Século XVII
É o período de tempo que vai desde o século XVI até ao século XVIII e que se
caracteriza pela existência de uma sociedade de ordens, por um regime político
absolutista, por uma economia baseada na agricultura e no comércio e por um tipo de
arte chamada barroca.
Este período de tempo termina nos finais do século XVIII, com as revoluções
liberais.

Século de Luís XVI – Rei Sol


Século do Barroco
Século de guerras
Século das crises económicas e religiosas

Dissidências
religiosas e Afirmação dos Desenvolvimento Sociedade de Actividade
políticas na estados do capitalismo ordens cultural
Europa soberanos

Reforma Dois modelos Mercantilismo Hierarquização Convive a


Protestante políticos: (política da sociedade liberdade e
Contra- económica do (clero, nobreza a proibição
Reforma: Parlamentarismo Estado) com e terceiro na produção
- Concílio de (Inglaterra, Países Colbert e estado). cultural.
Trento; Baixos). Cromwell
- Companhia Dificuldade Cresce o
de Jesus; Absolutismo em conseguir a papel da
- Índex; (França, Espanha, mobilidade ciência.
- Inquisição. Rússia, Portugal) social.
Consequências: Cresce a
- políticas Contestações e vida de
- económicas motins estão corte
- culturais na ordem do rodeada de
- artísticas dia. misticismos.

CARACTERÍSTICAS DO PODER REAL ABSOLUTO:

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- Poder absoluto e supremo, que é legitimado pela vontade de Deus
- Sagrado - O seu poder baseia-se no direito divino : provinha de Deus para os
reis, que só prestam contas das suas acções a Deus;
- Paternal – Os reis seguem o modelo dos pais, deve proteger o povo, satisfazer
as suas necessidades e governar com bom senso;
- Absoluto – Não presta contas do que faz a ninguém, assegura o respeito pelas
leis, normas da justiça, instala a lei do mais forte e evita a anarquia;
- Submetido à razão – inteligência e sabedoria para governar, devendo ser
bondoso, firme, com carácter e prudente.

PODERES DE UM MONARCA ABSOLUTISTA:


-Tem poder absoluto, pois concentra em si todos os poderes;
-Controla o poder legislativo – era a lei viva, promulgava ou revogava as leis;
- Controla o poder executivo – chefia o exército, declara guerra ou paz, chefia os
orgãos político-administrativos e o funcionalismo público, lançava e cobrava
impostos, cunha moeda;
- Controla o poder judicial – juiz supremo, as suas decisões são únicas.
Poderes do Rei e o poder do Estado identificam-se – Monarca dispensa as forças
políticas (Estados Gerais / Cortes) – Luís XIV “O Rei Sol” – “L’État c’est moi”

SOCIEDADE
É uma sociedade estratificada ou hierarquizada- dividida em três ordens ou estados
Privilegiados -Não pagam impostos, possuem títulos, terras, cargos, tenças e foro
privativo - Clero -Dedica-se à religião
- Nobreza - Ocupa cargos políticos, administrativos e militares.

Não Privilegiados -Trabalham, pagam impostos e não têm tribunais próprios


Terceiro Estado - Burguesia- Formada por comerciantes e legistas
- Povo - Constituído por artesãos, camponeses, serviçais, etc

Diversidade de comportamentos e de valores


Cada estrato tinha as suas insígnias e os seus distintivos
-No quotidiano, nobres, clérigos, burgueses e populares distinguiam-se:
-Pelos trajos – Clero usa púrpura, alta nobreza usa seda, brocado e dourado e espada
-Pela maneira como se apresentam em público – nobre leva grande criadagem
-Pelas formas de saudação e tratamento – Eclesiásticos ( Sua Eminência, Sua
Excelência, Sua Senhoria), Nobres (Excelência, Dom)
-Pela maneira como conviviam uns com os outros
-Pelas diferenças presentes nas leis e nos códigos penais.

Existe alguma mobilidade social – Graças ao dinheiro, a burguesia ascendeu


socialmente (casamentos, cargos estatais e estudos) – surge a Nobreza de Toga

MERCANTILISMO

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Doutrina económica surgida na Europa, entre os séculos XV e XVIII, tendo por base a
prosperidade holandesa, que considerava o comércio o motor da economia e a riqueza
dos povos. O comércio proporciona riqueza se existir uma Balança comercial favorável
( quando o valor das vendas e dos fretes prestados excede o valor das compras e dos
serviços pagos)

Para que o Estado seja rico, tem de acumular metais preciosos. Para isso diminuem as
importações e aumentam as exportações. O país tem de desenvolver a sua agricultura, a
sua extracção mineira e especialmente a sua indústria ou manufacturas para comerciar e
ganhar dinheiro (reestruturar o comércio externo – novos mercados para obter matérias-
primas e mercados .

O Estado deve intervir na economia, promulgando medidas proteccionistas - para não


gastar capital com as importações, as tarifas alfandegárias aumentam; concedem-se
exclusivos industriais; não existe livre iniciativa nem livre circulação de produtos;
proibição da importação de artigos de luxo; exclusivo do comércio com as suas colónias

O Estado protege o mercado interno e as suas actividades económicas da concorrência


estrangeira.

MERCANTILISMO FRANCÊS

- As primeiras medidas mercantilistas foram adoptadas pelo Cardeal Richelieu, 1º


Ministro de Luis XIII : criação naval, novos portos , criação de companhias
mercantis.
- Foi Jean-Baptiste Colbert, Ministro de Luís XIV (1661-1683), o verdadeiro obreiro
do mercantilismo francês – pretendia engrandecer a economia francesa

MERCANTILISMO INGLÊS

Medidas mercantilistas ganharam força no segundo quartel do século XVII –


proteccionismo em relação à expansão comercial holandesa

1651 a 1663 – Oliver Cromwell decretou vários Actos de Navegação (leis que foram
limitando a liberdade dos navios estrangeiros comerciarem nos portos ingleses)

-Crescimento da marinha mercante e comercial


-Londres – entreposto de mercadorias coloniais
(açucar, algodão, tabaco, chá)

2. A Europa da Corte. O modelo de Versalhes

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(O espaço)

Corte-Estado

Palco da glória real e templo de veneração dos soberanos

Objectivos:

Regular o poder da nobreza.


Criar códigos de etiqueta e comportamento.
Ensinar a obediência e o culto ao rei.
Promover o luxo e a pompa.
Divertir a aristocracia e afastá-la do poder político.

Grande modelo europeu


Versalhes
Autores Estilos

Arquitecto da fachadas: Le Vau Barroco:


- jardins
Pintor: Le Brun - espelhos de água
- decoração interior
Arquitecto da planta: Jules Hardouin-
Mansart Clássico:
- simetrias(fachadas)
Jardins: Le Nôtre - regularidade (fachadas)

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3. Os palcos
(O local)

A corte A igreja Academia Teatro


Ganha
Versalhes é o Palco da Igreja Casa das regras e características
modelo. instituição. dos intelectuais. arquitectónicas.
Palco do Rei com Promovida por Luís Apresenta
Gira em torno do origem divina. XIV. complexos
rei. Palco do clero Protege e promove cenários.
controlador. a cultura clássica. Cresce com a ópera
Promove festas, Artes ao serviço das Cria o gosto oficial italiana.
banquetes e outros sensações. nas várias Modelos franceses
espectáculos. Liturgia (sermões, linguagens de espectáculos
culto dos santos, artísticas. chegam a toda a
incenso e música) Europa:
- Ballet de cour
- Comédie-ballet
- Ópera Francesa

4. A mística e os cerimoniais
(Síntese 1)
Século XVI Século XVII
Reforma Protestante Religião é imposta pelo terror
Contra-Reforma Papel dos santos e seus exemplos
Artes ao serviço do misticismo
Papel dos Jesuítas e Dominicanos na doutrinação.

5. A Revolução científica: a razão e a ciência


(Síntese 2)
Ciências Cientistas
Tornam-se Galileu Galilei
autónomas Francis Bacon
Nascem os Descartes
princípios do Pascal
método cientifico Newton

6. Biografia 7. Acontecimento
Luís XIV Tratado de Utreque (1713)
Modelo do absolutismo para a Europa. Pôs fim ao primeiro conflito à escala do
Marcou o século XVII em todas as áreas. globo.
Cria espaço para as novas potências:
Inglaterra e Estados Alemães.

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O Barroco
(Sécs. XVII – XVIII)

Torna-se moda e invade todos os sectores


(religioso, social, político e cultural)

Contexto histórico-cultural

Política Religião Sociedade Cultura


Antigo Regime Reforma Protestante Sociedade de ordens Controlo oficial da
Absolutismo real Contra-Reforma Mudanças sociais criação
Divinização do rei Companhia de Jesus rígidas limitadas Promoção das
Estado Moderno Concílio de Trento pela lei Academias
Inquisição Moda desenvolve os
Index artifícios

Barroco
Usa os sentidos
Apela às emoções e sentimentos
Explora a surpresa e o deslumbramento
Exalta a imaginação
Cria um grande sentido cénico
Procura a emoção / afectividade
Procura o misticismo

A arquitectura barroca
Princípios inovadores

Fim da estaticidade e da simetria


Liberdade espacial
Busca da fantasia e do movimento
Antítese entre espaços interiores e
exteriores

Como?

Aliança entre arquitectura/pintura/escultura/jardinagem/jogos de água


Combinação e abundância de linhas opostas umas às outras
Jogos de claro/escuro obtidos pela construção de massas ora salientes e
reentrantes, ora sinuosas e lisas
Uso de elementos construtivos como elementos puramente decorativos
Movimento ascensional do frontão central das fachadas

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Arquitectura religiosa

Elementos Características
Formas geométricas curvas (elipses e ovais)
Planta Irregulares (trapezoidais)
Estreladas
Nave única
Paredes Exterior. côncavas e convexas
Interior: estuques, pinturas, retábulos, talha dourada
Abóbadas
Coberturas Cúpula representa o céu
Cúpula prolonga a parede
Fachadas Divididas por andares
Utilizam o côncavo e o convexo
Janelão superior
Porta principal Decoração vertical
Ornamentação acumulada
Pinturas a fresco
Linhas ondulantes
Decoração Mármores policromados
Telha dourada
Esculturas
Telas
Orgãos de tubos

Edifícios emblemáticos Arquitectos principais


Santo André do Quirinal Bernini
Basílica de S. Pedro Maderno
Igreja de Jesus Borromini

Arquitectura civil

Palácios
(relacionados sempre com o meio envolvente)
Planta Em U ou H
Fachada Parte mais importante do edifício
Interior Primeiro andar para os salões
Grandes galerias e escadarias

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A Escultura barroca

É omnipresente
Adapta-se a todas as situações:
- associada à arquitectura e pintura
- presente em praças e jardins
-presente em locais inesperados
- dá preferência a grupos escultóricos com composições dinâmicas

Adapta-se a interiores e exteriores Materiais:


Tem capacidades plásticas excepcionais:
a) forte modelação de Mármores Pedras
volumes Bronze Ouro
b) texturas variadas Prata Marfim
c) dialéctica de contrastes Estuques Madeira
d) movimento
e) cenografia / expressividade

Seus encomendadores e objectivos:

Igreja Transmissão da fé e dos dogmas


Reforço da sua imagem espiritual
Monarcas Manifestação pública do seu poder e força
Divulgação da sua ideologia (absolutismo)
Manifestação da sua riqueza
Famílias poderosas Ostentação do seu poder
Divulgação do seu quotidiano
Burguesia Procura mostrar o seu poder económico
Ostenta o seu individualismo.

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Expressão técnico-formal da escultura barroca

Execução técnica Domínio das técnicas de trabalhar materiais.


rigorosa Técnica herdade de épocas anteriores.
Criação de composições livres compostas de vários blocos.

Rigoroso estudo das formas anatómicas.


Perfeição das formas Apresentação de formas mais esguias.
Preocupação com pormenores naturais e realistas.

Exploração das Acentuação dos gestos nas cenas.


capacidades expressivas Dramatização das posições e expressões faciais.

Preferência por posições Utilização do equilíbrio instável.


em movimento Gosto por cenas em serpentina ascendente.

Utilização de Volumosos, agitados, descompostos.


panejamentos Procura de contrastes nas texturas do vestuário.
Utilização de jogos de luz/sombra.

Gosto por composições Liberdade organizada segundo esquemas complexos.


livres e soltas Imagens composta como “instantâneos fotográficos”.

Procura da teatralidade Sentido cénico cuidado tendo em conta o local proposto


para a obra.

Artistas Obras

Baldaquino da Basílica de S. Pedro


Bernini O Êxtase de Sta Teresa
Túmulo do Papa Alexandre VII
David
Maderno Santa Cecília

Borromini Sant’Andrea delle Fratte

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Categorias da escultura

A escultura ornamental

Função:
Rematar as construções
Decorar convenientemente
Reforçar o efeito estético pretendido

Forma Função / Locais Gramática formal


Carácter decorativo, descritivo,
Relevos narrativo. Volutas, brasões, cartelas,
Composto por: volutas, brasões, vasos, troféus, festões,
cartelas, vasos, troféus, festões, coruchéus, fogaréus.
coruchéus, fogaréus.
Função: decorativa, estrutural,
honorífica, alegórica e simbólica Estátuas-colunas (cariátides,
Escultura de Usada exteriormente em nichos, atlantes)
vulto redondo consolas ou mísulas e nas paredes Estátuas.
interiores. Estátuas jacentes.
Aplicada em parapeitos de pontes e Baldaquinos
edifícios, escadarias, colunatas e Púlpitos
jardins. Retábulos
Sustento de tectos e entablamentos. Mausoléus
Monumentos escultóricos.

A escultura independente
Função:
Monumentos comemorativos
Monumentos honoríficos
Monumentos alegóricos / simbólicos

Forma Programa iconográfico Objectivos

Vidas de santos e mártires Valorizar a figura do Papa


Culto mariano
Escultura Quadros da Via Sacra Colocar os princípios
religiosa Assuntos doutrinais religiosos definidos pelo
Valorização da figura do Papa Concílio de Trento.
Alegorias às virtudes teológicas Afirmar o poder da Igreja.

Bustos individuais
Escultura Retratos oficiais dos reis (ao gosto do Difundir o poder dos
laica regime absolutista) monarcas.
Mausoléus Glorificar os feitos dos
Figuras e grupos mitológicos poderosos.

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A pintura barroca

Objectivos Características
Captar pela emoção a fé das multidões Irracionalidade
Surpreender e deslumbrar Ânsia de novidade
Encenar e dar espectáculo Exuberância

A pintura barroca móvel

A composição barroca

Representação do Grande importância dada aos acontecimentos e à acção.


momento

Forma aberta Movimentos de dentro para fora; linhas oblíquas, rectas ou


curvilíneas.

Sobreposição de Não há descontinuidades para assim ganhar profundidade no


formas campo visual.

Formas dinâmicas e Estruturas poligonais enquadradas com formas circulares ou


sinuosas ovais.

Linha do horizonte Dá maior ênfase aos elementos representados destacando as


abaixo do normal figuras principais.

Contraste luz/sombra Focaliza e define os principais elementos da composição.


unido à cor

Luz rasante Orienta a leitura da obra.

Cor pura Capta e sensibiliza o espectador.

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A pintura de cavalete

Mestre

Caravaggio (1571-1610)
Procura representar a realidade
Utiliza como modelos figuras reais
Mestre na luz rasante e descontínua – “tenebrismo”
Utiliza com mestria as dualidades (claro/escuro…)

“Escola de Caravaggio”

Artemisa Gentileschi Salvatore Rosa


José de Ribera Giovanni Battista Ruopolla
Luca Giordano Jiusepe Recco
Paolo Porpora

A pintura mural

Locais Paredes e tectos de igrejas e palácios


Temas Religiosos
Mitológicos
Características Estruturas arquitectónicas dissimuladas
formais Figuras movimentadas
Vestes das personagens acentuadas
Composição Revela dinamismo
Utiliza a perspectiva para a organização do espaço

Principais artistas

Família Carracci Pietro da Cortona


Guido Reni Andrea Pozzo
Giovanni Lanfranco

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Pintores do barroco

Pintor País Características Obras

Pouca preocupação com pormenores Descida da cruz


supérfluos Baco doente
Caravaggio Itália Forte sentido humanista A morte da Virgem
Grande sensualidade
Espírito optimista

Rubens Bélgica Grande preponderância da cor Vénus ao espelho


Exaltação dos sentidos A erecção da cruz
Trabalha para a Igreja e Monarcas O rapto das filhas de
Leucipo

Van Dyck Bélgica Procura a elegância e a grandiosidade nos seus Retrato do Rei Carlos I
retratos de Inglaterra

William Especialistas em naturezas-mortas


Heda Trabalham para a burguesia que exalta a A Sobremesa
Holanda alegria da vida
Jan de Trabalhos sempre em pequenas dimensões Jarra de flores
Heem Contrariam, pela calma, o espírito do Barroco

Vermeer Holanda Cenas de género A leiteira


Pormenores trabalhados com minúcia Jovem lendo uma carta
Luz e sombra transmitem tranquilidade O geógrafo

Jacob von Holanda Procura transmitir com as suas paisagens o Cena na floresta
Ruisdael dramatismo da natureza Paisagem de Inverno
com neve
Famoso pela sua pintura ser: Auto-retratos
a) introspectiva
Rembrant Holanda b) psicológica na forma Lição de anatomia
c) tratamento da luz
d) pinceladas solta mas empastadas A ronda da noite
Revela o interior dos personagens
Tons escuros O rapaz manco
Ribera Espanha Procura transmitir sensualidade e dramatismo
Tem nas figuras do povo os seus modelos Martírio de S.
Bartolomeu
Espaço – tem uma composição cuidada com
Vélasquez Espanha jogos reais e imaginários As meninas
Formas – pequenas manchas de cor que
apenas têm leitura à distância A rendição de Breda
Luz – múltiplos focos
Francisco Espanha Realismo das naturezas-mortas Bodegon
Zurbarán Incute monumentalidade a pequenos objectos

Murillo Espanha Procura: naturalismo, serenidade e suavidade Velha catando o menino

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11. O caso francês

A oposição Barroco-Classicismo
Arquitectura
Academias Contra-Reforma / Jesuítas

Dão continuidade ao clássico Introduzem o barroco

Palácios Igrejas
Clássico Barroco
Estrutura do edifício Gramática decorativa Segue o modelo barroco
Linhas rectas e racionais Princípios urbanísticos Tem na Igreja de Il Gesú a matriz
Jardins

Escultura
(Não é puro barroco)
Artistas Obras
Pierre Purget Milo de Crotona
Antoine Coysevox Bustos de Luís XIV
François Girardon Apolo com as ninfas
Túmulo do Cardeal Richelieu

Pintura

Tendência renascentista:
Composição formal
Tratamento das figuras e da cor

Artistas Características

Pertence ao grupo « tenebrista »


Georges de la Tour Despoja a obra dos cromatismos e da formalidade
(Caravagista) Apresenta cenas com poucas personagens
Usa a luz como um foco interior
Nicolas Poussin Cenas religiosas mas teatrais
(classicista) Cenas cheias de opulência
Nicolas Tounier Luminosidade mística
(classicista) Pintura naturalista.

