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Anais do IX Mestres e

Conselheiros - Agentes
Multiplicadores do Patrimônio

21/06/2017
Belo Horizonte/MG
• ANAIS •
ISSN 2176-2783

Anais do IX Mestres e
Conselheiros - Agentes
Multiplicadores do
Patrimônio

9º edição

Belo Horizonte/MG 2017


Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)

AN532 Anais do IX Mestres e Conselheiros - Agentes Multiplicadores do


Patrimônio. Anais...Belo Horizonte(MG) CAD II - UFMG, 2017

Disponível em <www.even3.com.br/anais/mestreseconselheiros2017>

ISSN: 2176-2783

1. Arquitetura

CAD II - UFMG CDD - 370

Ficha catalográfica elaborada por Even3 – Sistema de Gestão de Eventos


CORPO EDITORAL

COORDENADOR GERAL
PROF. DR. LEONARDO BARCI CASTRIOTA (UFMG)

COMISSÃO CIENTIFICA
PROFESSORA DOUTORA ANA MEIRA (UNISINOS)
PROFESSORA DOUTORA BEATRIZ COUTO D´AMARAL (UFMG)
PROFESSORA DOUTORA MARIETA CARDOSO MACIEL (UFMG)
PROFESSOR DOUTOR LEANDRO BRUSADIN (UFOP)
PROFESSOR DOUTOR LEONARDO BARCI CASTRIOTA (UFMG)
PROFESSORA DOUTORA MARIA CRISTINA VILLEFORT (UFMG)
PROFESSORA DOUTORA MARGARETH PIMENTA (UFSC)

COMISSÃO ORGANIZADORA
ANDREA LANNA MENDES NOVAIS (MPE)
ARLETE SOARES DE OLIVEIRA (IEDS)
CARLA VIVIANE DA SILVA ÂNGELO (IEDS)
DANIELLE BARROSO CALDEIRA (IEDS)
GUILHERME MACIEL ARAÚJO (PPG-ACPS)
LUCIANA ROCHA FÉRES (PPG-ACPS)
VALÉRIA SÁVIA TOMÉ FRANÇA (IEDS)
VILMAR PEREIRA DE SOUSA (IEDS)

PATROCÍNIO
CONSELHO REGIONAL DE ARQUITETURA E URBANISMO – MINAS GERAIS-
CAU-MG
CAPES
UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS – PROGRAMA PAIE
INSTITUTO DE ARQUITETOS DO BRASIL – IAB/MG
RESUMO
1 - PATRIMÔNIO E PARTICIPAÇÃO: EIXO 1 – DO TÉCNICO À
POPULAÇÃO: A DEMOCRATIZAÇÃO DO CAMPO DO PATRIMÔNIO EIXO 2
– OS AGENTES DO PATRIMÔNIO: CONSELHOS, MOVIMENTOS SOCIAIS,
ONGS,... EIXO 3 – INSTRUMENTOS PARA A PROTEÇÃO DO PATRIMÔNIO
EIXO 4 – PATRIMÔNIO, DEMOCRACIA E AS CIDADES EIXO 5 –
RESISTÊNCIA CIVIL E OCUPAÇÕES: A AÇÃO DIRETA NO CAMPO DO
PATRIMÔNIO

#VIVAMADALENA: A INTERVENÇÃO DA POPULAÇÃO NA 1


PRESERVAÇÃO DO PATRIMÔNIO HISTÓRICO E CULTURAL DE
TERESINA.
A CASA DA FAMÍLIA REGO E A IMPORTÂNCIA DO TOMBAMENTO 3
DAS EDIFICAÇÕES RESIDENCIAIS NA CIDADE DE OEIRAS-PIPAT
A DESTIPIFICAÇÃO DO PATRIMÔNIO ARQUITETÔNICO 4
RESIDENCIAL DE TERESINA: O CASO DO ENTORNO DA PRAÇA
LANDRI SALES.
A IMAGEM DO ESTADO MODERNO DE JUSCELINO KUBITSCHEK 5
ATRAVÉS DA ARQUITETURA DE OSCAR NIEMEYER
A IMPORTÂNCIA DA PRESERVAÇÃO DA ARQUITETURA MODERNA 7
INSTITUCIONAL DE TERESINA: O CASO DO TRIBUNAL DE JUSTIÇA
DO ESTADO DO PIAUÍ
A IMPORTÂNCIA DO PATRIMÔNIO CULTURAL PARA A CIDADE: 8
IDENTIDADE SOCIAL E PLANOS URBANOS
A MEMÓRIA COMO INSTRUMENTO DE PROTEÇÃO DO PATRIMÔNIO 10
CULTURAL: BARRA LONGA-MG
A MODERNIZAÇÃO NOS GOVERNOS DE ANTONIO LEMOS (1902- 12
1912) E GETÚLIO VARGAS (1937-1945): A MUDANÇA CULTURAL DO
LOCAL DA MORADIA E SEU REFLEXO NO PROCESSO DE
DEGRADAÇÃO DO CENTRO HISTÓRICO DE BELÉM/PA
A NOVA PREFEITURA ENXAIMEL DE SÃO LEOPOLDO 14
A PARTICIPAÇÃO POPULAR DESDE A CONCEPÇÃO DO PROJETO 16
DE RESTAURO: O CASO DA CASA DE CÂMARA E CADEIA DE
MARIANA
A PERSPECTIVA DA PATRIMONIALIZAÇÃO DA CAPOEIRA NA VISÃO 18
DOS MESTRES ANGOLEIROS DE BELO HORIZONTE
A PRÁTICA INTERDISCIPLINAR NA CONCEPÇÃO E EXECUÇÃO DE 20
PROJETOS CULTURAIS: O CASO DO MUSEU MILITAR DA ESCOLA
DE SARGENTOS DAS ARMAS
A PRESERVAÇÃO DO PATRIMÔNIO EDIFICADO EM COLATINA E 22
SUA TRAJETÓRIA.
A PROTEÇÃO LEGAL É SUFICIENTE?. ENGENHOS PUBLICITÁRIOS: 23
UMA AMEAÇA AO PATRIMÔNIO ARQUITETÔNICO DO EIXO PILOTO
COMERCIAL RUA DO COMÉRCIO - CENTRO DE MACEIÓ.
AS DISTINÇÕES DA PATRIMONIALIZAÇÃO NO BRASIL: UMA 25
REFLEXÃO SOBRE IDENTIDADES MÚLTIPLAS NÃO
RECONHECIDAS.
AS ESTRADAS DE VILA RICA À CACHOEIRA DO CAMPO: DOS 27
ANTIGOS CAMINHOS À ESTRADA DE DOM RODRIGO JOSÉ DE
MENEZES
AS TRANSFORMAÇÕES URBANÍSTICAS E ARQUITETÔNICAS 29
OCORRIDAS NA PRAÇA D. PEDRO II DESDE SUA FUNDAÇÃO ATÉ
OS DIAS ATUAIS
CENTRO DE ARTES DA UFF: EDIFÍCIO-EMBLEMA DA MEMÓRIA 31
URBANA E CULTURAL DE NITERÓI-RJ.
CIDADE, MEMÓRIA, PATRIMÔNIO E MUSEOLOGIA SOCIAL: UMA 33
ANÁLISE SOBRE A RELAÇÃO ENTRE ESPAÇO URBANO, MUSEUS
COMUNITÁRIOS E ALTERNATIVAS DE RESISTÊNCIA.
CONFORTO AMBIENTAL EM EDIFICAÇÕES PROTEGIDAS: ANÁLISE 35
DA LEGISLAÇÃO DO CORREDOR CULTURAL DO RIO DE JANEIRO
CONJUNTO URBANO DA PRAÇA PEDRO II EM TERESINA - PIAUÍ: 37
VULNERABILIDADE LEGAL
CONSELHOS MUNICIPAIS DE PRESERVAÇÃO DO PATRIMÔNIO NO 39
PARANÁ
CONVERGÊNCIAS E DIVERGÊNCIAS NA ATUAÇÃO DOS AGENTES 41
DO PATRIMÔNIO
CRIAÇÃO DO LABORATÓRIO DE CONSERVAÇÃO DE DOCUMENTOS 43
DA UFRRJ (LABDOC/UFRRJ) MEMÓRIA, CONSERVAÇÃO E
PRODUÇÃO DE CONHECIMENTOS
DEMOCRATIZAÇÃO E ACESSO À MEMÓRIA E HISTÓRIA REGIONAL: 45
RELATO DA EXPERIÊNCIA DO PORTAL EMREDES
DIREITO AO ILEGÍVEL: OCUPAÇÕES EM ÁREAS DE RECONHECIDO 47
VALOR CULTURAL
ENTRE MEMÓRIAS, ETNOGRAFIAS E TERRITÓRIOS: TEMPO, 49
ESPAÇO E EPISTEME NA CONGADA
INOVAÇÃO E TRADIÇÃO DOS BENS CULTURAIS IMATERIAIS: A 51
PATRIMONIALIZAÇÃO DO QUEIJO CANASTRA EM MINAS GERAIS
INVENTÁRIO PARTICIPATIVO DO PATRIMÔNIO CULTURAL DAS 53
COMUNIDADES REMANESCENTES DO QUILOMBO MESQUITA
INVENTÁRIOS ARQUITETÔNICOS NO RIO GRANDE DO SUL: DO 55
PODER PÚBLICO AO PODER DO PÚBLICO
MOVIMENTO “ABRACE A GARÇA” (MACEIÓ-AL) E POSSIBILIDADES 57
DE AÇÕES DA SOCIEDADE CIVIL ORGANIZADA NA LUTA PELA
DEMOCRATIZAÇÃO DA CIDADE
O ART DECÓ COMO TIPOLOGIA DO PATRIMÔNIO ARQUITETÔNICO 59
RESIDENCIAL PARNAIBANO:O EXEMPLAR DA AV. PRESIDENTE
GETÚLIO VARGAS, Nº 590
O CENTRO HISTÓRICO DE CUIABÁ: EM BUSCA DO VALOR 61
ATRIBUÍDO
O CRESCIMENTO DAS AÇÕES DE PROTEÇÃO DO PATRIMÔNIO 63
IMATERIAL
O ESTUDO DE ELEMENTOS DO PATRIMÔNIO ARQUITETÔNICO AO 65
ALCANCE DA SOCIEDADE: A RELAÇÃO DAS OBRAS RELIGIOSAS
ENTRE PORTUGAL E BRASIL. QUAIS ELEMENTOS
ARQUITETÔNICOS DEMONSTRAM ESSA INFLUENCIA
PORTUGUESA?
O INVENTÁRIO COMO INSTRUMENTO DE CONHECIMENTO, 67
PROTEÇÃO E VALORIZAÇÃO DO PATRIMÔNIO CULTURAL DE
BARÃO DE COCAIS
O MUSEU DOM PAULO LIBÓRIO E A SALVAGUARDA DO 69
PATRIMÔNIO RESIDENCIAL TERESINENSE
O PATRIMÔNIO ARQUITETÔNICO DE TERESINA – PI ATRAVÉS DA 71
TRAJETÓRIA PROFISSIONAL DO ENGENHEIRO LUIZ MENDES
RIBEIRO GONÇALVES.
O PATRIMÔNIO CULTURAL MATERIAL E OS DESAFIOS DA 72
CONSERVAÇÃO PREVENTIVA EM MARIANA-MG
O PATRIMÔNIO HISTÓRICO ARQUITETÔNICO DA CIDADE DE 74
FLORIANO- PI: CARACTERIZAÇÃO E PRESERVAÇÃO
O RECONHECIMENTO DO CONJUNTO MODERNO DA PAMPULHA 75
COMO PATRIMÔNIO CULTURAL DA HUMANIDADE: REVISÃO
URBANA E AMBIENTAL SOBRE A ADAPTAÇÃO PERIMETRAL DA
UNESCO
O TERRITÓRIO URBANO CONTEMPORÂNEO E A SALVAGUARDA DA 77
MEMÓRIA: O INVENTÁRIO E SEUS REFLEXOS NA RUA MARECHAL
DEODORO - JUIZ DE FORA/MG.
O URBANISMO TÁTICO NA PRODUÇÃO DA FORMA URBANA DAS 79
CIDADES CONTEMPORÂNEAS: A REAFIRMAÇÃO E
REAPROPRIAÇÃO DOS ESPAÇOS PATRIMONIAIS A PARTIR DA
PARTICIPAÇÃO POPULAR
OBRAS DE REQUALIFICAÇÃO NO ENTORNO DO ESPAÇO 81
CULTURAL BARROQUINHA, SALVADOR-BA: ANÁLISE SOBRE
ACESSIBILIDADE PARA PESSOA COM DEFICIÊNCIA
OFICINA DE RESTAURO PÚBLICO 82
OS CORETOS: A PERMANÊNCIA DO MOBILIÁRIO URBANO SEM 84
USO ESPECÍFICO
PARTICIPAÇÃO SOCIAL NA PRESERVAÇÃO DE SÍTIOS HISTÓRICOS 86
URBANOS. EXPERIMENTO METODOLÓGICO NO SÍTIO HISTÓRICO
DE SANTA LEOPOLDINA – ES
PATRIMÔNIO ARQUEOLÓGICO E IDENTIDADE: A IMPORTÂNCIA DO 88
RECONHECIMENTO NO PROCESSO DE SALVAGUARDA
PATRIMÔNIO CULTURAL NO CONTEXTO DO GRANDE PROJETO 90
URBANO PORTO MARAVILHA NO RIO DE JANEIRO: PRESERVAÇÃO
OU AMEAÇA?
PATRIMÔNIO IMATERIAL COMO INSTRUMENTO DE CONSERVAÇÃO 92
DA MEMÓRIA DE UM BAIRRO: O CASO DO BAIRRO DE CAMPINAS E
A TORCIDA DO ATLÉTICO CLUBE GOIANIENSE.
PATRIMÔNIO PULSANTE: A ÁREA CENTRAL CARIOCA E AS 94
MANIFESTAÇÕES SOCIAIS
PATRIMÔNIO, MEMÓRIA E IDENTIDADE: UM ESTUDO SOBRE AS 96
IGREJAS CATÓLICAS DO CENTRO DE VITÓRIA/ES
PENSANDO A PRESERVAÇÃO ARQUITETÔNICA E URBANA DE 98
ESPÍRITO SANTO DO PINHAL: UM PATRIMÔNIO AINDA A
CONHECER
PERSPECTIVAS E DESAFIOS PARA A GESTÃO DE BENTO 100
RODRIGUES: POR UMA PROPOSTA DE CONSTRUÇÃO DE
CONSENSO
PISO, PAREDE, TETO: A (DES)CARACTERIZAÇÃO DOS MATERIAIS 102
NAS INTERVENÇÕES REALIZADAS PELOS PROPRIETÁRIOS DE
BENS PROTEGIDOS
PIXAÇÃO E PATRIMÔNIO HISTÓRICO NA CIDADE DE TERESINA-PI. 104
POR UMA ERÓTICA DO PATRIMÔNIO: ALTERNATIVAS À 105
TRANSFORMAÇÃO DA PARTICIPAÇÃO CIDADÃ EM PANACEIA DAS
POLÍTICAS PATRIMONIAIS
POR UMA VISÃO HUMANA DO PATRIMÔNIO: REPENSANDO O 107
CONSELHO DELIBERATIVO DO PATRIMÔNIO CULTURAL E
NATURAL DE SABARÁ/MG
PROPOSTA DE NORMATIVA TÉCNICA PARA PREVENÇÃO E 109
COMBATE A INCÊNDIO E PÂNICO EM BENS CULTURAIS
PROTEGIDOS
RUÍNAS DO FORTIM DOS EMBOABAS: ENTREMEANDO MEMÓRIA, 111
AMBIÊNCIA E PRESERVAÇÃO EM SÃO JOÃO DEL-REI (MG)
SÍTIO HISTÓRICO DE ITAPINA/ES: O PATRIMÔNIO ENQUANTO 113
MONUMENTO A SER PRESERVADO E A SUA PROBLEMÁTICA
ATUAL DE PRESERVAÇÃO.
UMA REFLEXÃO SOBRE AS PRIMEIRAS DÉCADAS DA PROTEÇÃO 115
DO PATRIMÔNIO NO RIO GRANDE DO SUL
VIVENDA CAIÇARA: UM EXEMPLAR DA ARQUITETURA EM PEDRA 117
PIAUIENSE

2 - OS DESAFIOS DA EDUCAÇÃO PATRIMONIAL: EIXO 6 – EDUCAÇÃO


PATRIMONIAL NA ESCOLA EIXO 7 – MUSEUS, ARQUIVOS E EDUCAÇÃO
PATRIMONIAL EIXO 8 – A CIDADE, LUGAR DA EDUCAÇÃO
PATRIMONIAL EIXO 9 – EDUCAÇÃO PATRIMONIAL E TRABALHO: OS
OFÍCIOS TRADICIONAIS EIXO 10 – COMUNIDADES: PARTICIPANTES
EFETIVAS DAS AÇÕES EDUCATIVAS

“ALÉM DOS MUROS DO INHOTIM” : EDUCAÇÃO PATRIMONIAL, 119


IDENTIDADE E CIDADANIA EM BRUMADINHO / MG
“RESGATE HISTÓRICO CULTURAL DO DISTRITO DE MONSENHOR 121
HORTA-MARIANA MG PARA IMPLANTAÇÃO DA ATIVIDADE
TURÍSTICA”
A “CASA DO IMPERADOR” EM PÃO DE AÇÚCAR (AL) 123
A CIDADE E A IMAGEM: ESSE TRABALHO DARÁ ÊNFASE A 124
MANUTENÇÃO E PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS, O SABER FAZER DO
ARTÍFICE SAPATEIRO.
A COLETÂNEA GARIBALDINA E A EDUCAÇÃO PATRIMONIAL EM 126
LAGUNA, SC
A CURA PELA FÉ: UM OLHAR SOBRE AS 128
BENZEDEIRAS/REZADEIRAS ALAGOANAS
A EDUCAÇÃO PATRIMONIAL ALÉM DA SALA DE AULA 130
A PRAÇA COMO ESPAÇO DE COMPREENSÃO DA PAISAGEM 132
CULTURAL URBANA. ESTUDO DE CASO: FLORIANÓPOLIS, SÃO
JOSÉ E LAGUNA / SC.
A PRESERVAÇÃO DO PATRIMÔNIO CULTURAL A PARTIR DA 134
LITERATURA INFANTOJUVENIL
BRINQUEDOS BIOGRÁFICOS: MEMÓRIA DE PRÁTICAS LÚDICAS 136
CASARÃO DO BECO ALTO: UM ESBOÇO ARQUITETÔNICO 138
CEMITÉRIO DO BONFIM, ARTE, HISTÓRIA E EDUCAÇÃO 140
PATRIMONIAL – UMA AÇÃO EDUCATIVA EM CURSO
CENÁRIO HISTÓRICO ESQUECIDO: PRAÇA NEREU RAMOS, 142
CRICIÚMA/SC
CENTRO DE REFERENCIA DA MODA: UM OLHAR 144
INTERDISCIPLINAR
EDIFICIO ANEXO AO CASARÃO TOMBADO DO MUSEU DA IMAGEM 146
E SOM DE BH
EDUCAÇÃO PATRIMONIAL ATRAVÉS DA EXTENSÃO 148
UNIVERSITÁRIA NA ENGENHARIA CIVIL: UM ESTUDO DE CASO EM
CURVELO/MG.
EDUCAÇÃO PATRIMONIAL E EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA: O CASO 150
DA ELABORAÇÃO DO DOSSIÊ DE TOMBAMENTO DO BAIRRO
SANTA TEREZA EM BELO HORIZONTE.
EDUCAÇÃO PATRIMONIAL, O OLHAR DO OUTRO COMO 152
PERSPECTIVA FUNDAMENTAL NA CONSTRUÇÃO DE SABERES
EDUCAÇÃO PATRIMONIAL: UM CAMINHO PARA O INÍCIO DA 154
FORMAÇÃO EM PRESERVAÇÃO PATRIMONIAL. PROGRAMA
APLICADO A JOVENS SECUNDARISTAS
EDUCAR DESEDUCANDO: 10 ANOS DE IMPLANTAÇÃO DA UFS 156
NOS ANTIGOS TRAPICHES DE LARANJEIRAS/SE.
FAVELA, LUGAR DE EDUCAÇÃO PARA O PATRIMÔNIO CULTURAL 158
FEIRA DO PATRIMÔNIO – O LUGAR DA COLABORAÇÃO E DA 160
PARTILHA
IATE CLUB DE COLATINA/ES: MEMÓRIA E PATRIMÔNIO HISTÓRICO, 162
CULTURAL E ARQUITETÔNICO.
JOGOS SONOROS COMO PRÁTICA PEDAGÓGICA DE 164
RECONHECIMENTO DE TERRITÓRIOS SONOROS
MEDIDAS EDUCATIVAS, AÇÕES PARA O PERTENCIMENTO DO 166
MUSEU EDUCATIVO DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA
MARIA MUSEU GAMA D’EÇA
MEMÓRIA URBANA DE BELO HORIZONTE: A CASA DA RUA 168
BERNARDO GUIMARÃES, 441
MUSEU DO SILÊNCIO: O MUSEU COMO FERRAMENTA DE 170
EDUCAÇÃO E CONSCIENTIZAÇÃO PATRIMONIAL
MUSEU E ARQUIVOS: O PAPEL DA UNIVERSIDADE NA EDUCAÇÃO 171
PATRIMONIAL
O DIREITO À CIDADE 173
O PERCURSO URBANO COMO EDUCAÇÃO PATRIMONIAL: 175
PROJETO PILOTO PARA A RUA HALFELD EM JUIZ DE FORA (MG)
O PROJETO MUSEOGRÁFICO DO MUSEU DO PIAUÍ COMO 177
INSTRUMENTO DE EDUCAÇÃO PATRIMONIAL.
O TEATRO PATRIMONIAL COMO INSTRUMENTO DE PARTICIPAÇÃO 178
E CIDADANIA
OLHARES DO PATRIMÔNIO: A VALORIZAÇÃO E PRESERVAÇÃO DO 179
PATRIMÔNIO CULTURAL ATRAVÉS DA FOTOGRAFIA
OS SABERES DA FOLIA: APRENDIZAGENS EM CONTEXTOS NÃO 181
ESCOLARES
PATRIMÔNIO ARTÍSTICO DO PALÁCIO DAS ARTES: UM ESTUDO DO 182
PROCESSO DE PRESERVAÇÃO DO FIGURINO DOS ESPETÁCULOS
PRODUZIDOS PELA FUNDAÇÃO CLÓVIS SALGADO
PRAÇA RAUL SOARES APÓS A REFORMA E A RETOMADA DE SEU 184
USO COMO PRAÇA
RESIGNIFICAR O MUSEU: PARCERIA UNIVERSIDADE X 186
INSTITUIÇÃO MUSEAL PÚBLICA
REVELANDO MEU BAIRRO, MEU PATRIMÔNIO 188
ROTEIRO PELAS IGREJAS DO CENTRO HISTÓRICO DE CUIABÁ – 190
UM PASSEIO PELOS LOCAIS SAGRADOS
SABERES TRADICIONAIS: DESAPARECIMENTO E PERPETUAÇÃO 192
UM CANTO DA CIDADE: PAISAGEM, MEMÓRIA E 194
PATRIMONIALIZAÇÃO DE GARÇA TORTA A RIACHO DOCE,
MACEIÓ-ALAGOAS.
UM POUCO DE CADA 196
UM REGISTRO ARQUITETÔNICO DA FAZENDA ORIENTE 198
UMA RUA DE MUITOS LUGARES: ROTEIRO PELO CENTRO 200
HISTÓRICO DE CUIABÁ
VIVENDO O PATRIMÔNIO: O MEMORIAL ZUMBI DOS PALMARES, 202
TERESINA-PI.

ARTIGO FINAL
1 - PATRIMÔNIO E PARTICIPAÇÃO: EIXO 1 – DO TÉCNICO À
POPULAÇÃO: A DEMOCRATIZAÇÃO DO CAMPO DO PATRIMÔNIO EIXO 2
– OS AGENTES DO PATRIMÔNIO: CONSELHOS, MOVIMENTOS SOCIAIS,
ONGS,... EIXO 3 – INSTRUMENTOS PARA A PROTEÇÃO DO PATRIMÔNIO
EIXO 4 – PATRIMÔNIO, DEMOCRACIA E AS CIDADES EIXO 5 –
RESISTÊNCIA CIVIL E OCUPAÇÕES: A AÇÃO DIRETA NO CAMPO DO
PATRIMÔNIO

A DESTIPIFICAÇÃO DO PATRIMÔNIO ARQUITETÔNICO 203


RESIDENCIAL DE TERESINA: O CASO DO ENTORNO DA PRAÇA
LANDRI SALES
A IMAGEM DO ESTADO MODERNO DE JUSCELINO KUBITSCHEK 215
ATRAVÉS DA ARQUITETURA DE OSCAR NIEMEYER
A IMPORTÂNCIA DA PRESERVAÇÃO DA ARQUITETURA MODERNA 225
INSTITUCIONAL DE TERESINA: O CASO DO TRIBUNAL DE JUSTIÇA
DO ESTADO DO PIAUÍ.
A IMPORTÂNCIA DO PATRIMÔNIO CULTURAL PARA A CIDADE: 237
IDENTIDADE SOCIAL E PLANOS URBANOS
A MEMÓRIA COMO INSTRUMENTO DE PROTEÇÃO DO PATRIMÔNIO 256
CULTURAL: BARRA LONGA-MG
A MODERNIZAÇÃO NOS GOVERNOS DE ANTONIO LEMOS (1902- 271
1912) E GETÚLIO VARGAS (1937-1945): A MUDANÇA CULTURAL DO
LOCAL DA MORADIA E SEU REFLEXO NO PROCESSO DE
DEGRADAÇÃO DO CENTRO HISTÓRICO DE BELÉM/PA
A NOVA PREFEITURA ENXAIMEL DE SÃO LEOPOLDO 290
A PARTICIPAÇÃO POPULAR DESDE A CONCEPÇÃO DO PROJETO 309
DE RESTAURO: O CASO DA CASA DE CÂMARA E CADEIA DE
MARIANA
A PRESERVAÇÃO DO PATRIMÔNIO EDIFICADO EM COLATINA E 333
SUA TRAJETÓRIA
A PROTEÇÃO LEGAL É SUFICIENTE?. ENGENHOS PUBLICITÁRIOS: 351
UMA AMEAÇA AO PATRIMÔNIO ARQUITETÔNICO DO EIXO PILOTO
COMERCIAL RUA DO COMÉRCIO - CENTRO DE MACEIÓ.
ACADEMIA X REDE SOCIAL: A REDE SOCIAL COMO MODO DE 369
DEMOCRATIZAÇÃO DO ACESSO AOS RESULTADOS DA
DISSERTAÇÃO
ANÁLISE PARCIAL DA PRESERVAÇÃO NO ESTADO DO RIO 371
GRANDE DO SUL
AS DISTINÇÕES DA PATRIMONIALIZAÇÃO NO BRASIL: UMA 385
REFLEXÃO SOBRE IDENTIDADES MÚLTIPLAS NÃO RECONHECIDAS
AS ESTRADAS DE VILA RICA À CACHOEIRA DO CAMPO: DOS 403
ANTIGOS CAMINHOS À ESTRADA DE DOM RODRIGO JOSÉ DE
MENEZES. INSTRUMENTOS DE SALVAGUARDA E SUAS
INTERFACES COM A MEMÓRIA DE SÃO BARTOLOMEU, OURO
PRETO.
CONFORTO AMBIENTAL EM EDIFICAÇÕES PROTEGIDAS: ANÁLISE 415
DA LEGISLAÇÃO DO CORREDOR CULTURAL DO RIO DE JANEIRO
CONVERGENCIAS E DIVERGENCIAS NA ATUAÇÃO DOS AGENTES 429
DO PATRIMONIO
CRIAÇÃO DO LABORATÓRIO DE CONSERVAÇÃO DE DOCUMENTOS 441
DA UFRRJ (LABDOC/UFRRJ)):MEMÓRIA, CONSERVAÇÃO E
PRODUÇÃO DE CONHECIMENTOS
DEMOCRATIZAÇÃO E ACESSO À MEMÓRIA E HISTÓRIA REGIONAL: 458
RELATO DA EXPERIÊNCIA DO PORTAL EMREDES
DIREITO AO ILEGÍVEL: OCUPAÇÕES EM ÁREAS DE RECONHECIDO 471
VALOR CULTURAL
INVENTÁRIOS ARQUITETÔNICOS NO RIO GRANDE DO SUL: DO 485
PODER PÚBLICO AO PODER DO PÚBLICO
MOVIMENTO “ABRACE A GARÇA” (MACEIÓ-AL): POSSIBILIDADES 499
DE AÇÕES DA SOCIEDADE CIVIL ORGANIZADA NA LUTA PELA
DEMOCRATIZAÇÃO DA CIDADE
O CENTRO HISTÓRICO DE CUIABÁ: EM BUSCA DO VALOR 516
ATRIBUÍDO
O DIA DO PATRIMÔNIO EM PELOTAS: UMA CELEBRAÇÃO DE 533
APROXIMAÇÃO DA COMUNIDADE COM SUA CULTURA.
O ESTUDO DE ELEMENTOS DO PATRIMÔNIO ARQUITETÔNICO AO 546
ALCANCE DA SOCIEDADE: A RELAÇÃO DAS OBRAS RELIGIOSAS
ENTRE PORTUGAL E BRASIL, A INFLUENCIA PORTUGUESA
O TERRITÓRIO URBANO CONTEMPORÂNEO E A SALVAGUARDA DA 558
MEMÓRIA: O INVENTÁRIO E SEUS REFLEXOS NA RUA MARECHAL
DEODORO - JUIZ DE FORA/MG
OFICINA DE RESTAURO PÚBLICO 574
OS CORETOS: A PERMANÊNCIA DO MOBILIÁRIO URBANO SEM 586
USO ESPECÍFICO
PARTICIPAÇÃO POPULAR DESDE A CONCEPÇÃO DO PROJETO DE 602
RESTAURO: O CASO DA CASA DE CÂMARA E CADEIA DE MARIANA
PARTICIPAÇÃO SOCIAL NA PRESERVAÇÃO DE SÍTIOS HISTÓRICOS 626
URBANOS. EXPERIMENTO METODOLÓGICO NO SÍTIO HISTÓRICO
DE SANTA LEOPOLDINA – ES
PATRIMÔNIO ARQUEOLÓGICO E IDENTIDADE: A IMPORTÂNCIA DO 648
RECONHECIMENTO NO PROCESSO DE SALVAGUARDA
PATRIMÔNIO ARTÍSTICO DO PALÁCIO DAS ARTES: UM ESTUDO DO 667
PROCESSO DE PRESERVAÇÃO DO FIGURINO DOS ESPETÁCULOS
PRODUZIDOS PELA FUNDAÇÃO CLÓVIS SALGADO
PATRIMÔNIO PULSANTE: A ÁREA CENTRAL CARIOCA E AS 683
MANIFESTAÇÕES SOCIAIS
PATRIMÔNIO, MEMÓRIA E IDENTIDADE: UM ESTUDO SOBRE AS 696
IGREJAS CATÓLICAS DO CENTRO DE VITÓRIA/ES
PENSANDO A PRESERVAÇÃO ARQUITETÔNICA E URBANA DE 710
ESPÍRITO SANTO DO PINHAL: UM PATRIMÔNIO AINDA A
CONHECER
PERCEBENDO A IMPORTÂNCIA DO PARQUE ESTADUAL DA SERRA 729
DO CURRAL, SÍMBOLO OFICIAL DE BELO HORIZONTE: A
JURISPRUDÊNCIA NA PRESERVAÇÃO DE UM RELEVANTE
PATRIMÔNIO CULTURAL E NATURAL DO QUADRILÁTERO
FERRÍFERO
PISO, PAREDE, TETO: A (DES)CARACTERIZAÇÃO DOS MATERIAIS 745
NAS INTERVENÇÕES REALIZADAS PELOS PROPRIETÁRIOS DOS
BENS PROTEGIDOS.
POR UMA ERÓTICA DO PATRIMÔNIO: ALTERNATIVAS À 760
TRANSFORMAÇÃO DA PARTICIPAÇÃO CIDADÃ EM PANACEIA DAS
POLÍTICAS PATRIMONIAIS
POR UMA VISÃO HUMANA DO PATRIMÔNIO: REPENSANDO O 775
CONSELHO DELIBERATIVO DO PATRIMÔNIO CULTURAL E
NATURAL DE SABARÁ/MG
REGISTROS VIRTUAIS EM PATRIMÔNIOS CULTURAIS 791
RUÍNAS DO FORTIM DOS EMBOABAS: ENTREMEANDO MEMÓRIA, 805
AMBIÊNCIA E PRESERVAÇÃO EM SÃO JOÃO DEL-REI (MG)
SÍTIO HISTÓRICO DE ITAPINA/ES: O PATRIMÔNIO ENQUANTO 820
MONUMENTO A SER PRESERVADO E A SUA PROBLEMÁTICA
ATUAL DE PRESERVAÇÃO
VIVENDA CAIÇARA: UM EXEMPLAR DA ARQUITETURA EM PEDRA 833
PIAUIENSE

2 - OS DESAFIOS DA EDUCAÇÃO PATRIMONIAL: EIXO 6 – EDUCAÇÃO


PATRIMONIAL NA ESCOLA EIXO 7 – MUSEUS, ARQUIVOS E EDUCAÇÃO
PATRIMONIAL EIXO 8 – A CIDADE, LUGAR DA EDUCAÇÃO
PATRIMONIAL EIXO 9 – EDUCAÇÃO PATRIMONIAL E TRABALHO: OS
OFÍCIOS TRADICIONAIS EIXO 10 – COMUNIDADES: PARTICIPANTES
EFETIVAS DAS AÇÕES EDUCATIVAS

(RE) SIGNIFICAR O MUSEU: PARCERIA UNIVERSIDADE X 845


INSTITUIÇÃO MUSEAL PÚBLICA
“ALÉM DOS MUROS DO INHOTIM”: EDUCAÇÃO PATRIMONIAL, 856
IDENTIDADE E CIDADANIA EM BRUMADINHO / MG
A COLETÂNEA GARIBALDINA E A EDUCAÇÃO PATRIMONIAL EM 865
LAGUNA, SC
A CURA ATRAVÉS DA FÉ: UM OLHAR SOBRE AS 878
BENZEDEIRAS/REZADEIRAS ALAGOANAS
BRINQUEDOS BIOGRÁFICOS: MEMÓRIA DE PRÁTICAS LÚDICAS 891
CINECLUBE, EDUCAÇÃO, PATRIMÔNIO, RESISTÊNCIA, MEMÓRIA: 909
DESAFIOS E POTÊNCIAS NA EDUCAÇÃO MUSEAL
EDUCAÇÃO PATRIMONIAL ATRAVÉS DA EXTENSÃO 916
UNIVERSITÁRIA NA ENGENHARIA CIVIL: UM ESTUDO DE CASO EM
CURVELO/MG.
EDUCAÇÃO PATRIMONIAL, O OLHAR DO OUTRO COMO 934
PERSPECTIVA FUNDAMENTAL NA CONSTRUÇÃO DE SABERES
EDUCAÇÃO PATRIMONIAL, PERCEPÇÃO E INTERPRETAÇÃO 948
AMBIENTAL EM MONUMENTOS E SÍTIOS: POSSIBILIDADES
TURÍSTICAS E EXPERIÊNCIAS DO CEMITÉRIO DO BONFIM, BELO
HORIZONTE – MG
EDUCAÇÃO PATRIMONIAL: UM CAMINHO PARA O INÍCIO DA 965
FORMAÇÃO EM PRESERVAÇÃO PATRIMONIAL. PROGRAMA
APLICADO A JOVENS SECUNDARISTAS
EDUCAR DESEDUCANDO: 10 ANOS DE IMPLANTAÇÃO DA UFS NOS 977
ANTIGOS TRAPICHES DE LARANJEIRAS/SE
ÉTICA E ESTÉTICA DAS PAISAGENS CULTURAIS: ROMARIAS, 995
PEREGRINAÇÃO, RELIGIOSIDADE E TURISMO NA LOCALIDADE
RURAL DE CEMITÉRIO DO PEIXE, DISTRITO DE COSTA SENA
(CONCEIÇÃO DO MATO DENTRO - MINAS GERAIS)
IATE CLUB DE COLATINA/ES: MEMÓRIA E PATRIMÔNIO HISTÓRICO, 1010
CULTURAL E ARQUITETÔNICO
MEDIDAS EDUCATIVAS, AÇÕES PARA O PERTENCIMENTO: CASO 1024
DO MUSEU EDUCATIVO UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA
MARIA MUSEU GAMA D’EÇA
MEMÓRIA URBANA DE BELO HORIZONTE: A CASA DA RUA 1038
BERNARDO GUIMARÃES, 441
MUSEU DO SILÊNCIO: O MUSEU COMO FERRAMENTA DE 1051
EDUCAÇÃO E CONSCIENTIZAÇÃO PATRIMONIAL
MUSEU E ARQUIVOS: O PAPEL DA UNIVERSIDADE NA EDUCAÇÃO 1065
PATRIMONIAL
O PERCURSO URBANO COMO EDUCAÇÃO PATRIMONIAL 1080
ROTEIRO DAS IGREJAS DO CENTRO HISTÓRICO DE CUIABÁ: UM 1095
PASSEIO PELO SAGRADO
SABERES TRADICIONAIS: DESAPARECIMENTO E PERPETUAÇÃO 1108
UM CANTO DA CIDADE: PAISAGEM, MEMÓRIA E 1122
PATRIMONIALIZAÇÃO DE GARÇA TORTA A RIACHO DOCE,
MACEIÓ-ALAGOAS.
UM POUCO DE CADA 1138
UMA RUA DE MUITOS LUGARES 1158

APRESENTAÇÃO DE EXPERIÊNCIA
1 - PATRIMÔNIO E PARTICIPAÇÃO: EIXO 1 – DO TÉCNICO À
POPULAÇÃO: A DEMOCRATIZAÇÃO DO CAMPO DO PATRIMÔNIO EIXO 2
– OS AGENTES DO PATRIMÔNIO: CONSELHOS, MOVIMENTOS SOCIAIS,
ONGS,... EIXO 3 – INSTRUMENTOS PARA A PROTEÇÃO DO PATRIMÔNIO
EIXO 4 – PATRIMÔNIO, DEMOCRACIA E AS CIDADES EIXO 5 –
RESISTÊNCIA CIVIL E OCUPAÇÕES: A AÇÃO DIRETA NO CAMPO DO
PATRIMÔNIO

DEMOCRATIZAÇÃO E ACESSO À MEMÓRIA E HISTÓRIA REGIONAL: 1171


RELATO DA EXPERIÊNCIA DO PORTAL EMREDES
O DIA DO PATRIMÔNIO EM PELOTAS: UMA CELEBRAÇÃO DE 1173
APROXIMAÇÃO DA COMUNIDADE COM SUA CULTURA.
O PATRIMÔNIO COLONIAL DA VILA DO PRÍNCIPE AO SERRO DE 1175
HOJE
TOMBAMENTO DA VILA VICENTINA DA ESTÂNCIA 1176

2 - OS DESAFIOS DA EDUCAÇÃO PATRIMONIAL: EIXO 6 – EDUCAÇÃO


PATRIMONIAL NA ESCOLA EIXO 7 – MUSEUS, ARQUIVOS E EDUCAÇÃO
PATRIMONIAL EIXO 8 – A CIDADE, LUGAR DA EDUCAÇÃO
PATRIMONIAL EIXO 9 – EDUCAÇÃO PATRIMONIAL E TRABALHO: OS
OFÍCIOS TRADICIONAIS EIXO 10 – COMUNIDADES: PARTICIPANTES
EFETIVAS DAS AÇÕES EDUCATIVAS

CINECLUBE, EDUCAÇÃO, PATRIMÔNIO, RESISTÊNCIA, MEMÓRIA: 1177


DESAFIOS E POTÊNCIAS NA EDUCAÇÃO MUSEAL
OFICINA ESCOLA DE MANGUINHOS : UMA REFLEXÃO SOBRE A 1179
EXPERIÊNCIA COM EDUCAÇÃO PATRIMONIAL E FORMAÇÃO DE
ARTÍFICES NOS OFÍCIOS TRADICIONAIS DE CONSTRUÇÃO E ARTE
RITO: O MENINO DO RANCHO - ALDEIA JERIPANKÓ 1180
RESUMO - 1 - PATRIMÔNIO E PARTICIPAÇÃO: EIXO 1 – DO TÉCNICO À
POPULAÇÃO: A DEMOCRATIZAÇÃO DO CAMPO DO PATRIMÔNIO EIXO 2
– OS AGENTES DO PATRIMÔNIO: CONSELHOS, MOVIMENTOS SOCIAIS,
ONGS,... EIXO 3 – INSTRUMENTOS PARA A PROTEÇÃO DO PATRIMÔNIO
EIXO 4 – PATRIMÔNIO, DEMOCRACIA E AS CIDADES EIXO 5 –
RESISTÊNCIA CIVIL E OCUPAÇÕES: A AÇÃO DIRETA NO CAMPO DO
PATRIMÔNIO

#VIVAMADALENA: A INTERVENÇÃO DA POPULAÇÃO NA


PRESERVAÇÃO DO PATRIMÔNIO HISTÓRICO E CULTURAL DE
TERESINA.

Larah Jéssica Santos Brito (larahbto@gmail.com)


Nivea Veras Machado (nivea_veras@hotmail.com)

RESUMO

Em 01 de julho de 2015, iniciou-se a ocupação da residência de número 1799,


localizada na Rua Félix Pacheco, no centro da cidade de Teresina - Piauí, com
o propósito de impedir a demolição da casa que pertenceu a Sra. Madalena (in
memorian), ato este que tinha por finalidade a construção de um
estacionamento.

A casa mencionada é um dos principais exemplares de arquitetura eclética que


existe em Teresina, marcando um estilo muito utilizado durante o século XX.
Assim, manter viva a memória da residência da Sra. Madalena é crucial, pois
esta carrega grandes significados da história de desenvolvimento da cidade.

Este artigo tem como objetivo discutir sobre a intervenção da população na


preservação do patrimônio histórico e cultural na cidade de Teresina,
analisando o caso do movimento "#VivaMadalena", para isso utilizou-se fonte
bibliográficas e orais, entrevistas com os participantes da ação e análise de
matérias exibidas nos jornais locais como metodologia de desenvolvimento.

O diferencial do movimento "#VivaMadalena" foi a participação popular, pois


observou-se o sentimento de identidade dos ocupantes com o local que se
visava a proteção. Grande parte das antigas residências históricas de Teresina
sofreram alterações indevidas e acabaram tornando-se estacionamentos, lojas,
lanchonetes ou clínicas.

O movimento "#VivaMadalena" teve grande importância no âmbito de início das


discussões sobre esses atos, que apesar de por vezes não serem ilegais,
acarretam prejuízos inimagináveis para a cultura da cidade. O que se defende
neste artigo não se refere a estagnação da obra arquitetônica no tempo, mas
sim a concepção da sua dinâmica através da constituição de novos usos que
proporcionem vitalidade à obra, e ainda sim preservando sua identidade
eclética.

De acordo com Carsalade (2007, p. 359) a dimensão do uso no restauro está


ligada à possibilidade de se tornar o patrimônio presente, manejável, utilizável,
ou seja, na sua adequação temporal. Logo, o movimento "#VivaMadalena"
mostrou-se como um exemplar desse tipo de intervenção contemporânea, pois
ao mesmo tempo que instigava a população a reconhecer, conhecer e
preservar sua identidade cultural, mostrava que novos usos associados a
manutenção da integridade da obra eram novas formas de proporcionar
vitalidade à residência.

Salienta-se que a participação popular revela-se, de acordo com o panorama


delineado no presente artigo, imprescindível para a solidificação de um
ambiente urbano vocacionado a preservar suas raízes históricas e um
conseguinte sentimento de pertencer à cidade. Movimentos como o
"#VivaMadalena" são importantes propulsores das discussões patrimoniais e
enaltecem a identidade cultural de um povo.

Palavras-chave: Participação Popular, Preservação, Memória, Patrimônio.


RESUMO - 1 - PATRIMÔNIO E PARTICIPAÇÃO: EIXO 1 – DO TÉCNICO À
POPULAÇÃO: A DEMOCRATIZAÇÃO DO CAMPO DO PATRIMÔNIO EIXO 2
– OS AGENTES DO PATRIMÔNIO: CONSELHOS, MOVIMENTOS SOCIAIS,
ONGS,... EIXO 3 – INSTRUMENTOS PARA A PROTEÇÃO DO PATRIMÔNIO
EIXO 4 – PATRIMÔNIO, DEMOCRACIA E AS CIDADES EIXO 5 –
RESISTÊNCIA CIVIL E OCUPAÇÕES: A AÇÃO DIRETA NO CAMPO DO
PATRIMÔNIO

A CASA DA FAMÍLIA REGO E A IMPORTÂNCIA DO TOMBAMENTO DAS


EDIFICAÇÕES RESIDENCIAIS NA CIDADE DE OEIRAS-PIPAT

Ravena Da Silva Portela (ravenaportela2012@hotmail.com)


Sávia De Paula Araújo Leite (savialeite14@gmail.com)
Amanda Moreira (amandacmoreira@hotmail.com)

RESUMO

Situada na região sudeste do Piauí, a primeira capital do estado – Oeiras, têm


o seu centro histórico tombado pelo IPHAN desde o ano de 2011, o que, nesse
caso, resultou em exemplares arquitetônicos com características mais
preservadas do que as edificações de outros sítios históricos da região. Como
parte desse contexto, neste artigo analisa-se uma edificação residencial da
cidade – a casa da família Rego, considerando sua importância por vários
aspectos, incluindo a possibilidade de ilustrar os aspectos técnicos e
construtivos correntes da época e também perceber, através do uso da
edificação, como era o cotidiando de uma família comum na cidade de Oeiras.
Discute-se ainda a atuação dos instrumentos de proteção do patrimônio
nesses exemplares, o que fez-se a partir de uma metodologia que engloba
levantamentos bibliográficos, levantamentos documentais e levantamentos
físicos in loco e entrevistas, resultando na percepção da impôrtancia destes
para a manutenção das suas características.

Palavras-chave: Patrimônio arquitetônico, preservação, Oeiras


RESUMO - 1 - PATRIMÔNIO E PARTICIPAÇÃO: EIXO 1 – DO TÉCNICO À
POPULAÇÃO: A DEMOCRATIZAÇÃO DO CAMPO DO PATRIMÔNIO EIXO 2
– OS AGENTES DO PATRIMÔNIO: CONSELHOS, MOVIMENTOS SOCIAIS,
ONGS,... EIXO 3 – INSTRUMENTOS PARA A PROTEÇÃO DO PATRIMÔNIO
EIXO 4 – PATRIMÔNIO, DEMOCRACIA E AS CIDADES EIXO 5 –
RESISTÊNCIA CIVIL E OCUPAÇÕES: A AÇÃO DIRETA NO CAMPO DO
PATRIMÔNIO

A DESTIPIFICAÇÃO DO PATRIMÔNIO ARQUITETÔNICO RESIDENCIAL DE


TERESINA: O CASO DO ENTORNO DA PRAÇA LANDRI SALES.

Carliene Lima E Silva (carlienelimaesilva@gmail.com)


Taianne Vanne Neco De Sousa (taianneneco@gmail.com)
Wanderson Luis Spusa E Silva (wandersonluiz-05@hotmail.com)
Amanda Moreira (amandacmoreira@hotmail.com)

RESUMO

O centro histórico da cidade de Teresina-PI tem sido descaracterizado


significativamente no decorrer das últimas décadas, especialmente pela
transformação quase que total dessa área - que originalmente abrigava
principalmente os usos comerciais, intitucionais e residenciais - em uma zona
majoritariamente comercial e institucional. Diante desta percepção, neste artigo
abordamos essa transformação e sua relação com a fragilidade dos
instrumentos de proteção a partir do caso da Rua Barroso, no quarteirão que
ladeia a Praça Landri Sales, logradouro de grande destaque na cidade,
especialmente pela sua estreita relação com a história e a memória da cidade
de Teresina. Por intermédio de estudo temporal das mudanças e reconstituição
do perfil de uso das edificações, através de fontes documentais, bibliográficas e
entrevistas, constatou-se a extrema descaracterização dessas edificações,
resultando em profunda mudança da paisagem urbana, sobretudo na
substituição da tipologia residencial por distintas funções.

Palavras-chave: Patrimônio arquitetônico, Residências de Teresina-PI, Rua


Barroso, Praça Landri Sales.
RESUMO - 1 - PATRIMÔNIO E PARTICIPAÇÃO: EIXO 1 – DO TÉCNICO À
POPULAÇÃO: A DEMOCRATIZAÇÃO DO CAMPO DO PATRIMÔNIO EIXO 2
– OS AGENTES DO PATRIMÔNIO: CONSELHOS, MOVIMENTOS SOCIAIS,
ONGS,... EIXO 3 – INSTRUMENTOS PARA A PROTEÇÃO DO PATRIMÔNIO
EIXO 4 – PATRIMÔNIO, DEMOCRACIA E AS CIDADES EIXO 5 –
RESISTÊNCIA CIVIL E OCUPAÇÕES: A AÇÃO DIRETA NO CAMPO DO
PATRIMÔNIO

A IMAGEM DO ESTADO MODERNO DE JUSCELINO KUBITSCHEK


ATRAVÉS DA ARQUITETURA DE OSCAR NIEMEYER

Camila Silva Morais (morais.camila@gmail.com)

RESUMO

No Brasil, considera-se que o estilo moderno arquitetônico foi inaugurado em


meados da década de 1930, com a construção do prédio do Ministério da
Educação e Cultura, em equipe liderada por Lúcio Costa e consultoria de Le
Corbusier. Contudo, esse estilo arquitetônico ganha impulso e se consolida no
país sob a figura do político Juscelino Kubitschek e sua parceria com o
arquiteto Oscar Niemeyer, que, ressalta-se, também foi membro da equipe que
trabalhou no projeto do Ministério da Educação e Saúde, em 1936.

O modernismo pretendeu a construção de um mundo público e comum em


relação ao seu passado contíguo, constituindo novos procedimentos, práticas e
referenciais teóricos. Relacionar bases sociais, teoria, prática e materiais
fornecidos pela revolução intelectual, científica e técnica foi o manifesto da
arquitetura moderna e é também aquilo que conecta a obra de Niemeyer não
apenas a outros lugares do início do século XX, como também a outros lugares
da história.

Pensados dentro da trama do modernismo brasileiro, os edifícios projetados


por Niemeyer, especialmente dentre as décadas de 1940 e 1960, desde a
Pampulha até Brasília, ambas reconhecidamente patrimônio cultural, adquirem
sentido a partir do diálogo que o arquiteto procura estabelecer entre seus
projetos e o processo histórico global e que ele traduz no interior de sua
disciplina e seu exercício profissional.

A síntese entre tecnologia e forma, característica das obras de Niemeyer,


ganha expressão durante os principais anos de política de Juscelino
Kubitschek, a saber, como Prefeito da capital Belo Horizonte (1940-1945),
como governador de Minas Gerais (1951-1955) e como Presidente da
República (1956-1961); bem como Juscelino encontra a expressão de
progresso e modernidade, para o desenvolvimento dos lugares por onde
passou como político, nas obras do arquiteto.

Por meio de uma arquitetura monumental, vinculada ao poder político,


Juscelino diminuía o papel do indivíduo enquanto participação política na
cidade, reforçando que a modernização do país era o principal e, para tal, o
sujeito deveria fazer parte da massa, sem se sobrepor a esta. Criando um
cenário da espetacularização através de uma arquitetura imponente, Juscelino
também conseguiu tirar o foco dos problemas econômicos advindos do
endividamento estatal bem como da disparidade social que se configurava
junto com o Estado Moderno. O país crescia economicamente a duras penas,
mas crescia, e junto a isso foi consolidando uma imagem da arquitetura do
poder em suas principais cidades.

Dessa forma, o Estado é o principal propulsor das principais propostas


arquitetônicas renovadoras desde a década de 1930, que modificam nossas
imagens sobre o conjunto da produção da cidade e da paisagem. Do mesmo
modo que a arquitetura se consolida como uma importante peça no cenário
político, fazendo parte da compreensão dos processos de reestruturação
nacional, especialmente nos processos de modernização e produção.

Palavras-chave: Modernismo, Política, Arquitetura, Poder, Patrimônio Cultural.


RESUMO - 1 - PATRIMÔNIO E PARTICIPAÇÃO: EIXO 1 – DO TÉCNICO À
POPULAÇÃO: A DEMOCRATIZAÇÃO DO CAMPO DO PATRIMÔNIO EIXO 2
– OS AGENTES DO PATRIMÔNIO: CONSELHOS, MOVIMENTOS SOCIAIS,
ONGS,... EIXO 3 – INSTRUMENTOS PARA A PROTEÇÃO DO PATRIMÔNIO
EIXO 4 – PATRIMÔNIO, DEMOCRACIA E AS CIDADES EIXO 5 –
RESISTÊNCIA CIVIL E OCUPAÇÕES: A AÇÃO DIRETA NO CAMPO DO
PATRIMÔNIO

A IMPORTÂNCIA DA PRESERVAÇÃO DA ARQUITETURA MODERNA


INSTITUCIONAL DE TERESINA: O CASO DO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO
ESTADO DO PIAUÍ

Emanuelle De Aragão Arrais (emanuelle_aragao_arrais@hotmail.com)


Ana Virgínia Alvarenga Andrade (anavirginia@uninovafapi.edu.br)
Amanda Moreira (amandacmoreira@hotmail.com)

RESUMO

O artigo trata do edifício-sede do Tribunal de Justiça do Estado do Piauí (1972),


situado na cidade de Teresina-PI e projetado pelo arquiteto carioca Acácio Gil
Borsói durante o Governo de Alberto Tavares Silva (1971-1975), período
correspondente ao surgimento das primeiras obras arquitetônicas com estilo
brutalista na cidade de Teresina. Tem como principal objetivo como discutir a
preservação desta edificação, pela sua relevância histórica e arquitetônica para
a cidade e fornecer o diagnóstico do estado atual da obra estudada quanto à
conservação e proteção do patrimônio, evidenciando a fragilidade dos seus
instrumentos de proteção atualmente. Justifica-se pela necessidade de
estimular a implementação de políticas mais incisivas de proteção deste
importante exemplar e tem como fontes o próprio objeto arquitetônico, tratado
como documento pertinente para a elaboração da pesquisa, publicações a
respeito do tema e entrevistas com agentes que lidam com sua preservação
nas mais diversas esferas.

Palavras-chave: Tribunal de Justiça do Estado do Piauí, Patrimônio Moderno,


Acácio Gil Borsói, Arquitetura Brutalista.
RESUMO - 1 - PATRIMÔNIO E PARTICIPAÇÃO: EIXO 1 – DO TÉCNICO À
POPULAÇÃO: A DEMOCRATIZAÇÃO DO CAMPO DO PATRIMÔNIO EIXO 2
– OS AGENTES DO PATRIMÔNIO: CONSELHOS, MOVIMENTOS SOCIAIS,
ONGS,... EIXO 3 – INSTRUMENTOS PARA A PROTEÇÃO DO PATRIMÔNIO
EIXO 4 – PATRIMÔNIO, DEMOCRACIA E AS CIDADES EIXO 5 –
RESISTÊNCIA CIVIL E OCUPAÇÕES: A AÇÃO DIRETA NO CAMPO DO
PATRIMÔNIO

A IMPORTÂNCIA DO PATRIMÔNIO CULTURAL PARA A CIDADE:


IDENTIDADE SOCIAL E PLANOS URBANOS

Ana Carla Carvalho Schirru (ana.carla@doctum.edu.br)

RESUMO

Entende-se por Patrimônio Cultural, o conjunto de bens materiais e imateriais


que fazem parte da cultura de determinado povo. A cultura por sua vez é
construída através das gerações num processo de transmissão de significados,
conhecimentos, crenças e modo de viver.

Ao tratarmos de patrimônio cultural, destaca-se sua função e referências à


identidade, a ação e a memória de diferentes grupos sociais. Este,
materializado na forma de construções, mantém vivo todo caráter intelectual e
cultural de civilizações anteriores pois, se torna testemunho vivo e tangível de
períodos passados.

Numa sociedade extremamente dinâmica, em que determinados bens se


tornam obsoletos num rápido intervalo de tempo e, onde o conhecimento é
globalizado, a preservação do patrimônio é a garantia de que a história de
determinada sociedade se preserve, valorize e seja divulgada para as gerações
futuras, através da atuação dos poderes governamentais e dos cidadãos.

Segundo Argan (1995), os monumentos desempenham um papel informativo


em sistema de comunicação, com uma função cultural e educativa, ou seja,
didática pois, compartilham a história das cidades, porém em uma perspectiva
ideológica. Na contemporaneidade, o patrimônio cultural desempenha, além de
sua função didática, memorial e identitária, uma importante estratégia
urbanística, onde o patrimônio passa a inserir-se num contexto turístico e
consequentemente, econômico.

Um trabalho multidisciplinar entre distintos profissionais, de diversos campos


de conhecimento, pode garantir uma melhor interpretação do comportamento
das pessoas, entendendo melhor a formação da memória e identidade, a
configuração espacial da paisagem, a importância de sua manutenção, dentre
outros aspectos envolvidos com a cidade.

Dessa forma, objetiva-se abordar a importância do patrimônio dentro do meio


no qual está inserido, especificamente na cidade de Juiz de Fora, MG. Pois, ao
tratarmos de patrimônio cultural, nos referimos ao conjunto de bens dos
diferentes grupos sociais dentro desse contexto comunitário, a cidade. Além
disso, busca-se relacionar as atividades de preservação ao planejamento
estratégico do município, analisando sua função social e econômica.

O método de pesquisa se aplica na revisão bibliográfica, apoiada na leitura


sobre memória e identidade social, no estudo das políticas de preservação do
patrimônio e, no estudo de caso da cidade de Juiz de Fora. Esta, que possui
um conjunto arquitetônico eclético e art déco importante no cenário local e
regional, que apesar de protegidos, ainda não possuem uma valorização
cultural que atinja todos os aspectos da paisagem, enquanto cidade e social,
enquanto cidadania.

Considera-se que na contemporaneidade, as políticas e premissas patrimoniais


encontram-se estabelecidas. Porém, há trabalho a executar, no que diz
respeito a conscientização e valorização social, esta, associada a educação
patrimonial e as políticas públicas. Assim, o trabalho deve ser na relação
indivíduo e sociedade.

Palavras-chave: memória, identidade, cidade, políticas


RESUMO - 1 - PATRIMÔNIO E PARTICIPAÇÃO: EIXO 1 – DO TÉCNICO À
POPULAÇÃO: A DEMOCRATIZAÇÃO DO CAMPO DO PATRIMÔNIO EIXO 2
– OS AGENTES DO PATRIMÔNIO: CONSELHOS, MOVIMENTOS SOCIAIS,
ONGS,... EIXO 3 – INSTRUMENTOS PARA A PROTEÇÃO DO PATRIMÔNIO
EIXO 4 – PATRIMÔNIO, DEMOCRACIA E AS CIDADES EIXO 5 –
RESISTÊNCIA CIVIL E OCUPAÇÕES: A AÇÃO DIRETA NO CAMPO DO
PATRIMÔNIO

A MEMÓRIA COMO INSTRUMENTO DE PROTEÇÃO DO PATRIMÔNIO


CULTURAL: BARRA LONGA-MG

Camilla Magalhães Carneiro (camilla.15.magalhaes@gmail.com)


Ítalo Itamar Caixeiro Stephan (urbanismo.stephan@ufv.br)
Luiz Fernando Reis (lfreis@ufv.br)

RESUMO

Este artigo trata das memórias de Barra Longa, uma das mais antigas cidades
de Minas Gerais, localizada na Zona da Mata mineira e que ainda possui um
importante acervo arquitetônico e cultural. Ele surgiu da necessidade de
registrar as memórias da cidade, guardadas por pessoas que, em sua história
de vida, mantêm consigo valiosas informações que não foram divulgadas e/ou
registradas publicamente. Neste trabalho, a memória é tratada como principal
instrumento de preservação da cultura, pois ela é fonte de registro das
vivências, capaz de resguardar a identidade local, visto que há uma grande
dificuldade em encontrar documentos que auxiliem no entendimento da história
de Barra Longa. A Monografia Histórica do município, escrita pelo Cônego
Raimundo Otávio da Trindade em 1917, com sua primeira versão publicada no
ano de 1918, é um exemplo dos raros livros que registram a história da cidade.
Exemplo da casualidade, o livro foi encontrado em posse de moradores de
Barra Longa. O documento foi a principal fonte para a redescoberta de uma
história que a população desconhecia e a motivação do aprofundamento da
pesquisa. A monografia escrita pelo Cônego demonstra sua preocupação em
registrar a cultura local. No ano em que o livro completou seu centenário, foi
iniciado um trabalho para resgatar seu conteúdo, fazendo com que o objetivo
que o Cônego Raimundo teve, ao escrevê-lo, fosse alcançado: enaltecer o rico
valor cultural da antiga cidade de Barra Longa. O Cônego registrou aspectos
físicos e culturais do município, a partir de documentos e memórias pessoais.
Expressa sua opinião, criticando, principalmente, as perdas patrimoniais que
ocorreram durante os anos. Algumas transformações foram registradas em
fotos e documentos, outras encontram-se guardadas nas memórias de pessoas
idosas que fazem relatos importantíssimos que merecem atenção e requerem
registro, para que não se percam com o tempo. As duas principais igrejas, que
são uns dos poucos remanescentes da arquitetura colonial, sofreram grandes
alterações físicas. São necessárias ações de preservação em Barra Longa
para que seu patrimônio cultural permaneça, e para que não se perca no tempo
por falta de registros. A ausência de um órgão de proteção e de catalogação do
seu acervo faz com que grande parte dos registros não seja resguardada. A
descontinuidade do interesse por parte dos gestores pelo patrimônio é um dos
fatores que colocam em risco a sua conservação. As peculiaridades de uma
cidadezinha do interior, com traços culturais bem típicos, precisam ser
cuidadosamente preservadas. A memória de um povo pode ser retratada
através de registros orais, que passam de geração a geração, mas para que
sobreviva e não perca sua especificidade, torna-se necessário o registro
adequado e um competente programa de educação patrimonial.

Palavras-chave: Memória, preservação do patrimônio cultural, Barra Longa-


MG, Cônego Raimundo Otávio da Trindade.
RESUMO - 1 - PATRIMÔNIO E PARTICIPAÇÃO: EIXO 1 – DO TÉCNICO À
POPULAÇÃO: A DEMOCRATIZAÇÃO DO CAMPO DO PATRIMÔNIO EIXO 2
– OS AGENTES DO PATRIMÔNIO: CONSELHOS, MOVIMENTOS SOCIAIS,
ONGS,... EIXO 3 – INSTRUMENTOS PARA A PROTEÇÃO DO PATRIMÔNIO
EIXO 4 – PATRIMÔNIO, DEMOCRACIA E AS CIDADES EIXO 5 –
RESISTÊNCIA CIVIL E OCUPAÇÕES: A AÇÃO DIRETA NO CAMPO DO
PATRIMÔNIO

A MODERNIZAÇÃO NOS GOVERNOS DE ANTONIO LEMOS (1902-1912) E


GETÚLIO VARGAS (1937-1945): A MUDANÇA CULTURAL DO LOCAL DA
MORADIA E SEU REFLEXO NO PROCESSO DE DEGRADAÇÃO DO
CENTRO HISTÓRICO DE BELÉM/PA

Samia Saady Morhy (samiamorhy@gmail.com)


José Júlio Lima (jjlimaufpa@gmail.com)
Celma (celma_chaves@hotmail.com)

RESUMO

A imposição de leis urbanísticas nas cidades em áreas de valor a preservação


pressupõe a regulação de construção relacionada à proteção do patrimônio. A
ação do Estado na condução da gestão edilícia decorrente das leis insere-se
na expressão de um discurso político criado em torno de valores incorporados
nas intenções da política de preservação. A introdução da modernização como
ideário político lançada inicialmente na capital paraense na era do Intendente
municipal Antônio Lemos (1902–1912) e consolidada no governo de Getúlio
Vargas (1937–1945) incentivou uma mudança nos hábitos sociais dos
moradores de classe alta em termos de local da moradia. Com efeito direto
sobre o Centro Histórico de Belém, protegido por legislação específica federal
em 2012 e por legislação municipal desde 1990, este artigo trata da relação
entre o processo de degradação arquitetônica dos sobrados e casarios do
bairro da Campina construídos até o início do século XX com os efeitos da
modernidade operados em dois períodos de centralização política e limitações
no regime de direitos democráticos. Ainda que marcadamente ligados a elites
econômicas, a modernidade enquanto discurso contrapõe-se a uma
compreensão subjetiva de sua casualidade. Para a compreensão da
subjetivação dos fatos relativos à modernização no bairro da Campina, entre o
fim do século XIX e início do XX, este artigo constrói um discurso historiográfico
sobre a modernização em Belém durante o período lemista e, em seguida,
durante o Estado Novo varguista, buscando revelar as relações entre as
historiografias dos dois momentos de poder político centralizador e a
modernização sobre o local de morar, o qual estaria associado,
contraditoriamente, a um processo de degradação do estoque edificado de um
bairro histórico de Belém. A partir destes dois momentos, o trabalho busca
articular em uma terceira parte, na qual, por meio do discurso historiográfico
construído, associar a modernidade presente na mudança cultural e nos
hábitos sociais da camada da população de alta renda, ligados ao poder
político em vigor, com a introdução da modernização do local e na forma de
morar, aguçando o sentido da modernidade como fator relevante de status
social, sob pena de perder o patrimônio arquitetônico eclético. Ressalta-se que
a população residente no Centro Histórico de Belém, conforme Censos do
IBGE de 2000–2010 aumentou 7.5%, mesmo sem nenhuma política
incentivadora ao uso habitacional, o que leva a sugerir políticas de retorno da
moradia ao Centro. Ao final do artigo, há a indicação de políticas habitacionais,
por meio de ações governamentais ou civis. Com destaque para maior
participação social nos projetos, uma vez que este item é uma das conquistas
democráticas recentes no planejamento urbano, bem como, que sejam
capazes de fomentar uma mudança cultural e nos hábitos da sociedade local
visando aguçar seu interesse de retornar a moradia nos sobrados ecléticos do
tombado núcleo urbano de Belém e minimizar sua degradação.

Palavras-chave: democracia, modernização, modernidade, moradia, ruínas,


Centro Histórico de Belém/PA
RESUMO - 1 - PATRIMÔNIO E PARTICIPAÇÃO: EIXO 1 – DO TÉCNICO À
POPULAÇÃO: A DEMOCRATIZAÇÃO DO CAMPO DO PATRIMÔNIO EIXO 2
– OS AGENTES DO PATRIMÔNIO: CONSELHOS, MOVIMENTOS SOCIAIS,
ONGS,... EIXO 3 – INSTRUMENTOS PARA A PROTEÇÃO DO PATRIMÔNIO
EIXO 4 – PATRIMÔNIO, DEMOCRACIA E AS CIDADES EIXO 5 –
RESISTÊNCIA CIVIL E OCUPAÇÕES: A AÇÃO DIRETA NO CAMPO DO
PATRIMÔNIO

A NOVA PREFEITURA ENXAIMEL DE SÃO LEOPOLDO

Leonardo Corá (leonardocora@yahoo.com.br)


Carolina Kempfer (carol.vza@gmail.com)

RESUMO

São Leopoldo é um município gaúcho onde foi fundada em 1824 a colônia


imperial de mesmo nome. Os registros deste passado podem ser encontrados
na arquitetura da região, onde exemplares de enxaimel ainda resistem ao
tempo, a grande maioria sem nenhuma proteção. No ano de 2009, o poder
público municipal lançou o projeto de uma nova prefeitura, no centro histórico
local, que seria construída com a inserção de elementos alusivos a técnica
construtiva enxaimel. A reação contrária da população, liderada pelo
movimento estudantil dos cursos de arquitetura e urbanismo da UNISINOS e
FEEVALE, foi tão intensa, que o projeto teve que ser reformulado, sendo
adotado um estilo contemporâneo. A produção desses simulacros de
arquitetura por meio de incentivos legais no plano diretor de São Leopoldo nos
oferece possibilidades de interpretações sobre o embate dos diferentes grupos
sociais que compõem a sociedade contemporânea da cidade. Conceitos como
identidade, auto-representação e paisagem são debatidos para buscar
compreender o que levou a sociedade de São Leopoldo a refutar a construção
de uma edificação com a importância que uma prefeitura tem para a imagem
da cidade. Para a construção do presente artigo, realizamos uma análise de
conteúdo, que é definida como um conjunto de instrumentos de cunho
metodológico em constante aperfeiçoamento, que se aplicam a discursos
extremamente diversificados. Sendo assim o nosso “corpo documental” é o
plano diretor local em seus artigos que promoveram a construção de
simulacros, o projeto arquitetônico da nova prefeitura e a cobertura que a
imprensa local deu para o ocorrido. A análise das referidas fontes se deu
através de questões temáticas, nas quais são:
representação/autodeterminação, territorialidade e contribuição para a
paisagem cultural. Em cada questão temática foi desenvolvida uma hipótese,
um objetivo geral e índices norteadores que serão utilizados para refletir,
relacionar, comparar, contrapor os diversos artigos que tratam a proteção do
patrimônio cultural. Por fim, ainda que não definida por seus agentes em seu
tempo como tal, uma posterior análise do ocorrido em São Leopoldo, foi
definido pela arquiteta Briane Bicca e pelo arquiteto Carlos Fernando de Moura
Delphim como uma caso de sucesso na defesa não apenas no patrimônio
arquitetônico, mas da paisagem cultural da região de imigração germânica.

Os resultados obtidos foram a desconstrução de ideia de que a sociedade civil


em geral não possui a capacidade de discernir entre um bem cultural edificado
e um simulacro, bem como da necessidade de envolvimento da comunidade
em ações que afetem a imagem da cidade. Pelo fato da nova prefeitura
enxaimel não ser fato a demolição de uma edificação histórica, mas sim uma
agressão a paisagem do centro histórico, conclui-se que sociedade em geral
quando bem instruída, já esta pronta para compreender o conceito de
paisagem.

Palavras-chave: Centro Histórico, São Leopoldo, Enxaimel, Paisagem Cultural


RESUMO - 1 - PATRIMÔNIO E PARTICIPAÇÃO: EIXO 1 – DO TÉCNICO À
POPULAÇÃO: A DEMOCRATIZAÇÃO DO CAMPO DO PATRIMÔNIO EIXO 2
– OS AGENTES DO PATRIMÔNIO: CONSELHOS, MOVIMENTOS SOCIAIS,
ONGS,... EIXO 3 – INSTRUMENTOS PARA A PROTEÇÃO DO PATRIMÔNIO
EIXO 4 – PATRIMÔNIO, DEMOCRACIA E AS CIDADES EIXO 5 –
RESISTÊNCIA CIVIL E OCUPAÇÕES: A AÇÃO DIRETA NO CAMPO DO
PATRIMÔNIO

A PARTICIPAÇÃO POPULAR DESDE A CONCEPÇÃO DO PROJETO DE


RESTAURO: O CASO DA CASA DE CÂMARA E CADEIA DE MARIANA

Fernanda Trindade De Carvalho (ftrindadecarvalho@yahoo.com.br)

RESUMO

Baseado na temática “Patrimônio e participação”, proposta pelo IX Mestres e


Conselheiros, e no eixo I “Do técnico à população: a democratização do campo
do patrimônio” proponho submeter a experiência vivida na elaboração do
projeto de restauro e readequação física do espaço da Casa de Câmara e
Cadeia de Mariana.

O trabalho visa demonstrar a democratização do campo do patrimônio a partir


da participação popular no desenvolvimento do projeto de restauro da Cada de
Câmara e Cadeia de Mariana. A partir da possibilidade de intervenção tornou-
se necessário entender as relações sociais estabelecidas na Câmara e no
cenário no qual a instituição está inserida, a Praça Minas Gerais. A
investigação iniciou pelo entendimento dos fatores que tornam a Casa de
Câmara e Cadeia de Mariana relevante sob o aspecto histórico-cultural.

O estudo é fundamentado ainda no atual conceito atribuído ao termo


“patrimônio” e na teoria de valores proposta por Aloïs Riegl e reafirmada pela
Carta de Burra do ICOMOS da Austrália. E parte do pressuposto que qualquer
processo de intervenção em um bem patrimonial deve ir além da estrutura
física, sendo obrigatório um estudo sobre os valores atribuídos ao bem por
diversos segmentos da sociedade, e não mais apenas pelos técnicos.
Utilizamos a ‘caixa de ferramentas’ proposta por Randall Manson, publicado
pelo Getty Conservation Institute. Selecionamos os atores nos seguintes
grupos: vereadores e funcionário da Câmara; moradores do entorno e agentes
do patrimônio; turistas. Para cada grupo adotamos uma metodologia, sendo
elas: método ZOPP, Mapa Mental e questionário respectivamente.

Através da aplicação dos métodos conseguimos desenvolver de maneira


coletiva uma proposta de intervenção para a Casa de Câmara e Cadeia de
Mariana, de forma que os valores reconhecidos pela população fossem
mantidos e problemas de uso do espaço apontados no grupo de vereadores e
funcionários fossem solucionados.

O mais relevante foi perceber que é possível ter a participação popular de


maneira verdadeira em um projeto de restauro e reutilização de um bem
patrimonial, do qual comprovamos também sua relevância como bem
patrimonial para todos os envolvidos.

Palavras-chave: participação popular, patrimônio, atores, valores


RESUMO - 1 - PATRIMÔNIO E PARTICIPAÇÃO: EIXO 1 – DO TÉCNICO À
POPULAÇÃO: A DEMOCRATIZAÇÃO DO CAMPO DO PATRIMÔNIO EIXO 2
– OS AGENTES DO PATRIMÔNIO: CONSELHOS, MOVIMENTOS SOCIAIS,
ONGS,... EIXO 3 – INSTRUMENTOS PARA A PROTEÇÃO DO PATRIMÔNIO
EIXO 4 – PATRIMÔNIO, DEMOCRACIA E AS CIDADES EIXO 5 –
RESISTÊNCIA CIVIL E OCUPAÇÕES: A AÇÃO DIRETA NO CAMPO DO
PATRIMÔNIO

A PERSPECTIVA DA PATRIMONIALIZAÇÃO DA CAPOEIRA NA VISÃO


DOS MESTRES ANGOLEIROS DE BELO HORIZONTE

Caroline Césari Oliveira (carolinecesari07@gmail.com)

RESUMO

Em 2008 a Capoeira se tornou patrimônio cultural nacional. Foi registrada a


Roda de Capoeira na categoria "Forma de Expressão", e o ofício dos mestres
de capoeira na categoria "Saberes". Nesse processo, muitos agentes - técnicos
do patrimônio, sociedade civil, simpatizantes, acadêmicos e capoeiristas- se
envolveram com as discussões promovidas dentro e fora do IPHAN- Instituto
do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, instituição responsável pelo
registro dos bens culturais nacionais. Muitos seminários foram produzidos e
encontros realizados, porém os conflitos existentes no âmbito das diferenças
inerentes que envolvem as práticas, visões de mundo e rituais distintos entre
as várias escolas da Capoeira ficaram evidentes neste diálogo coletivo. O
próprio dossiê de registro da Capoeira, assim como o IPHAN o publicou em
seu site na rede mundial de computadores foi um documento que apresentou
muitos problemas do ponto de vista metodológico, já que tendeu a tornar
homogêneo formas distintas de fazer e pensar a Capoeira, que para os
praticantes é muito evidente, mas que no dossiê pareceu muito sutil e em
alguns momentos irrelevante. A produção do documento foi feita baseada nos
pareceres da equipe técnica responsável pelas pesquisas. Mas ao longo do
texto, percebe-se que a visão dos mestres não foi contemplada, pois erros em
questões fundamentais desta arte, como no relato sobre os berimbaus, ficaram
evidentes, pelo menos para os capoeiristas. Isso deixou claro que poucos
mestres da Capoeira foram realmente consultados na produção do documento.
Tampouco sua visão sobre o universo da Capoeira foi contemplada. Esse
artigo traz um pouco desta reflexão, acerca do processo de patrimonialização
da Capoeira, e do grau de participação dos reais detentores desse saber-fazer:
os mestres. Trazemos apenas um panorama desse diálogo, numa perspectiva
pontual, mas abrangente dos mestres da Capoeira Angola de Belo Horizonte
que foram entrevistados por ocasião da realização da minha dissertação de
mestrado intitulada: "A Capoeira Angola e o processo de patrimonialização da
Capoeira como bem imaterial brasileiro", defendida junto ao Departamento de
Antropologia Social da Universidade Federal de Minas Gerais, com orientação
do professor Dr. Leonardo Hipólito Figoli, no final do ano de 2013.

