Você está na página 1de 44

/', fsÍntese

§}r*í universitária

Historia
C
daAméiica
Latina
190üilg
T""ry

ô de Cláudia Wassernmn
l" ediçâo: 1992
Dircitos reservados riesta ediçâo: SUMARIO
tlniversidade Federal rlo Rio (irande rlo Sul

Capa: Carla Luzzallo


Editoração: Geraklo Huff
Notas preliminares . 7

Revisão: Anajara Carbonell Closs, Marli de Jesus ,rl! A época do irnperialismo na América Latina . 9
Rodrigues tloi Sanlos e Maria da Graça Storti Féres '
Montagem: Rubens Renato Abreu Ahegemoniainglesano início do imperialismo ... ...... ' l2
Divulgação: Jurandir Soares As menores fatias do mercado latino-americano: França e
Composição: Suliani- Editografia Ltda.
Alemanha .''"'' 13

Impressão: Pallotli Os Estados Unidos: a potência vizinha que se impunha '''' 13

Apogeu e crise do estado oligarquico: as novas classes sociais l9


' '
Clíurtla Wassermen
profeÊsorR Astlst.nto no [)cpaflamento Campesinato: terrÍI e trâdição, as dificuldades do projeto ' ' 29
ú"*iru História 6a América pela t-lFRCS.
".
de História da IJFRGS. Têse de mestratlo: Á Rcvohtçllo Muxle«na (l9lal940): um A altemativa industrial: estfinulos e obstáculos âo cresci-
caso de hegemonia burguesa, mentointemo..... 3l
O movimento operario: entre a revolução socialista e a al-
ternativa dernocrático-bttrguesa, as evidências da fragili-
dade . 34
A heterogieneidade das camadâs médiâs: imprecisão ideo-
lógicaeradicalicladenaâçãopolítica'..... 38

As diversidades regionâis e a crise dos alos 20 - - . 44


Uruguai 49
Argãntina 5l
Clrile. """' 54
Penr .. 56
Wasserman, Cláu<lia Venearela . .. s8
Hislória contemporânea rla Anrérica Lrtinal 1900'1930 / Cuba 60
Cláudia Wasser*un. Porto Alegre : Erl, dn tJniversidade/
62
IJFRGS, 1992. Nicarágrn
Guatemala 64
l. América Latina - História 1900/t930. l. Título. 66
Haiti
CDl.l 98(-4)' 1900i 1930" Panamá 68
A crise do estado oligárquico pela via revolucionária: o cÍrso me-
xiciuto 72
Calalogação na publicaçâo de ZaidaÚtna Moraes Preussler CRB'10/203

IStsN - 85-7025-252-8


A EPOCA D,O IMPERIALISMO
NA AMEzuCA LATINA

Na Primeira Conferência Panamericana, em 1889, José Martí, lí-


der do processo de independência cubano, alertava os países latino-
arnericanos sobre as intenções dos Estados Unidos com relação ao
subcontinente:
Janrírs huho cn América tlc la intlepentlencia acít .iisunto que re-
qrticra nrírs scnsalcz, ni obliguc nríls vigilancia, ni pitla cxíul)elt ntírs cla-
ro y tuinuciost) quc r;l convile clue los llstatlos I_Jnitlos potcntcs, repletos
tlc produclos invcntlibles, y tlctcrnrinatlos a cxlcntlcr sus tlontinios cn
Anrérica haccn a las naciones arucricanas tlc nrcnos potler (...) ahora,
depues tlc vcr con ujosjudiciales los antecetlentcs, causas y làctores tlel
convite, urgc tlccir, porquc cs la verrlatl, que ha llegatlo para la Anrérica
espafrola la htrra tle tleclarar su scguntla iltlepentlencia.

Iniciava-se a época do irnperialisnlo e José Martí referia-se à ex-


pansão clo capitalismo europeu e norte-Íunericano em benefício do
mercado mundial e como fornra de aliviar as tetrsões sociais - de-
senrprego e clesapropriações canrponesas - decorreutes clo próprio
desenvolvimento industrial da Europa.
Os países da América Latilta eram considerados conro butim ou
zonas cle influência que, nâ seguncla metade do século XIX, Íbram
alvo de unrâ novâ divisão nrundial. A liderança política era disputada,
então, pelas elites u'iollu.r que tbrjaranr as indepenclências. À eman-
cipação política, seguiu-se um período de fbrte estagnação econômi-
ca, conl a desarticulação dos centros produtivos e fi.rga do nretal pre-
cioso circulaute. Esta crise fez aunlentar o poder econônlico e políti-
co das oligarquias que, sempre ligadas à produção primária, reeditanr
atividades de base colonial, que não exigiiurr grzurdes investirnentos.
I

1 )lqt1lf,l, dos grtrpps,em disputa pelo poder preteldi4 lrlolificâr


a esirutura econônrica e social herdacla da colônia. Assinr, os novos
trÍséípírnranecerarlr biédôririrrànterriÀrt( aglârios-ço11 base-r-r,q_l4ti-
fr nd i o ; rnãírtlve ranr as re lações proçlg! v_4q pqé:ç4p!!41§!zl1
r
itU|,t, r.
ll
se constitui por volta de 1880 teln como papel
prilrordial a ittternte-
com o crescimento do trabalho compulsório (servil, semi-servil e
es-
àiação entre'os interesses clo latifúndio e clo imperialismo'
cravo).
Alnglaterraestevenafrenteclasrlisputasinterinrperialistasatóo
Nestas condições, o Estado rracional rra Anrérica Latina corlsti-
início dJseculo XX. O preclomínio inglês era resultado da
grande
tuiu-se quando um setor da oligarquia ou ulll grtrpo irnportante de pela printeira fase da RevoluÇão In-
acunrulação capitalista gôracla
proprietários rurais, em regiões betn cotatlas e cottr prodttção irnpor-
i*ta po.u exportação, conseguiu consoliclar-sc cttnto classe economi-
ãrrt"^i. p".qie este foio úrnico Estaclo europeu a concecler enrprés-
ii.r',os às .iit.t in,l.p.ttclentistas lati,o-zurrericâ,as para a orgiurização
came;te dominante e politicameltte hegenrônica. Este setor elinlina o
administrativa e ecouônrica dos novos países'
jacobinismo advindo da participação cle mais clrrsscs sociais nos prG'
Sonlenteconroclesenvolvintentoclocapitalisnroenrtríve|nrun-
iestos de independência, e a oligarqtria ccrtlral Asstllrle compronlls- dial, a partir de 1880, a clisputa entre as seis tlraiores
potêrlcias tomou
sos com os grupos periféricos, ctdos protltrlos crrull preteridos tto proporiO.t assustacloras. Segunclo Lênin, e.m l876' Inglaterra' Rús-
mercado mundial.
iia e piança dividiarrr comeicialmenre 40,4 ,ril'ões de quilometros
O Estado oligárquico.expressa e sustelllâ, pt)rtalÍo, um rnodelo
econo quaclrados'fora cle seus territórios. A méctia da expansão irnpenalista
de acumulação dõ capital baseado na conslituiçrl-tt'r ittlertta de ao ano,
,ià finnf do século XIX era cle 560 mil qtrilônretros quadraclos
*iut p.iÀ,irio-.*potàdot*, mas cleperrdetrlc tla cxporlação e finart- e Íultes da Primeira Guerra Muncllal, Inglaterra, França, Alemzutha,
ain*anto realizaàos pelo capital ittterttaciotutl. lr.ssc processo fica
EstadosUnicloseRússiapossuíanrl05colôrrjasouzollasdeinfluên-
mais evidente quandó os países tatino-anrcricrlllos se lonrru]t "espe-
cia.
cialistas" em diterminados produtos: tç(tcu trnt Cttba' liuano
no
ys11s71tcla, na Anté- A participação cle rnais algtttts países rla corrida interinrperialista
Peru, salitre e cobre no chile, petróleo n^ frtrtas
paí-
foi coriseqüêricia do grancle d-esenvolvimento econôltrico destes
rica Central, etc. fase da Revolução hrdustrial quattdo o proces-
ses, duranie a segunclã
O predomínio político cle um setor oligírqtrico blseado nâprG provocou o surgintett-
so cle inclustrialiàção ampliou conruuicações,
auç* ágii.ola, pecuária ou mi^eraclora restrlla tut rclrtliva consolida- to cle novas fotrtes de energia e tratlstbrmou a f'eiÇão agrária de países
i_ oo *oao áe produção capitalista. No c,tiurr., isso não significa -- Alenrzurlra. .lapão
conro e Estados Unidos'
necessariamente à subrriissão de todas as relaÇõcs sociais ao domínio
Uma clas pecuiiariclacles clo capitalismo nos paises desenvolv.i-
do capital. A êxportação de produtos primarios, bascada numa capa- iucremettto cla
real da aor, no t.grtrdã metacle clo séctrlo XtX, toi o colossal
ciaaaà p.oAutivà intema exóederrte, perntititr trtttrt clcvação ch produçào e do capital
e, colrseqiieltlerttctrtc, util processo de inclústria e rápiclo processo cle concentração
renda tôtal latino-anrericana conduzindo ao apâ'reclmellto de
a.u.rruçao capitalista, ainda que realizado sobrc ttrtla base muito
arl ar',prat"i cacla vez maiores'
os bancos tofl laranl-se i nstituiÇões cle grrurdes
frágil. Tál fragitiaaAe foi cleterminada pelas oscilaçõcs tle preço uo
girrà.r' nronopólios.
parrir
meicado inteÀacional e pelo fato clas oliguquias, aliatlas do inrpe- il.irrror. ctrio exceclente era investitlo llo setor industnal' Foi a
o capital i,dus-
,i"lit;r; na preferê,cia pelo setor prir.ário. releg:uctn outras ativida- ;;í'q," ;. irriciotr a Íirsão clo capital bancário com
gratdezt clos
a industrializltção, a ttnr segttlttlo plalto' trial, dzurclo origern ao capital firranceiro' Além disso' a
--- econômicas, colllo
des
nronopólios gerava um excedente de capitais que não
Á oar*ulação primitiva na América Latirta ocorre através do se- "t"?1"'-1Y-1j?^
capltals
pnço prn in'lersão tlo país cle origent A solução era rel'lleter
tor primiirio-exportador, subordinado ao irnperialislllo e seln â
pre-
progressista, capaz de "ntodentizar" a para a realizlção de tnais-valia lto exterior'
t.nôo à. un',u.iorr. burguesa
Portanto,seatél880ocapitalisnloliberalotrconcorrencialpro-
estrutura produtiva pré-õapitalista e imprimir dinantisrno ao
desen-
vocava clisputas por nrercaclos consnltliclores de
manutaturados e for-
que
volvimento das forçâs produtivas. Ou seja, o Estado oligárquico
necerloresclenlatérias.printasbaratas'rroiníciodoséculoXX.oca-

ll
l0
pitalisrno monopolista exigia ainda qrre os capitais estriurgeiros se lo- importante salientar que a Inglaterra dava preferência aos investi-
õdirasse- em pontos estratégicos da econonria periférica e que os ,-n.lrtot que não implicassem em controle do aparato produtivo local'
lucros obtidos côm esta inserção fossem, em Sua nraior parte, remeti-
dos para fora.
beste modo, desde o século passado, existiranr diversas modali- AsMEN0RESFATIÂSDoMERCADOI,A-ITN(].AMERICANí):llRANÇAI]ALEMÀNIIA

dades de vínculo entre os países latino-atnericattos independentes e


as grandes potências rnundiais, que alternarzutr Íbrtnas conrerciais e A França e a Alemanha ocupaÍÍun' desde cedo, posições inferio-
finãnceiras de penetração capitalista, confonne a região periférica e res no subcontinente latino-atnericano. Os interesses alelnães esta-
sua estmtura econôm i co-social. vam localizados na Guatemala, Peru, venezuela e chile sob a forma
de empréstimos, filiais de bancos, construção de vias férreas e o cG'
merció, realizúo preferencialme,te através do Uruguai. Unificada
A IIIIGEMC)NIA IN(il.ESA N() INi(1() I)() IMI'liltl^l'lliM( I
em 1870, a Atemzuúa chegou tarcliiunetrte na corrida interimperialis-
iu. po, isso tratava cle se aproveitar das questões territoriais e econG
A Inglaterra foi lregenrônica nas relações colll a Antérica Latina' micas mal resolvidas entró os países latino-americanos e as demais
desde as irdependênciai até o início do século XX. Esta dependência potências imPerialistas.
^ A França, por sua vez, realizou uma intervenção muito grande
teve origem na necessidade das oligarquias locais cle receberem em-
préstimõs para combater as metrópoles absolutistas c, posteriorlnen- nos negócios caribenhos. Além de possuírem as colônias de Guada-
i., paro otfrtizar os novos países, reativar- a ecottotlria 6csgastada pe- iupe, tüartinica e Guyana, entre 1880.e 1902, os franceses controla-
públicos
las guerras e pagar soldos aos militares e funciorlltrios' ra,in o erário público, o comércio, as ferrovias e os serviços
do Haiti. Os úancos franceses concederzun empréstimos
para Hondu-
os estados latino-zunericanos retribuízutt o auxílio britârtico com importa.te, obtiveram
iÀ, úe*i"o, costa Rica e São Domi.go. Mais
a assinatura cle trataclos de conrércio e navegação, oS cottltecidos "tra- en-
tados de arnizade". Na verdade, ao conceder entpréslinlos os b:urcos concessão da Colômbia para construir um canal de comunicações
ingleses exigiam garantias como controle das rendas nlÍrutdegarias, tre o Atlântico e o Pacífico, lto istmo do Panarná' Esta concessão foi
àada em I 880 à Ferdinand de Lesseps (construtor do Canal
de Suez)
n.,iiru, . terràs. Oslnvestimentos em obras cle inÍia-eslrtrttrra que faci- frente à Inglaterra e aos
e constituía-se numa grmde vitória francesa
litassem a troca de procltrtos manufaturados e pritrlitrios defirtem o na exploração conjunta da co-
interessados
novo esquema de clistribtriÇão das tarefas nrtrrrdiais, ott ltrelhor, a Unidos,
Estados arnbos
nova divisão intenracional do trabalho: a conrercializnçiio e o
trans- municação interoceâuica.
ntàos de grtrpos cstrltrlgeiros, ett-
porte interocelurico contirrurun enr
quanto que aos grupos nacionais eralll reservadas as atividades pri-
SE IMPUNI1A
OS ESTADOS UNIDOS: A POTÊNCIA VIZINTIA QUE
,r,irl* e, enl alguns casos, os prirneiros estágios do conlércio local'
osinvestintentosinglesesdividizun-se,poilanto,ertlenlprésti-
nlos e obras de infra-estnttttra (como ferrovias' enrpresas de navega- Apesar da concorrência alemã e francesa ocorrer desde o inicio
hegemo-
na Argerttirra' México' do século XIX, foram os Estados unidos que ameaçâram a
iao, farenAas de ovinos, água e eletricidade) A presença dos Estados Unidos na
ilroilt . Peru. Dos quatro países, o principal bastião inglês Íbi a Ar- nia britânica no subcontinente.
Latina tinha um duplo objetivo: de um lado' controlar re-
ingleses já se impunham tto ttegócio dos frigo- América
[.iriinu. Enr 1886, os
giáes áeOicaaas à economia primaria, como México e Cuba e' de
ou-
iil.óte possuíarr mais-cle 6.000 knr de vias Íérreas na Argentina. E

l3
l2
tro, transformar a América Central em núlcleo das comunicações en- diplomática, teve resultados modestos como a criação de um bureau
comercial.
tre o Atlântico e o Pacífico.
O tratado Clayon-Bulwer, assinado em lS-50 enÍe Inglaterra e
Por outro lado, capitalistas indiúduais continuavam obtendo
grandes concessões na economia latino-americana. Lorenzo Rom
Estados Unidos, que determillava a suspelrsão tle qualquer atividade
Barker controlava o comércio de frutas na Jamaica, Cuba e São Do-
canaleira unilateral, expressava implicitarrrerrte o reconhecimento in-
glês da presença e pressão norte-anrericattas. rningo. Minor Cooper Keith construiu estradas de ferro na Costa
Entretanto, as projeções dos Estados lJnidos no exterior eram Rica, Lima, Colômbia, Panamá e associou-se a Arthur Preston para
realizadas por capitalistas individualmente, e o g,overno, apesar dos fundar a United Fruit Cia., que mais tarde dominaria a produção, a
esforços expansionistas prelnaturos (Andrew Jotthson e Ulises Crant, comercialização e o financiamento dos cultivos centro-americanos.
entre 1865 e 1877), preocupâva-se quase que exclusivzu'tlente com re- Até o finat do século XIX, estas investidas norte-americânas' na
cursos pzlra a conquista dos imensos territórios rlacionais ao sul e a América Latina, possuíam um caráter pré-monopolista, pois o país
ainda recebia um volume grande de empréstimos do exterior para o
oeste.
incremento da agricultura e dos setores têxtil e rnetalúrgico.
A guerra entre os Estados Unidos e o Móxico, irliciada em lM6,
A grande arrancada expzutsionista norte-anericÍua rumo à Ané-
foi um dos momentos cruciais dessa expansão territorial. O Texas era
rica Latina se inicia quzurdo o governo dos Estados Unidos vence a
colonizado por norte-americanos que se nellavaln a aceitar as deter-
guerra contra a Esparúa pela independência de Cuba em 1898. O
minações do governo mexicano. O presiderrte dos Estados Uniclos, J.
Tratado de Paris, do mesmo ano, estabeleceu o controle dos Estados
K. Polk, empossado em 1845, aceitou a República do'lbxius como in-
tegrante da União e aproveitou para estender setts ittlcrcsses para as Unidos sobre Cuba, Porto Rico, Filipinas, Guam e Ladrones. A partir
regiões do Novo México e Alta Califórnia. O rcsttllatlo deste conflito deste momento, o governo norte-alnericano passou a intervir politi-
foi a assinatura do Tratado Guadalupe-Hidalgo, crll l'evereiro de calnente nos países do Caribe de uma forma mais clara do que nos
1848, em que o México cedeu o Texas, Novo México' Arizona e Ca- tempos em que capitalistas individualmente obtiúam concessões,
lifórnia aos Estados Unidos. Em troca, o goverllo ttorlcr-atnericano muitas vezes ilicitas, dos govemos latino-americanos.
comprometeu-se a pagar uma indenização de l-5 nrillrões de dólares Em Cuba, os Estados Unidos impuseram à nova Constituição
a0 governo mexicano.
Emenda Platt que permitia a intervenção ilimitada do gover-
( I 90 I ) a

Os interesses dos Estados Unidos cresci:utl tta Anrérica Central no norte-americano nos assuntos da nova República. Em Porto Rico,
terminaram com a ConstituiÇão e povoaram o país de companhias
na medida em que essa região tornava-se o elo dlus cornutlicaçôes in-
imperialistas que reorientarâm o campo pa.ra a monocultura da cana-
teroceânicas para a chegada de garimpeiros ao ouro da CaliÍórnia. A
de-açúcar.
Nicarágua, por exemplo, foi alvo de William Walkcr, trrn Ílibusteiro
Além disso, os Estados Unidos autoproclamaram-se protetores
norte-americãlo que se tornou ditador deste pequeno pds da Améri-
implacáveis da América Latina quando retomaram o lema da Doutri-
ca Centralientre I 85 6 e I 857, para forçar a aceitação da passagern de
na Monroe (l 823,' A América para os americãlos") na questão vene-
um canal pelo lago Nicarágua. Mas esta investida foi unr tiacasso.
Nas últimas décadas do século XIX, apesar de poucas iniciativas zuelana de 1902. Neste país, dominado pelo capital alemão e indis-
expansionistas territoriais, o governo dos Estados Uniclos procurava posto com os ingleses, o presidente Cipriano Castro suspelldeu o pa-
enhentar a rivalidade interimperialista através de aÇões diplomáticas ganlento da dívida externâ devido à crise das finanças públicas' Mes-
que aproximassem a potência dos países localizrdos ao sul do Rio mo com as alneaças das potências, o presidente veneanelãlo se ne-
Grande. A Primeira Conferência Panamericana convocada pelos Es- gou a pagaÍ as dívidas. Por isso, Inglaterra, Alemanha e Itália se
tados Unidos em outubro de 1889, com finalidade de aproximação i,,r",. é bãmbardeiam a costa norte da Venezuela. Os Estados Uni-

l5
l4
Unidos estavanl localizados preÍbrencialnletlte lla Anrérica Latina
dos, por sua parte, recorrenl ao Corolário Roosevelt para anunciar as qtre absorvia entre 43 e 4Jt/,' das iltversões totais ltorte-anlericzutas.
potências européias que só âos norte-âtnericarros cabia exercer pres- Serrdo assinr. a partir do início do século XX, o govento dos Es-
são sobre os países latino-alnericanos. Aclotanr a tlnção de polícia a tados Unidos utilizou diversos tttecattistttos para proteger os investi-
serviço das relações f inmceiras da Atnérica Lltina e. neste caso es- mentos do Estado e de particulares tloÍe-americiutos na Antérica La-
pecífico, exigent o pâgÍunento da dívida por parte da Venezuela. tina. Entre 1900 e 1930, esta clefesa fbi praticada sob várias formas.
E, finalmente, os Estados Unidos clefirrern sua posição privile- O Big Srick, de T. Roosevelt ( I 90 I - I 909 ), pregava a utilização da fbr-
giada na America Latina quarrdo conrpranl a concessào para cotrstnrir
ça arrnada na intervênção dos rregócios latino-anlericatos; a "Diplo-
o canal interoceânico dos credores f-rnrrceses de Ferdinatrd de Les- macia do Dólar", de W. Taft (1909-1913) proporcionava facilidades
,seps. Quando a cornpanhia de Lesseps Íhliu, seus credores salvarartr a econônlicas pâra os norte-altlericanosna América Latitla enr troca de
concessão. algunras rrráquinas escavadoras e lirrtdarrun a Nova Socie- enrpréstimos para os governos: e a "Missão Civilizttóna", de W. Wil-
dade do Canal do Panarrrá, que estavíun dispostos a verrder. Etúretan-
son (1913-1919) encarregava os Estados Ulriclos de uma missão pro-
ito, o parlamento colontbiano se nellou a strrcionar o acordo entre o videncialista para pacificar e denrocratiztr as repúblicas vizinhas,
governo da Colômbia e a Nova Sociedade. I'or issrl, enr três de no- apoiarrdo apenas govenlos estabelecidos por métodos legais.
vembro de 1903. âgentes locais da conrparrhia liarrcesa, financiados Foi neste contexto histórico de lutas iltterinrperialistas e subnre-
pelos Estados Unidos proclanraranr a ilrdepenclêrrcia do P:urantá. Três ticlos a estas nrodalidades de perretração do capital monopólico que
dias mais tarde, o governo dos Estados Urrirlos reconheceu a ltova na- os países latino-antericallos, governados pelas oligarqtrias mrais. ini-
ção e no dia dezoito, Íbi assinado o acordo Hay-Vrrrilla que reestabe- ciar:un seu desenvolvinrento capitalista. Segundo Agustírl Crteva, no
leceu a concessão: o Panamá cedeu aos Estados Ilnidos unra faixa de final do seculo XIX, a Antérica Latina deixa de ser pré-capitalista
l0 milhas de largr.rra do Atlântico ao Pacífico. Ilrn troca, os Estados para tornar-se subdesenvolvida. O subdesenvolvirtrento seria resulta-
Uniclos concederialrr um subsídio anual e a gartrrtitr rllr independên- clo cle unr processo ent qtle as burguesias dos países poderosos explo-
cia piurarnenha corltra i nvesti das col ont biarras. ranl as nações ecoltomicatrettte mais débeis, aprofundiurr e perpe-
Ao iniciar o século XX, os Estados Ultirkrs jli suplarrtaviun a In- tuÍur1 esta fragilidacle, que reprocluz ent larga escala os nleciurismos
glaterra nos negócios latino-anrericarros. Esta pott.irrr.:iu européia, en- da exploração e dotninaÇão no ntodo de produçào capitalista.
volvida em disputas interinrperialistas corn outnrs rlrÇôrs vizinhas, ia Mesmo sob dontínio do capital estrallgeiro e da intervenção po-
cedenclo tqrreno para â donrinação rrorle-anrcrit:lura, crntrora conti- lítica imperial, a evolução do capitalisnro ou do subdesettvolvinlellto
nuasse defendendo interesses ecorrônricos con(rrctos nu Atnérica La-
rta América Latirta vai depender ainda da partictrlar confontlação de
tina. A expressão do avauço rrorte-arnericano nos rrcgócios do sub. todas as questôes enunciadas neste capítulo e da capacidade intenla
coutinente foi selada no Tratado Hay-PaurrceÍbtc, assintdo eln lgll de resposta de cacla unr dos países do colltinellte, ou seja, a Anrérica
pelos Estados Unidos e Inglaterra, enr que este últirno concedia aôs Latina não surge conro decorrência e não e epifenôn1eno, lnero efeito
primeiros o direito de construir unr carral irrteroccânico sob seu ex-
cla organização Lrrperialista.
clusivo controle. A Inglaterra, porlÍuto, abdicava do Tratado CLay- Os recursos traturais, â esffuturâ de classes, a imigração e outros
ton-Bulwer ou do clireito de construir junto corlr os Eslados Unidos a
fatores vão, ao lado do tipo de vírtculo que se estabelece com o exte-
conrunicação entre o Atlântico e o Pacífico, via Arnérica Cerrtral. rior, nrodificar substanciah'tlelte a Íbnna do Estado burguês nos dife-
Enr 1900 os Estados Unidos já ultrapassavanr a riquezr da Ingla- rentes países cla Anrérica Latina.
terra enl termos absolutos. O país solnava 88 bilhÕes rle dólares para
Entre 1900 e 1930, os países latino-zunericallos cresceralll enl
79,3 bilhôes de dólares britânicos. Os investirnentos dos Estados termos denrográficos e urbano-ittclustriais, nrultiplicaranl-se os bells

