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I

10. ANALISE DE DISCURSO

Apresentando a análise de discurso

Contexto intelectual
10 .9 crescimento extraordinariamente ..E~E~<!9_<19_!!?-.t~~=~~~~~1t
ANÁLISE D~ DISCURSO .;má~i~u_Q.~_dJ.s.ç:ilrs~!i'()§.YJ!.iI?:12~
aIlgs,_,étªnt()u~~ co~~~.~ü.~~c:~~,
como_.u}p:ª!uaIÜf~.§t-ªçã9.dª "virada lingüística" que ocorreu na,~ar.:
Rosalind Gil/ t·ês;··~&u1p.anjclaçles
e nas c.!ªnciª!,_ soc.iais.A='::Yir:ª-d_alingüística" foi
pí~ecipitadaJ.~o~,s:ríticª-s_ª.9_.p'osi.!ivis.~(),
pelo prodiglõsõirri'pªç.to-ª~s
idéias estruturalistas e pós-estruturalistas, e pelos ataques pós-mo-
del:nistas à epistemologia (Burman, 1990; Gill, 1995; Parker, 1992;
Potter, 1996a). As origens da análisede ..discurso a partir de críticas à
ciência social tradicional significam que ela possui uma base episte-
" ~a~av~as-cha~e.:orientação da ação; organização retórica; cons- mo lógica bastante diversa de algumas outras metodologias. Isso é às
l vezes chamado de construcionismo social, construtivismo, ou sim-
tuç.a~d'
ledItura ceuca; discurso; fala/texto como circunstancial' re-
fl eXIVI a e. ' plesmente construcionismo. Não 'fiá uma definição única concorde
desses termos, mas as características-chave destas perspectivas são:
.Aná}!~ede discursoé o nome dado a uma variedade de diferen- 1.A postura crítica com respeito ao conhecimento dado,
t~s e.n~oques,n.o estud? de textos, desenvolvida a partir de difeI:entes aceito-se-mdlSC:ussã~-e'um"cetici.srrio corri respeito ~'i.i~~o.de
tI ad.Iç~~ teoncas e diversos tratamentos em diferentes disc' r que riossasobservaçõesdo mundo nos revelam, sem proble-
Estntamente falando, não existe uma únl'ca" '1' d . ·d~.l2-m~. mas, sua natureza autêntica,
, . . . ana l.âe e._ JSJ:,Urso"
: mas muitos estIlos diferentes de análise e tod ," di -,
nO, ,os I ervin icam o 2. O reconhecimento de que as maneiras como nós normal-
, °Te. --q~<:esta~ perspectIvas partilham é uma reje.ição da noção mente co~p.2'~~n_c!~..!!l..Q?_()EÍ~ndõ
são histórica e cultural-
~ea.lsta de qu~ a lmguagem é simplesmente um meio n;;tm~de..r~-' mente- e-specíficas e..relativas.
,etIr, ou. desci ever o mundo, e uma convicção da im ortância cen-
ti al d0f;discurso na, C.onstrução da vida social. Este caJtui~-di;~~tirá 3. A convicção de que o conhecimento é socialmente Corl~.::
~~ ~n oque da anal~se d~ discurso que foi influente em campos tão ~ruí<:io,isto é, que l!_o_~~~~
..maneiras atuais de compreender o
, rversos co~o a ~oclOlogla da ciência, os estudos da mídia, estudos mundo são determinadas não pela naturezado mundo em
de tecnologla, psicologia social e análise de políticas. si mesmo: mas pelos processos sociais. ..

O capítulo é dividido em quatro grandes seções N . . 4. O compromissode explorar as maneiras corri os conheci-
di t· . a primeira mentos - a construção social de pessoas, fenômenos ou pro-
lSCUo o contexto ll1telectual do desenvolvimento da an '1' d-"'d'-;- '!
curso a rse e is- blemas - estão ligados a ações/práticas (Burr, 1995).
, . ' e apresento seus princípios centrais. Na segunda di
P ratica d T d di , iscuto a
d d a ana ise e iscurso. A terceira seção é um estudo de caso Uma conclusão dessa posição episternológica (q~~<!.-''!!l~i~~_.Q~.
o .us~ esse enfoque pal:a analisar um pequeno texto de um arti ~ di~QJl.9g~ s~!:~i'_açl--ª_p~'~.tl=~.t:1t.<?s
!!l_esmostip_()§cj.~questões
feJ~m~!. EI~ da uma indicação do tipo de material gerado pela ;n~~ como os Trifoque~ tradici()nais. Ela sugere, ao-Lnvé·s=:~oyas.qllestões,
IS~ e lSCUIso e apresenta elementos de compreensão aos leitores ou maneirasf'déreforrnular as antigas (ver abaixo).
pal,a se fazer uma .análise de discurso. Finalmente, este capítul~
apresenta uma avalIação da análise de discurso, enfatizando al 'u- 57 uariedades de análise de discurso
luas de suas vantagens e desvantagens. g
Os termos "discurso" e "análise de discurso" são muito discuti-
dos. Para afirmar que determinado enfoque-é um discurso analítico,
-244-
-245-
/ 10. ANÁLISE DE DISCURSO
/ PESQUISA QUALITATIVA COM TEXTO, IMAGEM E SOM

