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AULA 05: DAS PENAS (ESPÉCIES, COMINAÇÃO). !

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SUMÁRIO
1. DAS PENAS .................................................................................................. 2
1.1. Conceito ................................................................................................... 2
1.2. Princípios ................................................................................................. 2
1.3. Finalidade: teorias ................................................................................... 3
1.3.1. Teoria absoluta e sua finalidade retributiva .................................................. 3
1.3.2. Teoria relativa e sua finalidade preventiva ................................................... 4
1.3.3. Teoria Mista (unificadora ou eclética ou unitária) e sua dupla finalidade ........... 4
1.4. Espécies ................................................................................................... 4
1.5. Penas em espécie ..................................................................................... 6
1.5.1. Privativa de liberdade ............................................................................... 6
1.5.1.1. Regras do regime fechado ...................................................................... 7
1.5.1.2. Regras do Regime semiaberto ................................................................. 8
1.5.1.3. Disposições gerais acerca dos regimes de cumprimento da pena .................. 9
1.5.2. Penas restritivas de direitos ..................................................................... 10
1.5.2.1. Regras da substituição ......................................................................... 12
1.5.2.2. Penas restritivas de direitos em espécie.................................................. 14
(i) Prestação pecuniária .................................................................................. 14
(ii) Perda de bens e valores .......................................................................... 15
(iii) Prestação de serviços à comunidade ......................................................... 16
(iv) Interdição temporária de direitos .............................................................. 18
(v) Limitação de fim de semana ....................................................................... 19
1.6. Pena de multa ........................................................................................ 20
2. RESUMO .................................................................................................... 22
3. EXERCÍCIOS DA AULA ............................................................................... 28
4. EXERCÍCIOS COMENTADOS ....................................................................... 34
5. GABARITO ................................................................................................. 48

Olá, meus amigos concurseiros!


Hoje é dia de entrarmos na “Teoria Geral da Pena”. Veremos as
espécies de pena e sua cominação. Trata-se de um tema relativamente
complexo, então estudem com bastante atenção!
Bons estudos!
Prof. Renan Araujo

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1.! DAS PENAS !
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1.1.! Conceito
Se a conduta incriminada pelo tipo penal incriminador é um preceito
primário, a pena (sanção penal) a ele cominada (prevista) é o que se pode
chamar de preceito secundário.
A pena criminal é, acima de tudo, um castigo1. Trata-se de um mal
que se aflige a alguém em razão da prática de um delito2. O conceito não
se confunde, porém, com os fins (ou finalidades) da pena.
A pena possui como pressuposto de sua aplicação a culpabilidade
do agente3. Já as medidas de segurança não possuem a culpabilidade
como pressuposto de sua aplicação (até porque o agente não é plenamente
imputável, não possuindo, portanto, culpabilidade), mas sim a
periculosidade. Isto é importante!
A pena pode ser conceituada como a resposta que a sociedade dá ao
indivíduo que transgride a ordem jurídico-penal estabelecida, e consiste na
privação ou restrição de um bem jurídico do condenado (liberdade,
patrimônio, etc.), de forma a castigá-lo e reeducá-lo.

1.2.! Princípios
Alguns princípios norteiam a Teoria Geral da Pena:
a) Reserva legal ou legalidade estrita – Somente a Lei (em sentido
estrito) pode cominar penas: “Nulla poena sine lege”. Está previsto no art.
5°, XXXIX da Constituição e art. 1° do CP;
b) Anterioridade – A Lei que prevê a pena para a conduta deve ser
anterior à prática do crime: “Nulla poena sine praevia lege”. Também
está previsto no art. 5°, XXXIX da Constituição e art. 1° do CP, sendo,
juntamente com o princípio da reserva legal, subprincípios do princípio da
LEGALIDADE;
c) Intranscendência da pena – A pena deve ser cumprida somente pelo
condenado, não podendo, em caso de morte deste, ser transferida aos seus
familiares, salvo a obrigação de reparar o dano e o perdimento de bens,
que podem ser cobrados dos sucessores até o limite do patrimônio
transferido pelo condenado falecido. CUIDADO: A pena de multa, embora
patrimonial, não pode ser cobrada dos sucessores!

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1
BATISTA, Nilo; ZAFFARONI, Eugénio Raúl. Direito Penal brasileiro. 4. ed. Rio de Janeiro: Ed. Revan,
2011. Tomo I, p. 99.
2
MIR PUIG, Santiago. Introducción a las bases del Derecho penal. 2. ed. Montevideo, Buenos Aires:
Ed. B. de F., 2003, p. 49.
3
DIAS, Jorge de Figueiredo. Direito penal, parte geral. 2. ed. Coimbra: Coimbra Editora, 2007. tomo
I, p. 46-47

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d) Inevitabilidade ou inderrogabilidade da pena – Presentes os!
requisitos para a condenação, a pena não pode deixar de ser imposta e
cumprida. É mitigado, atualmente, por institutos como o sursis, o
livramento condicional, etc.;
e) Princípio da humanidade ou humanização das penas – A pena não
pode desrespeitar os direitos fundamentais do indivíduo, violando sua
integridade física ou moral, e também não pode ser de índole cruel,
desumano ou degradante (art. 5°, XLIX e XLVII da Constituição);
f) Princípio da proporcionalidade – A sanção aplicada pelo Estado deve
ser proporcional à gravidade da infração cometida e também deve ser
suficiente para promover a punição ao infrator e sua reeducação social;
g) Princípio da individualização da pena – A pena deve ser aplicada de
maneira individualizada para cada infrator em cada caso específico. Essa
individualização se dá em três fases distintas: a) cominação: O legislador
deve prever um raio de atuação para o Juiz aplicar a pena no caso concreto,
estabelecendo penas mínimas e máximas, de forma que o Juiz possa aplicar
a quantidade de pena que achar conveniente no caso concreto; b)
aplicação: Saindo da esfera legislativa, passamos à esfera judicial,
segunda etapa, que consiste na efetiva aplicação individualizada da pena,
que será imposta conforme as circunstâncias do crime e os antecedentes
do réu, de acordo com a margem estabelecida pelo legislador; c) Na
terceira e última fase temos a aplicação deste princípio na execução
da pena (esfera administrativa), de forma que o cumprimento da pena,
progressão de regime, concessão de benefícios devem ser analisados no
caso concreto, e não abstratamente, pois entende-se que “cada caso é um
caso”, e não cabe ao legislador retirar do Juiz a possibilidade de analisá-lo
e proceder da forma que melhor atenda aos anseios da sociedade. Está
previsto no art. 5°, XLVI da Constituição da República.

1.3.! Finalidade: teorias


Quanto à finalidade da pena, três teorias surgiram:

1.3.1.! Teoria absoluta e sua finalidade retributiva


Para esta teoria, pune-se o agente simplesmente porque ele cometeu
uma transgressão à ordem estabelecida e deve ser castigado por isso. Não
há nenhuma finalidade educacional de reinserção do indivíduo à vida social.
A pena é mero instrumento para a realização da vingança estatal. Trata-se
de um imperativo categórico de Justiça ou de Moral (se delinquiu, deve ser
punido, independentemente de qualquer outra finalidade).4

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4
BACIGALUPO, Enrique. Manual de Derecho penal. Ed. Temis S.A., tercera reimpressión. Bogotá,
1996, p. 12

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1.3.2.! Teoria relativa e sua finalidade preventiva !
Pune-se o agente não para castigá-lo, mas para prevenir a prática de
novos crimes. Essa prevenção pode ser:

Prevenção Geral – Busca controlar a violência social, de forma a


despertar na sociedade o desejo de se manter conforme o Direito. Pode ser
negativa5, quando busca criar um sentimento de medo perante a Lei penal,
ou positiva, quando simplesmente se busca reafirmar a vigência da Lei
penal.
Prevenção especial – Não se destina à sociedade, mas ao infrator,
de forma a prevenir a prática da reincidência. Também pode ser negativa,
quando busca intimidar o condenado, de forma a que ele não cometa novos
delitos por medo, ou positiva, quando a preocupação está voltada à
ressocialização do condenado (Infelizmente, não há uma preocupação com
isto na prática).

1.3.3.! Teoria Mista (unificadora ou eclética ou unitária) e sua dupla


finalidade
Aqui, entende-se que a pena deve servir como castigo (punição) ao
infrator, mas também como medida de prevenção, tanto em relação à
sociedade quanto ao próprio infrator (prevenção geral e especial). Além de
consagrada na maioria dos países ocidentais6, foi a adotada pelo art. 59 do
CP, que diz:
Art. 59 - O juiz, atendendo à culpabilidade, aos antecedentes, à conduta social,
à personalidade do agente, aos motivos, às circunstâncias e consequências do
crime, bem como ao comportamento da vítima, estabelecerá, conforme seja
necessário e suficiente para reprovação e prevenção do crime: (Redação dada pela
Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

1.4.! Espécies
Quanto às espécies, as penas podem ser:
a) Privativas de liberdade – Retiram do condenado o direito à
liberdade de locomoção, por determinado período (é vedada pena de
caráter perpétuo, art. 5°, XLVII, b da Constituição). Máximo de 30 anos
para crimes (art. 75 do CP) e de 05 anos para contravenções penais (art.
10 da Lei de Contravenções Penais);
b) Restritivas de direitos – Em substituição à pena privativa de
liberdade, limitam (restringem) o exercício de algum direito do condenado.
Estão previstas no art. 43 do CP e em alguns dispositivos da Legislação
Especial;
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5
ROXIN, Claus. Derecho penal, parte general. Madrid: Civitas, 1997. tomo I, p. 91.
6
DOS SANTOS, Juarez Cirino. Direito Penal, Parte Geral. Curitiba: Ed. Lumen Juris, 2008, p. 470

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c) Pena de multa – Recai sobre o patrimônio financeiro do!
condenado;
d) Restritiva de liberdade – Restringem, mas não retiram o direito
de locomoção do condenado. Na verdade, trata-se de uma espécie de pena
restritiva de direitos. Exemplo: Proibir o marido de se aproximar da casa
da ex-esposa no caso de violência doméstica;
e) Penas corporais – Trata-se de castigos aplicados ao corpo do
indivíduo. É espécie de pena vedada pela Constituição Federal (art. 5°,
XLVII, e).

O CP previu, em seu art. 32, as penas privativas de liberdade,


restritivas de direitos e multa.
Este quadro esquemático vai ajudar na compreensão de vocês:

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ΙΕΧΒ?
Χ<Ι<Β?ΗΦΓ!=7!Λ<>?Χ!=7!
87Ι?>?

Estas penas podem ser cominadas:

Isoladamente – A Lei prevê a aplicabilidade de apenas uma espécie de


pena. Exemplo: art. 121 do CP – Pena de reclusão;
Cumulativamente – A Lei prevê a aplicabilidade conjunta de duas
espécies de penas. Exemplo: art. 155 do CP – Pena de reclusão e multa;
Alternativamente – A Lei comina, alternativamente, duas espécies de
pena. Exemplo: art. 331 do CP: Detenção ou multa.
OBS.: As penas restritivas de direitos, como regra, apenas substituem as
penas privativas de liberdade, não sendo cominadas de forma isolada.

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1.5.! Penas em espécie !

1.5.1.! Privativa de liberdade


Como já vimos, o Direito Penal pátrio admite três espécies de penas
privativas de liberdade: reclusão, detenção e prisão simples (somente para
as contravenções penais).
O regime de cumprimento de cumprimento da pena está previsto no
art. 33, § 1° do CP, e pode ser fechado, semiaberto ou aberto7.
O regime inicial de cumprimento da pena (fechado, semiaberto ou
aberto) tem como regra o seguinte: pena de reclusão – Qualquer
regime inicial; pena de detenção – Regime inicial somente
semiaberto ou aberto.
A fixação, em concreto, do regime inicial de cumprimento da pena irá
variar conforme três fatores: reincidência, quantidade da pena e
circunstâncias judiciais. Além disso, a própria Lei estabelece que a pena
seja executada de forma progressiva (de um regime mais gravoso para
outro, menos gravoso), ressalvada a hipótese de regressão (passagem de
um regime menos gravoso para outro, mais gravoso), em qualquer caso,
atendendo-se ao mérito do condenado, nos termos do art. 33, §§ 2°, 3° e
4° do CP.8
CUIDADO! O STJ possui entendimento no sentido de que é possível a
fixação do regime semiaberto aos condenados que sejam reincidentes,
desde que as circunstâncias judiciais sejam favoráveis. Vejamos:
Súmula 269 do STJ:
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7
Art. 33 - A pena de reclusão deve ser cumprida em regime fechado, semiaberto ou aberto. A de
detenção, em regime semiaberto, ou aberto, salvo necessidade de transferência a regime fechado.
(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
§ 1º - Considera-se: (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
a) regime fechado a execução da pena em estabelecimento de segurança máxima ou média;
b) regime semiaberto a execução da pena em colônia agrícola, industrial ou estabelecimento similar;
c) regime aberto a execução da pena em casa de albergado ou estabelecimento adequado.
8
§ 2º - As penas privativas de liberdade deverão ser executadas em forma progressiva, segundo o
mérito do condenado, observados os seguintes critérios e ressalvadas as hipóteses de transferência
a regime mais rigoroso: (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
a) o condenado a pena superior a 8 (oito) anos deverá começar a cumpri-la em regime fechado;
b) o condenado não reincidente, cuja pena seja superior a 4 (quatro) anos e não exceda a 8 (oito),
poderá, desde o princípio, cumpri-la
em regime semiaberto;
c) o condenado não reincidente, cuja pena seja igual ou inferior a 4 (quatro) anos, poderá, desde o
início, cumpri-la em regime aberto.
§ 3º - A determinação do regime inicial de cumprimento da pena far-se-á com observância dos
critérios previstos no art. 59 deste Código.(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
§ 4o O condenado por crime contra a administração pública terá a progressão de regime do
cumprimento da pena condicionada à reparação do dano que causou, ou à devolução do produto do
ilícito praticado, com os acréscimos legais. (Incluído pela Lei nº 10.763, de 12.11.2003)

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É admissível a adoção do regime prisional semiaberto aos reincidentes condenados a !
pena igual ou inferior a quatro anos se favoráveis as circunstâncias judiciais.

