Você está na página 1de 20

FIGURAS DE ESTILO

FIGURAS DE HARMONIA
Chamam-se figuras de som ou de harmonia os efeitos produzidos na
linguagem quando há repetição de sons ou, ainda, quando se procura "imitar“
sons produzidos por coisas ou seres. As figuras de harmonia ou de som são:

 aliteração
 assonância
 onomatopeia
 paronomásia
FIGURAS DE HARMONIA
ALITERAÇÃO
Ocorre aliteração quando há repetição da mesma consoante
ou de consoantes similares, geralmente em posição inicial da
palavra.

Exemplo:
"Toda gente homenageia Januária na janela." (Chico Buarque)

“Pedro Pedreiro penseiro esperando o trem/ Manhã parece,


carece de esperar também/ Para o bem de quem tem bem de
quem não tem vintém.” (Chico Buarque)
FIGURAS DE HARMONIA
ASSONÂNCIA
Ocorre assonância quando há repetição da mesma vogal ao
longo de um verso ou poema.
Exemplo:
"Sou Ana, da cama da cana, fulana, bacana Sou Ana de
Amsterdam."(Chico Buarque)

“Anule aliterações altamente abusivas”


( manual de redação humorístico)
FIGURAS DE HARMONIA
ONOMATOPEIA
Ocorre quando uma palavra ou conjunto de palavras imita um
ruído ou som.
Exemplo:

"O silêncio fresco despenca das árvores. Veio de longe, das


planícies altas, Dos cerrados onde o guaxe passe rápido...
Vvvvvvvv... passou." (Mário de Andrade)

"Ó rodas, ó engrenagens, r-r-r-r-r-r-r reterno." (Fernando


Pessoa)

"Sem o coaxar dos sapos ou o cricri dos grilos como que é que
poderíamos dormir tranquilos a nossa eternidade?" (Mário
Quintana)
FIGURAS DE HARMONIA
PARONOMÁSIA
Consiste no emprego de palavras parônimas, isto é,
semelhantes quanto ao som, mas diferentes quanto ao sentido.

Exemplo:
“ Não tremas, nem temas”
Padre Antônio Vieira

Eu vou te delatar se você não dilatar a pupila.


Aprendeu nas aulas por meio da apreensão dos conhecimentos.
José é um cavaleiro da fazenda muito cavalheiro.
O docente aplicou a prova essa tarde para os discentes.
Durante seu descanso o peão jogava pião com seus colegas.
FIGURAS DE SINTAXE
As figuras de sintaxe ou de construção dizem respeito a
desvios em relação à concordância entre os termos da
oração, sua ordem, possíveis repetições ou omissões.
São figuras de linguagem de construção ou sintaxe:

anacoluto elipse polissíndeto


anáfora hipérbato silepse
apóstrofe paralelismo quiasmo
assíndeto pleonasmo zeugma
FIGURAS DE SINTAXE
ANACOLUTO
Trata-se da ruptura sintática da frase; o anacoluto é muito frequente
na linguagem oral. Este procedimento resulta do fato de o locutor
dedicar mais atenção ao pensamento do que à organização sintática.
O anacoluto ocorre, por exemplo, quando o enunciador interrompe a
oração principal para introduzir a subordinada e não dá sequência à
primeira oração; a oração principal ficará incompleta sintaticamente,
pois não teve seu término.
Ex:
“Eu, parece-me que sim; pelo menos nada conheço que se lhe
aparente”
M. de Sá-Carneiro. Cartas escolhidas
“O homem daqui, seu conceito de felicidade é muito mais subjetivo.
Rachel de Queiroz. Felicidade.
FIGURAS DE SINTAXE
ANÁFORA
Ocorre anáfora quando há repetição intencional de palavras no
início de um período, frase ou verso.

Exemplo:

“ Depois o areal extenso…


Depois o oceano de pó…
Depois no horizonte imenso
Desertos… desertos só…” (Castro Alves)
FIGURA DE SINTAXE
APÓSTROFE
Consiste na interpelação (chamado) de uma pessoa (real ou
imaginária) como forma de enfatizar uma ideia ou expressão.

Exemplo:

“Ó mar salgado, quanto do teu sal / São lágrimas de Portugal.”


(Fernando Pessoa - Mensagem)

“Homens: porque não nasci apenas no espelho,


Sem alma deste lado?
(José Gomes Ferreira. O escritor)
FIGURAS DE SINTAXE
ASSÍNDETO
Trata-se da ausência de conjunção coordenativa entre as orações ou
termos coordenados. O uso do assíndeto confere maior vigor à frase ou
ao verso e produz, entre outras, uma sensação de movimento,
dinamicidade.

Exemplo:
“Não nos movemos, as mãos é que se estenderam pouco a pouco,
todas quatro, pegando-se, apertando-se, fundindo-se.” (Machado de
Assis)

“Cheguei, vi, venci.