alguém deve necessariamente dizer algo mais; não é apenas uma Foucault_(l977; 198 tL~,lll!::lit()conhecido p_or<:araçt,~}jzarsuas genea-
questão de definição, mas implica assumir uma posição dentro de lO_Kia_s....d~ e,.s_e~(y~lidade c0II'!0 análises ..9~ discurso. Em \
.9.~s~i.PJ~E..a
__
um conjunto de argumentos muito questionado - mas importante. contraste com a maioria da análise de discurso, este trabalho está in-
Embora existam provavelmente ao menos _~Z_~~rj,~~~~_e:...an~lis~ teressado não nos detalhes de textos falados e escritos; mas em olhar \
de discurso, um modo de c,op.se~~r,.s:onta d_a~_c!.!(erenç.a§~.n.~ historicamente os discursos.
aãs ~ pe::-~~~~~!lltra<i,içSJ~s,!eóric~~.!Dp-l.ç).,s,.
Discutirei t!~êuielas.
Temas da análise de discurso
RJ:"im.ei~o-,
há uma variedade de posições conhecidas como ,lingüís-
ti~, ,?emiótiça social ~~~L9!-, ~~t~,c!9~c!~lü~~agerr:t (Fowler et o enfoque que será elaborado aqui se inspira em idéias de cada
?1., 1979; Kress & Hodge, 1979; Hodge & Kress, 1988; Fairclough, uma dessas três tradições delineadas acima, bem como dos:a~1!R9
1989). Comparada a muitos tipos de análise de di~c1:l.n,Q,esta tradição crescente da__ªnális.~,l~~,t.órica (ver Leach, capo 12 neste volume; Bil-
P9,s~~L~,~~_~~Q~~~~~,~~~~i'~ç1~s~,ª~~i~ci~,li~a~i~J~?~lS_0~~~~~~ lig, 1987;"1988; 1991; ver Potter & Wetherell, 1987, para uma dis-
compromissomais claroé com a semiótica e com a .an~!~s~.:~~~tu~' cussão mais completa das diferentes influências sobre a análise de
lista, (ver Penn, cap. 13 neste volume) ..Ai<:!~~.~y~mi()tógiC:ª,_c,e,l!-~~~I};le discurso). Desenvolvido inicialmente em trabalhos da sociologia do
'q{;~.? sentido __ g~.1,!Pl:,~~rm().pl~QY.~:tIl:I!:ffi.:Q,c!,~,aJgL]Il1a,.('!~tlJg~T.ª
__
i.r:H~[~JJts; conhecimento científico e da psicologia social, ele está agora produ-
da relaçã?·en~l~~,~ignifiçaI!:~e.,e"significado" mas ,slo.s.i~t~,IQª,sl~-º,R.2~.~~ zindo análises dentro de um conjunto diverso de campos, e constitui
ções em que ,ele está inseride>.,,_ç910ca_u,I)}_des<l:fl().flT11,<iaE.1~E.tal ~§..pis- um enfoque teoricamente coerente com a análise de fala e textos.
cus~éJ~~g1>!D<D.av~-a-o~jet~Q.~~Q~-,~g~!!lL9.1.}~ __ ~X~,vist~_~2~
É proveitoso pensar a análise dediscurso como tendo g!::l-ª.tro,~.::
processo de d~!-:.p.2!pea a!g9' Esta questão foi desenvolvida em recen-
~~!~~12~pais: um~ preocupação comodiscurso em si.!~~,s~?:l_();
.1lma
'te'trãIiâlho lingüístico crítico, que tem uma preocupação explícita
visão da linguag~rpSO}110 construtiva (criadora te construída; :t!,ma ên-
com a relª.Ç.ão_entn~J!ng!!ªgeQ.l e política. ~~raclis.ã~ estábem repre-
~r:?-0~i?~~~-~ocomo uma forma de ação; e uma convicçã(),ni~~~:ga=
sentada nos estudos de mídia,J2articularmente n-ª-12e~qui~.asobre im- nização retórica do discurso. Em primeiro lugar, então, ela toma o
pre!l~~nfatiz~ ::-,~,ntre outr9-~,~.oi§..~~,-=_~s_rnane!t~.§..~Q.@.º
formas própí::-io-cfisc~~::~~~~~~'seu tópico. O terlno "discurso" é empregado
17'\ lin~ísticas~,~p~~ífl~~Uy~i~ cO.Pl,o_é1,an~}açãc:>_c!.9.JilJj~~Qd2ª,~iv~-ª,ç,ª-0_ para se referir a todas as formas de fala e textos, seja quando ocorre
dil
,ol!' n?Ei~~alizaç~,oLEQ.c!~!ll.--!er_e(eito~_9-ra.~á.~ico~__sobre -ª-IA9:Deira
:..,.1
naturalmente nas conversações, como quando é apresentado como
como_l!~ ..~c<?,~~~~i,rr:tento_o!l fenômeno ,é compJ.:.e_elliliJiQ. material de entrevistas, ou textos escritos de todo tipo. Os',ª,I!ª-lii~~
Uma ~egunda e ampla tradição é a que foi influenciada p-cl-ª.!~o- de discurso estão interessados nos textos em si mesmos, em vez de
ria do ato da fala,- ~tnomet~dobgjª e análise _Qª--CQnY.enação (ver §(c:lel~â=lo-s como ummeio de "chegar-a" algumarealÍCl,ã~-=-q~~~é
'Myers, capo 11 neste volume; Garfinkel, 1967; Sacks et al., 1974; .pe~s;~sta ,c0l!lg existindo por detrás do discurso - seja ela social, psi-
Coulthard e Montgomery, 1981; Heritage, 1984; Atkinson e Herita- Sológjca ou material. Este' enfoque separa claramente ãnallstas -de
ge, 1984). Estas perspectivas acentuam a ori~!ltaçãofu!1C_~~!2~l,-ou--ª. discurso de alguns outros cientistas sociais, cujo interesse na lingua-
orientação da ação', que o discurso possui. Emvezde ,<?~h.a!~?!ll~ gem é geralmente limitado a descobrir "o que realmente aconte-
í1ã~~~çQiis~liLaClQji,~~~9'iE,:9jn'~_~9g, ,elas se in ~eres~~!.~a.~~
__na~ilo ceu", ou qual é realmente a atitude de um indivíduo com respeito a
X, y ou Z. Ao invés de ver o discurso como um caminho para outra
quê'~~~.9-,~E.~t.:.~ClSÕ
e.§...~!12..Ç-ºJl1_0,
objetivo .co nse guir ,_eR.er~,ç,lJl_t.amem
detalhe a organizaçãoda interação social. realidade, os analisas de discurso estão interessados no conteúdo e
'-_ "._._-' ,_'o __ '. • _. - .0'" __." •
na organização dos textos.
q,_~~l~cejro_c.ouillP.Jº..
_ Q~.t,l~ªpalh~?_qll,~,ás_.Y~ze~,_~e
__~c!e~li:0~aS2,glo
análise de discurso, é o associado com o pós-estruturali~P!.2: :e.6.s-e_s,~. O ~gundo tema da análise de discurso é que-ªJiE.guagem é CO!1S~
}ruturalismo l=ompeu com as~lS·õf~~Iis.!-ª,s:=da liQg!::~ag~II?-,e rej!=it9Q trutiva. Potter & Wetherell (1987) mostram que ~!letáX9,xa "consl:!:.l!.::-
.~~ ao SUjeito unifica~o coereE~<:, gu~ foi p.o,r longo tempo-$-c_(),~ çaoi'iealça três L~~~,~'!,s_ do enfoque. Primeiro, ela chama a~,~n.ç~.2
yação aa-filosofia ocidental. Entre os pó~-estruturalistas, MlChel iiãraõ}itü:deque o discursoé construído, ou manufatui-~~_q,,_aRar-
Til' de recul~sos lingüísticos preexistentes:

