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tores de livros de engenharia tem con-
:r~buído, sem dúvida, par~ ~ f~rmação de
. genheiros com uma v1sao igualmente
en . d d As .
estreita do seu papel na soc,e a· e. sim, os
organizadores deste livro merecem louvor, e
a nossa gratidão, pelo esforço em alargar a
perspectiva da engenharia sanitária.
Na seleção de capítulos, por exemplo, os
organizadores reconhecem que a chamada
"tecnologia apropriada" · soluções indivi-
duais e sem rede para habitações isoladas e
populações carentes apresenta desafios à
criatividade do engenheiro não menores que
aqueles levantados pela tecnologia de ponta
e pela mecânica computacional. Reconhecem,
igualmente, que o abastecimento de água é
um processo e não apenas um produto; o
engenheiro tem responsabilidades na gestão
do sistema, e não só na sua construção. Os
organizadores reconhecem, além disso, que
o engenheiro sanitarista desempenha o seu
papel no contexto da sua sociedade e de um
ambiente de recursos limitados, aos quais
- ambos têm contas a prestar.
Um outro aspecto a salientar é o esforço
em reunir autores dos capítulos com expe-
riência prática, comparável com os seus
conhecimentos acadêmicos. Nessa dimensão,
seguem a melhor tradição das editoras téc-
nicas brasileiras. Lembro-me de que, quando
eu trabalhava em Moçambique, a biblioteca
da Embaixada Brasileira era o local onde eu

ia procurar manuais práticos de engenharia
sanitária.
Na minha experiência, os melhores li.vros-
texto duram muitos anos, reencarnando-se
numa série de edições sucessivas.
:os organizador:s ~ autores, .ºs meus para-
éns, e, ao próprio livro, deseJo a longa vida
que merece.

Sandy Cairncross
Professor de Saúde Ambiental
London School
· 0 f H · ·
· ygiene &Tropical Medicine


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Léo Heller
Valter Lúcio de Pádua
(.organizadores)

astecimen o
ara consumo

'

BELO HORIZONTE I EDITORA UFMG 12006


Abastecnnento de78928 El'· 4
AC. 220969: R..6 í\lfOS .
Compra - C1a dos L .- 28/06/2007
Nf.: 112790 RS 77,OO .
. b' ..._1 .. ReS· Sem. Ctba
Engenharia Atn 1enusi

Editora UFMG . . . di "ta da Biblioteca Central - térreo


Av. Antônio Carlos, 6627 • Ala _rer -Belo Horizonte/MG
90 1
campus. Pampulha . - CEP
.F ..31270
( ) 499-47681 E-ma, . ·i·. ed..1tora@ufmg.br
. . •
I www.ed1tora.ufmg.br
3
Tel~: {31) 3499-46 5O 1 ax; 31

Escola de Engenharia da UFMG


Diretor Ricardo Nicolau Nassar Koury
Vice-Diretor Rodney Resende Saldanha . .
Rua Espírito Santo, 35 - Centro - CEP 30160-030 -:.B:lo Honzonte/MG
Tel.: (31) 32.38-18901 Fax: (31) 3238-1726 I E-mail. d1r@adm.eng.ufmg.br I www.eng.ufmg.br

conselho Editorial Executivo: Márcio Benedito Baptista, Marcos von Sperling, Ronaldo Guimarães Gouvêa

Projeto gráfico, capa Paulo Schmidt


Formatação Raniere G. Lima
Revisão de provas Alexandre Vasconcelos de Melo e Maria do Rosário Alves Pereira
Ilustrações Andresa Renata Andrade e João Evaldo Miranda Franca

© 2006, Os autores
© 2006, Editora UFMG
Este livro ou parte dele não pode ser reproduzido por qualquer meio sem autorização escrita do Editor

Abastecimento de água para consumo humano/ Léo Heller. Valter


A118 Lúcio de Pádua (organizadores}. - Belo Horizonte: Edit~ra
UFMG, 2006. .
859p. (lngenium)
Inclui referências.
ISBN: 85·7041-516-8

1• Aba~ecim~nt~ de água. 2. Tratamento de água.


iii. :;i:~hana sarntána 1. Heller, Léo. li. Pádua, Valter Lt'.ldo de.

CDD: 628.1
CDU: 626.2
Catalogação na publicação•• Oiv1sao
... de. Pfanejamento e. Divulgação
. da Biblioteca Universitária - UFMG
J

• SUMÁRIO

23 Apresentação
27 Prefácio

Capítulo 1
29 Abastecimento de água, sociedade e ambiente
Léo He//er
,
29 1.1 Introdução

30 1.2 Contextos sociais


... 33 1.3 Contexto técnico-científico
34 1.4 Histórico

38 1.5 Necessidades da água

( 42 1.6 Oferta e demanda de recursos hídricos

I 42 1.6.1 Oferta

43 1.6.2 Demanda

'I 45 1.6.3 Balanço oferta x demanda

46 1 .7 Abastecimento de água e saúde •

46 1.7. 1 Evidências históricas


49 1.7 .2 Mecanismos de transmissão de doenças a
partir da água
50 1.7 .3 O impacto do abastecimento de água sobre
a saúde
51 1 .8 Abastecimento de água e meio ambiente
52 1.8.1 Abastecimento de água como usuário dos
recursos hídricos
54 1.8.2 Abastecimento de água como atividade
impactante

1
.

_ . Elementos da legislação
55 18 3
_ A situação atual do abastecimento de água
56 19
. considerações finais
61 1 10

Capítulo 2
- Concepção de instalações para o abastecimento
65
de água
Léo Hel/er
65 2.1 Introdução
.es -
67 2.2 Contextos
2.3 Modalidades e abrangência do abastecimento
72.
2 .4 Unidades componentes de uma instalação de
- - 73
abastecimento de água
2.5 Elementos condicionantes na concepção de
79
instalações para o abastecimento de água

79 2.5.1 Porte da localidade

82 2.5.2 Densidade demográfica

82 2.5.3 Mananciais

84 2.5.4 Características topográficas

85 2.5.5 Características geológicas e geotécnicas

85 2.5.6 Instalações existentes

86 2.5 .7 Energia elétrica

88 2.5.8 Recursos humanos

89 2.5.9 Condições econômico-financeiras


91 2.5.1 O Alcance do projeto
92 2.6 Normas aplicáveis
94 2 ·7 A sequencia
···" · do processo de concepçã.o
j
1
95 2.8 Arranjos de instalações para abastecimento de
água
'
104 2.9 Planejamento e projetos

' Capítulo 3
1 107 Consumo de água
Marcelo libânio, Maria de Lourdes Fernandes Neto,
'J Aloís,~o de Araújo Prince, Marcos von Sperling, Léo Heller

107 3.1 Demandas em uma instalação para


abastecimento de água

108 3_2 Capacidade das unidades


111 3.3 Estimativas de população

1 11 3.3.1 Métodos de projeção populacional

121 3.3.2 Estimativa da população de novos


loteamentos

122 3.3.3 Popufação flutuante

123 3.3.4 Alcance de projeto

126 3.4 Consumo per capita

126 3.4. 1 Definição

126 3.4~2 Consumo doméstico

128 3.4,3 Consumo comercial

129 3.4.4 Consumo público

129 3.4.5 Consumo industria(

131 3 .4.6 Perdas

133 3.4.7 Fatores intervenientes no consumo


per capita de água
-
138 3.4.8 Valores típicos do consumo per capita

de·água

; ...
..-- .
142 3.5 coeficientes e fatores de correção de vazão
142 3 .s.1 Período de funcionamento da produção
3.s.2 consumo no sistema
1
14,2
143 3.s.3 coeficiente do dia de maior consumo (k 1) l

143 3.5.4 Coeficiente da hora de maior consumo (k2) '


144 3.6 Exemplo de aplicação

Capítulo 4
1
153 Qualidade da água para consumo humano
1
Valter Lúcio de Pádua, Andrea Cristina da Silva Ferreira

153 4. ·1 ln.tradução

154 4.2 Classificação dos mananciais e usos da água


159 4.3 Materiais dissolvidos e em suspensão
presentes na água
159 4.3.1 Natureza biológica
176 4.3.2 Natureza química

192 4.3.3 Natureza física


196 4.3.4 Natureza radiológica
197 4.4 Caracterização da água
197 4.4.1 Definição dos parâmetros
198 4.4.2 Plano de amostragem
204 4.4.3 Controle de qualidade em laboratórios
205
4.4.4 Processamento de dados e interpretação
dos resultados
207
4.4.5 Divulgação da informação
208
4.5 Padrões de potabilidade
,
208
4.5.1 Parametros de caracterização da água
destinada ao consumo humano

' D -. . . .
J

211 4.5 .2 Amostragem

215 4.5 . 3 Responsabilidades fegais

Capítulo .5
223 Mananciais superficiais: aspectos quantitativos
Mauro Naghettini
223 5.1 Introdução
224 5.2 O ciclo hidrológico
226 5.3 O balanço hfdrico
230 5.4 Dados hidrológicos

231 5.5 A bacia hidrográfica

233 5.6 Precipitação


241 5.7 Os processos de interceptação, infiltração e
evapotranspiração
249 5.8 As vazões dos cursos d' água

256 5.9 Vazões de enchentes


265 5.1 O Vazões de estiagens

Capítulo 6
275 Mananciais subterrâneos: aspectos quantitativos
Luiz Rafael Palmier

275 6.1 Introdução


277 6.2 A evolução do uso de águas subterrâneas e da
compreensão dos fenômenos hidrogeológicos
279 6.3 Caracterfsticas,.importância e vantagens do
uso ·das águas subterrâneas
285 6.4 Distribuição vertical das águas subsuperiiciais
287 6.5 Fluxo de água subterrânea:. escala local
290
_ .1 Aqüfferos e aqüitardes
290 66
_ .2 Formações geológicas
290· 66
.6.3 Tipos de a~üff;r~s e superfície
291 6
potenc1ometnca

. Propriedades hidrogeológícas dos aqüíferos


293 67
.
67 . 1 Transmissividade
294
6. 7 .2 porosidade e vazão especff ica
294

295 6.7 .3 coeficiente de armazenamento específico

296 6.7.4 coeficiente de armazenamento de aqüífero


confinado

297 6.8 Introdução à hidráulica de poços

298 6.8.1 Cone de depressão em aqüíferos


confinados

299 6.8.2 Cone de depressão em aqüíferos livres

Capítulo 7
303 Soluções alternativas desprovidas de rede
Valter Lúcio de Pádua '


303 7 .1 Introdução

304 7.2 Emprego de soluções alternativas e individuais


305 7.3 Tipos de soluções alternativas e individuais
306 7 .3.1 Captação

311 7.3.2 Tratamento


318 7 .3 .3 Reservação
320 7.3.4 Distribuição

323
7 .4 Cadastro e controle da qualidade da água
323 7 .4.1 Cadastr0
325 7.4.2 Controle da qualidade da água

326 7 .5 Considerações finais

Capítulo 8
,
1
329 Captação de água de superfície •

Aloísio de Araújo Prince


329 8.1 Definição e importância
330 8.2 Escolha do manancial e do local para
implantação de sua captação
f
335 8.3 Tipos de captação de água de superfície

336 8.4 Dispositivos constituintes das captações de


r
1
água de superfície
t
337 8.5 Tomada de água

f
1
337 8.5.1 Tubulação de tomada

343 8.5.2 Caixa de tomada

344 8.5.3 Canal de derivação

345 8.5.4 Poço de derivação


347 8.5.5 Tomada de água com estrutura em balanço
348 8.5.6 Captação flutuante
350 8.5.7 Torre de tomada

352 8.6 Barragem de nível

360 8.7 Grades e telas

367 8.8 Desarenador


374 8.9 Captações não convencionais

378 Anexo - Proteção de mananciais


379 Importância da escolha correta e da proteção dos
mananciais

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e Capítulo~
r
383 Captação de água subterrânea
João cesar Cardoso do Carmo, Pedro Carlos Garcia Costa

1
383 9 .1 Introdução
384 9.2 seleção de manancial para abastecimento público

385 9.3 Seleção de manancial subterrâneo

385 9.3.1 Levantamento de dados


386 9.3.2 Caracterização do tipo de manancial escolhido

390 9.4 Fontes de meia encosta


392 9.5 Poço manual s·imples

393 9.6 Poço tubular raso


395 9.7 Poço Amazonas

399 9.8 Drenos horizontais


403 9.9 Barragem subterrânea 1

406 .9 .1O Barragem de areia


406 9.11 Poços tubulares profundos
407 9.11.1 Projeto
414 9 .11.2 Métodos de perfuração de poços
tubulares profundos ·
419 9 ·11·3 Teste de bombeamento
424 9.12 Proteção das captações

Capítulo 1o
427 Adução
M~rc~a Maria Lara Pinto Coelho
Mareio Benedito Baptista
427
1O.1 Introdução
428
10.2 Traçado das adutoras
431 10 ..3 Dimensionamento hidráulico
431 10.3.1 Considerações gerais
432 10.3.2 Equações hidráulicas fundamentais

433 10.3.3 Condutos forçados

451 10.3.4 Condutos livres

458 10.4 Transientes hidráulic.os em condutos


forçados
458 10.4.1 Definição
1
458 10.4.2 Celeridade
460 10.4.3 Descrição do fenômeno em adutoras por
gravidade
462 10.4.4 Processo expedito para avaliação da
1 variação da carga de pressão

1 465 10.4.5 Métodos para controle de transiente

Capítulo 11
471 Estações ,elevatórias
Márcia Maria Lara Pinto Coelho

471 11.1 Introdução

476 1·1.2 Parâmetros hidráulicos

476 11.2.1 Vazão


476 11.2.2 Altura manométrica

477 11.2.3 Potência e rendimento

479 11.3 Bombas utilizadas em sistemas de


abastecimento de água

479 11.4 Turbobombas

483 11 .4.1 Bombas centrífugas


484 11 .4.2 Bombas axiais e mistas


p
11.4.3 Influência d~ rotação nas curvas
li
e 485 características das turbobombas
r
a
'( 487 11 .4.4 Influência dos diâmetros dos rotores nas
- curvas bombas
t

487 11.s curvas características do sistema


1

1 490 11 _6 Associação de bombas


490 11 .6.1 Bombas em paralelo

492 11.6.2 Bombas em série

494 11.7 cavitação e altura de aspiração das bombas

494 11 ~ 7 .1 Cavitação
495 11. 7 .2 Altura de aspiração nas turbobombas

497 11 .7.3 Escorva das bombas

497 11.8 Golpe de aríete em linhas de recalque


""
499 11.9 Projeto de estações elevatórias
500 11.9.1 Poço de sucção

503 11.9.2 Sala de máquinas

505 11.1 O Bombas utilizadas em situações especiais


505 11.10.1 Bombas volumétricas

506 11.10.2 Carneiro hidráulico


508 • 11.10.3 Sistema com emulsão de ar

51 O 11 . 11 Escolha do tipo de bomba

Capítulo 12
519 Introdução ao tratamento de água
Valter Lúcio de Pádua
519 12.1 Introdução
520 12 ·2 Processos e operações unitárias de
tratamento de água

. .•º n e.
520 12.2.1 Micropeneiramento

523 12.2.2 Oxidação

526 12.2.3 Adsorção em carvão ativado


527 12.2.4 Coagulação e mistura rápida

531 12.2.5 Floculação

533 12.2.6 Decantação

535 12.2.7 Flotação


538 12.2.8 Filtração ráp·ida


1
541 12.2.9 Desinfecção

546 12.2.1 O Fluoretação


1
548 12.2.11 Estabilização química

549 12.3 Técnicas de tratamento de água


l 551 12.3. 1 Filtração lenta e filtração em múltiplas
etapas

55'7 12.3.2 Filtração direta

560 12.3.3 Tratamento convencional e flotação

560 12.3.4 Filtração em membranas

566 12.3.5 Seleção de técnicas de tratamento

Capítulo 13
,.,,
571 Reservaçao •

Márcia Maria Lara Pinto Coelho


Marcelo Libânio
571 13. 1 Considerações iniciais
573 13.2 Tipos de reservatórios
573 13.2.1 Localização no sistema

575 13.2..2 Localização no terreno


578 13.2.3 Formas dos reservatórios



1 . 4 Material de construção
J 13,.2·
578
13.3 Volumes de reservação
579
1
.4 Tubulações e órgãos acessórios
585 13
13.4. 1 Tubulação de entrada
585
.
2
13.4. . Tubulação de saída
586
587 13.4 .3 Descarga de fundo
13.4.4· Extravasor
588
13.4.5 Ventilação
590
590 13 .4 .6 Drenagem subestrutura!

598 13.5 Qualidade de água nos reservatórios

Capítulo 14 •

603 Rede de distribuição


Alofsio de Araújo Prince

603 14.1 Definição e importância

604 14.2 ·Elementos necessários para a elaboração do


projeto
605 14.3 Vazões de distribuição

608 14.4 Delimitação da área a ser abastecida

609 14.5 Delimitação das áreas com mesma densidade


popuf acional ou com mesma vazão
específica
611 14.6 Análise das instalações de distribuição de
, .
< agua existentes
612 14. 7 Estabelecimento das zonas de pressão e
localização dos reservatórios de distribuição
618
14.8 Volume e níveis de água dos reservatórios de
distribuição
t

624 14.9 Diâmetro das tubulações


627 14. 1O Traçado dos condutos
629 14.10.1 Distância máxima de atendimento por
uma única tubulação tronco
l
631 14.10.2 Distancia máxima entre tubulações
tronco formando grelha
632 14.10.3 Distância máxima entre tubulações
tronco formando anel
636 14. 10.4 Comprimento máximo de tubulações
secundárias com diâmetro mínimo de
SOmm
'

637 14.10..5 Comprimento máximo de tubulações


secundárias com diâmetro inferior a
50mm

639 14.11 Estabelecimento dos setores de manobra e


1
dos setores de medição
642 14. 11. 1 Setor de manobra

644 14. 11 .2 Setor de medição

646 14.12 Localização e dimensionamento dos órgãos


acessórios da rede de distribuição

646 14.12 . 1 Hidrantes


647 14.12.2 Válvula de manobra
649 14.12.3 Válvula de descarga
650 14.12.4 Válvula redutora d,e pressão

651 14. 13 Dimensionamento dos condutos

652 14. 13 .1 Método de dimensionamento trecho-a-


trecho
661 14.13.2 Método de dimensionamento por áreas
de influência
"
capítulo 15
Tubulações e acessórios
683
Emllia Kiyomi Kuroda, Valter Lúcio de Pádua

683 . 15.1 Introdução

684 15.2 Critérios para escolha de tubulações

687 1s.3 Tipos de tubulações

689 15.3_ 1 Tubulações de ferro fundido

697 15.3.2 Tubos de aço carbono

703 15.3.3 Tubos de PVC

706 15.3.4 Tubos de polietileno e polipropileno


715 , 15.3.5 Tubulações reforçadas com fibra de vidro
,

717 15.4 Acessórios


717 15.4.1 Válvulas de regulagem de vazão

719 15 .4.2 Comportas e adufas

721 15.4.3 Válvulas de descarga


721 15.4.4 Ventosas •

723 15.4.5 Válvulas redutoras de pressão


723 15.4.6 Válvulas de retenção
723 15.4. 7 Válv!Jlas antigolpe
724 15.4.8 Medidores de vazão

731 15.5 Instalação e assentamento de tubos


735 15.6 Obras complementares
736 '
15.7
Limpeza e reabilitação de tubulações
736 15 ·7.1 Considerações iniciais
738 15 ·7 .2 Limpeza das tubulações
738 15 7 3
· · Reabilitação de tubulações
1

Capítulo 16
741 Mecânica computacional
aplicada ao abastecimento de água
Marcelo Monachesi Gaio

J 741 16.1 Introdução

742 16.2 Os modelos computacionais

743 16.3 Histórico


1
744 16.4 Os modelos disponíveis no mercado
744 16.5 Tipos clássicos de aplicação dos modelos
746 16.6 Como os modelos funcionam
747 16.7 Como trabalhar com os modelos
750 16.8 Bases para trabalho
752 16.9 Construção e uso dos modelos
753 16.9.1 Identificação clara da finalidade do
modelo

753 16.9.2 Simplificação


754 16.9.3 Análise dos resultados
754 16.9.4 Documentação
755 16.1 O Quem deve utilizar os modelos
755 16.11 Como começar?
756 16.12 Exemplos numéricos
756 16.12.1 Exemplo 1
762 16.12.2 Exemplo 2
764 16.12.3 Exemplo 3 (continuação do Exemplo 2)

766 16.12.4 Exemplo 4


t 16.13 Dados utilizados nos modelos
768
J

16.14 Outros exemplos de aplicação de modelos

16.14~ 1 ''Dimensionamento'' de uma rede de


distribuição

772 16.14.2 Continuação do Exercício 16. 14.1


774 16, 14.3 Aut.omação
777 16.15 Redução de perdas
779 16.16 Calibração dos modelos
779 16.16.1 A importância da calibração de um
modelo
780 16.16.2 O processo de cal.ibração
783 16.16.3 O que fazer para aproximar o modelo da
realidade
784 16.17 Simulação da qualidade da água
787 16.18 Considerações fina·is

Capítulo 17
789 Gerenciamento de perdas de água
Ernani Ciríaco de Miranda
789 17 .1 Introdução

791 17 .2 Componentes das perdas de água
793 17 .3 Avaliação e controle das perdas de água
796 17 .4 Indicadores de perdas
804 17 .5 Análise de credibilidade
806 17.6 Ações de combate às perdas de água
809 Apêndice - Glossário
-

Capítulo 18

1
817 Gestã·o dos serviços
Léo Heller
817 18.1 Introdução
818 18.2 Modelos de gestão
818 18*2.1 Breve histórico da gestão do 1
rví
saneamento no Brasil

821 18.2,2 Quadro legal e institucional


829 18.2.3 Modelos de gestão aplicáveis

834 18.3 Práticas de gestão


834 18.3.1 A organização dos serv·iços

841 18.3.2 Participação da comunidade e


integração com outras política
públicas

843 18.4 Considerações finais

Anexos
845 Anexo A - Hidráulica
845 A.1 Algumas propriedades físicas da água
846 A.2 Equações fundamentais do escoamento
permanente
846 A.2. 1 Equação da continuidade
847 A.2.2 Equação da quantidade de movimento
847 A.2.3 Equação de energia - Bernoulli
848 A.3 Adutoras em condutos forçados
848 A.3, 1 Perda de carga contínua

851 A.3.2 Perda de carga localizada


1


1 • •
• •

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-
1
1



A.4 Ad.utaa e
r m ,eseoa,
.
M:ent1 l
1'ivre 1

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• • •


1q l m a s,e
t · míA'i11Jas a
, dmissíveis
A.4,4 Vsl'. 0
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rern ,~mt~ f i


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1
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-. .. ;,.-~
• •


Apresentação

e n a tu re z a
' O abastecimento d e á g u a à s c o m u n id a d e s h u m a n a s c o n s titu i u
d
m
e
a
á
q
g
u
u
e
a
s tã
às
o
p
d
o p u la ç õ e s
n s io n a l. O c u id a d o c o m o p ro v im e n to
nitidamen te m ultidime ir u m a c o n d ic io n a n te
d e s d e se u s u rg im e n to . P as sa a c o n s ti tu
• acompanha a hu man idade u e o h o m e m to rn o u -s e
n v o lv im e n to d a s c o m u n id a d e s , d e sd e q
para a loca lização e o d es e
tr a n s fo rm a e m u m v e rd a d e ir o d e sa fio ,
s a tu a is , es sa q u e s tã o se
um ser gregá ri o e, nos dia s c im e n to p o p u la c io n a l, a
e a m b ie n ta is c o n te m p o râ n e o s : o c re
com os fenômenos sociais ç a s c lim á tic a s , a g lo b a -
e c o n s u m o , a cr is e a m b ie n ta l, as m u d a n
urbanizaçã o, a socieda de d
lizaçã o, os c o n fl it o s
. tra n sfr o n te ir iç o s .. .
p a rt ir d e d ife re n te s p e rs p e c tiv a s c o n c e i-
a e m u m liv ro p o d e -s e
Para trata r deste tem s p e c ia liz a d a e g ra n -
a q u e se a lin h a à lit e ra tu ra n a c io n a l e
' tuais. A mais trad icional de la s
a m p o e xc lu sivo d a s e n g e n h a ri a s c iv il,
c o lo c a o te m a n o c
de p ~e da in tern aciona l a l, a ta re fa d e b e m c a p a -
h íd ri c o s . T al a b o rd a g e m é n e ce ss á ri a . A fin
sa nit.áría ou d e rec urso s s
r, p ro je ta r, c o n s tr u ir e o p e ra r in s ta la ç õ e
n g e n h a ri a p a ra co n ce b e
átar os pro fissionais de e lid a d e s n a cio n a is .
a p e rm a n e c e p ri o ritá ri a n a s d iv e rs a s re a
de abastecim ento de ág u
ito ri a l a d o ta d a n e s ta p u b lic a ç ã o é
tiv a d e c o n c e p ç ã o e d
Entretan to, um a alterna c a m p o te c n o ló g ic o ,
ss id a d e s de fo rm a ç ã o e in fo rm a ç ã o n o
a de, se m desconhecer as nece o u tr a s á re a s, c o n te xtu a -
sa n itá ri o s , h id rá u lic o s , h id ro ló g ic o s e d e
baseado nos conceitos v o lv im e n to . A ss im , p re o -
p o lít ic a , s o b re tu d o d o s p a ís e s e m d e s e n
lizá-las na rea li dade socio a re a lid a d e n a q u a l é
ito s e a s d ir e triz e s te c n o ló g ic a s e m u m
cupa-se em situar os conce e re d e d a q u e la s q u e n ã o
á tic a d a s p o p u la ç õ e s d e s p ro v id a s d
esse ncial diferenciar a problem ia e lé tr ic a o u d a s q u e ..
rg é tic o s c o n v e n c io n a is c o m o a e n e rg
dispõe m de recursos e n e
e tr o p o lit a n a s e , p o r is so , n e c e s s ita m te r
s re a lid a d e s u rb a n a s e m
habitam as ma is complexa o s c o m p u ta c io n a is . A lé m
a , p o r e x e m p lo , c o m m o d e rn o s re cu rs
sua rea lidade sanitária tratad x e rg a r as d im e n s õ e s h is tó -
o s te m a s te c n o ló g ic o s , p ro c u ra -s e e n
disso, junto à abordagem "d b e m c o m o v a lo riz a -s e a
o lí ti c o -in s titu c io n a l e le g a l e n v o lv id a s,
ri ca, cultural, demográfica, p e st e ve m a is p o p u la r
e m a s. E m p re g a n d o u m a e xp re ss ã o q u e já
f dim ensão da gestão dos sist
a b o rd a g e m d e ''te c n o lo g ia a p ro p ri a d a ''.
no m eio téc nic o : te nta -s e u m a

23
Ab ,wdaMnto' de , gua para consumo humano

' - do li'vro alguns princípios centrais nortearam os autores na prepara _


' a elaboraçao · •
. . 1 acurando 9·arantir sua
. . .
coerência
. . ..
conceitua 1
.
· . çao
' d mater,a , P~ ·
• 0 abastecimento de água é~sempre ;ntendido como uma ação que

1
·í·
poss ve , são destacadas as boas práticas
. no a astec1men
á . ._ o e água ·
vjsando à proteção à saúde e mencionadas pr t1cas nao recomen~
dáveis, que ampliam o risco a saúde. .
• o respeito ambiental também permeia a abordagem# enfatizando que ins-
talações para o abastecimento de água ao mesmo tempo são usuárias dos
recursos naturais e poluidoras desses recursos, ao gerar resíduos, demandar
construções e acarretar modificações ambientais para a extração da ág.ua.
• Em um país com as carências do Brasil, deve-se buscar o abastecimento de
água universal e com eqüidade. Em termos práticos, corresponde ao princí-
pio de que toda a população, independente de onde vive, tem direito ao
abastecimento de água e com soluções equivalentes quanto aos seus efeitos,
o que não significa soluções iguais. Esse enunciado remete ao princfpio da
tecnologia apropriada, com o qual a publicação procura ser permeada.
• Procura-se sempre atentar para o conceito de que, na engenharia
como em outras áreas de conhecimento, as verdades são provisórias e
situadas histórica, social e culturalmente . Para tanto, procura-se evitar
enunciados e exemplos dogmáticos e absolutos, buscando sempre
relativizar os enfoques. As normas e o conhecimento consolidado são
descritos e decodificados, porém sempre é lembrado que a verdadeira
engenharia é a que enxerga o conhecimento a partir de uma visão
crítica e a que tem capacidade de questioná-lo e, responsavelmente,
adaptá-lo às realidades sociais e culturais.

. Em_sua utiliz~ção, o livro pretende: cumprir o papel de livro-texto em disciplinas de


graduaçao e de_pos-graduação dedicadas especificamente ao tema do abastecimento de

cursos e graduaçao e de pós grad ~ . _


tec 16 • • • . ~ · uaçao, mesmo que de áreas de conhecimento nao
no g1cas, e constituir material de consulta a p . f' . . d á
A estrutura dO 1. .. . ro ·1ss1ona1s a rea.
ivro, esquematizada na f·1 • • 1 · t" as·
· gura a seguir, 1nc ui seis partes organiza 1v ·
: Ele~en~os intr?du:órios (capítulos 1 e 2).
Avaliaçao qual1tat1va e · . ·. .
(capítulos 3 a 6). quantrtatrva. Fontes para o abastecimento.
• Soluções alternativas des .
• Elementos para projet provid~s de rede (capítulo 7). .

Elementos gerais para p . .


• Gestão desistem-as· d roJbeto, operação e construção (capítulos 15 e 16).
- e a aste -· .
· cimento de água (capítulos 17 e 18).

24
t .O LIVRO EARTICULAÇÃO ENTRECAPITULO
_.. ______ ,.... __ ,
,...... •••• ········-·----------- '

1 · 1 m nt Introdução
'
, 1
1
l1 ln lr tiut ri ,
1

1
l
''.,
f
1 Abastecimento de água,
sociedade e ambiente
'
1
f
1
1 •'•
1
1
1
2 Concepção de lnstaJações !'
para o abastecimento de água :
'
1
1 '
l.......... . ~·····---------~----~-----~-~-MI
1

.. ··········---~---------------------
• • • • • ... • . 1
I Av llr1~no qu llt tiva :
1 tlt t(V 3 Consumo de água ,
I qudn ·, a . :
I For, t<'~ J>&.1rc1 :
I b l clm nto 4 Qualidade da água para :
1 consumo humano ,
: :
'I
1
S Mananciais superficiais:
.:•
I aspectos quantitativqs :
1 :
l
1 6 Mananciaissubterrâneos: :'
I aspectos quantitativos :
1 '
1
1.... •········· !!!li
-
---- --~ ~~--------~------~----'
- r------------ ---M----~-~-~-------------•
1
'
.

'
7 olu~õ -. 1ternatlvas : 8 Captação de águ Elementos !
sprovld de rede : de superflcle para projeto, :.
l 9 Captaçao de água
operação e :
: subterranea construção :
: .
de irnst:alações :
: providas de !
: 10Aduçao rede :
I J;
I li
1 •
: 11 Estações elevatórlas !
1 1
1 •
1 •
•1 12 lntrodurao
~
ao tratamento de égua ''
'I
I
'
f
t
11 13 Reservação •
'
1 1

. ----------,~
l
'
14Rede de distribui~ ªº
.:
'I

r,.......................
: Elementos gerais P r
···········- - - - - ~-

srubulações e acessórios
•' . ..................
.(----------·w
1
. . .
-........-----------, 1

1
I projeto, oper çao !
i construção 16 MocAnlca computacional !
: . pllcada ao abastecimento de :
'
I
égua ,f
1 1
t -~-----------J
-~---···············
1

--------····· ... ·-· ········-- --~-----------~


········- --·
'
d .
! Gestão d slstem 17 Gerenciamento de per as !
t I

I1 de abast clm nt de água :



: de égua :
i 18 Gestão dos serviços !
J
__ ,,
. --~--
(

.---···········
.

t
.. -- - -- --- --- ------

25
o de Agua para consumo humano
Abastetlm• nt

. struça·~0 0 livro beneficiou-se da experiência e do esforç0 de muito .


Na sua con · , · . . . . . . .. s auto-
.. -se na identificação dos espec1ahstas, assegurar um equ1hbrado bala
res. Procurtou ~onhecimento acadêmico e a experiência profissional, a um 56 t.ncea-
mento en re o · . ... . ·. . .. . . · empo
buscando oferecer uma abordagem atuahzada dos te_mas tratados e.mantendo O neces-
sário rigor técnico-dentffico. No processo ~e c~nfecçao da ~bra, tentou-se O esforc;o de
manter 05 autores sintonizados com .os pnncíp1os estabelecidos pel?s organizadores _•
anunciados nesta Apresentação . de forma a assegurar a coerência ao longo de seus
capítulos. obviamente, embora a preocupação com um certo grau.de harmonização dos
textos dos diversos capítulos tenha freqüentado o trabalho de organ1zaçao, assumiu--se em
paralelo O respeito ao estilo e à visão de cad utor, que, além de responsável em última
instância por seu textos, detém os requisitos que motivaram o convite para sua partici-
pação na autoria do livro.

Alguns indispensáveis agra eci en ·.. rn · :


• à Leila Margaret · · li r. · 1 di ·. da, · riteriosa e respeitosa cola-
boração na revi ~ 1a t . -;
• aos engen · . n ·no Alvarez e Marcelo Monachesi
Gaio, por s a 1c1pa as 1 1n · · d revis _o técnica dos capítulos,
e pelas undam· n ,s so es · s d aperfeiçoamento dos textos;
• a todos os p o ,ss, n rs ue con r1bulram de variadas formas, com
le· uras e, sug, s - e s f l,m,nares dos capftufos do livro;
•.ª.?s alunos . . . · a S,s m · de Abastecimento de Agua, do
'S,e 1mo pe I o o e e ngenhari a Civil da UFMG, que, , endo
1

hzado e e · uai· com n do as várias versões preliminares


da pubhca ão, a1 • o da p rmi tr m ap rf I oá ta;
• ao DES - D pa ·o · h ria ni ria e Ambien ai da
UF G, pelo supo e ,n , ,onal n f 1n I n O d riu r
• a Escola e Engenha 1a U , . ,1 1, f in ,. 1 ,. ... . ...
do Fundo de D _ n oi ,m n m1 . '

u u
, e n r1 u1 •
Uld
ur f r 1 e
r

-
Prefácio

Fiquei muito honrada quando recebi dos organizadores do livro Abastecimento de


água para consumo humano o convite para escrever este prefácio. Quando recebi o·texto
t e comecei a passar pelos diversos capítulos me senti privilegiada. Não se trata apenas de
mais um livro técnico de qualidade, o que temos em mão reúne os conceitos e bases
tecnológicas a uma reflexão sobre o tema.
Embora a cobertura de abastecimento de água no Brasil apresente percentuais mais
favoráveis do que outros serviços de saneamento, como por exemplo o esgotamento sani-
tário e manejo de resfduos sólidos, ainda estamos distantes da universalização. Mesmo
quando se considera apenas as populações urbanas, a distribuição regional, por porte de
município, ou por renda, mostra grandes desigualdades no acesso a água em quantidade
e qualidade necessárias para proteção da saúde humana. A desigualdade se revela mais
contundente quando a população rural é considerada.
Ê lugar-comum dizer que esse quadro de desigualdade só será resolvido se houver
decisão política e investimentos no setor. Entretanto, se as soluções técnicas e tecno-
lógicas a serem adotadas seguirem um modelo convencional, os recursos financeiros neces-
sários serão ainda mais volumosos e a sustentabilidade das soluções, questionável. Nesse
sentido este livro resgata com muita propriedade e pertinência o conceito de "tecnologia
apropriada". Esse conceito, pouco invocado nos nossos cursos de graduação, permeia
todo o texto e toma sua forma mais ousada no capítulo 7 - "Soluções alternativas des-
providas de rede" . Hoje a Organização Mundial da Saúde reconhece que, sem o desen-
volvimento, aprimoramento e aplicação de tecnologias voltadas para o atendimento a
unidades domiciliares isoladas ou pequenos grupamentos de pessoas, a universalização
do acesso a água não será possível.
o livro ousa também quando discute, nos seus capítulos 17 e 18, temas atuais como
a questão de perdas e de gestão. Os modelos e práticas de gestão são abordados dentro
de uma perspectiva histórica e de desafios que se apresentam para o setor, sem perder a
consistência técnica. É fundamental que os profissionais que estão sendo formados per-
cebam a complementaridade que existe entre a melhor solução para um problema de

27
,,
1

abutactmsnto1 d IJll#ll1l,1tl I 1ttlJ ,,,,. 11+ftll{Jltl · l d lstema. Sem e'S'6e


' ôlthno compurtflfl f.,, "'\HtfMii Ilfl11&1/141!1, 1111 .,, dlll,lfHlfIli tf HH11 f1t1<.l1 flc:ar comprometida.
Mii nln ,to lff1Mr11t, ,,., "lfttll1/l1" 1111111,,. 1111 r111,1•trbffrt tUetlldacte a este livro
O
'
leitor vai 1ncuntr,tf '"" ,.,.,,, 1111111 u 1111 '"'"'""'"
1 Jft ,u,u•11 t · t1Ut2 aborda . . . •de
planlJJmMfa, pr,~111,, ~ 1111111n1,n,, 11. ,1~11111111-, li 1tltH,f t lrtf f1l( d êguat na Pe151)ectiva
de qdl!ltldsQa • i1wldr1l,11/,r ''" /flJIIII 1/ f,,,,,,, ,,,,,,,, R t t f .cr motivador. agradávef de
ler (e compre,nll•0, 1111" f111 11 l111111 tl11~1,1111,, /.f1/fftlff 111 u ,tlt um texto pretensioso'~
por veu , nl1tmbr1t · · 1HHt 1 11-, w1li H I t tu,, ftf Mt moutros textos ntat;
1
espr~fffCOI,
Enfim, tenh d 1111 ' li~ f1I fl llff1 1 • se beneficiarãodo
conteOdo dNf.l la u,, rrr , ,,,,,,, '''"'"'"''' , 11,, 11, lfU ,,,,,,, fplu qu nortearam os autores
durante a pri p1r . 11 ''"''" li 111 I '" 11,11111111,111111 rt l11rr1t11~At, d nossos enQenheiro.s
civis, sanltarf,tA r,it,1•11f I , ,, 1 · 'f'" ' ,, '"" 11 I vi er instrumento de J

transform li Jt ,I • li Ili ff I 1.

i tltl ~lia Silveira Brandão


Professora da Un8

.....
p

Ca pr·tulo 1
1

nto de água, sociedade e ambiente


Abastecime
l

Léo Heller

1.1 Introdução

h u m a n a e p a ra o d e s e n v o lv im e n to d a s
d a á g u a pa ra a s o b re vi v ê n ci a
O papel essencial m p o , sa be -s e q u e a su a
e n to ge ra l na a tu a lid a d e. A o m e sm o te
sociedades é de conhec im e m
n te p a ra a te n d e r à d e m a n d a re q u e rid a
n atu re z a te m s id o in su fi c ie
disponibilidade na cr e sc e n te m en te . N e st e q u a -
e ta , fe n ô m e n o q u e ve m se a g ra va n d o
muitas regiões do Plan p a ze s d e fo rn e c e r á g u a c o m
a s te c im e n to d e á g u a d e ve m se r ca
dro, as instalações para ab la çõ e s, a lé m d e re s p e ita r o s
d a d e e d e fo rm a ac es s ív e l p ara as p o p u
qualidade, com regula ri s fu tu -
is u tiliz a do s, p e n sa nd o n a p re se nte e n a
á rio s d o s m a n a n cia
interesses dos outros usu r, p ro je ta r, im p la n ta r, o p e ra r,
s p ro fi ss io n a is e n ca rr e g a d os d e p la n e ja
ras gerações. Assim , o s en te
c im e n to d e á g u a d e ve m se m p re te r p re
s ta la ç õ e s d e a b a st e
manter e gerenciar as in a s a tiv id a d e s .
te r a ca pa cid a d e d e co n si d erá -la n as su
essa realida d e e deve m a b a st e ci -
a vi sã o p a n o ra m ic a d a im p o rt â nc ia d o
No presente capít u lo é fo rn e ci d a u m
co m o a m b ie n te . O te x to vi sa a in tr o -
la çã o c o m a so c ie d a d e e
mento de água e de sua re la çõ e s d e a b a s te c im e n to d e
d e s ta ca n d o as ra zõ e s p e la s qu a is in st a
duzir o leitor no tema , n e ce ss i-
e m in tr o d u tó ri a é e ss e n ci a l p a ra o s q u e
ta d a s . E st a a b o rd ag
água devem ser implan ic ia d e te r o s co n c e ito s e n v o l-
so b re o te m a. C o m p re e n d ê-l a p ro p
tam de uma primeira visão ra be m co n ce b e r e p ro je ta r
d e á g ua , q u e sã o fu n d a m e n ta is p a
vidos no abastecimen to
/ unidades e sistemas.

29
1.2 cont~xtos sociais

eg uir descre em duas situações muito díferentes, ern terrn .


os quadros a s .. . os das de-
mandas por água de abasteamento.

América Pré..Colombiana

O povo inca, que ocupa a os · ndes peruanos _na A~éri_ca pré-colombiana, des-
tacava-se pelo seu conhecimento de_ ~ngenh~na san,tána e pelas estruturas que
construíram, suas ruínas mostram ef1c1entes sistemas de esgotamento sanitário e
de drenagem pluvial. Existiam reservatórios de água e sistemas de banhos, para
os quais a água era conduzida através de condutos perfurados em rocha. o sanea-
mento tinh.a es,treita relação com a religião . No início da estação chuvosa, 05
incas realizavam uma .,cerimônia da saúde'', quando se efetuava a limpeza das
moradias e dos espaços públicos . Pretendiam se manter limpos para se apresen-
tarem puros per·ante os olhos dos deuses. Assim, uma crença religiosa gerava a
necessidade de, suprir as ocupações humanas de água e de se desenvolver
a tecnologia necessária. .De maneira indireta, a religião proporcionava melhor
saúde para o po o, desen oi imento e prosperidade.

