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o desígner tem que lidar atualmente com a

crescente dinâmica do processo de concepçâo de novos produtos e novos mercados, cuja complexidade requer em contrapartida uma

correspondente

atualização do seu conhecimento,

que deve estar voltado aos principais aspectos estratégicos no desenvolvimento de benefícíos,

produtos

e serviços inovadores. Para competir com

produtos

globais de estilo e de moderna tecnologia,

o designar precisa dominar a linguagem da

inovação e compreender a necessidade de sua

atuação na estrutura

do ramo de negócios, com

capacítaçào para atender às demandas dos consumidores, com visões de liderança para criar

produtos significativos, interagindo no processo

crganízacíonal

estratégico com propósitos de

sobreviver a desafios competitivos. Na sua atuação gerencial precisa ainda iniciar e manipular estratégias de desígn através de

processos de decisões, implementação

e

comunicação, conhecer a experiência de clientes

e supervisionar a concepção de atributos "tangíveis" e "intangíveis" visando a qualidade dos produtos. O desígner deve ter uma visão clara do processo de

desígn e das diferenças de linguagem sem perder sua relação com o contexto

aumentando a eficiência da sua participação no mercado de trabalho. Neste novo livro sâo

e culturas, em que atua,

a p resentados os resultados atuais de um tra b al ho que soma a experiência profissional com atividades

de pesquisa que muito tem a contribuir

para a

educação de designers e a

gerência de projetos de desígn de produtos, nos quaís a atuação do desígner é fundamental para impulsionar a inovação. O trabalho conjunto de pesquisa que realizamos na COPPE/UFRJ possibilitou compreender como o desenvolvimento do desígn no Brasil torna-se um aspecto relevante

nas atividades de ensino, com a necessidade de estímulos para manter a qualidade do desígn como estratégia competitiva no meio produtivo e reforçá-Io com o melhor nível profissional possível.

gerência de desígn, a

Nesse sentido, as idéias aqui expressas

são de

grande beneficio para os desígners que desejam se

atualizar com novas informações, utilizando-as como um instrumento para gerenciamento de um processo criativo ainda pouco explorado e subutilizado na solução de problemas, para que

possa se constituir em um valor observável pelo consumidor, tendo o desígn como elemento essencial às estratégias de planejamento e

desenvolvimento

num nível mundial.

Prof. Dr. Estevão Medeiros Desígner Industrial, Professor COPPE/UFRJ

o DESIGN COMO

DIFERENCIAL COMPETITIVO

o p r ocesso d e design de se n v ol v id o so b o e nfoque da qualidade e da gestão estratégica

o DESIGN COMO

DIFERENCIAL COMPETITIVO

o processo de desigr: desenvolvido sob o enfoque da qualidade e da gestão estratégica

FL Á v ro Á N THERO

2000

DO S S A NTOS

UNrVJ\LI

UNIVERSIDADE DO VALE DO ITAJAí

Ru a U ru g u a i , 458 - C aixa P os t a l , 360

88302 -2 02 - lt a jai - Sa nta C a t a r i n a

e-mail: p r o p pex @ uni va l i . r ct - s c . b r

Reitor

Edison Villela

Vice-Reitor

Moysés S tr o m.,

Pró-Reitor

Pós-Graduação

de P esq ui s a,

e Extensão

José Roberto Proves i

de Ensino

Pró-Reitora

Sueli Petry da Luz Pró - Re i tor de Administração

Danilo Me li rn

Conselho Editorial Edison dÁvila Geremias Moretto Guilherme Guimarães Santana Hercílio Pedro da Luz Marcus Pollete Osvaldo Ferreira de Meio (Presidente) Sydney Schead dos Santos Valdir Cechinel Filho Vera Teresinha de Araújo Grillo Wagner Teixeira Ferreira

S

S 9

,I S an tos , Fl áv i o An th e r o d o s , 1 9 71

 
 

O D es i g n co mo D if e rencia l Comp e t i t i vo I F l a v i o

 

A

n t he r o d o s S amo s . -.

I ta j a i , E d i t or a d a Uni va l i , 2 00 0

 

1

1 4 P

ISBN 8508 6 447 - 42 - 0

 

I

. D e s e nh is t as i ndu s t ri a i s - Orien tação pro f i ssiona l .

 

2

. A.1e C o m e r c i a l .

3 . Pr o du t o s

No v os .

I . Título .

 

CD U : 74

 

F

i c ha catalográfica e l a bor ad a pe l a B ibliote c a C e n t r a l d a Univali

 

Filiada a

e l

ed i t o r a da ~

 

~ 3e '

Univali ,

 

Ass oc i a ç ã o B r a s i l e i r a da s

 

,.

.•.,

,(

E dit o r a s Univcrsirãrias

Editora da Uni v er s i d a de d o V al e d o lt a jaí

Coordenador: ------------------ Capa: -----------------------------

Projeto Gráfico: ---------------- Marcos Paulo Ferreira

Revisão: ------- ----------------

Secretária: --------------------- Sueli Pereira da Silva Colaboradores: -----------------José Isaías Venera,

Osmar de Souza Flavio An th e r o dos Santos

Osmar de Souza

Ricardo Erick Rebêlo

LIVRAR I A DA UNIVALI

Responsáveis: .Iuliana Proves i de Morais, Mirian 1'. de Melio do Amaral

2000

-.:e

b

ctes. 1 ~

iblioteca

. s.ª::-~"'--2,-. -Q/X-. 0 - ~

d a t a :21;30.1 0 6

T he re's so many d i f f ere nt wo rl ds 80 many d iffer ent s un s And we have jus t o n e worl d But we l ive in diffe r e nt ones" (Mark Knopf1er, 1984)

ÍND I CE

PRE FÁC

I O

09

I NTROD

UÇÃ O

11

CAPÍTULO 1

O DESIGN DE PRODU T OS

19

De f in i çõ es e Con ceito s

19

Design: U m S i s t e m a Proce ssa do r d e Info r mações

23

CAPÍ T UL O 2

A

Q UAL ID A D E DO S PROD UT O S

2

9

Defini ç õ es e Co n ce ito s

2

9

P r odu t o s: B e n s d e C ons u mo e Se r v i ços

29

M

i crop r o c essos e Ma croproces sos

3 0

P r oces s o s e F un ç õe s

31

A

Q u

a l id a de

do s Prod uto s

33

Av

ali ando a Qu a l ida d e do s Prod u to s

34

O

P l ane j am e n t o da Q u a lidad e

3 7

C li ente s e M e r ca d os

39

As N ecess i d ades d os C li en te s

4 1

N orma s I S O e Ce rt i fi c a ç ão

43

CAPÍTULO 3

GES T ÃO

ESTRATÉGICA

DO PROCESSO

DE D ES I G N

47

Uma Peq u ena Histór i a

 

47

T

r ês Exem p l os

58

EUA

59

A

l e m a nh a

60

J

a p ão

6 1

As 4 E ra s

65

Design E strat ég i co

72

1

2 Ponto s P ri nc i pa i s

 

84

CAPÍTULO 4

 

O DESI GN DE PRODUTOS DE ME L HORIA CONTÍNUA

EM AMBIENTE

95

C

lien t es

e U sos

dos Prod u t o s

98

Base Co n ce itu a l

pa r a Dese n v ol vime n to

Estra t égico d e Pro du tos

 

10 2

Foc o no C l iente

e O r ie n tação

pe l o Mercado

1 0 3

Envo l v i me nt o

d a O r ga n ização:

Pessoas e Processos.

10 3

P

l anejame nt o

Est r atégico

1 0 4

Uso da T e cno l og i a Adeq u a d a

 

10 4

S

i stem a E fi c i e n te paraT r a tam e nt o

e D i ssem in ação

d

a I nform ação

1 05

Doc ume n t a ç ão

d o Pro j eto

106

CONC L USÃO

107

APÊNDICE

11 1

Estudo

de Caso

1 1 1

REFERÊNCIAS

BIBLIOGRÁF I CAS

119

Qu

a n do

PREFÁCIO

em 1998 conhec i

o F l á vio co n v e r s amo s

um

I

u co s obre qu a i s se u s ob j etivos

e j á

em no ss a p rime i r a

 

.

o n ve r sa

e l e f a l o u d e co m o fari a p a r a s u a disse rtação

de

m e trado v i rar um l i vro . A l g u ns mes es d e pois

c o p ri mei r o

e l e a d efendeu

p a s s o fo i dado . Depo i s

des s e, m uitos outros

o r a m dado s n o a m ad ur ec ime nt o d e se u s conceit os so bre qu a l

f

a

pr in c i pa l f u nção do design n o m ercado atu a l . Ac r e dito t er

c

on tribuíd o para a mp l i ar esse s se u s co nh ec ime n tos c om o e l e

c

o ntribuiu para amp lia r o s meu s .

O l a n çame n t o

d esse livro d eve ser u m m a rco para a

hi s tór i a d o design, p o i s é surpre end e nt e q u e um a U nivers i d a d e

no v a co mo é a UNIVA LI que t e m u m cur so d e design aind a e m

fo rm ação j á possa t e r p r o du çã o c i e nt ífica desse po rte.

A UNIVAL I deve o r gu lh a r -se de possu ir em se u

q

d e m o n s tra n esse l i v r o a impo r t â ncia

u a dr o docen t e

u m pr o fiss i o n a l

o F l áv i o

qu e d e um a pr o fiss ão no va

como

co

m o o design no co n tex to das modifica ç õe s rad i c a is pe l as q ua i s

o

mu ndo e s tá passando . O liv r o t r az u ma v i são a br a n gente

s o b re como o design deve a tu a r no senti do de da r aos no v os

pr o d u t os e s e r v i ç os u m dife r e n c i a l que po ssa de i x á - Io à f r e n te

de seu t emp o e de seus co n co r rente s . Apó s l er este l ivro, q u e pod e serv i r d e l i v r o text o pra

qu

imp o rt â n c i a do desig» no pr oc e sso f i ca r á bem mai s ev i de nte para

a l q u er

di s c i pl i na

que e n vo l va

g e s t ã o ,

co m ce rteza

a

o

l e it o r .

É se m pre um p r azer ter c o mo co l egas de tra b a lh o, form a -

ç

ão e pr of i ssão p essoas com as qu a lidade s

q u e o F l áv io t e m ,

e

l es nos trazem um diferencial competitiuo enor m e.

Ba l n eár io C ambo r i ú Pr i mave r a de 2 00 0 Pr of . L ui z Sa l omão R i b a s Go mez, MSc . Coo rd e n ado r dos Cu r sos d e Design Un i versi d a de do Va l e d o I t a j aí

INTRODUÇÃO

o pr e s e n te li v r o é o resultado d e di v e r sas e x peri ê n- cias som a d as . A prim e i r a se ref e r e à própri a v i v ê nci a de estud a nt e d a E s c ola Superior d e De se nho Industri a l , onde al é m d a s a tividades ac a d ê mi cas b ás ica s tive a oportunidad e d e de s envolver doi s ano s de p e squisa de

iniciação ci e ntífica,

disciplin a de M e todologia Visu a l .