Além disso, na fixação do regime inicial de cumprimento da pena,


não pode o Juiz fixar regime mais gravoso do que aquele
abstratamente previsto tendo em conta a pena aplicada, tendo como
base unicamente a gravidade abstrata do delito.
O STF possui dois verbetes de súmula muito importantes sobre o
tema:
SÚMULA 718
A OPINIÃO DO JULGADOR SOBRE A GRAVIDADE EM ABSTRATO DO CRIME NÃO
CONSTITUI MOTIVAÇÃO IDÔNEA PARA A IMPOSIÇÃO DE REGIME MAIS SEVERO DO
QUE O PERMITIDO SEGUNDO A PENA APLICADA.

SÚMULA 719
A IMPOSIÇÃO DO REGIME DE CUMPRIMENTO MAIS SEVERO DO QUE A PENA APLICADA
PERMITIR EXIGE MOTIVAÇÃO IDÔNEA.

1.5.1.1.! Regras do regime fechado


As regras do regime fechado são, basicamente, três:
a) Submissão a exame criminológico9 inicial (O STJ passou a entender
que ele agora é facultativo – SÚMULA 439 DO STJ);
b) Submissão a trabalho durante o dia e descanso isolado durante a noite;
c) Trabalho em comum (junto com outros presos) dentro do
estabelecimento, SENDO ADMISSÍVEL O TRABALHO EXTERNO em
obras públicas (Necessário cumprimento de ao menos 1/6 da pena).

O trabalho durante o regime de cumprimento da pena é


obrigatório, e a recusa caracteriza falta grave, nos termos do art.
50, IV da LEP (Lei de Execuções Penais), acarretando impossibilidade de
obtenção da progressão de regime e livramento condicional. Em resumo:
O preso pode se negar a trabalhar (até porque, não há como obrigá-lo
fisicamente a isso), mas a recusa injustificada (se tiver problemas de
saúde, por exemplo, é uma recusa justificada) gera consequências
gravíssimas para ele.
O trabalho do preso é remunerado e ele tem direito, ainda, aos
benefícios da previdência social. Isso é bastante importante, pois o preso
foi condenado a uma pena “privativa de liberdade”, ou seja, o único

!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
9
O exame criminológico tem por finalidade permitir a individualização da pena (um dos princípios
da pena) em sua terceira fase, em homenagem ao disposto no art. 5°, XLVI da Constituição:
XLVI - a lei regulará a individualização da pena e adotará, entre outras, as seguintes:

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direito do qual ele está privado é a liberdade. Assim, o preso não se!
tornou um escravo do Estado, devendo receber pelo seu trabalho, como
qualquer pessoa.

1.5.1.2.! Regras do Regime semiaberto


O regime semiaberto é bem menos gravoso que o regime fechado, e
possui como regras:
a) Exame criminológico inicial (O STJ passou a entender que ele
agora é facultativo – SÚMULA 439 DO STJ);
b) Trabalho diurno em colônia agrícola, industrial ou estabelecimento
similar, com descanso isolado à noite;
c) Admissão do trabalho externo, BEM COMO FREQUÊNCIA A CURSOS
SUPLETIVOS PROFISSIONALIZANTES, DE INSTRUÇÃO DE
SEGUNDO GRAU OU SUPERIOR.

Vejam que as regras, embora parecidas, não são idênticas. Nesse


regime o condenado pode trabalhar fora do estabelecimento de
cumprimento da pena (em qualquer trabalho, e não apenas em obras
públicas), bem como estudar.
Além disso, o preso deve ficar recolhido em estabelecimento próprio
(colônia agrícola, industrial ou similar), e não em presídio comum,
onde se encontram os presos em regime fechado.
Mas e se não houver vagas nos estabelecimentos especiais
(colônias), o que fazer? O STF entende que se não houver vagas no
regime semiaberto, o preso não pode arcar com essa deficiência do
Estado, pois é um direito seu. Desta forma, não pode o preso continuar
no regime fechado. Por consequência, a lógica determina sua transferência
diretamente para o regime aberto ou prisão domiciliar.
O regime aberto é o mais brando dos três regimes de
cumprimento da pena privativa de liberdade, e baseia-se no senso de
responsabilidade e autodisciplina do preso. Regras básicas:
a) Trabalho diurno fora do estabelecimento e sem vigilância, frequência
à curso ou outra atividade autorizada, bem como recolhimento noturno e
nos dias de folga;
b) Transferência para regime mais gravoso no caso de prática de crime
doloso, frustração dos fins da execução (basicamente, a fuga), ou
ausência do pagamento da pena de multa.

Onde se dá o recolhimento do preso, e o que ocorre se não


houver vagas no regime aberto? O recolhimento noturno do preso no
regime aberto se dá em casa de albergado, que é um prédio urbano,

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separado dos demais estabelecimentos prisionais e que não deva possuir!
características de prisão, principalmente no que se refere à existência de
obstáculos físicos para a fuga. Caso não haja vagas no regime semiaberto
(são raríssimas as casas de albergado), o STF entende que o preso deve
ser posto em liberdade, até que surja vaga. O STJ, por sua vez, entende
que deve o preso ficar recolhido à prisão domiciliar10.

1.5.1.3.! Disposições gerais acerca dos regimes de cumprimento da


pena
Conforme havia dito a vocês, a pena privativa de liberdade atinge
somente um direito do preso: a liberdade (óbvio, não?).
Assim, o preso mantém todos os direitos inerentes à pessoa humana,
como o respeito à sua integridade física e moral. O respeito à integridade
física e moral, inclusive, possui índole constitucional (art. 5°, XLIX da
Constituição).11
Em razão disso, o STF decidiu regulamentar o uso de algemas,
editando a súmula vinculante n° 11, que diz:
SÚMULA VINCULANTE Nº 11
SÓ É LÍCITO O USO DE ALGEMAS EM CASOS DE RESISTÊNCIA E DE FUNDADO
RECEIO DE FUGA OU DE PERIGO À INTEGRIDADE FÍSICA PRÓPRIA OU
ALHEIA, POR PARTE DO PRESO OU DE TERCEIROS, JUSTIFICADA A
EXCEPCIONALIDADE POR ESCRITO, SOB PENA DE RESPONSABILIDADE DISCIPLINAR,
CIVIL E PENAL DO AGENTE OU DA AUTORIDADE E DE NULIDADE DA PRISÃO OU DO
ATO PROCESSUAL A QUE SE REFERE, SEM PREJUÍZO DA RESPONSABILIDADE CIVIL
DO ESTADO.

O direito ao recebimento de salário pelo seu trabalho realizado


no estabelecimento prisional, bem como o direito à integrar a
previdência social também são assegurados ao preso, conforme foi
dito.12
E se antes do início do cumprimento da pena sobrevier ao
condenado doença mental? O CP diz que o condenado, neste caso, deve
!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
10
(...) 4. Admite-se a concessão, em caráter excepcional, da prisão domiciliar na hipótese de falta
de vagas em estabelecimento adequado para o cumprimento da pena em regime aberto, que não
justifica a permanência do condenado em condições prisionais mais severas.
Precedentes.
(...)
(REsp 1201880/RS, Rel. Ministra MARIA THEREZA DE ASSIS MOURA, SEXTA TURMA,
julgado em 07/05/2013, DJe 14/05/2013)
11
XLIX - é assegurado aos presos o respeito à integridade física e moral;
12
Art. 38 - O preso conserva todos os direitos não atingidos pela perda da liberdade, impondo-se a
todas as autoridades o respeito à sua integridade física e moral. (Redação dada pela Lei nº 7.209,
de 11.7.1984)
Art. 39 - O trabalho do preso será sempre remunerado, sendo-lhe garantidos os benefícios da
Previdência Social. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

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ser recolhido a Hospital de custódia e tratamento psiquiátrico, ou outro!
estabelecimento adequado.13
CUIDADO! Se a doença mental sobrevém após o início da execução
da pena, aplica-se o art. 183 da LEP, que autoriza o Juiz a substituir a
pena privativa de liberdade por medida de segurança.

O Código Penal estabelece, ainda, o fenômeno da Detração, que é o


abatimento do tempo de cumprimento da pena imposta, em razão do
tempo que o condenado permaneceu preso provisoriamente,
administrativamente ou internado nos estabelecimentos psiquiátricos
previstos no art. 41. Vejamos:
Art. 42 - Computam-se, na pena privativa de liberdade e na medida de
segurança, o tempo de prisão provisória, no Brasil ou no estrangeiro, o de
prisão administrativa e o de internação em qualquer dos estabelecimentos
referidos no artigo anterior. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

Por fim, há ainda a previsão de regime de cumprimento de pena


especial às presidiárias mulheres, que devem ser recolhidas a
estabelecimento próprio.14
Trata-se de regra que materializa o direito previsto no art. 5°, XLVIII
da constituição, que trata do cumprimento da pena em estabelecimentos
prisionais adequados.15
Na Lei de Execuções Penais, inclusive, há regramento específico para
o tratamento das presidiárias gestantes e que estejam em fase de
amamentação, bem como dispõe sobre a existência de creches para que as
mães presidiárias não sejam privadas da companhia de seus filhos, e vice-
versa.

1.5.2.! Penas restritivas de direitos


As penas restritivas de direitos são também chamadas de “penas
alternativas”, pois se apresentam como uma alternativa à aplicação da
pena privativa de liberdade, muitas vezes desnecessária no caso concreto.
São divididas em cinco espécies, conforme já adiantado, nos termos
do art. 43 do CP.

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13
Art. 41 - O condenado a quem sobrevém doença mental deve ser recolhido a hospital de custódia
e tratamento psiquiátrico ou, à falta, a outro estabelecimento adequado. (Redação dada pela Lei nº
7.209, de 11.7.1984)
14
Art. 37 - As mulheres cumprem pena em estabelecimento próprio, observando-se os deveres e
direitos inerentes à sua condição pessoal, bem como, no que couber, o disposto neste Capítulo.
(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
15
XLVIII - a pena será cumprida em estabelecimentos distintos, de acordo com a natureza do delito,
a idade e o sexo do apenado;

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Duas são as características elementares das penas restritivas de!
direitos: autonomia e substitutividade.16
Por autonomia entende-se a impossibilidade de serem aplicadas
cumulativamente com a pena privativa de liberdade.
Por substitutividade entende-se o caráter substitutivo das penas
restritivas de direito, ou seja, elas não são previstas como pena
originária para nenhum crime no Código Penal, sendo aplicadas de
maneira a substituir uma pena privativa de liberdade
originariamente imposta, quando presentes os requisitos legais.
Entretanto, as penas restritivas de direitos devem ser aplicadas
somente se presentes alguns requisitos, que a doutrina divide em
objetivos e subjetivos.17 Os primeiros referem-se ao crime em si, e à
penalidade imposta. Os últimos estão ligados à pessoa do criminoso. Estão
previstos nos incisos do art. 44 do CP.18
REQUISITOS OBJETIVOS
Natureza do crime Só pode haver substituição nos casos de crimes
culposos (todos eles) ou no caso de crimes
dolosos, desde que, nesse último caso, não
tenha sido o crime cometido com violência ou
grave ameaça à pessoa (ex.: Não caberia
substituição no caso de homicídio).
Quantidade de A pena aplicada, no caso de crimes dolosos, não
pena aplicada pode ser superior a quatro anos. No caso de
crimes culposos, pode haver a substituição
qualquer que seja a pena aplicada.

REQUISITOS SUBJETIVOS
Não ser OBS.1: Se o condenado for reincidente em crime
reincidente em culposo, poderá haver a substituição.
crime doloso OBS.2: Entretanto, excepcionalmente, mesmo
se o condenado for reincidente em crime doloso,
!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
16
BITENCOURT, Cezar Roberto. Tratado de Direito Penal – Parte Geral. Ed. Saraiva, 21º edição. São
Paulo, 2015, p. 659/660
17
BITENCOURT, Cezar Roberto. Op. cit., p. 662/666
18
Art. 44. As penas restritivas de direitos são autônomas e substituem as privativas de liberdade,
quando: (Redação dada pela Lei nº 9.714, de 1998)
I - aplicada pena privativa de liberdade não superior a quatro anos e o crime não for cometido com
violência ou grave ameaça à pessoa ou, qualquer que seja a pena aplicada, se o crime for culposo;
(Redação dada pela Lei nº 9.714, de 1998)
II - o réu não for reincidente em crime doloso; (Redação dada pela Lei nº 9.714, de 1998)
III - a culpabilidade, os antecedentes, a conduta social e a personalidade do condenado, bem como
os motivos e as circunstâncias indicarem que essa substituição seja suficiente. (Redação dada pela
Lei nº 9.714, de 1998)

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poderá haver a substituição, desde que a medida !
seja socialmente recomendável (análise das
características do fato criminoso e do infrator) e
não se trate de reincidência específica
(reincidência no mesmo crime), conforme previsão
do art. 44, § 3° do CP.
Suficiência da A pena restritiva de direitos deve ser suficiente
medida (princípio para garantir o alcance das finalidades da pena
da suficiência) (punição e prevenção, geral e especial).