t7
l6
de consumo e o conforto, mas tzunbérn, aumeutaratll os problemas
oriundos da implantação do capitalismo em regiões mais débeis. As
propostâs e aÇões que crllrninariam cont o declínio do Estado oligar- APOGEU E CRISE DO ESTADO OLIGARQUICO:
quico incluíranl uma gartta nruito variada de receitas e soluções, indo
AS NOVAS CLASSES SOCIAIS
desde um espetacular processo revolucionário - Revolução Mexicana
- até casos onde perdura o domítrio das oligarquias. O período de 1900 a 1930 correspondeu.ao apogeu e crise do
Acresce-se a isso o fato de que, se enr l9l0 começaram na Amé-
Estado otigárquico em alguns países da América Latina. Em outros,
rica Latina o ciclo das revoluções, ttunbém se iniciam os movimentos per-
apesar da ionstaração da fragilidade política e econômica' sua
nacionalistas no bojo de uma crise das estruturas sociais oligárqui-
nianência marcou profutrdamente a§ estruturas sociais'
cas, e ascensão do proletariado, classes nrédias, burguesia industrial e
o Estado olifarquico foi a expressão político-administrativa de
seus coÍrelatos, urbanização e industrial ização.
um rnodelo econômiio de acumulação capitalista via setor primário
Estas classes põem ern tnovimettto turta luta antioligárquica que,
cxportador, cujas principais características p-olíticas eranl a hipertro-
além de permitrr maior participação econôntica e política, oferece
lia do aparato iepiessivó do Estado, a exclusão da maioria da popula-
unidade à nação, superando brevetnente a lLrta de classes para o en- democrático-
frentamento de um initnigo cotllutn, a oligarquia. Muito embora este ção dos órgãos d'e decisão, a eliminação dos elementos
6urgueseslue se levantassenl como alternativa progressista ao.de-
armistício durasse pouco, ele conseguitt at-astar o "perigo" socialista
seníolvimento do capitalismo e, muitas vezes' a intervenção política
ou anarquista também sob pretexto da coesão naciottal, mas apenâs
tlireta ou indireta do capital monopólico.
em alguns casos afastou-se a oligarquia rural totalmente do poder po'
. Esta modalidade dê dominação ainda combinava elementos libe-
lítico. rais à essência autoritária, pois em suas relações com o exterior deve-
ria se estabelecer um libeiatismo formal para atender as exigências
cu lhrais metropolitanas.
Internamente, os governantes reproduziam a imagem do fazen-
deiro em dimensões nacionais e sobrepunham-se a escravos, peões,
mestiços, índios, negros, mulatos e briurcos pobres' Nesta situação, o
processo'de crise das oligarquias constitúu-se de grurdiosas mani-
i.rtuço"t contrárias ao arltoritarismo' ao monopólio da economia, à
rnonócultura, à dependência em relação âos centros industriais e
nresmo contra a falta de desenvolvfunento econômico'
os governantes das oligarquias só reforçavam estas contrarieda-
cles, poiídurante todo este períôdo representâvam apenas os
interes-
ses dà setor primário da ecônomia e dos agentes do capital monopo-
lico.
Porfirio Diaz (1816-1910), no México, foi um exemplo da mo-
rlalidade oligrárquico-dependente e também foi um dos primeiros di-
rigentes otl[arqulcos a deixar o poder demrbado pelas pressões de

l9
l8
classes sociais descontentes com esta dominação. Este fato consti-
tuiu-se na primeira revolução antioligilrquica da Alnérica Latina. ' tlo excedente econômico por parte da burguesia internacional. Mes-
Golpes de Estado, eleições controladas, diversos ingredientes de rno assim, o período que se inicia com o século XX e vai ate aproxi-
violência e benefício econômico aos governantes fonrraran também rnadanrente 1930 foi de grarde prosperidade para o setor prinrario'
o esquema venezuelâro sob a presidência de Guzman Blanco (1870- exportador.
1880) e Juan Vicente Gómez (1908-1935). A fase febril da econonria latino-americ:ma foi marcada pelo au-
O governo de Rafael Reyes, na Colôrnbia, inaugura em 1904 a nrento da exportação de café, cereais, czuta-de-açÚtcar, ltut:ts, guzulo,
forma autoritária de Estado. Na Nicarágua, a falnília Somoza gover- salitre, cobre, estanlto, lã, carne e dentais derivados do gado, látex,
nou até 1979, quando os herdeiros de Augusto César Sandino conse- nrinerais e metais preciosos.
guiram mobilizar todo o povo para uma revolução nacional e antioli- A atividade pecuária desenvolveu-se conl ntaior ilnportfutcia na
gárquica. Em muitos países da Arnérica Central, entretÍüto, o dorní- Argentina e Uruguai e era contplenrentada e alternada com o cultivo
, nio das oligarquias perdurou, ou perdura, até o últirno quartel do sé- de cereais. Nesses paises, as exportações crescerzutr vertiginosiunen-
iculo XX. te. No início do século XX, o Uruguai exportava seis ntilhões de li-
O Estado oligárquico argentino iniciou conl o govemo do gene- bras esterlinas e, ent 1919, atingia a ntarca de 27 milhões de libras.
ral Mitre, depois de Rosas kurçar as bases para a unificação nacional, Na Argeutina, as dirnensôes territoriais e o rápido desenvolvinrento
mas se consolidou entre I 880 e I 890 com os generais Roca e Juárez irrdicavzun um volunte de 25 rnilhões de libras exportadas enr 1898 e
Celman. No início do século XX, as oligarquias argentinas forzurr su- dez vezes nrnis enr 1928.
plzurtadas por setores antioligárquicos organizados em tomo de unr Tânto a cultura dos cereais conlo a pecuária recebizutr investi-
projeto capitalista altenrativo que privilegiava o desenvolvintento do nrentos clo Estado, dos próprios latifirndiários e do capital estriugei-
mercado interno sern elinrinar a predon,inância do setor primário-ex- ro. Consolidou-se unlâ classe de proprietários interessados no au-
portador. Mas a crise de 1929 provocou a retomada do domínio oli- nrento da produtividade via superexploração do trabalhador e através
garquico e a chamada "década infanre", entre 1930 e 1943. da constnrção de obras conlo portos, canais, Í'errovias e beneficia-
'presidente
Lorenzo Latorre, do Uruguai até 1876, foi outro mento dos produtos primários que tttelhorassenl as condições do in-
exemplo de comando militar oligrirquico. Esse país tambérn foi palco tercànbio.
de experiências antioligárquicas precoces. O presidente Batlle, que O precoce cercarnento dos catnpos, a irnigração, irnplantação do
superou o domínio autoritário das oligarquias, foi considerado denro. trabalho assalariado, diversificação ecortôrrrica (cereais e prodtrtos
crático à época. derivados do gado), seleção de rebanhos e ditirsão dos frigoríficos,
Os exernplos seriam Inuitos e variados em seu conteúdo. No en- forzun elementos importallles que contribltíranr para a acumulaÇão
tanto, o presidente guatemalteco_Eltrada Cabrera ( I 898- 1920) talvez capitalista das oligarquirs uruguaia e argerttina. Entretallto, o predo-
possa ser considerado paradigrna do autoritarismo, como se pode ob' mínio das empresas estrangeiras em alguns setores Íiltd:unentais da
servar no magnífico romance El sefior prcsidcnta, do escritor Miguel economia (como frigoríficos e infia-estrutura de transportes e conlu-
Angel Asturias, que constrói uma fiel caricatura do ditador. nicações) provocava problemas e também ressentimentos clevido à
As formas coercitivâs, com alto grau de violência, utilizadas dependência em relação as crises do ntercado muttdial.
para mãlter o poder oligárquico em países onde se iniciava a implan- Mesmo assint. Morttevicléu e Buenos Aires trzutsforlllarillt-se enl
tação do modo de produção capitalista, asseguravÍun a extração de sede das decisões político-admiltistrativas e em intportrultes centros
mais-valia absoluta: aunlento ilimitado da jontada de trabalho e ex- urbanos aparelhados para atender aos ditantes da divisão internacio-
tensão do latifrrndio. Mas existizun inúrneros mecanismos de sucÇão nal clo trabalho e aos interesses do setor prinrário-exportador,

20
2l
escassos e o produtor
onde os cultivos de subsistência tornaram-se
Em Surtiago do Chile, no início do século XX, também existia direto perdeu toda a autonomia'
uma classe dominante extremamente rica graças à exportação de sali- foi introduzida
Em Porto Rico, a monocultura da cana-de-açúcar
tre e à exploração das massas trabalhadoras. Apesar do predomínio completamente a paisagem rural do país'
de forma brusca, alterando em
econômicà da Inglaterra sobre a propriedade mineira chilena (salitre ü'i';*, a e"oro*iu açucareiia do período-colonial ressurge
e cobre), a burguesia local, ligada à exploração do rninério' ao co- ,rráuàãr'áo século XIX, É, ern I 880, a produção oferecia excedentes
mércio'de expórtação e aos negócios bancarios, conseguia deixar ao do guano' Eutretanto, também existia
um domínio
de valor similar
para trris o país do trigo e das peles. No Chile, a oligarquia tradicio- direto do caPital monoPólico'
nal constituía com esia burguesia mineraclora o bloco que detinha o """'Áõã.-p.tp.riaoae do período n1o foi acompanhada de um
poder, acumulando capitais parâ o desenvolvinrento econômico e pG' produtivas nos países de culti-
crescimento propor.,o,J das fàrças
lítico nos setores interessÍmtes a estes grupos. foi a primeira etapa
,os i.opicais. Nêssas regiões, a agroexportação
O predomínio dos ingleses em algumas atividades econômicas p*i:1u
do desenvolvimento .uiiiofitto' iuot àtu se.constituiu
u.
fundamentais no Chile, Argentina e Uruguai não impediu que tais gâ"0. propriedade senúorial. de técnicas rudintentares
e mpregna-
países obtivessem algum êxito na tentativa de desenvolvinlento das produção pré-capitalistas' O cultivo de cacau no
ãot á. ielacões de
iorças produtivas. Issõ ocorreu tanrbém porque a Ittglaterra não tiúa obedeiia aos mesnlos padrões da produção de
o o6l.tiro de controlar o aparato produtivo e sim o comércio exterior-
ü#;õ;;pi;,
cana-de-açúcar.
N.tt.t três países, as relações de produção escravistas ou serüs Neste sentido, o enriquecimento das oligarquias
e a própria acu-
não foram tão importantes ou inexistirzun. Estas regiões forarn colo- ,"rruçàã .ãpitalisia r*r'
oto'tpanhados por unr atraso visível no
nizadas a partir dô final do século XVIII já em funÇão das atividades ãàr.rrorti*"nto das fárças produtivas e grandes dificuldades
no
primárias. Os índios locais foram empurrados para outras regiões e áe diversificaçao econômica' As.plantações de café da Cos-
àxterminados. Os imigrantes europeus fornrarartr o maior continge,-
õ;;sso t Y:-l::^li
ta Rica, El Salvador, Càiã"Uio, Venezuelâ'.Guatemala
te de mão-de-obra, enião. Já no final do século XIX, a concentração ,l* óo*prometimento idêntico aos demais produtos centro-anlen-
territorial era grande e as relações de trabâlho eram preclominante_-. canos. A excelente qualidade do café centro-americano
não chegava
As crises mundiais de
u .oÃp.nr* u, O.sú,togtn' da *orrocultura'
mente assalariadas.
Portanto, quando a acumulação capitalista colneçou na malor j,
iqOà,i9r l9l4 e 1929-demonstraram a debilidade dos produlores
parte dos paísei da América Latina, na Argentina, rro Chile e no Uru- metropolitanos' O resultado foi
frente aos comerciantes e financistas
guai o p.ócesso já estava em fase de consolidação e ampliaçry'A* ,rÀo Lniotiro problerúica de retorno à
economia de subsistência'
iim, mêsmo que as economias uruguaia, argentina e chilena fossem Por outro lado, a lenta urbaniztção e o clemorado desenvolvi-
complementares as economias dos paises irnperial istas. dependentes, pela permurência de rela-
mento de um mercadà ii"t*o provocados
ugr*i* e indelevelmente marcadas pelo donlínio oligárquico, cottsti- ções pré-capitalistas Je
trabalhô, associadas às relaÇões de dependên-
tiii-se um mercado interno e um incipiente processo de i,dustrializa- ;;;;ã. im'pedirarn, mas ate estimularzun' o aparecimento
de novas
do traballrador e o con-
ção, pois o assalariamento' a origem europeia ;ür* sociais vincula6as ao processo de acumulação
capitalista' -
produiivo al gurna rnodemi-
irolL'nacional do sistema determinavrutr
Nestes países, ,.,-o*, uma incipiente burguesia indus-
-'
zÃçáo.
triaf , proletariado 'nétliot,
o|iiiÀo e o enorme contingente de camponeses
Experiência diferenciadalofrerzun as regiões de cultivos tropi-
destituídosmanlrestavam-Secontraanrodalidadeoligárquico-depen-
cais como a cana-de-aÇúcar: ôuba' por exenrplo, transformou-se em ao desenvol-
àãri., ."r"" a violência e contra os próprios obstáculos
uma imensa plantação monopolizada por empresas ttorte-antericanas' vimento das forÇas vivas da sociedade burguesa'

23
22
Outra situação importmte, ligada ao processo de acumulação ca- Do ponto de vista socirrl, provocavâm uma brutal desigualdade
pitalista latino-americano, foi a do cultivo de b:uranas no Caribe e entre os camponeses locais e os trabalhadores dos enclaves. Alérn
América Central. Em Honduras, Guatenrala, Piutiuná, Nicarágua, Co' das diferenças salariars e de consumo, os camponeses desenvolvianl
lômbia, Costa Rica e Venezuela difundiu-se esta produção por inicia- seu principal antagonisnro com a oligarquia local beneficiária da in-
tiva de um conjunto de ernpresas estrarrgeiras,que posteriormente se serção monopólica, e os trabalhadores dos enclaves apropriavam-se
lrndem paÍa conlpor a Unitecl Fruit Conrpany: Ern 1899, esta entpre- das lutas operárias mais contestadoras e radicais através do contato
sa combirrou a Cuyiunel Fruit Cia., a Stanclart Fruit and Stearnship com os trabalhadores estrzutgeiros e suas idéias.
Cia., concessões de terras, empresários norte-anrericartos e unt capi- Além disso, a economia dos países subrnetidos aos enclaves era
tal inicial de onze millrões de dólares, para monopolizar as atividades totalmente débil frente às oscilações do mercado ntundial. Em caso
bananeiras de toda América Central e Caribe. de crise ou aparecimento de pragas, regiões inteiras poclizurr ser aban-
A United Fruit possuía uma ganta muito variada de atividades, donadas pelas enrpresas exploradoras provocmdo desemprego e mi-
além da produção e exportação de bananas: ferrovias, empresas de séria.
navegação, comunicações, el etri cidade, pl :uttações, etc. Os trabalha- O aurnento da demzulda internacional, promovido pelo novo ar-
dores erzun arregimentados localnrente ou erâtll oriundos da Janraica ranque cla Revolução Industrial européia, por voltade 1880. destacou
e recebian saliírios até três vezes tnais altos ern relação ao resto do alguns produtos e regiões. Fertilizantes naturais, por exenrplo, como
país. o ialitré do Chile e o guano tro Peru, modificararn regiôes inteiras e
As empresas tinham contpleta autouomia: sistema de transpor- ofereceram aurnento do rtível de entprego rlas cidades. No Chile,
tes, escolas, hospitais, sistema de contunicações e comissariado. Thl tambérn foranr importantes o cobre para a indústria de eletricidade e
situação aparece muito bent retratada na literatura latino-americzna. o estzuúo para a fabricação das latas de conserva.
No célebre Cem unos de solilão, o escritor Gabriel García Mi{rquez Os minerios foratn respotlsáveis ainda por 70% das exportações
descreve, na fictícia cidade colombiana de Macondo, a curiosidade bolivianas em 1897 e por 60% das exportações nlexicaltas no allo se-
que todos os habitantes tinhrun em saber o que se passava no lado de guinte. Entret:utto, o extrativisrrro nrineral era extrenrÍullente predatG
dentro do muro da enlpresa produtora de batratas, denuncizutclo sua iio, e, not duas primeiras décadas do século XX, estes produtos do
independência em relação ao resto da sociedade. México já não se constituítu't1 colno sustentáculos da econornia. Da
Costumou-se adotar para este tipo de ittserÇão econôlrrica a de- nlesma fornra. o cobre e o estanho no Chile já não contribuí;un tmto
nominação de enclave. Segundo Agustin Ctreva, para o crescittrento econôtnico. A Bolívia, por outro lado, podia ser
àonsiderada con"lo o nrais característico país oncle estava instalado o
(...) cn su ntiis cstriclo rigor tal conccpcititt se rcl-icrc a la cxistctl-
nraior enclave rnineiro da Anrérica Latina, enrbora iniciasse a deca-
cia de "islotcs" tle capital rnonopolico incruslatlos ctt lirrtttacioncs prc-
dência do extrativisrno tnineral neste mesrno período.
capitalistas, cotr las qtte no gttartlan otra rclaciíru cltrc la tlc succión tlc
excedente econóurico. (Cueva, p. I 10, 1977.) A nova fase da Revolução lndustrial criava dernaudas e provoca-
va modificações de regiões inteiras, como o deserto de Atacama no
O cultivo de bananas através da United Fruit Conrp:uly erâ un1 Chile que, devido ao salitre teve as cidades áridas cle Iquique e Anto
enclave econôtnico que, âpesar de não se relacionar coln as ativida- fagasta transformadas em centros urbanos extrelnamente populosos'
des econômicas nacionais, produzia efbitos devastadores nos ântbitos Nõ entrmto. estas demanclas eranl rapidanrente liquicladas pela substi-
social, político e econômico. Politicanrente, estas enlpresas tralsfor- tuição dos produtos naturais por produtos químicos ou pelo desloca-
mavanl-se em interlocutores dos governos centro-americanos e cari- mento da produção para regtões sob o domínio territorial do capital
beúos, para proteger de maneira global o capital estrtmgeiro. rnonopólico.

25
24
As regiões desenvolviclas por àquelas dentiutclas caiam, então, na Invariavelmente, existiam países onde se conrbinaviun duas ou
mais lastimosa penúria, e a fase febril da ecottolrria latino-americana lrês das situações anteriormetrte descritas, embora seja ntais colnum
era o primeiro sintonra de uttra doenÇa devastadora. Mas esta inragern a coexistência das duas últirnas em umâ mesrna sociedade nacional.
não é um retrato fiel da realidade. No México, por exemplo, a produção de cana-de-açúcar para expor-
Existem três situações de deÍbrntaÇão do aparato produtivo local taÇão ocorrida no sul do país com a utilização de mão-de-obra irrdí-
que determinaram o atraso no desenvolvinrento das forças produtivas gena, oriunda das prirnitivas cornunidades. encontrava-se impregnada
e obstaculizaram a consolidação do modo de produção capitalista na de relações pré-capitalistas de trabalho. Ao norte, havia um enclave
América Latina: nrineiro no sentido de que a empresa esffattgeira nlonopolizava total-
rnente a atividade mineradora. Também nesta região realizavam-se
- regiões que constituíratrr-se conto areas vazias e foram coloni- algumas atividades comerciais e manufatureiras locais que ofereciam
zadas em função do setor primário-exportador previamente controla-
certo dinamismo ao mercado iutemo e constituí:un uma incipiente
do pelas oligarquias locais. Estas regiões sofrem os efeitos da inver-
industrialização. Em qualquer destas situaÇões, o predontínio de uma
são estrangeira nas atividades que interessavam apenas ao capital
rnoclalidade de acuntulação capitalista termina por subordinar as de-
monopólico, e sofrem a conseqüente hipertrofia do setor prilnário'
nrais formas ou conviver bem corn elas.
Nestes países, entretanto. os lucros com a exportação e o assalaria-
A diversidade de situações que engendrâ.rÍul1 a acumulação capi-
mento dos trabalhadores foram responsáveis por um certo dinamis-
talista na América Latina explica tarnbém as formas particulares de
mo do mercado interno e desenvolvilnento de unl setor industrial;
transição ao Estado burguês. O crescimento econômico capaz de ace-
- países onde o setor prirnário foi intpregrtado de elementos ser- lerar este processo foi profundamente desigual e ffágil, determinado
vis ou semi-servis e houve a combirtação da acumulação capitalista
pela dependência estrutural. Porém, as mudanças internas começa-
com relações de produção pré-capitalistas. Isto é contunt, uma vez
ram a se revelar inquietantes.
que na implantação do novo modo de produção existe um aproveita-
As classes sociais que se fonnaram no bojo deste crescimento
mento de antigas relações de traballro em proveito do novo sistema.
econômico (burguesia industrial, proletariado e setores ntédios urba-
Na América Latina foi a própria oligarquia, beneficiaria destas anti-
nos) passaram a questionar insistentemente os obstáculos ao desen-
gas relações, que impliurtou o capitalisrtro. Assint, em alguns destes
volvimento intenro criados pelo sisten.ra oligárquico-depenclente'
países ocorreu um processo de exterlsão e desetlvolvilnento das for-
Portanto, a via oligárquica de desenvolvitnento do capitalislno deter-
ças produtivas, embora a industrialização e o crescimento de un-t
minou a permmência do latifrrndio tradicional cotno eixo da econo-
mercado interno estivessem sempre limitados pela existência das re- mia, a subordrnação de camadas mais dinànicas da classe dontinante
laÇôes de produçao zutteriores:
às oligarquias rurais e a manutenção de fonnas escravistas e serni-
- países onde a principal atividade econônlica Íbi cornpleta-rnen- servis de produção. A cornbinação dessas características provocou
te dominada por uma etnpresa monopolista, constituindo-se unl en-
um lento ãesenvolvimento das forças produtivas, além, de afetar de
clave, que não estabelecia relações de troca bilateral com a sociedade
forma direta a constituição da estrutura social e das relações de po-
nacional. A exclusividade estrangeira no setor ecolrônrico predorni-
der.
nante estava relacionada à existência de uma elite local incapaz de
Surgira.rn, então, no seio do Estado oligarquico novas classes so'
realizar os investimentos. Além disso, a presenÇa clo enclave provoca-
ciais qué criticavarn a acumulação via setor primário-exportador ex-
va estagnação econômica generalizada devido à ausência de produtos
clusivamente. 'Ilambént criticavzun a violência utilizada para colocar
e capitais nacionais.
em prática esta forma de acuntulação capitalista e a miurutetrção do
latifrindio com relações de produção pre-capitalistas.