A segunda se ref e re às atividades d e des e nvolvimento de projeto s e g e s t ã o de um escritório d e design, incluindo to das a s s u as nuança s e v ertente s: a tendimento

a c lie nt es,

c o n t abil i zação de lu c ros e despesas, e l ab oraç ã o de

p a r ce ri as co m forn ece dore s e pr es t a dor es

, t r a t ég i as de di v ul ga ção e m ar keti n g e a t é me s mo ' I e l a bor açã o de projeto s ! A t e r ce ir a ex p e ri ê ncia é

r clacionada aos dois a no s

p u r a a e l a bor açã o

b oa p a rt e d esse tr a b a lho . E por últi mo à r e c e nte e x peri-

estágio interno e monitoria

na

ge r ê n c i a dos pro cess o s a dmini s trati v o s,

d e serviço s ,

e meio d e

p es qui s as e es tudo s

d e um a te se d e m e s tr a d o que ori g inou

- I ) i a d e l e c i o n ar n o C urso de Design d a U ni va li

que ve i o

11 c o n o lid a r o r e f e renci a l teórico e pr á tico a qui e x posto.

1

\ p r e mi s s a

b á sica aqui apr ese nt a da

é de que o cada vez mais,

! l I ( ) . ' S o d e design tem se transformado ,

( ' 1 1\ 11 m d os principais diferenciai s d e qu a lidade que um

pi O l u t o o u e mpr e sa podem ter, ge r a ndo vantagen s 1 ' (l I I I P ' i t i vas , va lore s a gregados e m e lhor posicion a mento

c m a r ca s co m rela ç ã o a os s e u s c omp e tidore s

dI' 1'1'0 l u tos

Por é m, os pr o gramas e processo s qu e v i sam implan-

d e um a a borda ge m

qu e p o dería mo s

definir c o mo Ges t ão

tar qualidade na s e mpresa s, ger a lm e nte,

são focad o s

no s

E

a

s pecto s

g e ren c iai s

e admini s tr a ti v o s,

produti vos

e

s trat ég ica d o Design

.

D e ntro de ssa per s pecti v a ,

ocorre um a bu sca c a d a vez

at

com que o design

e ndim e nt o,

s a tis fa ção, r e ten ção

fique res t rit o

d e c li e nte s

- fa ze nd o

à ap e na s

um a pequen a

p

a rte d o e s f or ço d e s e desenv ol ve r ,

produ z ir e ve nd e r

um

pr

o dut o . Em ge r a l , o design e ntr a

ne sse pr ocess o

qu a ndo

o

m a ior por p a rte d as or ga ni zaç õe s

tas e met o dol o gi as diferen c i a i s comp e titiv o s

produt os d a c on c orrê ncia.

produtiv as d e f erra men-

a des e nvolv e r d e de s t a c a r

s eu s

ajudem com o obj e tiv o

qu e

m e rcado, c liente , a tributos do produto , p ro ce sso

produti v o ,

d e ntre outro s , j á es tão definido s.

Fic a re s t a ndo

ao design

uma

a ti v id a d e

de " m a qui a r "

o produto ,

de

se n v ol v endo

o as p e cto

formal de

modo a torn á -I o a tra-

ent e, dentro de característi ca s pr e est a b e le c idas.

é muito

comum

e f az com qu e

as empre sas

E sse erro

que

j á

a

tin g ir a m

b o n s resultad os

qu a lit a ti v o s

no s s et o re s

pr

o duti v os,

g ere nc iai s e afins , p r odu za m

c om e x cel ê nci a

pr

od ut os n ã o tão ex c e l e nt es as s i m .

 

Leva n do - se

e m c on s id e r aç ã o

o fa to

d e q u e

a

qu

a lidad e

t e m

rel a ção

direta co m o fatur a ment o

de um a

or ga ni zação e qu e ess e f a turament o e s t á li ga do c om

a capa c id a d e

seu s

pr o duto s par a o merc a do ( s ejam este s produtos

d a m es m a e m produ z ir e di s p o nibili z ar

ben s ou

ser v i ç o s )

- e v end ê -lo s

- p o dem os

con c luir

qu e a rela ç ã o

qu

e s e es t a b e lec e

e ntr e pr od ut o

e qu a l i dade

t e m qu e s er

 

Só que

esta

fórmu l a

nã o é tão simples

qu a nto

p

a rece . A a b s or çã o

do design p e l as o r ga ni z a ç õ es

r e quer

qu e tod a a e strutura gerencial r e lati v a a projeto ,

qu e

o design parti c ip e

a ve nd a, p ós - v enda ,

a inserç ão d es sa s ferr a mentas

po de

pr o b l emas para a organ i zaçã o. Pe r ce b e - se , e ntão , qu e

cria nd o mai s

produ çã o e ativid a des afins , seja a lterada, permitindo

de t o do o proce s so ,

de s de

o início até

d es u s o e r ec icla ge m ;

ca s o c ontrá rio ,

de design

e m e todologi as

n ã o v ir a ag re ga r

v alor a o pro ce s s o ,

O a mbi e nt e

e a es trutura or ga niza cion a l

d eve m

es t a r

p

r e parados

p a ra a ab s orção

des sa s novas tecnolo g ias

de

I s e n v olvim e nt o de produto s, princ ipalment e n o qu e

o n ce r n e ao pr e p a ro

e trein a m e nto

se tra n s form e m

d as

.

. pr o fis sion a is envolvidos,

p esso as

f a zendo com que determina-

e m e lem e nto s

da

I'n · i li t a do re s.

s ba rre iras

à mudan ç a

muito íntim a, pro p orc io nando

co ndi çõ es a dequadas para

qu

e a organi z a ç ã o

obt e nh a

su ce sso

na busca

de seus

obj e ti vos .

 
 

A

s si m

se nd o,

o p a p e l

comum e nt e

a tribuído

ao

pro c ess o de desigr: - o d e "m a quiador de pr o dut os " - mai s

um a vez s e mos tr a compl e t a m e nt e i ne f ic i e nt e, co m qu e a s o rg a niz açõ es p asse m a rep e n s ar

e p ro d uto s imp o rt a nte

d

fa ze nd o

o design

com o

um pr o ce sso

fundament a lm e nte d e ntro

e um f a tor c ríti co

p ara o seu s u c e sso ,

A n a lisando a s rela ç ões ex ist e ntes

Ik.l'iKI/ d e p ro duto s e o a tual mo v iment o

entr e o processo

de

d a qu a lidad e com

1111:-; t é c n i cas , m eto dol og ias

e f e rra m e nt as,

dete rmin a nd o

d l ' q u e man e ira um tem i n fluen c iado

m

n m . nto den t ro

d as o r ganizações

o o utro e em qu e t êm

esse s pro cesso s

u l o

1111('1\

. o mp a t i b i l i zad o s d e

I ' r a imp ortâ n c i a

m od o

por e l as produzid o s,

e s t ra tégica d o designo

.

Id ( ' q llad os o s p ro dut os

a

torn a r

mai s

p o d e r e m o s

12

13

Prim e ir a m e nt e , ser á abord a d o o pr ocesso de design

d

qu e o desigll d e pr o duto s p ode v ir a ass umir n as or ga ni z a-

ç õe s e a form ação d o designer bra s ile ir o c om o age nte e

r es pon s á ve l p e l o u so e in ser çã o de n ovas t ec n o l og ias em

s u a a tua çã o pr of i ssi o n a l .

e produto s ,

s u as d e fini çõ e s

con ce ito s, as dime n s õe s

Po s teri o rm e nt e, e ssa a náli s e se r á a mpliad a p a ra a áre a

d a qualid a d e indu s tri a l , e m que ser ã o es tud a d as di v er s a s definiçõe s, as m e todolo g ia s e ferram e nt as p a r a in s erção

dos conc e ito s

de design de pr o duto s , a s formas m a is a d e qu a das para se

medir a qualid a d e

a medição é o pr ocess o ch av e par a qu a lqu e r tr a nsforma-

ção - assim co m o ve r e mos ,

e certifi caçã o.

Com b ase nas info r mações fases ant er i ores pode r emos

esses

e a qualid a d e

a tr av és do s t e mp os

d e t a lh a ndo a im po rt â n c i a d a G est ã o Es tr a t ég i ca d o Design:

d a qualidade

dentro

do processo

dos produ tos - um a v ez que

também, norm a tização

e dados co l e t ad o s

n as d e q u e m a neira e ntr e s i - o design

e s tud ar

doi s pr ocessos t ê m intera g id o

- obse r va ndo

a e v ol ução d essa r e l açã o

fases indu s tria is

e d as di v er sas

Esses co n ce ito s ser ão d esen v ol v id os e m um est udo

de cas o qu e exe m p li f i ca r á

na c ional t e m r eag ido a tod as essas m o dific a ç õe s

c om o u ma típ i ca in dús tria

e

ev oluçõ es d o m e rc ado n ac ional e inte rn ac i o n a l e d e que

m

a neira

o design

e a qualidade

t ê m a tu a do

como

diferencial par a o s u cess o de seus produt os.

A

tualm en t e ,

p ode mos

observ a r

de forma clara

a

p a s s agem

d a

socie d a d e indust r i a l p ara

a soc i e d a de

d

a in formação , on d e o li v r e c om é r c io g l o b a l é decor r ê ncia

da a li a n ça e ntr e as t e l ec omuni c a ções

14

e a eco n o mia ,

sendo qu e o p rin c ip a l re s pon sáve l p o r esse fenômeno

é a e vo lu çã o d a t ec nolo g ia . C om o o design é uma área d e

conheci me nto intrin s e ca ment e

e a a tuação d o designer v êm se n d o c ol oca d as e m x equ e

a cad a m o m e nt o , t od a v ez qu e s ur ge um n ov o material , um no vo pr ocesso d e fabrica ção o u um a mídi a no v a.

tec n o l óg i ca, a form a ç ã o

E d e ntr o d e t o do es s e pr ocesso

d e tr a n s forma ç õe s

pelo qu a l p assa mo s atualm e nt e n ão podemos nos

esquec e r qu e ex i s t e m pes s oas qu e ir ã o co mprar e utili za r

todas

essas tecn o lo g i as n o vas. Como foi d e finido p e lo Centro de Pesqui s a s da X ero x (PARC-P alo A lto R e se a rch Cente r ) como se u prin c ip a l lema , "tecnolo g i a bo a é tecnolo g ia invisív e l " , o u se j a, s om e nte poder em o s d es frut a r de uma tecnol og i a em toda a s ua pl e nitu de q u ando n ão m a i s

p er cebermo s qu e e l a es tá l á. A mesma a n a l og i a po d e

se r f e ita com r e l ação a o s óc ulo s : a pe s soa q u e es t á u sa nd o

não o vê. Vê ape n as

de s afi os se so m a m , a ca da di a, à at i v id a d e

t e ndo um a c l ara r e p e r c u ssã o

e no en s in o, p o r i sso, n ã o pod e m os di ssoc i a r ess e s d o i s

t e m as .

esses produto s e se rviços e, con s eqü e nt e m e nte,

o mund o à s u a f r e n te . E t o do s esses

d e design,

n o me r ca d o de tr a b a lh o

C o m o é um a a ti v idade

r ece n te

n o pa í s, so ment e

atra vés d e m uit o deb a t e, in ce nti vo à pe s qui sa

e a per fe i çoame nt o d o e nsino e p r á ti ca d o design é que o s

o

quanto com pe t e nt e e fundam e nt a l é a s u a a tu aç ão para o

crescim e nt o d as o r ga nizações.

profissi ona i s e emp r es as da áre a p ode r ão d em onstrar

N e sse mome nt o, e ntão , n ã o exis tirá m uit a relevânci a

m ou pr o fi s s i on a i s no m e r c ad o d e tr aba lh o d o design p oi s a

e

se d eba t er

a inte r f erê n c i a

de

o u t r as

ár eas

1

5

comp e t ê n c i a est a b e l e cida criar á n a tur a lme nte e ss as fron- teira s qu e serão r esp e it a d as tan t o por profi ss ion a i s dessas de- mai s ár e a s qu a nto por empresá ri os e m e rcado em geral . O design t e r á determin a do , a tr avés d a po s tura de

s eus profi ssi o n a i s, s eu e s pa ç o e s u a imp o rt â ncia dentro do mer ca d o c omp e t it i v o qu e se apr ese nt a a tu a lmente.

