Você está na página 1de 12

A soberania de Deus na Evangelização

Mateus 28.18-20
18 Jesus, aproximando-se, falou-lhes, dizendo: Toda a autoridade me foi dada no céu e na
terra. 19 Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do
Filho, e do Espírito Santo; 20 ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado.
E eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século.
Introdução
Após morrer e ressuscitar, Jesus deu suas últimas instruções aos discípulos. O medo que
dominou o coração deles ao verem seu Mestre ser capturado e morto, foi substituído pela
confiança Viram que Jesus era de fato quem dizia ser.
Seu poder mostrou-se suficiente para a obra. Depois de ressuscitar, enviar seus apóstolos para
pregar o evangelho parecia "fácil". Além disso, tomar frutífero o esforço evangelístico dos
discípulos seria possível só mesmo para quem detinha todo o poder.
I. Soberania e certeza
Por causa dá autoridade de Jesus sabemos que a evangelização dará certo. Dar certo, por sua
vez, pode ser visto por duas perspectivas: quanto ao que nos cabe e quanto ao crescimento do
Reino de Deus.
Quanto ao que nos cabe, precisamos aprender sobre o discipulado, fazer o discípulo, isso é,
acompanhar alguém ensinando-lhe o caminho que deve andar.

1
Não teremos acesso ao coração humano, a fim de transformá-lo. A ordem está fundada na
autoridade de Jesus. Como tem poder sobre toda a criação, ele levantará discípulos por meio
da evangelização.
Diante disso, cabe à igreja pregar e ver o poder de Deus agindo e transformando inimigos em
amigos.
Essa certeza foi afirmada antes mesmo da declaração de autoridade de Mateus 28. Em João
10.16 (Ainda tenho outras ovelhas, não deste aprisco; a mim me convém conduzi-las; elas
ouvirão a minha voz; então, haverá um rebanho e um pastor.) , Cristo afirma ter ovelhas além
do povo judeu.
Bastará sua voz — ouvida na pregação da Palavra — para que suas ovelhas atendam o seu
chamado. Isso significa que, pela pregação do evangelho iremos ver a manifestação do
governo de Cristo naqueles que responderem positivamente a ela.
Para a manifestação da soberania de Jesus, os discípulos receberam poder (At 1.8: mas
recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas tanto em
Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria e até aos confins da te ).
Os irmãos que estavam reunidos em Jerusalém viram a manifestação do Espírito, que deu
poder para o evangelho ser pregado em outros idiomas (At 2.1-11).
Nosso Redentor tem poder e concedeu poder, para que sua obra prosseguisse. O
desenvolvimento dessa dinâmica é que o Espírito dá dons à igreja, para que a obra se

2
desenvolva, pela edificação dos crentes (Ef 4.10-13: 10 Aquele que desceu é também o mesmo
que subiu acima de todos os céus, para encher todas as coisas. 11 E ele mesmo concedeu uns
para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas e outros para pastores e mestres,
12 com vistas ao aperfeiçoamento dos santos para o desempenho do seu serviço, para a
edificação do corpo de Cristo, 13 Até que todos cheguemos à unidade da fé e do pleno
conhecimento do Filho de Deus, à perfeita varonilidade, à medida da estatura da plenitude de
Cristo).
Vemos assim, que a soberania de Cristo sobre as nações lhe garante discípulos; discípulos que
são alcançados e desenvolvidos pelo poder do Espírito. O que nos mostra que o amor de Deus
por seu povo é manifesto justamente pelo seu poder. Por isso, não há por que esmorecer na
pregação, o Todo-poderoso garante a obra, com o que devemos nos preocupar?
II. O que nos cabe
Diante de tanto poder, poderíamos pensar que é só sentar e esperar. Contudo, como já temos
visto, a manifestação desse poder se dá por meio da ação da igreja.
Não somos indispensáveis para a obra de Deus. Olhando para o Antigo Testamento, por
exemplo, vemos quantos reis, sacerdotes e profetas foram levantados.
Ninguém é indispensável, porém, isso não significa que somos inúteis.
Em sua soberania, Deus definiu que o convertido leva a Palavra para o não convertido. Em
Romanos 10, Paulo fala de sua preocupação com o povo judeu, que tem conhecimento de Deus,