1.5.2.1.! Regras da substituição


Nos termos do art. 44, § 2° do CP, a substituição se fará da seguinte
forma:
Art. 44 (...) § 2o Na condenação igual ou inferior a um ano, a substituição pode
ser feita por multa ou por uma pena restritiva de direitos; se superior a um
ano, a pena privativa de liberdade pode ser substituída por uma pena restritiva
de direitos e multa ou por duas restritivas de direitos. (Incluído pela Lei nº 9.714, de
1998)
Assim:
a) Pena igual ou inferior a um ano = Substituição por multa ou uma
pena restritiva de direitos.
b) Pena superior a um ano = Substituição por pena de multa e uma
pena restritiva de direitos, ou por duas restritivas de direitos. No caso de
serem aplicadas duas restritivas de direitos, o condenado poderá cumpri-
las simultaneamente, se forem compatíveis, ou sucessivamente, se
incompatíveis (art. 69, § 2° do CP).

ATENÇÃO! O art. 60, § 2° do CP prevê que: § 2º - A pena


privativa de liberdade aplicada, não superior a 6 (seis) meses, pode ser substituída pela
de multa, observados os critérios dos incisos II e III do art. 44 deste Código. (Redação
dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984). Como conciliar este artigo com o art.
44, § 2° do CP, que expressamente permite a substituição pela
pena de multa nos casos de crime cuja pena seja igual ou inferior
a um ano? Como fazer quando a pena privativa de liberdade for
superior a seis meses, mas não superior a um ano? O
entendimento majoritário é o de que o art. 44, § 2°, por ter sido
incluído pela Lei 9.714/98, sendo mais recente, portanto, que o art. 60,
§ 2° (incluído pela Lei 7.209/84), revogou este último, de forma que a
substituição da pena privativa de liberdade pela pena de multa pode
ocorrer quando a pena aplicada não for superior a um ano.19

!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
19
BITENCOURT, Cezar Roberto. Op. cit., p. 671/672

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Pode ocorrer, durante o cumprimento da pena restritiva, que o!
condenado descumpra a obrigação imposta pelo Juiz. Nesse caso, ocorrerá
o que se chama de RECONVERSÃO OBRIGATÓRIA. Embora a lei diga
“conversão”, a conversão ocorreu da primeira vez, quando se converteu a
pena privativa de liberdade em restritiva de direitos. O que acontece,
agora, é uma reconversão à pena original. Nos termos do art. 44, § 4°
do CP:
§ 4o A pena restritiva de direitos converte-se em privativa de liberdade quando
ocorrer o descumprimento injustificado da restrição imposta. No cálculo da
pena privativa de liberdade a executar será deduzido o tempo cumprido da
pena restritiva de direitos, respeitado o saldo mínimo de trinta dias de detenção
ou reclusão. (Incluído pela Lei nº 9.714, de 1998)
É mais ou menos assim:

A) Condenado iria para a jaula

B) Lei permite que ele não vá para a jaula, desde que cumpra pena

restritiva de direitos

C) Condenado não cumpre a pena restritiva de direitos Agora

vai para a jaula

Mas a Lei não é injusta, de forma que se o condenado cumpriu parte


da pena restritiva de direitos imposta, o tempo que ele cumpriu será
abatido da pena privativa de liberdade que ele cumprirá em razão
da reconversão (parte final do § 4° do art. 44 do CP).
Entretanto, além da reconversão obrigatória, há também hipótese de
reconversão facultativa, nos termos do art. 44, § 5° do CP:
§ 5o Sobrevindo condenação a pena privativa de liberdade, por outro crime, o
juiz da execução penal decidirá sobre a conversão, podendo deixar de aplicá-
la se for possível ao condenado cumprir a pena substitutiva anterior. (Incluído
pela Lei nº 9.714, de 1998)

Nesse caso, o Juiz da execução irá avaliar se o condenado pode


cumprir a pena restritiva de direitos imposta juntamente com a pena
privativa de liberdade (que o camarada acabou de receber). Se for possível,
o Juiz PODE manter a pena restritiva de direitos imposta e o condenado

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cumprirá ambas, simultaneamente; se não for possível, haverá a!
reconversão para a pena privativa de liberdade anteriormente aplicada.20
EXEMPLO: Imagine que fulano tenha sido condenado a pena de 02 anos
de detenção, substituída por restritiva de direitos consistente na
prestação de serviços à comunidade. Enquanto cumpria a pena
alternativa, fulano foi condenado a uma pena privativa de liberdade que
não foi suspensa (sursis) nem convertida em restritiva de direitos. Nesse
caso, o cumprimento de ambas é inviável, pois fulano não pode ao mesmo
tempo estar preso e cumprir a pena de prestação de serviços à
comunidade. Assim, deverá haver a reconversão da restritiva de direito
em privativa de liberdade.

Porém, se no exemplo acima, a pena restritiva de direitos imposta


fosse de prestação pecuniária, não haveria nenhum impedimento ao
cumprimento simultâneo desta com a nova pena privativa de liberdade
imposta, de forma que o Juiz da execução poderia deixar de reconvertê-la.
CUIDADO! Não se admite a reconversão se o condenado deixa
de pagar a pena de multa, pois o CP só admite a reconversão no caso
de descumprimento das penas restritivas de direitos e não no caso de
descumprimento da pena multa.
CUIDADO II! Não se deve confundir pena de MULTA com pena de
PRESTAÇÃO PECUNIÁRIA. A primeira é uma modalidade de pena, a
outra é uma espécie de pena RESTRITIVA DE DIREITOS. No primeiro
caso, NÃO É POSSÍVEL A CONVERSÃO EM PRISÃO pelo não
pagamento. No segundo caso é POSSÍVEL, conforme entendimento do
STJ.21

1.5.2.2.! Penas restritivas de direitos em espécie

(i)! Prestação pecuniária


Consiste no pagamento em dinheiro à vítima da infração penal, a seus
dependentes, ou ainda, a entidade pública ou privada com finalidade social,
em montante fixado pelo Juiz entre 01 (um) e 360 (trezentos e sessenta)
salários mínimos. Este valor pago será deduzido de eventual valor a
ser pago em razão de condenação na esfera cível, SE OS
BENEFICIÁRIOS FOREM OS MESMOS.

!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
20
BITENCOURT, Cezar Roberto. Op. cit., p. 699
21
HC 133.942/MG, Rel. Ministro ADILSON VIEIRA MACABU (DESEMBARGADOR CONVOCADO DO
TJ/RJ), QUINTA TURMA, julgado em 28/02/2012, DJe 20/03/2012

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No entanto, pode acontecer de, por acordo entre o infrator e o!
beneficiário da prestação, esta ser de outra natureza que não seja
patrimonial.22
EXEMPLO: joias, bens móveis, imóveis, mão-de-obra, etc.

MUITO CUIDADO! A prestação pode ser destinada a qualquer


entidade pública. No entanto, se se tratar de entidade privada, deverá
possuir finalidade social.

Além disso, a pena de prestação pecuniária NÃO É PENA DE MULTA.


Trata-se de uma modalidade de pena restritiva de direitos, e difere da
multa em diversos aspectos. Vejamos:
DIFERENÇAS ENTRE PRESTAÇÃO PECUNIÁRIA E MULTA
CRITÉRIO MULTA PRESTAÇÃO
PECUNIÁRIA
Destinação Destinada ao Fundo Destinada à vítima, seus
Penitenciário dependentes ou entidade
Nacional. pública ou privada (com
destinação social).

Fixação Entre 10 e 360 dias- Entre 01 e 360 salários


multa mínimos.
Consequências do Deverá ser executada Reconversão obrigatória.
descumprimento como dívida de
valor.

(ii)! Perda de bens e valores


A perda de bens e valores, tal qual a pena de prestação pecuniária, é
uma modalidade de pena restritiva de direitos que atinge o patrimônio
financeiro do condenado.23

!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
22
§ 1o A prestação pecuniária consiste no pagamento em dinheiro à vítima, a seus dependentes ou
a entidade pública ou privada com destinação social, de importância fixada pelo juiz, não inferior a
1 (um) salário mínimo nem superior a 360 (trezentos e sessenta) salários mínimos. O valor pago
será deduzido do montante de eventual condenação em ação de reparação civil, se coincidentes os
beneficiários. (Incluído pela Lei nº 9.714, de 1998)
§ 2o No caso do parágrafo anterior, se houver aceitação do beneficiário, a prestação pecuniária pode
consistir em prestação de outra natureza. (Incluído pela Lei nº 9.714, de 1998)
23
Está prevista no art. 45, § 3° do CP:
§ 3o A perda de bens e valores pertencentes aos condenados dar-se-á, ressalvada a legislação
especial, em favor do Fundo Penitenciário Nacional, e seu valor terá como teto - o que for maior - o
montante do prejuízo causado ou do provento obtido pelo agente ou por terceiro, em consequência
da prática do crime. (Incluído pela Lei nº 9.714, de 1998)

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!
Poderá ter, como teto, dois parâmetros:
•! Montante do prejuízo causado
•! Montante do proveito obtido pelo agente ou por terceiro
com a prática do delito

Perceba, caro aluno, que esta pena só poderá ser aplicada nas
hipóteses de crimes que gerem algum prejuízo ao sujeito passivo ou tragam
algum benefício ao sujeito ativo ou a terceira pessoa.

Não confundam a pena de perdimento de bens, art.


45, § 3° do CP (modalidade de pena restritiva de direitos), com o
confisco, previsto no art. 91, II do CP (perda de bens em razão da
condenação). A pena de perdimento de bens incide sobre o
patrimônio lícito do condenado, sendo, portanto, uma pena
propriamente dita. Já o confisco não é pena, mas efeito da
condenação, e incide sobre o patrimônio ilícito do agente, constituído
pelo produto do crime e pelos instrumentos do delito, desde que estes
consistam em coisas cujo fabrico, alienação, uso, porte ou detenção
constitua fato ilícito.

(iii)! Prestação de serviços à comunidade


A pena de prestação de serviços à comunidade consiste, nos termos
do art. 46, §§ 1° e 2° do CP:
Art. 46. A prestação de serviços à comunidade ou a entidades públicas é
aplicável às condenações superiores a seis meses de privação da liberdade.
(Redação dada pela Lei nº 9.714, de 1998)
§ 1o A prestação de serviços à comunidade ou a entidades públicas consiste
na atribuição de tarefas gratuitas ao condenado. (Incluído pela Lei nº 9.714,
de 1998)
§ 2o A prestação de serviço à comunidade dar-se-á em entidades assistenciais,
hospitais, escolas, orfanatos e outros estabelecimentos congêneres, em
programas comunitários ou estatais. (Incluído pela Lei nº 9.714, de 1998)

De plano, vocês podem perceber que se trata de pena restritiva de


direitos somente cabível nas condenações a pena privativa de
liberdade superior a 06 meses.
Embora o CP se refira a “entidades públicas”, a Doutrina entende que,
à semelhança do que ocorre com a pena de prestação pecuniária, esta

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pode ter como destinatária entidade privada, desde que possua!
destinação social.24
A Doutrina entende, ainda, que a pena não pode ser prestada em
Igrejas, por não se tratar de serviço à comunidade, e pelo fato de que seria
uma ofensa ao princípio do Estado laico (art. 19, I da Constituição).
O § 1° determina que a pena deva ser cumprida mediante a atribuição
de tarefas gratuitas ao condenado. Ou seja, diferentemente do que ocorre
no caso de trabalho realizado pelo preso no estabelecimento prisional,
quando em cumprimento de pena privativa de liberdade, aqui o
condenado não recebe nada pelo trabalho, exatamente porque esta
é a própria pena. Na pena privativa de liberdade a execução das tarefas
não é a pena (que é a privação da liberdade), mo’tivo pelo qual naqueles
casos o preso deve receber retribuição salarial.
O § 3° estabelece que as tarefas sejam atribuídas de acordo com
as aptidões do condenado. Vejamos:
§ 3o As tarefas a que se refere o § 1o serão atribuídas conforme as aptidões
do condenado, devendo ser cumpridas à razão de uma hora de tarefa por dia
de condenação, fixadas de modo a não prejudicar a jornada normal de
trabalho. (Incluído pela Lei nº 9.714, de 1998)

Assim, não pode o Juiz determinar a um pintor que preste serviço de


carpintaria em uma escola, pois não se enquadra dentro das suas aptidões,
sendo impossível de ser cumprida.
A pena não pode, ainda, ser vexatória, humilhante ou possuir
qualquer outra característica contrária à sua finalidade.
O sistema de cumprimento adotado pelo CP é o da hora-tarefa, ou
seja, cada hora de tarefa realizada será computada como um dia da
condenação.
EXEMPLO: Imagine que fulano foi condenado a 08 meses de detenção,
tendo sua pena sido convertida em restritiva de direitos, consistente na
prestação de serviços à comunidade. Assim, cada hora-tarefa cumprida
por fulano corresponderá a um dia de cumprimento da pena.