26 21
Por outra pârte, os cânlponeses que se constituíram como classe
:- -Este nrodelo de acunruração cremonstrou os seus rinrites econô antagônica aos interesses oligrírquicos, resporrsáveis pelo seu isola-
micôs durante as crises rnuncliais: oscilaviurr à, pr.ço. nlento e pauperização, realiztvam movirnentos messiânicos de retor-
da agricultura,
pecuiiria e extrativismo, caía a cremiuda por tais
pi"ar,"ti"r p"ir.J no ao passado e/ou contrários ao desenvolvimento urbano-industrial.
da América Latina chegavzu. a casos crônicos colllo Neste sentido, os grupos antioligárquicos forarrr aqueles que, em
o de Cuba, os
i nvesti men tos or i gárq ui àos
e i n.r peiàt i stns àL-rln.u t irnurn a cri versi fi- Íirnção de interesses específicos, constituíram-se corno antagônicos
rlgno eco,o,rca, o deserrvorvirrre,to da inclústria e do próprio ou diferentes das oligarquias rurais.
capi-
talisnro.
o enriquecirnento das origarquias era feito, errlào, aos sobressar- -
tos' Mas. o donrí,io das origarqrias, zurtes de apr.esentar CAMPESINÂI'O: TERRÂ E IRAT)IÇÃ(], AS T)IFICULT)ADES DO PR']JET')
sinais eco-
nômicos de esgotame.to, deiroirstra'a os seus Iilnites.
,ortÀãiioà,
políticos. Era unr desenvorvimento aconrparrrarro Os camponeses latino-arrrericiuros forarn definitivamente inte-
de crises de inten-
sidade cada vez maior, descle cecro ,.u.iarn a parciaridade grados à economia de mercado a partir da expansão do setor primá-
cre suas
conquistas e nascia conr sintonras bem perceptíveis
que deveria ser precoce.
de r, e*nurir_sÀ rio-exportador, mas ern perspectiva histórica mais ampla sempre esti-
verarl na condição de classe subalterna.
os parcos si,ais
de dese.volvfunento das Íbrças produtivas e a Apesar do avanço do capitalismo no câmpo determinado pelo
exp.grsã9 do modo de produção capitalista evidenciavaln_se incremento da demanda dos produtos primários, os camponeses
na corls_
trução de obras de inrla-estrrtura, no crescirrento rnantinham viva a memória da comunidade. transformada desde a
de indústnas de
beneficiamento dos produtos prinrários e cle bens cle consumo conquista.
popu_
Iares (indústria arirnentícia e têxtir), no arnre,to da Em algumas regiões conlo parte da área zurdina, México e parte
urbanizrião e,
principalmenre., ,o aparecinlerto cre novas crasses da América Central, mautiverarn-se terras cornunais e ta,rnbénr unra
sociais crif'erencia-
oas do .grdo sistenra origárquico. surgem tanrbérn comunidade tradicional relativiunente homogênea. Para estes câmpo-
os prinreiros nro-
vimentos políticos que recusanl o clonrínio clas oligarquias neses a terra era o seu lugar natural, muito mais que lneio e objeto de
tradicio_
nals. produção, era meio de vida. A localização era a garantia da perma-
A crise política do Esrado origárquico eviderrciava-se a partir nência de vínculos familiares e tarnbém da solidariedade e hábitos de
do
aparecimento das classes genericanrente clenominadas cooperação.
antioiigárqui_
cas- Erzun o proletariado. setores rnedios urbiuros e fração A medida que se estendia a acumulação capitalista, as proprieda-
a inàustiiar
da-burguesia que, constituíclos enqurutto classes ao longo des camponesas iam sendo cercadas, se modificava a forma social da
do clesen_
volvinrento oligárquico. passa.ranr a questionar tal clomiiração. terra e as relações de produção. Ern Bo»r dia ltara os deftuttos, do es-
A de-
nom.inação destes grupos conro arrtioUgiirqurcos é rrecessarizu.ente critor Manoel Scorza, existe a metáfora da cerca. Ele refere-se à cer-
genérica, pois existiam disti,çôes no intàrioi cle cacra ca como se fora un ser vivo que vai expulsando os povos e avançan-
classe ou grupo
que devem ser considerados e que poclem clesnrerrtir
àquele títulã.
' do por metade das terras do Altiplano peruallo. Era a expropriação
o setor rrrédio urbano cla sociédacre oligárquica rarirro-americara realizada pela companhia rnineradora norte-atnericrura Cerro de Pas-
era conlposto por categorias Írrciorrais qre r)enl senlpre se co Corporation.
consti-
tuí*r como contrárias ao sistenra porítico vige,te. Assinr. tarrrbénr
a Era o mornento da trausfonnação social da terra e do camponês
burguesia ind,strial rÊo pocre ser ionrada coino arrtagônica em trabalhador rural. Os movirnentos camponeses revelavaln estas
aos gru-
pos oligrárquicos porque inclusive pertenciam
a nresma classe social. mudanças e expressavarrr principalmente a luta paÍa pennanecer ou

29
28
reconquistâr a terra. Desenvolvem*se diversos tipos de movimentos nria de ponta, fizeram com que os movimentos ciunponeses só apare-
conflito qr"d9,
guerrilha, messianisnro, banditismo, tocaia, etc- _
-
cessem com mais vigor depois de 1930.
que além de exigir as terrâs, levantavzun seu protesto paÍaâpreserva- No Peru, âpenas entre 1950 e 1960 apareceu um movimento
ou reconquista de sua cultura. canponês de grandes proporções. Na Guatemala, a Revolução de
'ção Portanto, a luta antioligárquica cÍunponesa é ambígua. São con_ l9M-54 fez avançar em muito as reivindicações camponesas, inclu-
triírios à expansão do latifiindio, rnas geralmente propõem como al_ sive com a promulgação, ern 1952, da Lei de Reforma Agrária. Mes-
temativa o retorno ao passado. nlo em Cuba, a presençâ contestadora do uunpesinato só foi real-,
Este quadro varia conforrrre os países e as regiões. No México, o mente importante ao longo do processo revolucionario da década de/
campesinato comandado por Zapata e Villa, orgpnizou_se em torno lg50_ )
de uma proposta de reforma agrária, mas eles não dispunham de urn Na verdade, o movimento camponês latino-americallo, só a par-
projeto de ordenamento nacional e foram suplantadôs pelo avanço tir de 1930, com o declínio estrondoso do modelo primiírio-exporta-
das transformações burguesas. Estas transformações tivêram, entrê- clor, começou a colocar em questão um maior núrnero de aspectos
tanto, que contemplar as reivindicações camponesas, provocando o básicos da ordem social na qual participavatrl, e a exigir mudanças de
aparecimento. no campo de unra grancle lnassa de peqrànos produto_ rnaior profundidade e alcance capazes de pôr em risco a dominação
res proprietririos.
vigente.
Mas, em geral, até 1930 a trzursição da fase oligárquica à burgue_
sa propriamente dita não foi acompanhada de grandioias manifesta-
ções camponesas como as ocorridas no México, onde o saldo foi de A ALTERNATTVA INDU STRIAL :
aproximadamente um milhão de mortos. EsÍw;los e oBslÁcuI-os AQ cRESCIMENTo INTERNo
Na Argentina, Uruguai e Chile onde a expansão capitalista foi
precoce e mais intensa, a proporção de camponeses prirnitivos expre A fração industrial da burguesia latino-americana teve condições
priados foi infinitamente menor do que no Méxicõ. O processó de rnais adequadas para propor alternativas à modalidade oligárquica-
implantação capitalista nestes países impedia o âcesso dê imigrantes tlependente. Sua iormação e evolução estiveram inextricavelmente li-
à propriedade e expulsava uma parte importante de trabalhadõres ru- gnàus ao desenvolvimento oligarquico. A acumulação de capitais rea-
rais, deixados "disponíveis", e que contribuíam como fator de insta- iirada no setor primrário da economia estimulava o aparecimento de
bilidade política. um setor industrial e proporcionava as bases do seu desenvolvimento.
Estes trabalhadores transformavam-se em combatentes urbanos, Embora as elitei oligarquicas importassem todos os produtos
ademais, pressionavam o mercado de trabalho provocando temor em para o seu consumo e admirassem a qualidade e requinte das merca-
fazendeiros e governo, apesar de encontrarem mais oportunidades
rlorias européias e norte-americanas, era necessário produzir local-
nas cidades desenvolvidas como Buenos Aires, Monteviãéu e Santia- mente os béns de consumo dos trabalhadores urbmos e rurais, arte-
go do Chile.
sãos, burocracia do Estado, serviços, profissionais liberais, etc'
Nos países mais intensamente povoados por camponeses existi- O desenvolvimento do setor primário propiciava, então, o apare-
ram movimentos importantes como o Sandinismo, por exemplo. Mas cimento de uma indústria de beneficiamento destas mercadorias ex-
a tardia incorporação ao mercado mundial, a manutenção dã econo- portáveis e urna indústria de bens de consumo populares (indústria
mia de subsistência ao lado dos enclaves e a brutalidade oligárquica irlimentícia e têxtil). Este crescimento industrial ocorreu com maior
paÍa manter o poder político onde não controlava de perto a econo_ irrtensidade no Brasil, Chile. fugentina, Uruguai e Mexico desde o
início do século XX.

30 3l
O impulso principal veio da acumulação corn as exportações,
mâs era fundzurrental o controle do sistenra produtivo nacional por Na prosperidade crescia muito o número de empresas, pois os
parte das elites locais, a existêrrcia de unr nrercado de trabalho livre excedenies àa exportação eram investidos na i,dustrialização. O
cujo valor era dado pela sua história (imigrzurtes europeus) e a pres- crescimento evidenciava-Se no incrementO de serviçoS prestadOs ne-
são social de classes urbanas enrergentes conr vistas ao consumo. cessários aos negócios de importação-exportação, uo desenvolvimen-
No Chile, alérn da indústria do salitre, principalnrente de pro- ro urbano, obrâs de infra-estrutura e novas necessidades de consumo.
priedade norte-anrericana, fbranr criadas obras públicas conlo esco- Durante a crise, poucas unidades resistiam pois faltava capital.e
las, rede de esgotos, estradas e tanrbém unra linha aérea nacional, que restringia-se a oferta para o setor industrial. Nestes períodos ocorria
evidenciavam o desenvolvirnento inclustrial nas primeiras décadas do r.*prà uln processo de concentração industrial. Somente as empre-
XX. sas iortes reàgiam e, por causa da continuidade de demandapor estes
século
No início do século, cresce â pequenâ indústria e o comércio de
produtos, procuravam substituir as importações clificultadas pela cri-
Montevidéu, vinculados quase exclusivzunente ao mercado de consu- ,., o qr. ie constituía talnbém em um desenvolvimento industrial,
mo interno com o conseqüente fortalecinrento político de tais setores. rlentro da capacidade produtiva de cada país'
Em 1930, o Uruguai contava colr.r um produto industrial que já repre- Entretanto, as criies ntundiais mostraval, com clareza a tendên-
me-
serrtava 120Á do produto interno bruto, cifra só ultrapassada pelo Mé- t:ia geral do capitalismo cle transferir o custo das crises das áreas
trop*ólitanas para as regiões rnais débeis..A-crise mundial de 1907'
xico e Argentina.
Na Argentina, a indústria frigorífica, rnonopólio dos ingleses e poi e*empto, abalou Àuito as empresas industriais latino-america-
norte-americanos, era o principal meio de enriquecirnento. rnâs urna i,,,r, .o,.ô de resto todas as atividades econôltricas. A depreciação
manufatura leve conr capitais nacionais e estriurgeiros atendia algu- rkrs preços dos produtos prinrários fez com que os biulcos reduzis-
s0n.r'os àréditos,'pnncipalirrente pa.ra os negocizuttes e industriais
lo-
mas necessidades locais. Entre 1900 e 1904, o produto industrial ar-
gentino cresceu etn 28oÁ e entre 1905 e 1909, cresceu 43%o puade- t'ltis.
clinar em seguida. defesa do sistema oligilrquico, especialmente enl momentos
A
Entre 1890 e 1900, no México, ocorreu o crescimento industrial rlc crise, fez com que a burguesia ilrdustrial formulasse concepções
no setorde bens de consumo não-duráveis como tabaco, cigarros, be- tlili:rentes quânto ao proteciónisnro alfandegario, taxa carnbial, prio-
bidas e papel, e de bens de capital relativamente sirnples como a me- ridades de investimento e subsídios do governo em geral' A burgue-
talurgia. Os capitais nacionais eraln rninoritários e não possuíam os silr industrial latino-americana nasceu associada à oligarquia, e de-
privilégios que o govenro oligárquico ot-erecia aos investidores es- 1rt:rrrlia desta para realizar sua
produção. A forte ligação entre essas
iirções domiÀantes impedia, portÍmto, que suÍIS diferenças se trans-
trangeiros, como de resto, eln todos os países da América Latrna.
A origem dos capitais investidos nestas indústrias têxtil, alimen- lorrnassem em zurtagonismo.
tícia e de infra-estrutura foi variada: podia ser a atividade primário úas a burgues"ia industrial possuía urn projeto de. desenvolvi-
exportadora, a atividade conrercial e, enl menor medida, fruto de ,rt:nto do capitàlismo alternativo à rnodalidade oligiirquica. Queriarn
promover o desenv.ol-
uma transformação nas relações de produção do setor artesmâI. Por lxulicipar dás decisões da política econômica,
isso, mesmo que uma parte da burguesia industrial se identificasse uir,enio rndustrial e modiiicar os termos do ünculo com o capital
pari pasru com a oligarquia rural, é um equívoco restringir àquela a rrrorropólico, pâÍa que sua influência não impedisse a acumulaÇão ca-
um apêndice desta. O clesenvolvimento das atividades industriais pitalisia via crescimento do mercado interno'
ocorria alternadamente nos períodos de prosperidade e crise do setor O desenvolvimento político dessa fração burguesa.também va-
pelo
primário. rirrva de país para país à estava detenninado principalmente'
de produção pré-existentes, o tipo de vínculo com o
rrrotlo e rótaçOês

32 33
(ieralrnente estas entidades possuíam um caráter assistencialista
capitâl monopólico e perpassado pela evolução do imperialismo nor-
(, r,rÍU.n promovidas por elementos de filiação conservadora: burgue-
te-americano. No Uruguai, por exemplo, a articulação dessas variá-
srír oU pequena burguesia. seus propósitos evidenciavam tal postura:
veis permitiu__que existisse uma incipiente burguesia industrial orga-
nízada em l'879 na Liga Industrial que propugnava uma ideologia na- "nrclhorar por todoi os meios legais a situação da classe operária",
cionalista em matéria econômica e formulava críticas ao modelo llrrmonizar os interesses das classes, defender o salários, lutar por
agroexportador e ao papel retardatário do latifrrndio. rrrtllrjornada de Oito hOras e "prOpagar entre a ClaSSe operária inStru-
e obrigações".
Ao longo dos governos oligiirquicos esta fração da classe domi- ' iorrespondente em seus direitos
çri,,
nante exigia uma maior racionalidade econômica e democracia libe- Apesar do car:iter mutualista e apolítico, estas associações foram
ral. Enüetanto, ao defrontaÍ-se com os movimentos populares de ins- ., lugai de crescimento e ideologização do moümento operário na
piração anarcossindicalista ou socialista e de questionamento absolu- Arnérica Latina. Foram nos jornais destas associações que se inicia-
to ao sistema capitalista, esta buÍguesia industrial lança mão de alter- r:Url os primeiros debates públicos sobre as ideologias anarquista e
nativas reformistas de caráter plunclassista. socialista.
A tuta por melhores condições de trabalho e o debate ideológico
ilrtúnlo foram as atividades principais destas agremiações. E o debate
o MovrMENTo oprtÁHo, eNrRr, A RxvoLUÇÀo SocIALISTA :rlguns locais chegaram a funcionar apenas como centros de debate
progressistas que
E A ALIERNÀTTVA OPITIOCRÁICO.BURGUESA, AS EVIDÊNCIAS DA FRAGILIDADE lxrlíiico - era resultado da influência das doutrinas
clrt:gwzun da EuroPa.
Do ponto de vista teórico, o proletariado industrial seria o con- A presença dó anarcossindicalismo e do socialismo foi inegável
traponto principal à alternativa democrático-burguesa. No entanto, no t lcve mais força nos países com grandes contingentes imigratórios.
início do século XX, o movimento operáLrio latino-americano esteve Irrr:lusive, por isso, aié a década de 1920, apesar da presença de
marcado pela situação dos seus membros. Oriundos especialmente r,l*ias mariistas (o Manifesto Comunista foi publicado em 1885 no
do meio rural, estavam muito vinculados às formas tradicionais de Mcxico), o urarquismo e o anarcossindicalismo faziam mais eco en-
vid4 em que o principal meio de sobrevivência era a posse da terra. lrtr os operá,r-ios da America Latina.
Nas cidades, os operários foram isolados em distantes concentrações Esie predomínio podia ser constatado nas tentativas de construir
industriais e desumanas condições de vida. lctlerações regionais operilrias a exemplo da anarquista Federação
Além de reclamar o afastamento das antigas condições de üda, t(cgional Espãnhola. Sàu caráter apolítico significava a negação de
a ação política e da necessidade de um pafiido da classe operá-
r0«1.'rr
o proletariado sentia o ônus do desenvolvimento capitalista que, mui-
tas vezes, transformou antigos artesãos liwes em vendedores de força
A principal atividade destas organizagões era, além de tudo, a
'r..
de trabalho. tirtve.
A escassa produção industrial, o pequeno número de operários Existiram alguns movimentos paredistas considerados como
país e eram reprimidos
em cada categoria profissional e a árdua transformação pessoal que l)rccursores das at]vidades operitias em cada
concoÍreu para a constituição de um proletariado, permitiram, no fi- ,om extrema violência pelôs governos oligrárquicos' No final.de
nal do século XlX, que se constituíssem apenas organizações mutua- l.)02, por exemplo, iniciôu-se na fugentina um movimento grevista
listas. As tentativas de fundar federações apareceram neste período, ,lc grandes proporções com os trabalhadores do mercado de frutas,
como a Liga Geral de Trúalhadores Cubanos (1899), Federação ,.gridot peia fôOeiaçao de motoristas e por um chamamento à greve
Operária Argentina (1901), Gran Círculo de Obreros do México 11cral pelâ Federação Operária Argentina.
O governo.-reagiu com a
jornais, com uma "lei de residên-
(1872), Federação Obrera do Chile (1909) e outrâs. irrisãode dirigentés, feciramento de

35
34
cia" que estabelecia o poder de expulsar estrangeiros e, finalmente, :rrrtiirnperialista e articapitalista. F'stes documentos conclamavam
da união entre as classes populares' no-
com adecretação de estado de sítio, cinco vezes em oito anos' 1,,:in.ipntnl.rte à necessidade
i:ukunente proletariado e canpesinato'
Entre 1900 e 1907,o Chile viveu uma agitação operária sem pre- muito
Entretànto, a força destes partidos seguiu sendo' durante
cedentes na história da América Latina, com greves todos os anos: *oiot parte dõs países da América Lati-
operários marítimos de Valparaíso e outrâs. A repressão do governo
,.,r,r* u*,ãtá timitana.ro
rur. Ilnr 1929, por exemplo, o Partiáo Comunista Chileno' considera-
deixou, pelo menos, duas ocasiões marcadas como as mais sangren-
rlo unt dos mais fortes,'nào tinha mais que cinco mil membros'
Nas
tas do péríodo na América Latina: a "Semanâ Roja", em Santiago (22 XX, proletariado latino-americano
de outubro de 1905, com 300 mortos), e o mâssacre da Escola Santa
i'tr ptit*i.*ãecadas âo século o
quantidade
,:,r, conjunto podia ser qualificado- como. débil' Sua
í;;
Maria de Iquique (21 de dezembro de 1907, com saldo contraditório no.conjunto da fo1C1 dt t*bdlgl^
r('prcsentava pequena proporção ^,^
entre dois e três mil mortos). com o melo
I'or estas razões e peia proximidade que mantiúam
As greves de "Cauanea" e "Rio Blanco" ficaram conhecidas o enfrenta-
,,,r,ú, o proletariado uibarro latino'americano dissociava
como as inais importantes do período pré-revolucionário no México' politico e colocavam em primeiro plano a opG'
rrr.',rrto eôonômico do
Estas greves iniciaram devido ao mal-estar que causâva o apoio do à burguesia e seto-
oii g*quia/povoi associando-se muitas vezes
gouerno Díaz aos trabalhadores mineiros e têxteis norte-americanos ',,ç..., oligarquico' ignorando o fato
,,',, ,néclils para-tutar contra o Estado
no país. A repressão aos movimentos forzun verdadeiras chacinas, e o
rh' lliar-se a-os seus principais antagonistas'
ca.ãte, nacionalista das greves foi reforçado pela presença de solda-
dos dos Estados Unidos nas atividades de violência.
À ,r.alau qr. i. oig;i'u"; partidos e mais sindicatos operá-
,',,, ;;l;;r;ãtltotnue* .videnciava-se a fragilidade do movimento'
Em pouquíssimos casos, as reivindicações por aumentos de salá- pós-guerra' f9i o
A tlóc«la de 1920, caracteriada pela crise do 13
rios, diminuição da jornada de trabalho e melhoria geral das condi- mais reagiu tglll-1^?..i::n:':
por exemplo, o atendi- rrrt'rrlo no qual o movimento operário
Ções de vida eram atendidas, como aconteceu, lncluslve lenoen-
r',,, oligárquico e a favor do nacionalismo, seguindo
mento parcial nas greves do porto de Barr:urquilla (Bolíüa, 1918, au- principais idéias do opera-
, r:rs rnundiais. Mas estas senlpre foram as
mento dos salários em 50%) e dos trabalhadores têxteis no Peru coino seu prirrcipal inimigo e
r rrulo latino-arnerlcarro: ,er a oligarquia
(l9l8, redução da jomada de trabalho para oito horas).
proteção destes governos aos trabalhadores estrmget-
cátrtra a
Na generalidade dos casos' a violência enrpregada para repres- ',',,iii,
il:i
são dos lnovimentos e o Íiacasso destes no sentido do atendintento
l

Mesnroassim,adebilidadedaclasseoperáriafezcomqueomo-
das reivindicações concorrer&m para o declínio do zurarcossindicalis- por parte dos
fosse, neste páiioáo, passível de manipulação
mo entre os dirigentes da classe operária. Alénr disso, sob influência 'rr('rlodominantes arasàOos ào poder. Os princípios dos primeiros
da Revolução Rússa de 1917, firnclarrutr-se vários partidos comunis-
;,(.r{)r.cs
rlrr!,ÍL:ssos da Terceira Internacional também contn
Internaciónal .também contribuíam para esta
tas. Alguns destes tiveriun origent na existôncia prévia de organiza-
r Ut ll"r L JJvo
1,,ÍL:ssos - ^ L-.-,_
;r';:rocirtção entre o movtmento operário 9 L!."flt'io :1"11i:-
ções sõcialistas que se dividiram ou se radicaliz,ram
(fugentina, "' com ou-
outros foram prove- rlros l)esde 1920, se recoúecia a possibilidade de acordo
l9l8; Uruguai, 1920; Chrle, 1922; Peru' 1928), os objetivos tunda-
anarquistas (México, i;'',, desde que isso não comprometesse
nientes da evolução de grupos ou orgmizrções que per-
7
';,;;;,
r',,'rrtlris cle luta da classe operária' Foram estas colocações
l9l9;Brasil,|922;Cuba,l925;Bolívia'l928;Prurzuná'l930). (já em contato com o marxismo desde 1920)
;,';;;;;;,.' .-ú.riat.g,ri
A maioi parte destes partidos filiou-se à Terceira lnternacional la Torre' nas atiüdades
p;rrtrt'rptr, por algrim tempo, junto à Haya de
comunista, particularmente influenciados por documentos de l92l e (organização' fundada
tl;r A lilrtça Popular neràtuciónaria Arnóricana
1923, endereçados à classe operária das Américas' que propuenâvam
a lutâ revolucionária latino-ameri canâ çomo n e ces sariamente agrári a,