Pintadas/Ba'h ia

Em 1992, foi realizado um diagnóstico no municf pio de Píntadas/BA, visando a


compre.ender como se realizava o abastecimento de água local e os fatores que
determinavam a ~orma de realização. Pintadas localiza-se a 250 km a noroeste
~e Salvador, no limite leste do semi-árido nordestino. Na época o município
tinha. .cerca de
. ·. .
15 000 h· b" . '
· · a 1tantes, sendo que de 3.000 a 4.000 vivi·am na sede do
mun1cíp10, que conservava .. . ct f • . . . . . -. . .
tatou condi ões · ..· •. . cara er s~icas tipicamente rurais. O d1agnóst1co ~on~-
ç . precarias de
quan t o na zona rural. A Tab 1 . abastecimento de água tanto na sede do mun1cfpto
. . .. . . ,, - .
eª ~ 1 resume o abastec11mento loc.al.
1

30
ADaStecm?Mtod? ãgi.a, sociedade e ambiente I Capítulo 1

1

Tabela 1.1 - Abastecimento de água em Pintadas/BA


l
Característica Sede do município Zon.a rural
Mananciais
Públicos (açudes, poços, Utilizados o ano t odo Utilizados principalmente
1

J cisternas comunitárias) na seca


1
1 Individuais Cisternas 1
(33 % Cisternas (1So/o)
2
Tanques2 (1 o/o) Tanques (83°/o)
• Transporte
Caminhão-pipa Utilizado o ano todo Utilizado principalmente
na seca
Carregando balde na cabeça Sim Sim
3
Mercado de transporte Não existe
Uso
Forma Distinção do uso Concentração dos usos
t
1
segundo a qualidade nos mesmos pontos de
da água água
Principal finalidade Consumo humano Agricultura

Consumo per capita 20 16


(Uhab.dia)
Existência de banheiro Cerca de 50 o/o das Proporção desprezível de
moradias moradias
1 captação de água de chuva dos telhados
2 captação de água de chuva no terreno
3 venda de serviço de transporte de água

Como se observa, Pintadas não possuía um sistema coletivo de abastecimento de


água, fruto da omissão do poder público em assegurar um abastecimento contf-
nuo, fornecendo água com qualidade. A população, nessa situação, desenvolveu
soluções próprias para satisfazer suas necessidades, tanto para consumo huma-
no como para sua subsistência econômica. Assim, são utilizados os mananciais
possíveis e usualmente com água de baixa qualidade, o transporte da água mui~
tas vezes é manual, o consumo per capita é extremamente baixo e raramente se
encontram instalações domiciliares. Este estado provoca doenças, mortes preco-
ces, baixa qualidade de vida e é um fator limitante para o desenvolvimento local.

Mesmo em uma realidade como esta, observam·se desigualdades no abasteci-


mento, havendo diferenciações entre moradores quanto:

• ao tempo de autonomia na utilização dos próprios recursos hídricos (grau


de dependência em relação a recursos públicos ou de t erceiros);

31
. mo humano
. de égua para consu
Abest.ectrnento

de trabalho da família despendido na obtençã 0


• ao tempo , . . d , )· de á .
u ão do tempo otil pro ut1.vo , . .. . , 9lla
{red. ç l'dade da água consumida (rrsco de impacto na saude);
• à qua 1 -' (á m b . ,.
. ·b·1·dade de irrigaçao gua co o em econom1co . . )
• à poSSl 1 1 · ·

rtigo publicado relatava o seguinte sobre o abastecimento d


Em 2004, a eágua d0.
município:

Numa região com tal escassez hídrica as soluções para o ':1anejo e abaste-
cimento de água a serem adotadas devem se~ ~om~atív:1s com esta reali-
dade. 0 abastecimento de água na sede mun1c1pal e realizado por sistema
integrado de abastecimento de água-SIAA operado . pela concessionária
estadual EMBASA, cuja água é captada no reservatório formado pela bar-
ragem de São José do Jacuípe, passa por tratamento e é distribuída para
diversas localidades, chegando a Pintadas. Devido à qualidade da água do
rio Jacufpe e ao represamento, ela chega à cidade com alto teor de
salinidade, sendo recusada pela população para o uso de beber. Análises
físico-químicas da água (. .. ) mostram que a concentração de sais dissolvi-
dos é superior ao permitido pela Portaria 518/04 do Ministério da Saúde
(... ). As soluções de suprimento de água diferenciam~se para a sede muni-
cipal e para a zona rural. A sede municipal, que já conta com o SIAA (. ..)
deve ter o abastecimento universalizado, e compete à Prefeitura, poder
concedente do serviço, exigir da concessionária estaduaJ regularidade no
fornecimento e qualidade da água distribuída. Na zona rural, a solução
que tem se mostrado mais adequada à realidade sociocultural-ambiental
da região é a adoção de cisternas domiciliares que armazenam a água da
chuva captada pelos telhados das casas, eficazes quando utilizadas para o
fornecimento de .água de beber, higiene pessoal e de preparo de alimen-
tos.( ...) Até o fina:I de 2004, o abastecimento de água da população rural
~stará universalizado com cada família dispondo de uma cisterna e de
filtro cerâmico para purificação da água de beber.

Fontes: BERNAT {1992); MORAES et ai. (2004)


·
Como.
se observa•'
aind ª· . . . - á
que. tivesse havido melhorias no abasteciment o de gua
1oca 1 e um planeJament0 d t . . . . . ó5 o
~
primeiro diagnó f . e, erm~nado para superar as carências, 12 anos ap
s ico uma s1tuaçao mu;to inadequada ainda persistia.

32
Abastecimento de água, sociedade e ambiente r Capítulo 1

Diversos outros contextos, semelhantes ou bastante distintos dos apresentados, pode-


riam ter sido mostrados. Porém essas duas situações são ilustrativas, cada uma delas indi-
cando importantes dimensões do abastecimento de água:
• um povo pré-histórico, com suas limitações tecnológicas e a influência
religiosa;
• a população de um município com baixa disponibilidade de água e
baixo investimento do poder público, onde a água tem importante
valor para a sobrevivência
,
mas também econômico.

Esses exemplos ilustram, portanto, a função essencial da água para as populações e


as diferentes motivações para a implantação de instrumentos de organização para o seu
suprimento, influenciando inclusive a forma como este é realizado.

1.3 Contexto técnico-científico

O conceito de abastecimento de água, enquanto serviço necessário à vida das pessoas


e das comunidades, insere-se no conceito mais amplo de saneamento, entendido, segun-
do a Organização Mundial da Saúde, como o controle de todos os fatores do meio físico do
homem, que exercem ou podem exercer efeitos deletérios sobre seu bem-estar físico,
mental ou social. Logo, saneamento compreende um conjunto de ações sobre o meio
ambiente no qual vivem as populações, visando a garantir a elas condições de salubridade,
que protejam a sua saúde (seu bem-estar físico, mental ou social).
Saneamento ou saneamento básico tem sido definido como o conjunto das se-
guintes ações: abastecimento de água, esgotamento sanitário, limpeza pública, drenagem
pluvial e controle de vetores. Saneamento ambiental corresponde a um conjunto mais
amplo de ações. A FUNASA (1999) define esta última expressão como " o conjunto de
ações socioeconômicas que têm por objetivo alcançar níveis de salubridade ambiental, por
meio de abastecimento de água potável, coleta e disposição sanitária de resíduos sólidos,
líquidos e gasosos, promoção da disciplina sanitária de uso do solo, drenagem urbana,
controle de doenças transmissíveis e demais serviços e obras especializadas, com a finalidade
de proteger e melhorar as condições de vida urbana e rural". Por outro lado, por salubri-
II
dade ambiental, tem sido entendido o estado de higidez em que vive a população urbana
e rural, tanto no que se refere à sua capacidade de inibir, prevenir ou impedir a ocorrência
de endemias ou epidemias veiculadas pelo meio ambiente, como no tocante ao seu poten~
cial de promover aperfeiçoamentos de condições mesológicas favoráveis ao pleno gozo de
saúde e bem-estar'' (FUNASA, 1999).

33
..
Ab11t fm1nt d Agua p rn contumo humano

p ra a segurar condições adequadas de abastecimento de águ · u d · "rr rn~ rt


, uma abordagem de engenharia mostra--se essencial, pois as instalações d rn "" . fdrie 1r1,1: ;
projetadas, implantadas, operadas e mantidas e, para tanto, é ne~ árl u~, ~,fr1rrn'
consta do v, rbete engenharia" dos dicionários (Ferreira, 1975), seJam lí d
II
rsh •
II

cimento ientfficos e empíricos e habilitações específicas à criação d r


tivos processos que convertam recursos naturais em formas adequada
da nec ssidades humanas". Pela natureza dos problemas colocados p I n am n ,
conceito matemáticos, físicos, biológicos e qufmicos apresentam-se impo · n · p r; u
adequado equacionamento.
Contudo, a engenharia mostra-se insuficiente para assegurar os ~ '
potencíaJmente atingidos pelas obras de engenharia. Para isso, a artícufaçã · d ng r1haria
com outras áreas de conhecimento como a sociologia, a antropofogía, a p ícofo ía
social, a geog.rafía, as ciências políticas, a economia, as ciências gerencíais e a ·ência da
saúde ·, mais que desejável, é obrigatória. Tem sido defendido que, para a íngír pJ no
êxito nessas ações, de um ofhar a partir de uma única área de conhecimento (vísao unídis-
ciplinar) deve-se evoluir para uma perspectiva a partir de diversas áreas de conhecírn nto,
devidamente integradas (visão interdisciplinar). Para ilustrar essa necessídade, reproduz-se
a seguir uma definição formulada há mais de 60 anos atrás:

O saneamento tem sua história, sua arqueologia, sua fíteratura e sua


ciência. A maior parte das religiões interessa-se por ele. A sociologia o
inclui em sua esfera. Seu estudo é imperativo na ética social , É neces··
sário algum conhecimento de psicologia para compreender seu
desenvolvimento e seus reveses. É requerido um sentido estético para, se
alcançar sua plena aprecíação e a economia determína, em alto grau,
seu crescímento e sua extensão (... ) Com efeito, quem decide estudar
essa matéria com um crescimento digno de sua magnítude, d'eve con-
siderá-la em todos os seus aspectos e {... ) com riqueza de detalhes.
(Reynolds, 1943 apud Fair et al, 1980)

1.4 Histórico

A ~ecessídade de utilização da água para abastecimento é indissociável da história da


humanidade. Essa demanda determinou a própria localização das comunidades, desde
· que ~ hon:iem passou a viver de forma sedentária adotando a agricultura como meio ~e
subs,stêncra e abandon d ·d ' . dentária
tornou , °
. an ª. v1 a nômade, mais centrada na caça. A vida se
· mais complexo O equacionamento das demandas de água, que passaram entao ª

34
.1
água, soci edad e e am bien te I Cap llulo 1
Ab astecimento de

a is d e in d iv íd u o s o u fa m ília s ta n to
d e p o p u la ç õ e s e n ã o m
incluir o abastecimento ra r a lim e n to s e p ro m o v e r a
a de s fi sio ló g ic a s d a s p e ss o a s, p re p a
para atender as necessid s c u ltu ra s .
p a ra m an te r a a g ri c u ltu ra , ir rig a n d o a
lim pez a , q u a n to d e a
e n to d e á g u a s ã o e n c o n tra d o s , d e s
riê n cia s d e s u p rim
Vários registros de expe g ia s p a ra a c a p ta çã o,
p ro g re s s iv o d e s e n v o lvim e n to d e te c n o lo
Antigüidade, demonstran d o o
u a . E ss es re g is tr o s ta m b é m d e m on s-
to e a d is trib u iç ã o d e á g
o transporte, o tratamen fo rn e c im e n to d e á g u a n o
d a h u m a n id a d e p a ra o p a p e l d o
tram a crescente consciência n e ss e a s p e c to o b s e rv a n d o -
n a p ro te ç ã o à s a ú d e h u m a n a ,
desenvolvimento das culturas e a d e d a á g u a . E ss a to m a ·a a
iê n c ia q u a n to à im p o rtâ n c ia d a q u a lid
se o crescimento da consc x to s h is tó ric o s , na c o m p re -
n d o ta m b é m , e m d ife re n te s c o n te
de consciência acabou resulta a s te c im e n to e , e m d ec or-
se p re s e rv a re m o s m a n a n c ia is d e a b
ensão da importância d e
rência, s ua s ba cia s c o n tribu in te s .
q u e m a rc a ra m a e v o lu ç ã o h is tó ric a d o
o s im p o rta n te s e v e n to s
Na Tabela 1.2 são listad n o ló g ic a , c o m o a s p re o -
e le p o d e m -s e d e s ta c a r, e m ord e m c ro
abastecimento de água. D
cupaç õe s fo ra m se su ce d e nd o :

a a g ri c u lt u ra e a p e c u á ria , s im u lta -
• com o s u p ri m e n to d e á g u a p a ra
to p a ra c o n s u m o h u m a n o
. ;
neamente ao abastecimen
g u a e m c a n a is e tu b u la ç õ e s ;
• com o transporte da á
p ta ç ão d e á g u a s u b te rr â n e a ;
• com a ca
• com o a rm a ze n a m e n to d a á g u a ;
o a g u la n te s, d e c a n ta ç ã o , fi lt ra ç ã o ,
• com o tr a ta m e n to d a á g u a (c
desinfecção ...);
laç ã o d a á g u a e m re p re s a s ;
• com a acumu
• com a elevação da água;
m p re e n s ã o d a h id rá u lic a ;
• com a co á g u a .
ã o d e s e rv iç o s d e a b a s te c im e n to d e
• co m a o rg a n iz a ç

a história do abastecimento de água (contínua)


Tabela 1.2 _ Eventos relevantes n
Referência
Evento
Data
va da ) pe lo se r hu m an o. FSP (1993)
im ai s do m és ticos e cu l!ivo s ~tri~ o e ce
c 9000- cr iaçã o de an up aç ão pe rm an en te
lítica no Orie nte Próxi m o; rn lcro da oc
sÕoo a. e . R ev oluç ão N eo
m un do (4 ha ) FSP (1993)
ra ci dade m ur ad a do
c. 8350- fundação de Jericó, a primei
7350 a.e . a FSP (1993)
op ot ~ m ia p o r gr up os qu e pr aticav am
co loni zaçã o da pl an ície aluv ial da Mes
c. 5000
a.e. irrigação
de N ip u r (B ab ilô nia) Azevedo Netto
go to s na cida de
c. 3750 utilização de coletores de es et ai. (1998)
a.e . Rezende e
e dren ag em no V al e do H in du s
c. 3200 utilização de sistemas de água Heller (2002)
a.e . Rezende e
co br e no pa lá ci o re al do fara ó eh éo ps
c. 2750 utilização de tubulações em Heller (2002)
a.e .

35

-- · ·- ~- - - -- - - -- --
• , .

.•.
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!. :-.
...~. .>.··,~1--·,
t .:-, •• <:.-'t
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J ... ~ ,~,.- ,"· .•... :·
'
,. .. t-' ,;,• ......: . .
e -· ·~ ..

Ab11ttclmonto do taun parti con,umo humano

u _ s s ·_ 1 g J 1 1 111 i& . a 1 z
(continua)
Data Evento •
- i!Z1fi :· 1 r • RIP E il!U · se Z Referência
c.2600 oxl,tõnclu cJo rC-'.I.Prvatôrlo~ do terrc1 e utlllzaçao de captação subterrânea pelos E -- -

a.e. povo\ or\c•r,1t1I•, Rezende e


Heller (2002)
c.2500 uso corrlquolro cio r11étocios do perfuraçao para obter água do subsolo pelos
a.e. UJD {1978)
egípcio~orf11nfle;O\
e. 2000 utlllta,rio do ~ulferto d t1'1umfnlo na clarlflcaçao da água pelos egípcios Rezende e
a.e. Heller (2002}
c.2000 escritos om ~anflc-rlto sobr, o~ cuidados com a água de beber (armazenamento em
Rezende e
a.e. vasos d~ cobrfl, fUtr«1çno ,,trdv(,s df:4 carvao, purificação por fervura no fogo, por Heller (2002)
aquec1mC'nto cio i,ot CJU por 1r1troduçao de uma barra de ferro aquecida na massa
lfquldd, sequtdd por i1ltr,1c_no cm c1rela e cascalho grosso)
e. 1500 utlUzaçao da dacantaçao para a purificação da água pelos egípcios Rezendee
a.e. Heller (2002)
c. 950 construção das cláss1cas roprai;as de Salomao, entre Belém e Hebron, de onde a Barsa (1972)
a.e. água ~rd ,1d1J11cJ,1clô tramplo e à própria cidade de Jerusalém, local em que foram
imptantadd!, grdíldt'~ c.t~t<>rnJ!, pard acumular águas das chuvas e levantados
reservdtórlos ~crv,do\ r>or tunol!i·canals de alvenaria
c.691 construção do c1qucduto do Jerwan (Assíria}; constituinte do primeiro sistema Azevedo Netto
a.e. público de abastPclmonto da tlgua conhecido et ai. (1998}
e. 625 construção de aqueduto para abastecer a cidade de Mégara e, posteriormente, a Barsa {1972)
a.e. cidade de Samos, ambas na Grécia
e. 580 obras de elevação de água do rio Eufrates) para alimentar as fontes dos famosos Barsa (1972)
a.e. jardins suspensos da Babllõnla, no lmpérlo de Nabucodonosor
e. 330 utllizaçao da roda hldráullca pelos gregos em seus domínios no Oriente Médio Bono (1975)
a.e.
c. 312 construçao do primeiro grande aqueduto romano, o Aqua Apia, com cerca de 17 Azevedo Netto
a.e. km de extensão et ai. (1998),
Barsa (1972)
e. 270 construçao do segundo grande aqueduto romano, com extensão de 63 km Barsa (1972)
a.e.
e. 250 enunciado de princípios da Hidrostática por Arquimedes no seu "Tratado sobre Azevedo Netto
a.e. corpos flutuantes" et ai. (1998)
e. 250 invenç:1o da bomba parafuso, por Arquimedes Azevedo Netto
a.e. et aL (1998)

e. 200 invençao da bomba de plstao, idealizada pelo físico grego Ctesebius e construída Azevedo Netto
a.e. pelo seu dlscJpulo Hero et ai. (1998)
e. 144 construçao do tercelro grande aqueduto romano, o Aqueduto de Márcia, com Barsa (1972)
a.e. 92 km
c. 70 a.e. nomeação de Sextus Julius Frontlnus como Superintendente de Aguas de Roma, Azevedo Netto
provavelmente a primeira orgdnlzaçao a cuidar especificamente do tema et ai. (1998)
e. 305 construção do 14° grdndC' aqueduto romano, elevando para 580 km o Barsa (1972)
comprimento dos aqueduto!I abastocodores da cldade de Roma, dos quais 80 km
em arcos. A vazao totdl c1du1rda ora do 17. m'ls.
até ono p_erfodo, a populaçao de Roma totalliava entre 700.000 e 1.000.000 de .Azevedo Netto
século UI habitantes, o~upanda árcn do rercd de 7.00 ,ha, sendo que, no tempo de et ai. (1998),
d.C. Constantlno {306-33 / d.C.), d cidade p-ossurc:1 247 reservatórios, 11 grandes aarsa (1972)
termas, 926 t,anhalros públlco.s e 1.21 "J chafarizes.
séc. v..x111 consumo de água de apena!t 1 Llhab.dla na maior parte da Europa Rezende e .
(tdade Heller (2002)
Médta)

36
Abastecimento de ~gua, sociedade e ambiente J Capitulo l

(continua)
Data Evento Referência
1126 perfuração do primeiro poço artesiano jorrante, na cidade de Artois, na França. UJD (1978)
1348- ocorrência da grande peste o~ 1:este neg~a (peste bubônica), matando 25 milhões Bono (1975)
1353 de pessoas na Europa e 23 m1fhoes na As,a (25o/o da população mundial)
1590 invenção do microscópio Bono (1975)
1620 infcí~ da con~ção d~ ~qu~duto do rio Carioca, para abastecimento da cidade Azevedo Netto
do Rto de Janeiro, por 1nrc1ativa de Aires Saldanha, com comprimento de 270 m et ai. (1998)~
e altura de 18 m (obra concluída inteiramente apenas em 1723) Barsa (1972)
1654 invenção do compressor de ar, por Otto von Gueriche, na Alemanha Azevedo Netto
et ai. (1998)
1664 !nvenção dos tubos de f erro fundido moldado, por Johan Jordan, na França, e sua Azevedo Netto
rnstafação no pafád o de VersaiHes etal. (1998)
Dacach (1990)
1664 invenção da bomba centrifuga, por Johan Jordan, na França Azevedo Netto
et ai. (1998)
1712 invenção do motor a vapor, por Thomas Newcomen, na Inglaterra Bono (1975)
1723 condusão do primeiro sistema coletivo de abastecimento de água do Brasil, no Rio Azevedo Netto
de Janeiro et ai. (1998)
1775 invenção do vaso sanitário, por Joseph Bramah, na Inglaterra Azevedo Netto
et ai. (1998)
1804 construção da primeira. instalação coletiva de tratamento de água para consumo Azevedo Netto
humano, por meio de filtro lento, concebido por John Gibb, na Escócia et ai. (1976)

1828 construção de conjunto de filtros lentos para utilização no abastecimento de parte Azevedo Netto
da àdad·e de Londres et ai. (1976)
1841 invenção da borracha vulcanizada Bona (1975}

1846 - a cólera mata 180 mil pessoas na Europa, tendo sido comprovada a sua origem na Bono (1975)
1862 água, em Londresl por John Snow
1846 invenção das manilhas ceramicas extrudadas, por Francis, na Inglaterra Azevedo Netto
et ai. (1998)
invenção do aço Bessemer Bano (1975)
1856
condusão da perfuração do poço artesiano jorrante de Passy, para abastecimento Barsa (1972)
1857
de água da ádade de Paris, com 586 m de profundldade e vazão de 230 Vs
invenção do motor de combustão interna Bano (1975)
1860
invenção dos tubos de concreto, por J. Monier, na França Azevedo Netto
1867 et ai. (1998)
utilização de tubos de ferro fundido na adução de água dos rios D'Ouro e São Azevedo Netto
1875
Pedro, para abasteámento do Rio de Janeiro et ai. (1998)
publicação dos trabalhos de Pasteur, na França, que dão origem à Microbiologia Azevedo Netto
1881
et ai. (1976)
construção da primeira hidrelétrica no Brasil, em Diamantfna - MG (para Azevedo Ne.t to
1883
mineração) et ai. {1998)
construção da primeira hidrelétrica para abastecimento públíco, na cidade de Juiz Azevedo Netto
1889
de Fora-MG
et ai. (1998)
criação da Repartição de Agua e Esgoto da cidade de sao Paulo, com a Azevedo Netto
1893
encampaÇão da Cía. Cantareira, empresa privada que era responsável pelo et ai. (1976)
abastecimento da ádade


37
Abastecimento de ,gua para ,onsumo humano

(conclusão)
Data Evento
. Referência ...
1905 primeira aplicação do cloro como desinfetante de água de abastecimento, feita
Azevedo Netto
-
por Sir Alexander Houston (" o pai da cloração"), na Inglaterra et ai. (1976)
1908 primeira aplicação do cloro na desinfecção de água de abastecimento nos EUA, Azevedo Netto
em.. Nova Jersey et ai. (1976)
1913 invenção dos tubos de cimento amianto, por A. Mazza, na Itália Azevedo Netto
et ai. (1998)
1914 invenção dos tu.bos de ferro fundido centrifu_gado, por Fernando Arens Jr. e Dimitri Azevedo Netto
de Lavaud, na cidade de Santos - SP, no Brasil et aJ, (1998)
1936 Lançamento do tubo de PVC, na Alemanha, com a montagem de uma rede Tigre (1987)
experimental enterrada para teste de durabilidade (amostras dessa rede, retiradas
em 1957, mostraram que os tubos não sofreram qualquer alteração)
Fonte: adaptado de compilação realizada por PRINCE (2002)
.e.: cerca de ...

1.5 Necessidades da água

Ao longo da história da humanidade, foram se tornando crescentemente mais diversi-


ficadas e exigentesl em quantidade e qualidade, as necessidades de uso da água. Com o
desenvolvimento das drversas culturas, as sociedades foram se tornando mais complexas e
a garantia de sua sobrevivência passou a exigir, ao mesmo tempo, mais segurança no
suprimento de água e maiores aportes tecnológicos que, por sua vez, também vieram ª
demandar maior quantidade de água. Ma.is modernamente, necessidades outras, como as
ditadas pela sociedade de consume e as "indústrias" de turismo e de lazer, vêm trazendo
novas demandas pela água.
Do ponto de vista dos recursos hídricos existentes no planeta, tanto os superficiais
quanto os subterrâneos, verificam-se diversos usos demandados pelas populações e pelas
atividades econômicas, alguns deles resultando em perdas entre o volume de água capta·
do e O volume que retorna ao curso de água (usos consuntivos) e outros em que essa.s
perdas não se verificam (usos não-consuntivos) embora possam implicar alteração regi· n?
h.d
I 16 · ' .
me ro g1co ou na quaf idade desses recursos. A seguir, apresentam-se os princ· ipa1s usos
da água:

• Usos consuntivos
- abastecimento doméstico· I

- abastecimento
. . industrial·,
- 1rr,gação;
• aqüicultura {piscicultura, ranicultura, .•. )

38
. .... . . _.. .,. ~ -;· e.: ... -; - - .. - ..... --( - - - . ' ~. - .. - .. - - - -e .,._ _, ! • ::: • ••• - - - • •.• - • ' • • • - - '. • - • • " - - - . _ ..;

b t tn n\ -· dnd~ e ambiente I Capitulo 1

• Usos não-consuntivos
- geração de energia hidr · 1 tt i ;
- navegação;
- recreação e harmoni p I t tl ;
- pesca;
- diluição, assimilação f nt

Éinteressante notar a competi ·o t1t1 u n untiv , A] b la 1,3 ilustra a partição 't,Je,I

entre os maiores usos da água nos contrn n·t . m linl . r i , pode-se observar uma maior
superioridade da parcela para uso em frri n , ntin r,t m menor desenvolvimento
- superando 80o/o do uso na Africa n r nd p rticipação da água para uso
industrial nos continentes ocupados por p f n lvid logo mais industrializados. t

Tabela 1.3 - Distribuição anual dos usos da águ por continente (1995) -
-

Continente lrrigaç o Uso industrial Uso doméstico


-

3
km o/o "m' km ºlo
África 127,7 ,O 7, ,O 10,2 7,0
Ásia 1388,8 8 ,O 1 i7,0 ,o 98,0 6,0
Oceania 5,7 4, 1 o, ,.s 10,7 64, 1
Europa 141 , 1 ,, o, S ,O 63,7 14,0
América do Norte e Central 248, 1 4 ,1 , 4 ,7 548
., 10,2
América do ,Sul 62,7 ,.O ,o 19, 1 18,0
TOTAL 2024, 1 8, 1 ,1 256.5 8,6
* percentual entre os três usos
Fonte: adaptado de RAVEN et ai. (1998), apud TUNOI ·t ( 00 }

Em relação ao abastecimento domé ti · d u , bj to do presente livro, este deve


ser considerado para atender as seguin s n id d d um omunidade, considerand.o
o abastecimento por meio de canalizaçõe .

Tabela 1.4 - Necessidades de uso da água em uma comunidade (continua)

Agrupamento Necessidades
de consumo
Consumo Ingestão
doméstico Preparo de alimentos
Higiene da moradia
Higiene corporal
Limpeza dos utensfllo -
Lavagem de roupas
Descarga de vasos sanltárl,.,.,
Lavagem de veículos
Insumo para atividades e onõml · d r I ili r (lavadeiras, preparo de
alimentos...)
Irrigação de jardins, hortas e pomdr s domiciliares
Criação de animajs de cstlr11t.1çêlo e de dfli111ais para alimentação (aves,
suínos, eqüinos, caprinos etc.)
-- --- -----
19
-f to de égua para consumo humano
Abastec men

(conclusão)
Agrupamento Necessidades
de consumo
1

Uso comercial suprimento a estabelecimentos diversos,. com ênfase para aqueles de


maior consumo de água, como lavan~er1.as, bares, restaurantes, hotéis,
postos de combustíveis, clubes e hosp1ta1s
Uso industrial suprimento a estabelecimentos localizados no interior da área urbana,
f com ênfase para aqueles qu~ incorporam água n~ produto ou que
necessitam de grande quantr dade de água para limpeza, como
indústrias de cervejas, refrigerantes ou sucos, laticínios, matadouros e
frigoríficos, curtumes, indústria têxtil.
Uso público Irrigação de jardins, canteiros e praças
Lavagem de ruas e espaços públicos em geral
Banheiros e lavanderias públicas
Alimentação de fontes
Limpeza de bocas de lobo, galerias de águas pi uviais e coletores de esgotos
Abastecimento de ediffcios públicos, incluindo hospitais, portos,
aeroportos e terminais rodoviários e fe·rroviáríos
Combate a incêndio

Note-se que os usos são diversos e atendem a diferentes interesses_ De forma esque-
mática, as ·necessidades podem ser cl·assificadas segundo as seguintes categorias:

• Usos relacionados à proteção da saúde humana: são considerados


usos essenciais que, não sendo satisf·eitos a partir de um patamar
mínimo de quantidade per capít,a, podem implicar transmissão de
doenças para o homem. Incluem os usos para fins de ingestão e de
h.igiene e, nesses casos, os requisitos de qualidade são fundamentais.
lncf uem também a descarga dos vasos sanitários.
• Usos relacionados ao preparo de ali:mentos: incluem o preparo de

alimentos em si, a irrigação de hortas e pom.ares nos domicílios e a
limpeza de utensílios de cozinha,
• Usos relacionados a atividades econômicas.
• Usos destinados a elevar o nível de conforto, a satisfação estética e
cultural das pessoas e a manutenção dos espaços páblicos urbanos e
rurais.

Embora.possa se reivindicar que todas as categorias de uso são necessárias e devem


por consegui~te ser garantidas pelas instalações de abastecimento de água, trabalha-se
com.º _conceit~ de essencialidade. Esta refere-se à quantidade mínima de água e às
c~nd,çoes mfnrmas para seu fornecimento, para atender às necessidades básicas para ª
vida humana, sobretudo visando a proteger sua sa6de, a função mais nobre a ser
Abasteclmento de água, .sociedade e ambiente I Cap(tulo 1

cumprida pelo fornecimento de água. A Organização Mundial da Saúde e a UNICEF


defendem o conceito de que este mínimo seria um consumo de 20 litros diários por
habitante, advindos de uma fonte localizada a menos de um quilômetro de distância da

moradia. Essa condição é definida por aquelas instituições como provisão melhorada
de abastecimento de água. No entanto, o conceito tem sido questionado por alguns
organismos e estudiosos (Satterthwaite, 2003), que, em contraposição, defendem o
direito de todos a uma condição adequada, que prevê um fornecimento contínuo de
água, com boa qualidade e por meio de canalizações. Essa condição seria suficiente para
reduzir grandemente o risco de transmissão feco-oral de doenças, ao passo que a primeira
condição não teria a mesma capacidade~
Um benefício que deve ser considerado, na implantação de instalações de abasteci-
mento de água, refere-se às mudanças nas condições de vida da população. Estudos em
áreas rurais vêm demonstrando que um beneffcio de grande impacto é o tempo que as
pessoas principalmente as mui heres deixam de despender na obtenção de água.
Quando não se dispõe de soluções coletivas de abastecimento e a fonte de água é
distante, as mulheres podem ocupar mais de 1So/o de seu tempo produtivo (Churchill, s.d.)
executando um trabalho pesado, que pode trazer problemas para seu sistema músculo-
esquelético. Além disso, há. uma relação entre a distância da fonte de água e o tempo
despendido, bem como entre estes e o consumo per capita de água, e conseqüentemente
a saúde humana, conforme explicado no item 1. 7 e mostrado na Figura 1.1.

45
40
,......
(O
35
:S• 30
i 25
5..._,,,, 20
o 15
e.
CT 10
5
o
o 10 20 30 40 50
tempo (min)

Figura 1. 1 - Tempo despendido na obtenção de água e consumo per capita correspondente

conforme se pode observar, tempo superior a 30 minutos provoca consumos per


capita inferiores a cerca de 16 1/dia, valor extremamente baixo, que pode provocar grave
comprometimento à saúde da população consumidora.

41
. ,. n de jgua para consumo humano
Abasted men..... .

_ oferta e demanda ~e.recursos hídricos


16 - - e

Uma importante e permanente tensão relacionada com as condições ambientais é a


referente ao balanço entre a demanda (necessidades) de ág~a para consumo humano e a
oferta (disponibilidade) de recursos hídricos, conforme descrito nos itens seguintes.

1.6.1 Oferta

Como é sabido, os recursos hídricos constituem um bem natural, renovável, cujo volu-
me total no globo terrestre é relativamente constante ao longo dos tempos, contudo com
uma distribuição variável no tempo e no espaço, entre os diversos compartimentos ambi-
entais. Ou seja, a distribuição da água entre suas diversas f armas no planeta vem mudando
ao longo dos anos, sobretudo devido à forma como o ambiente vem sendo modificado -
dos impactos locais até os impactos globais , como também se altera ao longo de um
ano hidrológico, segundo as diversas estações climáticas. Além disso, essa distribuição e
essas modificações não são homogêneas no espaço, havendo regiões com extremos de
abundância e outras com extremos de escassez de água.
Na Figura 1.2, observa-se a distribuição média de água na terra, entre suas diversas
formas, destacando a extremamente baixa proporção de água doce mais disponível, no
montante global de água, sendo que a maior parte dela constitui água subterrânea, nem
sempre de fácil exploração.

4,39°/o 1,65o/o

Oceanos
• Àgua subterrânea
.. . .. D Geleiras e calotas polares
Figura 1.2 - D1stribuição média de água na Terra

42
Abastecimento de água, sociedade e ambiente I Capítulo 1

Já na Figura 5.1 (capítulo 5), é mostrado o ciclo hidrológico, cuja compreensão é


fundamental para se entender:
1. que a água se mantém em permanente circulação dinâmica no planeta;
2. que essa circulação é muito vulnerável a modificações nas condi~
çóes ambientais (por exemplo: proteção das bacias hidrográficas x águas
superficiais; proteção das áreas de recarga x águas subterrâneas; preser-
vação da cobertura vegetal x precipitações);
3. que essa circulação é variável no tempo, secular e sazonalmente.

Para o abastecimento de água é fundamental a avaliação das variações de vazão dos


cursos de água, especialmente os superficiais, importando avaliar as vazões mfnimas. A
segurança do fornecimento de água depende da garantia de que a vazão a ser captada
seja superior à mfnima do manancial em um determinado período hidrológico, a menos
que sejam adotadas estruturas para acumulação, mas mesmo neste caso é essencial que se
conheçam as variações hidrológicas do curso de água. Maiores detalhamentos sobre como
podem ser realizadas tais estimativas são desenvolvidos nos capítulos 5 e 6.
Ê importante notar que as vazões mínimas dos mananciais de superfície são muito
vulneráveis ao uso e ocupação territorial nas bacias hidrográficas. Com a crise ambiental, em
que uma de suas expressões é a remoção da cobertura vegetal, o solo das bacias contribuintes
aos mananciais vai tendo sua capacidade de retenção de água diminuída, resultando em
menores vazões em épocas de estiagem. Como se sabe, essa modificação ambiental tam- .
bém provoca eféitos nocivos nas épocas das chuvas, com o aumento das vazões de cheia -
e todas as suas conseqüências , da erosão do solo e do assoreamento dos cursos de água.
Na mesma direção, o impacto das mudanças climáticas globais na disponibilidade de
água ainda necessita ser mais bem avaliado, mas pode-se presumir que, se tem havido um
aumento da temperatura média do Planeta, este também pode trazer implicações nas
vazões extremas dos mananciais.
Outro fator ainda, que pressiona a oferta de água para consumo humano, é a demanda
por outros usos, como os usos para fins agrícolas, crescentes com a ampliação da agricultura
intensiva irrigada, gerando em muitas regiões um ambiente de conflito.

1.6.2 Demanda

Do lado da demanda por água para consumo humano, percebe-se que, ao longo do
tempo, vem ocorrendo um crescente aumento no Brasil, ocasionado pelos seguintes fatores:

• aumento acelerado da população nas últimas décadas, sobretudo


nas áreas urbanas e em especial nas regiões metropolitanas e cidades
de médio porte, embora em ritmo decresc~nte, o que pode ser obser~
vado nas figuras seguintes;

43
• lncr mento da industrialização, aumentando a demanda por água
m nú: leo urb nos; . _ .
• . m .nto do volume de perdas de água em muitos sistemas de abas-
lmen 0 , fruto da obsolescência de redes e de baixos investimentos.

8,0 --- - -- - -- - - - - - -- - -- ---,


~

Ci
Õ 7,0
~
e
m 6,0
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~ 5,0
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~ 1,0
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0,0 ....._
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1940 1950 •
1960 '1970 1'980 1991
Décadas
~ Figura 1.3 - Taxa anual de crescimento da população total e da po.pulação urbana no Brasil
Font : NASCIMENTO e HELLER (2005), com base em dados censitários IBGE:. http://www.ibge,gov.br

40,0 , -- - - -- - - - -- - - - - -
........
~ 35,0
o •
~
..... 30,0
8J• 25.0 • Fortaleza
o.
~ 20,0 * Belo Horizonte
:mo. 15,0 • São Paulo
(O - l i - Salvador
~ 10)0
o_
a.. 5•O ·
-0

o.o .,. .- ------.1 = ----.--------,--------J


1850 1900 1950 2000 2050
Censo [ano]
~ Figura 1.4 - Percentual da po 1 .~ , .. . . . . . do
Fonte: NASCIMENTO e HELLER { ju açao residente em algumas cap1ta1s versus população residente íl() esta
2005
' com base em dados censitários IBGE: http://www.ibge.gov.br
• Das figuras, podem-se ob • •
laçao brasileira co t d . . servar tendêne,as de refrear.nento do crescimento da popu
1
tais, mas este fen~ica-se . esconcentração da r:>opulação âe algmns estados em suas capt·
· · ·meno vem resultand 0 · · . d' porte
conforme mostra a Figura , .s. · · na ~resen•mer.rte clas c1dacdes de mé 'º · '
• •


'
mblente·f Capitulo 1

.O 35 , -- - - - - ·--.. r

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1940 1950 1960 1 1 '. 000 2010
-- . (nJ
- -..Figura 1.5 - Crescimento do número d tfl rilt.fplt1•,, 11rr, 1n .i- tJ , mil h b t ntes
Fonte. NASCIMENTO e HELLER (2005), com b m tJ ,tJtA · ltr1t /Jfl Jflf1I · t , JJ,//www,H, , ov.br

1.6.3 Balanço oferta X demanda

Logo, no balanço entre oferta e d rn nd , Vi r Vi rifl n . f cente deslocamento


r
em direção à demanda, o que tem prov z · 1 . nl llld d e conflitos complexos
em muitas regiões. Esses conflitos podem r urn Jt ·r r J h n · om aimplementação
da Lei nº 9.433/1997, que instituí a Política I n I d~,: ,, l lt I ria o Sistema Naáonal
· de Gerenciamento de Recursos Hfdricos - · f-f, q J r n , msituações de escas-
sez, uso prioritário para consumo humano. P r · • 1 i• 1· , ri do in rumentos de gestão
dos recursos hídricos, como a outorga d dlri í d br n pelo uso, os comitês de
bacia hidrográfica, com competênáa para arbíú•r flt , . ncl de água, com a função
de suporte técnico aos comitês~Esquematí m , , ...,....... fn,Yiiril -·- t ndências verificadas:


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Conffttps
de usos


Figura 1J.6~-·.R~laç~ô oferta/demanda d.e S u

4
umo humano
de água para cons
Aba.stedment o

1.7

1.7.1 Evidências históricas

, regl
Existem · .' stros sobre
· a compreensão
. da associação entre água
_ de consumo
_ · hu ma-
, d datados dos tempos mais remotos. Contudo, essa compreensao verificav
no e sau e, - . _ . . . . a. .se
.g·umas poucas 51 tuaçoes e em algumas culturas e tinha bases explicat,
· v
apenas em 1_ - - . _. . _ _ . . . as
ª
muito distintas das atualmente d1sponíve1s p~lo conhecimento c1entíf1co moderno. Identifi-
cavam-se então desde cuidados com a qualidade da água de consumo, como O relato do
ano 2000 antes de Cristo, na fndia, recomendando que "a água impura deve ser purificada,
pela feivura sobre um fogo, pelo aquecimento no sol, mergulhando um ferro em brasa
dentro dela, ou pode ainda ser purificada por filtração em areia ou cascalho, e então resfri-
ada " (USEPA, 1990), até a preocupação com a sua disponibilidade, como a recomendação
de Hipócrates (460-354 a.C.): "a influência da água sobre a saúde é muito grande".
Ao longo da história, dados disponíveis sugerem, em alguns contextos, que a imple-
mentação de serviços sanitários resultou em melhoria dos indicadores de saúde da população,
embora essa demonstração não seja simples. Alguns relatos, como o apresentado na
Figura 1.7, mostram tendências similares entre ações de saneamento e a redução de mortes
precoces e doenças, nesse caso a redução da mortalidade por febre tifóide doença bacte-
riana de transmissão feco-oral ao passo em que se reduzia a proporção da população sem
acesso ao sistema de abastecimento de água em Massachusetts nos séculos XIX e XX.

