Você está na página 1de 11

UNIVERSIDADE FEDERAL DA GRANDE DOURADOS

FACULDADE DE CIÊNCIAS EXATAS E TECNOLOGIA


Profª.: Dra. Selma Helena Marchiori Hashimoto

Cálculo Diferencial e Integral II

Roteiro 2: LIMITES EXPONENCIAIS, DERIVADAS DE FUNÇÕES


LOGARITMICAS E INTEGRAIS IMPRÓPRIAS

1. Limites exponenciais
x
 1
Qual o valor de lim1 +  ?
x →∞
 x

x
 1
Veja a tabela com valores de x e de 1 +  .
 x

X 1 2 3 10 100 1 000 10 000 100 000


x
 1
1 +  2 2,25 2,3703 2,5937 2,7048 2,7169 2,7181 2,7182
 x

x
 1
Notamos que à medida que x → ∞ , 1 +  → 2,7182818 . Trata-se do número irracional e
 x
cujo valor aproximado é 2,7182818. Neste caso, e representa a base dos logaritmos naturais ou
neperianos. Desse modo, tem-se
x
 1
lim1 +  = e
x →∞
 x

1
De forma análoga, efetuando a substituição = y , tem-se:
x
1
lim(1 + y ) y = e
y →0

Ainda de forma mais geral, temos :


cx
c
 k
lim(1 + ky ) = e
y
kc
ou lim 1 +  = e kc
y →0 x→∞
 x

As duas formas acima dão a solução imediata a exercícios deste tipo e evitam substituições
algébricas.
ax −1
Qual o valor de lim ?
x →0 x

Se a x −1 = u , então a x = u + 1 .

Mas:

ln a x = ln(1 + u )
x ln a = ln(1 + u )
ln(1 + u )
x=
ln a

Logo:

ax −1 u u ln a ln a ln a
= = = =
x ln(1 + u ) ln(1 + u ) 1 1
ln(1 + u ) ln(1 + u ) u
ln a u

Como x → 0 , então u → 0. Portanto:

ax −1 ln a ln a
lim = lim 1
= lim = ln a
x →0 x u →0 u → 0 ln e
ln(1 + u ) u {
1424 3 1
e

Generalizando a propriedade acima, temos

a kx − 1 ex − 1
lim = k ln a e lim =1
x →0 x x →0 x

2. Derivadas de Funções Logarítmicas


O logaritmo natural desempenha um papel especial no cálculo que pode ser motivado
diferenciando logb x , onde b é uma base arbitrária. Para esta proposta, admitiremos que logb x é
diferenciável, e portanto contínua para x > 0. Também necessitaremos do limite
1
lim(1 + y ) y = e
y →0
Usando a definição de derivada, obtêm-se:

d log b ( x + h) − logb x
(logb x ) = lim
h →0
dx h
1  x+h
= lim log b  
h →0 h
 x 
1  h
= lim log b 1 + 
h →0 h
 x
1
= lim logb (1 + y )
y → 0 yx

1 1
= lim logb (1 + y )
x y → 0 y
1 1
= lim log b (1 + y ) y
x y →0
1
= logb lim(1 + y ) y 
1

x  y →0 
1
= logb e
x

Assim,
d
(logb x ) = 1 logb e para x > 0
dx x

1
Porem logb e = , e podemos reescrever esta fórmula de derivada como
ln b

d
(logb x ) = 1 com x > 0
dx x ln b

No caso especial onde b = e, temos logb e = ln e = 1 , e

d
(ln x ) = 1 com x > 0
dx x
Assim, entre todas as possíveis bases, a base b = e produz a fórmula mais simples da
derivada para logb x . Esta é uma das razões por que a função do logaritmo natural é preferida sobre
todos os logaritmos no cálculo.