Palavras-chave: Capoeira Angola; patrimonialização; mestres


RESUMO - 1 - PATRIMÔNIO E PARTICIPAÇÃO: EIXO 1 – DO TÉCNICO À
POPULAÇÃO: A DEMOCRATIZAÇÃO DO CAMPO DO PATRIMÔNIO EIXO 2
– OS AGENTES DO PATRIMÔNIO: CONSELHOS, MOVIMENTOS SOCIAIS,
ONGS,... EIXO 3 – INSTRUMENTOS PARA A PROTEÇÃO DO PATRIMÔNIO
EIXO 4 – PATRIMÔNIO, DEMOCRACIA E AS CIDADES EIXO 5 –
RESISTÊNCIA CIVIL E OCUPAÇÕES: A AÇÃO DIRETA NO CAMPO DO
PATRIMÔNIO

A PRÁTICA INTERDISCIPLINAR NA CONCEPÇÃO E EXECUÇÃO DE


PROJETOS CULTURAIS: O CASO DO MUSEU MILITAR DA ESCOLA DE
SARGENTOS DAS ARMAS

Marcelle Dutra (arqmarcelledutra@gmail.com)


Edgley Pereira De Paula (edgleydepaula@hotmail.com)

RESUMO

Da concepção do projeto cultural ao detalhamento arquitetônico, propõe-se


expor a relevância da interdisciplinaridade no processo de intervenção no
patrimônio e, como as especificidades locais, a problemática envolvida na
construção do espaço museológico, considerando as dinâmicas de produção
de projetos ainda persistentes e sua relação o tempo disponível, produziram
em contexto militar uma base de referência empírica para projetos culturais.

A integração indispensável entre arquitetura, história e museologia para a


proteção do patrimônio é exposta com o caso do Museu Militar da Escola de
Sargentos das Armas, objeto de discussão do impacto discurso expositivo e da
relação da instituição com o seu acervo e os públicos, interno e externo. Expor
as percepções na construção do repertório individual e coletivo que incidem na
identidade da proposta de projeto, as relações recíprocas entre o espaço e
aqueles que nele se inserem, em mútua influência e por mais que pareça
antagônico, produzindo singularidades. Delinear a importância da execução
deste tipo de projeto com base na investigação empírica, na inovação e no
desenvolvimento de estratégias eficazes de comunicação.
Palavras-chave: patrimônio militar, projetos culturais, interdisciplinaridade,
concepção, base empírica
RESUMO - 1 - PATRIMÔNIO E PARTICIPAÇÃO: EIXO 1 – DO TÉCNICO À
POPULAÇÃO: A DEMOCRATIZAÇÃO DO CAMPO DO PATRIMÔNIO EIXO 2
– OS AGENTES DO PATRIMÔNIO: CONSELHOS, MOVIMENTOS SOCIAIS,
ONGS,... EIXO 3 – INSTRUMENTOS PARA A PROTEÇÃO DO PATRIMÔNIO
EIXO 4 – PATRIMÔNIO, DEMOCRACIA E AS CIDADES EIXO 5 –
RESISTÊNCIA CIVIL E OCUPAÇÕES: A AÇÃO DIRETA NO CAMPO DO
PATRIMÔNIO

A PRESERVAÇÃO DO PATRIMÔNIO EDIFICADO EM COLATINA E SUA


TRAJETÓRIA.

Alexandre Valbuza Almeida (alexandrevalmeida@gmail.com)

RESUMO

O presente trabalho tem a intenção de pesquisar a respeito do processo de


desenvolvimento das politicas públicas de preservação do patrimônio cultural
em Colatina, Espirito Santo, especificamente o patrimônio edificado.
Posteriormente averiguar como o desenvolvimento urbano da cidade,
influenciou na condição atual do patrimônio arquitetônico da área central da
cidade. Devido as fortes chuvas que atingiram Colatina entre os anos de 2013
e 2014, grande parte dos registros e documentações a respeito da história e
desenvolvimento da cidade foram perdidos, tornando a coleta de dados mais
árdua. Observa-se, desde então, o aumento dos percalços à obtenção de
informações. Cabe salientar que o trabalho está baseado em análise
bibliográfica e sistematização de informações obtidas através de documentos,
material iconográfico, entrevistas e levantamento de campo. A pesquisa
apresenta-se como um campo vasto de possibilidades, uma vez que há pouco
autores e pesquisadores do tema. Nota-se também que a falta de revitalização
dos prédios históricos tem acarretado situações para a desvalorização dos
imóveis em nível patrimonial. Por fim, considera-se que a relevância acadêmica
deste trabalho se dá na perspectiva de poder contribuir como fonte para outras
pesquisas voltadas para essa temática.

Palavras-chave: patrimônio, historia, memoria, cultura, arquitetura.


RESUMO - 1 - PATRIMÔNIO E PARTICIPAÇÃO: EIXO 1 – DO TÉCNICO À
POPULAÇÃO: A DEMOCRATIZAÇÃO DO CAMPO DO PATRIMÔNIO EIXO 2
– OS AGENTES DO PATRIMÔNIO: CONSELHOS, MOVIMENTOS SOCIAIS,
ONGS,... EIXO 3 – INSTRUMENTOS PARA A PROTEÇÃO DO PATRIMÔNIO
EIXO 4 – PATRIMÔNIO, DEMOCRACIA E AS CIDADES EIXO 5 –
RESISTÊNCIA CIVIL E OCUPAÇÕES: A AÇÃO DIRETA NO CAMPO DO
PATRIMÔNIO

A PROTEÇÃO LEGAL É SUFICIENTE?. ENGENHOS PUBLICITÁRIOS: UMA


AMEAÇA AO PATRIMÔNIO ARQUITETÔNICO DO EIXO PILOTO
COMERCIAL RUA DO COMÉRCIO - CENTRO DE MACEIÓ.

Karla Calheiros (karlaarachel@hotmail.com)

RESUMO

O artigo tem como propósito analisar e compreender as intervenções


publicitárias no patrimônio arquitetônico da Rua do Comércio localizado na
Zona Especial de Preservação 2 (ZEP-2) no Centro de Maceió, situada no
Setor de Preservação Rigorosa 1 (SPR-1) – bem como sua normativa vigente
n° 4.545/1996 que institui normas gerais a respeito da edificação ou conjunto
de edificações para as Zonas Especiais de Preservação (ZEPs) e especifica
paramentos para a publicidade em imóveis situados em área de proteção
municipal desde 1997 através da regulamentação do Decreto n°5.700. A
análise abrange a rua após a implementação do Projeto de Requalificação
(2001-2009) realizado pela Secretaria Municipal de Planejamento (SEMPLA),
atual Secretaria de Desenvolvimento Territorial e Meio Ambiente (SEDET).

Para o desenvolvimento do artigo que fundamentou a análise do eixo piloto


comercial Rua do Comércio foram explorados as legislações municipais
n°4.545/1996 (Normas gerais de proteção ao patrimônio ou conjuntos urbanos
na qual a ZEP faz parte), lei n° 3.538, de 23 de dezembro de 1985 (Código de
Posturas de Maceió), a Lei Municipal 4.954 de 06 de janeiro de 2000 sobre a
Veiculação de propaganda nos logradouros públicos ao ar livre ou em locais
com visibilidade dos espaços públicos e o Plano Diretor de Maceió. Como
também foram realizadas percepções diretas que possibilitou reconhecer as
peculiaridades existentes nas edificações como os detalhes dos elementos
arquitetônicos e o modo como os anúncios ou engenhos publicitários (placas e
letreiros) interferiam na visualização das construções.

A partir das informações obtidas in loco, compilaram-se os dados que serviram


para mapeamento de uso e ocupação do solo da rua e comparações de
registros fotográficos obtidos das edificações da Rua do Comércio entre os
séculos XX e XXI para investigar o uso atual dos imóveis que permeiam a rua e
analisar as principais modificações na fachada das edificações.

Dessa maneira, buscou-se averiguar/avaliar a atual situação de preservação


das edificações da Rua do Comércio para então propor medidas como uma
cartilha e um aplicativo para frear as descaracterizações do patrimônio
edificado com o intuito de possibilitar a melhoria na paisagem urbana e
proporcionar a contemplação das edificações históricas por parte da população
e incentivar a denúncia às possíveis falhas da fiscalização referente aos
anúncios publicitários no patrimônio arquitetônico. Tendo em vista que o
instrumento jurídico é incapaz de manter na integra as particularidades
estilísticas dos exemplares arquitetônicos, pois ela apenas é um meio de
nortear as ações que devem ser seguidas após a sua implementação. Assim,
entendendo, acredita-se que um bom uso e uma boa conservação do imóvel
por parte de seu proprietário/inquilino, quer particular, quer institucional pública,
contribua para a preservação do patrimônio edificado.

Palavras-chave: Patrimônio arquitetônico, anúncios publicitários, lei,


fiscalização, aplicativo.
RESUMO - 1 - PATRIMÔNIO E PARTICIPAÇÃO: EIXO 1 – DO TÉCNICO À
POPULAÇÃO: A DEMOCRATIZAÇÃO DO CAMPO DO PATRIMÔNIO EIXO 2
– OS AGENTES DO PATRIMÔNIO: CONSELHOS, MOVIMENTOS SOCIAIS,
ONGS,... EIXO 3 – INSTRUMENTOS PARA A PROTEÇÃO DO PATRIMÔNIO
EIXO 4 – PATRIMÔNIO, DEMOCRACIA E AS CIDADES EIXO 5 –
RESISTÊNCIA CIVIL E OCUPAÇÕES: A AÇÃO DIRETA NO CAMPO DO
PATRIMÔNIO

AS DISTINÇÕES DA PATRIMONIALIZAÇÃO NO BRASIL: UMA REFLEXÃO


SOBRE IDENTIDADES MÚLTIPLAS NÃO RECONHECIDAS.

Eliana Miranda Araujo Da Silva Soares (elianamass@gmail.com)

RESUMO

O crescimento dos movimentos sociais urbanos, em defesa do patrimônio


edificado no Brasil, vem evidenciando as dificuldades na gestão desse
patrimônio pelos órgãos de tutela e a prevalência de uma hegemonia
tecnocrática, expondo a ausência da participação social, seja nas políticas de
preservação ou nos processos decisórios de intervenções na cidade que
afetam o coletivo. Apesar da legitimação da participação e controle social pela
Constituição Federal de 1988 e também pelo Estatuto da Cidade de 2001,
cujos instrumentos visam assegurar o pleno exercício da cidadania e a gestão
democrática das cidades, observa-se que a aplicabilidade desses instrumentos
está longe de ser efetiva.

Apresenta-se um conjunto complexo de questões que abrangem: a


compreensão de que o patrimônio cultural possui caráter difuso e coletivo; de
que é portador de referência à identidade, à ação e à memória dos diferentes
grupos formadores da sociedade brasileira; de que há desigualdade na forma
de apropriação pelos cidadãos que são privados muitas vezes do processo de
conhecimento, fruição e valorização do patrimônio; e que comunidades
pleiteiam reconhecimento identitário de bens culturais.
A partir da análise de demandas de movimentos sociais em defesa do
patrimônio edificado, e do contexto brevemente aqui apresentado, propõe-se
refletir, neste artigo, se as escalas de interesse de preservação – nacional,
regional e local, ainda que sejam entendidas como uma estrutura de
organização das instituições para uma gestão compartilhada, ao conferirem
uma hierarquização de valores do patrimônio, acabam por promover um caráter
distinto desse patrimônio. Essa distinção pode implicar na distribuição desigual
de investimentos para a conservação, em muitos casos na flexibilização da
legislação em favorecimento de empreendimentos imobiliários e no processo
de conhecimento, fruição e valorização do patrimônio cultural. Também
argumenta-se que pode ser uma forma excludente de reconhecimento de
identidades, uma vez que, à luz da Constituição Federal de 1988, o patrimônio
cultural brasileiro é caracterizado pela sua diversidade, constituindo-se,
portanto, por múltiplas identidades.

Palavras-chave: Movimentos sociais; Identidade; Patrimônio.


RESUMO - 1 - PATRIMÔNIO E PARTICIPAÇÃO: EIXO 1 – DO TÉCNICO À
POPULAÇÃO: A DEMOCRATIZAÇÃO DO CAMPO DO PATRIMÔNIO EIXO 2
– OS AGENTES DO PATRIMÔNIO: CONSELHOS, MOVIMENTOS SOCIAIS,
ONGS,... EIXO 3 – INSTRUMENTOS PARA A PROTEÇÃO DO PATRIMÔNIO
EIXO 4 – PATRIMÔNIO, DEMOCRACIA E AS CIDADES EIXO 5 –
RESISTÊNCIA CIVIL E OCUPAÇÕES: A AÇÃO DIRETA NO CAMPO DO
PATRIMÔNIO

AS ESTRADAS DE VILA RICA À CACHOEIRA DO CAMPO: DOS ANTIGOS


CAMINHOS À ESTRADA DE DOM RODRIGO JOSÉ DE MENEZES

Tássia Christina Torres Rocha (tassia.surya@gmail.com)


Jefferson Alexandre Da Cruz (jefalexcruz@yahoo.com.br)
Alex Fernandes Bohrer (alex.bohrer@ifmg.edu.br)
Joao Vitor Carvalho Batisteli (joaovitor.batisteli@gmail.com)

RESUMO

Nos tempos coloniais, as estradas reais eram as principais vias de acesso à


região de Vila Rica. Em 1782 o governador Dom Rodrigo José de Menezes
mandou abrir uma nova estrada ligando o Palácio de Cachoeira ao de Ouro
Preto. Esta nova via, que substituiu uma mais antiga (construída no cimo da
serra em 1718), era uma estrutura soberba, com 20Km de extensão, com
calçamentos, muros de arrimo, caneletas de escoamento de água e um belo
chafariz (tombado pelo Iphan em 2007). Uma fantástica obra de engenharia
colonial, a estrada de Dom Rodrigo oferece um passeio único pela imponente
serra, outrora chamada Serra da Cachoeira, hoje conhecida como Serra de
Ouro Preto. Por sua incontestável importância histórica, em 2014 iniciou-se um
projeto de Pesquisa e Extensão no IFMG – Ouro Preto com o objetivo de
impulsionar instrumentos de proteção patrimonial e garantir, através dele, o
acautelamento das estradas. Cremos, contudo, que mais importante até que os
processos de tombamento e guarda legal, a conscientização da população
acerca de seus bens de valor histórico é de fundamental importância para a
manutenção do próprio bem. Nesse sentido, desenvolver um trabalho de
sensibilização e educação patrimonial nas comunidades de São Bartolomeu,
bem como em distritos vizinhos, ligados intrinsecamente à famosa Estrada, foi
primordial para o sucesso do projeto. Grande foi a participação da comunidade
que atuou de forma ativa nas atividades propostas, sendo protagonistas
durante todo o processo. O trabalho de educação patrimonial proporcionou
uma rica experiência de trocas entre a comunidade e academia, mostrando,
dessa forma, que ambas devem caminhar juntas no processo de construção do
conhecimento. Houve contato estabelecido com o IEPHA, para orientar as
políticas públicas possíveis de se aplicar nas estradas, bem como uma parceria
com o Ministério Público, a fim de apurar as possibilidades de acautelamento
real frente ao Estado. O fruto principal do projeto foi o início do procedimento
de tombamento da Estrada de Dom Rodrigo, que atualmente está em
discussão no Conselho Patrimonial de Ouro Preto. Cabe frisar que diante da
repercussão do trabalho, houve interesse por parte do IPHAN em obter os
dados inventariados da pesquisa para iniciar esse trâmite. Partindo dos
resultados positivos já alcançados, o foco agora é abordar a participação
efetiva nos procedimentos de tombamento junto ao COMPATRI. Tendo em
vista também o grande reconhecimento obtido com o trabalho de educação
patrimonial nas escolas de São Bartolomeu e Cachoeira do Campo, recebemos
diversos convites para realização das mesmas atividades em outros distritos.
Assim, resolvemos aprimorar as ações relacionadas à sensibilização junto às
comunidades, ampliando esse trabalho para o distrito de Glaura, sendo esta
localidade ligada diretamente com a história da estrada. Espera-se, sobretudo,
que o projeto continue aproximando os moradores ao patrimônio, estimulando
assim, a cidadania ativa e participativa.

Palavras-chave: Tombamento, Estrada, Educação Patrimonial, Preservação.


RESUMO - 1 - PATRIMÔNIO E PARTICIPAÇÃO: EIXO 1 – DO TÉCNICO À
POPULAÇÃO: A DEMOCRATIZAÇÃO DO CAMPO DO PATRIMÔNIO EIXO 2
– OS AGENTES DO PATRIMÔNIO: CONSELHOS, MOVIMENTOS SOCIAIS,
ONGS,... EIXO 3 – INSTRUMENTOS PARA A PROTEÇÃO DO PATRIMÔNIO
EIXO 4 – PATRIMÔNIO, DEMOCRACIA E AS CIDADES EIXO 5 –
RESISTÊNCIA CIVIL E OCUPAÇÕES: A AÇÃO DIRETA NO CAMPO DO
PATRIMÔNIO

AS TRANSFORMAÇÕES URBANÍSTICAS E ARQUITETÔNICAS


OCORRIDAS NA PRAÇA D. PEDRO II DESDE SUA FUNDAÇÃO ATÉ OS
DIAS ATUAIS

Mariana Rios Da Silva (mariana_riosds@hotmail.com)

RESUMO

A cidade de São Luís é inicialmente habitada por índios tupinambás e tem seu
direito de exploração concedido a Portugal pelo Tratado de Tordesilhas,
contudo sua fundação só é reconhecida com a ocupação francesa em 1612 e
edificação do Forte São Luís. A escolha do local para a implantação do forte foi
cuidadosamente realizada, visando facilitar a defesa do solo. Essa área
consiste no núcleo embrionário da cidade e corresponde a uma das praças
mais importantes da cidade atual, conhecida como Praça Dom Pedro II. Este
trabalho objetivou pesquisar as transformações urbanísticas, arquitetônicas e
as funções exercidas por esse espaço ao longo da história de São Luís. Para
tanto estudou-se brevemente sobre a história da cidade e, posteriormente, fez-
se um recorte histórico na área de estudo e uma análise tipológica das
principais edificações que compõe o conjunto arquitetônico na praça, entre
elas: Igreja da Sé, Palácio dos Leões, Palácio de La Ravardière, edifício João
Goulart, entre outras. O espaço, inicialmente denominada Avenida
Maranhense, teve seu nome atual instituído em 1925, através da Resolução
n.340, de 30 de novembro. A Praça D. Pedro II passou por diversas
intervenções que transformaram significativamente seu aspecto ao longo dos
anos, operações que alteraram desde disposição dos canteiros até a
pavimentação e iluminação. De forma menos significativa, pequenas
intervenções foram realizadas, buscando conservar a estrutura existente. A
análise tipológica se propôs a ilustrar como as modificações em cada edifício
afetam a paisagem da Praça Pedro II. Como exemplo a Igreja da Sé, sua data
de construção, 1622, aproxima-se a da fundação da cidade. Inicialmente uma
construção em pedra e cal, teve seu modelo original demolido e reconstruído
em 1680. Apesar das diversas intervenções realizadas, a mais importante é a
de 1922, na qual teve sua fachada modificada. A análise propriamente dita é
feita através da divisão da fachada de cada edificação em níveis horizontais e
verticais, onde se faz a identificação de cada elemento, indo desde o número
de esquadrias até elementos ornamentais observados, especificando, quando
possível, qual o estilo e material apresentado por cada um. As informações
obtidas permitem concluir que a história da Praça Pedro II se entrelaça à da
cidade, estando presente desde sua fundação e acompanhando seu
crescimento. As diversas funções exercidas pela praça revelaram-se no
desenvolvimento da pesquisa, exercendo desde o papel de núcleo embrionário
até funções militares, como forte da cidade em sua fundação; políticas, sendo a
sede do poder administrativo estadual e municipal; religiosas, abrigando a
Catedral de São Luís; e, mais recentemente, de turismo, com hotéis e também
como rota dos passeios que ocorrem no centro histórico. Esse espaço mostrou-
se de suma importância para a cidade colonial e se mantém preservado para a
cidade moderna.

Palavras-chave: Praça D. Pedro II, Arquitetura, Urbanismo


RESUMO - 1 - PATRIMÔNIO E PARTICIPAÇÃO: EIXO 1 – DO TÉCNICO À
POPULAÇÃO: A DEMOCRATIZAÇÃO DO CAMPO DO PATRIMÔNIO EIXO 2
– OS AGENTES DO PATRIMÔNIO: CONSELHOS, MOVIMENTOS SOCIAIS,
ONGS,... EIXO 3 – INSTRUMENTOS PARA A PROTEÇÃO DO PATRIMÔNIO
EIXO 4 – PATRIMÔNIO, DEMOCRACIA E AS CIDADES EIXO 5 –
RESISTÊNCIA CIVIL E OCUPAÇÕES: A AÇÃO DIRETA NO CAMPO DO
PATRIMÔNIO

CENTRO DE ARTES DA UFF: EDIFÍCIO-EMBLEMA DA MEMÓRIA URBANA


E CULTURAL DE NITERÓI-RJ.

Ricardo José Brügger Cardoso (ricardojbcardoso@hotmail.com)

RESUMO

A presente pesquisa pretende contribuir para a área de conhecimento que


envolve o conceito de Centros Culturais, destacando algumas análises
particulares relativas às edificações culturais universitárias. Para tanto, optou-
se pelo desenvolvimento de um estudo de caso sobre o contexto histórico,
arquitetônico e urbanístico do Centro de Artes da Universidade Federal
Fluminense em Niterói, no Estado do Rio de Janeiro, prédio erguido no bairro
de Icaraí e que está simbolicamente representado pela paisagem balneária da
Baía da Guanabara e pela vista panorâmica da cidade do Rio de Janeiro. Um
dos objetivos deste trabalho é procurar estabelecer as inter-relações entre
arquitetura teatral, cidade e cultura, por meio de uma abordagem
interdisciplinar, e que tem como tema central a produção de edifícios culturais
na contemporaneidade. Considerados como um dos mais importantes
equipamentos urbanos contemporâneos, ao serem vistos e construídos em
inúmeras cidades brasileiras e estrangeiras, os Centros de Arte e Cultura
constituem a temática central deste estudo. Nesse sentido, o Centro de
Artes/UFF constitui-se como o principal objeto de análise desta investigação
acadêmica, sendo proposta aqui a apresentação de parte inicial do trabalho,
mais especificamente sobre a descaracterização arquitetônica sofrida pelo
antigo prédio de estilo "art déco", bem como de outras intervenções ocorridas
em todo o conjunto e em seu interior. No passado, o prédio fora erguido para
abrigar o antigo Casino Icarahy, num programa arquitetônico que abarcava o
hotel, o grill e o salão de jogos, onde grandes nomes da música brasileira e
latino-americana se apresentaram em noites memoráveis. Com a proibição dos
jogos no país, estabelecida em Decreto de Lei 9.215 de 1946, o Casino Icarahy
foi fechado, passando a funcionar apenas como hotel, restaurante e com a
inclusão, posteriormente, do Teatro Cassino. Em 1969, o prédio passou a
abrigar a Reitoria da UFF e o seu Centro de Artes, principal objeto de análise
dessa pesquisa.

Palavras-chave: Equipamento Cultural, Centro de Artes da UFF, Cidade de


Niterói.
RESUMO - 1 - PATRIMÔNIO E PARTICIPAÇÃO: EIXO 1 – DO TÉCNICO À
POPULAÇÃO: A DEMOCRATIZAÇÃO DO CAMPO DO PATRIMÔNIO EIXO 2
– OS AGENTES DO PATRIMÔNIO: CONSELHOS, MOVIMENTOS SOCIAIS,
ONGS,... EIXO 3 – INSTRUMENTOS PARA A PROTEÇÃO DO PATRIMÔNIO
EIXO 4 – PATRIMÔNIO, DEMOCRACIA E AS CIDADES EIXO 5 –
RESISTÊNCIA CIVIL E OCUPAÇÕES: A AÇÃO DIRETA NO CAMPO DO
PATRIMÔNIO

CIDADE, MEMÓRIA, PATRIMÔNIO E MUSEOLOGIA SOCIAL: UMA


ANÁLISE SOBRE A RELAÇÃO ENTRE ESPAÇO URBANO, MUSEUS
COMUNITÁRIOS E ALTERNATIVAS DE RESISTÊNCIA.

Robson De Santana (robson-historia@hotmail.com)

RESUMO

A referida pesquisa trata do surgimento dos museus comunitários nos últimos


anos como uma possível alternativa à política hegemônica do capital e que
encontra no espaço urbano um palco de conflitos e de resistência. A cidade do
Recife, em Pernambuco, sofre um dos maiores índices de segregação social e
territorial do Brasil, configurando-se como uma cidade dividida em zonas
nobres e periféricas. Os setores periféricos da cidade passaram a ser foco dos
interesses dos grandes consórcios imobiliários, que com a ajuda dos governos
locais, expulsam os moradores dessas regiões para a efetivação de seus
projetos que atendem às classes mais abastadas da cidade. A comunidade do
Coque, localizada no setor central do Recife, vem há anos sendo assediada
pelo poder público municipal, aliado aos conglomerados empresariais. Resistir
a essa especulação tem sido um desafio traçado por parte da comunidade, que
através de diversas manifestações tentam reafirmar o direito que possuem de
morar naquele território. É nesse contexto que surge o projeto do Museu da
Beira da Linha do Coque, tendo como objetivo reconstruir a memória local
através de um acervo áudio-visual, ganhando notoriedade junto a outros
movimentos contra a especulação imobiliária que ameaçam territórios vizinhos,
como o do Cais José Estelita. Através do projeto “Contadores e Contadoras de
História do Coque” e com apoio do FUNCULTURA – PE (Fundo
Pernambucano de Incentivo à Cultura), foi lançado o site do Museu
(www.museudabeiradalinhadocoque.org) onde estão sendo armazenados
fotografias e depoimentos de diversos moradores. É a comunidade falando por
ela mesma, desmitificando as narrativas de fora que sempre a intitularam como
violenta e inabitável. Utilizando uma metodologia na qual se vem pesquisando
sobre Museologia Social, Museus Comunitários, Identidade, Memória,
Patrimônio e Poder, tal pesquisa tem como objetivo relacionar teoria e prática
na convivência junto à comunidade. O estudo de caso do projeto do Museu da
Beira da Linha do Coque atrela-se a questões como: a urbanização da cidade
do Recife; suas relações com os processos de patrimonialização/musealização;
as representações identitárias estabelecidas nesses novos espaços museais e
o grau de autonomia que essas comunidades possuem em relação à
construção de suas memórias e identidades e como tal projeto comunitário é
encarado pelos órgãos legitimadores do campo da Museologia e do Patrimônio,
fazendo uma releitura sobre o papel da instituição Museu na sociedade e seu
caráter dualista, tanto como instrumento de autonomia, representações e
resistência, como de hegemonia e autoridade. Trabalhar o conceito de
Museologia Social, relacionando-o com o que o museu comunitário vem
construindo do ponto de vista de serem ou não alternativas às políticas do
capital e da própria museologia/patrimonialização, articulando isso ao espaço
urbano no qual muitos desses museus se encontram é o principal objetivo
deste trabalho.

Palavras-chave: Cidade; Comunidade; Memória; Museologia Social;


Patrimônio; Resistência.
RESUMO - 1 - PATRIMÔNIO E PARTICIPAÇÃO: EIXO 1 – DO TÉCNICO À
POPULAÇÃO: A DEMOCRATIZAÇÃO DO CAMPO DO PATRIMÔNIO EIXO 2
– OS AGENTES DO PATRIMÔNIO: CONSELHOS, MOVIMENTOS SOCIAIS,
ONGS,... EIXO 3 – INSTRUMENTOS PARA A PROTEÇÃO DO PATRIMÔNIO
EIXO 4 – PATRIMÔNIO, DEMOCRACIA E AS CIDADES EIXO 5 –
RESISTÊNCIA CIVIL E OCUPAÇÕES: A AÇÃO DIRETA NO CAMPO DO
PATRIMÔNIO

CONFORTO AMBIENTAL EM EDIFICAÇÕES PROTEGIDAS: ANÁLISE DA


LEGISLAÇÃO DO CORREDOR CULTURAL DO RIO DE JANEIRO

Fernanda Medeiros Calháu Soares (fernandacalhau.arq@gmail.com)

RESUMO

O objetivo deste artigo é realizar uma avaliação crítica dos critérios de


conservação adotados para as edificações protegidas pela Área de Proteção
do Ambiente Cultural (APAC) do Corredor Cultural do Rio de Janeiro sob o
ponto de vista conceitual, teórico e principalmente sob a ótica do conforto
ambiental. A arquitetura característica do local onde hoje está delimitada esta
APAC foi produzida, por muitos séculos, como resultado de uma cultura de
edificar, que atendia bem às necessidades daquela população, manipulando as
variáveis do meio externo, proporcionando conforto e habitabilidade. Será
apresentado um breve resumo sobre a evolução dos principais pontos
relacionados ao conceito de conservação de bens culturais arquitetônicos.
Posteriormente, serão citadas algumas determinações das várias legislações
produzidas para a área, desde o século XIX até os dias atuais. A partir dos
conceitos abordados sobre conservação de edifícios históricos, da análise da
evolução da legislação, será produzida uma reflexão sobre a maneira em que
as questões relativas ao conforto ambiental do ambiente construído, tão
valorizadas durante o século XIX como forma de proporcionar a higiene dos
edifícios através da adequada iluminação e ventilação, são contempladas na
legislação vigente para o Corredor Cultural.
Palavras-chave: Corredor Cultural – Rio de Janeiro, Conforto Ambiental,
Legislação e Patrimônio
RESUMO - 1 - PATRIMÔNIO E PARTICIPAÇÃO: EIXO 1 – DO TÉCNICO À
POPULAÇÃO: A DEMOCRATIZAÇÃO DO CAMPO DO PATRIMÔNIO EIXO 2
– OS AGENTES DO PATRIMÔNIO: CONSELHOS, MOVIMENTOS SOCIAIS,
ONGS,... EIXO 3 – INSTRUMENTOS PARA A PROTEÇÃO DO PATRIMÔNIO
EIXO 4 – PATRIMÔNIO, DEMOCRACIA E AS CIDADES EIXO 5 –
RESISTÊNCIA CIVIL E OCUPAÇÕES: A AÇÃO DIRETA NO CAMPO DO
PATRIMÔNIO

CONJUNTO URBANO DA PRAÇA PEDRO II EM TERESINA - PIAUÍ:


VULNERABILIDADE LEGAL

Karina Maria Ferraz Dos Santos Cadena (karinaf.arq@gmail.com)


Isis Meireles Rodrigues (isismeireles@uninovafapi.edu.br)
Marcos Fernando De Sousa Filho (marcosfernandoarq@gmail.com)
Pâmela Brenda Monteiro Abreu (pambrendaa@hotmail.com)

RESUMO

Este artigo tem como objeto de estudo do conjunto urbano da Praça Pedro II
em Teresina, capital do Estado do Piauí e configura mais um produto da
Pesquisa do Patrimônio histórico urbano e arquitetônico do entorno da Avenida
Antonino Freire e da Praça Pedro II: memória e usos do Núcleo de Estudos da
Arquitetura Piauiense – NEAPI do Centro Universitário UNINOVAFAPI.

O artigo objetivou a revisão dos instrumentos legais nas esferas municipais e


estaduais, que incidem na salvaguarda do Conjunto Urbano da Praça Pedro II.
Neste, também foram analisados os efeitos transformadores promovidos pelas
legislações nos usos e a preservação das edificações do entorno da Praça e as
modificações ocorridas ambiência do local. Foram realizados levantamentos de
campo e análises comparativas dos poucos registros da época da formação da
Praça Pedro II e dados coletados em 1999 e 2017. Realizou-se a verificação
dos instrumentos legais de proteção ao patrimônio no âmbito estadual e
municipal, a fim de se atingir os objetivos da pesquisa e a ampliação a
inteligibilidade das formas urbanas e arquitetônicas.
Não há registros históricos quanto a fundação da Praça Pedro II. A sua
consolidação se dá a partir da instalação dos edifícios mais relevantes no
entorno da praça; o Teatro 4 de Setembro (1894), o Clube dos Diários (1927) e
o Cine Rex (1939). Outras atividades como a Sorveteria Americana e o Bar
Carnaubinha (1952), serviam de ponto de encontro para frequentadores. Todos
estes equipamentos contribuíram para que esta área se tornasse o “coração”
cultural de Teresina. A praça possui um caráter fundamental e simbólico para a
identidade da cidade de Teresina e de seus habitantes.

Com a densificação da zona leste, o centro de Teresina perde população e


infraestrutura necessária a função habitacional. O processo de modernização
aliado ao ideário antigo/atrasado e moderno/desenvolvido, contribuíram
sobremaneira para a perda da sua vitalidade.

O Governo do Estado do Piauí promoveu três tombamento no seu entorno,


mas percebe-se não haver raios de influência dos mesmos, ficando de maneira
subjetiva o perímetro de proteção nesta área. Os decretos de tombamentos
não mencionam que edificações está sob sua influência. A má interpretação e
delimitação dos mesmos, possibilita a substituição e transformação do
conjunto. As medidas tomadas pelo poder público, se mostram ineficientes, as
ações de tombamentos não asseguraram a manutenção da paisagem urbana e
nem a ambiência do conjunto urbano.

As legislações que regulamentam na atualidade as ações sobre o conjunto


urbano da praça são: a Lei Estadual n° 4515/92 e as Leis Municipais n°
3602/06, n° 3563/06 e n° 3562/06. Tendo em vista as legislações analisadas, a
Praça Pedro II e seu entorno estão ameaçados.

A vulnerabilidade que o conjunto urbano da Praça Pedro II se apresenta


decorre de muitos fatores principalmente por pressões econômicas decorrentes
da supervalorização do terreno em detrimento ao edifício.

Palavras-chave: Teresina, Patrimônio, Legislação


RESUMO - 1 - PATRIMÔNIO E PARTICIPAÇÃO: EIXO 1 – DO TÉCNICO À
POPULAÇÃO: A DEMOCRATIZAÇÃO DO CAMPO DO PATRIMÔNIO EIXO 2
– OS AGENTES DO PATRIMÔNIO: CONSELHOS, MOVIMENTOS SOCIAIS,
ONGS,... EIXO 3 – INSTRUMENTOS PARA A PROTEÇÃO DO PATRIMÔNIO
EIXO 4 – PATRIMÔNIO, DEMOCRACIA E AS CIDADES EIXO 5 –
RESISTÊNCIA CIVIL E OCUPAÇÕES: A AÇÃO DIRETA NO CAMPO DO
PATRIMÔNIO

CONSELHOS MUNICIPAIS DE PRESERVAÇÃO DO PATRIMÔNIO NO


PARANÁ

Kissia Stein Do Nascimento (kissiastein@yahoo.com.br)

RESUMO

Este artigo investiga a participação de atores sociais relacionados à proteção


do patrimônio cultural através do estabelecimento de Conselhos Municipais de
Preservação do Patrimônio no Paraná. Considera a importância da
colaboração da comunidade junto ao poder público para a promoção e
proteção do patrimônio cultural brasileiro, como preconizado na Constituição
Federal. Alinha-se à teoria contemporânea da conservação e às teorias de
democracia representativa e participativa. A pesquisa emprega técnicas quanti-
qualitativas de análise, realizando o levantamento de documentos
disponibilizados em mídia virtual, acompanhado de verificação de vigência e
regulamentação de legislação. Ressalta o caráter e atribuições dos conselhos,
a composição e a forma de escolha de representantes, assim como as formas
previstas para publicização das ações desenvolvidas. A análise do desenho
institucional dos conselhos contribui para a compreensão das práticas
participativas e dos efeitos da experiência dessa participação. A identificação
dos segmentos da sociedade envolvidos com a preservação contribui para
ampliar o debate sobre a interação e o interesse da população na preservação
do patrimônio. Nas considerações finais salienta-se a potencialidade da
temática do patrimônio cultural como um campo de formulação e
implementação de políticas públicas associado à gestão das cidades. São
ponderados os desafios e as oportunidades encontrados no processo de
construção e operacionalização da arquitetura participativa nos conselhos
analisados, associando-os a necessidade de um sistema municipal de
preservação do patrimônio cultural.

Palavras-chave: Conselhos Municipais de Preservação do Patrimônio Cultural.


Gestão local do patrimônio cultural. Agentes de preservação. Participação
Democrática.
RESUMO - 1 - PATRIMÔNIO E PARTICIPAÇÃO: EIXO 1 – DO TÉCNICO À
POPULAÇÃO: A DEMOCRATIZAÇÃO DO CAMPO DO PATRIMÔNIO EIXO 2
– OS AGENTES DO PATRIMÔNIO: CONSELHOS, MOVIMENTOS SOCIAIS,
ONGS,... EIXO 3 – INSTRUMENTOS PARA A PROTEÇÃO DO PATRIMÔNIO
EIXO 4 – PATRIMÔNIO, DEMOCRACIA E AS CIDADES EIXO 5 –
RESISTÊNCIA CIVIL E OCUPAÇÕES: A AÇÃO DIRETA NO CAMPO DO
PATRIMÔNIO

CONVERGÊNCIAS E DIVERGÊNCIAS NA ATUAÇÃO DOS AGENTES DO


PATRIMÔNIO

Flavia De Assis Lage (flavia_lage_arq@hotmail.com)


Luciana De Assis Lage (luciana_lage_arq@hotmail.com)

RESUMO

No âmbito da preservação do patrimônio cultural devemos destacar a


importância de todos os atores sociais envolvidos _ órgãos de preservação nas
esferas federal, estadual e municipal, profissionais que trabalham com a
preservação, acadêmicos que se dedicam ao estudo do patrimônio, membros
do corpo profissional das prefeituras, membros dos conselhos municipais, além
da sociedade civil como um todo.

Certamente, a importância da atuação desses agentes se iguala ou sobrepõe à


importância da legislação, uma vez que eles são os instrumentos de aplicação
das leis existentes, para garantir a preservação do patrimônio cultural através
da implementação de ações para planejamento e gestão do patrimônio cultural,
onde estejam integradas as ações das três esferas _municipal, estadual e
federal, e dos demais atores sociais envolvidos na temática da preservação.

O objetivo deste artigo é apresentar algumas das percepções desses agentes


acerca da preservação para, em seguida, estabelecer pontos divergentes e
convergentes de modo a lançar uma luz sobre a importância de cada um
desses atores no processo de preservação e de gestão do patrimônio cultural,
no sentido de avançar nas discussões acerca das politicas de preservação, nas
esferas de planejamento e gestão.

Para a obtenção dos dados sobre a percepção dos diversos agentes sociais
envolvidos na preservação do patrimônio serão utilizadas entrevistas
realizadas, por Flavia de Assis Lage, para elaboração da dissertação cujo titulo
é “A Gestão do Patrimônio Cultural em Minas Gerais: novas dimensões e
paradoxos”, transcritas nos anexos desse trabalho.

Os questionamentos que pretendem ser esclarecidos com as entrevistas são


os seguintes: (1) aos órgãos de preservação no nível federal e estadual caberia
prioritariamente a normatização das políticas de preservação, cabendo às
administrações municipais a formulação e operacionalização dessas políticas
de preservação do patrimônio cultural, levando em conta as especificidades de
cada município, (2) a importância do envolvimento da sociedade civil para a
Preservação do Patrimônio, por exemplo, de forma representativa através dos
Conselhos Municipais de Preservação do Patrimônio, como forma de haver
maior legitimidade das politicas de preservação do patrimônio e,
consequentemente, maior empenho da população tanto em cumprir as
determinações das politicas de preservação, quanto na cobrança de ações pelo
poder publico na implementação das politicas de preservação.

Palavras-chave: Patrimônio Cultural; Preservação; Gestão


RESUMO - 1 - PATRIMÔNIO E PARTICIPAÇÃO: EIXO 1 – DO TÉCNICO À
POPULAÇÃO: A DEMOCRATIZAÇÃO DO CAMPO DO PATRIMÔNIO EIXO 2
– OS AGENTES DO PATRIMÔNIO: CONSELHOS, MOVIMENTOS SOCIAIS,
ONGS,... EIXO 3 – INSTRUMENTOS PARA A PROTEÇÃO DO PATRIMÔNIO
EIXO 4 – PATRIMÔNIO, DEMOCRACIA E AS CIDADES EIXO 5 –
RESISTÊNCIA CIVIL E OCUPAÇÕES: A AÇÃO DIRETA NO CAMPO DO
PATRIMÔNIO

CRIAÇÃO DO LABORATÓRIO DE CONSERVAÇÃO DE DOCUMENTOS DA


UFRRJ (LABDOC/UFRRJ) MEMÓRIA, CONSERVAÇÃO E PRODUÇÃO DE
CONHECIMENTOS

Priscila Marcondes (priscilamarcondesba@hotmail.com)


Claudio Antonio Santos Lima Carlos (claudio.limacarlos@gmail.com)
Thalles Yvson Alves De Souza (tyvson@hotmail.com)

RESUMO

Pretende-se apresentar os resultados, até agora obtidos, pelo projeto inovador


e pioneiro, no âmbito administrativo da Universidade Federal Rural do Rio de
Janeiro (UFRRJ), que propõe a conservação da memória documental da
Instituição de Ensino Superior (IES). A iniciativa propõe a identificação, a
conservação preventiva, a pesquisa e a digitalização do acervo documental
referente ao processo de projetação e construção do conjunto arquitetônico e
paisagístico do Campus Seropédica da UFRRJ, que se deu no período 1938-
1948.

O acervo trabalhado possui grande relevância para a memória da arquitetura


neocolonial e do paisagismo brasileiros, cujo valor foi reconhecido pelo
tombamento estadual, que se deu de forma provisória, em 1998, e definitiva,
em 2001. Trata-se de conjunto de projetos arquitetônicos, perspectivas,
detalhes construtivos, de mobiliário, fotografias, dentre outros, referentes a um
universo ainda pouco explorado que inclui edificações desaparecidas, soluções
arquitetônicas não executadas, bem como a atuação de arquitetos e firmas de
destaque nacional pouco ou não citadas por autores identificados com a
historiografia da construção do campus da UFRRJ.

Com o objetivo de conservar a memória histórica da UFRRJ, o projeto teve o


apoio financeiro da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de
Janeiro (FAPERJ), de 2013 à 2015, que possibilitou a compra de equipamentos
e materiais para a construção do primeiro laboratório de Conservação e
Restauro Documental da UFRRJ. No entanto, a sua origem se deu no ano de
2007, com o desenvolvimento de trabalhos curriculares relacionados às
disciplinas “Técnicas Retrospectivas I e II”, do curso de Arquitetura e
Urbanismo da UFRRJ, quando foi possível constatar a degradação e o precário
acondicionamento do acervo em questão. Em função da descoberta, em 2008,
o Professor Dr. Claudio Antonio Lima Carlos deu início a um projeto de
iniciação científica chamado: “Descobrindo o Campus da UFRRJ através do
seu Patrimônio Documental” que teve a duração de dois anos. Este projeto de
pesquisa possibilitou outro, que objetivou o desenho e a comparação entre
soluções projetadas e efetivamente construídas.

No período 2013-2015 obteve-se como resultados a catalogação e a


digitalização de cerca de 170 plantas arquitetônicas, o equivalente a
aproximadamente, 10 % do acervo. No momento, a iniciativa se depara com
dificuldades orçamentais para compra de materiais. Por outro lado, a equipe
envolvida dá continuidade às pesquisas, com vistas à criação de base de
dados que possibilite o acesso de pesquisadores da IES ou externos na
produção de conhecimento em trabalhos lato e stricto sensu.

Palavras-chave: Patrimônio Arquitetônico; Conservação preventiva;


Digitalização
RESUMO - 1 - PATRIMÔNIO E PARTICIPAÇÃO: EIXO 1 – DO TÉCNICO À
POPULAÇÃO: A DEMOCRATIZAÇÃO DO CAMPO DO PATRIMÔNIO EIXO 2
– OS AGENTES DO PATRIMÔNIO: CONSELHOS, MOVIMENTOS SOCIAIS,
ONGS,... EIXO 3 – INSTRUMENTOS PARA A PROTEÇÃO DO PATRIMÔNIO
EIXO 4 – PATRIMÔNIO, DEMOCRACIA E AS CIDADES EIXO 5 –
RESISTÊNCIA CIVIL E OCUPAÇÕES: A AÇÃO DIRETA NO CAMPO DO
PATRIMÔNIO

DEMOCRATIZAÇÃO E ACESSO À MEMÓRIA E HISTÓRIA REGIONAL:


RELATO DA EXPERIÊNCIA DO PORTAL EMREDES

Flavia Lemos Mota De Azevedo (flavia.azevedo@uemg.br)


José Heleno Ferreira (zeheleno.ferreira@gmail.com)
Samuel José Santiago (samujsantiago@gmail.com)

RESUMO

Considerando o acervo que vem sendo constituído pelo Centro de Memória


Professora Batistina Corgozinho – CEMUD – UEMG – Unidade Divinópolis
desde 2005 e principalmente pela potencialidade que os mesmos apresentam
para novos estudos e pesquisa e sua crescente expansão criou-se o EmRedes:
Portal da Memória do Centro-Oeste Mineiro para disponibilizar seu acervo
história e de memória através da Web.

O EmRedes: Portal da Memória do Centro-Oeste Mineiro – trabalho,


religiosidade, cultura e cotidiano foi lançado em maio de 2015, com o objetivo
de se tornar um instrumento permanente de acesso a todos os cidadãos
interessados em realizar pesquisas sobre a região, no qual está disponíveis um
banco de dados com mais de 70.000 documentos digitais. O acervo do Portal
conta com documentos escritos diversos (jornais, panfletos, cartas, notas,
documentos oficias), fotos e vídeos de diferentes grupos, a polifonia da
memória é um princípio da reunião do acervo, privilegiando especialmente
aqueles registros que não fazem parte das vozes oficiais, aqueles que pouco
preservamos. A importância do uso da tecnologia digital está ligada não só ao
fato de preservar indiretamente o patrimônio documental como principalmente
democratizar o seu acesso. A digitalização dos documentos garante sua
permanência virtual, mesmo que o suporte de acessibilidade aos mesmos se
modifique. A preservação digital não impede o processo de degeneração dos
documentos. A integridade física dos mesmos exige a adoção de outros
procedimentos tecnológicos e condições de acomodação adequadas e
específicas que são observadas no trabalho do Centro de Memória. A iniciativa
de construção do Portal da Memória do Centro-Oeste Mineiro – EmRedes
representa um passo para que este instrumento de estudos e pesquisa seja
apropriado pelos cidadãos interessados em pesquisar e conhecer mais a
história da região. Nesse sentido, o Portal da Memória convida e mais do que
isso, solicita a todos a contribuição para que este espaço seja sempre mais
dinâmico, oferecendo informações e reflexões sobre os aspectos culturais e
históricos do Centro-Oeste mineiro.

O Portal também funciona como um centro de referência regional que


possibilita a coleta de dados, fixação e produção de informações, atende as
demandas locais para formação, capacitação e confecção de material
informativo e formativo. Dessa forma, o Portal deve sistematizar e arquivar as
produções e, na medida do possível, produzir novos materiais por iniciativa
própria ou demanda de escolas e organizações sociais. Nesse sentido, ele se
constitui enquanto um acervo de informações e as produz; atende a demanda
formativa de comunidades e é formado pelas informações cedidas pelas
mesmas. A administração do Portal é realizada pela equipe de profissionais do
Centro de Memória Professora Batistina Corgozinho – CEMUD – UEMG –
Unidade Divinópolis, cabendo aos mesmos receber, catalogar, disponibilizar e
analisar acervos sobre a memória e a história do centro-oeste mineiro.

Palavras-chave: Digitalização de acervos, democratização e acesso, memória


e história regional, Portal EmRedes
RESUMO - 1 - PATRIMÔNIO E PARTICIPAÇÃO: EIXO 1 – DO TÉCNICO À
POPULAÇÃO: A DEMOCRATIZAÇÃO DO CAMPO DO PATRIMÔNIO EIXO 2
– OS AGENTES DO PATRIMÔNIO: CONSELHOS, MOVIMENTOS SOCIAIS,
ONGS,... EIXO 3 – INSTRUMENTOS PARA A PROTEÇÃO DO PATRIMÔNIO
EIXO 4 – PATRIMÔNIO, DEMOCRACIA E AS CIDADES EIXO 5 –
RESISTÊNCIA CIVIL E OCUPAÇÕES: A AÇÃO DIRETA NO CAMPO DO
PATRIMÔNIO

DIREITO AO ILEGÍVEL: OCUPAÇÕES EM ÁREAS DE RECONHECIDO


VALOR CULTURAL

Camila Silva Morais (morais.camila@gmail.com)

RESUMO

Novo título: Conjuntos urbanos da Avenida Assis Chateaubriand e Praça da


Estação: ocupações para reavivar a cena política e cultural Belorizontina

Por meio da análise das recentes ocupações da rua Sapucaí, no bairro


Floresta, em Belo Horizonte, situada entre dois Conjuntos Urbanos tombados
em âmbito municipal: “Conjunto Urbano da av. Assis Chateaubriand” e
“Conjunto Urbano da Praça Rui Barbosa (Praça da Estação)”, o presente
trabalho constitui uma reflexão sobre as políticas patrimoniais brasileiras; seu
impacto nos usos e conservação dos bens culturais de reconhecido valor; e
como é possível a recuperação desses lugares, quando em estado de
abandono, por meio de ações de micropolítica advindas da participação da
comunidade local.

Por muitos anos parte das edificações da rua Sapucaí estiveram abandonadas
e fechadas para uso, o que vem sendo gradualmente modificado com a
retomada do uso dessas edificações num processo recente, desde 2010.
Através de ações de micropolítica de alguns coletivos da cidade, como
ressonância dos movimentos políticos de ocupação da Praça da Estação nas
adjacências da rua Sapucaí, várias intervenções urbanas foram ocorrendo,
primeiro na própria rua, chamando atenção para a paisagem urbana, com
ações de ocupação e lazer temporárias, blocos de carnaval etc e,
posteriormente, as edificações foram ganhando novos usos comerciais e de
serviços, como restaurantes, bares, escritórios e locais de entretenimento com
exibição de filmes, workshops de qualificação profissional etc, e, se destaca,
sem que as edificações tenham recebido reforma do tipo Retrofit, mantendo
assim a experiência estética de um espaço que estava em abandono e
possibilita, agora, novas experimentações.

Neste estudo, opta-se por estabelecer um recorte dentro do patrimônio cultural,


pois, em algum determinado momento o patrimônio tombado, registrado ou
inventariado foi destacado por sua relevância perante a comunidade, sendo
assim legitimado como de importância e destaque à sociedade, estabelecendo
algum tipo de singularidade dentro da paisagem urbana local. É instigante
constatar que parte do patrimônio cultural se encontra em estado precário de
conservação ou em estado de abandono. Essas arquiteturas do abandono,
esses marcos monumentais deixados de lado não podem ser lidos e
vivenciados como algo que escapa ao controle biopolítico; que resiste na
paisagem e assim resiste enquanto potência? Quais seriam alguns caminhos
possíveis quando o abandono está instaurado nos lugares? Como seria
possível um resgate dessas arquiteturas e desses espaços abandonados, e
novamente inseri-los na dinâmica urbana, sem que o período de abandono seja
apagado e resida agora como parte da memória? E, especialmente, como
esses locais impactam a comunidade local? Essas são algumas das perguntas
norteadoras deste trabalho e que, longe de uma resposta definitiva, abrem
espaço para reflexão e contribuição de soluções coletivas, como poderá ser
vislumbrado no artigo completo.

Palavras-chave: Paisagem Urbana, Patrimônio Cultural, Arquitetura,


Ocupação.
RESUMO - 1 - PATRIMÔNIO E PARTICIPAÇÃO: EIXO 1 – DO TÉCNICO À
POPULAÇÃO: A DEMOCRATIZAÇÃO DO CAMPO DO PATRIMÔNIO EIXO 2
– OS AGENTES DO PATRIMÔNIO: CONSELHOS, MOVIMENTOS SOCIAIS,
ONGS,... EIXO 3 – INSTRUMENTOS PARA A PROTEÇÃO DO PATRIMÔNIO
EIXO 4 – PATRIMÔNIO, DEMOCRACIA E AS CIDADES EIXO 5 –
RESISTÊNCIA CIVIL E OCUPAÇÕES: A AÇÃO DIRETA NO CAMPO DO
PATRIMÔNIO

ENTRE MEMÓRIAS, ETNOGRAFIAS E TERRITÓRIOS: TEMPO, ESPAÇO E


EPISTEME NA CONGADA

Luana Carla Martins Campos Akinruli (luanacampos@insod.org)


Samuel Ayobami Akinruli (ayobami@insod.org)

RESUMO

Esta comunicação se propõe a fazer uma discussão sobre os territórios da


memória associados às práticas congadeiras no município de Passos, Minas
Gerais. Por meio da experiência etnográfica e das confrontações com a
documentação de memorialistas, apontam-se nesse texto as tensões
existentes entre os diversos agentes e agências envolvidos com a
manifestação da Congada. Os diálogos entre as diversas temporalidades e
territorialidades dos saberes considerados tradicionais e as formas de gestão
da Festa de Congado permitem vislumbrar as mudanças e permanências da
cultura, seu lastro de pertencimento identitário, além das políticas públicas
culturais relacionadas às tradições afro-brasileiras.

Em que pese a importância das referências de pesquisa utilizadas, esse texto


se fundamentará na análise dos dados etnográficos e na construção da
narrativa que priorizará, em um primeiro momento, a contextualização da
história do congado e da Festa em Passos frente aos registros de memória
desta tradição para que, em um segundo momento, seja discorrido o processo
de disputas e agenciamentos de espaços da prática congadeira, de modo a
serem contrastados os aspectos das tradições congadeiras frente ao discurso
memorialista e a experiência etnográfica, que expressam como as fortes
referências do lugar e do território constroem identidades étnicas na cidade.

Palavras-chave: Congadas; Território; Identidade; Patrimônio; Etnografia


RESUMO - 1 - PATRIMÔNIO E PARTICIPAÇÃO: EIXO 1 – DO TÉCNICO À
POPULAÇÃO: A DEMOCRATIZAÇÃO DO CAMPO DO PATRIMÔNIO EIXO 2
– OS AGENTES DO PATRIMÔNIO: CONSELHOS, MOVIMENTOS SOCIAIS,
ONGS,... EIXO 3 – INSTRUMENTOS PARA A PROTEÇÃO DO PATRIMÔNIO
EIXO 4 – PATRIMÔNIO, DEMOCRACIA E AS CIDADES EIXO 5 –
RESISTÊNCIA CIVIL E OCUPAÇÕES: A AÇÃO DIRETA NO CAMPO DO
PATRIMÔNIO

INOVAÇÃO E TRADIÇÃO DOS BENS CULTURAIS IMATERIAIS: A


PATRIMONIALIZAÇÃO DO QUEIJO CANASTRA EM MINAS GERAIS

Samuel Ayobami Akinruli (ayobami@insod.org)


Luana Carla Martins Campos Akinruli (luanacampos@insod.org)

RESUMO

Esta comunicação se propõe a fazer uma discussão sobre a patrimonizalização


de um bem de natureza imaterial: o Queijo Canastra de Minas Gerais. No ano
de 2008, o Modo Artesanal de Fazer Queijo de Minas foi declarado e registrado
como patrimônio cultural imaterial brasileiro, quando tal prática cultural foi
inscrita no Livro dos Saberes do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico
Nacional (IPHAN). Desde então, a valoração cultural do queijo como bem
cultural imaterial nacional alterou significativamente as práticas,
conhecimentos, saberes-fazeres, agentes e agências envolvidos, de forma a
promover (dis)tensões nas dinâmicas de criação e ressignificação dos
conhecimentos tradicionais.

Por meio da experiência etnográfica, buscar-se-á promover uma reflexão a


respeito dos critérios de elegibilidade e diferenciação dos produtos inscritos na
categoria artesanal, bem como dos produtores, das estruturas produtivas e do
sistema de comercialização no contexto atual, realidade pesquisada na região
da Serra da Canastra quase 10 anos depois do Registro. É ainda interesse
buscar problematizar de que forma a chancela patrimonial promove as
mudanças ou permanências da cultura no que diz respeito às complexas
associações entre natureza, tradição, saberes e práticas; e reposiciona a
atuação da gestão pública nos aspectos de reconhecimento, salvaguarda,
preservação e divulgação dos bens culturais.

Palavras-chave: Patrimônio Imaterial; Etnografia; Registro; Políticas Culturais


RESUMO - 1 - PATRIMÔNIO E PARTICIPAÇÃO: EIXO 1 – DO TÉCNICO À
POPULAÇÃO: A DEMOCRATIZAÇÃO DO CAMPO DO PATRIMÔNIO EIXO 2
– OS AGENTES DO PATRIMÔNIO: CONSELHOS, MOVIMENTOS SOCIAIS,
ONGS,... EIXO 3 – INSTRUMENTOS PARA A PROTEÇÃO DO PATRIMÔNIO
EIXO 4 – PATRIMÔNIO, DEMOCRACIA E AS CIDADES EIXO 5 –
RESISTÊNCIA CIVIL E OCUPAÇÕES: A AÇÃO DIRETA NO CAMPO DO
PATRIMÔNIO

INVENTÁRIO PARTICIPATIVO DO PATRIMÔNIO CULTURAL DAS


COMUNIDADES REMANESCENTES DO QUILOMBO MESQUITA

Mariane Paulino (marianepaulino@hotmail.com)


Liza Maria Souza De Andrade (lizamsa@gmail.com)

RESUMO

As Comunidades Remanescentes de Quilombos ainda colhem as agruras do


passado recente, onde problemáticas socioeconômicas e raciais estruturam um
contexto que estigmatiza e marginaliza esta população. Dado o processo de
estruturação social, dificuldades de acesso à terra, infraestrutura e
equipamentos públicos são situações comumente intrínsecas a comunidades
neste contexto periférico, onde a ineficiência de políticas públicas e ações
afirmativas que fortaleçam a identidade e memória quilombola, aliada aos
demais fatores, corroboram com este contexto de invisibilidade social.

Em 1988, a Constituição Federal Brasileira reconhece os sítios detentores de


reminiscências quilombolas como patrimônio cultural brasileiro e o Ato das
Disposições Constitucionais Transitórias, artigo 68, determina que a
propriedade definitiva das terras historicamente ocupadas por comunidades
remanescentes de quilombo deve ser reconhecida. Sendo o objeto específico
de estudo deste trabalho, o Quilombo Mesquita – localizado no estado do
Goiás – através da Fundação Cultural Palmares, obteve sua certificação como
território remanescente de Quilombo em 2006, contudo, até a presente data,
suas terras ainda não foram certificadas pelo INCRA. Isto acarreta, entre outros
fatores, a ausência de delimitação territorial, onde este sítio patrimonial tem
parte da sua extensão ocupada por condomínios irregulares, propriedades
rurais agrícolas e demais residentes que não são parte desta reminiscência
quilombola.

Ao tratar do Quilombo Mesquita é indissociável pensar a questão do acesso à


terra as suas tradições, a questão produtiva à questão identitária, como as
tradições e o modo de vida se estruturam a partir da terra e dela se espraiam
seus bens materiais e imateriais. Nesta comunidade o elemento cultural
principal é o cultivo do marmelo e a produção da marmelada, de onde originam
suas principais festividades: a Festa do Marmelo e a Corrida do Marmelo. A
relação com o território consolida as relações sociais, laborais, econômicas e
culturais.

Por isso, este trabalho tem como objetivo apresentar esta comunidade a partir
de seu processo histórico de estruturação, associando a construção de
tradições e cultura através da sua relação com o território – seus saberes e
modo de viver. Envolvendo os membros da comunidade como atores deste
processo, pretende-se demonstrar a identificação dos patrimônios culturais
com base na metodologia de Inventário Participativo (IPHAN) a fim de gerar
subsídios para a construção do processo de educação patrimonial.

Observou-se que a preservação deste patrimônio com a participação social,


por meio da identificação para o resgate das tradições e modos de viver se
estrutura como um processo de valorização e construção cultural, fortalecendo
as questões de identidade destas comunidades evitando a fragmentação de
seus bens – imateriais e materiais – e de seu território, para um processo
efetivo de salvaguarda e manutenção de um patrimônio vivo.

Palavras-chave: patrimônio negro; comunidade quilombolas; povos


tradicionais
RESUMO - 1 - PATRIMÔNIO E PARTICIPAÇÃO: EIXO 1 – DO TÉCNICO À
POPULAÇÃO: A DEMOCRATIZAÇÃO DO CAMPO DO PATRIMÔNIO EIXO 2
– OS AGENTES DO PATRIMÔNIO: CONSELHOS, MOVIMENTOS SOCIAIS,
ONGS,... EIXO 3 – INSTRUMENTOS PARA A PROTEÇÃO DO PATRIMÔNIO
EIXO 4 – PATRIMÔNIO, DEMOCRACIA E AS CIDADES EIXO 5 –
RESISTÊNCIA CIVIL E OCUPAÇÕES: A AÇÃO DIRETA NO CAMPO DO
PATRIMÔNIO

INVENTÁRIOS ARQUITETÔNICOS NO RIO GRANDE DO SUL: DO PODER


PÚBLICO AO PODER DO PÚBLICO

Simone Rassmussen Neutzling (simoneneutzling@gmail.com)


Ana Lúcia Goelzer Meira (algmeira@gmail.com)

RESUMO

No campo do patrimônio cultural, inventário é definido, em geral, como o


registro de informações técnicas que constitui um acervo básico para as
políticas de preservação. No Rio Grande do Sul, os projetos institucionais de
inventários do patrimônio cultural arquitetônico foram desenvolvidos
principalmente pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional
(IPHAN) e Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado (IPHAE).
Contudo, não há uma avaliação crítica dessa trajetória. A comunicação aqui
apresentada versa sobre uma pesquisa parcial que teve por objetivo entender
os momentos de inflexão das políticas públicas em relação ao tema dos
inventários, os quais são fruto de seleções e de escolhas dos seus executores
– geralmente técnicos. Essa constatação levou à formulação de algumas
perguntas: Que olhares devem participar das escolhas sobre os bens que
compõem a nossa herança cultural? Quem tem legitimidade para escolher os
bens que devem ser destacados do cotidiano, passando a se constituir em
patrimônio e por isso, serem passível de inventariação? E a partir da atribuição
de que tipo de valores? Atualmente, os inventários assumiram relevância nas
políticas de preservação, inclusive se constituindo em requisito para a
documentação dos tombamentos de áreas urbanas em nível nacional. Esta
relevância justifica a busca pelo entendimento da trajetória e os diferentes
enfoques adotados com a finalidade de aprimorar a aplicação desse
instrumento. A análise dos temas e dos métodos dos inventários realizados no
RS, a partir da listagem fornecida pelo IPHAE, assim como da pesquisa nos
arquivos e na biblioteca do IPHAN-RS, permitem verificar que, nos últimos
anos, houve uma diversificação de métodos. Entretanto, o aspecto mais
relevante foi a ampliação dos olhares sobre o patrimônio, incluindo a
participação da população atribuindo valores à bens edificados que foram
reconhecidos através de registro e valorização em inventários participativos.

Palavras-chave: inventário, patrimônio arquitetônico, políticas públicas de


preservação, sociedade civil
RESUMO - 1 - PATRIMÔNIO E PARTICIPAÇÃO: EIXO 1 – DO TÉCNICO À
POPULAÇÃO: A DEMOCRATIZAÇÃO DO CAMPO DO PATRIMÔNIO EIXO 2
– OS AGENTES DO PATRIMÔNIO: CONSELHOS, MOVIMENTOS SOCIAIS,
ONGS,... EIXO 3 – INSTRUMENTOS PARA A PROTEÇÃO DO PATRIMÔNIO
EIXO 4 – PATRIMÔNIO, DEMOCRACIA E AS CIDADES EIXO 5 –
RESISTÊNCIA CIVIL E OCUPAÇÕES: A AÇÃO DIRETA NO CAMPO DO
PATRIMÔNIO

MOVIMENTO “ABRACE A GARÇA” (MACEIÓ-AL) E POSSIBILIDADES DE


AÇÕES DA SOCIEDADE CIVIL ORGANIZADA NA LUTA PELA
DEMOCRATIZAÇÃO DA CIDADE

Marina Milito (marinamilito@yahoo.com)


Maurilio Neemias Dos Santos (maurilioneemias2010@gmail.com)

RESUMO

O Brasil está entre os 10 países no mundo com o maior PIB, porém, também
está na lista dos 10 países com maior desigualdade social. Essa desigualdade
muitas vezes é acentuada pela falta de planejamento urbano e pelo
crescimento desordenado das cidades - entre as quais podemos citar Maceió-
AL. A capital alagoana, como muitas cidades litorâneas do Brasil, apresenta a
faixa de orla marítima basicamente ocupada por uma elite financeira. Seu
crescimento urbano se dá principalmente a partir dos investimentos privados,
que visam atender uma pequena faixa privilegiada da população, em
detrimento de uma urbanização coordenada pelo poder público - que deveria
privilegiar o interesse social e a democratização do uso da cidade.

Maceió é uma das cidades que cresceram mais rapidamente nos últimos anos
no Brasil e, atualmente, o foco de sua expansão imobiliária se direciona para o
seu litoral norte. O Zoneamento apresentado no Plano Diretor de Maceió
(2005) e no Código de Urbanismo e Edificações do Município de Maceió (2007)
permite a construção de edifícios verticais com até 20 pavimentos, na faixa
litorânea iniciada no bairro de Jacarecica até parte do bairro de Riacho Doce
(excetuando o pequeno trecho da ZIAP 6 - Foz do rio Jacarecica).
Preocupados com a crescente expansão e verticalização desordenada
do litoral norte, moradores e frequentadores dos bairros de Guaxuma, Garça
Torta e Riacho Doce, iniciaram, em 2014, uma mobilização social que deu
origem ao movimento “Abrace a garça”. Movimento que defende o crescimento
urbano sustentável do litoral norte e maior participação popular frente às
decisões do poder público sobre a cidade. O movimento propõe a
implementação de políticas públicas pautadas no interesse social e não do
mercado imobiliário.

A pesquisa aqui apresentada pretende propor maneiras de garantir o


poder de voz da população sobre as decisões do poder público em relação às
modificações do espaço habitado, a partir da experiência do movimento
“Abrace a garça”. Tal pesquisa, se realiza através de revisão de literatura sobre
participação popular, crescimento urbano, especulação imobiliária e elaboração
de Plano Diretor para fundamentação teórica. Serão realizadas também
entrevistas com integrantes do “Abrace a garça”, no intuito de entender o
processo de motivação e organização das ações realizadas pelo movimento e
avaliar o impacto e as conquistas dessas ações.

Utiliza-se a hipótese de que o “Abrace a garça” ainda não obteve conquistas


relevantes e que algumas ações realizadas pelo movimento “Ocupe Estelita” -
movimento popular pela defesa do Cais José Estelita (Recife-PE), podem servir
como referência para o movimento alagoano. O movimento recifense obteve
importantes conquistas como a suspensão do alvará que autorizava a
demolição dos galpões localizados no cais e o cancelamento do leilão
fraudulento em que o terreno do cais, pertencente à união, foi vendido para um
grupo de grandes construtoras.

Palavras-chave: Maceió, Especulação imobiliária, Organização civil,


Participação popular
RESUMO - 1 - PATRIMÔNIO E PARTICIPAÇÃO: EIXO 1 – DO TÉCNICO À
POPULAÇÃO: A DEMOCRATIZAÇÃO DO CAMPO DO PATRIMÔNIO EIXO 2
– OS AGENTES DO PATRIMÔNIO: CONSELHOS, MOVIMENTOS SOCIAIS,
ONGS,... EIXO 3 – INSTRUMENTOS PARA A PROTEÇÃO DO PATRIMÔNIO
EIXO 4 – PATRIMÔNIO, DEMOCRACIA E AS CIDADES EIXO 5 –
RESISTÊNCIA CIVIL E OCUPAÇÕES: A AÇÃO DIRETA NO CAMPO DO
PATRIMÔNIO

O ART DECÓ COMO TIPOLOGIA DO PATRIMÔNIO ARQUITETÔNICO


RESIDENCIAL PARNAIBANO:O EXEMPLAR DA AV. PRESIDENTE
GETÚLIO VARGAS, Nº 590

Amanda Oliveira Coelho (amandacoelho90@hotmail.com)


Gabriella Viana Amorim (gabsviana.7@gmail.com)
Rafael Alencar (rafalencar_vale@hotmail.com)
Amanda Moreira (amandacmoreira@hotmail.com)

RESUMO

A casa é um ambiente produtor de experiências e interrelações entreseus


usuários, pelo conjunto de valores sociais e culturais que são desenvolvidos,
constituindo um acervo de memórias para a formação do patrimônio. No
presente artigo se encontra uma abordagem da influência da arquitetura
artdecó nas residências parnaibanas, através do estudo de caso de um
exemplar localizado na Avenida Presidente Getúlio Vargas, nº 590 e da
discussão dos instrumentos para a proteção desse patrimônio. A edificação
que se destaca por suas singularidades em relação ao entorno devido à sua
volumetria e suas grandes proporções, hoje faz parte do Conjunto Histórico e
Paisagístico de Parnaíba, como um dos patrimônios materiais tombados pelo
IPHAN-PI. O estilo abordado, por ser de transição entre o ecletismo e o
movimento moderno arquitetônico, traz consigo inovações estéticas verificados
na casa através da avaliação das plantas-baixas,da implantação no lote e dos
materiais.Para isso, tomou-se por base registros teóricos, orais e fotográficos,
resultando em um estudo indispensável para o entendimento do contexto
histórico sociocultural na primeira metade do século XX.

Palavras-chave: Palavras chave: ArtDecó; Residência; Patrimônio parnaíbano.


RESUMO - 1 - PATRIMÔNIO E PARTICIPAÇÃO: EIXO 1 – DO TÉCNICO À
POPULAÇÃO: A DEMOCRATIZAÇÃO DO CAMPO DO PATRIMÔNIO EIXO 2
– OS AGENTES DO PATRIMÔNIO: CONSELHOS, MOVIMENTOS SOCIAIS,
ONGS,... EIXO 3 – INSTRUMENTOS PARA A PROTEÇÃO DO PATRIMÔNIO
EIXO 4 – PATRIMÔNIO, DEMOCRACIA E AS CIDADES EIXO 5 –
RESISTÊNCIA CIVIL E OCUPAÇÕES: A AÇÃO DIRETA NO CAMPO DO
PATRIMÔNIO

O CENTRO HISTÓRICO DE CUIABÁ: EM BUSCA DO VALOR ATRIBUÍDO

Lúcia Lobato (lf_lobato@yahoo.com.br)

RESUMO

O tema deste trabalho tem como enfoque uma leitura sobre o processo de
tombamento do Centro Histórico de Cuiabá a partir de pesquisas em busca do
valor atribuído, propondo fazer reflexões sobre o processo de tombamento e
também, sobre o seu processo de patrimonialização, voltando-se para os
conflitos que compuseram esse processo, através da análise das diferentes
narrativas das instituições sociais da esfera municipal, estadual, federal e
comunidade. Procurando entender de que forma estes agentes interagiram não
somente no campo das ações, mas dos debates estabelecidos durante o
processo de tombamento. Que tipo de valor foi atribuído? O que foi
reconhecido como portador de valor naquele processo?A cidade tem os seus
usos e suas relações estabelecidas. Entende-se que a forma como as pessoas
usam e interagem é um caráter muito forte e difícil de conhecer, perceber e
trabalhar com ele. Observou-se que a denominação Centro Histórico é pouco
reconhecida pela comunidade que frequenta esse lugar. Acredita-se que o
nome do lugar é atribuído pelas relações que as pessoas possuem. A questão
do nome é significativa, afinal “o que as palavras significam e o que o outro
atribui aquela palavra que eu uso?”. Além de Centro Histórico quais as outras
denominações usadas, e quais os seus valores? Propõe-se também
compreender sobre o envolvimento da comunidade nesse processo de
patrimonialização, visto que o contexto histórico que permeava o processo de
tombamento do Centro Histórico de Cuiabá estava passando por um processo
de democratização nacional. Tal contexto apresentava como marco a
Constituição Federal de 1988, a qual, numa perspectiva específica de
patrimonialização, além de ampliar o conceito de patrimônio, postulava sobre a
maior abertura da participação de outros atores sociais nas políticas de
preservação. Busca-se identificar quais os instrumentos usados ou não no
processo de mediação entre as atuações dos órgãos públicos envolvidos e a
sociedade. Perceber se a atribuição de valor da população, o que ela
valorizava ou não foi incluso como variável nesse processo.

Palavras-chave: Centro Histórico; valor; patrimônio; Cuiabá


RESUMO - 1 - PATRIMÔNIO E PARTICIPAÇÃO: EIXO 1 – DO TÉCNICO À
POPULAÇÃO: A DEMOCRATIZAÇÃO DO CAMPO DO PATRIMÔNIO EIXO 2
– OS AGENTES DO PATRIMÔNIO: CONSELHOS, MOVIMENTOS SOCIAIS,
ONGS,... EIXO 3 – INSTRUMENTOS PARA A PROTEÇÃO DO PATRIMÔNIO
EIXO 4 – PATRIMÔNIO, DEMOCRACIA E AS CIDADES EIXO 5 –
RESISTÊNCIA CIVIL E OCUPAÇÕES: A AÇÃO DIRETA NO CAMPO DO
PATRIMÔNIO

O CRESCIMENTO DAS AÇÕES DE PROTEÇÃO DO PATRIMÔNIO


IMATERIAL

Monique A. Damaso (madikka@yahoo.com.br)

RESUMO

A política de proteção do patrimônio cultural no Brasil começou juntamente com


a criação do Serviço de Proteção do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional
(SPHAN) em 1937, através do Decreto-Lei 25 que além de instituir o SPHAN
(atual IPHAN) criou o Tombamento que era o mecanismo de proteção para o
conceito de patrimônio vigente à época.

Ao longo dos anos o conceito de patrimônio foi se difundindo e percebeu-se a


necessidade de aprimoramento de novas medidas de proteção. Assim a
instituição do Registro e do inventário pode ser vista como amadurecimento
das políticas patrimoniais.

A criação de uma Lei nacional nos anos 2000 para a preservação do


patrimônio imaterial fez com que se potencializasse um súbito crescimento de
ações protetoras para estes bens nas instâncias estaduais e municipais.
Gerando reconhecimento e apropriação maior da população com as questões
patrimoniais, passando em muitos casos os próprios detentores do saber a
procurar instituições públicas para a preservação de suas manifestações
culturais.
O trabalho tem como objetivo mapear o crescimento das ações de proteção do
patrimônio cultural imaterial no estado de Minas Gerais, dentro da política
pública do ICMS Patrimônio Cultural, nos últimos 10 (dez anos).

Palavras-chave: manifestações culturais, imaterial, proteção do patrimônio


RESUMO - 1 - PATRIMÔNIO E PARTICIPAÇÃO: EIXO 1 – DO TÉCNICO À
POPULAÇÃO: A DEMOCRATIZAÇÃO DO CAMPO DO PATRIMÔNIO EIXO 2
– OS AGENTES DO PATRIMÔNIO: CONSELHOS, MOVIMENTOS SOCIAIS,
ONGS,... EIXO 3 – INSTRUMENTOS PARA A PROTEÇÃO DO PATRIMÔNIO
EIXO 4 – PATRIMÔNIO, DEMOCRACIA E AS CIDADES EIXO 5 –
RESISTÊNCIA CIVIL E OCUPAÇÕES: A AÇÃO DIRETA NO CAMPO DO
PATRIMÔNIO

O ESTUDO DE ELEMENTOS DO PATRIMÔNIO ARQUITETÔNICO AO


ALCANCE DA SOCIEDADE: A RELAÇÃO DAS OBRAS RELIGIOSAS
ENTRE PORTUGAL E BRASIL. QUAIS ELEMENTOS ARQUITETÔNICOS
DEMONSTRAM ESSA INFLUENCIA PORTUGUESA?

Eleusy Natalia Miguel (eleusym@gmail.com)

RESUMO

Um dos instrumentos privilegiados para agenciar memórias e identidades, o


patrimônio no contexto contemporâneo, o conceito de patrimônio é
caracterizado pela fragmentação e pela contingência, bem como pela mudança
de sentido das noções de identidade e lugar.