37
36
em 1926, que acabou por difundir as tarefas cla burguesia na transfor- rocracia do Estado, pequenos e médios comerciantes, bancários e
mação do Estado e da economia oligarquicos). proí-issionais liberais.
Entretanto, ainda por influência da Terceira Internacional, mais A heterogeneidade destes grupos explica o fato de que nem to-
especificamente do sexto congresso de 1928 e por questões internas rlas as categorias profissionais, genericarnente denominadas clâsses
de clada partido, os comunistas abzutdonaram a política de colabora- rIódias, tenham se voltado contra o Estado oligarquico. Acresce-se a
ção entre as classes que demonstrâva seus limites ern todos os países, rsso o fato de estarem afastados da estrutura produtiva que freava a
inclusive os latino-americanos. A cooperação com organizações bur- possibilidade de expressão autônoma de tais grupos.
guesas neutralizara, muitas vezes, os objetivos fundamentais do mo- Mesmo assim, nos países mais desenvolvidos economicâmente e
vimento operário, provocando divisões, criando falsas ilusões com urbanizados, uma parte deste contingente heterogêneo converteu-Se
relação a luta parlamentar e possibilidades de utilizrção das institui- cnr elemento suscetível de desarticular o equilíbrio social imposto
ções burguesas. pela oligarquia. Geralmente, estiveram afastados destas manifesta-
este últi-
Mais uma vez Mariátegui foi o exernplo da virada promovida ex- çO.r otã.ptegados estatais e o Exército nacional, embora
rilo tenha se convertido em árbitro dos conflitos e nem sempre exer-
terna e internamente: em 1928, rontpeu com Haya de la Torre e fun-
dou o Partido Socialista, que se declarou de acordo com a Terceira ccu suâ função à favor dos grupos oligarquicos no poder'
portanto, embora os movimentos políticos antioligi{rquicos reali-
Internacional.
Mas a situação ideológica clos dirigentes não espelhava com fi- zados pelas camadas médias urbanas fossem heterogêneos e ideolo-
delidade a situação do rnovimento operário, que conlo um todo era gicamánte imprecisos, sua importância foi crucial e conseqüência,
débil e só foi adquirindo maior consisrência político-ideológica no iobretudo, da ausência de movimentos populares de massa neste pe-
decorrer das primeiras décadas do século sem, até esse período, ríodo (com exceção do México, onde a Revolução de l9l0 mobili-
constituir-se como uma grande anleaÇa ao sisterna capitalista que vi- zou amplos estratos populares). Afora o México, os movimentos po-
úa se implantando e consolidando. As greves primeiro e os pafiidos pulares se restringirám às grandes cidades latino-americanas e com
comunistas depois foranr minando e solapando a estrutura oligárqui- irequência aproximavam-se dos setores médios que tornâvam-se por-
ca,já corroída pelas alternativas burguesas mais progressistas e pelos ta- vozes de algumas demandas pl uri classi stas.
movimentos políticos dos setores médios urb:uros. As classei médias, resultado do desenvolvimento capitalista na
Arnérica Latitra, passarÍun a pressionar o Estado oligárquico com o
objetivo de aumeirtar a participação polÍtica e econôrnica dentro da-
A UEILRoGENEII)AI)u I)As ('^M^tr^s Mílrtls, rvlnr,r'rsÃr r qrãla eng.eragem sem, etrtretrulto, modificar os aspectos fundamen-
InEolrlctca It RAI)tctALtt)^nn Na nçÃr r t,r rr,ilca tais do modo de produção que se impunha.
No plano da pura denro cratizaçáo, um movimento espetacular-na
Esses setores rnédios constituírartr-se em fuução do desenvolvi- Argentina revelou alguns outros aspectos d-esta questão Foia.Refor-
mento urbano-industrial e das necessidades de consumo e participa- ma"Universilária, iniciada em 1918, na Universidade de Córdoba,
çào política das novas classes sociais. como um protesto contra um professor conservador e católico, cujo
As principais características destes setores e que talvez sirvam posto era quase hereditário, pois ocupado invariavelmente por mem-
como elementos parâ defini-los são a heterogeneidade de seus mem- bros da oligarquia.
bros e o afastamento desses da estrutura produtiva. Nas prirneiras dé- O que começou como um protesto converteu-se em uma rebe-
cadas do século XX, estas crunadas médias eríun compostas pela bu- liao de estudzurtes contrâ o modo de vida e o ambiente geral que pre-
dÀmi,ava no país. Os estudzurtes passarãn a exigir uma refontra uni-

39
38
que pretendia tomâr o
versilfuia cuja administração deveria ser, no seu entender, paritiária. sembarcar na ilha com uma expedição armada
Reivindicavam uma revisão minuciosa das disciplinas com a implan- por agentes do govemo'
tação de matérias liwes, a possibilidade de estudarem com professo-
;;Jer,ú
.-- foi brutalmente assassinado
córdoba tâmbém influenciou o pen-
A R.fo.*a universitária de
traje-
,u*.rrro d. Victor Raúl Haya de la Torre que' no início
res de sua escolha e a instalação de uma extensão universitária que de sua
de aplicar o marxismo aos problemas peruanos
aproximasse as unidades do povo e seus problemas. ,*iu pofi,i.", tratava
A Reforma Universitríria de Córdoba adrnitia dupla inspiração: ou ;;iiOo-u*áricanos", como ele mesmo os definia'
A fuirdação da
nfmiã-pãprlar Revoiucionária Anrericana (APRA)' em 1926'
esta-
da Revolução Russa e da Revolução Mexicana. Além disso, espa-
também rechaçar o governo
lhou-se por muitos países da América Latina, tendo se constituído em va de'acorào com estas ideias. Queria
oe Leguía. Entretanto' ao comparar suas idéias com
as
escola política para drrigentes que no futuro se aliúariam à direita àiigrrq"l*
ou à esquerda do espectro político. O resultado do movimento, por ruÃ-..'uúuç0., pãti.^, constatava-se que Haya de la Torre conside-
a possiuitioaae do cumprimento de um capitalismo
li-
ouffo lado, foi uma elevação do nível acadêmico, uma depuração de ;;;;;p"Ã;" o irnperialismo. e o lati-
muitos elementos conservadores do ensino superior e uma intensa u.r* á.prr"Oo di seus horrores tradióionais:
deveria conter
politização dos estudantes. iiirrai". i'ara ele, finalmente, a trajetória ao socialismo
Estes eram, em sua nraioria, provenientes das classes dominmtes for*ução do "irnperíatisno capitalista" em "capitalismo na-
ou classes médias, e apenas eventualnrente questionavam a estruture "',ru
cionalista".
Mariátegui
oligárquica e o sistema que esta apoiava, ou seja, o capitalismo de- Por outra parte, o escritor e jornalista Jose Carlos
políticas participando da
pendente. O jovem estudante cubano, Julio Antonio Mella (1903- trgqa-iqiój que iniciou suas ati;idades
la Torre, rompeu com esta aliança em
1929), por exemplo, foi influenciado pela radrcalidade dos estudartes ipnq. ruaô a" Haya
- de
de Córdoba. Mas concebia esta ideologia como muito indefinida e ti- 1928 e declarava:
nha por base o pensarnento de José Martí e outros próceres da inde-
(...) la vanguartlia tlel prolctariaclo y los trabajat|xcs
c.:L::l::t)
pendência cubana. Assim, Mella aproxinrou-se do marxismo, percor- tle clases' repudlan to(la
ficles aiu accióir dentro tlcl terreno tle la lucha
rendo o mesmo caminho inicial dos estudmtes argentinos. Em 1922, signifique Íirsiirn con las luerzas u organistnos-politicos
i.ná"r.iu que
toda politica. que
fundou a Liga Anticlerical de Cuba. No zuro seguinte, a Federação de de las otras clases. ionilenamos como oportunista
proletariarlo a su independencia de
Estudantes Universitários (FELD foi criada em função do Congresso ;i;;;" l; ;""trn"la,rioin"ntanea del
tuantener íntegramen-
Estudantil. Em todos, Mella teve uma participação decisiva. programa y acclon, la que en totlo rnotnento debe
No Congresso de I 923, os estudiurtes cornprometeram-se a lutar i". io, .to, repudianlos la tentlcncia del APRA'
pela reforma universitária, protestâram contra o isolamento ao qual
era submetida a "Nova Rússia"; exigiram o reconhecimento pelo ge Mariáteguidesenvolveuaprimeiratentativaclearrálisemarxista
tla realidade latino-americ*n not Sete ensuios
le interpretação da
verno cubano do Estado socialista europeu; e rechaçaram a Emenda ',ii,rtiioiii"rrrLana
(tg}g) e insistia em vincular historicamente o sG'
Platt e a intromissão do imperialismo nos assuntos de Cuba. Além de
disso, os estudantes expressaram o desejo de unir-se aos operários e .i;ii;i; .'"," * t*.r^ áttocráticas à realizar no Peru' Acusava
;,àoii.ot bâratos" àqueles que se opurúarn-ao socialismo ao formu-
criaram paÍa estes a Universidade Popular José Martí. do latifrindio e
lar ideias como as qr" áiinnou'lt q"t o eliminação
Em 1924, Mella deu um passo decisivo ingressando na Agrupa-
rlofeudalismonaAméricaLatinaeraunratarefaliberal-burguesati
ção Comunista de Havana e colaborou, no ano seguinte, na fundaçáo
pica.
do Partido Comunista Cubano, sendo eleito para o comitê central. explicando
Mariátegui se opunha a estâs tendências reformistas
Ainda em 1925, Mella foi obrigado a exilar-se no México devrdo à só pocleria ser socialista se incluís-
qr. ;;;i;;ào rutino-,'ericzura
repressão do ditador Gerardo Machado. Em 1929, Mella tentou de- e que a presença do imperia-
,. ãui.iirot àgrarios . antiln-tpt'iolistas;
40
4l
lismo impedia a constituição de um capitalismo independente, de- Os setores rnédios urbanos, apesar de heterogêneos e indefinidos
pelo
monstrando a inutilidade de lutar por isso. ideologicamente, foram os mais Combativos e radicais nas lutas
racional, democratização política e pra-
As diferenças entre âs idéias de Mella/Mariátegui e Haya de la aàserrõtuimento econômico
Torre evidenciam a existência de correntes revolucionárias e refor- ticantesdeumaretóricanacionalista,emborainvariavelmenteesti-
mistas que se opunhan ao Estado oligárquico, sinônimo de despotis- vessem coadunados com o sistema vigente. A Reforma universitária
na orga-
mo, latifrrndio improdutivo e dependência. Ambas as tendências re- de córdoba sintetizava as mudanças que vinhzun ocorrendo
presentavam três questões que se constituíram conto fundamentais no ilçã" operária, reivindicaÇões de setores médios pela liberalização
processo de transição do Estado oligrtrquico ao Estado burguês na ã;ià" $titi." e foi portadora genérica de uma revolução democrá-
América Latina. São elas: a delnocracia, o desenvolvimento econG ti.o uuriçuau, cujo âmbito escapava rapidamente da universidade es-
for-
.mico e alibertação nacional. tendendo-se âo campo da política. Esta Reforma universitária
políticos que se deslocavam âte a esquer-
Os discursos de Mella/Mariátegui e Haya de la Torre foram con- mou quadros de dirigentes
sistentes e ficaram imortalizados em seus liwos, mas existiram, neste aa e à socialismo, embora estes intelectuais aillda não contassem
período, inúmeros outros políticos cujas práticas foram mais impor- com o apoio numericamente expressivo do povo'
--
tantes que a produção intelectual que eventualmente pudessem ter, Ma;, âpesar dos setores médios e populares terem colaborado
puru o á.t..t*turação do domínio oligárquico
(com exceção feita ao
.como, por exemplo, Madero, Batlle, Yrigoyen, Smdino, etc. Mas, an-
'lr4é*i.o, grupos foi decisiva)' foi a burguesia
tes de tratar de casos mais específicos pode-se aqui auferir algumas onde a presença desses
nacional qug pelo menoi âté 1930, teve condições mais
tendências mars gerais do movimento antioligarquico em andamento industrial
alternativa à modalidade oli-
na América Latinq subsistindo as diferenças entre os vários países. ua"quuAot de impoi ou negociar uma
gãid*.ã-a.pendónte. Esta*íiação burguesa propunha o desenvolvi-
Genericamente, lutava-se contra o despotisno, pela democracia
e participação política; contra os obstáculos ao desenvolvimento das il.r,to ..orômico via crescimento do mercado interno e industriali-
forças produtivas, pelo desenvolvimento econômico harmonioso; e ,içaa; ademocratização política através de mecanismos parlunenta-
conÍa a dependência brutal em relação aos centros hegemônicos do ,.s-tepres.ntativos; e a niodificação do vínculo com o capital mono-
capitalismo, pela libertação nacional. pólico, para conter os obstáculos que este oferecia ao desenvolvi-
Assim, por exemplo, como existiam diferenÇas entre a depen- mento desta fração da classe dominante latino-americana'
gerais da
dência econômica da Nicarágua e Argentina, diferenças enffe o des- Estes constituem-se como os aspectos comuns mais
potismo peruano e uruguaio, etc., também as classes em cada país ti- crise do Estado oligárquico nos países da América Latina' Mesmo
do Estado oli-
veram uma confonnação diversa umâs das outrâs. orri*, n.* todos oi páíses latinó-iunericanos saíram
específicas'
Em uma perspectiva histórica mais ampla, as classes populares - ü;;i;;.tte período por causa de suas características
proletariado e campesinato - geralmente ofereci:un muita resistência ir',^ toao, foram sublneilaos ir protestos importantes das classes a,ti-
àrs práticas oligarquicas, chegando a lutar pela libertação nacional, oiigrqul.". e à crise econôn,icà do modelo primário-exportador'
contra o imperialismo e contra o capitalismo, pela democracia social
que chegasse ao ponto de eliminar todo tipo de exploração.
Entretânto, até 1930, estas classes não tiveran condições de
apresentar propostas de ordenamento nacional que ittcorporassem as
demandas mais variadas da sociedade civil. Suas condições de isola-
mento e dispersão tornavam difícil mesmo a organização de deman-
das próprias.

43
42
que
tações da América Latina iam para os Estados unidos, enquâlrto
em 1929 esse país já absorvia 3 8% das exportações' O mesmo acon-
tecia com relação às imPortações.
AS DIVERSIDADES REGIONAIS E A CzuSE DOS A partir áe então, os Estados Unidos tornârfln-se os clientes e
ANOS 20
os fornLcedores mais importantes para os países latino-americanos.
Éntretanto, estes negócioi ,tão era- uniformes' Enquanto Cuba tiúa
Es-
um volume cometci-al de aproximadãnente 70% do total com os
Os processos concomitautes que resultaram na crise do Estado total'
oligarquico forâm, de um lado, as manifestações políticas de novas iados Unidos, no Chile as rocas não chegavam
- âum terço do -
À À.Oiau que aumentava a penetração norte-americanq dimi-
chsse§ sociais e, de outro, o declínio do setor primário-exportador da
nuía o controle áo aparato produtivo local mantido pelasoligarquias'
economia.
As manifestações políticas antioligárquicas que exigiam o fim ili; ;, Estados unidos iam se apoderando das propriedades nacio-
nais e adaptando as economias locais segundo seus interesses. o
an-
do predomínio do latiÍhndio, do despotismo e da presença das bur- inglês na América Latina pressupunha o controle es-
terior domínio
guesia" monopolistas, eram conseqüência do desenvolvimento da
tiaugeiro direto õbre os circuitos comerciais qtle, apê'nas em. escala
économia de exportação. Tal desenvolvimento havia forjado o apare-
redulida, influía nâ estrutura produtiva em poder das oligarquias lati-
cimento de novas classes sociais.
Durante a segunda metade do século XX, as manifestações cres-
no-americanas
Por outro lado, as inversões norte-amert icarlas em sociedades
ceram ainda mais devido as constatrtes crises pelas quais passavam maiores
agrícolas, mineiras, petroleiras e industriais, eram dez vezes
estâs economias periféricas. No caso dos países latino-americanos, o
declínio econômico esteve associado à passagem da hegemonia in- li. * lnr.rtões ing'lesas no setor produtivo' Ou seja, a penetração
glesa para â norte-americana e ao modelo de crescimento econômico
ã"1"pit"r norte-amãricâno provocou um massivo fenômeno de des-
nacionalização econômica, pois esse país incorporava toda estrutura
herdado da etapa anterior.
p.odrtiru que fosse complementar a sua, notadamente de produtos
No começõ da Prirneira Guerra Mundial, os preços dos produtos
iropicais e matérias-primas energéticas'
primários caíram muito e o comércio com a Europa reduziu-se drasti-
A aceleração dà processoàe desnacionatizaçãa econômica foi
ãamente. As exceções eralrl os países que contribuíam com produtos
conseqüência, portanto, do crescimento da inversão norte-amencana
de clima temperado - caso da Argentina e do Uruguai - e os expoÍtâ- para
no setàr proáutiuo que aumentou de 956 rnilhões de dólares
dores de rnatêrias-primas essenciais à furdústria bélica - caso do Chi- i.oá+ *lü0.s, entre lg14 e lg2g. Além disso, o fato de ecolomias
le.
naí."*pf.*entares à norte-alnericana, e que possuíam produtos si-
Os Estados Unidos saíraln vitoriosos da Prirneira Guerra Mun- grande
milares, ierem entrado em franca decadência, perdendo uma
dial e foram responsáveis pela relativa reativação da econornia latino- ganhando a concorrência dos Estados
p"rt. OÉ seus artigos clientes e
americara a partir de 19t8. A paulatina subordinação do comércio
externo da América Latina aos Estados Unidos se perpetuou e provG' - - em troca.
Unidos
ú, seria superficial afirmar que, inteffompida a demanda in-
cou uma profunda modificação que acabaria desarticulando diversas p9'tl*
tenraciànd no período da guerra, o desenvolvimento gerado
estruturas econômicas. q,re países voltariam à situação anterior' E
tenha se ertancàdo
A nova orientação do comércio mundial, enl que os EstadoS u.ràuá. que a " "iet
modaiidade oligarquico-dependente de desenvolvi-
Unidos assumiram uma posição preponderante, evidenciava-se na mento capitalista engendrou problemas nada fáceis de
re§olver' mas
porcentâgem de exportações latino-anericanas que essa potência
pus.ou aiontrolar. Antes da guerra, somente l0% do total das expor-
45
M
de trabalho ou re-
também deixou contribuições duráveis como rede de transportes e Mas não existia necessaÍiaÍrente uma oferta
parâ.estâ massa migrturte' Por
obras básicas de infra-estrutura. cursos econômicos tocaisãisponíveis
para romper pro-
O crescimento econômico do setor primario-exportador desde o *
fr*, *g*ções internas também contribuíam
nas exportações e
gressivamente com o *oá"fo econômico
baseado
final do século XIX, o aparecimento de novas classes sociais e suas expansão do mercado inter-
insatisfações, as crises constantes da economia e a passagem do do- afirmar cadavezmals a-necessidade de
mÍnio inglês para o norte-ãnericano foram os componentes princi- no' -:s diminuiu
pais da nova realidade latino-amencana dos anos 20. A proporção de habitantes com ocupâço( agrícolas
emplegala
a população
Um dos fatores que contribuiu para esta nova feição foi a expân- entre 1920 e 1930, assim como cresceu 1o
tâo
ocorresse u'na modificação
demográfica verificada nas três primeiras décadas do século. Dos setor industrial, sem que neste ponto
são demografia' mesmo porque
6l milhões de habitantes em 1900, a América Latina passou para 104 Iirtt,rr;ã co*o aquôlu ocorrida aapopulação
com
desempregada em
milhões em 1930. Thl incremento não pode ser atribuído apenas à *
,â" ,..iri.ava a ôoit'ciáÀncia entre
outro' Pode-se con-
imigração euroçÉia, pois países que receberam estes imigrantes (Ar- ,* t.ro, e aquela r.a*tt*tntt emprefada em possibilidades de
gentina, Brasil, Uruguai e Chile) tiveram uma expansão demográfica .irit, ar, qrãá uu-aá'o áo campo'roúuperior às
mais rápida até 1910, período de auge do processo de imigração, mas ocupação nbs centros urbanos'
a oartir de 1900' Neste
outros países como Colômbia, Peru, Equador e Bolíüa - que não ti- A expansão dos centros urbanos ocorreu
valpararso' Cidade do
veram importantes contingentes imigratórios - realizaram um cresci- atro, Salvador, ne.ir", iã"ü'iã' §*'iago'
mento demográfico espantoso entre l9l0 e 1920, quando o índice de México e Puebla à poutot óidodtt que possuíam mais de-c-ema
incremento anual superava 20Á do lotal de habitantes.
".*
r",r fr"úit"","s' Ainda o Rio de Janeiro e
Buenos Aires superavam
Havana e Montevidéu
Esta expansão deve ser considerada principalmente em relação cifra dos quinhentos mil habitantes' enquanto
;;ttÃã;o*i*on*tnit ziit" dápopulação nacional concentrada
ao paulatino desenvolvimento das forças produtivas que provocaram
a difusão de progressos tecnológicos e sanitários. Apesar da crise rrr capital.
já c:m.1rma
econômica violenta nos setores produtivos latino-americanos, a partir Em 1940, a cidade de São Paulo contâva !:ry]17
Buenos Aires e Surtiago aproxlma-
de 1914 o crescimento demográfico foi conseqüência direta da tenta- a. u* àiínao e México, Havana, já ul-
tiva de melhorar as condições sanitarias das grandes cidades. Além vâm-se desta marca. i;il;t úro cidades latino-americanas
trapassavam os cem *if úituittts'
Assim' entre 1925 e 1940' o cres-
disso, foi importante para este aumento populacional a descoberta de
cimento dapopulaçãouiüã"foi
muito qrande 'De250/o'em I925' a
vacinas e a diminuição da incidência de doenças como tuberculose,
a 470/o do totat'
tifo, varíola, febre amarela, cólera e outras enfermidades infectocon- ;ô;üã#úãnu itttnou' em I 940'de mão-de-obra nas cidades era
tagiosas. A redução do índice de mortalidade comprova estas melho- Na medida .. i"'" oferta
desenvolvimento urbano^foi
rias: no conjunto da América Latina, a mortalidâde caiu de 25 por nraior que u pro.*u,"iãnãuú 9u". o
os empregos nos setores
1.000, em 1920, para2O por 1.000, em 1940. Em alguns países, o ín- ;;;;;; futrápido que a capacidadã de gerar
a formação de
secundário e terciariã ãu éroro-ir.
IJto provocava
dice de mortalidade caiu muito mais que a média atribuída a todo o de
uma grande rese,ua d'e àt trúalho' aãceleração do processo
i*ç"
continente.
e a marginalização da popula-
O crescimento demográfico, por sua parte, pôs em marcha o me- empobrecimento Oas'ctasses populares
canismo das migrações internas que constitui um elemento caracte- ial tuu"*p."gada ou desempregada' pela- multiplicação grandes
rístico da América Latina desde 1920. As principais correntes migra- o desequilíbtio'.to ã"iãtniiuno .de
àas favelas barriadas' callam'
tórias ocorriam em direÇão aos centros urbanos. edifícios e mansões f'-'otut u" funo '
pas, villa-miserias eJutiii' G
serviam de moradia aos párias da so

47
46
ciedade. Esses cresciam corn maior rapidez do que preexistente, foram fundamentais para a transição do Estado oligar-
a estrutura urbana
propriamente dita. quico ao Estado burguês.
.Nestas cidades, no começo do século XX, já era nítida a desi_ Por estas razões, o historiador argentino Halperin Dongui indica
gualdade social. Ao rado de homens e murheres com exatidào que
que se vestiam como
em Londres ou paris, e admiravam tudo que viúa
do úil;;;, (...) a evoluçlo politica assume três aspectos distintos: é revolucio-
aquilo que era autêntico e local ocupava segundo parro.
Naà eia Ae nária no México; iros países austrais (Argentina, Chile e Uruguai) é ca-
bom tom admirar a cultura indígena, e hauã uma
relação entre de_ racterizada pela democratização pacífica da vida política (...); o resto da
cência e riqueza, entre decência à cor da pele,
ou seja, fráirri" America Latina continua a viver substancialmente lechado no alternar-
europeia e a nativa. "rii" " se tle oligarquia e tlitaclura urilitar, seur que Íàltem situações intermediá-
A influência norte-americana no estilo de vida das classes rias.
domi_
nantes na América Latina se fez presente bem
mais tarcre, qua,ãà in- Pela importância histórica mundial, a Revolução Mexicana me-
c.lusive já existiam tendências nationaristas por pa.rte
das classes an- rece um tratamento especial. Alérn disso, por se estender até 1940,
tioligárquicas, relacionadas com a cultura, a política
e a economia. será objeto do próximo capítulo, embora suas influências sejam sen-
Mas o padrão oligilrquico de admiraçáo da cultuà
.
misturava tendências deslunrbradas, ignorantes e
àrtr*gàir" lidas nos países dos quais aqui se tratará.
servis. O go.to!.lo Ao iniciar o estudo particular de cada país latino-americano no
estrangeiro correu paralelo corn a atração quase mágica
pel" t.;Sr;r_ período de apogeu e crise do Estado oligarquico, observa-se também
so numa concepção positivista. Em uma matriz
agrario, a* qua-no_ que social e politicamente as instituições nascidas a partir de 1850
resceu a mentalidade coronizada, as classes
dorninantes u.r.àit"ru, não eram homogêneas. Os conflitos campo-cidade, litoral-interior, li-
na possibilidade, üslumbrada pelos ideóloplos burgueses
berais-conservadores eranl o reflexo da instabilidade no ordenamento
como Com-te e Spencer, de que a ordem viãa acompanhada ";.ô;;;
de um cla naÇão. Em todos os casos foram ütoriosos nestes conflitos aque-
progresso ilimitável.
les que apostavam no processo de modernização capitalista via de-
. Entretanto, os problemas e contradições engendradas pelo modo
de produção capitalista mundial, que evidencinrm senvolvimento das atividades primário-exportadoras.
o lirnite de tais Entretanto, a instabilidade hegemônica das classes dominantes
explicaçôes filosóficas, forarn nruito agravados na
América Latina oligarquicas era particulÍumente visível no período de sua instalação
pela forma como se impliuttou esse sistelna.
A nranifestação do desequilíbrio social provocado pelo desen_ no poder político e, mais ainda, com o desenvolümento de forças so-
volvimento do capitarisrno na Anrérica Lati,a evidenciava-se ciais opositoras.
nas
B$td9s cidades que, já na decada de 20, erarn tambérn locais de reu_
nião dos grupos antioligiárquicos mais combativos e importÍmtes.
URUGUAI
tP* estes aspectos, comuns em toda a Américá Latina, exis
tiam diversidades nacionais e regionais que foram condicionadas
pe- No Uruguai, por exemplo, as desordens caudilhescas, o empo'
las circunstâncias específicas dé cada país e região.
Mesmo cori a
existência dos fatores externos incontesiáveis brecimento do patrimônio nacional, a instabilidade da propriedade
- dimanda de produtos
primários e alvo das disputas interimperialistas _, especificidad.es apgfuia e os combates entre Blancos e Colorados, entre líderes rurais
como recursos naturais esgotáveis ou não, condições ciimáticas, e intelectuais urbanos, só foram eliminados com um empeúo na
ro-
calização geográfica, composição da popuiação e modo buscade conciliação das classes domilrantes no governo Lorenzo La-
de prodúção
torre.