d
Exemplo: Ache
dx
(
ln( x 2 + 1) )
Quando possível as propriedades dos logaritmos devem ser usadas para converter produtos,
quocientes e expoentes em somas, em diferenças e em múltiplos de constantes, antes de diferenciar
uma função envolvendo logaritmos.

d   x2 + 1  
Exemplo:  ln 
dx   1 + x  
DIFERENCIAÇÃO LOGARÍTMICA
Consideremos agora uma técnica chamada diferenciação logarítmica, a qual é útil para
diferenciar funções compostas de produtos, de quocientes e de potências.

x 2 3 7 x − 14
Por exemplo, a derivada de y = é relativamente difícil de ser calculada diretamente.
(1 + x 2 ) 4
Contudo, se primeiro tomarmos o logaritmo natural de ambos os lados e, então, usarmos suas
propriedades, podemos escrever:
 x 2 3 7 x − 14 
ln y = ln 2 4


 (1 + x ) 
1
ln y = 2 ln x + ln(7 x − 14) − 4 ln(1 + x 2 )
3

Diferenciando ambos os lados em relação a x, resulta


d dy d  1 
(ln y ). =  2 ln x + ln(7 x − 14) − 4 ln(1 + x 2 ) 
dy dx dx  3 
1 dy 2 7 8x
= + −
y dx x 3(7 x − 14) 1 + x 2

x 2 3 7 x − 14
Assim, resolvendo para dy/dx e usando y = obtemos
(1 + x 2 ) 4
dy x 2 3 7 x − 14  2 7 8x 
=  + − 
dx (1 + x )  x 3(7 x − 14) 1 + x 2 
2 4

OBS: Uma vez que 1n y é definido apenas para y > 0, a diferenciação logarítmica de y = f(x) é
válida apenas nos intervalos onde f(x) for positiva. Assim, a derivada mostrada no exemplo é válida
no intervalo (2, +∞), uma vez que a função dada é positiva para x > 2. Contudo, a fórmula é
realmente válida também no intervalo (-∞, 2). Isso pode ser visto tomando-se valores absolutos
antes de prosseguir com a diferenciação logarítmica e notando que ln y está definido para todo y
exceto em y = 0. Se fizermos isso e simplificarmos usando as propriedades de logaritmos e dos
valores absolutos, obteremos
1
ln y = 2 ln x + ln 7 x − 14 − 4 ln 1 + x 2
3

Diferenciando ambos os lados em relação a x dá lugar a


1 dy 2 7 8x
= + −
y dx x 3 7 x − 14 1 + x 2
e, portanto, resulta em
dy x 2 3 7 x − 14  2 7 8x 

= + −
dx (1 + x )  x 3 7 x − 14 1 + x 2
2 4 
 

Em geral, se a derivada de y = f(x) for obtida por diferenciação logarítmica, então a mesma
fórmula para dy/dx resultará tomando-se ou não, primeiro, valores absolutos. Assim, uma fórmula
da derivada obtida por diferenciação logarítmica será válida, exceto nos pontos onde f(x) for zero. A
fórmula pode ser válida também naqueles pontos, mas não é garantido.

DERIVADAS DAS FUNÇÕES EXPONENCIAIS


Para obter uma fórmula para a derivada de funções exponenciais
y = bx
reescrevemos esta equação como
x = logb y

e diferenciamos implicitamente usando


d
(logb u ) = 1 ⋅ du para obter
dx u ln b dx
1 dy
1= ⋅
y ln b dx
x
que podemos reescrever usando y = b como
dy
= y ln b = b x ln b
dx
Assim, mostrando que se bx for uma função diferenciável, então sua derivada em relação a x
é
d x
(b ) = b x ln b
dx

d x d x
No caso especial onde b = e temos ln e = 1, assim (b ) = b x ln b torna-se (e ) = e x
dx dx

d x
Além disso, se u for uma função diferenciável de x, então tem-se a partir de (b ) = b x ln b
dx
d x d u du d u du
e (e ) = e x que (b ) = b u ln b e (e ) = eu
dx dx dx dx dx

OBS: É importante distinguir entre diferenciar bx (expoente variável e base constante) e xb (base
variável e expoente constante).