Ano 1885 1890 1895 1900 1905 1910 1915 1920 1925 1930 1935 1940
\ . 30
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---

. 19 5 1910 1915 1920 1925 1930 1935 1940


- .·
Figura 1.7 - Evolução da mortalidade o
- Massachusetts c1855 f1 . . . . . .
r febre t1f61de e do atendimento por abastec,m~nto de água
Fonte: FAIR et ai. (1966) apud MCJUNKIN (19~6) 40) ,

46
'í ' ' J
I
mostrada na Figura 1, '
Ili
11 t culo XIX, a efevaçá ~:(5'1
.x t,11·1v,t I · 1 rn período em que · rI
· ir f, , ,t ,· , 11111 ·I trt 1q 1 11 se fenômeno d · "
mfn ·· J '' 1 v ,t,, li t ntes cidades européí,,'- ~
n ,I .,,1,r1 · ,, t t r 11 1 .
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Infra-estrutura sa 11:árt
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Marselha

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• 40 Paris /

.. Marselha/ /
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J
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1870 1800 1890 1900
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Ffgur 1. 1; 1 I :I I f, 11 II tVI t · imento de água e esgotam·en
• Jt ,l i
Fonte; PR / l1J r. 11 I J I ,, I f I

A derno u !Idade da água e a saúde, que


foi inclusiv . pn ...~ . . 1
- ·
1 11 l'l'II . 1r o estudo dos problemas de
saúde póõl1 ., tr i , IJ, d· John ·snow em Londres em
J f( f · · n w em sua investigação, que
meados do ,:;are

mostr.aram I r nas moradias abastecíd.as


peta água n· 1,

Tabela 1,5 • M r 1 gundo a origem do forneci..