C omo o b s er va S O U Z A (199 6 ) , com o modernismo

alguma s pr o fi ssõe s e stáveis e reconh e cid as , pas s aram a pr e valecer s obr e outras menos "sé ri as " . Dizer que um

indivíduo é médico, engenheiro ou advogado não admite qu a lqu e r equívoco. Tod a vi a , chamar alguém de filósofo ou artista pode conter algum a a mbigüidade

e

, de a cordo com a ocasião, isso pod e s er um fator negati -

v

o ou po s itivo. O mesmo autor s e g u e afirmando que

as pro f i ssõe s pod e m r ev e s tir- se , ou não, d e importância,

de acord o com a dir eção tr açada por a l guma or d enação políti ca e, co n seqü e nt e mente , o e n s in o d essas pro fi ss õ es rev e s te- se, ou n ã o, d e nuanças e car a cte rí s tic as mais ou meno s ric as. No caso específi c o do design, p e r ce be - s e qu e

s ua v alori zação c o incide s empr e co m m o m e nto s político s

em qu e s u a in ser çã o pode tornar- se útil a inte r esses muito

c

indu s tri a li s t as.

Ass im , mo s tr a mo s e coloc a mo s e m d e bate a teoria de que o p rocess o d e desi g n d e p rod utos, quando utilizado d e f o rm a e strutur a d a e c o m importância estratégica d e n t ro das organizaçõ es, é ca p az de ser um dos prin c ipa is dif e r e nciais comp e titiv os qu e um produto precisa p ara ga r a ntir r ea is vantagen s so b re os co nc o rrent es.

Mas pa r a q u e essas mud a n ças rea l ment e ocor ra m muit as tr ansfo rm ações de v em s er impl eme n tad a s não s ó

laro s

d e

set o r es

determin a d os

d as políticas

1

6

em ní ve l d e e n s ino ,

e capa c it ação do profi ss ional do designerque j á e s t á a tu a n-

do no m e r ca d o . O s pro g rama s de i n c e nti vo e a poio a o design,

pr em i ações e se lo s de design e d e qu a lidad e podem se r

um c o meço . E é ass im que t a mb é m q u e r e mo s qu e esse

liv r o se j a ava li ado: como um a p e qu e n a c ontribui çã o p a r a

o d ese n vo l v i me nt o e con s t a nt e ape rfe i çoa m e nto d essa tão f as cin a nt e á r ea d e conh ec im e nt o humano: o designo

as

m as e m ní ve l d e de s empenh o

1

7

o DESIGN DE PRODUTOS

D EFINIÇÕES E CO N CE IT OS, - - - - -- - -

tra-

balh o já e xa u s tivament e r ealizado, m as p a rece que em nenhum mom e nt o qualquer da s d e fini ç õ e s e conceitos até hoje de se nv o l v id o s conseguir a m a b o rd a r o design em toda a s ua pl e nitu de, mes mo p o r q u e essa a ti v i d ade es t á em con s t a nt e mud a n ça, s ofrendo t r a ns f or m aç õ es c ontínua s .

D e finir e c o n c eituar

a a t ividad e d e design é um

ALGUMAS D E FINIÇÕES NOS P ARECEM INTERESSAN T ES E G O STARÍAMOS D E ANALISÁ - LAS :

Seg und o JENS BERNSEN

( 1 987), o design é um a

for m a de definir a qua l idade dos p r odutos e da comuni-

de se u s

r e cursos c ri at i vos e suas c omp etênc i as . É t i p i ca m e nt e

o design com o age n te d a int e rfa ce qu e co l oca, d e um l a do ,

cação d a empresa, ativ a ndo o ge r enciamento

os produt os e organ i zaçõ e s e, do o ut ro, os cons umidor e s ,

usuár i o s

e me r ca d o

e m geral .

De aco r do co m esse

pe

nsame nt o,

p o d emos

v erificar a es tr e ita r e l açã o que

é

colo c ad a e ntr e design e qualid ade , de i xa ndo c l aro

o

c onc e it o

d e q u e a qu a lidade

d e u m p r o dut o

tem

r

e l ação d ire ta com o seu designo

 
 

Sob o ponto de vista do designer a m e ri ca no

I VAN

,

CHERM A YEFF

fazer m uit a co i sa, ape n as id e n tif i car

t o rn á - l o mais s i mp l es. Seg uind o

(1996), às vezes , fazer design é n ão

u

m prob l e m a

e

a linh a de q u e o design

deve ser o bj etivo e pr á ti c o , s e m n ecessi t ar de a r t i fícios es t é ti cos ou tec n o l óg i cos par a mascara r de t erm i na d o

p r odu to , essa conce i t u ação

conh e c i do l ema da " f orma q u e segue a função" a ind a bastant e d i f u ndido.

d o design nos reme t e ao j á

Co m o

nosso tema

é a r el ação

e n tre

design

e

q ual i d a d e, tor n a - se im p o rtante s a b e r como o movimento

da q u a lida de def in e e co nceitua

o design.J:Je a! : . Drdo CQID

JURA N ( 1990 ) , u m dos p rinci p ais t e ór i c os da qu a lidade , _ o d e sen v ol v i me n to de p roduto s é o processo e xperi men- _

q u e corr es p c ndcm à s - es d os cli entes , enq ua nt 2

tal d e esco lh a

das ca r a ct e rí s ti cas

dos mesmos

--' --

pro j e to de produtos

- ~----

é o - IQ . ~~ so

de def i n i ção

---------'--'- '-'-

da s

20

ca r ac t erís t icas dos mes m os, ex i gidas para a sat i s f açã o d os

' - ~ i{ e n t es. ~~N es s e

caso, ex i s t e de pro dut os

u ma s epa r ação

e p r o j eto

e n t r e

desenvolvimento

De acordo com esse co n ce it o, as necess i dades dos

c lie nt es devem ser l eva nt a d as como pré -req u is it os para

o

demonst r a a i mpor t â n ci a q u e a pesq u isa so br e as necess id ades do me r cado tem com re l ação à d e fini ção das carac t e rí s t icas dos p rodutos e com o processo d e designo

de p r o dut os.

pr o j e t o

do pr od u co. N a ve r dade ,

essa sepa r ação

j

A ind a

n a área conceitu a l ,

seg und o o designer

a ponê s KENJI EKUAN (199 6 ) , o design faz a liga ç ão

e n tr e o p l a n o f í s i co e e s piritual d as pessoas. A n a l isando

es

sa d e fini ção pe l a ó ti c a ocid enta l podemos

di ze r qu e

o

design é o responsáve l p o r satis f a z e r necess i dades das

p

ess oas q u e mu i tas vezes n ão são t angíveis .

O u seja,

l

c re rminado

produto ,

através

do se u design,

pa ss a

ti i ve rsas informações s i m b ó li cas - como

a de s t a tu s -

ti, penando

um dese j o d e compra que

va i a l é m das

n . ess idades

fí s icas das pessoas ,

u m desejo

q u e se

( ' 0 1 c a em um outro p l ano, aqu i defi ni do

como pl ano

es

pir i tua l , mas que po d e s er rep r esentado

de d i ve r sas

m

u n e ira s , mostra ndo

desejos d e d i v er s os t i pos, não só

ti . s tat u s , mas também de confiabilidade, segurança, etc.

temos um

d e

11 i ag r a m a q u e mos tr a

A inda dentro do am b i e n t e d a qua li dade

co mo o design atua dent ro

,i.'1 ' m as de desenvo l v im e nto

d e produtos (figu ra 1) .

P o d e mos perce b e r c laram ent e nesse diag r a m a com o

do

" nt i v i d a d e de de s ign é u ma peça c h ave

dentro

11I()(,'s

o d e qua l ida d e

e responsável

por t r aba l har

. l i v r r sos as p e cto s

111- p r o l u t o s - como as caracte r ísticas de manute n ab ili dade

do processo de desen v o l vimento

21

e confi a b ili d ade - d e modo a t orná -I o tecnicamen t e eficiente na medida em que o produ t o é facilmen t e

encont r ado ( d i spo ni bi l idade)

( dependab il ida d e) .

t eremos um custo adequado que tornará o p r oduto

viáve l t écnica e econo mic amente, pronto para ser consu -

e cump r e

sua missão

Se esse processo de design for eficaz

c mido. É o design sendo d ef i nido como pa r te integrante

de um sistema, processando informações div e rsas de modo a a t ingir a qual i dade do p r odu t o final.

QUA L IDADE S I S T EMAS

Dispon ib i li d a d e do Produto

De p e n d abili da d e

P

o

r odu t o

d

Desi g n

Q UAL ID A D E P ROD UT O S

Figura I. A re l ação ent r e qu a l ida d e do s sistemas e q ua l idade d os produ tos

22

Todas essas definições, um tanto distintas entre si, fo ram selecionadas porque abord am o u ni v erso do design

d e diversos ângulos , sem deixar e m de s e r, ao mesm o t em- po, complementares .

DESIGN : UM SIS TE MA PRO C ESSADOR DE INF O R M A ÇÕ E S

Com a análise

dess a s

e de out ra s

d ef ini ç ões

e

co nceitos ac e rca d a ativ idad e d e design, dese n v olvemos

um enfoque

s i s tema p roc essad o r de i n form aç õ e s (fi g u r a 2) .

em qu e o d es i g n é a bord ad o

como um

Nes se si s t ema exi s t e uma ent r a d a e u m a s a íd a.