Entretanto, o § 4° estabelece que se pena aplicada for superior a um


ano, para que não se torne muito extensa, poderá ser cumprida em
menor tempo, mas nunca inferior à metade.
§ 4o Se a pena substituída for superior a um ano, é facultado ao condenado
cumprir a pena substitutiva em menor tempo (art. 55), nunca inferior à metade
da pena privativa de liberdade fixada. (Incluído pela Lei nº 9.714, de 1998)

!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
24
Em nenhuma hipótese será possível a prestação de serviços a entidades privadas que visem lucro.
BITENCOURT, Cezar Roberto. Op. cit., p. 682

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Imagine, no exemplo anterior, que a condenação de fulano tenha sido!
a dois anos de reclusão. Nesse caso, o CP possibilita que fulano realize duas
horas-tarefa por dia, o que lhe fará abater dois dias de cumprimento da
pena, que será cumprida na metade do tempo previsto. No entanto, o
cumprimento não pode se dar em menos da metade do tempo previsto!

(iv)! Interdição temporária de direitos


A pena de interdição temporária de direitos está prevista no art. 47
do CP, e pode consistir em:
Art. 47 - As penas de interdição temporária de direitos são: (Redação dada
pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
I - proibição do exercício de cargo, função ou atividade pública, bem como de
mandato eletivo; (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
II - proibição do exercício de profissão, atividade ou ofício que dependam de
habilitação especial, de licença ou autorização do poder público;(Redação dada
pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
III - suspensão de autorização ou de habilitação para dirigir veículo. (Redação
dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)>
IV - proibição de freqüentar determinados lugares. (Incluído pela Lei nº 9.714,
de 1998)
V - proibição de inscrever-se em concurso, avaliação ou exame públicos.
(Incluído pela Lei nº 11.250, de 2011)

As duas primeiras hipóteses são modalidades de penas restritivas de


direitos específicas, pois só podem ser aplicadas quando o crime for
cometido no exercício do cargo ou função pública, ou, na segunda
hipótese, no exercício de atividade que dependa de habilitação
especial, licença ou autorização do poder público. Esta é a previsão
do art. 56 do CP:
Art. 56 - As penas de interdição, previstas nos incisos I e II do art. 47 deste
Código, aplicam-se para todo o crime cometido no exercício de profissão,
atividade, ofício, cargo ou função, sempre que houver violação dos deveres que
lhes são inerentes. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

EXEMPLO: Se um funcionário público comete um crime de lesão


corporal, sem qualquer relação com o exercício das funções, não pode lhe
ser imposta a pena suspensão de exercício de cargo ou função pública.
Da mesma forma, se um médico é condenado pelo crime de furto, não
poderá ser privado do exercício de sua atividade, pois o crime praticado
não guarda qualquer relação com o exercício da atividade.
Não devemos confundir esta pena com o efeito da condenação
previsto no art. 92, I do CP.
A pena de suspensão de autorização ou habilitação para dirigir veículo
(inciso III) somente se aplica nos casos de crimes culposos cometidos no
trânsito. Nos termos do art. 57 do CP:

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Art. 57 - A pena de interdição, prevista no inciso III do art. 47 deste Código,!
aplica-se aos crimes culposos de trânsito. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de
11.7.1984)

Entretanto, com a edição do Código de Trânsito Brasileiro (Lei


9.503/97), este dispositivo perdeu muito de sua utilidade, pois o CTB cuida
com certa minúcia da matéria, inclusive no que tange à aplicação desta
pena de interdição. Entretanto, isto não é tema para a nossa aula.
! CUIDADO! Esta pena não pode ser confundida com o efeito da
condenação previsto no art. 92, III do CP:
Art. 92 - São também efeitos da condenação: (Redação dada pela Lei nº
7.209, de 11.7.1984)
(...) III - a inabilitação para dirigir veículo, quando utilizado como meio para
a prática de crime doloso. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
A pena restritiva de direitos consistente na suspensão do direito de dirigir
é uma pena que se aplica aos crimes culposos cometidos no trânsito. Já
o efeito da condenação, consistente na inabilitação para dirigir, ocorre
quando o veículo é utilizado como meio para a prática de crime doloso
(atropelamento doloso, por exemplo).25

Por sua vez, a proibição de frequentar determinados lugares é


uma pena de difícil fiscalização, pois, primeiramente, a Lei não estabeleceu
quais são os lugares, ficando a critério do Juiz26. Em segundo lugar, a
ausência de mecanismos hábeis para a realização da fiscalização dificulta
demais a aplicação desta pena.
Entretanto, a Doutrina entende que se trata de uma pena
constitucional, e que mesmo a expressão vaga “determinados lugares” não
ofende o princípio da legalidade, na medida em que esta é uma pena
alternativa, sendo originariamente prevista a pena privativa de liberdade,
perfeitamente bem delimitada.
Finalizando com chave-de-ouro, o inciso V (incluído pela Lei
11.250/11) prevê uma quinta modalidade de interdição de direitos,
consistente na impossibilidade de o condenado se inscrever em concurso,
avaliação ou exame público.
A Lei não disse por quanto tempo, mas por lógica, em se tratando de
uma pena substitutiva, esta pena terá como duração o mesmo período
da pena privativa de liberdade aplicada.

(v)! Limitação de fim de semana

!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
25
BITENCOURT, Cezar Roberto. Op. cit., p. 688/689
26
Entende-se que o lugar deva ter alguma relação com o delito cometido, e que seja um lugar que
exerça influência criminógena sobre o condenado (um lugar que propicie a ele a prática do delito).
BITENCOURT, Cezar Roberto. Op. cit., p. 690/691

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! !! ! ! !
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Está regulamentada pelo art. 48 do CP: !
Art. 48 - A limitação de fim de semana consiste na obrigação de permanecer,
aos sábados e domingos, por 5 (cinco) horas diárias, em casa de albergado ou
outro estabelecimento adequado. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de
11.7.1984)
Parágrafo único - Durante a permanência poderão ser ministrados ao
condenado cursos e palestras ou atribuídas atividades educativas.(Redação
dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

Trata-se de uma pena raramente aplicada, em razão da praticamente


inexistência, no Brasil, de casas de albergado e congêneres. O STJ entende
que se essa pena for aplicada, não havendo casa de albergado em que
possa ser cumprida, não pode o condenado ser submetido a
estabelecimento prisional, por ser medida mais gravosa que a pena
imposta.

1.6.! Pena de multa


A pena de multa pode ser conceituada como a penalidade (sanção
penal) consistente no pagamento de determinada quantia em dinheiro e
destinada ao Fundo Penitenciário Nacional. Nos termos do art. 49, e seus
§§, do CP:
Art. 49 - A pena de multa consiste no pagamento ao fundo penitenciário da
quantia fixada na sentença e calculada em dias-multa. Será, no mínimo, de 10
(dez) e, no máximo, de 360 (trezentos e sessenta) dias-multa. (Redação dada
pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
§ 1º - O valor do dia-multa será fixado pelo juiz não podendo ser inferior a um
trigésimo do maior salário mínimo mensal vigente ao tempo do fato, nem
superior a 5 (cinco) vezes esse salário. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de
11.7.1984)
§ 2º - O valor da multa será atualizado, quando da execução, pelos índices de
correção monetária. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

O critério utilizado para a fixação da pena de multa é o do dia-multa.


O valor do “dia-multa” será arbitrado pelo Juiz, em montante que varie
entre 1/30 (um trigésimo) e 5 vezes o valor do maior salário
mínimo vigente À ÉPOCA DO FATO!
Perceba, caro aluno, que a aplicação da pena de multa obedece a um
sistema BIFÁSICO, no qual o Juiz:
a) Primeiro fixa a quantidade de dias-multa.
b) Depois, fixa o valor de cada dia multa.

O produto da multiplicação do número de dias multa pelo valor


de cada dia multa será o montante total da condenação.

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EXEMPLO: Imagine que um réu é condenado ao pagamento de 10 dias- !
multa, considerando-se cada dia multa como 1/30 do maior salário
mínimo vigente (exemplificativamente, R$ 600,00). Assim, 1/30 de R$
600,00 igual a R$ 20,00. Desta forma, o valor total da condenação será
de 10 (quantidade de dias-multa) x R$ 20,00 (valor do dia-multa). Logo,
a pena de multa será fixada em R$ 200,00 (Duzentos reais).

Este critério possibilita o exercício do princípio da individualização


da pena, pois confere ao Juiz uma amplitude enorme na fixação do valor
da pena de multa.
A Doutrina entende que27:
! A quantidade de dias-multa é calculada com base no fato
criminoso e na personalidade do agente (circunstâncias do
art. 59 do CP).
! O valor de cada dia-multa é fixado com base na situação
econômica do infrator.

A pena de multa deve ser fixada levando-se em conta a situação


econômica do réu, entretanto, essa fixação com base na situação
econômica do réu se refere à fixação do valor do dia-multa. Além disso, a
pena de multa pode ser aumentada até o triplo, caso, mesmo sendo
aplicada ao máximo, o Juiz considere que ela ainda é insuficiente.
Ressalto a vocês que esse sistema de aplicação da pena de multa é
genérico, ou subsidiário. Assim, nada impede que a Legislação
Especial, e até mesmo o CP, prevejam situações especiais nas quais
o critério para a aplicação da pena de multa seja outro.
O pagamento da pena de multa deve se dar em até 10 dias a contar
do trânsito em julgado da sentença, podendo o Juiz, considerando as
circunstâncias e a requerimento do condenado, permitir o parcelamento do
seu pagamento (art. 50 do CP).
O CP permite, ainda, que a pena de multa seja descontada
diretamente na remuneração do condenado, salvo na hipótese de ter sido
aplicada cumulativamente com a pena privativa de liberdade (§ 1° do art.
50 do CP), E NÃO PODE INCIDIR SOBRE RECURSOS QUE SEJAM
INDISPENSÁVEIS AO SUSTENTO DO INFRATOR E DE SUA FAMÍLIA
(§ 2° do art. 50 do CP).
Conforme já havia adiantado a vocês, não cumprida
espontaneamente a pena de multa, não pode haver conversão em pena
privativa de liberdade28, muito menos reconversão (porque nunca houve
!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
27
GOMES, Luiz Flavio. BIANCHINI, Alice. Curso de Direito Penal. JusPodivm. Salvador, 2015, p.
529/530
28
GOMES, Luiz Flavio. BIANCHINI, Alice. Op. cit., p. 530/531

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conversão). Nesse caso, a multa será considerada como dívida de valor e!
executada pelo procedimento de cobrança da dívida ativa da Fazenda
Pública (Execução Fiscal).29
A Doutrina e a Jurisprudência entendem, em razão disso, que
embora o não cumprimento da pena de multa não possa gerar a conversão
em pena privativa de liberdade, isto não lhe retira seu caráter de pena.
Assim, aplicada pena de multa e sobrevindo a morte do infrator, estará
extinta a punibilidade30, nos termos do art. 107, I do CP, já que não se
pode estender os efeitos da pena aos sucessores do infrator, por força do
art. 5°, XLV da Constituição, que ressalvou apenas a obrigação de
reparar o dano e o perdimento de bens.
Por fim, o art. 52 do CP prevê que, sobrevindo doença mental ao
condenado, ficará suspensa a pena de multa.

2.!RESUMO
CONCEITO - A pena pode ser conceituada como a resposta que a
sociedade dá ao indivíduo que transgride a ordem jurídico-penal
estabelecida, e consiste na privação ou restrição de um bem jurídico do
condenado (liberdade, patrimônio, etc.), de forma a castigá-lo e reeducá-
lo (adoção da teoria mista, unificadora, eclética ou unitária - dupla
finalidade: punição e prevenção).

PRINCÍPIOS
a) Reserva legal ou legalidade estrita – A pena deve estar prevista em
Lei Formal.
b) Anterioridade – A pena deve estar prevista em Lei anterior ao fato.
c) Intranscendência da pena – A pena não pode passar da pessoa do
condenado.
d) Inevitabilidade ou inderrogabilidade da pena – Uma vez aplicada,
não pode deixar de ser executada. Há exceções (Ex.: Sursis).
e) Princípio da humanidade ou humanização das penas – A pena não
pode desrespeitar os direitos fundamentais do indivíduo, violando sua
integridade física ou moral, e também não pode ser de índole cruel,
desumano ou degradante (art. 5°, XLIX e XLVII da Constituição);
f) Princípio da proporcionalidade – A sanção aplicada pelo Estado deve
ser proporcional à gravidade da infração cometida e também deve ser
suficiente para promover a punição ao infrator e sua reeducação social.

!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
29
Art. 51 - Transitada em julgado a sentença condenatória, a multa será considerada dívida de
valor, aplicando-se-lhes as normas da legislação relativa à dívida ativa da Fazenda Pública, inclusive
no que concerne às causas interruptivas e suspensivas da prescrição. (Redação dada pela Lei nº
9.268, de 1º.4.1996)
30
GOMES, Luiz Flavio. BIANCHINI, Alice. Op. cit., p. 531

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g) Princípio da individualização da pena – A pena deve ser aplicada de!
maneira individualizada para cada infrator em cada caso específico. Essa
individualização se dá em três fases distintas: a) cominação; b)
aplicação; c) Na terceira e última fase temos a aplicação deste
princípio na execução da pena;

ESPÉCIES
São adotadas no sistema penal brasileiro:
Privativas de liberdade – Retiram do condenado o direito à liberdade de
locomoção, por determinado período (é vedada pena de caráter perpétuo,
art. 5°, XLVII, b da Constituição).
Restritivas de direitos – Em substituição à pena privativa de liberdade,
limitam (restringem) o exercício de algum direito do condenado.
Pena de multa – Recai sobre o patrimônio financeiro do condenado.