manto de águ ,
~~~~~========~~~~~
F·ornec:I
-

Companhi
Compar,hí ·
Restante d
Fonte: SNOW (19 O)


umo humano
.
Abaste,rmen
to de ,gua para cons
- .

. . . . ntagônicas de pensamento sobre o processo saúd


~a épo~a, dua~ teo~;:;ática e a teoria contagionista ..A primeira, hegern:d.oença
debatiam~_se. a teoria m d· . ças eram provocadas por "rn1asrnas", que ser·i . nica no
. f d·a

período, e en -' , que as oen
_ .
responsáveis . - - an, em
pela produçao de doenças. A se · ana-
.. . veneno5.·· 11
• • • u -
qual Snow era partias t:ansmissíveis entre as pessoas o~ pelo meio. Note~se assi~,a de
agentes das doenç , . rpo teórico correto, mas sem dispor de uma evidência que
· com base em um co . . . . concret
Snow,
1865
ainda não haviam sido ,solados os m1crorganisrnos ~ ª
que o sustentasse em · d. · .d · con-
• _ .e rma como a cólera lon nna era transm1t1 a e, em deco " .
seguiu demonstrar a ,o · rrenc,a,
contribuir para seu controle. .. ~ . . . .
A compreensa . ""o quanto às formas como
· . a. transm1ssao de doenças 1nfecoosas
·. se pr.
· ,oces..
_ d e m 05 conhecimentos oentfficos modernos, começou a partir do final d
sa, de acor o o · . . . · o
. XIX com as descobertas de Pasteur e Koch, que deram orrgem à microbiologia. 0
sécu 1o . ºb·1· fº .. d u
seja, a identificação dos microrganismos poss1 i rtou ~o~ irmar a açao os agentes biológicos,
J

de sua presença na água, e de seu papel na transm1ssao das d~enças.


um esforço mais sistemático de compreender as relaçoes entre o saneamento e a
saúde foi observado na década de 1980 a Década Internacional do Abastecimento de
Agua e do Esgotamento Sanitário, decretada pela ONU. A partir dessa década, passou-se
a possuir um conjunto mais numeroso e consistente de estudos epidemiológicos que
avaliavam essa relação, possibilitando extrair valores médios da possível redução na ocor-
rência de doenças, advinda da implantação de serviços de abastecimento de água e de
outras medidas de caráter sanitário. A Tabela 1.6 ilustra a redução mediana na diarréia I

esperada com a implantação de melhorias no abastecimento de água e no esgotamento


sanitário, variando entre 15 e 36%, dependendo do tipo de intervenção_ Já a Tabela 1.7
mostra esse impacto em alguns indicadores de saúde, podendo-se observar que pode ser
significativo.

Tabela 1.6 - Redução percentual na morbidade por diarréia, atribuída a melhorias


no abastecimento de água ou no esgotamento sanitário
Intervenção Redução mediana (%)
Abastecimento de água e esgotamento sanitário 30
Esgotamento sanitário 36
Qualidade e quantidade de água 17
Qualidade da água 15*
Quantidade de água 20
Fonte: ESREY et ai. (1991)
* Estudo de Fewtrell et ai. (2005) mostra .
que este valor pode ser superior, atingindo cerca de 30o/a.

48

j
Ta~ela 1·7 -. Redução percentual na morbld . d mort lldade por indicadores de
saude selecionados, atribuída a melhoria n b . t clm · nto de água e no esgota-
mento sanitário
-- - -

1
Indicador de saúde Redução mediana< > (%)
Ascaridíase 29 {15-83)
Morbidade por doenças diarréicas 26 (0-68)
Ancilostomfase · 4 ( .. )
Esquistossomose 77 (59-77)
Tracoma 27 (0-79)
Mortalidade infantil 55 (20-82)
- . -

Fonte: ESREY et ai. (1991)


(1) Os nOmeros entre parênteses correspondem f 1x d v I '

1.7.2 Mecanismos de transmissão de doenças a partir da água

Dois mecanismos principais de tr nsmi o d do nças pela água, por agentes bioló-
gicos, são observados:
• a transmissão por .ingestão d · águ . ont minada por agentes bioló-
gicos patogênicos;
• a transmissão que ocorre pela in ufi iência da quantidade de água,
provocando higien:e defic:ientei

Em vista disso, dois grupos de doença mais dir tamente relacionados ao abasteci-
mento de água podem ser destacados (Mara F chem, 1999):
• doenças de transmissão feco-oral, qu podem ser transmitidas por
ambos os mecanismos (ingestão ou higi n d ficiente) e que incluem,
dentre outras:
- viróticas: hepatite A, E e F; poliomi lit ; diarréia por rotavf rus;
diarréia por adenovírus;
- bacterianas: cólera; ínfecção por E. · h ri hl cofi,· febre tifóide e
paratifóide;
- causadas por protozoários: amebf s ; ripto poridfase; giardfase;
- causadas por helmintos: ascarídí s, ; tricurfase; enterobfase.
• relacionadas exclusivamente com a quantidad insuficiente de água:
- doenças infecciosas da pele;
- doenças infecciosas dos olhos;
- doenças transmitidas por piolho .

49
. ru . os, destacam-se ainda aquel .doenças transmitidas
- procrram na · ·. Qua · .
quitos, que se .. ·ares completas, a população necess1t ~ecorrer ~o armaienarne e de
instalações domicilt t ~es baldes ...), que se tornam locais propfcros ao desenv . ~to em
'lhames (tambores, Ia o , . o1vimento
v.as1 ·tos Incluem-se neste grupo.
dos mosqu1 . .
.. ue e febre amarela, transmitidas pelo mosquito do gênero Aedes·
• deng . t ansmitida pelo mosquito do gênero Anopheles; '
• malána, r ·r d
• filariose ou elefantíase, transm1 i as pe o mo
1 · squito d · "
o genero Cu/ex.

, _- rta te enfatizar O papel da quantidade da água na prevenção de doença


É 1mpo n . · - . . . . _ d b . s, em
. l'dades considerado ainda mais importante que o a oa qualidade. Estudos
aangta es e na · · , . ' . . ,.. . . · ença
de parasitas intestinais estão mais correlac1onad~s com as maos suJas . um bom indicador
de acesso ao suprimento de água que à quahda?e d~ águ~ consui:r11da (Bartlett, 2003).
· Além das doenças provocadas por agentes b1ológ1cos, Já descritas, é objeto de cres-
cente preocupação a presença de agentes qufmico~ na água e os efeitos crônicos e agudos
que podem provocar. Esses agentes têm ocorrência natural ou pode~ se originar de pro-
cessos industriais, da ocupação humana, do uso agrícola ou do próprio processo de trata-
mento de água e de material das instalações de abastecimento, que ficam em contatocom
a água. Êimportante destacar que a cada ano um novo número de substâncias é sintetizado,
tornando difícil avaliar o efeito que pode acarretar sobre a saúde e a capacidade dos pro-
cessos de tratamento em removê-las. No capítulo 4, esses riscos à saúde são apresentados
de forma mais detalhada.

1.7.3 o impacto do abastecimento de água sobre a saúde

Anualmente, um número significativo de crianças morre no mundo de doenças direta·


mente relacionadas às condições deficientes de abastecimento de água e de esgotamento
sanitário. Essas doenças, especialmente quando associadas com a desnutrição, podem
enfraquecer as defesas orgânicas a ponto de contribuir com doença e morte por outras
causas, como o sarampo e a pneumonia. Este quadro está estreitamente relacionado à
pobreza: a proporção de doenças relacionadas ao abastecimento de água e ao esgotamento
sanitário em crianças menores de cinco anos na África, por exemplo, é mais de 240 vezes
superior à dos países ricos (Prüss et ai., 2002).
Prüss et ai. (2002) estimam que a ausência ou deficiência do abastecimento de água,
do esgot~mento sanitário e da higiene é responsável por 2.200.000 mortes e 82.200.000
anos de vida perdidos ou com incapacidade (DALY) no mundo, correspondendo a4,0% de
todas as mortes e a 5, 70110 de todos os OALY. As doenças associadas
. .
à def1crenc1a
·I'!do sanea-

·
mento provocaram o seguinte número de ocorrências em 2000 (WHO, 2000): ' f

50
• doe:nças di.arréicas: 2.200.000 mortes d ri n m nor, de cinco anos;
• ascaridfase: 900 .000.000 de caso ;
• esquistossomose: 200.000 .000 d,e o ;
• tracoma: 6.000.000 de pessoas fi ar m d vldo à doença!
Em estudo realizado em favela de Belo Horizont , loc fizad no Aglomerado da Serra,
comparando três áreas com diferentes condições d neam n o, Azevedo (2003) mos-
trou uma possível redução de 48°/o na ocorrência d di rréi m crianças entre um e cinco
anos e de 20% na ocorrência de desnutriç!o crônica m crianças na mesma faixa etária,
caso fosse impfantado sistema coletivo de abastecimento de água.
Em outra avaliação, Teixeira (2003), também investigando crianças entre um e cinco
anos, em áreas de invasão em Juiz de Fora-MG, encontrou os seguintes impactos relacionados
ao abastecimento de água:

• o uso de água de sistema público implica 61º/o menos casos de


parasitoses de transmissão feco·oral (presen a nas fezes de ovos ou
cistos de Giardia lamb/ia, Entamoeba histolytica, Ascaris /umbricoides,
Trichuris trichiura, Enterobius vermicu/aris ou Hymenolepis nana) e
60o/o menos casos de diarréia, se comparado com o uso de água de
mina ou nascente, e também 40o/o menos casos de diarréia, se compa-
rado com o uso de água de poços domicilia res;
• a intermitência no abast.ecimento de água é responsável por 2,4 ve-
zes mais casos de desnutrição crônica;
• adequada higiene antes da alimentação pode prevenir 51 % dos ca-
sos de desnutrição crônica;
• o armazenamento adequado da água em reservatórios domiciliares
pode prevenir 36% da ocorrência de parasitoses de transmissão feco-
oral.

1.8 Abastecimento de água e meio ambiente

1
o abastecimento de água mantém uma relação ambfgua com o ambiente, especial-
mente O hídrico: de um lado é um usuário primordial, dele dependendo; de outro, ao
realizar este uso, provoca impactos. Um adequado equacionamento dessa sua dupla ~elação
com O ambiente é requisito indispensável para uma correta concepção do abastecimento
de água .


51
,n no •
. .. h
arocontumo u
Abastecimento da gu . p

.• . . á . ua como usuário dos recursos hídricos


Abastecimento de · 9
1,.8, 1
. stecimento de água é considerado prioritário 1 P
· e

· setor d e ab a h . . - a leg
eo.mo usuár,o, 0 .·
11997
mas esse recon ec1mento nao o desobrig d ·
· F
lação Le1 e e · .·d ral nº 9 4 33 · ' · d. · ·b·1·d d·
. tr'ibua para maior · rspon, 11 .a e para outros US ª e
·· á _ ri
· d curso que con u r,--- ·
uso criterioso o re ~
. .
para a manutenç
. a O da vida aquática. . . .
• . lugar deve·se procurar o estrito respeito à legislar3
nto em pr1me1ro . híd . . Y-'o q
Nesse po , . . ara outorga de uso de recursos ncos. Nesta, com varia.~
estabelece as condiç.õ~ P é er·mi'tida a captação de apenas uma parcela da vazão m', ~
5
. . · .. ·as1le1ros, P n,rna
do manancial supe ,c,a , gar res..
dual escoando para jusante.

1 .
a
..
Exemplo de Va~ão outorg~vel:

t - , •

A legislação de alguns estados ~~t~rm1na _que a vazao max1ma outor-


gável em casos de águas superf1c1a1s é de.

sendo Q , 10 a vazão mínima de 7 dias consecutivos, que ocorre com


7
um tempo de recorrência de 1O anos (ver capítulo 5).
. .

Mesmo na disponibilidade de água para atender às exigências legais, é uma obrigação


ética dos responsáveis pelas instalações de abastecimento de água garantir que esse uso seja
parcimonioso, ou seja, que seja utilizada a quantidade estritamente necessária, sem usos
supérfluos. Para tanto, duas parcelas do conjunto de usos da água devem ser minimizadas:

• as perdas no sistema, em especial as denominadas] perdas físicas,


relacionadas a fugas e vazamentos de águà, que no Brasil corres-
pondem a uma pareei.a inaceitavelmente alta da demanda de água
(maiores detalhes no capítulo 17);
• os desperdícios, que ocorrem no interior das instalações prediais e
qu~ p~dem ser combatidos por campanhas educativas, por modelos
tanfános qu~ p~nem os consumos elevados e pela adoção de equipa-
mentos san1tár1os de baixo consumo, como c·aixas de descarga de
volume reduzido e lavatórios acionados com temporizadores.

A ~em~nda ~e~~ uso para abastecimento pode se tornar muito complexa em regiões
com baixa d1spon1b1hdade ou com elevada demanda de água ou ainda quando ambas as

52
Abastecimento de água; sociedade e ambfent J pi ulo 1

condições se combinam. Nesse caso, uma discussão que vem ganhando terreno no mundo
é a da transposição de bacias, que pode ocorrer de duas formas:

• Pela transferência intencional de água de bacias onde, potencial e


teoricamente, há excesso de água para outras em que há reconhecida
escassez. No Brasil, discute-se há décadas a possibilidade de transpo-
sição das águas do Rio São Francisco para bacias do Nordeste. Trata-se
de discussão envolvida em muita polêmica, que traz o legítimo apelo
do "compartilhamento" de água de uma "região de abundância" com
outra de escassez, mas, para se ter uma dimensão do problema, tem
suscitado diversos questionamentos, como o impacto ambiental do
empreendimento, sua relação custo-benefício e a possível restrição ao
uso da água a montante da captação para a transposição.
• Pela transferência "involuntária" da água de bacias, resultante do
balanço hfdrico desequilibrado entre captação de água e geração de
esgotos. O exemplo a seguir ilustra a situação:

. Região Metropolitana de Belo Horizonte: um ~aso de transposição de bacias

A Região Metropolitana de Belo Horizonte RM~H é .abasteci.da ~or um. co;-


'unto de mananciais, que integram duas sub-bacias h1?rográf1~as .. a ?~eia o
JRio das Velhas e a b ac1a
. d o R·o
, Paraopeba
. . É -a seguinte a d1str1bu1çao dos
mananciais, segundo sua capacidade de produçao:

. 1.8. - Mananc1a1s
Tabela .. . a bastecedores
.· da Região Metropolitana de Belo

.~H~o~ri~z~o~n~te:_~~~~-::;=:=:~~~~C;a~p;acciiiddéa;dlee~in;s~ta;il~addéa;--~~To~t~aÍI~
Sub-bacia Sistema (Lls) (L/s)
de produção
Rio das Velhas 6.750
Rio das Velhas
Morro Redondo 750
200
Barfeiro 7.870
Catarina 170
2.700
Paraopeba Serra Azul
vargem das Flores 1.500

4.200
Manso 8.850
450
lbirité
685 685
Diversos Sistemas independentes
17.405 17.405
Total .
. ara o abastecimento da região, 45% originam-se
Ou seja, dos 17 .40~ Us instalados: 51 % da sub-bacia do Paraopeba. Ocorre que,
da sub-bacia do Rio das Velhas

53
Abastecimento de água p ara consumo hum eno

d la desta vaza o é tran sf armada em es gotos, o


como gran e pRa.rceda s Velh as pois os ma iores destino da .
arte de le m u ni clp io s da R MB H Bel rnHa,~r
é o ,o ,
p têm praticamente 10 0 º'10 de se us esgotos en o or,-
zonte. e ~~ntaAgeumda s e Pampu lha /Onça , aflu caminh
aos R1be1roes rr en te s d o Rio das Velhas. adas
'p icam e nte um caso de tran sp · "" d b ·
Logo este é t ' o s1<;ao e ac1as, embora sem
. ' 't d como no ca so da transpos 1 . a d . Sã F . ser
exp11c1 a o, . ç o o ri o o ra nc1sco. Especialment
em épocas de estiagem, a s1tuaçao provoca . . e

• uma redução da vazão do rio Parao peba e d


os aflu~ntes onde se instalaram as
obras de captação, podendo compromete r os
usos a Jusante;
0 aumento da vazão do rio da s Velh as ;

• a introdução de uma signifi cativ a ca rga po
luid ora adicional no rio das Velhas.

1.8.2 Abastecimento de água como a ti


v id a d e im p a c ta n te

o primeiro e mais significativo impacto ambiental a ser assinalado em


uma instalação
de abastecimento de água é o fato de que a
água, após consumida, necessariamente
retorna ao ambiente e em sua maior proporção
na forma de esgotos sanitários e industriais.
Um possível balanço quantitativo dessa realida
de, em um contexto em que as perdas no
sistema de abastecimento de água são de 30
o/o e a relação esgoto/água é de 80º/o, é
ilustrada na Figura 1.9, podendo-se observar qu
e o valor do lançamento é superior a 50º/o
do volume captado .

Parcela de Evaporação
não retomo
56 (•) ~ ~ - Infiltração
14
Drenagem pluvial

100 70
Adução Consumo

Redes de A. A. e E. s.

Perdas "não tisicas" (contábeis)


30 Evaporação
- ~ - Infiltração
Perdas
Sistemas de esgotos sanitários· retomo
Drenagem pluvial
(•) deve ser adicionada pareei • filtr d
.
Figura 1.9 - Balanço entre
ª ª .
,n ª no sistema de esgotamento sanitário
1

as parce1as de água co nsumid a e convertida em esgo · •s


tos sanitário

54
l
--···,
Ab steomento de água, sociedade e ambiente ,1Capítulo 1

Logo, essa parcela de esgotos representa potencial poluidor muito significativo no


próprio manancial ou em outro, c~so haja transposição de bacias. Há países desenvolvidos,
inclusive, em que, para se garantir o necessário cuidado com a disposição dos esgotos, é
exigido que o lançamento seja previsto a montante da captação. Essa exigência é freqüente
no caso de instalações industriais, por exemplo. A consciência quanto a este impacto
adverte para que o abastecimento de água seja visualizado e planejado mais globalmente,
incluindo o adequado equacionamento da disposição dos esgotos gerados. Em especial
quando o abastecimento de água a ser implantado proporciona uma elevação significativa
da disponibilidade, provoca-se um aumento muito importante na geração de esgotos,
podendo gerar graves problemas ambientais e para a saúde pública.
Além deste, outros potencias impactos das instalações de abastecimento de água,
que entretanto podem ser considerados de pequena magnitude se comparados com ativi-
dades mais impactantes como a mineração, são:

• em obras de captação superficial, quando há alterações no seu leito natu-


ral, estas podem provocar erosões nas margens e assoreamento nos leitos;
• em obras de captação com construção de barragem de acumulação,
os impactos ambientais do represamento podem ser significativos, tanto
sobre a qualidade da água, quanto sobre o ambiente local, inclusive
com disseminação de doenças;
• na operação das estações de tratamento de água são gerados resfduos,
como água de lav.agem d.os filtros e de descarga de decantadores e
floculadores, que necessitam ser tratados convenientemente antes de
seu lançamento;
• obras civis e de instalação de tubulações, sobretudo gr·andes aduto-
ras, podem gerar impactos, por exemplo durante movimentos de terra,
rebaixamentos de lençol de água e ocupação de terrenos.

Como todos os empreendimentos de maior importância, as obras de saneamento


~stão sujeitas ao licenciamento ambiental, no qual devem ser previstas as medidas adequa-
das para a mitigação dos potenciais impactos.

1.8.3 Elementos da legislação


Da vasta legislação ambiental existente no país, nos diversos níveis federativos, possui
estreita aplicabilidade ao abastecimento de água para consumo humano a Resolução
CONAMA nº 357/2005, cuja reformulação foi aprovada em 15 de f~vereiro de ~00~, que
estabelece critério para classificação das águas doces, salobras e sahnas do Terntóno Na-
cional. Essa legislação, ao definir os usos e os requisitos de qualidade da água que cada
uma das 13 classes de águas naturais sendo cinco classes de águas. do~es · .d:vem
apresentar, tem possibilitado O enquadramento das águas de todo o terntóno brasileiro e,

55

t
Abastedmento d

de sua qualidade. Mesmo que essa Jeg-isl.ar:;


_ nutença0
1111
,.. . _ - - . _ ~o
d ·... rrência, o zelo com a ma . '. a principal referencia para a avenguaçao da qual'.
em eco · certamente- se c·onst1tu1 n '
seja dinâmica, · . . .. .. . . 0 • •

997 que ,nstitu1 a Política . D stacados pontos nessa leg1slaçao sao 05 instru-
1 , . Hídncos. e · · · 1. . _ .
Gerenciamento de Recursos . . . ortantes elementos e inter ocutores com a proble-

mática do uso dos recursos hfdncos p


505 Hídricos;
• os Planos de Recur 5
de água em classes, segundo os usos
• 0 enquadramento dos co~tPºrel·acionado à Resolução CONAMA);
d t (ponto mui o ., .
prepon eran es . . de uso de recursos h1dncos;
• a outorga dos direitos hídricos·
. lo uso de recursos - . , , .
• a cobrança pe _ . bre Recursos H1dncos.
• o Sistema de lnformaçoes so

e f . d - ·orm·ente _são ainda estabelecidas nessa fegislação as


1
e menciona o an err , . -· _ _.
-~ . on orm ···,... . h'd
e bac,a - ica, com competência
I ro gráf' · para arbitrar os conflitos rela-
cionados aos recursos rtcos, -d ". . d ,
- . . ·
bacia e estabelecer os mecanis mos de cobrança
.~pelo uso da água, e as agencias e agua,
com a função de secretaria executiva dos co.mttes.

1.9 A situação atual do abastecimento de água

A carência de instalações suficientes de abastecimento de água para as populações


constitui uma das maiores dívidas sociais ainda persistentes no mundo. Permanece um
contingente considerável da população mundial ainda afastada ao acesso a esse bem, que
deveria ser assumido como um direito indiscutível das pessoas. Obviamente, essa carência
está indissociavelmente relacionada com a pobreza mundial, havendo uma convergência
entre a localização dos pobres e a dos excluídos do acesso ao abastecimento de água.
Interessante observar que não há sequer consenso sobre os números dessa carência,
uma vez que estes dependem do próprio conceito do que seria um fornecimento suficiente
de água. A Tabela 1.9 mostra duas diferentes quantificações para as populações urbanas
sem acesso ao abastecimento de água, a primeira delas baseada no conceito da Organização
Mundial da Saúde e da UNICEF sobre abastecim.ento melhorado (consumo per capita de
pelo menos 20 Uhab.dia; disponível a pelo menos um quilômetro da moradia; tubulações
que operem ª pelo menos 50% de sua capacidade; bombas manuais que operem pelo

56
b~ te J capftufo 1
A·bastedmento de água, sociedade e am ren

. . . - abasteci~
rnento à moradia ou ao lote com água encanada, fornecimento contínuo e de boa q~ah~a .e
do Programa UN-Habitat, revelando uma diferença significativa entre as duas estimativas.

Tabela 1.9 - Estimativa do número de pessoas sem acesso ao abastecimento de


água em áreas urbanas no ano 2000 .
•· Região Número e proporção de Número e proporção de
moradores urbanos sem moradores urbanos sem
abastecimento de água abastecimento de2 água
1
melhorado111 11
'adequado"

Africa 44 milhões (15%) 100-150 milhões (35-50%)
Asia 98 milhões (7%) 500-700 milhões (35-50%)
América Latina e Caribe 29 milhões (7%) 80- 120 milhões (20-30%)
Total 171 milhões (8%) 600-970 milhões (28-46%)
..
1 segundo OMS e UNICEF. Global water supply and sanitation assessment. Relatório 2000. 80 p.
2 Segundo UM..Habitat. Water and sanitation in the world's cities. Local action for global goaJs. Earthsacan: Londres,
2003. 274 p.
Fonte: SATTERTHWAITE (2003)

No Brasil, o censo demográfico do JBGE de 2000 revelou a seguinte situação:

Tabela 1.1 O - Cobertura por abastecimento de água no Brasil - ano 2000


Forma de abastecjmento População (moradores em domicílios permanentes)
Total Urbana Rural
Rede geral 127 .682.948 (75,8º/Ó) 122.102.799 (89, 1 %) 5.580. 149 (17,So/o)
• Canalizada em pelo menos um cômodo 118~432 .944 (70,3%} 114.559.080 (83,6%) 3.873.864 (12,4o/o)
• Canalizada só na propriedade ou terreno 9.250.004 (5,5°/o) 7 .543.719 (5,5°/o) 1.706.285 (5,4%)
Poço ou nascente (na propriedade) 28.074.483 (16,7o/o) 10.399.507 (7,6%) 17. 674.976 (56,4o/o)
• Canalizada em pelo menos um cômodo 14.940.615 (8,9%) 6.709.484 (4,9°A,) 8.231 .131 (26,2%}
• Canalizada só na propriedade ou terreno 2.315.903 (1,4%) 848. 717 (0,6o/o) 1.467.1 86 (4,7%)
• Não canalizada 10.817.965 (6,4%) 2.841.306 (2, 1o/o) 7.976.659 (25,4%)
Outra 12.613.463 (7,So/o) 4.513.379 (3,3%) 8.100.084 (25,So/o)
• Canalizada em pelo menos um cômodo 1.887.131 {1,1o/o) 1.085.154 (0,8%) 801..977 (2,6%)
• Canalizada só na propriedade ou terreno 610.696 (0,4 % ) 277.605 (0,2%) 333.091 (1, 1 %)
• Não canalizada 10.115.635 (6,0%} 3.150.620 {2,3o/o) 6.965.015 (22,2%)

Fonte: Censo demográfico (IBGE, 2000)

Nota-se que o país ainda exibe um total de 40,6 milhões de pessoas sem acesso ao
abastecimento de água fornecida por rede coletiva. Esse contingente está mais concentrado
na área rural, na qual 47,6% da população sequer dispõe de água canalizada na proprie-
dade ou no interior do domicílio.
Além dessa desigualdade de acesso estar associada ao local de moradia urbano ou
rural , apresenta uma relação clara com a renda: os mais pobres são os mais excluídos
(Figura 1.1 O).
Outra variação encontrada é a regional, conforme se ilustra na Tabela 1.11, na qual se
observam grandes e importantes diferenciais no atendimento e quanto a indicadores de
eficiência dos serviços, entre as companhias estaduais de saneamento.

57
Abastecimento de jgua para consumo humano

100
90
80
............ 70
~
e_,
(O 60 .l?JÁgua
...,:,""" 50
.
~
•Esgota·
Q)
.o 40
8 30
20
10
o
<1
1a 2 2a3 3a5 5 a 1O 1O a 20 > 20
Renda média mensaJ domiciliar (SM)

SM: Salário mínimo f

Figura 1. 1o _ Cobertura por abastecimento ~e água por rede geral e esgotamento sanitário por rede
, coletora no Brasil, segundo faixa de renda
Fonte: COSTA (2003)

Tabela 1.11 - Indicadores de cobertura e de eficiência dos serviços de abastecimento


de água e de esgotamento sanitário. segundo a companhia estadual (continua) 1

Diagnóstico dos Serviços de Agua e Esgotos - 2000


fndice de índice de Índice de Tarifa Despesa Quantidade Índice de Consumo
atendimento atendimento perdas de média como equivalente produtivid. mêdiode
SIGLA praticada serviço p/m3 de pessoal
de água de esgoto faturamento econ/pes.. ãguapor
1
faturado
1
total tota.l economia
RS/m RS!m emereciados econJemp. m3fmês.e<on
REGIÃO NORTE
CAER/RR 103,3 12,6 49,7 0,86 1,67 475 149 18, 1
CAERD/RO 52,0 ·, , 7 1,70 1,72 1.134
CAESA/AP 57,2 6,2 7112 0,96 1,22 318 1n 19,9
COSAMAIAM 79,7 13,0 0,83 6,28 789 213 3,2
COSANPAIPA 65,8 2.6 45,9 1,08 1,35 1.919 214 16,5
DEASIAC 44,0 70,1 0,95 2,63 309 40 14,8
SANEATJNS/TO 84,1 5,5 31,0 0,93 1,30 1.015 169 15,7
Totais ~ião Norte 68,1 3,'1 473
., 1,07' 1,60 5.896 1:51 1410
REGIÃO NORDESTE
AGESPfSAIPI 105,0 6,9 60,7 1,42 1,54 2.187 197 9, 1
CAEMAIMA 73,3 19,5 65,8 0,71 1,51 2.349 2.19 15,3
CAERN/RN 93,4 15,8 44,9 0,88 1,06 2.083 256 13t5
CAGECEICE 81 , 1 27., 5 34,2 0,64 0,'71 1.970 592 15,0
'
CAGEPA/PB 100,9 27,2 40,7 0,84 0,98 2.327 308 12,9
CASAUAL 64,7 12,6 41,9 1, 15 1,24 1.714 197 13,6
COMPESME 97, 1 21,·1 51,2 0,78 0,93 6.375 265 9,4
DESO/SE 119,9 17,0 47,6 1, 15 248 13,5
1, 18 1.563
EMBASA/BA 91,2 19,9 39,2 345 14,5
0,87 1,43 6.330
TotaíS iRegi!b Nordeste 90,7 20,3 46,2, 0':8 6 ,296 1~9
REGIÃO SUDESTE . . 1t14 26.858
CEDAE/RJ 87,3 47,4 27,0
54,3 1,05 1,20 10.043 457
CESANIES 96,9 16,3 18,5
30,3 0,91 0,86 1.773 384
COPASA/MG 101,4 45,6 14,6
SABESP/SP 26, 1 ,
084 . 0,90 12.639 352
99,5 80,0 31,4 461 15,5
Totais Regf~o Sudeste 1,19 1,13 25.574
96s7 6l, 1 37,7

429 17:,9
REGIÃO SUL • t.09 1, 1.0 50.115
CASAN/SC 88,2 11.0
8,0 31,8 1,29 1,22 3.095 391
CORSAN/RS 99,6 12,8
8,4 51,5 333
SANEPAR/PR 105,3
1,90 2,08 5.750 12,5
43, 1 260 1,11 410
Totais ffi tão Sul 99,8 _ 0,93 7.926 _12 3.
23,9 a.s~ 1,34 ;,2_7 ~~e.ssa aãs

'

58
Abastecimento de água, sociedade e ambiente f Capitulo 1

1
1

(conclusão)
1
Índice de Índice do fndlce de Tarifa Despesa Quantidade fndlee de Consumo
SIGLA atendimento atendimento perdas de mêdla como equivalente produtlvld. módlo do
de água de esgoto faturamento praticada serviço p/m3 de pessoal econ/pes. água por
faturado total total aconomfa
7 -

REGIÃO CENTRQ..QESTE
-" RS/m3 RS/m~ empre«JadM econJemp, . ml[mltl.o«>~
.'
1
CAESB/DF 92,4 88,9 315 18,6 1
21 ,5 1,01 1,05 3.785 1
SANEAGO/GO 93,5 36,9 12,6
SANESUUMS 3S.,2 0,94 1 02 4.697 334
111,9 7,0 41 ,7 " .268 13,7
lbtats Região Centro-Oeste 1,26 1,54 1.084
95,8 46,9 31,6 14,6
1,00 1.08 9.639 316
Jbtais paraogrupo 93,7 39,4 39,4 1,07 1,14
108.909 365 15A,
Nota: valores de índices de atendimento
. -
super. iores a 1.00% são expfrcados
. · · ·
pelas diferenças de fontes de dados para o
numerador e o denominador.
Fonte: SNSA (2001)

Em relação à qualidade como a água é fornecida, as Tabelas 1.12 e 1 .13 revelam que
nem ·sempre sua segurança é garantida.

T~~ela 1.12 -Tipo de processo de tratamento de água por grandes regiões


Distritos, total e abastecidos, com tratamento da água, por tipo de tratamento,
segundo as Grandes Regiões
Distritos abastecidos
Grandes Total de Com tratamento da água
Regiões distritos Total Tipo de tratamento Sem
Total Conven- Simpli- Simples desinfecção trat-
cional ficado (cloração 1

Brasil 9.848 8.656 6.046 3.413 675 2.630 3.258


Norte 607 512 219 86 39 119 349
Nordeste 3.084 2.550 1.925 847 336 807 766
Sudeste 3. 11 5 3 .. 008 2~163 1.586 229 734 1.165
Sul 2.342 1.967 1.21 O 645 56 635 857
Centro-Oeste 700 619 529 249 15 335 121
Notas: 1. Um mesmo distrito pode apresentar mais de um tipo de tratamento de água.
2. Exclusive os distritos que não declararam a existência de tratamento de água.
Fonte: IBG E (2000}

Tabela 1.13 - Característica do sistema de abastecimento de água por grandes regiões


Percentual de distritos segundo a característica do sistema de água
Região/país Sem rede Com Que declaram Com tratam. Convencional
geral
,w

captaçao contaminação dentre dentre os com capt. superf.


superficial os com capt. Superf. e que declaram contam.

Norte 16,65 31,64 17,28 41,67


17,32 46,31 15,58 45,70
Nordeste
Sudeste 3,43 63,73 42,67 81,20
34,88 37,61 86,96
SuJ 16,01
97,53
Centro-Oeste 11,57 46,85 27,93
12, 10 48,94 32,32 77,46
Brasil
Fonte: IBGE (2000)

59
Abastecimento de água par, consumo hu01t1rto

Em nível estadual e regional, também podem-se obse,var importantes d'f


q_ualidade com que o abastecimento de ág~a é realizado, conforme pode-s~ :,ren~íai n:i
F1.gura 1.1O, na qual s~o repres:ntadas as diferentes cobe~u~as por rede geral ~suahzar na
p1os do estado de .Minas. Gera~s, estado em qu~ a relaçao inversa do abaste
1 11 ?5 muníct.
água com a mortalidade 1nfantll também se confirma, conforme Figura . . Cimento d

o _ .......- +
' ' ' M02
Minas Gerais - Municípios - Re ·-
Abastecimento de Águ~l~~s ~e Planejamento
~ .IFC/2002 Porcenta em d O . .. e e Geral
Figura 1. 1o - Cobertura or ab . e om1c1hos Atendidos - 2000
1c1p10. Minas Gerais
Fonte: HELLER et ai. (2003), com ~ase e~s::~:::~~i: água por rede geral, segundo o mun· , . .

. . ., .. • '-L ~

'

•.

45 a 55 35
M · a 45 25 a 35 10 2
Figur 1
a .11 - Associação entr
ortalidade tn• .
. ,ant1I (por mil)
ª 5

M' - e carên ·
mas
Fonte: HELLER et ai. (200 3), Gerais
com base em eia IBGE
dados do . . . de mortalidade ínfantll,
por abastecimento de água e faixas \
'

_. .
,, '( :·
'· .......' • . ...
, '

60

Abastecimento de água, sociedade e ambiente I Capltufo 1

1.10 Considerações finais


1

,
1
!
Conforme pode se observar neste capítulo, a água é um bem essencial à sobrevjvência
do homem e ao exercício de suas atividades. Seu uso é dependente do context9 social e da
importância que cada comunidade atribui a esse bem, o que é perfeitamente verificado ao
longo da história, podendo se perceber a relação entre a água e as várias civilizações e seu
estágio de desenvolvimento social, econômico e tecnológico.
A disponibilidade de água no planeta é limitada, variando de região e segundo a
forma como se encontra na natureza superficial, subterrânea, como água de chuva etc.
Entretanto, em cada aglomeração humana, a relação entre a oferta e a demanda de água
é muito variável e é função de um conjunto de pressões, relacionadas inclusive aos hábitos
locais.
A água ao mesmo tempo pode ser um veículo de transmissão de doenças e outros
agravos (intoxicações, por exemplo) ao homem e pode ser requisito de boas condições de
saúde, particularmente quando é ofertada com quantidade suficiente e qualidade adequada.
Guarda também uma estreita relação com o ambiente, pois da natureza é extraída a água
para o consumo da população. Contudo, as instalações de abastecimento de água podem
ser, elas mesmas, responsáveis por impactos ambientais. '
Nos países em desenvolvimento, incluindo o Brasil, há uma enorme tarefa a ser cum-
prida, no sentido de prover água segura a todos, protegendo a saúde e assegurando uma
relação sustentável com o ambiente.


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l
61 •
Abastaclmento de 6gua para ., oruurno
· humano

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62
.Abastecimento de água, sociedade e ambiente I Capítulo 1
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• •



63
1

Biblioteca Central • PUCPR

Capítulo 2
1

Concepção de instalações
para o al:,astecimento de água

Léo Heller

2 •.·1 Introdução

No abastecimento de água1 como em vários campos da engenharia e das políticas


1

públicas em geral, rara.mente há uma solução única para um dado problema. Mesmo que
1

uma solução seja a vislumbra,da com maior dareza imediatamente e pareça a mais evidente,
outras possibilidades podem ser cogitadas. Mesmo que a primeira opção seja a adotada.
ela em geral não é em si ó.nica: ela mes.ma pode admitir diferentes variantes, diferentes
formas de projeto ou diferentes concepções de djmensíonamento.
Ou seja, no planejamento ou projeto de uma instalação de abastecimento, de água,.
são tomadas in.úmeras decisões, dentre um Jeque de opções possíveis, mesmo que de
forma inconsciente. Muitas vezes, a deásão é slmpfesmente uma recomendaçao de nor-
ma, o uso de um,a fórmula de um livro ou uma soluçao similar à de um projeto já elaborado
ou de ·uma obra já implantada. Mas possivelmente essas opções nao sao a únicas . i o
deve ser reconhecido por quem toma a dec·isao.
A ''boa engenharia'' é aquela capaz de enxergar maisde um caminho par. asoluç o d
um problema, de ponderar os aspectos positivos e negativos de cada caminho d tomar
decisões as mais conscientes possíveis. Essa ''boa engenharia'' tem a percepç o de qu ·cad.
decisão tomada traz implicações de diversas ordens econômicas, sociais, operacionais.4. E,
portanto, valoriza justamente esse processo de tomada de decisões como a etdpa maisd ter-
minante de um projeto, de um dimensionamento ou de uma etapa construtiva.

15
Ab t lm nl d au p r on uma hum . no

A m lhor lu o para um problema de abastecimento de água não é ne .


. . . . ,, d '' . cessaria. .
m nt . mai onômtca, a ma,s segura ou a mais mo erna , mas sim aquela .
apropriada r !idade social em que será aplicada. Logo, a concepção de urna rn~is
501
para um . d d n cessidade situação relacionada ao abastecimento de água ~Çao
consider r . div r as variáveis intervenientes, para que procure ser a mais adequa~ve
FreqO nt m nt , é necessário que sejam comparadas duas ou mais alternativas. E ª·
compara . . pode ser simplificada, apenas visualizando qualitativamente os pró;sa
. ontr d e .d uma para se decidir, ou pode exigir estudos de alternativas rnais corn~
pi xo , com avaliações de custos e benefícios ..
A UNICEF (1978) define como tecnologia apropriada para o saneamento aquela que
reúna s seguintes propriedades:

• higienicamente .segura: que não contribua para disseminar enfermi-


dades, que estimule hábitos sanitários e saudáveis, que evite riscos do
trabalho e que seja ergonomicamente saudável;
• técnica e cientificamente satisfatória: que seja de funcionamento sirnples
e de manutenção fácil, tecnicamente eficaz e eficiente, razoavel·mente
livre de riscos de acidentes e suficientemente adaptável a condições
variáveis;
• social e culturalmente aceitável: que atenda as necessidades básicas
da população, requeira uma alta densidade de mão-de-obra local,
melhore e não subs·titua na medida do possível atitudes e ofícios
tradicionais e seja esteticamente satisfatória;
• inócua ao a.rnbiente: que evite a contaminação ambiental, não alte-
re o equilfbrio ec.ológico, contribua para a conservação dos recursos
naturais, seja econômica no emprego de recur.sos não renováveis,
recircule subprodutos e resíduos, enriqueça e não depreci.e o ambi-
ente;
• economicamente viável: que seja eficaz ·em função dos custos, prefe-
rencialmente adotando soluçõe·s de baixo custo e financeiramente
viáveis; contribua para o desenvolvimento da indústrí:a local, utilize
materiais locais e seja econômica na utilização da energia.

A partir desses conceitos preliminares, o presente capítulo procura fornecer elementos


para o processo de concepção de alternativas e de seleção entre alternativas. Deve-se
advertir, porém, que a etapa de concepção dificilmente admite soluções padronizadas,
sendo que cada realidade requer sua própria e única solução. Assim, neste texto apenas se
relacionam alguns elementos para fornecer suporte a esse processo de formulação de
alternativas e de decisão entre distintas soluções.

1
..
11!1
J

66
Concepção de lnstaíações para o abastecimento de água t CapftuJo 2

2.2 Contextos

Grécia antiga 1

A civilização minóica vivia na ilha de Cr:eta, na Grécja antiga, desde o


ano 3 .000 a.e., segundo os achados arqueológicos, ou seja, há cerca
de 5.000 anos. Chegou a ser um povo muito próspero, vivendo em •

grandes casas e lá existindo palácios luxuosos. Essa civilização desapa-


receu no ano 1.450 a~C., após a erupção do vulcão Santorini.

A prosperidade dessa civilização demandava água. E,· de 'fato, foram


descobertas importantes obras hidráulicas para assegurar esse supri-
mento. A captação de água era realizada por três formas:
• exploração de águas subterrâneas de nascentes, com condução de
água por aquedutos; : •

• exploração de águas subterrâneas por poços;


• coleta de água de chuva em cisternas. •

..

.;-=-- , . ..


....

'

-......... .

..

A água era transportada por tubos de terracota, provavelmente como


conduto Jivre, dada a incapacidade do material em trabalhar sob pressão.
o transporte das fontes até os pontos de consumo podia atingir 5 km.
1 Fonte: KOUTSOYIANNIS {2004)

67
.
A&a,udmenw de .6gua pa,,,a tonsumo
- - humano

(a)

Alças .rri afças


-L'-.....1s~e:.!.!.!
-...J
-
Colar

Junta de cimento

Junta de cimento

"'
Junta de cimento

(b)

o esgotamento sanitário e pluvialimplantado por esse povo também


era notável, sendo dotado de vasos sanitários e um sistema de rede,
.que funciona perfeitamente até hoje, 4.000 anos após ter sido cons-
truído#

No mesmo período (1.450-1.300 a.C.), a civilização micênica drenava o


lago Copais, na Grécia, por meio de outra obra de engenharia surpre-
endente. Para tanto, foram construídos diques de terra, com paredes
em material ciclópico, e três canais principais, com largura de 40 a 80
m1 paredes verticais paralelas com dois a três metros de espessura e
extensão entre 40 e 50 km.

O que mais chama a atenção neste relato é a implantação de obras


hídráulic·as de grande envergadura, em uma época em que ainda não
se dominavam as técnicas atuais para captação de égua, seu transporte
.a distâncias elevadas e vencendo desnívei·s do terreno, além do esgo-
tamento dos efluentes gerados nas cidades.

68
Concepção de instalações para o abastecimento de água I Capítulo 2

Belo Horizonte no terceiro quartil do século xx2

Por todas as partes(...) o espetáculo da lata d;água na cabeça é tão rotineiro


que não chama mais a atenção: nem do povo nem das autoridades. Cada
blca, cada poço artesiano, cada cisterna, cada caminhão-pipa tem sua fila
1
d água. Todo mundo espera a sua vez para encher a lata, o balde, o vasi-
lt1ame (....). Enquanto grande parte da população de BH sofre com a água,
os moradores da Zona Sul não sentem o problema. Têm água com fartura
e abusam disto, lavando seus passeios e automóveis todos os dias (...).
FOLHA DE MINAS, Belo Horizonte, 11/10/1964

Csta notícia de jornal da década de 1960 ilustra o drama do abastecimento


de! água inadequado que pode afligir uma grande cidade, ainda que repro-
duzindo um quadro de desigualdade social, com alguns os mais ricos -
recebendo água com fartura, e chegando até a desperdiçá-la. Este quadro
era responsável por péssimos indicadores sanitários, atestados por estudo
d Universidade Federal de Minas Gerais - UFMG da época, que apontava
ser Belo Horizonte a capital com maior número de habitantes portadores
d doenças infecciosas intestinais, atingindo cerca de 90o/o da população.

As obras executadas para solucionar o problema a construção do sistema


produtor do Rio das Velhas com capacidade de 6 m3/s tiveram duração
de 15 anos (1958-1973), em vez dos três a quatro previstos. Como entre
a cidade e o ponto de captação existe a Serra do Curral, a adutora de
água tratada deveria vencê-la por meio de dois túnejs, com 227 e 1. 770
m de extensão, além de ser previsto um túnel-reservatório com 1.090 m
de extensão. Entretanto, houve grande dificuldade de perfuração em um
de·terminado trecho, em vista da tecnologia disponível à época, insufici-
ente para os trabalhos de impermeabilização e de consolidação que se
mostraram necessários.

Durante o período de execução, a angústia provocada pela não interligação


da produção de água com a sua distribuição trouxe ainda maior intran-
q(lllidade à população. A pressão social pas~ou a tornar-se tão insuportável
qtJC a Pctrobras foi acionada para perfurar dois tubos verticais (shaft) no
tr,po da Serra do Curral, interligados à parte da adutora já conclufda e, por
mcJr) de uma elevatória, foi colocado em operação um desvio (by-pass) da •

,Jdu1ora, permitindo, em dezembro de 1969, que a cidade recebesse emer-


qC'r,cialmente uma vazão de 750 Us das águas do Rio das Velhas.

1, í1,r1tu I lJNOAÇÃO JOÂO PINHEIRO (199·7)

69
Abasteclmon10 da água para consumo humano

Os Xakriabá no início do século I / 13

os Xakriabá-constituem uma população ín ·ígena qu habita o município


de São João das Missões, no norte d stado d Minas Gerais. São
cerca de 6.500 pessoas, que vivem m uma área de aproximadamente
53.000 ha, distribuindo-se por 52 aldeia e ubaldeias. Das 1.224
casas que ocupam, 87% são con ruída corn materiais diferentes da
alvenaria ou blocos de cimento, s ndo de adobe, "enchimento " (argila
e areia socados entre armações de rnad iraJ, pau-a~píque, lona ou
combinações.

Em 2000, a FUNASA - F.undação acional da Saúde iniciou a implan-


tação de medidas de saneamento na área, ao .e tornar o órgão respon-
sável pela saúpe indígena, Antes disso, apenas 17 (33 %) das aldeias e
subaldeias possuíam sistemas de abastecimento de água* Com o tra-
balho da FUNASA, este núme.ro ele,ou-se para 37 (71 %), atendendo
a 3.811 pessoas· (59%), com a ímplantação de sistemas com capta-
ções em poços profundos, com distribuição de água. até o quintal, o
banheiro ou o interior do domicílio ou ainda por meío de chafarizes.
Porém, a água distribuída por esses sistemas não era suficiente para
impedir o uso de outras fontes de água, como de córregos, lagoas,
minas, cacimbas (água de chuva), poços rasos, minas e proveniente de
caminhões, que são as mesmas fontes procuradas pela população não
atendida pelo sistema coletivo. Das 719 moradias atendidas, em ape-
nas 253 (35%) nunca falta água, sendo que em 20o/o delas falta água
pelo menos uma vez por dia .

A qualidade da água consumida inspira preocupações. Análises reali-


zadas nos mananciais utilizados mostraram presença de Escherichia
coli indicador de contaminação fecal em todas as cacimbas, mi-
nas, córregos e rios, mas não f oí identifícada em poços, chafariz e
caminhão-pipa. Por outro lado, naqueles mananciais, a turbidez mos-
trou-se superior ao padrão de potabilidade em 12 (80%) dos 15 pon-
tos amostrados, revelando situação de baixa efíciêncía da cloração do-
miciliar, quando aplicada.

Em 108 domicílios também foram realizadas análises de água, com


coleta no ponto de coosumo. Em 32 (30%J observou-se a presença
de E. co/i, o que condena a potabilidade da água. Em 52 (48%) foi

~ Fonte: PENA (2004)

70
identificada a presença de coliformes totais# porém não de E. colí, o que
se constituí motivo de preocupação . Embora os coliformes. totais,
em si, não confirmem contaminação ou presença de organismos que
transmitam doenças, sua presença é indicador de alerta . Para e·feito
de comparação, em rede de dist ribuição o padrão brasileiro de pota-
1

bilidade (Portaria MS nº 518/2004) tolera a sua presença em no máxi-


mo 5% das análises.

Os contextos apresentados mostram, dentre inúmeras ossíveís variações, três situa-


ções muito distintas em termos de abastecimento de água local:

• Um povo antigo, com próspero des.envol ímen o econômico e hábitos


socioculturais perdulários, ref letindo na demanda por grande quanti-
dade de água. Essa realidade impulsionou importantes avanços tecno-
lógicos, visando a assegurar o fornecimento de água demandado pelo
padrão socjal e cultural locais, ainda· que sem conhecimento cí.entífico
mais desenvolvido.
• Uma grande capital e sua solução comple,xa de abastecimento no
terceiro quartil do século XX. No período, o domínio das técnicas de
engenharia ainda não se mostrou capaz de·fornecer os elementos para
a implantação de um sistema de ab.astecímento com custos e prazo
compatíveis com as necessidades e disponibilidades locai.s. A realidade
- e possivelmente a incapacidade de pre isáo da época resultou
em custos muito superiores aos previstos, requerendo inclusive investi-
mentos em solução emergencíaJe em prazos não suportados pelo dé-
ficit de abastecimento.
• Uma popuf ação indígena que, vivendo no a uai período em que os
progressos científicos avançam em velocidade j amais observada n,a
história da Humanidade, deveria se be,nef íciar dos modernos padrões
tecnológicos, mas se vê excf.uída do acesso as políticas públicas de
saneamento, no padrão recebido pela média da população brasileira.
Em conseqüência, os Xakriabá recebem instalações de abastecimento de
água de forma incompf eta, insuficiente para assegurar a reve.rsão do
quadro social e não totalmente ancorada nos seus hábitos culturais.

Esses exemplos ilustram as muitas variações que podem ter uma sof.ução para o abas-