3
mas sem entendimento.
A partir disso, o apóstolo mostra o fundamento missionário da igreja: "(...) não há distinção
entre judeu e grego, uma vez que o mesmo é o Senhor de todos, rico para com todos os que o
invocam. Porque: Todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo. Como, porém,
invocarão aquele em quem não creram? E como crerão naquele de quem nada ouviram? E como
ouvirão, se não há quem pregue? E como pregarão, se não forem enviados? Como está escrito:
Quão formosos são os pés dos que anunciam coisas boas" (Rm 10.12-15).
A pregação é a forma escolhida por Deus para a propagação do evangelho. A criação é
revelação de Deus (Rm 1.20), porém, essa revelação não trata da pessoa e obra de Cristo.
É a pregação do evangelho o meio pelo qual o Senhor quer que seu Filho seja conhecido. Ele
poderia ter feito de outra forma, mas, em seu eterno plano, a evangelização foi o meio escolhido.
O evangelho tem várias referências mostrando a vontade de Jesus de que seus seguidores o
sucedessem na pregação. É justamente esse o ponto.
Pregamos o evangelho porque aquele que morreu por nós era um pregador. Estamos dando
continuidade ao oficio profético de Jesus.
Não falamos por nós mesmos, porque a mensagem que anunciamos recebemos diretamente
de Deus. Nós falamos de Cristo por meio do Espírito (Jo 16.12-13: 12 Tenho ainda muito que
vos dizer, mas vós não o podeis suportar agora; 13 quando vier, porém, o Espírito da verdade,
ele vos guiará a toda a verdade; porque não falará por si mesmo, mas dirá tudo o que tiver

4
ouvido e vos anunciará as coisas que hão de vir).
A igreja, por sua vez, dá continuidade ao que os apóstolos iniciaram, isso é, o ministério da
reconciliação (2Co 5.18-19: 18 Ora, tudo provém de Deus, que nos reconciliou consigo mesmo
por meio de Cristo e nos deu o ministério da reconciliação, 19 a saber, que Deus estava em
Cristo reconciliando consigo o mundo, não imputando aos homens as suas transgressões, e nos
confiou a palavra da reconciliação. 20 De sorte que somos embaixadores em nome de Cristo,
como se Deus exortasse por nosso intermédio. Em nome de Cristo, pois, rogamos que vos
reconcilieis com Deus ).
Isso significa que a evangelização é a manifestação da soberana vontade de Deus. Criaturas
antes inimigas de Deus, caídas e mortas em seus pecados, agora falam das grandezas de Deus.
É o poder transformador do Pai, para a glória de seu Filho. É uma obra do Espírito atuando
por meio dos servos reconciliados. É a entrega da melhor mensagem que existe.
III. Eleição
A doutrina da eleição é o fundamento da certeza da evangelização e do papel do crente na
obra.
A evangelização apoia-se no plano eterno do Pai em salvar pessoas desde a eternidade. Efésios
1.3-14 deixa claro que o Criador fez todas as coisas em Cristo, para que tudo convergisse nele
(v. 10). Na eternidade, o Senhor resolveu glorificar o Filho pela loucura do evangelho, o Deus
encarnado que morre pelos pecadores.

5
A soberania de Deus é usada para a sua glória, não para a nossa salvação. Na verdade, a
nossa salvação é para a glória de Deus, assim como a sua ação sobre seu povo (Is 48.9-11).
Somos parte da ação divina que revela sua vontade soberana sobre nossa vida, utilizando-as
para enaltecer seu Filho.
Jo 6.35-39: 35 Declarou-lhes, pois, Jesus: Eu sou o pão da vida; o que vem a mim jamais terá
fome; e o que crê em mim jamais terá sede. 36 Porém eu já vos disse que, embora me tenhais
visto, não credes. 37 Todo aquele que o Pai me dá, esse virá a mim; e o que vem a mim, de
modo nenhum o lançarei fora. 38 Porque eu desci do céu, não para fazer a minha própria
vontade, e sim a vontade daquele que me enviou. 39 E a vontade de quem me enviou é esta:
que nenhum eu perca de todos os que me deu; pelo contrário, eu o ressuscitarei no último dia.
Em João 6.35-39, Jesus se apresenta como o pão que desce do céu. Esse pão dá a vida,
porém, ele deixa claro que não é para qualquer um. Somente aqueles a quem o Pai enviar e
revelar o Filho serão salvos.
Mt 11.25-30: 25 Por aquele tempo, exclamou Jesus: Graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da
terra, porque ocultaste estas coisas aos sábios e instruídos e as revelaste aos pequeninos. 26
Sim, ó Pai, porque assim foi do teu agrado. 27 Tudo me foi entregue por meu Pai. Ninguém
conhece o Filho, senão o Pai; e ninguém conhece o Pai, senão o Filho e aquele a quem o Filho
o quiser revelar. 28 Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos
aliviarei. 29 Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de