... Uma vasta cidade..., onde o homem tenha durante o dia os clubes, o
cavaco, os museus, as ideias, o sorriso de outras mulheres – a mulher
tenha as ruas, as compras, os teatros, a atenção de outros homens;
Eça de Queirós. Os Maias
FIGURAS DE SINTAXE
ELIPSE
Ocorre elipse quando omitimos um termo ou oração que
facilmente podemos identificar ou subentender no contexto. Pode
ocorrer na supressão de pronomes, preposições ou verbos. É um
poderoso recurso de concisão e dinamismo.

Exemplo:

“Veio sem pinturas, em vestido leve, sandálias coloridas.”


Elipse do pronome ela (Ela veio) e da preposição de (de
sandálias…)

“Se conversar, diretoria!”


Elipse de “você irá à”.
FIGURAS DE SINTAXE
HIPÉRBATO
Ocorre hipérbato quando há uma inversão completa de membros
da frase.

Exemplo:

“Passeiam à tarde, as belas na Avenida. ” 1


(Carlos Drummond de Andrade)

1 As belas passeiam na Avenida à tarde.


FIGURAS DE SINTAXE
PARALELISMO
Trata-se de repetição de estruturas sintáticas ao longo do texto.
Ex: “Com estrelas na alma, com visões na mente; Bátegas de brasas, turbilhões de
sóis.” - Guerra Junqueira. Os simples.

“Está sem mulher,


está sem discurso,
está sem carinho,
já não pode beber,
já não pode fumar,
cuspir já não pode,
a noite esfriou,
o dia não veio,
o bonde não veio,
o riso não veio,
não veio a utopia
e tudo acabou
e tudo fugiu
e tudo mofou,
e agora, José?”
Carlos Drummond de Andrade. José.
FIGURAS DE SINTAXE
PLEONASMO
Ocorre pleonasmo quando há repetição da mesma ideia, isto é, redundância
de significado.

a)Pleonasmo literário: É o uso de palavras redundantes para reforçar uma ideia,


tanto do ponto de vista semântico quanto do ponto de vista sintático. Usado
como um recurso estilístico, enriquece a expressão, dando ênfase à
mensagem.

Exemplo:
“Cada vida isolada que vivo, gosto de afastar os olhos de sobre a nossa arena
política para ler em minha alma.”
Gonçalves Dias. Prólogo aos primeiros cantos.

“E rir meu riso e derramar meu pranto.”


Vinícius de Moraes. Soneto da fidelidade.
FIGURAS DE SINTAXE
PLEONASMO
b) Pleonasmo vicioso: É o desdobramento de ideias que já
estavam implícitas em palavras anteriormente expressas.
Pleonasmos viciosos devem ser evitados, pois não têm valor de
reforço de uma ideia, sendo apenas fruto do descobrimento do
sentido real das palavras.

Exemplo:
subir para cima, entrar para dentro, repetir de novo, ouvir com
os ouvidos, hemorragia de sangue, monopólio exclusivo, breve
alocução, principal protagonista.
FIGURAS DE SINTAXE
POLISSÍNDETO
Ocorre polissíndeto quando há repetição enfática de uma
conjunção coordenativa mais vezes do que exige a norma
gramatical ( geralmente a conjunção e). É um recurso que sugere
movimentos ininterruptos.

Exemplo:

“Vão chegando as burguesinhas pobres, e as criadas das


burguesinhas ricas e as mulheres do povo, e as lavadeiras da
redondeza.” (Manuel Bandeira)

“Tua irmã é carinhosa, e doce, e meiga, e casta, e consoladora.


Eça de Queirós. Prosas bárbaras.
FIGURAS DE SINTAXE
SILEPSE
Ocorre silepse quando a concordância não é feita com as palavras, mas com
a ideia a elas associada.

a)Silepse de gênero: Ocorre quando há discordância entre os gêneros


gramaticais (feminino ou masculino).
Exemplo: “Quando a gente é novo, gosta de fazer bonito.” (Guimarães Rosa)

b) Silepse de número: Ocorre quando há discordância envolvendo o número


gramatical (singular ou plural).
Exemplo: Corria gente de todos lados, e gritavam.” (Mário Barreto)

c)Silepse de pessoa: Ocorre quando há discordância entre o sujeito


expresso e a pessoa verbal: o sujeito que fala ou escreve se inclui no sujeito
enunciado.
Exemplo: “Na noite seguinte estávamos reunidas algumas pessoas.”
(Machado de Assis)
FIGURAS DE SINTAXE
QUIASMO
Cruzamento simétrico de palavras ou expressões,
formando o desenho de um “X”.
Exemplo:

“O silêncio da voz é a voz do silêncio.”


Patrícia Pessoa. A voz do silêncio.
“Ó minha menina loura,/ Ó minha loura menina.”
Fernando Pessoa.
FIGURAS DE SINTAXE
ZEUGMA
Ocorre zeugma quando um termo já expresso na frase é
suprimido, ficando subentendida sua repetição.

Exemplo:

“ A igreja era grande e pobre. Os altares, humildes.”


Carlos Drummond de Andrade

“João Fanhoso abriu os olhos pesados de preguiça: primeiro um,


depois o outro.