-246- -247-
I:
II ....... ,.,", "." ", .. "" ,., .. .
I
,

........10. ANÁLISE DE D!S~U~~O,


. ......... ,

Linguagem e práticas lingüísticas oferecem um depósito de siste-


mas de termos, formas de narrativas, metáforas e citações, do qual .. .. . 1 A ões ou funções
. t r retativo particu ar. !iÇ _
é possível organizar um relato específico (Potter et al., 1990). te" para aquele contexto 111e p. cognitivos, ROLe~~gtpJ.Q-,-ç0f!.l.º- !
Em segundo lugar, a metáfora ilustra o fato de que a "monta- não -ª-~~I sadas eIIL.tel!P-ºA.___.----.--.' --
?-e!!... z --
r'clacionadas às 111tenç9~~de ?l~e_-"'-d~s
d
êm: muitasvezes elas po em ,s.e: _
glo-
~omo práticas.cul_9,!r,!:I.~~2.
'i\,\
gem" de um conjunn, implica em escolha, ou s'eleção, cI'é-Uill-U(Ílne_
1'0 dife.T~p.t.~de .possibilidades. É possível descrever até me;m~-o b~-idêológicas, e são melhOI_~enst 'é~,'-O~'~~alistas de discurso
-. nfinadas na cabeça e a gu ,
mais simpies dos fenômenos em uma multiplicidade de maneiras. que coI?o co, d di rso é circunstancial.
. ntam gue to o ISCU , " _
Qualquer descrição específica dependerá da orientação do locutor ~.guJl1e ._. --'- --- . _ d "contexto i~te.!"p,r~,Ǫtlv_Q.. __lli:LQ I