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12. Da Europa para o Mundo

Inglaterra
(barroco inglês?)

Governo Parlamentar
Anglicanismo como religião de Estado
Tolerância religiosa
Liberdade de imprensa

Reflexos na arte inglesa do século XVII

Manteve-se vivo o gótico tardio.


Inigo Jones vai introduzir o paladianismo.
Christopher Wren torna-se no criador da escola barroca
inglesa.
Arquitectura Edifício emblemático de Wren:
Catedral de S. Paulo:
- planta de cruz latina;
- fachada inspirada na Santa Inês de Bernini;
- fachada não tem as linhas sinuosas;
- cúpula central assente sobre um tambor.

Escultura Sofre, durante o período político conturbado, de um eclipse


total.

Pintura Existência débil e frustrante.


Puritanismo impediu o seu desenvolvimento.

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Europa Central

Guerra dos 30 anos impede o desenvolvimento artístico na 1ª metade do século XVII.


Regresso à paz trouxe às várias regiões as ideias dos mestre italianos.
Regiões com tradição católica são as mais influenciadas.
Monarcas absolutos vão também usufruir do estilo.

País Arquitecto Obras emblemáticas Suas características

Planta elíptica
Fischer von Igreja de São Carlos Grande pórtico com 6 colunas
Erlach Borromeu Grandiosa cúpula
Duas torres laterais
Duas colunas comemorativas de
inspiração romana.
Grandiosa escadaria

Áustria
Palácio de Residência real de Verão
Schwarzenberg Inspirada no estilo francês
Jardins magníficos inspirados
em Versalhes.

Lukas van Fachada com sete corpos


Hildebrandt Palácio Belvedere dispostos por ordem
decrescente.
Grandioso espelho de água.

Wenzeslaus Pavilhão de um só piso.


von Palácio de Sans Souci Erguido sobre uma escadaria
Knobelsdorff Decoração elegante

Estados Georg Palácio do Grande Exuberante


alemães Starcke Jardim

Daniel Pavilhão de festas


Poppelman Palácio Zwinger Combina o palácio francês com
a exuberância decorativa alemã.

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Flandres
(Bélgica)

Ocupação espanhola favoreceu o barroco.


Presença dos Jesuítas e da Contra Reforma deixaram as suas marcas

Arquitectura Mantém influências góticas.


Destaca-se a “Grande Praça de Bruxelas”:
- verticalidade gótica
- decoração barroca

Escultura Acentuadamente barroca.


Atinge extremos de agitação, é quase teatral.
Grande importância dada aos elementos escultóricos em
madeira nas igrejas.

Pintura Tem aqui o seu expoente com Rubens e Van Dych.

Artista Características Obras emblemáticas

Van Dych Traço elegante. Carlos I de Inglaterra


Obras requintadas e subtis.
(1599-1641) Utilizou as cores de forma
harmoniosa.

Recebe influência de: Vénus ao espelho


- Miguel Ângelo: “terribilitá”
Rubens - Ticiano: qualidade pictórica A erecção da cruz
- Caravaggio: tenebrismo
(1577-1640) Artista exprime-se através das O rapto das filhas de Leucipo
mulheres.
Trabalha como contraste entre a Desembarque de Maria de Médicis
sensualidade feminina e a força em Marselha
máscula masculina.
Trata com sensualidade o nu Susana no banho
feminino.
Utiliza cores vibrantes. A adoração dos reis magos
Revela horror ao vazio.

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Holanda
Dominada por uma rica burguesia
Religião impõe as suas regras na arte

Total indiferença perante o barroco.


Arquitectura Edifícios apresentam uma estrutura simples.
Edifícios construídos em tijolo.
Amesterdão torna-se numa cidade planeada onde há um
equilíbrio entre molhes, casas e ruas.

Vai exprimir os traços nacionais dos holandeses:


Pintura - o amor à terra natal e ao lar;
- a aversão à pompa;
- o amor às instituições republicanas;
Adeptos do retrato individual e colectivo.
Atribuem a “independência” à paisagem.
Representa o quotidiano usando telas de pequenas dimensões.

Artistas Género Características Obras

Fraus Hals Retrato Representa sempre as O alegre bebedor


1580-1666 personagens com um sorriso.
Transmite um retrato em que a Regentes do
vida aparece sorridente. hospício de velhos

Adepto das paisagens invernais


Jacob van e tempestuosas. O Moinho em Wijk
Ruysdael Paisagem Criou o céu de nuvens com
1630-1681 formas indefiníveis e
vaporosas.
Paisagens reflectem o terror dos
holandeses quanto à destruição
do seu litoral pelas intempéries.

Mesas com uma composição A sobremesa


Willieam Naturezas rica.
Heda mortas Converteu o acessório na
(1594-1680) pintura em protagonista.
Alta perícia na reprodução dos
cristais e porcelanas.

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Os génios holandeses

Artista Características Obras

Interessado em temas bíblicos. Auto-retratos


Apaixonado pelo estudo da velhice.
Identifica a velhice com o acumular de A ronda da noite
conhecimentos.
Rembrandt Alterna nas telas os empastes com as A lição de anatomia
(1606-1669) transparências.
Inovador na utilização do contraste Os síndicos do grémio dos
luz/sombra, esta parece sair de um Tecidos
espírito.
Cores e formas não revelam uma
consistência definitiva.
Pintura introspectiva e psicológica.

Representa cenas de género. A leiteira


Telas vivem dos contrastes da cor, do
brilho e da sombra. A rapariga do brinco de
Vermeer A sua luz lembra a que entra num pérola
(1632-1675) quarto por uma fresta de um postigo.
Grande parte das obras decorrem numa Mulher com jarro de água
casa holandesa ao longo das várias
horas do dia. A rendeira
Suas obras transmitem intimidade e a
tranquilidade da rotina diária. Mulher e dois homens
Suas personagens revelam um retrato
psicológico tocante. A alcoviteira

24
Espanha

Barroco teve grande aceitação.


Contra-Reforma encontra aqui uma boa aceitação.
Predomínio da monarquia absolutista.

Arquitectura
Características Autores Obras

Adoptar as directrizes da Contra-Reforma: Juan Bautista Mosteiro de San


a) aprofundar a fé; e Lorenzo d’El
b) suscitar o fervor religioso; Juan de Herrera Escorial
Sublinhar o poder absoluto dos reis.
Utiliza: Alberto Churriguera Plaza Mayor de
a) características da arquitectura e Salamanca
italiana; Garcia de Quiñones
b) exagerada ornamentação;
c) decoração fantasista; Fernando Casas y Fachada del
d) estilo “churriguerista” (profusa Novoa Obradoiro de
ornamentção). Santiago de
Compostela

Escultura

Características Autores Obras

Representação directa das expressões Gregório Cristo jacente


patéticas humanas. Hernandez Pietà
Escultura em madeira policromada.
Predomínio das imagens religiosas e dos
retábulos. Alonso Cano Imaculada
Pendor místico. Madalena Penitente
Naturalismo ascético.
Várias escolas regionais:
a) Valladolid Manuel Pereira S. Bruno
b) Sevilha
c) Granada
d) Catalunha
e) Madrid

25
Pintura espanhola
Pintor Características Obras
Profundamente realista.
Representa apontamentos da realidade de O rapaz manco
forma objectiva.
Ribera Utiliza com mestria os contrastes Martírio de São
(1591-1652) luz/sombra. Bartolomeu
Representa o disforme e o patológico com
um ar pitoresco. Arquimedes com o
Utiliza como modelos gente simples do compasso
povo.
Perito nos efeitos da luz/sombra. A missa de Frei Pedro
Deu preferência á pintura de monges e de Cabañuelas
santos. O adeus de frei Juan
Zurbáran Figuras femininas são elegantes ricamente
de Carrion a seus
(1598-1664) vestidas. irmãos
Cuidadoso na representação de objectos.
Bodegon (natureza
Tratou assuntos religiosos dramáticos num
morta)
ambiente rotineiro. O Funerak de São
Boaventura.
Pintor de temas religiosos cheios de Imaculada Conceição
graciosidade.
Murillo Dá importância a assuntos pitorescos. Velha catando criança
(1617-1682) Humaniza as personagens.
Dá aos modelos uma doçura e graça que A pequena vendedora
fogem ao modelo barroco. de fruta
Pintor dos tema infantis.

O aguadeiro de Sevilha
Influenciado por Caravaggio na fase
inicial. Velha fritando ovos
Dá aos temas um carácter fotográfico.
Jesus em casa de Marta
Utiliza os temas sacros e profanos em e Maria
Velázquez simultâneo.
(1599-1660) Eleva o retrato ao patamar de “obra Conde Duque de
maior”. Olivares a cavalo
Une com habilidade a paisagem natural e
a figura do retratado em pose. Filipe IV a cavalo
Esta união dá a sensação que a pintura foi
feita ao ar livre. El primo (anão)
Pinturas equestres são majestosas.
Pintura de anões elevada a monumento da Inocêncio X
humanidade.
As meninas
Consegue com a sua técnica e a sua
mestria nas cores dar ao observador o As fiandeiras
carácter do retratado.
Inicia a técnica das “manchas distantes à A Vénus ao espelho
maneira inacabada”.
Infanta Margarida
(várias idades)

26
Portugal
(finais século XVII – Século XVIII)
Domínio espanhol (1580-1640)
Guerra da Restauração
Crise económica e social acentuada.
Barroco atinge o esplendor com D. João V e D. José I

Arquitectura

Recomendações tridentinas
Escala grandiosa dos edifícios
Escolha de locais altos para as construções
Esplendor dos interiores
Acentuação do altar-mor inscrito em coro espaçoso e antecedido por degraus
Ligação entre a sacristia e o templo

Século XVII Século XVIII


Igreja Igreja
Opõe a singeleza exterior ao esplendor do Obras vivem das mercês de D. João V.
interior. Ludovice marca como arquitecto o sul do
Metáfora da dialéctica corpo/alma e da país.
dualidade temporal/eterno. Nasoni deixa a sua marca no norte.
São alterados os espaços pré-existentes Características gerais da arquitectura desta
(caso de S. Francisco). época:
Predomina a planta rectangular com duas a) Académica no sul;
torres. b) decorativa no norte;
Planta central é circular ou poligonal. c) erudita nas cidades;
d) rica no litoral e mais pobre no
João Antunes: interior.
a) Igreja de Santa Engrácia (Lisboa) Ludovice – Real Palácio de Mafra
b) Igreja do Senhor da Nasoni –Igreja dos Clérigos no Porto
Cruz(Barcelos) André Soares – igreja de Santa Maria
Madalena da Falperra em Braga

Arquitectura civil

Adaptação dos edifícios já existentes.


Recorrem à planta em U.
Grandes escadarias, jardins e fontes
Obras emblemáticas : Solar de Mateus em Vila Real e Palácio do Freixo no Porto

27
Pintura Portuguesa
Século XVII

Imagem é reduzida a uma eficácia e a uma estratégia que visam o convencimento e a


emoção piedosa.
Influenciada pela pintura espanhola.

Artistas Características Obras

Conheceu as obras dos Carracci e de


André Reinoso Caravaggio. Naufrágio de S.
(Activo entre Desenvolve o naturalismo. Francisco Xavier na
1610-1641) Apresenta os seus personagens com viagem à China
grande doçura.
Fundos dos quadros acentuam a
teatralidade da composição.
Domina o claro/escuro herdado de
Caravaggio.
Domingos Vieira, Transformou o claro / escuro no tema da
o Escuro sua pintura. D. Isabel de Moura
(Activo entre Criou um rosto sem tempo que procura o
1627-1678) nosso olhar.
Bento Coelho Ciclos narrativos das
Silveira Reintroduziu o colorido diversificado. Igrejas da
(Activo entre Liberou a cor na apreensão e registo da Encarnação, S.
1648-1708) diversidade da Natureza. Pedro de Alcântara
em Lisboa
Utilizadora de um colorido diversificado. Santa Maria
Josefa de Óbidos Usou a luz à moda de La Tour. Madalena
(1630-1684) Teve uma predilecção pela naturezas Natureza morta
mortas.

Século XVIII
Procurava a influência italiana.
D. João V criou em Roma uma academia para o ensino da pintura.

Artistas Características Obras

Foge às tendências seiscentistas. Adoração dos


André Gonçalves Inspira-se em Rubens. Magos
(1685-1762) Mostra uma tendência já classizante. Assunção de Nossa
Revela uma grande riqueza cromática. Senhora
Vai estudar para Itália.
Vieira Lusitano Influenciado pela corrente artística de Santo Agostinho
(1699-1783) Roma.
Utiliza grandiosos cenários
arquitectónicos de linguagem clássica.

28
A escultura Portuguesa

Século XVII Século XVIII

Submetida aos ditames tridentinos. Influenciado pelos escultores franceses.


Ganha importância a “escola de Escultura apresenta soluções anatómicas
Alcobaça”: onde predominam a forte rotação.
a) usam o barro e a madeira; Imagens ganham volume com vestes de
b) criam imagens que levam apura pregueados amplos.
contemplação; Obras:
Frei Cipriano da Cruz e Manuel Pereira a) Santa Gertrudes (Arouca)
aplicaram com mestria as regras b) S. Mateus (Braga)
tridentinas:
a) imagens para venerar;
b) imagens que desenvolvam a
piedade.

A talha dourada

Os dois estilos barrocos


Estilo nacional Estilo joanino

Colunas de fuste espiralado. Nova gramática decorativa de influência


Colunas do tipo pseudo-salomónico. italiana:
Colunas cobertas de parras, cachos de - palmas
uvas, pássaros, anjos. - conchas
Tribuna ao centro. -plumas
Arcos de volta perfeita servem de remate. - volutas
Retábulos apresentam a tribuna em forma - festões
de pirâmide (trono), destinada à exposição -grinaldas de flores
do Santíssimo. - sanefas de cortinas
Grande profusão de elementos - baldaquinos
decorativos. -coluna berniniana (terço inferior estriado)

Edifícios: Edifícios:
a) Igreja de S. Bento da Vitória a) Convento de S. Francisco (Porto)
(Porto) b) Igreja de Santa Clara (Porto)
b) Igreja da Conceição dos Cardeais c) Colégio de S. Lourenço (Igreja dos
(Lisboa) Grilos), Porto
c) Convento de Jesus (Aveiro)
d) Sé Nova de Coimbra

29
O azulejo
Contribuição mais original da arte portuguesa
Usados com grande profusão em todos os locais: igrejas, mosteiros, palácios, casas de
habitação, jardins, tanques, lagos…
Temas: laicos, mitológicos, históricos, religiosos…

Fases barrocas do azulejo


Época dos Mestres Época das oficinas Época Pombalina
1700-1725 anónimas 1755-1780
1725-1755
Pintado por artistas. Período da grande São introduzidos os
Preocupados em ombrear produção. concheados.
como azulejo holandês. Atinge os números mais Aparecem os
Cores: azul cobalto sobre elevados de produção. emolduramentos de curvas
fundo branco. Desenvolvem-se as descontínuas.
Utilizam a trompe-l’oeil. personagens envoltas em Regresso à policromia:
Há cenografia e cercaduras monumentais. amarelo, verde, roxo, azul.
teatralidade. Edifícios: Edifícios:
Edifícios: a) Sé do Porto a) Universidade de
a) Nossa Senhora do b) Sé do Funchal Coimbra
Terço em Barcelos; b) Mosteiro de
b) Nave da Tibães
Misericórdia de
Viana do Castelo

O Barroco na América Latina

Brasil América espanhola

Arquitectura tem influência jesuítica. Barroco europeu adaptou-se às


Fachadas severas. circunstâncias regionais.
Plantas lineares sem efeitos ilusórios. Fachadas das igrejas recebem a “talha”
Decoração tem por base o azulejo e a típica dos interiores.
talha. Arquitectura vai-se adaptar aos materiais
Artista que se destaca : Aleijadinho. disponíveis.
Edifícios:
Edifícios: a) S. Francisco de La Paz (Bolívia)
a) Igreja de S. Francisco b) Igreja da Companhia de Jesus
b) Esculturas do Santuário do Bom (Bolívia)
Jesus c) Igreja dos Jesuítas de San Martin
(México)
d) Igreja das Mercês (Guatemala)

30
Le Bourgeois Gentilhomme
(1670)
Autores: Molière e Lully

Biografia dos autores

Molière Lully
(1622 – 1673) (1632 – 1687)

Escritor, actor, encenador. Bailarino, músico.