Exemplo: Calcule
d senx d −2 x d x3 d cos x
a) (2 ) b) (e ) c) (e ) d) (e )
dx dx dx dx
3. Integrais Impróprias

Na definição usual de integral de f(x) no intervalo [a, b], denotada por


b

∫ f ( x)dx
a

supõe que [a, b] é um intervalo finito e que f é uma função integrável em [a, b] (isto é, f é
contínua ou pelo menos é limitada tendo um número finito de descontinuidades no intervalo
considerado).

Uma integral é dita imprópria quando o intervalo de integração não é finito ou quando a
função não é limitada.

1
Por exemplo: É possível calcular a área A da região entre y = 0 e y = , para x ≥ 1?
x2
1
Situação 1: Calcule a área A da região entre y = 0 e a curva y = , para 1 ≤ x ≤ 2.
x2

1
Situação 2: Calcule a área A da região entre y = 0 e a curva y = , para 1 ≤ x ≤ 4.
x2

1
Situação 3: Calcule a área A da região entre y = 0 e a curva y = , para 1 ≤ x ≤ L.
x2

Questão: Como usar os conhecimentos acima para responder à pergunta inicial?


Definição 1: Se f(x) é contínua no intervalo (a, c], dizemos que a integral imprópria de f(x) em [a,c]
converge e é igual a
c c


a
f ( x)dx = lim+ ∫ f ( x)dx
b→a
a

se este limite existe (e é finito), caso contrário, dizemos que a integral de f(x) em [a, c] diverge.

Observação: Se f(x) é contínua em [a, c] então a integral imprópria de f(x) neste intervalo coincide
com a integral definida. Portanto faz sentido usarmos para integrais impróprias a mesma notação
usada para integrais definidas.
2
dx
Exemplo: Estude a convergência da integral ∫
1 x −1

Definição 2: De modo análogo, se f(x) é continua no intervalo [a, c), dizemos que a integral
imprópria de f(x) em [a, c] converge e é igual a
c c


a
f ( x)dx = lim− ∫ f ( x)dx
b →c
a

caso este limite seja finito. Caso contrário, dizemos que a integral imprópria de f(x) em [a, c]
diverge.

Exemplo: Verifique se existe um número real k que represente

a área da região do plano limitada pela curva y = 1/x, o eixo OY,

o eixo OX e a reta x = – 1.

0
Exemplo: Estude a convergência da integral ∫ x ln x dx .
−1
Definição 3: Se f(x) é continua nos intervalos [a, c) e em (c, d] , dizemos que a integral imprópria
de f(x) em [a, d] converge e é igual a soma das integrais impróprias
c d


a
f ( x)dx + ∫ f ( x)dx
c

caso estas integrais sejam ambas convergentes. Caso contrário, dizemos que a integral imprópria de
f(x) em [a, d] diverge.

0
ln x + 1
Exemplo 4: Estude a convergência da integral ∫
−2 x +1
dx

Definição 4: Integral Imprópria com Intervalo Infinito

A integral imprópria de f sobre o intervalo [a;+∞) é definida por


+∞ t


a
f ( x)dx = lim
t → +∞ ∫ f ( x)dx
a

se o limite existe.

• Se o resultado é um número real diz-se que a integral imprópria converge.


• Se o limite não existe ou é infinito, diz-se que a integral imprópria diverge.

Exemplos: Determine os resultados das seguintes integrais impróprias:


∞ ∞
dx dx
1. ∫1 x3 3. ∫
1 x
∞ ∞
dx
2. ∫
1
x
4. ∫ cos( x)dx
0

Resposta: 1) 1 (conv) 2) +∞ (div) 3) +∞ (div) 4) ∃/ (div)


2

Um Resultado Importante: Comparação de Integrais Impróprias

Se f e g são funções contínuas e 0 ≤ f(x) ≤ g(x) para todo x em [a, + ∞ ), então valem os
seguintes testes de comparação para integrais impróprias:
∞ ∞
(i) Se ∫ g ( x)dx
a
converge então ∫ f ( x)dx
a
também converge.

