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Capítulo 12: Equações Diferenciais Parciais (EDPs) 59

Características. Tipos e Formas Normais de EDPs


A idéia da solução de D’Alembert nada mais é que um caso especial do método de características, que se refere
às EDPs da forma

(14) Auxx ϩ 2Buxy ϩ Cuyy ϭ F(x, y, u, ux , uy)

(bem como às EDPs em mais de duas variáveis). A Equação (14) é chamada de semilinear, porque é linear nas
derivadas mais altas (podendo, porém, ser indeterminada nos demais casos). Há três tipos de EDPs (14), depen-
dendo do discriminante AC – B2, como se segue:

Tipo Condição de Definição Exemplo da Seção 12.1

Hiperbólica AC – B2 < 0 Equação da onda (1)


Parabólica AC – B2 = 0 Equação do calor (2)
Elíptica AC – B2 > 0 Equação de Laplace (3)

Note que (1) e (2) na Seção 12.1 envolvem t, mas, para termos y como em (14), devemos fazer y = ct em (1),
obtendo assim utt – c2 uxx = c2 (uyy – uxx) = 0 e, em (2), fazemos y = c2t, de modo que ut – c2 uxx = c2 (uy – uxx).
A, B, C podem ser funções de x, y de maneira que uma EDP possa ser do tipo misto, isto é, de diferentes
tipos em diferentes regiões do plano xy. Uma importante EDP do tipo misto é a equação de Tricomi (veja o
Problema 10).

Transformação de (14) ao Tipo Normal. As formas normais de (14) e suas correspondentes transformações
dependem do tipo da EDP. Elas são obtidas resolvendo-se a equação característica de (14), que é a EDO

(15) AyЈ2 Ϫ 2ByЈ ϩ C ϭ 0

na qual yЈ = dy/dx (note que temos –2B, e não +2B). Dizemos que as soluções de (15) são as características de
(14), que escrevemos na forma ⌽(x, y) = const. e ⌿(x, y) = const. Então, as transformações dando novas variáveis
v e w, no lugar de x e y e as formas normais de (14) são como se segue.

Tipo Novas Variáveis Forma Normal

Hiperbólica v=⌽ w=⌿ uvw = F1


Parabólica v=x w=⌽=⌿ uww = F2
Elíptica v= 1(
2
⌽ +⌿) w = 1/2i(⌽ –⌿) uvv + uww = F3

Aqui, ⌽ = ⌽(x, y), ⌿ = ⌿(x, y), F1 = F1(v, w, u, uv, uw, ) etc. e escrevemos u como uma função de v, e w de
novo como u, por simplicidade. Vemos que a forma normal de uma EDP hiperbólica é como aparece na solução
de D’Alembert. No caso parabólico, simplesmente tomamos uma família de soluções ⌽ = ⌿. No caso elíptico,
i 1, e as características são complexas, sendo de menor interesse. A dedução disso pode ser vista na Ref.
[GR3] no Apêndice 1.

EXEM P L O 1 Solução de D’ Alembert Obtida Sistematicamente


A solução de D’ Alembert é apresentada de modo sistemático pela teoria das características. Para vermos isto, escrevamos a equação da onda
utt Ϫ c 2uxx ϭ 0 na forma (14), fazendo y = ct. Pela regra da cadeia, ut = uy yt = cuy e utt = c2uyy . A divisão por c2 fornece uxx – uyy = 0,
como afirmado anteriormente. Logo, a equação característica é yЈ2 – 1 = (yЈ + 1)( yЈ – 1) = 0. As duas famílias de soluções (característica)
são ⌽(x, y) = y + x = const. e ⌿(x, y) = y – x = const. Isso fornece as novas variáveis v = ⌽ = y + x = ct + x e w = ⌿ = y – x = ct – x e a
solução de D’Alembert u = f1(x + ct) + f2(x – ct). �