Identificou e utilizou nas suas obras os Foi o compositor oficial da corte de Luís
defeitos humanos. XIV – “músico-sol”.
Criou a sonoridade à “francesa”: ordem,
solenidade, magnificência, pompa.
Criador da ópera à francesa:
- overture
- as danças e a suite.

Contexto da obra

Na corte francesa Luís XIV (1638- 1715) é um rei que dança.


Existia em França o Ballet de Cour em que os elementos da Corte participavam.
Luís XIV vai participar na obra “O Ballet de la Nuit” de 1653, nela aparece como
Apolo, é a criação da figura do Rei-Sol.
Neste género havia um enredo com música e ballet mas muitas vezes descoordenados.
Luís XIV pede a Molière e a Lully que criassem um género que coordenasse tudo.
Como tema o rei pediu que fosse ridicularizado o burguês e os turcos.

Sinopse da obra

a) Mr. Jourdain tem a ambição de ser um gentilhomme. Contrata os mais variados


mestres para lhe ensinarem as diferentes “artes”, quer ter uma amante
(condessa) mas, em tudo se revela naife e ridículo.
b) Cléonte quer casar com Lucíle (filha de Mr. Jourdain). Este não deixa pois
Cléonte não é nobre.
c) É criado um estratagema: Cléonte, disfarçado de filho do Grand Turc, diz querer
casar com Lucíle e fazer de Mr Jourdain um mamamouchi.

31
Ópera francesa

a) Duas fortes tradições:


1. Ballet-de-Cour (desde o Ballet Comique de la Reine em 1581-
consistiam em recitativos com momentos musicais).
2. Tragédia teatral francesa de P. Corneille e J. Racine.

b) A Comedie-ballet (criada por Lully e Molière) a pedido do rei, de maneira a


juntar teatro, música e dança, sem quebrar o fio condutor da peça.

c) Nasce a Tragedie Lyrique após 1670, isto quando o rei engorda e deixa de
dançar. Já podemos aqui falar de ópera pois temos os recitativos inspirados na
arte da declamação dos actores teatrais.

d) A ópera francesa é composta por árias e recitativos.


Ária: a acção pára e sublinha-se o momento, os actores estão sempre de frente
mesmo quando em diálogo, por respeito ao rei. No entanto o centro do
espectáculo é o local onde está Luís XIV.
Recitativo: a acção avança mais depressa.

Ópera no resto da Europa

Itália Inglaterra

País onde nasce o género. Ópera séria não teve um grande sucesso.
Cria o modelo da “ópera séria” exportado Carlos I apoia as Masks (imita o Ballet
para toda a Europa de Cour).
Apenas a França resiste ao modelo. Cromwell apoia W. Danevant que monta a
1ª ópera inglesa.
Carlos II apoia as Masks, a ópera ( J.
Blom e H. Purcell) e a semi-ópera (peça
teatral com momentos musicais)

32
O enquadramento da Comedie-ballet na trajectória da dança
ocidental

A dança faz-se espectáculo


Os ballet de cour são o desenvolvimento das festas realizadas em Itália na
Renascença e são o antepassado da dança teatral ocidental.
As produções estavam destinadas ao divertimento das cortes e sobretudo do Rei e
eram de natureza mista: compreendiam a declamação, música, dança e canto.
Os divertimentos eram compostos por uma sucessão de cenas representadas,
mimadas, recitadas, cantadas e dançadas. Cada uma destas partes chamam-se
entradas. Os bailados eram compostos por diversas entradas autónomas entre si. Nas
entradas executavam-se as danças palacianas, nobres e cerimoniais (nomeadamente
a Pavana e o Minuete).

O mundo como um palco: a evocação do rei e do poder


O ballet cour é um espectáculo que tem como função central, para além de
entretenimento, a reafirmação do poder do rei.
Os ballet designadamente o “Ballet de la Nuit” (1653), onde Luís XIV aparece na
figura de Rei-Sol, tem subjacente uma dimensão de propaganda política.
Rei absoluto. Actor e senhor do palco: a celebração do poder.
Luís XIV dará ao espectáculo uma organização prestando especial atenção à dança.
Criou a Academia Real da Dança em 1661 onde nascem os primeiros bailarinos
profissionais, fundamental para a autonomia da dança. Nasce também a Academia
Real da Ópera que se transformou em 1671 na Academia Real da Música.

A evolução do ballet de cour


A evolução do ballet de cour passa pela comédie ballet e pela ópera ballet.
A dança abandona o conceito de festa e torna-se espectáculo.
A comédie ballet irá sepultar o ballet de cour. Em 1670 Luís XIV dançou pela última
vez num ballet de cour. “Le Triomphe de l’amour” representado em 1681 é
considerado como o último ballet de cour.

Le Bourgeois Gentilhomme
Existe uma forte ligação entre a dança e a acção dramática e é exemplar pela
perfeita fusão da dança, do teatro e da música.
Molière e Lully inventaram as comédie de cour .
Nesta forma de espectáculo, os artistas passavam da palavra ao canto e da
pantomina à dança.
Lully determinou danças cómicas e arlequinadas, burlescas partindo da deformação
caricatural e rítmica dos gestos do quotidiano.
Esta comédia é composta por cinco intermédios dançados (nomeadamente o minuete
e o gavete) e por um”grande final” (ballet des nations) composto por várias entradas
dançadas (sarabanda, giga, chacone e minuetes).

33
Real Palácio de Mafra
(1717 – 1730 / 1737)

Encomendador Rei D. João V como pagamento de promessa.

Ludovice, arquitecto oficial do Rei, pois tinha vindo de Roma.


Arquitecto Aplica o barroco mas já com tendências classizantes.

D. João V pretende ganhar uma posição política de relevo a


nível europeu.
Política externa portuguesa abre em duas direcções:
- participar na discussão do Tratado de Utreque;
- conseguir do papado títulos importantes ao crescimento
Contexto político político do país.
Portugal envia uma embaixada ao Papa (1716) cheia de pompa
e circunstância.
Papa concede a Lisboa o título de Patriarcal.
Portugal ganha com isto um lugar poderoso e importante aos
olhos da Igreja.
D. João V precisa agora de um palácio que albergue tanto poder
e títulos.
Planta em forma de quadrado.
Edifício complexo: mosteiro, palácio, colégio e panteão.
Basílica ao centro é o eixo do edifício
Basílica tem a sua planta baseada na Basílica de S. Pedro em
Roma.
Basílica segue também o modelo da igreja de Il Gesu a nível de
ostentação.
Altar mor contém duas varandas para os reis assistirem às
O edifício cerimónias.
Palácio envolve a basílica.
Frontaria apresenta um pórtico de 3 arcos que abrem para o
átrio.
Salão das bênçãos é o mais rico, fica por cima do átrio.
Torreões representam uma componente militar.
Torrões são a zona habitacional dos monarcas:
- norte para o rei
- sul para a rainha
conjunto é ortogonal, baseia-se na cidade ideal defendida por
Vitrúvio.
Símbolo do poder absoluto de D. João V.
Seu significado Modelo da organização social do país.
Palácio – propaganda de D. João V.

34
A Cultura do Salão
Das “revoluções” à Revolução
1. 1714-1815: da morte de Luís XIV à Batalha de Waterloo; da Europa
das monarquias à Europa da Revolução
(O tempo e o espaço)

Século XVIII
Transição entre a Idade Moderna e a Idade Contemporânea

Condições que levaram à Revolução Industrial na Inglaterra

Crescimento
Progressos agrícolas demográfico Criação do Alargamento Sistema
ea mercado do mercado financeiro
urbanização nacional externo

Fisiocratismo: ganha Prosperidade Crescimento Europa: Bolsa de


adeptos. económica demográfico e - produtos Londres:
levou ao urbano leva ao ingleses - prospera e
Norfolk torna-se no local rápido nascimento do começam a ganha
da revolução agrícola. crescimento mercado invadir o importância.
demográfico. nacional. continente.
Landlords são a base Criação do
social da revolução. Crescimento Mercado Atlântico: Banco de
populacional nacional é - comércio Inglaterra:
Técnicas: cria um unificado e livre. triangular - realiza as
a) Articulação mercado de operações
entre a consumo e de Mercado Oriente: bancárias
agricultura e a trabalho. nacional leva ao - Companhia mais
criação de gado. desenvolvimento Inglesa das importantes
b) Introdução dos Excedente da dos transportes: Índias do grande
enclosures população - estradas Orientais. comércio.
c) Mecanização rural migra - canais - controlam as - emite
agrícola para as produções papel-moeda
cidades. agrícolas - tornou-se a
- controlam os base da
Londres é a circuitos Revolução
maior cidade comerciais Industrial
da Europa no locais (country
século XVIII. trade)

Crescimento populacional
Desenvolvimento cientifico-técnico

35
Século XVIII
Nova demografia

. Diminuição da mortalidade: recuo da fome e da doença.


. Melhoria climática
. Melhoria em cuidados higiénico-sanitários
. Melhorias técnicas:
- agricultura
- transportes
- medicina
. Nasce o conceito – infância
. Aumento da esperança de vida
. Preocupações de Malthus

O arranque industrial
Inglaterra
(2ª metade do século XVIII)
Industrialização deve-se:
Revolução agrícola
Crescimento demográfico
Alargamento dos mercados
Capacidade empreendedora
Avanços tecnológicos

Revolução Industrial
(maquinofactura)

Máquina a vapor
(grande inovação tecnológica)
Primeiros sectores do desenvolvimento:
Sector algodoeiro Sector metalúrgico

Criação contínua de inventos a aplicar Cresce com a procura de máquinas.


nesta indústria. Desenvolve-se a tecnologia.
Aproveitamento do aumento da procura Introduz-se a hulha como fonte energética.
do produto. Torna-se no principal sector têxtil.
Crescimento da produção da matéria-
prima.

Nasce um novo mundo:

Migração dos camponeses para as cidades.


Nascem as cidades industriais.
Nascem os bairros operários.
Nasce o operariado.
Cresce o poder da burguesia industrial e capitalista.
Desenvolvem-se os transportes.
Circulam com rapidez ideias, mercadorias e homens.

36
A Revolução Americana

Influência dos ideais iluministas Efeitos da guerra dos 7 anos


Direitos do Homem Sobrecarga fiscal
Soberania nacional Falta de liberdade comercial
Divisão dos poderes

Nascimento de uma nação


Contestação dos colonos aos impostos
Guerra da independência (1775 – 1783)
Declaração da independência (1776)
Instituição da República Federal dos Estados Unidos da América (1787)

A Revolução Francesa
(1789 – 1804)
Contexto socioeconómico e político
Concentração de privilégios na nobreza e no clero.
Ambições da burguesia.
Pauperização do campesinato.
Crise agrícola e industrial.
Défice financeiro
Fracasso das tentativas régias de reforma fiscal.
Reacção nobiliárquica.
Agitação social.

Fim da sociedade de ordens e Fim da Monarquia Fim da República Popular e


do absolutismo. Constitucional. Jacobina.
Igualdade civil. Igualdade política. Igualdade jurídica.
Liberdade de pensamento e Democracia social. Inviolabilidade da
de opinião. Soberania do povo propriedade.
Soberania da Nação. Militância / democracia Liberdade de consciência.
Liberalização económica. directa. Primado da burguesia:
Primado da burguesia Laicização / - sufrágio censitário
(sufrágio censitário) descristianização. - sufrágio universal com
Dirigismo económico. restrições.
Terror.
Primado dos sans-cullote
(sufrágio universal)
Directório
Monarquia Constitucional República Popular e Jacobina 1794 – 1799
1789 - 1792 1792 - 1794 Consulado
1799 - 1804

Dimensão Universal
Esteve na origem de movimentos nacionalistas e autonomistas na Europa e na América
Latina.
Provocou revoluções liberais ao longo do século XIX.

37
Liberalismo

Ideologia centrada nos Estado como garante de Romantismo


direitos do indíviduo ordem liberal

Direitos do Homem. Respeito pelos textos Culto do eu.


Direitos do cidadão constitucionais. Predomínio da
Limites (sufrágio Separação dos poderes. sensibilidade sobre a
censitário, escravatura…) Soberania nacional. racionalidade.
Secularização das Exaltação da liberdade (do
instituições . indivíduo, dos povos, de
Respeito pela iniciativa criação artística…)
individual; ausência de Atracção pela Natureza,
intervenção na economia. Idade Média, Oriente.

2. O Salão – o novo espaço de conforto e intimidade (O local)

Morte de Luís XIV (1714)

Pompa de Versalhes esmoreceu

Aristocracia transporta o requinte para os seus salões onde prepondera:


- requinte - elegância
- sensualidade - luxo

Nasce o Rococó
(alegria, optimismo, “bom viver”)

Salões da aristocracia
(local de recepção às “estrelas” da época)

38
3. As Luzes – as rupturas culturais e científicas (Síntese 1)
A filosofia das Luzes

Contexto intelectual da época moderna

Crença na excelência do espírito humano (antropocentrismo).


Prática da observação / experimentação.
Exercício do espírito crítico / dúvida metódica – racionalismo.
Progressos técnico-científicos.
Filosofia de Locke (1632 – 1704): busca da felicidade e do prazer na base da
tolerância e do respeito pelos direitos dos indivíduos.

Iluminismo

Primado (das Luzes) da Razão na compreensão do mundo e na resolução de problemas.


Visão optimista do destino da Humanidade / Progresso.
Fundamentado nos valores da burguesia.
Defensor da liberdade e igualdade.

Contestação da Tradição Defesa do Progresso


Privilégios e distinções sociais. Direito natural / moral natural.
Servidão; escravatura. Individuo.
Origem divina do poder. Contrato social.
Concentração dos poderes. Soberania popular.
Fanatismo, dogma, superstição. Divisão dos poderes.
Tolerância religiosa.
Deísmo.
Ateísmo.

Iluministas Meios de divulgação

Diderot Salões aristocráticos


Voltaire Clubes privados
Montesqieu Cafés
Rousseau Maçonaria
Holbach Imprensa:
Ribeiro Sanches - jornais
Luís António Verney - Enciclopédia
- livros

39
4. Da festa galante à festa cívica, a revolução da sensibilidade

Festa galante Festa cívica

. Desenvolvida ao longo do século XVIII. . Desenvolvida durante o período


revolucionário da Convenção(1794).
. Promovia a elegância, o requinte de . Comemorava os grandes feitos
comportamentos. revolucionários franceses.
. Pretendia ocupar o lugar das festas
religiosas.
. Contribuíram para criar o sentido cívico
dos cidadãos.

5. Biografia: Jean Jacques Rousseau (1712-1778)

Teoria do “bom selvagem”, todo o homem nasce naturalmente


bom;
Princípios que Desenvolvimento técnico e das ciências trouxe a degradação dos
defende costumes;
Contrato Social: acordo tácito entre governantes e governados;
Ideias pedagógicas inovadoras: experimentação e liberdade da
criança.
Obras “O Contrato Social” (1762)
“Emílio” (1762)

Seu pensamento vai influenciar a Revolução Francesa

6. Acontecimento: A Declaração Universal dos Direitos do Homem e do


Cidadão

Nasce Assembleia Nacional Constituinte (26 de Agosto 1789)

Liberdade individual;
Princípios que Igualdade de todos os homens;
defende Povo passa a ter a soberania do Estado;
Divisão tripartida dos poderes;
Liberdade de expressão.
Tornou-se no documento base dos direitos para a toda a
Sua importância Humanidade.

40
7. A Arte Rococó – o sentido da festa; a intimidade galante

Rococó
(1720-1760)
(rochas marítimas com algas e conchas)

Nova maneira de sentir e viver a arte – a Arte pela Arte

Características gerais
Espírito tolerante e crítico
Irreverência
Ideologia presente Individualismo
Intimismos
Prazeres da vida
Adaptado ao gosto aristocrático e burguês.
Contexto social Serve o modo de vida desta sociedade: galante, alegre,
fantasista, filosófico e político.
Manifesta-se Artes menores: mobiliário, cerâmica, ourivesaria, prataria,
ferraria, tapeçaria.
Belas Artes: arquitectura, escultura e pintura.

A Arquitectura
Princípios gerais
Diferenciação dos Procura de adaptação dos edifícios à sua função.
edifícios Nasce a preocupação com a distribuição dos espaços, a sua
articulação e sua decoração.
Estruturas Exteriores simples.
arquitectónicas Interiores cómodos e requintados.
Decoração Mantêm-se os elementos decorativos do barroco.
Elementos decorativos tornam-se mais livres e sensuais.
São introduzidas as chinoiseries.
Materiais Aplicação de materiais fingidos, estuques, madeiras

Arquitectura religiosa
(plantas longitudinais e complexas)
Exterior Simples
Utilização de muitas janelas
Interior Decoração exuberante.
Mistura a arquitectura, pintura e escultura.

41
Arquitectura civil
(Hôtel particulier, palácio)
Fachada alinhada e alisada: ângulos rectos suavizados por
curvas audazes:
Balaustradas, entablamentos e cornijas.
Portas-janelas de grandes dimensões com arcos de volta-
Exterior perfeita ou achatados.
Decoração exterior limita-se a determinados pormenores:
ferragens, batentes, portas, janelas…
Utilização do ferro forjado.
Jardins completam o cenário.
Salão central é o eixo do edifício.
Vestíbulo antecede o salão com escadaria.
Andar superior é ocupado pelas divisões privadas.
Interior Divisões são baixas, pequenas, arredondadas e com elementos
decorativos requintados.
Paredes decoradas com molduras que fazem sobressair as
telas, os frescos, os relevos.