A apropriação da sociedade do bem patrimonial se dá quando são elaboradas


estratégias que ofereçam possibilidades para a comunicação, a informação, o
aprendizado, a relação dialética e dialógica educando/educador, a construção
da cidadania e o entendimento do que seja identidade. Assim, a compromisso
social e educacional das instituições envolvidas com a produção cultural e
patrimonial da cada localidade, devem refletir em todas as suas áreas de
atuação. Ao refletimos acerca da construção dessas identidades estamos
levando em consideração a permanente negociação entre o individual e o
coletivo. Dessa maneira, desenvolvendo esses conceitos numa sociedade, esta
abarcará todas as manifestações como sua, apropriando o bem a seu
cotidiano.
Um bom exercício para essa temática seria trazer luz um estudo científico
acerca de elementos arquitetônicos, como apresentado a seguir:

Motivadas pelas promissoras descobertas de minas de ouro muitas pessoas


migraram para Vila Rica e arredores. De diferentes etnias e ofícios, esses
indivíduos difundiram seus conhecimentos e influenciaram a cultura artística
nas Minas Gerais colonial. Dentre a diversidade de imigrantes notam-se
arquitetos, construtores, engenheiros militares advindos da Europa Central,
Lisboa Portugal.

Partindo desse pressuposto, o tema se descortina, a arquitetura religiosa dessa


etapa da historia mineira. Especificando um pouco mais, obviamente dentro da
temática, o foco desse estudo se finda nas torres das Igrejas Matrizes de Catas
Altas e Itabirito, sugerindo uma conexão com igrejas localizadas no norte de
Portugal.

Baseando nas considerações, do patrimônio e da pesquisa, observa-se que o


presente trabalho tem por objeto principal estudar como um estudo específico
sobre patrimônio numa versão técnica e direcionada a área científica, poderia
chegar ao alcance da população. Evidente que para tal, será necessário
entender a produção arquitetônica religiosa mineira, com intuito de enriquecer
os conhecimentos sobre a cerca as cidades e matrizes. Especificamente
elencar dispositivos que atinjam a sociedade onde estão inseridas as igrejas,
de forma criativa e eficiente. Outros objetivos relativos ao estudo das igrejas
são: traçar um breve panorama sobre o estilo colonial no Brasil; desenvolver
um estudo sobre Torres como elementos arquitetônicos e pesquisar a
semelhança física das torres das igrejas, e correlaciona-las a Igrejas do Norte
de Portugal.

Por fim, podemos concluir que a educação patrimonial e a apropriação da


sociedade, especialmente na localidade onde está o bem patrimonial são
alternativas fundamentais para o crescimento população e de certa medida a
preservação desses bens, uma vez que se sentindo pertencente a tendência é
proteger.

Palavras-chave: Arquitetura religiosa, Patrimônio arquitetônico, População e


patrimônio.
RESUMO - 1 - PATRIMÔNIO E PARTICIPAÇÃO: EIXO 1 – DO TÉCNICO À
POPULAÇÃO: A DEMOCRATIZAÇÃO DO CAMPO DO PATRIMÔNIO EIXO 2
– OS AGENTES DO PATRIMÔNIO: CONSELHOS, MOVIMENTOS SOCIAIS,
ONGS,... EIXO 3 – INSTRUMENTOS PARA A PROTEÇÃO DO PATRIMÔNIO
EIXO 4 – PATRIMÔNIO, DEMOCRACIA E AS CIDADES EIXO 5 –
RESISTÊNCIA CIVIL E OCUPAÇÕES: A AÇÃO DIRETA NO CAMPO DO
PATRIMÔNIO

O INVENTÁRIO COMO INSTRUMENTO DE CONHECIMENTO, PROTEÇÃO


E VALORIZAÇÃO DO PATRIMÔNIO CULTURAL DE BARÃO DE COCAIS

Carolina Costa Moreira Dos Santos (carolmoreira1000@gmail.com)

RESUMO

Barão de Cocais é um dos municípios signatários do ICMS Patrimônio Cultural,


atendendo diretrizes do CONEP desde 2005, conforme Lei nº 18.030 de 12 de
janeiro de 2009, que dispõe sobre a distribuição da parcela da receita do
produto da arrecadação do ICMS, Critério Patrimônio Cultural. Em 2006, o
município iniciou o cadastro de seu acervo cultural, encaminhando o Plano de
Inventário ao IEPHA/MG. A partir de 2007, o inventário foi iniciado tendo como
objetivo inicial, os bens culturais em avançado processo de arruinamento. O
Conselho Municipal de Patrimônio Cultural foi grande aliado do processo de
conhecimento do acervo, direcionando os trabalhos de campo e pesquisas da
equipe técnica contratada. Foi no Povoado de Socorro, em 2007, através do
inventário da Igreja de Mãe Augusta do Socorro e da Imagem da padroeira,
que foram feitos os primeiros tombamentos, com respectivos restauros. Em
2008, o NHU Cocais recebeu tombamento e inventário de todas as edificações
inseridas no perímetro de proteção. Nesta etapa, se deu o inventário do antigo
Sobrado do Cartório de Cocais – edificação em péssimo estado de
conservação, que necessitava de intervenção emergencial. Foi a partir do
inventário que o Sobrado foi adquirido pelo poder público, recebendo
escoramento, tombamento e posterior restauro. Foi também o inventário que
trouxe o reconhecimento do importante acervo da Capela de São Gonçalo, no
povoado de Rio Acima, de autoria de Francisco Viera Servas. Após o
inventário, a Capela também recebeu tombamento e encontra-se em restauro.
Por fim, o inventário do “Modo de Fazer Goiabada Cascão” e posterior Registro
trouxe o reconhecimento e valorização das detentoras deste saber,
contribuindo ainda, para a preservação do NHU Cocais enquanto paisagem
cultural por meio da apropriação dos quintais frutíferos.

O presente artigo visa expor a aplicação dos instrumentos e diretrizes do ICMS


Patrimônio cultural tendo o inventário como propulsor da proteção, valorização
e reconhecimento do acervo local.

Palavras-chave: Inventário, ICMS Cultural, Proteção, Valorização,


Salvaguarda.
RESUMO - 1 - PATRIMÔNIO E PARTICIPAÇÃO: EIXO 1 – DO TÉCNICO À
POPULAÇÃO: A DEMOCRATIZAÇÃO DO CAMPO DO PATRIMÔNIO EIXO 2
– OS AGENTES DO PATRIMÔNIO: CONSELHOS, MOVIMENTOS SOCIAIS,
ONGS,... EIXO 3 – INSTRUMENTOS PARA A PROTEÇÃO DO PATRIMÔNIO
EIXO 4 – PATRIMÔNIO, DEMOCRACIA E AS CIDADES EIXO 5 –
RESISTÊNCIA CIVIL E OCUPAÇÕES: A AÇÃO DIRETA NO CAMPO DO
PATRIMÔNIO

O MUSEU DOM PAULO LIBÓRIO E A SALVAGUARDA DO PATRIMÔNIO


RESIDENCIAL TERESINENSE

Hariell Halenn (harielltorress@gmail.com)


Rayra Nerissa (rayracastro@hotmail.com)

RESUMO

1) RESUMO

A cidade de Teresina sofre um contínuo processo de descaracterização do se


patrimônio histórico arquitetônico, sendo a tipologia residencial mais afetada
por este. Na contramão desse processo está a edificação que hoje abriga o
Museu Dom Paulo Libório, construída no início do século XX segundo a
tipologia residencial. Diante da implantação do Museu nesse exemplar e sua
estreita relação com a manutenção de suas características, este artigo tem
como principal objetivo discutir a importância deste no cenário da preservação
da arquitetura local; além de apresentar as características arquitetônicas do
mesmo. Baseia-se em metodologia que engloba levantamentos bibliográficos,
físicos in loco e documentais, além de entrevistas com antigos moradores,
ressaltando um ponderoso registro deste importante patrimônio histórico local.

2) ABSTRACT

The city of Teresina undergoes a continuous process of de-characterization of


the historical architectural patrimony, being the residential typology more
affected by it. Contrary to this process is the building that now houses the Dom
Paulo Libório Museum, built at the beginning of the 20th century according to
the residential typology. In view of the implantation of the Museum in this
example and its close relation with the maintenance of its characteristics, this
article has as main objective to discuss the importance of this in the scenario of
the preservation of the local architecture; Besides presenting the architectural
features of it. It is based on a methodology that includes bibliographical,
physical and documentary surveys, as well as interviews with former residents,
highlighting a powerful record of this important local historical heritage.

Palavras-chave: PALAVRAS-CHAVE: Patrimônio, Residência, Museu.


KEYWORDS: Patrimony, Residence, Museum.
RESUMO - 1 - PATRIMÔNIO E PARTICIPAÇÃO: EIXO 1 – DO TÉCNICO À
POPULAÇÃO: A DEMOCRATIZAÇÃO DO CAMPO DO PATRIMÔNIO EIXO 2
– OS AGENTES DO PATRIMÔNIO: CONSELHOS, MOVIMENTOS SOCIAIS,
ONGS,... EIXO 3 – INSTRUMENTOS PARA A PROTEÇÃO DO PATRIMÔNIO
EIXO 4 – PATRIMÔNIO, DEMOCRACIA E AS CIDADES EIXO 5 –
RESISTÊNCIA CIVIL E OCUPAÇÕES: A AÇÃO DIRETA NO CAMPO DO
PATRIMÔNIO

O PATRIMÔNIO ARQUITETÔNICO DE TERESINA – PI ATRAVÉS DA


TRAJETÓRIA PROFISSIONAL DO ENGENHEIRO LUIZ MENDES RIBEIRO
GONÇALVES.

Amanda Moreira (amandacmoreira@hotmail.com)

RESUMO

Analisa e discute a trajetória profissional do engenheiro Luís Mendes Ribeiro


Gonçalves, com foco na sua atuação na cidade de Teresina-Piauí, abordando
seus edifícios e influências como importantes constituintes do patrimônio
histórico arquitetônico local. Retrata ainda o atual uso e preservação dos
edifícios ainda existentes, evidenciando os instrumentos relativos à sua
preservação. O piauiense Luís Mendes Ribeiro Gonçalves teve larga atuação
profissional em Teresina, sendo este um dos mais importantes profissionais
nas primeiras décadas do Século XX, e os vários documentos que registraram
suas obras evidenciaram o pioneirismo do engenheiro e sua relevância no
cenário local, além do seu papel como difusor da arquitetura brasileira
contemporânea à sua atuação na capital do Piauí, especialmente a partir dos
prédios institucionais que projetou e/ou construiu. O artigo evidencia a
importância do estudo e da análise de sua trajetória profissional e contribui
para o alargamento da historiografia da arquitetura do Piauí, revelando a
necessidade da discussão dos instrumentos que protegem a sua produção.

Palavras-chave: Luís Mendes Ribeiro Gonçalves. Trajetória profissional.


Arquitetura de Teresina-Piauí. Arquitetura brasileira.Patrimônio.
RESUMO - 1 - PATRIMÔNIO E PARTICIPAÇÃO: EIXO 1 – DO TÉCNICO À
POPULAÇÃO: A DEMOCRATIZAÇÃO DO CAMPO DO PATRIMÔNIO EIXO 2
– OS AGENTES DO PATRIMÔNIO: CONSELHOS, MOVIMENTOS SOCIAIS,
ONGS,... EIXO 3 – INSTRUMENTOS PARA A PROTEÇÃO DO PATRIMÔNIO
EIXO 4 – PATRIMÔNIO, DEMOCRACIA E AS CIDADES EIXO 5 –
RESISTÊNCIA CIVIL E OCUPAÇÕES: A AÇÃO DIRETA NO CAMPO DO
PATRIMÔNIO

O PATRIMÔNIO CULTURAL MATERIAL E OS DESAFIOS DA


CONSERVAÇÃO PREVENTIVA EM MARIANA-MG

Flora Del Rei Lopes Passos (floralopespassos@gmail.com)


Mariana Freitas Priester (maripriester@gmail.com)

RESUMO

A partir da apresentação de um panorama do estado de conservação do


patrimônio material tombado pelo Instituto Histórico e Artístico Nacional
(IPHAN) no município de Mariana-MG, e das ações empreendidas atualmente
nestes bens, o presente artigo busca refletir sobre os desafios e possíveis
caminhos para a salvaguarda do patrimônio cultural material e para o
fortalecimento do papel do IPHAN nas “pontas”, especificamente, nos
escritórios técnicos implantados em sítios urbanos protegidos a nível federal.
Nota-se nos últimos anos um crescente envelhecimento do quadro de
servidores do Instituto que conta com números reduzidos de agentes
fiscalizadores nas unidades centrais (superintendências), situação que se
agrava ainda mais nos escritórios técnicos. Além de traçar um diagnóstico da
situação atual do conjunto arquitetônico e urbanístico tombado e dos principais
enfrentamentos relacionados ao uso e ocupação da terra urbana, propõe-se o
levantamento da situação dos bens tombados isoladamente, constituídos em
sua maioria por templos religiosos de propriedade da Arquidiocese de Mariana,
muitos destes interditados devido ao mau estado de conservação em que se
encontram. Apontamentos sobre as estruturas e agentes a nível local com
atuação neste campo – Escritório Técnico do IPHAN em Mariana, Prefeitura
Municipal de Mariana, Conselho Municipal do Patrimônio Cultural de Mariana
(COMPAT), Arquidiocese e paróquias, etc. – também servem de embasamento
para entender a importância de uma atuação em rede de maneira cooperativa
não apenas na execução de ações, mas no fortalecimento da luta por mais
investimentos na área. Percebe-se que a conservação e manutenção de bens
tombados ainda hoje não são entendidas de forma preventiva para uma grande
parcela da população e de proprietários que, muitas vezes, adotam uma
postura passiva atribuindo a programas do governo a função de restaurá-los e
mantê-los, permitindo a deterioração de tais bens, quando na verdade são
atores chaves na salvaguarda dos bens tombados. Assim, quando o estado
dos bens é precário a ponto de serem imprescindíveis obras de restauração,
tais obras devem estar envolvidas em programas mais abrangentes,
participativas e colaborativas, que promovam a disseminação das ideias de
pertencimento, valorização e apropriação do patrimônio cultural e ainda
incentivem a conservação preventiva entre os moradores. Sob essa
perspectiva, defende-se a mobilização social e práticas de educação
patrimonial e participação popular enquanto meios fundamentais para
processos de gestão e planejamento mais democráticos e justos.

Palavras-chave: patrimônio material, conservação, restauração, IPHAN,


Mariana-MG
RESUMO - 1 - PATRIMÔNIO E PARTICIPAÇÃO: EIXO 1 – DO TÉCNICO À
POPULAÇÃO: A DEMOCRATIZAÇÃO DO CAMPO DO PATRIMÔNIO EIXO 2
– OS AGENTES DO PATRIMÔNIO: CONSELHOS, MOVIMENTOS SOCIAIS,
ONGS,... EIXO 3 – INSTRUMENTOS PARA A PROTEÇÃO DO PATRIMÔNIO
EIXO 4 – PATRIMÔNIO, DEMOCRACIA E AS CIDADES EIXO 5 –
RESISTÊNCIA CIVIL E OCUPAÇÕES: A AÇÃO DIRETA NO CAMPO DO
PATRIMÔNIO

O PATRIMÔNIO HISTÓRICO ARQUITETÔNICO DA CIDADE DE FLORIANO-


PI: CARACTERIZAÇÃO E PRESERVAÇÃO

Bruna Maria M. Barradas (brunammbarradas@hotmail.com)


Licianny Da Costa Sousa (liciannydacostasousa@hotmail.com)
Natalya Keiko Minagawa (keiko.minagawa@hotmail.com)
Amanda Moreira (amandacmoreira@hotmail.com)

RESUMO

O presente artigo tem como objetivo geral apresentar o sítio histórico da cidade
de Floriano, situada ao sul do estado do Piauí, a partir de uma abordagem que
evidencia dois aspectos principais: as características arquitetônicas
predominantes nas diversas tipoligas da cidade, como: residências, igrejas,
casarões, escolas e hospitais; seguida de uma reflexão acerca dos
instrumentos e agentes para a proteção do patrimônio da preservação do
patrimônio nível nacional, estadual e principalmente municipal. Desenvolveu-se
a partir da percepção da crescente descaracterização da arquitetura histórica
da cidade, como uma das consequências da fragilidade e/ou inexistência de
instrumentos de proteção em algumas das esferes de proteção, e baseou-se
em uma metodologia que se utiliza de levantamentos físicos in loco,
levantamentos bibliográficos e documentais. Resulta na percepção da
necessidade do estabelecimento de políticas de proteção para a salvaguarda
desse importante patrimônio, que são referências que caracterizam e fazem
parte da história desse município.

Palavras-chave: Patrimônio, arquitetura, Floriano, preservação.


RESUMO - 1 - PATRIMÔNIO E PARTICIPAÇÃO: EIXO 1 – DO TÉCNICO À
POPULAÇÃO: A DEMOCRATIZAÇÃO DO CAMPO DO PATRIMÔNIO EIXO 2
– OS AGENTES DO PATRIMÔNIO: CONSELHOS, MOVIMENTOS SOCIAIS,
ONGS,... EIXO 3 – INSTRUMENTOS PARA A PROTEÇÃO DO PATRIMÔNIO
EIXO 4 – PATRIMÔNIO, DEMOCRACIA E AS CIDADES EIXO 5 –
RESISTÊNCIA CIVIL E OCUPAÇÕES: A AÇÃO DIRETA NO CAMPO DO
PATRIMÔNIO

O RECONHECIMENTO DO CONJUNTO MODERNO DA PAMPULHA COMO


PATRIMÔNIO CULTURAL DA HUMANIDADE: REVISÃO URBANA E
AMBIENTAL SOBRE A ADAPTAÇÃO PERIMETRAL DA UNESCO

Andre Jacomini (ajacomini@ymail.com)

RESUMO

O Conjunto Moderno da Pampulha foi reconhecido pelo Comitê do Patrimônio


Mundial da UNESCO como Patrimônio Cultural da Humanidade. O título foi
concedido a partir dos critérios da Convenção do Patrimônio Mundial de 1972,
que se referem à capacidade de representar obras primas do gênio criativo
humano, exibir o intercâmbio entre valores que impactaram o desenvolvimento
da arquitetura, arte, urbanismo e paisagismo e ser um exemplar excepcional de
um conjunto que ilustra um estágio histórico significativo. A Pampulha é
expoente dos critérios supracitados ao integrar nomes cruciais do fazer
arquitetônico e paisagístico nacional para valorizar a obra e a paisagem cultural
como um todo frente à significância da unidade. A Paisagem Cultural é lida
como relação dos ambientes naturais com os edificados e ocupados e com as
atividades socioculturais, que tem por desdobramento a formação identitária e
enaltecimento do conjunto frente à relação complementar. Assim, é
compreendida como construção simbólica e sustentada pela especificidade da
sociedade e realidades socioeconômicas, culturais e ambientais. O Conjunto já
nasceu tombado, ao passo que não foi concebido só para influenciar a
produção arquitetônica mundial, mas também para conceituar a brasileira. Com
essa sumarização, a intenção era projetar o Brasil no cenário internacional para
afirmação, de caráter identitário, da consolidação do país como independente e
desvinculado do passado colonial, simbolizando um período de afirmação dos
países latinoamericanos com a constituição de novas repúblicas e busca da
autonomia cultural. Em suma, a concepção e histórico local são capazes de
classificar o potencial e o valor representativo que a Pampulha tem em diversos
âmbitos, entretanto o conflito estudado se refere à gestão empregada para sua
preservação. A poluição e degradação atual do espelho d’água foram alguns
dos maiores desafios para a obtenção do título de Patrimônio Cultural da
Humanidade e configuram hodiernamente a problemática principal para sua
manutenção. Assim, este trabalho foi estruturado compreendendo a motivação
para o reconhecimento da UNESCO e sua importância para a sociedade,
entretanto objetiva discutir as razões das adaptações do perímetro do
reconhecimento e a projeção de áreas de amortecimento, relacionando com as
incompatibilidades de gestão. Problemática esta que elenca a Pampulha como
um dos expoentes da cultura brasileira, mas que não desprende políticas
públicas capazes de atender demandas mínimas de habitabilidade urbana e
ambiental da região excluída ou lindeira ao perímetro. Ademais, a lagoa, além
de marco simbólico no imaginário popular, também possui caráter articulador
dos edifícios da orla, reforçando as inter-relações. Dessa forma, sendo um
elemento tão crucial quanto às edificações, a lagoa e a região do entorno são
integrantes da paisagem cultural do conjunto e demandam, por conseguinte,
medidas proporcionais e contextualizadas com as potencialidades e restrições
locais.

Palavras-chave: Pampulha, Paisagem Cultural, Patrimônio Cultural da


Humanidade, UNESCO.
RESUMO - 1 - PATRIMÔNIO E PARTICIPAÇÃO: EIXO 1 – DO TÉCNICO À
POPULAÇÃO: A DEMOCRATIZAÇÃO DO CAMPO DO PATRIMÔNIO EIXO 2
– OS AGENTES DO PATRIMÔNIO: CONSELHOS, MOVIMENTOS SOCIAIS,
ONGS,... EIXO 3 – INSTRUMENTOS PARA A PROTEÇÃO DO PATRIMÔNIO
EIXO 4 – PATRIMÔNIO, DEMOCRACIA E AS CIDADES EIXO 5 –
RESISTÊNCIA CIVIL E OCUPAÇÕES: A AÇÃO DIRETA NO CAMPO DO
PATRIMÔNIO

O TERRITÓRIO URBANO CONTEMPORÂNEO E A SALVAGUARDA DA


MEMÓRIA: O INVENTÁRIO E SEUS REFLEXOS NA RUA MARECHAL
DEODORO - JUIZ DE FORA/MG.

Daniel De Almeida Moratori (danielmoratori@hotmail.com)

RESUMO

Identificar a forma de construção e proteção da paisagem urbana edificada é


algo que caracteriza um conflito na contemporaneidade, devido às varias
formas de ação sobre determinados bens inseridos no contexto urbano. Esse
artigo tem como objetivo buscar uma reflexão sobre identidade e patrimônio
cultural, e partir dessa definição, fazer um dialogo com as medidas tomadas
pela Prefeitura de Juiz de Fora sobre a Rua Marechal Deodoro no Inventário do
Acervo Cultural da cidade de 1996. Tal rua é uma das principais da cidade,
devido a sua localização central, como também por seu histórico, sendo uma
via voltada ao comércio desde seus primórdios, fruto dos imigrantes. Esse
estudo busca colaborar para uma maior discussão dos instrumentos que visão
a proteção de bens culturais num território urbano contemporâneo e a
salvaguarda da memória e identidade. Observando que a refuncionalização ou
remodelação de uso de um bem protegido muitas vezes pode ocasionar uma
nova organização sócio-espacial do espaço que o cerca, seguindo uma lógica
atual negativa da globalização, a identificação de uma edificação somente por
suas relações arquitetônicas, de forma especifica e individualizada, sem levar
em conta suas relações de identidade, afetividade e memória coletiva e suas
diversas espacialidades, pode acelerar fatores como degradação, gentrificação
e outras formas nocivas ao contexto, além de um certo descompromisso com o
passado, devido a um afastamento com a comunidade local. O caso da Rua
Marechal Deodoro demonstra a forma de ação do inventário da cidade de Juiz
de Fora, que foi umas das ferramentas que auxiliou na proteção das diversas
edificações, mas o fez somente por sua relação de “Mérito Arquitetônico”. Com
toda a relevância e valia que o inventário de 1996 fez para a preservação das
edificações salvaguardadas atualmente na Rua Marechal Deodoro, essa
reflexão de Patrimônio Cultural e identidade faz suscitar uma reflexão sobre o
fortalecimento de uma identidade e pertencimento da sociedade sobre tal
patrimônio, e como o poder publico estimulará os vínculos com o patrimônio
local para que a preservação seja algo sustentável.

Palavras-chave: Inventário, Paisagem cultural, Juiz de Fora


RESUMO - 1 - PATRIMÔNIO E PARTICIPAÇÃO: EIXO 1 – DO TÉCNICO À
POPULAÇÃO: A DEMOCRATIZAÇÃO DO CAMPO DO PATRIMÔNIO EIXO 2
– OS AGENTES DO PATRIMÔNIO: CONSELHOS, MOVIMENTOS SOCIAIS,
ONGS,... EIXO 3 – INSTRUMENTOS PARA A PROTEÇÃO DO PATRIMÔNIO
EIXO 4 – PATRIMÔNIO, DEMOCRACIA E AS CIDADES EIXO 5 –
RESISTÊNCIA CIVIL E OCUPAÇÕES: A AÇÃO DIRETA NO CAMPO DO
PATRIMÔNIO

O URBANISMO TÁTICO NA PRODUÇÃO DA FORMA URBANA DAS


CIDADES CONTEMPORÂNEAS: A REAFIRMAÇÃO E REAPROPRIAÇÃO
DOS ESPAÇOS PATRIMONIAIS A PARTIR DA PARTICIPAÇÃO POPULAR

Andre Jacomini (ajacomini@ymail.com)

RESUMO

A qualificação urbana pode ser abordada em diversas escalas de poder, tanto


governamentais, quanto de micro escala, realizada pelos cidadãos. Uma
alternativa é o Urbanismo Tático, que envolve processos de baixo orçamento
para intervir em pequena escala. Esse se apresenta como uma maneira de
humanizar e reapropriar espaços, inclusive patrimoniais, objetivando uso de
sítios residuais ou agregar valor às áreas ocupadas. Nesta pesquisa, o termo
patrimônio foi classificado como sumarização das relações culturais e políticas
no espaço e tempo, que imprime valores e potencialidades da sociedade.
Portanto, é o registro identitário, que desempenha um papel sentimental de
memória e pertencimento às gerações futuras. Dessa forma, adentra o escopo
patrimonial ao se apresentar como instrumento de expressão legítima das
relações frente às materializações das memórias e identidade, servindo como
processo de formação urbana na micro escala. A forma urbana é a conclusão
dinâmica dos impactos da vida no espaço, sendo palco dos processos sociais
de estagnação ou progresso. A relação se estabelece pluralmente, em virtude
da abrangência e ação dos agentes de constituição do núcleo, e, usualmente,
menosprezando o impacto e relevância da apropriação dos espaços
patrimoniais para a fisionomia urbana que corrobora com a saúde e vitalidade
urbana e social. O trabalho foi estruturado a partir da concepção supracitada
como manifestação quando as instâncias institucionais não abordam as
demandas sociais. Porém é complexo, demandando planejamento e
compreensão das dinâmicas municipais, a fim de abordar intervenções que
reafirmem as escalas humanas e as distintas interações sociais. A aplicação
deste estudo é realizada sobre a Capela São Domingos de Gusmão, marco
histórico em Contagem (MG), que sofreu um processo de tombamento
municipal. Foi inicialmente apoiado pela sociedade, que reverteu o apoio ao
compreender como o tombamento seria carreado e que suas demandas,
principalmente de restauro, não seriam atendidas pela chancela. Foi criada
uma comissão autônoma e popular responsável pela atuação na Capela que
executou os reparos e arcou com as despesas, a partir de doações. O caso é
exemplo do entendimento da comunidade como agente social de afirmação
patrimonial que reapropria e resignifica os espaços. A noção de urbanismo em
voga rege a mentalidade num estado de inércia, concretizado pela supremacia
ideológica da relação desproporcional do automóvel e do cidadão, o que
resulta na formulação de cidades impessoais. A ideologia imposta é sustentada
por um instrumentário massivo e burocrático, que objetiva o controle excessivo
sobre as manifestações urbanas. Controle que se reflete na gestão patrimonial
ao distanciar e segregar os bens das novas demandas e apropriações,
deixando-os estanques frente às dinâmicas urbanas. As ações táticas,
portanto, detém caráter de revolta contra as incapacidades estatais e afirmação
direta da participação popular nos campos da concepção cidadã.

Palavras-chave: Urbanismo Tático, Paisagem Cultural, Patrimônio, Cidadania


RESUMO - 1 - PATRIMÔNIO E PARTICIPAÇÃO: EIXO 1 – DO TÉCNICO À
POPULAÇÃO: A DEMOCRATIZAÇÃO DO CAMPO DO PATRIMÔNIO EIXO 2
– OS AGENTES DO PATRIMÔNIO: CONSELHOS, MOVIMENTOS SOCIAIS,
ONGS,... EIXO 3 – INSTRUMENTOS PARA A PROTEÇÃO DO PATRIMÔNIO
EIXO 4 – PATRIMÔNIO, DEMOCRACIA E AS CIDADES EIXO 5 –
RESISTÊNCIA CIVIL E OCUPAÇÕES: A AÇÃO DIRETA NO CAMPO DO
PATRIMÔNIO

OBRAS DE REQUALIFICAÇÃO NO ENTORNO DO ESPAÇO CULTURAL


BARROQUINHA, SALVADOR-BA: ANÁLISE SOBRE ACESSIBILIDADE
PARA PESSOA COM DEFICIÊNCIA

Ana Cecília Chaves Silva (cecilia.ufrj@gmail.com)


Patricia Dorneles (patricia.dorneles.ufrj@gmail.com)
Marina Helena Silva (marina_helenasilva@hotmail.com)

RESUMO

Este artigo tem como objetivo apresentar uma parte da monografia de final de
curso de especialização em Acessibilidade Cultural, promovido pela
Universidade Federal do Rio de Janeiro em parceria com o Ministério da
Cultura. Este trabalho pretende problematizar a questão das obras no entorno
do Espaço Cultural Barroquinha, situado no Centro Histórico de Salvador (BA).
Como questão principal se as mesmas atendem aos critérios de acessibilidade
necessárias para que as pessoas com deficiência possam desfrutar do direito à
cultura. Para tanto, o trabalho apresenta uma contextualização e atualização
das legislações vigentes de Patrimônio Cultural e Acessibilidade, um panorama
histórico sobre o bairro da Barroquinha, pontuando a direito cidade e situando
os mais pobres e as pessoas com deficiência; e por fim apresentação do
Espaço Cultural Barroquinha e avaliação de acessibilidade da Ladeira da
Barroquinha (utilizando parte do instrumento desenvolvido pelo Núcleo de
Design Gráfico Ambiental da Universidade Federal do Rio Grande do Sul).

Palavras-chave: pessoa com deficiência, acessibilidade, patrimônio histórico,


direito à cidade.
RESUMO - 1 - PATRIMÔNIO E PARTICIPAÇÃO: EIXO 1 – DO TÉCNICO À
POPULAÇÃO: A DEMOCRATIZAÇÃO DO CAMPO DO PATRIMÔNIO EIXO 2
– OS AGENTES DO PATRIMÔNIO: CONSELHOS, MOVIMENTOS SOCIAIS,
ONGS,... EIXO 3 – INSTRUMENTOS PARA A PROTEÇÃO DO PATRIMÔNIO
EIXO 4 – PATRIMÔNIO, DEMOCRACIA E AS CIDADES EIXO 5 –
RESISTÊNCIA CIVIL E OCUPAÇÕES: A AÇÃO DIRETA NO CAMPO DO
PATRIMÔNIO

OFICINA DE RESTAURO PÚBLICO

Sarah De Paula Basílio (sarahdepaulab@outlook.com)


Amanda Kelly Da Costa (amandacosta1095@gmail.com)
Michele Regina Gonzaga (michelerg01@yahoo.com.br)
Rodrigo Otávio De Marco Meniconi (rodrigo.meniconi@ifmg.edu.br)

RESUMO

A preservação dos valores culturais e ambientais caracteriza-se,


crescentemente, como uma tendência da atualidade. A valorização das coisas
locais, em contraposição à globalização da economia e da comunicação,
reveste de importância à manutenção de identidades específicas, que
garantam às pessoas a referência do seu lugar. O Projeto Oficina de Restauro
Público, iniciado no IFMG - Campus Ouro Preto como projeto de extensão em
2014, deu prosseguimento à ação executada anteriormente pela Fundação de
Arte de Ouro Preto, FAOP, em parceria com o Instituto, ampliando as
possibilidades de formação de mão de obra qualificada em conservação e
restauração de bens imóveis na cidade. Dessa forma, a atividade de extensão
proporciona aos alunos do Curso de Conservação e Restauro, uma prática
aplicada dos conhecimentos adquiridos em sala de aula. À vista disso, a
proposta cumpre um dos princípios definidos pela Política Nacional de
Extensão, que define como um dos seus eixos a interdisciplinaridade,
“caracterizada pela interação de modelos e conceitos complementares, de
material analítico e de metodologias, buscando consistência teórica e
operacional que estruture o trabalho dos atores do processo social e que
conduza à interinstitucionalidade, construída na interação e inter-relação de
organizações, profissionais e pessoas”. Em parceria com o Escritório Técnico
do IPHAN, cumpre-se a proposta de atender à população de menor poder
aquisitivo, residente em edificações com necessidade de conservação e
restauração, condições de realizar as ações necessárias para manutenção de
seus imóveis, disponibilizando dossiês de conservação e restauro. Na
atualidade, especificamente, atende-se às paróquias da cidade de Ouro Preto,
responsáveis pelos bens culturais históricos que demandam apoio para a
salvaguarda das edificações referenciais, no caso: três Passos da Paixão –
edificações de pequeno porte que contam os momentos finais da vida de cristo
-, e duas Capelas de pequenas dimensões. Trabalhou também, mentalidades
comprometidas com a preservação do patrimônio cultural, através de ações de
educação patrimonial, contribuindo, consequentemente, para a melhoria da
qualidade de vida, para a sustentabilidade e para a valorização da cultura. Em
conjunto a essas ações, investiga-se sobre as técnicas e materiais construtivos
tradicionais, bem como as causas das patologias encontradas nos objetos
estudados.

Palavras-chave: Patrimônio, conservação e restauro, cultura.


RESUMO - 1 - PATRIMÔNIO E PARTICIPAÇÃO: EIXO 1 – DO TÉCNICO À
POPULAÇÃO: A DEMOCRATIZAÇÃO DO CAMPO DO PATRIMÔNIO EIXO 2
– OS AGENTES DO PATRIMÔNIO: CONSELHOS, MOVIMENTOS SOCIAIS,
ONGS,... EIXO 3 – INSTRUMENTOS PARA A PROTEÇÃO DO PATRIMÔNIO
EIXO 4 – PATRIMÔNIO, DEMOCRACIA E AS CIDADES EIXO 5 –
RESISTÊNCIA CIVIL E OCUPAÇÕES: A AÇÃO DIRETA NO CAMPO DO
PATRIMÔNIO

OS CORETOS: A PERMANÊNCIA DO MOBILIÁRIO URBANO SEM USO


ESPECÍFICO

Savilly Aimée Teixeira Buttros (sbuttros@gmail.com)

RESUMO

Este trabalho objetiva uma explanação histórica sobre o surgimento dos


coretos, bem como seu papel atual na composição do espaço urbano. Os
coretos são mobiliários urbanos frequentemente encontrados em praças, largos
e jardins brasileiros. Além da função ornamental, apresentam grande
importância histórica e social. Sua difusão no Brasil esteve diretamente ligada
ao crescimento das organizações musicais e à expansão das linhas férreas nas
regiões interioranas, ocorridas entre os séculos XIX e XX. Atualmente, as
apresentações musicais e os pronunciamentos políticos, realizados dentro ou
próximos aos coretos, não mais fazem parte de uma tradição vívida. Porém,
muitos coretos permanecem nas praças sem uso específico e em situação de
abandono, submetidos a todas as formas de degradação. Durante a pesquisa,
foram visitados cinco coretos de técnica construtiva similar – sendo um em
Minas Gerais e quatro no Rio de Janeiro – verificando-se o estado de
conservação e as medidas protetivas existentes. Notou-se que a falta de
vínculos entre a população e os coretos torna a tomada de medidas de
preservação mais complexa. Deficiências na gestão do patrimônio público
também são um fator agravante para a recorrente má conservação desses
mobiliários. Contudo, os coretos são testemunhos de antigas tradições e
carregam estilos e técnicas construtivas diversas, as quais podem se perder
caso não haja preservação.

Palavras-chave: coreto, praças, urbanismo, patrimônio público, preservação


patrimonial
RESUMO - 1 - PATRIMÔNIO E PARTICIPAÇÃO: EIXO 1 – DO TÉCNICO À
POPULAÇÃO: A DEMOCRATIZAÇÃO DO CAMPO DO PATRIMÔNIO EIXO 2
– OS AGENTES DO PATRIMÔNIO: CONSELHOS, MOVIMENTOS SOCIAIS,
ONGS,... EIXO 3 – INSTRUMENTOS PARA A PROTEÇÃO DO PATRIMÔNIO
EIXO 4 – PATRIMÔNIO, DEMOCRACIA E AS CIDADES EIXO 5 –
RESISTÊNCIA CIVIL E OCUPAÇÕES: A AÇÃO DIRETA NO CAMPO DO
PATRIMÔNIO

PARTICIPAÇÃO SOCIAL NA PRESERVAÇÃO DE SÍTIOS HISTÓRICOS


URBANOS. EXPERIMENTO METODOLÓGICO NO SÍTIO HISTÓRICO DE
SANTA LEOPOLDINA – ES

Letícia Nunes Barcellos (leticiabarcellos.au@gmail.com)


Renata Hermanny De Almeida (renatahermanny@gmail.com)

RESUMO

Este trabalho se insere nos estudos que tratam da participação social nas
políticas públicas, especificamente relacionado à preservação de Sítios
Históricos Urbanos no Brasil. A participação social nas políticas públicas é um
tema cada vez mais estudado e discutido, num momento de crise do modelo de
representação política que ocorre no contexto nacional e internacional, com
desconfiança por parte dos cidadãos em relação às instituições políticas
tradicionais e ao esvaziamento dos partidos políticos. Ao mesmo tempo, a
população reivindica, cada vez mais, seu direito de participar de decisões que
afetam direta ou indiretamente sua vida. Para a preservação do patrimônio, a
participação social é condição indispensável, entretanto, não é efetiva na
política patrimonial do Brasil. A ausência de participação acarreta
consequências negativas na preservação do patrimônio. A população, em
geral, não participa do processo, conhece pouco sobre o patrimônio e, por isso,
não se sente comprometida, não se relaciona com o bem tombado e não lhe
confere o valor esperado. Não há instrumentos para participação social
definidos na política de proteção patrimonial, por isso a participação se dá de
diferentes formas e com diferentes graus de envolvimento, a depender de cada
projeto e de seus gestores. Nesta pesquisa, estabelece-se como recorte
temporal a Constituição Federal de 1988, por esta ser considerada a
Constituição Cidadã, que possibilita a criação de diversos espaços e
instrumentos para participação da sociedade nas decisões relacionadas às
políticas públicas. Como recorte espacial, estabelece-se o Sítio Histórico
Urbano, por ser a cidade o lugar propício ao exercício da democracia e os
sítios históricos, por ser interesse do estudo o patrimônio entendido como
conjunto, e não edificações ou monumentos isolados. A pesquisa objetiva
identificar estratégias para participação social na preservação de Sítios
Históricos Urbanos. Para isso, adota o Sítio Histórico de Santa Leopoldina, um
dos cinco Sítios Históricos do estado do Espírito Santo, tombado pelo Conselho
Estadual de Cultura em 1983, como objeto concreto de experimentação de
metodologia participativa visando o estabelecimento de estratégias para
participação social na preservação do sítio. Para isso, realiza-se revisão
bibliográfica sobre a participação social, seus instrumentos e metodologias;
análise do Sítio Histórico de Santa Leopoldina no campo urbanístico-ambiental,
socioeconômico e da gestão urbana e do sítio histórico. A participação social
nas políticas públicas com qualidade é uma questão complexa e por isso não
vai se tornar efetiva rapidamente, mas, para que seja um dia alcançada, é
necessário começar colocá-la em prática.

Palavras-chave: Participação social; Preservação; Gestão urbana.


RESUMO - 1 - PATRIMÔNIO E PARTICIPAÇÃO: EIXO 1 – DO TÉCNICO À
POPULAÇÃO: A DEMOCRATIZAÇÃO DO CAMPO DO PATRIMÔNIO EIXO 2
– OS AGENTES DO PATRIMÔNIO: CONSELHOS, MOVIMENTOS SOCIAIS,
ONGS,... EIXO 3 – INSTRUMENTOS PARA A PROTEÇÃO DO PATRIMÔNIO
EIXO 4 – PATRIMÔNIO, DEMOCRACIA E AS CIDADES EIXO 5 –
RESISTÊNCIA CIVIL E OCUPAÇÕES: A AÇÃO DIRETA NO CAMPO DO
PATRIMÔNIO

PATRIMÔNIO ARQUEOLÓGICO E IDENTIDADE: A IMPORTÂNCIA DO


RECONHECIMENTO NO PROCESSO DE SALVAGUARDA

Flávia Cristina Costa Vieira (flaviaccostavieira@gmail.com)

RESUMO

O trabalho consiste no estudo de casos à luz da legislação patrimonial


brasileira, demonstrando como o Estado, em sua configuração centralizada e
federalizada atual, age contra a determinação de salvaguardar o patrimônio
arqueológico. O primeiro caso apresenta o ocorrido com os vestígios
arqueológicos encontrados durante a realização de obras pelo Departamento
de Estradas e Rodagens, DER, para abertura de uma rodovia no Distrito de
Alto Maranhão, em Congonhas, MG. O segundo descreve a situação dos
vestígios arqueológicos identificados na região do empreendimento
Condomínio Residencial Goiabeiras, por ocasião de sua implantação no
município de Congonhas, MG. O terceiro trata do arsenal descoberto durante
as obras de restauração e adequação do antigo edifício da Secretaria de
Segurança Pública, atual Centro Cultural Banco do Brasil, em Belo Horizonte,
MG.

Em todos os casos, agentes de órgãos governamentais e profissionais liberais


lançaram mão das políticas de preservação patrimonial nas esferas municipal,
estadual e federal na tentativa de salvaguardar o patrimônio. Nestes termos, os
debates acerca da importância da atualização desses instrumentos legais e do
próprio conceito de patrimônio ganham força nas necessárias deliberações
sobre o tema dentro da municipalidade, afinal, no universo da massa de dados
recebida por um órgão federal cada caso é apenas mais um número de
protocolo, mas para o município é parte de sua identidade. Tendo em vista que
em todos os casos a esfera federal atuou de modo a, em alguma medida,
desconsiderar a importância do patrimônio arqueológico, a esfera municipal
seguiu, na maioria das vezes, na contramão, tentando defender e demonstrar a
importância do patrimônio para a manutenção da identidade local.

Palavras-chave: IPHAN; arqueologia; patrimônio arqueológico; salvaguarda;


destruição
RESUMO - 1 - PATRIMÔNIO E PARTICIPAÇÃO: EIXO 1 – DO TÉCNICO À
POPULAÇÃO: A DEMOCRATIZAÇÃO DO CAMPO DO PATRIMÔNIO EIXO 2
– OS AGENTES DO PATRIMÔNIO: CONSELHOS, MOVIMENTOS SOCIAIS,
ONGS,... EIXO 3 – INSTRUMENTOS PARA A PROTEÇÃO DO PATRIMÔNIO
EIXO 4 – PATRIMÔNIO, DEMOCRACIA E AS CIDADES EIXO 5 –
RESISTÊNCIA CIVIL E OCUPAÇÕES: A AÇÃO DIRETA NO CAMPO DO
PATRIMÔNIO

PATRIMÔNIO CULTURAL NO CONTEXTO DO GRANDE PROJETO


URBANO PORTO MARAVILHA NO RIO DE JANEIRO: PRESERVAÇÃO OU
AMEAÇA?

Maria Lucia Borges De Faria (arq.lborges@gmail.com)

RESUMO

O presente artigo pretende refletir sobre políticas, práticas e instrumentos de


preservação e conservação do patrimônio cultural urbano na cidade do Rio de
Janeiro na perspectiva da ampliação da noção de patrimônio, da evolução das
políticas públicas e da participação social. Para tal se utiliza, por um lado, de
breve revisão do debate internacional nas suas cartas e recomendações, bem
como, sob influência dessas, dos instrumentos legais e ações na esfera
governamental. Por outro, considera o contexto sócio-político que ampara as
relações do patrimônio com a população local, a partir das últimas décadas do
século passado.

No esforço de responder a questão: “Patrimônio cultural no contexto do grande


projeto urbano Porto Maravilha no Rio de Janeiro: preservação ou ameaça?”
considera-se como referência de análise o confronto da cidade idealizada e
concebida na racionalidade dos planos e projetos com a ‘cidade vivida’, aqui
identificada como espaço dos coletivos culturais locais que cotidianamente
criam e recriam seus vínculos identitários. (PASSOS e SANCHÉZ, 2012)
O atual modelo de produção do espaço urbano, pautado no capitalismo
neoliberal, vem acirrando processos de espetacularização das cidades, de
especulação no mercado imobiliário e de gentrificação em áreas dotadas de
patrimônio cultural. A transformação das cidades e da vida urbana em
mercadorias tem se tornado um fenômeno cada vez mais presente nas ultimas
décadas e, segundo alguns autores, fator de despolitização na esfera social.
Nesse contexto, a cultura, dotada de valor simbólico, é estrategicamente
apropriada como aliada desse modelo de intervenção urbana. Os projetos de
“revitalização” operam a cultura “para consumo” e fazem dessa sua âncora
(ARANTES, 2011; VAINER, 2011; SANCHEZ,2010; KARA-JOSÉ,2007; VAZ e
JACQUES, 2006; VAZ, 2004).

Alinhado nesse modelo de gestão, a partir de 2009, no âmbito da preparação


dos jogos olímpicos de 2016, na região portuária da cidade, instalou-se o
grande projeto urbano Porto Maravilha. Tal região compreende um conjunto de
bairros dotados de excepcional conteúdo cultural, relacionado à formação da
cidade e seu povo, expresso na paisagem, no traçado das vias, nos conjuntos
edificados, bem como nos seus vários territórios culturais, resultado da
coexistência de diferentes grupos sociais e etnias ao longo de sua história.

Examinam-se no contexto desse grande projeto, os instrumentos operados na


proteção do patrimônio cultural e os espaços de participação conquistados
pelos coletivos sociais locais na defesa desse patrimônio, adotando como
objeto de estudo o cais do Valongo.

Como resultado pretende-se reconhecer nas disputas de sentidos atribuídos ao


bem, nas tensões ou convergências que se estabelecem entre os agentes do
projeto hegemônico e os coletivos sociais integrantes da ‘cidade vivida’,
possíveis contribuições à efetiva preservação do patrimônio. (FARIA, 2016;
VASSALLO,2015; GUIMARÃES, 2014; MOTTA, 2000).

Palavras-chave: Patrimônio cultural, Porto Maravilha-Rio de Janeiro,


participação e patrimônio.
RESUMO - 1 - PATRIMÔNIO E PARTICIPAÇÃO: EIXO 1 – DO TÉCNICO À
POPULAÇÃO: A DEMOCRATIZAÇÃO DO CAMPO DO PATRIMÔNIO EIXO 2
– OS AGENTES DO PATRIMÔNIO: CONSELHOS, MOVIMENTOS SOCIAIS,
ONGS,... EIXO 3 – INSTRUMENTOS PARA A PROTEÇÃO DO PATRIMÔNIO
EIXO 4 – PATRIMÔNIO, DEMOCRACIA E AS CIDADES EIXO 5 –
RESISTÊNCIA CIVIL E OCUPAÇÕES: A AÇÃO DIRETA NO CAMPO DO
PATRIMÔNIO

PATRIMÔNIO IMATERIAL COMO INSTRUMENTO DE CONSERVAÇÃO DA


MEMÓRIA DE UM BAIRRO: O CASO DO BAIRRO DE CAMPINAS E A
TORCIDA DO ATLÉTICO CLUBE GOIANIENSE.

Cristina Maria Costa Prado (cristinaprado.cp@gmail.com)


Adriana Mara Vaz De Oliveira (amvoliveira@uol.com.br)

RESUMO

Diante da discussão sobre patrimônio cultural, cheia de facetas, que ora


contribuem para o universo da conservação de bens e modos de fazer, ora
geram polêmica quanto ao tombamento, à espetacularização do patrimônio
(JACQUES, 2003), o que dizer sobre o descaso em relação ao bairro mais
tradicional de Goiânia, região de pouca idade, mas que possui o setor
Campinas, com 206 anos de existência, referência na história da capital,
carregado de memórias, histórias, lembranças, marcas sociais? Hoje o bairro
foi tomado por usuários de drogas, o que tem gerado alto índice de violência.
Isso tem afugentado as pessoas e aumentado substancialmente as placas de
“vende-se” ou “aluga-se”, criando zonas de abandono. O presente artigo se
propõe a discutir, brevemente, a questão do patrimônio imaterial como
instrumento para manter-se a memória de um bairro, ou como lugar de
memória (POLLAK, 1992), observando de que forma as políticas de
preservação do patrimônio cultural têm sido aplicadas ao bairro, talvez como o
meio mais eficiente de proteger as raízes dos campineiros e paradoxalmente, o
modo mais torpe de salvaguardar essas memórias. Focaremos no âmbito
imaterial, onde as discussões são mais recentes, mas que já estão inseridas no
trabalho de patrimonialização, onde os critérios também são questionáveis
(assim como no âmbito material), a atribuição de valor aos objetos patrimoniais
gera dúvidas, relegando aos menos favorecidos de conhecimento e forças
políticas, ao abandono. O que se busca aqui, não é defender o tombamento do
bairro de Campinas como única alternativa possível para exercer os cuidados
necessários, mas “dar voz” a essas memórias dos campineiros tradicionais,
tentando entender a relação de identidade entre moradores e antigos
moradores com Campinas. Entretanto, a discussão será direcionada a um
grupo específico de campineiros, eleitos nesse trabalho, como representantes
da memória do bairro, a torcida do primeiro time da capital Goiânia e que é
parte das memórias coletivas e também da identidade de Campinas: a torcida
do Atlético Clube Goianiense, clube fundado em 02 de Abril de 1937, por uma
turma de rapazes, entre eles, Antônio Accioly, o qual foi homenageado dando
nome ao Estádio (TELES, 2005).

Palavras-chave: Patrimônio imaterial, Goiânia, Campinas, Futebol, Torcida,


Atlético Clube Goianiense.
RESUMO - 1 - PATRIMÔNIO E PARTICIPAÇÃO: EIXO 1 – DO TÉCNICO À
POPULAÇÃO: A DEMOCRATIZAÇÃO DO CAMPO DO PATRIMÔNIO EIXO 2
– OS AGENTES DO PATRIMÔNIO: CONSELHOS, MOVIMENTOS SOCIAIS,
ONGS,... EIXO 3 – INSTRUMENTOS PARA A PROTEÇÃO DO PATRIMÔNIO
EIXO 4 – PATRIMÔNIO, DEMOCRACIA E AS CIDADES EIXO 5 –
RESISTÊNCIA CIVIL E OCUPAÇÕES: A AÇÃO DIRETA NO CAMPO DO
PATRIMÔNIO

PATRIMÔNIO PULSANTE: A ÁREA CENTRAL CARIOCA E AS


MANIFESTAÇÕES SOCIAIS

Diego Ramos (arq.urb.diegoramos@gmail.com)

RESUMO

O objetivo desse trabalho é investigar o papel da complexa relação do


patrimônio cultural e os movimentos sociais no processo histórico da área
urbana central da cidade do Rio de Janeiro, enquanto centralidade (SISSON
2008). Busca-se evidenciar os encontros dos movimentos sociais com as
formas urbanas patrimoniais como meio de ressignificação e propagação de
seu caráter simbólico, desde a modernização da capital carioca no início do
século XX até os dias atuais.

Qual e por que determinada edificação ou ambiente urbano tem poder


simbólico impregnado capaz de catalisar grandes concentrações sociais.
Proteger o patrimônio de possíveis depredações é: vedá-lo do contato direto
com os manifestantes, ou o oposto, aproximá-lo cada vez mais das vivências
do movimento? Questões que reforçam a inquietação de investigar, de forma
mais específica, os motivos da persistência histórica das manifestações sociais
no Rio de Janeiro em determinados pontos específicos da cidade, como
determinantes para sua permanência física nesta área central da cidade que se
apresenta dualmente enquanto centro histórico e centro de negócios.
A reocupação do espaço público urbano carioca está em relevância. A região
central da cidade tem sido frequentemente palco de grandes movimentações
políticas e culturais de diversas ordens em diferentes contextos O recente
reencontro da população com a área portuária, até então avesso da cidade,
permitido pela reformulação urbana do Boulevard Olímpico, em 2016, suas
descobertas e apropriação enquanto área de laser e enorme espaço dedicado
a sociedade, desencadearão um novo solo para manifestações sociais,
agregando ainda mais valor simbólico a este recente espaço de encontros da
cidade olímpica. Esta análise de formas, dimensões e atividades e estímulos
propostos a este espaço são importantes mecanismos de reapropriação do
espaço público, podendo inclusive transformar a noção do tecido urbano
carioca.

O objeto empírico da pesquisa, a área central da cidade do Rio de Janeiro


discutido, por meio de sua estrutura física, e elemento estimulante às
manifestações sociais, evidenciadas por recortes de jornais, fotografias e
crônicas, será importante mecanismo de reflexão sobre os atores, as trocas,
formas, processo e o tempo, fatores fundamentais nas discussões da memória
urbana.

Entender os impactos causados na cidade por interferências externas,


rompendo a consonância adquirida a longo dos tempos de vivências empíricas,
entre população e ambiente construído, são fundamentais para compreender
as formas de habitar e ocupar a cidade.

Tem-se como hipótese o papel dialético exercido pelas manifestações sociais


na ressignificação do patrimônio cultural da área central carioca. Adota-se o
sentido de manifestação não só como ativismo da sociedade em favor de uma
causa, visando expressar publicamente ideias, como considera, principalmente,
a influência do espaço nas transformações impostas à e pela sociedade.

Palavras-chave: patrimônio, morfologia urbana, manifestações sociais


cariocas
RESUMO - 1 - PATRIMÔNIO E PARTICIPAÇÃO: EIXO 1 – DO TÉCNICO À
POPULAÇÃO: A DEMOCRATIZAÇÃO DO CAMPO DO PATRIMÔNIO EIXO 2
– OS AGENTES DO PATRIMÔNIO: CONSELHOS, MOVIMENTOS SOCIAIS,
ONGS,... EIXO 3 – INSTRUMENTOS PARA A PROTEÇÃO DO PATRIMÔNIO
EIXO 4 – PATRIMÔNIO, DEMOCRACIA E AS CIDADES EIXO 5 –
RESISTÊNCIA CIVIL E OCUPAÇÕES: A AÇÃO DIRETA NO CAMPO DO
PATRIMÔNIO

PATRIMÔNIO, MEMÓRIA E IDENTIDADE: UM ESTUDO SOBRE AS


IGREJAS CATÓLICAS DO CENTRO DE VITÓRIA/ES

Douglas Gomes Silva (arqui_douglas@hotmail.com)

RESUMO

Objetiva-se nesse trabalho discorrer sobre as sete igrejas católicas no Centro


de Vitória, atual capital do estado do Espírito Santo, onde as mesmas fazem
parte da formação do conjunto de patrimônio histórico arquitetônico religioso
local. Sendo abordado um breve histórico das mesmas desde a fundação, o
uso atual, o papel delas na formação da identidade do povo capixaba, e os
agentes que atuam na conservação da memória do lugar. Na “Cidade alta”,
área geograficamente mais elevada em relação ao nível do mar, local onde
estão localizados o palácio do governo, as construções seculares e as igrejas
católicas, objetos de estudo desta pesquisa, sendo elas: a catedral
Metropolitana, a capela de Santa Luzia, o convento de São Francisco, a capela
de Nossa Senhora das Neves, a Igreja de São Gonçalo, o Convento do Carmo
e a Igreja do Rosário. As igrejas católicas do Centro de Vitória são símbolos e
marcas de todos os tempos da história capixaba. A mais antiga data do século
XVI, e a mais recente em meados dos anos de 1950 do século passado, onde
as mesmas representam a forte herança da nossa colonização. As construções
religiosas do Centro não exercem somente o papel do aspecto sagrado, mas
também exercem o papel de símbolos da memória, onde a população local
identifica nas construções parte da sua história com a da própria cidade. A
busca pela preservação é a busca pela memória social e coletiva do lugar e
dos quem a ela pertence, é a busca pela identidade em um mundo em que a
singularidade do lugar perde espaço para a multipluridade dos novos tempos.
No processo de preservação, recuperação e revitalização do patrimônio, o
poder público é o principal ator nas ações de revitalização de centros urbanos,
áreas onde mais se concentram os patrimônios históricos. O “Projeto Visitar”,
uma parceria do Instituto Goia e a Prefeitura de Vitória, através de visitas
monitoradas aos patrimônios arquitetônicos e culturais do Centro, com
destaque para as Igrejas Católicas, busca-se mostrar a história da capital e
despertar a curiosidade e a identidade do povo capixaba e a construção de
uma memória coletiva. Além das visitas monitoradas, o Visitar possui uma
coleção de livretos, os quais contam a história de cada espaço onde o projeto
atua. Através do poder público, via políticas públicas, como também com a
participação de setores privados e de organizações sem fim lucrativo,
entendemos que podem ser feitos trabalhos visando uma educação
patrimonial, a fim de resgatar a memória coletiva da cidade, ou pelo menos do
seu centro histórico, salientando a importância das edificações. Por fim, o foco
dessa pesquisa é descrever sobre essas as Igrejas Católicas do Centro de
Vitória e a busca pela preservação e educação patrimonial mostrando que a
conservação dos patrimônios construídos de uma cidade é muito mais que
preservar uma forma arquitetônica, é preservar a história, a memória coletiva e
a identidade de um povo.

Palavras-chave: Patrimônio religioso, preservação, conservação, educação


patrimonial
RESUMO - 1 - PATRIMÔNIO E PARTICIPAÇÃO: EIXO 1 – DO TÉCNICO À
POPULAÇÃO: A DEMOCRATIZAÇÃO DO CAMPO DO PATRIMÔNIO EIXO 2
– OS AGENTES DO PATRIMÔNIO: CONSELHOS, MOVIMENTOS SOCIAIS,
ONGS,... EIXO 3 – INSTRUMENTOS PARA A PROTEÇÃO DO PATRIMÔNIO
EIXO 4 – PATRIMÔNIO, DEMOCRACIA E AS CIDADES EIXO 5 –
RESISTÊNCIA CIVIL E OCUPAÇÕES: A AÇÃO DIRETA NO CAMPO DO
PATRIMÔNIO

PENSANDO A PRESERVAÇÃO ARQUITETÔNICA E URBANA DE


ESPÍRITO SANTO DO PINHAL: UM PATRIMÔNIO AINDA A CONHECER

Júlia Farah Ribeiro (julia.farah@gmail.com)


Regina Andrade Tirello (rtirello@gmail.com)

RESUMO

O reconhecimento de valores culturais nas paisagens urbanas e a preocupação


com sua preservação derivam do amadurecimento de discussões sobre o
próprio significado de patrimônio cultural. O contínuo aprofundamento desses
debates abriu caminho para a valorização de artefatos por vezes considerados
menores e que passaram a se destacar por suas qualidades compositivas,
além de suas características estéticas e construtivas.

Em compasso com o alargamento do conceito de patrimônio cultural, este


artigo é parte de discussões abordadas na pesquisa de mestrado intitulada
Para além do centro histórico: valores e sentidos do patrimônio edificado de
Espirito Santo do Pinhal, desenvolvida no Programa de Pós-Graduação em
ATC-Unicamp.

A cidade de Espírito Santo do Pinhal (localizada na divisa entre o estado de


São Paulo e o sul de Minas Gerais), devido à sua importância econômica no
período áureo do ciclo do café, é detentora de conjunto histórico e arquitetônico
valorizado por sua população e tombado em nível estadual.

Os estudos para tombamento do Núcleo Histórico Urbano de Espírito Santo do


Pinhal tiveram início em 1985 e tal iniciativa se configura em ação pioneira
entre as cidades paulistas pelas circunstâncias que ensejaram o pedido de
proteção oficial do conjunto. A salvaguarda foi solicitada ao CONDEPHAAT
pela própria população, então representada pela Associação Pinhalense de
Cultura, com o intuito de impedir o desaparecimento de prédios históricos, que
à época corriam riscos de demolição iminente.

O conjunto arquitetônico selecionado pelo órgão estadual corresponde a 11


(onze) edifícios, considerados como as maiores expressões do período de
desenvolvimento mais significativo da cidade.

No processo de tombamento consta como documento inicial para a abertura


dos estudos uma listagem produzida pela Associação Pinhalense com 56
(cinquenta e seis) imóveis considerados de interesse. Nela foram arrolados
bens de épocas e tipologias variadas, relacionados a diversos grupos sociais e
ocorrências históricas.

A diversidade de tipologias arquitetônicas constante na lista da Associação


demonstra que já no inicio da década de 1980 interessava aos pinhalenses a
preservação de exemplares arquitetônicos que expressassem o conjunto da
sociedade local em diferentes períodos.

Nessa perspectiva, buscando aprofundar questões relativas à inter-relação da


preservação arquitetônica com o desenvolvimento urbano de Pinhal, este
trabalho apresenta o estudo de dois bairros representativos de importantes
movimentos de ampliação da malha urbana de Pinhal, nomeadamente: Vila
Monte Negro e Vila Norma. Tais bairros hoje configuram, respectivamente, o
patrimônio ferroviário e moderno pinhalense.

Acredita-se que os conjuntos identificados são representantes de extratos da


sociedade pinhalense que ainda não são efetivamente valorizados ou
reconhecidos, mas que foram fundamentais para a transformação da cidade e
que, por isso, merecem integrar o acervo dos bens culturais de Pinhal.

Palavras-chave: Preservação arquitetônica e urbana, Espírito Santo do Pinhal,


tombamento, patrimônio ferroviário, patrimônio moderno.
RESUMO - 1 - PATRIMÔNIO E PARTICIPAÇÃO: EIXO 1 – DO TÉCNICO À
POPULAÇÃO: A DEMOCRATIZAÇÃO DO CAMPO DO PATRIMÔNIO EIXO 2
– OS AGENTES DO PATRIMÔNIO: CONSELHOS, MOVIMENTOS SOCIAIS,
ONGS,... EIXO 3 – INSTRUMENTOS PARA A PROTEÇÃO DO PATRIMÔNIO
EIXO 4 – PATRIMÔNIO, DEMOCRACIA E AS CIDADES EIXO 5 –
RESISTÊNCIA CIVIL E OCUPAÇÕES: A AÇÃO DIRETA NO CAMPO DO
PATRIMÔNIO

PERSPECTIVAS E DESAFIOS PARA A GESTÃO DE BENTO RODRIGUES:


POR UMA PROPOSTA DE CONSTRUÇÃO DE CONSENSO

Luciana Rocha Feres (lurferes@gmail.com)


Guilherme Maciel Araujo (guilhermemacara@gmail.com)
Samantha De Oliveira Nery (samnery@gmail.com)

RESUMO

O sub distrito de Bento Rodrigues tem recebido enorme visibilidade tanto no


Brasil como em outros países do mundo, desde o rompimento da Barragem de
Fundão, em novembro de 2015, que se configurou como o maior desastre
ambiental do país e teve impactos profundos na vida de seus habitantes.

Neste contexto se encontram fortes divergências relativas ao uso do território


de Bento, que envolvem questões jurídicas, fundiárias, econômicas, sociais,
políticas e mesmo culturais, revelando diferenças de interesses e valores, de
acordo com os agentes envolvidos, em um ambiente complexo no qual se
entrelaçam várias demandas conflitantes.

O presente trabalho tem como objetivo discutir e avaliar as possibilidades e os


desdobramentos da aplicação da metodologia de resolução de conflitos,
denominada Consensus Building (Construção de Consenso) na gestão do
patrimônio de Bento Rodrigues. A metodologia do Consensus Building se
diferencia de outras formas de gestão patrimonial que alcançam seus objetivos
unilateralmente, porque considera e busca acordos entre os interesses e
necessidades dos diferentes grupos envolvidos.
Difere-se especialmente dos processos que se baseiam na gestão pelo poder e
na gestão legal do bem, cada qual privilegiando apenas uma das partes
interessadas. Em sua base estão teorias e princípios da negociação e
resolução de conflitos, com foco no diálogo. Ao longo do processo são
realizadas algumas etapas para a construção coletiva do consenso e o objetivo
final é constituir um processo onde todos os interessados possam ganhar de
alguma maneira, preferencialmente respeitando-se os valores centrais e as
identidades de cada grupo. Identifica-se inicialmente quais são as partes
interessadas no caso e suas respectivas funções e planeja-se como será o
processo colaborativo. Na etapa seguinte, fatos e questões são esclarecidos,
bem como seus interesses e valores centrais, buscando-se alternativas e
opções potenciais que possam alcançar acordos. Por fim, as disputas devem
ser resolvidas, através de ações implementadas e de aprendizados que
deverão ser alcançados durante a negociação.

A partir desta proposta, avalia-se como seria uma gestão consensual do


patrimônio de Bento Rodrigues, apontando-se alguns dos principais
interessados, tais como: a Mineradora, sua Fundação, a população de Bento, o
Ministério Público, a Prefeitura e o Conselho de Patrimônio Municipal de
Mariana, entre outros, identificando alguns de seus principais interesses e
valores, ainda em caráter preliminar, e avaliando se o método do Consensus
Building seria adequado para este caso.

Palavras-chave: Gestão do Patrimônio, Bento Rodrigues, Construção de


consenso.
RESUMO - 1 - PATRIMÔNIO E PARTICIPAÇÃO: EIXO 1 – DO TÉCNICO À
POPULAÇÃO: A DEMOCRATIZAÇÃO DO CAMPO DO PATRIMÔNIO EIXO 2
– OS AGENTES DO PATRIMÔNIO: CONSELHOS, MOVIMENTOS SOCIAIS,
ONGS,... EIXO 3 – INSTRUMENTOS PARA A PROTEÇÃO DO PATRIMÔNIO
EIXO 4 – PATRIMÔNIO, DEMOCRACIA E AS CIDADES EIXO 5 –
RESISTÊNCIA CIVIL E OCUPAÇÕES: A AÇÃO DIRETA NO CAMPO DO
PATRIMÔNIO

PISO, PAREDE, TETO: A (DES)CARACTERIZAÇÃO DOS MATERIAIS NAS


INTERVENÇÕES REALIZADAS PELOS PROPRIETÁRIOS DE BENS
PROTEGIDOS

Karine Maria Gonçalves Cortez (karine_cortez@hotmail.com)


Terezinha De Jesus Pereira Da Silva (terezinha_psilva@hotmail.com)
Sérgio Motta Bittencourt (bitcac@gmail.com)
Isabela Dos Santos Silva (isabela_ssilva@hotmail.com)

RESUMO

As práticas de manutenção, ampliação e até mesmo “modernização” realizadas


pela maioria dos proprietários em áreas de sítios históricos, como em Olinda,
Igarassu e na Várzea, em Pernambuco, são frequentemente criticadas pelas
descaracterizações que provocam não somente no bem, que sofreu as
intervenções, mas também no entorno. As aplicações indevidas dos materiais
provocam desde mudanças das superfícies, geração de novas volumetrias,
introdução de equipamentos (antenas, condensadores,etc.), até a perda de
visibilidade de paisagens e bens. Tais situações refletem : i – precário poder de
fiscalização das prefeituras; ii – falta de ações de educação patrimonial pelas
entidades responsáveis pela preservação e iii – falta de conhecimento por parte
dos moradores de significados técnicos apropriados. Os bens culturais e seus
entornos devem preservar as ambiências dos testemunhos dos contextos que
foram criados (Marchesan, 2006, p. 166). Também na mesma linha de
preservação do contexto histórico do ambiente está a Carta de Veneza (Carta
de Veneza, 2005, Art. 70 e 80). Por sua vez, a mãe das legislações de
proteção do entorno e visibilidade também ampara tal situação (Decreto No 25
de 1937, Art.18). Desse modo, os novos usos e condições de conforto
precisam ser trabalhados junto aos usuários e com respostas mais rápidas
pelas instituições que têm as responsabilidades de fiscalização. Considerando
tais questões o artigo definiu como objetivo analisar o nível de conhecimento
técnico das intervenções realizadas pelos moradores do sítio histórico da
Várzea . Os objetos de estudo compreenderão as edificações e moradores do
entorno das Igrejas do Rosário e do Livramento, no bairro da Várzea, Recife,
Pernambuco. O lugar é considerado como Unidade Urbana 19 da Zona de
Urbanização Preferencial 2 e faz parte da Zona Especial de Preservação do
Patrimônio Histórico - Cultural – ZEPH( Recife, Lei No 16.176/1996, Anexo 2A).
Como conteúdos de desenvolvimento serão abordados: 1 – conceituação dos
termos; 2 – Histórico da área; 3 – normas e legislações incidentes na área; 4 –
Diagnóstico da área; 5 – referenciais teóricos; 6 - resultados e 7 considerações
finais. Como conclusões parciais se constatam que apesar da existência de
instrumentos legais, as aplicações dos mesmos não acontecem de modo que
inibam as descaracterizações, bem como os manuais e demais instruções
técnicas não são plenamente acessíveis aos moradores destas áreas
históricas, da mesma forma que sem apoio financeiro, muitas vezes, ações
eficazes e benéficas as áreas históricas tornam-se inviabilizadas pelos
moradores e proprietários.

Palavras-chave: Intervenções, Materiais, Sítios Históricos


RESUMO - 1 - PATRIMÔNIO E PARTICIPAÇÃO: EIXO 1 – DO TÉCNICO À
POPULAÇÃO: A DEMOCRATIZAÇÃO DO CAMPO DO PATRIMÔNIO EIXO 2
– OS AGENTES DO PATRIMÔNIO: CONSELHOS, MOVIMENTOS SOCIAIS,
ONGS,... EIXO 3 – INSTRUMENTOS PARA A PROTEÇÃO DO PATRIMÔNIO
EIXO 4 – PATRIMÔNIO, DEMOCRACIA E AS CIDADES EIXO 5 –
RESISTÊNCIA CIVIL E OCUPAÇÕES: A AÇÃO DIRETA NO CAMPO DO
PATRIMÔNIO

PIXAÇÃO E PATRIMÔNIO HISTÓRICO NA CIDADE DE TERESINA-PI.

Aline Queiroz Bezerra (ninaqb11@hotmail.com)


Letycia Dos Santos Sousa (letyciasantos59@gmail.com)
Pâmela Franco (pamelafranco@hotmail.com)
Ana Virgínia Alvarenga Andrade (anavirginia@uninovafapi.edu.br)

RESUMO

O presente artigo discute a pichação teresinense a partir da sua relação com o


patrimônio histórico arquitetônico local, assim também como sua relação com a
sociedade, e destas para com a paisagem urbana. Aborda a diferença entre
pichação do grafite, analisando a situação atual dos edifícios de importância
arquitetônica e histórica em relação à paisagem visual. Investiga as possíveis
explicações para a pichação como meio de comunicação urbana, suas
consequências e impacto social, assim também como medidas adotadas sobre
a mesma. Diante disso, foram explicitados os resultados com base na
problemática abordada, a fim de entender os motivos pela prática de tal ato e
levar a conhecer a visão dos pichadores, da sociedade e dos governantes. Tal
estudo foi realizado por meio do levantamento fotográfico, documentários,
legislação e revisão bibliográfica, como também apropriação da visão política e
teorias levantadas por Flavio Morgenstem, Luciano Spinelli e Mikhail Bakhtin,
resultando em uma discussão importante para a preservação e significação do
patrimônio histórico local.

Palavras-chave: Pixação, Patrimônio histórico, Teresina.


RESUMO - 1 - PATRIMÔNIO E PARTICIPAÇÃO: EIXO 1 – DO TÉCNICO À
POPULAÇÃO: A DEMOCRATIZAÇÃO DO CAMPO DO PATRIMÔNIO EIXO 2
– OS AGENTES DO PATRIMÔNIO: CONSELHOS, MOVIMENTOS SOCIAIS,
ONGS,... EIXO 3 – INSTRUMENTOS PARA A PROTEÇÃO DO PATRIMÔNIO
EIXO 4 – PATRIMÔNIO, DEMOCRACIA E AS CIDADES EIXO 5 –
RESISTÊNCIA CIVIL E OCUPAÇÕES: A AÇÃO DIRETA NO CAMPO DO
PATRIMÔNIO

POR UMA ERÓTICA DO PATRIMÔNIO: ALTERNATIVAS À


TRANSFORMAÇÃO DA PARTICIPAÇÃO CIDADÃ EM PANACEIA DAS
POLÍTICAS PATRIMONIAIS

Gabriel De Andrade Fernandes (gaf.arq@gmail.com)

RESUMO

Considerando-se a expressiva ampliação recentemente verificada em fóruns e


publicações acadêmicas e profissionais da mobilização da pauta da
participação social e cidadã nas políticas patrimoniais, pretendemos com este
artigo não só apresentar uma reflexão das armadilhas desse processo a partir
de exemplos exteriores ao campo como propor uma inversão da formulação do
próprio problema, atentando para uma eventual condição inerentemente
tecnocrática da ação patrimonial institucionalizada. Neste sentido,
parafraseando a clássica provocação de Susan Sontag sobre a crítica de arte,
refletimos a respeito da necessidade não de uma renovada (e participativa)
“hermenêutica” do patrimônio cultural, mas a respeito das possibilidades de
uma ação institucional em torno da “erótica do patrimônio”. O trabalho, então,
assume duas frentes com este objetivo: discute, de um lado, os problemas da
ideia de “participação” a partir da bibliografia consolidada sobre o assunto,
ainda que pouco citada no campo patrimonial, e particularmente posiciona as
políticas patrimoniais frente a clássica “escada da participação” de Sherry
Arnstein. De outro lado, questiona a eficácia da abordagem participativista ante
a ação direta de coletivos culturais e grupos organizados que vêm
pressionando de baixo para cima políticas patrimoniais consolidadas e
questionando a eficácia dos instrumentos de preservação e salvaguarda
existentes. Conclui argumentando pelo reconhecimento da necessidade de
inverter os instrumentos institucionais disponíveis de ação patrimonial e em
particular a prática consolidada do tombamento.

Palavras-chave: Participação social, Escada da participação, Patrimônio


cultural
RESUMO - 1 - PATRIMÔNIO E PARTICIPAÇÃO: EIXO 1 – DO TÉCNICO À
POPULAÇÃO: A DEMOCRATIZAÇÃO DO CAMPO DO PATRIMÔNIO EIXO 2
– OS AGENTES DO PATRIMÔNIO: CONSELHOS, MOVIMENTOS SOCIAIS,
ONGS,... EIXO 3 – INSTRUMENTOS PARA A PROTEÇÃO DO PATRIMÔNIO
EIXO 4 – PATRIMÔNIO, DEMOCRACIA E AS CIDADES EIXO 5 –
RESISTÊNCIA CIVIL E OCUPAÇÕES: A AÇÃO DIRETA NO CAMPO DO
PATRIMÔNIO

POR UMA VISÃO HUMANA DO PATRIMÔNIO: REPENSANDO O


CONSELHO DELIBERATIVO DO PATRIMÔNIO CULTURAL E NATURAL DE
SABARÁ/MG

Graziela Elem Ferreira Costa (grazielaelem@yahoo.com.br)


Rafael Boeing (boeingrafael@gmail.com)

RESUMO

O município de Sabará/MG possui seu próprio Conselho Deliberativo do


Patrimônio Cultural e Natural desde o ano de 2006. Composto por
representantes da sociedade civil e poder público, este órgão colegiado se
tornou então um dos principais responsáveis pela proteção, conservação e
salvaguarda do patrimônio material e imaterial do município. No presente
artigo, os autores pretendem abordar a importância da participação da
sociedade civil como instrumento fundamental para a concretização deste
propósito. Partindo da premissa de que o patrimônio não deve mais ser tratado
como assunto meramente técnico (à maneira das políticas de “pedra e cal”),
buscar-se-á refletir sobre medidas para a consolidação de uma visão mais
humana, participativa e democrática para as políticas públicas de patrimônio, a
qual integre, em sua formulação, implantação e avaliação, o máximo da
diversidade das comunidades direta ou indiretamente vinculadas a bens
culturais protegidos do município. Para tanto, analisar-se-á dois casos
específicos: a ampliação da representatividade social dentro do Conselho em
questão por meio da reformulação de sua dinâmica interna e o estímulo a uma
atuação mais incisiva e proativa dos conselheiros da sociedade civil a da
formação de comissões temáticas, entre outros espaços direcionados à
proposição e mobilização de ações e agentes – de modo a extrapolar uma
participação restrita às plenárias e votações sobre requerimentos e pareceres.
Sendo assim, o artigo se debruçará sobre questões teóricas e práticas relativas
à composição, representação e função do Conselho em questão, levantando
possibilidades para melhorar não apenas sua capacidade deliberativa, mas
também propositiva e mobilizadora.