ou escritor (Potter & Wetherell, 1987; Potter et .a.,


1990). E' importante no tar que ---.-;- a noçao e --do
-- --::-.- - - não
.-.-- simplesmen t e para
é fechada ou mecanicist.<:, El~r~se::~r:~interação, tais como onde e
-~il!almente, a noção de construção enfatiza Q fa.!()Q~_q'::l.~Q~~Ji-.
se referir aos amplos p,~I_af!l<:_ ", aestá falando ou escrevendo,
damos com o mundo em termos de construções, e não de uma ma- I a quem a pesso ,_ '_
neira mais ou menos "direta", ou imediata; em um sentido verda- quando ela tem uga~, e , . 'icas~mais sutis d~LI!~!-ª_Ç,?.c>.' !n
deiramente ICeaJ, diferentes tipos de textos constroem nossomuii: mas também para atmgir cal act:nst
' d - que estao sen
do -realiiadas e as orientaçoes
, ,
do. Q..yso ÇQD:.strutivo da linguagem é um aspecto._d~.yida social cluindo ~sypos e açoes m analista de di~~~~~s..?--,_~Eess~a est_~,.~~:
aceitQ ..$ew,_discussão.
dos partI.Clpantes,
volvida S:omo u nalisar . o .__
s.z~1J:!!:.Z!E.nea?11:..'!-"!J!...er"f!.,~
__. dí~~Esg e ~~_.ªn_~!Isa!:_.<:>~?_l?-

A noção de construção marca, pois, claramente uma ruptura '--r-I'nternretativo, . ,


te~.o.·· ._.r ...-- nte maIS direta e neu-
com os modelos de linguagem tradicionais "realistas", onde a lin- ". . - ora aparenteme ,
guagem é tomada como sendo um meio transparente _ um caminho Até mesmo a descnçao son. pleto de diferentes ati-
. . d um conjunto com .
relativamente direto para as crenças ou acontecimentos "reais", ou tra pode estar implica a em inter retativo. Tomemos a segum-
vidades dependendo do contexto p o uma frase diretamente
uma reflexão sobre a maneira como as coisas realmente são. te ' . b - "Isto soa com
. frase: . . "Meu carro que bi t Imecamc
ou 'A o , Seu sentido ".contudo, pode mu-

A _terceira GiracterÍstica da análise de discldrs() que desejo realçar descritiva sobre um o ~e o. ontextos interpretativos:
aqui é §.ua12!'~gcupação com a "orientação da ação", ou "orientação da . m diferentes c
dar dramaticamente e , 'da de uma reunião, isso
função" do discurso. Isto é, os analistas de discurso vêem .tQ~_ dIscui Q d dito para um amIgo na sal .
so como prática social. A,linguagem, então, não é vista COillQ.um.mero 1. uan o dido i plícito para uma carona.
epifenÔmenü;'-;nascomo 'lllná prática em si mesma. As pessoas em- pode ser um pe 101m e lhe vendeu o carro há apenas
u
pregam o discurso para jazer coisas - para acusar, para pedir descul- 2, Quando dito a uma pess~a qd acusação ou repreensão,
di d fazer paI te e uma
pas, para se apresentar de uma maneira aceitável, etc, Realçar isto é alguns Ias po e . ula você está meia
sublinhar o fato de que o discurso não OCorre em um vácuo social. 3 Q . rofessor para cuja a ._
Como atores sociais, nós estamos continuamente nos orientando pelo ' uando dito para d um p W~rremu~ . . desculpa ou explicação.
hora atrasado, po e se con " d dis-
cçm!extsLi1J:!!.rpr~tq,tivo
is em que nos encontramos e constru!l110S nosso
.., d testar nossa análise .. e .
.9 curso para nos é!Íustarmos a esse contexto. Isso fica muito clal:cí em E assim por iante.u
di Uma maneira e
,---.--
.., como os par
"d'
.ticipantes envolvi os I es-
. .,,' I
contextos relativamente formais, tais como hospitais e tribunais, mas cursoéolharpara a ~a~el1:pistas analíticas valiosas, Por exemp.o,
é igualmente verdadeiro também para todos os outros contextos. pendem, e isso pode o erece d di do' "Bem ele estava sem pro-
. on e Izen" .
Para tomar um exemplo concreto, alguém pode dar uma explicação 'se o vendedor de carro resp.. . di a que a frase foi OUVIdacomo
diferente do que fez na noite anterior, dependendo do fato de que h di" ISSO111IC .d
blemas quando eu 1 o ven 1, 1 acusação explícita tenha SI o
quem pergunta é sua mãe, seu chefe ou seu melhor amigo. Não se tra- - o que nen:luma . s
uma acusaçao - mesm' t .pretativo . na-o varia simplesmente com re _
ta de que alguém está sendo de1iberadamente fingido em algum des- feita, Mas o contexto I~ er 1. ode-se falar com a mesma pessoa ~ e
ses casos (ao menos não necessariamente), mas simplesmente de que peito a com quem alguem fa a. la -as _ e gerar muitas interpre,taço~s
I

estaríamos dizendo o que parece "certo", ou o que "vem naturalmen_ até mesmo usar as mesmas p~ av I pergunta "Você irá sair hoje
aneira como a I '
diferentes, Pensemos ~a.m , 'ficados quando feita por a guem a
a' noite:
'? " pode ter múltiplos sIgm
-248-
-249-
10, ANÁLISE DE DISCURSO
PESQUISA QUALITATIVA COM TEXTO, IMAGEM E SOM
.................... , . ." .