7.2. A escultura do rococó


Características
Curvas e contracurvas mais delicadas.
Novos cânones Curvas em S e C e contracurvas duplas.
estéticos Figuras humanas mais alongadas e galantes.
Grupos escultóricos com composições movimentadas e elevado
sentido cénico.
Novos géneros Escultura decorativa exuberante integrada na arquitectura.
escultóricos Estatuária de pequeno porte (bibelots).
Novos materiais Porcelana (biscuit), estuque, gesso, argila, ouro, prata, pedras,
madeira.
Preponderância dos temas “menores”: sensuais, jocosos,
eróticos, galantes.
Novos temas Mitologia (deuses menores).
Temas pitorescos, quotidiano…
Estatuária religiosa.

7.3. A pintura rococó


Temas Cenas pastoris, motivos galantes e sensuais, retratos.

Ritmados
Composição Exuberantes
Ornamentos de tendência marinha
Cromatismo Brancos, azuis, rosas, nacarados das conchas

42
7.4. Da Europa para o Mundo

A pintura em França
Autores Características Obras
Influenciado por Rubens.
Jean Antoine Mistura a fantasia com a realidade. Peregrinação à ilha de
Watteau Envolve as suas festas em Cítera
(1684-1721) melancolia.
Aplica a amplitude na paisagem. Les Champs Elysées
François Deu ênfase aos temas sensuais.
Boucher Pintou jovens mulheres com grande O banho de Diana
sensualidade.
Jean-Honoré Pintor de cenas galantes. O Baloiço
Fragonard Aplica a cor de forma emotiva. Baigneuses
Muda o seu estilo após a Revolução Diderot
Francesa.
Jean-Baptiste Dá valor aos mais simples objectos. Menino do pião
Chardin Segue a tradição holandesa ao pintar Benedicite
o quotidiano. Natureza morta com caça

O Rococó em Itália
Arquitectura
Segue o estilo barroco.
Rococó ganha importância na decoração dos interiores e na pintura decorativa mural.

Pintura mural

Autores Características Obras


Giambattista Segue a tradição veneziana. Triunfo da monarquia
Tiepolo Aplica cores claras e límpidas. espanhola
Sala da residência
Episcopal de Wurzburg

Pintura sobre tela

Autores Características Obras


Canaletto Utiliza a exactidão topográfica.
(1697-1768) Reproduziu com poesia Veneza. A Basílica de S. Marcos
Exímio no trabalho da luz.
Francesco Mistura o real com o imaginário.
Guardi Excelente na observação directa da Grande Canal de Veneza
(1712-1793) paisagem.

43
O Rococó na Europa Central e do Norte
Países germânicos
Arquitectura
País Autores Obras
Cuvilliés Teatro de Residência de Munique
Neumann Residência Episcopal de Wurzburg
Alemanha Zimmerman Igreja de Wises
Knobelsdorff Pavilhão de Chá do parque de Sans-
Souci
Áustria Hildebrant Palácio de Belvedere

A Escola Inglesa de Pintura


Autores Características Obras
Cria uma visão realista.
William Pinta cenas de género cheias de Angariadores de votos
Hogarth sátira. nas eleições de 1754
(1694-1764) Grande retratista. O Passeio Matinal
Thomas Retratos estão muitas vezes
Gainsborough envolvidos em paisagem. Retrato de Lady Home
(1727-1788) Criador da tela paisagista, poética e Um lugar à beira-rio
ampla.

Espanha
Autores Obras
Juvara Palácio Real de Madrid
Arquitectura Sachette
Ardemans Palácio real de Aranjuez
Escultura Narciso Tomé Altar Transparente,
Catedral de Toledo

Portugal

Autores Obras
Câmara de Braga
Arquitectura André Ribeiro Soares da Silva Casa do Raio (Braga)
Capela de Santa Maria
da Falperra

Mateus Vicente de Oliveira Palácio de Queluz


Estátua Equestre de D.
Escultura Machado de Castro José I
Presépios

Pintura Pedro Alexandrino Palácio de Queluz

44
A Arte Neoclássica
(1750 – 1850)

Arquitectura
Modelo de inspiração

Antiguidade Clássica

Arquitectura Romana Arquitectura Grega


(durante o século XVIII) (durante o século XIX)

Preparação científica
Conteúdo ideológico Inovação técnica

Revolução Novos sistemas construtivos Preparação escolar dos


Progresso Novas maquinarias arquitectos
Reformas Novos materiais Procura de soluções
Moralização funcionais
Procura das adaptações dos
modelos às exigências
modernas

45
Características gerais da arquitectura neoclássica

Materiais Tradicionais: mármore, granito, madeira


Modernos: Ladrilho cerâmico e ferro fundido

Sistema construtivo Base muito simples


Utilização do arco redondo quando se fazem construções mais
complexas

Plantas Formas regulares e simétricas


Base: triângulo, quadrado, círculo

Paredes Paredes maciças


Linhas simples
Exterior revela a organização interior

Cobertura Tecto plano


Abóbadas de arestas
Cúpulas (áreas sociais ou átrios)

Decoração Pórticos colunados


Entablamentos direitos
Frisos lisos ou decorados
Frontões triangulares

Interior Preocupação constante com a funcionalidade


Decorações imitam as casas de Pompeia e Herculano
Intimidade e conforto nas mansões familiares

46
As Escolas Nacionais

País Ideário Arquitecto


Obras

Inglaterra Expressão da monarquia Richard Boyle Chiswick House


parlamentar Robert Adam Kenwood House
Símbolo dos novos William Chambers Somerset House
Jonh Soane Banco de Inglaterra
valores sociais,
Jonh Carr
financeiro e urbanos Hospital de Sto.António
Robert Smirke
Museu Britânico

França Período revolucionário Jacques-Ange Gabriel Petit Trianon


inspira-se na Roma Jacques-Germain Panteão Nacional
Soufflot
Imperial Arco de triunfo
Jean François Calgrin
Igreja de Madeleine
Pierre Vignon

Procura do rigor Karl Gottfried Porta de Brandeburgo


Alemanha científico e formal Langhans Museu Antigo de
Busca a inspiração no Karl Friedrich Schinkel Munique
modelo grego Leo von Klenze Wahalla
Propileus de Munique

EUA Símbolo das virtudes Thomas Jefferson Biblioteca da


republicanas Universidade da Virgínia
Tornou-se no primeiro
estilo nacional William Thornton Capitólio de Washington
americano

47
O urbanismo neoclássico

Racionalização Criação de grandes vias direitas


Viabilização da circulação

Ordenação e Uniformização das fachadas dos edifícios nas praças públicas


regularização Modelo nasce na Inglaterra e parte para a Europa e EUA.

Geometrização da Vias para circulação devem ser direitas


malha urbana Vias a cruzarem-se ortogonalmente (retícula)

Lisboa Pombalina

48
A Pintura Neoclássica

Centros difusores

Paris Roma

Coração da Revolução Representante da tradição clássica


Símbolo da liberdade, fraternidade e Centro de inspiração temática, plástica e
progresso pictórica

Características

Procura do ideal clássico de beleza Desenho rigoroso e linear


Temas: alegorias, mitologia, heroicidade, Busca da perfeição técnica
História e retrato Predomínio da linha, contorno e volume
Monumentalidade das obras Preferência pelas cores sóbrias com
Racionalismo das formas tonalidades frias
Presença da austeridade, simplicidade e Criou o chamado academismo
geometrismo

49
Pintores neoclássicos

Características Obras
Pintor

« Artista oficial » da Revolução do período O Juramento dos


Jacques-Louis napoleónico. Horácios
David Personagens são apresentadas como estátuas (330 x 425 cm)
(1748-1828) animadas
Fundos uniformizados, lisos e abstractos A morte de Marat
Figuras vestidas e tratadas à maneira clássica (165 x 128cm)
Temas: históricos, contemporâneos e de
propaganda, retratos A coroação de
Josefina

Antoine-Jean Pintor ao serviço de Napoleão Os pestíferos de


Gros Utiliza o clássico na composição Jaffa
(1780-1835) Representa temas da actualidade onde lhe dá (532 x 720cm)
um tom dramático Bonaparte na
ponte de Arcole

Jean-Dominique Ingres
Mestre no tratamento do nu feminino A Odalisca
(1780-1867) As suas formas revelam beleza e suavidade (90 x 162cm)
Utiliza cores claras e luminosas
Retrato sóbrio O banho turco
Atmosferas sensuais e exóticas (108 cm de
diâmetro)

50
A escultura neoclássica

Temas Históricos, alegóricos, literários e mitológicos


Estátuas de corpo inteiro, bustos e relevos

Locais/Função Glorificação e propaganda


Praças públicas, pedestais, nichos, casas de nobres e burgueses,
cemitérios

Técnica Procuram realizar as cópias perfeitas da Antiguidade


Concepção feita em maquetas passadas para o material de eleição:
mármores

Artistas

Escultor Características Obras


País

António Canova Itália Procura alcançar o ideal Psiche reanimada


(1752-1822) universal de beleza pelo beijo do Amor
Representa os personagens Paulina Bonaparte
transfigurados em deuses

Jean-Antoine França Estuda a escultura clássica Voltaire


Houdon Estuda corpos dissecados e
(1741-1828) pormenores fisiológicos
Procura a expressividade do
rosto

Thorvaldsen Dinamarca Combina o clássico com o


(1770-1844) gosto burguês da época Jasão com o velo de
Acrescenta à frieza clássica ouro
laivos de emoção

51
O Neoclassicismo em Portugal

Arquitectura

Porto Lisboa
Influência inglesa Influência italiana

Autor Obras Autor Obras

John Carr Hospital Sto. António José Costa e Silva Teatro de S. Carlos

J. Whitehead Feitoria Inglesa Francisco Fabri Palácio da Ajuda


Costa e Silva
António Pinto Igreja da Ordem Terceira de
Miranda S. Francisco Fortunato Lodi Teatro Nac. D. Maria II

Joaquim da Palácio das Carrancas Ventura Terra Assembleia da República


Costa Lima (remodelação)

Carlos Amarante Igreja da Ordem da


Trindade
Faculdade de Ciências
Igreja de Bom Jesus do
Monte

Escultura Pintura

Machado de Castro Vieira Portuense


Domingos Sequeira
João José de Aguiar

52
O urbanismo na Baixa Pombalina

53
Terramoto de 1755

Catalisou a reforma urbanística.


Pombal ordena a reconstrução.
Pombal conjuga urbanismo com sentido de Estado.
Malha urbana de Lisboa vai conciliar edifícios de carácter público e simbólico.

Lisboa pombalina conjuga concepção, realização, legislação e fiscalização

Manuel da Maia: apresenta várias propostas muito importantes;


foi escolhido o projecto que previa uma cidade geométrica,
racional, com rígidas imposições estéticas e construtivas.

Autores Eugénio dos Santos: desenha a planta em grelha de


perpendiculares com quarteirões rectangulares, baseada em duas
praças (Comércio e Rossio) unidas por grandes ruas, a Augusta e
a Áurea. Terreiro Paço passa a simbolizar o poder do Estado.

Carlos Mardel: desenhou as fachadas do Rossio


- Cidade de traçado regular e arquitectura de programa.
- Retícula da cidade balizada pelas Praça do Comércio e do
Rossio.
- Praça do Comércio centraliza a área comercial/estatal, a estátua
de D.José I é apenas simbólica; Arco da Rua Augusta dá ao local
o seu tom real; edifícios encontram-se sobre arcadas com dois
Lisboa Pombalina torreões. Deixou de existir aqui o Palácio Real.
- Praça do Rossio: centro comunitário; edifícios com maior
variedade e ritmo marcado pelos portais.
- Ruas importantes têm 60 palmos e as secundárias 40.
-Ruas mantêm a sua toponímia (ofícios ou religiosa).
- Edifícios sujeitos a regras de construção que os uniformizam.
- Técnicas construtivas inovadoras: sistema de gaiola;
estandardização e prefabricação da cantaria e madeira.
- Saneamento, fornecimento de água potável são preocupações.

Lisboa é:
“instrumento da ideologia do regime reformista de um déspota iluminado cuja marca
fundadora é a própria reforma urbana de Lisboa.”

Módulo 8

54
A cultura da gare

A velocidade impõe-se
1. 1814-1905: da Batalha de Waterloo à Exposição dos Fauves
(O tempo)
Política Economia Demografia Sociedade
Movimentos Crescimento da Crescimento da
nacionalista na industrialização. Êxodo rural. pequena burguesia e
América latina. Nascimento da do proletariado.
Congresso de Viena fábrica. Expansão urbana. Divisão social entre
(1814-15). Distribuição operariado e
Santa Aliança internacional das Explosão burguesia
(1815). actividades demográfica. capitalista.
Derrota de económicas.
Napoleão em 1815.

Evolui
1. Política 2. Economia 3.Urbanismo
Unificação da Alemanha e Acentua-se a
Itália. industrialização. Preocupações crescentes
Instala-se a democracia com as cidades.
liberal. África torna-se o local a
Voto é censitário. explorar. Soluções urbanas
Nascem os partidos inovadoras são aplicadas.
políticos.
Conferência de Berlim
(1884-85) instala o
imperialismo.
Cresce o espírito bélico
entre as potencias
europeias.

4. Sociedade 5. Ideologia 6. Ciência


Cresce a escolaridade de
Cresce a classe média e o Ideias socialistas e massas.
operariado. anarquistas espalham-se. Laboratório e indústria
tornam-se aliados.
Comunismo ganha adeptos. Positivismo impera na
Europa.
Invenções são
industrializadas.

2. A Europa das linhas férreas

55
(O espaço)

O comboio alterou a vida dos homens.

Desenvolveu a economia: produção, comércio e circulação de produtos.


Formou novas cidades.
Alterou com as suas infraestruturas as cidades antigas: pontes, túneis, apeadeiros,
gares.
Permitiu o fornecimento constante de produtos.
Permitiu a rápida circulação de pessoas e ideias( imprensa, correios).
Criou novas empregos e profissões.
Desenvolveu o sistema financeiro do Estado e das empresas ferroviárias.
Permitiu as unificações políticas e a rápida deslocação de exércitos.

3. A Gare
(O local)

A Gare

Situa-se no centro das cidades.


Redes viárias e avenidas para ela convergem.

Desenvolve uma arquitectura própria

Apresentam fachadas monumentais.


Arquitectura de ferro e vidro teve aqui um dos seus locais por excelência.

4. O indivíduo e a Natureza

56
(Síntese 1)

Romantismo

Emoção indefinida.
Temas favoritos: novelas pastoris e de cavalaria, paisagens pitorescas.
Defesa da liberdade e dos direitos do indivíduo.
Culto da emoção, fantasia e sonho.
Exaltação da Natureza (selvagem e personificação dos sentidos).
Gosto pela Idade Média, nacionalismos.
Preferência pelo herói e artista maldito

5. Nações e utopias
(Síntese 2)

A Europa das contradições

Nacionalismo Industrialização
Liberalismo

Nascimento da consciência nacional. Agudização das condições sociais.


Culto da língua nacional. Formação da consciência de classe.
Culto das tradições nacionais. Nasce o movimento operário e o
sindicalismo.
Crescimento do Socialismo (Utópico e
Cientifico).
Aumento da crítica social e política.

Liberdade na arte
Liberdade na sociedade
Artistas são a bandeira das novas sensibilidades

57
6. O engenheiro Gustave Eiffel (1832-1923)
(Biografia)

Personificou a fusão entre a funcionalidade e a estética.


Trabalhou com sucesso o novo conceito “espaço”.

Obras que o imortalizaram:


Torre Eiffel (Exposição Universal de Paris de 1884)
Estrutura metálica da Estátua da Liberdade
Projecto das comportas do Canal do Panamá

7. A 1ª Exposição Universal, Londres (1851)


(Acontecimento)

A 1ª Exposição Universal, Londres (1851)

Nasce como meio de divulgação dos novos produtos e tecnologias.


Estiveram presentes países e culturas distintas.
Nasce a tradição das exposições com grandes novidades tecnológicas.
Deixou um novo modelo de arquitectura.

Palácio de Cristal de Joseph Paxton

Materiais: ferro e vidro


Edifício efémero e funcional.
Edifício que nasceu para ser reutilizável.
Lançou a moda da arquitectura do ferro ao alterar o gosto estético.

58
8. O romantismo – o triunfo do indivíduo e da emoção; o passado enquanto
refúgio

Romantismo
(1780-1850)

“O Romantismo não reside na escolha dos temas, nem na verdade exacta, mas na
maneira de sentir. Quanto a mim, o Romantismo é a expressão mais recente e mais
actual do belo. Quem diz Romantismo diz arte moderna, isto é, intimidade,
espiritualidade, cor, aspiração ao infinito, expressos através de todos os meios
artísticos.”
Baudelaire , 1846

É um produto da sua época


Defensor dos princípios humanistas e nacionalistas
Valorizador das minorias (povo comum)
Exaltador da cultura popular
Revolucionário através do povo comum
Criador do herói popular
Desiludido com o rumo tomado pela burguesia
Desencantado com a indústria e o urbanismo

Defende:

Interioridade O mundo complexo dos sentimentos e das emoções, os sonhos, os


devaneios e as fantasias;
As viagens dentro de si mesmo;
A fuga ao real que desilude e magoa.

A alma em comunhão com a natureza.


Isolamento A exaltação do mundo rural e da sua pureza.
O interesse por sociedades primitivas ou exóticas.