48 49
se ininterrupto no Uruguai até 1950, com a
criação de um estado de
Este militar de carreira (e seu sucessor, Santos, também oriundo
do Exército nacional) impôs uma ordem rigorosa nos cÍunpos e en- ;;üí;.i;star sociài, púlcipaçao política ampliada e legitimida-
frentou as tarefas de pacificação e unificaÇão nacional. Foi assim l;;;prriar. Estes elemenios roram reiponsáveis pela desarticulação
que, nas três últimas décadas do século XIX, as atividades econômi- pãri,l,l". to.àtogi.u dos setores populares, incapazes dg opq.zar
lutas importantes na esfera econômiõa,
já que a dominação batllista
cas do Uruguai prosperarzun muito, as exportações cresceram e tam-
bém ocorreu uma explosão demográfica na capital, Montevidéu. .ro U*.ãu em um discurso e uma pratica que faziam questão de
Este desenvolvimento acontecia ao mesmo tempo em que os go- -'- as contradições de classe'
ocultar
verno militares, representantes do Partido Colorado e mais ligados ao O Ú*grai, porunú, hansitou do Estado oligarqúco ao Estado
conflito eram
mundo urbano, sufocavam toda e qualquer manifestação política. A rr*guet aà"r*" ior*u pacífica em que os terrenos de
a partir da dgcqda.de
única concessão era reservada aos Blancos, líderes rurais, que exer- cxciusividade Aas ctassôs dominurtei' Somente
principais das
ciam a autoridade municipal. iô;0 ;é q;t.mergiram politicamente. as contradições
.i^ràt ni.a"-enáis no modo de produção capitalista' ' ''- '
Na capital uruguaia, o crescimento da pequena indústria e do co
mércio resultaram numa evolução interna do Partido Colorado e no
fortalecimento político destes setores. Num pânorarra de maturidade ARGENTINA
das condições para o desenvolvimento capitalista, foi eleito em 1903
o dirigente colorado José Batlle y Ordóez que fundou sua hegemonia das oligarquias
na capital e nas áreas rurais que a circurdavam (significava mais da Na fugentinq a unificaçáo do regime-político
vai assumiido feições a partir da ditadura do general Roca'
metade do país).
"o,,.t.í^
cm l880. Este, representavâ os giandes
proprietários do litoral' co-
Com a subida de Batlle, o grupo pecuarista, economicamente
,i.rti*t.t estrangeiros e invest]dores do setor de transportes' Ao
dominantã, perdeu o poder político exclusivo, aceitando um pacto de
mais atrasadas do interior
não-agressão com os governos colorados. Estes últunos propuúam ,;;il-á;ô, ur""lars"s alras das zonas
e participavam^individualmente
"maximizar os espaços de acumulação capitalista tanto das oligar- também assumiam tarefas politicas
Desta manera' ta
quias rurais como das burguesias industrial e comercial", contendo à" pÃ.p".iarne da economia pecuária e agrícola'
se estruturando o poder oligar-quicõ' LEÍirnãiãiTós'
com medidas legislaiivas a instabilidade urbana. " "onroiiJ*Ao e capital estran-
;;.;;;a;t, financistas, dirigentós civis e militares
"As quinhentas famílias" ou "A rosca", nome dado a esta fusão
política, visava organizar o mercado de trabalho urbano mediante le- teiro monopolizavam , uiã" íocial' cultural e política" fechando as
grupos soclals'
gislação trabalhista e afirmar a modalidade de'dominação burguesa õortas ae paíicipação para importantes
""'õ",r.i, r"tit*oirrior, grandes e médios, afastados dos grupos
através da democracia representativa, sem, entretanto, estender essas do crescimento
benesses ao campo. of igãq,ri.ã. centrais mã b"eneficiários :Ti:T,t::'
por sua rna-
Financiar a "modernização" política e social do Uruguai comer- ;;;i;;"r" da marginalizaçáa política e erãn afetados
Pequenos comer-
cial, artesão, burocrático e industrial só era possível nos períodos de O.qúao às novas Condições do mercado lundial'
ciantes, artesãos, .*ptã.-iót d-e serúços'
burguesia llnufanqeira'
progresso, utilizando os garúos da exportação sem atingfu a econo' oTgt*
mia de base ou a prosperidade dos grandes proprietários ;"il;ffi; riuLtuit, Àtúa-t"t e intãlectuais' que tinham.
nu*o imigratório' âpostâvam na sua inclusão
O discurso de Batlle, pretensamente integrador mas que revelava no tronco criolloou
"o
do Estado oligárquico, mâs eram afastados
desta possi-
um projeto particularista, criâva um espírito de confiança otimista e nas benesses
uma consciência de nação que só foram abalados depois de 1929. bilidade.
Mesmo assim, o desenvolvimento do capitalismo foi diúmico e qua-
5l
50
Trabalhadores urbanos e peões de estância vizurr nas lutas pelo A União cívica Radtcal nriurtinha ainda uma iDclefinição emrc-
podéi político a possibilidade áe melhoria das suas condições ae viaa rta dc-
l;rçào ao desenvolvimento econômico, estando absolutanrente
e de Íabalho que não aconteciam. E, finalmente, filhos de imigrantes pcirclência da acumulação no setor prlmário-exportador'
de primeira ou segunda geração e grupos regionais das zonas pam- que câ!114-
Apesar de iunpliar as funções do Estado, perrnitindo
pearlas e litoral, recentemente incorporaclos ao processo de expansão maiores garan-
,1,,s màdias . poprlar*s puclessem se expressar conr
capitalista, buscavam assinrilação e participação irrestrita na vida na- ,i,'r, ot gor.rirrt.t aa ÚCn não admitirml ameâças à ordem social'
,,ii,rur.,a'à repressão viole,ta, em 1919, co.tra si,dicalistas e
cional. operá-
Todos exigiarn a liquidação da marginalidade e a extensão da na possibilidacle de instaurar uma república so-
r r()s que o.r.ditoronl
participação política, em distinto grau segundo os grupos. Suas aspi- na Argentina (célebre momento repressivo conhecido como
e ilrlisia
rações, em geral, tendianr a retbrnras moderadas com sentido redis- " senrana Trágica") e, ent I 92 I contra os camponeses
desapropriados
' discretamente o mo'
tributrvo favoráveis à ascensão, enriquecinrento e seg$rança. ,l:r Patagônial Por outro laclo, o governo apoiott
Desde 1890, surge a necessidade de reunir estas aspirações em estudantil que iniciou i Reforma Universitária de Córdoba,
'imentô
torno da idéia de retorno à verdade constitucional e eleitoral. Desta- por entettder que, nrêsmo extrenraclo, poderia pôr fim ao monopólio
cou-se, então, a União Cívica Radical (UCR), ern completa oposição ,,1 gárquico na Universiclade.
- i
da.pe-
à ordenr oligárqui co-conservadora. O'proieto político raclical sustentava-se pela prosperidade
O apoio e simpatia que esta orgzurização obtem desde o inicio , t,ína I ag.icuttura. Esta riqueza permttia a extensão dos serüÇos
era paralelo à idéia de alguns dirigentes oligárquicos de que a UCR pela burocracia estatal, ate,di-
iri úi.or, é'ir",pr.grisr-,o i,creme,tado
seria uma forma branda de cmalizar, dentro do regime conservador, i,,ento parciai dJ demandas populares, uma idéia redisrributiva e uma
uma maré de insatisfações, íultes que acontecessem convulsões revo- independente'
lucionárias, possibilidade que o caso do México revelou precoce-
lxrlíticaextemamais - - proprietarios
Mantinha-se, entretÍulto, a coalizão entre grzurdes
mente. imperialisrno (representados
t..r"Jiti^ e pecuaristas) e âgelltes clo
Em face de tais acontecimentos, enl 1912. o presidente oligar-
iJ"r'nig".ificos e ,ias férrr.x), enquanto os projetos de proteção
quico Roque Saénz Pea achou que era hora cle tornar realidade o su- ,,os arren'âatários ficavam vacilantes ou naufragavam
no senado oli-
frágio universal, bandeira de luta da UCR. Assim, ern l9l6 foi eleito gárquico.
internacio-
Hipolito Yrigoyen, presidente radical que pouco inovou. As oligarquias centrais e os represelltantes do capital
Novamente a máquina eleitoral Íbi aperf'eíçoada de modo que enquâllto esta se comportâva como expressao
rral suportavzun a UCR
âpenâs o governo (UCR) tornavâ-se invencível. Mas, no plano políti- . .o,rio mecatrismo de coirterrção das nrassas populares' O contra-
quzutdo as-con-
co, os radicais corneçavarn a remover resíduos do passado que consi- rrtaque oligarquico viria em 6 de setenrbro de 1930'
deravarn vergonhosos, introduzindo noções de dernocracia liberal, distributivas e lento
i,:Jiço.t ãntre participação política, pressões
soberania popular e nacionalismo. (deteiminado também pela crise mundial de
.j..rú*.nto econômicà
Respeito ao sistema institucional e à Constituição, realização do 1929) ficarant eviclentes e irsustentáveis'
sufrágio universal, honestidade administrativa, respeito as autono- A experiência radical na Argentina foi'.a exemplo da do Uru-
mias provinciais e moralidade pública, foram os telrlas que auxilia- que o país. vizi-
guni, po.ífi.u e ordeira, mas denrónstrou' muito mais
râln os dirigentes radicais a nlantereÍrl-se aÍastados tanto da oligar- não-oligárquicas' até pelo
iiià,'Jt ri.ittit,des clas classes ctorninzurtes
quia como do anarquismo e socialisrno. rnenoslg30.Ocasoargentinoclarificavaasclificuldadesemtrattsi-
i;;;;"";l Estado cleriocrático, rornpeudo a aliança com as demais

52 53
e os traba-
Alesszurüi representava as camadas médias urbanas
classes dominantes conservadoras e, conseqüentemente, perdendo a qu.lroú'rru liderança, apoiaram- reformas sociais e jurídi-
rr,,,,ro..,
fonte da acumulação que representava a economia exportadora. de urn Código de Traba-
r. políticâs, como por.*.tnpío, u àprovaÇãoptottção
po'a- do. ploletan{:];
tl',,i ern t lá+ lteglitação específicà
o regl-
,,,,,,.,r,,tuo.ao .n1 I qZS da nova Colstituição que reestabeleceu
ct[L]l regula-
l;,:";;;:;;;;;*i"iá; .'i^i- do Bzurco central como emissor'
,1,,r de créditos e de bancos privarlos
para o controle da inflação e sa-
Industrial'
No Chile, a presença de militares nos processos políticos que o da economia; criaçao do lnstituto de Crédito
,,,i,,,i-r.,i
culminariam com o ocaso transitório das oligarquias foi a expressão :,,i_" Mineira e caixa de Fomenro carboneiro; irnplaúa-
i ã. cieoito
das dificuldades de conter um avançado moümento operário. q.,,,., à. uru liúa aérea uacional que
reservâvâ a cabotagem as com-
No limiar do século XX, as classes dominantes chilenas - oli- pública; constru-
garquia tradicional (trigo e peles), burguesia mineira, comércio de irur,i.ü. t"r.Àação chilenas; impulso- à educação
e de infra-estrutura'
rrr,, cle obras púbticas, sanitárias
exportação e negócios bancários - viviam numa grande opulência, govemo o nlovlnlento operário chileno
Além disso, durzurte seu
devido à urcorporação de sua econolnia ao mercado nrundial. operário' ti-
'r,r rlesertvolveu e, sob inrpitni- de Emilio Recabarren'
A concretização da prosperidade estampou-se no período Bal- operária' tun-
l,rigraÍb que dedicou J;l;;;t";ganização
cla classe
maceda (l 886-l 89 l). Precocemente, então, a prosperidade da econo
,1,,i,-te o Partido Comurrista Cluleno'
mia exportadora chilena gerou uma política nacional (algumas medi- Alessandri realizou-as reformas ern dois
períodos presiderrciaiq
dâs do presidente Balmaceda) logo derrotada devido à crise desta promulgaçao ao no'o Constituiçãô e outro apos 1925' O
rrrn ruttes da
economia. A guerra civil que provocou a queda de Balmaceda ern militares' En] 5 de setern-
;;';.;;;À;;i": niediàclo por manifestações corn a finalida-
1891, tâmbém determinou o triunfo das forças oligárquica§ mais tra- lrro de 1924, uma junta inilitar clerrubou o presiclente
dicionais e pró-imperialistas. Isto não significou, entretanto, o cance- leis sociais por ele-ditadas Propunhanr--se
,f,.' tü nai* a aplicaçao clas
nreses de-
lamento das lutas progressistas iniciadas neste período com os operá- ,;',.;iaur; o pàd.. do, i.to"t atastados em l920' Quatro
por Carlos
rios e classes médias de Valparaiso e Santiago.
;;,;;, ;;," Jrria militar foi substituídâ por outra' liderada
Até a década de 1920, a economia chilena altemava períodos de e pelo me
llxinez e Marmaduque Grove' Apoiadapor alessandristas
crise e prosperidade, o sufrágio cotrtinuava sendo corrompido' dois obietivõ patrocinar a volta do presi-
partidos políticos (Ali:urça Liberal Conservadora e União Liberal)
t'i;il; àp..*io, tinrram como
tlcrrte constitr.rcional.
enfrentavam-se sem maiores conseqüências e o sistema ia enffando Em 1929, Alessimdri foi novamente derrubado'
como conse-
em decadência etn face dos novos acontecimentos políticos' sucessor foi o g-e-neral Carlos
da crise mundial' Seu
.1,iêrrcia imecliata
Nas primeiras décadas do século XX, novos grupos sociais, fru-. tir.urez. paulatinamente trmsfotnlado em ditador'
tos do desenvolvimento capitalista no Chile, se fizeram presentes geral do país
Ibrinez foi derrubado, em l93 l, por um moürnento
com importância cada vez maior. Inspirados no positivismo ou em que sucumbiu Ímte a can-
.,r."U.ioAo por estudantes universitarios e Mon-
doutrinas solidaristas vindas da Europa, os industriais, comerciãltes, clisfarçada de liberal' de Estebár
,ri,iài"i" uma
universitários e artesãos âgrupa.ram-se no Partido Radical' "rlg*quico-civilista,
Marntaduque Grove tenta instaurar
Irrtt. Ettt tõlZ, o general
Em 1920, a oposição (Partido Radical nrais União Liberal) lan- ;ii.p,,uii." ttciahsia", no Clrile' que «lura apetras cem dias'
çou a candidatura de Arturo Alessandri que, tendo vencido a conten- do avmÇo e da
Alesszurdri ,.pr.r.iun'o ainàa a possibititlnde
da eleitoral por pequena margem de votos, conseguiu colocar-se rnodernizrção oo .opiiJit'no chileno através de reformas econômi-
como representante da renovação e das classes populares contra a oli- incluíarn mais classes do que
,:;;-; p;iiii."_sociais. Estas reformas
garquia e o elitismo.
55
54
aquelas restritas ao rígido sistema oligárquico, entretanto,
o temor posição nacionalista com sentido revolucionário, tendo ftlndado a
que estes grupos tinham da participação ampliada Al i ança Popular Revolucionária Ameri cana (APRA)'
fez com que a
transformação capitalista do país foise levada a cabo pelas
oligar_ fiaya-dg tu&11e rechaçava as formulações propostas pelo mar-
quns. *,smóípefoi-"iomunistas crioulos". Entendia que, ao articular-se o
. Assim, no Chile, como em muitos outros países da América La_ ',feudalismo colonial" com o capitalismo imperialista, impedia-se o
tin4 o desenvolvimento das rerações de produção capitalistas não
ti- desenvolvimento nacional, sendo, então, necessário eliminar, a exem-
veraflr como corolitrio a instauração de um Estado dômocrático-bur- plo da Europa, os resquíiios feudais aceit:urdo condicionalmente a
guês, a não ser pela existência temporiíria do suffágio
uriu.rsaf à ãe in.orpotução de tecr.sôs estrangeiros que auxiliassem no crescimen-
alguns elementos parlamentares-representalivos. to Jo'país. Ele denominava esta ajuda de "imperialismo construtivo"'
uaya àe la Torre ainda julgava o proletariado peruano como incapaz
Ae tmpreenaer tais atividãdes e proclamava
que as classes médias
PERT]
.ru* Àuit nacionais, capazes e beligerantes para exercer tal lideran-
Ç4.
No Peru, o poder das oligarquias rurais se efetivou depois de
. Mariátegui, por sua parte, âpesar de ter participado nas ativida-
muitos governos miritares, sob á presidência de Augusto Lesuia A"s alim# tei concoràado na necessidade de levar a cabo refor-
que estas refor-
0219.1910)' expoente de uma diradura_ cad" u", ,ãrl"nã-i*r. mas oacionat-democráticas, era firme quando insistia
Este foi o período de auge dà economia de exportação dos minérios consolidariam com o socialismo. Ele assegurava que as
mas só se
da
peruanos e, também, de penetraçào brutal do capital imperialista
nes_ classes médias não eram nacionalistas e opuúa-se à possibilidade
tas atiüdades produtivas. porque' no seu entender' ambas
- burguesianacional ser independente'
processos
então, a um processo denominado ,,refeudaliza_ nr .'Íost.s temiam a participaÇão das massas populares nos
- ..Assistiu-se, de
ção", quando Iatifundirtrios rurais organizaram a produção de alimen- políticos de transformação nacional.
tos para abastecer os centros dinâmicos da economia. '- ú*iat.gui também entendia que a arriculação entre o feudalis-
t
^, Og mes.m9 t-emqo, na década de 20, ocorria a emergência de se_ mo e o impúalismo só permitia a evolução deste último, com carac-
e que,
tores da sociedade afetados por estas transformações eriandamento, terísticas ó contradiçõeiespecíficas âo caso latino-americano
como por exemplo, trabalhadores agrícolas recém_concentrados em portanto, a libertaçáo popútat e nacional só poderia ocorrer através
ffqrtaeões de açúcar, algodão e arior; operários mineiros e indus_ de uma revolução socialista.
triais; classes médias urbanas e rurais; coinuneiros ,*prop.iuaor;ã Durante a década de I 920 estas posições foram se organizrndo ,'
e / ii
há'
munidades indígenas ameaçadas ante o avanço dos latifundios;
ú- a crise de lg2g serviu para ace.dei os ânimos antioligárquicos
Peruano
.. I orgqrização desres grupos implicava clistintos graus dé mobi_ muito incubados. O povô agrupou-se no Partido Comunista
li.zação que iam desde arividades poríiicas antiorigrárqulcas ou na ApnA e insurgiu-se violentarnente no processo
político contra
ué a aqui-
sição de conotações aniiimpê iratiitas e anti capitalistas. a ordem estabelecidá. Enquanto a APRA promovia várias fursurrei-
Dois políticos e intelectuais, provenientes dos setores médios da PC fomentava a constituição de soüetes'
sociedade, polarizavam estas posições: José carlos Mariátegui e vic- '---eo i.pr.rsão
ções,
violenta que i,fluía na organização das classes fez
a mÍuona
tor Haya de la Torre. O primeiro foi responsável pelo deseniolvimen_ com que a APRA conseguisse, em pouco tempo, agrupar
PC em segundo plano'
to do socialismo no Peru, tendo fundado o partiào socialista (secção dos setores mobilizados no país, deixando o
popular foi a união do conjunto da
peruana da Terceira lnternacional), enquanto o segundo
^rr-iu
*u Mas o resultado da mobilização
torno do Exército nacional' elemento
classe dominante peruana em