Palavras-chave: Patrimônio, Participação, Conselho, Representação,


Mobilização
RESUMO - 1 - PATRIMÔNIO E PARTICIPAÇÃO: EIXO 1 – DO TÉCNICO À
POPULAÇÃO: A DEMOCRATIZAÇÃO DO CAMPO DO PATRIMÔNIO EIXO 2
– OS AGENTES DO PATRIMÔNIO: CONSELHOS, MOVIMENTOS SOCIAIS,
ONGS,... EIXO 3 – INSTRUMENTOS PARA A PROTEÇÃO DO PATRIMÔNIO
EIXO 4 – PATRIMÔNIO, DEMOCRACIA E AS CIDADES EIXO 5 –
RESISTÊNCIA CIVIL E OCUPAÇÕES: A AÇÃO DIRETA NO CAMPO DO
PATRIMÔNIO

PROPOSTA DE NORMATIVA TÉCNICA PARA PREVENÇÃO E COMBATE A


INCÊNDIO E PÂNICO EM BENS CULTURAIS PROTEGIDOS

Thiago Ferreira (thiago_s_ferreir@yahoo.com.br)


Marcelo Santana Silvino (marcelo@exempla.com.br)
Paulo Gustavo Von Kuger (paulovonkruger@gmail.com)
Leonardo Barreto De Oliveira (barretoleonardo6@gmail.com)

RESUMO

O presente artigo apresenta os principais tópicos da proposta de Normativa


Técnica referente à prevenção e combate a incêndio e pânico em edificações,
conjuntos urbanos e sítios históricos, restringindo, como objeto de aplicação, os
bens protegidos pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional –
IPHAN, autarquia especializada vinculada ao Ministério da Cultura, responsável
pelo acautelamento de bens culturais que conferem significado e permitem a
compreensão da trajetória do povo brasileiro, enquanto seres humanos em
interação com o meio ambiente natural. A proposta foi desenvolvida pelo
IGNIS, Grupo de Pesquisa em Tecnologia e Ciência do Incêndio, vinculado a
Universidade Federal de Minas Gerais e formado por uma equipe
interdisciplinar. Esta normativa surgiu devido aos imensuráveis danos ao
patrimônio cultural, decorrentes de incêndios, fartamente registrados ao longo
da história do Brasil. Lamentáveis ocorrências que indicam não estarem estes
bens adequadamente protegidos contra este tipo de sinistro. Importante
salientar que, em caso de perda, os bens culturais se caracterizam de forma
diversa de outros danos materiais, na medida em que as informações ali
contidas não podem ser recuperadas na sua integralidade. Uma vez que seu
valor original e sua autenticidade estarão para sempre perdidas, bem como
informações ali contidas, que pelo nosso estágio tecnológico ainda não
puderam ser apreendidas. Espera-se que esta normativa sirva de referência
para outros órgãos de preservação, sempre com o objetivo de preservar o
patrimônio cultural.

Palavras-chave: Incêndio, Patrimônio Cultural, Prevenção


RESUMO - 1 - PATRIMÔNIO E PARTICIPAÇÃO: EIXO 1 – DO TÉCNICO À
POPULAÇÃO: A DEMOCRATIZAÇÃO DO CAMPO DO PATRIMÔNIO EIXO 2
– OS AGENTES DO PATRIMÔNIO: CONSELHOS, MOVIMENTOS SOCIAIS,
ONGS,... EIXO 3 – INSTRUMENTOS PARA A PROTEÇÃO DO PATRIMÔNIO
EIXO 4 – PATRIMÔNIO, DEMOCRACIA E AS CIDADES EIXO 5 –
RESISTÊNCIA CIVIL E OCUPAÇÕES: A AÇÃO DIRETA NO CAMPO DO
PATRIMÔNIO

RUÍNAS DO FORTIM DOS EMBOABAS: ENTREMEANDO MEMÓRIA,


AMBIÊNCIA E PRESERVAÇÃO EM SÃO JOÃO DEL-REI (MG)

Diego Nogueira Dias (diegofletcher@hotmail.com)


Alisson Silveira Souza (alisson.silveira.souza@gmail.com)

RESUMO

O estudo da paisagem discute sua formação por meio dos elementos culturais
e naturais em todos os seus aspectos, enquanto o estudo do edifício é
compreendido por meio da sua materialidade e contexto urbano. As teorias da
restauração são de suma importância para o desenvolvimento de uma
metodologia específica de análise em obras de intervenção ou restauro em
bens de interesse cultural. Dessa forma este artigo parte do entendimento das
etapas de intervenção em um bem patrimonial arruinado, analisando questões
que envolvam paisagem, monumento, ambiência e técnica em todas as suas
especificidades. Toma como estudo de caso um conjunto de ruínas localizadas
no centro histórico de São João del-Rei (MG), a partir da abordagem de seu
histórico, enfatizando as transformações sofridas ao longo do tempo, até sua
conformação atual. O objeto em questão insere-se em um complexo de
construções caracterizadas como fortificações da Guerra dos Emboabas,
dentro do perímetro de entorno de tombamento do Instituto do Patrimônio
Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). O interesse pelo estudo dessas ruínas
nasce da preocupação com a conservação da memória que se faz necessária
e se consolida em proposta de intervenção apresentada com base nas teorias
do restauro. A ruína é o testemunho da idade, do envelhecimento e da
memória, podendo nela estar expressa a essência do monumento, fazendo-se
imprescindível sua permanente conservação. Em São João del-Rei, os
monumentos arruinados não tem sua preservação assegurada, em parte pela
ausência de diretrizes voltadas para esses bens, assim como por atitudes da
própria população que, na maioria das vezes, não entende a importância da
proteção de seu próprio patrimônio. Pretende-se, aqui, despertar o potencial do
ambiente analisado como um espaço de lazer, entretenimento e cultura para
moradores, através de proposta projetual, contribuindo para a valorização da
história da cidade e da paisagem urbana.

Palavras-chave: Ruínas, Fortim dos Emboabas, São João del-Rei.


RESUMO - 1 - PATRIMÔNIO E PARTICIPAÇÃO: EIXO 1 – DO TÉCNICO À
POPULAÇÃO: A DEMOCRATIZAÇÃO DO CAMPO DO PATRIMÔNIO EIXO 2
– OS AGENTES DO PATRIMÔNIO: CONSELHOS, MOVIMENTOS SOCIAIS,
ONGS,... EIXO 3 – INSTRUMENTOS PARA A PROTEÇÃO DO PATRIMÔNIO
EIXO 4 – PATRIMÔNIO, DEMOCRACIA E AS CIDADES EIXO 5 –
RESISTÊNCIA CIVIL E OCUPAÇÕES: A AÇÃO DIRETA NO CAMPO DO
PATRIMÔNIO

SÍTIO HISTÓRICO DE ITAPINA/ES: O PATRIMÔNIO ENQUANTO


MONUMENTO A SER PRESERVADO E A SUA PROBLEMÁTICA ATUAL DE
PRESERVAÇÃO.

Douglas Gomes Silva (arqui_douglas@hotmail.com)

RESUMO

O presente artigo aborda o Sítio Histórico de Itapina, que se trata do mais


recente a ser tombado pelo Estado do Espírito Santo. O distrito de Itapina,
situa-se às margens do Rio Doce e da atual Estrada de Ferro Vale do Rio
Doce, no município de Colatina, região noroeste do estado do Espírito Santo. A
ocupação da região deu-se por volta de 1866, com a chegada de fluminenses e
mineiros. Posteriormente, a partir de 1889, chegaram os imigrantes italianos e
algumas famílias libanesas. As características arquitetônicas que são
evidenciadas nos casarios de Itapina refletem essa mescla de costumes e
culturas, onde predominam-se casas térreas e sobrados nos estilos eclético e
proto-moderno, além, da arquitetura tradicional da imigração e da arquitetura
industrial e ferroviária, que podem ser vislumbradas na antiga estação e nos
armazéns de café, ao longo do sítio. O vilarejo prosperou no período áureo do
café, por volta de 1907, com a construção da Estrada de Ferro Vitória-Minas
(EFVM), onde escoava-se toda a produção da região. Porém, com a crise de
1929 e a erradicação dos cafezais este cenário de prosperidade mudou. Na
década de 1940, deu-se o início do processo de esvaziamento do vilarejo, os
comerciantes que ali residiam mudaram-se para outros núcleos urbanos. No
ano de 2013, o Sítio Histórico de Itapina foi tombado em nível estadual, onde
ao todo foram tombados 82 imóveis e outros 43 foram decretados de interesse
de preservação para compor o conjunto. O documento preza pela proteção dos
bens culturais e naturais que constituem a Área de Proteção do Ambiente
Cultural (Apac) de Itapina, constituída pelo Sítio Histórico Urbano, Patrimônio
Ambiental Urbano e Paisagem Cultural. Como o tombamento é recente, pouco
tem sido feito efetivamente para garantir o que foi decretado na Resolução
003/2013. A mesma, ainda não faz parte totalmente do cotidiano do vilarejo,
faltando ações que despertem a conscientização e conhecimento da lei por
parte dos moradores e proprietários, sendo que os mesmos não compreendem
a importância do sítio, ocasionando a situação atual de Itapina, que é de
esquecimento, até mesmo no cenário regional ele é desconhecido. Além disso,
o cenário da região está em plena mudança, fator decorrente da forte seca dos
últimos meses e da lama de rejeitos que atingiu o Rio Doce no final de 2015. O
fato, é que o vilarejo apresenta marcas da história do desenvolvimento local e
da luta dos imigrantes, onde a relação entre o lugar e as marcas deixadas pelo
homem e sua cultura se fazem presentes e precisam ser preservadas. Isto
posto, discutir a temática sobre a preservação de Itapina através do viés do
patrimônio e preservação apresenta-se como o foco deste artigo,
reconhecendo a importância do conjunto, com o intuito de incentivar a
sociedade a preservar a memória do lugar.

Palavras-chave: Sítio histórico, patrimônio, preservação, concientização,


ferrovia.
RESUMO - 1 - PATRIMÔNIO E PARTICIPAÇÃO: EIXO 1 – DO TÉCNICO À
POPULAÇÃO: A DEMOCRATIZAÇÃO DO CAMPO DO PATRIMÔNIO EIXO 2
– OS AGENTES DO PATRIMÔNIO: CONSELHOS, MOVIMENTOS SOCIAIS,
ONGS,... EIXO 3 – INSTRUMENTOS PARA A PROTEÇÃO DO PATRIMÔNIO
EIXO 4 – PATRIMÔNIO, DEMOCRACIA E AS CIDADES EIXO 5 –
RESISTÊNCIA CIVIL E OCUPAÇÕES: A AÇÃO DIRETA NO CAMPO DO
PATRIMÔNIO

UMA REFLEXÃO SOBRE AS PRIMEIRAS DÉCADAS DA PROTEÇÃO DO


PATRIMÔNIO NO RIO GRANDE DO SUL

Luísa Cassol Pasqualotto (luisac.pasqualotto@gmail.com)


Maria Beatriz Medeiros Kother (beatrizkother@gmail.com)
Luís Zucco (luis.zzucco@gmail.com)

RESUMO

Este trabalho consiste na análise da gestão do patrimônio entre os anos de


1980 e 2010 pelo IPHAE – Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do
Estado do Rio Grande do Sul. Partindo dos processos administrativos,
estabelecemos categorias de análise que se traduzem na reconstrução dos
procedimentos, motivações e critérios adotados para proteção oficial dos bens
culturais e compreensão do processo oficial de proteção. A imersão nos
processos de tombamento, principal fonte de pesquisa do estudo, revelou-se
como fonte inesgotável da memória coletiva de nosso Estado. A partir da coleta
e organização dos dados em fichas para a identificação dos bens tombados, foi
possível dar início à análise e diagnóstico da situação. Observa-se claramente
que, embora sem uma política linear definida para a preservação do patrimônio
cultural, através dos processos de tombamento, foi desencadeada uma série
de práticas institucionais na interpretação do passado, tendo em vista a sua
preservação e a cultura rio-grandense. Os dados foram organizados em fichas
e tabelas para análise, interpretação e crítica das informações. Esta análise
nos permite uma série de questionamentos como, por exemplo, os critérios
para a escolha dos exemplares a serem protegidos pelo tombamento e a
proteção do entorno dos bens tombados.

Palavras-chave: Patrimônio Cultural, Tombamento, Gestão


RESUMO - 1 - PATRIMÔNIO E PARTICIPAÇÃO: EIXO 1 – DO TÉCNICO À
POPULAÇÃO: A DEMOCRATIZAÇÃO DO CAMPO DO PATRIMÔNIO EIXO 2
– OS AGENTES DO PATRIMÔNIO: CONSELHOS, MOVIMENTOS SOCIAIS,
ONGS,... EIXO 3 – INSTRUMENTOS PARA A PROTEÇÃO DO PATRIMÔNIO
EIXO 4 – PATRIMÔNIO, DEMOCRACIA E AS CIDADES EIXO 5 –
RESISTÊNCIA CIVIL E OCUPAÇÕES: A AÇÃO DIRETA NO CAMPO DO
PATRIMÔNIO

VIVENDA CAIÇARA: UM EXEMPLAR DA ARQUITETURA EM PEDRA


PIAUIENSE

Camila De Sousa Ferreira (camilasfg@live.com)


Vitoria Gomes Moreira Rufino Borges (vitoriagomes.b@gmail.com)

RESUMO

Este artigo aborda o processo de construção e transformação da arquitetura


em pedra no Estado do Piauí, utilizando como exemplo a Vivenda Caiçara,
construída em 1920 por uma família descendente de escravos. Outro ponto a
ser abordado, é a edificação se apresentar como elemento patrimonial, devido
ser um exemplar raro desta técnica, apesar de não possui acautelamento por
parte de inventário ou tombamento.

A vivenda caiçara é residência do século XVIII , possui técnica construtiva


mista, utilizando-se de pedra e adobo de barro, constitui um exemplar único
pelas técnicas construtivas adotadas e pelas soluções de conforto térmico
aplicadas. A disposição dos cômodos e das aberturas representam bem as
necessidades da família proprietária e das tradições da época, deixando claro a
hierarquização e setorização típicas de uma arquitetura tradicional e
interiorana.
A discussão colocada em voga por este artigo, é a de que o conceito de
patrimônio precisa ser democratizado, para que atinja também exemplares que
se assemelhem mais aos conceitos de identidade da população, inserido a
comunidade no processo participativo de escolha do patrimônio.

Faz-se necessário sinalar que os órgãos de preservação, muitas vezes


legislam em favor de edificações com valor arquitetônico mais rebuscado, o
que faz com que a arquitetura produzida pelas classes inferiorizadas passe
despercebido.

Em destaque, a Arquitetura produzida no Nordeste do País, longe das capitais,


é desconsiderada, ficando a mercê dos proprietários que nem sempre possuem
relevante educação patrimonial. Tal descaso, contribui para a descontinuidade
da memória da cidade e da comunidade, tornando a população ainda mais
distante e alheia ao seu patrimônio.

Palavras-chave: Patrimônio, Arquitetura de pedra, Leis patrimoniais.


RESUMO - 2 - OS DESAFIOS DA EDUCAÇÃO PATRIMONIAL: EIXO 6 –
EDUCAÇÃO PATRIMONIAL NA ESCOLA EIXO 7 – MUSEUS, ARQUIVOS E
EDUCAÇÃO PATRIMONIAL EIXO 8 – A CIDADE, LUGAR DA EDUCAÇÃO
PATRIMONIAL EIXO 9 – EDUCAÇÃO PATRIMONIAL E TRABALHO: OS
OFÍCIOS TRADICIONAIS EIXO 10 – COMUNIDADES: PARTICIPANTES
EFETIVAS DAS AÇÕES EDUCATIVAS

“ALÉM DOS MUROS DO INHOTIM” : EDUCAÇÃO PATRIMONIAL,


IDENTIDADE E CIDADANIA EM BRUMADINHO / MG

Webert Fernandes De Souza (webertdouglas@hotmail.com)


Pedro Henrique Da Silva (pedro.turismobrumadinho@gmail.com)

RESUMO

O presente trabalho busca abordar as ações e impactos do programa de


educação patrimonial em Brumadinho/MG. A expressão “além dos muros do
Inhotim”, surgiu do primeiro programa de educação patrimonial da cidade
denominado “Redescobrindo Brumadinho”, criado em 2014 pelo setor de
Patrimônio Histórico de Brumadinho e apoiado pelo Conselho Municipal de
Patrimônio Histórico, Natural e Paisagístico de Brumadinho o programa surge
da necessidade de trabalhar o patrimônio cultural brumadinhense como algo
maior do que apenas o proposto pelo Instituto no seu espaço museológico.

“Além dos muros do Inhotim” é uma expressão que representa o universo


multicultural existente em Brumadinho que estão muito além do Instituto
Cultural Inhotim. Surgido da necessidade de trabalhar políticas públicas
voltadas para a promoção e salvaguarda do patrimônio cultural brumadinhense,
o programa nasce com a perspectiva de conscientizar os brumadinhenses
sobre o seu patrimônio cultural, suas memórias e claro resgatar sua história.
Compreendendo o patrimônio cultural da cidade como algo amplo e
heterogêneo, incorporando nessa noção de pertencimento coletivo municipal
os bens culturais materiais, patrimoniais ou não, os bens imateriais, as
histórias, saberes e vivencias de moradores, inclui socialmente nas suas ações
atores além do espaço escolar, como o Centro de Referência de Assistência
Social (CRAS), Centro de Referência Especializado de Assistência Social
(CREAS), Centro de Atenção Psicossocial (CAPS), APAE e asilos.

Realizando as ações de educação patrimonial em todos os âmbitos, tais como


museus, bibliotecas, arquivos, praças, nos bens patrimoniais, nos contadores
de história, nos manifestantes de bens culturais, nas escolas para que as
ações possam ser realizadas de maneira continuada. Tornando esses sujeitos
ativos e conscientes, atentos com o seu entorno, no “mundo e com o mundo”
exercendo de fato sua cidadania. Proporcionando aos brumadinhenses um
reconhecimento de sua herança cultural, deixando de ser espectador, como na
proposta tradicional, para tornar-se sujeito, valorizando a busca de novos
saberes e conhecimentos, provocando conflitos e versões. O foco desse
trabalho é apresentar as ações que estão sendo executadas nas políticas
públicas de salvaguarda do patrimônio cultural de Brumadinho por meio das
ações do programa de educação patrimonial Redescobrindo Brumadinho.
Compreendendo que a construção da identidade coletiva brumadinhense,
passa pelo pressuposto de sentir parte de um grupo e assim compartilhar
ideias e comportamentos. Nesse sentido, o conhecimento sobre o patrimônio
levará aos brumadinhenses a reforçar seus laços com a comunidade e ver-se
como membro ativo desta. Objetivo que aliás está em consonância com a
formação dos cidadãos. O que faz do presente trabalho algo de suma
importância nas futuras propostas de construção, seleção e apropriação da
memória coletiva contidas nos bens culturais de Brumadinho.

Palavras-chave: Inhotim, educação, identidade, cidadania


RESUMO - 2 - OS DESAFIOS DA EDUCAÇÃO PATRIMONIAL: EIXO 6 –
EDUCAÇÃO PATRIMONIAL NA ESCOLA EIXO 7 – MUSEUS, ARQUIVOS E
EDUCAÇÃO PATRIMONIAL EIXO 8 – A CIDADE, LUGAR DA EDUCAÇÃO
PATRIMONIAL EIXO 9 – EDUCAÇÃO PATRIMONIAL E TRABALHO: OS
OFÍCIOS TRADICIONAIS EIXO 10 – COMUNIDADES: PARTICIPANTES
EFETIVAS DAS AÇÕES EDUCATIVAS

“RESGATE HISTÓRICO CULTURAL DO DISTRITO DE MONSENHOR


HORTA-MARIANA MG PARA IMPLANTAÇÃO DA ATIVIDADE TURÍSTICA”

Tatiane Alves Da Silva Soares (tatianeasilva84@yahoo.com.br)

RESUMO

Área Temática:Os desafios de Educação patrimonial

Título:

“Resgate histórico cultural do distrito de Monsenhor Horta-Mariana MG para


implantação da atividade Turística”

Resumo :

O envolvimento da comunidade, alunos e escola é primordial para o processo


de resgate histórico cultural, para a implantação de uma atividade remunerada
para a população nativa , na qual através do trabalho coletivo divulgará a
história a que pertence .

O Objetivo Geral é resgatar a cultura local em todos seus âmbitos, mostrar a


população nativa a importância de conhecerem o local que pertencem e sua
própria história, enquanto sujeitos. Este trabalho despertar com o zelo e
cuidados de preservação poder mostrar para futuras gerações e divulgar para o
mundo as riquezas culturais proeminentes do distrito, gerando rendimentos .
Este trabalho vem sendo realizado na Escola Estadual Cônego Braga no
distrito de Monsenhor Horta da Cidade de Mariana MG com alunos do
Programa Novo Mais Educação - Educação Integral e Integrada -,da faixa
etária entre 7 a 16 anos.

Algumas etapas foram iniciadas:

• Mostrar a importância do cuidado com o primeiro patrimônio: o próprio


sujeito e sua família.

• Dinâmicas, reflexões sobre estes cuidados. Brincadeira que abordam o


patrimônio Individual, através do mural da família, árvore genealógica
,autorretrato e retrato de família

O objetivo esperado é que patrimônio cultural material e imaterial (resgate de


memórias do distrito. As ações propostas são: caixa de memórias dos alunos ,
dos trabalhos realizados, pesquisa de campo com a comunidade e dos
diversos tipos de patrimônios ,elaborando uma ficha catalográfica,oficinas
ministradas pela própria comunidade ,trabalho de observação e registro , como
oficina de fotografia,na parceria com a Universidade local do Curso de
Jornalismo, entrevistas, visitas ao órgão Iphan para conhecer parte do arquivo
da cidade de Mariana para a culminância do projeto ser apresentado numa
feira cultural da Escola e a instalação de um museu de memórias na
Comunidade , na qual poderá gerar rendimentos locais com a atividade
turística mais participativa.

Palavras-Chave (Separadas por vírgula): Patrimônio


Coletivo,Comunidade,Resgate de memórias,Atividade Turística

Autor:Tatiane Alves da Silva Soares

Ano 2017

Palavras-chave: resgate de memórias,comunidade, escola , atividade turísica


RESUMO - 2 - OS DESAFIOS DA EDUCAÇÃO PATRIMONIAL: EIXO 6 –
EDUCAÇÃO PATRIMONIAL NA ESCOLA EIXO 7 – MUSEUS, ARQUIVOS E
EDUCAÇÃO PATRIMONIAL EIXO 8 – A CIDADE, LUGAR DA EDUCAÇÃO
PATRIMONIAL EIXO 9 – EDUCAÇÃO PATRIMONIAL E TRABALHO: OS
OFÍCIOS TRADICIONAIS EIXO 10 – COMUNIDADES: PARTICIPANTES
EFETIVAS DAS AÇÕES EDUCATIVAS

A “CASA DO IMPERADOR” EM PÃO DE AÇÚCAR (AL)

João Henrique Dos Santos (joaohenrique@fau.ufrj.br)


Maria Aline Lima (mariaaline1977@yahoo.com)

RESUMO

O Objetivo deste estudo é o uso de metodologias de ensino-aprendizagem,


sobre o patrimônio histórico, da cidade de Pão de Açúcar-AL, e tem como
proposta a educação patrimonial, para minimizar a falta de conscientização da
população local, a proposta não é somente sensibilizar a população para a
valorização e preservação, e sim educar e conscientizar sobre sua própria
cultura, desenvolvendo assim, métodos e resoluções de problemas, dentre elas
a preservação da casa onde pernoitou o Imperador Dom Pedro II, na cidade
nos dias 17 e 22 de outubro de 1859, Em seu diário de viagem, depositado no
Museu Imperial, D. Pedro tece elogios à vila: "A vista do Pão de Açúcar é
bonita". Casa essa que faz parte da historia de uma pequena vila que se tornou
cidade, no entanto se encontra em ruínas e esquecida por sua população.

Desta forma, propõe-se a realização de um levantamento do estado


preservacional do imóvel ao mesmo tempo em que se tratará da relação dos
moradores da cidade, especialmente as crianças em idade escolar, com o
mesmo, e quais as perspectivas de, mediante a educação patrimonial, formar-
lhes a consciência da importância do patrimônio histórico e da sua
preservação.

Palavras-chave: Patrimônio, Pão de Açúcar, Educação Patrimonial


RESUMO - 2 - OS DESAFIOS DA EDUCAÇÃO PATRIMONIAL: EIXO 6 –
EDUCAÇÃO PATRIMONIAL NA ESCOLA EIXO 7 – MUSEUS, ARQUIVOS E
EDUCAÇÃO PATRIMONIAL EIXO 8 – A CIDADE, LUGAR DA EDUCAÇÃO
PATRIMONIAL EIXO 9 – EDUCAÇÃO PATRIMONIAL E TRABALHO: OS
OFÍCIOS TRADICIONAIS EIXO 10 – COMUNIDADES: PARTICIPANTES
EFETIVAS DAS AÇÕES EDUCATIVAS

A CIDADE E A IMAGEM: ESSE TRABALHO DARÁ ÊNFASE A


MANUTENÇÃO E PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS, O SABER FAZER DO
ARTÍFICE SAPATEIRO.

Neuza Maria De Oliveira Dos Santos (neuzaoliveira@yahoo.com.br)

RESUMO

Eixo 9- Educação patrimonial e trabalho: os ofícios tradicionais

A proposta desse ensaio é conhecer as particularidades de um espaço, que


fora pensado e atrelado a ideia de conforto, praticidade, a manutenção de
serviços em momento histórico da construção do edifício JK, como também,
sua imagem em contexto socioeconômico e cultural. Esse trabalho dará ênfase
a manutenção e prestação de serviços do fazer com as mãos do artífice
sapateiro.

O edifício JK se apresenta como monumento, ora pelo tamanho, ora pela


característica de imagens ícones e atrações turísticas, que se destaca também
por ser tem o mais avançado em questão urbana de sua época. Dentre esses
serviços, o ensaio vai dedicar-se a decodificar um dos ofícios dos artífices, em
especial, ao fazer com as mãos do sapateiro, que, demonstra, habilidades
através dos movimentos, do tato, criando uma harmonia entre os dedos,
coordenando a mão e a cabeça, que por sua vez, nos oferece um olhar em
perspectiva no manejo dos objetos ou na forma de pinça-los com os dedos e
pegar com as mãos, até mesmo em gestos cooperados, voluntários, que nos
faz pensar o cotidiano. (BENJAMIN 1994; BRESCIANI, 2005; SIMMEL, 1903)

Tratando do desenvolvimento desse trabalho, na cidade de Belo Horizonte, fui


a campo conhecer a atividade de alguns artífices, em suas oficinas
trabalhando. Para depois, serem transcritos em integridade ao corpo do
trabalho, respeitando a história, o tempo e a memória dos entrevistados
participantes dessa pesquisa. Aqui, segue o registro de três artífices, o
primeiro artífice sapateiro foi o Sr. Zezinho, no ofício e prestação de serviços no
Conjunto Governador Juscelino Kubitschek. A segunda oficina, foi a
reformadora de calçados “Passo a passo”, me encontrei com o artífice
sapateiro Sr. Nadir, e também em sua oficina, o artífice Sr. Wilson do Carmo.
Os dados obtidos na pesquisa de campo serão analisados à luz das teorias
previamente apresentadas.

Para tanto, as referências teóricas estudadas serão, “O Artífice” que trata dos
trabalhos artesanais e suas habilidades, associando o trabalho feito à mão,
com o trabalho da mente, “As grandes cidades e a vida dos espíritos” e
“Passagens”. Serão analisadas a partir do estudo das obras seminais de
Richard Sennett (1943), Walter Benjamin (1994), Stella Bresciani (2005) e
Simmel, (1903). Os dados obtidos na pesquisa de campo serão analisados à
luz das teorias previamente apresentadas.

Palavras-chave: Palavras-chave: Artes Ofícios, Intangível, Memória,


Sapateiro.
RESUMO - 2 - OS DESAFIOS DA EDUCAÇÃO PATRIMONIAL: EIXO 6 –
EDUCAÇÃO PATRIMONIAL NA ESCOLA EIXO 7 – MUSEUS, ARQUIVOS E
EDUCAÇÃO PATRIMONIAL EIXO 8 – A CIDADE, LUGAR DA EDUCAÇÃO
PATRIMONIAL EIXO 9 – EDUCAÇÃO PATRIMONIAL E TRABALHO: OS
OFÍCIOS TRADICIONAIS EIXO 10 – COMUNIDADES: PARTICIPANTES
EFETIVAS DAS AÇÕES EDUCATIVAS

A COLETÂNEA GARIBALDINA E A EDUCAÇÃO PATRIMONIAL EM


LAGUNA, SC

Isabela Bardini (isabelabardini@hotmail.com)


Julieta Toledo (julieta.toledo@hotmail.com)
Douglas Heidtmann Jr. (douglasemerson@gmail.com)
Renata Bogo (bogo.renata@gmail.com)

RESUMO

A “Coletânea Garibaldina” é um acervo formado pelo imigrante suíço Wolfgang


Ludwig Rau através da coleção de objetos relacionados a Anita Garibaldi e seu
companheiro Giuseppe. Segundo Rau, a coleção foi uma forma de retribuição
ao Brasil pela receptividade que obteve ao imigrar para o país: ele almejava o
reconhecimento internacional da lagunense como heroína. Em 2001, após 60
anos em processo de formação, a coleção foi comprada pelo governo do
Estado de Santa Catarina com recursos da Fundação Catarinense de Cultura,
após Rau considerar que não haveria mais como manter a mesma. Em 2015,
a FCC transferiu a custódia do acervo para a Universidade do Estado de Santa
Catarina (UDESC), permitindo que o acervo continuasse na cidade de Laguna
e propiciasse interações com a educação de Arquitetura e Urbanismo, a partir
da realização do Programa de Extensão denominado “Comunidade RETRÔ:
MEDIADORES DO PATRIMÔNIO”. Os objetivos do trabalho são: apresentar o
processo de transferência do acervo para a universidade como oportunidade
de educação patrimonial e demonstrar as possibilidades de educação
patrimonial nas iniciativas de preservação, pesquisa e comunicação
envolvendo o acervo. Para tanto, os procedimentos metodológicos utilizados
foram a documentação museológica por meio de arrolamento/inventário, a
desinfestação de móveis e documentos, o estudo para propostas de espaços
museológicos para o acervo e elaboração de material didático para escolas
públicas. O trabalho realizado até o presente momento demonstra o potencial
do acervo para a educação patrimonial. Pretende-se despertar o interesse da
sociedade lagunense, principalmente, das crianças tornando o patrimônio
acessível e contribuindo para sua preservação.

Palavras-chave: Educação Patrimonial, Museu, Coletânea Garibaldina,


Wolfgang Ludwig Rau
RESUMO - 2 - OS DESAFIOS DA EDUCAÇÃO PATRIMONIAL: EIXO 6 –
EDUCAÇÃO PATRIMONIAL NA ESCOLA EIXO 7 – MUSEUS, ARQUIVOS E
EDUCAÇÃO PATRIMONIAL EIXO 8 – A CIDADE, LUGAR DA EDUCAÇÃO
PATRIMONIAL EIXO 9 – EDUCAÇÃO PATRIMONIAL E TRABALHO: OS
OFÍCIOS TRADICIONAIS EIXO 10 – COMUNIDADES: PARTICIPANTES
EFETIVAS DAS AÇÕES EDUCATIVAS

A CURA PELA FÉ: UM OLHAR SOBRE AS BENZEDEIRAS/REZADEIRAS


ALAGOANAS

Karla Calheiros (karlaarachel@hotmail.com)

RESUMO

O presente trabalho tem como propósito analisar e compreender como o ofício


de benzedeira ou rezadeira encontra-se atualmente em parte do estado de
Alagoas e região metropolitana – tendo como suporte o mapeamento realizado
pelo Projeto de Salvaguarda do Patrimônio Imaterial que tem como
metodologia o Inventário Nacional de Referências Culturais – INRC (IPHAN) –
que consiste em identificar, documentar e registrar bens culturais, de natureza
imaterial, para atender a demanda pelo reconhecimento de bens
representativos da diversidade e pluralidade culturais de grupos formadores da
sociedade brasileira.

Para o desenvolvimento desta atividade, foram copiladas as informações


obtidas in loco nos municípios alagoanos de: Marechal Deodoro, Estrela de
Alagoas, Dois Riachos e na capital Maceió –– captando as informações por
meio de entrevistas e registros audiovisuais a cerca do ofício tomando por base
mapeamentos pré-existentes e bens identificados pelas populações locais junto
ao grupo de pesquisa Nordestanças durante o ano de 2015 à 2016.

Com as informações levantadas, observou-se a necessidade em evidenciar


essas mulheres que utilizam-se da fé para ajudar os enfermos e que praticam
esse ofício na contemporaneidade, para isso foi realizado uma exposição
fotográfica em 2017 no Museu da Imagem e do Som (MISA) em Maceió, como
uma forma de aproximar a população desse ofício; além de zelar pelo
patrimônio imaterial e valorizar a cultura popular alagoana, salientando a
importância desse ofício que atua como medicina alternativa.

Palavras-chave: Benzedeira, rezadeira; cultura popular, cura, fé, mulheres,


fotografia
RESUMO - 2 - OS DESAFIOS DA EDUCAÇÃO PATRIMONIAL: EIXO 6 –
EDUCAÇÃO PATRIMONIAL NA ESCOLA EIXO 7 – MUSEUS, ARQUIVOS E
EDUCAÇÃO PATRIMONIAL EIXO 8 – A CIDADE, LUGAR DA EDUCAÇÃO
PATRIMONIAL EIXO 9 – EDUCAÇÃO PATRIMONIAL E TRABALHO: OS
OFÍCIOS TRADICIONAIS EIXO 10 – COMUNIDADES: PARTICIPANTES
EFETIVAS DAS AÇÕES EDUCATIVAS

A EDUCAÇÃO PATRIMONIAL ALÉM DA SALA DE AULA

Monique A. Damaso (madikka@yahoo.com.br)

RESUMO

Para se pensar em patrimônio é necessário a compreensão da sua


diversidade. Patrimônio nos remete a ideia do legado, da apropriação, de
pertencimento, algo que de alguma maneira nos é próximo.

Um dos mecanismos mais relevantes e importantes na esfera patrimonial


depois da proteção do acervo é a educação patrimonial. Além de trazer
conhecimento à determinado grupo através dela pode se criar laços afetivos e
identitários. Realizado assim o papel mais importante da educação patrimonial
que é criar um elo de ligação da população na defesa de seu acervo. Os
desafios da educação patrimonial são múltiplos. Vencer os entraves da
educação nas escolas que consiste na maioria das vezes na ausência de
material didático, professores pouco envolvidos com o tema, desinteresse dos
alunos, didáticas pouco convidativas.

Assim, contatamos a necessidade de estabelecer um processo lúdico, inovador


que tenha força e capacidade de despertar o interesse dos alunos que possa
transgredir as dificuldades resultando em conhecimento e trocas de
experiências no âmbito da educação patrimonial.

O texto abordará algumas experiências de projetos de educação patrimonial


desenvolvidos em algumas cidades de Minas através da captação do ICMS
Patrimônio Cultural.
Palavras-chave: educação patrimonial; escolas; patrimônio
RESUMO - 2 - OS DESAFIOS DA EDUCAÇÃO PATRIMONIAL: EIXO 6 –
EDUCAÇÃO PATRIMONIAL NA ESCOLA EIXO 7 – MUSEUS, ARQUIVOS E
EDUCAÇÃO PATRIMONIAL EIXO 8 – A CIDADE, LUGAR DA EDUCAÇÃO
PATRIMONIAL EIXO 9 – EDUCAÇÃO PATRIMONIAL E TRABALHO: OS
OFÍCIOS TRADICIONAIS EIXO 10 – COMUNIDADES: PARTICIPANTES
EFETIVAS DAS AÇÕES EDUCATIVAS

A PRAÇA COMO ESPAÇO DE COMPREENSÃO DA PAISAGEM CULTURAL


URBANA. ESTUDO DE CASO: FLORIANÓPOLIS, SÃO JOSÉ E LAGUNA /
SC.

Ana Alice Miranda Duarte (ana.duarte3@unisul.br)


Adriana Fabre Dias (diasarq@hotmail.com)

RESUMO

Este artigo é um estudo de caso, composto por considerações iniciais sobre as


relações urbanas submetidas nos últimos séculos nas cidades do litoral sul de
Santa Catarina: Florianópolis, São José e Laguna, através do estudo
morfológico do espaço público da praça e as transformações ocorridas na
paisagem cultural do entorno. O objetivo do artigo é abordar exemplos que nos
possibilita mostrar a relação entre as características morfológicas dos traçados
urbanos para as praças no sul do Brasil e as transformações morfológicas
contemporâneas, como forma de compreensão da transformação da paisagem
cultural urbana.

As primeiras povoações do litoral de Santa Catarina, ocorridas no século XVII,


foram resultado da preocupação dos portugueses em ocupar a Região Sul do
Brasil. Havia a necessidade de assegurar a continuidade do Império Português
até o Rio da Prata, já que se tornava mais acirrada a disputa com os
Espanhóis. São Francisco do Sul, Desterro, São José da Terra Firme e Laguna
foram os primeiros núcleos colonizados a ser fundados pelos então “Bandeiras
de Povoação” de São Vicente - São Paulo. Como verdadeiros testemunhos
vivos, a formação do tecido colonial urbano compreendendo a igreja, a praça e
alguns exemplares da arquitetura civil luso-brasileira, nos proporciona um
entendimento da concepção básica da implantação das primeiras cidades no
litoral do estado de Santa Catarina, da apropriação do território pelo homem e
da legislação colonial em vigor na época. As relações tão importantes no
passado, consolidadas na estruturação de um partido urbano constituído pela
praça, igreja e o mar tem se transformado pelas ações contemporâneas.

A metodologia abordada será:

1) Revisão bibliográfica a respeito do tema de patrimônio histórico, memória e


identidade. Revisão histórica e urbana das cidades pesquisadas.

2) Levantar a campo as relações urbanas atuais do espaço publico das praças.

3) Comparar as transformações ocorridas nos últimos séculos através de


imagens e desenhos esquemáticos.

4) Realizar uma tabela com os dados obtidos e gerar uma comparação entre as
transformações ocorridas entre as três cidades envolvidas.

A preservação e a revitalização do patrimônio devem ser vistos como parte de


uma luta, visando resguardar seus significados culturais, que testemunham o
modo de vida e as experiências onde se materializam as relações sociais, que
interagem no espaço da cidade funcionando como elemento de identidade. A
defesa do antigo, através da personificação da praça e a intensificação da
produção arquitetônica e urbana contemporânea são dois lados de uma
mesma moeda: são ações paralelas que devem coexistir e sobrepor-se com a
firme intenção de melhorar a qualidade do espaço urbano e conseqüentemente
da população envolvida. As ações de preservação e conservação deste legado
podem vir a ser um importante meio de desenvolvimento turístico para a região.

Palavras-chave: Praça, Cidade, Paisagem Cultural


RESUMO - 2 - OS DESAFIOS DA EDUCAÇÃO PATRIMONIAL: EIXO 6 –
EDUCAÇÃO PATRIMONIAL NA ESCOLA EIXO 7 – MUSEUS, ARQUIVOS E
EDUCAÇÃO PATRIMONIAL EIXO 8 – A CIDADE, LUGAR DA EDUCAÇÃO
PATRIMONIAL EIXO 9 – EDUCAÇÃO PATRIMONIAL E TRABALHO: OS
OFÍCIOS TRADICIONAIS EIXO 10 – COMUNIDADES: PARTICIPANTES
EFETIVAS DAS AÇÕES EDUCATIVAS

A PRESERVAÇÃO DO PATRIMÔNIO CULTURAL A PARTIR DA


LITERATURA INFANTOJUVENIL

Anna De Grammont (annagrammont@yahoo.com)

RESUMO

A preservação do Patrimônio Cultural continua sendo um desafio para os sítios


históricos. Em relação ao Patrimônio Edificado, mudanças na dinâmica de
desenvolvimento urbano, provocadas por diversos fatores, têm
descaracterizado os acervos arquitetônicos e suas paisagens urbanas. Os
instrumentos de preservação têm sido insuficientes para impedi-las ou não têm
conseguido ser efetivamente implementados.

Este artigo se propõe a tratar de um destes instrumentos de preservação: a


educação patrimonial. A proposta é trabalhar o tema através de um livro
infantojuvenil que possa ser utilizado em processos educativos formais e
informais de reconhecimento, valorização e preservação do Patrimônio Cultural
material (IPHAN, 2014).

A escassez e muitas vezes a ausência de instrumentos de apoio que trate


especificamente da preservação do patrimônio são um grande entrave para
iniciativas de educação patrimonial. Professores, pais e mesmo
administradores, interessados na preservação e no uso sustentável dos bens
históricos, têm dificuldade de encontrar material de informação e sensibilização
das comunidades onde estão inseridos.

A busca de formas de suprir uma parte desta demanda é o tema deste artigo,
relatando parte do desenvolvimento e do processo de elaboração de um livro
infantil e juvenil sobre características da arquitetura civil e da paisagem urbana
das cidades históricas como um instrumento de Preservação do Patrimônio
Cultural Edificado.

O problema colocado é a reflexão sobre como produzir um livro infantil e juvenil


sobre acervo arquitetônico do passado e a paisagem urbana nas cidades e
vilas coloniais que funcione como ferramenta pedagógica e tenha a
possibilidade/capacidade de despertar e sensibilizar crianças, jovens e suas
famílias sobre o assunto.

Para alcançar este intento, é preciso informar sobre o acervo arquitetônico e a


paisagem urbana nas cidades e vilas coloniais e as diretrizes para sua
manutenção e preservação. É necessário ainda provocar reflexões sobre os
câmbios progressivos a que as cidades históricas estão submetidas, sobre as
implicações positivas e negativas do desenvolvimento econômico e turístico
para a preservação e sobre os principais problemas que os sítios históricos
enfrentam, tais como a constante pressão de crescimento populacional, a falta
de planejamento urbano e seu desastroso impacto no tráfego e na manutenção
das áreas verdes.

Dentro deste entendimento, a elaboração do livro que este artigo pretende


relatar envolve questões relacionadas ao conteúdo do livro, em temas relativos
ao que já foi disposto, e a questões relativas à transmissão deste conteúdo, em
aspectos relacionados à pedagogia, à literatura infanto-juvenil, aos livros
ilustrados (como opção adotada) e ainda à construção dos personagens em
aspectos subjetivos que estão intrinsicamente relacionados à história brasileira.
Outro objetivo, e um desafio ainda maior, é encontrar formas literárias e lúdicas
de tratar estes temas.

Palavras-chave: Patrimônio Cultural, Educação Patrimonial, Literatura infanto-


juvenil, Arquitetura Civil Colonial.
RESUMO - 2 - OS DESAFIOS DA EDUCAÇÃO PATRIMONIAL: EIXO 6 –
EDUCAÇÃO PATRIMONIAL NA ESCOLA EIXO 7 – MUSEUS, ARQUIVOS E
EDUCAÇÃO PATRIMONIAL EIXO 8 – A CIDADE, LUGAR DA EDUCAÇÃO
PATRIMONIAL EIXO 9 – EDUCAÇÃO PATRIMONIAL E TRABALHO: OS
OFÍCIOS TRADICIONAIS EIXO 10 – COMUNIDADES: PARTICIPANTES
EFETIVAS DAS AÇÕES EDUCATIVAS

BRINQUEDOS BIOGRÁFICOS: MEMÓRIA DE PRÁTICAS LÚDICAS

Ana Célia Carneiro Oliveira (anaceliadesign@gmail.com)


Nadja Maria Mourão (nadja2m@gmail.com)
Marília De Fátima Dutra De Ávila Carvalho.
(mariliadefatimaavilacarvalho@gmail.com)

RESUMO

Este artigo apresenta uma análise crítica bibliográfica que teve como objetivo
contextualizar, em uma região de Minas Gerais, a pesquisa sobre os
brinquedos e jogos tradicionais que, passando de geração em geração, foram
assumindo versões particulares na produção artesanal. A finalidade é verificar
a presença e dessa forma registrar e preservar a memória de objetos lúdicos
que podem estar fadados à extinção. Defende-se a realização desta
investigação no campo do design afetivo e da memória de um povo, num
movimento de mapear, registrar e preservar objetos biográficos que, em sua
mistura de materialidade e socialidade, fazem parte da memória e da
identidade dos grupos de brincantes. Apesar de toda a construção
contemporânea em torno das novas tecnologias, constata-se que há práticas
lúdicas muito antigas e tradicionais que se mantêm vivas no patrimônio cultural,
deixando fortes alguns brinquedos na condição de mensageiros de uma
memória coletiva. Para Latour (2001), há uma simetria a ser explorada entre
sujeitos e objetos: os humanos criam objetos interferindo inteiramente sobre
eles, mas estes objetos também interferem nas formas de viver, de ser e estar
no mundo dos homens, pois a vida do ser humano não transcorre isoladamente
da ação que os objetos exercem sobre eles. Nesta primeira etapa do projeto,
para seguir o desenho deixado por estes objetos, foram realizadas
observações deste estudo no sentido de fundamentar a entrada no campo para
a verificação das práticas artesanais vigentes na região. Entende-se que essa
pesquisa de design afetivo, em torno dos brinquedos artesanais que ganharam
relevância afetiva através da história e se constituíram como indícios de
tradição que passa de geração em geração, pode trazer às crianças a
possibilidade de conhecer e atualizar, em suas práticas lúdicas, aquelas que
fazem parte da memória de seus grupos de pertença, de seus fazeres e
interações com materiais.

Palavras-chave: Brinquedos biográficos, memória de um povo, design afetivo,


pertencimento.
RESUMO - 2 - OS DESAFIOS DA EDUCAÇÃO PATRIMONIAL: EIXO 6 –
EDUCAÇÃO PATRIMONIAL NA ESCOLA EIXO 7 – MUSEUS, ARQUIVOS E
EDUCAÇÃO PATRIMONIAL EIXO 8 – A CIDADE, LUGAR DA EDUCAÇÃO
PATRIMONIAL EIXO 9 – EDUCAÇÃO PATRIMONIAL E TRABALHO: OS
OFÍCIOS TRADICIONAIS EIXO 10 – COMUNIDADES: PARTICIPANTES
EFETIVAS DAS AÇÕES EDUCATIVAS

CASARÃO DO BECO ALTO: UM ESBOÇO ARQUITETÔNICO

Francisco De Assis Pereira De Araújo (dassispb@hotmail.com)


Raiany Narla Soares Da Cruz Souza (raiany_narla@hotmail.com)

RESUMO

O artigo apresenta detalhes com descrições e análises sobre as características


arquitetônicas de um importante casarão edificado em terra crua, localizado no
centro histórico da cidade de Cuiabá-MT. Precisamente na área tombada a
nível federal pelo IPHAN, com frente para íngreme escadaria do Beco Alto que
empresta o nome ao popularmente conhecido Casarão do Beco Alto.

Exemplar significativo da estética arquitetônica, que se desenvolveu no Brasil


durante o Período Colonial, utilizando-se de técnicas construtivas próprias da
época e materiais da região. Não é possível afirmar a data da construção,
contudo sua tipologia indica o período correspondente ao século XVIII ou inicio
do XIX, evidenciado com base em mapas, ilustrações e fotografias históricas. O
imóvel foi propriedade de Antônio Pedro Alves de Barros era Capitão de mar e
guerra, sendo esta uma designação da alta patente de oficial superior na
Marinha Portuguesa e na Marinha do Brasil, sendo equivalente ao de coronel
no Exército e na Força Aérea. No local funcionou ainda uma pensão e escola
particular. Atualmente desocupado o imóvel passou por recentes obra de
estabilização estrutural executado pelo IPHAN. O casarão se apresenta com
um conjunto imponente e elegante, fortemente marcado pela predominância
dos cheios sobre os vazios, enquadrado no ano de 1800 na famosa sequência
de fachadas elaboradas pelo arquiteto e urbanista Lúcio Costa, com o intuído
de registrar uma evolução na arquitetura brasileira.
Este estudo oferece contribuições para a sociedade, em especial no campo da
educação patrimonial, porque é evidenciado as particularidades, tanto de
técnicas construtivas quanto da história de um casarão que guarda elementos
da tipologia colonial utilizado na arquitetura da cidade no período inicial da
formação urbana.

Palavras-chave: Patrimônio, Arquitetura, Memória.


RESUMO - 2 - OS DESAFIOS DA EDUCAÇÃO PATRIMONIAL: EIXO 6 –
EDUCAÇÃO PATRIMONIAL NA ESCOLA EIXO 7 – MUSEUS, ARQUIVOS E
EDUCAÇÃO PATRIMONIAL EIXO 8 – A CIDADE, LUGAR DA EDUCAÇÃO
PATRIMONIAL EIXO 9 – EDUCAÇÃO PATRIMONIAL E TRABALHO: OS
OFÍCIOS TRADICIONAIS EIXO 10 – COMUNIDADES: PARTICIPANTES
EFETIVAS DAS AÇÕES EDUCATIVAS

CEMITÉRIO DO BONFIM, ARTE, HISTÓRIA E EDUCAÇÃO PATRIMONIAL –


UMA AÇÃO EDUCATIVA EM CURSO

Marcelina Das Graças De Almeida (almeidamarcelina@gmai.com)

RESUMO

O Cemitério do Bonfim, situado na cidade de Belo Horizonte, capital mineira,


tem despertado cada vez o interesse para o seu potencial como espaço
educativo. A prática recorrente de ministrar aulas específicas utilizando o
espaço fúnebre tem transformado o lugar em um ambiente relevante para
realização de atividades de pesquisa que se concretizam em disciplinas
diversas que são ofertadas para os cursos de Design Gráfico, Design de
Produto, Design de Ambientes e Licenciatura em Artes Visuais da Universidade
do Estado de Minas Gerais e em decorrência dessa atividade, desde junho de
2012, através de uma ação extensionista realizada em parceria com Fundação
de Parques Municipais, FPM e o Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e
Artístico, IEPHA, visitas mensais ao cemitério, movidas pelo propósito em
instigar e despertar o interesse para o espaço bem como a promoção da
educação patrimonial. Estas atividades têm, a cada dia, incrementado, de
modo considerável a visibilidade naquilo que se refere à necrópole e
consequentemente tem possibilitado necessidade de ampliação do
conhecimento do acervo e história daquele lugar, resultando na abertura de
novos campos de pesquisa e investigação para os pesquisadores. Percebe-se
que a realização da visitas tem permitido a reabilitação do espaço cemiterial
resultando em experiências diversificadas que incentivam a preservação do
espaço, integrando áreas de conhecimento como história, artes visuais,
arquitetura, turismo, design dentre outras, além de sensibilizar o poder público
e privado para promoção de ações de zelo pelo patrimônio histórico e cultural
que nele se abriga.

Palavras-chave: Cemitério,história,arte,memória,educação patrimonial


RESUMO - 2 - OS DESAFIOS DA EDUCAÇÃO PATRIMONIAL: EIXO 6 –
EDUCAÇÃO PATRIMONIAL NA ESCOLA EIXO 7 – MUSEUS, ARQUIVOS E
EDUCAÇÃO PATRIMONIAL EIXO 8 – A CIDADE, LUGAR DA EDUCAÇÃO
PATRIMONIAL EIXO 9 – EDUCAÇÃO PATRIMONIAL E TRABALHO: OS
OFÍCIOS TRADICIONAIS EIXO 10 – COMUNIDADES: PARTICIPANTES
EFETIVAS DAS AÇÕES EDUCATIVAS

CENÁRIO HISTÓRICO ESQUECIDO: PRAÇA NEREU RAMOS,


CRICIÚMA/SC

Aline Eyng Savi (arquiteta.alinesavi@gmail.com)


Beatriz Rocha Dos Anjos (beatriz.dosanjos@hotmail.com)
Gabriela Mauricio (gabrielamauricio_@hotmail.com)

RESUMO

Todo lugar tem um começo e é através do patrimônio arquitetônico e urbano


que se percebe quando surgiu, quando sofreram alterações, a interferência dos
edifícios na paisagem e uma série de outros fatores que mostram a
continuação da cidade. Nesse cenário, os espaços públicos e entre eles, as
praças são parte do cenário vivo e muitos núcleos urbanos são construídos e
se desenvolvem ao redor delas. Nesses casos, além de centralizar a cidade,
sendo ponto de encontro e passagem, a praça faz parte da história e tem
caráter simbólico para seus moradores, sendo necessária a sua preservação.
Em sua origem, o local onde é situada a praça Nereu Ramos, em Criciúma, sul
de Santa Catarina, servia de ponto de parada para os tropeiros que ali
passavam. A estrada que cortava a vila de Criciúma, ligava os municípios de
Urussanga à Araranguá que eram núcleos coloniais importantes. Os
colonizadores que por ali percorriam obrigatoriamente passavam pela vila e
consequente pela praça, na época um terreiro e área de descanso e trocas.
Por volta de 1930, houve o ajardinamento, mas não a descaracterização de
seu entorno de moradias e comércio. Desde então, a praça passou por
diversas alterações. Uma das mais marcantes foi a retirada do chafariz e a
remoção da pavimentação em pedra portuguesa. Essa atitude gerou diversos
comentários contrários dos cidadãos e órgãos de classe como arquitetos, visto
que ambos faziam parte da identidade urbana do recorte. O entorno da praça
também se alterou ao longo dos anos, saíram as moradias mas manteve-se o
comércio. A arquitetura com referências ítalo-coloniais também deu espaço na
década de 1930 para o estilo art decó, considerado representante da
modernidade. Todavia atualmente, percebe-se a precariedade na manutenção
desses edifícios, que nem tombados são. Muitos deles estão “escondidos”
atrás das placas publicitárias, colaborando para o esquecimento da história do
local. Registra-se que o perímetro da praça forma um conjunto significativo de
dezessete edifícios, que pouco são vistos e reconhecidos, fruto da falta de
educação patrimonial e iniciativas para que o conjunto volte a dialogar com o
cenário urbano, não somente pelo uso mas principalmente pelo interesse
histórico e patrimonial. Para quem não conhece a história da praça, a mesma é
completamente despercebida como cenário urbano, arquitetônico e
paisagístico histórico. A transformação da praça desde sua inauguração até os
dias atuais é natural, pois os usuários vão se diversificando e a cidade
expandindo, contudo as propostas de intervenção urbana deveriam valorizar e
relacionar o patrimônio consolidado e promover diálogos com as novas
edificações, de modo que a ligação desses equipamentos ocorra através de
diferentes estratégias, entre elas os corredores culturais que estimulando às
relações sociais e intensificam as atividades criativas. Todos os esforços
possíveis devem ser feitos para preservar a cultura e a história do local.

Palavras-chave: Espaço Público, Memória, Educação Patrimonial


RESUMO - 2 - OS DESAFIOS DA EDUCAÇÃO PATRIMONIAL: EIXO 6 –
EDUCAÇÃO PATRIMONIAL NA ESCOLA EIXO 7 – MUSEUS, ARQUIVOS E
EDUCAÇÃO PATRIMONIAL EIXO 8 – A CIDADE, LUGAR DA EDUCAÇÃO
PATRIMONIAL EIXO 9 – EDUCAÇÃO PATRIMONIAL E TRABALHO: OS
OFÍCIOS TRADICIONAIS EIXO 10 – COMUNIDADES: PARTICIPANTES
EFETIVAS DAS AÇÕES EDUCATIVAS

CENTRO DE REFERENCIA DA MODA: UM OLHAR INTERDISCIPLINAR

Kelly Juliane Dutra (kellyjdutra@gmail.com)


Claudia Rocha Guidi (claudiarguidi@gmail.com)
Neuza Maria De Oliveira Dos Santos (neuzaoliveira@yahoo.com.br)

RESUMO

Esse trabalho tem por objetivo fazer um exercício de interdisciplinaridade. Na


formação da equipe as autoras, com suas experiências profissionais
multidisciplinares elegeram como objeto de pesquisa O Centro de Referencia
da Moda. O CRModa se tornará em dezembro de 2016 o primeiro Museu da
Moda do Brasil, esse fato foi um dos motivos que levou a escolha do objeto.
Localizado no centro de Belo Horizonte, o Museu da Moda tem por objetivo
fazer com a capital mineira tenha mais um equipamento turístico para contribuir
com o fomento da atividade. O conceito atual de museu de acordo com a Lei nº
11.904, de 14 de janeiro de 2009, é um local dinâmico e não somente de
exposição de objetos, o museu tem entre suas finalidades, educar, ser local de
pesquisa, ser acessível a vários públicos (BRASIL, 2009). Na visita feita ao
Centro ao de Referencia pode-se observar que o mesmo, já apresenta algumas
dessas características. A interdisciplinaridade é um fator evidente no Museu da
Moda, até pelo seu caráter museológico, além de ser fator relevante e que
precisa ser levado em consideração nas atividades de Educação para o
Patrimônio Cultural. A proposta de fazer um exercício de interdisciplinaridade
passa nesse ensaio pelo olhar de uma arquiteta, uma pedagoga com
experiência em moda e por uma turismóloga, com o primeiro objetivo de
observar como o olhar de cada uma é lançado sobre o espaço e de como é
importante a multiplicidade dessas percepções para a construção do objeto
Museu da Moda. Usada uma metodologia simples baseada em um primeiro
dialogo seguida da visita ao museu, e finalizada com descrição do que foi
percebido por cada uma. Foi feito também um embasamento teórico que
auxiliou na condução do trabalho.Pôde-se analisar ao final do trabalho como
cada uma das envolvidas enxerga os espaços do Museu da Moda e como
enxergam as contribuições das suas áreas de atuação na melhoria dos
espaços físicos e de suas utilizações.

Palavras-chave: Interdisciplinaridade, Turismo, Moda, Arquitetura, Patrimônio


Cultural
RESUMO - 2 - OS DESAFIOS DA EDUCAÇÃO PATRIMONIAL: EIXO 6 –
EDUCAÇÃO PATRIMONIAL NA ESCOLA EIXO 7 – MUSEUS, ARQUIVOS E
EDUCAÇÃO PATRIMONIAL EIXO 8 – A CIDADE, LUGAR DA EDUCAÇÃO
PATRIMONIAL EIXO 9 – EDUCAÇÃO PATRIMONIAL E TRABALHO: OS
OFÍCIOS TRADICIONAIS EIXO 10 – COMUNIDADES: PARTICIPANTES
EFETIVAS DAS AÇÕES EDUCATIVAS

EDIFICIO ANEXO AO CASARÃO TOMBADO DO MUSEU DA IMAGEM E


SOM DE BH

Igor Cavalcanti Brant (igorcavalcantibrant@yahoo.com.br)

RESUMO

Em 1995, gestores públicos criam o Centro de Referência Audiovisual - CRAV.


Nos seus vinte e dois anos, a instituição vem desenvolvendo um papel
importante na preservação e disponibilização de acervos fílmicos. Como
também no incentivo à produção audiovisual e cinematográfica no Município de
Belo Horizonte. O CRAV ocupa, desde 2008, um casarão tombado no Hiper-
centro, área de maior destaque e extremo valor arquitetônico, histórico e
cultural da cidade e do Estado de Minas Gerais. Estão inseridos num raio de
aproximadamente 5 km bibliotecas, museus, galerias de arte, teatros, cinemas,
auditórios, parques e praças (como o complexo cultural da Praça da
Liberdade), igrejas, templos e inúmeros outros locais e edificações que
agregam cultura, historia para o local. E atrai profissionais de distintos ramos e
eventos de diversas finalidades para a cidade. Será construído, posteriormente
(conforme o plano museológico original para a posse do referido casarão) um
prédio anexo no terreno dos fundos, que possui mais que o dobro da área do
imóvel tombado. O edifício possui sistemas construtivos, funcionais e estéticos
próprios e particulares, com o objetivo de interferir o mínimo no casarão. Tanto
na inserção e na paisagem urbana em relação ao imóvel tombado, durante a
construção do anexo, como também no período pós ocupação do
empreendimento. A execução do prédio impactará de forma significativa a
paisagem urbana do entorno imediato, da região central da cidade, bem como
de toda a capital mineira. E irá atrair importantes recursos culturais,
educacionais, históricos, arquitetônicos – materiais e imateriais, e também
financeiros. Destacando ainda mais a capital mineira na área de turismo de
negócios, eventos nacionais e internacionais, cinematográficos, como também
em referência arquitetônica e cultural mundial. O trabalho foi apresentado em
diversos fóruns, seminários, congressos, colóquios, mostras, participando
ainda de prêmios e concursos a nível internacional. Apresentar-se-á no “IX
Mestres e Conselheiros”, em Belo Horizonte, Minas Gerais, o projeto
arquitetônico do prédio anexo. E também o Plano Diretor e o Planejamento
Estratégico, visando às próximas décadas de atuação e funcionamento do
Museu da Imagem e Som - MIS/BH - de Belo Horizonte.

Palavras-chave: ANEXO, MIS BH


RESUMO - 2 - OS DESAFIOS DA EDUCAÇÃO PATRIMONIAL: EIXO 6 –
EDUCAÇÃO PATRIMONIAL NA ESCOLA EIXO 7 – MUSEUS, ARQUIVOS E
EDUCAÇÃO PATRIMONIAL EIXO 8 – A CIDADE, LUGAR DA EDUCAÇÃO
PATRIMONIAL EIXO 9 – EDUCAÇÃO PATRIMONIAL E TRABALHO: OS
OFÍCIOS TRADICIONAIS EIXO 10 – COMUNIDADES: PARTICIPANTES
EFETIVAS DAS AÇÕES EDUCATIVAS

EDUCAÇÃO PATRIMONIAL ATRAVÉS DA EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA NA


ENGENHARIA CIVIL: UM ESTUDO DE CASO EM CURVELO/MG.

Matheus Henrique (matheus7l12@gmail.com)


Ana Cecília Estevão (anacestevao@yahoo.com.br)
Daiane Mendes (daianemendesmendes@gmail.com)
Sergio Henrique Corgozinho Ribeiro Araújo (serginhoh12@hotmail.com)

RESUMO

De acordo com o Conselho Federal de Engenharia e Agronomia, são


atribuições do profissional de engenharia civil, dentre outras, o estudo, a
consultoria, a orientação técnica e o ensino, e o engenheiro utiliza estas
competências, em síntese, para encontrar soluções de problemas complexos
em temas afins. Entretanto, para tal, não se requer do profissional apenas
habilidades analíticas, mas também sensibilidade para observação das
pessoas e questões múltiplas da sociedade, além de conservar uma visão
vasta e conjunta de um assunto, integrar as preocupações heterogêneas, saber
explicar e convencer tornando-se, então, gestor e técnico. O conhecimento
adquirido pelos profissionais da engenharia deve não ser apenas direcionado
para a solução dos problemas propostos, mas sim para a população, como
função social para o desenvolvimento social e melhoria de condição de vida.
Desta forma, a sociedade precisa de maior envolvimento do engenheiro e da
universidade em assuntos comunitários, com respeito às individualidades de
cada comunidade. Educação patrimonial é constituída de processos educativos
que possuem como foco o patrimônio cultural como recurso para compreensão
social e histórica, e que contribui para o reconhecimento, valorização e
preservação do bem cultural. Assim, o profissional da engenharia, ao lançar
mão da sua atribuição de ensino, torna-se um agente cultural e social, e pode,
através de seus conhecimentos, promover a educação patrimonial. Dentre os
estudantes, tal papel pode ser realizado por meio da extensão universitária.
Desta forma, este trabalho apresenta o relato de uma experiência de extensão
universitária na graduação em Engenharia Civil do CEFET-MG Campus
Curvelo como ferramenta para a educação patrimonial. Através de visitas
técnicas orientadas, o ProTour objetiva desenvolver no futuro profissional da
engenharia civil o entendimento da cidade e seu valor histórico e cultural,
relacionado à apropriação efetiva dos espaços pela comunidade. Busca-se
ainda estabelecer a cidade como território vivo nos processos educativos e que
esta ação seja continuada nas práticas de ensino. Através do debate de
diversos conceitos ligados à construção civil, é possível compreender diversos
âmbitos da evolução da população. Assim, por meio desse entendimento,
pretende-se ofertar aulas de reforço escolar nas áreas de história e literatura
para alunos dos anos finais do ensino fundamental e médio, com vistas a
prepara-los para processos seletivos em destaque os processos para ingresso
nos cursos técnicos ofertados no CEFET-MG. Para maior vínculo com a
sociedade, pretende-se realizar também uma mostra aberta à comunidade, em
uma edificação de destaque cultural e patrimonial no município, com os
materiais resultantes das visitas já realizadas. Desta forma, espera-se que as
ações de Educação Patrimonial atraiam o interesse da população para que
esta possa se envolver e reconhecer sua identidade perante os bens culturais
do município de Curvelo/MG.

Palavras-chave: Educação Patrimonial, Engenharia Civil, ProTour.


RESUMO - 2 - OS DESAFIOS DA EDUCAÇÃO PATRIMONIAL: EIXO 6 –
EDUCAÇÃO PATRIMONIAL NA ESCOLA EIXO 7 – MUSEUS, ARQUIVOS E
EDUCAÇÃO PATRIMONIAL EIXO 8 – A CIDADE, LUGAR DA EDUCAÇÃO
PATRIMONIAL EIXO 9 – EDUCAÇÃO PATRIMONIAL E TRABALHO: OS
OFÍCIOS TRADICIONAIS EIXO 10 – COMUNIDADES: PARTICIPANTES
EFETIVAS DAS AÇÕES EDUCATIVAS

EDUCAÇÃO PATRIMONIAL E EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA: O CASO DA


ELABORAÇÃO DO DOSSIÊ DE TOMBAMENTO DO BAIRRO SANTA
TEREZA EM BELO HORIZONTE.

Bernardo Nogueira Capute (bcapute@gmail.com)


Sandra Lemos Coelho Bontempo (sandra.bontempo@izabelahendrix.edu.br)
Félix Aragão (felixaragaoneto@gmail.com)
Lucas Inácio Reis (lucasinacioreis@gmail.com)

RESUMO

Este projeto de extensão busca, através de um levantamento de dados,


elaborar dossiês específicos dos bens culturais indicados pelo “Dossiê do
Conjunto Urbano Bairro Santa Tereza”. Os objetivos específicos são
promover, estimular e difundir ações junto à população comprometidas
com a qualidade de vida; conhecer o patrimônio material e colaborar na
proteção do Bairro Santa Tereza; elaborar um levantamento de dados dos
imóveis; colaborar para elaboração dos dossiês desses imóveis a fim de
subsidiar a proposta de tombamento dos imóveis junto ao Conselho
Deliberativo do Patrimônio Cultural do Município de Belo Horizonte. Em seu
Projeto Pedagógico, o Curso de Arquitetura e Urbanismo do Centro
Universitário Metodista Izabela Hendrix contem disciplinas envolvidas com os
conceitos fundamentais relacionados ao patrimônio histórico cultural
arquitetônico e urbanístico: preservação, proteção, conservação, restauração,
adaptação, revitalização, reconstrução, reciclagem, conjunto urbano e bem
tombado, inventário urbano em áreas de interesse de preservação, elaboração
de levantamento, diagnóstico, definição de critérios e diretrizes de intervenção.
O Bairro Santa Tereza nasceu como um dos primeiros bairros residenciais para
os operários que trabalharam na construção da Nova Capital - Belo Horizonte.
Posteriormente, vieram os outros moradores atraídos pela possibilidade de
morar próximo ao centro da cidade em lotes de grandes proporções. O bairro
testemunhou o início da capital e ainda preserva uma parte da história da
cidade e o modo de habitar da sociedade, conferindo ao bairro um ambiente
interiorano. Além de sua importância histórica e sociocultural, trata-se de um
bairro que ainda confere qualidade de vida urbana aos habitantes. Esta
qualidade está diretamente ligada à preservação da ambiência urbana. Nos
últimos anos, entretanto, esse panorama tem-se modificado, principalmente em
função da especulação imobiliária. Nesse sentido, a pedido dos próprios
moradores do bairro, através da “Associação dos Moradores do Bairro Santa
Tereza”, bem como do movimento “Salve Santa Tereza” o Conselho
Deliberativo do Patrimônio Cultural do Município de Belo Horizonte elaborou
um “Dossiê de tombamento do Bairro Santa Tereza” a fim de proteger o
patrimônio material e imaterial desse rico bairro da cidade. Esse foi o primeiro
passo, mas para que realmente esse instrumento seja eficaz, torna-se
necessário a realização dos dossiês dos bens culturais específicos, ou seja,
dos 293 imóveis indicados para o tombamento. A metodologia empregada
conta com visitas no bairro Santa Tereza; entrevista com o proprietário para
conhecimento do histórico do bem cultural; levantamento fotográfico de
fachadas e interior; coleta de dados complementares nos arquivos
competentes; sistematização dos documentos relativos às edificações com
interesse de proteção, listadas no perímetro de tombamento do Bairro de Santa
Tereza; e elaboração de dossiê dos bens culturais.

Palavras-chave: Patrimônio Cultural, Comunidade, Bairro Santa Tereza,


Dossiê, Tombamento.
RESUMO - 2 - OS DESAFIOS DA EDUCAÇÃO PATRIMONIAL: EIXO 6 –
EDUCAÇÃO PATRIMONIAL NA ESCOLA EIXO 7 – MUSEUS, ARQUIVOS E
EDUCAÇÃO PATRIMONIAL EIXO 8 – A CIDADE, LUGAR DA EDUCAÇÃO
PATRIMONIAL EIXO 9 – EDUCAÇÃO PATRIMONIAL E TRABALHO: OS
OFÍCIOS TRADICIONAIS EIXO 10 – COMUNIDADES: PARTICIPANTES
EFETIVAS DAS AÇÕES EDUCATIVAS

EDUCAÇÃO PATRIMONIAL, O OLHAR DO OUTRO COMO PERSPECTIVA


FUNDAMENTAL NA CONSTRUÇÃO DE SABERES

Samuel José Santiago (samueljsantiago@hotmail.com)


Flavia Lemos Mota De Azevedo (flavia.azevedo@uemg.br)
José Heleno Ferreira (zeheleno.ferreira@gmail.com)

RESUMO

Este trabalho relata a experiência que o Centro de Memória Prof. Batistina


Corgozinho (CEMUD) da UEMG – Divinópolis vem adquirindo em suas oficias
de Ed. Patrimonial. O reconhecimento e valorização do patrimônio cultural na
construção de cidadãos conscientes de suas referências e potencialidades
culturais se faz necessário quando pensamos na salvaguarda e perpetuação
do patrimônio. Quando a escola, o museu ou um centro de memória entende a
necessidade de construir políticas de salvaguarda do patrimônio, as oficinas
são uma excelente ferramenta que fomenta uma consciência da importância de
tal reconhecimento. Levar cada indivíduo a refletir o patrimônio e se entender
como parte dele é o principal papel que a oficina desempenha. Não é tarefa em
sua execução impor ou ditar um ou outro patrimônio, as oficinas são propostas
justamente num caminho contrário, que valoriza o saber do outro e constrói
junto com o outro as dimensões que precisam ser resguardadas no
reconhecimento do patrimônio cultural. As atividades são pensadas com o
propósito de mostrar a esse indivíduo que no cotidiano de sua comunidade, de
sua escola, de sua cidade e região ocorrem a todo momento manifestações
culturais que representam a história e memória das pessoas. As oficinas
aconteceram entre maio e novembro de 2015, e maio a novembro de 2016,
atingindo um número total de 1.716 alunos da Educação Básica e do Ensino
Superior e nos possibilitou na prática educativa mecanismos de salvaguarda
patrimonial. Ministrar oficinas de Ed. Patrimonial é um caminho de fazer com
que a cultura – em seu sentido mais abrangente e relativista – chegue ao
máximo de pessoas possíveis. A educação patrimonial vem alertar-nos para a
cultura que não precisa ser “encontrada”, e sim que já se faz presente. Dessa
forma, a conscientização da própria identidade se torna aparato essencial para
a apreensão de conceitos, e é esse tipo de ação que tentamos trazer à tona em
nossas atividades. O sujeito que participa de uma oficina como esta, tem seus
olhos voltados para as subjetividades que o mundo nos apresenta, e numa
relação antropofágica, ele consome o que é produzido por outros seres
humanos e se entendem como produtores de cultura que será também
reapropriada em sua vivência particular. Esse sentimento de identidade, aliado
à educação enquanto mediação é fundamento imprescindível para a
perpetuação desse saber que se desdobra em atitudes de preservação e
valorização dos patrimônios culturais. Por fim, entendemos na realização
dessas oficinas uma direção irreversível para a perpetuação do patrimônio
cultural, onde é possível possibilitar caminhos de compreensão da cultura, e
consequentemente gerar uma consciência muito mais completa sobre ser e
estar em um ambiente cultural.

Palavras-chave: Patrimônio Cultural, Educação Patrimonial, Cultura,


Patrimônio
RESUMO - 2 - OS DESAFIOS DA EDUCAÇÃO PATRIMONIAL: EIXO 6 –
EDUCAÇÃO PATRIMONIAL NA ESCOLA EIXO 7 – MUSEUS, ARQUIVOS E
EDUCAÇÃO PATRIMONIAL EIXO 8 – A CIDADE, LUGAR DA EDUCAÇÃO
PATRIMONIAL EIXO 9 – EDUCAÇÃO PATRIMONIAL E TRABALHO: OS
OFÍCIOS TRADICIONAIS EIXO 10 – COMUNIDADES: PARTICIPANTES
EFETIVAS DAS AÇÕES EDUCATIVAS

EDUCAÇÃO PATRIMONIAL: UM CAMINHO PARA O INÍCIO DA


FORMAÇÃO EM PRESERVAÇÃO PATRIMONIAL. PROGRAMA APLICADO
A JOVENS SECUNDARISTAS

Marcia Valeria De Souza (mvalleriana@gmail.com)

RESUMO

Esse artigo tem por finalidade apresentar o projeto de Educação Patrimonial e


os resultados alcançados nos últimos 06 anos. Essa atividade é uma ação de
Extensão da Universidade proposta pelo Laboratório, contribuindo para uma
efetiva participação da instituição na sociedade, pois a extensão é definida no
Plano Nacional de Extensão como: “processo educativo, cultural e científico
que articula o Ensino e a Pesquisa de forma indissociável e viabiliza a relação
transformadora entre universidade e sociedade”, e tem como um dos seus
objetivos desenvolver atividades voltadas para o desenvolvimento, produção e
preservação cultural e artística como relevantes para a afirmação do caráter
nacional e de suas manifestações regionais.

O Projeto de Educação Patrimonial tem como uma de suas premissas buscar a


maior integração entre os alunos de nível médio e o patrimônio preservado no
Museu Nacional. A proposta inédita, não só no sentido de estabelecer uma
parceria com uma escola de nível médio, mas principalmente por possibilitar
aos estudantes o contato com um acervo de valor inestimável, convivendo na
prática com as temáticas relativas ao patrimônio, aplicabilidade e as discussões
que permeam à sua continuidade, sua segurança e os pressupostos que
envolvem os bens culturais. Nesse sentido, a Educação Patrimonial se constitui
uma forte ferramenta para a preservação e gestao do patrimônio cultural em
nosso país, e de modo concreto, forma e capacita alunos-cidadãos mais
conscientes, principalmente em relação ao acervo cultural brasileiro e eles
passam a ser multiplicadores dessa ideia.

Palavras-chave: Educação Patrimonial, Formação, Conservação-Restauração,


Preservação Patrimonial, Ensino Médio
RESUMO - 2 - OS DESAFIOS DA EDUCAÇÃO PATRIMONIAL: EIXO 6 –
EDUCAÇÃO PATRIMONIAL NA ESCOLA EIXO 7 – MUSEUS, ARQUIVOS E
EDUCAÇÃO PATRIMONIAL EIXO 8 – A CIDADE, LUGAR DA EDUCAÇÃO
PATRIMONIAL EIXO 9 – EDUCAÇÃO PATRIMONIAL E TRABALHO: OS
OFÍCIOS TRADICIONAIS EIXO 10 – COMUNIDADES: PARTICIPANTES
EFETIVAS DAS AÇÕES EDUCATIVAS

EDUCAR DESEDUCANDO: 10 ANOS DE IMPLANTAÇÃO DA UFS NOS


ANTIGOS TRAPICHES DE LARANJEIRAS/SE.