Passado das Procura das raízes medievais das nações.


nações Idealização da Idade Média

Arte é inspiração Não nasce por receita ou Academismo.


e criação Obedece apenas a impulsos pessoais
Nasce de necessidades inatas e sublimes.

59
Romantismo
Sentimento
Inspiração
Genialidade

Arquitectura

Defende Pretende Procura


. A irregularidade da . Provocar sensações . Épocas passadas (Idade
estrutura espacial e a . Motivar estados de espírito Média)
volumetria. . Transmitir ideias . Civilizações exóticas
. O sentido orgânico das
formas
. Os efeitos de luz
. O movimento dos planos
.O pitoresco da decoração

Principais tendências

Defesa do nacionalismo político


Historicista Valorização das tradições nacionais
Exaltação do misticismo e do instinto
Nasce o neogótico, o neoromântico, o neobizantino, o neobarroco
Ecléctico Combinação no mesmo edifício de vários estilos e influências
Coloca em evidência a imaginação e o sonho
Exótico Exalta a excentricidade individual
Interesse pelos estilos indiano, chinês, japonês, árabe.

60
A pintura romântica
(1820-1850)

Apresenta caminhos individualistas: diversidade formal e


plástica
Defende a paixão, imaginação, sonho, sensualidade
Procura os grandes desígnios do Homem e da Existência

Temática Expressão

. Episódios históricos
. Literatura do passado e presente . Prevalência da cor sobre o desenho linear
. Acontecimentos trágicos, heróicos, épicos . Fortes contrastes cromáticos
da realidade . Intensas utilizações do claro/escuro
.Mitologia cristã e nórdica . Uso da aguarela e do óleo
. Mundo dos sonhos . Pincelada larga
. Natureza (personificada) . Estrutura agitada e movimentada (linhas
. Vida animal oblíquas)
. Mundos exóticos . Figura humana (em escorço que reforça o
. Costumes populares (feiras, romarias…) dramatismo e o movimento)
. Retrato psicológico
. Herói individual

Pintores do Romantismo

País Artista Obras

Gericault A jangada de Medusa


França
Delacroix Massacre de Quios
A Liberdade guiando o Povo
O mar de gelo
Alemanha Caspar David Friedrich O viandante sobre um mar de
névoa
William Blake Piedade
Inglaterra John Constable O campo de trigo
William Turner O incêndio da Casa dos
Lordes e dos Comuns
O 3 de Maio de 1808 em
Madrid
Espanha Goya A Maja desnuda
A Maja vestida
Retrato da Duques de Alba

61
A escultura romântica
Temática Forma de representação
Natureza Sentido teatral
Temas heróicos Composições livres
Cenas fantásticas Alianças entre o acabado e o
inacabado

Artistas

Escultores Obras
Auguste Prèault Massacre (baixo relevo)
François Rude A Marselhesa
Antoine-Louis Barye Jaguar devorando uma lebre
Jean-Baptiste Carpeaux A dança
Frédéric-Auguste Bartholdi A estátua da Liberdade

A Arte do Romantismo em Portugal


Arquitectura

Edifícios Local Revivalismo

Mosteiro dos Jerónimos Lisboa


Palácio do Buçaco Buçaco Neomanuelino
Estação do Rossio Lisboa
Palácio da Regaleira Sintra
Capela dos Pestanas Porto Neogótico

Praça de touros do Campo Lisboa


Pequeno
Palácio Monserrate Sintra Neo-árabe
Salão Árabe (Palácio da Porto
Bolsa)

Basílica de Santa Luzia Viana do Castelo Ecléctico

Pintura Escultura
Leonel Marques Pereira
Augusto Roquemont
João Cristino da Silva Vítor Bastos – Camões (Lisboa)
Metrass Anatole Camels – D.Pedro IV (Porto)
Tomás da Anunciação
Luís Pereira Meneses

62
9. Um novo olhar sobre o real
9.1. Naturalismo e realismo
O Realismo
(1840 –1860)

Segundo Proudhon:
A arte deve ter fins sociais e o artista deve comprometer-se com as grandes causas
humanitárias e denunciar as contradições e injustiças através da sua obra.

Proclama-se como uma arte anti-académica e objectiva, próxima da realidade palpável


do mundo contemporâneo.
Os seus artistas fundamentam-se no real físico e social.
Os temas sociais do mundo rural e urbano, são abordados com grande evidência e a
gravura torna-se um meio privilegiado de divulgação de cenas e tipos sociais. O artista
procura denunciar as realidades cruéis de sociedade e apresentar a natureza tal como ele
se manifesta e não como é pensada. Para além dos temas da actualidade, plasticamente, a
pintura realista afasta-se do Academismo, procurando, através do registo directo, dar um
novo tratamento á luz e uma nova consistência aos volumes.

Características gerais da pintura

Procura a realidade objectiva


Dá atenção à natureza observável
Representa a vida moderna
Interessa-se pelo quotidiano citadino e rural
Preocupa-se com a nova realidade social
Trata a figura humana com rigor e proporção
Utiliza técnicas ligeiras próximas do esquisso

63
Pintores realistas

Artista Princípios identificadores Obras


Gustave Preocupado com questões ideológicas e Um enterro em Ornans
Courbet políticas
Procura a fidelidade em relação ao visível Interior do meu atelier
Temas: paisagens, retratos e auto-retratos
Utiliza a cor e os materiais de forma opaca

Honoré Interessado pelas cenas do quotidiano A lavadeira


Daumier Interpreta tipos sociais e humanos
Utiliza o desenho livre, pincelada solta e tons O vagão de terceira
terrosos classe

Millet Interessado em temas rurais Angelus


Inculca um grande sentido moral As respigadoras do trigo

Corot Cria pinturas paisagistas As casas Cabassaud na


Defende um grande rigor na composição Villa d’Avray

O Naturalismo e a Escola de Barbizon

Características Temas Autores


Influenciado pela fotografia Paisagens (marinhas e
Grande interesse pela luz e bucólicas) Corot
seus efeitos atmosféricos Cenas populares Rousseau
Ambientes burgueses Daubigny
Retratos

64
9.2. Impressionismo e Neo-Impressionismo
O Impressionismo

Movimento que nasce em 1860-70.


Nasce por oposição ao Romantismo, ao Academismo e ao Realismo.
Reflecte a ascensão da burguesia e do capitalismo.
Utiliza os progressos técnicos e científicos.
Movimento artístico que reflecte as personalidades dos seus artistas

Elementos
unificadores
Contributos Técnicas
Artista
s
Pintura urbana. Fotografia: Justaposição de Manet
enquadramentos e a pinceladas pequenas
Impressões perspectiva aérea. em forma de vírgula, Monet
sensoriais dos nervosas e feitas com
artistas. Estampas japonesas: grande rapidez. Degas
linearismo, forma
Adeptos do en plein plana, sem claro- Cores puras, fortes Renoir
air. escuro, sem modelado retiradas directamente
e volumetria. do tubo. Pissarro
Temas :
a) paisagens Descobertas Cores aplicadas de Sisley
b) pessoas científicas: óptica e acordo com as leis das
c) ambiente de percepção da cor. complementares. Cézanne
lazer
d) efeitos da luz Descobertas técnicas: Dissolução da forma, Toulouse-
na natureza e tinta em tubo. da superfície e dos Lautrec
nos objectos volumes.

Pintura fluida e
aérea que capta o
fugidio.

65
Pintores Impressionistas

Pintor Características Obras


Utilizou cores fortes e
contrastes cromáticos. O almoço na relva
Aboliu os meios-tons, dando
preferencia às largas manchas Olympia
Édouard Manet de cor.
Ganha uma paleta mais O Bar das Folies-Bergéres
luminosa ao contactar com os
restantes impressionistas.
Realçou a luminosidade de
cada cor. Impressão sol nascente
Claude Monet Cria um cromatismo volátil. Tanque com nenúfares
Explora as atmosferas e os A gare de Saint-Lazare
efeitos dos reflexos da luz A catedral de Rouen
sobre as superfícies.
Destacou-se na aplicação do
Camille Pissarro ponto de vista “aéreo”. Telhados vermelhos
Interessado nas representações
de paisagens. O “Boulevard” de Montmartre
Dedica-se à pintura de
Alfred Sisley paisagem. A inundação em Port-Marly
Revela serenidade e
sensibilidade na aplicação da Ponte de Moret
cor.
Pintor dos momentos alegres e
elegantes. Baile no Moulin de la Galette
Retratista do feminino e dos
Auguste Renoir seus nus. O baloiço
Preocupa-se com os reflexos,
com os raios filtrados pelas Mulher ao sol
folhagens.
Interessado pelas corridas de
cavalos e pela dança. Recinto de corridas
Procura enquadramentos
Edgar Degas inesperados, corta as figuras e O Foyer de dança na ópera da
descentra os assuntos. Rue Le-Peletier
Usa o ponto de vista tomado
“de cima”. O absinto
Utiliza o pastel
Aprofunda a visão do espaço e
dos corpos. L’ Estaque
Começa a procurar uma
Paul Cézanne estrutura sólida para a A ponte de Maincy
organização do quadro.
Propôs o estudo rigoroso do
espaço e das formas.
Deu preferência a temas
Toulouse-Lautrec boémios. No Moulin Rouge
Figura importante na produção
de cartazes e anúncios.

66
9.3. O Pós-Impressionismo

Acentua-se:

O abandono da imitação da natureza


A importância da cor
O valor da bidimensionalidade

Van Gogh Cézanne Gauguin


(1853-1890) (1839-1906) (1848-1903)

Realista: Procura dar da natureza Recusa a Europa industrial.


a) na fase camponesa uma visão estável. Procura os antigos valores,
b) utiliza a cor de Utiliza a geometria das símbolos e crenças.
forma autónoma formas para atingir o Funda a Escola de Pont-
Expressionista : consistente. Aven:
a) formas sinuosas, Recupera a materialidade a) utiliza formas
ondulantes das formas. simplificas e
b) desenho Trabalha de forma metódica elementares, cores
anguloso e e muito estudada. mais puras
violento Técnica: (sintetismo).
c) cores vibrantes e a) pinceladas b) Utiliza o
enigmáticas orientadas cloisonismo
d) técnica de b) pinceladas paralelas c) Atribui maior
empastamento, nos vários matizes espiritualidade às
pinceladas cromáticos suas obras
onduladas c) escalonamento dos Simbolismo permite-lhe
e) reforça com a planos libertar a imaginação e a
técnica as formas d) cria com estas criação, usando
básicas técnicas os significados, metáforas e
f) personifica na sombreados do analogias.
natureza os seus desenho A pintura deve ser magia,
estados de alma Quadro não imita a natureza imaginação e alegoria.
A pintura deve ser
independente da natureza.

Expressionismo Cubismo Fauvismo


Expressionismo

67
9.4. A escultura: Rodin
(1840 – 1917)

Influências

Românticos Miguel Ângelo Fotografia

Descobre o rigor do Permite captar os modelos


Utiliza o movimento, o clássico. em movimento.
abandono, o pitoresco.
Transforma em arte o Permite compor as suas
inacabado. personagens.

Termina com as poses


académicas nos seus
modelos.

Características do seu trabalho:

Utiliza a estatuária grega e romana mutilada.


Inspira-se nos cadáveres petrificados de Pompeia.
Inova ao colocar as suas estátuas fora do pedestal.
Contrapõe o lido e o rugoso nas suas peças.
Esculpe as personagens nuas e só depois as veste.

68
9.5. Pintura e escultura, em Portugal, nos finais do século XIX
O Naturalismo na pintura portuguesa
(vivo até meados do século XX)

Artista Características Obras

Silva Porto Continuador dos grandes artistas franceses Guardando os rebanhos


Dá preferência a paisagens campestres e
registos folclóricos
Utiliza a gradação de tons nas cores Cancela vermelha
primárias

Marques de Paisagista e retratista Costureiras trabalhando


Oliveira Pinta de forma livre e cheia de
transparências

José Malhoa Grande pintor de géneros O Fado


Dá importância ao pormenor e à
luminosidade As Promessas

Henrique Aberto às correntes europeias Cecília


Pousão Livre de tutelas académicas

Columbano Interessado nos hábitos da burguesia Concerto de amadores


Procura captar a personalidade dos O Grupo do Leão
retratados

A escultura

Artista Características Obras

Soares dos Consegue registar atmosferas e O Desterrado


Reis sentimentos
Representa problemas humanistas,
estéticos e psicológicos A flor agreste
Dá uma forte modelação com jogos de luz
e sombra

A viúva
Teixeira Consegue reproduzir formas puras e
Lopes delicadas Caim

69
10. A arte ao redor de 1900

Arquitectura e Industrialização

Nascem, durante o século XIX, novas necessidades:

Responder ao crescimento Responder ao rápido Responder ás novas


populacional crescimento urbano necessidades impostas pelas
novas funções

Nasce uma nova realidade:

Edifícios Transportes Equipamentos

Fábricas Estações de caminho de Hospitais


Armazéns ferro Escolas
Escritórios Pontes metálicas Mercados
Habitações colectivas Pavilhões de exposições

Nascem as Escolas Politécnicas que:

Respondem com Criam os Engenheiros que

Maior eficácia Aplicam os saberes científicos


Maior rentabilização do trabalho Utilizam novos equipamentos
Maior adaptação à função Utilizam novos meios construtivos
Melhor resposta aos orçamentos exíguos Aproveitam novos materiais ( tijolo cozido,
ferro, vidro, aço, cimento armado e betão)
Tinham uma visão mais pragmática,
racionalista e funcionalista

70
O Ferro
Resistente e funcional

Primeira fase Segunda fase

Apresenta-se em barra lineares Joseph Paxton em 1851 dá ao ferro e vidro


Aplica-se em pontes, cúpulas e coberturas o lugar de destaque
Nasce a viga mestra em ferro (1830) Empregam-se módulos estandardizados de
Passa a aplicar-se nas construções em ferro e vidro montados no local
altura e a reforçar alicerces Inicia-se o sucesso com o Palácio de
Estruturas em ferro eram escondidas com Cristal
alvenaria, por ex. Aparecem equipamentos que seguem o
modelo: mercados municipais, galerias
comerciais, fábricas, mansões, vilas
operárias

A Arquitectura do Ferro apresenta duas tendências:

Modernizar os sistemas e processos Novos gostos e conceitos estéticos


construtivos

Aceitação do esqueleto construtivo em Cresce o gosto pela linearidade dinâmica e


ferro estrutural
Construção por módulos Desmaterializa-se os volumes
Aplicação de elementos pré-fabricados e arquitectónicos
estandardizados
Nasce a construção em altura
Nascem novas tipologias
Construi-se mais económica e rapidamente

71
O movimento Arts and Crafts
Fundado por:
Jonh Ruskin
William Morris (o maior dinamizador)

Durante a 2ª metade do século XIX

Lutaram contra Defenderam

A influência da indústria na Arte. A separação entre indústria e arte.


A ligação entre a criação artística e a
A falta de originalidade e de estética. execução técnica.
O regresso ao processo criativo das
A vulgarização do conceito Arte. corporações medievais.
O uso de materiais naturais.
O fabrico de peças únicas.
A tradição popular de cada país.
A educação estética do povo e a melhoria
da sua qualidade de vida.

Percurso do movimento

1851 Museu de Artes Decorativas de South Kensington


1861 Nasce a firma artesanal “Morris, Marshall, Faulkner and Cª
1888 Arts and Crafts Exibition Society

Influência na Arquitectura Influência nas Artes Aplicadas

Rejeitaram as novas tecnologias de Deram preferencia à simplicidade e pureza


construção. formais.
Seguiram a tradição inglesa com raízes
medievais. Usaram decorações inspiradas em plantas,
Utilizaram exteriormente formas pássaros e outros animais.
irregulares.
Valorizaram no interior espaços funcionais
onde o recheio obedecia aos mesmos
critérios.