tecimento de água e os diversos fatores condiáonantes para a sua concepção: econômicos,
políticos, tecnológicos, socioculturais e físicos.

71
Abastecimento de água para consumo humano

2 _3 Modalidades e abrangência do abastecimento

Inicialmente deve ser entendido que, na expressão instalações para o abasteci..


mento de água: mesmo sob O enfoque da engenharia, ~ode estar in~luída uma variedade
de arranjos, sendo que o clássico sistema de abastecimento de agua se constitui ern
apenas uma dessas soluções. .
Uma distinção oficial pode ser encontrada na Portaria MS n° 518/2004, que
diferencia soluções alternativas de sistemas de abastecimento de água:

• sistema de abastecimento de água para consumo humano: instalação


composta por conjunto de obras civis, materiais e equipamentos,
destinada à produção e à distribuição canalizada de ág·ua potável para
populações, sob a responsabilidade do poder púbJjco, mesmo que
. ...
administrada em regime de concessão ou perm,ssao;
• solução alternativa de abastecimento de água para consumo humano:
toda modalidade de abastecimento coletivo de água distinta do siste-
ma de abastecimento de água, incluindo, entre outras, fonte, poço
comunitário, distribuição por veículo transportador, instalações
condominiais horizontal e vertical.

Nessas definições, deve-se observar, em primeiro lugar, que é considerado apenas o


abastecimento coletivo exclui-se o individual , em função de uma necessidade de
classificação identificada pela norma de qualidade da água para consumo humano. Deve
ser assinalado ainda que, para a Portaria, a distinção fundamental entre as duas modali-
dades é a ''responsabilidade do poder público'', característica do sistema. Sob o ponto de
vista da característica física, sistema ou solução alternativa podem se assemelhar (exemplo:
um condomínio horizontal pode se apresentar fisicamente como um sistema de abasteci-
mento de água de pequeno ou médio porte). Para superar essa semelhança, o manual
'' Boas práticas no abastecimento de água: procedimentos para a minimização de riscos à
saúde'' (Bastos e Heller, 2004) empregou a categoria '' soluções alternativas desprovidas de
rede'', para estabelecer uma diferenciação da natureza física em relação ao sistema de
abastecimento de água.
Por outro lado, para efeito do presente texto, importa diferenciar as soluções indi-
viduais das soluções coletivas, em vista das especificidades das primeiras. Assim, as diversas
diferenciações conduzem às quatro categorias de abastecimento de água listadas na
Tabela 2.1.

72

.......
Concepç3o de lnstalacô pnrt1 ,, nbn~fbf rt11u111J, cltJ fllJIIIJ f l nfJffuf,1 l

Tabela 2.1 - Categorias de instalações para o abastecimento d á . u


Segundo a modalidade Segundo a Ojstribuição por
do abastecimento abrangência rede
- .

1 Soluçao individual Jndividual Desprovida de rede Poço rtt',lJ 111rJ1v1cJ1111J


2 Soluçao alternativa Coletiva Desprovida de rede Ch,lfr.1r 11 , c,rruJrHl11rt,,
3 Solução alternativa Coletiva Distribuição por rede Condc,rr,rru,, f,,,,,1,1r1l,1I
4 Sistema de abastecimento Coletiva Distribuição por rede Sfstemd 11t,n•,t,., ,.,J,,r IJ'1 t.,rr1r.1 ldt1clt

Para efeito de abordagem neste livro, as características físicas d in ,t ,1·~ 1 i so


abordadas no capítulo 7 e as de número 3 e 4, nos capítulos 8 a 14.
É importante deixar claro, neste ponto, que, ao se conceber uma ,,,JltJç~o pc1rtl ,tbas·
tecimento de água de uma localidade, deve-se pretender que, em clc~fír,itívc,, todas as
pessoas ou famílias têm direito de um mesmo nível de qualidad m eu abaste..
cimento, assegurando-se:

• água canalizada fornecida até sua moradia;


• fornecimento ininterrupto da água;
• quantidade superior ao mínimo para atendimento de su e ssi··
dades básicas;
• qualidade da água de acordo com os padrões de potabJljdade.

Entretanto, deve-se ter claro também que, muitas vezes, para se atlngtr a se padrao
de serviços, pode ser necessária uma etapa anterior, conforme as soluçõo~ 1 a 3 da
Tabela 2.1.

2.4 Unidades componentes de uma instalação de


abastecimento de água

um sistema de abastecimento de água pode apresentar as unjdades componentes


conforme ilustrado na Figura 2.1, com as funções e possíveis variantes descritas a seguir.

• Manancial (ver capítulos 5 e 6): fonte de água, a partír de onde é


abastecido o sistema. Em linhas gerais, os manancíais podem ser do
tipo:
- subterrâneo freático ou não-confinado;
l - subterrâneo confinado;
- superficial sem acumulação;
- superficial com acumulação;
- água de chuva.

1.
73
-~==-=-
~
---------- ·- ,. . _
... ·-·
.,_: ,,, ' • to,-
.
PT p,

Abastecimento de Água pare con, omo tu,mono

ESTAÇÃO
MANANCIA~ AOUTOAAD ELEVA1ÔRIA DE
AGUA IAUTA•MO ÁOUATRATADA-EEAT
--- --
,.• ·- ..._ ____ _ _ - - - - -
-
1
- - - - - .... -
1

.,,,..- I l
.,,,..,
-
r
l 1

- ,_'·
1

i t - - - ... - -t--+-1-1-- 1

1
1
,
1 1
1
1
1

-- 1 1
1
REDE DE
1
1
DISTRIBUI ÃO
r
~ ~ ~ - ~ ~ ---
- - - - - - -
1

DISTRIBUIÇÃO

- e ••
ESTAÇ O
ELEVATÓRIA oeAGUA AOUiORA O" RESERVAT RIO RESERVAT RIO
CAPTAÇÃO BRUTA· EEAB AGUATRATADA · MT OE MONTANTE DE JUSANTE

Figura 2.1 - Sistema de aba t c:lrn 11t ci ô(Jll • Ur,ld cl componentes


- -

Figura 2.2 - Reservatório de acumula~Qc, parc.1 , a1:>laçao de água do Sistema Rio Manso - Região
Metropolitana de Belo Horlzont • COPASA·MG

• Captação (ver capítulo 7, S 9): consiste na estrutura responsável


pela extração de água do manancial, a fim de torná .. ra disponível para
seu transporte aos locais de ut1Jlzaçao. Pode ser de muitas e diferentes
formas, em funcao do tipo de manancial. Seu projeto, sobretudo quan-
do se refere à captação em manancial de superffcje, deve considerar
cuidadosamente as carac:terístfcas físíc1s do curso d' á·gua e de suas

74
J
margens, bem con:10 as variações azon i d v zto, uma vez que se
trata de uma unidade de muita respon bffid d~ no sistema e, por se
locallzar no curso d',água, fica sujeíta " . o d ínt r11péries.

- ... ; !Jlll's4711l&. t ... '


Figura 2.3 - Captação em poço profundo

1
,

Fjgura 2.4 - Captação superficial

• Adução .(ver capítu~o 1O): destína---se a transportár a água, interli-


ga.ndo· un1·daáes cle caP,tação, tratamento, es.tações elevatórias, reser-
vação .e rede de dlstr:icuição .. Em funçãp ga . água que tra ns~orta, pode
ser adutora de água briuta ou de ágpa tratalfl e, er:n fcanc;ao de suas
ca. racte:,iístitas hi~ráuU~as, pode ser em J<rnifufo llvr.~; e,rn condalo
f,·oiçaaa ·p or g.raMidade. ou em recâtq·.ue"


--

,
'

'

'
l\btt 1 hn nln d 6UllApnr on, umo hum@no

Flgur 2,S - Adutora de água bruta do Sistema Rio das Velhas - Região Metropolitana de Belo Horizonte_
COPASA-MG

• Estações elevatórias (ver capítulo 11 ): podem se mostrar necessárias


quando a água necessita atingir níveis mais elevados, vencendo desní-
veis geométricos. Existem sistemas sem estações elevatórias, da mesma
forma que existem outros com dezenas (às vezes centenas) delas. Seu
emprego é em função, principalmente, do relevo local. Podem ser clas-
sificadas segundo a água que recalcam (bruta ou tratada) e o tipo de
bomba.

• Tratamento (ver capítulo 12): de implantação sempre necessária,


para compatibilizar a qualidade da água bruta com os padrões de pota-
bilidade e proteger a saúde da população consumidora, segundo a
Portari a MS n° 518/2004 (Brasil, 2004). Esta Portaria estabelece as
seguintes condjções mínimas para o tratamento:
. . Toda água fornecida coletivamente deve ser submetida a processo
de desinfecção;
- Toda água suprída por manancial superficial e distribuída por meio
de canalização deve incluir tratamento por filtração.

• Reservatórios (ver capítulo 13): destinam-se, entre outras funções, a


realizar a compensação entre a vazão de produção oriunda da cap-
tação-adução-tratamento, que em geral é fixa ou tem poucas variações
e as vazões de consumo, variáveis ao longo das horas do dia e ao
longo dos dias do ano. Podem assumir diferentes formas, em função
de sua posição no terreno (apoiado, elevado, semi-enterrado, enterrado)
e de sua posição em relação à rede de distribuição (de montan.te ou de
jusante).

76 -.
Concépção de instalações para o abastecimento de água I C.aprtulo 2

Figura 2.6 - Estação elevatória em Taguatinga - DF - CAESB

.... iii iil lii


J
-· - -

Figura 2. 7 - Esta~ão de tratamento de água do Rio das Velhas - Região Metropolitana de Belo Hari~ont~ e-.
COP~SA-MG •

77
AbastecImçnnto de água ·para consumo humano


NT

Hi: nur ! j filii!1li!i! 1"i f'•!'


1
St ; f !·_:l i:It, l,f.
l!!hl!llliMlm!il!IPl!1J!li
Enterrado

···tt'I:._. '!::,~:.:·!•:f
..r;;:.,•;,,·t·:::!! !·::;t.....'{ ·t••
1z:-i:·:,.;
ifhii!iU,tUH1liHiHUfi1hii

Semi-apoiado

___~- .

..... ,~~·~· ...... ,..


..,.: .. -,..~
•/.::;',::X :: X:: X::~::,::!!,., X:~:·::::,::: Y.
• : :,.: !: X:: X;:;.(:: :·~!! X!:~;::,::: X:: X:::-:!: X::
~ ::x:: :'! :: :.! : : }!:: x:: ~ :: :(:::..e:::-::::-:::>!::>:
: : :<:;X:: X::~!! X!! :-'.!: X!: X:: X::!-!:: X::;:::
:,: ! : :.-! :: %:: iC :: :1. :: :< ::~!:!-:::X:: X::~:!;.::::<
: ::.,: :: X::%:; Z :: ~::~::X::x:: X:!:-!:: X::;..!,::
X:: X:: X::~:::,:;: X:: !.e:::..::: X:;>::::-::::,.::::<

Apoiado Elevado

Figura 2.8 - Reservatório elevado - Figura 2.9 - Tipos de reservatório, em função


Guarapari-ES - CESAN da sua posição no terreno

• Rede de distribuição (ver capítulo 13): é composta de tubulações.,


conexões e peças especiais, localizados nos logradouros públicos, e tem
por funçã·o distribuir água até residências, estabelecimentos comerciais,
indústrias e locais públicos. Pode assumir configurações bastante sim-
ples até extremamente complexas, em função do porte, da densidade
demográfjca, da distribuição e da topografia da área abastecida.

Ainda na nomenclatura das unidades componentes, estas podem ser agrupadas em:

• unidades de produção: incluem as unidades a montante do primeiro


reservatório do sistema, iniciando-se na captação, passando pela adu-
ção de água bruta, tratamento e adução de água tratada;
• unidades de di~tribuição: incluem os reservatórios, e a rede de distri-
buição.

Denomina-se ainda de unidade de transporte, o conjunto composto pela estação


elevatória e a adutora correspondente.
A Figura 2.1 Oapresenta um diagrama-chave, em que estão previstas as diferentes formas
de combinação entre as unidades componentes. Nota-se a obrigatoriedade de presença de
algumas das unidades e o caráter eventual de outras, como as adutoras e estações elevatórias.

1·8

• •
.
o abastecim ento do llg uo I C:npttulo 2
Concepçao de instalações para

Í
.. ESTAÇÃO
ELEVATÓRIA
---- ADUÇÃO
MANAN OiA I. 1
1
1

DISTRIBUIÇÃO
OAPTAÇ.J\O TRATAMENTO RESERVAÇÃO

CONSUMO

es entre unidades componentes


stecimento de água. Combinaçõ
S iste m a d e aba
~ Figura 2.1O•
E IRA (s .d.)
ro n11; ada ptado d O L IV

na c o n c e p ç ã o d e i n s t a l a ç õ e s
E l e m e n t o s c o n d i c i o n a n t e s
2 .5
e c i m e n t o d e á g u a
para o abast

a c on c ep çã o de u m a d ad a in s tala çã o
s o s fatores q u e p od em c on d icio n a r
São d ivers o se ja m c on s ide rad o s, ta n to a
e ág u a. É e ss en cial q ue ta is fato res
para o a ba stec im en to d teg rad a . A lgu n s d ess es
q ua nto ao s eu c on ju n to de fo rm a in
ca da unidade índ ív idu alme n te,
i

condicionantes sã o:

2,5, 1 Porte da localidade

s p ortes de sis tem a, co m d iferen tes


d a co m u n id ad e d eterm ina dife rente
O ta m a nh o adu tor as de ág .ua b ru ta pa ra
e-s e, co m o ex emp lo, o diâ m etr o d e
com plexid a des . O b se rv
atende r a três d istin tas p op u la çõ es : .. •

. ,'.
1 - ! ..
'. '
.
... ~ .. ~ ;; ·, .

79


Tabela 22 - lnfluên~la do porte da localidade no diâmetro da adutora
· z ••• •· 1s a · . - :
o .. -,, - - - ~

, -Popu~ (hab) Consumo per capita Vazão de produção


1
Diâmetro (mm)4 -
· (L/hab.dia) -
(Us)
- . -
2
100 4, 17 75
2.000 3
20.GOO 200 55,46 250
3
250 694,44 1.000
200.GOO
, kl roetnerte do d a de rna,or C('J nsur110) = 1,2
2adu.çá0 P"'/ 16 t'.,d,a
3 adu,Ção por ,24/d a
-!para 41Ma 1 e ~ em torno de 1 m/s

Conforme se 1erifíca, para esses três portes de população, a dimensão das unidades
pode mudar qualítatívamente de patamar: em geral, é maior a simplicidade de se proje-
tar, definir o material e verificar o funcionamento hidráulico de uma adutora com diâmetro
de 75 mm, se comparada com uma de 250 mm, que, por sua vez, é menos complexa
que uma adutora de 1 . 000 mm, a qual pode envolver cuidadosas considerações sobre O
material da b.Jbulação, a ocorrência de sub e sobre-pressões transientes, o impacto ambi-
ental das obras etc.
Por outro lado, comunidades de pequeno porte podem estar mais propícias à utilização
de manará ais subterrâneos, uma vez que, salvo exceções em algumas regiões do país
com aqli:ferosubterrâneo de maior potencial de vazão, a maior parte dos poços profundos
do Bras:I apresenta vazões compatíveis com este porte de abastecimento. Essa situação
pode proporcionar uma simplificação no sistema, sobretudo quanto à unidade de trata-
mento. já que, quase sempre, o manancial subterrâneo demanda apenas o tratamento por
desinfecção assoáado à correção de pH e à fluoretação.
Em contrapartida, localidades de maior porte via de regra requerem sistemas mais
complexos, em termos de sofisticação tecnológica e operacional, embora nem sempre
quanto à sua concepção, pois buscar uma solução que seja efetivamente apropriada em
uma comunidade menor pode exigir esforços intelectuais significativos. Sistemas de maior
porte podem se caracterizar por:

• mais de um manancial, exigindo compatibilizar diferentes aduções,


ve icula ndo diferentes vazões;
• implantação de barragem de acumulação para a captação em manan-
ciais superficíais, podendo gerar impactos ambientais e resultar em qua-
lidade da água bruta que exija cuidados especiais no tratamento;
• mananciais com qualidade da água comprometida, exigindo cuida-
dos especiais no t ratamento;
• aduções com comprimentos elevados e, por vezes, elevados desní-
ve is geoméíricos, tornando o projeto dessas unidades mais complexo
e de maior responsabilidade;
• diS::ribuição com diversas zonas de pressão, requerendo vários reser-
vatórios ·e tubulação tronco.

80

• .. • ..,. - ' r.
Concepç:lo de fnstalaçõeS para o abastedmento de água I Capítulo 2.

As Figuras 2.11 e 2.12 diferenciam, por contraste, um sistema para atendimento a


uma comunidade de pequeno porte e outro para uma grande capital.

Reservatório elevado

t
Cloração - D o

- )
Tubulação do sistema de ' )

distribuição
Poço

Figura 2.1 1 • Pequeno sistema, abastecido por poço raso, com reservatório de montante
Fonte: adaptado de o,s..ssA (1980)

Francl•ço
MóiàtQ -· v.
211•,,.,pt;J

~.Oltl
~~

Gu,raJho•
·~

1 • "'

•.I.
- AII.._I llilllt:111
iii f.ti1$111Pllt'TI. . . I) . . ..

a Ru1r• ·..,1111:VJ• *
A IMC,,,'11\-

-
Figura 2.12 - Abastecimento de água da Região Metropolitana de São Paulo - 1995
Fo-nte; TSUTIYA (2004)

81

Abasteclmcl\to de 4gu11 pQro ton11.1n10 humano

2.s.2 Densidade demográfica

A forma como a população se distribui no terrltório pode ser importante condicionante


da concepção, podendo influenciar na dcclsao de se a solução deve ser individual ou cole-
tiva, provida de rede ou não. Por exemplo, a ocupação característica de uma vila rural, uma
comunidade indígena, uma agrovlta, uma ocupação remanescente de quilombo, um acam-
pamento provisório de "sem-terra" pode demandar soluções substancialmente distintas
de uma cidade densamente habitada. É óbvio que, além da ocupação mais dispersa -
menores densidades demográficas , a concepção da solução deve também ser determi-
nada por outras características locais, de natureza física, econômica ou sociocultural.

2.5.3 Mananciais

Este fator é certamente um dos mais importantes elementos condicionantes da con-


cepção das instalações de abastecimento. Diversas situações podem ser encontradas e
cada qual pode ser determinante de decisões a serem adotadas na concepção. Em vista
disso, deve ser uma etapa anterior a qualquer formulação de alternativas a atividade de
definição de mananciais. Trata-se de tarefa de grande responsabilidade, que, dependendo
do porte do sistema, deve envolver profissionais com diversas formações além da enge-
nharia, como geólogos, hidrogeólogos, biólogos e químicos.
Ê uma atividade que envolve um conjunto de procedimentos, como:

• consulta à comunidade local, sobre os mananciais em uso e sua ava-


liação sobre possíveis novos mananciais;
• inspeções de campo, avaliando o atual uso de água subterrânea e
percorrendo os mananciais superficiais, para identificar preliminarmente
possíveis pontos de captação e para verificar a ocupação das bacias
contribuintes, que possa influenciar na qualidade da água;
• estudos hidrogeológicos, para avaliação do potencial de exploração
da água subterranea;
• estudos hidrológicos, para avaliação das vazões extremas dos manan-
ciais de superfície e da necessidade de implantação de barragens de
acumulação;
• realização de análises físico-químicas e microbiológicas da água dos
mananciais candidatos a serem adotados.

Em síntese, trata-se de uma escolha em que deve ser realizada uma análise conjunta
da quantidade e qualidade da água e, para tanto, diversos procedimentos .são desen-
volvidos.

82
• de instalações para o abas tecimen to de água I Caplt vlo 2
Concepç3 o

a pa ra a de finiç ão do m an an cial , se ja m ais de


É freqüen te hav er m a is de u m a a ltern a tiv
a co m b in açã o de m ai s de um m an an cial pa ra
um manancia l ca n dida to a se r utiíiz a d o ou
ve se r real izad o um d eta lha d o e stu d o de
suprir a dema nd a de pro je to. N es se ca so, de
m ico -fin an ce iro s, técn icos , sa n itá rio s e am bi-
s, co n si de ran d o os as pe ctos e co n ô
altern ativa ja to m a da co m em ba -
e ca da a ltern a tiv a , pa ra qu e a de cisã o fina l se
entais ca racte rlst ico s d
sa mento técnico.
f
{

7 i t l & .. ...

Exemplo 2.1

s d e m an ancia l aprese n tad as na F igura


Con si dere as tr ês altern ativa
dive rsos fatores conside ra do s na sele ção
2 .13. C om p are ..as se g und o os
d e alternativas .

ETA (Simplificada) Desinfecção


ETA (Completa)
~

R1
\ _J) () A Hmáx ::; 30 m
(\

.t. H = 60m 6Hméd 120m


Bateria de

íl poços
profundos

L= 20 km L=Bkm lméd =4 kní

ALTERNATIVA B ALTERNATIVA C
ALTERNATIVA A Captação em manancial subterrâneo
Captaçãó em manancial superficial Captação em manancial superficial confinado
sem acumulação com acumulação

Figura 2 .1 3 - A va liaçã o co m pa ra tiva entre al te rnativas de m anan ciais

Solução

A lt er na ti va
fa to r de co m pa ra çã o Alte w at iya B A lt er na ti va e
A lt er na ti va A
Man~ncial de M an an ci al de Manancial
su pe rf fcie se m su pe rf íc ie com su bt er râ ne o
ac um ul aç ão ac um ul aç ão
** * **
Custo de implantação da tomada d'ág~a
* * ***
eq uipam entos eletro m ecan ,cos , *
N úm ero de
• exigindo manutenção ** * ****
Custo de aquisição das bombas ** * **
Con sumo de energia elétrica *** ** *
Custo de Implanta çã o da adutora *** ** *
Custo de Implantação do tratamento *** ** *
os qu ímico s np trata m en to
Consu m o de prod ut
, ** * ** *
Geração de re-síduos (lodo) rr~ tra t~m en to
podendo gerar imP.actos amb1enta1s ** * ., t
ça ** *
Riscos potenciais à saúde devidos Á presen
de microrganismos

83
Abastecimento de água para consumo humano

2 . - r % .r 17 a • • 1· : r • u : a ff a z· _e

..
3 • 2
. r r • - as a :si os a . n . a r : a - : - :

... ,· . , , , Fator de comparaçao · Alternativa


. , Ãltérnativa A ....Alternativa 8
Alternativa e -
Manàncial de Manancial de
superfície sem superfície com Manancial
subterrâneo
acumulação acumulação
• 2 0 • tJ1 • a a a • • a • o ;z a ,t

à
. Risc~s. p~tencíaís. s~úde ·d~~id~s à.pr~s~~ç~
de substâncias q,ufmicas .
Riscos potenciais à saúde devidos à pre·sença * *** *
de algas tóxic~s . .

***
4

Impactos amb1enta1s da exploraçao dos


recursos hídricos
Notas: (*) mais vantajosa;(**) intermediária;(***) menos vantajosa.
1 por lançamento de efluentes industriais ou agrot~xicos,_por ex~mplo
2 por ressusp,ensão no reservatório, quando ocorre 1nversao térmica
3 desde que não existam na estrutura geológica do subsolo
4 assumindo que existam conflitos de uso

sassumindo inexistência de conflito d:e uso

2.5.4 Características topográficas

A topografia local pode influenciar de várias formas a concepção do abastecimento. A


topografia do terreno localizado entre as potenciais captações e a área de projeto influen-
ciam, dentre outros fatores:

• as características da adutora;
• a necessidade de estações elevatórias e o correspondente consumo
de energia;
• a possível ocorrência de golpe de aríete e a necessidade de seu con-
trole.

Por outro lado, a topografia da área de projeto influencia a geometria da rede, poden-
do conduzir a diferentes alternativas de traçado. Cada alternativa pode se caracterizar por
uma específica divisão em zonas de pressão e em zonas de abastecimento, o que resulta
em diferentes custos, consumo de energia elétrica e complexidade operacional.
Essa situação é ilustrada pela Figura 2.14, em que, em uma mesma área de abasteci-
mento, a topografia conduz a duas diferentes soluções:

• Alternativa A: com duas zonas de pressão, três reservatórios e uma


estação elevatória com vazão equivalente ao consumo máximo de toda
a área;
• Alternativa B: co,m três zonas de pressão, dois reservatórios, uma
válvula redutora de pressão e uma estação elevatória com pequena
vazão (apenas suficiente para a zona alta).

84
1

R2
ZA' 'Z}A
1 ,
J ZB
LEGENOk
MT R1 MT R1
AAT: adutora de água
1
'
1 tratada

' 1
EE: estação eleva1ória
R: reservatório

..
-,-
ZA

1
ZB 1

'
VRP: válvula redutora
de pressão
"Zk. zona alta
f ZB: zona baixa
1 ZM: 2ona média
l[ 1
I
1

'

ALTERNATIVA A ALTERNATNA B

Figura 2.14 - Alternativas de zoneamento na distribuição condicionadas pela topografia

2.5.5 Características geológicas e geotécnicas

As características geológicas e geotécnicas ínfluenáam as condições do subsolo sobre


o qual tubulações e estruturas (captações, estações de tratamento, elevatórias, reservatórios)

serão assentadas e as soluções mais adequadas para as fundações, com repercussões
sobre o custo das concepções. A informação pode incJusrve determinar modificações de
localização de unidades (exemplo: evitar instalação de estruturas enterradas em regiões
rochosas).

2.5.6 Instalações existentes

Difícil mente, a comunidade sobre a qual se está planejando uma solução deixa d.e ter
unidades, a partir das quais o abastecimento é atualmente realizado. Uma avaliação cuida-
dosa dessas unidades, visando a seu aproveitamento, constituí uma tarefa central em um
estudo de concepção. Em uma primeira tentativa, deve-se considerar o máximo aproveita-
mento de tais unidades, pois foram impJantadas com recursos públicos ou a partir do
esforço da própria comunidade, merecendo portanto o devido respeito.
Para tanto, cada uma delas deve ser cuidadosamente cadastrada.,.com levantamento
l1 de suas características físicas e de seu estado .de conservação. Deve ser salientado que nem
sempre esta é uma tarefa simples, sendo geralmente muito compl1;tÍ<a gllfaoôQ.,S~ trata de
1 tubulações enterradas adutoras e redes. Nesse último caso, deve-S~ ~-~ rotet ·á informa-
ções dos operadores do serviço, sobretudo daqueles mais antlgo'i .s as\ ·rt011J.l.q,çQes
devem ser complementadas com furos de sondagem estrategicanieLJ; 'te i ~ , ej'g1ê.
·"
ªtil11>.S. ·.
\ ,_..) • !ti: - -
~ • •"'.'i
l '"". ~ ~··">' . ~'!·
l. .

85
Jf-
(t
'lt
e . .to não é raro ser mais razoável abandonar parte ou a totalidade das .
l Ent ret an , . . d t . t un, da d
l
exist,entes, por um ou mais dos seguintes motivos, en re ou ros: es
.
t
• '-Uptaçao, estação elevatória de ádgua bru~ ~·a~ut~ra de água bruta
de mananciais a serem abandona. os, por .e ,c1 nc1a de quantidade
ou por comprometimen~o da quahd~de'. . . .
• adut oras e red ·e com diâmetros muito 1nfer1ores aos necessários na
..
· , o
justificando duplicações; . . .
• estações de tratamento e/ou algumas de suas unidades 1ncornpa-
tfveis com a qualidade da água e/ou com os avanços tecnológicos
da área; d .
• reservatórios posicionados em cotas inad~qua ~s, ~UJO apro~ei:amento
poderia conduzir a um zoneamento ant1-~conom1co da dtstr,buição,
ou com volume muito inferior ao necessário;
• estações elevatórias mal posicionadas ou com dimensionamento
muito distante do necessário;
• estruturas em péssimo estado de conservação, próximo ou já tendo
ultrapassado sua vida útil;
• tubulações em péssimo estado, com corrosão ou incrustação exces-
\

s1vas.

2.5.7 Energia elétrica

A disponibilidade de energia elétrica constitui um item essencial na formulação de


alternativas. A ausência de energia elétrica, que pode ocorrer em comunidades mais dis-
tantes e de menor porte, demanda soluções para bombeamento de água e iluminação
com o uso de alternativas energéticas, como o exemplo mostrado na Figura 2.15.
Além disso, as despesas com energia elétrica vêm se constituindo em um custo muito
elevado dentre as despesas de operação de uma instalação de abastecimento de água. Na
maior parte delas, inclusive, constituí a maior parcela das despesas operacionais, conforme
o gráfico da Figura 2.16, extraído de painel afixado na ETA Rio das Velhas, na Região
Metropolitana de Belo Horizonte, podendo-se perceber a elevadíssima participação (63º/o)
das despesas com energia nos custos do sistema de produção, que apresenta elevadas
alturas manométricas nas estações elevatórias existentes.

86
....

Concep~o de Instalações pc>ra o abastecimento de água t Capitulo 2

Sol

Módulos solares
fotovollãlcos

Controlador Lâmpadas
Controlador Fluorescentes
Inversor e.e. de carga
Painel de ~w
+- e.e. Inversor controre
O ,
1 •

e.e. Corrente
Poste
l e.e.
"--'Alíem:da c:f.
Baterias

Reservatório
~- -.:· ' ~, 21" Cl::éill
+- +- +-
deãgua TV colorida

Abastecimento Lâmpadas
'frlUblico doin,éstico - Fluorescentes
11W
í
===n::~.l.. ~
CA. .,(Rádio
e.e.

preto e branco
'
Cisterna
~ ~ !3.. •
alternativa

'

'
1

· Figura 2.15 - Alternativa de fornecimento energético por energia solar fotovoltaica para pequeno
sistema de abastecimento de água
Fonte: COPASA (1998)

Sistema produtor Rio das Velhas


custo por metro cúbico (R$/m3) agosto 2003

0,0188 0,0012

0,1116 •

• Prod. Quhllco • Serv. Terceiros D Energia elélrica


l]Cusbhafm •Mablais a Pessoat

Figura 2 .16 - Sistema produtor Rio das Velhas, Distribuição proporcional dos iten~ de. d~~ijt sâ:. . .
• • . f •
,-.,-.,.,-

. .
' . consumo
Abastedmt nto dt j gui Jllrl ·
hr..unano

. . ·d·
rtante a ser cons1 .e ·rado é a atual lóg.ca da · rara r ária do setor
Outro f ato tmpo d'f· enc,açao
. __ de ta.:.tas
. ,,,, em função da ora e do
. pe-- :>do de consu-
I
ef'étrico, que estabelece efi . f., • ho·~::a7onal Reso -.,ção EEL 45612000). Nessa
d st tura tar1 ana JU-.HLA-
mo, a chama a e__ru "f t tarifas para horário de ponta composto por três
estrutu~a, .são def1n1d~s d, ere:: feita aos sábados, do.., rgos e ~eriados nacionais- - e
horas dránas co~secutivas, .e~~d~ período de ànco meses, de dez.ernb~ de tim ano a
fora de ponta, período u , d seco pen'odo de sete meses. de ma,o a novembro
. -· t e per10 o ·
abril do ano segu1n e. tarifa (horário de ponta; período seco e a . r horário fora de
A relação entre a maror . . d 2 5 depen a o essiooária e da
ponta; período úmido) pode se aproXJmar e • ~
classe de tensão. ., . nnA-a ~ .. · +-.- · 1· -
Logo, a estrutura t ar1'fá·rra . concessionana,focal ~. ,. . er , . porran~
· da - rmp 1ca{oes. na
.
· · ·
concepção dos sistemas, pr11nc1 · ·paimente no penodo
., . d1ano de ;unconamento
,............__... das un,da-
. ~.
- Sobre este u, lti'mo ponto, e ,m~
des, e na sua operaçao. '""""~ri1e
• ~ 1ll.ftcu q~.as _ concess1
. onanas
cobram uma elevada tarifa de ultrapassagem, quando se o e ma energia do que
aquela contratada para os diversos horários. ~ . .,. _
Por essas razões, deve-se avaliar atentamente o rator energ.a elemca na formulaçao
de alternativas de concepção. Do ponto de vista econom·co, essa parcela de despesas
pode condenar alternativas aparentemente convenientes ou · bilizar outras que pareçam
desfavoráveis.

2.5.8 Recursos humanos

Importante análise na concepção de alternativas ,é o se requerimento de recursos


humanos especializados, muitas vezes não encontrados na região ou demandando ativida-
des de capacitação e de supervisão.
Assim, deve-se partir da premissa de que os serviços de abasteci ento de água neces-
sitam de equipe com uma quantidade mínima de pessoal e com um níveJ míni'mo de
qualificação, para atender serviços como o de construção civil, hidráulicos, eletrome-
cânicos, operação do tratamento e administrativos.
Porém, quando a especialização demandada for incompatívef com o porte e a locali-
zação do sistema, isto pode colocar em risco a continuidade e a qualidade da prestação dos
serviços. Essa situação pode ocorrer, por exemplo, quando são pre istos processos comple-
xos de tratamento, equipamentos eletromecânicos com operação e manutenção especiali-
zados, uso de produtos químicos de difícil manuseio. sofisticados disposimos eletrônicos e
de controle e automação. Logo, a previsão de tais soluções necessita ser prévia e cuidado-
samente avaliada .
.Por outro lado, quando se compara mais de uma alternativa e estas requerem diferentes
cont1n~entes de pessoal, em termos de quantidade e de nível de especialização, esse fator
necessita ser considerado.

88

Ili-......_

para o abastecimento de água I Cap itulo 2


Concepç3o do lnttalaçõas

o n ô m ic o -f in a n c e ir a s
2.5.9 Condições ec

m c o m o o p ri n c ip a l fa to r p a ra
l q u e a s p u b li c a ç õ e s s o b re sa n e a m e n to o c o lo q u e
É us u a d o é : o s c u s to s d o s is te m a
ic a . O ra c ;o c fn io e m g e ra r u tili z a
a esco íh a d e u m a s o lu ç ã o té c n e ja , o
a m e n to d o s b e n e fic iá rio s . O u s
v e is c o m a c a p ac id a d e d e p a g
devem s e r c o m p a tí d o s a o s s e u s c u s to s
s to s d e im p la n ta ç ã o , s o m a
sistema de v e s er im p la n ta d o ca s o se u s c u
m e q u iv a -
rm in a d o a rc a n c e d e p ro je to , s e ja
to ta íi z a d o s a o lo n g o d e u m d e te
operaciona is , e te rm in a ç ã o d a s ta ri fa s ,
n o m e s m o p e rí o d o . E , p a ra a d
lentes à to ta li z aç ã o d a s ta ri fa s d o ta
u m a c o m p a n h ia e s ta d u a l qu e a
e fi n id a s, c o m o n o c a so d e
quando e la s n ã o s ã o p re d
dis p o s iç ã o a p a g a r' ' d os
m a s , é a d o ta d o o c o n c e ito d a ''
n ic a p a ra to d o s o s s·e u s s is te
tarifa ú
usuários. o e xtr e m o , re s u lt a e m s e r v i-
e s s e ra c io c ín io , p o is , (e v a d o a
De v e-- s e te r c a u te la c o m e fic ia d a :
e r a q u is it iv o d a p o p u la ç ã o b e n
e d ife re n te , e m fu n çã o d o p o d
ços de q u a lid a d se rv iç o s d e s e g u n d a
lt o n ív e l; p o p u la ç ã o p o b re c om
o ri c a c o m s e rv iç o d e a
populaçã g o , o p o d er a q u is it iv o d a p o p u la ç ã o
é , e vid e n te m e n te , s e m é tic a . L o
categori a . T a l ló g ic a e n to d a re n d a
s o lu ç ã o . A liá s , o c o m p ro m e ti m
e s e r fa to r c o n d ic io n a n te d a
não dev u s u a lm e nte já é m a io r n as re g iõ es
m e n to d e ta ri fa s d e s a ne a m e n to
familia r co m o p a g a 2 .3 , n a q u a l s e
b re s , c o m o il u s tr a d o n a T a b e la
d a s p e J a s p o p u la ç õ e s m a is p o
ocup a a re g iã o N o rd e s te , q u e te m a
e ti m e n to n o B ra s il é m a io r n
observa q u e o c o m p ro m e m vis ta d a s
S u l o c u p e a s e g u n da p o s iç ã o ,
d a m é d ia , a in d a q u e a R e giã o
menor re n
tarifas mais elevadas.
ta rifa s d e a b a s te c im e n to d e
ti m e n to d a re n d a fa m il ia r c o m
Tabela 2.3 - C o m p r o m e
m e n to s a n it á r io n o B ra s il
água e esgota end a
Renda fa m il ia r Tarifa/r
Consumo médio Valor da tarifa (%)
Região média mensal
(m /mora1dia.
3 de á g u a +
(R$)2
mês) esgoto {R$)
1.013 3,27
18 33
Norte
3
728 3,86
14 28
Nordeste 1.428 2,95
17 42
Sudeste 47 1.263 3,73
Sul 13 1.332 2,76
15 37
Centro-Oeste
1 Fonte: PMSS; SNIS (2002)
2 Fonte : IBGE; PNAD {200 3) ia, A cre, A ma zo na s, Roraima , Pará e Amapá.
u la çao rural de Ro ndô n
3 Excluído o re ndimento da po
p
Extraído de ASSIS e t ai. (2004)
o s e co nô m ic o-f in a nc eiro s c o n s -
cis ã o e n tre a lte rn a tiv a s , o s e stu d
Po r o u tro la do , n a d e d e d ec is ã o .
ú n ic o s , n o p ro ce s s o de tom a d a
e nto fu nd a m e n ta l, e m b ora n ã o
tituem e lem as alte rn a tiv a s q u a nto (i) à s
c o ns id era ç ã o a s d ife re n ça s e ntr e
Esses e stud o s d ev em le va r e m c om e n e r-
p lo ra çã o , q u e in clu e m de s pe sa s
la nta ç ã o e (ii) à s d e sp e s as d e e x
desp esa s d e im p no a a no e e m g e ra r
e ss o a l. E s tas ú ltim as inc id e m a
a , pro d uto s q u ím ic o s e p
gia elétric

89

-

variam segundo a vazão pro~uzída ou ~ população beneflcl d ' d. v ncJo t t lJf1\ld r.

2 2
econômico, conforme Exemplo · ·

Exemplo 2,2

consíder~ duas alt~rn?t!v~s de concepção. A prlm Ir cJ . mtflcJ u,n


custo de ,mplantaçao 1n1c1al de ~$ 1~0.000,00 d<•r,p \ti eorn , 11 r
gía elétríca de R$ 6.000,00 no primeiro ano, cres · neto ,1 llfllit 1,,1< J

com energ1a no pr1me1ro ano de R$ 2.000,00, era e ndo · rn ,' fT\e1ttJXc)


Qual tería o menor valor presente para um período d 1 11 , on 1·
derando uma taxa de desconto de 11 °/o ao ano?

Solução

A segunda alternativa seria a mais econômica, con·form l b I ulr:


• 6
• a E
ALTERNATIVA A ALTERNATIVA D
Ano Despesa de Despesas com Valor Despesa de Da1pa~n• com V lar
implantação energia elétrica Presente (VP), implantação on rgla I trlc
a ma Pr ,11nt1(VP)1
o R$ 120.000,00 R$ 120.000,00 R$ 150.000,00
7

f\ ~ 111() ()00,00
LJ

1 R$ 6.000,00 R$ 5.405,41
R$ 2.000,00 R\ 1 U01,80
2 R$ 6.180,00 R$ 5.015,83
R:&l .OC,0,00 R1L 1 t> /1,94
3 R$ 6.365,40 R$ 4.654,33
1,i , .1) 1,80 f{$ l .',11,44
4 R$ 6.556,36 R$ 4.318,88
íl$ J 1a1,,4,1)
1
f{$ t .tl ~9,6
5 R$ 6.753,05 R$ 4.007,61
R$ J,}'11,01 R$ 1 ~1;1SI
6 R$ 6.955,64 R$ 3.718,77
7 R$ 7.164,31
R J .i 1R,~~
1
~ 1t$ 1.J 1CJ,!.,9
R$ 3.450,75
8 R$ 7.379,24 R$ 3.202,05
"' , .Jaa,; o Jl'& 1.1~o,,s
9 R$ 7.600,62 R$ 2.971,27
R!6 J.4'J'>,l ~ "~' 1.0ú/,3~
10 R$ 7 .828,64 R$ ) .11 11, ','1 R$ 990,42
R$ 2.757, 13
11 R$ 8.063,50
R(G ; .C,Cl'>, ,,,, íl$ C)19,04
R$ 2.558,41
t,$ 1.bl! l ,BJ fti&
12
13
R$ 8 .305,40
RS 8.554,57
R$ 2.374,02
R$ 2.202,92
R$ i. /b8,4 I ª~'·ªº
f\ 16 /91,~4
14 R$ 8.811,20 !'\$ ) f\ 111,i,, Ri /341 ,
1
R$ 2.044, 15
15 R$ 9.075,54 R$ 1.896,83 Ri i '111, OI R11 (161,38
Total
'
' •• R$ 170.578,35
•a, • ._
R$ !.OJ ~,1O
"I' úiJ ,28
RS 16GzBS9,45
1
4 1 ; S.

1 1

' VP = (1 + I.)t , onde.r -- taY.a de d esconto ou "taxa de Juros
. ,,
e t =ten1po.
,
1
(

90
\

Concepçao de Instalações para o abastecimento de água I Capftuto 2

Nem sempre a análise econômica mostra claramente a alternativa a ser adotada, em


vista dos outros fatores a serem considerados. Nesse ponto, um importante problema na
concepção do abastecimento de água é o da localização da ETA, quando a captação se dá
em manancial de superfície: se junto à cidade (ver Figura 2.25) ou se junto à captação (ver
Figura 2.26). Apresentam-se a seguir possíveis vantagens da localização da ETA junto à
cidade:
• redução de despesas com transporte de funcionários;
• redução de despesas com transporte de produtos químicos;
• possível economia na implantação de vias de acesso;
• maior visibilidade do sistema para a população.

Por ou,tro lado, as possíveis vantagens de localização da ETA junto à captação seriam:

• maior facilidade de operação, já que a captação e a ETA seriam centra-


lizadas, podendo implicar redução do custo da mão de obra;
• redução dos custos de adução de água até a cidade, uma vez que a
parcela de água consumida na ETA (lavagem de filtros e decantadores,
preparo de produtos químicos etc.) não necessitaria ser transportada
até a cidade;
• redução dos gastos com o esgotamento da ETA, já que o corpo re-
ceptor estaria próximo da estação de tratamento;
• possível redução de despesa com aquisição de terreno para implan-
tação da ETA, que em geral é menos valorizado nos locais mais distan-
tes da cidade;
• menor risco à população residente na cidade quanto a vazamentos
acidentais de produtos químicos, como o cloro.

Em geral, em sistemas de menor porte, a ETA costuma ser localizada junto à cidade e,
em sistemas maiores, essa locarízação depende de uma análise apurada, que muitas vezes
indica a localização junto à captação.

2.5.10 Alcance do projeto

Outra decisão importante na concepção de instalações de abastecimento é o seu


alcance no tempo, ou seja, para até que ano serão concebidos e dimensionados. Não se
trata de uma questão de menor importância, pois, sob o ponto de vista econômico, dife-
rentes alcances podem determinar diferentes desempenhos financeiros.
Assim, em empreendimentos de maior porte, é justificável que, na fase de concepção,
sejam desenvolvidos estudos econômico-financeiros comparando diferentes opções de al-
cance, cada qual devendo ser pré-dimensionado e avaliado financeiramente, conforme

91

-------------·- - --·.
consumo humano
Abastecimento do Aguo pata

. . alcance de melhor desempenho econômico seria O


2 5
mencionado no item · · · 9 0 • (CM) ou O menor "custo necessário para a que
apresentasse menor custo margina 1 . produção
de um m3adicional", obtido segundo a fórmula .
LVP(investimento)

Para sistemas de menor porte, pode ser fixad~ um determinado alcance com base no
bom senso do projetista. Este valor, em geral, osola entre~ e 12 anos, co~ média de 10
anos, devendo ser menor quando se adotam taxas de crescimento popufaoonal maiores e
se suspeita que estas podem não se realizar.
Além da definição do alcance da primeira etapa de proj~to, é importante pensar na
expansão do sistema, ou seja, na capacidade das etapas posteriores. Isso deve ser realizado
planejando as unidades de forma modular. Por exemplo, se a primeira etapa demanda um
volume de reservação de 500 m3, em uma determinada zona de pressão, pode-se pensar
3
na implantação de dois reservatórios principais com 250 m de volume cada e, dependendo
da projeção p.opula~ional, se prever reserva na área a ser desapropriada para a implantação
de uma terceira unidade de mesmo volume.
Maior desenvolvimento do tema pode ser encontrado no capítulo 3.

2.6 Normas aplicáveis

A norma
úblicos de ab NBR ª
t · 12 ·211/1989 d ABNT trata dos estudos de concepção de sistemas
P as ec1mento
"estudo de arranjos b de água 5 d °
· :gun essa norma, estudo de concepção é um

' as e modo
concepção básica ,, Cone . . . b, . a f orm ·
arem um todo integrado, para a escolha da
· epçao
econômico, financeiro e soe· ,, P as1ca é Ih
11
-
ª me or soluçao sob o ponto de vista técnico,
ia
estabelece que devem ser ab d 1 . ara o desen 1 ·
vo vimento do estudo de concepção, a norma
or adas os seguintes aspectos:
•• a- eon f'iguração topográfica local.
as características 1 . '
• os consum·d -. geo óg1cas da região;.
- 1 ores a ser
• a quantidade d em atendidos;
•. ª integração
· e água
do · t exigida
. e - .
as vazoes de dimensionamento;
s1stema,. sis ema existe nt e, quando é o caso, com o novo

• a pesquisa e a definição dos . .


· mananc1a1s abastecedores;

92

zz E- - - - -
eonrDpçOo tJQ lnstnln~õas para o abastecimento de água I Capitulo 2

• a demonstração de qu o "I ·t m 1Jroposto apresenta total compatí-


bifidade entre suas parlas;
• o método de operac;ao do slslClma;
• a definição das etapas da implcJnlüç:to;
• a comparação técn lco·aconôrnicd das concepções;
• o estudo de viabili dade aconõmlco-flnanceira da concepção básica .

Tais elementos são convenien·temente detalhados pela referida norma, embora alguns
aspectos estejam desatualizados. A NBR 12.211/1 989 é complementada por três impor-
tantes anexos:
• '' Utilização dos elementos cartográficos ", com definição das escalas
adequadas para cada fina lidade.
• '' Características básicas dos sistemas existentes'', fistando os dados
mínimos dos sistemas cxistentas a serem levantados.
11
• Avaliação de disponibi lidades hfdricas de superfície'', com orienta-
ções de procedimentos para 'tais avaliações.

Além dessa, as seguintes normas da ABNT aplicam-se de forma mais ou menos direta
à concepção das instalações para o abastecimento de água:

• NBR 1.038/1986 - Verifica ção de esta nqueidade no assentamento


de adutoras e redes de água.
• NBR 12 .212/1990 - Projeto de poço pa ra captação de água subter-
,.,
ranea.
• NBR 12.213/1990 - Projeto de captação de água de superfície para
abastecimento público .
• NBR 12.214/1990 - Projeto de sis·tema de bombeamento de água
para abastecimento púbJíco .
• NBR 12.215/1991 - Proj eto de adutora de água para abastecimento
público.
• NBR 12.216/1989 - Pr·oj eto de estação de t ratamento de água para
abastecimento público.
• NBR 12.217/1994 - Projeto de reservatório de distribuição de água
para abastecimento público.
• NBR 12 .218/1994 - Proj eto de rede de distribuição de água para
abastecimento público.

Acrescente-se às normas da ABNT a Portaria MS nº 518/2004, referente .à qualidade


da água para consumo humano, que fornece importantes orientações para a concepção e
o projeto de instalações de abastecimento de água,

93
t

~7
. A sequ
..
e
,.
n
, . . d o p roc es so d e c o n c e p ç a o
-
2 5 .. •
'
~ 1a
5
_. . , . . .. . .~
- • l

·nst a• ~ r5 o de abastecim ento de água para o atendím e


A concepção de uma dada '
- . _a se q ..
~ê f t - .
a uma comunidade requer um n cia cu ida do sa d e o rm u aço es, vi sa . nt
nd o à defin·, "'o
· · _ is ad e
·..
q
,u a . ·
por aquela concepçao que ma da e co nve n ien te se Ja p a ra a re a 1. <;
idade em co nsi d. ao
.. · ·
b Ih d ser tão mais completo e deta1ha d
raçao. Este tra a o eve o quanto menos clara em unne-
. ... . . . e apresen1:a asolu r;io A Agura 2 .. . ' a
ava ,açao 1n1c1a1, S - - Y" " ~
.1 7 m ost ra uma sequênci a a ser se guida
em 'análises desse tipo, prevendo as seguintes eta
pas:
.) tame n to d a s c a ra c te rí s ti c as fí sicas,
( 1 1eva n . m e d ia n te v is it as ao
campo, o b te n ç ã o d e inform a ç õ e s ~1 ~p o n , · 1 t .
1ve1s e e v a n a m e n to s to p o-
gráficos e geot écnicos, se necess a ri o
s; . ... . .
(2) le v a n ta m e n to d a s c a ra c te rí st ic
a s so c 1 0 :c o n o ~ 1 c a s, m:d1an.t e
visitas e levanta m e n to s d e campo e
o b te n ç a o de 1nformaçoes dis-
poníveis;
(3) levantame n to d a s característi cas
d e m o g rá fi c a s , com base em in-
formações do fBG E, da p re fe it u ra m
u nicipal, d a concessionária de
energia elétrica e de órgãos de plan e
ja m e n to , p o r exemplo;
(4) levantamen t o d o si st e m a ex ist
e n te , p o r m e io de in fo rm a çõ es
locais e cadastro, a te n tan d o-se p ara
o le v a n ta m e n to d o estado d e
conservação e f un cion amen to d as u n
i dades ;
(5) pesquisa de mananciais , com b
ase em mapas geológicos, na car. .
tografia local, em informações d os mo
radores e no levantamento da s
fontes atualmen te u ti lizadas;
(6) cálculo da de manda, conform e
det alhado n o capítulo 3:
(7) estimativa das vazões mínimas,
c o n fo rm e d e ta lh a d o nos capitula s
5 e 6;
(8) definição do alca nce do projeto, con
forme descrito no capitulo 3;
(9) definição das vazões de p ro jet a
i c o n fo rm e c a p ít u lo 3 ;
(1 O) definição das alt ernativas, q ue po
dem referir-se a to d o o sistema
ou a unidades específi cas, c o m o ad u to ••
ras, estações elevatórias, trata-
mento ou o siste ma d e d istr ib u iç ão;
(11) anteprojeto e p ré -dimension am e n
to d a s alternativas, abordand o
cada unidade em um nível q u e p e rm it
a estimar custos;
~12) avaliação econ ô mica d a s alte rn at
ivas, in c lu in d o as despesas com
1mpla~~ação e operacion ais ao valo r pre
sente, p o d e n d o incluir estudo
espec1f1co para definiç ão d o alcan ce in
dividual de unidades·
(13) avalia~ão das_va n ta g e n s e d e sv
a n ta g e n s d a s alternatí~as, sob o
ponto de vista social, cu lt u ral, d a afi nidade d
a solução com a realida . .
de local, amb ien tal, dentre o u tro s as,p
ectos;

94
(14) escolha da concepção do projeto, dentre as alternativas avõlJ d
ou a adoção de uma combinação entre alternativas e com bas . no~
passos (12J e (13};
(15) estudo econôm ico e determinação das necessidades tarifár1 t1 ,
comparando·se as despesas em valor presente e as receltas potcr1 <fdí;,,
considerando a estrut ura tarifária vigente e o perfjl de consumídor__
(residenciais, comerciais, industriais e públicos, nas diversas fafxc1s d
consumo) existentes;
(16) descrição da solução adotada, mostrando-..se uma síntese de cad
unidade, com suas características hidráuJicas e dimensionajs mals