Eder Donizeti Da Silva (eder@infonet.com.br)


Adriana Dantas Nogueira (adnogueira@gmail.com)
Rosane Greziele Leite Dos Santos (greiceleite2006@hotmail.com)

RESUMO

No ano de 2004 o programa de recuperação sustentável do Patrimônio


histórico urbano brasileiro, denominado de “MONUMENTA”, sob tutela federal
resultante de contrato de empréstimo entre o BID e a República, conforme lista
de prioridades de conservação elaborada pela Comissão Especial do Ministério
da Cultura em outubro de 2000, classificou e elegeu o Município de Laranjeiras,
no interior do Estado de Sergipe, apto ao desenvolvimento de ações
preservacionistas.

Dentre o conjunto de ações propostos pontuou-se a possibilidade de


implantação de um Campus da Universidade Federal de Sergipe utilizando-se
do conceito de requalificação/reabilitação de antigas edificações históricas;
entre estas edificações, o conjunto que mais chamava a atenção foram os
sobrados comerciais construídos no século XIX e XX denominados de
“Quarteirão dos Trapiches” (Armazéns/Depósitos de açúcar).

Apesar do Campus de Laranjeiras ter iniciado suas atividades de forma


provisória no Centro de Atenção Integral a Criança – CAIC, em março de 2007
com cinco cursos: Arquitetura e Urbanismo (curso integral); Arqueologia;
Museologia (cursos diurnos – matutino); Teatro e Dança (cursos noturnos),
efetivamente a implantação do Campus de Laranjeiras da UFS no Quarteirão
dos Trapiches se dá a partir da inauguração da Biblioteca no ano de 2008 (na
edificação conhecida por Teatro Santo Antônio) e em 2009 nas edificações
chamadas pelo senso comum da população local de Trapiches.

No decorrer destes dez anos fatos dos mais variados ocorreram destacando-
se: a falta da construção de um relacionamento de pertença entre o Campus e
os moradores da cidade ao ponto da grande maioria dos alunos que se
matricularam nos cinco cursos que fizeram parte da proposta acadêmica inicial
serem oriundos da capital e de outras cidades do Estado; processos de
violência contra os estudantes que atingiram seu auge em meados de 2014
que resultaram na suspensão temporária das aulas e na posterior transferência
das atividades dos cursos de Dança e Teatro para a sede da UFS em São
Cristóvão; falta de conservação e restauro técnico científico das edificações
históricas ao ponto do desabamento de um dos arcos das ruinas das
edificações em 2017 e da interdição do sobrado número 117 a
aproximadamente 4 anos.

Frente a comemoração dos dez anos do Campus na cidade, ocorrida no mês


de março deste ano de 2017, cabem inúmeras reflexões sobre o conceito de
educação patrimonial que permutou a implantação/existência da UFS nos
antigos trapiches de Laranjeiras; portanto, esta comunicação pretende analisar
a trajetória histórica a partir de fatores positivos e negativos que demonstrem a
verdadeira representação patrimonial simbólico/material/funcional do Campus
das “Artes”; entender e compreender a atitude cientifica patrimonial de
pertencimento frente a produção acadêmica de trabalhos de conclusão de
curso realizados neste interstício; bem como, registrar e analisar as condições
de conservação e restauro das edificações “reabilitadas”.

Palavras-chave: Patrimônio; Arquitetura; Identidade; Pertencimento.


RESUMO - 2 - OS DESAFIOS DA EDUCAÇÃO PATRIMONIAL: EIXO 6 –
EDUCAÇÃO PATRIMONIAL NA ESCOLA EIXO 7 – MUSEUS, ARQUIVOS E
EDUCAÇÃO PATRIMONIAL EIXO 8 – A CIDADE, LUGAR DA EDUCAÇÃO
PATRIMONIAL EIXO 9 – EDUCAÇÃO PATRIMONIAL E TRABALHO: OS
OFÍCIOS TRADICIONAIS EIXO 10 – COMUNIDADES: PARTICIPANTES
EFETIVAS DAS AÇÕES EDUCATIVAS

FAVELA, LUGAR DE EDUCAÇÃO PARA O PATRIMÔNIO CULTURAL

Evandro Carvalho (evandrolcarvalho@gmail.com)


Sergio Linhares Miguel De Souza (sergiolinharesmiguel@gmail.com)

RESUMO

Este artigo parte de uma experiência realizada na favela da Rocinha no âmbito


do Programa de Educação para o Patrimônio Cultural, realizado pelo Inepac –
Instituto Estadual do Patrimônio Cultural e da Secretaria de Estado de Cultura
do Rio de Janeiro.

A favela da Rocinha, formada em meados dos anos 1950, é um espaço que


abriga uma população estimada em, aproximadamente, 100 mil pessoas.
Imigrantes nordestinos, operários trabalhadores das obras de abertura dos
túneis Dois Irmãos e Rebouças e descendentes dos antigos imigrantes
portugueses e espanhóis da década de 1930, compõem um mosaico cultural
estabelecido no território, ampliado por novos moradores vindos de todo o
Brasil. Ao realizar o curso “Patrimônio Cultural - Memória nas Favelas”, os
técnicos do Inepac, juntamente com os agentes culturais estabelecidos na
comunidade, puderam constatar a grande carência de espaços de reflexão
sobre memória e patrimônio na comunidade. Ao mesmo tempo, ficaram
evidenciados os inúmeros lugares de memória que são referência para a
população local. Este “vazio memorial” ensejou a presente reflexão sobre os
bens oficialmente reconhecidos como patrimônio pelos órgãos de tutela, que
não contemplam a comunidade, e a percepção da população sobre seus
espaços de referência histórica e memorial.
A problematização da dicotomia entre a monumentalidade e excepcionalidade
do patrimônio, e a importância das narrativas das comunidades locais que
operam suas memórias a partir de objetos, lugares, celebrações e hábitos
calcados na cotidianidade foi objeto de reflexão e fundamentaram as ações de
educação para o patrimônio cultural do Inepac.

Deslocando o eixo de discussão dos órgãos técnicos para a comunidade,


percebeu-se a importância da população local como principal ator na formação
da consciência sobre a preservação do patrimônio cultural. A partir da
afirmação de seu próprio território como lugar de memória reconhecido e
valorizado, percebe-se que a educação para o patrimônio cultural não pode
prescindir de uma escuta atenta e participante da comunidade envolvida.

Palavras-chave: Patrimônio, Educação, Favela, Lugar de Memória


RESUMO - 2 - OS DESAFIOS DA EDUCAÇÃO PATRIMONIAL: EIXO 6 –
EDUCAÇÃO PATRIMONIAL NA ESCOLA EIXO 7 – MUSEUS, ARQUIVOS E
EDUCAÇÃO PATRIMONIAL EIXO 8 – A CIDADE, LUGAR DA EDUCAÇÃO
PATRIMONIAL EIXO 9 – EDUCAÇÃO PATRIMONIAL E TRABALHO: OS
OFÍCIOS TRADICIONAIS EIXO 10 – COMUNIDADES: PARTICIPANTES
EFETIVAS DAS AÇÕES EDUCATIVAS

FEIRA DO PATRIMÔNIO – O LUGAR DA COLABORAÇÃO E DA PARTILHA

Aurea Da Paz Pinheiro (aureapazpinheiro@gmail.com)

RESUMO

Tratam-se neste documento de apresentar o Projeto da Feira do Patrimônio


2017 (2ª edição), uma iniciativa do Programa de Pós-graduação em Artes,
Patrimônio e Museologia, Mestrado Profissional, da Universidade Federal do
Piauí´, Parnaíba. Ao longo da Feira, foram realizadas ações educativas,
culturais e sociais, com objetivos de sensibilização da comunidade residente,
de agentes públicos e privados do Meio Norte do Brasil, nomeadamente da
cidade de Parnaíba e entorno, como o fito de preservar e salvaguardar a rica e
complexa paisagem cultural da cidade e do delta do Parnaíba, imersa em uma
Área de Proteção Ambiental. Os Patrimônios (cultural e natural), as Artes e os
Museus atravessaram os diálogos e discussões ao longo das diversas
atividades decorridas de 17 a 20 de maio. A Feira do Patrimônio é uma
proposta única no Piauí´ e no Brasil, e foi realizada no Centro Histórico da
Cidade de Parnaíba, que tem o seu Conjunto Histórico e Paisagístico Tombado
pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, Iphan, desde 2008. A
Feira do Patrimônio teve o apoio em sua realização do Serviço Social do
Comércio – SESC, Regional do Piauí. Desde a 1ª Edição, em 2015, foi possível
integrar empresas, escritórios de arquitetura/design, operadores turísticos,
projetos de base territorial, empresas de conservação e restauro e de
reabilitação urbana, universidades e centros de formação especializada,
artistas, artesãos, dentre outros. A Feira do Patrimônio destina-se ao público
em geral e a todos os que se interessam pelas matérias relacionadas aos
patrimônios, museus, turismo, empreendedorismos e outros negócios. Trata-se
de uma Feira Livre, um espaço de sociabilidade que tem revelado a paisagem
cultural da cidade de Parnaíba e das comunidades ribeirinhas, praieiras e Delta
do Parnaíba, o único a desaguar em mar aberto das Américas entre os Estados
do Piauí´ e do Maranhão.

Em 2016, a 1ª edição da Feira do Patrimônio, contou com um público estimado


de mais de 3.000 pessoas na Universidade Federal do Piauí; em 2017, a 2ª
edição, no Centro Histórico de Parnaíba, teve um público estimado de mais de
5.000 pessoas, o que nos permite afirmar que o evento é capaz de estabelecer
conexões entre a Universidade, as Comunidades e Agentes Públicos e
Privados, de forma a permitir o conhecimento e reconhecimento da paisagem
cultural, formar públicos capazes de se sensibilizarem para conhecer,
reconhecer, divulgar e salvaguardar; atribuir sentidos e significados à
diversidade cultural e paisagística do território. Em 2017, a Feira do Patrimônio
ampliou suas atividades de educação e ação cultural, de natureza patrimonial e
ambiental, forma realizadas exposições, comércio justo de produtos artesanais
(renda de bilro e trançados em palha), apresentação de projetos dos jovens
mestres em patrimônio e museologia, conversas de palco (na rua, aberta a
todos os transeuntes), intervenções artísticas de grupos locais, a exemplo
capoeira e bumba-meu-boi etc.

Palavras-chave: Patrimônio Cultural, Educação, Ação Cultural,


Empreendedorismo, Sustentabilidade.
RESUMO - 2 - OS DESAFIOS DA EDUCAÇÃO PATRIMONIAL: EIXO 6 –
EDUCAÇÃO PATRIMONIAL NA ESCOLA EIXO 7 – MUSEUS, ARQUIVOS E
EDUCAÇÃO PATRIMONIAL EIXO 8 – A CIDADE, LUGAR DA EDUCAÇÃO
PATRIMONIAL EIXO 9 – EDUCAÇÃO PATRIMONIAL E TRABALHO: OS
OFÍCIOS TRADICIONAIS EIXO 10 – COMUNIDADES: PARTICIPANTES
EFETIVAS DAS AÇÕES EDUCATIVAS

IATE CLUB DE COLATINA/ES: MEMÓRIA E PATRIMÔNIO HISTÓRICO,


CULTURAL E ARQUITETÔNICO.

Douglas Gomes Silva (arqui_douglas@hotmail.com)

RESUMO

Objetiva-se nesse artigo destacar a necessidade da conservação e


preservação de uma edificação modernista na cidade de Colatina, no estado
do Espírito Santo, o Iate Clube, erguido na década de 50 do século XX. A sua
construção foi possibilitada pela doação do terreno pela administração pública
a um grupo de empresários locais, a edificação do Iate visava à criação de um
espaço voltado ao lazer da sociedade colatinense. Localizado no centro de
Colatina, o Iate foi cenário de diversos eventos e atrações ao longo de quase
cinco décadas, e, historicamente, é lembrado por moradores como uma das
principais opções de lazer da cidade. De caractér modernista, tem o invólucro
com uma casca de concreto, sem vigas ou colunas aparentes, permitindo a
observação de traços arquitetônicos ousados e vanguardistas à época.
Contudo, em outubro do ano de 2010, parte da obra foi, clandestinamente,
demolida. A derrubada parcial do Iate ocorreu durante o período noturno, para
atender apenas os interesses econômicos do capital privado, desconsiderando,
dessa forma, os valores histórico, social e cultural do bem edificado. Os
moradores locais, que se opuseram à destruição da edificação, denunciaram a
demolição ao poder público, que embargou o ato. Atualmente, cerca de 70% da
estrutura do Iate se apresenta em grau razoável de conservação, levand o-se
em conta a ausência total de manutenção desde sua demolição. Por isso,
podem ser observados danos estruturais e estéticos na edificação. Ainda em
virtude do abandono, este objeto histórico constitui, hoje, ruínas que abrigam
pontos de uso de drogas e ocupação transitória de moradores de rua. Os
problemas relacionados com a edificação conseguem ficar disfarçados, em
função dos poucos estudos na área, onde a falta de informação torna o
trabalho mais árduo, é que a medida que há poucos elementos que manifestam
ou denunciam o descaso com o patrimônio, o que reforça a importância da
criação de um banco de informações patrimoniais no município e que se a ação
de preservação da edificação não for realizada em tempo hábil, isso pode
ocasionar a perda de uma parte da história da cidade. Entretanto, muitas
coisas podem ser feitas para reverter essa situação, e uma delas seria uma
maior conscientização da sociedade em geral e a concretização de políticas
públicas para a valorização do patrimônio arquitetônico, urbanístico e
paisagístico. Uma possível requalificação da edificação proporcionaria à
população da cidade de Colatina a reutilização deste patrimônio, objeto de
lazer, cultura e socialização do município, ratificando a relevância da
manutenção de elementos que compõem a identidade local.

Palavras-chave: arquitetura moderna, patrimônio, preservação.


RESUMO - 2 - OS DESAFIOS DA EDUCAÇÃO PATRIMONIAL: EIXO 6 –
EDUCAÇÃO PATRIMONIAL NA ESCOLA EIXO 7 – MUSEUS, ARQUIVOS E
EDUCAÇÃO PATRIMONIAL EIXO 8 – A CIDADE, LUGAR DA EDUCAÇÃO
PATRIMONIAL EIXO 9 – EDUCAÇÃO PATRIMONIAL E TRABALHO: OS
OFÍCIOS TRADICIONAIS EIXO 10 – COMUNIDADES: PARTICIPANTES
EFETIVAS DAS AÇÕES EDUCATIVAS

JOGOS SONOROS COMO PRÁTICA PEDAGÓGICA DE


RECONHECIMENTO DE TERRITÓRIOS SONOROS

Marcela Alvares Maciel (marcela.maciel@uffs.edu.br)


Anelise Dlugokenski (anelise_dki@hotmail.com)
Greicielen Paloma Ribeiro Dacampo (greici-dacampo@hotmail.com)
Paula Soares (soares_paula18@hotmail.com)

RESUMO

O patrimônio imaterial está vinculado ao cotidiano das comunidades e ao seu


território, incluindo suas condições materiais. Neste contexto, destaca-se o
conceito de territórios sonoros como uma abordagem teórico-metodológica que
contempla a compreensão da paisagem sonora enquanto patrimônio imaterial
das cidades, contribuindo para o fortalecimento da noção de pertencimento de
indivíduos a um lugar. Uma tarefa prática da abordagem de territórios sonoros
é direcionar sua atenção para os marcos sonoros de destaque, e, se houver
uma boa razão para isso, lutar pela sua preservação. Assim, no presente
trabalho propõe-se a desenvolver jogos sonoros para identificação, registro e
salvaguarda de territórios sonoros onde se concentram e reproduzem práticas
culturais coletivas em Erechim (RS). Em termos metodológicos, foram
utilizadas estratégias de design thinking adaptadas à produção de arte sonora,
contemplando etapas de ideação, prototipagem e teste. É importante destacar
que neste trabalho entende-se por arte sonora o som organizado no espaço,
em contraposição a música como som organizado no tempo. O processo de
ideação utiliza-se como marco teórico Schafer (2011), partindo da premissa do
jogo como artefato pedagógico para a escuta urbana. Para tanto, o
desenvolvimento do jogo sonoro contempla as quatro categorias propostos por
Callois (2001) em sua teoria dos jogos, sendo, Agon, Alea, Ilinx e Mimicry. A
prototipagem do jogo sonoro envolveu a realização da Oficina de Escuta
Acusmática, com o objetivo de desenvolver o sentido auditivo como articulador
da experiência urbana, possibilitando conhecer a cidade através dos seus
sons. A oficina foi desenvolvida utilizando como referência o exercício de
educação sonora Caça ao Tesouro Sonoro. A partir de uma área de
intervenção dada, definiu-se pontos de referência, para fins de associar
eventos sonoros característicos do local. Utilizando técnicas de brainstorming ,
são definidas dicas sonoras e dicas visuais para posterior identificação dos
objeto sonoros na área de intervenção. Por último, na etapa de teste, foi
utilizado como referência o exercício de educação sonora denominado Móbile
Sonoro. A partir de uma lista de pontos de referência ou jogadores deveriam
procurar pelos objetos sonoros a partir de dicas visuais ou sonoras. Para cada
objeto sonoro encontrado o jogador recebe um cupom, sendo vencedor o
jogador que encontrar todos os objetos sonoros em menor tempo. Portanto, a
proposta de jogo sonoro apresenta-se como uma para prática pedagógica
promissora para o reconhecimento territórios sonoros.

Palavras-chave: Paisagem Sonora, Patrimônio Imaterial, Arte Sonora


RESUMO - 2 - OS DESAFIOS DA EDUCAÇÃO PATRIMONIAL: EIXO 6 –
EDUCAÇÃO PATRIMONIAL NA ESCOLA EIXO 7 – MUSEUS, ARQUIVOS E
EDUCAÇÃO PATRIMONIAL EIXO 8 – A CIDADE, LUGAR DA EDUCAÇÃO
PATRIMONIAL EIXO 9 – EDUCAÇÃO PATRIMONIAL E TRABALHO: OS
OFÍCIOS TRADICIONAIS EIXO 10 – COMUNIDADES: PARTICIPANTES
EFETIVAS DAS AÇÕES EDUCATIVAS

MEDIDAS EDUCATIVAS, AÇÕES PARA O PERTENCIMENTO DO MUSEU


EDUCATIVO DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MUSEU
GAMA D’EÇA

Mariana Deboni Blaya (marianablay@gmail.com)


Denise De Souza Saad (dssaad1@gmail.com)

RESUMO

Atualmente, na grande maioria das legislações nacionais consta o preceito de


que é dever do Estado preservar o patrimônio histórico e artístico. Dentre
algumas instituições possuidoras destes patrimônios, é destacado neste artigo
as instituições Museológicas como salva guardadoras de patrimônios e a sua
função imprescindível de disseminação cultural para a sociedade. Conforme o
Conselho Internacional de Museus (ICOM), o museu é uma instituição
permanente, sem fins lucrativos, a serviço da sociedade e de seu
desenvolvimento, aberta ao público, que adquire, conserva, estuda, expõe e
transmite o patrimônio material e imaterial da humanidade e do seu meio, com
fins de estudo, educação e deleite.

A adesão da sociedade, dos diferentes grupos sociais, à prática da


preservação de bens culturais tem sido considerada o grande desafio a ser
enfrentado no século XXI.

Pequenos museus podem ser os mais frágeis e vulneráveis, aqueles que não
possuem um planejamento claro e de conhecimento de toda a sua equipe
estão ainda mais vulneráveis.
Com o intuito de cativar o público este artigo tem relata algumas ações
educativas que podem ser desenvolvida no Museu Educativo Gama D’Eça e
Victor Berssani, instituição pertencente à Universidade Federal de Santa Maria.

. O prédio caracterizado por seu decorativismo, é exemplo da arquitetura


magnificente de tendência eclética do centro histórico de Santa Maria. As
coleções do Museu da Universidade Federal de Santa Maria estão abrigadas
no palacete desde o ano de 1985.

A preservação só faz sentido para a sociedade se está relacionada a


necessidades e interesses do momento presente, na busca constante de um
ponto de equilíbrio entre permanência e mudança.

Desse modo, os museus e os patrimônios, assim como diversos outros


elementos simbólicos, precisam ser vistos como dispositivos de criação e
invenção de representação, narrativas, imagens sobre o passado e a memória.

Com este trabalho pretende-se abordar metodologias que visem preparar as


instituições Museológicas para tomada de decisões para maior captação e
público, tais medidas têm como objetivo aproximar o público do patrimônio
salvaguardado pela instituição, como também chamar atenção para a própria
sede da mesma, um exemplar histórico da arquitetura eclética da cidade.

Cabe ressaltar que as ações identificadas podem ser adaptadas para o Museu
visto que em geral são ofertadas por grandes instituições museológicas e
podem não representar a atual realidade do Museu. Desse modo, os museus e
os patrimônios, assim como diversos outros elementos simbólicos, precisam
ser vistos como dispositivos de criação e invenção de representação,
narrativas, imagens sobre o passado e a memória.

Palavras-chave: Patrimônio Cultural, Museus, Ações Educativas, Preservação


RESUMO - 2 - OS DESAFIOS DA EDUCAÇÃO PATRIMONIAL: EIXO 6 –
EDUCAÇÃO PATRIMONIAL NA ESCOLA EIXO 7 – MUSEUS, ARQUIVOS E
EDUCAÇÃO PATRIMONIAL EIXO 8 – A CIDADE, LUGAR DA EDUCAÇÃO
PATRIMONIAL EIXO 9 – EDUCAÇÃO PATRIMONIAL E TRABALHO: OS
OFÍCIOS TRADICIONAIS EIXO 10 – COMUNIDADES: PARTICIPANTES
EFETIVAS DAS AÇÕES EDUCATIVAS

MEMÓRIA URBANA DE BELO HORIZONTE: A CASA DA RUA BERNARDO


GUIMARÃES, 441

Maria Lúcia Prado Costa (luciaprado@biosconsultoria.com.br)

RESUMO

Memória Urbana de Belo Horizonte: a casa da rua Bernardo Guimarães, 441

A ocupação do polígono desenhado, em 1895, pelo engenheiro Aarão Reis


(1853-1936) para abrigar a zona urbana da nova capital do estado (1895/7) tem
sido tratada em análises historiográficas generalistas. Estas focam, grosso
modo, a contraposição entre o espaço interno do perímetro da antiga avenida
17 de dezembro, hoje avenida do Contorno, e o espaço externo a ela; e a
ruptura do modelo da cidade positivista com o avanço da urbanização de Belo
Horizonte, ao longo do tempo. Há poucas análises pontuais que tratem casos
específicos de concessão de lotes e projetos de construção, nos primeiros
anos da nova capital até o tempo presente.

A oportunidade de estudar a história de uma propriedade dentro do perímetro


da avenida do Contorno, desde o contexto da inauguração da cidade até os
dias de hoje, traz a oportunidade de analisar no nível micro como se deu a
apropriação desse fragmento do território urbano da cidade.

A casa da rua Bernardo Guimarães, 441, ainda existente e bem conservada,


situa-se no bairro Funcionários, edificado para abrigar preferencialmente os
ex-proprietários e o funcionalismo público vindo de Ouro Preto. A casa foi
objeto de recente pesquisa cartorial e arquivística – tanto do Arquivo Público da
Cidade de Belo Horizonte quanto do arquivo da família de seus atuais
proprietários. A pesquisa chegou até o ano de 1912 e pôde esclarecer os
meandros de facilitação conferidos pelo Estado aos primeiros proprietários do
terreno onde anos mais tarde se edificaria a casa estudada.

A perspectiva de elucidação da história desse bem possibilita a


contextualização da política pública de uso e ocupação do solo pelo Estado no
nível micro nos primeiros anos da nova capital e seus desdobramentos
posteriores.

A edição de um pequeno livreto ilustrado com imagens de arquivo e plantas


das edificações pretéritas e da atual com a narrativa sobre a história da casa
da rua Bernardo Guimarães 441 se fez na perspectiva de oferecer um
instrumento de educação patrimonial sobre a história da cidade.

Palavras-chave: Belo Horizonte - educação patrimonial - uso e ocupação do


solo
RESUMO - 2 - OS DESAFIOS DA EDUCAÇÃO PATRIMONIAL: EIXO 6 –
EDUCAÇÃO PATRIMONIAL NA ESCOLA EIXO 7 – MUSEUS, ARQUIVOS E
EDUCAÇÃO PATRIMONIAL EIXO 8 – A CIDADE, LUGAR DA EDUCAÇÃO
PATRIMONIAL EIXO 9 – EDUCAÇÃO PATRIMONIAL E TRABALHO: OS
OFÍCIOS TRADICIONAIS EIXO 10 – COMUNIDADES: PARTICIPANTES
EFETIVAS DAS AÇÕES EDUCATIVAS

MUSEU DO SILÊNCIO: O MUSEU COMO FERRAMENTA DE EDUCAÇÃO E


CONSCIENTIZAÇÃO PATRIMONIAL

Jéssica Maria Ferreira Cavalcante Sousa (jessica_maria_19@hotmail.com)


Bruna Gabrielle Da Costa E Silva Negreiros (brunaneg.fotos@gmail.com)

RESUMO

Este trabalho visa apresentar o projeto de um museu capaz de atuar como


ferramenta de educação patrimonial em Teresina, Piauí, Brasil, tendo como
objeto de intervenção uma residência eclética do início do século XX, edificada
no bairro Centro. A abordagem faz-se em torno da problemática que envolve a
crescente perda da memória arquitetônica teresinense, fruto da especulação
imobiliária e principalmente do desinteresse do poder público e da pouca
familiarização da sociedade civil com o tema. Dessa forma, o projeto
arquitetônico intitulado Museu do Silêncio, cujas decisões projetuais são
pautadas nos escritos de teóricos do patrimônio como Alois Riegl, Violet Le
Duc, Camillo Boito e nas diversas cartas patrimoniais, se constitui como um
manifesto pela salvaguarda do patrimônio arquitetônico perdido,
silenciosamente, no dia a dia da vida urbana. O desabamento recente do
objeto estudado confirmou a urgência de políticas para a proteção dos bens
construídos e a necessidade de meios para a promoção da educação
patrimonial.

Palavras-chave: museu, educação patrimonial, salvaguarda, patrimônio


arquitetônico
RESUMO - 2 - OS DESAFIOS DA EDUCAÇÃO PATRIMONIAL: EIXO 6 –
EDUCAÇÃO PATRIMONIAL NA ESCOLA EIXO 7 – MUSEUS, ARQUIVOS E
EDUCAÇÃO PATRIMONIAL EIXO 8 – A CIDADE, LUGAR DA EDUCAÇÃO
PATRIMONIAL EIXO 9 – EDUCAÇÃO PATRIMONIAL E TRABALHO: OS
OFÍCIOS TRADICIONAIS EIXO 10 – COMUNIDADES: PARTICIPANTES
EFETIVAS DAS AÇÕES EDUCATIVAS

MUSEU E ARQUIVOS: O PAPEL DA UNIVERSIDADE NA EDUCAÇÃO


PATRIMONIAL

Samanta Do Prado (samanta_prado@hotmail.com)


Profª Drªluzia Sigoli Fernandes Costa (luziasigoli@gmail.com)
Profªdrª Luciana De Souza Gracioso (lugracioso@yahoo.com.br)
Profªdrª Zaira Regina Zafalon (zzafalon@gmail.com)

RESUMO

As instituições de ensino superior recebem e acumulam objetos representativos


de relações interinstitucionais e formam seu patrimônio histórico. Esses objetos
compõem as coleções históricas que refletem a memória institucional. No caso
da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), ao longo dos seus 45 anos,
os objetos recebidos pelos reitores podem ser compreendidos, por uma ótica
simbólica, como fruto das alianças, cooperações e das relações sociais e
diplomáticas estabelecidas entre a universidade e outros atores sociais,
representantes públicos e instituições. Esta pesquisa objetivou, por meio da
organização e do tratamento desse patrimônio, democratizar o acesso à
coleção de objetos com os quais os reitores foram presenteados e, assim,
contribuir para a Educação Patrimonial na instituição. Metodologicamente
realizou-se um mapeamento e a disponibilização do patrimônio por meio do
cumprimento de etapas: 1) levantamento dos objetos recebidos pelos reitores,
ao longo da história da universidade; 2) inventário dos objetos, a partir de
premissas museológicas, o que envolveu a descrição física, a descrição
temática, a descrição tipológica e o seu registro fotográfico; 3) desenvolvimento
de um catálogo digital dos objetos identificados, com descrição dos mesmos e
dos registros fotográficos. Resultou do mapeamento desse patrimônio, o
tratamento e a organização de 115 objetos, tais como troféus, moedas, placas
comemorativas, bottons, flâmula, certificados e objetos de decoração. Esse
objetos apresentam diversos formatos, volumetria e configurações estéticas.
Alguns se destacam pelo seu significado de representação de relações e
reconhecimentos que marcaram a história da UFSCar, entre elas: relações
internacionais com instituições acadêmicas, relações com outras organizações
e universidades do país e demonstrações de gratidão de grupos da
comunidade para com a instituição e ou seu representante. Esses significados
contribuíram para a construção da memória institucional da UFSCar e
possibilitaram, numa perspectiva da Educação Patrimonial, maior visibilidade e
a devida valorização desses bens, tanto pelos gestores e comunidade interna
quanto pela comunidade externa à UFSCar. No caso da comunidade interna
entende-se que estudos dessa natureza podem contribuir para a construção da
identidade institucional a partir do reconhecimento do seu patrimônio. Para a
comunidade externa esse patrimônio representa o reconhecimento cultural e
científico da instituição e contribui para a compreensão sociocultural da cidade
em que se insere. Em última instância este estudo contribui com a promoção
de ações, exposições, publicações e outras atividades que venham a propiciar
melhor percepção histórico-temporal dos eventos ou acontecimentos,
lembrados por meio de objetos e coleções históricas que, por sua vez,
contribuem para a educação patrimonial, num sentido mais amplo, na medida
em que esses fazem parte da trajetória de conhecimento, saberes e da
memória da comunidade.

Palavras-chave: Coleções Históricas, Patrimônio Cultural, Memória


Institucional, Educação Patrimonial.
RESUMO - 2 - OS DESAFIOS DA EDUCAÇÃO PATRIMONIAL: EIXO 6 –
EDUCAÇÃO PATRIMONIAL NA ESCOLA EIXO 7 – MUSEUS, ARQUIVOS E
EDUCAÇÃO PATRIMONIAL EIXO 8 – A CIDADE, LUGAR DA EDUCAÇÃO
PATRIMONIAL EIXO 9 – EDUCAÇÃO PATRIMONIAL E TRABALHO: OS
OFÍCIOS TRADICIONAIS EIXO 10 – COMUNIDADES: PARTICIPANTES
EFETIVAS DAS AÇÕES EDUCATIVAS

O DIREITO À CIDADE

José Heleno Ferreira (zeheleno.ferreira@gmail.com)


Flavia Lemos Mota De Azevedo (flavia.azevedo@uemg.br)
Samuel José Santiago (samujsantiago@gmail.com)

RESUMO

O Centro de Memória Profª Batistina Corgozinho (CEMUD), da Universidade do


Estado de Minas Gerais (UEMG) – Unidade Divinópolis, ao trabalhar a
memória a e a história do Centro-Oeste mineiro, tem dedicado-se à educação
patrimonial buscando, neste processo, dialogar com as unidades escolares da
educação básica das redes públicas – estadual e municipal. Entre as diversas
atividades que vêm sendo realizadas pelo CEMUD, destacam-se as “visitas
guiadas ao patrimônio histórico da cidade de Divinópolis – MG”.

Considerando que o pertencimento à cidade precisa ser construído e a


importância de conhecer para comprometer-se com a preservação do
patrimônio, as visitas guiadas com crianças e adolescentes do ensino
fundamental e do ensino médio por roteiros previamente estabelecidos
procuram apresentar a cidade – a história oficial, os apagamentos e
silenciamentos da história e suas marcas nas ruas e prédios e rios – àqueles e
àquelas que a ela têm direito.

As visitas guiadas que vêm se realizando desde 2015 a pontos diversos da


cidade encantam os meninos e meninas que moram na cidade, mas nem
sempre a veem, que transitam por ruas e avenidas sem perceber os processos
de modificação das estruturas edificadas que contam algumas histórias e
silenciam outras tantas. Além disso, por trabalhar preferencialmente com
crianças e adolescentes das escolas situadas nos bairros periféricos, muitos
são os meninos e meninas que têm, através destas atividades, a oportunidade
de, pela primeira vez, conhecer o centro urbano do município, bem como suas
estruturas de lazer, os espaços dedicados às manifestações culturais, os
centros comerciais, enfim, os espaços públicos, negados à grande parte do
público. Nestas “visitas”, busca-se também problematizar a história dos bens
materiais reconhecidos legalmente como patrimônio histórico-cultural e outros
tantos que não têm esse reconhecimento. No debate com adolescentes e
crianças, tem-se a oportunidade de discutir os bens materiais das regiões em
que moram e que são considerados, por eles e elas, como patrimônio histórico,
embora, na maioria das vezes, não tenham esse reconhecimento por parte do
poder público.

Ancoram esse debate o trabalho de Alessandro de Melo e Poliana F. Cardozo


(2015) e a reflexão do patrimônio cultural como resultado da ação humana,
marcada por convicções ideológicas e interesses políticos e econômicos, nem
sempre explicitados, além da contribuição de Le Goff (1988) acerca do
processo de construção das cidades. No que diz respeito à educação, trabalha-
se com a certeza de que as velhas gerações têm como tarefa apresentar o
mundo – e, por extensão, a cidade – às novas gerações (ARENDT, 1978),
além do compromisso com o “novo” que, como nos diz a filósofa alemã, é o
ponto central do processo educativo e o momento em que decidimos se
amamos o bastante nossas crianças para abandoná-las ao mundo ou
apresentá-las à história que herdarão.

Palavras-chave: educação patrimonial, direito à cidade, pertencimento,


educação
RESUMO - 2 - OS DESAFIOS DA EDUCAÇÃO PATRIMONIAL: EIXO 6 –
EDUCAÇÃO PATRIMONIAL NA ESCOLA EIXO 7 – MUSEUS, ARQUIVOS E
EDUCAÇÃO PATRIMONIAL EIXO 8 – A CIDADE, LUGAR DA EDUCAÇÃO
PATRIMONIAL EIXO 9 – EDUCAÇÃO PATRIMONIAL E TRABALHO: OS
OFÍCIOS TRADICIONAIS EIXO 10 – COMUNIDADES: PARTICIPANTES
EFETIVAS DAS AÇÕES EDUCATIVAS

O PERCURSO URBANO COMO EDUCAÇÃO PATRIMONIAL: PROJETO


PILOTO PARA A RUA HALFELD EM JUIZ DE FORA (MG)

Tales Medeiros Pravato (tales.mp@live.com)


Jéssica De Fátima Rossone Alves (jessica_rossone@hotmail.com)

RESUMO

Os estudos deste artigo, originalmente desenvolvidos para um TCC para o


curso de Arquitetura e Urbanismo na Universidade Federal de Juiz de Fora,
apresentam uma proposta de projeto piloto de educação patrimonial urbana
que tem como objetivo principal conduzir a população de Juiz de Fora (MG) ao
entendimento de parte de sua própria história através de seu patrimônio. Para
isto, identifica-se e apresenta-se sistematicamente o patrimônio arquitetônico
tombado, conforme Lei municipal 10.777 de 15 de julho de 2004, localizado na
Rua Halfeld, importante via do município que destaca-se por diversos motivos,
dentre eles o seu significado histórico e cultural e seu caráter de centralidade.

Compreende-se que o patrimônio arquitetônico de uma cidade comporta-se


como um forte elemento de identidade, e consequentemente, representativo de
uma coletividade. E apesar da sua presença, nem sempre a sua composição
no contexto urbano é fator decisivo para sua preservação. Neste sentido, os
processos de reconhecimento e atribuição de valor ao patrimônio arquitetônico
são fundamentais. Somente a partir da identificação dos indivíduos e do seu
sentimento de pertencimento em relação à arquitetura é que esta se torna
patrimônio, e então é vista como digna de preservação. Ressalta-se que um
dos principais fatores de degradação do patrimônio arquitetônico diz respeito à
sua desqualificação como referência para a identidade local, constituido quase
sempre como resultado do desconhecimento de sua importância.

O caminho teórico-metodológico busca resgatar o surgimento e processo de


construção histórica da cidade de Juiz de Fora e suas múltiplas determinações,
afirmando o valor da educação patrimonial como importante fator de
preservação e valorização do patrimônio, condição fundamental para assegurar
aos indivíduos a condição de cidadãos.

O projeto piloto propõe para a Rua Halfeld a criação de um percurso orientado


através de placas com a história, data de surgimento e curiosidades sobre os
bens tombados. Dessa forma, o indivíduo inicia o percurso a partir de uma das
extremidades da via e a percorre aprendendo, ponto a ponto, sobre a formação
da cidade e o papel de cada bem tombado. As diretrizes são aplicadas de
forma a auxiliar o percurso, garantindo melhor visibilidade e que as
intervenções feitas no local possam contribuir para sua valorização sem trazer
prejuízo ou danos, não só para os bens, mas para toda a história que estes
carregam. Por fim, a requalificação vem para garantir acessibilidade,
visibilidade dos bens, conforto e segurança para o transeunte.

Verifica-se a possibilidade efetiva de educação patrimonial e de requalificação


do percurso estudado, com a criação de diretrizes próprias de preservação. A
intenção é que o projeto piloto para a Rua Halfeld, Juiz de Fora (MG), possa
servir de base para um projeto ainda maior de conscientização e valorização da
cultura local, que possa ser estendido para todos os pontos de interesse
patrimonial da cidade.

Palavras-chave: educação patrimonial, preservação, patrimônio arquitetônico,


Juiz de Fora
RESUMO - 2 - OS DESAFIOS DA EDUCAÇÃO PATRIMONIAL: EIXO 6 –
EDUCAÇÃO PATRIMONIAL NA ESCOLA EIXO 7 – MUSEUS, ARQUIVOS E
EDUCAÇÃO PATRIMONIAL EIXO 8 – A CIDADE, LUGAR DA EDUCAÇÃO
PATRIMONIAL EIXO 9 – EDUCAÇÃO PATRIMONIAL E TRABALHO: OS
OFÍCIOS TRADICIONAIS EIXO 10 – COMUNIDADES: PARTICIPANTES
EFETIVAS DAS AÇÕES EDUCATIVAS

O PROJETO MUSEOGRÁFICO DO MUSEU DO PIAUÍ COMO


INSTRUMENTO DE EDUCAÇÃO PATRIMONIAL.

Marlandy Késia Bezerra De Souza (marlandykesia@outlook.com)


Rayanne Saraiva Barbosa (rayannesb_@hotmail.com)
Isabela Costa Nunes (bellanunes8@hotmail.com)
Lara Citó Lopes (laracito@gmail.com)

RESUMO

O presente artigo tem como objeto de estudo o projeto museográfico do Museu


do Piauí, desenvolvido pelo arquiteto Paulo Vasconcelos e concluído no ano
de 2017. Desenvolveu-se uma descrição dos elementos museográficos de
destaque de cada um dos ambientes que sofreram alteração com o projeto e a
análise desta intervenção que resultou na reformulação do roteiro cenográfico
do museu, tendo como objetivo principal a modernização e a inserção da
educação patrimonial. Como referencial teórico foram utilizados os autores
Hugues de Varine, Flávio de Lemos Carsalade, André Desvallés e François
Mairesse, como parte de uma metodologia que englobou ainda levantamentos
documentais e físicos in loco. Tal projeto foi de grande relevância para a
valorização do patrimônio cultural piauiense, pois meio dele é narrada toda a
história do desenvolvimento dessa população, tanto da elite quanto das classe
populares, desde a pré-história até os dias atuais, sendo assim um importante
e valoroso instrumento de educação patrimonial para a cidade de Teresina.

Palavras-chave: Projeto Museográfico; Museu do Piauí; Educação


Patrimonial.
RESUMO - 2 - OS DESAFIOS DA EDUCAÇÃO PATRIMONIAL: EIXO 6 –
EDUCAÇÃO PATRIMONIAL NA ESCOLA EIXO 7 – MUSEUS, ARQUIVOS E
EDUCAÇÃO PATRIMONIAL EIXO 8 – A CIDADE, LUGAR DA EDUCAÇÃO
PATRIMONIAL EIXO 9 – EDUCAÇÃO PATRIMONIAL E TRABALHO: OS
OFÍCIOS TRADICIONAIS EIXO 10 – COMUNIDADES: PARTICIPANTES
EFETIVAS DAS AÇÕES EDUCATIVAS

O TEATRO PATRIMONIAL COMO INSTRUMENTO DE PARTICIPAÇÃO E


CIDADANIA

Éverlan Stutz (stutz_mg@yahoo.com.br)

RESUMO

Experimentar as múltiplas possibilidades pedagógicas do teatro para estimular


o envolvimento comunitário em torno de ações

preservacionistas é uma alternativa capaz de garantir significavas mudanças


na percepção da população diante da realidade social, repleta de conflitos
inerentes à condição humana que faz e se desfaz de artefatos com a mesma
velocidade avassaladora da revolução digital que, na maioria das vezes, é
legitimada pela exclusão social em épocas de muitas virtualidades e poucas
ações afirmativas. O teatro patrimonial é articulado no desenvolvimento de
jogos teatrais nos lugares de memória e de identidade cultural da cidade
enquanto uma estrutura educativa e dinâmica. O conceito abrange pesquisas
relacionadas ao teatro como instrumento da educação patrimonial e como meio
capaz de estimular a participação da sociedade em torno da salvaguarda de
seus bens culturais. O objetivo do artigo é mostrar como práticas, que
associam o teatro à educação patrimonial, podem contribuir para ampliar o
sentimento de pertencimento e de apropriação da comunidade. A partir das
memórias subterrâneas, confrontadas por POLLAK, pretende-se também
evidenciar como a memória oral pode ser registrada e ampliada por meio do
teatro de rua, uma arte pública e participativa.

Palavras-chave: Teatro, memória, participação, cidadania, jogos


RESUMO - 2 - OS DESAFIOS DA EDUCAÇÃO PATRIMONIAL: EIXO 6 –
EDUCAÇÃO PATRIMONIAL NA ESCOLA EIXO 7 – MUSEUS, ARQUIVOS E
EDUCAÇÃO PATRIMONIAL EIXO 8 – A CIDADE, LUGAR DA EDUCAÇÃO
PATRIMONIAL EIXO 9 – EDUCAÇÃO PATRIMONIAL E TRABALHO: OS
OFÍCIOS TRADICIONAIS EIXO 10 – COMUNIDADES: PARTICIPANTES
EFETIVAS DAS AÇÕES EDUCATIVAS

OLHARES DO PATRIMÔNIO: A VALORIZAÇÃO E PRESERVAÇÃO DO


PATRIMÔNIO CULTURAL ATRAVÉS DA FOTOGRAFIA

Rafael Pereira Santos (rafilski@hotmail.com)

RESUMO

O projeto de educação patrimonial "Olhares do Patrimônio: a valorização e


preservação do patrimônio cultural através da fotografia", realizado no Museu
de Artes e Ofícios - MAO, premiado no 6º Prêmio Ibero-americano de
Educação em Museus, consistiu numa ação elaborada a partir da tensão
latente de se fotografar (n)o MAO, por parte dos alunos, durante as visitas
educativas. Observou-se que os alunos sentem a necessidade de utilizar o
celular para registrar de forma muito intensa o acervo do MAO, por vezes
deixando de lado a fruição do acervo.

Assim, buscou-se transformar o celular em um instrumento que fizesse com


que os alunos se conectassem ao universo do patrimônio cultural, histórico,
artístico e com universo dos ofícios, além de propor uma reflexão sobre o fazer
fotográfico e sobre a fotografia.

O projeto usou a fotografia como ponte entre o indivíduo e o meio que o


envolve, condensando seu potencial de expressão visual, artística, e registro
da memória e do tempo, configurando-se em um mecanismo excepcional de
interação entre os alunos, a escola, Museu, a sociedade e seu patrimônio
cultural. Procurou-se estimular a percepção narrativa das imagens, contribuir
para sensibilização do olhar estético e possibilitar aos alunos uma leitura e
interpretação das fotografias não apenas sob o prisma do gesto automatizado e
do imediatismo midiático, vivenciando o fazer fotográfico como uma experiência
lúdica, sensível e cognitiva.

Para realizar o projeto com resultados efetivos, foram adotadas


estratégias para envolver os alunos e professores, dando subsídios e
instigando a participação dos mesmos, sempre atuando de forma dialógica em
todas as etapas que o envolveram como: uma palestra sobre novas mídias na
educação, uma oficina de introdução à fotografia para professores
interessados, visita da equipe do Museu nas escolas; visando qualificar a
atividade e o estreitamento das relações com os alunos e aproximação com o
tema da fotografia e do patrimônio.

No MAO os alunos foram instigados a conhecerem o tema dos ofícios, e


explorarem o acervo fotográfico das galerias como forma de leitura,
observando as imagens junto aos educadores, suscitando detalhes e
levantando hipóteses e reflexões a respeito do seu conteúdo, contribuindo para
a compreensão do acervo e as possibilidades estéticas de exploração e
representação narrativa-visual.

Após a visita, os grupos foram convidados a registrarem suas fotografias


de forma espontânea e criativa, aproveitando o celular e os recursos que ele
disponibiliza, mas tendo como mote a preservação e valorização do patrimônio
através dos olhares destes estudantes.

Foram recebidas quase 500 fotografias, e a experiência se traduziu em


uma exposição com as 50 mais significativas que apontaram como os jovens
se relacionam com a cidade, a depredação do patrimônio, as artes de rua, os
trabalhadores e seus ofícios, os museus e a natureza.

A mostra, inaugurada em Novembro de 2016, recebeu mais de 4000 visitantes.

Palavras-chave: Fotografia, Museu, Patrimônio, Educação


RESUMO - 2 - OS DESAFIOS DA EDUCAÇÃO PATRIMONIAL: EIXO 6 –
EDUCAÇÃO PATRIMONIAL NA ESCOLA EIXO 7 – MUSEUS, ARQUIVOS E
EDUCAÇÃO PATRIMONIAL EIXO 8 – A CIDADE, LUGAR DA EDUCAÇÃO
PATRIMONIAL EIXO 9 – EDUCAÇÃO PATRIMONIAL E TRABALHO: OS
OFÍCIOS TRADICIONAIS EIXO 10 – COMUNIDADES: PARTICIPANTES
EFETIVAS DAS AÇÕES EDUCATIVAS

OS SABERES DA FOLIA: APRENDIZAGENS EM CONTEXTOS NÃO


ESCOLARES

Soraia Freitas Dutra (soraiafreitasdutra@yahoo.com.br)


Lorena Dias Martins (lorenadiasmartins@gmail.com)

RESUMO

Esse artigo apresenta resultados iniciais do projeto de extensão e pesquisa


intitulado Os meninos e o Boi desenvolvido na Escola Fundamental do Centro
Pedagógico em parceria com a ONG Vokuim e o Ponto de Cultura Folias da
Cultura em Rubim-MG. Esse projeto analisa os processos de aprendizagem
que ocorrem no contexto da festa da Folia de Reis e do Boi de Janeiro em que
crianças e jovens da comunidade participam da recriação desta festa popular
realizada na cidade há mais de 70 anos. Em Rubim, cidade localizada no
nordeste de Minas Gerais na região do baixo Jequitinhonha, há muitos anos,
diferentes gerações de crianças e jovens organizam grupos de Boizinhos de
Janeiro, que saem pelas ruas da cidade encenando a festa do Boi de Janeiro
no contexto da Folias de Reis – festa do Ciclo Natalino. Os dados
apresentados nesse artigo derivam da análise das entrevistas individuais e
coletivas e nos permitem identificar as motivações das crianças e jovens a
participarem de forma ativa na recriação da festa; as habilidades mobilizadas
e/ou aprendidas contexto da festa, bem como, a natureza das trocas
geracionais que permitem a “transmissão” da tradição da festa da Folia de
Reis.

Palavras-chave: Folia de Reis; aprendizagens, cultura.


RESUMO - 2 - OS DESAFIOS DA EDUCAÇÃO PATRIMONIAL: EIXO 6 –
EDUCAÇÃO PATRIMONIAL NA ESCOLA EIXO 7 – MUSEUS, ARQUIVOS E
EDUCAÇÃO PATRIMONIAL EIXO 8 – A CIDADE, LUGAR DA EDUCAÇÃO
PATRIMONIAL EIXO 9 – EDUCAÇÃO PATRIMONIAL E TRABALHO: OS
OFÍCIOS TRADICIONAIS EIXO 10 – COMUNIDADES: PARTICIPANTES
EFETIVAS DAS AÇÕES EDUCATIVAS

PATRIMÔNIO ARTÍSTICO DO PALÁCIO DAS ARTES: UM ESTUDO DO


PROCESSO DE PRESERVAÇÃO DO FIGURINO DOS ESPETÁCULOS
PRODUZIDOS PELA FUNDAÇÃO CLÓVIS SALGADO

Rachel Myrrha De Paula E Silva Neves (rmyrrha@gmail.com)


Vânia Myrrha De Paula E Silva (doutoradoed@gmail.com)

RESUMO

O teatro no Brasil tem suas origens no século XVI com Padre Anchieta e suas
peças de catequização, mas a construção do primeiro espaço para as artes
cênicas só foi concretizada em 1770, data de inauguração do mais antigo
teatro brasileiro em Ouro Preto. Com quase trezentos anos da existência
dessas casas de espetáculo no Brasil, uma questão emerge: onde e como está
preservada a memória desse patrimônio artístico, sendo o teatro parte tão
representativa da cultura brasileira? Esse patrimônio das artes cênicas assume
diversos formatos, podendo abranger tanto o patrimônio arquitetônico, na forma
dos edifícios teatrais e casas de espetáculo, como seu patrimônio móvel –
gravações em vídeo, fotografias, libretos, materiais de divulgação, além do
figurino e do cenário produzidos especificamente para cada obra.
Considerando o cenário exposto, surge uma indagação interessante: que é
feito com esse patrimônio móvel? Mais especificamente, o que é feito com o
figurino das peças de teatro e espetáculos de ópera e dança após o período de
apresentação?
Buscando destrinchar essa última questão, este trabalho apresenta uma
análise do processo de conservação dos figurinos produzidos pela Fundação
Clóvis Salgado para espetáculos apresentados em um dos mais importantes
teatros do estado de Minas Gerais: o Palácio das Artes. Com base em
entrevistas, visitas técnicas e materiais de referência, é feito um diagnóstico do
processo de preservação do figurino - sob responsabilidade e gestão de um de
seus equipamentos culturais, o Centro Técnico de Produção (CTP) - desde o
inventário das peças produzidas até a higienização, arquivamento e
catalogação final do acervo devolvido após a execução do espetáculo. Nesse
diagnóstico, são levantadas, também, as condições ambientais e de
infraestrutura dos galpões e instrumentos utilizados para armazenamento das
peças. Além disso, o presente estudo discorre brevemente sobre a história da
conservação do patrimônio móvel artístico no Palácio das Artes e apresenta
algumas aplicações desse figurino guardado e preservado.

Dessa forma, pretende-se incentivar a implantação de projetos voltados para a


melhoria da gestão e da adequação dos instrumentos de preservação e
monitoramento ambiental, além do desenvolvimento de regras e políticas de
conservação e descarte desse rico acervo. Espera-se, também, que o registro
da prática de conservação realizada pela Fundação Clóvis Salgado possibilite,
além da permanência desse trabalho na instituição, o provimento de novas
soluções; que forneça exemplos e mostre caminhos para o fortalecimento
desse tipo de iniciativa nos demais teatros brasileiros.

Palavras-chave: patrimônio artístico, teatro, acervo


RESUMO - 2 - OS DESAFIOS DA EDUCAÇÃO PATRIMONIAL: EIXO 6 –
EDUCAÇÃO PATRIMONIAL NA ESCOLA EIXO 7 – MUSEUS, ARQUIVOS E
EDUCAÇÃO PATRIMONIAL EIXO 8 – A CIDADE, LUGAR DA EDUCAÇÃO
PATRIMONIAL EIXO 9 – EDUCAÇÃO PATRIMONIAL E TRABALHO: OS
OFÍCIOS TRADICIONAIS EIXO 10 – COMUNIDADES: PARTICIPANTES
EFETIVAS DAS AÇÕES EDUCATIVAS

PRAÇA RAUL SOARES APÓS A REFORMA E A RETOMADA DE SEU USO


COMO PRAÇA

Kelly Juliane Dutra (kellyjdutra@gmail.com)

RESUMO

A praça é um local de convergência tanto fisicamente como de ideias, é ponto


de encontro da comunidade, além de área de lazer. As praças são também
áreas de respiro verde dentro da arquitetura urbana, carregada de concreto de
asfalto. A praça Raul Soares nasce junto com Belo Horizonte e testemunha
todas as transformações que a capital mineira sofre ao longo de mais de cem
anos. No plano piloto a Praça se chamaria 14 de Setembro, e seu desenho era
triangular, mas se concretizou como Praça Raul Soares e com um desenho
circular, convergindo importantes avenidas de Belo Horizonte. Nesse ensaio é
abordado um pouco da historia da Praça Raul Soares ligando principalmente a
história do complexo Juscelino Kubstcheck o JK. A pretensão maior desse
trabalho é chamar a atenção para essa região da capital mineira que durante a
história passou por altos e baixos, sendo supervalorizada e glamorosa na
década de 50 quando se iniciam as obras de implantação do Complexo JK, e
entra em decadência com a paralisação dessas obras. A Praça Raul Soares a
partir da década de 70 e 80 passa a ser marginalizada e frequentada por
prostitutas. Em 2006 porém o carinho e afetividade dos moradores com a praça
faz com que mais uma vez a mesma marque seu lugar na história de Belo
Horizonte sendo citada no primeiro Orçamento Participativo Digital como
prioridade de investimento. Já em 2008 depois de um ano em obras e com
tapumes a Praça Raul Soares foi entregue aos moradores, mas oito anos após
essa entrega, pode se observar em breve pesquisa que a mesma já carecia de
alguns pequenos reparos. Esse trabalho sem a pretensão de conclusões
aprofundadas e ainda que breve, deixa em aberto várias questões que envolve
a Praça Raul Soares para posteriores pesquisas.

Palavras-chave: Praça Raul Soares, Edifício JK, Belo Horizonte, Orçamento


Participativo Digital, Patrimônio Cultural
RESUMO - 2 - OS DESAFIOS DA EDUCAÇÃO PATRIMONIAL: EIXO 6 –
EDUCAÇÃO PATRIMONIAL NA ESCOLA EIXO 7 – MUSEUS, ARQUIVOS E
EDUCAÇÃO PATRIMONIAL EIXO 8 – A CIDADE, LUGAR DA EDUCAÇÃO
PATRIMONIAL EIXO 9 – EDUCAÇÃO PATRIMONIAL E TRABALHO: OS
OFÍCIOS TRADICIONAIS EIXO 10 – COMUNIDADES: PARTICIPANTES
EFETIVAS DAS AÇÕES EDUCATIVAS

RESIGNIFICAR O MUSEU: PARCERIA UNIVERSIDADE X INSTITUIÇÃO


MUSEAL PÚBLICA

Alexandre Sônego De Carvalho (sonegoproducoes@gmail.com)


Ana Villanueva (anavillanueva11@gmail.com)

RESUMO

O MIS - Museu da Imagem e do Som de Campinas está localizado em um


prédio histórico de grande valor patrimonial, tendo sido tombado por três
esferas de órgãos de preservação do patrimônio cultural, o IPHAN, o
CONDEPHAAT e o CONDEPACC.

Por esta característica histórica do edifício, surge naturalmente uma dicotomia


entre o objeto tecnológico do museu e a preservação do patrimônio
arquitetônico.

Desde janeiro de 2017, foi iniciado um trabalho de apropriação do espaço do


MIS pelas Universidades da cidade, primeiramente a UNIP, sendo seguida pela
PUCC e pela UNICAMP.

A primeira ideia deste trabalho foi a de trazer os alunos da disciplina de


técnicas retrospectivas do Curso de Arquitetura e Urbanismo para fazer um
levantamento do prédio histórico e ficar em contato permanente com o mesmo
para apreensão, na prática, das teorias de preservação.

No sentido contrário, estes alunos contribuem para a dinâmica do cotidiano do


museu, com carência humana e estrutural.
Esta experiência Universidade/Museu, enriquece ambas instituições, fazendo
com que novas iniciativas e ideias sejam implementadas, como é o caso já
ocorrido de atualização de material expositivo, história oral do edifício intitulado
“De Solar a Museu”, procedimentos de restauro e acompanhamento de laudos
técnicos por parte dos estudantes.

Desta forma, cria-se um olhar, mais apurado dos alunos, que irá se transformar
em aprimoramento da sua formação profissional, ao mesmo tempo que, estes
estudantes trazem novos olhares para os funcionários do MIS.

Foram entrevistados os estudantes que participaram deste trabalho, sendo


constatados os resultados significativos que esta experiência está trazendo
para o Museu e para a Universidade.

Palavras-chave: Museu da Imagem e do Som, Patrimônio Cultural, Educação


Patrimonial
RESUMO - 2 - OS DESAFIOS DA EDUCAÇÃO PATRIMONIAL: EIXO 6 –
EDUCAÇÃO PATRIMONIAL NA ESCOLA EIXO 7 – MUSEUS, ARQUIVOS E
EDUCAÇÃO PATRIMONIAL EIXO 8 – A CIDADE, LUGAR DA EDUCAÇÃO
PATRIMONIAL EIXO 9 – EDUCAÇÃO PATRIMONIAL E TRABALHO: OS
OFÍCIOS TRADICIONAIS EIXO 10 – COMUNIDADES: PARTICIPANTES
EFETIVAS DAS AÇÕES EDUCATIVAS

REVELANDO MEU BAIRRO, MEU PATRIMÔNIO

Virgínia Ribeiro De Souza (virg.ribeiro@yahoo.com.br)

RESUMO

Área Temática: Os desafios da Educação Patrimonial

Título: REVELANDO MEU BAIRRO, meu patrimônio

RESUMO

Tendo como pano de fundo a cidade de Cataguases, reconhecida


nacionalmente como cidade histórica de Minas Gerais pelo rico acervo cultural,
principalmente por suas obras públicas modernistas, concentradas em sítio
histórico tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico
Nacional/IPHAN, e, sendo ainda, um município de médio porte, com população
estimada de 73.712 (IBGE/2014), reconhecemos que, embora o trabalho de
preservação e manutenção desse acervo ocorre de forma sistemática, ainda é
insipiente.

Apesar de todo esse potencial histórico existia um espaço referente às


manifestações populares/ patrimônios imateriais que necessitavam
urgentemente de atenção, uma vez que não configuravam como cenário
cultural de nossa cidade.

Entendendo que, preservamos apenas o que conhecemos, buscamos


parcerias através das Associações de Moradores e escolas municipais para um
grande “mutirão cultural”, envolvendo toda a população local em ações
cidadãs, culminando no reconhecimento da identidade, memória e história da
valorização da comunidade que pertence.

Preocupados em atingir esta demanda, o projeto REVELANDO MEU BAIRRO,


meu patrimônio é desenvolvido nas sedes das Associações de Moradores com
apoio das escolas municipais e o Departamento Municipal do Patrimônio
Histórico e Artístico de Cataguases/DEMPHAC. Com o intuito de mapear,
registrar e consolidar os suportes material e imaterial de cada comunidade,
acreditando que partir de pequenas ações próximas, poderá atingir toda a
cidade, onde observamos, ao longo dos anos, que os olhares são voltados
apenas para o sítio histórico localizado na região central da cidade.

Considerando a relevância do setor de patrimônio local (DEMPHAC), que


possui como proposta primeira a difusão da preservação do patrimônio deste
sítio histórico, através de programa de Educação Patrimonial existente desde
2008, elaboramos o projeto REVELANDO MEU BAIRRO, meu patrimônio com
objetivo de ampliar a atuação deste setor de patrimônio no que se refere à
valorização, pesquisa e preservação, envolvendo a comunidade, criando
verdadeiramente relação de pertencimento da população com a cidade.

REVELANDO MEU BAIRRO, meu patrimônio apresenta-se, portanto, como um


projeto que visa cuidar de garantir a permanência dos suportes imateriais que
contêm as marcas da história, dando continuidade a produção e preservação
da cultura das comunidades alcançando a cultura da cidade.

Através do Projeto REVELANDO MEU BAIRRO, meu patrimônio esperamos


envolver a população local, exercendo o papel de cidadania, criando uma
sólida relação de pertencimento dos munícipes com sua comunidade.

Palavras-chave: Patrimônio.Associação.Pertencimento
RESUMO - 2 - OS DESAFIOS DA EDUCAÇÃO PATRIMONIAL: EIXO 6 –
EDUCAÇÃO PATRIMONIAL NA ESCOLA EIXO 7 – MUSEUS, ARQUIVOS E
EDUCAÇÃO PATRIMONIAL EIXO 8 – A CIDADE, LUGAR DA EDUCAÇÃO
PATRIMONIAL EIXO 9 – EDUCAÇÃO PATRIMONIAL E TRABALHO: OS
OFÍCIOS TRADICIONAIS EIXO 10 – COMUNIDADES: PARTICIPANTES
EFETIVAS DAS AÇÕES EDUCATIVAS

ROTEIRO PELAS IGREJAS DO CENTRO HISTÓRICO DE CUIABÁ – UM


PASSEIO PELOS LOCAIS SAGRADOS

Daniel Silva Campos (arqdanielcampos@gmail.com)


Amelia Hirata (amelia.hirata@iphan.gov.br)
Rayane Cristina Carmin (rayane.carmin@iphan.gov.br)
Lúcia Lobato (lf_lobato@yahoo.com.br)

RESUMO

Com o intuito de fortalecer os sentimentos de identidade e cidadania da


população cuiabana, a Superintendência de Mato Grosso do Instituto do
Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – IPHAN, através de uma postura
mais educativa, de diálogo, de reconhecimento e de proteção do patrimônio
cultural, busca promover ações de educação patrimonial paralelamente às suas
frentes de ação. Neste contexto dinâmico, de trocas de experiências e
vivências, de experimentações e de esclarecimentos à sociedade, a
Superintendência iniciou no mês de março de 2017, o evento denominado
Roteiro Pelos Templos Sagrados do Centro Histórico de Cuiabá. Esse roteiro é
um produto de uma série de ações comemorativas do aniversário de oitenta
anos do órgão e tem como objetivo, a apresentação e visitação das principais
construções religiosas que se encontram na poligonal de tombamento do
Centro Histórico de Cuiabá – MT, são elas: Igreja do Rosário e Capela São
Benedito, Igreja do Nosso Senhor dos Passos, Igreja da Boa Morte, Basílica do
Senhor Bom Jesus de Cuiabá e Igreja Presbiteriana. Esses lugares sagrados
possuem grande importância para a população cuiabana por se tratarem da
representatividade espiritual que está enraizada nos mesmos, ou seja, a
proximidade com o divino representada por essas construções religiosas.
Desse modo, a Superintendência envolveu a necessidade de criação de um
produto que conectasse a bagagem histórica que as mesmas carregam e a
linguagem arquitetônica que concebem esses espaços sagrados, implantadas
na paisagem da cidade de modo que não deixa que o público passe sem
percebê-las. O roteiro é destinado a todos os públicos, como estudantes,
profissionais de diversas áreas, entusiastas, moradores do Centro Histórico,
entre outros interessados. A dinâmica do roteiro deu-se, primeiramente, por
uma rápida palestra institucional do órgão e um breve resumo histórico da
criação da cidade e dos espaços sagrados visitados, apresentadas no salão da
sede da Superintendência de Mato Grosso. Para que o histórico das
construções fosse apresentado, fez-se necessário o estudo de diversas
bibliografias, publicações de autores locais e documentos do arquivo da
Superintendência. Finalizada a parte teórica do evento, os participantes foram
convidados a percorrer trecho do centro histórico cuiabano até os templos
estudados, os quais são tombados pela União, na capital mato-grossense.
Para que as visitas no interior das igrejas fossem possíveis, contato com as
suas respectivas administrações foram estabelecidos. A proximidade entre eles
e a sede do órgão também foi um fator decisivo para a aplicação do roteiro.
Durante o percurso, o participante caminha por diversos casarões de diferentes
períodos e logradouros públicos cheio de histórias para contar. Ao vivenciar e
apresentar experiências, busca-se, portanto, promover o diálogo
interinstitucional, a troca de conhecimentos e a formação de possíveis
parcerias para a proteção e valorização desses bens no estado.

Palavras-chave: Roteiro, Igrejas, Centro Histórico de Cuiabá


RESUMO - 2 - OS DESAFIOS DA EDUCAÇÃO PATRIMONIAL: EIXO 6 –
EDUCAÇÃO PATRIMONIAL NA ESCOLA EIXO 7 – MUSEUS, ARQUIVOS E
EDUCAÇÃO PATRIMONIAL EIXO 8 – A CIDADE, LUGAR DA EDUCAÇÃO
PATRIMONIAL EIXO 9 – EDUCAÇÃO PATRIMONIAL E TRABALHO: OS
OFÍCIOS TRADICIONAIS EIXO 10 – COMUNIDADES: PARTICIPANTES
EFETIVAS DAS AÇÕES EDUCATIVAS

SABERES TRADICIONAIS: DESAPARECIMENTO E PERPETUAÇÃO

Januaceli Murta (janumurta@gmail.com)

RESUMO

Os ofícios tradicionais relacionam-se diretamente com hábitos tradicionais, com


(re) significação e (re) valorização por meio de sua perpetuação. No município
de Araújos, por exemplo, o saber fazer o chapéu de palha de cambaúba sofre
com escasseamento da produção, e possível extinção. Além da dificuldade de
encontrar a espécie de bambuzinho, a cambaúba, a principal detentora e
representante do ofício faleceu no ano de 2012. Relacionado diretamente com
a memória afetiva coletiva local, o ofício é rememorativo uma vez que remete a
tempos idos, resguardando ainda conhecimentos populares acerca da
produção da palha, como o processo de trançar, moldar, costurar. Remete a
civilizações passadas, com significâncias que remetem ao valor cultural, social,
político, individual, sendo ainda forma de comunicação (poder, sedução,
intimidação), além da parte funcional (proteção de batalhas, mau tempo, sol,
chuvas, etc) e simbólica (resguarda a parte mais importante do corpo, a
cabeça, o pensamento, resguardando-o de forças hostis, ou reafirmando-o ao
deixa-lo em destaque). Na região citada, outro saber pode também ser citado,
esse que interfere significativamente na paisagem local: as caieiras e olarias.
Espaços erguidos em tijolos cerâmicos maciços, com sistema de aquecimento
de remete ao conhecimento egípcio, passam por processo de abandono e
ausência de proposições de novos usos. Além de documentar, como propiciar
a perpetuação de tais saberes?
Palavras-chave: Patrimônio Imaterial. Ofícios. Chapéu de palha. Cambauba.
Olaria. Caieiras.
RESUMO - 2 - OS DESAFIOS DA EDUCAÇÃO PATRIMONIAL: EIXO 6 –
EDUCAÇÃO PATRIMONIAL NA ESCOLA EIXO 7 – MUSEUS, ARQUIVOS E
EDUCAÇÃO PATRIMONIAL EIXO 8 – A CIDADE, LUGAR DA EDUCAÇÃO
PATRIMONIAL EIXO 9 – EDUCAÇÃO PATRIMONIAL E TRABALHO: OS
OFÍCIOS TRADICIONAIS EIXO 10 – COMUNIDADES: PARTICIPANTES
EFETIVAS DAS AÇÕES EDUCATIVAS

UM CANTO DA CIDADE: PAISAGEM, MEMÓRIA E PATRIMONIALIZAÇÃO


DE GARÇA TORTA A RIACHO DOCE, MACEIÓ-ALAGOAS.

Tuanne Monteiro De Carvalho (tuannemdc@gmail.com)


Roseline Oliveira (roselineoliveira@gmail.com)

RESUMO

Quando uma cidade vai se fazendo no sítio, várias são as razões de ser de
seus gestos urbanos. Dentre elas, situa-se a relação do homem com a
natureza e, no contexto em que se insere a cidade de Maceió, ela tem
aparecido determinante no processo de sua apropriação física e imagética.
Desde a situação geográfica da cidade – uma faixa de terra entre o mar e a
lagoa, até sua toponímia que significa “o que tapou o alagadiço”. Um dia, no
seu começo, essa atmosfera foi repelida pelos princípios higienistas e a cidade
buscou vencer seu destino de ilha. Mais tarde, outro movimento moderniza a
cidade, balizado pela sedução da feição original do lugar. A orla marítima
passou a ser apropriada pela especulação imobiliária e pela Indústria do
Turismo que fizeram dos traços geográficos uma marca construída pelo
Marketing. Nesse processo, devido ao distanciamento do centro urbano, alguns
cantos, por um tempo, se mantiveram salvos das interferências drásticas da
urbanização. Cantos da cidade de Maceió que nem se viam parte dela e que,
por isso, puderam se construir a partir de gestos lentos, ao passo da rotina da
convivência – como os bairros Garça Torta e Riacho Doce, a 10 km do centro
da capital no sentido de seu litoral Norte. Nas últimas décadas, esses
parênteses urbanos têm atraído um outro habitante, o que percorre o lugar em
busca de um ambiente distinto da “cidade grande”. Tem seduzido também, por
meio da propaganda, outros que querem ser dali moradores e buscam uma
atmosfera paradisíaca reforçada pelos novos panfletos de venda de edifícios
de 20 andares. Contudo, habitantes fixos e fluxos, parecem estar às margens
do conteúdo, dos processos, das dinâmicas e memórias daquele lugar que
justificam seus próprios aspectos atraentes. A ideia desta proposta de artigo é
apresentar o processo de estudo que tomou a experiência lúdica como método
de acessar a história do lugar, visando o registro e a socialização de um
conhecimento baseado na empiria e na oralidade de famílias de moradores que
por gerações participaram da construção daquela paisagem com suas próprias
naturezas. Tal experiência consistiu em uma contribuição para a historiografia
de dois bairros no limiar de drásticas mudanças em suas feições físicas e, por
extensão, em suas relações cotidianas. Além disso, os produtos da pesquisa
constituem-se, especialmente, um resultado de exercício de outros
mecanismos de identificação de um rico conteúdo silencioso e invisível,
funcionando como uma ferramenta incitante de relações de pertencimento
entre os habitantes e o próprio lugar que ele habita, na medida em que
favorece o compartilhamento de histórias e memórias. O trabalho, portanto,
aborda percursos subjetivos de um canto da cidade, ou seja, de relações
cotidianas hoje ameaçadas que se deram à beira de mar, de rio e de morro,
que foram reformatadas na linguagem de um objeto de cunho extensionista
com potencial de uso enquanto instrumento de patrimonialização.

Palavras-chave: patrimônio paisagístico, memória, experiência lúdica.


RESUMO - 2 - OS DESAFIOS DA EDUCAÇÃO PATRIMONIAL: EIXO 6 –
EDUCAÇÃO PATRIMONIAL NA ESCOLA EIXO 7 – MUSEUS, ARQUIVOS E
EDUCAÇÃO PATRIMONIAL EIXO 8 – A CIDADE, LUGAR DA EDUCAÇÃO
PATRIMONIAL EIXO 9 – EDUCAÇÃO PATRIMONIAL E TRABALHO: OS
OFÍCIOS TRADICIONAIS EIXO 10 – COMUNIDADES: PARTICIPANTES
EFETIVAS DAS AÇÕES EDUCATIVAS

UM POUCO DE CADA

Helenne Jungblut Geissler (helenne.geissler@udesc.br)


Diomar Caetano (mara-ju@hotmail.com)
Marlene Siegle Schonrock (marlene666@gmail.com)

RESUMO

Ibirama integra a região do Alto Vale do Itajaí no Estado de Santa Catarina.


Localiza-se a uma latitude 27º03'25" Sul e a uma longitude 49º31'04" Oeste e
150 metros acima do nível médio do mar. Foi colonizada a partir do final do
século XIX, mas também recebeu muito imigrantes durante o século XX. O
município preserva na arquitetura, na culinária, no artesanato, no idioma,
esportes, música, folclore, costumes, hábitos, dentre outros o legado dos
imigrantes alemães, austríacos, italianos, poloneses, dentre outros, através de
seus descendentes.

A antiga colônia Hammonia, que já foi distrito de Blumenau possui uma áreas
de 247,3 m² e possui cerca de dezoito mil habitantes. Situa-se encravada em
vales com declividade acentuada, sendo entrecortada por rios caudalosos com
corredeiras e razoável extensão de florestas nativas preservadas. Há diversas
comunidades abrangendo patrimônio cultural preservado (arquitetura
enxaimel), habitantes fluentes nos idiomas de seus ancestrais a exemplo de
Sellin, Dalbergia, Rafael, Ribeirão das Pedras e outras. Neste contexto, pratica-
se caminhadas ao ar livre na floresta (wandern), ciclismo, tirolesa, rapel,
raffting, dentre outros esportes radicais. Permanecem ainda os clubes de caça
e tiro amadores, clubes de bolão, corais, grupos folclóricos adulto e infantil
bandas musicais.
Merecem ser valorizados os conhecimentos dos habitantes e documentá-los,
seja a memória, os saberes e suas diversas interfaces, o idioma e os dialetos,
as canções, as receitas, fabricação dos produtos caseiros, bolos (Kuchen),
geléias, conservas como sauerkraut (chucrute), cervejarias artesanais, cultivo
de uva e produção de suco e de vinho, o artesanato, os lugares, métodos
construtivos, conhecimentos de restauro de edificações enxaimel, energias
limpas como as rodas d´água, engenhos e moinhos, nas festas, nos pic-nics,
os bailes, cultivo de trutas e outros. A ideia é de que os saberes se propaguem
e se perpetuem no tempo e que sejam replicadas através das gerações e para
os turistas.

A proposta visa resgatar e valorizar o legado cultural através da gastronomia,


da arquitetura, valorizar o idioma, esportes, música, folclore, costumes, hábitos,
dentre outros aspectos. A metodologia inclui pesquisa bibliográfica, trabalhos
em campo, entrevistas e reuniões com as comunidades no meio urbano e no
rural, registros fotográficos das ações, registro do modo de fazer
documentando os saberes tradicionais dos habitantes. Espera-se gerar
materiais de divulgação e publicações, promover oficinas com crianças,
adolescentes, adultos e idosos visando integrar as diversas gerações,
promover a educação patrimonial e gerar multiplicadores do patrimônio.

Palavras-chave: imigrantes, legado, patrimônio cultural


RESUMO - 2 - OS DESAFIOS DA EDUCAÇÃO PATRIMONIAL: EIXO 6 –
EDUCAÇÃO PATRIMONIAL NA ESCOLA EIXO 7 – MUSEUS, ARQUIVOS E
EDUCAÇÃO PATRIMONIAL EIXO 8 – A CIDADE, LUGAR DA EDUCAÇÃO
PATRIMONIAL EIXO 9 – EDUCAÇÃO PATRIMONIAL E TRABALHO: OS
OFÍCIOS TRADICIONAIS EIXO 10 – COMUNIDADES: PARTICIPANTES
EFETIVAS DAS AÇÕES EDUCATIVAS

UM REGISTRO ARQUITETÔNICO DA FAZENDA ORIENTE

Francisco De Assis Pereira De Araújo (dassispb@hotmail.com)


Raiany Narla Soares Da Cruz Souza (raiany_narla@hotmail.com)

RESUMO

O artigo apresenta detalhes com descrições e análises sobre as características


arquitetônicas de um importante sobrado, sede da Fazenda Oriente, localizado
na cidade de Condado-PB, nas imediações do Açude Engenheiro Arco Verde,
inaugurado em 1936. Mesmo ano em que o proprietário Dr. Ageu de Castro
passou a residir no imóvel. Este foi dentista, advogado (rábula), jornalista e
importante politico da Paraíba, foi Major-Comandante da Força Revolucionária
de 1930 e participou da Assembleia Constituinte do Estado da Paraíba em
1947. Foi um dos pioneiros do município e que contribuiu para a emancipação
politica da cidade de Condado.

O sobrado é um exemplar significativo e peculiar, tendo em sua tipologia


marcas características de influências do estilo Art Décor, que se desenvolveu
no Brasil a partir inicio do século XX. Chama atenção à escala, elementos e
detalhes construtivos e o requinte desta edificação construída no sertão
paraibano em local estratégico com acesso facilitado para o núcleo urbano da
cidade de Condado e para Vila de Itajubatiba, comumente chamada de Mina do
Ouro, local rico nesse minério, pertence ao município de Catingueira, onde o
Dr. Ageu tinha negócios.

Atualmente o imóvel encontra-se desocupado, com sua estrutura física


preservada, necessitando de serviços de estabilização e de uso com o intuito
de manter esse local que no passado, contribuiu para o desenvolvimento da
região. Esta pesquisa oferece contribuições para a sociedade no campo da
educação patrimonial, visto é evidenciado às particularidades, tanto de técnicas
construtivas quanto da história de um sobrado que guarda elementos da
tipologia Art Décor utilizado no sertão paraibano, período inicial da formação da
cidade de Condado.