Fazendo perguntas difeTentes


seu namorado/a. O ponto central aqui é gue não existe ~:sil!l:
~ples", ou sem importância, com res~i!:.?_~ li~~~g5:m: fala e textos são A análise de discurso não é um enfoque que pode ser pego sim-
práticas sociais, e até mesmo afirm~ç.ges_~~. arecem extremament~ plesmente da prateleira, como o substituto de uma forma mais tradi-
triviais, estão implicadas em vários til2Q§~~ -ªtiviQ.~~1i.1)_m_do~_objeti- cional de análise - por exemplo, análise de conteúdo o~ ag-ªfu..eesta-
~;;-da análise de discurso é identificar as Junções, ou atividades, da 'I0'i(c~~de 9_
d:ãâ des questionários, A decisão dê usar análise de discur-
f;l~'~dos tex't~s?=e
~éxpJ~ral~'~c;;~;,~l~,~~;ã~xeali~~do~. , ~ imEõe.~ma mudança epistemológica radical. Como já indiqueCos
'- .. _---- ._- _.
".- ,- -,-
an.?:!i~?-~_cl.e
discurso não vêem os textoscomo veículosparadescobrjr
Isto me leva ao guarto ponto: a anális~ de discurso tr'!ta a fala e
alguma realidade pensada como jazendo além,' ou debaixÇ>_<=l~J.!!!~_~
os textos como org!i!úzados retoricamente (Billig, 1987; 1991) ·12Lf~JJ.":
gemo Ao invés disso, eles estão interessados no texto em si mesmo, e
temente da análise da conversação, a análise de discur~ vê ayida so-
'p'o;is~o fazem perguntas difere~tes. Diante da tra~scriçãodê"~ma
cial como sendo_~aLaçi.e~D~idª.Í2or-cãllf].i!:osde-;ári~ tip<%. Como
discussã'o entrevegetarianos, pô-;: exemplo, o analista de discurso não
'taCg';a~de p';;'-te do dj~.f..urs.~e_~!~_~~~Pli.ca9.~~Ip_estabeleceruma vel~
procuraria descobrir ali por que as pessoas implicadas deixaram de
"sâó' dó-fiU'udo díãllte de ver?º-es_cor:JJ.p~t.itiva~.Isto fica claro em al-
comer carne e peixe, mas ao invés disso, estaria interessado em anali-
-gu~ ~~~'~~=p~líti~-os','pOl:~xemplo, estão claramente tentando levar
sar como a decisão de se tomar vegetariano é legitimada pelos por-
as pessoas a aderir a suas visões de mundo, e publicitários estão ten-
ta-vozes, ou como eles respondem a críticas potenciais, ou como eles
tando nos vender seus produtos, estilos de vida e sonhos - mas é formam uma auto-identidade positiva (Gill, 1996b). A possível lista de
também verdade para outros discursos. A ênfase na natureza retóri- perguntas é interminável; mas, como se pode ver, elas são bem dife-
,~~ dos textos diri~oss~~!!.ção l2.ªra-ª~_~neira~ como todo dis- rentes das convencionais perguntas sociocientíficas.
curso é organiza.Qo
,_._-_.-._--- a fim d~~_tQJ.:nªLP~~~~u.'l:~i~.
Transcrição
A prática da análise de discurso
A não ser que se esteja analisando um texto de domínio público -
É muito mais fácil discutir os temas centrais da análise de dis- por exemplo, um artigo de jornal, um relatório de uma companhia
curso do ~e~~J2licar como -Zó~~ctamel1ie'f~zer'-p'ã~aanãlis~- ou o registro de um debate parlamentar - a primeira exigência é
'tos~Seria muito agradável se fosse possível oferecer uma n;s..eita, ao uma transcrição. Uma boa transcrição deve ser um registro tão deta-
-e-;tilo de manuais de cozinha, que os leitores pudessem acompa- lhado quanto possível do discurso a ser analisado. A transcrição não
nhar, metodicamente; mas isso é impossível. E_I!.!- ªJggIDJllgar..~p:~~~ pode sintetizar a fala, nem deve ser "limpada", ou corrigida; ela
.a:'trª,~_sSI!Ç,ªg,"~ª"~labg~~!1çiiQ_ºo.m<lt.~r.ial~:,~ _t:s,~.~l1~iªslQ..q.w~-~j.ª,
_ deve registrar a fala literalmente, com todas as características possí-
fazer uma análise de_qi_~curs_º-PilY<=.ce escapar: sempre iJ?-?-<:,ª~~~ veis da fala. A produção de uma transcrição consome uma enorrni- \
elã--nuncaliº,cre:=~;;~:ç,apJ.3.Qa;.,p~)l-
d~~Cljç<3es'd~_ês.9.~er!:íjlsde codifi- dade de tempo. Mesmo que apenas as características de maior realce
"Z~çã.2, -iiliióte_s~_~,~_es_qlJ.eJn3..s.-ªP:pllti~os.
Contudo, exatamente por- da fala sejam anotadas - tais como a ênfase e hesitação - o desenvol-
'qUe' as habilidades dos analistas de discurso não se prestam a de~- vimento da transcrição pode demorar até 10 horas para cada hora
crições de procedimentos, não há necessidade de elas serem deli- de material gravado, Os analistas da conversação, e alguns analistas
beradamente mistificadas e colocadas acima do alcance de todos, de discurso, afirmam que essas transcrições muito detalhadas são es-
com exceção dos entendidos . .A,~nálisei~~iscurs'2 é semelhant~ a? senciais, se não se quiser perder as características centrais da fala.
muitas outras, tal~~f-ª-s:os iº.!:.I!_a}is~a.~,,-y'or
exemplo1.._não_s_~02!!-Ulto Um sistema de transcrição que anote a entonação, a fala sobreposta,
respirações, ete. - como o delineado por Gail Jefferson - pode che-
·treinados paE~ ic!.~~~it~ar_o que Jªz. corri que um.a.c<?~~~~~~~~
gar a uma proporção de tempo de 20: 1 (ver cap, 11 deste volume).
teja E_O~~~§.; mas depoisde um pequeno tempo ~e expenen.ctª-s~u
Contudo, como J onathan Potter mostra, a produção de uma trans-
senso de "valor de noríciase torna bem claro. Nao ha, na verQ..ªQ~,
crição não deve ser pensada como um tempo "perdido", antes que a
~'~b.~tE~0,p~~~~apr~u'der fazendo. é>'
análise como tal comece:
~, ';10
n... !LJl.-?1 <,
,( .... ,