72
A Arte Nova

Período da “Belle Époque”


(1880 – 1910)

Instala-se o Modernismo
(ruptura com a tradição e procura de novas expressões)

Nasce com ele o estilo


Arte Nova
Seus princípios unificadores:
Inovação formal Adesão ao progresso Adopção da nova estética

Formas da natureza e do Recurso às novas técnicas e Adopção das linhas


homem materiais ( ladrilho, ferro, sinuosas e estilizadas
vidro, betão...)
Movimentos sinuosos e Apelo à fantasia e
encadeados sensibilidade

Formas estilizadas,
sintetizadas ou
geometrizadas

Influências:
Arts and Crafts
Gótico flamejante
Rococó
Pinturas japonesas
Arte celta

As artes aplicadas
Objectos são valorizados numa relação forma/função

Mobiliário Cartazes
Vidros Jornais
Jóias Revistas

73
A arquitectura na Arte Nova
É o primeiro estilo inovador do século XIX.

Nível técnico Nível formal Nível estético


Utilizaram as técnicas e Plantas livres (com Ornamentação exuberante
sistemas de engenharia dependências funcionais) no interior e no exterior
Usaram os materiais Volumes irregulares e Volumetria, estilização e
estruturantes e de assimétricos geometrização a nível do
acabamentos Superfícies sinuosas desenho
Sinuoso, movimentado e
expressivo
Naturalista, simbólico e
poético nas temáticas

Arquitecto controla o projecto na sua totalidade


As “Escolas” da Arte Nova

País Criadores Obras


Victor Horta Casa Solvay; Casa do Povo
Bélgica
(Bruxelas) Henry Van de Velde Especialista em designer
(mobiliário)

França Hector Guimard Estações do Metro de Paris


(Paris)

Espanha Luís Domenech i Montaner Palácio da Música Catalã


(Barcelona) Antonio Gaudi Casa Batló, Casa Milá,
parque Guel, Sagrada
Família
Escola das Artes de
Escócia Mackintosh Glasgow
(Glasgow) Decoração e mobiliário

Olbrich Edifício da Secessão


Áustria Vienense
(Viena) Otto Wagner Casa Majólica
Gustavo Klimt Pintura
Louis Sullivan Auditório de Chicago
EUA Frank Lloyd Wright Inicia o seu percurso com as
(Chicago) prairie-houses

74
75
Fotografia: arte e documento

Nasce em 1839 com Louis Daguerre

Consequências:
É a representação fiel da realidade
Abriu novos caminhos à pintura:
a) nova maneira de ver a realidade
b) permite ver a realidade fragmentada
c) permite ver os gestos e movimentos
espontâneos
d) permitiu rever as técnicas de
representação

Arte e fotografia: os trabalhos do olhar


Fotografar é muito mais do que premir o obturador de um instrumento mecânico, ou registar
mecanicamente um fragmento do mundo visual sobre uma película sensível à luz.
Se bem que a matéria da fotografia seja o que está no mundo, o fotógrafo reconhece que entre
esse objecto e a imagem que dele “tira” vai a distância do seu olhar.
O objecto e a sua imagem não são a mesma coisa. O trabalho do fotógrafo é ver não só a
realidade imediata que se depara diante dos seus olhos, como também a imagem ainda invisível
que se propõe criar. E este é um problema puramente artístico. O fotógrafo age enquanto artista
antes da câmara actuar e depois da câmara ter actuado. Primeiro ele descobre e selecciona o
objecto; escolhe o momento, o enquadramento, explora a luz, a cor e os apetrechos técnicos
( lentes, filtros, películas, produtos químicos, etc.) mais adequados às suas intenções criativas;
por fim, manipula, corta e imprime o resultado sobre um papel.
Ao fotógrafo cabe a responsabilidade pelo resultado: é ele que manipula a máquina e o
processo químico de reprodução da imagem sobre um suporte, mas também é ele quem
determina o tempo, o lugar e as condições de registo desse olhar. Ao fazer a sua escolha, num
campo de possibilidades infinitas, ele executa a parte essencial do seu acto criativo.
Cada fotografia é uma exposição de tempo, um fragmento de vida, suspenso e fixado numa
imagem. Este tempo é sempre o presente. Imobilizar estas finas fatias de tempo tem sido um
contínuo desafio e uma fonte de fascínio para o fotógrafo.
Fotografar é olhar o mundo de um modo único e pessoal. Foi a fotografia que nos ensinou a ver
a partir de um inesperado ponto de vista, mostrando-nos uma realidade transformada e
reorganizada em novos sentidos e novas realidades.

A obra de Lewis Hine

Dedica-se a documentar a onda de emigração para os EUA.


Mostre na sua obra preocupações sociais ao revelar as más condições de vida dos
emigrantes nos EUA.
Levou a fotografia ao nível educativo e documental e simultaneamente artístico.

76
A cultura do cinema
A euforia das invenções

1. 1905-1960: da exposição dos fauves à viragem dos anos 60 (O local)

Belle Époque termina no início do século.


Primeira Guerra Mundial (1914-1918).
Europa e a cultura ocidental terminam a guerra abalados.
Guerra trouxe consequências graves:
1900-1920 - milhões de mortos e feridos;
- inflação galopante;
- desemprego;
- crescimento da divida dos países ocidentais.
Rússia vive a partir de 1917 a sua Revolução Bolchevique.
EUA tornam-se os grandes vencedores da guerra.
EUA são os credores da Europa.
Nasce o american way of life.

Anos 20 são os anos loucos:


- emancipação da mulher;
- proliferação dos clubes nocturnos;
1920-1930 - jazz.
Revolução Socialista Soviética desenvolve-se.
1929: Crash da Bolsa de Nova Iorque.
Anos 30: Grande Depressão:
- milhões de desempregados no mundo;
- crescimento das ideologias da extrema direita
- inicio da 2ª Guerra Mundial (1939).

Segunda Guerra Mundial (1939-1945).


Mundo conheceu os efeitos das bombas atómicas.
1940-1960 Fim da guerra dividiu a Europa.
Mundo é dividido pelas superpotências.
Instala-se uma crise de valores e uma crítica sistemática à
sociedade.
Desenvolveu-se a cultura de massas (rádio, cinema).
Arte ganha o seu espaço na contestação social.

77
2. Da Europa para a América: influências mútuas, culturais e cientificas
(O espaço)

Europa até ao fim da Grande Guerra é o centro

Político
Económico
Tecnológico
Demográfico

EUA após a guerra são o centro da cultura ocidental:


- recebem os refugiados políticos e raciais
- recebem os artistas e cientistas europeus

A cultura ocidental passa a ser comum aos dois continentes.

3. O cinema. O triunfo do sonho e do mito. Uma nova linguagem


(O local)

Irmãos Lumière
1895
autores do cinema

Nascem as histórias filmadas.


Nascem as vedetas: Rodolfo Valentino, Charlie Chaplin.
Cinema sonoro criou a indústria cinematográfica.
Cinema veio alterar os hábitos da sociedade.
Grandes realizadores levaram esta indústria a Sétima Arte

78
4. O Homem psicanalisado (Síntese 1)

Século XIX
Positivismo
Cientismo

Século XX
Relativismo
Psicanálise

Freud vai estudar a relação entre o homem, o seu meio, a sua actividade mental e
sexual

Psicanálise estuda o inconsciente.


Psicanálise procura decifrar a causa das neuroses e dos distúrbios mentais.
Psicanálise contribui para a produção e o entendimento da arte.

A influência da psicanálise na arte:


A arte vai ajudar o homem a desvendar os segredos da mente.
Movimentos artísticos influenciados pela psicanálise:
Expressionismo, Abstraccionismo, Dadaísmo, Surrealismo

5. Rupturas. Autoritarismos e nacionalismos. Os horrores da época. Novos


mundos emergentes e novas linguagens artísticas (Síntese 2)

1905 – 1960
Período de extremos
Duas guerras mundiais
Grande Depressão
Regimes totalitários
Revolução Socialista Soviética
Holocausto judeu
Bomba nuclear
Guerra Fria
Fim do colonialismo

Quais as alterações que provocaram?


Desprestígio da Europa
Crescimento do imperialismo americano
Grande desenvolvimento científico
Nascimento de novos países
Crescentes mudanças sociais

Qual o papel da arte?


Arte nacionalista e propagandista Arte moderna defensora das causas sociais

79
6. O Charlot (1914-1934)
(Bibliografia)

Retrato físico Retrato psicológico

Vagabundo. Aventureiro
Chapéu de coco. Triste mas não conformado.
Casaco curto e calças muito largas. Procura a felicidade.
Colete de fantasia. Ridiculariza a sociedade.
Gravata e colarinho postiço
Sapatos e bengala ridículos.

Personagem vai ser a bandeira dos explorados e dos perseguidos.


Charlot criticou o totalitarismo e o capitalismo.

7. A descoberta da penicilina. Alexandre Fleming (1928)


(Acontecimento)

Penicilina

Numa época de grandes desastres humanos surge uma esperança…

A sua descoberta fez recuar as doenças até então mortais. Milhões devem a vida a
esta descoberta

O futuro da Humanidade depende em grande parte da liberdade que os investigadores


tenham de explorar as suas próprias ideias. - Fleming

80
8. Sob o signo da provocação

Fauvismo
Origem:
Cézanne “(...) à pintura já não cabe relatar mas sim realizar-se a si mesma.”
Van Gogh “(...) em vez de procurar representar o que tenho diante dos olhos,
sirvo-me da cor mais arbitrariamente para me exprimir de uma
maneira mais forte.”
Gauguin Utilização antinaturalista e planificada das formas, das cores e dos
contornos a negro.
Arte oriental Planificação e contornos lineares.

Características:

Transmite emoções estéticas através da exaltação das cores.


Delimita e define as formas planificadas através das cores.
Rejeita a perspectiva.
Respeita apenas a bidimensionalidade (comprimento e largura da tela).
Cria emoções através:
a) das linhas e cores
b) de efeitos contrastantes
c) da pincelada directa e emotiva
d) do empastamento das tintas
e) da ausência do modelado
Recusa qualquer conotação social e política

Principais artistas

Artista Elementos identificadores

Matisse A cor é emoção, expressão e decoração.


Maurice Vlaminck Segue Van Gogh ao pintar com violência e vitalidade.
André Derain Próximo do antinaturalismo de Gauguin.
Utiliza os contrastes cromáticos.
Interessado no sofrimento humano.
George Roault Influenciado pela arte do vitral.
Caminha para o Expressionismo.

81
Expressionismo
A Ponte
(Dresden)
“A ponte que leva do visível para o invisível.”

Objectivos Influências Características


Combater a arte do passado. Van Gogh e Gauguin: Utilização de uma
cores e formas. linguagem figurativa.
Combater a arte académica. Servem-se da realidade
Toulouse-Lautrec : como inspiração.
Rejeitar o Impressionismo. linearismo. Criticam os males da
sociedade.
Recusar as consequências Munch : inquietude. Dramatizam usando figuras
da industrialização. humanas.
Ensor : sentido macabro. Consideram que o desenho
surge através da cor.
Criam obras
temperamentais, toscas e
inacabadas.

Os artistas da Ponte

Ernst Kirchner Preocupa-se com figurações agressivas e animadas reveladoras da


decadência das convenções.
Pinta muito a realidade urbana.

Emil Nolde Inspira-se nos povos primitivos.


O artista deve decifrar a amálgama de mensagens da Natureza.

Shmidt-Rottluff Utiliza cores violentas e tons planos para revelar emoções.

Eric Heckel Desenvolve também a xilogravura para os mesmos assuntos.

Otto Müller Influenciado por Gauguin na figuração, na cor antinaturalista e


planificada.

82
Expressionismo
O cavaleiro azul
(1910 – 1914)
(Munique)
“Era o elemento artístico que deveria impor-se e não o vocabulário utilizado por cada um.”

Objectivos Influências Características

Ver a Natureza e o homem “numa Dimensão lírica da cor, sempre


grande unidade existencial”. Cézanne: vista como uma necessidade
Construir um quadro a partir das construção do interior.
experiências de cada um. espaço pictórico. Dinamismo da forma, com a sua
Ter um sentido global apesar da capacidade de fascinar, de criar
obra nascer do individual. magia, emocionar, transmitir
Fundar uma publicação para dar a energia psíquica.
conhecer os seus objectivos. Matisse: magia Reconquista da natureza:
Atingir a harmonia não objectiva da cor. - figurativa com Macke e Marc
mas espiritual. - emotiva e abstracta da
Permitir o contacto com todas as superfície com Kandinsky.
outras vanguardas.

Os artistas do cavaleiro azul

Franz Marc Utiliza os animais, sobretudo cavalos, para atingir a harmonia.


Cores usadas com emoção

August Macke Utiliza imagens do quotidiano.


Cria formas vibrantes e rítmicas.

Paul Klee Cria uma arte alegórica.


Meios artísticos são análogos aos elementos da natureza

Wassily A pintura pode viver sem objecto


Kandinsky Cria composições líricas.
Criador do abstraccionismo.

83
Dadaísmo

Nasce em Zurique
Nome criado por Tristan Tzara em 1916
Manifesto Dada aparece em 1918

Objectivos Características Artista

“Rejeição sem Novas técnicas plásticas:


compromisso da sociedade a) Ready-made: deslocar Marcel Duchamp
burguesa, culpada da guerra um objecto da sua função e
e do caos subsequente.” local para um outro Man Ray
contexto puramente
Regenerar a sociedade. estético. Francis Picabia
b) Object trouvé: é um
Destruir e negar os valores e elemento tridimensional, Kurt Schwitters
convenções (niilismo). colado sobre a tela e
combinado, por vezes, com
Amar o absurdo. colagens.
c) Merzbilder: a obra é
Explorar o incongruente e o constituída por elementos
inusitado. díspares e casuais reunidos
na tela em que o artista
intervém através da cor.
d) Fotomontagens
e) Raygraphs: fotografias
feitas pelo contacto dos
objectos com o papel
sensível.
f) Fotografias elaboradas
g) Colagens de papéis,
fósforos, arames, botões...

84
9. Os caminhos da abstracção formal

O cubismo
Objectivos

Entender pictoricamente o mundo das coisas.


Manter os elementos construtivos das coisas.
Fazer uma nova abordagem da forma e do espaço.
Iniciar o estudo do volume pela análise dos nossos meios de causar a ilusão do volume
numa superfície plana.
Dar a sensação de volume, modelando-o através das cores, dos traços com riscos
paralelos e direcções lineares.

As influências do Cubismo

Analisar as formas
Cézanne Estudar os planos construídos por meio da cor

Analisar as formas simplificadas e volumétricas


Arte
afri
can
a
Teoria da Procurar a equivalência entre matéria e energia
relatividade Estudar a relatividade entre e espaço e tempo

Fase cezanniana
(1907 – 1909)

Características
Temas

85
Procurar nas pinturas a solidez e densidade Paisagens
Eliminar o pormenor e procurar as formas Casarios
base: geometrismo, cilindros, esferas, etc.
Fragmentar os volumes
Recusar criar atmosferas
Definir as paisagens com grandes planos
de cor

Fase Analítica
(1909 – 1912)

Características
Temas
Quebram as linhas do contorno do volumes (passages). Naturezas mortas de
Apercebem-se dos planos aos quais dão maior objectos
importância. Objectos do quotidiano
Passaram a “rebentar” com o volume. (garrafas, copos,
Multiplicam os ângulos de visão de um mesmo objecto. instrumentos musicais)
Utilizam cores pardas a que chamam “passe-partout”.
Devido ás dificuldades na leitura das obras passam a
utilizar pormenores figurativos: puxador de gaveta que
indica móvel, rótulos, letras, algarismos ...
Utilização de colagens que vão permitir trabalhar melhor a
expressão espacial.

Fase Sintética
(1912 – 1914)

Características
Temas
Procuram fixar os atributos essenciais dos objectos. Naturezas mortas de
Procuram apenas a essência plástica que torna os objectos objectos
únicos. Objectos do quotidiano

86
Libertam as cores pois estas deixam de ser um atributo (garrafas, copos,
variável. instrumentos musicais)
Utilizam elementos estranhos à pintura.
Pretendem estimular o olhar do espectador.
Caminham para o abstraccionismo.
Abrem caminho para outras áreas: Orfismo, Secção Áurea,
Purismo.

O Futurismo

Filippo Marinetti

“Manifesto Futurista”
1909

Temas Artistas
Objectivos

Combater o tradicionalismo Mundo moderno


cultural e burguês. Cidade Boccioni
Luzes eléctricas Carrá
Recusar os valores do Máquinas Russollo
passado. Velocidade Severini
Dinâmica do movimento Balla
Reivindicar apenas o futuro. Figura humana

Técnica

Interpenetração dos planos e da


simultaneidade

Multiplicidade das formas para sugerir a


cinética do tempo e da velocidade

Relacionar a persistência retiniana da


imagem com os raios de cores vivas,

87
ortogonais ou angulares.

Técnica divisionista para conseguir uma


sensação de dinamismo.

Repetição das imagens de maneira


sobreposta, construindo sequências fílmicas.
Cores variadas, vivas e contratantes.

A Vanguarda Russa

Cubo-futurismo Raionismo

Futurismo: dimensão Futurismo


Influências social, espírito de ruptura,
mitificação da máquina e Cubismo
da tecnologia
Cubismo: inovações Orfismo
plásticas e pictóricas
Marxismo: materialismo Pretende reduzir a forma
dialéctico; progresso a linhas dinâmicas
através da sociedade
industrial Pretende fazer explosões
de cor

Malevitch
Artistas Gontchatova
Laciónov

O Abstraccionismo
O Abstraccionismo Lírico

Características

Inspirado na intuição e instinto


Inspirado no inconsciente
Procura a vibração da cor, o seu significado
Procura formas e o seu significado
Procura uma nova linguagem

Kandisnsky Paul Klee


Dá relevância ao simbolismo das cores Primeiro artista a entrar
Valoriza o papel da música deliberadamente no universo oculto do
Criou três etapas criativas: inconsciente.
1. Impressão (até 1910): impressão Pintor de metáforas poéticas: “A arte
directa da natureza exterior não exprime o visível, antes torna
2. Improvisação (1910-1921): uma visível.”
expressão em grande parte inconsciente, Utiliza imagens que nos surgem do

88
espontânea, de carácter interior, de inconsciente
natureza não material (isto é espiritual) Membro do “Cavaleiro Azul” é
3. Composição: uma expressão de um influenciado por:
sentir interior lentamente formado, a) Kandinsky o gosto pela música
elaborado repetidamente e de um modo b) Marc no amor aos animais
quase pedante Foi professor na Bauhaus
fez a sua justificação teórica em três
obras: Espiritual na Arte; Um olhar
sobre o passado; Ponto, linha sobre o
plano.
O Abstraccionismo Geométrico

Raízes Representantes
Cubismo Secção Áurea Raionismo Construtivismo
Futurismo Orfismo Suprematismo Neoplasticismo

Suprematismo
Objectivos Características Artista
Definir a arte pela Simplicidade das formas Malevitch :
supremacia absoluta da geométricas Atinge o niilismo profundo
sensibilidade pura. Emprego de uma gama da pintura
Influenciada pelo niilismo. cromática restrita.
Nega o mundo objectivo. Utilização de cores
Procura a verdade e pureza. primárias, secundárias, o
Tenta conseguir a relação branco e o preto.
pura entre as formas e o
espaço que as circunda.

Construtivismo

Objectivos Características Artista

A arte tem de ser útil e Relação dinâmica entre a Tatlin


funcional. escultura e a arquitectura
Defensora das novas
tecnologias e da industria.