Palavras-chave: Educação Patrimônal, Arquitetura, Memória.


RESUMO - 2 - OS DESAFIOS DA EDUCAÇÃO PATRIMONIAL: EIXO 6 –
EDUCAÇÃO PATRIMONIAL NA ESCOLA EIXO 7 – MUSEUS, ARQUIVOS E
EDUCAÇÃO PATRIMONIAL EIXO 8 – A CIDADE, LUGAR DA EDUCAÇÃO
PATRIMONIAL EIXO 9 – EDUCAÇÃO PATRIMONIAL E TRABALHO: OS
OFÍCIOS TRADICIONAIS EIXO 10 – COMUNIDADES: PARTICIPANTES
EFETIVAS DAS AÇÕES EDUCATIVAS

UMA RUA DE MUITOS LUGARES: ROTEIRO PELO CENTRO HISTÓRICO


DE CUIABÁ

Lúcia Lobato (lf_lobato@yahoo.com.br)

RESUMO

Área Temática: Eixo 8 _ A cidade, lugar da educação patrimonial

Título: Uma rua de muitos lugares: roteiro pelo Centro Histórico de Cuiabá

RESUMO

Uma rua de muitos lugares corresponde à elaboração de uma proposta de


roteiro de visitação que foi trabalhada pelo Iphan/MT no Centro Histórico de
Cuiabá. A proposta do roteiro originou-se das observações feitas durante
algumas visitações de grupos de estudantes da educação básica e do ensino
superior pelo Centro Histórico da cidade. A partir destas observações,
constatou-se a falta de uma sistemática na forma de trabalhar os conteúdos
históricos, antropológicos e arquitetônicos durante a visitação, pois, os lugares
visitados eram trabalhados de forma isolada não havendo a associação entre
as informações e sua relação com a dinâmica da cidade. A segunda
observação relaciona-se à ausência de material de apoio como suporte para
apresentação dos locais visitados e para a realização de consultas. Por fim,
identificou-se a inexistência de clareza sobre o propósito da atividade de
visitação, o que contribui, no nosso entendimento, na limitação da reflexão
sobre a importância do Centro Histórico para a cidade. A realização do roteiro
vislumbrou inicialmente promover uma ação de educação patrimonial que
aproximasse os participantes, os habitantes da cidade com o Centro Histórico
de Cuiabá, sendo que a partir da construção desse primeiro elo de
aproximação, iniciar um trabalho de associação entre os aspectos históricos,
culturais e simbólicos dos locais visitados, desenvolvendo, dessa forma, uma
ação que incentivasse e contribuísse na a formação de agentes sociais
interessados na valorização e proteção do patrimônio local. Dessa forma, a
visitação ao Centro Histórico vai além da simples visualização de locais, volta-
se para o florescimento, para a apreciação, o aguçar do olhar, descortinar os
detalhes do lugar, do patrimônio ali contido, e assim, propiciar a ampliação da
visão para além do objeto em si, direcionando para a perspectiva mais ampla
em relação à sua valorização, conservação e preservação

Autores: Ma. FERREIRA, LUCIA DE FÁTIMA LOBATO

Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Superintendência de Mato


Grosso

Rua 7 de Setembro, nº 390, Bairro Centro Norte, Cuiabá/MT

lf_lobato@yahoo.com.br

Palavras-chave: Centro Histórico; patrimônio; Cuiabá.


RESUMO - 2 - OS DESAFIOS DA EDUCAÇÃO PATRIMONIAL: EIXO 6 –
EDUCAÇÃO PATRIMONIAL NA ESCOLA EIXO 7 – MUSEUS, ARQUIVOS E
EDUCAÇÃO PATRIMONIAL EIXO 8 – A CIDADE, LUGAR DA EDUCAÇÃO
PATRIMONIAL EIXO 9 – EDUCAÇÃO PATRIMONIAL E TRABALHO: OS
OFÍCIOS TRADICIONAIS EIXO 10 – COMUNIDADES: PARTICIPANTES
EFETIVAS DAS AÇÕES EDUCATIVAS

VIVENDO O PATRIMÔNIO: O MEMORIAL ZUMBI DOS PALMARES,


TERESINA-PI.

Jayanara Dar´C De Oliveira (jayanaradarc@hotmail.com)


Cláudio Valentim Leal (claudiovrleal@hotmail.com)
Ana Virgínia Alvarenga Andrade (anavirginia@uninovafapi.edu.br)

RESUMO

A cidade de Teresina tem como uma das várias marcas da sua paisagem
urbana a variedade de edificações com feições neocoloniais, sendo as
construções originalmente residenciais predominantes nesse contexto. Um
exemplar distinto dessa produção é o Memorial Zumbi dos Palmares,
inaugurado no dia 25 de julho de 2007, que abrigou originalmente uma escola,
construída como parte de um esforço comum no âmbito nacional para a difusão
da educação e muito importante, durante muitos anos, para a cidade de
Teresina. Diante disso, o presente artigo objetiva apresentar as características
dessa edificação como parte do cenário local e discutir o seu uso como um
importante recurso de educação patrimonial na cidade, além da relação deste
com a preservação das características do prédio. Baseia-se em uma
metodologia que englobou principalmente levantamentos bibliográficos,
documentais e físicos in loco, resultando em uma discussão sobre educação
patrimonial e preservação do patrimônio edificado teresinense.

Palavras-chave: Memorial Zumbi dos Palmares, Educação Patrimonial,


Preservação.
A DESTIPIFICAÇÃO DO PATRIMÔNIO ARQUITETÔNICO
RESIDENCIAL DE TERESINA: O caso do entorno da praça Landri
Sales

SILVA, CARLIENE LIMA E (1); SILVA, WANDERSON LUIS SOUSA E (2); SOUSA,
TAIANNE VANNE NECO (3); MOREIRA, AMANDA CAVALCANTE (4).

1. Universidade Federal do Piauí (UFPI). Centro de Tecnologia.


Av. Universitária, 1310, Campus da Ininga, TROPEN, Teresina (PI), CEP: 64049-550
carlienelimaesilva@gmail.com

2. Universidade Federal do Piauí (UFPI). Centro de Tecnologia.


Av. Universitária, 1310, Campus da Ininga, TROPEN, Teresina (PI), CEP: 64049-550
wandersonluis-05@hotmail.com

3. Universidade Federal do Piauí (UFPI). Centro de Tecnologia.


Av. Universitária, 1310, Campus da Ininga, TROPEN, Teresina (PI), CEP: 64049-550
taianneneco@gmail.com

4. Universidade de São Paulo (USP). Instituto de Arquitetura e Urbanismo.


Av. Trab. São-Carlense, 400, Centro, São Carlos (SP), CEP: 13566-590
amandacmoreira@usp.br

RESUMO
O centro histórico da cidade de Teresina-PI tem sido descaracterizado significativamente no decorrer
das últimas décadas, especialmente pela transformação quase que total dessa área que, originalmente,
abrigava principalmente os usos residenciais, comerciais e institucionais em uma zona, atualmente, de
serviço, comercial e institucional. Diante desta percepção, neste artigo abordamos essa transformação
e sua relação com a fragilidade dos instrumentos de proteção a partir do caso da Rua Barroso, no
quarteirão que ladeia a Praça Landri Sales, logradouro de grande destaque na cidade, especialmente
pela sua estreita relação com a história e a memória da cidade de Teresina. Por intermédio de estudo
temporal das mudanças e reconstituição do perfil de uso das edificações, através de fontes
documentais, bibliográficas e entrevistas, constatou-se a extrema descaracterização dessas
edificações, resultando em profunda mudança da paisagem urbana, sobretudo na substituição da
tipologia residencial por distintas funções.
Palavras-chave: patrimônio arquitetônico, residências de Teresina-PI, Rua Barroso, Praça Landri
Sales.

IX Mestres e Conselheiros Agentes Multiplicadores do Patrimônio


Belo Horizonte/MG de 21 a 23/06/2017.
Introdução
Teresina foi fundada para se tornar a nova capital para o estado do Piauí, planejada a fim de
atender as necessidades que o sistema exigia.

Antônio Conselheiro Saraiva decide por uma planície, às margens do rio


Parnaíba, com cota acima do mesmo para evitar o risco de futuras
inundações. A partir da decisão do espaço, foi criado um plano urbanístico
que era influenciado pelos modelos europeus, principalmente o português.
Linhas retas, rigidez geométrica, ritmo e a concentração dos poderes em
torno de praças compõem o partido do Plano. (CHAVES, 2008)

Assim, em seu primeiro plano urbanístico, Teresina, que segundo Brandim, “já nasceu sob os
auspícios do discurso moderno”, demonstrava cuidado com os espaços livres ao delimitar
sete espaços para futuras praças. A Praça Landri Sales só foi construída em 1955 – apesar
de ter sido incluída no plano Saraiva de 1855 –, durante o governo de Agenor Barbosa de
Almeida (1955 – 1959).

A área de 8.271,23m² era conhecida antigamente como Baixa da Égua – por


ser um ótimo ponto de pastagem. Ainda antes da construção da praça, o local
já era utilizado durante o verão como campo de futebol e hospedagem dos
circos que visitavam Teresina. (GARCIA, 2000)

O projeto de autoria e execução de Raimundo Nonato Portela de Melo foi concebido, segundo
MARQUES (2005, p. 12) “em estilo eclético, com lago, fonte com elementos decorativos, arco
em pedra, gruta e balaustradas neocoloniais em semicírculos, e alguns elementos do estilo
moderno como canteiros geométricos desestruturados distribuídos de forma orgânica”.

Nesse período, a praça atraía uma população diversa desde crianças a idosos, estudantes do
Liceu Piauiense, comerciantes – o que ocorre até hoje. “Com o passar dos anos a praça sofreu
fortes descaracterizações em seu espaço. E, no final da década de 1970, o lago, a fonte e a
gruta foram extintos por se tornarem foco de contaminação e refúgio para marginais”
(MARQUES, 2005). A Praça também sofreu com o processo de mutação dos usos daquela
área. Além da desfiguração ocorrida por falta de manutenção em seu mobiliário e
equipamentos, a mudança do uso residencial para outros usos (comercial, institucional ou
serviço) no entorno afetou a sua utilização. Só após uma reforma realizada em 2006, a praça
recupera ar de espaço público.

Da mesma maneira, a história da Rua Barroso, em termos de evolução do urbanismo e


modernização da capital do Piauí, se confunde, ora sendo agente modificador da paisagem
por ser uma via de grande importância – ligando a zona Sul à zona Norte através do centro –,
ora como consequência do crescimento da cidade partindo do seu centro histórico. A rua,
apesar de ter sido menos estimada em detrimento de outras vias como a Rua Rui Barbosa, já
foi uma área muito valorizada da cidade. Após o período de urbanização e desenvolvimento
da capital a partir de seu centro histórico, assim como ocorreu e ocorre em diversas cidades,
IX Mestres e Conselheiros Agentes Multiplicadores do Patrimônio
Belo Horizonte/MG de 21 a 23/06/2017.
Teresina e a Rua Barroso, consequentemente, sofreram um processo de depreciação. Este
processo teve seu início nos anos 1970 com a tentativa de desenvolvimento de uma
“pseudometrópole”.

Teresina, cidade de médio porte, foi centro da política de modernização posta


em prática em consonância com o modelo nacional de desenvolvimento
adotado nos anos 1970 (...). As intervenções foram no sentido de dotar a
cidade de infraestrutura, sistema de abastecimento de água e luz regulares,
desobstrução do tráfego de veículos – com abertura ou duplicação de ruas e
avenidas, as quais estavam recebendo cobertura asfáltica –, mas também de
criar símbolos modernizadores da presença do poder público, como a reforma
de logradouros públicos, construções de grande porte, passando aos
habitantes a sensação que a cidade mudara sua configuração, adquirira
novos ares de acordo com os novos tempos. (MONTE, 2009)

Visto este contexto e a aplicação dos novos códigos urbanos, Teresina passou por uma
‘cirurgia’ para dar lugar a novos tipos de moradia nas demais zonas da cidade, sofrendo,
segundo Lima, um progressivo e irreversível processo de verticalização, com o crescente
aumento de enormes edifícios que passavam a ocupar, intensamente, espaços vazios, em
áreas nobres da cidade, conjugando a construção de conjuntos habitacionais nos lugares
mais longínquos da periferia, alterando sensivelmente a paisagem.

A valorização dessas novas áreas residenciais em detrimento do centro da cidade, além do


desenvolvimento contínuo e acelerado do comércio e da economia, fez com que a área central
da cidade de Teresina – e por consequência, seu centro histórico – se tornasse quase
exclusivamente um local de atividades diurnas, perdendo sua tipologia de moradia.

Diante desse processo, nosso objeto de estudo, localizado na Rua Barroso, são as
construções pertencentes ao quarteirão que ladeia a praça Landri Sales, em seu lado
esquerdo, no sentido norte-sul.

A metodologia deste trabalho utilizou o método de pesquisas em acervos públicos, fontes


documentais, como o Inventário de Proteção do Acervo Cultural de Teresina e Inventário
pertencente ao SEMPLAN-PI, registros de imóveis de algumas construções pertencentes ao
recorte geográfico trabalhado nesse artigo cedido por proprietários das edificações, entrevista
cedida por uma das moradoras remanescentes da região supracitada, além do uso de
diversas fontes bibliográficas, sendo elas livros, jornais da época, fotografias cedidas por
antigos moradores e artigos científicos que já pesquisaram sobre algum dos aspectos desse
artigo.

IX Mestres e Conselheiros Agentes Multiplicadores do Patrimônio


Belo Horizonte/MG de 21 a 23/06/2017.
Figura 01: Localização dos objetos de estudo no bairro Centro, Teresina (PI) – Brasil.
Edição: Carliene Lima, 2017.

Imóvel 664
Datada como a construção mais antiga dentre as estudadas, a atual sede do Conselho
Municipal de Educação do Piauí (CME-PI) – demarcada como o lote 1 (Figura 01) possui um
dos edifícios com as características formais mais bem preservada do quarteirão.

A casa foi construída pela família do dono original, o clínico Agenor Barbosa de Almeida, figura
importante na sociedade piauiense da época por ter exercido vários cargos públicos de
destaque, tendo sido também prefeito da cidade de Teresina entre 1955 e 1959, construindo
durante seu mandato a praça Landri Sales (1955), que se localiza em frente sua antiga
residência.

Durante um longo período, depois de Agenor e sua família se mudarem para o Rio de Janeiro,
a casa permaneceu abandonada, permanecendo assim até o início dos anos 2000, quando
funcionou na edificação um estabelecimento comercial por nome de JC Livros Usados – que
ocupou o estabelecimento até 2009. A antiga residência é alugada, atualmente, para a
Prefeitura de Teresina, sob jurisdição da Secretaria Municipal de Educação e Cultura
(SEMEC) desde 2010. Entretanto, somente a partir de 2014, o edifício passou a servir de sede
para o CME-PI.

De meados do século XX, este edifício de 2 pavimentos possui características construtivas


coerentes ao Código de Postura de 3 de abril de 1939 que prega: “As paredes dos prédios
serão construídas com alvenaria de pedra, tijolo, concreto simples ou armado, ou qualquer
material existente, seco, incombustível e imputrescível, suficientemente refratário à umidade
e ao calor”. Sendo assim, o prédio apresenta alvenaria em tijolo, forro em laje de concreto,
IX Mestres e Conselheiros Agentes Multiplicadores do Patrimônio
Belo Horizonte/MG de 21 a 23/06/2017.
telha cerâmica (telhado 1/2 cana artesanal) e vergas retas. Em termos de características
formais, o edifício apresenta certos elementos pertencentes ao Estilo Missões – uma
arquitetura não originada no Brasil, mas, que aqui, encontrou campo e foi desenvolvido.

Iniciado no período posterior à Guerra México – Estados Unidos (1846 e


1848) significou, num primeiro momento, a atribuição de novas interpretações
aos presídios, aos ranchos e às missões da California, do New Mexico e do
Texas, mais afinados com os pressupostos político-sociais estadunidenses.
Segundo apontou o historiador urbano Robert Lint Saragena, com essa
atitude intentava-se apagar as marcas da dominação mexicana, ocorrida
entre 1821 – ano da independência do México, da Espanha – e 1848 – ano
do início do domínio dos Estados Unidos. A ideia era transformar a recém
incorporada região em uma idealizada “Arcádia Espanhola”. ATIQUE (2007,
p. 287)

Dos elementos arquitetônicos notados nesta construção que podem ser caracterizados como
pertencentes ao Estilo Missões são: poucos andares, uso de telha cerâmica do tipo capa
canal, alpendres com arcos plenos, guarda-corpo com balaustrada de alvenaria e o
revestimento rústico das fachadas com reboco grosso em relevo ou com texturas e desenhos
informais e variados – no caso do edifício, reboco ondulado que remete a escamas de peixe
com pintura impermeável. A maioria das características do Mission Style foi amplamente
utilizada em Teresina, mas é importante destacar que o pátio interno praticamente não existiu
nos exemplares encontrados na cidade, sendo essa uma das principais singularidades locais.

Por fim, segundo o Inventário de Proteção do Acervo Cultura de Teresina (IPAC) de 1998, o
estado de conservação do imóvel é classificado como bom com descaracterização reversível
– classificação esta que perdura até hoje.

Imóvel 658/650
Adjacente a propriedade supracitada, localiza-se o imóvel que pertencia a Domingos Fortes
Castelo Branco e foi adquirido em 1944 por Armênio Braz da Cruz, que residiu na mesma
moradia até o seu falecimento e era conhecido como um hábil alfaiate. A residência foi
construída inicialmente como uma única edificação e posteriormente bipartida. Atualmente,
as residências geminadas são habitadas por duas de suas filhas. No número 658, habita
Teresinha Reverdosa e no número 650, Conceição Nobrega.

Estes são os únicos imóveis que permaneceram com tipologia residencial e mantiveram bem
conservadas as suas características construtivas. Segundo o inventário do IPAC de 1998, as
casas possuem alvenaria em tijolo, revestido em pintura impermeável, cobertura em telha
cerâmica (telhado 1/2 cana artesanal), vedações em venezianas e vidro, vergas retas, beiral
IX Mestres e Conselheiros Agentes Multiplicadores do Patrimônio
Belo Horizonte/MG de 21 a 23/06/2017.
externo em cimalha e bica, beiral interno em bica simples, ferragens em grades de ferro,
soleiras e pisos internos em cerâmica esmaltada. Destacando que, ocorreram apenas
algumas alterações, notadas externamente, visando segurança e conforto térmico.

Imóvel 646/642
A casa seguinte é a de número 646, de propriedade do casal Pedro Falcão Lopes e esposa
Zelina de Assunção Silva, pais do Desembargador aposentado Augusto Falcão Lopes. Os
cônjuges residiram o imóvel contemporaneamente ao senhor Armênio Braz de Cruz. A
residência sofreu o mesmo processo notado na limitante direita. Em janeiro de 1981, segundo
o IPAC, as casas já constituíam dois núcleos independentes.

Apresentava ainda em 1998, segundo o IPAC, uso residencial; porém, no presente, o número
646, funciona como o Escritório Ednan Soares Coutinho Advogados Associados, fundado em
2003; e o número 642 é um estabelecimento do ramo alimentício com denominação de Casa
Grill Self-Service.

Também obedecendo ao Código de 1939, esta edificação apresenta alvenaria em tijolo,


revestimento de reboco caiado, cobertura em telha cerâmica (telhado 1/2 cana artesanal),
vergas retas e vedações em venezianas e vidro.

Figura 02: Fachadas do Imóvel 646/642 em 1998 (1); Fachadas do Imóvel 646/642 em 2017 (2).
Autor: Wanderson Luis, 2017.

Segundo o IPAC, em 1998, o estado de conservação era classificado como bom com
pequenas alterações; no entanto, atualmente constata-se um quadro bem diferente do
apresentado, onde as duas atuais fachadas encontram-se totalmente descaracterizadas. Das
citadas no estudo, esta é a edificação que mais sofreu alterações em sua fachada e
volumetria, sendo perceptível a adição de mais um pavimento e uso de material
contemporâneo no escritório de advocacia contrastando com a edificação geminada, Casa
Grill – que, por sua vez, tenta recriar, de modo infeliz, elementos arquitetônicos de fachadas
ecléticas.

IX Mestres e Conselheiros Agentes Multiplicadores do Patrimônio


Belo Horizonte/MG de 21 a 23/06/2017.
Imóvel 632
Contiguamente, a casa 632, foi construída na década de 1930 e pertenceu à Odilon Nunes,
natural de Amarante, um notável historiador, membro da Academia Piauiense de Letras,
professor e diretor da Escola Normal Oficial do Estado e do Liceu Piauiense, este último
localizado próximo a residência. Homenageado, nomeia, entre outros, o Museu do Piauí –
Casa Odilon Nunes, localizado em frente à Praça da Bandeira. Em 1944, a residência foi
vendida à Wilson de Andrade Brandão, um estimado advogado, professor universitário,
escritor e político brasileiro, que exerceu o mandato de Deputado Estadual do Piauí por 6
mandatos, entre 1967 e 1991, e pai do também político Wilson Nunes Brandão.

Assim como a primeira casa citada, de Agenor Barbosa, a edificação caracteriza-se por seguir
os moldes do Estilo Missões, ressaltando a presença de: torreão de planta circular coberto
por telhado cônico, telhado movimentado coberto com telhas de capa canal, a quase
inexistência de beirais, alpendres com arcos plenos, revestimentos rústicos das fachadas com
reboco grosso em relevo.

Segundo Moreira (2016, p. 347), é possível ressaltar “que, nesse momento, popularizou-se
uma tendência já sinalizada no período anterior: a repetição de padrões, onde residências
com características extremamente semelhantes foram construídas em pontos distintos da
cidade.”, sendo possível deparar-se com diversos exemplares no centro histórico de Teresina.

O imóvel esteve por um período sendo alugado e posteriormente foi comprado pela
Associação do Pessoal da Caixa Econômica Federal - APCEF, em 1996, que precisou fazer
algumas reformas no telhado, piso e pintura, melhoramentos para promover a acessibilidade,
incluindo uma rampa de acesso na fachada principal e a criação de salas com o uso de
paredes de gesso, mantendo a edificação ainda muito bem conservada no modo como foi
construída.

Figura 03: Imóvel 632.


Autor: Wanderson Luis, 2017.
IX Mestres e Conselheiros Agentes Multiplicadores do Patrimônio
Belo Horizonte/MG de 21 a 23/06/2017.
Imóvel 620
Por último, O edifício, de número 620, localizado na esquina da rua Barroso com a rua
Desembargador Freitas, atualmente ocupado pelo SEST/SENAT, é o único edifício de cunho
não residencial no recorte histórico deste artigo, sendo isso um dos seus diferenciais.

A construção, inicialmente, pertencia à família Campos, onde possuíam a Mercearia


Esperantina e a residência da família – de acordo com Reverdosa (2017). Posteriormente, o
edifício foi comprado e reformado, segundo o documento Habite-Se, pela construtora
Mafrense entre 1983 e 1986, adquirindo sua configuração e formato atual com 3 pavimentos.
A própria construtora Mafrense funcionou no local a partir de 1986, paralelamente ao aluguel
de salas para o funcionamento da extinta VARIG - Viação Aérea Rio-Grandense. Em 04 de
abril de 1996, o edifício foi comprado em sua totalidade pelo SEST/SENAT. Feitas as
alterações internas na construção, a instituição começou a funcionar em 18 de abril de 1997.

O edifício de 3 pavimentos se destaca em meio aos exemplos estudados neste artigo tanto
por seu uso já comercial quanto por suas características formais modernistas. Dentre alguns
elementos arquitetônicos modernos presentes no edifício, podemos citar: uso de formas
geométricas, ausência de ornamentação, panos de vidros contínuos nas fachadas e uso de
brise-soleils. Além disso, também utiliza materiais construtivos característicos do movimento
moderno como o concreto armado, o vidro e o ferro.

Perfis de uso
Resultando das informações colhidas, estudadas e analisadas neste escrito, os perfis de usos
elaborados dentro de um recorte temporal de 20 anos – de 1997 a 2017 – evidenciam não
somente a descaracterização física de algumas das edificações que ladeiam o quarteirão da
praça Landri Sales, na rua Barroso, como também argumentam a favor a conservação de
exemplares representativos de estilos arquitetônicos relevantes. Todavia, a custódia e
sobrevivência do patrimônio arquitetônico físico, de certo modo, não percorre o mesmo
caminho da atribuição do ofício dessas construções. No que se confrontam patrimônio
arquitetônico e usos, a tendência é uma separação imediata dos dois termos, porém, esses
perfis esboçam uma certa relação entre os dois; onde, ora o uso dita a manutenção da estética
do edifício, ora a relevância arquitetônica da obra dificulte certas funções. Choay (2001, p.
230) diz que a arquitetura é a única, entre as artes maiores, cujo uso faz parte de sua essência
e mantém uma relação complexa com suas finalidades estética e simbólica.

Dentro desse recorte temporal, é notória a alternância de uso das edificações – queira elas
tenham sido resguardadas fisicamente ou não. Ao passo que a paisagem urbana foi alterada
juntamente às necessidades de uma nova vida citadina, as moradias se fizeram menos
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presentes, desenrolando uma nova malha para a cidade e proporcionando o ingresso de
novas funções.

Ponderando sobre os dois cenários retratados, descobre-se um certo equilíbrio entre os novos
usos de serviço e institucional, além da perpétua coexistência com o comércio – contexto
comum à região. Ao mesmo tempo, as residências são esquecidas em detrimento da aparição
destas novas tipologias de uso. Tal qual observa-se na ilustração (Figura 04), apenas dois
quintos dos imóveis investigados foi capaz de perdurar seu uso residencial primitivo, enquanto
que os demais se transformaram no decorrer dos anos.

Figura 04: Usos em 1997 (1); Usos em 2017 (2). Autor: Carliene Lima, 2017.

Conclusão
Cada cidade traz parte de sua história contada pelas edificações que compõem seu cenário
urbano. Esse conjunto é a lembrança viva e palpável da cultura e dos costumes daqueles que
estruturaram a configuração dos espaços que conhecemos hoje, sendo inegável a
necessidade de proteger esse acervo. Segundo Lemos (1981, pg.19)

Devemos então, de qualquer maneira, garantir a compreensão de nossa


memória social, preservando o que for significativo dentro do nosso vasto
repertório de elementos componentes do Patrimônio Cultural.
Os centros urbanos têm, majoritariamente, um caráter histórico e de preservação, o que cria
um vínculo com os usuários do espaço e congrega muitos elementos que habitam a memória
afetiva da sua população. A cidade de Teresina não foge à regra.
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Os centros das cidades têm sido identificados como o lugar mais dinâmico da
vida urbana, animados pelo fluxo de pessoas, veículos e mercadorias
decorrentes da marcante presença de atividades terciárias, transformando-
se no referencial simbólico das cidades. Historicamente eleitos para a
localização de diversas instituições políticas e religiosas, os centros têm a sua
centralidade fortalecida pela somatória de todas essas atividades, e seu
significado, por vezes, extrapola o limite da cidade. (Vargas e Castilho. 2009,
p.1)

Só a partir da década de 1970, de acordo com Pedrazani (2009), foi institucionalizado o


patrimônio, a partir de ações regulamentadas, reconhecendo a necessidade de proteção dos
bens culturais. Na década seguinte, tais leis e instituições passam a ter algum grau de
relevância no Estado, sendo salvaguardado por leis e instituições especificas de proteção.
Essa missão será desempenhada por três entidades: a FUNDAC, criada em 1975, o IPHAN,
instituição federal implantada no estado do Piauí em 1984 e a Fundação Cultural Monsenhor
Chaves (FCMC), fundada em 1986.

Contudo, devido as diretivas sustentadoras das décadas anteriores no que tange à


arquitetura, nota-se um afastamento do ideário preservacionista.

O fato de, tanto o CEC quanto a FUNDAC e o seu Departamento de


Patrimônio, terem suas atividades iniciadas dentro de um processo
transitório, ao nível da política cultural nacional, os levará a difícil missão de
ter que voltar seus olhares não só para o “novo”, mas também para o
patrimônio tradicional, chamado de “pedra e cal”, pois pouco se havia feito
em favor deste. Isto justifica o Conselho ter apreciado muitos processos de
tombamento da década de 1980, principalmente de monumentos,
acautelados isoladamente, reforçando a tendência histórica advinda da
política de preservação nacional desde os anos de 1930 de se preservarem
o monumental e o excepcional em detrimento dos demais bens.
Observou-se então, no espaço que compreende o Centro de Teresina, por ser possuidor dos
edifícios mais antigos, a descaracterização, através de pequenas reformas, quando não da
destruição completa de construções antigas para a edificação de novas construções, que
antedessem as novas necessidades manifestadas naquela área, que vinha tendo uma
mudança de uso, saindo de um ambiente outrora residencial para se transformar no centro
comercial e de serviços que temos hoje. “A falta de uma cultura preservacionista de nossa
sociedade continua a ser um dos principais obstáculos a ser vencido”, diz o texto intitulado:
Clube dos Diários poderá ser desapropriado, publicado na Revista Impacto, de Teresina, em
setembro de 1991.

O recorte estudado, demonstra perfeitamente essa situação. A medida que o centro assume
as características atuais, as residências, uma a uma, assumem outro uso. Entretanto, no
desenrolar desse processo, observam-se dois comportamentos distintos no que se refere a
edificação pré-existente. A primeira situação aparece nos edifícios do SEST/SENAT, n. 620,
e nos Escritório de Advocacia, n. 646, e Casa Grill, n.642. Existe uma completa omissão com
a construção original. Isso se deve, normalmente, a necessidade de negar à arquitetura
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existente uma nova função. Demolição, alteração do gabarito e descaracterização das plantas
baixas e de fachadas de forma irreversível são algumas das alterações observadas nesses
lotes. Em contrapartida, outras construções, como a atual CMEI, n.664, e APCEF, n.632,
entendem que a ideia de mudança de uso não necessariamente precisa estar atrelada a
alterações significativas na estrutura e/ou estética original do edifício. Esse comportamento,
no que diz respeito as intervenções nos bens arquitetônicos, foi publicado em um documento
denominado Carta de Veneza, conhecido no II Congresso Internacional de Arquitetos e
Técnicos dos Monumentos Históricos em 1964.

Artigo 5º - A conservação dos monumentos é sempre favorecida por sua


destinação a uma função útil à sociedade; tal destinação é, portanto,
desejável, mas não pode nem deve alterar a disposição ou a decoração dos
edifícios. É somente dentro destes limites que se deve conceber e se podem
autorizar as modificações exigidas pela evolução dos usos e costumes.
(ICOMOS, 1964).
Assim, as duas instituições conseguiram, de maneira harmônica e não agressiva, incorporar
novas funções em construções já existentes sem a precisão de grandes transformações. Isso
demonstra a formação de uma consciência individual, proposital ou não, na relação
construção/memória, na medida em que os usuários entendem que a aplicação de uma nova
utilidade não está estritamente ligada a destruição do pré-existente. Nos últimos anos, o
interesse pelo patrimônio construído aumentou consideravelmente, por motivos como o
entendimento do seu valor histórico, especulação imobiliária e exploração turismóloga. Isso
mostra, que, é possível recuperar e inserir novos usos na medida em que exista uma
integração entre esses dois processos. É, somente, a partir disso que teremos uma
conservação completa do patrimônio edificado.

“É tempo de dar um basta neste processo criminoso de dilapidação de tudo


o que diz respeito à nossa história, ao nosso passado, às nossas tradições,
às nossas raízes, enfim, à nossa memória artística e histórica. ” (Jesualdo
Cavalcanti, Secretário da Cultura, Desporto e Turismo)

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Referências
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– PI. Teresina, Universidade Federal do Piauí, 2007.

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Acesso em: 30 jan. 2017.

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aspectos históricos e paisagísticos, 2005, 27p. Trabalho de conclusão de Curso
(Especialização em Paisagismo) – Instituto Camilo Filho, Teresina, 2005.

MOREIRA, Amanda Cavalcante. Teresina e as moradias da região central da cidade


(1852-1952). Dissertação (Mestrado). São Carlos, 2016.

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REVERDOSA, Teresinha. A vizinhança no século XX na praça do Liceu. Entrevista


concedida a Taianne Neco. Teresina, 5 jan. 2017.

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TOLLSTADIUS, Larissa Lira. Preservação do Centro de Teresina: A construção de um


objeto. Rio de Janeiro: Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, 2013.
Dissertação apresentada ao curso de Mestrado Profissional do Instituto do Patrimônio
Histórico e Artístico Nacional, Rio de Janeiro, 2013.

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A IMAGEM DO ESTADO MODERNO DE JUSCELINO KUBITSCHEK
POR MEIO DA ARQUITETURA DE OSCAR NIEMEYER

MORAIS, CAMILA S. (1)


1. Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG
Mestrado em Ambiente Construído e Patrimônio Sustentável – MACPS
morais.camila@gmail.com

RESUMO
No Brasil, considera-se que o estilo moderno arquitetônico foi inaugurado em meados da década de
1930, com a construção do prédio do Ministério da Educação e Cultura, em equipe liderada por Lúcio
Costa e consultoria de Le Corbusier. Contudo, esse estilo arquitetônico ganha impulso e se consolida
no país sob a figura do político Juscelino Kubitschek e sua parceria com o arquiteto Oscar Niemeyer.
O modernismo pretendeu a construção de um mundo público e comum em relação ao seu passado
contíguo, constituindo novos procedimentos, práticas e referenciais teóricos. Relacionar bases
sociais, teoria, prática e materiais fornecidos pela revolução intelectual, científica e técnica foi o
manifesto da arquitetura moderna e é também aquilo que conecta a obra de Niemeyer não apenas a
outros lugares do início do século XX, como também a outros lugares da história.
Pensados dentro da trama do modernismo brasileiro, os edifícios projetados por Niemeyer,
especialmente dentre as décadas de 1940 e 1960, desde a Pampulha até Brasília, ambas
reconhecidamente patrimônio cultural, adquirem sentido a partir do diálogo que o arquiteto procura
estabelecer entre seus projetos e o processo histórico global e que ele traduz no interior de sua
disciplina e seu exercício profissional.
A síntese entre tecnologia e forma, característica das obras de Niemeyer, ganha expressão durante
os principais anos de política de Juscelino Kubitschek, a saber, como Prefeito da capital Belo
Horizonte (1940-1945), como governador de Minas Gerais (1951-1955) e como Presidente da
República (1956-1961); bem como Juscelino encontra a expressão de progresso e modernidade, para
o desenvolvimento dos lugares por onde passou como político, nas obras do arquiteto.
Por meio de uma arquitetura monumental, vinculada ao poder político, Juscelino diminuía o papel do
indivíduo enquanto participação política na cidade, reforçando que a modernização do país era o
principal e, para tal, o sujeito deveria fazer parte da massa, sem se sobrepor a esta. Criando um
cenário da espetacularização através de uma arquitetura imponente, Juscelino também conseguiu
tirar o foco dos problemas econômicos advindos do endividamento estatal bem como da disparidade
social que se configurava junto com o Estado Moderno. O país crescia economicamente a duras
penas, mas crescia, e junto a isso foi consolidando uma imagem da arquitetura do poder em suas
principais cidades.
Dessa forma, o Estado é o principal propulsor das principais propostas arquitetônicas renovadoras
desde a década de 1930, que modificam nossas imagens sobre o conjunto da produção da cidade e
da paisagem. Do mesmo modo que a arquitetura se consolida como uma importante peça no cenário
político, fazendo parte da compreensão dos processos de reestruturação nacional, especialmente nos
processos de modernização e produção.
Palavras-chave: Modernismo; Política; Arquitetura; Poder; Patrimônio Cultural.

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A imagem do Estado Moderno de Juscelino Kubitschek por meio da
arquitetura de Oscar Niemeyer
De modo geral, desde fins do século XIX, e mais efetivamente a partir do século XX, o
espaço urbano e a arquitetura passaram por constantes mudanças, especialmente em
função do advento do concreto armado e à utilização de novos materiais na construção civil,
devido ao avanço industrial em âmbito mundial. Assim, objetivando uma reestruturação
arquitetônica do espaço habitado, muito influenciada também pela nova era de
produtividade da modernidade, com características universalizantes, a arquitetura moderna
se manifesta enquanto surgimento de um viés para um novo mundo e para um novo
indivíduo.

No Brasil, considera-se que o estilo moderno arquitetônico foi inaugurado em meados da


década de 1930, com a construção do prédio do Ministério da Educação e Cultura, na
cidade do Rio de Janeiro, em equipe liderada por Lúcio Costa e consultoria de Le Corbusier.
Contudo, esse estilo arquitetônico ganha impulso e se consolida no país sob a figura do
político Juscelino Kubitschek e sua parceria com o arquiteto Oscar Niemeyer. Arquiteto este
que, ressalta-se, também foi membro da equipe que trabalhou com Lúcio Costa no projeto
do Ministério da Educação e Saúde, em 1936.

A síntese entre tecnologia e forma, característica das obras de Niemeyer, ganha expressão
durante os principais anos de política de Juscelino Kubitschek, a saber, como Prefeito da
capital Belo Horizonte (1940-1945), como governador de Minas Gerais (1951-1955) e como
Presidente da República (1956-1961); bem como Juscelino encontra a expressão de
progresso e modernidade, para o desenvolvimento dos lugares por onde passou como
político, nas obras do arquiteto.

O racionalismo arquitetônico apresentado por Niemeyer, na aliança entre arte e tecnologia,


não pretende notabilizar-se em seu caráter singular, mas na medida em que se insere
dentro de uma mesma estratégia projetual que a aproxima de uma pesquisa de amplitude
internacional. “Essa solidariedade internacional, própria de uma comunidade universal que
tem problemas comuns e procura soluções coletivas, é uma dos aspectos mais
propriamente políticos dessa arquitetura” que entrelaça Juscelino e Oscar (BRANDÃO,
2002, p. 70).

Destaca-se que, a internalização da política na narrativa construtiva é um dos objetivos de


todos os projetos de Oscar Niemeyer, o que contradiz pontuações críticas superficiais que
veem a sua arquitetura como isolada e mesmo contraposta à sua ideologia e ação política.

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Pensando em termos de processo, a arquitetura modernista desviou o seu
olhar das entidades ou ocorrências individuais e das causas singulares e
específicas para depositá-lo também sobre a história, o contexto e a ação
humana supra-individual. Só dentro desse panorama mais vasto as obras
adquirem seu significado. Por isso, o juízo a ser feito das obras de Niemeyer
e JK [Juscelino Kubitschek] deve levar em conta esse ambiente e processo
histórico global onde elas travam seu diálogo, não se confinando aos
contextos locais nos quais elas se inserem. Antes de cair num burocratismo
estético e na repetição de fórmulas, o modernismo apropriou-se das novas
bases técnicas e intelectuais, no sentido de alicerçar um universo material e
uma linguagem artística e construtiva capaz de atender ao ethos cívico, o que
pode ser verificado até em proposições arrojadas e visionárias, como as
contidas no construtivismo russo que a arquitetura contemporânea revisitou.
(BRANDÃO, 2002, p.73).

O modernismo pretendeu a construção de um mundo público e comum em relação ao seu


passado contíguo, constituindo novos procedimentos, práticas e referenciais teóricos, além
de se servir da “apresentação e promoção dos processos do presente para conceber as
imagens do futuro” (BRANDÃO, 2002, p. 76). Relacionar bases sociais, teoria, prática e
materiais fornecidos pela revolução intelectual, científica e técnica foi o manifesto da
arquitetura moderna e é também aquilo que conecta a obra de Niemeyer não apenas a
outros lugares do início do século XX, como também a outros lugares da história. Segundo
Rita Velloso, “a arquitetura é a evidência mais importante da mitologia latente de uma
sociedade, dizia Benjamin. É a imagem com a qual uma sociedade produtora de
mercadorias representa a si mesma, e acredita compreender-se” (VELLOSO, s/d, p. 03).

Pensados dentro da trama do modernismo brasileiro, os edifícios projetados por Niemeyer,


especialmente dentre as décadas de 1940 e 1960, adquirem sentido a partir do diálogo que
o arquiteto procura estabelecer entre seus projetos e o processo histórico global e que ele
traduz no interior de sua disciplina e seu exercício profissional.

Na ordem própria da arquitetura, Niemeyer clama por manter esse mundo


público comum em nosso horizonte, mesmo em ambientes e momentos mais
adversos, em que todo sentido se ausenta e o homem é comprimido na
massa. A arquitetura moderna passou, mas permanece o seu clamor:
identificar as tiranias de nosso tempo e projetar contra elas. (BRANDÃO,
2002, p.88).

Durante o período de 1940-1945, Juscelino Kubitschek assume a prefeitura da capital Belo


Horizonte, quando começam a surgir as primeiras edificações modernistas no centro urbano
da cidade, reflexo da verticalização do mesmo iniciada ainda na década de 1930 e que
possuíam a priori estilo art decó.

Na década de 1940, Juscelino evidencia seus anseios desenvolvimentistas e


modernizadores ao firmar parceria com o então jovem arquiteto, já com tendências
modernas, Oscar Niemeyer. O início dessa união, que acompanharia a sucessão da carreia
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política de Juscelino, objetivava a construção do complexo modernista da Lagoa da
Pampulha na tradicional capital mineira e estabelecia, também, o início de um “mecenato
estatal na arquitetura brasileira, que culminaria mais tarde com Brasília” (PEREIRA, 1997, p.
84). Para Danilo Macedo:

Juscelino incorporava (...) a tarefa de modernizar a cidade através de feitos


simbolicamente marcantes. Em Pampulha, nasce definitivamente para a
arquitetura um ritual tipicamente brasileiro de colaboração política,
econômica, intelectual e artística no qual um pequeno grupo de homens
poderosos uniram forças numa tentativa de mudar a história com um marco
de desenvolvimento arquitetônico executado em tempo recorde. Este ritual
brasileiro é parte fundamental da política de JK, conforme ele mesmo nos
conta de sua passagem pela prefeitura de Belo Horizonte: “Posso dizer, sem
vaidade, que criei mesmo um novo estilo de administração, tanto pela
audácia dos meus empreendimentos, como pela velocidade com que os levei
a bom termo.” De fato, este ritual marcaria todas as passagens de Juscelino
por cargos públicos executivos, sempre associado a Oscar: como prefeito,
com a Pampulha; como governador, com do Conjunto Governador
Kubitschek; e, claro, como presidente da republica, com Brasília. (MACEDO,
2008, p. 217-218).

Ainda na década de 1940, com as obras construídas da Pampulha – Cassino, Casa do


Baile, Iate Clube, Igreja de São Francisco de Assis e a residência de Juscelino Kubitschek –,
Oscar Niemeyer alcança visibilidade internacional, demonstrando com formas livres,
pautadas nas curvas, que pode ser considerada “a linguagem cosmopolita brasileira”
(CAVALCANTI, 2001, p. 385), as possibilidades do concreto armado, destoantes da
linguagem corrente da arquitetura racionalista de então, onde os traços retilíneos eram
predominantes.

A mentalidade moderna chegou à Capital Mineira no início dos anos 1940,


sob a égide de dois marcos fundamentais: a montagem da Cidade Industrial
em Contagem e a construção do complexo de lazer Pampulha, ambos
durante a administração municipal de Juscelino Kubitschek (1940-1945). O
projeto da Pampulha, concebido por Oscar Niemeyer e um grupo de artistas,
resultou numa obra de perfeita integração plástica, inaugurando uma nova
linguagem dentro da evolução urbana de Belo Horizonte. (CANDIDA, p. 14
apud Registro Histórico Documental do Banco Mineiro da Produção, 2000).

De acordo com Danilo Macedo (2008, p.239), o contato entre Juscelino e Niemeyer
frutificaria e se consolidaria com a repercussão nacional e internacional de Pampulha. De
fato, durante a passagem de Juscelino pelo Governo de Minas Gerais (1951-1955),
praticamente todas as obras realizadas por Oscar no Estado de Minas Gerais devem-se ao
contato com o estadista; quer seja pela contratação direta do estado para a realização de
obras publicas, quer seja através de relações com membros destacados da elite política e
econômica mineira.

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A primeira metade dos anos 1950 traria a Niemeyer mais que o dobro de
obras no estado de Minas Gerais. Temos, primeiramente, diversos projetos
encomendados pelo governo estadual:

 Em Diamantina: Hotel Tijuco (1951); Escola Júlia Kubitschek, (1951);


Praça de Esportes (1950); Faculdade de Odontologia;

 Em Juiz de Fora: a sede do Banco do Brasil;

 Em Belo Horizonte: Banco Mineiro da Produção (1953); Colégio


Estadual Central (1954); Biblioteca Publica Estadual (1955).

 Temos ainda três projetos encomendados pela iniciativa privada em


Belo Horizonte: Conjunto Governador Juscelino Kubitschek (1951);
Residência de Alberto Dalva Simão (1954); Edifício residencial na
Praça da Liberdade (1954), hoje chamado Edifício Niemeyer.
(MACEDO, 2008, p. 239-240).

Durante toda a década de 1950, momento de maturação do Movimento Moderno brasileiro


que se situa politicamente logo após o Estado Novo e antecede o Regime Militar, há uma
grande preocupação por parte dos arquitetos em explicar o conteúdo social da arquitetura
brasileira. Período esse que propicia, em Belo Horizonte, a maior realização de Oscar
Niemeyer com iniciativa público-privada, o Conjunto Governador Kubitschek (1951), e
também alavanca o ideário econômico que viabilizaria a construção de Brasília, poucos
anos mais tarde.

A construção do Conjunto Governador Kubitschek evidencia alguns conflitos de interesses


entre os três pilares envolvidos: “o arquiteto desejoso de levar a cabo as utopias de
renovação social a que o movimento moderno aspirava, o governador desejoso de uma obra
que simbolizasse sua passagem pela administração do Estado e o empreendedor desejoso
do maior retorno financeiro” (MACEDO, 2008, p. 246). O projeto tratava-se de um grandioso
empreendimento na área central de Belo Horizonte, no nó viário da praça Raul Soares, que
conforme Danilo Macedo:

O incorporador, Joaquim Rolla, (...) solicitara ao arquiteto [Oscar Niemeyer] a


solução de um programa ainda mais complexo: habitações coletivas, hotel,
instalações para departamentos públicos, uma estação rodoviária e um centro
comercial. Os apartamentos foram projetados de modo a oferecer, à escolha,
sete tipos diferentes. Somam-se ainda as dificuldades de implantação em
pleno centro urbano, amenizado que fosse pela praça [Raul Soares]
adjacente. Nesse sentido, o apoio governamental de Kubitschek era
fundamental, defendendo na Assembléia aprovação de uma lei específica
concedendo o direito a construção do conjunto. No projeto, o valor do terreno,
que pertencia ao Estado, seria pago em frações ideais de área construída,
destinadas a órgãos públicos. Essa proposta, diz, Juscelino em sua
mensagem à Assembléia, dispensaria a necessidade de concorrência
pública. O empreendimento, portanto, era um misto de iniciativa publica e
privada. (MACEDO, 2008, p. 245).

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O Conjunto Governador Kubitschek incorporava a utopia moderna de modificação do modo
de vida da sociedade, devidamente amenizada pela diversificação dos tipos de
apartamentos e incluindo espaços de lazer e comércio, que permitissem, de certa forma, a
autossuficiência dos apartamentos e seus moradores, usuários.

Em 1953, com a tríade: projeto de Oscar Niemeyer, construção de Joaquim Rolla e


financiamento de Juscelino Kubitschek, o projeto de 1951 tem sua construção iniciada. De
acordo com Carlos Teixeira:

A saga do Conjunto começa publicamente em fevereiro de 1952, quando o


jornal “Tribuna de Minas” publica na íntegra o discurso proferido pelo
governador Juscelino Kubitschek, por ocasião do primeiro aniversário de sua
administração. Kubitschek anunciava, entre outras obras, “a construção de
monumental realização arquitetônica” que, localizada na Praça Raul Soares,
“irá destacar Belo Horizonte na admiração de todos os brasileiros”. O
governador, tratado pela imprensa como o administrador que tinha projetado
mundialmente a capital de Minas com a construção da Pampulha, voltava a
atuar modificando a fisionomia provinciana da cidade. “O conjunto
caracterizará a silhueta da cidade e já se prediz que constituirá ele, nos
impressos e na tradição oral, a marca registrada de Belo Horizonte, ou seja, o
que é a Torre Eiffel para Paris ou o Rockefeller Center para Nova York”.
(TEIXEIRA, 1999, p. 212).

As torres do Conjunto foram praticamente construídas conforme o projeto original de


Niemeyer, tendo sido simplificada a configuração das plataformas do pilotis I, formando um
conjunto final com a torre mais alta com 36 andares e a mais baixa com 26 andares e quase
120 metros de extensão horizontal. Contudo, todo o resto previsto, como área de lazer,
hotel, espaços públicos, clube, cinema, teatro, terminal rodoviário etc não foram
concretizados, nem mesmo a utilização das torres correspondeu ao designado pelo
arquiteto, como a utilização coletiva de área de serviço e refrigeradores, cabendo aos
moradores a adequação dessas funções dentro dos próprios apartamentos. Ainda, para
Carlos Teixeira:

A “cidade dentro da cidade” marcava e ainda marca presença como objeto


estranho que se estabeleceu sem ser convidado e que propunha um
programa totalmente diverso de tudo já existente. Seus riscos eram
proporcionais às possibilidades imprevisíveis de desfecho da aventura, e
aqueles que moram em BH conhecem o final de ímã arquitetônico: um
edifício que representa toda a ingenuidade, o otimismo e o exagero de seu
tempo; uma minicidade que abriga espécies sociais variadíssimas – e que
definitivamente não coincidem com a classe-alvo do projeto, a classe média
então emergente. Hoje Niemeyer o despreza, Juscelino quis esquecê-lo, a
história da arquitetura brasileira tenta ignorá-lo, mas a presença incômoda
desse monstro jamais passará despercebida pela cidade. (TEIXEIRA, 1999,
p. 213).

O “fracasso” desse projeto evidencia uma arquitetura voltada para enaltecer uma forma de
poder associada ao Estado e até mesmo à própria arquitetura. A intenção de se criar uma
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imagem forte para a cidade, com intenção de também elevar uma imagem de progresso,
futuro e melhores condições, desconsiderou as características da sociedade aristocrata
mineira à época, ainda muito tradicional e que prezava, dentre outras coisas, pela
propriedade da terra, conforto e consumo e, assim, não se subjugaria a um projeto de
moradia como o Conjunto Governador Kubitschek.

De destaque na década de 1950, para consolidação da imagem de Belo Horizonte como


uma cidade moderna, há três grandes torres projetadas por Oscar Niemeyer, configurando
marcos monumentais na cidade e endossando que “o movimento moderno se firmara
provando sua habilidade em criar monumentos na construção de grandes obras”
(CAVALCANTI, 2002, p.94).

A primeira delas, de 1951, foi o Conjunto Governador Kubitschek, que segundo Danilo
Macedo, se tratava

(...) de um grande empreendimento no centro de Belo Horizonte defronte ao


nó viário da praça Raul Soares – uma das poucas do plano original da cidade.
O incorporador, Joaquim Rolla, solicitara ao arquiteto a solução de um
programa ainda mais complexo: habitações coletivas, hotel, instalações para
departamentos públicos, uma estação rodoviária e um centro comercial. Os
apartamentos foram projetados de modo a oferecer, à escolha, sete tipos
diferentes. Somam-se ainda as dificuldades de implantação em pleno centro
urbano, amenizado que fosse pela praça adjacente. Nesse sentido, o apoio
governamental de Kubitschek era fundamental, defendendo na Assembleia a
aprovação de uma lei específica concedendo o direito a construção do
conjunto. O empreendimento, portanto, era um misto de iniciativa publica e
privada (MACEDO, 2008, p.245).

Tendo sido as torres praticamente construídas conforme o planejamento inicial. É importante


ressaltar aqui que, nessa mesma época, em 1951, Niemeyer projeta o Edifício Copan, para
se localizar no centro urbano da capital São Paulo, encomendado para o IV Centenário da
cidade, que se configura como uma grande torre, que possui um grande centro comercial e
de lazer, como também possui residências. Durante os anos de 1950, 1960 e 1970, o Copan
representa a “São Paulo moderna”.

Em 1953, em Belo Horizonte, Niemeyer projeta outra importante torre no centro da cidade o,
então, edifício sede do Banco Mineiro da Produção. Conforme Danilo Macedo (2008, p.
247), este edifício está disposto no nó viário mais importante do centro de Belo Horizonte, a
praça Sete de Setembro.

A terceira torre de Oscar em Belo Horizonte, projetada em 1954, é o edifício de


apartamentos que acabou levando seu próprio nome – Edifício Niemeyer –, localizado na

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Praça da Liberdade, que durante anos representou o centro do poder da cidade,
concentrando o Palácio do Governador e as secretarias estaduais.

Figura 1: Conjunto Governador Figura 2: Antigo Banco Mineiro da


Figura 3: Edifício Niemeyer (1954).
Kubitschek (1951) Produção (1953)

Fonte: Site Arch Daily. Fonte: Acervo da autora. Fonte: Site Descubra Minas.

De fato, as três edificações mencionadas, apresentam o destacamento do edifício junto às


principais ruas que dão acesso a eles e se expressam na conformação predominantemente
vertical, para a perspectiva dos pedestres das vias adjacentes, guardando assim um
aspecto mais encorpado e horizontalizado para o observador situado no entorno dos
mesmos e denotando um estilo muito característico do arquiteto para o período em
específico, assinando o que se tornariam imagens fundamentais de referência na cidade.

Por fim, como último grande período da parceria Juscelino Kubitschek e Oscar Niemeyer
tem-se os anos de 1956 a 1961, quando Juscelino se torna Presidente da República e o
plano da construção de uma nova capital para o país é executado, sob os projetos
arquitetônicos de Niemeyer e projeto urbanístico do também modernista Lúcio Costa.
Ressalta-se ainda que,

ao decidir construir a nova sede no centro do Brasil, Juscelino Kubitschek


chamou Oscar Niemeyer para fazer os prédios e o projeto urbanístico.
Reeditava a bem sucedida parceria da Pampulha (...). Niemeyer preferiu,
entretanto, se encarregar somente da parte arquitetônica, sugerindo o
estabelecimento de um concurso para a escolha do plano urbanístico
(CAVALCANTI, 2002, p. 91-92).

Ainda, de acordo com Lauro Cavalcanti (2002, p. 94), “o jeito moderno brasileiro de fazer
monumentos conseguira conciliar economia e luxo, simplicidade e imponência”, nascendo
assim, sob o pretexto de desenvolvimento do interior do país e integração nacional, a nova
capital do Brasil: Brasília. Para o planejamento de Brasília houve um harmônico
entrosamento entre os desenhos de Lúcio Costa, os edifícios de Niemeyer, o paisagismo de
Burle-Marx e os artistas convidados para realizar as esculturas públicas.
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Ademais, Niemeyer teve em Brasília a oportunidade de consolidar, em larga escala, uma
linguagem pessoal que vinha se delineando em projetos isolados há quase duas décadas.
Nos palácios da nova capital e centro político nacional, o arquiteto atingiu uma composição
espetacular através de simplificação e ousadia nas formas exteriores, conseguindo, assim,
de forma simultânea, criar monumentos e símbolos nacionais. O projeto de Brasília era,
concomitantemente, arquitetônico e social e contribuiria para definitivamente eternizar os
nomes de Juscelino e Niemeyer nas páginas da história da política e da arquitetura, em
âmbito nacional e internacional.

Por meio dessa arquitetura monumental, vinculada ao poder político, Juscelino diminuía o
papel do indivíduo enquanto participação política na cidade, reforçando que a modernização
do país era o principal e, para tal, o sujeito deveria fazer parte da massa, sem se sobrepor a
esta. Criando um cenário da espetacularização através de uma arquitetura imponente,
Juscelino também conseguiu tirar o foco dos problemas econômicos advindos do
endividamento estatal bem como da disparidade social que se configurava junto com o
Estado Moderno. O país crescia economicamente a duras penas, mas crescia, e junto a isso
foi consolidando uma imagem da arquitetura do poder em suas principais cidades. De
acordo com Darcy Ribeiro (1985):

(...) isso porque Juscelino acatou as novas regras do jogo do mundo


capitalista, que eram as de abertura do país à internacionalização de sua
economia e ao endividamento. No plano interno ele acelera também,
temerariamente, o processo inflacionário. (RIBEIRO, 1985 apud PEREIRA,
1997, p. 88).

Dessa forma, o Estado é o principal propulsor das principais propostas arquitetônicas


renovadoras desde a década de 1930, que modificam nossas imagens sobre o conjunto da
produção da cidade e da paisagem. Do mesmo modo que a arquitetura se consolida como
uma importante peça no cenário político, fazendo parte da compreensão dos processos de
reestruturação nacional, especialmente nos processos de modernização e produção.

Referências

BRANDÃO, Carlos Antônio Leite. A política na arquitetura de Niemeyer. In: MIRANDA,


Wander Melo (Org.). Anos JK: margens da modernidade. São Paulo: Imprensa oficial do
Estado; Rio de Janeiro: Casa de Lucio Costa, 2002. p. 69-90

CAVALCANTI, Lauro. Quando o Brasil era moderno: guia de Arquitetura 1928-1960. Rio de
Janeiro: Aeroplano, 2001.

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___________. Brasília: a construção de um exemplo. In: MIRANDA, Wander Melo (Org.).
Anos JK: margens da modernidade. São Paulo: Imprensa oficial do Estado; Rio de Janeiro:
Casa de Lucio Costa, 2002. p. 91-106.

GORELIK, Adrián. Das vanguardas a Brasília: cultura urbana e arquitetura na América


Latina. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2005.

MACEDO, Danilo Matoso. Da matéria à invenção: as obras de Oscar Niemeyer em Minas


Gerais – 1938-1955. Disponível em < http://www2.camara.leg.br/documentos-e-
pesquisa/edicoes/paginas-individuais-dos-livros/da-materia-a-invencao-as-obras-de-oscar-
niemeyer-em-minas-gerais-1939-1955>. Acessado em 03 de maio de 2016.

MIRANDA, Wander Melo (Org.). Anos JK: margens da modernidade. São Paulo: Imprensa
oficial do Estado; Rio de Janeiro: Casa de Lucio Costa, 2002.

PEREIRA, Miguel Alves. Arquitetura, texto e contexto: o discurso de Oscar Niemeyer.


Brasília: Editora UNB, 1997.

PUPPI, Lionello. A arquitetura de Oscar Niemeyer. Tradução de Mario Gazzaneo. Rio de


Janeiro: Revan, 1988.

REGISTRO HISTÓRICO DOCUMENTAL DO BANCO MINEIRO DA PRODUÇÃO. Prédio à


Rua Rio de Janeiro, nº 471, Centro, Belo Horizonte, Minas Gerais. Belo Horizonte: Banco do
Estado de Minas Gerais, 2000.

TEIXEIRA, Carlos M. Em obras: história do vazio em Belo Horizonte. São Paulo: Cosac &
Naify Edições, 1999.

VELLOSO, Rita de Cássia Lucena. Imagem dialética na cidade. s/d. Disponível em

<http://www.academia.edu/10895962/imagem_dial%C3%A9tica_na_cidade>. Acesso em
maio de 2015.

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A IMPORTÂNCIA DA PRESERVAÇÃO DA ARQUITETURA
MODERNA INSTITUCIONAL DE TERESINA: O caso do Tribunal de
Justiça do Estado do Piauí.

ARRAIS, Emanuelle de Aragão. (1); MOREIRA, Amanda Cavalcante. (2);


ANDRADE, Ana Virgínia Alvarenga. (3)

1. CENTRO UNIVERSITÁRIO UNINOVAFAPI. DEPARTAMENTO DE ARQUITETURA E


URBANISMO.
R. Morungaba, 2612. Lourival Parente. 64023-360. Teresina/PI
E-mail: emanuelle_aragão_arrais@hotmail.com

2. CENTRO UNIVERSITÁRIO UNINOVAFAPI. DEPARTAMENTO DE ARQUITETURA E


URBANISMO.
Rua Vitorino Orthiges Fernandes, 6123 – Uruguai. 64073-505. Teresina/PI
E-mail amandacmoreira@hotmail.com

3. CENTRO UNIVERSITÁRIO UNINOVAFAPI. DEPARTAMENTO DE ARQUITETURA E


URBANISMO.
Rua José Paulino, 1271. Bairro de Fátima. CEP: 64043-360. Teresina/PI
E-mail: anavirginia@uninovafapi.edu.br

RESUMO
O artigo trata do edifício-sede do Tribunal de Justiça do Estado do Piauí (1972), situado na cidade de
Teresina-PI e projetado pelo arquiteto Acácio Gil Borsói durante o Governo de Alberto Tavares Silva
(1971-1975), período correspondente ao surgimento das primeiras obras arquitetônicas com estilo
brutalista na cidade de Teresina. Tem como principal objetivo como discutir a preservação desta
edificação, pela sua relevância histórica e arquitetônica para a cidade e fornecer o diagnóstico do
estado atual da obra estudada quanto à conservação e proteção do patrimônio, evidenciando a
fragilidade dos seus instrumentos de proteção atualmente. Justifica-se pela necessidade de estimular
a implementação de políticas mais incisivas de proteção deste importante exemplar e tem como
fontes o próprio objeto arquitetônico, tratado como documento pertinente para a elaboração da
pesquisa, publicações a respeito do tema e entrevistas com agentes que lidam com sua preservação
nas mais diversas esferas

Palavras-chave: Tribunal de Justiça do Estado do Piauí; Patrimônio Moderno; Acácio Gil Borsói;
Arquitetura Brutalista.

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Introdução
O presente trabalho, intitulado “A IMPORTÂNCIA DA PRESERVAÇÃO DA ARQUITETURA
MODERNA INSTITUCIONAL DE TERESINA: O caso do Tribunal de Justiça do Estado do
Piauí”, trata do problema na questão da preservação do patrimônio moderno no cenário
atual do Tribunal de Justiça, localizado na capital do Estado do Piauí, na Praça
Desembargador Edgar Nogueira.

Possui como objeto de estudo o espaço delimitado pela Praça Desembargador Edgar
Nogueira, seu prédio principal e sua configuração no mesmo, desde o período de sua
construção até os dias atuais, que se consolidou como um dos ícones da arquitetura
moderna brutalista.

O objetivo geral desse estudo é investigar as transformações arquitetônicas inferidas no


Tribunal de Justiça do Estado do Piauí, com recorte temporal entre a década de 70 até a
atualidade. Os objetivos específicos são identificar essas alterações morfológicas e analisá-
las, não apenas na perspectiva histórica, mas também, através de um olhar estilístico,
arquitetônico.

Justifica-se a pesquisa pela inquietação, enquanto cidadãs teresinenses, de compreender e


conhecer melhor as alterações de um cenário constantemente visto nos noticiários e
narrado por seus conterrâneos. Buscou-se, dessa forma, compreender as relações entre o
desenvolvimento formal, funcional, e simbólico do Tribunal de Justiça no período estudado,
na medida em que este integra a Paisagem Arquitetônica Moderna da cidade de Teresina e
possui um potencial econômico e político.

A pesquisa possibilita dar maior visibilidade ao Tribunal de Justiça do Estado do Piauí e as


edificações modernas do seu entorno, inserindo-as no cenário das discussões sobre as
relações entre poder, arquitetura, preservação do patrimônio e sociedade, numa perspectiva
histórica e arquitetônica.

Cenário político e social da época

O Estado do Piauí fica localizado na região nordeste do país, sendo sua atual capital
Teresina. Teve como primeira capital a cidade de Oeiras, até o ano de 1852 quando a sede
do estado foi transferida para Teresina, cidade que foi estrategicamente projetada para
abrigar a capital piauiense por causa de proximidade com os rios Parnaíba e Poty, o que
possibilitava boas condições de navegabilidade na época e por estar perto da cidade de

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Caxias no estado do Maranhão, cidade importante no desenvolvimento econômico do
período. (FAÇANHA, 1998).

A cidade de Teresina está localizada na mesorregião Centro-Norte Piauiense e está


conurbada com o município maranhense de Timon. A cidade possui clima tropical
semiúmido com estação de verão e inverno bastante marcantes pelo tempo quente e
chuvoso, respectivamente. E tem como base de economia a indústria têxtil, os serviços e a
construção civil. (IBGE, 2015).

No início da década de 70, o engenheiro Alberto Silva assume o governo do Piauí por meio
de eleições indiretas. Esse primeiro mandado é marcado por grandes obras como a reforma
do Hospital Getúlio Vargas, construção de estradas e da primeira etapa do estádio Albertão.
No entanto, apesar da gestão modernizadora de Silva, impulsionado pela a época do
milagre econômico brasileiro, a pobreza e a concentração de renda continuavam a aumentar
na capital piauiense. (REIS, 2013).

Na década de 1970, Teresina encontra-se entre as capitais brasileiras com elevadas taxas
de crescimento populacional, em um cenário urbano recheado de problemas, contradições e
desigualdades de ordem econômica e social. Pode-se listar entre as questões mais graves a
falta de moradia ou a moradia em condições inadequadas, casas construídas às margens
da estrada de ferro que cortava a cidade, às margens dos rios Poti e Parnaíba, no leito de
ruas.

Muitas são as razões que sustentam a saída dos trabalhadores rurais do campo para a
cidade. Eles sofrem muitas influências, o “atraso da agricultura tradicional” baseada na
agricultura familiar e de subsistência, em sua grande maioria não remunerada, sujeitas às
intempéries do clima, irregularidade na distribuição das chuvas, com períodos prolongados
de estiagens, aliados ainda à concentração de terras nas mãos de poucos, formando
imensos latifúndios, o que dificultava o acesso à terra aos pequenos produtores, obrigando-
os a trabalhar em sistemas agrícolas desfavoráveis para esses segmentos, comuns no
sertão do Nordeste, nos quais os trabalhadores rurais utilizam a terra de terceiros para o
cultivo e pagam com parte da produção, minguando ainda mais os escassos recursos do
homem do campo.

O Censo Demográfico de 1970 indica que a população urbana brasileira tinha ultrapassado
pela primeira vez a população rural. O processo de industrialização, o rápido processo de
urbanização em curso no país, somados ao formato da estrutura fundiária que imperava em
todo o território, fato que, no geral, provocava péssimas condições de vida do homem no
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campo, foram apontados como os principais responsáveis pelo deslocamento de milhares
de famílias para a zona urbana. O Piauí, acompanhando o que estava acontecendo em
outras partes do país, teve crescimento de sua população urbana, mas o fenômeno
concentrou-se nas principais cidades: Teresina, Parnaíba, Floriano e Picos, cidades que
concentravam 84,2% de toda a população urbana do estado. Acrescente-se que os dados
colhidos junto ao IBGE dão conta que o Piauí contava com apenas 32% da população
vivendo nas cidades. (IBGE, 2015)

Acácio Gil Borsói

Acácio entrou no curso de Arquitetura de Belas Artes da Universidade do Brasil por


conselho do pai, já que ele já possuía uma base artística e uma grande percepção espacial
e representativa.

Formou –se aos 25 anos em 1949, e junto com alguns colegas montou um escritório na
Avenida Rio Branco no Rio de Janeiro, iniciando a sua produção de edifícios com
características modernas, tendo como base os arquitetos Le Corbusier, Oscar Niemeyer e o
paisagista Roberto Burle Marx. Em 1951, com vontade de mudar Borsói vai à Recife para
ser professor na Escola de Belas Artes, o que mais tarde se transformaria em Ateliê de
Arquitetura, e que no futuro se tornaria a Faculdade de Arquitetura da UFPE, que está
bastante ligada a arquitetura regional, voltadas ao lugar onde está inserida.

Na década de 50, os trabalhos tinham base racionalista funcionalista do modernismo


brasileiro, as transformações e modificações propostas por Borsói se dá por meio de uma
continuidade espacial, forma pura, livre, com um controle de luminosidade natural, e
principalmente pela sua adequação ao clima do Nordeste.

Durante as décadas de 60 e 70, ocorre uma outra interpretação da tradição moderna


racionalista, mencionada por Marco Antônio Borsói em 1984. “O arquiteto define uma
arquitetura mais individual, com o domínio claro da estrutura, dos conceitos de construção e
composição. ”. E definindo a sua produção:

“Em minha produção sempre procurei pôr em prática, conceitos de arquitetura como
obra acabada- como condição para sua plena realização – diferentemente de um
‘projeto’, mas, assumindo o controle da construção, da tecnologia e da
responsabilidade na condução do processo criativo. ” (Borsói, 1984.)

Borsói se baseia em um trabalho que na maioria das vezes relaciona a pesquisa e a


construção. Por isso ele constrói uma identidade arquitetônica única, aliado aos princípios
modernistas.

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A linguagem arquitetônica brutalista no Brasil

O brutalismo brasileiro foi amplamente influenciado por Le Corbusier e inicia-se em meados


da década de 50 concomitantes com o concurso para a construção de Brasília embora
tenha maior destaque na década de 60 com a repercussão deste modelo para o resto da
nação brasileira. Por ser o centro financeiro e industrial do país, São Paulo foi o percursor
no desenvolvimento desta tendência no Brasil.

A linguagem brutalista difundida pela escola paulista, que tem como mestre o arquiteto
Vilanova Artigas talvez representasse uma referência na busca de uma continuidade por
uma assimilação entre a cultura paulista. Não negligenciamos esses fluxos, que se davam
entre arquitetos, governantes, e empresários do setor privado. A estética brutalista estava
associada não somente a principal capital economia do país, mas como uma tipologia das
grandes obras, fartamente encomendada por vários Estados, muitas já conhecidas por meio
do avanço das comunicações. Embora a técnica do concreto moldado in loco fosse nesse
momento uma ótima resolução para tipos de megaestruturas ou edifícios de grande porte,
havia uma imagem difundida pela nova arquitetura brasileira, que tinha fora do âmbito
erudito, sinuosidades representativas em cada camada social, ou popular.

A linguagem brutalista da escola carioca foi internacionalmente consagrada no pós-2ª


Guerra, graças à excelente qualidade de suas obras e à sua oportuna divulgação,
potencializada pelo vazio daquele momento de reconstrução. No início dos anos 1950
alguns de seus arquitetos já começam a propor obras que sinalizam novos rumos, podendo-
se considerar aquela década como um momento de transformação: seja nas propostas de
volumetrias mais simples e taxativas desenvolvidas pelo arquiteto Oscar Niemeyer (n.1907)
a partir do projeto do Parque do Ibirapuera (1951-53), seja principalmente no exemplo de
Affonso Eduardo Reidy (1909-1964) no uso precoce de grandes estruturas em concreto
aparente, como na Escola Brasil-Paraguai (Assunção, Paraguai, 1952) e no MAM-RJ (Rio
de Janeiro, 1953), obras de linguagem brutalista empregando pórticos transversais externos
em concreto aparente.

O conceito de arquitetura brutalista, vem sendo trabalhado por diversos autores, dentre eles
está Ruth Zein, que afirma:

"Termo de cunhagem relativamente recente, entretanto não é fácil definir-se o


brutalismo de maneira acurada e isenta. Tão usado quanto esnobado pela literatura
arquitetônica da segunda metade do século XX, está longe de configurar um
conceito unânime, as diferentes acepções que lhe são atribuídas superpondo-se de
maneira pouco clara, parecendo ser uma só quando são muitas, e para deslindá-las
é necessária certa paciência de detetive." (ZEIN, 2006)

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Sendo assim, alguns autores classificam o brutalismo em dois momentos: o primeiro
brutalismo e o novo brutalismo.

Como explica Zein (2006), o primeiro brutalismo foi utilizado pela primeira vez, em 1947, por
Le Corbusier, na obra da Unidade habitacional de Marselha na França, que adotou a
linguagem em demais produções até os anos 60, por meio de um conjunto característico de
pequenos e macro detalhes.

O novo brutalismo surgiu na Inglaterra, nos anos 50, com a produção da família Smithson
para um concurso de uma escola em Hunstanton-Norfolk, na qual foi empregada a solução
pela "honesta manifestação de estrutura de materiais" (FUÃO, 2000).

Fuão não concorda com a afirmativa de ter sido a obra da Escola em Hunstanton-Norfolk a
primeira a adotar o estilo brutalista, pois concorda com Reyner Banham, em: "O Brutalismo
em arquitetura, ética ou estética?", quando este autor cita que de fato, o primeiro edifício
que levou o título de Brutalismo, foi o Instituto de Illinois (1945-47) projetado pelo arquiteto
alemão Mies van der Rohe.

Através destas análises bibliográficas, se observou que se começaram a ser produzidas


obras inaugurais do estilo Brutalista pelo mundo, tendo o Brasil também acolhido o estilo,
guardando entre si importantes aproximações formais, construtivas e plásticas.

A adoção da linguagem arquitetônica brutalista na capital do


Estado do Piauí

No Piauí, as obras de caráter moderno aconteceram na década de 50 e 60 na cidade de


Teresina com produções edificadas ao longo da Avenida Frei Serafim, na época Avenida
Getúlio Vargas com exemplares de arquitetura moderna. Antes a este período a cidade era
provinciana e com poucas obras públicas dominado predominantemente pela a arquitetura
eclética.

No final da década de 1960, chegam à cidade arquitetos diplomados como Antônio Luiz
Dutra de Araújo, Miguel Dib Caddah e Raimundo Dias. Antônio Luiz destacou-se com a
elaboração de diversos exemplares modernistas como o Ministério da Fazenda, na Praça da
Bandeira; o edifício Palácio do Comércio, na rua Senador Teodoro Pacheco; a matriz do
Banco do Estado do Piauí; a sede municipal da Caixa Econômica Federal, na Rua Areolino
de Abreu; e a sede da CEPISA, na Avenida Maranhão esta última com caráter brutalista.
Além de várias residências e outros edifícios em Teresina, Parnaíba e cidades no

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Maranhão. O arquiteto Miguel Caddah sobressaiu-se na produção da arquitetura
educacional já que na ocasião trabalhava na Secretaria Estadual de Educação. Entre suas
obras estão também a Igreja da Santíssima Trindade localizada no Bairro Primavera (SILVA,
2006)

Na capital piauiense, as obras modernas brutalistas destacam-se a partir da década de 70,


com o governo de Alberto Silva. Nesta época, Teresina se rendia ao desenvolvimento e
começava o processo de instalação e organização da infraestrutura administrativa dos
governos locais. Entre os exemplos relevantes das obras brutalistas em Teresina pode se
citar: o Tribunal Judiciário e a Assembléia Legislativa projetadas por Acácio Gil Borsói na
década de 70 e 80 respectivamente; o Albertão e a CEPISA inaugurados em 1973, o Centro
Administrativo e o Terminal Rodoviário, de elaboração do arquiteto Raimundo Dias de 1976
e 1983 respectivamente. (SILVA, 2006).

Tribunal de Justiça do Estado do Piauí (1972)

O projeto está implantado na Praça Desembargador Edgar Nogueira, no bairro Cabral, zona
periférica ao centro de Teresina, sendo concebido como " um marco inscrito no tecido
geográfico, paisagístico e cultural da região", segundo colocou Marco Antônio Borsói
(BORSOI, 2006), que complementa: "Nele, os artifícios arquitetônicos do rigor geométrico
da composição, traçados reguladores, proporção, ritmo, escala e sentido monumental
reagem, dialeticamente, com a natureza livre e informal à sua volta." Além de ser um
exemplar ideal da arquitetura bioclimática, este edifício vem a ser uma das mais importantes
obras brutalista de Teresina, devido às suas soluções projetuais e construtivas.

A construção de todas as peças e a sua montagem foi criteriosamente desenhado e


estudado, baseava-se em materiais locais, de fácil obtenção, como o concreto, pedra, tijolo
e madeira. Toda a estrutura da edificação foi realizada in loco, como os pilares, vigas, lajes
e as grandes lâminas verticais, todos ressaltam as características das formas
confeccionadas no canteiro de obras. No caso especial dos brises, exibindo com clareza
sentido do corte e encaixes da madeira destas formas, trazem ao observador a sensação ou
ilusão de maior verticalização do prédio.

A utilização das técnicas bioclimáticas, utilizando-se de brises em volta de toda planta


básica, só foi possível pela criação da estrutura de concreto independente, tornando a
planta livre. As futuras e diversas modificações e adaptações já realizadas no prédio, foram
possíveis com grande facilidade por conta da liberdade estrutural.