importantes, de tar forma a comunicar ao leitor do documento a soluc;ao
recomendada, que será objeto de busca por recursos financeiros e/ou
elaboração de projetos.

2.8 Arranjos de instalações para abastecimento de água

Conforme já mencionado, cada localidade, mesmo aquelas de porte muito pequeno,


é única em termos da solução para seu abastecimento de água. Por isso, não se podem
propor projetos-padrão para sistemas que sejam adotados para todas as focalidades que se
enquadrem em determinados critérios, embora seja conveniente a elaboraçao rde projetos-
padrão de unidades, como captação em poços, estações de tratamento, reservatórios,
instalação de ventosas e descargas em adutoras.
Apenas com caráter ilustrativo, este item inclui um conjunto de 13 arranjos esquemá-
ticos de instalações para abastecimento de água, mostrando a variabilidade de situações
existentes e as muitas possibilidades de soluções .


95

-~------------------~
f

...,_ ·
Abast•~,,•n -to d• ,nua
• - p1r• '
c:.on••rmo
..... , - hurn•no

Levantamentos

' - 4. Levantamento do
sistema existente

3. Levantamento daS·
çara<ütCeJtcaa
demc,v-nfficas
1
.,
6. Cálculo da demanda 7. Estimaüva das v ~
1

mínimas

'
8. Definição do alcance
de pro]eto

9. Definição ·das vazões


de projeto

para o sistema
1o. Formulação das
alternativas
_ para unidades e,pecif,ca,

11. Ant~ptojetô e pré--
dimenslónamentó das
alternativas

1
12. Avaliação econômica 13. A_v,aliaçm, das
das alternativas antageóif~11desvantagen
'dás ralternãtivas
1
,.
14. Escolha da
concepção do projeto

15. Esludo ,econômico e


detMTJtaaglo ctas
necesslêtaêtesltãrifárias

16. Descriçã_
o éfa solução
·adotada

Figura 2.17 - Fluxograma para desenvolvimento de um estudo de concepção

96
. . ·..-. . ....
. .. ...,,. .....-.. ,.. . ,., .
~

'
·, • ,•
_F

~

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,• -•':*' .~ -
· ~';W
U ,f ·
\';;
'- •
!1~-
...,·,e. •• , . ., ' , ... •
ConcepçAo de instalações para o abastecimento de água I CaP,ftufo
• 2



Reservatório predial
• •


• ... .


••


,

N. A.
-"
~------1t- Clorador por difusão

r--- Bomba submersfvel

Poço raso

Figura 2.18 - Solução individual com poço raso


Calha de coleta
de água da chuva • • •

Abertura de inspeção
e 1
L ~ •

N.A.
avasor ••


- • Registfu

Consumo Tenêlde
•• !
• ·. 50 fítros
• ' .
,6
•• .' .

., . .
@tiflltêi«mfi 0,5 cm ALTERNATIVA
"-de ãiarnetto
. .,. .
'
;

. · figura 2.19 - Solução.individual com captação de água de chuva e clor~ção d!>miclliar


- . .
Fonte: DACACH {19!i0) . . . '
, '. .. ·.

97
. CHAFARIZ

• _ _ _ _ _ .. , , pn .
...- .·- -

__.................--·. - ., ..-.-
....

,.
.
POÇO
•1
'
Clorador por ., . . :j FRÉÁTICO
;' difusão

1
l

1
1

20 - Chafariz com bomba manual sobre poço freático


Figura 2w
Fonte: adaptado de DJS-.SSA (1980}

• • • • •• •

..JN. A. •


Reservatório


• • • • • • ••


t • •

!
!}
1







• ~Chafariz
' •
••
• •

• •
!'


Figura 2.21 ... Chafariz alimentado por reservatório elevado
' Fonte: DACACH (1990)

'

98

f ·n ,r o - ,
Coneepçao de lnnalaco~ para o abastecimento de água I Capítulo .2

Rese,vatõrio predial
--

.. . ...

••

Agua potável .




• •

Figura 2.22 .. Fornecimento de água par camlnhao-pipa

Fonte de encosta Reservação


/ ·~
.,
, 1 "'\
·> I Distribução
"- ~

Adutora de égua bruta Cloro/~ 1

e. aptação
Flúor

Figura 2.23 - Captação em nascente com aduçao por gravidade

Mananclal de serra
(Pro\egldo)

- Pequena barragem para tomada d'ãgua

Desarenadores

.. Flúor

Rio Fiitrai \
lentos Cloro
Reservação

AAT: Adutora de égua tratada Rede

.
-
. .•:.... .--~··'\\::---
. ~, ,· .. ·,.
,:.,-

- : ~ ; .·
. ...

.
•• •
-· ...
•• l-

-..
(•' .
,,
.

Figura 2.24 - Captação em manancial superficial, aduç4o por gravidade e filtros lentos
~ •
• •,
' 1

99

Cloro l iFl'1or
Tanque de ·- - ~......~ . - - - - - - " 1 ~ Resetvat6rio
contalo

AAB2

PóçoP2
AAB : Adutora de água bruta
PoçoP3 \

PoçoP1

PERFIL

Figura 2.2s .. Baterla .de1,pa~os•.,concentração em tanque de contato/reservatório, distribulc;ao por


gravida-de (p~rfil) ·

Tanque de contato
Poço P1
Flüor Rede de distribuição
AAB

PoçoP2

l Cloro
-


AAB2 '

• •

PoçoP3

,,.,. 1
1 • •
PLANTA
Figura 2.26 - Bater.ia;((:je ·p~1~s,, ~ ncentração em tanque de contato/reservatório. d\str\buição por
'
1
gravir:{aélê·(pJa:mta):



1
\

1
'
'·.
~

\
• •

.. .••

'
i

100
ConceP(âo de fnstalações para o aba\Steámento de·água I Ca,>Jturo 2

Reserv.atório
elevado
Reservaçao ' .
1
Tratamento e recalque ·.1\\ Adutora- de ,,
Estação
ete\tatória~
-- --- ;...:=::::==:::::. =======~
.

água tratada
N. A.
'-:--::::==---:+,r-+,
p~:lt::=::;~
'-. Ada uto.ra de
Adútóia de
água 1rafada Zona alta//
\ ,,..-.,..
xn ·.AA'
J 1J L
- guabruta
'
\ Zonabaixa
\_Tomada de água
com grade e -
caixa de areia PERFIL

Rede de distribuição ,,,


Reservatório
. ~/
elevado , .

Esta~o Adutora de
... elevatória Tratamento Reservação
água tratada - -
[;,

---=
i:: " Affutõrã1de
ereca~
Zona alta ~·
/

'
,, ...... água ·bruta ·
Adutora de ' -: .,_"
.

To~~à água
\.-: com grade e
calxà de areia
' água tratada ' Zona baixa

PLANTA

Figura 2.27 • Captação em manancial de superfície e rede de distribuição com duas zonas de pressão

Reservatório
--

ETA =-
- - - EEAT
li-., -
........=
- i,.-_
_ -

~~"1-J'EEAB
'
Captação
PERFIL

Rede de
dístribulção
Reservatório
EEAB. ETA
EEAT
·' ~ .,f

- '
AAT '
,-\ IL..--L----'

Càptação
PLANTA

Figura 2.28 - ETA junto à captação com reservatório único (perfil e planta)

,

- .','•
. .
·>
.. .

101
r

tn 10 da ig u a p ir a co ni um o humano
Ab1stedm

CAPTAÇAO NA SERRA
COTAm>
I
COTA40
LP DA VRP. 2 (ENTRADA)
.... CO;A1o

LP OA VRP • 2 (SAIOA)

P -1 V R P -2
E = 110 m
S=30m
COTA10
E=110m
s =40 m

EXEMPLO REAL
UATA TUBA • SÃO SEBASTIÃO
CARAG

v~Jvulas redutoras de pressão (VRP)


or gravidade com emprego de
Figura 2.29 - Adução/distribuiçao p

Reservatório a Implantar
;:::i .

Rese,vatórlo
exJstente

ETA EEAT
-- .,_____- =--

11'!9

D ;: ri :::
.

.
r
PERFIL


'


l.

102
' "
Concepçao de Instalações para o abastecimento de água I Cap(tulo 2

Reservatório
de jusante
ETA Reservatório r.:::I
de montante

-- ....
-
lr--"""'1
~

D _.1 ,
!,

=
...

· · Captação
PERFIL

Reservatório
deJusante \
1
1
-
~
,
1~
Rese,vatório
de montante \ ~
EEAB ETA - ~

!

l
<
1
-
' _,;
' - AAB / ....

.... ',, 1 •

1 .
) I e
' ~

- '.
;,,
- - Reservatório
"

.
·captação 91 ..........__ '
'r de jusante
'<.. '
-
fj Reservatório
1
--- •
de Jusante

PLANTA
Figura ·2.30 - Sistema com reservatór'ios de jusante (perfil e planta)

Z-1 .
ReseNatório . '
.
'
ETA a Implantar .
:EEAB EEAT .
1
...
.,. . .
)'' .... ,
.
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--
. .

,'~
t

·! j
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' ~ '1
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. . J
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L.
.
, "ci~ptação ' 1 ., ' .
' . r ••
.
1
' . • • .
• • •

'

Res~ivaf6.rio
exis.tente
PLANTA
Figura 2.31 - Sistema com reservatório existente condicionando a configuração da rede de distribuição
(planta)

• t .,
.... .
. •
.....
. •
'·, .? ,. .• . ..

. ' .'. . ...


. .'

103

----------------- -----------··.
-
J

n,uma 11,1m1nu l
AIJif l t l(lll fl d · QIJ P,IT

pr
.. - ~
etos

s1in lulndo levantamento topográficos e geo-


"'
( 1) , rvt o u .mp-.,, ,
t nl o'\ . cl tro do ~i t ma existente;
( , tudo d onc pçao; , ..
. n olld O do e tudo de concepção, mu1~s vezes nec~ssáno,

tud d , con pção até o Início do proJeto,, .


(4) proJ, to bit 1 0 (pro] to hidráulico, elétrico e orçamento de obra
d t Ih do); .
( ) proJ to x utlvo (projeto estrutural e detaJhamentos complementares);
(6) contr taç .o (flcitac;ao) das obras;
(7) qut 1 .o cJ materlai e ,equipamentos;
(S} x :icuçao d obra ;
(9) ff callzaç o d obras;
(1 O) op r ç ,
,,,,.L, ri J _cion rn conforme o cronograrna hipotético expresso na Tabela 2.4.

Tabela 2,4 ., Diagrama hipotético das fases para implantação de uma instalação de
abastecimento de água
í E ;E 7 ·- a· ( bJ J E 7
a 2 as

A equipe n cessáría par bem conduzír um empreendimento de abastecimento de


água, pecíafmenua os de rnafor porte e de rnaíor complexidade, deve ser necessariamente
muft1díscfpJinar, Corno referência, Okun e Ernst (1987) defendem que um projeto de ab.as-
••
tecimento de águ requer con'tribuições de pessoas com conhecimento e experiêncíª em
díver: campo , mo! · -
J
1

104
Concep~o de instalações para o abasteàmento d~ água J Capítulo 2

• demógr·afo, na estimativa populacional;


• topógrafo, para os necessários levantamentos planialtimétricos;
• .hidrólogo e hidrogeólogo, na pesquisa de mananciais e estimativa
de vazões disponíveis;
• engenheiro sanitarista, para avaliação da qualidade da água dos
mananciais, seleção da mais adequada tecnologia de tratamento,
arranjo do sistema e estimativa de custos;
• economista, na avaliação econômica de alternativas;
• especialista em desenvolvimento institucional e de recursos humanos;
• especialista em comunicação e comportamento humano, para
estimular a participação comunitária;
• especialista em saúde pública.

Podem-se ainda incluir profissionais da área de engenharia de estruturas, geólogos e


outros; dependendo da com piexidade do empreendimento.

Referências e bibliografia consultada

ASSIS, A R.; GUIMARÃES, G·. S.; HELLER, L~Avaliação da tarifa dos prestadores de serviço de abastecimento
de água e esgotamento sanitário no Brasil. ln: XXlX CONGRESO INTERAMERlCANO DE lNGENIER{A SANITARIA
Y AMBIENTAL, 2004, San Juan. [Anais eletrônicos...] San Juan: AIDIS, 2004.
AZEVEDO, E.A. Exdusão sanitária em Belo Horizonte-MG: caracterização e associação com indicadores de·
saúde. 2003. 175 p. Dissertação (Mestrado em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos) - Escola ·de
Engenharia, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2003.
BASTOS, R.K.X.; HELLER, L (Coord.) Boas práticas no abastecimento de água: procedimentos para a
minimização de riscos à saóde. Brasília: Ministério da Saúde, 2006. Em impressão.
BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria MS nº 518/2004. Estabelece os procedimentos e responsabilidades
relativos ao controle e à vigilância da qualidade da água para consumo humano e seu padrão de potabilidade,
e dá outras providências. 2004.
COMPANHIA DE SANEAMENTO DE MINAS GERAIS. Catálogo - Projetos padrão. Beta Horizonte: COPASA,
1998. 127 p..
DACACH, N.G. Saneamento básico. 3. ed. Rio de Janeiro: Editora Didática e Científica, 1990. 293 p.
DIRECCIÓN DE INGENIERÍA SANITARlA. SECRETARIA DE SALUBRIDAD Y ASISTENCIA. Manual de saneamiento:
vivienda, agua y desechos. México: Limusa, 1980.
FUNDAÇÃO JOÃO PJNHEIRO. Saneamento básico em Belo Horizonte: trajetória em 100 anos- os serviços de
água e esgoto. Belo Horizonte: FJP, 1997. 314 p.
FUNDO DAS NAÇÕES UNIDAS PARA A INFÂNCIA - UNICEF. Estudio conjunto UNICEF/OMS sobre el
abastedmiento de água y eJ saneamiento como componentes de la atendón sanitaria primanà. UNICEF, 1978.

105
Abastecimento de égua para consumo humano

INS I ITUTO BRASILEIRO DE GEOG.RAFIA E ESTATÍSTICA - IBGE. Programa Nacional por Amostras de Domfcl-
/ios - PNAD. Rio de Janeiro: LBGE, 2003. co. ROM.
KOUTSOYlANNIS, &>. Water resources technologfes in the ancient Greece. Disponível em: <http://
devlab..dartmouth.edulhJstory,lb1on-ze_age/lessons/21 .html>. Acesso em: 11 mar. 2004.
MdUNKlN, F.E. Agua y sal1:1d humana. México; Editorial Límusa, 1986. 231 p.
OLNEIRA, Emanuel Tavares. Notas de aula sobre abastecimento de água. Belo Horizonte: UFMG, [s.d.J. 67 p.
OKUN, o.A.; ERNST, w.R. communitypfped·water supply systems in developing countries: a planning manual
Washington: The World Bank, 1987. 249, p. (World Bani< Technical Papei number 60.) ·
PROGRAMA O.E MODERNIZAÇÃO DO SETOR DE SANEAMENTO- PMSS. SN~S ~-Sistema Nadonal de Informações
sobre San~mento: diagnóstico dos serviços de água,e esgotos 2001. Brasília: Ministério das Cidades, 2002.
PENA, J.L. Perfil, sanitár;o, indicadoréS demográficos e saúde ambiental após a implantação do Distrito sani-
tário Especial /ndlgena: o caso dos XakriabA em Minas Gerais. 2004. 216 p. Dissertação (Mestrado em
Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos) - Escola de Engenharia, Universidade Federal de Minas
Gerais, Belo Horizonte, 2004.
TEIXEIRA, J,C. Associação entre cenários de saneamento e indicadores de saúde em crianças. Estudo em
áreas de assentamento subnormal em Juiz de Fora-MG. 2003. 278 p. Tese (Doutorado em Saneamento,
Meio Amõiente e R&ursos Hídricos) - Escola de Engenharia, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo
Horizonte, 2003.
TSUTIYA, M.T. Abastecimento de água. Sâo Paulo: DEHS-EPUSP, 2004. 643 p.
VlANNA, N.S. Belo Horizonte: seu abastecimento de água e sistema de esgotos. 1890-1973. Belo Horizonte:
(s.n.], 1997. 115 p.

106
t

Capítulo 3

Consumo de água

Marcelo Libânio, Maria de Lourdes Fernandes Neto,


Aloísio de Araújo Prince, Marcos von Sperling, Léo Heller

3.1 Demandas em uma instalação para abastecimento de água

Uma instalação para abastecimento de água deve estar preparada para suprir um
conjunto amplo e diferenciado de demandas e, diferentemente do que alguns julgam, não
apenas as referentes ao uso domiciliar, embora essas devam ter caráter prioritário. Este
conceito é muito importante na concepção e no projeto dessas instalações, pois a correta
identifjcação dessa demanda é determinante para o dimensionamento racional de cada
uma de suas unidades. Assim, devem ser estimadas todas as demandas a serem satisfeitas
pef as instalações, considerando o período futuro de alcance do sistema e não apenas a
realidade presente, e observadas as vazões corretas em cada uma de suas unidades.
Na determinação da capacidade das unidades de um sistema de abastecimento, diver-
sos fatores necessitam ser cuidadosamente considerados, a iniciar os consumos a serem
atendidos. Estes não se limitam ao consumo doméstico, aquele necessário para as de-
mandas no interior e no peridomicílio das unidades residenciais, embora este tenha caráter
prioritário. Além deste consumo, o sistema deve atender a'inda o consumo comercial,
referente cos estabelecimentos comerciais ·distribuídos na área urbana; público, referente
t ao abastecimento dos prédios públicos e das demandas urbanas como praças e jardins; e
industrial, atendendo tanto as pequenas e médias indústrias localizadas junto às áreas
urbanas, quanto aos grandes consumidores industriais. Além dos referidos consumos, a
1 produção de água deVe considerar ainda os consumos no próprio sistema, como a água
1
J
107
• t e Ri -~--~--,-.-· >4-- •

• ·' ------·-
Abasteclm•u1to de água para cqnsumo humano

necessária para operar a estação de tratamento, e as perdas que ocorrem no .


. . . .- d . - . s1sterna
Estas podem at1ng1r níveis muito etevados, quan o os sistemas sao antigos e obs ·
-\ .. f. . o1etos e
inadequadamente operados, mas, mesmo naque es mais e 1c1entes, algum nível de Perd
ocorrerá e deve ser computado. Maiores detalhes sobre as perdas e seu controle na . as
lações de abastecimento de água são desenvo1v1'd os no cap1't u1o 17. SInsta.
Na determinação das vazões e capacidades das unidades das instalações de aba t .
. _ s ec1-
mentoí os diversos consumos referidos no pa~ágraf o anterior s~~ :xpressos por meio do
consumo per capita (qpc), dado em Llhab.d1a, resultado. da d1v1sao entre O total de de-
manda a ser atendida pelo sistema e a população abastecida.
Outro importante fator, na estimativa da capacidade das unidades dos sistemas, é
O
da variação temporal das vazões. Assim, as unidades devem ser operadas para funcionar
para a demanda média, mas também capazes de suprir as variações que ocorrem ao longo
do ano e ao longo dos dias. Para fazer frente a essas variações, no dimensionamento das
diversas unidades as vazões devem ser acrescidas dos denominados coeficientes de
reforço: o coeficiente do dia de maior consumo (k 1) e o coeficiente da hora de maior
consumo (k2). O conceito dos coeficientes deve ser devidamente compreendido, de modo
que cada um deles seja corretamente considerado em cada unidade·a ser dimensionada. A
seção 3.5 explica os referidos coeficientes.
Nas seções a seguir são detalhados os vários fatores que devem ser considerados na
estimativa das vazôes e das capacidades das diversas unidades de uma instalação de abas-
tecimento de água e na seção 3.6 é apresentado um exemplo de estimativa de vazões.

3.2 Capacidade das unidades

O diagrama representado na Figura 3.1 destaca as vazões a serem consideradas em


cada uma das unidades de um sistema de abastecimento de água. Observe-se que todas
elas derivam da vazão média, dada por:

Q(LI s) = P(hab) x qpc(LI hab.dia)


(3.1)
86.400( s / dia)

108
- - ...~--~ ·; ;

Consumo de água I Capítulo 3

f


Captação
!
1
1
t
ETA Reservatório Rede de distribuição

X (1+9m)
100 ·
+Q
s

Figura 3.1 - Vazões nas diversas unidades de um sistema de abastecimento de água


Os significados de cada termo são os seguintes, com as respectivas unidades e a indi-
cação da .seção deste capítulo na quaJ são expficados em detalhes:

Parâmetro Significado Unidade Seção/capítulo


P populàção hab 3.3
qpc consumo per capita Uhab.dia 3.4
t período de funcionamento da produção h 3.5.1
qrrA consumo de água na ETA º/o 3.5.2
k1 coeficiente do dia de maior consumo - 3.5.3
k2 coeficiente da hora de maior consumo - 3.5.4
Q5 vazão singufar de grande consumidor Us capítulo 14

Na determinação das vazões nas unidades dos sistemas, algumas particularidades


podem inffuenciar no dimensionamento de partes do sistema, a exemplo das adutoras,
que--pedem flão conduzir a totalidade das vazões ou trabalhar com reservatórios de jusante,
confç,rme detalhado no capítulo 11, ou as várias tubulações principais da rede de distri-

buição, apresentada na capítulo 14~ ..


Outro aspecto que merece menção é quanto ao alcance do projeto. Este, mais bem
explicâdo na seção 3.3, pode eventualmente ser diferente entre unidades do sistema, o
que conduzirá a valores diferentes da população utilizada no dimensionamento das uríi-
dades.
O Exemplo 3.1 mostra o cálculo das vazões de unidades de um sistema de abasteci-
mento.

. . .. . ..,
• •
·~~

109
e J
Abasteclme.nto de égua para consumo humana

l .......... , ...... .. ·- • • • •

Exemplo 3.1 -
Calcular a vazão das unidades de um sistema de abastecimento de
água, considerando os segujntes parâmetros:
• P para dimensionamento das unidades de produção, exceto aduto-
ras (alcali:lG:e = 1@ afilas) = 20.0001hab;
• P para dime,n1sionamento de a·dutoras e rede de distribuição (alcan-
ce= 20 an·os), = 25.QOO hab;
• qpc = 200 Uhab.dia;
• t = 16 horas;
• ·qETA = 3%;
• k1 = 1,2;
• k.2 = 1,5;
• Q5 =1,6Us.

Solução:

• vazões médias:

Q 10
= 20.000 x 200 = 46 30L/ 5
ª 86.400 '

Q = 25.000x200 =Sl Bl'L /s


. lOa 86.400 ' .

• vazão de captação e da ETA:

46., 30x1,2x24 3
OPROD - X 1+ - +1,6=87,44Lls
- 16 100

• va·zão da adutora de água tratada:


1
57,87x1,2x24
rJ QAAT = 16 · + 1,6 = 105,77L/ s

t
• vazão total da distribuição:
00151 = 57,87 X 1,21 x 1,5 + 1,6 =105,77L/ s

110

- - - - - - --- -- - - -
Consumo de ~gua I Capltulo 3

3.3 Estimativas de população

3~3.1 Métodos de projeção populacional

Para o projeto do sistema de abastecimento de água, é necessário o conhecimento da


população de final de plano, bem como da sua evolução ao longo do tempo, para o estudo
• das etapas de implantação. O presente item é baseado em von Sperling (2005) .
Os principais métodos utilizados para as projeções populacionais são (Fair et ai., 1973;
CETESBÍ 1978; Barnes et ai., 1981; Qasim, 1985; Metcalf e Eddy, 1991; Alem Sobrinho e
Tsutiya, 1999; Tsutiya, 2004):

• crescimento aritmético
• crescimento geométrico
f • regressão multiplicativa
• taxa decrescente de crescimento
• curva logística
• comparação gráfica entre cidades similares
1
• método da razão e correlação
• previsão com base nos empregos

As Tabefas 3.1 e 3.2 listam as principais características dos diversos métodos. Todos os
f
métodos apresentados na Tabela 3.1 podem ser resolvidos também por meio da análise
estatística da regressão (linear ou não linear). Estes métodos são encontrados em um gran-
de número de programas de computador comercialmente disponíveis, incluindo planilhas
eletfêJílicas (no Excef, ferramenta Solver). Sempre que possível, deve-se adotar a análise da
regressão, que permite a incorporação de uma maior série histórica, ao invés de apenas
dois ou três pontos, como nos métodos algébricos apresentados na Tabela 3. 1.
J Os resultados da projeção populacional devem ser coerentes com a densidade
populac:iQnal da· área em questão (atual, futura ou de saturação). Os dados de densidade
popula·cional sã·o ainda úteis no cômputo das vazões e cargas advindas de determinada
J área ou zona de abastecimento da cidade. Valores tfpicos de densidades populacionais
estão apresentados na Tabela 3.3. Já a Tabela 3.4 apresenta valores típicos de densidades
populacionais ,de,satu.r a~o, em regiões metropolitanas altamente ocupadas (dados basea-
dos na Região Metropolitana de São Paulo).

111
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i,,. - -li ,A ·· •'I J)
_ ~ .'
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...


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•' l
l
Tab~l~ _3.1. Projeção ,pogu!~cional. Métodos com base em equações matemáticas l•
1
1

Mêtódo Descrição Forma da curva Taxa de Equação da Coeficientes 1

1
1


crescimento pro1eçao
'º - (se não for êfetuada análise da '
regressão)
Projeção Crescimento populacional segundo
aritmétíca uma taxa ~on~ante. Méto_do utilizado
para,estimativas de menor. prazo. o
p

dP =K K = P2 -Po
dt ª Pt = Po + Ka.(t - to) a
t2 - to
ajuste .da curva pude ser também
feito·por análise da regressão. t

Projeção CrescimeAto populacional em função da K = lnP2 - lnP0


geométrica população existente a cada instante. p
dP P, = Po. e K9 .(t -to) g
Utilizado para estimativas de menor t2 -to
dt = Kg.P ou
prazo. O ajuste da curva pode ser ou
também feito por análise, da p _ p (1 ' ) {t- t 0 ) • 1
to t
t - o· +I t=eKO -
regressão.
Taxa Premissa de que, na medida em que a p
decrescente cidade cresce, a taxa de crescimento
de torna-se menor. A popufação tende
AI - - - -~·-·---
=
pt Po + (Ps - Po) .
crescjmento assintoticamente a um vaíor de . [ 1_e ·Kd .(t·t 0 ) ]
saturação. Os par~metros podem ser to t
também estimados por regressão não
linear:
)
Crescimento O crescimento popuíacionar segue 2
fogfstíco uma relação matemática, que p p = 2.P0 .P1.P2 -P .(P0 + P2 ) 1
estabelec~ uma curva em forma de S. Pa ,- --- -::::::= s 2
A população tende assintoticamente a Po.P2 -P1
um valor de saturação. Os parâmetros
podem ser também estimados por e= (Ps -P0 )/P0
to t
regressão não linear. Condições
K, = 1 .ln[Pº .(Ps - P, )]
2
neces$átias.: P0<P 1<Pi e P0 .Pi<P, • O
ponto de inflexão na curva ocorre no t 2 -t 1 P, .(P5 -P0 )
tempo [to-ltl(c)IK,J e com Pt=P/2· Para
apl.ítaçâo das equações, os dados
devem ser eqüidistantes no tempo.
Fonte: adaptado pardalmente de QASfM (1985)
• dP/dt =taxa.de crescimento da população em função do tempo
. · • P p , p = populações nos anos t , t , t (as fórmulas para taxa decrescente e crescimento logístico exigem valores eqüidistantes, caso não sejam baseadas na análise da regressão) (hab)
o I
t2 o , -i
• P = poputação estimada no ano t (hab) ; P = população de saturação (hab)
~ Kg' Kd, ~, i, e= coeiicientes (a obtenção
s dos coeficientes pela análise da regressao é preferível, já que se pode utilizar toda a série de dados existentes, e não apenas P0 , P1 e P2 )
'
.. K.ª,
'. '
Consumo de ~gua I Capítulo 3

Tabela 3.,2. Projeções populacionais com base em métodos de quantificação indireta


Método Descrição
'

Comparação gráfica O método envolve a projeção gráfica dos dados passados da população
em estudo. Os dados populacionais de outras cidades similares, porém
maiores, são plotados de tal maneira que as curvas sejam coincidentes no
valor atual da população da cidade em estudo. Estas curvas são utilizadas
corno referências na projeção futura da cidade em questão.
Razão e correlação Assume-se que a população da cidade em estudo possui a mesma
tendência da região (região f fsica ou poJftica) na qual se encontra. Com
base nos registros censitários a razão • população da cidade/população
da região ., é calculada, e projetada para os anos futuros. A população da
cidade é obtida a partir da projeção populacional da região (efetuáda em
nível de ptanejamento por algum outro órgão) e da razão projetada.
Previsão de empregos e A população é estimada utilizando~se a previsão de empregos (efetuada
serviços de utifldades por algum outro órgão). Com base nos dados passados da população e
pessoas empregadas, calcula-se a relação emprego/população", a qual
II

é projetada para os anos futuros. A população da cidade é obtida a partjr


da projeção do número de empregos da cidade. O procedimento é
similar ao método da razão. Pode-se adotar a mesma metodologia a
partir da previsão de serviços de utilidade, como eletricidade, água,
' telefone etc. As companhias de serviços de utilidade normalmente
efetuam estudos e projeções da expansão de seus serviços com relativa
confiabllidade.
Fonte: QASIM (1985)
' Nota: a projeção futura das relações pode ser feita com base na análise da regressão.

Tabela 3.3. Densidades populacionais típicas em função do uso do solo


Uso do solo Densidade populacional
~ab/ha) (hab/kmi
1 Áreas resJdenciais
Residêm ias unffamilíares; lotes grandes 12-36 1.200 - 3.600
Resifl~Jitc:ias Ulí:i-ifamiliares; lotes pequenos 36-90 3.600 - 9.000
Resrdêmcias multifamiliares; rotes pequenos 90-250 9.000 - 25.000
A.partanirent@s . . 250-2.500 25.000 - 250.000
Áreas c0Nrerciais sem p redominânc,a de prédios 36-75 3.600 - 7.500
Áreas industliiais 12-36 1.200 - 3.600
Total (exQI\Jindo-se parques e outros equípamentos de 25-125 2.500- 12.500
grande Ji>"@lte)
• Fonte: adaptado de FAIR, GEYER e OKUN (1973) e QASIM (1985) (valores arredondados)

113
Abaste.cl,mento, de água para consumo humano

Tabela 3.4. Densidades demográficas e extensões médias de arruamentos por ha,


em condições de saturação, em regiões metropolitanas altamente ocupadas
• 1 ' ' = 1 A • '" • a • d Us'o ·do sÕlo ' . . " , o
o o • • • .. • • • •

Densidade
• • l ' ,.

Extensão média
populacional de arruamentos
de saturação (m/ha)
(hab/ha)
Bairros re,sid'enciais de lux"o,' com iote' pãdrão' de Soo" m:" M • • •100 . • 150
,

Bairros residenciais médios, com lote padrão de 450 m · 2 120 180


Bairros residenciais populares, com lote padrão de 250 m 150 200
Bairros mistos residencial-comercial da zona central, com 300 150
predominância de prédios de 3 e 4 pavimentos . .
Bairros residenciais da zona central, com predom1nânc1a 450 150
de ediffcios de apartamentos com 1Oe 12 pavimentos
Bairros mistos residencial-comercial-industrial da zona 600 150
urbana, com predominância de comércio e indústrias
artesanais e leves
Bairros comerciais da zona central com predominância de 1000 200
edifícios de escritórios
Dados médios da Região Metropolitana de São Paulo
Fonte: ALEM SOBRINHO e TSUTIYA (1999)

Ao se desenvolverem as projeções populacionais, os seguintes pontos devem ser con-


siderados:
• Os estudos de projeção populacional são normalmente bastante com-
plexos. Devem ser analisadas todas as variáveis (nem sempre quanti-
ficáveis) que possam interagir na localidade específica em análise. Ainda
assim podem ocorrer eventos inesperados que mudem totalmente a
trajetória prevista para o crescimento populacional. Isso ressalta a
necessidade do estabelecimento de um valor realfstiço para o horizonte
de projeto, assim como da implantação do sistema em etapas.
• As sofisticações matemáticas associadas às determinações dos parâmetros
de algumas equações de projeção populacional perdem o sentido se não
forem embasadas por informações paralelas, na maioria das vezes não quan-
tificáveis, como aspectos sociais, econômicos, geográficos, históricos etc.
• O bom senso do analista é de grande importância na escolha do método
de projeção a ser adotado e na interpretação dos resultados. Ainda que a
escolha possa se dar tendo por base o melhor ajuste aos dados censitários
disponíveis, a extrapolação da curva exige percepção e cautela.
• Os últimos dados censitários no Brasil têm indicado uma tendência
geral (naturalmente que com exceções localizadas) de redução nas taxas
anuais de crescímento populacional.
• É interessante considerar-se a inclusão de uma certa margem de
segurança na estimativa, no sentido de que as populações reais futuras,
a menos por a\guma forte causa imprevisível, não venham facilmente
a ultrapassar a população de projeto estimada, induzindo a precoces
sobrecargas no sistema implantado.

114

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..:,r."
Abastecimento de água para tonsumo humano

d) Taxa decrescente de crescimento

2
_ 2.P0 .P,.P2 -P, .(Po +P2J. ==
Ps - 2
Po.P2 -P,
2x10585x23150x40000-231502 x(10585 +40000) = 66709
2
= 10585x40000-23150

A população de saturação é, portanto, 66. 709 hab.

.
-ln[(Ps-P )/(Ps-Po)l _ -ln[(66709-40000)!(66709-10585)] _ .
2 37
Kd = t -t - . 2000-1980 -0,0 ,
2 o
3 9
pt =Po + (PS - Po). [1-e·Kd.(t·toJ J=10585 + (66709 -10585) X (1- e-0,0 l1x (t·t BO) )

e) Crescimento logístico

Verificação do atendimento ao pressuposto para utilização da equa-


ção do crescimento logístico {ver Tabela 3. 1):
• Dados censitários eqüidistantes no tempo: OK (espaçamento entre
os dados de 1O anos)
• P0 <P 1<P2 : 10585 hab < 23150 hab < 40000 hab ~ OK
• P0.P2<P12 : 10585x40000 <231502 ~ 423.400.000 < 535.922.500 ~ OK

Cálculo dos coeficientes:


2
p = 2.P0 .P,.P2 -P, .(P0 + P2) _
s 2 -
Pa.P2 -P,
~ = 2x10585x23150x40000-23150 x(10585 +40000) 2

10585x40000-231S0 2 =66709

e= (Ps -Po) = (66709-10585) _


5 3022
Po 10585 - ,

t2 t, P,.(Ps -Po) 2000-1990 23150x(66709-10585) '

Equação da projeção:

pt = PS = 66709
1+ C.eK, .(t-to) 1+ 5,3022.e -0, 1036x(t-1980)

116
Consumo de água I Capftufo 3

O ponto de inflexão na curva ocorre no seguint·e ,ano e com a seguinte


população :

Tempo inflexão =t 0 - ln(c) = 1980 - ln(S, 3 o


22>=1996
K1 - O, ·1036

Antes do ponto de inflexão (ano de 1996), o crescimento populacional


apresenta uma taxa crescente e, após este, uma taxa decrescente.

f) Resultados na forma de tabela e gráfico •

Nomen- Ano População medida Po~ula5ão estimada


clatura (censo) Aritmética Geométrica Decrescente Logística

,
10.585 . 10.585 10.585 10.585
PO 1980 10.585
23.150
P1 1990 23.150 25.293 20.577 27.992
40.000 40.000 40.000
'
40.000 40.000
P2 2000
.., 47.354 55 .770 44.525 47'.725
- 2005
53.930
- 2010 - 54.708 77.758 48.284
58.457
- 2015 - 62.061 108.414 51 .405
61 . 534
- 2020 - 69.415 151 .157 53 .998

Projeção populacional

80.000
-.
70.000 l
1

60.000
~;. 50.000
.s:
......_...
,& 40.000 • Censo
Loglst
·~a. 30.000 t:-i·~ - - - Aritm
o
o. 20.000 - - · - Geom
- - - - Decresc
10.000 •••••• Saturação

o 1995 2000 2010 2015


1980 1985 1990
Ano

Figura 3.2 - Projeção populacional. Dad.os medidos e estimados

117
umo humano
Abastecimento d e água para ,ons

· f b observam-se os seguintes pontos, específícos


Pero gráf1co e pe a ta eIa,
para este conjunto de dados:
. ·pulações dos anos 1980 a 2000) apresentam
• os dados observa dos (po · . b
. . t de crescimento. Visualmente, o serva-se que O
tendência crescen e .
modelo da taxa decrescente não se aJusta bem~ esta tafxa crescente.
. . .. . e'trica conduz a valores estimados uturos bastante
• A proJeçao geomrão vir a ser ou não verda d e1ros, · mas que se afas-
e Jeva dos (que po de . . ...
tam bastante das demais proJeçoes). , _
• os métodos logístico e de taxa decr~s~ente tendem a populaçao de
saturação (66. 709 hab, indicada no grafico). _
• Em todos os métodos, os valores calculados da populaçao nos anos
p e p são iguais aos valores medidos, uma vez que estas populações
o 2 f' . t
foram utilizadas para o cálculo dos coe ,cren es.
• A projeção populacional propriamente dita é apenas ap?s o ano
2000. Os anos com dados censitários são plotados no gráfrco, para
permitir uma visualização do ajuste de cada curva aos dados observados
(1980, 1990 e 2000).
• A população de saturação pode ser também estimada tendo por
base a densidade populacional prevista para a área (pop = densidade
populacional x área). Neste caso, a população de saturação deve ser
fornecida como um dado de entrada, e não calculada pelas equações.
• A curva de melhor ajuste aos dados observados pode ser selecionada
por meio de métodos estatísticos, que dêem uma indicação do erro
(normalmente expresso na forma da soma dos quadrados dos erros),
na qual o erro é a diferença entre o dado estimado e o dado observado
(ver item g a seguir).

g) Sof ução do problema utilizando a ferramenta Solver, do Excel

A ferramenta Solver, do Excel, pode ser empregada para a análise da


regressão não linear. Caso ela não esteja disponível, usar o comando
Ferramentas - Suplementos - Ferramentas de Análise (marcar esta op-
ção). O obj~tivo é se obter o menor erro (ou resíduo) possível, no qual
o erro é a diferença entre a população observada (censo) e a estimada
pelo modelo. Como o erro pode ser positivo ou negativo, trabalha-se
co~ ~ erro ~levado ao quadrado, para que se tenha um valor sempre
pos,t1vo. O a1uste para um determinado modelo será o melhor quando
ªsomados quadrados ?ºs
erros for a mínima possível. O Solver efetua
a busca dos valores ótimos dos coeficientes do modef o de forma a
encontrar o mínimo da soma dos quadrados dos erros. '

118
Ao se fazerª. análise da re·gressão não linear, pode-se ter um número
de dados maior do que três. Ademais, os dados não necessitam estar
eqüidistantes.

No presente exemplo, assume-se que há também dados censítários


para o ano de 1970 (ao todo, 4 dados censitários). Além disso, um dos
dados é para o ano de 1991, ao invés de 1990 (os dados não são
eqüidistantes).

Ano Pop (hab)


1970 3000
1980 10585
1991 24000
2000 40000

A seguir é apresentada a planilha Excel, após convergência do Solver.


Nesta planilha, apenas o modelo logístico foi utilizado. No entanto,
qualquer outro modelo pode ser empregad·o, após as devidas adapta-
ções. As adaptações são apenas nas células que contêm os coeficientes
do modelo (no caso, célufas B18 a 820 em outros modelos, pode
haver apenas 2 coeficientes, ou seja, apenas 2 células) e as equações
do modelo (no caso, células 025 a 032). As equações apresentadas
nestas células são as equações do modelo logístico (Quadro 3 .1 , colu-
na Equação da Projeção). Parte da planilha é reapresentada mais abai-
xo, exibindo as equações utilizadas. Naturalmente que os resultados
obtidos são diferentes dos calculados no item f acima, uma vez que os
dados de entrada foram também parcialmente modificados.

Sempre que se trabalha com regressão não linear, deve-se ter o cuida-
do de se interpretar a consistência de cada coeficiente e valor obtido.
Por exemplo, caso se obtivesse um valor da população de saturação
negativa, tal obviamente não teria o menor significado físico. No Sol-
ver, podem ser introduzidas restrições, tais como P5>0 (na planilha,
célula B18 > O) ou P5>P3 (célula B18 > C11 ).

119
Abaltetlmento de égua para cõnsumo hurrtano

e D E F G
A B
1 PROJEÇAO POPULACIONAL _ _
.·Regressão n~o linear, utiHzando a ferramenta SOLVER.
2
3 d d d cens\tários (não necessitam ser eqüidistantes).
4 Preencher as células os a os
5
6 DADOS CENSITÁRIOS
ANO POPULAÇÃO
7 1 .. ;;,,- - - 3Ô0í
8 PO 1970
1980 1058~
9 P1 2400(
10 P2 1991
2000 4000{
11 P3 l: ~ -·- ,
.

12
13 COEFICIENTES
As células abaixo são os coeficientes do modelo, a serem estimados pelo SOLVER. . .
14
As células deverão ter valores digitados inicialmente, para que o SOLVER possa mod1f1cá-los.
15
16
17 LOGÍSTICA
.. ~ ~653921
18 Ps
19 e 16,580~
20 KI . .. -0,~0BÉ
21
22 PROJEÇÃO POPULACIONAL
População (hab) Quadrados dos erros
23 .

ANO Censo Estimada (Pop censo - Pop estim)A2


24 - ~

25 PO - ~~ 1970 3000 3720 517874


26 P1 1980 10585 9914 450369
27 P2 1991 24000 24270 73145

28 P3 ·-
2000 40000 _" - 39935 4201
· 29 · Projeção futura 2005 47720
3_0 . 2010 53814
31 2015 58127
32 2020 60965
33
34 Soma (Pop censo - Pop estim)I\ 2 = .f. __1o_4_s_ss_s_.J
35
36 SOLVER:
37 Definir célula de destino: célula com o valor da soma dos quadrados dos erros
38 Igual a: Min (o objetivo é minimizar a soma dos quadradros dos erros)
39 Células variáveis: células cçm os coeficientes do modelo em análise (células com valores de Ps, c, K1)
40 Para o modelo logfstico, caso a população de saturação (Ps) tenha sido fixada com base em
41 densidade populacional, apenas os coeficientes Kl e e devem ser calculados pelo Solver

120

.•
Consumo do õgud I Capitulo 3

Parte da pf anrlha anterior, com as respectivas equações:


. .

. .
B e . D E
.

F
População (hab) -
23 .
. .
Quadra dos dos erros
24 ANO Censo Estimada (Pop censo - Pop estim)" 2
.
z, .:=BS :;:(8
. . .
:;;($8$18/(1+$8$19*EXP{$B$20*(B25-$8$8)))}
.

i=($C25·025)"2
I6
'e:89 c.:(9 :::($8$18/(1+$B$19*EXP($B$20*{B26-$B$8)))) =($C26·026)"2
27 ::01 0 =(10 =($8$18/(1+$8$19*EXP($8$20*(B27~$8$8)})) =($C27·0 27)"2
.

·2a ::811
.
=C1 1 =($8$181(1 +$8$19*EXP($B$20*(B28-$8$8)))) . =(SC28· 028)"2
29 ;:828+5 =($8$18/(1+$8$19*EXP($8$20*(B29-$8$8))))
30 =829+5 ={$8$18/(1+$8$19*EXP($B$20*(830-$8$8))))
31 =830+5 :($8$18/(1+$B$19*EXP($B$20*(831 -$8$8))))
32 =831 +5 =($8$18/(1+$8$19*EXP($8$20*(B32-$B$8))))
33 . .
34 Soma (Pop censo - Pop estím)" 2 = :::SOMA(F25:F28)
35

3.3.2 Estimativa da população de novos loteamentos

No caso de loteamentos novos, a abordagem para se efetuar a projeção populacional


deve ser naturalmente distinta. Não há dados censitários históricos· da área a ser ocupada.
Neste caso, o planejador deve se basear na experiência de implantação de loteamentos com
características similares, analisando as taxas de ocupação ao longo do tempo. A análise deve
ser executada com bastante critério, conhecimento de experiências similares e bom senso.
'
No caso da ocupação da área se dar predominantemente com equipamentos que
confiram um caráter especial (ex.: região hospitalar, distrito industrial, campus universitário,
parques etc.), não há regras gerais a serem empregadas, devendo ser usadas as melhores
informações disponíveis (usualmente fornecidas pelo empreendedor) que permitam a
estimativa da trajetória populacional ao longo do tempo.
A seqüência exposta a seguir pode ser utilizada para o estudo populacional de novos
loteamentos:

• Analisar a experiência de implantação de loteamentos ou áreas com


características similares em outros locais, em termos da evolução
populacional ao longo do tempo;
• Definir qual será o ano de início de funcionamento do loteamento (ano zero);
• Est imar a população de saturação da área loteada, tendo por base o
planejamento físico-territorial proposto e as densidades médias de
ocupação previstas em cada área de zoneamento;
• Fixar a população nos seguintes anos •
(referenciados com base no ano de
início de funcionamento do loteamento): (a) ano O, (b) ano etn que a popu ...
lação de saturação é atingida (ou 99º!6 atingida). Estes ,dois pontos S:áo

suficientes para a determinação das equações pelos métodos arifméti<20 e
geométrico, os quais necessitam apenas de dois dados populacionais. ~etre .,

121 .1
Abastecimento de água para ,c onsumo humano

a utilização dos métodos logísticos e d~ tax~ decrescent: de crescimento, o


quais necessitam de três dados populaC1onais, há necessidade da informaçao
de mais um ponto. Neste caso, po~e-se fornecer~ por ~xen:ipl~, 0 ano en, qu
se estima que metade da populaçao de saturaça~.se~a at1ng1da;
• Como há uma grande incerteza nestas proJeçoes, podem ser anaJI..
sados diferentes cenários de crescimento (ex.: lento, intermed;árío e
rápido), simplesmente mudando os anos ou as populações associadas
a cada um dos três anos;
• Para cada cenário de ocupação, escolher os m.odelos populacionaís
que propiciem o melhor ajuste aos dados assumidos.

3.3.3 População flutuante

Em localidades turísticas e de veraneio é comum a variação da população ao longo do


ano, atingindo valores mais elevados durante as férias e feriados importantes. Nesta 5 con-
dições, é importante o conhecimento do acréscimo populacional advindo desta populac;ao
flutuante, a qual naturalmente gerará consumo de água.
Ê relevante, portanto, a caracterização das vazões associadas às seguintes condições
de ocupação (ver Figura 3.1 ):

• ocupação normal
• ocupação de férias (duração de 1 a 2 meses)
• ocupação em feriados (ex.: fim de ano, carnavaf, Semana Santa)

População
'
carnaval
-

férias férias fl mda


Semana
janeiro julho ano
Santa
- -

ocupação normal

Jan
...
Dei
Jul
- F' Meses do ano
igura 3 ·3 - Exemplo de ocupação em uma cidade turística sujeita a variações advindas de popufaçAo
flutuante

122

Consumo de água J Capítulo 3

A estimativa d.a pop~lação flutuante pode ser feita por meio de registros de consumo
de água ~ de energia ~létrica, e de medições nas estradas de acesso e no índice de ocupação
da capacidade de aloJamento.

3.3.4 Alcance de projeto

A população de projeto está vinculada à definição do alcance do projeto. Ou seja,


definido o modelo de projeção populacional a ser adotado, para se obter a população a ser
considerada é necessário se estabelecer que afcance o projeto pretenderá atingir.
Para esta definição, deve-se procurar um adequado balanço entre dois extremos: •

(1) alcances muito pequenos trazem como vantagem menores investimentos iniciais,
mas como desvantagem a ocorrência de um menor período de tempo para arrecadação
de tarifas e necessidade de novos investimentos em curto prazo, o que pode ser
inconveniente pois demandaria a obtenção de recursos poucos anos após concluídas
as obras;
(2) alcances muito longos implicam as desvantagens de investimentos muito elevados em
uma primeira etapa, podendo ser incompatíveis com a disponíbilidade financeira, e em
grande ociosidade das unidades nos primeiros anos; e como vantagem há o maior período
de tempo para a arrecadação de tarifas.

Além dessas variáveis, na fixação do alcance, deve-se considerar as incertezas da


projeção populacional e o impacto de a população não evoluir da forma como estimada.
Seria igualmente problemática a adoção de um pequeno alcance e a taxa de projeção
populacional mostrar-se elevada frente à realidade, situação que tornaria o sistema rapi-
damente subdimensionado; quanto ao inverso elevado alcance e pequena taxa de
crescimento populacional , conduziria a um superdimensionamento do sistema, com
Jonga ociosidade.
Quando é necessário tomar uma decisão sobre o alcance do projeto para um sistema
de pequeno porte ou para uma estimativa inicial ou um pré-dimensionamento de uma
instalação de abastecimento de água, em princípio não se mostra necessária uma análise
muito aprofundada do alcance ideal. Uma referência freqüente, no caso de sistema de
pequeno porte, é se adotar um alcance por volta de 1O anos.
Por outro lado, quando a decisão a ser tomada contém uma maior responsabilidade,
deve-se realizar um estudo econômico para dar suporte a esta decisão. Obviamente, a
decisão definitiva deve se dar a partir do resultado do estudo econômico e da avaliação
das características da comunidade e de seu potencial de crescimento. O,estudo econômico,
para esse fim, baseia-se na determinação do custo marginal característico de diversos

123

-
.. . d' . ... 0 daquela c-om o menor valor. Ressaíte-se que Ocone .t
alcances potenc1a1s e na in lCaça . .. - . e, o
de custo marginal é expresso pela Equaçao 3.2.

LVPinvestimentos

Exemplo 3.3

Considere três alcances potenciais ~ª~ª. ~m determina~o projeto: 8,


10 12 anos com investimentos 1n1c1a1s de, respectivamente, R$
25 o~ooo oo, R$ 300.000,00 e R$ 340.000,00. As despesas com ener-
gia elétrica são de R$ 8.000,00_ n_o _primeiro ano, cre~cendo a uma taxa
de 1,5o/o ao ano. A população 1n1c1al é de 2.000 habitantes, cr~scendo
à mesma taxa. o consumo per capita médio é de 120 Uhab.d1a. Qual
teria O alcance mais econômico, considerando uma taxa de desconto
de 11 °/o ao ano?

Solução

A primeira alternativa seria a mais econômica, conforme tabela a se-


guir. Como pode-se observar, mesmo havendo um acréscimo de arre-
cadação nas duas últimas alternativas, este não foi suficiente para
compensar o acréscimo de despesas e o maior investimento inicial.
Assim, tem-se, na primeira alternativa, um menor valor do m3.

Uma observação final em relação ao alcance do projeto é a eventual adoção de dife-


rentes alcances em diferentes unidades. Assim, pode ser O caso de se adotar alcances
menores para as unidades constituídas predominantemente por estruturas, como capta-
ções, elevatórias, estações de tratamento e reservatórios, que podem ser mais facilmente