56 57
his.tória potítica do país e que evidenciava
9:.lij:-?""
do slstema político.
a precariedade
tor de serviços desànvolveu-se intensamente' a burguesia.
cornercial
fortaleceu, ioin'ou-tt um proletariado petroleiro' devido
A década de 1930 foi, errtão, um período L:resceu e se
perderam
de luta entre levanta_
apristas_ e Exército, embora o presidente lo êxodo do campo para estâs 'onas, e os latifundiarioscafé e cacau
91,::_T,rrdos poa"t .o'rr decadência do
)ancnez Ce*o (venceu Coronel significativamente seu a
9:*:
i '"' I
adotado uma retórica tipicarnente poprfi.r"- ''
Haya de la Torre nas eleições ae tq: ú-ffi; rriirimeiraGuerraMundial
. r , Asmanifestaçõescontraogovernooligarquicoeramcre§centes"'
vindasdêtodo,o,lodo'eexi[iaminstituiçõesmaismodernas,re-
uras mais flexíveis, prti.ipãçai no poder
político' horizontes mais ,
r
irõr"t p*, ;i;id;J.t econômicai e democratizaçao das relações
-- ^trúalho'
cntre capital e ,-_r r:L^-r^r^
Na Venezuela, em tg99, o caudilho andino, general
Cipriano i, d.r.mbro de 1930, uma mmifestação popular pró-liberdade
9T"g romou o poder através-de uma
Exército improvisado, mal_armado.
;il; campa^ha militar: um rle presos políticos era dissolvida a tiros de
fuzil' e a ditadura Gómez
rr.".là*ente inferior. O des_ .á,rtinuou'ate 1945. No entallto, a ditadura cadavez
mais apresentava
leixo da repressão oficial ao ,"";^.;i;;;tpirro .r" sinal do cresci_ ;il"ir á. desgaste. As manifesiações estudantis (1919)' a greve dos
mento econômico da região dos Andes _ com i
àafé e gado _ e também evi_ de Transvias caracas,
dência da reivindicaçãoàe u,na *ptrui- trabalhadoresl da companhia Britânica
A propalada ,'restauração,'
iãÀiàn"r.
;üi; á;t estudantes, ó rompimento de relações diplomáticas com o
lnovos troniens, novas idéias, novos
procedimentos) anunciada por Castro úé*l.o a partir do repúdio de Alvaro Obregón ao governo venezue-
no país e ''
não se càncretirou. Co.rupçã,
il; fôrmação de-Àoürnentos de inspiração socialista
práti
cas passadas contin uaram prevat ecendo " Paris, por exem-
:lpl:tjl" : tantos
no sena como
. seu ;;;; no exílio caÍacterizavarn este período. Em 1929, em
outros, não fossem dbis momentos de pãlítica
nlo- fundou-se a "Junta de Liberación de Venezuela"'
a díüda._r.;;;;ã j;'r;;
nacionalista. Em 1902, negou_se a pagar
"'"' A;;;g; ã.riíãiina,to gestârÍrn-se o desenvolvimento político
de seu governo,resistiu ooi int".e.i.,
presentados pela empresa New york
,ir.ío,
norte_america,os, re_ e ideológicõ, os partidos, as orgzurizações sindicais
e camponesas e
and Bermúdez Co. de uma democracia efetiva'
A queda de Casrro em I90g foi conseq,iêircia io*úenl"u conscíência da neceisidade
que seriam decisivos na construção de um país mais
desta polírica. Os avan-
Estados unidos rorr,eram rerações aiproi.iãtrcas .f.À."tot
enr julho e meses
depois impuseram o irome cle _ltirur Vice,rte'ôàr.,"r, '----óPoliticamente.
çado
processo políti-
Casqo-, para a presidência clo país.
ex_partidário de paArao violento de insurgência das massas no
países da Arnérica Central'
Gómez apoiou ieu poder na aliiutça conl .o au í.n.rrela foi seniettrantã ao dos possuíam um
,.--^Y,,-..q1t. os interesses das diferenças que guardam, estas realidades
lmpenattstas em expansão no país, elirninou todas as liberdJe;;;_ ú;;," pelo atraso na afirmaÇão de um
blicas e reviu todas as negativas do e*_p.esiãente traço comum que se caractãrizava
crises no setor pro-
te. Em 1913, ano das eleiçôes para presidentl,
ao vizinho do nor_ nroduto oredominante, na freqüente repetição de
mais atraentes
cretizou através de manob.ras inventadas p*u
sua ditadura se cou_ il*;.nã;nqristu das terraimais férteis e produtos dos
parpa,r__se no poder. pã. i"i,.tiráãiJt ã.ir*g.ito. e no conseqüente enfraquecimento
O real motivo destas atiüdades políticas
ela a J*pioruçaod"
e asfalto, iniciada em lg7g,-peios ingleses f;r;l;; grupos oligárquicos tradicionais'
o^-"f,
corporada pelos Estados Unidôs aesal tg
principalrnente, mas in_ piàiori.oua. a-o i.gi,"" político crise hegemônica das
.ou .a
tZ.' extremado' Portan-
Foi a partir do início da produção do petróleo classes dominantes traduzia-se em autoritarismo
de um mercado in-
transformou. Aumentaram as irnportaçô.,
que o país se ;;;;;;;t" ea
poaer tocat pequena importância
Oe L.r, de consumo. das classes interessa-
o se_ terno concorreram para o atraso na constituição
58 59
das em um desenvolvimento econômico racional,
na libertação na_ Enquanto os governÍurtes locais enriqueciam corruptamente e
cional e no fim do despotismo. Isto só ocoiier, mesmo,
a partir dos contiúâm as manifestações populares, o vizinho do norte estava sa-
papel
anos. 1930, quando ficou evidente o declínio
do predomíniã d.;; risfeito com a manutençáo Ao importurte "quintal". E este era o
nomia. primrírio-exportadora e quando novas rlas oligarquias cubanas, mais não seria porque à qualquer ameaça de
atividad., ..onÀÃ úã, desembarca-
há muito incubadas no rígido siiterna otigrirluico,
.o*.ç*u* *O.rJ .lesconlrolà local, os próprios âgentes do irnperialismo
pontaÍ como frutos também de uma nova
organização do *"r..Jo u",, p*u intervír nos assuntos internos (1906, l9l2-1913, l9l7-
mundial (pós-Segunda Guerra Mundial). l9l8-Ae 1933).
No entanto, veremos que as reiviídicações político_ideológicas interíenção estrangeira, à fraqueza das oligarquias locais e ao
tTgL* muito tempo alltes, carregadas de sipxrificado inilü;; rúraso nó desenvolvimentã econômióo, correspondia um
movimento
rebelde.
'..'i"*"r-p'pularfortalecidopelamemória.martiarralocalepelaes-
sência do-pensamento revol ucionário mundial'
No cüso das primeiras décadas do século XX, a oposição popu-
CTIBA lr ia sendo reprimida, nras reorgzurizâva-se nuttr nrovimento de sísto-
le e diástole, igualrnente seguido pela coerção-do governo'
.A República de Cuba nasceu em l9Oàjmediada por dois proces- As primeiras greves út:u, áe 1902, ejá entre l9l4 e 1920 fo-
dos
pl9l._gue surgiu
s.9s, conseqüência das guerras pela indepen_ ram realizados os irimeiros cougressos operários' A mobilização
^conlo g9g)
dência (l 868- I 878 e r 895- fábricas de tabaco era o re-
r e ôutro que procurou encobrir a vi- trabalhadores das usinas açucareiras e das
tória dos revolucionários rocais pera presença massiva variadas que iam desde o gre-
dos mariners flexo da organização sob influências
norte-americanos. iri^iirÀo, áarcossindicalismo, passando pelo reforrnismo e até efei-
Do prfuneiro processo restarÍurl as idéias libertadoras que
.
miram de fato a merrópole espanhota. Aúr* il;;iràipãrc
suori_ tos do triunfo da Revolução Soviética e do socialisrno'
irrir_ Paralelamente,asinfluêttciasdaRefonnaUniversitária.deCor-
mentos da revolução de indepenctência teiem
siao suprimúor, ,oú._ ooua ,r,,ãg;ar" ao país através de um
jovem estudante de idéias anti-
viveram aqueles que, em mémória de José Martí, não *p..iufii Julio Antonio Mella. Com base nas idéias de democra-
aceitavam as
duras condições impostâs pelos irnperialistas. "t,
iiãia" a" ensino universitário, Mella inspirava-se também nas ad-
.. Elt* condições tiveran origem naquele outro processo de ,.rtôrci* de Martí de que se deveria ter cautela em relação aos Esta-e
o Caribe
"constituição",da Repúbrica. cubisurgiu anexada aos Estados uni- dos Unidos e mesnlo repudiar suas tentativas de controlar
dos. A Emenda Platt, irnputada pelo governo dos Estados Unidos combatia veementemente a opressora e os-
a América Central. Mella
como apêndice àconstituição de lg0l, permitiaintervenção norte-americalla, com a qual o governo cubano de
airetae tensiva presença
indireta. Tornou-se obrigatória u .or..rião de bases
,orui, . ; ;;_ GerardoMachadocompactuava.Entreváriosrnanifestosfeitospor
primento de um Tratado de Reciprocidade de 1903. ú;iiu;o período, o de-1927, que exigia.a queda da ditadura' estam-
que
Estas eram as bases da dominação imperialista
em Cuba que ain_ ;;;;; ;d',. do estudante Alejô Carpentiel, obrigado a se exilar' Em
da submetia-se à imposição de govei,antes. Liberais
e conservadores I. io**iu destacado escritór e intelectual latino-americano.
1929, ttt.llu foi assassinado no México sem realizar o soúo
alternavam-s-e no poder prorneténdo, cada qual, n ."pu.nçãã de de-
á";;;;;; ditador' Ele' en-
anteriores e fingiam, todos, que representâvatn os inieresies
cle Cuba. ráÃUr.* clandestinamente em Cuba e derrubar o
Tomas Estrada palma, Garcia Menocal e Gerardo tr.t*to, compartilhava com muitos outros este plano arquitetado dé-
Machado fo-
ra1 a]euns dos presidentes que evidenciaram a fiaqueza àas Martí'
quias locais frente aos desígnios norte-americanos.
;ig;_ cadas antes Pelo PróPrio

60 6l
A crise de 1929 apressou a queda de Machado já desgastado construçãodocanalinteroceânico,nacionalizouosbettsdocapitalis'
ollerosos olcrcci-
pela impopularidade devido ao assassinato de Mella e pela repressão las norte-americanos e recusou empreendirnentos
sangrenta que irnpetrava em caso de manifestaçôes populares' Tânto rlos pelos imPerialistas.
'O 1909' a interven-
os inimigos coltlo seus aliados - os Estados Unidos e o Exército na- result'ado desta resistêDcia foi sua queda em '
direta dos nurirwrs norte-americânos no país até
cional - contribuíram para sua queda em 1932, devido àrs dificulda- çiro l?33: lrala(lo
itnpedlr: o"-i^i^".',':
,

des do presidente em manter a ordern. cretização de tudo aquilo que Zelaya tentara
A década de 1930 foi de rnanifestações populares, de urn lado, e iiiy*-brrornorro (conôessão territoriâl para a construÇão do cmal) e
do café pela empre-
polarização do governo (medidas progressistas para não alentar a iironopOtio sobre a produção e comercialização
,.l
sa nortê-americana Companhia Mercantil de Ultramar' A partir.de '
oposição e continuidade da repressào), por outro.
imperial'
O decreto de medidas democráticas, sob efervescência popular, iõ0ô; p;""to, a Nicarágua submeteu-se.ao.ordenamento
poaei potitico rliominal tenln sido deslocado das mãos dos
durou muito pouco tempo. Embora a velha máquina oligárquica lo- *nruo.ã o
pecua-
cal, juntamente com os Estados Unidos, continuasse funcionando .^ià"rr,o.., (ecànomicarnente dominantes) para a oligarqüa
com maior agilidade do que no começo do século, o moümento po- r ista
"*Nàtradicional.
representativi-
pular nacional continuou lutando. O combate à corrupção, à ilegali- áà.^Oa de 1920, ao sinal da tentativa cle maior
liberais e com a eclosão de uma in-
dade e ao entreguismo foi adiante e transformou Cuba no único país ,r"atpoipJ. dos careicuttores
de ba-
socialista do continente. ,iiir.iç-'popular na zona Atlântica, liderada for plantadores agita-
os pecuanstas
nanas como Eliseo Duarte e Beltran Sandoval'
ao poder alr?v-es
,",*r"., representados por Adolfo Díaz, chegaram figura de José Ma-
NIcnnÁct tit ,i. gárpó. A reação tiueral ao golpe surgiu.na
"*
rio üo,i."àu que defendia a constituóionatidade'
Mas apesar do cres-
os liberais aceitaram um pac-
t'imento do exército constitucionalista,
A Nicarágua integrou-se ao capitalismo nrundial através da pro'
dução de café. A oligarquia desse país estâva representada pelo go- i;;; q;.1 Moncada assumia a presidênciado.país e os^EstadolUni-
uma Guarda Nacio'
verno José Santos Zelaya (l 893- 1909). Expressão política dos cafei- ,ús se'.etirariam assirn que estivesse constituída
pactos de 1927 - Stimp
cultores, Zelaya fortaleceu o aparelho de Estado, criando o primeiro nal (segurança para seus investimentos)' Os
imediato do Exército
Exército profissional do país. Além disso, integrou azona Atlântica son-Moncada - determinaval o desarmamento
não se concretizou graças à
(em poder dos ingleses) ao território nacional e criou as condições liberal. No entanto, essadeterminação
resistência do general Augusto Cesar Sandino'
basicas para expansão do cultivo e exportação do café (infia-estrutu-
ra para atender as demandas internacionais e formação de um merca- Em 1928, ,on p."tiaencia de Moncada' pacificar,am-stf :,lS=
dominantes
"
nicaiagüenses e permanecerafiI atreladas ao dommlo
do de terras). Redefiniram-se, sem alterações substanciais, as velhas ses
constituiu-se
formas de relações sociais pré-capitalistas existentes desde a colônia. nort"-*..i.-o. A cãntraposição a esta pacificação populares' lideradas
por parte das classes
Zelaya não isolou apenas lâtifundiários dedicados à produção numa espetacuta,.espásta
destinada ao mercado interno, pequenos e médios proprietários, inte- por Sandino.
Sandino viveu no Mexico no período da
revolução, foi infl-uen-
lectualidade urbana e outros setores produtores para o mercado mun-
p.iot trabalhad;res petroleiros. de TamPico,ry:^
dial. Tentou tambem impor resistência à violenta penetração do capi- .iuOo :i:1"117
norte-americalla que explorava o suDSolo'
tal norte-americano. Depois de ter aceito inversões fundamentais como operário na empresa
para o desenvolvimento da produção - exportação do café -, o presi- N;õ.ü;p;.", Sandino já revelara.extraordinária capacidade de or-
âente da Nicarágua negou a concessão aos Estados Unidos para ganaaçãa-e estratégia de luta proletiiria'

63
62
Entre l92l e 1934,liderou um movimento de libertação nacio_
pelas concessões territoriais e de empreendimentos que djstribuíam a
nal que contava com apoio de camponeses, pequenos propriefários,
lapitalistas norte-americanos. Mais tarde, esta política de oferendas
operários e intelectuais urbanos. A exigência central do movimento
se traduziria no grande poderio da United Fruit Company, que tÍans-
era a desocupação do território nicaragüense pelo exército ianque, formou a Guatemala em um dos maiores enclaves bananeiros da re-
11 não propunha qualquer transformação social de cariíter mais gle gião. Isto significavaque, como se discutiu no capítulo anterior, exis-
bal. A tentativa de intelectuais de imprimir um conteúdo de transfor- iia no país pré-capitalista uma "ilhâ" de capital monopólico que não
mação'social ao movimento fracassou e chocava-se frontalmente
possuíà ouúa relação com a sociedade nacional a não ser pela sucção
com a idéia de Sandino de se opor à organização partidríria ou pro-
de excedentes.
gramática.
Os efeitos negativos, entretanto, se faziam presentes em todos os
O modelo ideológico do qual dispuúam não possuía uma defi-
âspectos da vida nacional. Existia, em primeiro lugar, uma moderni-
nição e isso evidenciou-se quando, em 1933, diante da retirada dos
,ução qr. era setorial restrita as zonas do enclave. Além disso, aper-
mariners norte-americzutos, Sandino aceitou uma trégua entre seus
mânênôia de comunidades inclígenas organizadas ao lado dos latifrrn-
comandados e o fundador da Guarda Nacional, Anastácio Somoza
clios tradicionais completavatn o quadro das dicotomias. Nestas
García. Aliás, a retirada dos Estados Unidos estava vinculada intima-
áreas, portanto, â presença do capital monopólico impedia de fato o
mente à criação desta polícia política e fundada na confiança que de-
clesenvolvimento àe forças produtivas nacioflais isolando "zonas
positaram em Somoza.
rnais modernas,' e impedindo a formação de um mercado interno,
A tão soúada libertação nacional do movimento sandinista não mercado de trabalho livre e diversificação da economia. Para conter
aconteceu e o próprio Sandino só viria a compreender isso muito as reivindicações dos canlponeses expropriados, indígenas explora-
mais tarde. Depois de seu assassinato, as forças que ele estimulara
clos e dos próprios operários do enclave, utilizrvam a violência im-
formariam a Frente Sandinista de Libertação Nacional (1961), em-
placável da ditadura.
brião da Revolução Libertadora de 1979.
A ordem imposta por Estrada Cabrera era como uma espécie de
exi gência fe ita pelos càfe i cultores alemães, plantadores norte-ameri-
GI]ATEMALA
caros e latifirndiários nacionais.
Setores da sociedade como artesãos, lojistas, professores e ou-
tros grupos intermediários deixaram clara a sua contrariedade e ver-
Na Guatemala, como em Cuba ou na Nicarágua, a estrutura pro-
dutiva nacional pouco transformou-se pâra adequação ao mercado
gonú.* relação à forma como o poder era exercido e distribuído no
sufrágio feito atra-
mundial. As relações de produção pré-capitalistas não se modifica- faís. No período da quarta reeleição do ditador -
rarn em funçao deste processo de integração ao comércio capitalista
vés de falcatruas que perpetuavam o regime - a situação da Guate-
mala estava peló deseruolar da Primeira Guerra Mundial e
internacional. que haviam abalado fortemente o país' Neste nPmgf
"gruuudu
por terremotoi
O cultivo de café perpetrou no poder uma oligarquia cuja tarefa io, a oposição ie organizou em torno do recém-fundado Partido
foi criar um mercado de terras e manter pratic:unente cativos os trâ- Unionista Centro-americano. Este partido congregava os grupos
balhadores. Mas, de fato, esta oligarquia via afetados os níveis de
afastados do poder e influenciou a Assembléia Nacional a declarar a
acumulação interna devido ao monopólio gradativo que capitatistas
enfermidade mental de Estrada cabrera, substituído, então, pelo lati-
alemães foram engendrando nos setores de produção, beneficiamen-
fundiario Carlos Herrera'
to e comercializaçáo do produto. O poder nominal da oligarquia ca-
O movimento unionista alarmou os ânimos das massas popula-
feeira, representada por Estrada Cabrera ( I 898- I 920), sustentava-se po-
res que clamavam por melhores condições de üda e participação

64 65
como Sodré
lítica, mas foi resolvido no seio das classes dominattes. A queda de rlas instituições e na imposição de governantes fantoches
Estrada Cabrera, em 1920, foi liderada pelo conjunto da oposição, iliü;nav" Ogl5-1922),Louis Éorno (19.22-1930D e Euggene RoY
partiu
porém a aliança de setores médios e classes populares foi rapidamen- . dieiio vi..nt em 1930. ó úni.o protesto, à época da invasão'
evidenciava a neu-
te afastada do poder pelo general cabrerista J. M. Orellana. do intelectual Rosalvo Bobo. Essa alitude solitrária
locais
A frustrada participação popular voltaria a aparecer cotn força trziízaçío das classes populares perpetrada tanto pelas elites
em meados da década de 1920, servindo como pretexto paÍa outro como pelo imPerialismo.
grupos
Golpe de Estado perpetrado pela oligarquia local na figura de Lazaro Os agentàs do imperialismo mantinham inalterados os
latifundiários'
Chacón. Neste período, o tnoütnento popular já aparecia coln un1 ..orõ*ió-rociais dominantes, como comerciantes'
conteúdo anarcossindicalista importânte e também tinha organizrdo ruralistas e "notáveis". Além disso, as propa-ladas "ciüliza-
*ifii*.t,,úodernidade"
;ão;;; não incluíarn uma transformação nas relações
uma pequena secção local da Internacional Comunista. política.àls
O prolongamento da oligarquia guatemalteca no poder, por outro sociais de produção e nem a zunpliação da participação
norte-atnericanos aos mula-
lado, perrnitiu o amadurecimento da coalizão que se apresentava classes popllarer, mas o apoio táclto dos
qu.'.,j*punham o t.iot nrais dinâmico das classes dotninartes
corno provável nos anos 20: antioligarquica, atrtiinrperialista e antica- iár
pitalista. O resultado desta coalizão foi a Revolução de 1944. locais.
fortna
ó repúdio das massas populares à ocupação só viria de
de amplos
slsteÃatlôa a partir de 1928, quando o descortentamento
humithadl pelos soldados racistas do
IIAIT] ,.tor., da pequena burguesia,
gsiaaos o inconfortnismo de grupos tradicionais
,rf Aor Unidos, e
nacional'
AIém das disputas entre frações da classe dominante, da inter- ãásaio.laoos do poder tomardn conta do espírito
- -ó; os naciona-
venção direta do intperialisrno e da difícil definição dos atributos efeitos da crise de 1929 agravarÍun a situação' e
com apoio dos estudantes
econômicos, fatores que concorreram parâ uma perlnânente crise so' listasexigiam eleições liwes e soÚerania,
já uma crítica consistente à ocupação e
cial e de hegemonia na América Central, o Haiti esteve sempre nlar- ur-ürri,ãio. que elaboravÍur H.oover' o
cado pela chiunada "questão epidérnrica". Os conflitos haitianos, oo-*iúut.lotismo aas classes abastadas do Haiti' Quando no
admitiu organizar eleições
além de serem regionais e econôrnicos, são apâretltemente étnicos e ."til ót.tia.nte dos Estados Unidos,proporções internacionais'
popular já atingira
serviram de pretexto pâra que forças de ocupação conlo a Marinha oaís. o movimento
*" "';;;;;à;'à*'úott.t "oom
inantes, o cand idato vencedor Sténio
dos Estados Unidos se instalasseln no país.
Vi..ni .ttouu adotândo uma retórica nacionalista' mas de fato
re-pre-
A polarização que se configurava como conflitiva poderia ser re- Unidos' A mobilização popular e
sentava os interesses dos Estados
sumida da seguinte tnaneira: un1 setor nrulato agroexportador mais e' em 1946' reapa-
urbanizado e dinfurrico, identificado com o desenvolvimento do capi- das classes médias negras não admitiu tal disfarce
talismo e uma oligarquia negra latifundiária e parasitaria, subordha- ;;;.;; em um movimenro democrático, o,de forças si,dicalistas,
populista estive-
da à ôrdem tradicional. Foi esta disputa sem vencedores que serviu Partido Comunista, e partidos políticos de conteúdo
de motivo para a invasão norte-artrericana que começou em l9l5 e ram tamtÉm Presentes.
que alternaram momentos
durou até 1934. O Haiti, portanto,fazparte dos países
de uma brutal inter-
Com o lema da "ordeln" e sob a proclamação de que "os negros ditatoriais e democrático-representativos nobojo
ferência norte-americana nesta região central
do contmente' A lnoe-
são incapazes de govemareln a si tnesmos", os Estados Unidos fica-
;;;ààr;ú formal destes países não chegou
ram 19 Íulos no Haiti. Esta intervenção conseguiu apagaÍ todos os ".qtTltl:it^s^TlT:T
dominantes locals e lao
atributos da soberania nacional, assent:ulclo sua legitimidade na crise ãe um Estado jurídico-político pelas classes

6'7
66
Porras. Influenciados pelas Reforma Universiuiria de Cordobq Re-
pouco a formação de uma nação dotada de identidade própria ou ho votuçao Mexicana e R-evolução Russa seus partidririos fundaram um
mogeneidade pelo passado. partiào radical que apoiava-se eleitoralmente nas massas populares
do campo e aas ôiOaaôs, mas também na pequena burguesia'
patatraÁ
Bsà úttima tentava, ao longo das primeiras décadas do século'
criar uma organizaçáo alternativa, independente de Bellsário Poyas
e, também, Jm oposição às oligarquias'
-composta A Ação Comundl, or-CryT
O Panamá insere-se nestas contradides. O país nasceu sob a i- r..i.í-desiina, por médicos, professores, odontólo-
égide do imperialismo norte-americano e, a partir da aceitação do gos, advogados e outros profissionais liberais, tinha um conteúdo na-
pri-
Tratado Hay-Varilla, a nova república transformou-se em urtrenclave õionalista-e, em termos ãstratégicos, era conspirativa. Fez suas
de fransportes localizado ao largo de l0 milhas em ambas as mârgens *eiras apúções em 1925, mesmo perío{o em que a classé- operária
do canal, de um oceano a outro. p*u*.nt átingia maior maturidade política e coesão' Em 1924, por
u
As classes dominantes locais viram fiustradas suas expectativͧ L*.Àpto, o. opã.ánior panâmeúos haviam criado o Sindicato Geral
de usufruírem em proveito próprio da posição privilegiada do istmo e à", iLUlffr"aàres, órgào desde sua fase embrionária muito organiza-
ficaram reduzidas a proprietários e agentes irnobiliiârios da zona. do e combativo.
Ainda assim, esta oligarquia não era homogênea e dividia-se entre O primeiro movimento espetacular que reuniu as forças de opo-
um setor comercial e outro imobilirário. Este último concentrâva pro- sição à oligarquia iniciou em 1925 com um protesto de inquilinos
prietários nas cidades ou nâ zona do cural e também latifundiários e ,ort uo uú.ntodos aluguéis. As proporções do moümento tiverzun
caciques regionais. * .quiuuf."te repressivõ sem preôede.tes-nâ histórla do país: a oli-
Os funcionários do enclave, norte-americanos da zona do canal, garquia local optou pela atuação imediata dos nmriners norte-Íunerl-
aproveitavam-se do monopólio dos transportes paÍa asseeprar tam- i-ót,.frr*^nôt poit em l2 de outubro de 1925' Mesmo conr pri-
-
bém um predomínio nas atividades comerciais e de serüços. Seu po- sões, deportações e grande saldo de mortos e feridos, o
movimento
força'
der estendia-se à organização do Estado, pois a Constituição de I 904 de inquilinos, t..çao do Sindicato Geral dos Trabalhadores'
assegurava toda e qualquer possibilidade de intervenção norte-ameri- Assembléia Nacional a criar instrumentos legais que res-
em 19i2, a
canâ nos assuntos internos, a exemplo da Emenda Plaft em Cuba. pondessem em alguma medida a suas aspirações'
Mesmo assim, desde a promulgação da nova Carta Constitucio- ' Érn contrapoiição, as oligarquias panameúas apoiaram-se mais
nal, iniciaram-se heróicas tentativas de impedir interpretações arbi- ainda no imperialismo tentanão côntrolar ou absorver os
movimentos
trárias do acordo. Um exemplo dessa resistência popularizou Belisá- ãã ãp"tiçaó até, pelo menos' 1940. Nesse atro, Arnulfo
Arias' da
rio Porras (1912-1916, l9l8-1920 e 1920-1924), cujo esforço reno- Àçao Co**al, iú eleito presidente, adotando uma política de
traços
vador imortalizou posições oriundas do tradicional liberalismo co- definitivamente Populistâs.
lombiano. Proposições corno "democÍatiz:4ão do ensino" e "libera- O ensaio de dêmocracia parlamentar pelo qual passou o Panamá
lismo social" tiveram como corolário algumas medidas concretas: na- neste período foi, em maior ou menor medida, também a experiência
que con-
cionalização das loterias, construção de estradas e vias férreas, obras dos outros países da América Latina. As propostâs e ações
públicas, etc. triúui.am para criar períodos de distensão da ordem oligrírqüco-con-
As medidas adotadas por Belisiirio Porras afirmavân o Estado servadoraiiveram rxna gama muito variada de influências oriundas
em funções públicas ainda conservadas pela lgreja e tinham como ã^ aouttin* europeiâs,iomo o anarcossindicalismo, por exemplo'
objetivo dar maior coesão à nação, mas só foram frssíveis graças ao
realinhamento de forças de oposição às oligarquias sustentadas por
69
68
Eltrejqnto, o que realmente provocou o
ocaso proüsório das oli_ ção que otimizariam a produção nacional em atividades mais diversi-
garquias foi o rancor acumulado p.ru,
mes autoritários eram contestados po.
Ári,à;.;ó-;;;. d;r.d: ficadas. Impedia, ainda, a constituição das classes como grupos emi-
*oui_.rtos de proporções va_ nentemente capitalistas ou anticapitalistas. Formava-se rtln pequeno
riárreis que identificavarn-se com os
valores nacionais e regionais, proletariado isolado das lutas mundiais, uma burguesia fraca e de-
questionando as olioarquias pero
afastam.niã cuau vez maior da rea- pendente do latifrhdio tradicional e um capitalismo sem vigoq sem
lidade nacionar ou
iera-aurei.i" à. ,, ;;ü"
anseios e demandas estivessem minimamente
porítico no quar seus dinamismo e dependente em termos de crescimento.
' breves momentos democráticos, .ont
contemprados. Nestes Um outro problema dizia respeito à» fraturas do Estado oligrír-
aã,'^ àl^r., ufãrãA*
der pelas oligarquias centrais _ protetaraOõ
àü; quico e à crescente crise de hegemonia que evidenciavam as lutas li-
ÀaçOes da burguesia co toral/interior, comerciaVagrário e liberais/conservadores. Ao lado da
merciale industrial, classes meáias . .u-p"riru,o complexidade particular desses conflitos em cada país da América
dições de propor uma alternativa ctara -não tiveram con-
e ãrlanica à nação. Nenhum Lalina, eles apresentam una contradição central. Os grupos em dis-
desses grupos era capaz de espelhar
o. *..ià. dos ,,marginarizados,, puta são membros da classe dominante que lutam por impor a sua vi-
ou pelo menos de apropriar_se e transformar
mecanismos de acumulação e a riqueza
àm benefíci; tóp";;. são de organização nacional. Mas estas disputas acabam por entorpe-