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A necessidade de utilização de aparelhos de refrigeração, estes dispostos de maneira
inconstante interferindo visualmente as instalações do prédio, não tem relação com o projeto
de Borsói, mas, sim da urbanização realizada muito rapidamente e sem organização de
prédios residenciais e comerciais do entorno do prédio. Teresina já possui ventos
dominantes sudeste no período da manhã, de fraca intensidade, e estes foram
consequentemente barrados por prédios de grande gabarito e grande proximidade com o
Tribunal de Justiça.

A coberta do Tribunal de Justiça é delgada, e aparentemente solta, se colocando de


maneira delicada a edificação. A proporção, a escala que fascina Borsói, o ritmo, o traçado
regular, o rigor geométrico, e a utilização da luz e sombra tornam a composição completa,
justificando a palavras de Borsói (Borsói, 1984): ”Para Aristóteles, a beleza reside na ordem,
e Platão na relação dos números, em ambos, algo é belo quando tem o caráter e harmonia.
Para mim, só é arquitetura, quando sentimos emoção, e dá aquele friozinho na espinha. ”

Em 2001 foi construído um anexo ao edifício, que dialoga com o edifício principal, utilizando
o sistema de pré-fabricados, que foi construído em apenas cinco meses.

A questão do anexo (2016)

Na contrapartida das valorosas características desta edificação, o presidente do Tribunal de


Justiça do Estado do Piauí entre 2014-2016 Raimundo Eufrásio, tinha como proposta ao
encerrar a sua gestão a construção de um novo anexo, para resolver os problemas de
espaço para os gabinetes dos desembargadores e assessores (cada desembargador tem
cerca de dez assessores). Em janeiro de 2016, as obras começaram. Em abril de 2016, a
24ª e a 30ª Promotorias de Justiça de Teresina, ambas especializadas na defesa do meio
ambiente e do patrimônio histórico e cultural, ajuizaram ação civil pública com o objetivo de
impedir a descaracterização do Palácio da Justiça do Estado do Piauí, localizado no Centro
Cívico da capital. A atuação do Ministério Público tem o suporte do Conselho de Arquitetura
e Urbanismo do Piauí (CAU), que também subscreveu a ação. O prédio possui
inquestionável valor histórico e paisagístico, já tinham sido iniciadas obras para a construção
de um anexo que ocultaria quase que completamente a edificação original, além de impedir
a circulação de ar e a entrada de luz natural.

O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) e a Fundação Cultural


Monsenhor Chaves (FCMC) já realizaram a abertura do processo de tombamento do
Palácio, como patrimônio histórico e cultural do povo piauiense. De acordo com a lei, a
abertura do processo já inclui o imóvel no mesmo regime de preservação do bem tombado.
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Um dos efeitos da proteção é a proibição de se construir qualquer obra que impeça ou
reduza a visibilidade sem a prévia autorização do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico
Nacional.

A problemática na preservação da arquitetura moderna piauiense

A ideia de reconhecer a arquitetura moderna como patrimônio ainda é atual, o que


definitivamente só se substanciou com o desempenho de organizações como o ICOMOS, a
partir de Paris, em 1985, e o próprio DOCOMOMO, criado no final dá década de 1980, tendo
sua primeira conferência em 1990, como corrobora Pádua (2013).

Nesse sentido, observa-se uma grande diversidade de ações nos edifícios modernistas pelo
potencial como patrimônio cultural. Entende-se as obras modernas como patrimônio cultual
tendo por base os escritos de fruição e apropriação da arquitetura como cultura material
descrito por Piñon:

[...]a noção de arquitetura como patrimônio arquitetônico tem uma dimensão pública
que é inerente à sua essência: a não ser que seja reduzido ao seu mero valor
econômico – em cujo caso seria suficiente para lhe conferir credibilidade – tanto no
seu aspecto afetivo e simbólico com no estritamente estético, o patrimônio requer
uma base social que o aprecie e lhe confira sentido histórico. (PIÑON, 2006)

De acordo com Argan (1991), não se deve haver na cidade uma diferenciação entre área
“histórica” e área “moderna”, para ele uma sociedade que não dá valor a sua história e tem
as obras de arte como peças do passado, fora de um momento contemporâneo, fazem com
que se conceba como obras de arte o que está nos museus, e assim se perca a noção de
fatos urbanos como fatos artísticos. Argan afirma que a cidade é obra humana, testemunho
de memórias, e, portanto, fato artístico. A distinção entre área “histórica” e área “moderna”
gera sentimento anti-histórico à zona nova da cidade e um caráter somente histórico à zona
antiga, assim, a cidade moderna cresce e a cidade histórica se estagna, refletindo na falta
de uso e de preservação discutida por Rossi.

Considerações Finais

Quanto ao prédio aqui apresentado, está vinculado espacial e visualmente com o seu
entorno e para onde há visão. O Tribunal, foi construído em 1972, e está implantado num
local com cotas mais altas e suas varandas dão uma visão da cidade de Teresina. A sua
topografia acidentada foi bem aproveitada, já que o edifício foi alocado aproveitando os
desníveis e se adequando aos mesmos, um dos motivos para que o primeiro pavimento seja
menor que os demais, enquanto isso o segundo pavimento tem ligação direta com a Praça
Des. Edgar Nogueira, pois estão na mesma cota.
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Borsói sempre sensível ao espaço, coloca o prédio aberto e ao mesmo tempo protegido, o
que convida ao público em geral para entrar e usufruir.

Nota-se que a obra de Borsói utiliza –se de peças que tem papel estrutural, com um número
de elementos conciso do jeito que ele planejava, sempre evitando os gastos supérfluos em
seus projetos.

Isto acontece, de modo muito objetivo, como na escolha de materiais como o concreto, a
madeira, o vidro, como na quantidade de peças para montagem, desenhadas e detalhadas
pelo arquiteto. A economia não tornou o prédio simples e sim um representante do
movimento brutalista no Estado do Piauí.

Apesar de terem utilizado materiais pesados, a estrutura traz uma busca pela leveza, afinal
Borsói sempre nos lembra que seus edifícios são feitos de materiais sólidos, apoiados e
fincado no solo.

Acácio tirou partido dos materiais eleitos para projetar soluções bioclimáticas para este
edifício, que é um outro ponto fundamental na arquitetura produzida no Piauí. O Estado tem
altas temperaturas e uma alta taxa de insolação, e requer soluções bioclimáticas para a sua
produção arquitetônica, e observou-se que neste exemplar, o edifício possui um bom
conforto térmico, não o mesmo que se tinha na época, mas ainda é satisfatório.

De acordo com Marco Antônio Borsói, as soluções arquitetônicas divergem do simples


produto arquitetônico, e busca uma simbologia com referências às necessidades funcionais,
chegando a se criar um monumento.

A necessidade de um inventário relativo à arquitetura teresinense mais abrangente ganha


fundamentação com o episódio do Tribunal de Justiça do Piauí que passou por um processo
de tentativa de construção de um anexo, cuja estrutura e paisagem iriam sofrer intensos
riscos de modificação. Como exposto no texto, na atualidade, o prédio do TJ apresenta
problemas de preservação, por não fazer parte do inventário de proteção patrimonial e/ou
necessitar de instrumentos de proteção mais incisivos, correndo o risco de ser
descaracterizado, como vimos anteriormente, demolido ou abandonado. É sabido que
associado a necessidade material de registro arquitetônico nas nossas cidades é necessário
uma base de ensino e cultura do patrimônio, o que se espera que se desperte o quanto
antes por este trabalho.

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A IMPORTÂNCIA DO PATRIMÔNIO CULTURAL PARA A CIDADE:
Identidade Social e Planos Urbanos

SCHIRRU, ANA CARLA C. (1)

1. Instituto Ensinar Brasil - Doctum. Curso de Arquitetura e Urbanismo


Estrada Dom Orione, s/n. Dom Bosco, Juiz de Fora - MG
ana.carla@doctum.edu.br

RESUMO
Entende-se por Patrimônio Cultural, o conjunto de bens materiais e imateriais que fazem parte da
cultura de determinado povo. A cultura por sua vez é construída através das gerações num processo
de transmissão de significados, conhecimentos, crenças e modo de viver. Ao tratarmos de patrimônio
cultural, destaca-se sua função e referências à identidade, a ação e a memória de diferentes grupos
sociais. Este, materializado na forma de construções, mantém vivo todo caráter intelectual e cultural
de civilizações anteriores pois, se torna testemunho vivo e tangível de períodos passados. Numa
sociedade extremamente dinâmica, em que determinados bens se tornam obsoletos num rápido
intervalo de tempo e, onde o conhecimento é globalizado, a preservação do patrimônio é a garantia
de que a história de determinada sociedade se preserve, valorize e seja divulgada para as gerações
futuras, através da atuação dos poderes governamentais e dos cidadãos. Segundo Argan (1995), os
monumentos desempenham um papel informativo em sistema de comunicação, com uma função
cultural e educativa, ou seja, didática pois, compartilham a história das cidades, porém em uma
perspectiva ideológica. Na contemporaneidade, o patrimônio cultural desempenha, além de sua
função didática, memorial e identitária, uma importante estratégia urbanística, onde o patrimônio
passa a inserir-se num contexto turístico e consequentemente, econômico. Um trabalho
multidisciplinar entre distintos profissionais, de diversos campos de conhecimento, pode garantir uma
melhor interpretação do comportamento das pessoas, entendendo melhor a formação da memória e
identidade, a configuração espacial da paisagem, a importância de sua manutenção, dentre outros
aspectos envolvidos com a cidade. Dessa forma, objetiva-se abordar a importância do patrimônio
dentro do meio no qual está inserido, especificamente na cidade de Juiz de Fora, MG. Pois, ao
tratarmos de patrimônio cultural, nos referimos ao conjunto de bens dos diferentes grupos sociais
dentro desse contexto comunitário, a cidade. Além disso, busca-se relacionar as atividades de
preservação ao planejamento estratégico do município. O método de pesquisa se aplica na revisão
bibliográfica, apoiada na leitura sobre memória e identidade social, no estudo das políticas de
preservação do patrimônio e, no estudo de caso da cidade de Juiz de Fora. Esta, que possui um
conjunto arquitetônico eclético e art déco importante no cenário local e regional, que apesar de
protegidos, ainda não possuem uma valorização cultural que atinja todos os aspectos da paisagem,
enquanto cidade e social, enquanto cidadania. Considera-se que na contemporaneidade, as políticas
e premissas patrimoniais encontram-se estabelecidas. Porém, há trabalho a executar, no que diz
respeito a conscientização e valorização social, esta, associada a educação patrimonial e as políticas
públicas. Assim, o trabalho deve ser na relação indivíduo e sociedade.
Palavras-chave: Memória; Preservação; Planos Urbanos.

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Introdução
A manutenção dos objetos portadores da memória é um direito de todos os cidadãos, nesse
entendimento que, a importância da preservação do patrimônio torna-se essencial. Esse
patrimônio cultural, material e imaterial, configura-se como testemunho da herança de
gerações passadas, dando origem e significado ao que se tem no presente, proporcionando
aos seus descendentes uma identidade.

O patrimônio cultural na paisagem, conta a história daquela comunidade, com os edifícios,


pela forma que eles foram construídos, pelas praças, onde eventos importantes ocorreram e
pelas igrejas, que mantinham um papel importante nos agrupamentos sociais. Para tanto, a
relevância da preservação desses bens, estes que documentam e transmitem às gerações
por vir, as referências de um tempo e de um espaço singular, que jamais serão revividos,
mas revisitados, quando lhes atribuímos determinados valores.

A preservação é dever do Estado e direito da comunidade, que deve ver registrada de forma
a manter viva a memória, como documento de fatos e valores culturais de seu povo. Em
Juiz de Fora, recorte desse estudo, mantém viva a memória de sua existência, através do
conjunto arquitetônico que, faz reluzir sua trajetória e história marcante. Musse (2007)
afirma: "[...] uma cidade que era próxima à antiga “Côrte”, no início do século XX, se
mostrava moderna, febril e “máscula.”

Documentando, guardando e relatando fatos que ajudaram formar a história de uma cidade,
cumpri-se com ato de cidadania. Segundo Maia (2003) através da educação patrimonial o
homem passa a integrar-se nesse entendimento, através de um processo em ele entende o
contexto em que está inserido, elevando sua auto-estima e à conseqüência valorização de
sua cultura.

Considerando a afirmativa de Huyssen (2000), " [...] quanto mais rápido somos empurrados
para o futuro global que não nos inspira confiança, mais forte é o nosso desejo de ir mais
devagar e mais voltamos para as memórias em busca de conforto". Esse encontro pode ser
assimilado com o pertencimento, em que proporciona a relação entre o indivíduo e o
espaço, criando uma essência na vida das pessoas e no espaço onde elas vivem,
consolidando a história deste grupo social através da memória social.

Dessa forma, objetiva-se abordar a importância do patrimônio dentro do meio no qual está
inserido, especificamente na cidade de Juiz de Fora, MG. Ao tratarmos de patrimônio
cultural, nos referimos ao conjunto de bens dos diferentes grupos sociais dentro desse
contexto comunitário, a cidade. Além disso, busca-se relacionar as atividades de
preservação ao planejamento estratégico do município. Este, que possui um conjunto

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arquitetônico eclético e art déco importante no cenário local e regional, que apesar de
protegidos, ainda não possuem uma valorização cultural que atinja todos os aspectos da
paisagem, enquanto cidade e social, enquanto cidadania.

O método de pesquisa se aplica na revisão bibliográfica, apoiada na leitura sobre


memória/identidade social e, no estudo das políticas de preservação do patrimônio,
inseridas e aplicadas na cidade de Juiz de Fora, MG. Para tanto, essa pesquisa se
caracteriza como uma análise embrionária, em que, baseada na revisão bibliográfica,
apenas explana e traduz o espaço de estudo (a paisagem de Juiz de Fora) e, discorre sobre
as políticas em desenvolvimento e aplicabilidade no município.

Dessa forma, essa pesquisa não pretende, ainda, expor proposições e possíveis resultados
para serem alcançados, no que se refere a legislação e aplicabilidade de ações de
interferência no patrimônio e no espaço urbano de Juiz de Fora.

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Juiz de Fora: construção da paisagem
A cidade de Juiz de Fora passou por três períodos históricos significativos para sua
formação. O primeiro, no início do século XVIII, quando denominada de "Caminho Novo",
configurava-se como território de passagem para exploração aurífera da colônia, marcando
o surgimento de seus primeiros povoados (LAGE; ESTEVES, 2008). O segundo, que vai do
início do século XIX até 1930, retrata o período de expansão cafeeira, destacando-se como
uma importante região de produção e, segundo Oliveira (1966), pela construção da Estrada
do Paraibuna, que deu início a formação do núcleo urbano. O terceiro, é o momento da
industrialização (final do século XIX), marcado pela construção da Estrada União Indústria,
idealizada pelo então comendador Mariano Procópio. "Construída dentro do que havia de
mais avançado em tecnologias de pavimentação em países como Estados Unidos, este
novo caminho facilitou sobremaneira a ligação do Rio de Janeiro com Minas Gerais
(OLIVEIRA, 1966)".

A Estrada de Ferro D. Pedro II, chegada em Juiz de Fora em 1870, seguiu como parâmetro
físico, a Estrada União Industria, pois foi implantada paralela a ela e, também, ao Rio
Paraibuna, determinando, o traçado da atual Avenida Francisco Bernardino (SAMPAIO,
2012). Nessa conformação, a Estrada do Paraibuna, atual Avenida Rio Branco, interliga-se
com o córrego Independência, atual Avenida Itamar Franco, e com a citada Avenida
Francisco Bernardino, formando um triângulo na morfologia da cidade. Inserida nesse
triângulo maior, a atual Avenida Getúlio Vargas (parte da Estrada União Indústria) conforma,
juntamente com a Avenida Rio Branco e Avenida Itamar Franco, um triângulo menor e
centralizado. Vide Figura 1, abaixo.

Figura 1: Recorte do Mapa de Juiz de Fora


Fonte: Sampaio, 2012. Modificado pelo autor desse artigo

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O triângulo maior, conforma a centralidade do município, onde está inserido um conjunto
arquitetônico relevante para a configuração da cidade, consolidado nas duas últimas
décadas do século XIX. Esse conjunto, em grande parte, são heranças da fase cafeeira e
industrial do município, configurando-se atualmente como patrimônio cultural e área de
interesse histórico para a cidade.

Nessa fase de êxito de Juiz de Fora, no final do século XIX, com destaque nacional na
industrialização, importantes edifícios foram consolidados no perímetro do triângulo, como é
o caso da sede do Banco de Crédito Real (1889), ilustrado na Figura 2 a seguir.

Figura 2: Banco do Crédito Real - Avenida Getúlio Vargas


Fonte: Sampaio, 2012.
São muitos os edifícios relevantes para a conformação urbana e histórica de Juiz de Fora, a
maioria com estilo eclético e art déco, valorizados na época, seguindo as influências
europeias. Pode-se citar, entre diversos exemplares, as instituições de ensino (Grupos
Centrais e Escola Normal), o Teatro Central, o Centro Cultural Bernando Mascarenhas e a
Estação Central, que servia à Estrada de Ferro D. Pedro II. Deste modo, no início do século
XX, o município possui uma imagem de um importante centro econômico, caracterizado
especialmente pela industrialização.

Portanto, Juiz de Fora, no final do século XIX e início do século XX, tinha em seus ideais de
paisagem e espaços públicos reflexos da estética e ideologia europeia, usando-se, de
acordo com Oliveira (1975), estratégias como “ajardinamento inglês” e “boulevard” em sua
morfologia, ou mesmo formalização de projetos elaborados por técnicos estrangeiros.

Segundo Oliveira (1966), considerando as devidas proporções, Juiz de Fora primava pelos
mesmos ideais e parâmetros de modernidade dos grandes centros, principalmente, os que
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buscavam uma paisagem de inspiração internacional. Para tanto, a aplicação desse ideário
do embelezamento, deu início em sua principal avenida (Figura 3 e 4), atual avenida Rio
Branco, principalmente por abrigar os edifícios importantes na época, como o prédio das
Repartições Municipais, a Igreja Matriz e os casarões da elite juiz-forana.

Figura 1: Avenida Rio Branco (Rua Direita) em 1872.


Fonte: ARQUIVO DE SÉRGIO BRASIL, Álbum da União e Indústria (CONCER).
Disponível em: <http://www.mariadoresguardo.com.br/2009_12_23_archive.html>. Acesso em: 30
abr. 2017.

Figura 2: Avenida Rio Branco (Rua Direita) em 1900.


Fonte: ARQUIVO DE RAMON BRANDÃO.
Disponível em: <http://www.mariadoresguardo.com.br/2009_12_23_archive.html>. Acesso em: 30
abr. 2017.
Assim, a partir do contexto histórico apresentado, através da trajetória do desenho da cidade
e da herança arquitetônica, faz-se um diagnóstico positivo, no que se refere a área central já
explanada pois, a cidade ainda possui condições de homogeneidade e integridade das
edificações, estas, atualmente protegidas como patrimônio histórico e artístico.

Partindo nessa análise, pode-se afirmar que a cidade de Juiz de Fora, possui um importante
conjunto arquitetônico de interesse histórico e cultural, que somam edifícios de estilo
eclético e art déco, remanescentes do século XIX e início do século XX, período de
crescimento e expansão da cidade. Dessa composição arquitetônica, de acordo com

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Prefeitura Municipal de Juiz de Fora (2017), estão protegidos por lei, através do
tombamento, 172 bens culturais.

Dessa forma, a cidade consegue, materializado na forma de construções, manter vivo todo
caráter intelectual e cultural de civilizações anteriores pois, se torna testemunho tangível de
períodos passados, além de simbolizar características dos costumes, pensamentos e o
próprio cotidiano dessas gerações.

A grande questão que se coloca, quando se preserva estes bens, é a viabilidade em tempos
atuais, de se manter um prédio em suas características originais, que remete à outra época,
outra realidade, dentro de um contexto urbano contemporâneo e tecnologicamente cada vez
mais avançado. Para tanto, o importante papel das autoridades políticas, no que se refere
ao planejamento e execução de projetos de Lei em benefício desses espaços.

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Memória Social, identidade e valorização patrimonial
Entende-se que a memória individual é a memória de um agente social, este, inserido em
uma sociedade onde são compartilhados, sentimentos, comportamentos, linguagens e
experiências, portanto, a memória é acima de tudo “memória social”. Entretanto, a memória
de um indivíduo depende do seu relacionamento familiar, da classe social em que está
inserido, escolaridade, ritos, profissão, ou seja, com os grupos de referências desse
indivíduo. Dessa forma, memória é social, porém não é geral.

O relato da memória, narrado por um individuo que viveu o episódio, vem carregado de
paixões individuais, emoções e entusiasmos que dão veracidade ao conteúdo,
diferentemente do relato histórico pois, este se apoia somente em documentos oficiais,
podendo deixar escapar muitos fatos importantes, desprezados pela racionalização das
ideias. Porém, não pode-se considerar que os relatos individuais substituam a teoria da
história, apenas os complementam, podendo classificá-los assim como “Histórias das
Mentalidades” e “História das Sensibilidades” (BOSI, 2004, p. 15).

Segundo Pacano (2005), a memória pode ser “voluntária” e “involuntária”, a primeira traz as
lembranças do passado para o presente, construindo a história do espaço, já a segunda,
memória involuntária, inconsciente, aquela que traz os costumes, sotaques, que variam de
lugar para lugar, na vivência das pessoas, estruturando-se da memória que passa de
geração para geração.

A memória vem da percepção, esta que pode ser entendida muito além de sua simples
interação do sistema nervoso com o ambiente pois, a percepção, vem carregada de
informações que estão nas lembranças dos indivíduos. É como se a memória fosse o lado
subjetivo do conhecimento do indivíduo sobre as coisas. Portanto,

Pela memória não só o passado vem à tona das águas presentes,


misturando com as percepções imediatas, como também empurra, “desloca”
estas últimas, ocupando o espaço todo da consciência. A memória aparece
como força subjetiva ao mesmo tempo profunda e ativa, latente e
penetrante, oculta e invasora (BOSI, 2004, p.36).

Depois de tantas classificações e identificações da memória com a experiência, com a


percepção e com a sociedade, podemos entender, acima de tudo, que a memória avança
sem cessar para o futuro, sendo a percepção, a interseção do corpo com o mundo e, a
memória, a conservação que o espírito faz de si mesmo, do espaço onde vive e da história
de seu grupo. Na história de vida, perder o tempo é perder a “identidade”, é perder-se a si
mesmo.

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No processo de construção da memória há uma ligação direta com o sentimento de
identidade. Assim sendo, pode-se definir que a memória cultural atua preservando a
herança simbólica institucionalizada, onde as pessoas recorrem para construir suas próprias
identidades e para se afirmarem como parte de um grupo. Dessa forma, o patrimônio
cultural de uma cidade, faz reluzir as vivências de um povo, contribuindo para preservação
de uma sociedade.

A tarefa principal a ser contemplada pelas políticas que tratam da preservação e produção
dos patrimônios coletivos é de possibilitar a recriação e re-significação da memória coletiva
no presente, reforçando o significado da participação da sociedade em ações que
fortaleçam a cidadania. Para tanto, reforça-se, que a educação patrimonial torna-se
primordial para o alcance desse objetivo.

Numa sociedade extremamente dinâmica, em que determinados bens se tornam obsoletos


num rápido intervalo de tempo e, onde o conhecimento é globalizado, a preservação do
patrimônio é a garantia de que a história de determinada sociedade se preserve, valorize e
seja divulgada para as gerações futuras, através da atuação dos poderes governamentais e
dos cidadãos.

A importância de um bem, não tem ligação direta com sua idade e sim, com a memória
coletiva do lugar. A partir do momento em que ele passa a existir, começa a configuração da
história daquela comunidade.

A herança do patrimônio cultural para a cidade/sociedade é destaca na carta de Veneza:

Portadoras de mensagem espiritual do passado, as obras monumentais de


cada povo perduram no presente como o testemunho vivo de suas tradições
seculares. A humanidade, cada vez mais consciente da unidade dos valores
humanos, as considera um patrimônio comum e, perante as gerações
futuras, se reconhece solidariamente responsável por preservá-las, impondo
a si mesma o dever de transmiti-las na plenitude de sua autenticidade
(CARTA DE VENEZA, 1964).

Choay (2006) destaca, que as primeiras noções de patrimônio histórico surgiram durante a
Revolução Francesa pois, ameaçados na época, surge a preocupação pela conservação
dos monumentos históricos nacionais, passando-se a pensar na conservação real desse
patrimônio, objeto e edifícios, que anteriormente dava lugar apenas a sua conservação em
meios iconográficos.

O período entre 1820 e 1964, o monumento histórico passa por sua fase de
consagração. A partir de então, o conceito de monumento histórico entra
numa escala mundial, acelerando o estabelecimento de leis que visassem à
proteção e a realização da restauração como uma disciplina integral. Assim,
constata-se que os procedimentos elaborados nos séculos XIX e XX,

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atualmente se transformaram em documentos e posturas legais de proteção
ao monumento histórico (CHOAY, 2006).

Um trabalho multidisciplinar, embasados por diferentes profissionais e em diversos campos


de conhecimento, garante uma melhor interpretação do comportamento das pessoas, no
que refere a formação da memória e identidade, na configuração espacial da cidade e na
importância de sua manutenção (CARVALHO, 2013).

Carvalho (2013) destaca, entre que "as edificações, o traçado da cidade, o desenho dos
passeios, as praças, o paisagismo, as manifestações culturais, os costumes, os saberes,
celebrações e práticas culturais [...]" formam-se referências simbólicas e afetivas para o
indivíduo em relação ao espaço vivido, construindo sua memória e identidade, tornando
coletiva ou pessoal. A autora, ainda afirma: "desse modo, a preservação das heranças
patrimoniais deixadas por nossos antepassados constitui a essência da memória de um
povo, é justamente esse legado que nos torna participantes da formação de nossa
identidade".

Preservar é uma atualização constante da memória e dos valores que definiram aquele
objeto ou expressão cultural como representativos e patrimônio da coletividade.

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Políticas de preservação e planejamentos urbanos em Juiz de Fora

Proteção de bens patrimoniais

A Lei n.º 10.777, de 15 de julho de 2004, com alterações pela Lei 11.000, de 06 de outubro
de 2005, dispõe sobre a proteção do Patrimônio Cultural do Município de Juiz de Fora e dá
outras providências.

No Capítulo I, do Patrimônio Cultural do Município de Juiz de Fora, o artigo 1º, engloba


como patrimônio a merecer proteção do Poder Público Municipal: as formas de expressão;
os modos de criar, fazer e viver; as criações científicas, artísticas e tecnológicas; as obras,
objetos, documentos e edificações cuja conservação seja do interesse público, quer por sua
vinculação a fatos memoráveis da história do Município, do Estado ou do País, quer por seu
valor cultural, histórico, etnológico, paleontológico, bibliográfico, artístico, arquitetônico,
paisagístico e; os conjuntos urbanos e sítios de valor histórico, arquitetônico, paisagístico,
artístico, paleontológico, ecológico e cientifico.

No parágrafo único, do artigo 2º, destaca-se que estímulo à participação da comunidade na


preservação do Patrimônio Cultural, deve ser promovido pelo Município.

Ainda de acordo com Lei n.º 10.777 (2004), no município de Juiz de Fora, a política de
preservação do Patrimônio Cultural é estabelecida pelo COMPPAC (Conselho Municipal de
Preservação do Patrimônio Cultural), órgão vinculado à FUNALFA (Fundação Cultural
Alfredo Ferreira Lage), subordinada à Diretoria de Política Social.

Compete ao COMPPAC: definir as bases da política de preservação, proteção e valorização


dos bens culturais integrantes do Patrimônio Cultural do Município; opinar sobre o
tombamento de bens e proceder a estudos que conduzam à criação de instrumentos
destinados a defesa do Patrimônio; elaborar normas ordenadoras e disciplinadoras da
preservação e manutenção dos bens culturais; diligenciar no sentido de obter recursos para
a execução de programas de valorização e revitalização dos bens culturais; solicitar e
acompanhar os trabalhos realizados pelo corpo técnico da FUNALFA, visando a proteção,
preservação, vigilância, desenvolvimento de inventários, projetos, pareceres, atividades que
objetivem a educação patrimonial e eventos culturais relacionados com o Patrimônio
Cultural do Município; analisar e aprovar projetos de restauração e/ou reforma em bens
culturais integrantes do Patrimônio Cultural do Município, bem como emitir parecer sobre
demolições de imóveis.

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Plano Diretor

O Plano Estratégico de 2000, para cidade de Juiz de Fora, segundo Sampaio (2012), alterou
os paradigmas dos Planos Diretores, inspirado nas experiências de outras cidades,
principalmente do Rio de Janeiro. Em Minas Gerais, Juiz de Fora foi precursora, onde o foco
do plano está nas situações pontuais e específicas, de maneira a fortalecer o desempenho
da cidade como pólo regional da Zona da Mata. O autor destaca, as melhorias na
mobilidade urbana, revisão das legislações vigentes e a execução de projetos âncora, como
fundamentais para o alcance do objetivo do plano. Ainda relata, "entretanto, em linhas
gerais, estes projetos repetem as propostas dos planos diretores, porém descolados da
visão de estruturação global do espaço urbano da cidade".

O Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano, o PDDU 2000, em suas diretrizes do capítulo


I, dos princípios, objetivos e estratégias, já indicava no Artigo 3º: "objetivo do PDDU é
orientar o pleno desenvolvimento da função social da cidade, buscando atender o direito de
acesso do cidadão a moradia, ao transporte, aos serviços e equipamentos urbanos e à
preservação, proteção e recuperação dos patrimônios ambiental, arquitetônico e cultural.

No Artigo 4º, para cumprir o objetivo do PDDU 2000, são estabelecidas estratégias e
táticas. No que se refere ao patrimônio, a Lei propõe: "a promoção e o incentivo ao turismo
como fator de desenvolvimento econômico e social, valorizando os patrimônios cultural e
natural do município, de forma a reforçar o sentimento de cidadania".

A preservação, proteção e recuperação do patrimônio, no PDDU 2000, ainda aparece nas


estratégias da Lei de maneira incipiente, considerando o patrimônio em meio aos outros
objetivos, sem suas devidas especificações singulares. O que se destaca, é a tentativa em
associar o patrimônio cultural ao desenvolvimento turístico do município.

O que se nota, na proposta preliminar para revisão do Plano Diretor Participativo de Juiz de
Fora (2015), é uma especificidade detalhada e embasada, quando se trata o patrimônio
pois, o documento já faz alusão à memória, pertencimento, polifuncionalidade, entre outros
temas relacionados a preservação do patrimônio cultural.

Para tanto, na proposta preliminar para revisão do Plano Diretor Participativo de Juiz de
Fora (2015), no Art. 9º do Título I (dos princípios fundamentais, diretrizes e objetivos) são
objetivos da Política de Desenvolvimento Urbano e Territorial e do Plano Diretor: proteger
patrimônio histórico, cultural e religioso, valorizar a memória, o sentimento de pertencimento
dos cidadãos com relação à cidade e a diversidade; recuperar, reabilitar e requalificar a área
central da cidade de modo a preservar e potencializar sua função residencial e sua

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atratividade comercial, de prestação de serviços e de manifestações populares em seus
espaços públicos.

As Diretrizes Setoriais

As Diretrizes Setoriais de Desenvolvimento, documentadas no PDDU 2000, faz referência


ao desenvolvimento, proteção e recuperação dos patrimônios ambiental, paisagístico e
cultural da cidade. Possui como diretrizes, relativas ao patrimônio cultural e paisagístico: a
revisão da legislação vigente até aquele período, relativa à proteção do patrimônio histórico
e cultural com a criação do Conselho Municipal do Patrimônio Cultural, atual COMPPAC;
formular e executar projetos que visem preservar, revitalizar e ou reabilitar as áreas de
interesse arquitetônico, urbanístico e/ou paisagístico;formular, executar e incentivar projetos
e atividades que visem a recuperação e a preservação dos bens móveis e
integrados;estimular projetos e atividades que visem resgate e a perpetuação da cultura
regional, através da preservação dos bens imateriais; estimular o uso das áreas e prédios a
serem preservados para a instalação de espaços públicos destinados a atividades culturais
e artísticas; apoiar também a instalação de atividades comerciais e/ou de serviços, que
possibilitem a conservação e a preservação do bem tombado;estabelecer critérios de
flexibilização de usos para os bens tombados; promover a desobstrução visual da paisagem,
dos bens e dos conjuntos de elementos de interesse histórico e arquitetônico; promover a
conscientização da população quanto aos valores do patrimônio cultural do Município,
através de programas educacionais e de divulgação nas escolas e nos meios de
comunicação; promover e apoiar as iniciativas que visem suprir o mercado de trabalho dos
recursos humanos necessários à preservação e a difusão do patrimônio cultural; lutar pela
preservação, recuperação e revitalização dos patrimônios culturais e paisagísticos,
utilizando os instrumentos jurídicos e administrativos existentes, além dos recursos
tradicionalmente usados, inclusive o tombamento do bem e seu entorno; promover ação
conjunta com a Universidade Federal de Juiz de Fora, bem como com as outras instituições
de ensino público ou privado, com o objetivo de identificar e cadastrar os arquivos e acervos
- públicos e privados, considerando sua importância para a pesquisa histórica da cidade e
região.

Já na proposta preliminar para revisão do Plano Diretor Participativo de Juiz de Fora (2015),
o documento faz menção à compatibilização das políticas de desenvolvimento urbano e
territorial com as políticas de preservação, portanto, prevê diversas interfaces importantes,
que seguem resumidamente explanadas: buscar as condições para a configuração da
identidade cultural do Município, pensando na tradição e continuidade criativa; articular os
sistemas de gestão cultural e ordenação territorial, objetivando a valorização patrimonial e

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visando a proteção desde os edifícios aos espaços e estruturas que dão suporte ao
patrimônio imaterial; estimular os usos e atividades nos bens patrimoniais (já referenciado
no PDDU 2000), compatíveis com sua preservação; desenvolver estudos para a proteção;
reconhecer o valor do patrimônio cultural das localidades rurais; implementar uma gestão
compartilhada de preservação e valorização patrimonial, entre diversas instituições e os
diversos entes dos três esferas poder público e da sociedade civil; fomentar a participação
social; desenvolver programas de educação patrimonial (esboçado, de maneira incipiente no
PDDU 2000); inventariar os bens de todas as categorias que compõe os bens patrimoniais
do município e; desenvolver os Planos de Preservação das ADEs Cultura (Áreas de
Diretrizes Especiais da Cultura).

Legislação vigente

As legislações vigentes que interferem nas características arquitetônicas e/ou urbanísticas,


de uso e ocupação do solo, as Leis 6909 e 6910, respectivamente, ambas promulgadas em
31 de maio de 1986, possuem antagonismos com as tipologias do conjunto de edificações
tombadas da cidade. Entretanto, estas acompanham uma tendência possivelmente mundial.

Sampaio (2012) explica, que isso se deve ao fato destes prédios terem sido construídos
com programas arquitetônicos da época, em que os hábitos, costumes e, até mesmo, as
formas de se projetar e construir eram diferentes dos padrões atuais, para a mesma
tipologia. O autor ainda destaca, "[...] as maiores dificuldades de se aplicar a legislação
vigente em obras de conservação se correlacionam com os parâmetros de iluminação,
ventilação, áreas mínimas de compartimentos, previsões de escada, garagens, itens de
segurança contra incêndio e pânico, entre outros".

A cidade de Juiz de Fora, conforme pode ser analisado na descrição de suas leis e planos
de desenvolvimento urbano, nos parágrafos acima, possui sua política patrimonial e os
planos urbanos de acordo com a contemporaneidade. A cidade, soube desenvolver as
premissas e leis, entretanto, na aplicabilidade, muito trabalho ainda deve ser executado.
Esse trabalho, pode ser no incentivo a participação social nos projetos e decisões, ao
incentivo fiscal e busca por investimentos, além da iniciativa na valorização das áreas de
interesse cultural, refletindo o que a Lei define, como o apoio nas atividades nos bens
patrimoniais, considerando o lazer e o turismo, por exemplo.

Nas Recomendações de Nairóbi (1976), o documento já destaca:

Considerando que os conjuntos históricos ou tradicionais constituem


através das idades os testemunhos mais tangíveis da riqueza e da
diversidade das criações culturais, religiosa e sociais da humanidade

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e que sua salvaguarda e integração na vida contemporânea são
elementos fundamentais na planificação das áreas urbanas e do
planejamento físico-territorial.

Conservação de áreas urbanas

A conservação de áreas urbanas integra-se cada vez mais às políticas


urbanas das cidades. Desde as precursoras investigações de Gustavo
Giovannoni na década de 1910, passando pelas criações das legislações de
proteção dos anos 60 na Europa e Estados Unidos, até as experiências
práticas e as discussões interdisciplinares no meio acadêmico, muito se
avançou na consolidação de princípios, critérios e normas que formam as
tramas conceituais e metodológicas a serem utilizadas em locais que ainda
não contam com instrumentos de proteção e de conservação desta
natureza (SAMPAIO, 2012).

As cartas patrimoniais configuraram-se como a principal fonte de referência para a teoria de


conservação de áreas urbanas, baseando-se nas fundamentações e articulações. As
definições e proposições das cartas patrimoniais, possuem abrangência internacional e
relevância institucional, pois são documentos publicados pelo ICOMOS e UNESCO, como
por exemplo: as Recomendações de Nairóbi (UNESCO, 1976), Cartas de Washington
(ICOMOS, 1987) e de Petrópolis (ICOMOS Brasil, 1987).

A discussão acerca das áreas urbanas, discorrida nas Recomendação de Nairóbi, afirma a
necessária harmonia entre passado e presente, através de projetos de intervenções, de
maneira a constituir-se de ações integradas entre poder público, iniciativa privada e a
população (CARVALHO, 2013).

Choay (2000) ressalta, ainda explanando sobre as Recomendação de Nairóbi, a


argumentação relativa a não exposição museal da área de preservação inserida nas malhas
urbanas contemporâneas.

No Brasil, ainda são incomuns as pesquisas de conservação de áreas urbanas, ou seja,


pouco representativas. Contudo, a Cidade do Rio de Janeiro, por exemplo, através do
Projeto Corredor Cultural, 1979, passou por relevantes experiências na proteção e na
conservação de áreas urbanas, tornando-se modelo nacional, para políticas de valorização
do patrimônio cultural, inseridas nas diretrizes do plano diretor da cidade. Sampaio (2012)
afirma que parte do sucesso do projeto, deve-se à participação financeira dos proprietários,
locatários e concessionários, que disponibilizaram recursos para obras de conservação das
edificações protegidas.

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O objetivo das políticas de conservação e preservação nas áreas urbanas é caracterizar a
polifuncionalidade, como por exemplo, valorizar a inserção residencial nesses núcleos. No
entanto, o que se percebe na aplicação são os critérios de proteção fachadista e
coberturista (SAMPAIO, 2012). Isso pode ser explicado, pelas políticas aplicadas, em que as
prefeituras muitas vezes divulgam financiamento de obras de restauração, mas que de fato,
o único apoio é a isenção do IPTU para os usuários.

Em Juiz de Fora, seu núcleo central possui um conjunto arquitetônico relativamente íntegro
e, segundo Sampaio (2012), "portador de valores artísticos, históricos e afetivos notáveis
que requerem instrumentos de proteção, estratégias de conservação e de desenvolvimento
urbano apropriadas [...]" Para o autor, digno de um projeto de Conservação de Áreas
Urbana, guardadas as devidas proporções, aos moldes do projeto aplicado na cidade do Rio
de Janeiro.

Em Juiz de Fora, o tombamento ainda é pontual, restringindo-se ao edifício. No que se


refere ao projeto de conservação de áreas urbanas, temas como polifuncionalidade,
revitalização física, social, econômica, entre outras, precisariam ter aplicabilidade.

Em sua configuração espacial e social, o centro da cidade de Juiz de Fora, apesar de


manter ainda um caráter residencial, mesmo que em declínio, é formada principalmente por
comércio, que se divide visualmente e fisicamente, em parte baixa e alta, pela linha divisória
da Avenida Getúlio Vargas. Na parte baixa, formou-se o principal centro comercial popular
da cidade.

O conjunto arquitetônico da área central de Juiz de Fora, consolidado no final do século XIX,
possui diversidade de estilos arquitetônicos, compondo a paisagem urbana da área. As
edificações presentes nesse contexto, expressam e representam a identidade e memória da
cidade, passando pelos momentos ímpares da história de Juiz de Fora. Entretanto, o valor
de conjunto é dado, principalmente, pelas edificações modestas, conforme classificação da
Carta de Veneza (1964).

Assim sendo, pode-se considerar que a metodologia de aplicação para a valorização de


áreas urbanas, segundo Sampaio (2012), especialmente na área central da cidade, "[...]
consolidaria a política de conservação do patrimônio cultural local e criaria um selo, um
símbolo da história e da memória local no molde do que foi e ainda é a marca Corredor
Cultural para o Rio".

Contudo, o grande desafio para Juiz de Fora, seria vencer a falta de instrumentação e
planejamento, no que se refere a proteção de áreas urbanas, no campo do saber da
conservação e da literatura especializada no tema.

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Considerações Finais
A conservação patrimonial é necessária para mantermos vivos os elementos de
determinado momento no fluxo da história. Mas as cidades não devem ser pensadas
imutáveis, em prol da conservação e sim manter sua dinâmica. Ao longo dos anos, a
arquitetura teve suas variações, do romano ao gótico ou do neoclássico ao moderno, por
exemplo, seguindo o rumo da história e de seu tempo. Dessa forma conclui-se que a cidade
deriva da diversidade estilística de suas arquiteturas.

Pode-se concluir, utilizando-se de trecho das Recomendações de Nairóbi (1976), onde o


texto afirma que, o patrimônio, testemunho vivo de épocas passadas, adquire uma
importância vital, tanto para o indivíduo, quanto para os locais que neles expressam sua
cultura e sua identidade, visto a despersonalização e uniformização das expressões da
contemporaneidade.

Entende-se que, a obtenção de recursos e a valorização da memória coletiva, podem refletir


na história em busca de um futuro de melhor qualidade urbana, fazendo do Patrimônio
Histórico um elemento de inclusão social em face dos desafios de uma contemporaneidade
líquida.

Segundo Argan (1995), os monumentos desempenham um papel informativo em sistema de


comunicação, com uma função cultural e educativa, ou seja, didática pois, compartilham a
história das cidades, porém em uma perspectiva ideológica.

Portanto, após o estudo no município de Juiz de Fora, conclui-se que as políticas e


premissas patrimoniais já se encontram estabelecidas. Porém, há trabalho a executar, no
que diz respeito a conscientização e valorização social, esta, associada a educação
patrimonial e as políticas públicas. Assim, o trabalho deve ser na relação indivíduo e
sociedade.

Referências

ARGAN, Giulio Carlo. História da arte como história da cidade. São Paulo: Martins
Fontes,1995.

BOSI, Ecléa. O tempo vivo da memória: ensaios de psicologia social. 2. ed. São Paulo:
Ateliê Editorial, 2003.

CARVALHO, Ana Carla de. Convergências Contemporâneas nas Cidades Tombadas: A


Ascensão Turística e o Tráfego na Cidade de Tiradentes-Mg. Dissertação de Mestrado. Belo
Juiz de Fora: Universidade Federal de Juiz de Fora, 2013.

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CHOAY, Françoise. A Alegoria do Patrimônio. Tradução Luciano Vieira Machado. 3. ed.
São Paulo, SP: Estação Liberdade; UNESP, 2006.

HUYSSEN, Andréas. Seduzidos pela memória: arquitetura, monumentos, mídia. Rio de


Janeiro: Aeroplano, 2000.

ICOMOS. Cartas Patrimoniais. Disponível em: <http://www.icomos.org.br/ >. Acesso em:


03 jun. 2017.

IPHAN. Carta de Veneza. II Congresso Internacional de Arquitetos e Técnicos de


Monumentos Históricos, 1964. Disponível em:
<http://portal.iphan.gov.br/portal/baixaFcdAnexo.do?id=236>. Acesso em: 28 mai. 2017.

IPHAN. Recomendação de Nairóbi.19ª Sessão da UNESCO, 1976. Disponível em:


<http://portal.iphan.gov.br/portal/baixaFcdAnexo.do?id=249>. Acesso em: 02 jun. 2017.

JUIZ DE FORA. Lei nº 10777, de 15 de julho de 2004. Dispõe sobre a proteção do


Patrimônio Cultural do Município de Juiz de Fora e dá outras providências. Juiz de Fora,
MG: Prefeitura Municipal 2004.

JUIZ DE FORA. LEI Nº 11.000, de 06 de outubro de 2005. Altera o art. 50 da Lei nº 10.777,
de 15 de julho de 2004, que “Dispõe sobre a proteção do patrimônio cultural do Município de
Juiz de Fora e dá outras providências”. Juiz de Fora, MG: Prefeitura Municipal 2005.

JUIZ DE FORA. LEI N.º 9811, de 27 de junho de 2000. Institui o Plano Diretor de
Desenvolvimento Urbano de Juiz de Fora. Juiz de Fora, MG: Prefeitura Municipal 2000.

JUIZ DE FORA. Proposta Preliminar para o Plano Diretor Participativo. Dispõe sobre a
Política de Desenvolvimento Urbano e Territorial, o Sistema Municipal de Planejamento do
Território e a revisão do Plano Diretor Participativo de Juiz de Fora conforme o disposto na
Constituição Federal e no Estatuto da Cidade, e dá outras providências. Juiz de Fora, MG:
Prefeitura Municipal 2015.

LAGE, O. V. B. & ESTEVES, A. (orgs.). Álbum do município de Juiz de Fora. 3. ed. Juiz
de Fora: Funalfa Edições, 2008 [1915].

MAIA, Felícia Assmar. Direito à memória: o patrimônio histórico, artístico e cultural e o


poder econômico. Belém: Movendo Idéias, v8, n.13, jun 2003.

MUSSE, Christina Ferraz. A imprensa e a memória do lugar: Juiz de Fora (1870/1940).


In.: XII Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação da Região Sudeste. Juiz de Fora,
2007.

OLIVEIRA, P. de. História de Juiz de Fora. Juiz de Fora, 1966.

_____. Efemérides Juizforanas. Juiz de Fora: Universidade Federal de Juiz de Fora, 1975.

PACANO, Fábio Augusto. History, Memory and Identify. Dialogus, Ribeirão Preto, v.1, n.1,
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PREFEITURA MUNICIPAL DE JUIZ DE FORA. Conselho Municipal de Patrimônio. Juiz


de Fora, 2017. Disponível em: <https://www.pjf.mg.gov.br/conselhos/patrimonio_cultural/>.
Acesso em: 01 jun. 2017.
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PREFEITURA MUNICIPAL DE JUIZ DE FORA. Fundação Cultural Alfredo Ferreira Lage -
FUNALFA. Juiz de Fora, 2017. Disponível em:
<https://www.pjf.mg.gov.br/administracao_indireta/funalfa/>. Acesso em: 01 jun. 2017.

SAMPAIO, Julio Cesar Ribeiro. Triângulo da Memória de Juiz De Fora. Rio de Janeiro:
IPHAN, 2012. Disponível em: <http://portal.iphan.gov.br/rj/noticias/detalhes/3304/artigo-
triangulo-da-memoria-de-juiz-de-fora>. Acesso em: 01 jun. 2017.

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A MEMÓRIA COMO INSTRUMENTO DE PROTEÇÃO DO
PATRIMÔNIO CULTURAL: Barra Longa-MG

CARNEIRO, CAMILLA M. (1); STEPHAN, ÍTALO (2); REIS, LUIZ FERNANDO (3).

1. Graduanda em Arquitetura e Urbanismo (Universidade Federal de Viçosa)


E-mail: camilla.15.magalhaes@gmail.com

2. Doutor (FAU-USP). Departamento de Arquitetura e Urbanismo (Universidade Federal de


Viçosa)
E-mail: italostephan@gmail.com

3. Doutor (PROARQ-UFRJ). Departamento de Arquitetura e Urbanismo (Universidade Federal de


Viçosa)
E-mail: lfreis@ufv.br

RESUMO
Este artigo trata das memórias de Barra Longa, uma das mais antigas cidades de Minas Gerais,
localizada na Zona da Mata mineira e que ainda possui um importante acervo arquitetônico e cultural.
Ele surgiu da necessidade de registrar as memórias da cidade, guardadas por pessoas que, em sua
história de vida, mantêm consigo valiosas informações que não foram divulgadas e/ou registradas
publicamente. Neste trabalho, a memória é tratada como principal instrumento de preservação da
cultura, pois ela é fonte de registro das vivências, capaz de resguardar a identidade local, visto que há
uma grande dificuldade em encontrar documentos que auxiliem no entendimento da história de Barra
Longa. A Monografia Histórica do município, escrita pelo Cônego Raimundo Otávio da Trindade em
1917, com sua primeira versão publicada no ano de 1918, é um exemplo dos raros livros que
registram a história da cidade. Exemplo da casualidade, o livro foi encontrado em posse de
moradores de Barra Longa. O documento foi a principal fonte para a redescoberta de uma história
que a população desconhecia e a motivação do aprofundamento da pesquisa. A monografia escrita
pelo Cônego demonstra sua preocupação em registrar a cultura local. No ano em que o livro
completou seu centenário, foi iniciado um trabalho para resgatar seu conteúdo, fazendo com que o
objetivo que o Cônego Raimundo teve, ao escrevê-lo, fosse alcançado: enaltecer o rico valor cultural
da antiga cidade de Barra Longa. O Cônego registrou aspectos físicos e culturais do município, a
partir de documentos e memórias pessoais. Expressa sua opinião, criticando, principalmente, as
perdas patrimoniais que ocorreram durante os anos. Algumas transformações foram registradas em
fotos e documentos, outras encontram-se guardadas nas memórias de pessoas idosas que fazem
relatos importantíssimos que merecem atenção e requerem registro, para que não se percam com o

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tempo. As duas principais igrejas, que são uns dos poucos remanescentes da arquitetura colonial,
sofreram grandes alterações físicas. São necessárias ações de preservação em Barra Longa para
que seu patrimônio cultural permaneça, e para que não se perca no tempo por falta de registros. A
ausência de um órgão de proteção e de catalogação do seu acervo faz com que grande parte dos
registros não seja resguardada. A descontinuidade do interesse por parte dos gestores pelo
patrimônio é um dos fatores que colocam em risco a sua conservação. As peculiaridades de uma
cidadezinha do interior, com traços culturais bem típicos, precisam ser cuidadosamente preservadas.
A memória de um povo pode ser retratada através de registros orais, que passam de geração a
geração, mas para que sobreviva e não perca sua especificidade, torna-se necessário o registro
adequado e um competente programa de educação patrimonial.

Palavras-chave: memória, preservação do patrimônio cultural, Barra Longa-MG, Cônego Raimundo


Otávio da Trindade.

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Introdução

Ao longo do tempo, constrói-se a história de um povo, presente na sua cultura.


Existem riquezas culturais tanto na arquitetura de uma cidade como no modo de vida das
pessoas que nela vivem. Dessa forma, é necessário a preservação do patrimônio cultural
como um todo, de forma a garantir a manutenção das peculiaridades locais. Segundo Choay
(1992): “o patrimônio expressa a identidade histórica e as vivências de um povo. O
Patrimônio contribui para manter e preservar a identidade de uma nação, daí o conceito de
identidade nacional, de um grupo étnico, comunidade religiosa, tribo, clã, família.”

Essa preocupação se amplia quando há um iminente perigo de perda das memórias


nas cidades em que se verificam falhas de gestão, aqui entendido como aplicação deficiente
da política pública de proteção ao patrimônio cultural, que demanda conhecimento técnico
para utilizar adequadamente os instrumentos existentes (conselho, inventário, ações de
educação patrimonial, tombamentos, registros, além de outras ações de proteção) e o
reconhecimento pela população do que deve ser preservado, seja pelos membros do
conselho ou pela população em geral.

Este texto trata de Barra Longa, uma das mais antigas cidades de Minas Gerais,
localizada na Zona da Mata mineira, que ainda possui um importante acervo arquitetônico e
cultural. Uma cidade esquecida que só entrou na mídia após o desastre ambiental ocorrido
em novembro de 2015, a partir do rompimento da Barragem de Fundão, administrada pela
Mineradora Samarco, que destruiu parcialmente o que havia nas margens do rio Carmo. A
pesquisa surgiu da necessidade de registrar as memórias de Barra Longa, guardada por
pessoas que, em sua sabedoria de vida, trazem consigo as mais valiosas informações que
não foram divulgadas e/ou registradas publicamente. Esta é uma forma frágil de resguardar
o patrimônio cultural do local, que encontra-se com seus valores culturais latentes. Apesar
das mudanças visíveis, a cidade mantém as peculiaridades do interior, com antigos valores
ainda pertinentes à vida de seus habitantes.

Quanto ao patrimônio cultural de Barra Longa, de acordo com o IEPHA/MG (Instituto


Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais, 2016), há nove bens tombados
pelo município (Capela Nossa Senhora do Rosário, Conjunto da Fazenda Nossa Senhora da
Conceição das Corvinas, o encontro dos Rios Carmo e Gualaxo do Norte, o Hotel Xavier, a
Igreja Matriz de São José, Imagem de Nossa Senhora do Rosário, as Residências de
Antônio Mariano Trindade, Sr. Antônio Modesto de Freitas Filho e irmãos e a do Sr. José
Lanna). Existem mais de duzentos bens inventariados, entre os quais estão incluídos
fazendas, capelas, residências e imagens sacras. Na área rural encontram-se diversas
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fazendas coloniais de grande porte, em processo de tombamento. Outra riqueza cultural que
persiste no município são as bandas musicais São José e Nossa Senhora do Carmo, que
sempre exerceram influência na cultura municipal.

A importância da preservação

Neste trabalho optou-se pela utilização da memória como instrumento de


preservação da cultura, pois ela é a principal fonte de registro das vivências, capaz de
resguardar a identidade local (manifestada pelas falas e costumes que dão forma aos meios
urbano e rural), e evocar o sentimento de pertencimento. A memória é construída a partir de
aspectos históricos e culturais que os moradores têm em comum e que os representam.
Tais aspectos unem as pessoas e fazem com que suas vivências temporais tornem-se
eternas e possam ser herdadas pelas gerações futuras. Isso é essencial na construção da
identidade de um povo que tem raízes no passado, mesmo que os costumes sejam
moldáveis com o passar do tempo.

“Em suma, não é muito comum encontrar-se vestígios materiais do passado


nas cidades brasileiras, mesmo naquelas que já existem há bastante tempo.
Há, entretanto, algo novo acontecendo em todas elas. Independentemente de
qual tenha sido o estoque de materialidades históricas que tenham
conseguido salvar da destruição, as cidades do país vêm hoje engajando-se
decisivamente num movimento de preservação do que sobrou de seu
passado, numa indicação flagrante de que muita coisa mudou na forma como
a sociedade brasileira se relaciona com as suas memórias.” (Abreu, 1998,
p.80).

Cada cidade tem características que a tornam única. Podem ser singularidades que
se revelam em um complexo conjunto de espaços públicos e particulares, capazes de
provocar as mais variadas sensações a seus habitantes e visitantes. O modo de vida de
cada povo é único e, diante de um contexto de constantes mudanças, as diversas formas de
manifestação de sua cultura necessitam ser preservadas, de maneira a afirmar a identidade
de cada grupo.

Entretanto, nem sempre houve a valorização do passado. Há tempos, havia o hábito


de se cultuar apenas o que era novo, já que isso estava relacionado à ideia de progresso.
Com o passar do tempo, percebeu-se que as características essenciais de formação da
cidade estavam se perdendo, de forma que, a necessidade de preservá-las tornou-se
importante como forma de se ter no presente os valores do passado para a construção do
futuro da cidade.

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É notável, em uma mesma cidade, a existência de diferentes memórias. Porém,
muitas delas desaparecem com o tempo. É preciso registrá-las, para que não se perca o
vínculo com o passado, tão importante para a identidade de um lugar. Diante da
impossibilidade de se conseguir uma fonte que abarque a história do local em sua
totalidade, os documentos e relatos, orais e/ou escritos, são complementares, para que se
tenha uma visão ampliada dessa história. Eles demonstram a visão do que a população
entende como sendo mais valioso.

A cidade pode estimular nas pessoas, diferentes sensações ligadas à memória. Isso
vai além do físico: cada lugar remete a alguma lembrança, alguma subjetividade. Ela está
em constante transformação: seu traçado adquire novas formas com o passar do tempo e
tudo isso constrói sua história. Algumas mudanças são consideradas melhorias, outras uma
perda impossível de se repor. Para entender melhor o processo de transformação, é preciso
conhecer as memórias individuais e coletivas, que se transformam constantemente.

A necessidade de escrever a história de um período, de uma sociedade e até


mesmo de uma pessoa só desperta quando elas já estão bastante distantes
no passado para que ainda se tenha por muito tempo a chance de encontrar
em volta diversas testemunhas que conservam alguma lembrança. Quando a
memória de uma sequência de acontecimentos não tem mais por suporte um
grupo, [...] então o único meio de preservar essas lembranças é fixá-las por
escrito em uma narrativa, pois os escritos permanecem, enquanto as palavras
e os pensamentos morrem. (Halbwachs, 2006, p.101)

Para a preservação da memória de um povo, é importante pensar a cidade não só


em seu aspecto físico atual, mas também nas memórias que se fazem presentes. Nesse
sentido, é preciso que todas as gerações se preocupem em manter suas memórias, para
que se crie uma relação entre passado, presente e futuro, capaz de tornar o sentimento de
identidade mais vivo a cada dia.

Quando se retorna a uma cidade, as percepções auxiliam a reconstituir algo que já


se havia esquecido, como diz Halbwachs em seu livro “A Memória Coletiva”. Assim, se
recorre às memórias, coletivas e individuais, pois as duas se complementam e são
convergentes. “Nossas lembranças permanecem coletivas e nos são lembradas por outros,
ainda que se trate de eventos em que somente nós estivemos envolvidos e objetos que
somente nós vimos.” (Halbwachs, 2008, p. 30).

A cidade não deve ser apenas um ambiente transitório, mas um lugar onde possa
haver trocas de experiências significativas para as pessoas que nela vivem ou a visitam.

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“O passado só permanece “vivo” através de trabalhos de síntese da
memória, que nos dão a oportunidade de revivê-lo a partir do momento em
que o indivíduo passa a compartilhar suas experiências, tornando com isso
a memória “viva”. (ALBERTI, 2004, p. 15).

Em seu livro intitulado “Memória e Identidade Social” (1992), Pollak mostra quais são
os elementos constitutivos da memória, individual ou coletiva: “Em primeiro lugar, são os
acontecimentos vividos pessoalmente. Em segundo lugar, são os acontecimentos que eu
chamaria de ‘vividos por tabela’, ou seja, acontecimentos vividos pelo grupo ou pela
coletividade à qual a pessoa se sente pertencer.”

Barra Longa: memórias vivas

Barra Longa possui uma grande riqueza cultural com risco de perda ou
descaracterização. Sendo assim, são necessárias diversas ações efetivas e integradas de
preservação. Algumas ações isoladas de preservação cultural podem ser notadas. Uma
dessas ações é o exercício do ICMS Cultural (Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e
Serviços). Tal exercício é regido pela Lei Estadual 18.030/09, que atribui ao IEPHA a tarefa
de indicar critérios para que os municípios possam obter recursos financeiros, desde que
cumpram uma série de exigências, que incluem, por exemplo, a identificação, o inventário e
o tombamento dos bens que compõem o acervo de Barra Longa. E é justamente a
importância do bem, seja material ou imaterial que definirá a sua inclusão no acervo
patrimonial da cidade e para isso é preciso resgatar a sua história. Nesse sentido, a
pesquisa documental aliada ao estudo das memórias locais convergem para o senso
comum que caracteriza essa importância.

Diante da importância da memória para o resgate do Patrimônio Cultural foram


buscadas fontes que ajudassem nesta pesquisa. A partir delas, foram encontradas
memórias registradas por moradores em documentos de posse da Secretaria Municipal de
Cultura e em livros pouco conhecidos, com raros exemplares guardados por moradores
comuns. Afinal, conforme afirma Aloísio Magalhães, diretor da Secretaria do Patrimônio
Histórico e Artístico Nacional (SPHAN) no período de 1979 a 1982: “a comunidade é a
melhor guardiã de seu patrimônio”. (Preservação do Patrimônio Cultural, 1993, p.22).

Houve, no desenrolar da pesquisa, uma grande dificuldade em encontrar


documentos que auxiliassem no entendimento da história de Barra Longa. A inexistência de
um órgão de proteção e de catalogação do seu acervo permitiu que grande parte dos
registros se perdesse. Não existisse, por parte dos gestores pelo patrimônio, uma

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continuidade de ações de proteção ao patrimônio, o que constitui um fator que coloca em
risco a sua conservação. Por outro lado, os moradores desconhecem ou não dão
importância aos documentos, porque não têm consciência ou entendimento do seu valor ou
do seu significado.

Através da conscientização sobre a importância desses “documentos” sobre o


passado e de possíveis registros para resguardá-los, será possível reforçar a identidade do
local e resgatar a memória histórico-cultural da sociedade barralonguense. Essa é uma
iniciativa que pode despertar nos cidadãos o desejo de preservar o patrimônio cultural da
cidade, além de estimular novas pesquisas na área.

A Monografia Histórica de Barra Longa, escrita pelo Cônego Raimundo Otávio da


Trindade, com sua primeira versão publicada no ano de 1918, é um exemplo dos raros livros
que registram a história da cidade. O autor era natural de Barra Longa, sendo sacerdote na
cidade e em outras quatro cidades vizinhas. Foi vereador na cidade de Ponte Nova, cônego
da Catedral de Mariana, diretor do Museu da Inconfidência em Ouro Preto, chegando a ser
nomeado Camareiro Secreto pelo Papa João XXIII em 1960.

Exemplo da casualidade, o livro escrito pelo Cônego Raimundo foi encontrado em


posse de pessoas que vivem há décadas em Barra Longa. Porém, os exemplares estavam
suscetíveis ao desaparecimento, visto que eram poucas as pessoas que os possuíam, sem
cuidados necessários para mantê-los em perfeitas condições por muito tempo. O documento
foi a principal fonte para a descoberta de uma história que a população desconhecia, e a
motivação do aprofundamento desta pesquisa.

A monografia escrita pelo Cônego demonstra sua preocupação em registrar a


cultura local, em um texto intitulado Liminar, datado do ano de 1917, que serviu como
introdução para sua obra, a “Monographia de Barra Longa”:

“Pouco que valha este livrinho acceitem-no os Barra-Longuenses como


testemunho de quanto nos merece a sua terra, que é um boccado a nossa
propria terra por ser a de nossos avós; acceitem-no ainda como modesta
recordação do bicentenário da freguezia. Entendémos que a leitura destas
notas seria, senão de proveito, interessante aos filhos desta terra, e para
elles, por isso, decidimo-nos a tirar á lume o opusculo sem embargo do seu
apoucado ou nullo merecimento.” (Trindade, 1917, p.8).

O texto do Cônego é a mais completa fonte de conhecimento memorial encontrada, e


um dos poucos registros formais sobre a cidade. Sendo assim, ele se mostra essencial para

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a recuperação das memórias que, na maioria das vezes, é repassada através de relatos
orais. O resgate desses escritos e sua divulgação permitirão com que mais barralonguenses
conheçam a cultura local e dela se sintam parte, sendo estimulados a construir um presente
com raízes no passado. Essa recuperação é fundamental para o empoderamento da
população barralonguense, rica em valores culturais, mas que carece de meios de
ressignificá-la no presente.

Apesar de dispor de poucos recursos, Barra Longa necessita de política pública de


patrimônio cultural eficiente e contínua. Esta só será bem sucedida se também envolver a
população, detentora de muitos registros.

Além dos documentos pertencentes aos cidadãos comuns, há aqueles em posse da


Prefeitura Municipal, como antigos recortes de jornais (incluindo parte de um jornal que
circulava na cidade em 1946), cartas e fotos que contam parte do cotidiano dos
barralonguenses daquela época. Entretanto, a ausência de medidas de salvaguarda dos
registros documentais nos últimos anos fez com que o acervo ficasse com sua integridade
comprometida. O livro escrito pelo Cônego, por exemplo, conta com poucos exemplares em
estado de conservação crítico.

Para melhor resguardar estes documentos, todos eles foram digitalizados a fim de
criar um acervo digital que possa servir de base para outras pesquisas e consultas pela
comunidade. Há registros de muitas décadas, que contam a história de Barra Longa desde a
época em que a cidade tinha uma economia próspera e contava com muitos habitantes.
Registrar os documentos em meio digital se mostra de grande importância tanto para a
conservação quanto para a facilidade de acesso às informações.

Monographia de Barra Longa: a ponte entre o século XVIII e o XXI

Barra Longa, cuja fundação foi em 1701, é considerada a segunda cidade mais
antiga de Minas Gerais, como o Cônego deixa claro em seus escritos. O Coronel Matias
Barbosa, fundador de Barra Longa, foi um revolucionário de Villa Rica em 1720. O nome
Barra Longa originou-se do encontro de dois rios: o Carmo (na época com águas barrentas)
e o Gualaxo (que tinha suas águas claras), que encontravam-se e formavam uma “grande
barra”. A cidade foi construída às margens do Rio Carmo, pois seus primeiros povoadores
ocuparam o território para exploração do ouro e outras pedras preciosas encontradas em
abundância nos rios.

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Figura 01: Vista parcial de Barra Longa. Disponível em:
<http://www.pousoeprosa.com.br/site/cidade/30> Acesso em: 15 jan 2017.

Antes de tornar-se um município (em 1938), Barra Longa pertenceu a Mariana e


Ponte Nova, municípios vizinhos. Os rios que banham o município nascem em Ouro Preto e
passam por Mariana, onde eram muito explorados pela abundante existência do ouro em
suas margens e em seu leito. Por esse motivo, os bandeirantes foram margeando os rios
até chegar no território barralonguense. Assim, a história e a cultura local tem aspectos bem
semelhantes às de Ouro Preto e Mariana, inclusive em aspectos geográficos, pois a cidade
foi construída entre as montanhas que margeiam os rios, próximo às duas cidades. Em
termos de arquitetura colonial, as edificações prevalecentes se assemelham.

O município faz parte do Caminho dos Diamantes, também conhecido como Rota
dos Diamantes da Estrada Real, criada no século XVIII pela Coroa Portuguesa, com o
propósito de tornar mais rápido o escoamento do ouro e dos diamantes extraídos do norte
de Minas Gerais. A Rota dos Diamantes liga os municípios de Ouro Preto e Diamantina,
formando junto com o Caminho Novo e o Caminho Velho o Circuito turístico da Estrada
Real. O Caminho dos Diamantes é composto por cerca de cinquenta cidades que se
formaram com o desenvolvimento do estado. Entre essas cidades estão a Vila do Ribeirão
do Carmo (atual cidade de Mariana), Catas Altas, Santa Bárbara, Conceição do Mato Dentro
e Vila do Príncipe (atual Serro). Essa região conserva muitas características rurais, pois
pouco cresceu e se industrializou. Assim é Barra Longa, que preserva sua cultura em seus
vários aspectos.

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O município possui uma pequena população, que vem diminuindo ao longo das
décadas, conforme registros dos Censos Demográficos (Quadro 1). Entre 2000 e 2010,
houve uma queda de 2,05% ao ano, passando de 7.554 para 6.143 habitantes. A taxa de
urbanização também teve alteração no mesmo período. A população urbana em 2000
representava 29,71% e em 2010 aumentou, passando a representar 37,65% do total. Havia,
em 2010, 2.313 habitantes residentes na área urbana e 3.830 habitantes na área rural.

População População % do total População % do total População % do total

(1991) (1991) (2000) (2000) (2010) (2010)

População total 8.902 100,00 7.554 100,00 6.143 100,00

População residente 4.594 51,61 3.822 50,60 3.022 49,19


masculina

População residente 4.308 48,39 3.732 49,40 3.121 50,81


feminina

População urbana 2.198 24,69 2.244 29,71 2.313 37,65

População rural 6.704 75,31 5.310 70,29 3.830 62,35

Quadro 1: População Total, por Gênero, Rural/Urbana – Município – Barra Longa – MG Fonte: PNUD,
Ipea, FJP

Segundo o Jornal do Povo, publicado em 28 de maio de 1939, o município possuía


cerca de 30 mil habitantes naquela época. A economia, no passado, segundo o Cônego
Raimundo, era baseada em venda de “madeira de lei", agricultura (milho, cana de açúcar,
café, algodão, árvores frutíferas e floricultura), pecuária, comércio, pequenas indústrias e
extração do ouro no leito dos rios.

Existem na parochia cerca de 60 engenhos ou fabricas de assucar,


aguardente e rapaduras de superior qualidade. Fabricão-se queijos em alta
escala, requeijões e manteiga[...] muito azeite de mamona, sabão, fumo
acreditadíssimo, farinha de milho, polvilho de mandioca[...]. Existem teares de
mão, onde se preparão cobertores de lã e de algodão, [...] toalhas, lençóes,
roupas brancas [...]. Há duas padarias montadas caprichosamente [...],
offícios mechanicos se exercem sobejamente na parochia. Há excellentes
officinas de ourives, alfaiates, selleiros, sapateiros, ferreiros, caldeireiros [...],
officinas de carpinteiro, marcineiro e pedreiro; boas modistas e floristas
delicadas. [...] Muitas lojas e vendas sortidas. (Trindade, 1917, p.93).

A exploração do ouro em Barra Longa ocorreu em duas etapas: a primeira, pelos


colonizadores, na época da fundação da cidade, e a segunda, com seu período mais
intenso, nas décadas de 1930 e 1940, com o ouro de aluvião.

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No município, há uma série de bens importantes para a sua história. A transmissão
de crenças, significados e valores faz com que cada um destes bens tenha sua importância
e reconhecimento pela população. Exemplo disso é a Igreja Matriz, que tornou-se o cartão
postal da cidade, devido à sua exuberante arquitetura em destaque no centro da cidade e
pela grande influência que a religião católica sempre exerceu na vida das pessoas.

A Igreja Matriz de São José foi erguida por volta de 1700, com a ajuda de
fazendeiros, pessoas influentes e do Rei de Portugal. A conclusão da obra, porém, demorou
longos anos. Em 1757, Dom José, imperador de Portugal, que tinha suas fazendas nas
minas, ordenou à irmandade do Santíssimo Sacramento (Ouro Preto) que fosse construído
artisticamente a capela mor. Parte da carta do imperador está nos registros do Cônego:

“Como governador e perpétuo adminstrador que sou do mestrado, cavalaria e


Ordem de Nosso Senhor Jesus Cristo, faço saber a vós Provedor de minha real
fazenda das Minas Gerais que, atendendo ao que me representaram os
moradores do Ribeirão das Minas do Ouro Preto sôbre que sendo eu servido
fazer-lhes mercê mandar fabricar a Capela-Mor da Igreja do Senhor São José
da Barra Longa, [...] freguesia novamente erigida, para o que lhe mandei passar
provisão a vós cometida em dezessete de fevereiro de mil setecentos e
cinquenta e sete não entenderes que nela se compreendia tão bem o retábulo e
sacristia e por isso não mandavas pôr a lanços e porque certamente era de
minha real intenção que aquela obra de todo se completasse pois de outra
sorte vinha a ficar sem o devido efeito por se não poder celebrar os sacrifícios e
administrar os sacramentos aos paroquianos me pedirem lhes fizesse mercê
mandar se puzesse tão bem em lanços o retábulo e sacristia da Capela-Mor da
Igreja, o que visto e respostas que deram os Procuradores de minha real
fazenda e o Geral das Ordens.” (Trindade, 1917, p. 26).

Pelas imagens obtidas nos registros do Cônego, em sua Monografia, percebe-se


claramente a alteração da fachada, originalmente barroca, da igreja. A torre edificada do
lado esquerdo do prédio principal foi demolida, foram construídos alguns anexos nas
laterais, como os espaços que abrigam a capela do Santíssimo Sacramento e a Sacristia.

A matriz que mui mediocremente tem soffrido as injurias do tempo, tem no


entanto sentido bastante a incompetencia artística dos que a têm tratado. No
tecto da capella-mór, tomando-o inteiramente, havia até poucos annos, uma
primorosa pintura a oleo, representando os quatro evangelistas, que se foi sob
o pincel estupido de um furioso iconoclasta. Recentemente outro artista
vulgar, sem direção segura, inundou as paredes interiores de um detestavel
amarelo que é um atestado esplendido de máo gosto e de insufficiencia
profissional. As torres, prejudicadas as dimensões do edificio, foram
diminuídas na sua altura e agora mutiladas, sem beiraes no seu grosseiro
telhado, lembram qualquer coisa de grotesco e ridiculo. (Trindade, 1917,
p.103).

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Figura 02: Igreja Matriz de Barra Longa com sua Figura 03: Igreja Matriz de Barra
fachada original. Fonte: Segunda Versão da Longa atualmente. Fonte: arquivo
Monografia da Paróquia de São José da Barra pessoal de Camilla Carneiro.
Longa, 1961.

Para localizar a Matriz em sua época de formação e explicar o contexto em que seu
prédio foi erguido, Cônego Raimundo relaciona a parte artística da igreja com outras obras
de arte próximas a Barra Longa, como a ermida da Fazenda Quebra-Canoa (divisa com o
município de Ponte Nova - MG). Algumas evidências, segundo ele, comprovam que ambas
foram construídas no mesmo período. A Ermida foi feita entre 1789 e 1808 pelos donos da
fazenda, os padres irmãos José, João e Joaquim Ferreira de Souza. Ressalta-se que o
último arquiteto que nela trabalhou foi Manoel Dias, que especializou-se em construções
públicas no Rio de Janeiro, a chamado do Conde de Linhares. A memória aponta uma perda
significativa que se estende às fronteiras do município. Essa fazenda já não existe, pois foi
depredada pelo tempo, e o altar vendido pelos proprietários da Fazenda na década de 1960.

Em seu livro, o Cônego registrou aspectos físicos e culturais do município, a partir de


documentos e memórias pessoais. Expressa sua opinião, criticando, principalmente, as
perdas patrimoniais que ocorreram durante os anos.

De acordo com seus registros, a economia local era mais dinâmica naquela época. O
município contava com muitas fábricas, que refinavam os produtos obtidos com a grande
produção agrícola. A pecuária era trabalhada em larga escala, abastecendo, além do
município, outros municípios vizinhos. O município tinha para exportar: 60 mil arrobas de
açúcar, 30 mil arrobas de café, 500 pipas de aguardente, 40 mil sacas de cereais, 900 a mil
cevados, muito gado, dentre outros produtos.
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Com o passar dos anos, os grandes proprietários de terra do país, com a utilização
de máquinas no trabalho com a monocultura, acabaram por dificultar a situação do
trabalhador rural. No município, as pessoas que plantavam seus próprios alimentos (milho,
feijão, arroz...) tanto para o consumo quanto para o comércio nos arredores, não puderam
concorrer com os produtos industrializados. O trabalho nas lavouras passou a ficar difícil e
os agricultores que viviam como meeiros, mudaram-se para cidades maiores em busca de
emprego.

O difícil acesso à cidade foi um fator que contribuiu para a estagnação da economia
e consequente falta de investimentos. Com isso, se deu o aumento da migração de pessoas
para outras cidades mais promissoras. O Cônego também aborda a dificuldade de acesso à
cidade, quando destaca a exclusão de Barra Longa na construção da estrada que liga Ponte
Nova a Mariana, a fim de economizar vinte quilômetros na obra. Pressupõe-se que a partir
daí ocorreu uma grande queda no desenvolvimento municipal e no número de habitantes.

Conclusões
É necessário pensar em políticas públicas que resgatem o interesse das pessoas
pelo local. Isso inclui um competente programa de educação patrimonial, para que a
população conheça suas raízes e dela se sinta parte.

O livro do Cônego Raimundo Trindade, principal fonte de consulta para este estudo,
possibilitou fazer comparações e reconhecer preciosas riquezas preservadas, como por
exemplo, a Igreja Matriz, que apesar das mudanças ocorridas, tem muito valor cultural e
religioso para os barralonguenses.

Todo o trabalho para resgatar o conteúdo do livro foi feito no ano em que o mesmo
completou seu centenário, fazendo com que o objetivo que o Cônego Raimundo teve, ao
escrevê-lo, seja alcançado: enaltecer o rico valor cultural da antiga cidade de Barra Longa e
fazer com que mais pessoas o conheçam.

Também foram encontrados arquivos valiosos, disponibilizados com presteza pelos


responsáveis. Mediante a análise de documentos escritos, foi possível perceber que há uma
escassez de registros da antiguidade. Muitos foram perdidos pelas condições inapropriadas
de guarda. Os documentos históricos são pouco vistos e alguns até mesmo ignorados pela
maioria da população.