moduladas, e alcances maiores para adutoras e rede de distribuição.

124

ALTERNATIVA 1 (8 anos) ALTERNATIVA 2. (10 an01) ALTERNATIVA 3 (12 anos)


Ano Desp_esa VP' despesas Volume VPvofume
Des~de Des~de Despe,sa com VPdespesas Volume VPvolume Despesa de Despesa com VPdespesas VoJume VPvotume
lmpfantaçio com faturado faturado lmplantaçio energia faturado faturado lmpJantação energia faturado fnotado
energia Cro>Ji Cm'> cm, (m') (m') (m')

o RS 250.000,00 RS 250.000,00 RS 300.000,00 RS 300.000,00 RS 340.000,00 RS 340.000,00

1 RS 8.000,00 RS 7.201,21 87.600,00 78.918,92 RS 8.000,00 RS 7.207,21 87.600,00 78.918,92 RS 8.000,00 RS 7.207,.21 87.600,00 78.918,9i

2 RS 8.124,94 R$ 6.594,39 88.914,00 72.164,60 RS 8.124,94 RS 6.594,39 88.914,00 72.164,60 RS 8.124,94 RS 6.594,39 88.914,00 72.164,60

3 RS 8.251 ,84 RS 6.033,67 90.247,71 65.988,35 RS 8.251,84 RS 6.033,67 90.247,71 65.988,35 RS 8.251,84 RS 6.033,67 90.247.71 65.988,35

4 RS 8.380,72 RS 5.520,64 97 .601,43 60.340,70 RS 8.380,72 RS 5.520,64 91 .601,43 60.340,70 RS 8.380,72 RS 5.520,64 9t .601.43 60340,70

5 RS 8.511 ,61 RS 5.051 ,22 92.975,45 5S.176,40 RS 8.511,61 RS 5.051.22 92.97$,45 55.176,40 RS 8.511 ,61 RS 5.0St,22 92.975,45 55.176,40

6 RS 8.644,54 RS 4.621,72 94.370,08 50.454, 10 R$ 8.644,54 RS 4.621,72 94.370,08 S0.454, to RS 8.644.54 RS 4.621 ,72 94.370,08 50.454,10

....
N
7 RS 8.779,55 RS 4.228,74 95.785,63 46.135,95 R$ 8.779,55 RS 4.228,74 95.785,63 46.135,95 RS 8.779,55 RS 4.228,74

RS 3.869, 18
95.785,63

97.222,41
46. 135,95

42.187,38
UI 8 RS 8.916,67 RS 3.869, 18 97.222,41 42.187,38 RS 8.916,67 RS 3.869, 18 97.222,41 42.187,38 RS 8.916,67

9 RS 9.055,93 RS 3.540, 19 98.680,75 38.576,75 RS 9.055,93 RS 3.540, 19 98.680,75 38.576,75


• RS 9.197,37 RS 3.239,17 100.160,96 35.275, 14 RS 9.197,37 RS 3.239,17 ?00. 160,96 3S.Z7S, l4
10
11 RS 9.341,01 RS 2,963,75 101.663,38 32.256,09
12 RS 9.486,90 RS 2.711,74 103,188,33 29.495,44
Total RS 293.126,78 471 .366,40 R$ 349.906, 14 545.218,28 RS 395.581,63 606.969,81
Custo
marginal
{RSlm') 062 0,64 0,65

, 1 =
, onde i taxa de desconto ou "taxa de juros" e t =tempo
VP=
(1 + i)t
2 Volumee faturado= 2.000 hab x 120 llhab.dia x 365 dias x (1/1 ,000)

-
...
Abastecimento de água para .consumo humano

3.4 Consumo per c~pita


o
'

3.4.1 Definição

.
qpc é crucial para a determinação das capacidades
O valor do consumo per c~p,ttal -o de abastecimento de água. Conceitualmente o
· 'd d de uma 1ns a aça ,
das várias uni a _es se uinte expressão:
consumo per capita pode ser representado pela g
3
'd. d'' · d
. me ,a 1ar1a o 0 ,,. /ume anual
V'
consumido
,
por•
uma-
dada

população (m )x 1.000~
qpc(LI hab.d1a) = , · · população abastecida (hab)
·'f' d d nsumo per capita é o da média diária, por indivíduo, dos volumes
O s1gn1 1ca o o co . , . . .
'd . t' f
requer, os para sa 1s azer aos consumos doméstico, comercial,
. publico e rndustr1al, além
das perdas no sistema. A unidade usual do qpc é Uhab.d1a.

3.4.2 Consumo doméstico

o consumo doméstico refere-se à ingestão, às atividades higiênicas e de limpeza, ao


. preparo de alimentos e outros usos. Ê notória a intrínseca relação entre a utilização de água
para consumo doméstico em quantidade e qualidade deficientes e a potencialidade de
ocorrência de diversas doenças de transmissão hídrica. Decorre daí a importância funda-
mental de que as populações estejam providas de água com qualidade e em quantidade
tais que garantam a segurança em seu consumo e as práticas de higiene, principalmente
visando à prevenção de doenças.
Nesse sentido, pesquisa apontou um possível efeito da quantidade de água consumida •

sobre a saúde, em área urbana brasileira (Heller et ai., 1996), sendo que o conjunto de
estudos epidemioJógicos tem evidenciado que aumentar a disponibilidade e melhorar a
qualidade da água fornecida pode conduzir a uma redução de doenças diarréicas superior
a 25% (Fewtrell et ai. , 2005). Com respeito à quantidade mínima de água necessária às
boas condições de saúde, há referências a uma quantidade mínima necessária para o
fornecimento doméstico de água, a despeito da existência de uma variedade de valores,
segundo a fonte, entre 15 Uhab.dia e 50 Uhab.dia.
Trabalh_os vêm sendo efetuados buscando relacionar o consumo doméstico de água a
fatores_ possivelmente intervenientes, com o objetivo principal de apresentar previsões mais
apropriadas para essa demanda. Narchi (1989) sugere que a demanda doméstica de água
depende de fatores pertencentes a seis classes distintas, a saber:

126
. ... --- . . - "' .

Consumo de água I Capftuf o 3

i) características físicas: temperatura e umidade do ar, intensidade e


freqüê·ncía de precipitações;
ii) condições de renda familiar#,
iii) características da habitação: área do terreno área construida do
imóvel, número de habitantes etc.; '
iv) características do abastecimento de água: pressão na rede, quali-
dade da água etc.;
v? forma de g_erencíamento do sistema: micromedição, tarifas etc.;
vr) caracterfst1cas culturais da comuni dade.

No mesmo estudo, o autor caracterizou os principais fatores associados à demanda


doméstica de água, na cidade de São Paulo, a partir de uma amostra de consumidores
residenciais. Esse estudo evidenciou correlações entre a demanda doméstica de água e
variáveis como o número de habitantes por domicílio, a área construída, a área do terreno,
o valor venal do imóvel e a renda familiar, sendo as duas primeiras as mais importantes.
Para melhor compreender o consumo doméstico, este pode ser dividido entre dentro
e fora do domicflio. No primeiro caso, merece destaque o emprego de válvulas de descarga
nas instalações sanitárias, concorrendo para elevar o •
consumo devido às atividades de •

higiene. Alguns destes equipamentos podem consumir de 12 a 25 L a cada acionamento.


A partir de 1992 tem ocorrido nos EUA progressiva substituição destas válvulas mediante
incentivo das próprias administrações dos sistemas de abastecimento de água por
unidades com consumo inferior a 6 L por acionamento. Na mesma tendência, foi desenvol-
vido no Brasil na década de 19.80 pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) dispositivo,
denominado válvula de descarga reduzida (VDR), com consumo da ordem de 5 L por
acionamento. Posteriormente, pesquisa realizada nas dependências do próprio IPT apon-
tou consumo médio de descargas de 7,8 e 8,8 L por acionamento. No primeiro caso consi-
deraram-se as válvulas tradicionais adequadamente reguladas e as VDR, justificando a média
de 7,8 L, e no segundo as unidades dotadas de caixas de descarga (Barreto, 1993). Atual-
mente, a normalização brasileira estabelece que o consumo máximo por descarga nas
1
caixas de descarga comercializadas não deve exceder de 6,0 L, o que pode trazer, no
futuro, importante economia de água nas residências e em alguns estabelecimentos
comerciais.
Da parcela do consumo doméstico verificado fora do domicílio, o maior volume
' corresponde à rega de gramados e jardins. Dependendo das condições climáticas, do tipo
de ocupação dos lotes e das características socíoeconômicas e culturais da população, tais
atividades podem até superar o consumo no interior da residência. Este fato é particular-
mente relevante no sul da Austrália e em alguns estados norte-americanos, como Colorado
e Califórnia, onde se verificam em algumas cidades consumos de 300 a 600 Uhab.dia
somente para tais fins (Twort et ai., 2000).
Visando a ilustrar como os consumos podem se distribuir, na Tabela 3.5 são apresen-
tados, para os diversos usos domésticos, os respectivos consumos per capita médios

127
Abas1eclmento de água paro consumo humano

. ·t· adas em alguns países europeus e cidades norte-americanas. Podem-se ob


ver, 1c . . f' . h' 'A • ('') servar {t)
a maior parcela do· consumo é para ins 1g1cn1cos e '' uma variação arn I
que . d 1 1· d ( Pa do
consumo doméstico, mesmo entre países 1n ustr a tza os 130 a 239 Uhab.dia).

Tabela 3.5 • Oíscrimin~ç~~ ~~s.~!s~i-~t~~ ~onsu~os de origem doméstica (L!hab.dia)


Ti~o·d~ Ús~ · _ . . EJJroea. ... .•_ • Estados Unidos (1996-19 98) ...
Inglaterra Norllega Escócia Tampa Denver San Diego Seattle -
(1993) (198~) .. (19_?1_) (Flórida) (Colorado) (Califórnia) (Washington)
1

- ' • ' • • ' 86. 70 93 106 135 96 -


Higiênico* 30 25 37 54 59 62 14152
Lavagem de
roupas
Cozinha 25 28 17 47 45 44 37
lavagem de 4 7 1 --
carros e pátio
--
Total 145 130 148 197 239 202 194
* Soma dos consumos decorrentes de lavagens, toalete e banho.
Fonte: TWORT et ai. (2000}

3.4.3 Consumo comercial

O consumo comercial inclui, entre outras, as demandas de água por hotéis, bares,
restaurantes, escolas, hospitais, postos de gasolina e oficinas mecânicas. Na Tabela 3.6 são
apresentados consumos relativos a distintas atividades comerciais no Reino Unido, conside-
rando apenas os dias de funcionamento .

Tabela 3.6 - Disc.riminação dos distintos consumos de origem comercial no Reino


Unido

Atividade Comercial Consumo


Escolas 25 Udia. aluno, para pequenas unidades, e
até 75 Udia.aluno nas grandes escolas
Escritórios de maior porte 65 Uempregado
Hospitais
350-500 Uleito
Hotéis
350-400 Uleito e até 700 Uleito em hotéis
de alto luxo
Lojas de departamentos
100-135 Uempregado
Peq~en~s estabelecimentos comerciais e
escr1tór1os em áreas urbanas 3-15 Uhab.dia
Fonte: TWORT et ai. {2000}
== -

128
w
consumo de ~gva I Capitulo 3

Para o Brasil, embora com base em dados pouco recentes, pode-se afirmar que o
consumo de água estimado nos distintos estabelecimentos comerciais aproxima-se dos
utifjzados no Reino Unido (Tabela 3.7).

Tabela 3.7 - Consumo médio para distintos estabelecimentos comerciais


Tipo de estabelecimento Consumo
Bar 5-15 Ufreguês
Cinema, teatro e igreja 2,0 Uassento
Garagem 50-100 1/automóvel
Lavanderia 30 Ukg de roupa seca
Posto de gasolina 150 1/automóvel
Restaurante 15-30 Urefeição
Shoppfng center 30-50 1/empregado
Fonte: MACINTYRE (2003)

3.4.4 Consumo público


A demanda de água para uso público relaciona-se à manutenção de parques e jardins,


monumentos, aeroportos, terminais rodoviários, limpeza de vias, prevenção de incêndios,
entre outros, além do abastecimento aos próprios prédios públicos (prefeitura, órgãos
governamentais, escolas, hospitais etc.). Na Tabela 3.8 são apresentados alguns consumos
em estabelecimentos usualmente mantidos pelo poder público.

Tabela 3.8 - Consumo médio para usos públicos


Estabelecimento Consumo
Aeroporto 8-15 Upassageiro
Banheiro público 10-25 Uusuário
Clínica de Repouso 200 - 450 Upaciente, 20 - 60 Uempregado
Prisão 200 - 500 Udetento, 20 - 60 Uempregado
Quartel 150 1/soldado
Rega de jardim 1,5 Um2
Fonte: MACINTYRE (2003)

3.4.5 Consumo industrial

O consumo industrial varia com as diversas tipologias industriais, podendo ocorrer


como matéria-prima, na limpeza, no resfriamento, nas instalações s-anitárias, cozinhas e
refeitórios. Na Tabela 3.9 são apresentadas estimativas de consumo de água para distintas
atividades industriais.

129

·---
Abastet,Jmento de água para consumo humano

Tabela 3.9 - Estimativas de consumo para distintas atividades industriais I j

Consumo -·
Atividade industrial . -
L .
-

5-20 UL de cerveja
Cervejarias
4-50 Ukg de conserva
Con.servas 20 ...40 Ukg de pele
Curtumes 20-250 Ukg de papel
Fábricas de papel
8-50 Ukg de aço
Laminação de aço
1-10 UL de leite
Laticínios
Matadouro 300 Ucabeça abatida, para grandes animais,
e 150 L para pequenos
Saboarias 25-200 Ukg de produto
Tecelagem (sem alvejamento) 10-20 Ukg de produto
Têxtil* 20-600 Ukg de tecido
Usinas de açúcar 0,5-10 Ukg de açúcar
*Variação vinculada ao tipo de fio processado
Fonte: VON SPERLING {2005)

Elevadas discrepâncias nos valores unitários do consumo de água industrial foram verifi-
cadas em pesquisa inclujndo 156 indústrias, de um total de 1401 unidades do parque indus-
trial da região de Belo Horizonte e Contagem. As indústrias integrantes do universo amostral
da pesquisa representavam 87°/o da totalidade do consumo de água e 60o/o da mão-de-obra
empregada no referido parque industrial. As dificuldades de obtenção de dados fidedignos
de consumo de matéria-prima junto às indústrias resultaram na redução do universo amos-
tral. O consumo médio e o desvio-padrão estão apresentados na Tabela 3.1 O.

Tabela 3.1 O·- Consumos específicos para o conjunto de indústrias amostradas. Belo
Horizonte e Contagem, 2000
Tipologia industrial/ Consumo
Número de indústrias Médio Desvio-padrão
Borracha/3 27,4 Ukg 23,7 Ukg
Metalúrgica/30 8,7 Ukg 21,0 Ukg
Mecãnica/11 28,9 Ukg 49,0 Ukg
Eletroeletrônicos/9 41,9 Ukg 93,9 Ukg
Têxtiln 78,8 Ukg de algodão consumido 143,6 Ukg
Abate e f rigorificação de bovin.os/7 13,9 Ukg de carne 23,0 Ukg
Editora e Gráfica/6 •
4,2 Ukg de papel processado 2,01/kg
Produtos Alimentares/7 21, 1 Ukg de farinha de trigo consumida 26,7 Ukg
Construção CiviV4 1,5 Ukg de cimento consumido 1,4 Ukg
Fonte: GONÇALVES (2003)

Os resultados dos desvios-padrão apresentados na tabela evidenciam a grande variação


nos consumos específicos para a quase totalidade das tipologias contempladas, à exceção
do setor de editaria e gráfica. No mesmo estudo, foi ainda avaliada a associação entre o
consumo. de ág~a ~ o número de empregados, para cinco distintas tipologias industriais:
metalurgia, mecan1ca, eletroeletrônica, química e têxtil. A análise estatística apontou que,
à exceção do setor têxtil, em todos os demais essa associação ocorre.

130

.....
Consumo de água I Capítulo 3

A partir da década de 1980, tem sido verificada tendência de redução do consumo de


água nas atividades industriais por meio da racionalização do uso e do reúso. Por outro
J'ado, em função da disponibilidade hídrica, tipologia e características do gerenciamento,
algumas indústrias dispõem de unidades de captação próprias. Na pesquisa mencionada,
das 156 indústrias amostradas, verificou-se que 30% contavam com abastecimento pró-
prio por meio de poços, explicando parcialmente o fato de o consumo de água para fins
industriais representar apenas 2,5% e 11 º/o, respectivamente, para os municípios de Belo
Horizonte e Contagem, mesmo sendo este último município tipicamente industrial .
A ABNT (1990), em relação à demanda industrial, estabelece que,. em sua estimativa,
devam ser considerados: (i) a possfver utilização do sistema público de abastecimento e (ii)
as demandas de água previstas nos projetos de implantação, instalação e ampliação das
indústrias no município.

3.4.6 Perdas

Aos quatro tipos de consumos mencionados incorporam-se as perdas, como relevante •

parcela da demanda de água em um sistema de abastecimento. Conceituai mente, as per-


das correspondem à diferença entre o volume de água produzido e o volume entregue nas
ligações domiciliares.
Do ponto de vista operacional, as perdas de água que ocorrem nos sistemas públicos
de abastecimento referem-se aos volumes não contabiJizados, podendo ser divididas em
perdas físicas e perdas não-físicas ou, conforme nomenclatura adotada no capítulo 17
(específico para o tema), perdas reais e perdas aparentes. Para efeito de composição do
consumo per capita, os componentes das perdas podem ser representados pelas seguintes
parcelas principais:

Tabela 3.11 - Descrição dos componentes das perdas que ocorrem nos sistemas de
abastecimento de água para efeito de composição do consumo per capita
1

Perdas físicas ou reais Perdas não-físicas ou aparentes


Vazamentos nas tubulações de distribuição Li·gações cf andestinas.
e das ligações prediais.
Extravasamento de reservatórjos. By-pass irregular no ramal das ligações (''gato").

Operações de descargas nas redes de Problemas de micromedição (hidrômetros


djstribuição e limpeza de reservatórfos. inoperantes ou com submedição, fraudes, erros de
leitura, problemas na calibração dos hidrômetros,
entre outros).

131
umo humano
Abastecimento de água para cons

de caracterização das perdas é o índice de perdas (º/o) e f


.t. .
uma das 1ormas . . , on arme
Equação 3.3:

Vp-Vm
IP=_.;..·- - (3.3)
VP

Em que:

IP= fndice de perdas (o/o);


3
v = volume de água micromedido ou faturado (m );
vmp = volume de água macromedido, produzido ou disponibilizado para
distribuição (m3).

A adoção de uma ou outra alternativa sublinhada nos termos da expressão pode


depender da metodologia utilizada para a quantificação do índice de perdas. Por exemplo,
se O nível de hidrometração do sistema é baixo, no lugar de se avaliar Vm por meio da
micromedição, este pode ser avaliado pelo volume faturado. Nesse caso, porém, deve
haver o cuidado de, nas ligações micromedidas que consomem menos que o consumo
mínimo para faturamento (10 ou 15 m3, por exemplo), se adotar o consumo efetivamente
apurado.
Diversos fatores influenciam no valor do fndice de perdas. A eficiência da administração
do sistema de abastecimento de água pode ser um deles, interferindo na detecção de
vazamentos, na qualidade da operação das unidades, no controle de ligações clandestinas,
na qferição e calibração de hidrômetros, por exemplo.
A topografia da cidade e a idade das tubulações constituem fatores preponderantes
na magnitude das perdas por vazamentos. Durante os períodos de menor consumo suce-
de-se o aumento das pressões disponíveis na rede de distribuição, em alguns casos pratica-
mente igualando-se à pressão estática, favorecendo as perdas por vazamentos.
Principalmente para sistemas de abastecimento de pequeno e médio porte, as perdas
por vazamento podem ser detectadas durante a madrugada, quando um consumo atípica-
mente elevado em um determinado setor da rede de distribuição estaria relacionado ª
problemas de vazamentos. Testes realizados no Reino Unido e em alguns estados norte-
. · · N0s
ª.mencanos apontaram consumos de 1,0 a 2,5 Ueconomia durante a madrugada. ·
sistemas de grande porte, esta detecção é dificultada pelos consumos decorrentes de al-
gu~s usos p~b~icos e comerciais terminais rodoviários, aeroportos, delegacias, postos de

Os valores referentes às perdas que ocorrem nos sistemas de abastecimento variam


forma
· con ·d ' 1 A · · .
si erav~ · Figura 3.4 1nd1ca os percentuais médios de perdas de faturam ento
para as companhias estaduais de abastecimento .

132
- -----

Consumo de água I Capítulo 3

Índice de Perdas de Faturamento

70 65.8

60
-
';/:!.
~

50
51.2
54,3
-

-g. "'
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._ 40,7 41 ,9 .
o.
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40
OJ 31,0 ' 31 ,4
-e:, 303
d) 30 1

'
26,1 ' ,o
·-e (.)
-,:::,
._
20

10

oCAER/RR OEASfAC CAEMA/MA CASAUAL SABESP/SP SANEPARIPR SANESULJMS

C'ompanhias Estaduais

. Fig,ura 3.4 - fndice de perdas de faturamento das companhias estaduais


Fonte: SNIS (2000)

Verifica-se, a partir da Figura 3.4, um expressivo número de prestadores de serviços


com perdas elevadas, sendo que em sete deles os percentuais são superiores a 50%. A
média nacional é de 39,4 %.

3.4.7 Fatores intervenientes no consumo per capita de água

Como a cota percapíta deve satisfazer a todos os consumos mencionados, esse parâ-
metro, é fortemente in·fluenciado por diversos fatores:

a) Nível socioeconômico da população

Éintuitiva a relação entre o mais elevado padrão socíoeconômíco da população e o maior •

consumo de água, manifesto em atividades que proporcionem, dentre outros, conforto e lazer,
como no uso de máquinas de lavar, piscinas, duchas, lavagem de carros e rega de jardins.
No estado de Minas Gerais, pesquisa analisando o consumo per capita de abasteci-
mento de água para cidades com população de 1Oa 50 mil habitantes · discriminando as
parcelas referentes à demanda residencial, comercial, pública e industrial apontou uma
média global de 148 Uhab.dia, com aproximadamente 83°/o deste consumo de origem
residencíal. Esta pesquisa encontrou também elevada associação entre o consumo e a
renda per capita para as cidades com população superior a 30 mil habitantes, indicando a
influência de outros fatores para as comunidades de menor porte (Penna et ai., 2000).

133
• Abastetlmento dé água para consumo humano

_. f ndo nove bairros de Belo Horizonte e Contagem _ MG


·Estudo anterior, en oca · ; . , d' , d. . , corn
. . - . . co· no" micas _ alta, media alta, me 1a, me ia baixa e baixa
d1st1ntas e1asses soc,oe - - - e
_ . . l . t · domiciliar apontou fortes corre 1açoes entre o consumo d á
consumo essenc,a men e - ' . 2 e 9Ua
e fatores como a renda per capita (R2 == 0,9~2), a área do 10:e (R == 0,887) e o número de
. á . (R O) A Figura 3.5 ilustra a regressao efetuada com a renda
vasos san1t rtos 2 = , · -
0 81 Per
capita (Campos e von Sperling, 1997).

consumo per capita x número de salários mínimos


y= x/((0.021)+(0.003)*x)
300
-co
:S• 250 o
.o o
m
§ o
-·a 1so
...<'9
200

ij
~

~ 100
o
§
(/)
50
e
8 o
o 4 8 12 16 20
Número de salários mínimos

Figura 3.5 - Consumo domiciliar per capita de água em função da renda familiar (Belo Horizonte e
Contagem - MG)
Fonte: CAMPOS e VON SPERLING (1997)

Já pesquisa mais recente avaliou a influência do nível socioeconômico no consu-


mo de água, para 45 municípios de Minas Gerais e 26 estados brasileiros abastecidos
pelas companhias estaduais de saneamento, utilizando dados disponibilizados pelo
SNIS (2000). Esses dados referem-se a informações fornecidas pelo prestador de ser-
.viços, em resposta a um questionário. Para o estado de Minas Gerais, foram identifi-
cadas faixas de variação de consumo per capita de água entre 84 e 248 Uhab.d, para
populações entre 4.000 e 2.300.000 habitantes e arrecadação média per capita entre
16 e 3.300 R-$/hab.ano. As figuras 3.6 e 3.7 apresentam a relação do consumo per
capita de água com a renda e a arrecadação per capita. Note-se que o conceito de
arrecadação municipal dividida pelo número de habitantes é distinto do conceito de
renda per capita (von Sperling et ai., 2002).

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I '
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1 . 134
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- .. :~
~
Consumo de água I Capttulo 3

Renda per capita (estados) X


Consumo·.;peRoapit~\deu~"Qtfêii
850
soo '
260 ·

200 • •
150
100 •

60
..
o.
1,E +02 1,E + 03 1,E + 04
Renda per capita (US$/hab.ano)

Flgura 3,6 • Consumo per capita de â.gua em função da rendapercapita nos diversos estados brasileiros
Fo.nte: VON SPERLING et ai. (2002)

Arrecadação per capita (municípios de MG)


X C~u__ o per capita de água
300

250

Q)
'O
~ ·~
ir·- -0.
200 e

.... ~
ªã
o '
150 •
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6) 100

8 50
o
1,E +01 1,E *02 1,E + 03 1,E + 04
Arrecadaçãll per capita (R$/hab;ano) I

Figura 3,.7. Consumo per capita de á.gua em função da arrecadação municipal dividida pela população
Fonte; VON SPERUNG et ai. (2002)


135
despeito dos baixos coeficientes de de
terminação (R2) d .
à grande d,sp:rs ão do s a os,
. renda per capita. No mesmo contexto, o e águ
pelas populaçoes com maio r to do núme
ro d e in d ú stria s e ativ id a
consumo de á
9
ª
\ ar com o aurnen d es comerciais·,rn ua
tende a se e ev . d á urn a vez q u e P 1an .
. d determina as rea 5, ta is fato res co n c o rrem tanto para ele
ta .as em . d . lpio e do estado quanto para os outros va
r e n d a ~ ~ ~ o m un1c consumos não residen .r .a
n"'ue compõem o qpc. aa~
'á re g ad a pa ra ca ra · , 1 · ~ · d
Outra var, veI emp cte riza r o n 1ve so c1oeconom1co a populaçã o ab
. d' d Desenvolvimento Humano (IDH ) , d' , .
tecida é o 1n ice e . Este 1n ice e considerado um indicasa-
dor do nível de atendimento das necessid . •
a~es humanas, em uma dada socieda
la Organização das Nações Unidas (ON de, se ndo
ca1cu1ado Pe U) para um extenso grupo de pa íses
desde
1990 . D e ssa form a , fo i d e se 1 · d
nvolvido o nd1ce e Oese~v~1v1· mento
pal - IDH-M, com algumas adaptações em Hum an o Munici-
~elação ao IDH, obJet,vando ~o~n.á-lo a
para caracterizar e comparar o desenvo propriado
lvimento humano entre mun1c1p1os. O
obtido pela média aritmética simples de IDH-M é
três índices parciais, referentes às variá
vidade, educação e renda . Pesquisa obje veis longe-
tivando avaliar e hierarquizar os fatore
entes no consumo per capita para 96 m s interve ni-
unicípios de Minas Gerais concluiu qu
apresenta estreita relação com o qpc, e e o IDH-M
m especial para os municípios com a
habitantes, ressaltando sua importância té 100 mil
e abrangência em estudos futuros (F
Neto, 2003). e rna nd es

b) Clima

Ê também intuitivo relacionar às regiõe


s quentes e secas um consumo de águ
elevado, se com parado às regiões temperadas e frias. En a mais
tretanto, fatores corno disponibili-
dade hldrica na região podem influenciar
essa relação.
Estudo realizado em 1996 nos Estados U
nidos (AWWA, 1 9 9 8 ) apontou variação
consumo per capita médio entre 494 Uh do
ab.dia, no estado do Maine, até 1 .230
no estado de Nevada. Uma vez que este Vhab .dia
índice refere-se tão-somente ao abaste
doméstico e industrial, .nã~ contemplando cimento
os gastos com irrigação, tal discrepância
em alguns.casos, r:fl~t,r a influência do clim parece,
a na definição do consumo de água. P
~ad?, essa ,nterferenc,a reduz-se quando se or outro
observam os estados de Montana e da
,~d1cando que outros fatores, além do clim Flórida,
a, intervêm na magnitude deste parâm
Figura 3.8 apresenta os referidos dados. etro. A

136
1
Consumo de água I Capítulo 3

1400 -r--_ _ _ _ __..., 1


. . . _____.) qpc .,.__ _ _ __ _ _ __ __..... 25

--rO temperatura
1200

..........._,
1000
m E
·-
"'C 15 a>
.ci 800 co
m ·-
"O
..e: ,Q)

d- 600 10 E
~
::::,
.......
400 .co
.....
(1)
5 o..
E
200 Q)
.......

Figura 3.8 - Cota per capita de abastecimento domést ico e industrial e temperatura média do ar em
alguns estados dos EUA (1996)
Fontes: AWWA (1998); US-NCDC (2005)

Relacionado ao clima, a influência da temperatura foi avaliada em pesquisa realizada


na cidad·e australiana de Melbourne, relacionando a cota per capita com as temperaturas
máximas diárias registradas durante o verão, no período de 1990 a 1997. Detectou-se uma
relação entre essas duas variáveis, com duas regressões lineares representando o fenômeno.
A primeira equação de regressão explicou a tendência para temperaturas inferiores a 39° e
e a segunda para temperaturas superiores a este valor (Zhou et ai., 2001 ).

c) Porte, características e topografia da cidade

O porte da cidade, diretamente relacionado ao número de habitantes e também ao


seu grau de industrialização, influencia todos os tipos de consumo de água doméstico,
industrial, e::omercial, público e perdas. As características do município, associadas, por exem-
plo, ao seu potencial turístico, também afetam o consumo de água. A topografia do muni-
cípio pode condicionar a rede de distribuição de água a maiores pressões, o que favorece o
consumo pela possibilidade de elevação das perdas físicas.

d) Administração do sistema de abastecimento de água

A administração do sistema de abastecimento pode influenciar, de diversas maneiras,


o consumo de água, em todos os tipos de demanda mencionados. Por um lado, a e)'(jstên:-
cia de micromedição no sistema e os valores da tarifa, bem como sua prog~ssí~rlãii.Je '

#' • - ..

137
Abe st ac lm en to da Agua pa ra co ns
um o hu m an o

. d lor un i'tário do m3 consumido no mês em


(acréscimo o va fu nção do total do co·n
d'd . surno
sobre o consu mo excessivo e os d. espe,r .,cios. esmo a ex1s ncJa e rede coletor d
. d e
esgotos, a,n a qu em uma p·rim·eira analise possa parecer não re1ac.ionada pod. a e
o aumento do consumo, pelo fato de . b . e irn 1.
um consumo muito a1 xo poder preju ' P tear
dicar o escoa.
menta dos despejos.
ão de p·ráticas de gestão pautadas, p . .
A adoç r1nc1palm en te, no adequado contrate
processo de produção e distribuição re f d ' . d
presenta ator que con ,c1ona o consu o
mo por rneio:
• da não ocorrência de intermitê
ncia ou irregularidade no abaste
ci-
mento;
• da qualidade da água ofertada e
de sua aceita ção por parte do con
-
sumidor;
• do controle das perdas que ocorr
em no sistema .

3.4.8 Valores típicos do consu


mo p e r capita de á g u a

Em função da mu\tip\icidade de fatore


s que podem concorrer para o valor
ABNT (1990) apresenta duas difere do qpc, a
ntes possibilidades para essa definiçã
sistemas de abastecimento de água : o nos projetos de
(i) obtenção de dados históricos de m
sumos domésticos, comerciais e indus edição dos con~
triais; (ii) na impossibilidade de determ
les valores, determinação da demand inação daque-
a a partir de cidades de característica
Visando a exemplificar a evolução do s seme\hantes.
s consumos, a Tabela 3 .12 apresenta
são histórica dos consumos de água a progres-
para a cidade de São Paulo, distribuíd
diferentes classes de consumo ou de os segundo as
destino da água .
Tabela 3.12 - Variação da deman
da ao longo de 85 anos, segund
consumos da água, para o munic o os diferentes
ípio de São Paulo
Consumo Saturnino de CNSOS
(Llhab.dia) Brito (1905)
DAE SAEC SABESP
(1951) (1957) (1972) (1990)
Total (%) Total (%) Total (%) Total (º/o) Total (o/o)
Doméstico 100 45,5 55
Comercia\ 42,5 14 0 46,7 180 40 ,0
50 2 2 ,7 50 25,0 45,0 120
e industrial 100 33 ,3 150 37,5 90 30,0
Púb\ico 45 20,4 25 12,5 15
Perda s 25 11,4 40 5,0 20 5,0 20 6,7
Total 220 20 ,0 45 15,0 23,3
100 200 100 50 12,5 70
300 100 400 300 100
Font e: AZEV EDO N mo (1998) 100
= -

138
1
• Consumo de água I Capitulo 3
1
1
j

''
'
1
1
Em decorrênc;a dos diversos fatores determinantes do consumo de água, verifica-se
1
1 nas cjdades brasi.leiras uma ampla faixa de variação dos consumos per capita de menos

1
l de 100 a valores de até 500 1/hab.dja. Dados de companhias estaduais, integrantes do
Diagnóst1ico 2000 do SNJS, apontam um consumo médio no País de 149,4 Uhab.día. Em
relação ao DiagnóstJco 1999, observa-se que houve uma redução de cerca de 6o/o no
consumo médio per capita. A Figura 3.9 apresenta as variações de consumo per capita
dos sistemas operados pela·s companhias estaduais, agrupados por regjões. Observa-se a
ampla variação e o valor médio de 130 Uhab.dia. -

m
::, 300
O) 266
'<O
Q)
-o
250
.e ,..... 200
210 206

·-
Q. ·-co 173
~ ~ 157 149
L.. ,O
Q) (O
150 - 139
119 124
138 134 128
123 112
120 114 123

E
100
113
76
::,
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8 o !(
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a:
a.
LL
o
O
(!)
tn
:E

Norte Nordeste Sudeste Sul Centro-Oeste

Figura 3.9 - Variações de consumo per capita de água para estados brasileiros
Fonte: SNIS (2000)

Na Tabela 3.13 são apresentados valores do consumo per capita adotados, no passado,
por entidades locais, estaduais e regionais, tendo em vista normas de projeto específicas. •

Tabela 3.13 - Consumo médio per capita, para populações providas de ligações
domiciliares
Norma/Entidade Consumo médio per capita (Uhab.dia)
Superintendência de Água e Esgotos da 300
CapítaVSP (1960)
Dep. de Obras Sanitárias do Estado de 200
São Paulo (1951)
Normas das Entidades Federais no Para cidades com população inferior a 50.000 habitantes
Nordeste: SUVALE, DNERu, DNOCS, • Recomendado: 150 a 200.
DNOS, FSESP e SUDENE • Mínimo: 100.
Para zonas servidas por torneiras públicas: 30.
Fonte: YASSUDA e NOGAMI (1976)

.

'
..•..:--

139
Abastecimento de âgua para consumo humano

, . d'f
A Tabela 3.14 reune I ere ntes vafores para o consumo per capita, em função
· de
distintas faixas populacionais.

Tabela 3.14 - Consumo me· , dio per capita,


· para populações dotadas de ligações
domiciliares , ..... 1 ••

-
9 r r a • "

.. P~rt~ da· c~m.uni·d~d~ .... F~ixa da População Consumo per capita


{habitantes)
.. .
. .... (L/hab.dia)
... . . . ,
- • • !
p

Povoado rural
T A t' .z s •

< 5.000
1 •
• r

90 a 140
r -• •

-
Vila 5.000 a 10.000 100 a 160
Pequena 1ocalidade 10.000 a 50.000 11 O a 180
Cidade média so.ooo a 250.000 120 a 220
Cidade grande . > 250.000 150 a 300
Fonte: VON SPERLING (2005)

o consumo per capita para populações abastecid~s sem ligaçõ~s d~miciliares, realidade
ainda presente no país, pode ser estimado a partir de categor1zaçao apresentada na
Tabela 3.15.

Tabela 3.15 - Consumo médio per capita, para populações desprovidas de ligações
domiciliares
Situação Consumo médio per capita
{Llhab.dia)
Abastecida somente com torneiras públicas ou chafarizes 30 a 50
Além de torneiras públicas e chafarizes, possuem 40 a 80
lavanderias públicas
Abastecidas com torneiras públicas e chafarizes, 60 a 100
lavanderias públicas e sanitário ou banheiro público
Fonte: FUNASA (2004)

Embora os dados de municípios semelhantes e o uso de tabelas possam permitir


a estimativa do consumo per capita para alguns casos, é questionável sua validade
na previsão das demandas reais para projetos de sistemas de abastecimento de água,
dada a variação desse consumo com os fatores já mencionados. Torna-se relevante,
portanto, a condução de estudos que busquem avaliar, de forma mais sistemática, a
influência dos fatores· intervenientes nesse consumo. Estudos dessa natureza podem
possibilitar a busca de soluções alternativas à utilização arbitrária de dados sobre O
consumo de água, a partir de dados de razoável facilidade de obtenção, em situa-
ções que requeiram o conhecimento desse parâmetro, como no redimensionamento
das demandas Qe,água para uma determinada população. .
Como forma de nortear a definição do consumo per capita, foi desenvolv1d.o
modelo matemático, delineado a partir dos dados de 19 municípios de Minas Ger~is 1

co~ população de ~o mil a 100 mil habitantes, mostrando que o consumo percapt~ f

t
é diretamente relacionado ao percentual de hidrometração e ao consumo de energia
.''
'
!

'
í

140
Consumo de tigua J Capitulo 3

pelos setores industrial e comercial, e inversamente relacionado ao vafor da tarifa


(Fernandes Neto, 2003).
Ponto que merece ser sempre mencionado é a diferença entre os valores do
consumo per capita macromedido, utilizado no dimensionamento das unidades de
um sistema de abastecimento de água, o referente aos valores discutidos nesta
seçao e considerado na equação anterior, e o consumo per capita micromedido,
aquele efetivamente consumido pelos usuários. A diferença entre eles é exatamente
as perdas no sistema, obedecendo à relação expressa na Equação 3.5, derivada da
Equação 3.3:

IP = qpc - qm
qpc (3.5)

Em que:

JP = índice de perdas (%);


=
qpc consumo per capita macromedido (Uhab.dia);
qm = consumo per capita micromedido (Uhab.dia).

ou seja, suponha-seque em um sistema tenha sido apurado um valor médio do


consumo per capita mjcromedido de 100 Uhab.dia. Tal consumo pode ser calcuJado con-
forme se segue:
3 3
_ consumo micromedido (m I mês) x 1OOOL I m
(3.4)
qm - população abastecida (hab) 30dias I mês

se tal sistema apresenta uma média histórica das perdas de 35%, o consumo per
capita macromedido, o qual a capacidade das unidades do sistema deve comportar, será
de 154 Uhab.día.
É fundamental que essa compreensão esteja bastante sólida nos profissionais de
engenharia sanitária, pois se se pretende estimar as vazões escoadas pelo sistema de esgo-
tamento sanitário daquela localidade, o valor a ser considerado para a contribuição per
capita é de 1oo Uhab.dia, pois será este o consumo a ser recebido pela rede coletora.

141
- ........
Abastecimento de âgue para. consumo humano

3. 5 coeficientes e fatores de correção de vazão

3w5.1 Período de funcionamento da produção

O período de funcionamento das unidades de produção deve ser considerado na


determinação das vazões de dimensionamento dessas unidades e deve ser cuidadosarnent
definido. Essa escolha pode ser condicionada por fatores técnicos ou econômicos. e
Um fator técnico típico que pode condicionar essa escolha consiste no tipo de rnanan~
cial. Nesse caso, quando a captação é realizada em manancial subterrâneo, é usual limitar
o tempo de funcionamento em 16 horas/dia, visando a evitar a superexploração do aqüífero
e permitindo o período diário de pelo menos oito horas para a sua recarga.
Do ponto de vista econômico, a decisão passa por se encontrar o período de funciona-
mento que minimize as despesas com mão-de-obra e pessoal, de um lado, e construção,
de outro. Supondo-se, por exemplo, a comparação entre as alternativas de 16 horas/dia e
24 horas/dia de funcionamento da produção, no primeiro caso haveria menor custo com
pessoal pode. .se organizar a operação com dois turnos de oito horas, por exemplo e
despesa com energia elétrica potencialmente menor, na medida em que se pode evitar a
utifização de equipamentos elétricos fora dos horários de maior tarifa. Por outro lado, nessa
alternativa, as unidades produtoras (captação, adutoras, estação de tratamento) teriam
capacidade cerca de SOo/o maior (24/16 = 1,5), com grande impacto nos custos de implan-
tação. Logo, para se tomar esta decisão, deve ser realizado cuidadoso estudo econômico,
cuja responsabilidade é tão maior quanto maiores forem as vazões do sistema.

3.5.2 Consumo no sistema

A operação do próprio sistema de abastecimento de água implica consumos, que


devem ser previstos na produção de água. Destes, é mais relevante e deve ser considerado
no cálculo das vazões de produção o consumo na estação de tratamento. Nas estações
consome-se água para lavagem dos filtros, para a lavagem de outras unidades, como
• decantadores, e para as atividades na casa de química, a exemplo da água necessária para
?preparo das soluções de produtos químicos. Até o final da década de 1980, eram comuns
instalações de tratamento que consumissem algo da ordem de 5% da vazão produzida.
Atualmente, inúmeras unidades de tratamento do País apresentam consumos inferioresª
2%, resultante da maior acuidade na operação. ·

142
..... ~2--s~-------------------s--•a--2SSEE----------I
2
-----------·z•z...a----a--------

Consumo de água I Capltulo 3

'
3.5.3 Coeficiente do dia de maior consumo (k1)

O coeficiente do d;a de maior consumo (k 1) consiste na razão entre o maior consumo


diário verificado em um ano e o consumo médio diário no mesmo ano, considerando-se as
mesmas ligações. Na ausência de determinações específicas, o que deve sempre ser prefe-
rível,, a ABNT recomenda a adoção de um valor de 1,2 para k1 . A Tabela 3.16 apresenta
distintos valores deste coeficiente obtidos em escala real.

Tabela 3.16 .. Coeficientes do dia de maior consumo (k1) obtidos em escala real
Autor/Entidade - Ano Local k1
Cetesb (1978) Valinhos 1,25 - 1,42
t
Tsutya ( 1989) São Paulo 1,08 - 3,08
Saporta et ai. (1993) Barcelona 1, 1O- 1,25
Walski et ai. (2001 ) EUA 1,2 - 3,0
Hammer (1996) EUA 1,2 - 4,0
AEP (1996) Canadá 1,5 - 2,5
Fonte: TSUTYA (2004)

A discrepância dos· valores é explicada pelas distintas características dos sistemas ava-

liados. Entretanto, pode-se observar a elevada variação de valores, reforçando a idéia de
levantamentos em escala real mais sistemáticos e específicos para cada projeto. Tal prática
fica cada vez mais facilitada com a popularização da implantação de macromedidores nos
sistemas.

3.5.4 Coeficiente da hora de maior consumo (k2)

o coeficiente da hora de maior consumo (k2) é a razão entre a máxima vazão horária
• e a vazão média djáría do dia de maior consumo. Na ausência de determinações específicas,
O quedeve sempre ser preferível, a ABNT recomenda a adoção de um valor de 1,5 para k2.
A Tabela 3.17 apresenta valores deste coeficiente determinados em situações reais.

'
Tabela 3.17 - Coeficientes da hora de maior consumo (k2) obtidos em escala real

Autor/Entidade - Ano Local k2

Cetesb (1978) Valinhos 2,08 - 2,35


Tsutya (1989) São Paulo 1,5 - 4,3
Saporta et ai. (1993) Barcelona 1,3 - 1,4
Walskj et ai. (2001) EUA 3,0 -6,0
1 Hammer (1996) EUA 1,5-10,0
AEP (1996) Canadá 3,0 -3,5
- -

Fonte: TSUTYA (2004)

143 •
hu m an o
Abastecimento de água paro consumo

s p a rc ia lm en te e xp lic a da pe la in ex .
,s •
ten ci a d
A discrepância d os va lore s d e term ina d o é . .
d á e p e Ias d 1s t1 ntas c a ra cterística s d . - e
rese.rvatórios dom icilia res no s E U A e C an a b I d . - O S S tste
r a e e va a va n a ç a o d e va lore s rn as
ca so d e k 1, po d e-s e o s e rva
avaliados. Como no s is tem ático s e m es ~ ~ no
d e le v a nta m e n to s e m e sc ala re a l m ais
Brasil, reforçando a id éia
. e sp e c, f,c os
eio d o s m a cro m e d id ores
para cada projeto, por m

• •

3.6 Exemplo d e a p li c a ç ã o

6, procurando ilustrar a aplica ã O d .


Apre~enta-s e, ne sta seção , o Exe m p lo 3.
ç e diversos
dos conc eitos apre sen tados n o capítulo.

Exemplo 3.6

a n o d e 2 0 2 5 , as v a z õ e .
E.stimar a n o a ano, a té o unid ades do
d s. ~a.s
sistema da se de de um município cujos da os cens1tanos estão apre-
sentados a seguir: ,

• Censo d e 1 9 50 : 2 .3 0 7 h a b it a n te s·
• Censo d e 1 9 60 : 5 .0 2 3 h a b it a n te s :
• Censo d e 1 97 0 : 1 2 .4 8 6 h a b it a n t; s .
• Censo de 19 8 0 : 1 8 .6 3 7 h a b it a n te s :
• Censo de 19 9 1 : 2 5 .1 4 5 h a b it a n te s :
Censo de 2 0 0 0 · 3 0 7 12 h b 't
a I an te s ,
.
• · ·

Solução:

a) Projeção aritmética

Kª = P2 - P o = 4 0 0 0 0 -1 0 5 8 5
t2 - to 2 0 0 0 -7 9 B O = 1 4 7 0 ,8

P.
~== 0 +K 1t tO) == 10585
\
ª· i -
+ 1470,8 X (t -7 9 8 0 )

144
Consumo de água I CapJtulo 3

Para se calcular a população do ano 2005, por exemplo, deve-se subs-


tituir t por 2005 na equação anterior. Para o ano 201 O, t = 201 O, e
assim por diante.

b) Projeção geométrica

K = lnP2 lnP0 = ln 40000 - ln 10585 _


-
g t -t 2000 . -0,0665
2 o - 1980

pt = Po. e Kg .(t- toJ = 10585. e 0,0665 X (t- 1980)


pt = Po. (1 + i) (t- to)

1) Projeção populacional

Por se tratar de uma comunidade relativamente nova, com valores de


população ainda reduzidos, os métodos de projeção estudados serão
o de crescimento aritmético e o de crescimento geométrico. A partir
dos dados censitários, determinam-se as taxas de crescimento para os
métodos geométrico e aritmético apresentadas na Tabela 3 .18.

1
Tabela 3.18 - Projeção populacional. Taxas de crescimento observadas
Taxa crescimento Taxa crescimento
População geométrico (T ou i) (%} aritmético (Kª) (hab/ano)
L\t 9
An.o residente Referência
• {ano} Referência Referência Referência
{hab} 1950

censo anterior 1950
censo anterior
1950 o 2.307 - - - -
5.023 8,09 8,09 271,6 271,6
1960 10
' 12.486 9,53 8,81 746,3 509,0
1970 20
18.637 4,09 7,21 615, 1 544,3
1980 30
25.145 2,76 6,00 591,6 557,0
1991 41
30.712 2 ,25 5,31 618,6 568, 1
2000 50

d) Projeção populacional pelo método dos mfnimos-quadrados (regressão


linear)

i - Crescimento aritmético

A equação do crescimento aritmético é Pt = PO + Ka.(t-t0 ), correspon-


dente à equação de uma reta . A partir dessa equação, efetua-se a

145
Abastetlmento do Agua para consumo hum·ano

•'
1 regressão linear com os dados da. coluna "t-t~; ou Dt (ano)" (valores
1
1
de x) e da coluna "população residente (hab) (valores de y), obten~
do-se os seguintes resultados:
1
1
1

1

• coeficiente de correlação: 0,9958
• coeficiente angular: Ka == 590,8
• coeficiente linear: PO == 850
• População em 2000: P2000 = 850 + 590,8.(2000-1950) = 30.390
hab (valor muito próximo do verificado no censo de 2000)
• População em 2025: P2025 = 51.630 hab.

ii - Crescimento geométrico

Inicialmente, a equação do crescimento geométrico Pt = P0 .r9{t-to) = pt


(1 +i)Dt deve ser transformada, tomando-se o logaritmo dos seus dois
membros (r é igual a 1+i, tal como apresentado no Quadro 3 .1 ). Tem-
9
se log Pt = log r .Dt + log P0 • Esta última equação também é a equação
9
de uma reta, do tipo y =a.x + b, em que y = log Pt ex= Dt. Logo, para
efetuar a regressão linear, utilizam-se os logaritmos dos valores da
população, conforme listado na Tabela 3.19:

Tabela 3.19 - Logaritmos dos dados censitários da cidade-alvo da projeção


p_opulacional

O 3,363
10 3,700
20 4,096
30 ~270
41 4,400
50 4,487

Objetivando buscar a solução estatisticamente mais adequada efe-


. - r1near para diferentes
tua-se a reg ressao . ' na
alternativas . como consta
Tabela 3.20. '

Das três projeções a q f


verificada no cens~ do ue orneceu valor da P2000 ~ais próxim~ da
. . , . IBGE neste mesmo ano, ou seJa a que mais se
aproxrmou do ultimo dad 0 . , . . . ,
1950 e 19 . · cens,tano, foi a proJeção sem os anos de
60

146
Consumo de água I Capitulo 3

Tabela 3.20 - Projeção geométrica. Resultados da regressão linear para três alternativas
Alternativa 1 Alternativa 2 Alternativa 3
Parâmetro Projeção com Projeção sem os Projeção sem os
todos os dados anos 1950 e 1960 anos 1970 e 1980
(Ll =O -t 1950) (Â =0 ~ 1970) (L\ =0 ~ 1950)
Coeficiente de correlação 0,9637 0,9916 0,9927
.coeficiente linear {log Fi) 3,490417 4, 116563 3,418804
Coeficie~te angular (log r9) 0,022358 0,012923 0,022540
Populaçao em 2000 e,, 40.581 31 .934 35.140
1 Po.pulação em 2025 146.985 67.194 128.618
(1) Pelo censo do IBGE P2000 = 30~712 hab.

1 iii - Definição da projeção populacional a adotar