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PENA PRIVATIVA DE LIBERDADE


Regimes de cumprimento
!! Fechado - Execução da pena em estabelecimento de segurança
máxima ou média.
!! Semiaberto - Execução da pena em colônia agrícola, industrial ou
estabelecimento similar. E se não houver vaga? Vai para o regime
aberto (STF).
!! Aberto - Execução da pena em casa de albergado ou
estabelecimento adequado. E se não houver vaga? STF: deve ser
posto em liberdade; STJ: pode ser fixada prisão domiciliar.

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!
OBS.: Natureza da pena:
Pena de reclusão – Qualquer regime inicial
Pena de detenção – Regime inicial somente semiaberto ou aberto
!
Regras para fixação do regime inicial
Leva em conta a quantidade de pena aplicada, reincidência e circunstâncias
judiciais:
Regra:
!! Condenado a pena superior a 8 (oito) anos – Regime inicial
fechado.
!! Condenado não reincidente, cuja pena seja superior a 4
(quatro) anos e não exceda a 8 (oito) – Pode ser fixado regime
inicial semiaberto.
!! Condenado não reincidente, cuja pena seja igual ou inferior a
4 (quatro) anos - Pode ser fixado regime inicial aberto.
Observações importantes:
!! É possível fixar regime inicial semiaberto aos reincidentes
condenados a pena igual ou inferior a quatro anos se favoráveis as
circunstâncias judiciais (súmula 269 do STJ).
!! A opinião do julgador sobre a gravidade ABSTRATA do delito não é
fundamento para aplicar regime mais severo que o previsto (súmula
718 do STF)
!! A fixação de regime inicial mais severo exige motivação IDÔNEA
(súmula 719 do STF)
!! Gravidade CONCRETA da conduta é considerada motivação idônea.
!
PENAS RESTRITIVAS DE DIREITOS
Também chamadas de “penas alternativas”, pois se apresentam como uma
alternativa à aplicação da pena privativa de liberdade, muitas vezes
desnecessária no caso concreto.
Características
!! Autonomia - Impossibilidade de serem aplicadas cumulativamente
com a pena privativa de liberdade.
!! Substitutividade - Não são previstas como pena originária
para nenhum crime no Código Penal, sendo aplicadas de maneira
a substituir uma pena privativa de liberdade originariamente imposta,
quando presentes os requisitos legais.

Requisitos:
REQUISITOS OBJETIVOS

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Natureza do crime Só pode haver substituição nos casos de crimes !
culposos (todos eles) ou no caso de crimes
dolosos, desde que, nesse último caso, não
tenha sido o crime cometido com violência ou
grave ameaça à pessoa (ex.: Não caberia
substituição no caso de homicídio).
Quantidade de A pena aplicada, no caso de crimes dolosos, não
pena aplicada pode ser superior a quatro anos. No caso de
crimes culposos, pode haver a substituição
qualquer que seja a pena aplicada.

REQUISITOS SUBJETIVOS
Não ser OBS.1: Se o condenado for reincidente em crime
reincidente em culposo, poderá haver a substituição.
crime doloso OBS.2: Entretanto, excepcionalmente, mesmo
se o condenado for reincidente em crime doloso,
poderá haver a substituição, desde que a medida
seja socialmente recomendável (análise das
características do fato criminoso e do infrator) e
não se trate de reincidência específica
(reincidência no mesmo crime), conforme previsão
do art. 44, § 3° do CP.
Suficiência da A pena restritiva de direitos deve ser suficiente
medida (princípio para garantir o alcance das finalidades da pena
da suficiência) (punição e prevenção, geral e especial).
Esquema:
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;ΕΧ9Γ8Γ8 Τ!
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8ΓΙ7>Β7!87!>ΦΓ!
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Regras da substituição !
Pena igual ou inferior a um ano = Substituição por multa ou uma pena
restritiva de direitos.
Pena superior a um ano = Substituição por pena de multa e uma pena
restritiva de direitos, ou por duas restritivas de direitos. No caso de serem
aplicadas duas restritivas de direitos, o condenado poderá cumpri-las
simultaneamente, se forem compatíveis, ou sucessivamente, se
incompatíveis (art. 69, § 2° do CP).

Reconversão
!! Obrigatória - Descumprimento injustificado da restrição imposta.
!! Facultativa – Superveniência de nova condenação à pena privativa
de liberdade, por outro crime. Pode deixar de reconverter se for
possível cumprir ambas simultaneamente.

Observações importantes:
Não se admite a reconversão se o condenado deixa de pagar a pena
de multa.
Não se deve confundir pena de MULTA com pena de PRESTAÇÃO
PECUNIÁRIA. A primeira é uma modalidade de pena, a outra é uma
espécie de pena RESTRITIVA DE DIREITOS. No primeiro caso, NÃO É
POSSÍVEL A CONVERSÃO EM PRISÃO pelo não pagamento. No segundo
caso é POSSÍVEL, conforme entendimento do STJ.

Espécies de penas restritivas de direitos


Prestação pecuniária – Consiste no pagamento em dinheiro à vítima da
infração penal, a seus dependentes, ou ainda, a entidade pública ou privada
com finalidade social, em montante fixado pelo Juiz entre 01 (um) e 360
(trezentos e sessenta) salários mínimos. Este valor pago será deduzido
de eventual valor a ser pago em razão de condenação na esfera
cível, SE OS BENEFICIÁRIOS FOREM OS MESMOS.
Perda de bens e valores – Em favor do Fundo Penitenciário Nacional, e
seu valor tem como teto - o que for maior - o montante do prejuízo causado
ou o proveito do crime. OBS.: Não confundir com o confisco, que é mero
efeito secundário da condenação, e recai sobre o patrimônio ilícito, bem
como sobre os instrumentos do crime (apenas se se tratar de coisas cujo
fabrico, alienação, uso, porte ou detenção constitua fato ilícito.).
Limitação de fim de semana - Consiste na obrigação de permanecer, aos
finais de semana (sábados e domingos), por 05 horas diárias, em casa de
albergado ou outro estabelecimento adequado. Neste período, poderão ser
ministrados ao condenado cursos e palestras, bem como ser atribuídas
atividades educativas.

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Prestação de serviços à comunidade - Atribuição de tarefas gratuitas,!
e de acordo com as aptidões do condenado, em favor da comunidade ou
de entidades públicas (em entidades assistenciais, hospitais, escolas,
orfanatos e outros estabelecimentos congêneres, em programas
comunitários ou estatais), ou privadas com destinação social
(entendimento doutrinário). Cabível para as condenações superiores a seis
meses de privação da liberdade. O sistema de cumprimento adotado pelo
CP é o da hora-tarefa, ou seja, cada hora de tarefa realizada será
computada como um dia da condenação. Se superior a 01 ano, pode ser
cumprida em menor tempo, mas nunca inferior à metade.
Interdição temporária de direitos – Consiste na limitação temporária
de alguns direitos do condenado, e pode ser de diversas ordens:
(a) proibição do exercício de cargo, função ou atividade pública,
bem como de mandato eletivo - só pode ser aplicada quando o crime
for cometido no exercício do cargo ou função pública
(b) proibição do exercício de profissão, atividade ou ofício que
dependam de habilitação especial, de licença ou autorização do
poder público – só pode ser aplicada quando o crime for cometido no
exercício de atividade que dependa de habilitação especial, licença ou
autorização do poder público.
(c) suspensão de autorização ou de habilitação para dirigir
veículo – somente se aplica nos casos de crimes culposos cometidos no
trânsito (CTB também trata deste tema).
(d) proibição de frequentar determinados lugares – Impossibilita o
condenado de frequentar certos lugares, e deve ter relação com o fato
praticado (Ex.: proibir um valentão, membro de torcida organizada, de
frequentar estádios de futebol).
(e) proibição de inscrever-se em concurso, avaliação ou exame
públicos - em se tratando de uma pena substitutiva, esta pena terá
como duração o mesmo período da pena privativa de liberdade aplicada.

PENA DE MULTA
Conceito - Modalidade de pena que consiste no pagamento de
determinada quantia em dinheiro e destinada ao Fundo Penitenciário
Nacional.
Fixação – Bifásico. O critério utilizado para a fixação da pena de multa é o
do dia-multa.
Primeiro fixa a quantidade de dias-multa – Entre 10 e 360 dias-multa
(com base nas circunstâncias judiciais do art. 59)
Depois fixa o valor do dia-multa – Deve variar entre 1/30 (um
trigésimo) e 5 vezes o valor do maior salário mínimo vigente à época do
fato (com base na situação econômica do condenado).
OBS.: A pena de multa pode ser aumentada até o triplo, caso se mostre
insuficiente (de acordo com a situação financeira do condenado).
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Tópicos importantes
!! O pagamento da pena de multa deve se dar em até 10 dias a contar
do trânsito em julgado da sentença.
!! Juiz pode, considerando as circunstâncias e a requerimento do
condenado, permitir o parcelamento.
!! Pode ser descontada diretamente na remuneração do condenado,
salvo na hipótese de ter sido aplicada cumulativamente com a pena
privativa de liberdade.
!! Não pode incidir sobre recursos indispensáveis ao sustento do infrator
e de sua família.
!! Não sendo paga, será considerada dívida de valor, devendo ser
executada pelo procedimento de cobrança da dívida ativa da Fazenda
Pública
!! Em caso de sobrevir doença mental ao condenado é suspensa a
execução da pena de multa
!! Em caso de morte do condenado, NÃO passa aos herdeiros.
Neste caso, fica extinta a punibilidade

___________

Bons estudos!
Prof. Renan Araujo

3.!EXERCÍCIOS DA AULA

01.! (VUNESP – 2013 – ITESP – ADVOGADO)


Com relação às penas privativas de liberdade, é correto afirmar que:
a) a pena de reclusão deverá ser cumprida sempre em regime fechado.
b) considera-se regime fechado a execução da pena em colônia agrícola.
c) a pena de detenção deverá ser cumprida sempre em regime aberto.
d) considera-se regime semiaberto a execução da pena em casa de
albergado.
e) a pena de reclusão poderá ser cumprida em regime aberto.

02.! (VUNESP – 2012 – DPE-MS – DEFENSOR PÚBLICO)

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As penas privativas de liberdade deverão ser executadas em forma!
progressiva, segundo o mérito do condenado, observados os seguintes
critérios e ressalvadas as hipóteses de transferência a regime mais
rigoroso:
a) o condenado reincidente, cuja pena seja igual a 4 (quatro) anos, deverá,
desde o início, cumpri-la em regime aberto.
b) o condenado não reincidente, cuja pena seja superior a 6 (seis) anos e
não exceda a 12 (doze), poderá, desde o princípio, cumpri-la em regime
semiaberto.
c) o condenado não reincidente, cuja pena seja igual ou inferior a 4 (quatro)
anos, poderá, desde o início, cumpri-la em regime aberto.
d) o condenado reincidente, cuja pena seja inferior a 4 (quatro) anos,
deverá, desde o início, cumpri-la em regime aberto.

03.! (VUNESP – 2011 – TJ-SP – JUIZ)


Antônio foi condenado definitivamente pela prática de crime de estelionato
e, depois de decorridos mais de cinco anos des- de o cumprimento da pena
então imposta, comete novo crime, desta feita furto qualificado pelo
rompimento de obstáculo, pelo qual vem a ser condenado à pena de dois
anos e quatro meses de reclusão. Assinale a alternativa correta, em face
do art. 44, do Código Penal, que dispõe sobre a substituição da pena
privativa de liberdade, por restritivas de direito.
a) A substituição não pode ser aplicada a Antônio, por ser a pena imposta
de reclusão.
b) A substituição não pode ser aplicada a Antônio, por ser ele reincidente
em crime doloso.
c) A substituição não pode ser aplicada a Antônio, por serem ambas as
condenações por crimes contra o patrimônio.
d) A substituição pode ser aplicada a Antônio, pois a rein- cidência não é
pela prática do mesmo crime.
e) A substituição pode ser aplicada a Antônio, pois ele não é reincidente.

04.! (VUNESP – 2009 – TJ-MS – TITULAR NOTARIAL)


A, primário, foi condenado por tentativa de roubo qualificado à pena de 2
anos e 8 meses de reclusão e multa. O juiz, ao aplicar a pena,
a) deverá fixar o regime fechado para o cumprimento inicial por tratar-se
de crime praticado com violência contra a pessoa.
b) poderá substituir a pena privativa de liberdade por uma pena restritiva
de direitos.
c) poderá substituir a pena privativa de liberdade por duas penas restritivas
de direitos.

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d) poderá conceder a suspensão condicional da pena privativa de liberdade!
por até 4 anos.
e) poderá fixar o regime aberto para o cumprimento inicial da pena
privativa de liberdade.