Ta n t o os insu m o s q u a nto os re su l t a dos desse si s t ema sã o

i nfo rm a çõ es . Ou seja , o pr o cesso de design d e pro dut o s

é a limentad o po r i nform a ções d e especificações técnic a s

( E n genh a ri a/ P r o d uç ão / De s i gn Ind u s tri a l/M a teria is /

E r g ono m ia), in forma ç õ e s ac e rca de me r cados e consu-

mid o re s ( Ma r ket ing/ Soc iologia/ P sicologia/Antropolog ia / Ec o nomi a ) e in fo r ma ç õe s estratégicas (Ve nda s /Distribui ç ão),

d entre o u t ra s .

Após p ro c essar esses insumos, o r e sultado obtido não

é u m p r o duto ou um projeto . O r e sultado do processo de

de s i g n se rão mais informaçõ e s

que irão identificar

d

pos icionando-o com re l ação a concorrentes e consumi -

d ores. Informações como , por e x e mplo, caro o u barato

( C usto F inal), bonito ou feio ( E stét i ca), frágil ou du r áv e l

(Ro buste z ) , fácil de manter ( M a n ut e nabilidade),

e ncontrar ( Disponibilidade), dentre outras.

e term inado

produto

ou empre sa

no merc a do,

fácil de

23

Como p o d e mo s v er , a atividade d e design de produ- tos atin ge di ve r s o s ní v eis e di ve r sas á r e a s de atuação dentro de um a or ga ni z ação , o que a ca ract e ri za como um macroproce sso , ou sej a, é um proc esso que inte rfere em

m a ior es e/ou de

mesmo port e .

di v erso s outro s pr oc e ssos menor es,

 

CLI

EN T ES/M ERCA DOS

o:> ,

--

ENGE N H ARI A

- PR OD L ÇÁo/ M A T ER U l I S

o:>

 

ER GO N O MI A

~i

 

VENDAS / DI S TR IB Ui Ç ÃO

o:>

ENTRADA

o:> E S T É T IC A /C US TO

o:> R OB U S T E Z/C ONF I AB llI DADE -M A NUTE NA B l l I D A DE

o:> DIS PO NI B I L I DA DE

o:> U SAB l l I D ADE

SAíDA

Fi g ura 2. O des i gn co m o um s i s t e m a proce ssa dor d e inform a ç ões

Ass im , fic a difícil im a ginar essa a tiv id a de

s endo

e x ecutada por uma única pessoa, por um ú n ico designer:

N

e compatibili z ad o r a d e di v erso s tipo s d e informaç ões qu e são necessá ri os p a r a se de s en v olve r e l a n ç a r um produto no merc a do .

M e s m o e m esca l as menore s, o designer nunca atu a

isoladam e nt e , p o i s utiliz a - s e de di v er s o s co nhecimento s

que for a m di s p o nibili za dos durant e o pa ss ar d o tempo por campo s d e conh e cimento diversos. A o consultar uma tabel a de va ri áve i s antropométricas p ar a definir um

â . n~ulo ou um a m e dida, o designer não d e i x a de estar par- ticipando d e um a esp écie de trabalho de equipe.

o design não pode ser

de finido c omo uma at i v id a de isolad a, mes m o que , atual-

me n t e ,

de

c

a v erdad e,

o design

é uma ati v id a d e

inte g radora

Portan t o, co nc e itu a lmente ,

a m ídi a ve nh a se utili za n do

amp l a m e nte

onc e ito s

e r ra d os a c e rca do design de p r o duto s

com o

24

objeti v o de dif e r e nciar determin a d o produto de seu s concorr e nt es . Na ve rdade , publi c it á ri a e mercado-

lo g icam e nt e f a lando , o design v ir o u um a g r a nde moda.

E x iste m " h ai r-d e signe r s" - um a es p éc i e de barbeiro

pó s - mod e rn o - produtos com design int e li ge nte, design ergonômi co, design r o busto ou design a rro j a do . Robu s te z, ergonomia , " int e li gê nci a" e d e m a i s a dj e ti v o s que a mídia incorpor a sã o, na ve rdade, c a r a ct e rí s tic as intrínsecas a o próprio pro c e ss o de designo Portanto, b as t a ri a di z er qu e determinado produto têm ou não designo Ou melhor , existiu ou não um processo efic az d e design no projeto, desenvolvimento, produção e lan ça m en to d e determina- do produto. Não há meio termo n em n eces sidade de adje tiv os , o que nos leva a con c lu i r qu e se muit a s d a s empr es a s p rese nt es n a mídi a d essem ao design, dentro

d e se u s processos p r o duti v os , a mesma im po rtância q u e

dão à e l e n o se u m a rket i n g, co m ce rt eza es t a ri a m pr o du-

zindo e di s p o nibili za ndo produto s m uito m e lhore s.

E mpr esas d e di v er s os port es j á e nt e nd e r a m esse

con ce ito d e desigr: h á muito t e m po, qua nd o incorpor a -

r a m - n o à s u a r ea lid a d e e ao s se u s m a i s d i ve r sos proce ssos, torn a nd o - se lí de r es d e m e r ca d o e r efe r ê n c i a e m designo

P o r é m , e m m ui tas e m p r esas o design pa rti c i pa de ape n as

algum as e tap as do d es en v ol v im e nto , pr o jeto e l a nçam e n- to d e um p r o duto, g er a lmente qu a nd o j á está tudo definido

e esp e cific a do, se ndo chamado ap e n as p a r a dar uma "car a", uma f or ma a o p roduto, ou des e n vo l ve r um a embalag e m ou um a ma rc a, term inando , assim , o pro duto e determinan- do s u a curt a ex i s t ênc i a .

Na ve rd ade, o concei t o d e design é mu it o m a i o r d o q u e apen as i ss o . De aco rdo c o m as m ai s m ode rna s t écn i cas

25

e ferrament as

pre s ent e

duto , n a d e t e rm i n ação d e seu mer ca do e das n ecess id a de s

co n s umid ores,

reciclabilid a d e,

d esse co m o

mento de int eg r a ç ã o , como um a pont e - c omo

As

c

e ex p e ct a ti vas

d e pr o j e to e de gest ão, o design d ev e estar

d e co n ce p çã o

do pro-

a té a

d es d e o iní c i o do proce sso

de se u s

p assa ndo

futuro s

o d e si g n p assa

e a lt a m e nt e

ROBER T

por tod as as e t a p as n e c ess á ria s .

a atuar ,

d e ntro

multidi s ciplin a r ,

B LA I C H

s i s tem a um ele-

d

que

e fine

o

(19 96 )

sim ,

omple x o

d e s ig n e r a m e ri ca no

durante ano s es tev e à frente do Dep a rt a m e nt o d e Design

da Philips - qu e irá

que são as div e rsa s á reas de conh e ciment o envolvidas,

em uma só: a qu a lid a d e client e .

qu e in- e star

t

fin a l e a s atisfação do

li g ar e traduzir diver sas lingu a gens,

do produto

o desigll é a po nt e

e p e sq ui sa,

d e ve nd o

A ind a seg und o BL A ICH ,

e n ge nh a ri a

eg r a m a rk e tin g ,

na lide r ança

e a g indo loc a l me nt e .

s ufici e nte , d eve nd o s er en ca r a d o c omo um a

a ti v id a de es trat ég i ca

da or ga ni zação e se u s produtos.

des s e processo,

pensando

globalmente

O design d e p uro s t y l in g j á n ão é mai s

e fa t or crít ico p a r a o d e s em p e nho

O p e n sam e nto

d eve ser

g

lob a l p o rqu e

as co n d i çõ e s

a tuai s ex i g em

e f i ca ca d a vez

mais difí c il ,

e m q u a lquer

r a mo

d e a ti v id a d e,

a tu a r

i

reali zado p e l a c on co rr ê ncia

E a açã o d e v e s er l o c a li za d a

s

e preferênci as

produzido embal a gem

m

multin ac io na i s

s olad a m e n te

e se m

re fer ê n c i a

n o q u e m e r ca d o

est á

s endo

e p e l o

porque ,

são loc a i s

e m geral .

ap esa r d a e c onomia

e t ê m O mes mo

ex i g ências a lim e nto

n a cion a l n ece s s ita

de

e r global ,

o s m e r c ado s

in di v idualizadas.

e ve ndid o

no mercado

d if e r e n c iada

se fo r expo r t a d o pa ra

por exe m p l o.

M uita s

o

d i ve r sos

s o b m a r cas

e rca do

do o ri en t e

m é dio ,

a tu am e m mercad os

26

di

localm ent e.

ve r sas,

o u se j a,

p e n sa m

C o m essas d ef iniç ões

g l o b a lme nt e,

e c on ce itos

m as

a g em

ace r ca do design

pod e m os compr ova r a importâ n c i a

de s u a a tu ação

p a r a a

qualid a d e

d os p r o duto s,

a lém d e co n stata r

qu e essa

é um a

ati v id a d e intrin seca m e nte

produt o

que esse

se j a um a p eça g r á fic a - design g r á fic o - o proc esso

tecnol óg i ca :

m es m o

.•.- de " cria ção" e n vo l ve muito mai s f a t o r es t éc ni cos d o que artí s ti-

cos, trab a lh a nd o junto a di v er s a s á r eas af in s .

d o

proces s o limitador es

disponív e i s, t ec nolo g ia, m a t er i a i s, e r c. ) e é s empre

direcion a d a pa r a um , ou mai s, c lie nt e s , a o co ntrá rio d o

proc esso

se r

regido por m é todos e s pec í f i cos

A a tiv id a d e

de "criação " d ese n vo l v id a

d e ntro

d e design é c ondicion a d a do pr o j e to (proc e s s o s

p or div e r s o s fator es d e f a bricaçã o, recurs o s

a r t í s tico .