6
coração; e achareis descanso para a vossa alma. 30 Porque o meu jugo é suave, e o meu fardo
é leve.
Em Mateus 11.25-30, Cristo dá outra declaração que demonstra a soberania eletiva na
evangelização. Ao condenar a incredulidade de cidades inteiras, ele glorifica o Pai por este
revelar-se aos pequeninos, em vez de revelar-se aos sábios e instruídos.
Interessante nessa revelação é que Jesus diz que ela provém de Deus. Ela é fruto da sua
vontade e não da vontade dos homens. Não há conhecimento de Deus se ele não se revelar
primeiro.
Conhecimento é uma questão de relacionamento, e, ao que parece, Jesus não se dá a conhecer
salvadoramente a qualquer um (Mt 25.12: Mas ele respondeu: Em verdade vos digo que não
vos conheço ).
Falando à igreja de Roma, Paulo descreve a ação da Trindade. O homem é colocado como o
incompetente que não sabe orar como convém, mas ao mesmo tempo é socorrido pelo Espírito,
que intercede, sobremaneira, com gemidos inexprimíveis (Rm 8. 26: Também o Espírito,
semelhantemente, nos assiste em nossa fraqueza; porque não sabemos orar como convém,
mas o mesmo Espírito intercede por nós sobremaneira, com gemidos inexprimíveis.).
No v. 27: 27 E aquele que sonda os corações sabe qual é a mente do Espírito, porque segundo
a vontade de Deus é que ele intercede pelos santos, vemos que a intercessão do Espírito não é
apenas uma questão funcional, como se a forma fosse o problema, mas, antes de tudo, é uma

7
questão de conhecimento. O Espírito e Deus Pai trabalhando juntos, de modo que o Espírito
intercede segundo a vontade do Pai.
A partir desse incentivo e segurança, Paulo passou a demonstrar a profundidade da obra do
Pai, mostrando que a intercessão segundo a sua vontade é motivo de grande conforto.
No v. 28 lemos: "Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a
Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito".
Segundo Paulo, ainda que não saibamos orar, sabemos que todas as coisas cooperam para o
nosso bem, se de fato amamos a Deus. Essa consciência nos leva a confiar na obra do Espírito,
e foi explicada nos versos seguintes.
Rm 8.29: Porquanto aos que de antemão conheceu, também os predestinou para serem
conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos
A partir do v. 29, Paulo passa a descrever de que modo todas as coisas cooperam para o nosso
bem. O versículo é claro ao dizer que somos predestinados, ou seja, temos o nosso destino
assegurado por Deus, definido anteriormente.
"Conhecer de antemão", para um hebreu, ou judeu, não significa apenas ter um conhecimento
teórico prévio do que vai acontecer.
Tomemos como exemplo Mateus 1.25: "(...) não a conheceu, enquanto ela não deu à luz um
filho, a quem pôs o nome de Jesus". Esse "a conheceu" se refere ao relacionamento íntimo entre
José e Maria.

8
Segundo o texto, se seguirmos a interpretação daqueles que dizem que conhecer é ver, então,
Mateus disse em seu evangelho que José e Maria não se viram antes do nascimento de Jesus.
Sabemos que isso é um absurdo, já que antes mesmo de Maria estar grávida, ela já estava
comprometida com José.
"Conhecer", para um judeu, significa um relacionamento profundo e, no caso de José e Maria,
refere-se à relação sexual. Conhecer, portanto, é mais do que um entendimento intelectual, mas
um relacionamento de amor, amizade e profundidade.
Assim, Romanos 8.29 está dizendo que aqueles com quem Deus relacionou-se profundamente
de antemão, ou seja, amou, a esses predestinou.
Entendendo predestinação como resultado do amor de Deus, interpretamos "conhecer de
antemão" como a decisão divina em conformar a todos aqueles a quem ele amou para que
sejam conformes à imagem de seu Filho.
A predestinação é um decisão que resulta em salvação. A salvação é um ato divino em favor
do pecador e, uma vez que ele seja salvo, ele é encaminhado por Deus para uma vida de
santificação, um crescimento contínuo para, dia a dia, se tomar mais e mais semelhante a Cristo.
A razão pela qual Deus amou alguns salvíficamente e a não a outros não nos foi revelada, mas
sim que ele predestinou uns para serem seus filhos (Sl 139.16: Os teus olhos me viram a
substância ainda informe, e no teu livro foram escritos todos os meus dias, cada um deles escrito
e determinado, quando nem um deles havia ainda.