05.! (FCC – 2011 – TJ/PE – JUIZ)


A pena de prestação pecuniária
A) é sempre incabível para o condenado reincidente.
B) deve ser fixada em dias-multa.
C) só pode ser estabelecida em favor da vítima ou de seus dependentes.
D) é autônoma e, nos crimes culposos, substitui a privativa de liberdade
não superior a quatro anos.
E) pode consistir em prestação de outra natureza, se houver aceitação do
beneficiário.

06.! (FCC – 2010 – TRT 8°RG – ANALISTA JUDICIÁRIO –


EXECUÇÃO DE MANDADOS)
O instituto que permite ser computado na execução da pena privativa de
liberdade ou na medida de segurança o tempo de prisão provisória, ou seja,
da prisão anterior ao trânsito em julgado da sentença condenatória,
denomina-se
A) progressão.
B) remissão.
C) detração.
D) regressão.
E) conversão.

07.! (FCC – 2010 – TRE/RS – ANALISTA JUDICIÁRIO – ÁREA


ADMINISTRATIVA)
A pena de interdição temporária de direitos NÃO inclui:
A) proibição do exercício de mandato eletivo.
B) suspensão de autorização ou de habilitação para dirigir veículo.
C) proibição do exercício de profissão, atividade ou ofício que dependam de
habilitação especial, de licença ou autorização do poder público.
D) proibição de frequentar determinados lugares.
E) proibição de se ausentar da casa de albergado aos sábados e domingos.

08.! (FCC – 2010 – TRE/RS – ANALISTA JUDICIÁRIO – ÁREA


JUDICIÁRIA)

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Sobre a pena de MULTA prevista no Código Penal, é INCORRETO afirmar!
que
A) deve ser paga dentro de 10 (dez) dias depois do trânsito em julgado da
sentença.
B) se converte em pena de detenção, quando o condenado solvente deixa
de pagá-la ou frustra a sua execução.
C) sua cobrança pode ser efetuada mediante desconto no salário do
condenado, quando aplicada isoladamente.
D) sua execução será suspensa se sobrevém ao condenado doença mental.
E) se cobrada mediante desconto no salário, não deve incidir sobre os
recursos indispensáveis ao sustento do condenado e de sua família.

09.! (FCC – 2009 – DPE/MT – DEFENSOR PÚBLICO)


NÃO se inclui dentre as penas restritivas de direito a
A) limitação de fim de semana.
B) multa.
C) perda de bens e valores.
D) prestação de serviços à comunidade.
E) interdição temporária de direitos.

10.! (FCC – 2008 – METRÔ/SP – ADVOGADO)


Considere as seguintes penas:
I. reclusão.
II. limitação de fim de semana.
III. multa.
IV. perda de bens e valores.
V. prestação pecuniária.
São penas restritivas de direito SOMENTE
A) I e II.
B) III e V.
C) I, II e IV.
D) I, II e III.
E) II, IV e V.

11.! (FCC – 2009 – MPE/SE – ANALISTA DO MP – ESPECIALIDADE


DIREITO)
A pena de multa pode ser imposta em substituição exclusiva da pena
privativa de liberdade se esta for de até
A) um ano, não cabendo, porém, para o condenado reincidente.
B) seis meses, ainda que reincidente o condenado.

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C) seis meses, não sendo reincidente o condenado. !
D) um ano, não decorrendo eventual reincidência da prática do mesmo
crime e a medida for socialmente recomendável.
E) dois anos, independentemente de reincidência.

12.! (FCC – 2010 – TRF 4 – ANALISTA JUDICIÁRIO – ÁREA


JUDICIÁRIA)
A pena de multa pode ser imposta em substituição exclusiva da pena
privativa de liberdade se esta for de até
A) um ano, não cabendo, porém, para o condenado reincidente.
B) seis meses, ainda que reincidente o condenado.
C) seis meses, não sendo reincidente o condenado.
D) um ano, não decorrendo eventual reincidência da prática do mesmo
crime e a medida for socialmente recomendável.
E) dois anos, independentemente de reincidência.

13.! (FCC – 2002 – SEAD/AP – AGENTE PENITENCIÁRIO)


São espécies de regimes prisionais:
A) fechado, semiaberto e aberto.
B) reclusão, detenção e liberdade assistida.
C) liberdade assistida, liberdade vigiada e semiliberdade.
D) privação de liberdade e restrição de direitos.
E) reclusão, detenção e prisão simples.

14.! (FCC – 2012 – TRE-SP – ANALISTA JUDICIÁRIO)


Considere as seguintes situações hipotéticas de cidadãos processados pela
Justiça Pública:
I. José, não reincidente, é condenado a cumprir pena de 04 anos de
reclusão por crime de denunciação caluniosa e poderá iniciar o
cumprimento da pena em regime aberto.
II. Paulo é condenado a cumprir pena de 02 anos de reclusão por crime de
coação no curso do processo, e tem sua pena privativa de liberdade
substituída por uma pena restritiva de direitos e por multa.
III. Murilo registra condenação anterior por crime de falso testemunho e
está sendo processado por crime de peculato. Nesse caso, não poderá ter
a sua pena privativa de liberdade substituída pela restritiva de direitos, por
expressa vedação legal.
De acordo com o Código Penal, está correto o que consta APENAS em
a) I.
b) II.

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c) III. !
d) I e II.
e) II e III.

15.! (FGV – IX EXAME UNIFICADO DA OAB)


O sistema punitivo brasileiro é progressivo. Por meio dele o condenado
passa do regime inicial de cumprimento de pena mais severo para regime
mais brando, até alcançar o livramento condicional ou a liberdade
definitiva.
A respeito da progressão de regime, assinale a afirmativa correta.
A) O sistema progressivo brasileiro é compatível com a progressão “por
saltos”, consistente na possibilidade da passagem direta do regime fechado
para o aberto.
B) O cumprimento da pena privativa de liberdade nos crimes hediondos é
uma exceção ao sistema progressivo. O condenado nesta modalidade
criminosa deve iniciar e encerrar o cumprimento da pena no regime
fechado, sem possibilidade de passagem para regime mais brando.
C) A progressão está condicionada, nos crimes contra a Administração
Pública, à reparação do dano causado ou à devolução do produto do ilícito
praticado com os acréscimos legais, além do cumprimento de 1/6 da pena
no regime anterior e do mérito do condenado.
D) O pedido de progressão deve ser endereçado ao juízo sentenciante, que
decidirá independente de manifestação do Ministério Público.

16.! (FGV - 2008 - PC-RJ - OFICIAL DE CARTÓRIO)


Com relação às penas, analise as afirmativas a seguir:
I. São penas privativas de liberdade: detenção, reclusão e limitação de fim
de semana.
II. O Código Penal prevê somente as seguintes hipóteses de penas
restritivas de direitos: prestação de serviços à comunidade ou a entidades
públicas; interdição temporária de direitos e prestação pecuniária.
III. A pena de interdição temporária de direitos compreende as seguintes
situações: proibição do exercício de cargo, função ou atividade pública, bem
como mandato eletivo; proibição do exercício de profissão, atividade ou
ofício que dependam de habilitação especial, de licença ou autorização do
poder público; suspensão de autorização ou de habilitação para dirigir
veículo; proibição de frequentar determinados lugares; e, obrigação de
permanecer, aos sábados e domingos, por cinco horas diárias, em casa de
albergado ou outro estabelecimento adequado, ocasião em que serão
ministrados cursos e palestras ou atribuídas atividades educativas.
Assinale:
a) se nenhuma afirmativa estiver correta.

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b) se somente as afirmativas I e II estiverem corretas. !
c) se somente as afirmativas I e III estiverem corretas.
d) se somente as afirmativas II e III estiverem corretas.
e) se todas as afirmativas estiverem corretas.

17.! (FCC – 2014 – DPE-CE – DEFENSOR PÚBLICO)


No caso de condenação igual ou inferior a quatro anos, admissível a adoção
do regime
a) semiaberto, se reincidente o agente e favoráveis as circunstâncias
judiciais.
b) semiaberto, se reincidente o agente e desfavoráveis as circunstâncias
judiciais.
c) fechado, ainda que fixada a pena-base no mínimo legal.
d) aberto, se favoráveis as circunstâncias judiciais, ainda que reincidente o
agente.
e) aberto, se reincidente o agente e desfavoráveis as circunstâncias
judiciais.

18.! (IBFC – 2014 – SEDS-MG – AGENTE PENITENCIÁRIO)


Indique o estabelecimento prisional destinado à execução da pena privativa
de liberdade em regime aberto:
a) Penitenciária.
b) Casa do albergado.
c) Colônia agrícola e a colônia industrial.
d) Cadeia Pública.

4.!EXERCÍCIOS COMENTADOS

01.! (VUNESP – 2013 – ITESP – ADVOGADO)


Com relação às penas privativas de liberdade, é correto afirmar
que:
a) a pena de reclusão deverá ser cumprida sempre em regime
fechado.
b) considera-se regime fechado a execução da pena em colônia
agrícola.
c) a pena de detenção deverá ser cumprida sempre em regime
aberto.
d) considera-se regime semiaberto a execução da pena em casa de
albergado.

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e) a pena de reclusão poderá ser cumprida em regime aberto. !
COMENTÁRIOS: Em relação aos regimes de cumprimento da pena
privativa de liberdade, é correto afirmar que a pena de reclusão poderá ser
cumprida inicialmente em qualquer dos regimes. A de detenção, porém,
não poderá ser inicialmente cumprida em regime fechado. O regime
fechado é aquele cujo cumprimento se dá em estabelecimento de
segurança máxima ou média. Já o semiaberto se dá em colônia agrícola ou
industrial (ou similar) e o regime aberto em casa de albergado ou similar.
Vejamos:
Art. 33 - A pena de reclusão deve ser cumprida em regime fechado, semi-
aberto ou aberto. A de detenção, em regime semi-aberto, ou aberto, salvo
necessidade de transferência a regime fechado. (Redação dada pela Lei nº
7.209, de 11.7.1984)
§ 1º - Considera-se: (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
a) regime fechado a execução da pena em estabelecimento de segurança
máxima ou média;
b) regime semi-aberto a execução da pena em colônia agrícola, industrial ou
estabelecimento similar;
c) regime aberto a execução da pena em casa de albergado ou estabelecimento
adequado.
Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA E.

02.! (VUNESP – 2012 – DPE-MS – DEFENSOR PÚBLICO)


As penas privativas de liberdade deverão ser executadas em forma
progressiva, segundo o mérito do condenado, observados os
seguintes critérios e ressalvadas as hipóteses de transferência a
regime mais rigoroso:
a) o condenado reincidente, cuja pena seja igual a 4 (quatro) anos,
deverá, desde o início, cumpri-la em regime aberto.
b) o condenado não reincidente, cuja pena seja superior a 6 (seis)
anos e não exceda a 12 (doze), poderá, desde o princípio, cumpri-
la em regime semiaberto.
c) o condenado não reincidente, cuja pena seja igual ou inferior a 4
(quatro) anos, poderá, desde o início, cumpri-la em regime aberto.
d) o condenado reincidente, cuja pena seja inferior a 4 (quatro)
anos, deverá, desde o início, cumpri-la em regime aberto.
COMENTÁRIOS: Os critérios para a progressão de regime de cumprimento
de pena estão previstos no art. 33, §2º do CP:
Art. 33 (...)
§ 2º - As penas privativas de liberdade deverão ser executadas em forma
progressiva, segundo o mérito do condenado, observados os seguintes critérios
e ressalvadas as hipóteses de transferência a regime mais rigoroso: (Redação
dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
a) o condenado a pena superior a 8 (oito) anos deverá começar a cumpri-la
em regime fechado;

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b) o condenado não reincidente, cuja pena seja superior a 4 (quatro) anos e!
não exceda a 8 (oito), poderá, desde o princípio, cumpri-la em regime semi-
aberto;
c) o condenado não reincidente, cuja pena seja igual ou inferior a 4 (quatro)
anos, poderá, desde o início, cumpri-la em regime aberto.
Vemos, assim, que a alternativa correta é a letra C, eis que de acordo com
o previsto no art. 33, §2º, c do CP.
Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA C.

03.! (VUNESP – 2011 – TJ-SP – JUIZ)


Antônio foi condenado definitivamente pela prática de crime de
estelionato e, depois de decorridos mais de cinco anos desde o
cumprimento da pena então imposta, comete novo crime, desta
feita furto qualificado pelo rompimento de obstáculo, pelo qual vem
a ser condenado à pena de dois anos e quatro meses de reclusão.
Assinale a alternativa correta, em face do art. 44, do Código Penal,
que dispõe sobre a substituição da pena privativa de liberdade, por
restritivas de direito.
a) A substituição não pode ser aplicada a Antônio, por ser a pena
imposta de reclusão.
b) A substituição não pode ser aplicada a Antônio, por ser ele
reincidente em crime doloso.
c) A substituição não pode ser aplicada a Antônio, por serem ambas
as condenações por crimes contra o patrimônio.
d) A substituição pode ser aplicada a Antônio, pois a reincidência
não é pela prática do mesmo crime.
e) A substituição pode ser aplicada a Antônio, pois ele não é
reincidente.
COMENTÁRIOS: No caso em tela o agente é considerado primário, eis que
decorridos mais de cinco anos desde a extinção da punibilidade pela
condenação anterior (art. 64, I do CP).
Neste caso, temos um agente primário, que praticou delito sem violência
ou grave ameaça e cuja pena aplicada é de 02 anos e 04 meses de reclusão.
Vejamos o que diz o art. 44 do CP:
Art. 44. As penas restritivas de direitos são autônomas e substituem as
privativas de liberdade, quando: (Redação dada pela Lei nº 9.714, de 1998)
I - aplicada pena privativa de liberdade não superior a quatro anos e o crime
não for cometido com violência ou grave ameaça à pessoa ou, qualquer que
seja a pena aplicada, se o crime for culposo; (Redação dada pela Lei nº 9.714,
de 1998)
II - o réu não for reincidente em crime doloso; (Redação dada pela Lei nº
9.714, de 1998)
III - a culpabilidade, os antecedentes, a conduta social e a personalidade do
condenado, bem como os motivos e as circunstâncias indicarem que essa
substituição seja suficiente. (Redação dada pela Lei nº 9.714, de 1998)

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Assim, vemos que é possível a substituição da pena, pois o agente não é!
reincidente.
Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA E.