A l é m d e, n o desigu. es se pr ocesso

de proje t o , meto d o l o g i a s

f e rr a m e nt as

e

na verd a d e,

si

T

s tem á tico

od av i a

q u e fa z em com q u e a s olu çã o c ria tiv a se j a ,

e

mai s o resulta d o d e u m tra b a lh o es trutura d o

do q u e o r es ulta d o

,

o co nh ec i men to

d e u ma i n s p iração

i so l a d a .

d a s a r tes e d e s u as m a i s

um a fonte muit o

di ve r sas fo r mas de ex pr essã o co n s t itu e m

import a nt e de r efe r ê n c i as qu e irão a ju d a r o s designer: a fo rma r

seu s pr ó prios repe rtó rios, prin c ip a l mente

à p a rt e es t é tica,

n o qu e c on ce rn e d o se u t r a b a lh o .

fo rma l e con ce itu a l

P o rta nt o, a f u sã o , ou confu são, q u e co mument e

é f e ita

entr e

Esse pr o bl e m a

atividade

desigll e a rte deve

se mo s tra

no Br as il,

s e r d e finiti vament e

pr ese nt e

d es d e

r esolvid a .

o início

da

ao s e

o que pod e

se r comprovado

a

nalis a r a di f i c uld a de

que havi a p a r a se d e finir o prim e iro

c

ur r ículo d a Esco l a S uperior d e Dese nh o Industrial

-

pr i m e ir a in sti tuição

a e n s in a r design em nível s u pe rio r

n o

27

-

I

I

!

i

Br as il

- poi s

a l g um as

correntes

de p e n sa ment o

defendi a m um a a pr ox im a ç ã o maior c om as a rt es pl ás ti-

c a s e outras c o m a á r ea t e cnoló gica . O design d e produto s

é uma a ti v id a d e tec n o ló g ica por exce l ê n c i a ass im e nc a r a d a p o r desig n e r s, e mpr esá rio s, profis s ion a i s e m e rc ado e m ger a l .

e d eve s e r d e m a i s

Obser va m os, produto s a ssum e,

import â ncia d e ntr o dos processos d e qu a lid a d e atuais - um papel e s tr a t ég ico - baseando-se no ate ndimento total ao client e , em i n o v a ç ões a ritmo rápid o, e n a tr a nsforma-

ção dos sist e m as de produção, asp e ctos qu e e nvolvem, diretament e , a in t e g r ação dos proce ss os d e concepção e

d e produ ç ã o p a r a ge r a r no v as solu ç õ es, se m d e i xa r de ter

c larament e,

objet i vo

me r a men t e est é ti co, d ec or a ti v o ou e l eme nt o publicitá rio

n ã o tem m a i s lu ga r em o r g ani z a ç õ es comp e titivas e em

m e rca d o s

p l a nej a do estr ateg i ca mente

nado: a qu a lid a d e d o produt o co m re l ação à s ua

ad e qua ção ao u s o. Af in a l , c omo exe m p lifi ca EKUAN

( 1 9 96 ) "se você pr e ci sa i r de um pont o

v o c ê pr ec i sa d e u m car r o . S e v oc ê pr ec i sa i r d e u m p onto ao

out r o, m as sem ser r á pido, v ocê pre c i sa d e du as p e rna s

e nt ã o , que a ati v id a d e

d e design de

c a d a v e z m a i s, u m p a p e l d e elevada

durant e todo o tem p o , qu a l a m i ssão, qual o

do seu designo Ou se j a , o d esign " g ra t ui t o" ,

ca d a vez m a i s e x i ge nt es .

O design d eve s er

com um ob j e tivo d e termi -

a o ou tro r á pido ,

." .

28

A QUALIDADE DOS PRODUTOS

D EFIN I ÇÕESE CON CEITO S- -------

PROD U T OS: B ENS DE CO N S UMO E SERVIÇ O S

Qu a ndo no s a propriamos d e c o nh e cimentos típicos de um a d e t er min a da área de atu açã o torn a - se necessário deixar claro c er to s conceitos por e l a utili z ados. Dentro da abord age m d a q u a lidade, quand o se f a l a e m produtos ,

e stes pod e r ão se r tanto um se r v i ço co m o um bem d e

co nsum o, o u seja, p r o duto é tud o aqu il o que s ai de u m

proce sso pr o d u ti vo.

A prin c i pa l d if e ren ça qu e di s tin g u e o p r o dut o " b em de con s um o" d o p rod uto "s er v i ço" é q u e esse último t e m , dur a nt e se u pr ocesso produti v o , a presença d o c liente o u

usu á ri o f in a l em pe l o meno s u ma d as e t a pas p r o duti vas . Esse tr a b a lh o t e m se u e nfoqu e d ir ec i o n ado pa r a o s b e n s de co n s u mo , t o dav i a a m a iori a d os po nt os a qu i a bord a -

se r a pl i c a do s à

do s p o d em, e d e v e m, perfei tamen t e indú s tri a de serv i ços .

MIC ROP R OCESSOS E MA CRO P R OCESSOS

As or ga ni zaçõe s produzem div e r sos t i pos de produ - tos em di ve r sos proce s sos pr o duti vos . Q uando o dep a rta - mento d e p esso al g era uma f o l h a d e paga mentos , el e

g erou um p r odu t o e, ass im , s u cess i vamen t e e m tod as as

a ti v id a d es

organi z aç ã o .

n ecessár i a s

p a ra a e x i stênc i a

d e u ma

Os p rocessos q u e ge r a m o s pr od ut os ve ndido s aos c li e nt es são mac r op ro cess o s, u ma vez que p assa m por

di ve r sas a ti v i dades e á r eas funci o n a i s dis tint as d e ntro d e

uma o r gan i zação (e x . : proj e t o e desenvo l v iment o d e pr o dut o, mar k et in g, e n g enh ar i a, p r o d ução) e por i ss o me s m o são co n sidera d os f a tore s crí ti cos d e sucess o , um a

vez qu e em cada u ma d e s sas áreas ex i stem pec uli a rid a -

d e s e probl e m as pa rti c ulare s a ca d a u ma d e l as. Se esse

n ã o for bem ge r e n c i a d o, todos os

macropr ocesso

p r oblema s qu e s ur gi r e m d u rant e se u p e r c ur s o ir ã o afetar

a qualidad e f in a l d o p roduto . Por i sso a f irmamos, no

início , qu e p a r a um a e mpre s a a dot a r o design como u ma

ativ i dad e es tr a t ég i ca e fundam en t a l p a r a o s e u bom d es e mpe nh o, to da a s ua e strutur a deve es t a r compatí ve l

co m essa m u dança, j á que o desigr: é u m m ac r o pro c es so p o r exce l ênc i a.

30

PR OCESSOS E F U NÇÕES

A t é a l g u m t empo a tr ás a maio ri a d as orga ni zações

d e se u s

g er enciavam o p r o j e to

produto s a tr avés de f un ç õe s :

e d ese n vo l v i men t o

~ a f un ção de m a rk e tin g

~ a fun ç ã o d e e n ge n h aria

~ a fun ção d e v e ndas

~ a fun ção d e p rodução, d e ntr e o ut ras .

Po r é m , pa r a q u e ess e pr o dut o f i casse p r o nto par a se r con s umid o , essas f un çõ e s tinh am que int e r ag i r entr e s i em div e r sos ní ve i s e e stá g io s d a p rodu ção . S ó q u e essas rela ções e r am rnant i das es t á ti cas e sepa r adas, ca d a um a atu a nd o ao seu t em p o e exec ut ando as t a r efas in e r e nt es à s u a fun ção. Se a l g o d esse e rr a d o, co m ce rt eza iri a

s empr e ex i s t i r u ma f un çã o ant e ri or o u poste ri o r qu e n ão foi r ea li zada a co nt e nt o .

A p a rti r do mome nto em qu e as o r ga n i z açõe s p assam

a g er e n c i a r s u as a ti v id a d es a tr avés de p r ocessos e n ã o mai s de fun ções, muit as r e l ações qu e ex i stia m an t e rio r m e nt e são qu es ti onadas e r e a va li a d as. Os process o s sempr e

e x istiram d e ntro d as org a ni zações, m as e l e s não er a m "enxer ga d os" e ge r e nciados a co nt e nto, at é me s mo

porqu e i ss o iri a a f e t a r o j ogo d e pod e r e política qu e

sempr e

ch e f es d e depa rt a m en to, qu e envo l v i a p r es tí g io pesso a l , statu s q u e a f un ção conf e r i a às p essoas e maio r f ac ilid ade

p a ra se ex i m i r d e poss í v eis falh as. Com i sso, a q ualid ade

ex i st i u e ntre as fu nções

e se u s r es pectiv os

3.1

final d o p r o dut o i so l a do mai s i mpo rt a nt e

ge r a r eceit a p a ra a empresa - e r a fo rt e m e nte i n flu e n c iada p o r

todos esses a s pectos ( f i g ur a 3) .

- a qu e l e qu e

Organização

P

r ocessos

M

erca d o

Ca r go

F i g ur a 3 . A s fu n çõe s e o s p roc ess o s .

Como po d e m os pres umir q u e o o bjeti vo d e q ualqu e r org a n ização c om fin s lucrati vos é se r e f icaz e m s u as ativid a d es, de mod o a tornar se u produto competitivo

e obt e r lucro, esse c e nário passou a s e mostr a r ineficiente

ocasion a ndo

e mpr esas,

à p er d a da lider a n ça e m

or g ani zações p assassem a se organ i za r n ão m ais p o r

fun ç õ es, m as s im , co m ênf ase m a ior

sen s í ve i s p e rd as de mercad o a di v er sas

o qu e n a m a iori a d as v eze s es t ava lig a d o

qu a lid a d e .

I ss o f ez co m qu e as

n os proce ssos ,

aqu eles q u e realm e nt e f az em s ur g ir o s produto s.

Ass im, a ger ê n c i a por pro c e ss o s cria um c o mprome -

t i m e nt o e um env o l v im e nto muito maior entre a s antig as

fun ções,

c ria n d o

um ambi e nte

or ga ni za cion a l

IJ

PROCESSO DE DESIGN

•••

F i g ur a 4. O m a crop r oc es s o d e d e s i gn d e pr o dut o s

A Q U A LIDADE DOS PRO D UTOS

E O qu e se ri a e x a t a m e nt e

essa q ualid a d e d o pro d u -

to? R esum id a m e nt e, d e ntro d o amb i e nt e d a q u a lid a d e, pod e ri a se d iz er q ue qua l id a d e d e p rodut o é ADE Q UA- çÃO AO USO . Se d e t e rmin a d o p roduto é a d e qu a do ao

uso q u e se p ro põe, l ogo e l e t e m qu a lid a d e . To d avia, essa

A D EQ U AÇÃ O

s er int erp r e t ada de d i v ersas maneiras .

Esse USO ao q u a l o pr o d uto se pr o p õe n ã o p o d e ficar r e s t r it o úni ca e exc lu s i va m en t e ao u so f i n a l fei to p e l o usu á ri o o u co m pr ado r . U m p rod ut o s ó po de se r co n s id e - rado ADE QUADO q ua n do e l e é p rojetad o co m rel ação

a o s se u s ma is d ive r sos "USO S ".

AO U S O atin ge d i ve r sos n íve i s e po d e

ex tr e m ame nte

p rop í c io

p a r a q u e o d esign

pos sa se

Por exe mpl o, ao se tr a n spo rt a r , di s trib u ir e v e nde r

d

ese n v o l ver

d e ma n ei r a e fic a z, pr ocur a n do

a tin gir a

um pr oduto , e l e de v e te r sido proje t a d o e p l a ne j a d o p a r a

q

u a li da d e d o produt o f inal .

 

que essas at i v i da d es

p o ssam ser r ea li zad as da m e lh or

32

33 .

maneir a po ssí ve l , d a m a n e ir a m a i s ADEQUA D A. A o se

e f e tuar um a m a nut e n çã o

reci c l a r um pr o duto , e l e t a mb é m d eve ser ADE Q UA D O a e ssas at i v id ades. Po rt a n t o , o pr o du to d eve se r A DEQ UA -

DO às m ais di ve r sas e t a p as do se u c i c l o d e v i da par a poder

s er con s id e r a do um produto d e q u a l i d ade ( fi g ura 5 ) .