.......• -251-
I I' I, I I ••• ".". ,'"~,". '~',,~'.'~1',~ ~~/~I ICAIU, lN\AGtM E SOM
.. , .. .. , ,
1V. t\1~f\LI")C UL UhJ'-V 1"-" .

Muitas vezes , aleumas


b-"
d . t . -
as zn UZçoes l't' ..
afJal-ecem durante a trens .: _ ana z icas mais zluminadoras Fazer análise de discurso implica questionar. nossos PEQR.!5.9s,
crtçao porque é ne ,.
mento profundo com o mate . l p' cessarzo um engaja. pressupost_o~,~_~:5_~~~~<::i~ª-~-ÇOI"!l9~_~.9.~_h-ªºitl!~[gj~llt~dãrYiº~
~~!l..tj~o
ção (1996b: 136). tia ara produzzr uma boa transcTi-
)s coisas. Implica um eSQírito c!~~ticismo, e o desenvolvimento de
Por essa razão, é sempre útil - d . _ uma "~~~ntalidade analítica" (Schenkein, 1978) que não desaparece
se está fazendo a transcrição. pIO UZIl notas analíticas enquanto facilmente quando não se está sentado na frente de uma transcrição.
Um~ das coisas que im ressio . Devemos perguntar a qualquer passagem dada: "Por que eu estou
vos analIstas de discurso q~a d nlam mais fortemente a muitos no- lendo isso dessa maneira?", "Que características do texto produzem
de duzi
pro UZIr- uma transcri ão é
n o e es olham p
fa}a que são tão familiares ~ p~ ta
_ara - ou melhor, têm
:onfus~o da fala. Aspectos da
nao os "ouvirmos" se tornam r: ~ .e nos mUltas vezes literalmente
i: essa leitura?", "Como ele está organizado para se tornar persuasi-
vo?" e assim por diante. Na minha opinião, a análise de discurso de- \
veria trazer consigo um alerta sobre a saúde, semelhante aos que são
mültí 1'" VISIveISnas tra '- colocados em comerciais de cigarros. porque fazer uma análise de
Ip os remendos" na fal d nscnçoes. Isso implica
pausa~: sobreposições, inten~p~l anças no and~mento ou tópico, discurso muda fundamentalmente as maneiras como nós experien-
Ç
como ~abe": Na verdade, fazer a~~l~ e~pre~o livre de frases tais ciamos a linguagem e as relações sociais.
p;ssoa Imagllle o quanto nós habi
nos escutamos. A segunda . itua mente
e d;,scu.rso faz com que a
edItamos" a fala que
te Codificação
ment d . COIsa que chama a at - ,
e e maneira contraditória) f ençao e (aparente-
ros e mudanças no anda como a ala está em ordem. Repa- j\ semelhança dos etnógrafos, os analistas de discurso têm de
.: mento acontecem d mergulhar no material estudado. Uma boa maneira de começar é
o~Ient~m para o contexto inter reta' . quan ~ os lOcutores se
çoes sao devidas ao modo c p _ ~IVO,sobreposIções e interrup_ simplesmente ler e reler as transcrições até que nos familiarizemos
My onveI saclOnal· e . com elas. Este processo é uma preliminar necessária para a codifica-
ers, capo 11 neste volume). ' aSSIm por diante (ver
ção. As categorias usadas para a codificação serão, obviamente, de-
O espírito da leitura cética _terminadas p_e~as_~~~~~~~(~Li interesse. Às vezes elas -irão parecer re-
lativamente simples: por exemplo, uma parte de minha análise das
Uma vez feita a transcrição (o bti entrevistas com locutores de rádio implicava o exame das explica-
, r se pode começar O pon to' . . I: o .tIdos os outros dados) a análi ções que eles davam para a ausência de mulheres trabalhando no rá-
. . Il1Icra ma ' t"l ' ,-
na~u~~~!:I~ é ~ido como algo da~do Ist~ ~ I e a suspe.r~§ã9--ª-ªSEença dio (Gill, 1993). -A codificação inicial para isto implicou examinar as
~~~r,..me~to~o~ antropólogos de ';torn e semelh.a?te à~~ de ~ J:E~pscrições <:realçar, ou selecionar, todas as ocasiões e!ll_que <?slo-
prauca Implrca em rnud _ . ar o famIlIar estranho" T 1 cutores se referialnàs-locllt()l~as.-E!l1 outras ocasiões, a codificação
d --- ai a maneIra COI l' -------;---- . a