04.! (VUNESP – 2009 – TJ-MS – TITULAR NOTARIAL)


A, primário, foi condenado por tentativa de roubo qualificado à pena
de 2 anos e 8 meses de reclusão e multa. O juiz, ao aplicar a pena,
a) deverá fixar o regime fechado para o cumprimento inicial por
tratar-se de crime praticado com violência contra a pessoa.
b) poderá substituir a pena privativa de liberdade por uma pena
restritiva de direitos.
c) poderá substituir a pena privativa de liberdade por duas penas
restritivas de direitos.
d) poderá conceder a suspensão condicional da pena privativa de
liberdade por até 4 anos.
e) poderá fixar o regime aberto para o cumprimento inicial da pena
privativa de liberdade.
COMENTÁRIOS: No caso em tela a substituição não é possível,
considerando-se que se trata de crime praticado com violência ou grave
ameaça à pessoa (art. 44, I do CP), também não sendo possível a
concessão de sursis, eis que a pena é superior a 02 anos (art. 77 do CP).
Com relação ao regime de cumprimento, por se tratar de pena inferior a 04
anos, o Juiz poderá fixar o regime aberto como o regime inicial de
cumprimento da pena:
Art. 33 - A pena de reclusão deve ser cumprida em regime fechado, semi-
aberto ou aberto. A de detenção, em regime semi-aberto, ou aberto, salvo
necessidade de transferência a regime fechado. (Redação dada pela Lei nº
7.209, de 11.7.1984)
(...)
§ 2º - As penas privativas de liberdade deverão ser executadas em forma
progressiva, segundo o mérito do condenado, observados os seguintes critérios
e ressalvadas as hipóteses de transferência a regime mais rigoroso: (Redação
dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
(...)
c) o condenado não reincidente, cuja pena seja igual ou inferior a 4 (quatro)
anos, poderá, desde o início, cumpri-la em regime aberto.
Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA E.

05.! (FCC – 2011 – TJ/PE – JUIZ)


A pena de prestação pecuniária
A) é sempre incabível para o condenado reincidente.
B) deve ser fixada em dias-multa.

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C) só pode ser estabelecida em favor da vítima ou de seus!
dependentes.
D) é autônoma e, nos crimes culposos, substitui a privativa de
liberdade não superior a quatro anos.
E) pode consistir em prestação de outra natureza, se houver
aceitação do beneficiário.
COMENTÁRIOS: Primeiramente devemos analisar a natureza da pena de
prestação pecuniária. A pena de prestação pecuniária é uma modalidade
de pena restritiva de direitos, nos termos do art. 43, I do CP. Desta forma,
se submetem ao regramento aplicável às penas restritivas de direitos.
Uma destas características é a substitutividade, pois a pena restritiva de
direitos sempre será aplicada como medida alternativa à pena privativa de
liberdade, logo, ela nunca será autônoma (diferentemente da pena de
multa, que pode ser autônoma ou substitutiva).
Pode ser aplicada aos reincidentes, desde que não se trate de reincidência
específica e a medida seja socialmente aconselhável (art. 44, § 3° do CP).
Diz, ainda, o art. 45, em seus §§ 1° e 2°, que a prestação pecuniária pode
ter como beneficiários, além dos familiares, entidades públicas ou privadas
com destinação social, e que a prestação pode ser de outra natureza, que
não a pecuniária, desde que haja aceitação do beneficiário.
ASSIM, A ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA E.

06.! (FCC – 2010 – TRT 8°RG – ANALISTA JUDICIÁRIO –


EXECUÇÃO DE MANDADOS)
O instituto que permite ser computado na execução da pena
privativa de liberdade ou na medida de segurança o tempo de prisão
provisória, ou seja, da prisão anterior ao trânsito em julgado da
sentença condenatória, denomina-se
A) progressão.
B) remissão.
C) detração.
D) regressão.
E) conversão.
COMENTÁRIOS: O Código Penal estabelece o fenômeno da Detração, que
é o abatimento do tempo de cumprimento da pena imposta, em razão
do tempo que o condenado permaneceu preso provisoriamente,
administrativamente ou internado nos estabelecimentos psiquiátricos
previstos no art. 41. Vejamos:
Art. 42 - Computam-se, na pena privativa de liberdade e na medida de
segurança, o tempo de prisão provisória, no Brasil ou no estrangeiro, o de
prisão administrativa e o de internação em qualquer dos estabelecimentos
referidos no artigo anterior. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
PORTANTO, A ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA C.

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07.! (FCC – 2010 – TRE/RS – ANALISTA JUDICIÁRIO – ÁREA
ADMINISTRATIVA)
A pena de interdição temporária de direitos NÃO inclui:
A) proibição do exercício de mandato eletivo.
B) suspensão de autorização ou de habilitação para dirigir veículo.
C) proibição do exercício de profissão, atividade ou ofício que
dependam de habilitação especial, de licença ou autorização do
poder público.
D) proibição de frequentar determinados lugares.
E) proibição de se ausentar da casa de albergado aos sábados e
domingos.
COMENTÁRIOS: A pena restritiva de direitos na modalidade de interdição
temporária de direitos está prevista no art. 47 do CP, que prevê as suas
modalidades:
Art. 47 - As penas de interdição temporária de direitos são: (Redação dada
pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984),
I - proibição do exercício de cargo, função ou atividade pública, bem como de
mandato eletivo; (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
II - proibição do exercício de profissão, atividade ou ofício que dependam de
habilitação especial, de licença ou autorização do poder público;(Redação dada
pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984), III - suspensão de autorização ou de
habilitação para dirigir veículo. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
IV - proibição de freqüentar determinados lugares. (Incluído pela Lei nº 9.714,
de 1998),
V - proibição de inscrever-se em concurso, avaliação ou exame públicos.
(Incluído pela Lei nº 11.250, de 2011).
ASSIM, A ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA E.

08.! (FCC – 2010 – TRE/RS – ANALISTA JUDICIÁRIO – ÁREA


JUDICIÁRIA)
Sobre a pena de MULTA prevista no Código Penal, é INCORRETO
afirmar que
A) deve ser paga dentro de 10 (dez) dias depois do trânsito em
julgado da sentença.
B) se converte em pena de detenção, quando o condenado solvente
deixa de pagá-la ou frustra a sua execução.
C) sua cobrança pode ser efetuada mediante desconto no salário do
condenado, quando aplicada isoladamente.
D) sua execução será suspensa se sobrevém ao condenado doença
mental.

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E) se cobrada mediante desconto no salário, não deve incidir sobre!
os recursos indispensáveis ao sustento do condenado e de sua
família.
COMENTÁRIOS:
A) CORRETA: Esta é a previsão do art. 50 do CP;
B) ERRADA: A pena de multa, quando não paga, não se converte em pena
privativa de liberdade, passando a ser considerada mera dívida de valor a
ser cobrada mediante execução fiscal. Nos termos do art. 51 do CP:
Art. 51 - Transitada em julgado a sentença condenatória, a multa será
considerada dívida de valor, aplicando-se-lhes as normas da legislação relativa
à dívida ativa da Fazenda Pública, inclusive no que concerne às causas
interruptivas e suspensivas da prescrição. (Redação dada pela Lei nº 9.268, de
1º.4.1996).
A Doutrina e a Jurisprudência entendem, em razão disso, que embora
o não cumprimento da pena de multa não possa gerar a conversão em pena
privativa de liberdade, isto não lhe retira seu caráter de pena. Assim,
aplicada pena de multa e sobrevindo a morte do infrator, estará
extinta a punibilidade, nos termos do art. 107, I do CP, já que não se
pode estender os efeitos da pena aos sucessores do infrator, por força do
art. 5°, XLV da Constituição, que ressalvou apenas a obrigação de
reparar o dano e o perdimento de bens. Esta é a posição majoritária
(esmagadora), embora existam alguns julgados no STJ entendendo que a
multa, nesse caso, passou a ter caráter extrapenal (ultraminoritário esse
entendimento).
C) CORRETA: Esta é a previsão do art. 50, § 1°, a do CP.
D) CORRETA: Sobrevindo ao condenado doença mental, ficará suspensa a
execução da pena de multa, nos termos do art. 52 do CP;
E) CORRETA: Os descontos efetuados no salário do condenado, de forma a
garantir o pagamento da pena de multa, não podem prejudicar o seu
sustento e o de sua família, nos termos do art. 50, § 2° do CP.
Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA B.

09.! (FCC – 2009 – DPE/MT – DEFENSOR PÚBLICO)


NÃO se inclui dentre as penas restritivas de direito a
A) limitação de fim de semana.
B) multa.
C) perda de bens e valores.
D) prestação de serviços à comunidade.
E) interdição temporária de direitos.
COMENTÁRIOS: As modalidades de penas restritivas de direitos estão
previstas no art. 43 do CP:
Art. 43. As penas restritivas de direitos são: (Redação dada pela Lei nº 9.714,
de 1998),

(<;ΓΗ#:∆>∆∋∗<>Ιϑ;∋∋∋∋∋∋∋∋∋∋∋∋∋∋∋∋∋∋∋∀∀∀#∃%&∋(&∃)∗(+,−+.∋%,%#+,/#0∋!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!∀#∃%&∋!2Π!()!23!
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I - prestação pecuniária; (Incluído pela Lei nº 9.714, de 1998), !
II - perda de bens e valores; (Incluído pela Lei nº 9.714, de 1998),
III - (VETADO) (Incluído e vetado pela Lei nº 9.714, de 1998),
IV - prestação de serviço à comunidade ou a entidades públicas; (Incluído pela
Lei nº 7.209, de 11.7.1984 , renumerado com alteração pela Lei nº 9.714, de
25.11.1998),
V - interdição temporária de direitos; (Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984
, renumerado com alteração pela Lei nº 9.714, de 25.11.1998),
VI - limitação de fim de semana. (Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984 ,
renumerado com alteração pela Lei nº 9.714, de 25.11.1998)
Assim, a multa não é considerada pena restritiva de direitos, mas uma
espécie de pena, tal qual a pena privativa de liberdade e a restritiva de
direitos.
DESTA FORMA, A ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA B.

10.! (FCC – 2008 – METRÔ/SP – ADVOGADO)


Considere as seguintes penas:
I. reclusão.
II. limitação de fim de semana.
III. multa.
IV. perda de bens e valores.
V. prestação pecuniária.
São penas restritivas de direito SOMENTE
A) I e II.
B) III e V.
C) I, II e IV.
D) I, II e III.
E) II, IV e V.
COMENTÁRIOS: As modalidades de penas restritivas de direitos estão
previstas no art. 43 do CP:
Art. 43. As penas restritivas de direitos são: (Redação dada pela Lei nº 9.714,
de 1998),
I - prestação pecuniária; (Incluído pela Lei nº 9.714, de 1998),
II - perda de bens e valores; (Incluído pela Lei nº 9.714, de 1998),
III - (VETADO) (Incluído e vetado pela Lei nº 9.714, de 1998),
IV - prestação de serviço à comunidade ou a entidades públicas; (Incluído pela
Lei nº 7.209, de 11.7.1984 , renumerado com alteração pela Lei nº 9.714, de
25.11.1998),
V - interdição temporária de direitos; (Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984
, renumerado com alteração pela Lei nº 9.714, de 25.11.1998),
VI - limitação de fim de semana. (Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984 ,
renumerado com alteração pela Lei nº 9.714, de 25.11.1998)

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Desta forma, as alternativas I e III trazem hipóteses que não se!
caracterizam como penas restritivas de direitos. A reclusão é uma
modalidade de pena privativa de liberdade, e a multa é uma espécie de
pena, também diversa da restritiva de direitos.
PORTANTO, A ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA E.

11.! (FCC – 2009 – MPE/SE – ANALISTA DO MP – ESPECIALIDADE


DIREITO)
A pena de multa pode ser imposta em substituição exclusiva da
pena privativa de liberdade se esta for de até
A) um ano, não cabendo, porém, para o condenado reincidente.
B) seis meses, ainda que reincidente o condenado.
C) seis meses, não sendo reincidente o condenado.
D) um ano, não decorrendo eventual reincidência da prática do
mesmo crime e a medida for socialmente recomendável.
E) dois anos, independentemente de reincidência.
COMENTÁRIOS: A pena de multa pode ser uma modalidade de pena
autônoma (regra) ou ser aplicada de maneira substitutiva a uma pena
privativa de liberdade previamente aplicada (multa vicariante). Nessa
última hipótese, a pena de multa poderá ser aplicada quando a pena
privativa de liberdade for igual ou inferior a um ano, ainda que o réu seja
reincidente, desde que, nesta hipótese, não se trate de reincidência
específica e a medida seja aconselhável. Esta é a inteligência do art. 44, §§
2° e 3° do CP.
PORTANTO, A ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA D.