grande^parte, foi parar nas mãos


nacionat. Esta .iô;;ã-; cer uma e outra filosofia de capitalismo. Por exemplo, os grupos li-
dL investiáores estrangeiros e até berais ligados à urbanização e imbuídos de um dinamismo empreen-
nos cofres públicos dos países imperialistas,
concretizando assim as dedor, que lhes permitia um ünculo definido com o mercado mun-
"profecias" de José Martie lose Cárfos ü-iàtàgui.
dial, dependem geralmente do interior, dos latifundiários conserva-
As. olgarquias primi{rio_exportadoras, com condições
. objetivas dores que mantêm o poder sobre os produtos comercialiáveis ou so-
mais adequadas para exercer o poder como
Chile, e também aquelas que não possuíam
ú.;ó; ;
na Argentina, bre a população pobre da região.
estas condições como na Portanto, o Estado que se funda sob as premissas do liberalismo
AméricaCentral e Andin. foram iempre rrn ãl.r.rio;;ilõ;; e da autonomia só se expressa e se sustenta por formas de mediação
opu+l à nação, mantendo obstáculos'ao desenvolvimento
produtivas, reforçando a depend€ncia
d;
ô;ç; extremamente autoritririas. Os alicerces deste poder começaram a
ao imperialismo e l.grrÀd" desmoronar quando, no final da terceira década do século XX, esta-
em causa própria com grande dose de .o..ção
que se t aalrria ,À vam praticamente solidificadas as bandeiras de lutas das classes que,
despotismo político.
não absorvidas devido às mesmas contradições, começaram a preG
A ordem política oligilrquica era no essencial e cupar-se com seu próprio destino. Tornaram-se claros os projetos e as
em seus porme_
nores sua precisa negação.
apostavam em um desenvolvimento.As oligarquias centrais, p;; il;;i;, demandas de cada fração de classe, definiu-se a face que tinhao país
que baseava a acumulação capi- no qual queriam viver, mas tambem evidenciaram-se as alianças pos-
talista mais-nos impulsos ao com-ércio de
exportação do que em in_ síveis entre grupos tão contraditórios em relação âos outros como in-
crementos da produtividade., sendo assim,
os aliceices do àr.ud;;; ternamente.
pitalista latino-americano edtavam fundaáos
na exploração compul_ A luta antioligarquica e a Revolução Mexicana mostraram o que
sória do trabalho nacional para atender--r-ar,"^., do comércio estas contendas poderiarn colocar em risco para cada uma destas
mundial. A manutenção de relações sociais pré_capitalistas,;il;;
classes e, portãrto, vislumbrou-se a possibilidade de continuação do
utilização majoritária ae mecanismJr à" óo.rçao
:iiqi,
nomrca " oDstacullzava a formação .*,.á-..* domínio oligarquico compartido com outros em ascensão.
de um mercado interno que, bem
aproveitado, poderia servir.aos propósitos
desta oligarqula. g' tar_
bém impediam o-desenvorvinrenio d'e ..taio"s-.apitorirtÀ
a. proau
70
7l
a isso o fato de os trabalhadores mexicanos serem preteridos para as
melhores colocações e salários.
A CRISE DO ESTADO OLIGARQUICO PELA VIA A industrialização era reduzida e apenas três setores - ferrovias,
REVOLUCIONARIA: O CASO MEXICANO mineração e têxteis - absorüam as146.559 pessoas que ali trabalha-
vam, ainda segundo o Censo de 1910, o que correspondia a 5% da
população total do país. Esta população era de origem rural e tinha
A oligarquia mexicana instalou-se no poder em 1876, com a as- abaÍldonado o campo devido aos ataques sistemáticos à propriedade
censão de Porfirio Díaz à presidência da República. Seu govemo reu- comunal e a falta de trabalho para os empregados agrícolas. O prole-
nia as condições essenciais para implantação do capitalismo no Mé- tariado industrial era, portanto, reduzido e conservava uma grande
xico. Baseado na aliança imperialismo-latifrindio, Díaz foi eleito em identificação com o campo e seu tradicional modo de vida.
norne do liberalislno. Porém, seus consecutivos mandatos foram ad- O propalado desenvolvimento industrial para as décadas poste-
quirindo um caráter centralizador e, sobretudo, ditatorial. riores à 1880 foi especialmente resultado de inversões norte-america-
Assumindo tarefas conlo cercamento dos campos, expansão da nas, canadenses, francesas e inglesas em empresas mineiras, petrolei-
fionteira agricola, expulsão dos zurtigos proprietários e regulamenta- ras, rede ferroviária, indústria elétrica e rede de traÍlsporte urbano.
ção do processo de trabalho, a oligarquia mexicana colocou a ação lnternamente, capitalistas nacionais encarregavâx-se das indústrias
repressiva do Estado a serviço da via reacionária de implantação do de bens de consumo como a alimentícia, bebidas, cigarros, farinha e
modo de produção capitalista. açúcar. Além disso, dividiam com os franceses alguns investilnentos
Idealizrdo neste sentido, o governo de Porfirio Diaz erabaseado na indústria têxtil e controlavam o grande comércio. Corn capitais
tuo positivisnlo europeu que, representado por um gÍupo de intelec- muitas vezes provenientes do setor primário-exportador (açúrcar e al-
tuais de educação superior chamados "científicos", preconizava a ne- godão) ou pelo menos dependendo da oscilação destes prodtrlos no
cessidade de "ordem interna" para a realização e continuidade do mercado mundial para realizar os lucros no setor industrial' estt lia-
"progresso econôrnico". Assim justificava-se reÍbrçar o poder coerci- ção empresarial da burguesia mexicana conreÇava a apresenlar sirrais
tivo do Estado, sendo o Exército responsável por âssegurff a ordenl de descontentaÍnento.
segundo o lema do porfirismo de tratar os desordeiros apan o palo; A política do governo Díaz de apoio irrestrito ao capital estran-
aos opositores dava oportunidades no govenlo; os indisciplinados es- geiro, fizeram com que esta fração de classe adotasse uma postura
magava cor,l sua autoridade; os índios extenninava. crítica em relação ao regime, ainda mais tendo estabelecido contatos
O prejuízo inicial desta política recaía sobre os índios, campone- na Europa do liberalisrno. Contestavam o govemo e idealizavam para
ses e pequeuos proprietários. A necessária criação de um mercado de o MéxiCo uma "democracia liberal" a exemplo de alguns países euro-
terras para os cultivos de exportação culminou com os resultados da peus, recém-egressos do absolutismo.
legislação Íhndiária, irnplantada entre 1875-1883 e 1893-1894. Em O desenvolümento industrial do período' ainda que pequeno se
I 9 I 0, Iatifuirdiários nacionais, capitalistas estrangeiros e comparúias compaÍado com os centros do capitalismo, também provocou o au-
demarcadoras estrangeiras (840 pessoas num total de l5 milhões de menio do número de empregos e o redobramento da exploração. Em
habitantes, segundo o Censo daquele ano) detirúar'll quase 90% do decorrência dessa nova situação, surge, em 1872, a primeira organi-
território nacional. zação proletilria de caráter nacional, sucessora de associações mutua-
Os centros urbanos, por outro lado, adaptados para atender ao listas: o Gran Círculo de Obreros de México, que congregava vinte e
comércio de importação-exportação, não tinlnnr capacidade para oito sociedades operárias.
proporcionar emprego ao ntimero crescente de aspirantes. Acresce-se

72 13
O governo Díaz tentava desestabilizar as organizações e impedir
as greves com
conjrurto como resultado da "vontade coletiva nacional", ou seja,
extrema violência. Apesar disso, os operários reclama-
venceu o projeto burguês.
vam por arxnentos salariais, diminuição da jornada de trabalho,
me_ A agitação política urbana iniciou em 1899 com a fundação do
lhor tratamento por parte dos capatazes e igualdade de condições em
Círculo Liberal Ponciano Arriaga em San Luis de Potosí. Em 1901,
rela@o aos trabalhâdores estrangeiros. contabilizaram-se qúase au-
na mesma cidade, reuniram-se vários clubes liberais para formar a
zentas e cinquenta greves durante o porfiriato, e as mais importantes
Confederação de Círculos Liberais. A segundareunião, em 1902, foi
ocoÍreram no centro mineiro de cananea em 1906 e nas indústrias
têxteis de Rio Branco no ano seguinte. O caráter ,rcuaarn.ntà nu_ um desastre pois resultou em violenta repressão do governo e na pri-
são de Juan Sarabia, Arriaga, Díaz Soto y Gama, entre outros líderes
cionalista destas greves já era uma constante em todos os setores
do movimento. Apesar da repressão, a Confederação foi reorganizada
opostos ao regime.
e retomou suas atividades de oposição ao regime, em 1903, na cidade
Intelectuais de grupos intermediiírios aproximaram-se do movi-
do México.
mento operário e introduziram, ao lado dos trabalhadores imigrantes,
Em 1906, foi lançado um "Manifesto àNação" acompanhado do
idéias anarquistas e sindicalistas que propunham a renúncia ão dita-
Programa do Partido Liberal Mexicano (?LI\4), fundado em 1900 por
dor e exigiam a paralisação imediáta d'os privilégios ore.eciàos a em-
Ricardo Flores Magón, responsável também pela edição e circulação
pregados de alto nível e capitâlistas forâneos.
dos jornais El Demóuata ( I 899), El Porvenir ( 1900) e Regeneración
Desde I 900, a agitação revolucionária tomara conta das cidades,
(1900, 1904 e 1906). Estes jornais e documentos do PLM contri-
e toda a sociedade civil engajou-se na luta por um México melhor.
buíam para manter vivo o descontentamento. Circulavarn clandesti-
Ao contrário de outros países latino-americanos, neste mesmo perío-
namente, sob o lema "Reforma, Liberdade e Justiça" e conclamavam
do, no México, a luta de classes chegou a mobilizar simultaneamente
a população mexicana a voltar-se contra a ditadura.
todas as forças antioligárquicas. A transição ao Estado burguês ad-
quiriu, assim, o caráter de ulna verdadeira revorução democràiico-pe O entendimento de alguns líderes do movintento Iiberal de que a
tomada do poder por vias legais tornava-se cada vez tnais difícil fez
pular.
com que Flores Magón, Sarabia, Antonio Villareal, e outros, mârcas-
As contradições inerentes ao modo de produção capitalista na
sem uma revolta para25 de julho de 1908. Entretanto, os focos in-
América Larina tiveram um desfecho radical no Mêxico, mediante a
surrecionais foram sufocados em quase todo o país como em Vices,
eliminação da fração oligrí,rquica da classe dominante, destituição do
sistema de
Coúuila, Las Vacas, Palomas e Chihuúua.
latifundiária e das relações dé produçao que
-propriedade
supuúam formas No mesmo ano, foi diwlgada no México uma entrevista que
compulsórias de trabalho.
Porfirio Díaz concedera a unl jornalista norte-americano, na qual re-
Durante a Revolução Mexicana todas as classes antioligrárquicas
velara sua pretensão de abandonar o poder em 1910, não concorren-
desenvolveram seu potencial de luta e organização. AlguÀas^apre_
do à disputa para o sétimo mandato. Os liberais voltaram, então, a se
sentâram projetos complexos de organizrção nacional dÉrnativoi ao
proJeto oligárquico, outras não foram capazes de elaborar tais proje_ articular pela via eleitoral quando, em 1909, o recém-fundado Parti-
do Democrático lançou o nome de Porfirio Diaz parz a presidência
tos. Porém, todos lutaram contra a ditadura, pela democratizaçãa;
contra a dependência, por fonnas de libertação nacional; e contra o
da República com um programa de reformas semelhantes irs do
atraso, pelo desenvolvimento geral da sociedade.
PLM. Propunham também o nome de Benito Juitrez Maza paÍa a
vi ce-presidência. Tai s proposi ções, reformas democráticas e a elei ção
ao longo do processo revolucionilrio acabou prevale-
.Entretanto,
cendo o projeto daqueles que tirúam condições de fazer valeios seus
do filho de Benito Juarez,líder da Constituição Liberal de 1857,
constituíam-se em uma ardilosa manobra política dos aliados de
interesses, incorporar demandas de outras classes e de apresentar o
Díaz. Era uma forma de reeleger o ditador.

74
75
=-

. li.na? em 1909, trç* de oposição fundaram


T a.' r.tor.r'Àãà'ü
reelei c ionista, com posro o partido Anti_
u.u*or. i nrer ectuais, co
povo mexicano e repetia as palavras que tinham eletrizado as massÍls
merciantes, industriais e arguns e que as motivaram a lutar contra Díaz: "Sufoágio efectivo y no ree-
r"tin r-À,Lio, insatisfeitos com a cri_
se econômica que atingia o pais
aesàe iõoi.'o novo partido da leicción".
sição lançou os ror"s-à.e nàr.ir." ono_
presidência e vice_oresidência
ü"a;;;. VÁõ;ã;";;H; As lutas camponesas de Zapata e Villa, por sua pâÍte, erarn secu-
n.prfiíü
gg
Francisco Madero t lsz:_iílriü;;ãà
iespectivamente. lares. Enquanto o primeiro assistiu à destruição das comunidades in-
a uma rica famítia me_ dígenas e dos ejidos, o segundo assistiu à proletarização do homem
proprieriíria de fazendas
xi cana.
refilala;
;; ftffi ;:.urrumes, gado, m inas. do campo no norte povoado por latifundiários e indústrias minerado-
de cobre, tundições á; il;ãõ;indústrias râs.
cos. Madero realizou sua formação têxteis e ban_
na Escola de Estudos No Estad-o de Chihuúua, ao norte do país, a liderança de Fran-
Comerciais AvanÇados.de puris
à na ".rnãl.ri.u
üãir..rio"a. de Berkeley, Cali_ cisco Pancho Villa era um dos retratos da tragédia do campesinato
fornia. De votra ao México, mexictuto. Como a região fora povoada em função da ativid.rde mi-
tuação geral muito diferente ""lJ.tã
àãli.ro. .n.or,rou uma si_
da-que rràuiu *rrr..io" r" Érirü'. nefua, o camponês local tinha sido precocemente transformado em
tados unidos' Influenciad" er_
úrá liú.ràã. ãmpresariar, faciridades proletário rural ou trabalhador mineiro e de vias férreas. As exigên-
creditícias e modernização d; cias do villismo, no que diz respeito às terras, eranl, portÍulto, indivi-
ug.i.ulirii'üraero assistiu ao abaro
da economia mexicâna,-in.rusi"ã
se conformava com a ausência
aá, *;à;;;,
de sua família, e não cluais e propurúam a manutenção da propriedade privada. Além dis-
ae fiberàaãe ã."onOrrica e política. so, Villa pretendia indenizar aqueles latifundiarios que perdessem
Francisco Madero. aceito, .*aia."t parte de suas propriedades. O desarraigarnento e a mobilidade do
r_iJã'presiaencia para ,,rees_
tablecer el império de la constitu*d;;rrd" lúnpen-proletariado seguidor de Villa contrastavanl com a profunda
efe*ivos los deberes
que ella prescribe",
I-9:l::h"r.de governo.
programa
fr'".r.;;ntido
" zo ae áuti o" ts t que deu ao seu
ligação, qr.rase atávica dos zapatistas a suaterra.
lançado em
e
Emiliano Zapata lutava pela devolução da propriedade comunal
parúa realizada por comício, qr; O, à sua cam_
;i;;; céte bres. de acordo com as tradições indígenas que, eln seu povoado (Anene-
Apesar do tom moderado
pnmia as.manifestações_e chegou
da.""p;;";; potícia do Estado re_ cuilco), no Estado de Morelos, tinham sido mantidas para facilitar a

desde o dia 7 de iunho de lgto


,"';il" de prender Madero regimentação de mão-de-obra até meados de 1880/90, quando as de-
ate-iz-a.'irii" do mesmo ano. As mandas do mercado internacional por açúcar, principalmente, exigi-
eleições rearizaram-se 'r*iqJriurrã'uã'r"#io ram a extensão da propriedade seúorial, além do aumento da produ-
de junho de I9r0.
sem a presenÇa de Madero, assegurando tividade. As comunidades remanescentes foram sendo, então, des-
a vitória nu,iaurlrtu ãoáiãl
dor que iniciou seu sétimo mandato. truídas a favor dos interesses da classe dominante local e do mercado
No entanto, a turbulência revolucionária mundial.
que impedir ia Diaz de
permÍnecer no poder iá esrava Zapataparticipava dos protestos e das delegações junto a sua co-
evidenre por três ro.os o p1Ç.i"
dero e seus seguidorei nas cidades; vã_
(Norte) e Emiliano
;ü;;.t,* pan_
carnponeses de munidade. Foi eleito, em 1909, "capuleque" (líder da comunidade) e,
ãilis"l);"á'ã'gou._o dos Esrados no ano seguinte, reuniu oitenta aldeões miseravelmente armados para
*:",::1" constituir o início do Movimento Revolucionário do Sul Mexicano.
.^^, Y-d.lo.tuCi.u qql,oT** rle onde lançou o ptano San Luis po
tosi em outubro de rg r 0. Nesse plano,
Suas reivindicações estavam fundamentalmente ligadas ao reconheci-
a.r.ilui, os últimos aconteci- mento da propriedade comunal e a sua devolução incondicional, re-
mentos do país, dirigia atâques
âo goue.ro Oíaz, se auto proclamava sumindo, portanto, interesses meramente locais.
presidente provisório do úéxico,
;;r;il;;; lu," armada rodo o Neste momento, quando Madero laÇou o Plano San Luis Potosí,
conclamzurdo todos a intensificar a luta contra a ditadura, o governo
76
11
Díaz jâ se desgastaralrela agitação política insistia
urbana e rural que não
conseguia controlar. Os invéstidorei norte_am.ri.Àii'.- Enquanto isso, Emilizuro Zapataresistia à nova ordem e
governo dos Estados Unidos começararn
o ;ô;; .* .-tàr seu exército mobilizado até a concretização das medidas
vistas irs
a ver com Uors olrroJa agrrlrias. Ao mesmo tempo, os partidos se organizavam com
Díaz q.ue, por um tado, nào conseguia *r.g*ar {rÀ_
$:j:_l::lin"
oem rnrerÍE paraaeficaz continuidade das inversóes
Jár_ eleições de novembro.
ae caiitat e, por A união de esforços de setores diferenciados, que concretizou a
outro-lado, bargarúara, no final do sexto mandato, meta
,_t"gã'"rã.iri"__ queda de Porfirio Díaz, começou a desaparecer ao se atingir a
vestidores europeus. presidente do país, praticamen-
Lançado em outubro, o plano San Luis potosí
à.rqun". Francisco Madero foi eleito
dos anseios de camponeses, operários, intelectuais
promoveu a união t. ,ã* opositores mas formou um gàbinete de políticos liberais e
e até investidores
estrangeiros. A revolta marcacla para 20 de novernbro .ons.ruaàores com apenas dois revolucionários: Abrúan Gonziiez
para o dia I8, devido ao assassinato
f"i ;it*úJ; a;;ilú internos) e'Manuel Bonilla (comunicações)' Foi completa-
de Aquiles Serdán, ,.rolr.iãna_ ntente insensível à» aspirações nacional-populares que unificavam
os
rio maderista. As tropas calnponesas lideradas por pancho mais vigorosos'
vilra ade- r.toiat fora do poder, no instânte que eles estavam
riram imediatatnente ao- rnovirnento, .nqr"À- Zapatx aiscutia
seu exército as
com iecé^-egresso, à" u*n luta armada em que os prirrcípios da não'ree-
implicações de sua participação.
rerçao cãnstituíram apenas uma etapa inicial, e fazia-se
preemente
A adesão de Emiri:uro zapata à revorução maderista
só ocorreu avançar na direção das reformas sociais'
-l9l l,
em março..de quando Madero prometeu ',ugl. .or.àtÁ.rt.,
com moralidade, cumprindo a lei em vigor,,
irancisco irrÍadero não atendeu àrs demandas populares e ficou
em relãção a proprieaa- cada vez mais isolado. Ele acreditava que os
problemas do país eram
de. Esta adesão foi Íirndamerrtal e definitiva.
As tropas fêá"#; ;; políticosequecomaderrubadadaclitadura,aliberdadeseriares-
sar. am a enfrentar a guerra civil
no Sul e no Norte. Ao mesmo t"ripã,
;;;rrá peia formação de um Novo México' Por isso, Madero foi
a tática de guerrilhas utilizada pelo exército uma
poÍante para o desgaste do governo.
de Zapatafoi muito iinl brutalmenie pressionado pelas classes populares que esperavam
solução para os seus Problemas.
Em abril de l9l I começou a batalha considerada 'Em'Morelos,EmilianoZap?LlaacusavaMaderodetraiçãoeape-
decisivaparaa
vitória da Revolução. M.adero reuniu suas trop*
cidade fronteiriça de Juárez onde cerca de viite
. aproximou_se da turu pía sua deirubada desde novembro de 19l l, quando redigiu.o
mil soldados norte- ptanô de Ayala, desconhecendo a liderança do presidente e referindo
americanos mobilizav:un-se desde lgr0. A possibilidade
de interven- os abusos de poder por ele perpetrados'
y fy^ temer govenristas e o povo mexicãno, mas era
claro que os No Nortô, teve importância crucial a rebelião de Pascual orozco
Estados Unidos pendiam mais reu-
flara o laao àe úaauo qr., upJãnte_ que,-em março de t9fZ, aeu origem ao Pacto de Empacadora'
mente, controlava as nlassͧ. As tropas do governo revolucion'árrios. Nesse pac-
Díaz renderam-se em 2l de maio aé tqt t àntr*
sob ó comando de ,ináo un,, número considerável de chefes
Luis. Po-
ÍuneaÇas revolucio_ to recoúecia-se as questões programáticas dos planos S:ur.
nárias, e, aí, foi firmado o acordo de paz "ciud.rd iÀediata concretização. Além disso,
Juarez,,.Esse acoi- iãri À ÀVufu e exigia-se a sua
do previa a renúncia imediata de poifirio Díaz uma questão nova que mais tarde seria
e do úce-presidenie Pascual brorao introduziu
Ramón corral, a interinidade de Francisco
kán de ra Barrà Gec.eti uUúa-t.*.nte discutida: a necessidade da implementação de uma
esrrangeiros do governo deposto) na presid'ência.
l:-,1:.*lultos
oongaronedade de convocar eleições gerais para novembro
a '-- -õ trabalhista.
legislação
do movimento operá-
diata interrupção das hostilidades .o,n o .onr.qüente
e a ime_ ú.riã.nt. Mud.ro sofreu ainda pressão
desarmamento rio. Soü amparo da liberdade preconizada pelo novo presidente' orga-
das tropas revoluci orárias. a Casa del Obre-
nizaram-se ,ári^ agr.*iações operárias' entre elas
ro Mundial (COIvflm 1912, dirigida por anarquistas' Esta' em con-