Para facilitar a análise dos resultados das diferentes regressões efetua-


das, lançam-se na Tabela 3.21 os respectivos valores de P2000 e de P2025 .
Para efeito de comparação, incluíram-se também na tabela os valores
da taxa de crescimento geométrico equivalente relativo a cada valor de
P2025 obtid'o em comparação com a população do último censo do IBGE.

Tabela. 3.21 - Comparação das distintas projeções populacionais


Tuxa crescimento geométrico equivalente em
População (hab.) relação à população do censo de 2000 (%)
Ano Projeção geométrica , Projeção geométrica
Último Projeção Ultimo Projeção
Censo Altern. Altern . AJtern. aritmética Censo Altern. Altern. Altern. aritmética
1 2 3 1 2 3

1 2000 30.712 40.581 31 .934 35.140 30.390 2, 25* - - -


2025 ..--.- 146.985 67.194 128.618 51 .630 - 5,28 3,02 5,33 2,14

* Relativo ao período 2000-1991

1 Considerando que a cidade apresenta atualmente um bom dinamismo


econômico, o qual deve se manter nas próximas décadas, a adoção do
crescimento aritmético poderia subestimar o crescimento que a cidade
deve experimentar no período em questão, o que indicaria a opção
por um dos modelos geométricos. Comparando-se os valores das ta-
xas equivalentes de crescimento geométrico, conclui-se que a proje-
' ção que mais se aproxima do crescimento observado no último período
c.ensitário (1991-2000) é a alternativa 2 . Assim sendo, provavelmente
a projeção mais adequada é a alternativa 2 do crescimento geométrico,
que reflete melhor a dinâmica populacional da cidade para os 25 anos
em análise. Ê importante observar também que a taxa de crescimento
correspondente (3,02 o/o a.a.) é próxima à taxa verificada no Brasil
(2,43% a.a.) no último decênio,
1

147
li>·

......
c:r

""s

Tabela 3.22 - Exemplo 3.6. Planilha de cálculo de vazões


-
3

-
&
::,
o
a.
Ano t Pop. Índice Pop.
CD
(ndice Cons.médio li><

total Vazões consumidas Vazões Nº horas funcion.


U)
e:
abastec. abastec. perdas per capita e»
(hab) dimensionamento unidades u
(%) (hab) (%) do sistema
(L/hab.dia)
Média Dia maior Produção Hora maior Unid.
consumo (t:16h;qETA:2%) consumo
Rede produção -,..
C1
Ili

o
prod. distrib. Médio DMC ...e:
;J
3
{m /dia) (Lls) (L/s) (Us) (Us) (Us) (lls) (h) {h)
, 3
(col.1) (col 2) (col.3) (coJ.4} (col.5) (col.6) (coJ.7) o
(col.8) (col.9) (col.10) (col 11) (col 12) (col.13) (col~14) (col.15) (col.16) :::r
1:
2000 -5 30.712 80 24.570 30 214,3 3
2001 -4 31.640 80 25.312 30 214,3
5.264,9
5.423,9
60,9
62,8
73, 1
75,3
111,9
115,3
109,7
113,0
-
-
- -
-
- IP
:::s
o
2002 -3 32.595 80 26.076 30
2003 -2 12.284 80 9.827 30
214,3
214,3
5.587,8
2.105,8
64,7
24,4
77,6 118,7 116,4 -
-
-
-
-
2004 -1 21.061 80 16.849 30
29,2 44,7 43,9 -
..a. 2005 o 35.639 90 32.075 29
214,3
211,3
3.610,5
6.776,4
41,8
78,4
50, 1 76,7 75,2 - - - -
..,::.. 94, 1 144,0 141,2 206,3 270,0 9,3 11,2
2006 1 36.715 92 33.778 29 211,3 7.136,2 82,6 99, 1 151,6
00 148,7 206,3 270,0 9,8 11,8
2007 2 37.824 94 35.555 29 211,3 7.511,6 86,9 104,3 159,6 156,5 206,3 270,0 10,3 12,4
2008 3 38.967 96 37.408 28 208,3 7.793,3 90,2 108,2 165,6 162,4 206,3 270,0 10,7 12,8
2009 4 40.143 98 39.341 28 208,3 8.196,0 94,9 113,8 174,2 170,7 206,3 2.7 0,0 11,3 13,5
2010 5 41.356 100 41.356 28 208,3 8.615,8 99,7 119,7 183, 1 179,5 206,3 270,0 11,8 14,2
2011 6 42.605 100 42.605 27 205,5 8 .754,5 101,3 121,6 186,0 182,4 206,3 270,0 12,0 14,4
2012 7 43.892 100 43.892 27 205,5 9.018,9 104,4 125,3 191,7 187,9 206,3 270,0 12,4 14,9
2013 8 45.218 100 45.218 27 205,5 9.291,3 107,5 129,0 197,4 193,6 206,3 270,0 12,8 15,3
2014 9 46.583 100 46.583 27 205,5 9.571,9 110,8 132,9 203,4 199,4 206,3 270,0 13, 1 15,8
2015 10 47.990 100 47.990 26 202,7 9 .727,8 112,6 135, 1 206,7 202,7 206,3 270,0 13,4 16,0
2016 11 49.440 100 49.440 26 202,7 10.021,6 116,0 139,2 213,0 208,8 275,0 270,0 10,3 12,4
2017 12 50.933 100 50.933 26 202,7 10.324,3 119,5 143,4 219,4 215, 1 275,0 270,0 10,6 12,8
2018 13 52.471 100 52.471 26 202,7 10.636, 1 123, 1 147,7 226,0 221,6 275,0 270,0 11,0 13,2
2019 14 54.056 100 54.056 25 200,0 10.811,2 125, 1 150,2 229,7 225,2 275,0 270,0 11, 1 13,4
2020 15 55.689 100 55.689 25 200,0 11 .137,8 128,9 154,7 236,7 232,0 275,0 270,0 11 ,5 13,8
2021 16 57.371 100 57.371 25 200,0 11 .474,2 132,8 159,4 243,8 239,0 275,.0 270,0 11 ,8 14,2
2022 17 59.104 100 59.104 25 200,0 11 .820,7 136,8 164,2 251,2 246,3 27510 270,0 12,2 14,6
2023 18 60.889 100 60.889 25 200,0 12.177,8 140,9 169, 1 258,8 253,7 275,0 270,0 12,5 15, 1
2024 19 62.728 100 62.728 25 200,0 12.545,6 145,2 174,2 266,6 261,4 275,0 270,0 12,9 15,5
2025 20 64.622 100 64.622 25 200,0 12.924,5 149,6 179,5 274,6 269,3 275,0 270,0 13,3 16,0


Consumo de água l Capitulo 3

2. Cálculo das vazões


O cáJcuro das vazões está apresentado na Tabela 3.22. A explicação para cada coluna
é apresentada a seguir:

coluna 1 ano, iniciando no último levantamento censitário, até o alcance do proje-


to (2005).
coluna 2 período, sendo que 2004 foi considerado o período em que seriam ela-
borados os projetos, 2005, o período de construção, e 2006, o primeiro
1 ano de operação do novo sistema.
coluna 3 projeção populacional, por meio da equação de crescimento geométrico,
a partir da população de 2000 apurada pelo censo demográfico (30.712
hab.).
coluna 4 índice de abastecimento: assumiu-se a meta de universalização do serviçot
atingindo 1OOo/o de atendimento, progressivamente.
coluna 5 população abastecida.
coluna 6 índice de perdas de água no sistema: foi assumida a meta de 25o/o
(valor condizente com o nível operaéional do sistema) no ano de 2025.
A redução para 30% costuma ser facilmente obtida, por referir-se à
eliminação de perdas de água facilmente identificáveis é com baixo
custo de correção (vazamentos em válvulas nas unidades de produção
e em reservatórios). Abaixo de 30%, a redução fica mais difícil por
corresponder a perdas essencialmente na rede de distribuição, de iden-
tificação mais difícil e de maior custo para a sua eliminação. Assim
sendo, adotou-se o índice de 29°/o para o primeiro ano de funciona-
mento do novo sistema, reduzindo-o progressivamente daí em diante,
atingindo-se 25o/o no ano de 2019.
coluna 7 consumo médio per capita: assumiu-se que o consumo per capita micro-
medido seria constante ao longo de todo o período do projeto e igual a
150 Uhab.dia. O consumo per capita de projeto (macromedido) foi cal-
culado pela expressão: q = qm I (1-p) sen.do qm = consumo micromedido.
colunas 8 e 9 vazão média =Pab x qpc
coluna 1o vazão do dia de maior consumo = Oméd x k 1

coluna 11 vazão de produção = OoMC x {t/24) x qETA


coluna 12 vazão da hora de maior consumo = OoMc x k2
coluna 13 vazão de dimensionamento da produção: na ausência de estudo eco-
nômico para a determinação do alcance ótimo da primeira etapa,
assumiu-se dividir o período em duas etapas, sendo a priimeira com
alcance até o ano 1O (2015), que permite uma adequada modulação


149

. - . . ... , - .. - .. -
Abastecimento de água para consumo humano

3
das unidades, pois resulta em uma vazão i~ual a A da v~zão d~ final
I
de pano, . modular
.Pe rmitindo . a impfantaçao de elevatórias, unidades
do tratamento, reservatórios, etc.
coluna 14 vazão de dimensionamento da produção: assumido como QHMc do
ano 20.
colunas 15 e 16 número de horas de funcionamento da produção: ~oi determinado para
as vazões média e do dia de maior consumo, sendo importante elemento
para cálculo de consumo de energia.

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ZHOU, S.L.; McMAHON, T.A.; WANG, Q.J. Frequency analysis of water consumption for metropolitan area of

Melbourne. Joumal of Hydrology, v. 247, p. 72-84, Jun. 2001 .

151
Capítulo 4

Qualidade da água para consumo humano

Valter Lúcio de Pádua


Andrea Cristina da Silva Ferreira

4.1 Introdução

Conforme mostrado em capítulos anteriores, do volume total de água existente na


natureza, apenas um pequeno percentual apresenta qualidade, quantidade e acessibilidade
para ser utilizado nos sistemas de abastecimento e, freqüentemente, ela necessita ser
tratada antes de ser distribufda à população. A degradação das águas por meio da poluição
e da não-racionalização do seu uso vem dificultando o seu tratamento, intensificando a
escassez hídrica e aumentando os riscos à saúde humana pelo seu consumo.
A Organização Mundial de Saúde (OMS) estimou, em 1996, que a cada 8 segundos
morreu uma criança de infecção relacionada com a água e que, a cada ano, mais de cinco
milhões de pessoas morrem de doenças ligadas ao consumo de água insegura devido ao
saneamento inadequado (Anon, 1996 apud Payment e Hunter, 2001 ). Segundo a OMS, se
toda população tivesse acesso a água e a serviços de esgotamento sanitário adequados,
deveria haver redução anual de 200 milhões de episódios de disenteria, 2, 1 milhões de
mortes causadas por disenteria, 76.000 casos de dracunculíase, 150 milhões de casos de
esquistossomose e 75 milhões de casos de tracoma (Payment e Hunter, 2001).
A Conferência Internacional sobre a Agua e o Meio Ambiente, em 1992, adotou uma
, declaração reconhecendo "o direito básico de todos seres humarios ·a ter acesso-a água
limpa e saneamento a um preço acessível" (Vidar e Ali Mekouar, 20ID4) .

••
153
q


Abastecimento de á gua para o,n,umo humat10

. . . 'tár·ios decorrentes da djstribuição de água inadequada ao


Tendo em vista os riscos san1 , · . . _
. ít I sa,-#o abordados processos de contam1naçao e poluição
consumo humano, neste cap u o · · . , . , , .
. t d discutidos parâmetros físicos, qu1m1cos, rad1ologicos e
dos corpos d'água; apresen a os e . . · . d
. ló . t 'I' d na caracterização da água; mencionadas as pr1nc1pais oenças refacio-
b10 g1cos u r tza os . b'l'd d 1 · J - •
· d' á
na as com a gua; e apres . entados 05 padrões de pota 11 a e e a eg,s açao pertinente em
nosso pafs.

4.2 Classificação dos mananciais e usos da água

Devido à multiplicidade de aplicações da água nas diversas atividades humanas, 0


conceito de "qualidade da água" precisa ser relativizado, em função do uso a que se
destina.
Éconveniente destacar a distinção conceituai que se faz entre poluição e contaminação.
Num conceito amplo do ponto de vista sanitário, considera-se poluição a alteração das
propriedades físicas, químicas, radiológicas ou biológicas naturais do meio ambiente (ar,
água e solo), causada por qualquer forma de energia ou por qualquer substância sólida,
líquida ou gasosa, ou combinação de elementos, em níveis capazes de, direta ou indireta-
mente: a) ser prejudicial à saúde, à segurança e ao bem-estar das populações; b) criar
condições inadequadas para fins domésticos, agropecuários, industriais e outros, prejudi-
cando assim as atividades sociais ou econômicas; ou c) ocasionar danos relevantes à fauna,
à flora e a outros recursos naturais. A contamjnação tem recebido uma definição mais
restrita ao uso da água como alimento. O lançamento de elementos que sejam diretamente
nocivos à saúde do homem ou de animais, bem como a vegetais que consomem esta
água, independentemente do fato destes viverem ou não no ambiente aquático, constitui
contaminação. Assim, a contaminação constitui um caso particular de poluição da água.
No Brasil, o Conselho Nacional do Meio Ambiente, CONAMA, publicou a Resolução
nº 20/1986, po.steriormente revogada pera Resolução nº 357/2005, que classifica as águas
superficiais do País em doces, salobras e salinas, ordenando-as em função das características
física, química e biológica da água dos mananciais, tornando obrigatória a determinação
de dezenas de parâmetros para caracterizar as águas e assegurar seus usos predominantes.
A determinação destes parâmetros tem sido sistematicamente descumprida devido à falta
d.e r~cursos humanos, materiais e financeiros em muitos órgãos federais, estaduais e muni-
c1pats que poderiam exercer esta atividade. Observa-se na Tabela 4.1 os usos da água
preconi~a~os na Resolução nº 357/2005 do CONAMA, em função da classificação dos
mananc1a1s.

154

J
Qualidade da água para consumo humano l Capítulo 4

Tabela 4.1 • Classificação das águas doces, usos e tratamento requerido segundo o
coNAMA (continua)
t Destinação Salinidade* Classificação
CJasse Especial (com desinfecção)
Classe 1 (tratamento simplifícado)
Doce Classe 2 (tratamento convencional)
a) abastecimento para consumo Classe 3 (tratamento convencional
humano ou avançado)
Salina Não se aplica
Salobra Classe 1 (tratamento convencional
ou avançado)
Cfasse Especial
Doce Classe 1
Classe 2
b) preservação do equilíbrio natural
das comunidades aquáticas Salina Classe Especial
Classe 1
Classe Especial
Salobra
Classe 1
e) preservação dos ambientes Doce Classe Especial
aquátie®s em unidades de Salina Classe Especial
conservação de proteção integral Salobra Classe Especial
Classe 1
Doce
d) recreação e contato primário Classe 2
(esqui, natação, mergulho, etc.) Salina Classe 1
Salobra Classe 1
e) irrigação de hortaliças consumi- Doce Classe 1
das c:rwas e de frutas crescendo Salina Não se aplica
rentes.a@ chão e ingeridas cruas
sem remoção da pelfcuia. Salobra Classe 1
Doce Classe 1
f) proteção das comunidades Salina Não se aplica
aquáticas em Terras Indígenas
Salobra Não se aplica
g) irrigação de plantações, jardi~s,. Doce Classe 2
campos; etc., com os qu.ais o publi- Salina Não se aplica
t
co possa vir a ter contato direto Salobra Classe 1
Doce Classe 2
h) aqüicultura e atividade de pesca Salina Classe 1
Salobra Classe 1
Doce Classe 3
i) irrigação de culturas arbóreas, Não se aplica
Salina
cerealíferas e forrageiras
• Sa.lobra Não se aplica

155
'
,
1
(conclusão)
r Classe 3
Doce
Salina Classe 2
r
• j) pesca amadora
Salobra Classe 2
Doce Classe 3 -
1) recreação de contato secundário Salina Classe 2
Salobra Classe 2
Doce Classe 3
m, dessedentação de anímais Salina Não se apJica
Salobra Não se aplica
Doce Classe 4
n) navegação Salina Classe 3
Salobra Classe 3
Doce Classe 4
o) harmonia paisagística Salina Classe 3
Salobra Classe 3
"*' Salloidade Doce - saJJnidade::::: 0,5 %o; salobras - 0,5 <salinidade> 30 %o; e salinas - salinidade = 30 o/oo.
fonte:httpJ/www.mma,gov.br/port/conama/res/res05/res35705.pdf, acessado em março de 2006. Resolução CONAMA
ª 357 de 17 de março de 2005

Devido à complexidade dos fatores que determinam a qu~lidade das águas (hidrodinâmicas,
físicos, químicos e biológicos), amplas variações são encontradas entre rios ou lagos locali-
zados em diferentes regiões. Da mesma forma, a extensão e a severidade dos danos causados
por ímpactos antropogênicos também variam amplamente entre os diferentes tipos de manan-
ciais e suas características hidrodinâmicas. Como exemplos citam-se o tempo de detenção,
vazão, morfología e padrão de mistura da coluna de água. Deve-se destacar também que os
órversos usos da água, tais como consumo e higiene humanos, pesca, agricultura (irrigação e
suprimento para anjmaís), ·transporte ff uvial, produção industrial, resfriamento industrial, diluição
de resíduos, geração de energia elétrica e atividades recreacíonais, são afetados de modos
diferentes pela alteração da qualidade da água, como exemplificado na Tabela 4.2, onde se
observa que a presença de matéria orgânica pode ser benéfica à irrigação, mas, por outro lado,
acarreta sérios problemas à potabílízação da água para consumo humano.
O aumento das atívídades industriais e agrícolas e o crescimento populacional intensi-
ficam a demanda por água ao mesmo tempo em que contribuem para a deterioração da
sua qualidade. As maiores demandas vêm de atividades que usualmente são menos exi-
gentes em relação à qualidade da água, tal como a agricultura, produção de energia e
resfriamento industrial, em comparação aos suprimentos para consumo humano e deter-
minadas manufaturas industríais. Assim, a água é vital para a proteção da saúde humana e
também para o desenvolvimento econômico. O conflito potencial entre 05 diversos usos da
águal no que se refere à quafídade e quantidade, tem gerado tensões e problemas legais.

156
...-----
Qualidade da água para consumo humano I Capítulo 4

A importância do abastecimento de água deve ser encarada sob os aspectos sanitário e


econômico, sem que o segundo prevaleça sobre o primeiro. Num quadro de escassez hídrica, o
consumo humano e a dessedentação de animais são considerados usos prioritários. A água é a
substância maisabundante nos sistemasvivos, perfazendo 70% ou mais da massa da maioria dos
organismos, havendo uma demanda fisiológica, pois, ao ser eliminada pefo organismo através da
urina (53%), pela evaporação da pele e dos pulmões (42o/o) e pelas fezes (5%), ela precisa ser
reposta através da ingestão de líquidos e alimentos que a contenham. Em níveis bioquímico e
celular, há necessidade de água para regular a temperatura corporal e para atuar como solvente e
veículo de componentes a serem excretados para o funcionamento do organismo (Curtis, 1977).

Tabela 4.2 - L.imitações dos usos das águas, devido à degradação de sua qualidade
Usos
Poluentes ou Agua para Biota

contaminantes Produção de
consumo aquática Recreação Irrigação Usos •
Transporte
energia e
humano e pesca industriais
resfriamento
Patógenos XX o XX X XX' na na
Sólidos Suspensos XX XX XX X X xi xx3
Matéria organica XX
xxs,6 X XX + xx4 xs na
Fitoplancton x7 XX xs xx4 xs Xª
Nitrato XX X na + XX' na na
Sais9 XX XX na XX

xx1º na na
Elementos traço XX XX X X X na na
Mie:!ropoluentes
Organrcos XX XX X X 7• na na
Acidificação X XX X 7• X X na
Fonte: Modificado de CHAPMAN (1996)
XX Dano acentuado, exigindo maiores custos em 3 Assoreamento em canais
tecnologias de tratamento ou excluindo o uso
X Menordano 4 Indústrias eletrônicas
O Nenhum dano 5 Entupimento de filtros
na Não aplicável 6 Odor, sabor e/ou cianotoxinas (estando presentes
cianobactérias tóxicas}
+ A degradação da qualidade da água pode ser 7 Em tanques de peixes, maiores biomassas fitoplanctônicas
benéfica para est e uso podem ser aceitáveis
7 Efeitos ainda não completamente compreendidos 8 Desenvolvimento de macrófitas, além do fitoplâncton
1 Indústrias alimentícias 9 Inclui boro, fl uoreto etc.
2 Abrasão 1O Cálcio, Ferro, Manganês em indústrias têxteis etc.

Os profissionais que trabarham com sistemas de abastecimento de água devem estar


atentos ao fato de que a qualfdade da água dos mananciais pode variar naturalmente ou pela
ação humana e que a não-proteção dos mananciais pode implicar sérios problemas rela-
cionados a potabilização da água, aumentando os riscos sanitários e inviabilizando o emprego
de técnicas de tratamento mais simples e menos onerosas, que poderiam ter sido utilizadas
antes da deterioração da qualidade da água do manancial. Neste sentido, torna-se impor-
tante apresentar o conceito de ''múltiplas barreiras", que preconiza a atenção à água, desde
o manancial até o momento de ser utilizada pelo consumidor. Assim, é de primordial
importância que todo o sistema de abastecimento de água seja projetado, construído, opera-
do e mantido corretamente, tomando-se as providências necessárias para evitar a deterioração

157

.._
Abosteclniento de Agua para consume> humo.no.

da qualidad,e da água no manancial, na captação, na adução, no tratamento n


rese1Vação, na distribuição e nas próprias instalações hi?ráulico-sanitárias predia~. recalque, na
Na Ta,befa 4.3 listam-se possíveis f~ntes ~e det~r1oração das águas, incluindo .
1
rezas adqu,iridas nas ·diversas fases do clcl,o h1drolég1co. Deve-se procurar conh as rnpu ..
. ,. .- - d á . . ecer e ev·
os caminhos que levam à polu1çao e contam1naçao a gua, para reduzir os risco . ttar
s san1tá ·
e os custos associados a·o tratamento da água. rios

Tabela 4.3 .. Caminhos da poluição e contaminação das águas

-

.MaOánciâl~ ........ Precipita"ç~O âtmostériCa: as águas.de eh.uva podem arrastar impurezas -
existentes na atmosfera.
Escoamento superficial: as águas lavam a su~erfície do solo e carreiam
impurezas, tais como partículas do solo, detritos vegetais e animais
microrganismos patogênicos, fertilizantes e agrotóxicos. '
lnfiltr.a,ão no solo: nesta fase pa~e das imp~rezas P?de ser filtrada e removid
mas d_ ep_~~~endo das carad:erfst1cas geol_?gtcas ~ocats, outras impurezas pode a,
ser adqutrtdas através, por exemplo, da dtssoluçao de compostos solúveis ou m
do c~rreamento de ~atéria fecal originada de soluções inadequadas para O
destino final dos deJetos humanos, como as fossas negras.
Uso e ocupação do solo: o uso e a ocupação do solo exercem influência
significativa sobré a qualidade e a quantidade de água dos mananciais.
lançamentos diretos: despejos de águas residuárias e de resíduos sólidos
lançados inadequadamente nos man~nciais.
'

Intervenções estruturais: canaliza~ões de rios, barramentos e desvio de água


numa mesma bacia hidrográfica ou entre bacias e o bombeamento excessivo
da á·gua de aqüíferos pod_em, a longo prazo, causar problemas que superam os
benefícios previstos originalmente. Nas represas as impurezas sofrem
alterações decorrentes de ações de naturezas física, química e biológica. Por
outro lado, o repre,samento favorece a remoção de partículas maiores por
sedimentação e cria condições mais favoráveis para o crescimento de espécies
de algas que podem ser prejudiciais ao tratamento de água.
Captação, Captação: deve ser local.izaâa em local sanitariamente protegido, distante de
aidUi'i".'á'S
~; - I
pontes de lançamento de peluentes ou contaminantes. O pr.ojeto da captação
tratamento e deve evitar a água mais superficial, por exemplo, quando há floraçã·o de algas,
distribuição e impedir o arraste de lodo do fundo do manancial, o qual ,pode apresentar
concen'tração elevada de compostos orgânicos e inorgânicos indesejáveis.
Adução: deve ser executada com os devidos cuidados; por exemplo, não se
admite aduzir água tratada em canais abertos.
Tratamento: nas próprias instalações de tratamento existem possibilidades de
contaminação como -em canais abertos que aduzem água filtrada, pelo mau
esta~e de conservação das diversas unidades de tratamento, pelo uso
inade€1uado de produtos químicos, seja por sua má qualidade ou pela
dosa~em i"nadequada dos mesmos.
Recalque e distribuição: no sistema de recalque a deterioração da ~ualidade da
água p(j)ee ocorrer, por exemplo,, pelo posicionamento muito próximo das
linhas cle drstribuição de água das linhas de esgotamento sanitá.rio. Os .
reservatérios de água devem ser cobertos e o sistema deve funcionar sempre
com priessão ,satisfatória. . . ·.e
lnst~ações hidráuJico-s~nitárias P.rediais: de~em se~ executadas com mate~~:m
técn1cas adequadas, evltando-se 1nterconexoes perigosas e refluxos que P
• •• • -- t
intro~uz.ir água contaminada no sistema de distribuição.
4 . • .. ... • .. 1 .. • • 3

'

158
i.·
li
Qualidade da água para consumo humano I Capítulo 4

4.3 Materiais dissolvidos e em suspensão presentes na água

Água quimicamente pura (H20) é encontrada na natureza somente quando ela está sob a
forma de vapor. Quando as moléculas de água na atmosfera se condensam, as impurezas
começam a acumular: gases dissolvem-se nas gotas de chuva e, ao atingir a superfície, a água
dissolve uma série de substâncias que são incorporadas à água, tais como cálcio, magnésio,
sódio, bicarbonatos, cloretos, s,ulfatos e nitratos, traços de alguns metais como chumbo, cobre,
manganês e compostos orgânicos provenientes dos processos de decomposição que ocorrem
no solo. As águas superficiais e subterrâneas passam a ter impurezas, que sofrerão variações
com a geologia local, vegetação e clima (Branco et ai., 1991 ). Contudo, do ponto de vista da
potabilidade, o conceito de pureza da água é totalmente diverso do conceito químico. A pureza
química da água (H20) é não só dispensável como até mesmo indesejável. A água é um alimento
que, embora não tenha valor energético, contribui fundamentalmente para a edificação do
organls,mo, pela presença de sais e gases dissolvidos, contribuindo para o equilíbrio osmótico da
célula,. Os primeiros organismos vivos provavelmente apareceram em um ambiente aquoso, e a
evolução deles foi marcada pelas propriedades deste meio, por isso todas as funções celulares
são tão adaptadas e dependentes das características físicás e químicas da água (Curtis, 1977).
Por outro lado, o excesso de impurezas - na água, de natureza qufmica ou biológica, pode .

causar sérios danos à saúde humana e às suas atividades econômicas.+Deste modo: é indispensá-
vel que,se faça a caracterização física, química, biológica eraaielégiea da água que, em conjunto,
._ indi~rão_quão impactado_está o mananc~ em que classe de qualidade da água o ff}esmo pode
ser i@_c[bJí@o, quais as restrições para seu uso e qual tecnologia de tratamento será mais adequada,
,... ·-
em fl:!Jnção dos usos previstos Para se fazer a caracterização da água, as amostras devem ser
coletadas e preservadas obedecendo cuidados e técnicas apropriadas; as determinações dos parâ-
metros devem ser feitas segundo métodos padronizados por entidades especializadas./
Durante o período de utilização do manancial devem ser feítos levantamentos sanitários
regulares, acompanhados da caracterização da água, com os objetivos de descobrir eventuais
1 -
alterações na qualidade da água bruta e avaliar a eficiência do tratamento, quando este se •
fizer necessário. No caso de água destinada ao consumo numano, a proteção dos mananciais
• é a primeira linha de defesa do chamado princípio de múltiplas barreiras, pelo qual procura-
se alcançar alto grau de segurança na qualidade da água distribuída à população, através da
vigilância e controle das diversas etapas que compõem o sistema de abastecimento.

4.3.1 Natureza biológica

r
o risco mais comum e disseminado para a saúde humana, assoei.ado ao consumo de
água, origina-se da presença de ITTicr@rganismos que pod.em causar ~®'en,as vartand© de
gastroenterites brandas a doenças fatais. Por outro lado, alguns microrganfsmos, mesmo que
Abastecimento de água para consumo humano

nã~patogênicos, podem causar problemas significativos. Um dos primeiros problemas des-


critos relacionados com a presença de microrganismos na ág.ua tratada refere-se a bactérias
que usam compostos dissolvidos do ferro, chamadas .bactérias do ferro, tais como aquelas
dos gêneros Crenothrix, Leptothrix, Spirophy/lum, Gal/1onella e outras, que podem ocasionar:
mudanças no grau de oxidação ou redução do ferro; produção ou decomposição dos com-
postos do ferro; mudanças no teor de dióxido de carbono na água e aumento da coloração
da água (Babbitt et a/., 1962). Fungos e actinomicetos usualmente têm sido associados com
O gosto e odor da água. Certos actinomicetos são hábeis em degradar anéis selantes de
borracha, encontrados nas tubulações, o que pode levar a vazamentos. Aguas subterrâneas
anaeróbias podem conter bactérias que utilizam o metano como fonte de energia e cuja
biomassa pode levar à obstrução de tubulações, mas estas não contribuem para incrementar
as contagens de bactérias heterotróficas (não são detectadas por esta análise). Bactérias nitri-
ficantes também podem ser encontradas neste tipo de água, quando a remoção da amônia
é incompleta ou quando a monocloramina é utilizada como um desinfetante. O crescimento
destas bactérias leva à produção de nitrito e ao aumento dos valores de contagens de bacté-
rias heterotróficas. Em tubulações com corrosão, podem estar presentes as bactérias sulfato
redutoras, que exercem papel importante na corrosão microbialmente induzida, gerando
queixas dos consumidores, pela coloração da água e pelas manchas provocadtas em utensílios
e roupas. Onde bactérias multiplicam-se, protozoários e invertebrados podem estar presentes
pelo consumo de biomassa. A temperaturas elevadas, protozoários com propriedades patogê-
nicas (como os dos gêneros Acanthamoeba, Naegleria) podem se multiplicar. Copépodos (tipo
de invertebrado), hospedando o nematódeo patogênico Dracunculos medinensis, também
1
podem multiplicar-se nestes sistemas.
Nos itens seguintes são feitas considerações sobre as principais doenças de origem
biológica relacionadas com a água, patógenos emergentes de veiculação hídrica, presença
de organismos patogênicos no sistema de distribuição de água e organismos indicadores
de contaminação.

4.3.1.1 Principais doenças de origem biológica relacionadas com a água

Aguas continentais contêm microrganismos inerentes a elas, como bactérias, fungos, pro-
tozoários e algas, alguns dos quais são conhecidos por produzir toxinas e transmitir doenças..
Os organismos patogênicos de transmissão hídrica e via oral mais amplamente conheci-
dos são listados na Tabela 4.4. Contudo, observa-se, por exemplo, que a própria tabela revela
as muitas incertezas que ainda cercam os riscos associados aos vírus; ,além cljsso, d'iversos
outros organis,mos têm sido identificados como agentes de surtos asso(iados com o consu-
mo de água, incluindo os gêneros de protozoários lsospora e Microsporidium, dentre óutros.
Embora possível, a associação de doenças causadas por helmintos com o consumo de
água é menos nítida, sendo o consumo de alimentos e O contato com solos contaminados
os modos de transmissão mais freqüentes .

160
-- --

Qualidade da água para consumo humano I Cu


('ftulo IJ

. _ , . . •
T,.abel. a 4 .4 - O rg a n is m o s p a t ,. · d ,s sa o h1dr1ca e via oral e su a ,mpor-
ogen,cos e transm
ta ncr a p a ra o a b a st e c im e n to d e á g u a
Dose Reservatório
A ge nt e pa to gê ni co Importância Persistência Resistência animal
pa ra a saúde ao clorob lnfectante
na água• relativae im po rt an te, ,
Bactérias:
Campylobader jejuni, e. coli Alta Moderada Baixa Moderada Sim
- patogênica
Escherichia coli - patogênica Alta M oderada Ba ixa Alta Sim
Escherichia coli - toxigênica Alta
Salmonella typhi Alta M oderada Ba ixa Alta d Nao
Outras saf moneJas Alta Prolongada Baixa Alta Sim
Shigella spp. Alta Breve Baixa Moderada Nao ,
Vibrio cholerae Alta Breve Baixa Alta Não
Yersínia enterocolitica Alta Prolongada Baixa Alta (?) Sim
Pseudomonas aeruginosa º Moderada Podem Moderada Alta(?) Não
multiplicar-se

Vírus:
Adenovrrus Alta 7 Moderada Baíxa Não
Enter0vfrus Alta Prolongada Moderada Baixa Não
Hepatite A Alta 7 Moderada Ba ixa Não
Hepatite E Afta 7 ?• Ba ixa Não
Vírus de Norwalk Altil 7 ?• Baixa Não
Rotavírus Alta 7 7• Moderada Não (7)
Baixa(?) Nã o
Pequenos vírus arredondados Moderada 7 7

Protozoários:
Entamoeba hystolitica Alta Moderada Alta Baixa Não
Moderada Alta Baixa Sim
Giardia intestina/is Alta
Sim
Prolongada Alta Baixa
Cryptosporidium parvum spp Alta

H eim in to s Sim
Afta Moderada Moderada Baixa
Dracunculus medinensis
Fonte: adaptado de WHO (2003c)
?: não conhecido ou não confirmado; é 1 se m an a; m od erad a - de 1 se m ana a 1 mês;
fase in fe ct an te na ág ua a 20 ° C: reduzid a - at
a: período de de tecç ão da
eleva da - mais de 1 mês; m po s de co nt ato tra dicion ais . Re sistência
te en co nt ra-se na ág ua tratada em do se s e te
b: quan do a fa se in fect an us ua lm en te é dest rufdo
am en te destruído ; ba ixa re sistê nc ia - o ag en te
moder ad a - o ag en te po de nã o se r co m plet
completamente; os sãos ; no ca so de alg un s vír us , po de bastar uma
ária pa ra caus ar ln fecç ao em 50 % do s vo lu ntários adult
c: dose necess
unidade infecciosa;
d: a partir de experiência com voluntários; de infecta r ím un ossu pr ím ido s ou pa cie ntes co m câ ncer
fecç ão é pe lo co nt ato co m a pele , m as po
e: a rota principaJ de in
por via oral.

tóge no s m ais releva ntes , ho je co nhec id os , pa ra


Na Ta bela 4 ,5 sã o ap rese ntad os os pa
os ; su a oc orrênc ia, do en ça(s ) qu e po de m oc a-
o abas tecim en to de ág ua, se nd o re laci onad
, qu ai s os sint om as e o sign ifica do sa ni tário da
sjonar, com o se dá a tran sm issã o de sta(s)
in far m aç ões co ntid as no W H O. G uíde lín es for
presença de stes p atóg en o s; a pa rtir de
Drinking-Water Qua/íty (WHO, 2003c) .


161


(continua)
Tabela 4.5 .. Patógenos relevantes para o abastecimento de água
Transmissão Sintomas Significado sanitário
Tipo de organismo Fonte e oc:orrência Doença causada a-
E , e -

',. a- e - - E

Adenovfrus
Tem sido encontrado em Gastroenterite; Por via respiratória; e Infecções no trato Representa risco potencial à
Vírus
vários ambientes conjuntivite; faringite. transmissão fecal-oral, em gastrointestinal, olhos, saúde, ocorre em grandes
aquáticos. •
crianças novas. trato respiratório e quantidades em ambientes
várias outras aquáticos e são resistentes a
infecções. Apresenta processos de desinfecção.
• febre.
-
Adenovfrus (70 nm
1
diam.)
Acanthamoeba spp
Protozoário de vida livre No solo, água doce e EncefaHte hemorrágica e Por aerosóís ou pela Mudanças na Os cístos são grandes,
necrosante ou inflamação poeira, atingindo o trato personalidade, dores sendo facilmente removidos
salgada.
da córnea (espécies respiratório superior, de cabeça. nuca por filtração. Contudo, são
diferentes). pulmões e pele, enrijecida, estado resistentes ao cloro, mas
usualmente aflige pessoas mental alterado, não os trofo·zoftos (formas
debilitadas. letargia, coma, móveis).
A inflamação da córnea: morte. No caso de
• por armazenagem de inflamação da
2
Acanthamoeba sp lente em água córnea, é doença
contaminada. rara que pode levar a
danos na visão,
cegueira e perda do
olho.
Calicivírus
O homem é o único Gastroenterite aguda. Via rota fecal-oral, pelo Náuseas, vômito e Tem sido implicado como o
V{rus entérico
hospedeiro conhecido. consumo de água ou diarréia, terminando agente etiológico de vários
comida contaminada. de 1 a 3 dias. surtos de gastroenterites.

\t(r.us t\po Notwalk


t32. nrd d\~rn.)'l
..
. '

{continua)
Tipo de organismo Fonte e ocorrênda Doença causada Transmissão Sintomas Significado saniblrto
Cryptosporidíum parvum
Protozoário parasita de O homem é o hospedeiro Severa diarréia com risco de Bebendo água Náuseas.., diarréia, Em 1993,, um surto de
células Intestinais
'
primário, mas animais morte em indivfduos contaminad,a por fezes. vômitos ê febre. criptoSpOridiose, assoaado
podem ser hospedeiros imunocomprometidos ou humanas ou de anrmais; oom o suprimento púbhco
intermediários. Cistos são branda em indivíduos ou durante recreação em de Mitwauk.ee, resultou em
resistentes, encontrados imu·nocompetentes. ambiente aquático dOênça diarrétca em cerca
em água de beber ou de contamínado, através de de 403.000 pessoas. o
recreação. ingestão acidental. monitoramento deste
protozoário deve ser rAptdo
e efetivo para permitir a~ões
Cé1Yl'aSJinfectadas por ,apropria.das.
e.. parvum" (4 a 6 µm
diãm.)
Dracunculus medinensis
Nematódeo, parasita de Água de beber contendo Doença debilitante, que Ingestão de água Ulceração da pele, A água de abastecimento ~
sangue e teç!dos hospcedeiro intermediário: causa pouca mortalidade, contendo microcrustáceos podendo ocorrer a única fonte de infecç3o
microcrustáceos mas provoca um amplo infectados. infecção bacteriana com D. medinensis. Este é o
(copépodos). espectro de sintomas secundária. Sintomas único parasita humano que
,_ . clínicos. de vômito, diarréia, pode ser erradicado pelo
urticária e falta de ar fornecimento de água de
podem advir de beber segura.
reação alérgica .
.'
Entamoeba histolytica
Protqioário parasita de O homem é o Infecções assintomáticas na Ingestão dos cistos a partir Sintomas de A transmlssao pela água
tecidos reservatório primário, maioria. Cerca de 1Oo/o de de água e alimentos disenteria amebiana pode representar
infestando o íntestino, pessoas infectadas podem contaminados. incluem diarréia, contaminação do
. .. puln1ão, cérebro e apresentar disenterias.
-~
cólicas abdominais, suprimento de água com
fígado. Cistos resistem febre baixa e fezes esgoto doméstico.
no ambtente. com sangue e muco.

-
'

-Tipo de organismo Fonte e ocorrência


(continua) >
O"
Ili
~
Doença causada Transmissã·o Sintomas Significado sanitário -
li)

"3

Vírus entérico •
Enterovirus ..
li)
::,
o
a.
Uma série de doenças indo Transmitidos gor rota oral - Febre branda a uma Há dados recentes de li>
Têm sido encontrados no de febre branda a: fecal, mas é possível a ~
série de outros muitas infecções ocorrendo e
esgoto e água tratada. miocardites, disseminação por contato 111
sintomas.
. Têm sido por abastecimento de água, 't,
São estáveis no ambiente meningoencefalites, pessoal e por via 111
relatados casos o qual satisfaz ;
e resistentes ao cloro. poliomíetites e falha · respirat<f>ria. Infecção pode crônicos de especificações de I'\
o::,

múltipla de órgãos em neo- ser adquiricla pela água polimiosites, tratamento, desinfecção e \li
e
natos. contaminada, alimentos e cardiomiopatia quantificação de 3
o
vômito. :,-
dilatada e sindrome organismos indicadores. e
da fadiga crônica. 3
Enterovírus Ili
:i
(30 nm diâm.)7 o

Escherichia coli 0157:H7 e outras cepas patogênicas


Bactéria entérica O homem é o hospedeiro ínfecções no trato urinário, Principal rota por água e Mal-estar que pode Um dos mais recentes
primário. Gatos, galinhas, bacteremia, meningites e alimentos contaminados. apresentar-se como surtos de E. coli 0157:H7
porcos e cabras podem doenças diarréicas. Transmitido também por diarréia branda, ocorreu no suprimento de
servir de reservatório. contato com animais ou infecção hemorrágica água de uma comunidade
com pessoas do cólon, diarréia de fazendeiros, no Canadá,
contaminadas. aquosa, cólicas em maio de 2000, onde 7
abdominais, náusea, pessoas morreram e 2.300
E. co/1'6
dor de cabeça, ficaram doentes.
diarréia com sangue
crônica, vômitos e
febre.
.Giardia intestinales (syn. G. lamblia)
Protozoário flagelado Hospedeiros são o Infecções podem ser Ingestão de água ou Diarréia, dor Surtos têm sido associados
parasita homem e vários animais. assintomáticas. Pode alimento contaminados. abdominal e a consumo de águas
Os cistos são resiste.ntes provocar subnutrição em Também podem ser rotas desnutrição, em superficiais apenas clara.das.
inclusive ao cloro. casos severos. de transmissão: água de casos severos. A destruição dos cistos
recreação e contato requer longo tempo de
pessoal. contato e aftas doses de
cloro.
' .
G.intestinalis9
(continua)
Tipo1de organismo f-0nte e ocorrência Doença causada Transmissão Sintomas Sfgníffcado sanitário
Leglonella spp
Bactéria heterotrôftc:a Desenvolve~se en1 águas Legionella pneumophlla é o Transmissão por ínalaç~o Febre, dor de cabeça, Pode muftipJicar
42 ·spéci~s) paradas a baixas mais importante patógeno de aeros6ís contendo as náuseas, vômftos, extracefu(armente e
temperaturas e baixa deste gên:ero, sendo bactérias. Por contato dor muscular e parasitar protozoários, ·
concentração de responsável pela febre de pessoal, não comprovado. prostração. dessa forma, ou abrigada
nutrientes. Pontiac e legionelose. Legione:lose
,,
causa em sedimentos, torna-se
pneumonia. resistente ao cloro. Surtos
de (egionelose têm sido
atribyfdos ~· água potável
'
1
L. pneumophila º contaminada, sistemas de
resfriamento e água dos
sistemas de distribuição.
Mycobacterium avium complex {MAC) - (M. avlum e M. intrace/Julare)
. Bactgrias heterotróficas Cresce em ambientes Infecções humanas e de Sua presença na água de Doenças pulmonares, Resiste aos processos de
aquáticos adequados, animais dos pulmões, beber confirma esta como osteomieUtes e desinfecção e
notavelmente em nódulos linfáticos, pele, uma rota de exposição, artrites sépticas. procedimentos usuais de
biofilmes. ossos e tratos Estas bactérias são a monitoramento, como
gastrointestinat e maior causa de contagem de bactérias
genitourinário. infecções heterotrófica.s, podem
· oportunistas em falhar (crescimento lento
pacientes em meios de cultivo).
Macrófagos imunocomprometidos
preenchidos com MAC 11 e segunda causa
mais comum de
mortes em pacientes
HIV seropositivos.
Pseudomonas aeruginosa
Bactéria heterotrófica Ocorre em·águas naturais Causa doenças brandas em É um patógeno Pneumonias e Sua presença na água
com ficoc;:ianina e prolifera no sistema de indivíduos saudáveis, oportunista. Infecção infecções diversas. potável indica séria
distribuição e em ocasionando infecções resulta de rachaduras na deterioração na qualidade
sistemas de água quente. secund~rias em ferlmentos pele, feridas ou outros bacteriológica, é
É encônttadà nas fezes, e cirurgias. Causa fibrose canais de infecções. Sua f reqüe_ntemente associada
no solo, na água e no cfstica em pacientes presença na água pode com queixc;1s de sabor e
esgoto. imunocomprometidos. contaminar alimentos e odor. Está ligada a baixas
produtos farmacêuticos, taxas de fluxo no sistema de
deteriorando-os e
-r'l
distribuição e uma elevação GI.
podendo causar
contaminações
na temperatura. --
"'O
e
o
..
secundárias pelo seu ~

• consumo e uso.
.•
(continu_a)
Tipo de organismo Fonte e ocorrência Doença causada.
'
lransmissão Sintomas Significado sanitário
-3
Rotavirus
-
\Ili
:=;
Vírus entérico Agua e alimentos são Gastroenterite viral aguda. A transmissão pode ser via Febre~"6mitos. A presenç:t de rotawus - o,
e.
fontes potenciai.s. rota fecal-oral., gotas e ârarréia aq uosa água abastecida ou a o
s,.
e
aerosóis via rota a õnica. cólicas ocorrência de epidemias eo
respiratória ou por contato abdominais. originadas de água de ""O

13 pessoal e por superfícies consumo contaminada tem


o
...
:!:J>
Rotavfrus (40nm diâm.) contaminadas. sido demonstrado. o"
....:,.
t:.
Salmonella typhí, S. paratyphi (A e B) 3

Bactéria entérica As SaJmonellas são Salmoneloses. S. typhi e S. paratyphi A A doença pode Surtos têm sido registrados ':r'
e:
organismos resistentes são transmitidos de evoluir para; para 5. typhi e não para 3
CJ
sobrevivendo em pessoa a pessoa por água gastroenterite (com outros sorotipos. Os surtos
::,
o
ambientes úmidos. e alimentos contaminados. diarréia branda a relacionados ao
Homens e animais são S. paratyphi B pode ser fulminante, náuseas abastecimento de água têm
hospedeiros. transmítido através de leite e vômitos); sido associados com o
..... e laticínios contaminados. bacterenemia ou consumo de água
,c:n septicemia (picos de subterrânea e superficia\
c::n febre com culturas contaminadas e
de sangue positlvas); lnsuflc\entemente
febre entérlca (febre desinfetadas.
branda e dlarréla); Olt
• 'tj!phy14
imp\es portador, m
p cm
\l,f p \f\ '
Shig · lia spp
~.;} pri111 t up. ri \ ~ tr n n"ttttd .., p 1 1 t& ~ tf\'-"''""'"'"-' •V\JI
,,
pare em r un,,..,.. ~

'Nll"!J>.l- r ·l, tran f rid - 7 ll, ~. . o tl\1Mn~~ ~


t1ospedeiro natural para pe- oa a pe oa pela .l l 1 ni m l,n,.. ~icutd tcçilO
Shigella, permanecendo comida co,,taminada., J p den1 .: tJ
r111.."' ...
localizada em células Podem ser dispersas p r doen a. D re têm nid · ,·t
intestinais. movimentos do ar; dedos. abdomir,ais, febre e presen a de Shigellâ sp .
alimentos e fezes. diarréia aquosa em suprimentos de água
15 Epidemias podem ocorrer ocorrem no início da indica contaminaçao
Shigella sp. recente por fezes,
em comunidades muito doença. Os sintomas
populosas em um espaço podem ser brandos
muito restrito. ou severos, de
acordo com a
espécie. Os casos
. severos sao
mais -
causados p o r 5 .
dysenteriae tipo 1.
.. . -

'

(continua)
Tipo de organismo Fonte e ocorrência Doen~a causada Tr,ansmissão Sintomas Significado sani~rio
Vibrio cholerae

Bactéria Espécies patogênicas são Cólera, sorotipos: V. Traf'!srnitida por rota feGaf - Mttitas infecçã-es são Alguns grupos sorotógicos
associacdas a molusaes e cholerae O1, tem 2 oral, as pessogs adquirem assintomáti(as {60°/ó podem ser habitantes
criustáceos em lag0s, rios biagrupas- o clássico e EI a ihfec§ão po11 íngesfão de ao grupo clássico e normais da água. A,
'
e no mar de regiões tor {de severidade variada); água e alimentos 75% do Ei tar). presença dos patogênicos

tropiGais e temperadas, V. cholerae o 139, contaminados. Sintomas variam qe V. cholerae 01 e 01.3 9 nos
deeresEendo em causando gastroenterites brandos a severos suprimentos de água pode
tet;nP.eraturas abaixo de auto-limitantes, infecções apresentando ter sérias implicações para a
20°(. danosas e bacteremia. aumento na saúde pública e a economia
peristalse seguido das comunidades afetadas.
\/:' ch0/erae 16 por relaxamento, V. cholerae é extremamente
fezes muito aquosas sensível à desinfecção.
e com muco. Mortes

' . resultam de casos
não tratados, numa

freqüência de 60%,
por severa
desidratação e perda
de eletrótitos.
Vírus da hepatite A
Vírus Água e alimentos Hepatite A Ingestão de água e Período de incubação A água contaminada por
contaminados por fezes alimentos contaminados e de 10 a 50 dias. É fezes tem sido implicada com .o
e
contato sexual. uma doença branda muitos surtos no mundo. O -fr
QJ,

caracterizada por vírus da hepatite A é e..


' . .
ro
1n1c1ar rapidamente inativado por ~
QI
,Ili,
repentinamente com radiação UV e por '°c
febre, urina escura, concentrações de cloro QJ

~
mal~estar, náuseas, residual de 2,0 - 2,5 mg L-1• iil
• n
Vfrus da hegatite A (27 - anorexia e o
:::,

~32nrn €JiâJYl.~
11 desconforto V,