_ e enfocar a construção--:-- no a lllgu~gem é VIsta a fim
7""" =": -
pode ser muito rnais d,if!c~l,_eo fenômeno de interesse pode ficar cla-
de Olhar-para algo atra's' olganb~zaçao e funções do di;~ur~~~~~ez- ro somente após alguma análise .inicial. Potter e Wetherell (1987)
- II ' ou su ~acente a 1 C -,
I e mostraram, o treinamento dê e e .. orno Potter &~Wethe- ./: descrevem como em seu estudo sobre as explicações que os habitan-
t b aca emICOen - - --
- o~ ~uscando sua essência mas' , . sina as pe_s~oas a ler tex- tes brancos da Nova Zelândia davam sobre desigualdade racial, seu
de n . , c ISSOe precrsame t -~
os aproxImannos da a na'1'lse..
Se alguém lê um al"tigo ou livro
síntese simples unitári~
,. de i
.
n e a maneIra
bi
-- errada_

-' o o Ijetzvo usual é produzir uma


, e zgn01 ar a nuança .
I entendimento do que deveria ser codificado mudou repetidas vezes,
à medida que sua análise se tornava mais sofisticada. E, de fato, em
meu próprio estudo sobre as explicações sobre a ausência de mulhe-
area; e zmp1'ecisão O I' de di ' as contradzções e as res DJs, ficou claro que muitos outros aspectos do material de entre-
d . ana 'ista e discurso t d
sa o no detalhe das passagens do di _ ' con u o, está irueres- vista, além das referências diretas sobre mulheres locutoras, foram
contraditórias e Com o aue t : l ZsCU1S~,embora ji-agmentadas e relevantes à análise: por exemplo, referências a "qualidades" que
. ,.' . 1 e 1 ea mente dzto ou . _
gt.l17la zdeza geral que parece ser p t did. escrzto, nao com al- "todo bom DJ deve possuir" acabou mostrando conter uma quanti-
reten z a (1987: 168).
dade de pressupostos ocultos sobre gênero.
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PESQUISA QUALITATIVA COM TEXTO, IMAGEM E SOM 10. ANÁLISE DE DISCURSO

Isto vem realçar um J2.0nto importante sobre codificação:_~ sivos para o qual os locutores tinham de prestar atenção era o de se-
em suas fases iniciais, ela deve ser feita da maneira m~~g~- rem considerados como sexistas enquanto querendo ao mesmo tem-
.~.ioss'ível,-'ae'-~ai m~di_qu~~<2~à.s. as in.s_t~nciasJl!llítrofes possam po apresentar razões "legítimas" pela ausência de mulheres. As trans-
.ser incluídas, em vez de serem deixadas fora. 6-sJ2esj?oas usam vá- crições estão cheias de desaprovações (Hewitt & Stokes, 1975), tais
i:ias "'estr'~lfégras-pã!.:à.~§§:~iff~~:i~~~.,~.ª.c:iª,pe,~,g~~~,~
d.2}~_sl~~'d_eseI!YQ1: como "Eu não sou sexista mas ... ", que precederam a apresentação
vú-ã-süã:--ffiã's"essencialmente a codificação é uma manei~~Cl_q_~_<?L de considerações que poderiam ser facilmente consideradas sexis-
ianliara~ ~ãte'g-;'~-i~s de interesse. Por exemplo~'se'n6s estarnos \ tas, Ficando com nosso exemplo sobre vegetarianismo, podemos es-
'interessad'ós'em examinar como as pessoas explicam sua decisão perar encontrar nossos locutores vegetarianos indicando uma varie-
de se tornarem vegetarianas, então uma maneira de começar a co- dade de críticas potenciais - por exemplo, sentimentalismo, "corre-
dificar pode ser ~eparar as transcrições em diferentes ti~sLe~ ção política" e inconsistência,
"p'licasCi_~s:algumas pessoas podem afirmar que elas pararam de
comer carne devido a razões de saúde, outros podem discutir Embora sugestões como as de Widdicombe sejam úteis para pen-
questões ligadas ao bem-estar dos animais, e ainda outras podem sar a análise, no final das contas não há como escapar do fato de que...':.
possuir preocupações éticas sobre o uso dos recursos globais de ali- análise d~qA~t.u'so (uma arte habilidosa, que Rode sel:,clgTçjl!_,~~?:C.ig~,