78 79
--

sonância com suâ formação filosófica, repudiava


todas as formas de
A ação de Venustiano Carranza promoveu uma união desses es-
governo, especialmente a de Francisco Madero
que expulsara ao pais fbrços isolados. Ele não recoúecia o governo de Huertq invocava
alguns dos líderes anarquistas e fechara a Bscola princípios constitucionais e, reunido com o Exército Constituciona-
Raciôr"iirá, rií.a,
àCOM. iirt" ,a Fazenda Guadalupe, Coúuila, lançou em 26 de março de
Enquanto a oposição ao governo crescia, os investimentos 1913, um "Manifesto à Nação", intitulado Plano de Guadalupe, no
norte-
amencÍulos exasperava,n-se novamente com a segurança qual ie autoproclamava Primeiro chefe do Exército constitucionalis-
dos seus ca-
pitais, já que o presidente não conseguia manter ta. Neste doôumento, chamava todos a lutar unidos contra o "traidor",
iambém a ordem in-
terna. Além disso, as empresas estrangeiras de pelo reesthbelecimento da ordem constitucional.
exploração a. p.tio_
leo in-staladas no país indignaram_s. ão, Enquanto a insurreição interna contra Huerta se desenvolvia es-
o tímiáo impos,ó fi_"a"
por Madero de vinte cenravos de dólar ($ 0.20) por petaculârmente, o governo dos Estados Unidos, agoÍl na figur-a {o
tonelàda de perrô
leo cru. Esta arrecadação serviria .o,,,o p"qrrrà font.
a. ,..rtã p*" à.*o.ruto Woodroú Witson, anunciava uma nova política em relação
pal-
a nova administração. à América Latina. Às vésperas da Prirneira Guerra Mundial, e no
da forte,oposição popular ao governo Madero, os respon_ pitar de lutas interimperialistas, os Estados Unidos advocavam para
^_..^lr_y.
savels por sua queda e assassinato foram banqueiros, comerciántes ,i u*" "missão civiliiatória" de "pacificar e democratizar" oS países
estrangeiros, remanescentes. do exército porfirista.
o gou.rno aã, sob sua ingerência. Tratava-se de uma questão de sobrevivência mili-
Estados unidos, representado pelo embaiiador Henry
L-ane wilson. tar já que-Huerta, cada vez mais autoritário, demonstrava simpatia
Em fevereiro de 1913, dentro àa Embaixada dos Estados
uniaos no por"investidores europeus, especialm,ente os alemães que teriam de-
Méx.ico,.t ql9y-s. o golpe que derrubaria o presidente
eleito em no_ sembarcado armas no porto dê Vera Cruz para ganhar a adesão do di-
vembro de l9l l, Francisco Madero. tador que precisava combater a insurreiÇão interna'
o resultado do "Golpe da Embaixada" foi a cooptação de victo- Em atril de lg14, os fuzileiros navais norte-americanos desem-
go-
riano Huerta, ex-maderista, que âssume a presidência barcaram no porto de Vera Cruz para demonstrar o desagrado do
do México verno dos f,siados Unidos com a política huertista e servir-se do por-
apoiado pela lgreja, grandes industriais, antigas oligarquias
e furvesti_
dores estrangeiros. to mexicano como ponto estratégico paÍa as manobras da Primeira
A contra-ofensiva foi então brutal. Camponeses, operários, clas_ Grr.rru Mundial. Em julho de 1914, Victoriano Huerta renunciou à
ses médias, intelectuais pequeno-burgueses e a burguàsia presidência da Repúbiica pressionado pelos mesmos que o Hryiq"
noáon"r,
repres-e-ntada antes por Madero, negavam-se
a reconliecer a autorida- investido de poderês e pela emergência das reformas sociais exigidas
en-
de de Huertâ. Enr Coahuila, o govenrador Venustiano
Carranzaaban- internamente. Em outubro do mesmo ano, Venustiano Carranza
donou.a sala de despachos e pós-se a organizar um exército trou triunfalmeltte na cidade do México, liderando o Exército Consti-
constitu_
cionalis.ta. Rm Sonora, o inspetor de aàuanas Camilo tucionalista.
Gastelun e o para
comissário de Agua Prieta prutarco Elías canes começaÍam
a organi-
carranza havia obtido a unidade dos exércitos revoltosos
Representav4 po-
zar guerrilhas sob o comando de Alvaro Obregón. Ém Ctrihuíhua, lutar contra Huerta e para retornff à legalidade'
nacional, pequenos e médios proprie-
Pancho villa voltara a ince,diar fazendas, assaita, trens rern, ot interesses datürguesia
e criar em-
boscadas pg? as tropas federais. Emiliano Zapata,em Morelos, tários e comerciantes, e não pretendia atender as reivindicações cam-
con_
tinuava resistindo e planejando ataques sistemáticos
x p.op.iedaàes. pon.i* e operárias aponto áe cot,'tprotneter os interesses das frações
A casa del obrero Mundiar rearizava manifestações-em todas as qu. .ap.at.ntava. Além do mais, tinha receio de que as reformas ne-
grandes cidades em sinal de protesto. ..rruri* fugissem do controle do Estado e da ordem constitucional,
mas não esperava ser obrigado a adiantar as reformas sociais'

80
8l
A massa camponesa, por outro lado, estava exausta após qtrase como urna luta sórdida pelo poder. Quando foram oferecidas vanta-
quatro anos de luta, e suas lideranças pretendiam o atendimentolme- gens pelo governo aos operários, eles aceitaram tirar proveito de tal
diato das demandas fundamentais. A convenção de Aguascalientes, siruação.
convocada por carranza para unir os chefes revorucioirrírios após a
Cunan u no entânto, não cumpriu sua promessa à COM, e o
vitória sobre Huerta, em outubro de 1914, foimonopolizadapoi üt-
movimento operário foi reprimido brutalmente como também prosse-
listas e zapatistas que decidiram pela deposição do'presidenie, pelo guiu-se na pérseguiçáo de Zapala. assassinado posteriorment'e, em
estabelecimento da refonll graria e pe6 realização de eleições pre_
r 919.
sidenciais. A urião entre villa e zapaia contra carran za ficóu.oú.- Aberto o camiúopara a convocação de eleições e para â escG
cida como Acordos de Xoximilco. lha de um Congresso Constituinte favoráveis ao projeto burgu99,
Juntamente com uln ,,Manifesto à Nação,', dando a conhecer Carratuatabalhou entre l9 I 5 e l9l7 pela formulação jurídico-polí-
stas posições e objetivos, os câmponeses ainda elaboraram um pro_ tica que coroasse de êxito a classe que representava. Mesmo assim, o
grama de Reformas Político-Sociais que constituíam o projeto carn- ocasô transitório das classes populares não neutralizava as conquistas
ponês de organização nacional. até então obtidas, as antigas oligarquias estâvam derrotadas e seus re-
A partir deste momento, a revolução representava a disputa entre manescentes aceitavarn Õarranzr como um mal tnenor. A COnstifui-
fundamentais
ção de l9l7 acabou reconhecendo algumas conquistas
convencionalistas e constitucionalistas, ou seja, entre as massâs mo-
bilizadas em torno de seu projeto de restituição das terras usurpadas áas classes populares, o que neutralizava suas ações naquele momen-
e o Estado liderado por carranzr com um projeto de institucionarizar to.
a revolução, sem atender as den-randas populares. A nova Constituição atribuía ao Estado um papel de árbitro dos
. Çarranza pretendia o reestabelecimento da,,paz social,' através conflitos da sociedade civil e subordinava os milit:ues à ordem insti-
da continüdade da ordem constitucional e, por isso, tentava neutrali- tucional e à administração ciüI. os atributos recebidos pelo Estado
zaras rebeliôes caÍnponesas. Enfrentou particularmente villa e Zapa-
seriam capazes de aglutinar as forças sociais emergidas da revo-lução
ta, ignorando a existência da Convenção de Aguascalientes e depie_
em torno do governo, aplacando o caráter autônorno que estas forças
ciando seus opositores. como demonstração deisa postura, antecipou haviam aaquiiao. Os artigos mais relevantes do ponto de vistasocial
reformas sociais por eles exigidas, autoproclamando-se o pro.ôto. desta a
dastransformaçõesreivindicadaspelos',ãesordeiros,r.'
- conquistas parciais para o proletariado (artigo 27) -fizeramda classe
primeira constitüção do mundo a incluir reivindicações
Em janeiro de 1915, Carranza apresentou a Lei Agrária que de_ àperaria e a única áa America Latina que previa a eliminação do lali-
y9l-v1a_a seus legítimos,donos propriedades expropriàdas antes de fundio e a divisão da terra em pequenas propriedades'
1856. Esta lei, entretanto, não foi posta em vigor. iarrzurza também Apesar do texto constitucional, entre as décadas de 1920 e 1930,
firmou um pacto com a Casa del Obrero, conhicido como pactos de as reformas sociais andaram lentamente e as classes
populares envol-
Yera cruz, alravés dos quais o movirnento operário aderia ao consti- viam-se na política através de suas organizações' como: Confedera-
tucionalismo prometendo combater os exércitos carnponeses em tro- fundada em 19l8), Partido
ção Regional Obrera de México (CROM,
ca de uma legislação específica de proteção aos trabalhadores urba- (PCM, 19l9), Liga Nacional
L.foriítu, Partido Comunista Mexicano
nos. Formaram-se, então, "batalhões vermelhos" para combater os Agriário. Algumas eram extremamente
campesina e Partido Nacional
exércitos camponeses, e calcula-se que deles participaram aproxima_
combativas, especialmente aquelas ligadas aos camponeses e classes
damente dez mil pessoas, entre operários e suas famílias. À aaesao médias intelectualizadâs, enquanto os operários dividiam-se em orga-
du
99Y a Carranza explica-se pelo faro de o movimento anarquista nizaÇões cooptadas pela burguesia e outras radicais de esquerda'
assistir à luta entre villistas e zapatistas contra o constitucionalismo

82 83
.
Enfim, é importante ressaltar que as camadas populares, em O processo revolucionário e a consistência das dernantlas popu-
mÍuor ou menor grau, continuaram nestes quase vinte anos pressio- lares, seus projetos e sua resistência em relação a retrocessos iur rc-
nando os governos até a concretização do projeto de reformas, quan_ volução, foram incorporados por uma ala da burguesia que com-
do, com isso, a burguesia conseguiu imprimiiuma base consenúal a preendeu a profundidade das propostas de organização da nação ela-
dominação de classe. boradas especialmente pelos cÍu'nponeses. Lazxo Cárdenas, revolu-
Entre 1920, fim do governo Venustiano Carranza,e 1940, o Mé_ cioruí,rio de primeira leva, havia atuado ao lado de representantes vil-
I.g toi.qo::T{g pgr Alvaro Obregón (lg}O-lg}4),plutarco Elías listas e zapatistas na Assembléia Constituinte e compreendeu as difi-
pontes cil (i928), pascoal
9.4les (l?24-1928), Emilio Ortiz Rubió culdades que a burguesia teria, caso não atendesse aquelas deman-
\19-?9-l?32), Abelardo Rodriguez (tg3}-tgíq e Lazzro Crirdenas das. Foi através do Partido Nacional Revolucionário (pNR, criado
(1934-1940). Com exceção desse último governante, o objetivo prin_ pelo presidente Calles em 1929) - dividido desde a sua fundação en-
gjqA a"" classes dirigentes foi destruir definitivamente o aparatô po_ tre "los rojos", a esquerda do partido, e "los blancos", a direita - que
lítico-_econômico porfirista, por um lado, e conter as t
-sio*oçà.,
exigidas pelas classes populares dentro dos limites da "Revolução
se elegeu Lazaro Cárdenas à presidência da República.
A situação do país era, então, delicada. As desigualdades perma-
Burguesa", por outro. O avanço na direção da reforma agrária (mais neciam visíveis e a revolução não desenvolvia o programa constitu-
de cinco milhões de he.uares distribuídos no período), põr exeÀpto, cional. Além da urgência dos problemas populares, Cilrdenas precisa-
relacionava-se com as demandas camponesas àonsagradas na consti- va extirpar a máquina política corrupta, criada por Calles, e retomar
tuição de 1917, mas foi, em alguns molnentos preõiros, uma forma os princípios nacionalistas da revolução vilipendiados pelos acordos
de acabar com o poder dos ratifundiários porfiriitas e beneficiar ,,no- com o governo dos Estados Unidos a favor das empresas petrolíferas.
vos ricos". A cooptação do nrovimento operário, em marcha desde Durante seu governo, Ciárdenas criou instituições de caráter go-
1915, aumentou corn a luta armada contra a última tentativa contra- vernarnental cujos objetivos erÍun regular e arbitrar as relações enfie
revolucionária, a Rebelião dos cristeiros, riderada por catóricos fer- capital e trabalho. Em 1937, nacionalizou as comparúias férreas; no
vorosos. o apoio dos operários ao governo traduziu-se em anticleri- ano seguinte, foram desapropriadas e também nacionalizadas a Stan-
calismo, afastando ainda mais os trabalhadores urbanos dos rurais, dart Oil, El Aguilla e Royal Dutch Schell, Sinclair, entre outras com-
pois esses últimos eram católicos, âpesar de revolucionários. E, final-
panhias petroleims; a reforma agrária efetivou-se (com a distribüção
mente, os governantes mexicanos tentavam distorcer medidas consti-
de mais de 18 milhões de hectares e a formação preferencial de ejr-
tucionais para promover acordos espúrios co,r o capital estrangeiro, dos e pequenas propriedades) e foram fixados salários mínimos mé-
como no caso dos Acordos de Buccaielli , de 1923, pelos quais õ Mé_ dios para os trabalhâdores rurais.
xico se comprometia a não expropriâÍ terras e concéssões petrolíferas Lazaro Cárdenas, em seus seis anos de mandato, eliminou todo
concedidas antes de 1917. ou seja, prometia-se a não-retroatividade o poder dos latifundiários e construiu, influenciado pelas demandas
do artigo 27 da Constituição de I 9 17. nacional-revolucionárias, um México novo, onde a hegemonia bur-
Enhe 1920 e 1930, o poder do Estado estava nas mãos de diri_ guesa se sustentava em, pelo menos, dois pilares: o político-partidá-
gentes políticos nortistas de Sonora, que relutavam em acelerar o rio e o econômiceindustrial.
processo revolucionário e iam acumulando violência e descontenta- O Partido Nacional Revolucionilrio, criado por Calles em 1929,
mento. Embora já não existisse uma efetiva Íuneaça ao regime bur_ foi transformado em Partido da Revolução Mexicana (PRÀ,f), através
guês, tanto por parte dos antigos latifundiiários como por parte das
de uma assembléia convocada em janeiro de 1938 e que contou com
classes populares, a própria burguesia havja se divididó deide a As_
a presença dos setores operário, agrário, militar e popular. O resulta-
sembléia Constitünte de 1917.
do mais notável do governo Cárdenas e do novo pârtido foi o fortale-

84
85
cimento do Estado mexicano liderado pela burguesia nacional. Até, contiaram com a presença ativa das massas populares no processo. A
pelo menos 1990, observa-se a relevância deste compromisso assu- coúecida expressão do politico brasileiro Antônio Carlos, dita nos
mido tuí mais de meio século. As organizações openírias e rurais, momentos anteriores à Revolução de 1930, sintetiza a idéia que sus-
I
ati4as ao partido do Estado, têm o compromisso de participarem I tentava os processos de trzursição ao Estado burguês em toda a Amé-
eleitoralmente do processo político mexicano exclusivamente através rica Latina: "Façamos a Revolução antes que o povo afaça".
deste Partido, rebatizado em 1946 de partido Revoluciorrário Institu- No México, as lutas antioligríryuicas contaram com a participa-
cional (PN). ção ativa do povo no processo revolucionário, e foi justamente essa
No segundo semestre de 1938, deu-se por terminado o processo participação de enormes proporções que modificou, em termos com-
revolucionário armado e abandonou-se o discurso radical. ô desen- parativos com outros países do subcontinente, a feição do Estado me-
volvimento capitalista foi impulsionado, mas conservou-se a idéia de xicano e sua relação com a sociedade civil.
revolução permanente para mânter canais de comunicação entre o É importaÍlte observar, entretanto, que o México continuou e
Estado e a sociedade civil. continua sendo um país capitalista dependente do ponto de vista ece
_ O movimento de massas foi freado e suas forças reorientadas nômico. Após o governo Cárdenas muitos investimentos estrangeiros
para o "crescimento geral da nação". Isto foi possível graças à forma- retomarâm suas atividades e outros se instalaram no país (em 1970,
ção de uma vontade coletiva interclassista. Ou seja, a burguesia con- havia no México, aproximadamente 1.900 companhias estrangeiras,
seguiu incorporar ao seu discurso boa parte das demandas existentes totalizando cerca de 37 milhões de pesos em investimentos). A dívi-
na sociedade, demandas caÍtponesas, proletárias, de setores médios, da externa era de 325 milhões de dólares em 1970, e de 85 bilhões
etc., fazendo com que todas as classes combativas politicamente as- em 1983. Nesse ano o PRI sofreu suas primeiras derrotas em três ci-
sumissem atarefa de engrandecer a naÇão, como se fossem una co- dades nas eleiçôes municipais.
letividade de cidadãos, com direitos e deveres políticos. Enfim, cida- Em 6 de julho de 1988, depois de 60 anos de vitórias eleitorais
dãos participantes. Todas as estruturas se colocaram à serüço da na- contundentes do PRI (sempre superiores a 800Á), o povo mexicano
ção e todos os esforços ideológicos foram feitos para reforçar a idéia foi as urnas para eleger um presidente, 64 senadores e 400 deputa-
de que a nação é rfurica e igual para todos. dos. Os principais candidatos à presidência, para substituir Miguel de
A Revolução Mexiciura realizou o desenvolvimento do capitalis- la Madrid Hurtado, do PRI, erãn o filho do ex-presidente L,azaro
mo em termos econômicos, políticos, culturais e de identidade nacio- Cárdenas, Cuauhtémoc Cárdenas, que liderava a Frente Democrática
nal, o que não é comum nos países latino-americanos. O fato é que, Nacional (união de vários partidos de esquerda, principalmente so-
na época da revolução, todas as contradições existentes no seio das cialistas); Carlos Salinas de Gotari, czurdidato do governo; e Mzutuel
relações da sociedade civil vieram à tona e a fisionomia da nação tor- Clouthier do Partido de Ação Nacional, de direita.
nou-se mais clara. Desta vez o PRI obteve apenas 50,36o/o dos votos, elegendo seu
Em 1910, não estava em questão solucionar as relações entre ca- candidato Carlos Salinas à presidência, sob acusações de fi^aude fei-
pital e trabalho. Embora essas relações tenham vindo à tona e a con- tâs por outros candidatos e pela imprensa. Na ocasião de sua vitória,
tradição principal do modo de produção capitalista tenha sido impor- Carlos Salinas declarou: "Tennina a época do partido praticarnente
tante,ãRevolução Mexicana foi tipicamente antioligarqüca, contra o único no México. Entramos agora numa nova etapa política, com um
poder dos latifundiarios e sua maneira de vincular-se ao capital mo- partido majoritario e competitividade da oposição". Ou seja, apesar
nopólico. Estas lutas antioligárquicas ocorriam com maior ou menor das condições específicas do processo revolucionário mexicano te-
intensidade em toda a América Latina. Aproximadamente em 1930, rem permitido uma dominação mais consensual, a situação estrutural
nesse continente constituíram-se Estados populistas, mas que não de dependência acabou provoc:utdo o czurcelamento de algumas prá-

86 87
ticas hegemônicas de dominação no país. Se a história mundiat da
burguesia não conheceu exemplos de renúncia messiânica a seus in-
teresses de classe, isto se tornariamais difícil num país de burguesia CONCLUSÔES
dependente onde tão pouco a colaboração de classôs é possívãl por
longos períodos.
Mesmo assim, e apesar do aumento paulatino do aparato repres- O período entre o comeÇo do século XX aré aproximadamente
sivo do Estado para conter manifestações populares a partir da déca- 1930 foi o momento da implmtação do capitalismo na América Lati-
da de 70, o México continua sendo um dos únicos países da América na e pressupuúa também a constituição de um aparato jurídico-polí-
Latina (de grandes dimensões é o unico), em que o principal partido tico para sustentaÍ o processo de acumulação e a conseqüente forma-
não é o "Partido dos Militares". E o país latino-americano que menos ção das classes capitalistas. Burguesia, proletariado, classes médias e
gasta com as Forças Armadas em relação ao orçamento geral do go- campesinato constituem-se na América Latina de maneira singular,
verno, e a revolução continua sendo objeto dos discursos desta bur- submetidos a rxna estrutura econômico-social herdada do período
guesia que, por isso, até hoje, não necessitou do "braço armado do colonial, controlada pelas oligarquias rurais, por um lado, e subsumi-
exército" para dominar. das pela incorporação de tal estrutura ao sistema capitalista mundial,
quando este alcançava sua etapa imperialista.
Carentes de uma base econômica independente e de uma socie-
dade unitária, tornou-se muito difícil solidificar o poder de classe das
oligarquias que, mergulhadas numa freqüente crise hegemônica,
apoiavam-se em mecanismos de extremo autoritârismo. A relativa
piosperidade em alguns países permitiu a distensão ocasional da vio'
lência que, em outros casos, foi constante e recidiva.
As oligarquias rurais que forjaram na América Latina as tarefas
da transformação capitalista não se realizavam como burguesia. Se,
por um lado, essas oligarquias podiam manter total supremacia sobre
ô campesinato, classe explorada e dominada por sua dificuldade de
defesa cultural e política, essa dominação não lhes confere vigor. Ao
contrário, perpetua a tradição seúorial que encapsula sua plena con-
dição burguesa.
Ao garantirem mercados no exterior, as oligarquias aceitam a in-
termediação inevitável do capital estrangeiro. Nesse caso, não é só a
defesa da cota de mais valia que se realiza como capital ao.longo do
ciclo, comandado pela Inglaterra e pelos Estados Unidos. E também
a desvantagem, quando em momentos de crise do mercado mundial a
taxa de preços declina e o volume de compras diminü o apetite do
importador estrangeiro.
--fuanto, a própria natureza das relações sociais, a extroversão
da economia e a forma da propriedade que lhes corresponde limitam

88 89
BILLEGAS, Abelardo. Rcformísmo y rcvohtción en cl pensamiento |Qntirro-america'
no. México: Siglo XXI, 1986.
WOLI Eric R. Guenas campone.sas do século XX. São Paulo: C]lobal, 1984.
BIBLIOGRAFIA RECOMENDADA

ARNAULD Pascual. Esndo y capitalismo en Áméríca Latinulnsos de México e Ar-


gentina.México: Siglo XXI, 1981.
BEYHAUT, Gustavo y Hélene. Ámérica Latina: de la independência a la Segunda
Guerra Mundial. México: Siglo )(XI, 1985.
BEYHAUT Gusiavo y Hélene. Ámérica Latina: de la índepenüncia a la Segunda
GuerraMundial. São Paulo: Icone, 1985.
CARDOSO, Ciro Flamarion, BRIGNOLI, Héctgr Pérez. História econômica da Amé-
ríca Latina. Rio de Janeiro: Graal, 1984.
CARMAGNANI, Marcello. Esrado .y sociedad en Amórica Latina 1850-19j0. Barce-
lona: Grijaldo, 1984.
CASANOVA, Pablo (.iorzález (org.). Ámárica Latina história de mcio sticulo. Brasí-
lia: Erlitora ljniversirlade de Brasilia, 1988,4v.
CÓRDOBA,Arnaklo. lc ideologiatlelnRevoluciónMexicana. México:.Era, 1973.
CORREA, A. M. Martinez. Á Retolução Mexícano 1910-1917. Sâo Paulo: Brasilien-
se, 1983.
CI.IEVA, Agustin. El desorrollo dcl capitalismo en Ámâica Zzrrna. México: Siglo
xxl, 1977.
DONGUI, T, Halperin. Hisrória da Ámárico Latina. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1975.
FI-IRTADO, Celso. I economia latíno-omt:ricanA. São Paulo: Nacional, 1976.
GALEANO, Eduanlo. Ás veias ahertas da América Latino. Rio de Janeiro: Paz e Ter-
ra,1980.
GODIO, Iulio. História del novimiento obrero latino-americano. México: Nueva Ima-
gem, 1983,3v.
HERGZOG, Hesús Silva. Breve historid de Ia Revolución Mexicana. México: Fondo
de Cultura Económicq 1972,2v.
IANNI, Octávio, La formación del Estado populista en Ámérica LaÍína. Méxicol' Era,
197 5.
Classe c rnção. Petrópolis: Vozes, 1986.
El estado «piralisla e n la época de Cardcnas. México: Era, 1977.
LEAL, Juan Fetipe. Zc burguesia y el estado mexicano. México: El Caballito, 1974.
MARL{TEGUI, José Carlos. 7 ensayos de interpretnción de la realidad peruana. 4f
ed, Lima: Amauta, 198 l.
MENDES, Albeío Diaz. Lazaro Cárdcnas. Idéias políticas y occión antiimperialisa.
Havana: Ciencias Sociales, 1984.
ROZOS, Alberto Prieto. El movímiento de liberución contemlnúneo en América Lati-
na. Havanat Editorial de Ciencias Sociales, 1985.
SCHILLING, Voltaire. EUÁ x América l,atiila. As etapas da dominação. Porto Alegre:
Mercado Aberto, 1984.
VILAS, Carlos M. La revolución sandinista. Buenos Aires: Legasa, 1987.

94 95
i

il