Ou sej a , se a q u a li d a d e fin a l d o p r oduto tem rela çã o diret a com s u a A D E Q UA Ç Ã O A O USO, p od e mo s di z er que um pr o dut o t e m qualidade qu a ndo e l e f o r av aliado

com r e laç ão

alguma s caract e rístic a s isoladas.

e dos

instrumento s

da

qualidade d e u m produto pode sofrer muit as v a riações.

pre ventiva o u cor r e tiva ou a o se

a uma s érie de f a tor es

e n ão somente )

Assim sendo, dependendo

das referências

qu e forem utiliza do s ,

a a va l iação

AVAL I ANDO A Q U A LID A DE D OS PROD U T OS

A qu a l idade

d e um produt o

d eve se r ava lia da e

definida

d e aco rdo com uma sé ri e d e ca r a cterística s,

incluindo-

se

s itu aç õ es d e uso. Nã o se p ode si mples m e n -

t e i s ol a r um p rod uto

jul ga r s u a q u a lid a d e,

do seu c o nt ex t o

de utiliz aç ão

e

p o r mai s qu e as e mpr esas tentem

f a zer i sso n as mai s di v ersas mídi as .

QUALIDADE = ADEQUAÇÃO

' --- - -- '

PRODUTO

AO USO

~

I DIVERSOS USOS I

~

F i g ur a 5 . Q u a li dade = a d equa ç ã o a o u so

3 4

de um

produto é fa tor c h ave p a r a o pr ocesso d e design, uma vez

O m o d o co m que s e av ali a a q u a lidad e

qu

e

s e m o pr ocesso d e mediçã o n ão se p o d e prec i sar o

que

es t á ce rt o

e o que e s t á errad o . Se m m e di çã o n ão h á

control e so br e o d ese mpenho d o produto e por c on s eqü- ência n ão se p o d e m e lhor a r e ap e rfe i çoa r c ontinuam e nt e

o pr o c ess o d e design, nem obter inf o r m a ç õ es p a ra o d e -

s envolv i me nto d e um produt o no vo. Essa m e di ç ã o de ve

ser feita utili z a ndo-se o s instrum e nto s co rre to s na hor a e no cont ex to a dequ a do , sob p e n a d as in f orm aç ões re s ul-

tantes d a p es qui sa n ã o terem o va lor es p e r a do.

É muito comum os consumidor es compararem e

avaliarem produtos com direcion a m e nt o e objet i vos distinto s , d e i x ando-se influen c iar p o r g o s tos estéticos pesso a is, "fidelid a de " a uma determin a d a m a rca ou p e lo custo fin a l d o pr o duto - s e é mai s ca r o é m e lhor .

e

d

e sen vo l vimen t o conhe c im e nto

pen sa m , agem e ava li a m o s produto s. Cos tum a - se di ze r

que a q u a lid a d e

O p r of i ss i o n a l

q u e tr a b a lh a

de p r od ut o s

na c on cepção

t em q u e t er amp l o

e o m e rcado

d e c omo o c on s umidor

d e um produto d eve se r a qu e l a qu e

o

con s umid or d ese j a , ou s ej a, d e n a d a a di a nt a d es en v ol-

v

er um a lim e nt o q u e m a t e a f ome po r um m ês s e tudo

q

u e o c li e nt e

d ese j a é

es p e r a r a t é o j a nt a r . Tod av i a,

o

designer d eve t e r c on s ci ê n c i a

d as va ri aç õ es

que as

av

aliaçõ es f e it as p e lo m e rcado e p e l os c on s umidore s po-

de

m apr ese n ta r e f az er com qu e a fo rm a qu e ele a v ali a

o produto se j a a m a i s próxim a d a q u e o c liente avali a.

Só a ssim pod e r á se d e senvolv er

m e nte a t e nd a às n e c e ssidades e ex p e ct a tivas do merca-

do c onsumi d or d e m an eira ad e qu a d a.

u m pr o duto q ue real -

Dev e - se t e r em m e nte

qu e, sob o po nt o -de- v ista do

c o ns umi do r , o produ t o é ava li ado com r e l ação a a lgu mas po u cas ca r ac t e r ís ti cas fund a m en t ais de d ese mpenh o

-

35

p o u cas, m as v it a i s - e qu e a e m pr esa fornece d o r a d esse

produt o d eve t er c o nh ec imento

e le s per ce b i d as . A f o rma com qu e a e mpr esa mede t e m que e s t ar est r e it a m e nt e li ga da à f o r ma co mo o cli e nt e

med e o pr o dut o, a l é m d a medi ção d o d ese m p enho com- petiti v o , qu e é a com p a r açã o c o m a co n co rr ê nci a, o qu e tamb é m é f ei to pe l o c lient e e m t e mp o int eg r a l .

Muit as vezes um c liente e s t á muit o sa ti s feito com o seu produto e v ai , muito sati s f e ito , c ompr a r com o s e u concorr e nt e . Is s o a c ontece porqu e e le c o mparou e achou mais inter essa nte a proposta do outro . A p rim e ira compra foi estimul a da p o r diversos fator e s com o , por e x emplo, qualid a de s p e rcebid a s ou divul ga d as do produto

(rnark e tin g ) , c o nh e cimento da m a r ca, o p çã o e s tética o u

com pra t e r á co m o b ase a

experiência acumu l ada durante a uti l ização do produto qu e se r á ava li a d o e com p ar a d o em t e m p o inte g r a l , con sc i e nt e o u in co n s cientem e nt e .

Ob se r va m os, e nt ã o, qu e a qu a lid a d e d o produto t e m um as p ecto din â mi co, e faz n asce r um co mpromi sso e ntr e pro d uto r / co n s umidor/forn ece d o r e d e m a i s en v ol- v ido s: Essa q u a li da d e do produt o é u ma var i áve l c lar a e perf e it ame nt e m e n s ur áv el e , n a m a i or i a d os cas o s, es t á l i gad a di re t ame nt e ao val or cu s t o -b e n e fí cio do produto final .

I s s o no s l eva a c on c luir qu e a bu sca p e l a qualidad e s e r um p r o c e sso de melhor ia co n tí nua e que na

deve

verdad e a qu a lid a d e tot a l não exist e : a l g u ém se mpre pod e

criar al go d e novo que a g regue m a i s valor ao seu produ to do qu e o do conco rr e nte , d e s e nc a d eando um a n ova b us - ca pe l a m u dança e co n se q üe nt e li de r a n ça do pr o c esso.

e c on ô mi ca. J á a seg unda

d essas ca r ac t e r íst ic as p o r

36

o P LANEJAMENTO DA Q UAL ID ADE

Ass im se n do, a maneir a co m qu e a or g aniza ção

pl a n e j a o se u pr ocess o

fund a m en t a l imp o rt â n c ia par a o se u s u cess o , in c luindo- s e n esse p l a n e j ame nto o design, um a vez qu e as car ac t e -

rí s t i c as dos p rodut os, s ejam e l as p os i t i vas o u não , t e r ã o

relaç ã o dir e t a co m a form a co m qu e o pl a nejamento foi

fe i to.

Um pl ane j a m e nto da qualidad e d e fici e nte terá como resultado ó bvio uma má qualidade, o q u e g er a retrabalho , altos custo e nív e l de desperdício, se m f a l a r na perda de v alor ag r ega d o par a os proc e s s o s e pr o duto s . Qualqu e r falha n esse pr ocess o poderá se r multi p li ca d a g eom e tri -

c ament e no q u e co n ce rne à q u a li da d e d o p r o duto fin a l , infl u enciando decisivame n te na relação custo - benefício que d eve se r eq uilibrada da m el h o r ma n e ir a po ss í ve l

d e ntro d esse p l a n e j a m e nto. Ne m

t a nto a o b e n e fí c i o: ma s à m e lho r eq u ação e ntr e o s doi s.

D e ntr o d esse ce n á rio , p o d e mo s ve rifi car que pou cos profi ss i ona i s d e design t ê m c o nh ec im e n tos es p ec ífico s s obr e pl a n e j a m e nto da qualid a d e a pli ca d a a pr od uto s.

O b v i a m e nt e, se o c onh e cimento so br e o t e m a é e s ca ss o ,

a possibilid a d e d e falha s é b e m m a i o r . Essas falh as de

planej a m e nt o ir ã o t e r refle x o s no de se mpenho d o produto final qu e é o respons áve l dir e to p e lo trinômi o v e ndas/f a tur a m e n to /lucro da org a niz ação .

d e ges t ão

d a q ua lidade tem

t a n to ao c u s to , n em

de form a

es truturad a e s i s t e m á tica, c om o a u x íli o d e m e todolo g ia s

c f e rr a m e nt as espec íficas qu e podem se r mold a d as de a cordo com as car a cterí s ti cas especí fi cas de ca d a

E ss e pl ane j a m e nto

de v e se r r ea li za do

37

--- - -- - -- - --- - -- ~

- --

- - - -.-- : ~

proj e t o ou o r gan i zação . Ass im , pod e remo s ter c l a r a m e n-

ca rac ter ístic as ,

e se t e m os

c onh e cim e nto

d e qu e

sã o

te d ef inid as qu a i s as me t as d a qu a lid a d e do pr o duto que

e

ssas c a r a c t e rísti cas

q u e irão influ e n c i a r

o c lie nt e

n a h o ra

dev e rão se r a tin g id a s pa r a qu e e le seja ADE Q UA DO A O

d

a co mpra,

pod e mo s

c on c luir como e sse pl a n e jam e nto

 

US O .

é im p orta nte

d e ntro d o proc e sso

d e designo

E e ssa é um a d as e t a p as

mai s import a nt es:

a d ef ini-

M

uitas emp r es a s

a l egam qu e s i s tem as

d e g e s t ão

da

ç

ão d as m e tas

d a qua lid a d e.

Essas me t as

d eve m

ser a s

qu a lid a d e

o u pr o ce ssos d e d es en vo l v ime nto

d e pr o du -

D a e mpre sa? D o designer? A fin a l, qu e m

to

s n e le b as e a d os

sã o c aro s d e imp l antar,

m as dev e mos

met as de quem ? compra o s produtos

d a e mpr e sa?

faz girar o ci c lo

ter conh e cim e nto que , n a relaç ão diret a, a m aior

de v id a d o produto ?

O client e

Quem é c l a ro.

qu a lid a d e c u s t a m a i s c ar o ( i sso n ã o é um a r eg r a ) ; a s

Se o pr o duto

n ã o f o r compr a do ,

con s umido ,

na pr á ti-

ca, e l e n ã o e xist e. Ex i s t e ap e nas

ra, s e pref e rir .

ta

n a teori a o u n a prat e l e i-

E ntão,

é mai s do qu e justo que essas me -

A li ás, e x i s t e

s d a qu a lidad e

s ejam a s m e t as d o c lient e .

um d itado

na qualid a d e

qu e

di z:

"se v oc ê

qu e r

t e r

s

uc ess o, pe r g unt a

ao se u

c li e nte

o qu e e l e qu e r e d á a

ele

100 %" .

 

fant asioso,

mas a lgum a s

grandes

Pode par e ce r l íderes

empresas,

em seus

mercados ,

estão

co

n seg uin do

al go be m pr óximo dessa r ea lid a d e.