Neoplasticismo
Objectivos Características Artista
“Eliminação do trágico da Contesta as artes do passado Mondrian
vida”. e do presente ( o
Atingir uma visão Expressionismo em
impessoal e objectiva. particular).
Criar uma estética nova e Cria uma arte pura, clara e
universal. não representativa.
Procurar a perfeição e a Reduz as formas a planos
verdade supremas geométricos puros e
(teosofia). ortogonais.

89
Ultrapassar o mundo físico Utiliza formas estáticas,
e emotivo para chegar ao quadradas e rectangulares
mundo mental. com cores primárias, branco
Criar uma sociedade e cinzento limitadas por
equilibrada e universal. linhas verticais e horizontais
a negro de diferentes
espessuras.

A pulverização dos caminhos artísticos


As décadas de 40 e 50

Locais mais importantes:


França Inglaterra
Itália Espanha
EUA Japão

a) A Arte Informal

Características
Subordina a cor e a composição aos materiais.
Pintura não deriva de um desenho ou formas prévias.
Apresenta uma raiz abstracta.
Exalta a acção do acaso e o improviso.
Defende que a concepção e a criação pictóricas são uma só acção.
Individualidade do artista está no modo como trata os materiais escolhidos.

Arte Bruta Action Painting Pintura Matérica Pintura Espacialista


Jean Dubuffet: Jackson Pollock: Antoine Tápies: Yves Klein:
Grossos empastes Assume o conceito Pintura corpórea. Interesse em
Materiais surrealista de Abstracta. incorporar na tela a
diversificados automatismo 3ª dimensão.
Elementos psíquico. Austeridade
figurativos : Material é o veículo cromática.
antropomórficos, do “conteúdo Arte conceptual e
paisagens. interior” . minimal.
Usa empastes Liberta-se da Vive 3 períodos:
cheios de linguagem a) antropometrias
reentrâncias e figurativa. b) novo realismo
saliências. Cria telas cheias de c)cosmogonias
escorridos
policromáticos.
Dripping.

Outros artistas: Outros artistas: Outros artistas: Outros artistas:

90
Jean Fautrier Franz Kline Alberto Burri Mark Rothko
Sam Francis Robert Motherwel
Adolf Gottlieb

91
b) O expressionismo abstracto

Nasce nos EUA

Influência: Artistas
Arshile Gorky:
a) Psicanálise Willem de Kooning
b) Surrealismo Karel Appel
c) Picasso, Kandinsky, Klee, Miró (Grupo CoBrA)
Utiliza a linguagem figurativa.
Revela emoções.

c) Abstracção geométrica
Características: Artistas
Morris Louis
Cor sobrepõe-se à forma. Barnett Newman
Procuram levar a pintura estritamente para Ad Reinhardt
o campo pictórico.

O regresso ao mundo visível


Neo – Realismo
Características
Linguagem técnica e plástica figurativa
Arte que reflecte a sociedade
Arte é o compromisso da denuncia e da intervenção no campo social e político-
ideológico

Realismo Socialista
Exalta o povo trabalhador anónimo
Utiliza o rigor técnico-formal do classicismo
Utiliza as linguagens autóctones

URSS México Alemanha Itália


Vera Múkhina
Serguei Diego Rivera Otto Dix Renato Guttuso
Gueressinov

92
O Surrealismo
(afastamento das normas e das convenções, sistematizando a transgressão de
modo repetido)

Recusa Procura

A cultura e a civilização ocidentais A liberdade


O racionalismo A irracionalidade
O convencionalismo A elevação do espírito
A separação do espírito em relação à
matéria

Meios para atingir os objectivos Bases de apoio

O sonho Freud e a psicanálise


A metáfora Marx e teorias de esquerda
O inverosímil Romantismo e Simbolismo do séc. XIX
O insólito Manifestos Surrealistas

Regras para a execução das obras

Escrever e desenhar em Jogos de perguntas e


estado semi-hipnótico. Os discursos são ditados respostas de várias pessoas
Trabalhar sob a influência durante o sono, ou eram em simultâneo, ignorando
do álcool, fome ou droga, relatos de sonhos. cada um o que os outros
que provocam alucinações. fazem para se chegar a algo
surpreendente.

Técnicas Temas Autores


Colagem Salvador Dali
Frottage Erotismo Magritte
Assemblage Onírico Miró
Dripping Sonho Chagall
Decalcomania Magia Picasso
Técnicas clássicas Francis Picabia
Man Ray
Max Ernst

93
12. Arte e função: a arquitectura e o design

A evolução do Modernismo

Questões que se colocam

Arte/técnica Tradição/modernidade
Academismo/funcionalismo Forma/função
Belo/útil

O que foi o Modernismo?


Conjunto das vanguardas artísticas do início do século XX. A arquitectura
reflecte as influências das várias corrente estéticas da época. Mergulha as suas
raízes na arquitectura industrial, nas inovações técnicas, na “fidelidade aos
materiais”, nas preocupações com a proporção, a escala humana, os
pormenores e o conceito “a forma deve seguir a função”. As suas premissas
cristalizaram-se nas décadas de 20 e 30, formando o “Estilo Internacional”.
Atingiu o apogeu nas décadas de 50 e 60.

Os contributos para o Modernismo de

Mackintosh Behrens Sullivan

Glasgow Destaca-se na Deutsche Chicago


Parte da Arte Nova para Werkbund. Nasce na “escola” dos
seguir uma linha racional e Cria construções utilitárias arranha-céus.
funcional. Aplica regras de desenho Aperfeiçoa:
Cria uma orientação austera industrial á arquitectura. - “esqueletos metálicos”
e orgânica. Utiliza estruturas metálicas. - plantas livres
Anuncia o design moderno. Usa o betão sem decoração. - zonas funcionais do
No seu atelier vai trabalhar edifício
Walter Gropius Defende que a “forma segue
a função”.

94
Os pioneiros do Modernismo
Arquitectura modernista

Nasce no início do século XX


Reflecte as influências das várias correntes da época
Apresenta raízes da arquitectura industrial do século XIX.
Adere às inovações tecnológicas do século:
a) fidelidade à “verdade dos materiais”
b) preocupa-se com a proporção
c) preocupa-se com a escala humana
d) dá atenção aos pormenores
e) acentua que “a forma deve seguir a função”

Dará origem ao “Estilo Internacional”


Os pioneiros

País Autor Obras Princípios

França Julien Guadet “Elementos e Edifício deve ser funcional


teorias de Edifício deve estar integrado no meio
arquitectura” (obra Edifício deve estar adaptado ao clima
teórica) Edifício deve ser racionalizado na
estrutura e nos materiais
Edifício deve ser belo e robusto
Edifício deve ser útil

França Augusto Perret Edifício 25 da Rue Compreender as possibilidades


Franklin em Paris estruturais, formais e práticas do
betão.
Abrir grandes vãos na fachada.
Acentuar a relação entre o interior e o
exterior.

Áustria Adolf Loos “Ornamento e Defende uma arquitectura pragmática,


delito” racional e funcional.
Adopta os materiais modernos.
Incentiva a adopção das formas puras
sem ornamentação.
Defende a construção acessível ás
massas.

Alemanha Deutsche Promove a qualidade industrial.


Werkbund Gera uma nova concepção do desenho
industrial.

95
A Arte Deco
(vive no período entre as duas guerras)

hesita entre os conceitos modernistas

Aderir aos novos materiais


Dar preferência aos processos industriais de produção
Pesquisar novas formas e novos motivos de inspiração
Defender a tradição com raízes nas Arts and Crafts e na
Arte Werkbund.

Assume-se como estilo decorativo:


Alegre Frívolo
Leve Austero/grave

Modernista

Vanguardista : Cubismo, Futurismo, Suprematismo


Influenciada pela arte africana e exótica
Inspirada na natureza animal e no corpo feminino
Utiliza cores vivas
Desenvolve-se com o design industrial de objectos utilitários

Características arquitectónicas

Construções de tecto plano onde predomina a horizontalidade.


Geometrização na composição do espaço e das fachadas.
Simplicidade estrutural, alternando superfícies planas com
linhas curvas
Decoração simples e condensada em determinados locais.

96
As utopias arquitectónicas e o estilo internacional

A arquitectura Vanguardista

Expressionista Futurista Construtivismo De Stijl


Russo

Encontra uma Arquitectura ao Exterior dos


Técnicas e nova serviço das edifícios:
soluções linguagem ideias a) superfícies
arrojadas. formal revolucionárias. planas e
Características Fantasista e Propôs: Libertar o povo rectilíneas com
bizarra. - uso dos da alienação do diferentes
/
Materiais materiais individualismo. alturas e
objectivos modernos Tornar as ruas direcções.
favoritos: betão
e vidro - volumes “uma festa da b) jogo de
arrojados e arte para todos”. tensões entre
imaginativos as superfícies
(linhas c) destruição
oblíquas e da “ideia de
elipses) caixa” com
- abolição da vidraças
decoração horizontais
Interior dos
edifícios:
a) espaço livre
b) espaço
polifuncional
(divisórias
deslizantes)

Bruno Taut: António Irmãos Vesnine: Gerrit


Pavilhão do Sant’Elia: - Palácio do Rietveld:
Autores A cidade nova Trabalho Casa Schroder
Vidro
/ Eric - Palácio dos
obras Mendelsohn: Sovietes Pieter Oud:
Torre- Melnikove: Café “De
Observatório Casa da Rússia Unie”
Einstein
Michel de Kluk
e Fritz Hoger:
Casa Chile

97
A Bauhaus

1919 – 1925 ( Weimar)


1925 – 1932 (Dessau)
1932 – 1933 (Berlim)

Manifesto Bauhaus
“O objectivo final de todas as artes visuais é a construção total...
Concebamos e criemos juntos o novo edifício do futuro, que abarcará
arquitectura, escultura e pintura numa unidade.”
Walter Gropius

Nasce da fusão da Escola de Artes e Ofícios de Weimar dom a Escola


Superior de Artes Aplicadas do Grão-Ducado da Saxónia

Período Weimar Período Dessau


Director: Walter Gropius Directores: Walter Gropius, Hannes
Desenvolve-se a relação entre teoria Meyer e Mies Van Der Rohe.
e prática. Nasce de raiz os edifícios da escola.
Cria-se uma grande cooperação e Aplica-se os princípios básicos do
interacção entre as partes. funcionalismo moderno.
Instala-se a racionalidade formal. Procura-se intervir mais na sociedade
Implementa-se o design industrial. colaborando com a indústria.
Cresce a importância do curso de
arquitectura com Mies.

Princípios do funcionalismo moderno introduzidos por Walter Gropius

Adequação da forma à função.


Racionalidade da forma.
Redefinição do espaço urbano.
Emprego das novas tecnologias industriais.
Tradução do “belo” pelo “útil”

O estilo internacional

98
Le Corbusier
Antecedentes que o influenciaram

Futurismo
Adolf Loos com “Ornamento e Crime”
Berhrens
Deutsche Werkbund
Perret (betão armado)
Bauhaus
Movimentos e “ismos”
contemporâneos

“As habitações são máquinas para viver.”


Le Corbusier

Devem ser:à maioria


Acessíveis economicamente
Confortáveis
Higiénicas
Salubres
Funcionais
Proporcionais à escala humana (modulor)

Princípios da arquitectura Projectos urbanísticos

Pilotis Cidades planeadas segundo uma


planimetria ortogonal, onde as vias
Tectos-jardins principais se cruzavam
diagonalmente.
Planta livre Diferenciação espacial entre as
zonas de trabalho, residência e lazer.
“Fenêtre en longuer Edifícios divididos em três tipologias:
a) arranha-céus cruciformes ao
Fachada livre centro
b) prédios de seis andares nas
zonas intermédias
c) imóveis-villa rodeados de
jardins nas zonas periféricas

99
Mies Van der Rohe
“Menos é mais”

Recebeu influências de:

Berlage no uso do tijolo


Theo Van der Doesburg em relação ao movimento Styil

Princípios que defende:

Sobreposição de planos na planta


Abandono das divisões
Utilização de materiais nobres
Noção de espaço aberto com a área de serviços no interior (em relação a
habitações)
Mobiliário de acordo com a funcionalidade do edifício
Vidro e painéis na construção de arranha-céus

“O edifício é um esqueleto, tem apenas uma base, um telhado e algumas


colunas. As paredes mão suportam qualquer peso. Trouxe uma nova
concepção de espaço, o espaço flutuante.”
Mies van der Rohe
(acerca do seu pavilhão em Barcelona)

A arte portuguesa até aos anos 60

100
O Modernismo em Portugal
Contexto histórico-cultural

Fim da Monarquia ( 5 de Outubro de 1910)


Implantação da República
Primeira Guerra Mundial ( 1914 – 1918 )
Estado Novo com Salazar (1933)

A Pintura

A primeira Geração Modernista

Enveredou pelo protocubismo cezanniano


Eduardo Viana Conhece o Orfismo com os Delaunay
Utiliza grandes pinceladas estruturantes
Organiza o enquadramento cenográfico

Conhece as várias correntes. Naturalismo, Expressionismo e o


Cubo-Futurismo
Amadeo de Souza- Do Cubismo utiliza:
Cardoso a) geometria das formas
b) planos intensamente coloridos
c) restrição das perspectiva
d) introdução de letras e outros assuntos
Do Abstraccionismo:
a) discos coloridos
Temas mais importantes:
a) máscaras
b) naturezas mortas
c) paisagens
d) violas
Inovou ao utilizar novos materiais e pelo recurso às colagens.

Santa-Rita Pintor Futurista


Organizador da revista Portugal Futurista

Almada Negreiros Futurista


Aliou o futurismo às tradições portuguesas

A Segunda Geração Modernista

101
Fica tutelada pelo Estado.
Adepta das temáticas nacionalistas, rurais e figurativas
Vanguardistas serão todos os que não se enquadraram na política cultural do país

As Vanguardas
Corrente Artistas Características Obras

Realce atribuído à luz. Auto-Retrato de


Mário Eloy Utiliza cores frias e 1930-32
expressivas. Auto-Retrato com
Expressionismo cachimbo
Uso de cores baças.
Dominguez Uso de formas sem D. Quixote
Alvarez volume.
“Inspirado” em El Greco
Acentua a anatomia dos
Júlio Pomar corpos. O Almoço do trolha
Neo-Realismo Usa cores forte e tons
escuros.
Procura reflectir na sua
Vespeira obra os problemas sociais. Apertado pela fome
Utiliza tons escuros.
Interessado nas
António metamorfoses e
Pedro autoconstrução. A ilha do cão
Pintor dos sonhos
ambíguos
Surrealismo António Utiliza na sua temática a
Dacosta metafísica, a solidão, a Serenata Açoriana
guerra.
Faz uma obra de difícil
Mário definição. Composição – Le
Cesariny Usa diferentes linguagens Surréalisme
e materiais.
Dá a sugestão da
Vieira da profundidade.
Abstraccionismo Silva Cria a desmultiplicação Paris à noite
dos espaços.
Fernando Obra com tendências C8.56
Lanhas muito geométricas.

A escultura

102
Tendência Autor Obra

Expressionista Francisco Franco Estátua equestre de D.João


IV
Classicista Diogo de Macedo L’Adieu ou Le Pardon
Déco Canto da Maya Família
Nacionalista/ Clássico Leopoldo de Almeida Padrão dos
Descobrimentos
Realismo Salvador Barata-Feyo Garrett
Abstraccionismo Jorge Vieira Monumento ao Prisioneiro
Político Desconhecido
Surrealismo Marcelino Vespeira O Menino Imperativo

103
A arquitectura em Portugal

Advento do Modernismo
Criação da Sociedade dos Arquitectos Portugueses (1903)
Nascimento da primeira revista de arquitectura “A construção moderna” (1900)
Criação do Prémio Valmor (1903)

A casa portuguesa
Características Arquitecto / Obras
Adaptada ao terreno e ao ambiente local.
Sujeita aos seguintes princípios: Raul Lino: Casa do Cipreste
a) linha de cobertura sanqueada e Casa dos Patudos
arrematada pelo beiral, dito “à
portuguesa”;
b) emprego do alpendre;
c) vãos guarnecidos de cantaria;
d) caiação a branco e cor e emprego
de azulejos.
Construção modulada em que cada volume
corresponde a uma função.