∞ ∞
(ii) Se ∫ f ( x)dx
a
diverge então ∫ g ( x)dx
a
também diverge.
Exercícios: Integrais Impróprias

1. Calcule as seguintes integrais impróprias:


π
2 2 1 ∞ ∞
cos x dx dx dx dx
a) ∫
0 sen x
dx b) ∫
0 4− x 2
c) ∫
−4
3
x+2
d) ∫
1 x x
e) ∫x
3
2
+9
∞ ∞ ∞ ∞ ∞
dx xdx dx dx
f) ∫x
0
2
+ 3x + 2
g) ∫ 4e8 x dx
0
h) ∫ 1+ x
1
4
i) ∫ x ln x
e
j) ∫ 1+ x
−∞
2

π
0 ∞ 2
−x
e dx cos x
k) ∫ xe dx l) ∫ m) ∫
x
dx
−∞ 0 1− e −x
0 senx

2. Determine se a integral abaixo converge ou diverge. No caso de convergência, ache seu valor.
∞ ∞ ∞
dx ln x dx
(a) ∫5 x3 (c) ∫e x dx (e) ∫
0
3
x +1
x2 x 2 dx
∞ ∞ ∞
xdx
(b) ∫0 e x 3 dx (d) ∫0 x3 + 1 (f) ∫ (1 + x
1
2 2
)

1
3. Qual o valor da área A da região sob o gráfico de y = , acima do eixo x e à direita de x = 4.
x x


dx
4. Para que valores de p a integral ∫x
1
p
converge?

5. Determine se a primeira integral converge ou diverge, comparando com a segunda:


∞ ∞ ∞ ∞
dx dx 1 1
(a) ∫ e ∫1 x 4 (c) ∫ dx e ∫ xdx
1
1 + x4 2
ln x 2
∞ ∞ ∞ ∞
dx dx 2
(b) ∫ e ∫ (d) ∫ e − x dx e ∫e
−x
3 3
dx
2 2
2 x −1 2 x 1 1

6. Há vários tipos de integrais impróprias, cujas idéias são essencialmente as mesmas descritas no
caso definido acima. A forma de resolução é idêntica. Consulte o livro do Anton e tente resolver
os seguintes problemas:
0 x 2 π
2
− dx
(a) ∫ e dx 2
(c) ∫ (e) ∫ sen( x).dx
−∞ 0
(x − 1) 2 −∞
+∞ 2 0
dx dx dx
(b) ∫−∞1 + x 2 (d) ∫−∞ x 2 + 4 (f) ∫ (1 − x)
−∞
3
Respostas dos Exercícios
3 3 π
1. a) 2 b) π/2 c) ( 9 − 3 4) d) 2 e)
2 12
π
f) ln 2 g) + ∞, divegente h) i) ∞, diverge j) π
8
k) – 1 l) 2 m) 2

2. (a) 1/50 (c) ∞ (e) ∞


(b) 1/3 (d) ∞ (f) ¼

3. A = 1 u.a.

+∞
dx converge p >1
4. ∫x
1
p 
diverge p ≤1

5. (a) Converge (c) Diverge


(b) Diverge (d) Converge

6. (a) 2 (c) ∞ (e) Não há!


(b) π (d) 3.π/8 (f) ½

Mais Exercícios
1. Calcule a área da figura determinada pelas curvas y = − x 2 + 4 , y = − x + 2 e o eixo x. Faça o
gráfico mostrando a figura.

2. Calcule a área das figuras abaixo:


a) b)

c) d)
e) f)

g) h)