 

O

utr o

fator import a nt e

é qu e

esse

c li e nt e

n ã o

est á mais i s olado do mundo,

nad a e mpr e sa.

v e z m a i s c omp e titi v o

tas d a qu a lidad e

do pr o duto ,

de do dep a rta me nto

t

a ori e nta ção p e l o mer ca do ( m e rc a d o mundial ),

o foco n o c liente ,

nem preso a uma determi-

e m um mer ca do

E le e s t á in s erido

c ada

e g lobal . E nt ão, ao se definir a s m e -

que é um a r esp o n sabilid a -

d e produto s,

dev e m o s

ma s , sem dei x ar de lado ,

p a r a n ã o

de proj e to

er c laram e nte

d

ce ssos in a d e qu a do s,

vend a ,

no s (i ss o é u m a r eg ra).

e f ic i ê n c i as

d o produ to, orig inad as

e m s i s t emas

e p r o - o s c usto s

bem me-

i rão af e t a r c l a r a m e nt e

e a

n esse

c as o, a qu a lidade

maior cu s tari a

C LIENTES E MERCADOS

nt ão,

de d o produto bem c laro quem

d e f i nir como o meio-a mbie nt e ond e se e ncontra a o r ga -

ni

ve

c

se utiliza d a s

m esmas mat é rias -primas

n a saída, o u seja, s e d ete rmin a da

o go - O s

E

c om o irem os b asea r n ossas m e t a s d a q u a lid a -

n o m e r ca d o

e no s c lie nt es,

tem os qu e t e r

sã o ele s (fi g ura 6) . O m e rcado

podemos

por exe m p lo ,

t a nto na entr a da como

e

mpresa

zação, t e ndo co mo p a rti c i pa nt es,

rn o, ó r gão r eg ul a dor es, c on co rrentes e f o rne ce d o r es.

o nc o rrentes

p o d e m es t a r atu a nd o

qu e out ra, a pe sa r de f a bric a r e m

term os

n os so s

c lient es

ind o c ompr a r

o pr o dut o

do

p

r o duto s di s tint os, elas tamb é m s ã o concorrent es . Co n-

con co rr e n

te.

Ao

ve r a p e n a s o c liente, d e i x am os

c

o r re m

p e l a entr a da, p e l a a limentaçã o

d o proc e sso

pro-

de ob serv a r

o qu e est á

s endo feito pelo s concorr e nt e s

d

uti v o.

Isso vale tamb é m, e p rincip a lme nte,

e

a s prin c ipais t en d ê n c i a s

(t ec nol óg ica s,

m erc a d o ló g i cas

v

a ções t ec nol ógicas

e info rmaç õ es

p a r a as ino- q u e a li-

es tra t ég icas

e

t c. ) - o qu e se ri a um a fa lh a

g r av e.

me nt a m o proc esso.

Se t emo s con h e ci me nt o

de qu e o p l a nej a m e nt o

da

Os cli e ntes,

d e um m odo a m p l o,

s ão tod os aqu e l es

qu

a lid a d e

do produt o

irá a fetar deci s ivam e nte

s uas

qu

e sã o impactados

pelos p r o d utos e /ou pr o cesso s

de u ma

38

39

organi zaçã o , pod e ndo ser di v idido s e m c lie nt e interno e

c liente ex t e rno - c li e nte não é s ó a qu e l e qu e compr a ou

u s a o produt o ( m a i s a di a nte e ssa d e finiçã o d e c liente ser á me l hor d ese n vo l v id a). U ma empr es a qu e produ z u m produto ou t e m um pr o cess o produtiv o pr e judicial ao

meio - a mbi e nte

mente , um a séri e d e outros c lient es a l é m d a queles que

adquirem o s seu s produtos.

a c ab a impactand o, n ega tiva e indir eta -

FATORES POLíTICOS/

ECONÔMICOS/SOCIAIS

MERCADO

FORNECEDOR

caprtal

pessoas

materiais

tecnologia

ORGANIZAÇÃO

PORTFÓUO

SUBSISTEMAS INTERNOS

DE PRODUTOS

J

~

~

~

~

~

~L.:::;::::::::::::::::~ !:;::;::::::~:;;;!

DOO O [ ] ~ [ t]O OIU

~

MERCADO

RECEPTOR

t_

FEEDBACK DO MERCADO

CONCORRENTES [NAS ENTRADAS E SAÍDAS)

F i g ur a 6. Me r ca d o s e c l i e n tes (c om ba se e m R UMMLE R , 1 994)

C onh e c e r o m e r ca do onde a or ga ni zaçã o es tá in s erid a

e id e nt if i ca r os seu s c lient es são p roce dimen to s bá s i c o s para o iní c io do desenvolvimento de qu a lquer produt o .

Outro conc e it o importante

é o f a to d e que dentr e

Pou cas c l asses d e produto s co n seg u e m a tin g ir me r -

cado s e co n s umid ores

A m a iori a do s pr o duto s é s e g m e nt a d a por mercado s

difer e nt es q u e eve ntu a lmente

ç ão d e um co n s u m idor

di s tint os

em t e mpo inte g r a l .

co nt a m co m a particip a -

Po rt a nto ,

a o s e

n

ã o espe r a d o.

definir m etas e ca r ac terí s tic as, i sso d eve se r f e ito t e nd o

como b ase os co n s umidores

determin a d o pr o duto. C o nh ecê -Io s b e m é f a tor

primordial .

Es se s c l i e nt e s ex ternos que c ompr a m e consomem

m a i s ass íduo s daquel e

divididos , a inda, em

duas c l a ss e s di s tint a s: o cl i ent e /com pra dor

usuário. E m um d e terminado m ome nto es s es dois pa - péis podem ser d ese mpenhados p o r um a m e sma pessoa ,

toda v i a , e m muit os c aso s, o c li e nt e q u e c o mpr a o produ-

o produto da em pr e sa podem s e r

e o cl i ente /

to não é o c l i e nt e que i rá utilizá-lo.

torna aind a m ai s co m p le x o o d i re ci o n amen t o e a alimen -

t açã o do p r ocesso d e design do pr o duto qu e, p a ra s er e fi- caz, d eve r á se r a d e qu a do a essas va ri áve i s .

S eg uind o essa linh a de r ac i oc íni o, a pr óx im a e ó b v i a

e

t a pa é sa b e r o q u e os c lient es d ese j am, o u se j a, qu a i s

E s sa dif e r e n c i ação

ã o a s s u as n ecess id a de s .

I sso p o d e ser fe it o d e di v er sas

maneir as, co m o, p or e x emplo , a tr avés d e p es qui sas

m e rcad o o u c líni cas de produ tos .

d e

a

variad a ga m a d e c lien t es que um a organi za ção pode ter,

As N ECESSIDADES DOS CLI EN T ES / CO M P R A D O R E S E

existem

al g un s poucos

e vitai s que efetivamente

CL IENT ES / U SUÁ RI O S

garantem

a ra z ão da empresa

e star funcionando.

Ou seja, qu a lqu e r

e compr a d o r es eve ntuais. O id ea l se ri a ate nder a todo s

o temp o

é in v i áve l .

is so

fixos

produto tem c o m p r a dores

mer ca d o l og i ca mente

t o d o, por é m,

4 0

De v em os t e r bem c l aro que as n ecess id a d es hum a -

n

a s sã o ilimit adas , se ja em vo lu me ou em va r ie d a d e,

e

p

o d e m se r d e vár io s tipo s , in c lu s i ve

aq u e l as qu e são

41

d

e sconh ec i da s

das pr ó pri as pe ssoas, e q u e s e manife s -

tam ap e n as qu a nd o um no v o pr o dut o é l a n ça do , como por e x emplo , o w a lk man .

n ã o

sã o fi x a s e imut áve i s,

a companh a m o d esen v o l v imento

turas , obri ga nd o as e mpr e sas a e s t a r e m se m p re a tenta s

É imp o rt a nt e r essa lt a r que essas n ecess id a de s

e l as s e tr a n s f o r mam co m o tempo e

d

as soc i e d a d es

e c ul-

-

que a g ora se t ra n s f or m a em um a m e t a a se r a l ca n ça d a -

de v e h ave r um a ação e s pecífi ca

tornar rea l . E i sso d eve s er f e it o d e uma ma n e ir a pr e ci sa

e efic az, p a r a q u e po ssa s er m e did o e ava li a do.

p ara que e l a po ssa se

um a o utr a lin guagem , ou s ej a, p a r a ca d a n ecess id a de

Qu a nd o não se co n seg u e m e dir , n ão se pod e ava li a r

de m a neira a d e qu a d a e , con s eqü e nt e m e nt e ,

n ã o se pod e

ao que a c ont ece n os mercados. M uitas empr es a s já fe- charam ou p assa ram por dificuldad es p o r não percebe-

melhorar c on t inu a m e nte - n ã o s e po d e g ir a r o ci c lo do PDCA - a qui ap li ca do a o ci c l o d e v i da do produto.

rem a tem p o as mudanças que se p r o cessa v a m, pensan-

A medição d o d ese mpenho do s p r o dut os t e m o obje t i v o

do que s e u s pr o duto s continuariam líd e r es d e mercado a despeito de diverso s outros fatores .

laro de as s e g urar q u e eles irão a t e nd e r pl e namente necessidad e s dos clientes em tempo int eg r a l .

c

à s

Ora, s e j á é difícil

prever

as n e ce ss idades

do

O

ci c lo do P D CA

(fi g ura

7) é u ma cria ç ão

do

consumid o r,

m a i s c omplicado

é sa b e r o qu a nto

e l e

moviment o j a p o n ê s

d a qu a lidad e e se refe r e a o c i c lo de

de s eja pa ga r p e lo produto ,

aind a m a i s l eva ndo- s e

em

v

ida d e um p r o dut o no merc a d o, d i v idind o -o e m quatro

co nt a q u e o obje t i v o do fabri ca nt e é maximiza r a

d ifer e n ça e ntr e va lor e c u s to. Cabe r i a , e nt ão , aos designers,

a t a r e fa d e int e rpr e t a r a ava liaç ã o f e ita, p o r p ar t e do s con-

s umidor es, d a qu a lid a de que ele s d ese j a m e m d e termi-

nado produto e c ri a r so lu ç ões adequ a d as co m c u s to s a tra-

ti v os , equilibr a nd o

c o l o c a r e m xe qu e a qu a lidad e.

o fator cu s t o -b e n e fí c io

s em

cu s t o e praz o d ev e s er

a lcançado ao m esmo t e mpo, como de mand a m os con s u -

midores a tu a i s . C on seg uir cumprir o pr azo às c ust a s de

bai x a qu a lidad e

custas de a l to c u s to e longo pr azo , s ã o a tit udes impensáveis p a r a as or g anizações líder es de m ercado .

e a lto custo, ou con seg ui r qu a lid a de às

A final , o trin ô mio qu a lidade ,

Definid a s as n e c ess idades do s c lie nt es, o pr o cesso

a qu a lid a de deve

de design d e pr od uto s s ob enfoqu e

d

f azer c om qu e essas n e c essidade s se j a m tr a du z id as para

42

pa rte s: o P l a n e j a m e nto , a E x e c u çã o , a Ava li aç ão e a A ç ão

C

quatr o a ti v i da d es

des en v ol v im e nt o, l a n ç ament o e m a nut enção de um

p roduto n o m e r ca d o .

orr e tiva .