9
Ef 1.3-6: 3 Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que nos tem abençoado com
toda sorte de bênção espiritual nas regiões celestiais em Cristo, 4 assim como nos escolheu nele
antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis perante ele; e em amor 5
nos predestinou para ele, para a adoção de filhos, por meio de Jesus Cristo, segundo o
beneplácito de sua vontade, 6 para louvor da glória de sua graça, que ele nos concedeu
gratuitamente no Amado,
E outros para serem condenados (Pv 16.4; O SENHOR fez todas as coisas para determinados
fins e até o perverso, para o dia da calamidade.
Rm 9.15-21: 15 Pois ele diz a Moisés: Terei misericórdia de quem me aprouver ter misericórdia
e compadecer-me-ei de quem me aprouver ter compaixão. 16 Assim, pois, não depende de
quem quer ou de quem corre, mas de usar Deus a sua misericórdia. 17 Porque a Escritura diz
a Faraó: Para isto mesmo te levantei, para mostrar em ti o meu poder e para que o meu nome
seja anunciado por toda a terra. 18 Logo, tem ele misericórdia de quem quer e também
endurece a quem lhe apraz.
19 Tu, porém, me dirás: De que se queixa ele ainda? Pois quem jamais resistiu à sua vontade?
20 Quem és tu, ó homem, para discutires com Deus?! Porventura, pode o objeto perguntar a
quem o fez: Por que me fizeste assim? 21 Ou não tem o oleiro direito sobre a massa, para do
mesmo barro fazer um vaso para honra e outro, para desonra?
Quanto a essa decisão soberana de Deus tudo o que nos compete é reverência e temor.

10
Devemos nos sujeitar aos seus santos desígnios, ainda que eles sejam secretos (Rm 9.20-23:
20 Quem és tu, ó homem, para discutires com Deus?! Porventura, pode o objeto perguntar a
quem o fez: Por que me fizeste assim? 21 Ou não tem o oleiro direito sobre a massa, para do
mesmo barro fazer um vaso para honra e outro, para desonra? 22 Que diremos, pois, se Deus,
querendo mostrar a sua ira e dar a conhecer o seu poder, suportou com muita longanimidade
os vasos de ira, preparados para a perdição, 23 a fim de que também desse a conhecer as
riquezas da sua glória em vasos de misericórdia, que para glória preparou de antemão.
O amor de Deus, portanto, é a causa da nossa salvação. Por sua própria escolha, o Senhor
traz para si a todos quantos deseja, o que nos leva a ter segurança na obra de restauração.
Nada pode impedir que Deus faça o que ele deseja, tendo em vista ser ele o Criador de todas
as coisas.
O próprio Senhor Jesus nos ensinou isso ao dizer: "Todo aquele que o Pai me dá, esse virá a
mim; e o que vem a mim, de modo nenhum o lançarei fora" (Jo 6.37, cf. v.35: Declarou-lhes,
pois, Jesus: Eu sou o pão da vida; o que vem a mim jamais terá fome; e o que crê em mim
jamais terá sede).
Além disso, voltando a Romanos 8, a partir do v. 30, vemos Paulo desenvolvendo a doutrina
da segurança da salvação Depois de declarar que o Pai predestinou aqueles a quem ele ama,
Paulo também ensinou que todos os eleitos alcançarão o objetivo estabelecido por Deus, com
certeza.

11
Romanos 8.30 nos diz: "(...) aos que predestinou, a esses também chamou; e aos que chamou,
a esses também justificou; e aos que justificou, a esses também glorificou". Repare que o
mesmo grupo que foi predestinado recebe a certeza de que será glorificado. Portanto, além de
termos sido predestinados por Deus, somos por ele guiados até a consumação da salvação.
Conclusão
Não há coerência entre crer na soberania de Deus e viver sem a preocupação de evangelizar.
Tal conclusão é fruto de preguiça e infidelidade.
Preguiça em pregar a Palavra e em ler a Palavra e infidelidade por não obedecer a Deus. O
ensino bíblico é o de que o Deus soberano salva pessoas não só para que creiam, mas para que
também sejam instrumentos de bênção para levar o evangelho aos que não creem.
Cristo tem todo o poder e o concede à sua igreja, a fim de que preguem o evangelho. Devíamos
nos dedicar mais, sabendo que o soberano Deus elegeu os seus, garantindo os resultados para
uma igreja que cumpre o seu chamado para ter os pés formosos por anunciar as coisas boas.
Aplicação
Agradeça por estar nas mãos de Deus; faça parte do ministério de reconciliação; tenha
confiança de que o Soberano Redentor garante os frutos. Evangelize sem temor, confiando que
Deus é suficientemente poderoso para usá-lo.

12