mento e assim por diante. É importante notar que os indivíduos ~mp_r:~,,r:I1U.itº_t.!:;:tbalb.iComo notaramWetherell & Potter (1988),
podem ser levados por diferentes explicações, ou combiná-Ias, e não é i~S:()Jnu~I1,J:I-ª--qalhar com um esquema analítico por vários dias,
que o interesse do analista de discurso não .é n.as atitudes indivi- ! ,9~
iEe~~s.'para_lTlL.lçl,~JO, ~~escartá-Io, porque a evidência}ln~~~0c,,!:
duais, mas na ~trução cultural do vegetanamsmo. não _se3j:usta .adequaclamente. Diferentemente de outros estilos de
ãí13:li~~_quesuprimem a variabilidade, ou simplesmente encobrem si-
~ç2es que não se adaptamà história que está sendo contada.a análi-
Analisando o discurso se de discurso exige rigor, a fim de produzir um sentido analítico dos
Tendo completado a codificaçã? i~iciª-l- e com as pilhas de foto- ~;;:t()s ~ 'partir de sua confusão fragmentada e contraditória. -
cópias ou de folhas de registro em seu lugar - é tel12P9 de começar a _Os~.?1L~~ª.~~e discurso, ao mesmo tempo em que ~?:Cª!I!!~1~m a
,ª~~lise cC?EI22_!_~l Pode ser útil pens,a.r a anáUse_~_<?,f!:l:~ng.oc<2nstruí,:, maneira como a linguagem é empregada, devem também estar sen~
da<=J!lS!:!!~ fa.,~~~u::..<'iacionada..s. Primeiramente, )1~,~1.:t:l,ªP,LQ,ç.ura
]2or sí~~i~,-~q~iioq~e~:rião édito - aos ~il~ncios, Is_so,pg!~ii~~.2'.~--,_~,~ig~
um,p-ªsl]jl~Ulº~dado_s. Isto vai se mostrar na forma tanto da variabili- uma_c:g_nsciênciaaRr~morada das tendências e contextossociais.jio-
dade (diferenças entre as narrações,Lq11.<!.Il.tQ,9:ª-.çonsistência. Em~ líticos e cüítlú:als aos quais os textos se referem, Sem essa compreen-
~~riç!,o lugar, h~ aJ~~ocupa~ão ~m a f!JllçªQ,~om_a cri;;tçáQ de bi.l2Ó- São'~;;text~al mais ampla:
teses tentativas sobre as funções de característicaL~12ecíficas do dis-
nós não seremos capazes de ver a versão alternatioa dos aconteci- .J: J-' I;
'curs'õ~'~ de testá-Ias frente--aos d~d;'s-(Põtt~, & Wetherell, 1987), É
mentes, ou fenômenos que o discurso que estamos analisando pre- ?,-" ~ r
'Zlaro que, 'colocada';;;~-;isàs' des,sa maneira, isso parece fácil, e são tendeu contrariar; não conseguiremos percebe?'a ausência (às ue- "e:"
esquecidas de horas de frustração e aparentes impasses. Na prática, zes sistemática) de tipos paTticulaTes de explicações nos textos que ~"r~:
,~)Q~~!~fr5,a~ffiQ vezes difí-
de padrões e fuI!ÇÕ,~Sdo ,disCUIJ'~.{,Ip'::uit-ª-s estamos estudando; e não conseguiremos reconhecer o significado I; ,:it' ,t
cil e leva muito tempo.
... ._--,.-.--_.---~.__ __ ._~-- _-- -"- -~~
. ...
do silêncio (Gill, 1996b: 147),
Uma estratégia analítica útil, sugerida por ~idqicQ..rpbe J19J@), é Contudo, dizer que a familiaridade com o contexto é vital, não é
a de considerar as maneiras como as coisas são ditas, c~!ll0 sendo-.E2,- sugerir que esse contexto possa ser descrito com neutralidade e sem
Jenciais soluções d~_J2Toblema~~A-tãl:eli-~õ"i~~IL~~~_~~ísí,entificar. \ problemas. QY.:.'lndoum analista de discurso discute o cont~xto, ele
_ç,~2roblema, e como o ~_~ dÍl<?Jie_c,o,.Q.st!t~ie}:n.YEl}a_s~)~5ã.9.
Em estA também produzindo uma versão, construindo o conte~t,o_,c9}no.
meu estudo sobre a maneira como os locutores de rádio explicavam u~_õ§jêt9~ Emoutras palavras, a fala dos analistas de discurso não é.
o.pequeno número de mulheres no rádio, um dos problemas discur- menos construJda,_circunstanciada e orientada à ação quequalquer
?
§~~-~. q~e os analista~s'-isc~~s.? fazem éproduzir leituras de
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