De um a m a neira s i mp li f i cada

se ri a m

as

b ás i cas nece ssá ri as pa r a se ga r a ntir o

N OR MAS I SO E CE RT IF I CAÇÁO

t e r rel açã o

d ireta com a s carac terísticas do produto qu e serã o deter- minadas dur a nt e o planejamento , co m b ase no mercado

Qu a nd o a b o rdamo s

o fato d a qu a li da d e

, nos cli e nt e s ,

d e vemos

dei x ar bem c l a ro que essa

qu a lidad e se r e l a cion a diret a ment e c o m a qualidade do pr o jeto, nã o t e ndo nad a a ver com co nf o rmidade de pa- Ir ã o , co nf o rm e asseg ur a m , p o r exemp l o, as n o rmas I SO

sé ri e 9 000 .

43

PLAN - Pl a n e j a ment o :

1 - O qu e fa z e r

2 - C omo f az er

D O - E xecutar:

3 - E duc açã o e tr e in a ment o

4 - Co l e t a de dado s

C H E C K - Ve ri f ic a r :

5 - C ompar a r o pl a n e j a do c om o ex ecut a do

AC T - A çã o :

6 - Ag ir corr e ti va m e nte

a

s dif e r e n ç a s

s obr e

F

i g ur a 7. O c i c l o do PD CA

o f ato d e uma empre s a e s tar c e rtificad a gara nte qu e

e

la de s empenha

seu s processo s

(ou a l gun s de les) d e

acordo com algum p a drão ou n orm a que fo i e st a belec i do previam e nte.

Is s o ir á ga rantir m e lhor fun c ion a mento inte rno , um

e fic az, a lém d e c ri a r um

s

a mbi e nt e f av orá ve l p a r a di ve r s o s co n c eito s d a qualida -

de. M a s, d e modo a l g um , uma c e rtifica ç ão I S O ass egu ra qualid a d e do produt o final .

i s tema d e docum e nt aç ão

Por exe mp l o , um a determin a da empresa p o de ter o

s eu servi ç o de manutenção e assist ê ncia t éc ni ca ce rt ifi-

cados, m as

c o mpr a d o pelo m erca d o t e m qu a lid a de.

design, a s n o rm as I SO

sé ri e 9 000 ga r a ntem q u e o pr o j e to se r á elab o r a d o d e um a

isso não ga r a nte que o produt o fin a l qu e é

No que t a n ge à qu a lid a d e

44

m a neir a ma i s or ga ni zada uma vez q u e ele se r á doc umen -

tado e s i s t e m a ti za d o

que é muito imp o rt a nte, m as n ã o é o ba s t a nte p a r a

assegur a r qua l idad e do produto f in a l c om r e l açã o às m a is variada s e x i gê nci as do me r cado. Ce rtifica çã o p o d e ser um

do s p assos p a ra ini c i a r uma or ga ni z ação n a ges t ã o pela

ma s c om ce rte z a n ã o é o úni c o n e m o m a i s

qualidad e , import a nt e.

d e uma m a n e ira mai s e fi c i e nte ,

o

As no rm as I SO sé ri e 14000 qu e tr a t a m d e qu a l i dad e

e

imp ac t o

a mbi en t a l

é que de v er ã o

t e r um mai o r

e

po s iti v o

efe i to

na a ti v i d a d e

de design, uma v ez

q

u e i r á in c l u i r ao pro c esso de proj e to e des e nvo l vimento

de produtos

projeto s a t é a g ora e q u e t ratam d a r e ci c labi l id ad e , u s o de

mat e ri a i s, em i s s ão de p o lu e nt es

vari á v e i s

q u e n ã o ex is t iam

em muito s

e t e ma s af in s .

Com

b ase n esses co nc e it os e d e fini ções p od e m os

c

o nc lu i r q u e a q ualidade do processo de design reflete,

c

lara me nt e, a qu a lid a d e do p r o dut o fin a l - a co nformid a -

de com o que foi pl a n e jado - d e finindo o s

cessári os par a e l ab o r aç ão das e sp e cifi ca ç õ e s do produt o

de acord o com as n e c ess idad es d os

ç ão d o me r ca do . Essa postur a p r oa ti v a , tr aze nd o a qu a li -

dad e p a r a o iní c i o do p roc ess o , faze ndo ce rt o d a prim e ir a

v e z , é co nd içã o essenc i a l pa ra o s u cess o de u m pr o dut o,

ao contrá ri o de pr á ti cas d e modifi caç õe s in c r eme nt a i s, qu e muit as vezes n ã o a g r eg am va l o r , são limit a d as e t ê m c u s -

to e l eva d o .

m u it as co m

o obj e ti vo d e per mitir que o p r o j e to se j a i ni c i a do tend o

r e quisitos n e -

c l ient es e a orient a -

Co m base ne sse s

c

onc e it os abord a d os ,

f

metod o l ogi as e f e rra menta s

o r a m el a b o r a das

c

do pr oduto, a p a rt ir das ne c essida d es d os u s u á r ios .

laros

o s o bj e t ivos

e os a t r ibut os

d e q u a lid ade

45

o uso desses métodos e fer r amentas

fo r talece o

proce sso de d esenvol v imento de produtos e p e rmite um a mai o r e ficáci a p a ra al ca n ç ar o r es u l t a do de s ejado , fa z en - do com que o produto a tend a às nec ess id a de s do c l ient e e tenh a uma con s iderá v el m a r ge m c ompetiti v a.

4 6

GEST ÃOESTRATÉGICA DO PROCESSO DE DESIGN

U MA P EQ UENA H I STÓRI A - - -- - -- -

N e ssa et a p a, irem o s situ a r crono l o g ic a ment e e traçar

um p . erfil de c omo o proce ss o de design de produto s

e

o

mo v imento d a qu a lid a d e se s itu a r a m historic a ment e

e

m no ssa é p oca, pro c ur a ndo e ntend e r como a tingira m

o atu a l est a do de import â n c ia

indu s tri a l , influenc i ando

d e pr o duto s e organi zaçõ es a tr av és d e "leis e forças" d e

merca d o . Ass im , p o d e remo s

d e p r od uto s aco mp a nhou o ava n ço t e cnoló g i co d as e r as

mod e rn a e p ós -mod e rna , su a c o ntribu iç ão d e ntro d esse

dentro da s ocied a d e

o suc ess o

e d e t e rminando

e nt e nd e r como o design

/

,.

cen ár i o e s u a t r a n s f o rm açã o

o sucess o d os n egóc i os e diferenci a l co mp e ti tivo dos p r oduto s.

em e l e m e nt o

estr a té g ico p a r a

Pod e m os id e ntificar ,

c

l a ram e nt e,

tr ês gra ndes da humanidad e .

er as

tecnol óg i cas n a hi s t ó r i a r ece nt e

O s é c ul o XV I I I c om a Re v olu çã o

Indu s tri a l ,

seus g ran-

e o iní cio d o qu e poderíamo s

identi f ic a r co mo a ma i s pró x im a r e pr e s e nt ação

mia de m e r ca do

máquin a

industrial e as tr ans f o rmações

vas q u e se suc e d e ram nos processos p r od u ti v o s · e fina l mente

o século X X e m qu e a tecnologia domin a nt e

b u s c a, pro cessa m e nto e disseminaç ã o d a informação .

des en ge nh os m ecâni cos

da econo -

d a

a tu a l . O s éculo X I X co m a a plica ç ão

d e e n e r g i a

a va por n a g eração

p a r a produção

e definiti-

,

passou a s e r a

m a i s pr of unda s

,

,

Ant e riorm e nt e

a e s sa s eras s upr a cit a d as,

a produção

d e

de ben s d e co n s um o

e, por c on seqü ê n c i a,

o p roces s o

desigll d e pr o dut o

e as no çõ e s

da qua lid a de

e ram a trib u i -

ções dos a r tesãos ,

q u e se or ga ni zavam

de m a neira

a

a

um s i s t e m a d e m es tr e / a prendi z, detinh a o co nh ec imento té c ni co

e tap as produti vas

perfei çoa r

e tr a n s mitir

s eu s co nh ec im e nto s

em e m q u e o p rofi s sion a l d e toda s

ace r ca

a

s

e d e todo o c i c lo d e v id a d o produto .

D

es d e

a se l eção

da m a t é ri a - p rim a,

p ass ando

por

toda s as e t a p as pr o dut iv as

do produt o,

a

qualid a d e de se u s p rodutos . O p ró pr io m o vimento

recente d a ges t ão pel a qualidad e

e

serviços

coloc a n do

d

a g e s t ão

ass i m, ga rantir

e ch ega nd o à co m e r c ia l i z a çã o

tod as essas e tapa s er a m d e co mp etê ncia

e podi am,

dos

a

rte s ão s

qu e as c o ntrol a vam

co s tum a faze r a nalogias

d os produtos

artesão ,

e

m qu e

situ a

a busca

pela qu a li dade

c o m o u m a v o lt a ao p er í odo

es t e últi m o

d e tr a b al ho

e m local d e d est a qu e

na história

o qu e o qu e

a produ ção

de b ens e s er v i ços.

bu s c a

E na r ea lid a d e, é n a s u a essê n c i a

pe l a q u a lid a d e

48

ex

i s tia

n o t ra b a lh o

a rtesa n a l :

um t o t a l co nt ro l e

so bre to-

do

s o s pr ocessos ,

de modo

a torn á -I os o m a i s e fic i e nt e

pos s í v el , asseg ur a nd o

que o produto

f in a l se r á a d e qu a do

p

a

pró x imo

ca r a ct e rí s tica s d o pro cesso produti vo a rtesa n a l .

a r a o co n s u mo e uso, d e ntro d e um a es t r utu ra

dmini s tr a tiva

pr o dutiva

e

o m a i s horizont a l

po ss í ve l

e co m contato

c om o c lie nt e

o u u s u á rio

f in a l . T ud o i sso er a m

O úni co

fa t o r qu e

não ex i s tia

c o mo ex i s t e

hoj e é

a força d o m e r ca d o

e o contro l e

d es t e po r p a rte de um a

p

e

quen a

pa r ce l a

da so ciedade .

O s i s t ema

a rtesa n a l

d e

produção

c om eç ou a conhecer

o se u fim ju s tamente

quando

a s forças

d e

mercado

começa ram

a privar

o

a

rtesão do c ontro l e

d e

todas as eta p as d o pr o c esso

produ-

tivo. Prim e ira ment e,

o a rte sã o

p e rd e u

o a c esso

fácil à

m

a téria-prim a

e, po s t e r i o r m e nt e,

à co m e r c i a liz a çã o

do s

e us produ tos, f i ca n do à mer cê de atr avessa d o r es e inte r-

me diário s

- l eia m-se

c omer c i a nt es

- qu e

p assa r a m

a

o

ntrol a r ju s t ame nt e

as e ntra d as