Tendência académica e eclética


Características Arquitecto / Obras
Aplicada em bairros para a classe média:
a) edifícios com uma média de seis Adães Bermudes: projecto modulado das
andares; escolas primárias.
b) fachadas monótonas;
c) revestidos a azulejo ou cantaria; Marques da Silva: Liceus Alexandre
d) traseiras em ferro e vidro. Herculano e Rodrigues de Freitas.
Construção de bairros populares:
a) Porto: casas na horizontal e Ventura Terra: Liceus Camões e Pedro
perpendiculares ao eixo da via Nunes.
(ilhas), de reduzidas dimensões;
b) Lisboa: casas na vertical abertas
para um pátio, varandas em ferro
(pátio alfacinha)
Edifícios de arquitecto adaptados às
necessidades : liceus, hospitais…

104
Modernismo na década de 20

Características Arquitecto / Obras

Procura da originalidade Cassiano Branco


Libertação em relação à gramática
decorativa clássica Cafés de Lisboa (Cristal e Palladium)
Utilização dos elementos decorativos da Cinemas (Restauradores e Éden)
Art Deco Fachadas de edifícios
Aplicação das influências racionais e
funcionais da Bauhaus e de Le Corbusier
Utilização do betão e outros materiais
Utilização de elementos estandardizados

Arquitectura nacionalista
Características Arquitecto / Obras
Imposição do estilo único e dos modelos
oficiais Cristino da Silva: Praça do Areeiro
Realização de projectos de equipamento
social (escolas, liceus, viadutos, Pardal Monteiro: Instituto Superior
hospitais...) Técnico (colaboração)
Formas monumentais ( simétricas,
austeras, estáticas, verticais) Carlos Ramos: Pavilhão da Rádio
Aplicação do revivalismo historicista
Fachadas decoradas com linhas Art Deco Jorge Segurado: Casa da Moeda
Espaço interno dos edifícios pouco
organizado Rogério de Azevedo: Garagem do
Comércio do Porto

Resistente da corrente modernista


Keil do Amaral

Adapta a estética ruralista à escala local


Cria uma relação entre o “teoricamente racional “ e o formalmente
tradicional”

105
Guernica (1937)
Pablo Picasso

A Guernica de Picasso foi exibida pela primeira vez na Exposição Internacional de Paris de 1937.
Concebido e executado em pouco tempo no seu atelier de Paris, era um quadro que ele pretendia que
fosse um grito contra os sanguinários acontecimentos que iam destruindo a Espanha através da terrível
Guerra Civil de 1936-39 e contra a contínua desumanidade dos homens.
O acontecimento que constituiu o catalisador imediato para este quadro foi a destruição da capital basca
de Guernica, no seu dia de feira:26 de Abril de 1937. Em plena luz do dia, aviões nazis, por ordem do
general Franco, atacaram a cidade indefesa. Dos seus 7000 habitantes, 1654 foram mortos e 889 feridos.
O quadro foi organizado de maneira a constituir efectivamente um tríptico, com um tema central e dois
painéis laterais. É uma obra secular símbolo da bestialidade da guerra

Simbologia
O monocromático é apropriado ao tema do quadro, ainda hoje
politicamente controverso em Espanha.
A ausência de cor O enorme mural(350/782 cm), exposto no Centro Nacional de Arte
Rainha Sofia, numa sala só para si, está protegido por igualmente
enorme vidro à prova de bala.
Picasso sentiu-se sempre fascinado pelo antigo, espectacular e brutal
desporto nacional, a tourada, e as imagens da arena aparecem
frequentemente no seu trabalho. Apesar da afirmação do pintor de que o
O touro touro de Guernica representa brutalidade, é uma imagem ambígua, que
não parece selvagem, parado e a abanar o rabo. Talvez Picasso tivesse
na ideia o momento da tourada em que, depois duma investida coroada
de êxito, o touro fica parado a observar o que fez e a planear o
movimento seguinte.
Uma criança morta pende inerte dos braços da mãe. Entre as complexas
imagens cubistas de Guernica, esta é uma que é imediatamente
Mãe e filho interpretada. O grito da mãe está representado pela língua, que sugere
um punhal ou um estilhaço de vidro. Formas semelhantes aparecem
aliás por todo o quadro.
Em primeiro plano, está uma figura fragmentada com a cabeça cortada,
A cabeça cortada à esquerda, e um braço também cortado, ao centro, agarrando uma
espada quebrada. É uma poderosa imagem de assassínio em massa.
Picasso disse que este cavalo representava o povo. A agonia é sugerida
pela língua em forma de punhal. Por cima da cabeça do cavalo, vemos
A angústia do cavalo um candeeiro eléctrico aceso, que sugere o olho de Deus que tudo vê.
Até a luz parece gritar de horror.
É a imagem da esperança numa vida nova, apesar das tentativas do
A flor homem para a destruir constantemente. A comovemente delicadeza da
flor parece aumentar o horror geral da cena caótica.
Duas mulheres olham horrorizadas para o cavalo ferido com medo e
pena, sugerindo certas semelhanças, em conceito e emoção, com as
Uma crucificação moderna imagens de sofrimento de Cristo na cruz e a presença das três Marias na
cena. Picasso procurava talvez uma imagem moderna e secular para
exprimir o sofrimento humano, mas uma que não contivesse qualquer
simbolismo cristão explícito.
A figura à direita tem os braços erguidos, como que a desviar as bombas
Uma referência a Goya que caem do céu. Mas é também a pose da figura central d’Os Fuzilados
do 3 de Maio de 1808 de Goya. Existe ainda uma semelhança entre os
eventos que levaram a ambos os quadros: os dois foram actos de
selvagem brutalidade contra pessoas inocentes.

106
Módulo 10
A cultura do Espaço Virtual
1. 1960 – Actualidade. A actividade humana regulada pela tecnologia,
pela publicidade e pelo consumo. A moda e o efémero. (O tempo)

Política Economia Sociedade Ciência


Guerra Fria Neoliberalismo. Crescimento do Desenvolvimento:
Colapso soviético Indústria aposta nas sector terciário. - engenharia
Hegemonia dos novas tecnologias. Recuo do meio electrónica;
EUA. Preponderância das operário. - engenharia
Emergência de multinacionais. Criação da informática;
novas potências. sociedade de - biotecnologia.
Descolonização. consumo.
Nascimento do 3º
mundo.

2. O mundo global. O espaço virtual. Comunicação em linha. A aculturação.


(O tempo)

Globalização
Possível com o desenvolvimento dos transportes e comunicações.
Tornou monótona a cultura ao padronizá-la.
Planeta sofre com o processo de aculturação.

3. A Internet (O local)
A Internet é o quarto poder
Benefícios Malefícios
Local de comunicação e união. Excesso de informação dificulta a
Local de aprendizagem. selecção.
Foge à realidade.

4. O corpo e as novas linguagens (Síntese 1)


Fenómenos sociais com manifestações Novas linguagens
corporais
Maio 68 Linguagens que defendem princípios
Movimento Hippie ecológicos.
Contestação à Guerra do Vietname Linguagens supra-ideológicas e com
Movimentos feministas estéticas individuais.
“Tribos Urbanas”

5. O consumo. Consumir para ser (Síntese 2)


Consumismo
Fenómeno criado pela melhoria das condições de vida.
Conceito ligado à noção de bem estar.
Resultado dos efeitos da publicidade e da pressão social

107
Criar é agir; a arte enquanto processo
8. A materialização da vida nos movimentos, gestos e objectos do quotidiano:

A Pop Art, um movimento iconoclasta


Características Temática Técnicas Influência Artistas
Americanos:
Origem urbana “Cultura popular” Recursos Dadaísmo (Ready- a) Andy Warhol
(Nova Iorque e imagens do mecânicos. made e colagem) b) Jasper Jones
Londres). quotidiano. Recursos semi- c)Robert
Linguagem BD mecânicos Surrealismo Rauschenberg
figurativa. Imprensa (fotografia e
Recurso a Cinema serigrafia) Ingleses:
símbolos, figuras e Fotografia a)Richard Hamilton
objectos citadinos. Televisão b) Peter Blake
Não há marcas c) David Hockey
pessoais do artista.

A Op Art e a Arte Cinética


(Optical Art)
Cinetismo

Tipologias bi ou
tridimensionais Tipologias bidimensionais Autores
conseguidas:
a) movimento é real e Figuras com carácter
produzido por motores ou ambíguo, obtido por jogos Victor Vasarely
por projecções luminosas. de figura-fundo ou por
b) movimento é estático jogos de perspectivas Bridjet Riley
mas produzem efeitos opostas.
ópticos. Imagens que agridem a Calder
c) transformam-se por si retina como as persistentes,
próprias ou mediante a com efeitos de moiré
manipulação do espectador. (aspecto ondulado)

A Arte-Acontecimento
Formas de arte com características efémeras
Happening Performance Body Art
Influenciada pelo Apresenta uma raiz Acções de curta duração.
Informalismo, Futurismo, conceptual. Corpo é o protagonista e o
Dadaísmo e Surrealismo. Acção de carácter único e meio de expressão.
Pretende desenraizar o irrepetível.
objecto.
A arte é apenas uma Representantes: Representantes:
atitude. Gunter Brus Gunter Brus
A arte é efémera. Hermann Nitsch Hermann Nitsch
Representantes: Yves Klein
Grupo Gutai: Jiro
Yoshihara
Grupo Fluxus: Joseph
Beuys

108
Pólos de criação contemporânea
A arte conceptual

A arte conceptual

Características Artistas

Dá importância aos conceitos. Joseph Kosuth


Dá mais importância à concepção da obra Denis Oppenheim
do que à realização. Joseph Beuys
Considera que “a arte é uma coisa mental”.

a) Land Art

Características Artistas

Preocupações ecológicas. Robert Smithson


Arte efémera da qual apenas fica o registo Christo
fotográfico.
Intervém na paisagem em grandes espaços.

b) Minimal Art

Características Artistas

Recorre a elementos básicos e essenciais. Donald Judd


Utiliza elementos plásticos e cores ao Christo
mínimo.
Cria superfícies monocromáticas.
Dá preferencia a obras tridimensionais.

b) Instalação

Características Artistas
Construção de cenários e ambientes. Nam Hoover
Utiliza as novas tecnologias: fotografia, Pistoletto
vídeo, computadores… Martin Kippenberger

109
Hiper-realismo e Nova Figuração

Características Artistas

Corrente americana Chuck Close


Abrange pintura e escultura Robert Cottigham
Visão fotográfica da aproximação à Don Eddy
realidade. John Salt
Recorre a meios mecânicos e a telas
fotossensíveis.
Arte fria e impessoal.
Formato gigante.

Novo Realismo Europeu

Características Artista

Francis Bacon.
Utilização da fotografia. - distorce a figura humana
Métodos diferentes segundo os países - informalista mas com recurso a cores
puras
- técnica expressiva

Transvanguarda italiana

Características Artistas
Movimento figurativo.
Baseia-se no Expressionismo. Sandro Chia
Retoma a tradição da pintura convencional. Enzo Cuchi
Francesco Clemente

Abstracção pós-pictórica
Características Artistas
Revela frieza e impessoalidade. Frank Stella
Não permite juízos subjectivos. Ellsworth Kelly

Arte Pobre
Características Artistas

Surge em Itália. Mário Merz


Utiliza materiais pobres. Michelangelo Pistoletto
Utiliza materiais pouco usados em arte.

110
9. Os caminhos da arquitectura contemporânea para além do Funcionalismo

Tendências Correntes Arquitectos Obras

a)Neo-Historicismos:
- retorno às raízes Roberto Casa Guild
históricas; Venturi
- retorno à organização
axial da construção; Charles Praça de Itália
- retorno à simetria e à Moore
coluna.

Pós-Modernismo b) Racionalismo Pós- Aldo Rossi Hotel Pallazo


(1960 – 1980 ±) moderno:
- formas geométricas; Mário Botta Casa do Livro, da
Reage ao - colunas; Imagem e do Som
Modernismo de Le - telhados de duas águas; Oswald
Corbusier e do - janelas quadradas; Mathias Casa-Alpendre da
Estilo Internacional - austeridade decorativa Ungers Feira

c) Pós-Modernidade
Individual: James Stirling Centro Científico
- revelam influências na Alemanha
heterogéneas;
- superfícies em vidro; Arata Isozaki Museu de Arte
- telhados planos;
- preocupação com o
meio envolvente.

111
Tendências Correntes Arquitectos Obras

a) Modernismo Tardio:
- retoma os princípios da Richard Casa Weinstein
Bauhaus e de Le Meier
Corbusier;
- estruturas em aço com Charles Villa Haupt
cofragem de madeira à Gwathmey
vista;
- formas cúbicas e
Continuação do cilíndricas;
Modernismo - superfícies em vidro.
(±1970-2005±)
b) Alta Tecnologia: Richard Edifício Loyds
Converteu-se na - materiais e recursos Rogers
tendência actual técnicos avançados;
- estruturas construtivas Norman Banco de Hong
à vista. Foster Kong

Santiago Cidade das Artes e


Calatrava das Ciências

c) Modernidade
Moderada: Ralph
- fiel aos princípios Erskine
modernistas;
- defesa de um certo
estruturalismo.

112
Tendências Correntes Arquitectos Obras

a) Romantismo
Orgânico:
- formas orgânicas; Gunther Banco de Viena-
- técnicas Domenig Favoriten
artesanais/técnicas
avançadas;
- Novos materiais.

Os Novos b) Fractura e
Romantismos decadência:
(±1970-1990±) - explora os efeitos de Grupo Site Armazéns Best
ruínas;
Inspirado na - inspira-se nos jardins
Natureza tem um românticos.
carácter emocional

c) Romantismo Social:
- permite a participação Lucien Kroll Faculdades de
dos destinatários, medicina de
- aceita o aspecto Bruxelas
caótico.

A Nova a) Desconstrutivismo:
Modernidade - abandona os conceitos
(±1980- à de verticalidade e Franck Ghery Museu de Arte de
actualidade) horizontalidade; Bilbao
- preferência por corpos
geométricos em ângulos
Aceita o agudos.
experimentalismo
na Arquitectura
b) Pluralismo
Moderno: Owen Moss O Guarda-Chuva
- reúne estilos pessoais e
inovadores;
- reúne estilos ecléticos

113
10. Vias de expressão da arte portuguesa contemporânea

Expressão Autores Obras

Nuno Teotónio Pereira Fundação Calouste


Gulbenkian

Arquitectura Álvaro Siza Vieira Museu de Arte


Contemporânea de
Serralves

Souto Moura Estádio do Braga

Fernando Távora Reconstrução do Centro


Histórico do Porto

Ângelo de Sousa 05-8-15G

Pintura Julião Sarmento Estratégias de


sobrevivência

Júlio Resende Ribeira Negra

João Cutileiro D. Sebastião


Escultura
Alberto Carneiro Varia s/um Kaikai de basho

114
Pina Bausch
As movimentações operadas e desenvolvidas no teatro dançado

Utiliza todas as noções de expressionismo. Dele retoma a visão trágica do mundo mas
corrige-a com uma ironia herdada do Surrealismo e do teatro do absurdo.
As imagens encadeiam-se como num jogo de associações de ideias.

Reduz a dança às exigências dramáticas e expressivas, abandona o movimento formal e


constrói o “teatro dançado”.

O método de pesquisa coreográfica é baseado no “interrogatório” verbal e gestual;


estimulação por pergunta da improvisação; sequências baseadas na trama narrativa
dessa mesma improvisação.

A lista de perguntas é enorme e nasce basicamente das respostas que os bailarinos


(intérpretes) dão às questões colocadas. As respostas são o material base para o
trabalho, estas podem ser verbais, gestuais ou limitar-se a uma mera imagem.

Café Muller – obra autobiográfica


Apresenta uma visão descentrada, fragmentada, mas intensa e repetitiva e, por isso,
violenta, de relações, posicionamentos, gestos existenciais vitais, que desloca dos seus
contextos naturais, para os decompor, os analisar.

Forma visível, a brutalidade latente do quotidiano, através de uma análise microscópica


e obsessiva que reside na desestruturação da ordem desse mesmo quotidiano. Uma
desestruturação analítica, selectiva, com ritmo lento, repetitivo que assume
reflexivamente a reversibilidade do tempo cénico.

Sinopse da Obra

«A história de Cafe Müller é a história de uma excepção: 40 minutos de duração e seis


intérpretes, entre os quais a própria Pina Bausch, que só no Cafe Müller decide
aparecer e dançar em cena. […] A sua própria génese constituiu uma excepção […] por
exigências do cartaz, quando o mesmo bailado foi encomendado a quatro coreógrafos:
além de Pina Bausch, Hans Pop (seu assistente), Gehrard Bohner, e o romeno Gigi
Caciuleanu. Cada um destes criadores devia inspirar-se numa cenografia realizada
propositadamente por Rolf Borzik, e cada uma das quatro propostas tinha o mesmo
título: Cafe Müller.
A cena – uma divisão cinzenta com painéis de vidro transparentes e uma grande porta
giratória de lado, ao fundo – podia modificar-se segundo o desenvolvimento de cada
coreografia. O Cafe Müller de Pina Bausch era o último da noite: a cena enchia-se de

115
cadeiras e mesinhas escuras, só para este trabalho. […] A acção é despojada e cortante.
Na floresta de cadeiras vazias e gastas, pesa a angústia de uma solidão remota. Pina
Bausch recorta-se ao fundo, lgeira e espectral, com uma túnica de tom claro. O passo é
curto e incerto, os olhos estão fechados, as mãos estendidas para a frente: vidente
sonâmbula, fantasma da consciência de si própria.
Levada pelo som dilacerante da música de Purcell, Malou Airaudo dança movimentos
entrecortados, de circularidade suave, e as mesmas sequências são retomadas pela
coreógrafa, que faz o papel de duplo, mas com um tempo sempre desfasado circula às
cegas na selva de mesinhas e de cadeiras, que vão sendo retiradas por Borzik, assim
traçando o seu percurso. […] Cafe Müller é uma lamentação de amor, uma metáfora
doce e inquieta sobre a impossibilidade de um contacto profundo. É um trabalho
estruturalmente simples e emocionalmente flagelante, que impressiona pela sua pureza e
coerência. A desolação ambiental, o langor fúnebre, a violência da tipificação do
relacionamento do casal, constituem elementos de verdade, de absoluta sinceridade
expressiva – para além de psicologias ou simbologias e de qualquer tentativa de
‘realismo’. Todo o significado é confiado ao movimento: aos gestos e à dança […] Pina
Bausch celebra a sua problemática identidade de autora.

Cafe Müller é apenas uma obra sobre a mortalidade do amor. É também – e sobretudo
– a confissão extrema de um estado de crise criativa: Cafe Müller consagra uma
passagem, dramatizando uma tensão de pesquisa que se coloca no plano da
interrogação. ‘Com Cafe Müller, Pina Bausch também criou o seu Oito e Meio’, foi o
comentário de Federico Fellini, após ter visto o espectáculo.»

116