12.! (FCC – 2010 – TRF 4 – ANALISTA JUDICIÁRIO – ÁREA


JUDICIÁRIA)
A pena de multa pode ser imposta em substituição exclusiva da
pena privativa de liberdade se esta for de até
A) um ano, não cabendo, porém, para o condenado reincidente.
B) seis meses, ainda que reincidente o condenado.
C) seis meses, não sendo reincidente o condenado.
D) um ano, não decorrendo eventual reincidência da prática do
mesmo crime e a medida for socialmente recomendável.
E) dois anos, independentemente de reincidência.
COMENTÁRIOS: Perceba que a banca, aqui, repetiu, em anos diferentes,
a mesma questão (Idêntica à anterior), de forma que se aplicam a esta
questão os comentários feitos àquela. Podemos extrair, ainda, a lição de
que este tema é muito “querido” pela Banca. Assim, vale reforçar o estudo
nele.

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PORTANTO, ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA D. !

13.! (FCC – 2002 – SEAD/AP – AGENTE PENITENCIÁRIO)


São espécies de regimes prisionais:
A) fechado, semiaberto e aberto.
B) reclusão, detenção e liberdade assistida.
C) liberdade assistida, liberdade vigiada e semiliberdade.
D) privação de liberdade e restrição de direitos.
E) reclusão, detenção e prisão simples.
COMENTÁRIOS: As modalidades de regimes prisionais estão
previstas no art. 33 do CP:
Art. 33 - A pena de reclusão deve ser cumprida em regime fechado, semiaberto
ou aberto. A de detenção, em regime semiaberto, ou aberto, salvo necessidade
de transferência a regime fechado. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de
11.7.1984).
A ALTERNATIVA CORRETA, PORTANTO, É A LETRA A.

14.! (FCC – 2012 – TRE-SP – ANALISTA JUDICIÁRIO)


Considere as seguintes situações hipotéticas de cidadãos
processados pela Justiça Pública:
I. José, não reincidente, é condenado a cumprir pena de 04 anos de
reclusão por crime de denunciação caluniosa e poderá iniciar o
cumprimento da pena em regime aberto.
II. Paulo é condenado a cumprir pena de 02 anos de reclusão por
crime de coação no curso do processo, e tem sua pena privativa de
liberdade substituída por uma pena restritiva de direitos e por
multa.
III. Murilo registra condenação anterior por crime de falso
testemunho e está sendo processado por crime de peculato. Nesse
caso, não poderá ter a sua pena privativa de liberdade substituída
pela restritiva de direitos, por expressa vedação legal.
De acordo com o Código Penal, está correto o que consta APENAS
em
a) I.
b) II.
c) III.
d) I e II.
e) II e III.
COMENTÁRIOS:
I - CORRETA: O art. 33, §2, c do CP prevê esta esta possibilidade. Vejamos:

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Art. 33 - A pena de reclusão deve ser cumprida em regime fechado, semi-!
aberto ou aberto. A de detenção, em regime semi-aberto, ou aberto, salvo
necessidade de transferência a regime fechado. (Redação dada pela Lei nº
7.209, de 11.7.1984)
(...)
§ 2º - As penas privativas de liberdade deverão ser executadas em forma
progressiva, segundo o mérito do condenado, observados os seguintes critérios
e ressalvadas as hipóteses de transferência a regime mais rigoroso: (Redação
dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
(...)
c) o condenado não reincidente, cuja pena seja igual ou inferior a 4 (quatro)
anos, poderá, desde o início, cumpri-la em regime aberto.
II - ERRADA: A pena, neste caso, não pode ser substituída, eis que o crime
de coação no curso do processo se dá com violência ou grave ameaça à
pessoa, o que veda a conversão, nos termos do art. 44, I do CP:
Art. 44. As penas restritivas de direitos são autônomas e substituem as
privativas de liberdade, quando: (Redação dada pela Lei nº 9.714, de 1998)
I - aplicada pena privativa de liberdade não superior a quatro anos e o crime
não for cometido com violência ou grave ameaça à pessoa ou, qualquer que
seja a pena aplicada, se o crime for culposo; (Redação dada pela Lei nº 9.714,
de 1998)
III - ERRADA: Mesmo Maurício sendo reincidente, o art. 44, §3º permite a
substituição, caso o Juiz verifique que esta seja recomendável, já que
Maurício não é reincidente específico (no mesmo crime). Vejamos:
Art. 44. As penas restritivas de direitos são autônomas e substituem as
privativas de liberdade, quando: (Redação dada pela Lei nº 9.714, de 1998)
I - aplicada pena privativa de liberdade não superior a quatro anos e o crime
não for cometido com violência ou grave ameaça à pessoa ou, qualquer que
seja a pena aplicada, se o crime for culposo; (Redação dada pela Lei nº 9.714,
de 1998)
II - o réu não for reincidente em crime doloso; (Redação dada pela Lei nº
9.714, de 1998)
III - a culpabilidade, os antecedentes, a conduta social e a personalidade do
condenado, bem como os motivos e as circunstâncias indicarem que essa
substituição seja suficiente. (Redação dada pela Lei nº 9.714, de 1998)
(...)
§ 3o Se o condenado for reincidente, o juiz poderá aplicar a substituição, desde
que, em face de condenação anterior, a medida seja socialmente recomendável
e a reincidência não se tenha operado em virtude da prática do mesmo crime.
(Incluído pela Lei nº 9.714, de 1998)
Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA A.

15.! (FGV – IX EXAME UNIFICADO DA OAB)


O sistema punitivo brasileiro é progressivo. Por meio dele o
condenado passa do regime inicial de cumprimento de pena mais
severo para regime mais brando, até alcançar o livramento
condicional ou a liberdade definitiva.
A respeito da progressão de regime, assinale a afirmativa correta.
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A) O sistema progressivo brasileiro é compatível com a progressão!
“por saltos”, consistente na possibilidade da passagem direta do
regime fechado para o aberto.
B) O cumprimento da pena privativa de liberdade nos crimes
hediondos é uma exceção ao sistema progressivo. O condenado
nesta modalidade criminosa deve iniciar e encerrar o cumprimento
da pena no regime fechado, sem possibilidade de passagem para
regime mais brando.
C) A progressão está condicionada, nos crimes contra a
Administração Pública, à reparação do dano causado ou à
devolução do produto do ilícito praticado com os acréscimos legais,
além do cumprimento de 1/6 da pena no regime anterior e do
mérito do condenado.
D) O pedido de progressão deve ser endereçado ao juízo
sentenciante, que decidirá independente de manifestação do
Ministério Público.
COMENTÁRIOS:
A) No sistema brasileiro não se admite a progressão por saltos, de forma
que progressão de regime deve sempre se realizar do regime mais gravoso
para o regime imediatamente menos gravoso.
B) A impossibilidade de progressão de regime nos crimes hediondos deixou
de existir em 2006, com decisão do STF. Em 2007, a Lei 11.464/07 passou
a possibilitar a progressão de regime para os crimes hediondos.
C) Item correto. Os critérios do cumprimento de 1/6 da pena e do mérito
do preso são genéricos. Os demais estão previstos especificamente para
este caso, nos termos do art. 33, §4º do CP:
Art. 33 - (...)
§ 4o O condenado por crime contra a administração pública terá a progressão
de regime do cumprimento da pena condicionada à reparação do dano que
causou, ou à devolução do produto do ilícito praticado, com os acréscimos
legais. (Incluído pela Lei nº 10.763, de 12.11.2003)

D) O pedido de progressão é endereçado ao Juiz da Execução, nos termos


do art. 66, III, b da LEP:
Art. 66. Compete ao Juiz da execução:
(...)
III - decidir sobre:
(...)
b) progressão ou regressão nos regimes;

Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA C.

16.! (FGV - 2008 - PC-RJ - OFICIAL DE CARTÓRIO)

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Com relação às penas, analise as afirmativas a seguir: !
I. São penas privativas de liberdade: detenção, reclusão e limitação
de fim de semana.
II. O Código Penal prevê somente as seguintes hipóteses de penas
restritivas de direitos: prestação de serviços à comunidade ou a
entidades públicas; interdição temporária de direitos e prestação
pecuniária.
III. A pena de interdição temporária de direitos compreende as
seguintes situações: proibição do exercício de cargo, função ou
atividade pública, bem como mandato eletivo; proibição do
exercício de profissão, atividade ou ofício que dependam de
habilitação especial, de licença ou autorização do poder público;
suspensão de autorização ou de habilitação para dirigir veículo;
proibição de frequentar determinados lugares; e, obrigação de
permanecer, aos sábados e domingos, por cinco horas diárias, em
casa de albergado ou outro estabelecimento adequado, ocasião em
que serão ministrados cursos e palestras ou atribuídas atividades
educativas.
Assinale:
a) se nenhuma afirmativa estiver correta.
b) se somente as afirmativas I e II estiverem corretas.
c) se somente as afirmativas I e III estiverem corretas.
d) se somente as afirmativas II e III estiverem corretas.
e) se todas as afirmativas estiverem corretas.
COMENTÁRIOS:
I – ERRADA: A limitação de final de semana é modalidade de pena restritiva
de direitos.
II – ERRADA: Existem outras, como a perda de bens e valores e a limitação
de final de semana, nos termos do art. 43 do CP.
III - ERRADA: Item errado, pois a “obrigação de permanecer, aos sábados
e domingos, por cinco horas diárias, em casa de albergado ou outro
estabelecimento adequado, ocasião em que serão ministrados cursos e
palestras ou atribuídas atividades educativas” não é modalidade de
interdição de direitos, mas constitui a pena de limitação de final de semana,
nos termos do art. 48 do CP.
Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA A.

17.! (FCC – 2014 – DPE-CE – DEFENSOR PÚBLICO)


No caso de condenação igual ou inferior a quatro anos, admissível
a adoção do regime
a) semiaberto, se reincidente o agente e favoráveis as
circunstâncias judiciais.

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b) semiaberto, se reincidente o agente e desfavoráveis as!
circunstâncias judiciais.
c) fechado, ainda que fixada a pena-base no mínimo legal.
d) aberto, se favoráveis as circunstâncias judiciais, ainda que
reincidente o agente.
e) aberto, se reincidente o agente e desfavoráveis as circunstâncias
judiciais.
COMENTÁRIOS: No caso, o agente, em tese, deveria cumprir a pena
inicialmente em regime fechado, por ser reincidente. Vejamos:
Art. 33 (...)
§ 2º - As penas privativas de liberdade deverão ser executadas em forma
progressiva, segundo o mérito do condenado, observados os seguintes critérios
e ressalvadas as hipóteses de transferência a regime mais rigoroso: (Redação
dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
a) o condenado a pena superior a 8 (oito) anos deverá começar a cumpri-la
em regime fechado;
b) o condenado não reincidente, cuja pena seja superior a 4 (quatro) anos e
não exceda a 8 (oito), poderá, desde o princípio, cumpri-la em regime semi-
aberto;
c) o condenado não reincidente, cuja pena seja igual ou inferior a 4 (quatro)
anos, poderá, desde o início, cumpri-la em regime aberto.
Contudo, o STJ possui entendimento sólido, inclusive sumulado, no sentido
de que é possível a fixação do regime semiaberto neste caso, desde que
favoráveis as circunstâncias judiciais. Vejamos:
Súmula 269 STJ
É admissível a adoção do regime prisional semi-aberto aos reincidentes
condenados a pena igual ou inferior a quatro anos se favoráveis as
circunstâncias judicias.
Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA A.

18.! (IBFC – 2014 – SEDS-MG – AGENTE PENITENCIÁRIO)


Indique o estabelecimento prisional destinado à execução da pena
privativa de liberdade em regime aberto:
a) Penitenciária.
b) Casa do albergado.
c) Colônia agrícola e a colônia industrial.
d) Cadeia Pública.
COMENTÁRIOS: Nos termos do art. 33, §1º, c do CP, a execução da pena
privativa de liberdade em regime aberto deverá ocorrer em casa de
albergado ou estabelecimento congênere:
Art. 33 - A pena de reclusão deve ser cumprida em regime fechado, semi-
aberto ou aberto. A de detenção, em regime semi-aberto, ou aberto, salvo
necessidade de transferência a regime fechado. (Redação dada pela Lei nº
7.209, de 11.7.1984)

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§ 1º - Considera-se: (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) !
(...) c) regime aberto a execução da pena em casa de albergado ou
estabelecimento adequado.
Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA B.

5.!GABARITO

1.! ALTERNATIVA E
2.! ALTERNATIVA C
3.! ALTERNATIVA E
4.! ALTERNATIVA E
5.! ALTERNATIVA E
6.! ALTERNATIVA C
7.! ALTERNATIVA E
8.! ALTERNATIVA B
9.! ALTERNATIVA B
10.! ALTERNATIVA E
11.! ALTERNATIVA D
12.! ALTERNATIVA D
13.! ALTERNATIVA A
14.! ALTERNATIVA A
15.! ALTERNATIVA C
16.! ALTERNATIVA A
17.! ALTERNATIVA A
18.! ALTERNATIVA B

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