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Percebe-se que há uma preocupação por parte do gestor atual com a preservação
do acervo cultural municipal. É urgente que se faça um registro histórico, para que as futuras
gerações tenham acesso a essa riqueza. É preciso atentar-se para a necessidade melhorar
gestão da política urbana e de preservação do patrimônio cultural municipal, criando
condições nos aspectos de recursos humanos e físicos.

Preservar requer conscientização e cuidado. A memória de um povo pode ser


retratada através de registros orais, que passam de geração a geração, mas para que
sobreviva e não perca sua especificidade, torna-se necessário um registro formal,
catalogado, que não permita cair no esquecimento, além de um competente programa de
educação patrimonial. As peculiaridades de uma cidadezinha do interior, com traços
culturais bem típicos, precisam ser cuidadosamente preservadas. É mais que investimento,
é pertencimento, é cuidado com a própria identidade.

O acervo concebido com a digitalização dos documentos é uma fonte de


informações que pode ajudar outras pessoas que quiserem entender mais sobre Barra
Longa e sua formação, bem como seus aspectos culturais.

Referências Bibliográficas:

ABREU, Maurício de Almeida. Sobre a memória das cidades. Revista da Faculdade de


Letras – Geografia, Porto, I serie, v. 14, p. 79-97, 1998.

ATLAS DO DESENVOLVIMENTO HUMANO NO BRASIL. Barra Longa, MG: perfil.


Disponível em: <http://www.atlasbrasil.org.br/2013/pt/perfil_m/barra-longa_mg< Acesso em:
23 mar 2017.

CHOAY, F. A Alegoria do patrimônio. São Paulo: Estação Liberdade: Editora UNESP,


2001.

HALBWACHS, Maurice. A memória coletiva. São Paulo: Centauro, 2006.

LE GOFF, Jacques. Patrimônio histórico, cidadania e identidade cultural: o direito à


memória. In: BITTENCOURT, Circe (Org.) O saber histórico na sala de aula. São Paulo:
Contexto, 1997.

POLLAK, Michael. Memória e Identidade social. In: Estudos Históricos, Rio de Janeiro, vol.
5, n. 10, 1992, p. 200-212.

Preservação do Patrimônio Cultural. Instituto Brasileiro do Patrimônio Cultural. 10º


Coordenação regional. Curitiba, 1993.
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TRINDADE, Raimundo Otávio. Monografia da Paróquia de São José da Barra Longa
(1729-1961). 2 ed. Belo Horizonte: Editora Bernardo Álvares S. A., 1962.

TRINDADE, Raimundo Otávio. Monographia de Barra Longa. 1 ed.

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A MODERNIZAÇÃO NOS GOVERNOS DE
ANTONIO LEMOS (1902-1912) E GETÚLIO VARGAS (1937-1945):
a mudança cultural do local da moradia e seu reflexo no processo
de degradação do Centro Histórico de Belém/PA

MORHY, SAMIA (1); LIMA, JOSÉ JÚLIO (2); PONT VIDAL, CELMA (3)
1. Universidade Federal do Pará. Instituto de Tecnologia, Programa de Pós-Graduação em
Arquitetura e Urbanismo
Rua Augusto Corrêa, 01. Campus Universitário do Guamá, Belém, Pará, Brasil - CEP 66.075.110
samiamorhy@gmail.com

2. Universidade Federal do Pará. Instituto de Tecnologia, Programa de Pós-Graduação em


Arquitetura e Urbanismo
Rua Augusto Corrêa, 01. Campus Universitário do Guamá, Belém, Pará, Brasil - CEP 66.075.110
jjlimaufpa@gmail.com

3. Universidade Federal do Pará. Instituto de Tecnologia, Programa de Pós-Graduação em


Arquitetura e Urbanismo
Rua Augusto Corrêa, 01. Campus Universitário do Guamá, Belém, Pará, Brasil - CEP 66.075.110
celma_chaves@hotmail.com

RESUMO
A imposição de leis urbanísticas nas cidades em áreas de valor a preservação pressupõe a regulação
de construção relacionada à proteção do patrimônio. A ação do Estado na condução da gestão
edilícia decorrente das leis insere-se na expressão de um discurso político criado em torno de valores
incorporados nas intenções da política de preservação. A introdução da modernização como ideário
político lançada inicialmente na capital paraense na era do Intendente municipal Antônio Lemos
(1902–1912) e consolidada no governo de Getúlio Vargas (1937–1945) incentivou uma mudança nos
hábitos sociais dos moradores de classe alta em termos de local da moradia. Com efeito direto sobre
o Centro Histórico de Belém, protegido por legislação específica federal em 2012 e por legislação
municipal desde 1990, este artigo trata da relação entre o processo de degradação arquitetônica dos
sobrados e casario do bairro da Campina construídos até o início do século XX com os efeitos da
modernidade operados em dois períodos de centralização política e limitações no regime de direitos
democráticos. Ainda que marcadamente ligados a elites econômicas, a modernidade enquanto
discurso contrapõe-se a uma compreensão subjetiva de sua casualidade. Para a compreensão da
subjetivação dos fatos relativos à modernização no bairro da Campina, no início do XX, este artigo
constrói um discurso historiográfico sobre a modernização em Belém durante o período lemista e, em
seguida, durante o Estado Novo varguista, buscando revelar as relações entre as historiografias dos
dois momentos de poder político centralizador e a modernização sobre o local de morar, o qual
estaria associado, contraditoriamente, a um processo de degradação do estoque edificado de um
bairro histórico de Belém. A partir destes dois momentos, o trabalho busca articular em uma terceira
parte, na qual, por meio do discurso historiográfico construído, associar a modernidade presente na
mudança cultural e nos hábitos sociais da camada da população de alta renda, ligados ao poder
político em vigor, com a introdução da modernização do local e na forma de morar, aguçando o
sentido da modernidade como fator relevante de status social, sob pena de perder o patrimônio
arquitetônico eclético. Ressalta-se que a população residente no Centro Histórico de Belém,
conforme Censos do IBGE de 2000–2010 aumentou 7.5%, mesmo sem nenhuma política
incentivadora ao uso habitacional, o que leva a sugerir políticas de retorno da moradia ao Centro. Ao
final do artigo, há a indicação de políticas habitacionais, por meio de ações governamentais ou civis.
Com destaque para maior participação social nos projetos, uma vez que este item é uma das
conquistas democráticas recentes no planejamento urbano, bem como, que sejam capazes de
fomentar uma mudança cultural e nos hábitos da sociedade local visando aguçar seu interesse de
retornar a moradia nos sobrados ecléticos do tombado núcleo urbano de Belém e minimizar sua
degradação.
Palavras-chave: modernização, modernidade, moradia, ruínas, Centro Histórico de Belém/PA

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Introdução
O objeto deste artigo é a relação entre o processo de degradação arquitetônica dos
sobrados e casario do bairro da Campina construídos até o início do século XX com a
introdução da modernização como ideário político lançada na capital paraense nas eras do
Intendente Antônio Lemos (1902–1912) no plano local e no plano federal, de Getúlio Vargas
(1937–1945), nas quais mudanças nos hábitos sociais dos moradores de classe alta podem
ser associadas a alterações nos locais de moradia, sucessivamente, em cada uma das
épocas, as famílias passaram a ocupar imóveis fora do núcleo inicial da cidade.

Ao associar dois períodos históricos distintos a alterações espaciais de uma camada


específica da população, este trabalho busca contribuir para o desenvolvimento mais
rigoroso da pesquisa histórica, constituído pela historiografia dos anos ’20 da Escola dos
Annales, na França. Segundo o qual busca-se construir um discurso mais amplo e
diversificado com base teórica e conceitual que sustente e legitime a interpretação sobre o
objeto pesquisado. No caso da historiografia da arquitetura, conforme Waisman (2013,
p.11), “o objeto pesquisado existe no presente por si mesmo e o trabalho do historiador tem
que partir dessa realidade presente”. No caso deste artigo, o objeto pesquisado aborda a
compreensão subjetiva de uma casualidade – edificações em ruínas – para entender como
a modernização e modernidade sobre o local de morar estaria associada ao processo de
degradação do estoque edificado de um bairro histórico de Belém.

O paper busca construir aquilo que é sugerido por Dias e Chaves (2015, p. 6), quando
mencionam que “a pesquisa historiográfica, irremediavelmente recai numa ressignificação
subjetiva dos fatos”. Assim, para compreender a subjetivação dos fatos relativos à
modernização no bairro da Campina, no início do XX, este artigo constrói um discurso
historiográfico sobre a modernização em Belém durante o período de Antônio Lemos e em
seguida, a modernização durante o Estado Novo do presidente Getúlio Vargas. A partir
destes dois momentos, o trabalho busca articular em uma terceira parte, as relações entre
as historiografias dos dois momentos com a degradação arquitetônica atualmente expressa
na ocorrência de ruínas, no bairro da Campina.

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2) Modernização em Belém no início do século XX
A fundação da cidade Belém associa-se à construção do Forte do Presépio, pelos
portugueses, em 1616, que serviu como “estratégia de defesa e marco da ocupação das
terras da Coroa Portuguesa na Amazônia” (BRITO, 2007, p. 50). A partir do forte, localizado
na confluência do rio Guamá e da baía do Guajará, iniciou a formação e a expansão do
embrião urbano da cidade. A princípio formado pelo bairro da Cidade, atual Cidade Velha,
posteriormente, a cidade cresceu dando origem ao bairro da Campina, foco de análise deste
trabalho.

Durante o século XIX o núcleo urbano de Belém se expandiu e desenvolveu através das
atividades atacadistas da zona portuária, passando a atrair o comércio a varejo, serviços
especializados, indústrias, os principais estabelecimentos administrativos e religiosos
formando o centro comercial tradicional de Belém, além das residenciais das camadas mais
abastadas da sociedade. Para o centro convergiam as principais vias e meios de transportes
coletivos, tornando-se a centralidade urbana de maior acessibilidade.

2.1) Modernização de Antônio Lemos (1902 - 1912)

Entre os anos de 1902 a 1945 a cidade de Belém foi governada por líderes políticos que
introduziram ideais de modernização na cidade. O primeiro, senador Antônio Lemos, buscou
motivação e modelo na Europa, posteriormente, o governador Magalhães Barata cumprindo
ordens nacionais do programa político do Presidente Vargas para modernizar o país (PONT
VIDAL, 2008a).

Durante a intendência de Lemos, no início do século XX, a paisagem urbana de Belém


sofreu modificações decorrentes do apogeu da economia do ciclo da borracha (1879 a
1912). Obras de infraestruturas foram realizadas, como a criação de novas vias, de
boulevards, expansão da malha viária, além da construção de palacetes residenciais,
praças, quiosques, cafés, bosques, entre outras. Conforme Brito (2007, p. 55), “Belém irá
refletir um maior desenvolvimento urbano, marcado pela modernização e embelezamento da
cidade com vistas a atender às exigências da sociedade abastada da época”. Chaves e
Silva (2013, p.2) comentam que “Belém viveu o esplendor resultante dos lucros do caucho
no final do século XIX e início do XX. A cidade possuía o que havia de mais moderno, como
bondes elétricos, diversos palacetes residenciais e suntuosos edifícios”.

Mesquita e Cardoso (2008) registram que no período do ciclo da borracha houve a


introdução de consideráveis melhorias infraestruturais, tais como: a iluminação a gás
substituída pela iluminação pública elétrica, a modernização do sistema de abastecimento

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de água e esgoto, o calçamento das ruas com paralelepípedos de granito importado, além
do incremento do sistema de comunicação com o telégrafo, tudo proporcionado por estreitas
relações comerciais com os países europeus. Brito (2007) complementa que no governo de
Lemos foi construído o porto (1908–1913), que alterou, significativamente, a paisagem da
orla de Belém.

Segundo Sarges (2000) o governo de Antônio Lemos foi marcado por políticas de
reordenamento urbano, higienização e embelezamento da cidade, cujo modelo estava
embasado no urbanismo vigente na França e pretendia transformar Belém em uma pequena
réplica de cidade europeia. Dias e Chaves (2015, p.3) chamaram de Paris Tropical à
semelhança de Belém com a capital francesa pretendida por Lemos com as remodelações
urbanas e arquitetônicas de ideais haussmanianos. No período ocorreram projetos de
monumentalização com alargamento e abertura de vias. Como exemplos, no primeiro caso,
a Avenida 15 de Agosto, atual Avenida Presidente Vargas e, no segundo caso, o processo
de aterramento da região litorânea e a construção da Boulevard da República, atual
Boulevard Castilhos França, cujas vias estão dentro do bairro da Campina (CHAVES, 2011).

Transformar Belém em uma cidade europeia significava, tanto para o governante quanto
para os moradores, modernizá-la. E essa modernização não estava restrita a melhorias
urbanas, incluía o “modo de vida” das pessoas. Ou seja, a modernização era ao mesmo
tempo concreta – aplicada na cidade – e abstrata – transformando a cultura da população.
Gorelik (1999) diferencia modernização de modernidade ao explicar que modernização são
processos duros que continuam transformando o mundo, motivados por representações
culturais de modernismo, expressas pelo modo de vida e organização social.

O autor comenta que:


[...] na América, a modernidade foi um caminho para chegar à
modernização, não sua conseqüência; a modernidade se impôs como parte
de uma política deliberada para conduzir à modernização e nessa política a
cidade foi o objeto privilegiado (GORELIK, 1999, p. 59).
As modificações no modo de morar relacionam-se a medidas adotadas por Lemos, quando
em 1901, implementa o Código de Polícia Municipal de Belém. O Código além de instituir
posturas a serem respeitadas e cumpridas pelos cidadãos regulamenta uma série de
restrições às residências urbanas. Conforme explica Coelho (2007, p. 93) “por meio desta
lei, [...] Antônio José Lemos, [...] procurava garantir que a cidade fosse, aos poucos,
reconstruída segundo inspiração europeia”.

A regulamentação voltada para as residências, tanto às novas construções quanto às


construídas, passavam por um processo de “ecletização” (Figura 1), que segundo Coelho

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(idem, ibid) “a forma externa da residência teria que ser adequada aos padrões de ordem e
estéticos impostos, conforme observa-se na figura 1, as edificações deveriam deixar de
apresentar coberturas com beirais aparentes. No lugar, o Código instituía
compulsoriamente a platibanda como medida estética e de saúde pública, pois seu uso
evitaria o escoamento de água dos telhados diretamente nas calçadas.

Figura 1: Em primeiro plano, edificações coloniais que sofreriam adaptações segundo


regulamentação da aparência (ecletização). Em segundo plano, o edifício eclético do Grêmio
Literário e Recreativo Português localizado no bairro da Campina, em Belém.
Fonte: http://portalmatsunaga.xpg.uol.com.br/InicioXX2.html. (Acesso: 5 jun. 2017)

Além das posturas, há definições de cunho urbanístico no Código de Polícia Municipal, de


1901. Os capítulos – Construção e Reconstrução de Prédios, Casas para Habitação e
Casas Comerciais – tratam, respectivamente, das construções urbanas e da
regulamentação da aparência dos novos edifícios, especialmente os residenciais e
comerciais, assim como, sobre as obras e outras questões técnicas. Sobre a aparência dos
edifícios, que resultou na ecletização dos mesmos, o Código regulamenta, no artigo 21:

É completamente arbitrario o estylo architectural, uma vez observadas as


regras d’arte, havendo o maximo cuidado em estabelecer as proporções
das diversas partes componentes da construção, isto é, as pilastras,
cornijas, platibandas, etc (BELÉM, 1897-1902, p.56).

Vale ressaltar que a ecletização das novas construções e reconstruções dependiam,


conforme explica Reis Filho (2000, p. 155) “de materiais importados, tanto para elementos
estruturais como para acabamentos”. O autor complementa (idem, 159) que engenheiros e
arquitetos “conseguiam dominar com eficiência as principais técnicas de construção [...] e

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orgulhavam-se de imitar com perfeição [...] os estilos de todas as épocas, que fossem
valorizados pela cultura europeia”.

A modernização da cidade através do aprimoramento do sistema de abastecimento de água


e de esgoto permitiu segundo Reis Filho (idem, p. 164) a “instalação de serviços
domiciliares, que conduziam a formas mais evoluídas de funcionamento das habitações [...]
Data dessa época, a inclusão dos banheiros, como peças definitivas no programa”. Segundo
o autor (idem, p. 155) “as mudanças sócio-econômicas e tecnológicas ocorridas a partir da
segunda metade do século XIX, implicaram, no Brasil, em profundas transformações nos
modos de habitar e construir”. De uma maneira geral, ocorrem grandes alterações, conforme
observado por Derenji (1987, p. 150):

A maioria das casas velhas e desmanteladas cedera lugar a belos edifícios


construídos acima do nível da rua, com extensas e elegantes sacadas no
primeiro andar. [...] parecendo que os paraenses procuravam agora imitar
os costumes das nações do norte da Europa, ao invés dos da mãe-pátria.
A associação da modernização, através da implementação de infraestruturas e construção
de belos edifícios, e a modernidade, com a imitação de novos costumes europeus, presente
no comentário de Derenji, é mais um exemplo das conseqüências que as transformações
concretas realizadas na cidade influenciam na mudança dos hábitos sociais da população.

Derenji (1987, p.150) complementa que “o Ecletismo, que será o símbolo, a representação
arquitetônica das mudanças de comportamento trazidas pela riqueza do ciclo da borracha,
usará esse neoclássico tardio como mais uma opção de escolha de estilos”.

Em virtude das novas leis implantadas por Antônio Lemos acrescido com os rendimentos
que a economia da borracha rendia aos cofres públicos, nos últimos anos do século XIX e
primeiros do XX, Belém expandiu além dos dois tradicionais bairros, da Cidade (atual
Cidade Velha) e da Campina, com a implantação de grandes novos bairros planejados,
transformando os arredores ou subúrbio da cidade, com vias largas, lotes com dimensões
maiores, novos palacetes construídos ao longo da Estrada de Nazaré, atual Avenida
Nazaré, do Umarizal e da Estrada de Bragança, atual Avenida Almirante Barroso (COELHO,
2007).

Tais transformações iniciam uma nova era de modernização da cidade que podem ter
influenciando na cultura e hábitos sociais dos moradores da classe alta do núcleo urbano
deixando seus sobrados e casario e preferindo ir morar em palacetes, chalés e bangalôs em
outras áreas da cidade, como as avenidas Nazaré (Figura 2) e Braz de Aguiar.

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Figura 2: Palacete Faciola, em 1908, à Avenida Nazaré.
Fonte: https://fauufpa.files.wordpress.com/2011/07/p-faciola.jpg. (Acesso: 5 jun. 2017)

Os chalés ou “edifícios importados” conforme conceituou Reis Filho (2000) expressavam um


fenômeno completamente novo na arquitetura, pois eram produtos industrializados
produzidos nos países europeus e transportados desmontados nos porões dos navios para
o Brasil. O autor (idem, p. 155) destaca que a “importação era completa, pois compreendiam
de estruturas e vedações até coberturas, escadas e peças de acabamento, que aqui eram
montadas, conforme as instruções e desenhos que as acompanhavam”. Chalés em ferro
fundido, por exemplo, eram escolhidos por meio de catálogos que apresentavam os
modelos disponíveis, retratando uma modernização tanto na forma de construir e morar
quanto de comprar o imóvel. Coelho (2007, p. 108) comenta,
Não é de se admirar que em dado momento as famílias proprietárias destas
casas no centro histórico tenham-nas vendido para construir ou comprar
casas nos novos bairros da cidade, onde a vida prometia ser mais “chique”
e “charmosa”. As casas e palacetes construídos nos bairros novos de
Belém a essa época é que seguiam, então, os preceitos de afastamentos
dos limites do lote, com novos esquemas de cobertura e sistemas
construtivos modernos, como por exemplo, o concreto armado.
Percebe-se, no comentário do autor Coelho, que a modernização de Belém na era Lemos -
expressa, dentre outras formas, com a criação de novos bairros com padrões urbanísticos
diferenciados - aguçou o desejo da população mais abastada de sair do bairro da Campina
para morar em áreas mais “chique” e “charmosa”, mostrando o poder da modernidade sobre
a cultura das pessoas.

Os novos bairros localizados nos arredores dos bairros da Cidade Velha e Campina
possuíam vantagens locacionais: (i) por estarem próximos do núcleo urbano, portanto, da
centralidade das atividades de comércio e serviço; (ii) por estarem afastados do “burburinho”
causados pelo fluxo de pessoas e veículos atraídos pela centralidade; e, (iii) por

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disponibilizarem moradias modernas amplas, em vias mais largas, em lotes maiores,
ajardinados e com recuos.

Durante o governo de Antônio Lemos, a modernização da cidade de Belém agregou valor ao


bairro da Campina através das obras e investimentos já mencionados. Nesta época, o bairro
da Campina possuía comércio sofisticado e serviços especializados, além de residências da
camada de alta renda. O bairro, naquela altura, não evidenciava sinais de degradação
arquitetônica com a saída de moradores mais abastados atraídos pela cultura da
modernidade, motivados a residir nos palacetes, bangalôs e chalés nos novos bairros de
Belém, periféricos a seu núcleo urbano.

Este processo de valorização da modernidade estaria incluído na relação feita por Bordieu
entre o espaço simbólico e o espaço social. Para o autor (1990, p. 160), “o espaço social
tende a funcionar como um espaço simbólico, um espaço de estilos de vida e de grupos de
estatuto, caracterizados por diferentes estilos de vida”. O poder do simbólico estaria ligado à
modernização do espaço físico enquanto que, o espaço social seria o desejo, a ambição, a
mentalidade de modernidade desejada pela riqueza da época.

A mentalidade de modernidade, que influenciou a cultura e os hábitos sociais da burguesia


em relação ao local da moradia, despertava o desejo de mudar para residências com
varandas, em lotes maiores, com recuos e jardins, localizadas em vias largas, bem
diferentes das atuais moradias no núcleo urbano consolidado, com vias e lotes estreitos,
edificações sem recuos, uma ao lado da outra. O que não era encontrado nos bairros mais
antigos, pois expressavam um padrão de moradia que fosse condizente com a mentalidade
de modernidade e, consequentemente, com o status social do grupo abastado. Ou seja,
modernidade era morar nos palacetes, bangalôs e chalés dos novos bairros.

A expansão da cidade, na era lemista, se deu através da via Travessa dos Mirandas que,
após seu alargamento e intervenções urbanísticas, tais como, construção do Teatro da Paz
e da Praça da República, passou a se chamar Avenida 15 de Agosto, sendo o principal eixo
de integração do núcleo urbano inicial com os novos bairros da cidade. Localizada no bairro
da Campina, a Avenida 15 de Agosto, durante o governo Getúlio Vargas, passa a se chamar
Avenida Presidente Vargas por simbolizar o ideal modernista da época, sob pena de perder
o patrimônio arquitetônico eclético. Conforme Belém (1999, p. 64):
[...] a avenida passa a se constituir em um novo centro comercial da cidade,
concentrando as atividades comerciais mais sofisticadas como hotéis,
escritórios de companhias de navegação, consulados, bares, cafés,
restaurantes, lojas e cinemas. Essas atividades, associadas à presença de
edifícios residenciais, proporcionavam um movimento, inclusive à noite, ao
contrário do centro comercial antigo.

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A avenida torna-se, além de eixo integrador, uma linha limítrofe entre o novo centro
comercial e o antigo centro comercial. O antigo e o novo separado por uma “cortina”
construída pela concentração da verticalização erguida durante as décadas de 1940, 50 e
60 ao longo da avenida e seu entorno, que conforme Brito (2007, p. 57) “contribuíram para a
descaracterização do bairro da Campina”. O antigo, visto como atrasado, é
descaracterizado, muitas vezes, destruído, em detrimento do novo e do moderno, conceitos
associados com o progresso.

2.2) Modernização em Belém na era Vargas (1937 a 1945)

O regime do Estado Novo instaurado em 1937, pelo Presidente Getúlio Vargas, defendia a
modernização como ideário, que segundo Chaves e Santos (2013, p. 3) “[...] o símbolo mais
eficaz dessa modernidade que precisava ser empregado era o edifício em altura, novo
conceito de moradia e ícone das ideologias divulgadas e disseminadas pelo “Estilo
Internacional” [...]” incentivando a verticalização no Brasil, “[...] condizendo com os novos
ares que Vargas tentaria implantar no novo Brasil industrializado” (MELLO, 2007, p.68).

Conforme análise de Chaves e Santos (2013) as ações de remodelação e “embelezamento”


da cidade, condizentes ao programa político de Vargas para modernizar o país, estavam
dentro das limitações do orçamento determinado pela decadência do clico da borracha,
aliada pela depressão de 1929 que abateu a economia dos Estados Unidos. As autoras
(idem, p. 14) observaram que a fragilidade econômica fazia com que os governantes
focalizassem seus esforços na modernização, através da verticalização, para uma avenida,
pois era impossível verticalizar toda a cidade. As transformações que a cidade de Belém
passou na era Vargas estão focadas no processo de verticalização no centro da cidade,
principalmente na Avenida 15 de Agosto, atual Presidente Vargas.

Segundo Chaves (2011) a gradativa construção dos primeiros arranha-céus concentrados


na avenida dava um ar de metrópole inspirado no processo de verticalização norte-
americano, que passou a ser, segundo Pont Vidal (2008a, p.5), “[...] uma vitrine das
modernas tendências arquitetônicas”. Chaves e Santos (2013) registram que os primeiros
edifícios - residenciais, de escritórios, hotéis e institucionais - foram planejados e
construídos na Avenida 15 de Agosto, considerada, segundo as autoras (idem, p. 1) “desde
a década de 1920, uma das mais importantes vias da cidade, beneficiada pela proximidade
com o porto e os eixos de crescimento urbano”. Enquanto a modernização da era de Lemos
foi inspirada pelas capitais europeias, a da era de Vargas teve origem nas principais cidades
estadunidenses. Daí a relação de modernização com verticalização.

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Puppi (1998, p. 10) comenta que:
[...] retratam o ecletismo como uma forma de projetar (e construir)
inadequada ao progresso e à modernidade material, ao qual [...] deveria
opor-se uma nova arquitetura, alinhada aos novos tempos e capaz de
expressá-lo culturalmente.
Novamente, os conceitos de modernização através dos processos duros de transformações
físicas na cidade estão associados com alterações de hábitos, a modernidade, com
mudanças na cultura da sociedade, conforme Gorelik (1999) diferenciou os conceitos de
modernização e modernidade.

O processo de verticalização abrangia a moradia, os escritórios de serviços especializados e


as instituições públicas. Pont Vidal (2008a) explica que o incentivo à verticalização foi
regulamentado através da Lei 3.450 de 6 de Outubro de 1956 que determinou a altura
mínima de 12 pavimentos para os novos edifícios da Avenida 15 de Agosto e para ruas do
entorno, altura mínima de 10 pavimentos.

A associação de morar em edifício com a ideia de progresso era evidenciada nas


propagandas de lançamento dos empreendimentos para atrair a camada da população com
demanda solvável para adquirir o novo modo de morar. A modernidade e tradição estavam
presentes nos edifícios residenciais, representados, segundo Chaves (2011, p. 71) “pela
sobriedade das arquiteturas, nos amplos apartamentos, nas recepções revestidas em
mármores finos, adornadas com lustres de cristal e mobiliários de formas clássicas”. Esse
mote se fazia necessário para superar o obstáculo do desconhecido, “o novo hábito de viver
em altura e a consequente resistência em sair de suas casas ajardinadas e amplas que
caracterizava o modo de viver da burguesia local” (PONT VIDAL, 2008a, p. 147).

Para Chaves e Santos (2013) para atrair a população mais abastada da cidade a morar nas
alturas era necessário adaptar o novo tipo de moradia aos seus anseios. Para isso,
“percebe-se a permanência de ambientes e formas de organização espaciais que
apresentam características das amplas casas burguesas e palacetes de Belém de outrora”
(p. 14).

Pont Vidal (2008a) esclarece que as novas composições de moradias – em edifícios e em


residências que incorporavam elementos e soluções da arquitetura moderna brasileira -
expressavam o sentido de modernidade dos grupos sociais em ascensão, como médicos,
advogados, engenheiros, comerciantes e empresários. Para a autora (idem, p. 145) “à
medida que esses grupos adquiriam novos hábitos, e se identificavam com uma nova
cultura urbana, os bangalôs ecléticos se tornavam anacrônicos para suas necessidades
funcionais e simbólicas”.

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Segundo Chaves (2011), a partir de 1932 foram construídos 20 edifícios na Avenida 15 de
Agosto, entre eles, edifícios comerciais, residenciais, institucionais, de uso misto e hotéis,
com altura variando entre 3 e 25 o número de pavimentos. Dos 20 edifícios localizados na
avenida, 11 contemplavam o uso residencial. Chaves e Santos (2013) observam que os
edifícios construídos ao longo da avenida “contribuíram para sua progressiva transformação,
a mudança do modo de morar da população e a criação do status de cidade moderna” (p.
14). Na era de Vargas, modernidade era morar em apartamentos e residências com
elementos e traços da arquitetura moderna.

Penteado (1968) registrou a mudança da paisagem urbana do bairro. A figura 3 apresenta


uma fotografia do autor intitulada de “o tradicional e o moderno na cidade de Belém”. A
imagem apresenta a hierarquização dos tipos de arquitetura ainda encontrada no bairro da
Campina: em primeiro plano a fachada da igreja das Mercês, do século XVIII; em segundo
plano, sobrados reformados pelas correntes modernistas e sobrado eclético preservado; e,
em terceiro plano, um arranha-céu construído sobre edificações ecléticas destruídas.

Figura 3: Avenida 15 de Novembro. Fonte: Penteado, 1968, p. 177

O processo de verticalização iniciado na era de Vargas destruiu antigos sobrados e casario


no bairro da Campina para dar lugar a edifícios, ou simplesmente, para produzir espaços
vazios. Este processo vem ao encontro da degradação já em curso desde os anos de 1920,
quando as famílias começaram a transferir suas residências para os bairros “modernos”.
Além da destruição para verticalização ou para produção de espaços vazios, alguns
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sobrados foram reformados para ganhar novos traços arquitetônicos em suas fachadas,
visando, com isso, a modernização, o que, também, influenciou no processo de degradação
física desses imóveis. Assim como as edificações coloniais adaptaram-se à ecletização da
era Lemos, alguns imóveis modernizaram suas fachadas na era Vargas, visando
acompanhar o progresso, transformando os arcos das aberturas em linhas retas, retirando
os gradis de ferro do guarda-corpo das janelas inteiras, introduzindo marquise em concreto
armado como proteção, eliminando as platibandas com balaustres, ou seja, retirando os
elementos ecléticos que remetiam ao antigo.

3. A degradação arquitetônica após os ideais da modernização


Conforme observa (Brito, 2007) os bairros da Campina e Cidade Velha são,
respectivamente, “marcada inicialmente pelo uso residencial e, hoje, pelos usos residencial,
comercial e de serviços” (p. 66) e “de uso original residencial e comercial e, atualmente,
destacam-se os usos comercial e de serviço” (p.68). Percebe-se que o uso residencial
cedeu, aos poucos, para os usos de comércio e serviço, os quais necessitaram de
adaptações estruturais nas edificações, como, demolições de partições internas, aberturas e
fechamentos de vãos nas fachadas, descaracterizando sua arquitetura original. Para Belém
(1999, p. 73) “a intervenção nas fachadas [...] e a interferência visual da propaganda
comercial descontrolada [...]” são alguns dos sérios conflitos que o bairro da Campina
apresenta por concentrar a maior densidade de uso comercial do CHB. Vargas e Castilhos
(2006) associam deterioração e degradação urbana com “a perda de sua função, ao dano
ou à ruína das estruturas físicas [...] de um determinado lugar” (p. 3). Ou seja, a degradação
física não se restringe ao estado de conservação da edificação, mas também, na perda das
características da arquitetura original dos mesmos.

O início da degradação física do estoque edificado do bairro da Campina está associado,


conforme visto acima, a partir dos anos de 1940, com a saída dos moradores de alta renda
do bairro, incentivados pela expansão do setor imobiliário e pela modernização das novas
formas de morar (PONT VIDAL, 2008a, 2008b), assim como, observou Brito (2007, p. 61) a
partir da década de 1970, Belém se expandiu através da “aceleração do processo de
urbanização, configurado por um movimento de periferização urbana” incentivada, entre
outros fatores, pela descentralização das atividades públicas e privadas do núcleo urbano.

Belém (1999, p. 23) descreve que o “bairro da Campina foi logo atingido pelo processo de
decadência econômica, com a deterioração de seu casario, a substituição de um comércio
dinâmico e de qualidade por um comércio popular”. Com a mudança do consumidor de alta
renda para outras áreas da cidade, o centro urbano passou a se especializar em um novo
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perfil de consumidor – o de classe baixa. Para este consumidor o que mais importa é o
preço baixo e a variedade das mercadorias e não a aparência ou as características
arquitetônicas e das instalações físicas das lojas. Por isso, e em função dos próprios custos
elevados de conservação de prédios antigos, dentre outros motivos, os comerciantes locais
deixaram de investir na aparência e na conservação dos imóveis onde ficam suas lojas,
resultando num declínio do conjunto edificado que compõem o centro urbano. Villaça (2001)
enfatiza que, na origem do processo popularmente chamado de “decadência” ou
“deterioração” do centro, está o seu abandono por parte das camadas de alta renda e a sua
tomada pelas camadas populares.

Desde a sua origem, passando pelo seu apogeu até o início do processo de degradação
física, o núcleo urbano inicial de Belém, acumulou um importante patrimônio. As
construções do forte, das igrejas, dos mercados do Ver-o-Peso e de Carne, de fábricas, dos
palácios dos governantes, dos sobrados e casarios com seus revestimentos em azulejos
portugueses, etc. constituem patrimônio arquitetônico, urbanístico, histórico, artístico,
cultural e paisagístico. A preocupação com a preservação deste patrimônio resultou no
tombamento do núcleo urbano como Centro Histórico de Belém (CHB) composto por parte
do bairro da Cidade Velha e todo o bairro da Campina. Atualmente o tombamento do CHB é
regulado pelas três esferas governamentais: pelo Município através da Lei Orgânica do
Município de Belém de 30/03/1990 e pela Lei Municipal nº 7.709 de 18/051994; pelo Estado
com a Lei nº 5.629 de 20/12/1990 e pela União por meio da Portaria nº 54, de 8/05/2012 do
Ministério da Cultura, a qual passa atualmente por revisão visando sua normatização para
atuação do IPHAN na área.

Apesar do processo de degradação física, o bairro da Campina, localizado no CHB, é a


maior centralidade urbana do município e da Região Metropolitana de Belém (RMB), pois
concentra grande número de atividades de comércio e serviço da região, além de atrair
expressivo número de empregos e consumidores. A centralidade observada no CHB é
expressão da concentração, em determinada área da cidade, de um enorme mercado de
trabalho, atraindo para esta área uma série de atividades terciárias e fluxo de pessoas
(CORRÊA, 1995).

O processo de degradação arquitetônica que o bairro da Campina apresenta atualmente é


resultado das modificações econômicas e no modo de vida da população. Como tratado
anteriormente, suas marcas, infelizmente, são encontradas no casario construído há mais
de um século, presentemente em estado de conservação ruim ou em ruínas e mesmo
utilizados como estacionamentos. Ressalta-se que é considerada edificação em ruína,
segundo o órgão municipal responsável pela cobrança de tributos imobiliários por meio do
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Cadastro Técnico Multifinalitário, CTM o “terreno onde se localiza uma edificação em
péssimo estado de conservação, abandonada e já desabando, aqueles casos de extrema
precariedade” (BELÉM, 2000, p. 39).

A quantidade de edificações em ruínas no bairro da Campina teve um aumento


considerável. A figura 4 apresenta mapas com 15 ruínas no bairro da Campina em 2000,
constantes do CTM (BELÉM, 2000), assim como, outras 104 ruínas identificadas em 2013,
pela pesquisa “Mercado Imobiliário em Centros Históricos de Cidades Brasileiras (MICH)".
Considerando que, em 2000, o bairro possuía 2.096 lotes, 0.71% do universo eram ruínas e,
após 13 anos, o percentual passou para 4.96%. Os dados constantes da pesquisa MICH
foram obtidos a partir do projeto coordenado pela Profa. Dra. Helena Lúcia Zagury Tourinho
pela Universidade da Amazônia, 2013 e incluídas em: Morhy (2015), Morhy et al (2015) e
Lobo et al (2016). Ainda na figura 4 estão destacados os imóveis protegidos pela legislação
federal e estadual.

Figura 4: Ocorrências de ruínas, estacionamentos, verticalização e imóveis protegidos nos


bairros da Cidade Velha e Campinas no CHB. Fonte: Elaboração própria

Entende-se que diversos fatores contribuíram ao aumento da degradação arquitetônica, no


entanto, a pesquisa aponta que com a introdução da modernização do local e na forma de
morar, aguçando o sentido da modernidade como fatores relevantes de status social

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estariam associados ao início do processo de degradação do estoque edificado do bairro da
Campina em Belém, retificando a tese de Harvey (2011) da cidade como mercadoria, tendo
como lógica a desvalorização de áreas em detrimento da valorização de outras, em um ciclo
onde uma alimenta a outra.

Considerações Finais
Os recursos econômicos disponíveis na era de Lemos possibilitaram a implementação de
obras que transformaram a paisagem do núcleo urbano de Belém como um todo. Ao
contrário da era de Vargas, as finanças da capital paraense estavam limitadas e os
investimentos priorizaram a modernização de uma parte do núcleo urbano através da
verticalização. Vale indagar como estaria o núcleo urbano de Belém se os recursos públicos,
durante o governo de Vargas, estivessem disponíveis para realização dos seus ideais de
modernização? À época não existiam as leis preservacionistas, o que permitiria destruir toda
a massa edificada, de período colonial e eclético, para construção do novo, das edificações
em alturas. No entanto, em virtude da restrita realidade financeira do governo Vargas, a
destruição não foi propriamente na massa edificada e, sim, no abandono das demais áreas
do núcleo urbano, onde se localizava uma parcela significativa de edificações ecléticas da
cidade.

Uma possível solução, diante do quadro apresentado neste trabalho quanto à existência de
ruínas e estacionamentos no CHB, são ações para a reabilitação de imóveis com
investimentos para o retorno de moradias à área. Há estudos de viabilidade técnica e
orçamentária para o caso de Belém, como o conduzido por Norat (2007), os quais
dependem de programas governamentais conforme identificados por Lima, Faria e Andrade
(2002). Este processo mostra-se relevante na medida em que foi detectado um relativo
aumento no número de domicílios no CHB. Conforme os resultados dos Censos do IBGE de
2000 e 2010 aumentou 7.5%, mesmo sem nenhuma política incentivadora ao uso
habitacional. O uso habitacional é potencialmente um propulsor da conservação, pois além
de contribuir para a diminuição do déficit habitacional, pode atrair outras atividades que dão
apoio a moradia, possibilitando a utilização do espaço em horários e períodos que vão além
dos horários comerciais, garantindo o uso ininterrupto do espaço e evitando, com isso,
espaços desertos e inseguros.

O discurso historiográfico construído associa a mudança na cultura e nos hábitos sociais da


camada da população de alta renda com a introdução da modernização do local e na forma
de morar, aguçando o sentido da modernidade da nova moradia, como fator relevante para
o status social. Faz-se necessário a elaboração de políticas habitacionais, por meio de
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ações governamentais ou civis - com destaque para maior participação social nos projetos,
uma vez que este item é uma das conquistas democráticas recentes no planejamento
urbano - que sejam capazes de fomentar uma mudança cultural e nos hábitos da sociedade
local visando aguçar seu interesse de retornar a moradia nos sobrados ecléticos do
tombado núcleo urbano de Belém e minimizando, com isso, sua degradação.

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A Nova Prefeitura Enxaimel de São Leopoldo

SILVA, LEONARDO ALBERTO CORÁ; KEMPFER, CAROL

1. UNISINOS. Mestrado em Arquitetura e Urbanismo


Rua Marechal Mascarenhas de Moraes, 333, Gravataí
leonardocora@yahoo.com.br

2. UNIRITTER. Bacharelado em Arquitetura e Urbanismo


Rua Marechal Mascarenhas de Moraes, 333, Gravataí
carolinakempfer@gmail.com

RESUMO
São Leopoldo é um município gaúcho onde foi fundada em 1824 a colônia imperial de mesmo nome.
Os registros deste passado podem ser encontrados na arquitetura da região, onde exemplares de
enxaimel ainda resistem ao tempo, a grande maioria sem nenhuma proteção legal. No ano de 2009, o
poder público municipal lançou o projeto de uma nova prefeitura, no centro histórico local, que seria
construída com a inserção de elementos alusivos a técnica construtiva enxaimel. A reação contrária
da população, liderada pelo movimento estudantil dos cursos de arquitetura e urbanismo da
UNISINOS e FEEVALE, foi tão intensa, que o projeto teve que ser reformulado, sendo adotado um
estilo contemporâneo. A produção desses simulacros de arquitetura por meio de incentivos legais no
plano diretor de São Leopoldo nos oferece possibilidades de interpretações sobre o embate dos
diferentes grupos sociais que compõem a sociedade contemporânea da cidade. Conceitos como
identidade, auto-representação e paisagem são debatidos para buscar compreender o que levou a
sociedade de São Leopoldo a refutar a construção de uma edificação com a importância que uma
prefeitura tem para a imagem da cidade. Para a construção do presente artigo, realizamos uma
análise tendo como base a legislação local e as matérias jornalísticas da imprensa local. Sendo assim
o nosso “corpo documental” é o plano diretor local em seus artigos que promoveram a construção de
simulacros, o projeto arquitetônico da nova prefeitura e a cobertura que a imprensa local deu para o
ocorrido.Por fim, ainda que não definida por seus agentes em seu tempo como tal, uma posterior
análise do ocorrido em São Leopoldo, foi definido pela arquiteta Briane Bicca e pelo arquiteto Carlos
Fernando de Moura Delphim como uma caso de sucesso na defesa não apenas no patrimônio
arquitetônico, mas da paisagem cultural da região de imigração germânica. Os resultados obtidos
foram a desconstrução de ideia de que a sociedade civil em geral não possui a capacidade de
discernir entre um bem cultural edificado e um simulacro, bem como da necessidade de envolvimento
da comunidade em ações que afetem a imagem da cidade. Pelo fato da nova prefeitura enxaimel não
ser fato a demolição de uma edificação histórica, mas sim uma agressão a paisagem do centro

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histórico, conclui-se que sociedade em geral quando bem instruída, já esta pronta para compreender
o conceito de paisagem.

Palavras-chave: Patrimônio; Paisagem; Simulacro; Gestão Democrática.

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INTRODUÇÃO

Edificações de uso público são especialmente simbólicas para uma cidade, pelo fato
que usualmente são o resultado do envolvimento coletivo de diferentes agentes daquela
comunidade. Por vezes, o empenho, faz com essas edificações sejam a representação do
apurado senso estético e qualidade arquitetônica. É um exercício de auto-representação, o
prédio público que deliberadamente transmite uma mensagem sobre a função que abriga,
sendo também um documento que atesta os conhecimentos técnicos e a arquitetura do
período em que foi edificado (MEIRA, 2008). Se no passado eram as igrejas que
tradicionalmente recebiam um maior esmero em sua construção, dominando e
hierarquizando a paisagem urbana, agora novos símbolos disputam esse cenário e não é
raro que sejam edificações privadas as que mais se destacam na imagem da cidade
(LYNCH, 2011). Segundo Pound (1991) “uma ‘imagem’ é aquilo que apresenta um
complexo intelectual e emocional em um instante”, isso nos leva a refletir sobre a
importância que uma arquitetura de qualidade tem para uma edificação pública e por
consequência para a imagem da cidade.
Em São Leopoldo, município gaúcho que é reconhecido como berço da imigração
germânica no Brasil (TRESPACH, 2014), as tentativas do poder público em se utilizar da
imagem da arquitetura da imigração alemã como um instrumento de propaganda da cidade
tem promovido uma deformação na paisagem urbana. As reproduções da técnica
construtiva enxaimel em edifícios públicos e privados encontram pouca adesão da
sociedade, gerando inclusive conflitos políticos como o que será abordado neste artigo. No
ano de 2009, o poder público apresentou a comunidade o projeto do novo centro
administrativo municipal, o sítio escolhido está localizado no centro histórico local, nas
proximidades de edificações tombadas pelo Instituto do Patrimônio Histórico do Estado –
IPHAE. Havia a expectativa que o projeto seria de autoria do arquiteto Marcelo Ferraz, do
escritório Brasil Arquitetura, que havia sido contratado para realizar um projeto de
revitalização de todo o centro histórico da cidade. Entretanto edificação proposta era um
edifício de oito pavimentos, com elementos alusivos ao enxaimel, de autoria do corpo
técnico da prefeitura.

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A reação contrária ao projeto por parte dos alunos dos cursos de arquitetura da
Universidade do Vale do Rio dos Sinos - UNISINOS e da Federação de Estabelecimentos
de Ensino Superior em Novo Hamburgo - FEEVALE levantou um debate na cidade sobre a
pertinência de construir edificações públicas com elementos característicos de períodos do
passado. Este movimento recebeu apoio do Instituto dos Arquitetos do Brasil – IAB e do
Conselho Internacional de Monumentos e Sítios - ICOMOS. Ademais, a convite do Instituto
do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional - IPHAN, o arquiteto Carlos Fernando de Moura
Delphin, especializado em paisagens culturais e jardins históricos, emitiu um parecer sobre
o centro histórico local, o qual proporcionou diretrizes para a política pública municipal de
preservação histórica (DELPHIN, 2010). Foram realizadas audiências públicas, em que a
comunidade teve a oportunidade de ser manifestar e por fim com o auxílio do Conselho
Municipal de Patrimônio Cultural – COMPAC, foi possível convencer o poder público a
refazer o projeto, construindo uma edificação contemporânea (BERTINELLI, 2010).
Questões como identidade e auto-representação tiveram um papel decisivo neste
conflito e o envolvimento de Delphin trouxe a reflexão sobre paisagem cultural, uma
categoria de valorização do território ainda recente na época, tendo a chancela da paisagem
cultural brasileira sido instituída no ano anterior por meio da Portaria nº127 do IPHAN. A
decisão da sociedade de São Leopoldo de refutar o projeto com imagem historicista, e optar
por uma edificação contemporânea, demonstra que a sociedade civil quando esclarecida
compreende o papel da arquitetura como um documento de seu tempo e de sua cultura.

1. O CENTRO HISTÓRICO DE SÃO LEOPOLDO

São Leopoldo é um município de médio porte, localizado na região metropolitana de


Porto Alegre, sua origem é a vila de mesmo nome, sede da colônia de imigrantes de origem
teuto fundada em 1824 pelo império brasileiro. Há um questionamento se a cidade seria de
fato o “berço da colonização germânica no Brasil”, já que ocorreram iniciativas anteriores de
colonização com imigrantes teutos no estado da Bahia, onde foram fundadas algumas
colônias privadas (TRESPACH, 2014) e em Nova Friburgo/RJ. Segundo o autor, é possível
afirmar é que a experiência ocorrida em território gaúcho foi à primeira de sucesso
capitaneada pelo império brasileiro, e que se distinguia do modelo existente de ocupação do

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território ao propor o minifúndio, a proibição do colono possuir mão-de-obra escrava (ainda
que os registros demonstrem que esta ocorreu) e a criação de um centro urbano com uma
nova elite branca. Nessa perspectiva, para Trespach (2014) o título de berço da colonização
está relacionado não ao pionerismo, mas a transformação que o modelo de ocupação do
solo em São Leopoldo produziu na sociedade brasileira.
O sítio escolhido para a implantação do novo centro administrativo municipal teve um
papel determinante nos desdobramentos do embate que este artigo analisa. O espaço em
questão é definido por Müller (1979) como a paisagem oficial do município, sendo um
território com a presença de bens de patrimônio cultural e natural (Figura 1). A localização
atual do centro da cidade de São Leopoldo coincide com o da antiga Vila de São Leopoldo,
sendo que os traçados das vias remetem ao um plano-piloto de 1833 (HARRES, 2009).

Figura 1 – Passagem do Zepellim por São Leopoldo

Fonte: Museu Histórico Visconde de São Leopoldo (1934).

O Rio dos Sinos é o elemento natural estruturador da paisagem local, a cidade se


desenvolveu em suas margens, sendo o rio o primeiro canal de comunicação entre o
povoado e a capital Porto Alegre - o clico de cheias foi determinante para a configuração da
cidade, sendo que a relação foi por vezes conflituosa (MOEHLECKE, 2011). O ser humano
transformou este espaço, conferindo a ele singularidade, a arquitetura das edificações

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próximas ao rio constitui a principal imagem de São Leopoldo, na figura 01 é possível ver a
Igreja Católica Matriz Nossa Senhora da Conceição (1860-1870), o antigo colégio São José
(1884) e o antigo Ginásio Conceição (1900). Somado a isso, este lugar é apontado pela
historiografia de São Leopoldo como o local em que os casais de colonizadores germânicos
desembarcaram em 1824, conferindo a este espaço um significado a toda a comunidade.
A construção da ponte de ferro 25 de Julho (1871-1876), o monumento ao centenário
da imigração (1924), o antigo seminário evangélico (1926), a urbanização da praça do
centenário (1934), foram obras que contribuíram para a vitalidade daquele espaço urbano
(Figura 2). As edificações que abrigaram os dois colégios, São José e Conceição, se
tornaram na década de 1960 a UNISINOS (HARRES, 2009), centro de São Leopoldo era
conhecido por uma efervescência cultural, em muito devido à presença da universidade.
As ações de proteção do patrimônio cultural de São Leopoldo iniciaram-se a partir da
década de 1980, em resposta a intenção da prefeitura municipal de demolir a ponte 25 de
Julho e o Antigo Seminário Evangélico, popularmente conhecido como Castelinho. Ambas
edificações foram tombadas pelo IPHAE, sendo que o tombamento da ponte foi o primeiro
realizado pelo órgão de proteção no estado do Rio Grande do Sul (RODRIGUES, 2010).

Figura 2 – Ponte 25 de Julho e Castelinho

Fonte: IPHAE

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No ano de 1981 o prédio do antigo Colégio Conceição (Figura 1), que na época
abrigava a UNISINOS, foi destruído em um incêndio e é este terreno que será escolhido no
ano de 2009 para receber o centro administrativo municipal.
Durante a década de 1980, a sociedade civil conseguiu preservar por meio do
tombamento duas edificação simbólicas existentes no centro histórico, entretanto a
transferências dos usos que garantiam a vitalidade ao espaço urbano, aliada a perda de um
significativo bem cultural em um incêndio, levaram a um crescente abandono do centro
histórico local. Podemos incluir neste processo, a poluição do Rio dos Sinos, que margeia o
centro, a qual desestimulou a prática de esportes aquáticos e acabou como balneabilidade
do rio.
Na década de 1990 começaram a surgir ações contrárias a este abandono, como
projetos de revitalização urbana, mas que por suas origens estarem baseadas na indústria
do turismo, os resultados obtidos foram insuficientes para recuperar a vitalidade que o
espaço um dia possuiu, como veremos no capítulo a seguir.

2. O “BRANDISMO” DAS CIDADES GAÚCHAS

Um dos fenômenos característicos da década de 1990 nas cidades gaúchas foi a


tentativa de desenvolver a indústria do turismo. O sucesso da cidade de Gramado, como um
importante destino turístico do Brasil, levou a criação de projetos como o Rota Romântica,
no ano de 1994, ao qual São Leopoldo faz parte. Este itinerário inicia-se em São Leopoldo,
planície do Vale do Rio dos Sinos, e percorre a encosta da Serra Geral Gaúcha, atingindo o
Planalto onde está localizada Gramado. São ao total quatorze municípios, sendo que
destes, dez são oriundos de distritos emancipados da antiga Colônia de São Leopoldo. O
rota Romântica teve como principal influência a rota de mesmo nome existente na Alemanha
e foi implantado na Serra Gaúcha com a seguinte característica: a construção de edificações
que remetam a arquitetura dos Alpes Europeus.
A idéia de um itinerário cultural percorrendo a paisagem da colonização germânica
do Rio Grande do Sul é instigante. Pois, o itinerário cultural é uma das morfologias que a
Paisagem Cultural pode apresentar (CASTRIOTA E CARDOSO, 2012). É correto identificar

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que esses municípios possuam laços identitários que justificam a análise da sua paisagem
cultural como um elemento que ignora divisões administrativas.
Entretanto a construção de edificações que remetem a uma imagem da arquitetura
européia tem promovido uma deformação na paisagem cultural da região. Ao buscar
reproduzir estilos e técnicas construtivas do passado, ocorre a produção de simulacros. A
diferenciação entre a simulação e o simulacro ocorre que a primeira busca reproduzir algum
elemento que fato existiu, o simulacro não. Por exemplo, o simulacro é o que possibilita a
proposta de uma edificação de multipavimentos em “estilo enxaimel”, quando sabemos que
no Rio Grande de Sul as construções enxaimel eram sobrados, portanto o simulacro não
busca reproduzir algo do passado, ele produz algo que nunca existiu (ARAÚJO, 2007). O
autor aponta que como a arquitetura e a paisagem servem como referencial para a
construção das identidades da sociedade, a deformação causada pelos simulacros
transforma a experiência do viver em algo inconsistente.
O fenômeno de mercantilização das cidades foi denominado por Castello (2001)
como brandização da serra gaúcha. Brand é um termo utilizado pelo design que em sua
origem significa “marcar a ferro” ou “estigmatizar”. A exemplo disto, pode-se citar a criação
de uma marca, que associa um símbolo ao nome de uma empresa e seu conceito. Sendo
assim, quando há essa associação, todos que conhecem este desenho no mesmo instante
sabem a mensagem que está sendo transmitida, e quem não conhece, a partir do momento
que entra em contato com o símbolo passará sempre associá-lo a mesma mensagem.
A partir da década de 1990, muitas comunidades, passam a desejar serem
estigmatizadas, e surgem então as alcunhas que cada cidade adotou: “Nova Petrópolis o
jardim da Serra Gaúcha”, “Estância Velha, capital dos Cortumes”, “Bom Princípio, Terra do
Moranguinho”, e assim por diante. São claramente exercícios de auto-representação,
entretanto redutivos em definir toda a complexidade que uma sociedade possui. A
transposição desses brands se manifesta na paisagem urbana fazendo utilização dos
simulacros.
Em São Leopoldo, o brand criado foi “berço da imigração alemã no Brasil”, não
compreendido como o papel histórico deste território para a conformação da sociedade
defendido por Trespach (2014), mas sim em uma série de caracterizações que este território
deveria possuir. Ações foram tomadas tanto no campo da arquitetura, do planejamento
urbano, como nas festividades locais. Incentivada pelo sucesso de eventos como a

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Oktoberfest de Blumenau/SC, a cidade extinguiu sua festa popular “A Festa do Colono”, que
acontecia anualmente desde a década de 1920, e a substitui pela São Leopoldo Fest, um
evento ancorado na visão caricaturesca do imigrante (WEBER, 2006).
No campo da arquitetura e do planejamento urbano a principal proposta foi a de
oferta de índices construtivos para edificações que fizessem alusão a estilos arquitetônicos
do passado. A Lei 2.785/1984 em seu primeiro artigo definia que seria concedido à
população “o incentivo para a construção de prédios residenciais, comerciais e demais,
visando dotar a cidade de um aspecto eminentemente tradicional as suas origens, que
lembre a história dos primeiros imigrantes alemães de nosso Município” (SÃO LEOPOLDO,
1984). Para os proprietários que assim o fizessem, era garantido cinco anos de isenção de
IPTU a contar da data do habite-se. A lei fazia menção a plantas e fachadas explicativas
sobre o que seria “um estilo de construção que se assemelha a prédios de origem dos
imigrantes alemães”.
Seguindo esse mesmo sentido, outro legislação municipal que buscou alterar a
imagem da cidade de São Leopoldo foi a Lei 4.577/1998, que propôs revitalizar toda uma
região histórica da cidade, criando o Projeto Neustadt, (cidade nova em alemão). Em seu
artigo sétimo, a lei previa o seguinte “Haverá incentivo à construção de prédios
caracterizadamente em estilos arquitetônicos que evoquem o passado cultural do
Município”.Cozen (2009) aponta que, junto às demolições isoladas, são os projetos de
renovação urbana os que oferecem maiores riscos à paisagem cultural urbana. Os projetos
definidos como “arrasa quarteirões” foram por décadas adotados com o objetivo de
higienização urbana, destruindo tecidos tradicionais e conjuntos arquitetônicos com o
objetivo de remover extratos sociais que não eram bem vistos pelas parcelas dominantes da
sociedade. O projeto Neustadt foi abandonado pela municipalidade de São Leopoldo no
início dos anos 2000, sem atingir os objetivos do poder público municipal, mas no período
em que o projeto existiu ocorreu um uma perda a paisagem cultural da cidade, o poder
público não apenas permitiu a demolição da capela do convento do Carmo, construída por
volta de 1910, como deu incentivos urbanísticos para a construção de um Shopping Center
em “estilo enxaimel” em seu lugar, no centro histórico da cidade. Segundo Cozen (2009, p.
53):

A progressiva destruição da paisagem urbana histórica representada pela


perda cultural irreparável para a comunidade tem sido direta ou

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indiretamente reconhecida pela sociedade moderna que tem promovido
sucessivas tentativas de reconstruir no mesmo lugar um centro histórico
semelhante ao que foi demolido

Sendo assim, começa-se a obter resposta sobre a intenção de recriar estilo como
sendo uma tentativa de reconstruir um conceito ao território que ao longo das épocas tenha
se perdido, com a intenção de valorização da cultura, retomar a imagem da cidade ou
simplesmente como fonte de turismo. Todavia, a construção de uma edificação, por mais fiel
as técnicas do período, nunca fará parte da sua história e consequentemente não refletirá o
pensamento de sua época do mesmo modo. Por conseguinte, não será constituída uma
identidade a edificação, já que este conceito esta interligado ao período em que a edificação
foi construída, que caracteriza o pensamento da época.
Esse cenário coexiste com o auge do pós-modernismo historicista do Rio Grande do
Sul (CASTELLO, 2001). O autor define que neste período ocorre “[...] a inserção em um
determinado ambiente de imagens alheias ao que é predominante em seu contexto, ao que
é efetivamente real e concreto em sua construção social: foge-se, então, na direção de
representações mais próprias de uma meta-realidade”. A construção dos simulacros tem
como objetivo criar estímulos que artificialmente alterem a percepção das pessoas a
respeito do contexto arquitetônico local. São construções criadas deliberadamente para
iludir e deformar a compreensão que o observador tem da história local. Este é o grande
prejuízo que os simulacros trazem para a sociedade, deformam a memória da população,
fazendo da experiência do viver o espaço urbano em parte uma ilusão.

(...) corremos o risco de habituar-nos à idéia de “viver em um cartão-postal”,


ou até mesmo desejar que isso aconteça. São imagens as quais [...] são
percebidas mais como um cenário chapado do que um ambiente capaz de
acolher e envolver o humano enquanto presença do passado e expectativa
de futuro. Edificações cujas imagens, na maior parte das vezes, não
parecem provenientes ou resultantes de processos construtivos, programas,
expectativas. Em conjunto, são imagens que poderiam ser consideradas
como a arquitetura ou cenário dos filmes [..] que, no decorrer da
narrativa,desvendam-se como “cartão-postal” ( ROCHA, 2003, p.55).

Percebemos que enquanto a sociedade leopoldense buscava a preservação de seu


patrimônio histórico original com o auxílio do IPHAE e a utilização do instrumento legal do

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tombamento, o poder público municipal criava leis e projetos com o intuito de promover uma
“nova cidade” com a utilização de simulacros da arquitetura do período da imigração. Estes
projetos além de prejudicarem a paisagem urbana, promoveram a demolição de bens
culturais e sua substituição por novas edificações que buscavam imitar estilos do passado.
Entretanto será com o lançamento do projeto do novo centro administrativo que a
sociedade civil local irá se organizar e se posicionar opostamente ao processo de perda de
bens culturais e sua substituição por simulacros.

3. O PROJETO DA NOVA PREFEITURA E A REAÇÃO DA


SOCIEDADE

Com a chegada ao poder municipal do Partido dos Trabalhados – PT, na gestão de


Ary Vanazzi no ano de 2004, foi criada pela primeira vez uma Secretaria de Cultura para o
município. O fortalecimento da pasta da cultura promoveu algumas ações concretas no
campo do patrimônio cultural. Foi neste governo que ocorreu primeira ação de proteção dos
bens culturais edificados, com a publicação do Decreto nº. 4.428 em 2006, que lista os
imóveis de interesse de preservação.
Em 2009 o arquiteto Marcelo Ferraz, do escritório Brasil Arquitetura foi contratado
para elaborar um projeto de revitalização para o Centro Histórico de São Leopoldo. O
escopo do projeto de Ferraz era construção de uma orla para a cidade, que reaproximasse a
população ao Rio dos Sinos, assim como a construção de dois museus (um de arqueologia
e um herbário). Previa-se também a utilização do terreno que um dia foi ocupado pelo
Ginásio Conceição, destruído no incêndio de 1981, mas não havia no momento da
contratação a definição de qual uso deveria ser dado ao lote.
Em dezembro de 2009 a prefeitura municipal de São Leopoldo contraiu um
financiamento de 10 milhões de reais junto ao banco Banrisul para a construção da nova
sede (BERTINELLI, 2009). O anteprojeto propôs um prédio de oito mil metros quadrados
distribuídos em sete andares, localizado no centro histórico no terreno do antigo ginásio,
com obras previstas para iniciar em abril de 2010. Um elemento que chamou a atenção
foram as travessas de argamassa propostas na fachada, alusivos ao enxaimel (Figura 3).

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Figura 3 – Projeto da prefeitura “enxaimel”

Fonte: Stocker Junior (2010).

Em 30 de dezembro de 2009 foi apresentada a Câmara de Vereadores uma maquete


do centro histórico local, pela coordenadora do curso de História da UNISINOS, Marluza
Harres. A reportagem do jornal da época relatava que desde agosto um grupo de pesquisa
de alunos dos cursos de arquitetura, história e design trabalhavam em levantamentos de
dados da região, tendo realizado um inventário de bens culturais do entorno da ponte 25 de
Julho. A notícia relata que as conclusões dessa pesquisa seriam encaminhadas ao arquiteto
Marcelo Ferraz, da Brasil Arquitetura, que havia sido contratado pela prefeitura municipal de
São Leopoldo para coordenar um projeto de revitalização do centro. Havia expectativa que
projeto elaborado por Ferraz fosse persuadir o poder público a desistir do projeto proposto
na Figura 3.
A primeira manifestação contrária a edificação foi publicada no jornal Vale do Sinos
com o título “O problema da Identidade em São Leopoldo”, de autoria da então mestranda
de História Maíne Barbosa Lopes em 14 de abril de 2010. Segundo Lopes (2010) o prefeito
Ary Vanazzi defende a construção da edificação em “estilo” enxaimel, por ser característico
das edificações de origem construídas pelos colonizados germânicos. A autora chama a

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atenção para a existência de poucas construções em enxaimeis no estado, a maioria em
precário estado de conservação, e para a existência de edificações contemporâneas que
fazem referencia a esta técnica, como o shopping center da cidade, já citado em este artigo.

Não esqueçamos que os monumentos – talvez, pelas características da


nova prefeitura, possamos chamá-la de monumento - têm o poder de
celebrar uma determinada memória e, principalmente, de preservá-la para o
futuro (LOPES, 2010, p.01)

Segundo Lopes (2010) a construção de um prédio público como a sede da nova


prefeitura, funcionaria como um monumento para a cidade. A autora é crítica a proposta de
incluir elementos alusivos a imigração germânica por compreender que isso seria uma
representação de apenas uma das etnias que compõem a sociedade de São Leopoldo. Ao
propor a construção de um monumento a germanidade, a municipalidade estaria valorizando
uma etnia em relação às demais:

Nem a produção, nem a leitura de paisagens são inocentes. Ambas são


políticas no sentido mais amplo do termo, uma vez que são
inextricavelmente ligadas aos interesses materiais das várias classes e
posições de poder dentro da sociedade. (DUNCAN apud RIBEIRO, 2007, p.
23)

Em maio de 2010, o escritório Brasil Arquitetura apresentou o seu projeto de


qualificação do centro histórico bem como um anteprojeto para abrigar o centro
administrativo. A proposta de Ferraz pode ser definida como um modernismo revisado, com
muitos dos princípios estilísticos do estilo, mas com a adição de materiais e tecnologias
contemporâneos. Sua forma era a de um prisma retangular envidraçado de dois pavimentos,
sob um pavimento inferior de pilotis. A aparência era discreta o suficiente para ser inserida
no centro histórico local sem causar nenhum tipo de conflito com a edificação vizinha, o
antigo Colégio São José. Este projeto foi recusado, já que segundo Bertinelli (2010), o
prefeito entendia que apenas uma edificação vertical de sete pavimentos teria o espaço
necessário para abrigar as funções desejadas para a edificação.
Em quatro de maio, os estudantes de arquitetura da UNISINOS, FEEVALE e a
Associação de Arquitetos e Engenheiros do Vale dos Sinos - AEA protocolaram um abaixo-
assinado com aproximadamente 1.200 assinaturas solicitando que a edificação da nova
prefeitura fosse em um estilo contemporâneo (BERTINELLI, 2010).

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Em 10 de junho de 2010 foi realizada uma audiência pública na Câmara de
Vereadores de São Leopoldo, onde os representantes do movimento estudantil, da AEA, do
IAB e do ICOMOS apresentaram a população os motivos pelos quais as entidades ligadas à
arquitetura e a preservação histórica se opunham ao projeto apresentado pela prefeitura
municipal (Figura 3). Ao fim da audiência pública houve o encaminhamento que a
municipalidade apresentaria um novo projeto para a construção, sem a presença de
elementos alusivos ao passado. Entretanto a proposta do escritório Brasil Arquitetura
permaneceu descartada e a prefeitura manteve a quantidade de pavimentos que desejava.

Figura 4 – Prefeitura da Municipal de São Leopoldo executada

Fonte: Autor (2015).

O acordo construído entre a sociedade civil e o poder público na época não foi
completamente compreendido como uma vitória, mas os desdobramentos que ocorreram
em seguida trouxeram benefícios à sociedade de São Leopoldo que serão apresentados no
capítulo seguinte.

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4. A PAISAGEM CULTURAL DA ANTIGA COLÔNIA DE SÃO
LEOPOLDO

Cozen (2009) define que é possível observar nas paisagens urbanas


contemporâneas uma série de camadas que compuseram as paisagens culturais no
passado. Ao analisar a cidade, compreende-se que diferentes paisagens constituem sua
identidade. A identidade de um núcleo urbano ou edificação está conectada a sua história,
isto remete ao período em que foi construída, englobando as técnicas utilizadas, o estilo
seguido e o sentimento da época. Todavia, as constantes transformações do pensamento e
valores fazem com que este conceito esteja sempre em modificação.
Para desenvolver o sentimento de pertencimento a um local, é necessário
compreender sua cultura, história e costumes ou simplesmente identificá-los, assim, a
preservação de bens com o tombamento de edificações e definições de patrimônios
históricos tem como função garantir que o indivíduo reconheça uma temporalidade na
paisagem urbana, com o novo e antigo criando uma ambiência afirmando o caráter do
território inserido. Por estes motivos reforça-se a defesa da prevalência das edificações,
como história imutável, acompanhado as modificações do homem de acordo com seu
tempo, podendo sofrer adaptações, porém permanecendo a essência. Entretanto, quando
se opta por recriar estilos do passado em edificações novas gera o que ficou conhecido
como simulacros, abrindo o questionamento para a que ponto essa reconstrução agrega na
identidade urbana, considerando que arquitetura está inteiramente ligada ao contexto em
que foi construída.
O memorando nº 31/10, autoria de Delphim, então na condição de Coordenador-
Geral de Patrimônio Natural do Departamento de Patrimônio Material do IPHAN e
endereçado ao arquiteto Dalmo Vieira Filho – Diretor do Departamento de Patrimônio
material e Fiscalização – DEPAM/IPHAN, com vistas à instrução do Inquérito Civil 32/10 da
Promotoria Pública de Justiça Especializada de São Leopoldo, é um documento importante
para compreender as contribuições que debate arquitetônico em torno da construção da
nova prefeitura trouxeram para a cidade.
Neste memorando foi anexado um “parecer sobre o centro histórico de São
Leopoldo, RS”, de autoria de Delphim: Diz ele que “nunca havia entrado em São Leopoldo,

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que me parecia uma simples cidade de beira de estrada, sem qualquer atrativo especial. Ali,
entretanto, fui surpreendido por lugares originais e encantadores, com uma identidade
própria” (DELPHIN, 2010, p.1). O parecer redigido por Delphim orientou uma resolução do
COMPAC que solicitou ao IPHAN, no ano de 2012, o tombamento em nível nacional da
Praça do Imigrante, embasada na seguinte descrição feita pelo arquiteto citado (DELPHIN,
2010, p. 03):

A Praça do Imigrante com o traçado perfeitamente preservado e com o


monumento comemorativo da chegada dos primeiros alemães, em 1824,
erigido cem anos depois. Trata-se de um importante jardim histórico
nacional, a exigir medidas de proteção, conservação e valorização.
Infelizmente, a placa que deveria explicar o sentido do monumento foi
retirada, ficando o visitante sem saber a que se refere o importante marco
da história do país.

O parecer apontou ainda elementos naturais como o Rio dos Sinos, a vegetação
ribeirinha, além da arquitetura das igrejas Católica e Luterana, as quais alimentam uma série
de superstições na população (DELPHIN, 2010).
O arquiteto concluiu seu parecer com uma série de recomendações à sociedade civil
de São Leopoldo, entre elas que “deveria dirigir ao IPHAN uma solicitação de tombamento
de alguns de seus bens mais expressivos. Dentre eles destaco a Praça do Imigrante com
seu monumento” (DELPHIN, 2010, p.10). A recomendação é estendida ao nível estadual:
“Também o IPHAE deveria ampliar o número de bens tombados em São Leopoldo e, mais
do que isso, em vez de tombar bens isolados, tombar conjuntos com maiores dimensões
como é o caso de suas ruas centrais com valioso casario” (DELPHIN, 2010, p.10).
A recomendação de Delphin direcionada ao IPHAE também contribuiu para a política
municipal de preservação histórica, já que o Instituto, o Ministério Público Estadual e a
prefeitura de São Leopoldo firmaram um Termo de Ajuste de Conduta – TAC para
elaboração de um Inventário Municipal de Bens de Interesse Cultural. A arquiteta Simone
Neutzling, que realizou um estudo semelhante na cidade Jaguarão/RS, foi contratada para
realizar o estudo em 2013 e o finalizou em 2016.
Os estudos desenvolvidos agora no mestrado em arquitetura da UNISINOS buscam
compreender como o centro histórico da cidade de São Leopoldo, já inventariado e em
processo de tombamento federal, se articula com os demais territórios da antiga colônia de

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São Leopoldo, em algo que poderia ser compreendido como a paisagem cultural da antiga
colônia de São Leopoldo.
A participação da sociedade civil foi determinante para que a produção de simulacros
com o incentivo do poder público municipal fosse interrompida na cidade, e chamou a
atenção dos Institutos de preservação, nacional e estadual, para a necessidade de proteger
os bens relativos à imigração germânica na cidade.

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A PARTICIPAÇÃO POPULAR DESDE A CONCEPÇÃO DO PROJETO
DE RESTAURO: O caso da Casa de Câmara e Cadeia de Mariana

CARVALHO, FERNANDA TRINDADE DE

1. Universidade Federal de Minas Gerais. Escola de Arquitetura, Ambiente Construído e Patrimônio


Sustentável
Rua Paraíba, 697. Bairro Funcionários, Belo Horizonte, MG. CEP: 30.130-140
macps@arq.ufmg.br

RESUMO
O trabalho apresentado visa demonstrar a democratização do campo do patrimônio a partir da
participação popular no desenvolvimento do projeto de restauro da Cada de Câmara e Cadeia de
Mariana. A partir da possibilidade de intervenção tornou-se necessário entender as relações sociais
estabelecidas na Câmara e no cenário no qual a instituição está inserida, a Praça Minas Gerais. A
investigação iniciou pelo entendimento dos fatores que tornam a Casa de Câmara e Cadeia de
Mariana relevante sob o aspecto histórico-cultural. O estudo é fundamentado ainda no atual conceito
atribuído ao termo “patrimônio” e na teoria de valores proposta por Aloïs Riegl e reafirmada pela Carta
de Burra do ICOMOS da Austrália. E parte do pressuposto que qualquer processo de intervenção em
um bem patrimonial deve ir além da estrutura física, sendo obrigatório um estudo sobre os valores
atribuídos ao bem por diversos segmentos da sociedade, e não mais apenas pelos técnicos.

Palavras-chave: participação popular, patrimônio, atores, valores

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1. A Casa de Câmara e Cadeia de Mariana
Este trabalho tem como ponto de partida a discussão sobre os valores atribuídos à Casa de
Câmara e Cadeia de Mariana, Minas Gerais. Para entender tais valores agrupamos a
população da seguinte forma: moradores do entorno, frequentadores das reuniões, agentes
do patrimônio e turistas.

Segundo Barreto (1949, p. 2 e 3) o “Domus Municipalis” era a sede da administração e da


justiça, sempre construído em um local nobre da cidade, na praça central ou do mercado.
Em geral, os traços marcantes das casas municipais eram os pórticos destinados a feiras e
mercados em algumas delas, em outras são as escadarias na entrada do edifício ou, então,
as varandas para pregões. Ao centro do edifício, geralmente, colocava-se a torre de sinos.
Sinos estes que controlam a vida da cidade, com o toque de recolher, o anúncio de mortes,
de celebrações dentre outros acontecimentos. Barreto ainda salienta que o “Domus
Municipalis” contém a cadeia, o arsenal de milícias, as salas de reuniões para os
magistrados, algumas vezes com outras salas também e uma capela. A câmara tinha
atribuições administrativas e judiciais tanto cíveis quanto criminais.

Segundo transcrição da ata da eleição, contida na revista do Arquivo Público Mineiro


(1897,II, pp. 82-83), no dia 4 de abril de 1711 convocou-se a junta para se preparar a
eleição da nova Câmara de Vila do Carmo. Exatamente três meses depois, dia 4 de julho,
ocorreu no Palácio em que morava o Governador e Capitão Geral Antônio de Albuquerque
Coelho de Carvalho, a primeira eleição livre do Estado de Minas Gerais e, no dia seguinte,
tomaram posse os eleitos.

A Casa de Câmara e Cadeia de Mariana teve diferentes endereços até que a sede
conhecida atualmente fosse construída. Segundo Fonseca (1998, p. 181) em várias
ocasiões, os camaristas queixaram à Coroa, da precariedade de suas instalações, das
sucessivas enchentes do Ribeirão do Carmo, principalmente as de 1737 e 1743, o que
dificultava ainda mais a escolha de “cazas” que pudessem servir às funções públicas.

Em 1747, o Governador, o Ouvidor Geral de Vila Rica e os componentes da Câmara de


Mariana enviaram carta ao rei respondendo a sua ordem de que analisassem os terrenos da
cidade. Escreveram:

...assentaram que era o mais adequado e congruente para a praça, cadeia,


e mais edifícios públicos della, o sitio onde se achão os quartéis, demolido-
se os mesmos [...], sitio não acessível aos excessos e fúrias do córrego e
Rio no tempo das agoas.. (FONSECA, 1998, p. 42)

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Definia-se, assim, o local onde seria construída duas décadas depois a nova Casa de
Câmara e Cadeia. A escolha do terreno se deu devido as suas dimensões e da segurança
que o mesmo oferecia. (FONSECA, 1998, p. 42).

Na década de 60 dos setecentos começaram a ser construídos os três edifícios que


compõem um dos mais belos conjuntos arquitetônicos do Brasil: a Casa de Câmara e
Cadeia, e as Igrejas das Ordens Terceiras de São Francisco de Assis e de Nossa Senhora
do Carmo. Essa praça, pensada para ser o núcleo civil da cidade teve, portanto, seu caráter
modificado. “O mesmo logradouro passava a congregar os símbolos da justiça e dos
poderes civis e religiosos, ilustrando magnificamente o ‘casamento’ dessas instituições, e
apontando as elites que moldaram este espaço urbano.” (FONSECA, 1998, p. 55)

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2. Identificando os valores, os atores e a metodologia a ser
utilizada no processo de conservação de um bem patrimonial

O presente estudo dos valores atribuídos à Câmara de Mariana teve início a partir da
percepção da insuficiência do espaço físico para abrigar todas as atividades desenvolvidas
pela instituição e da evidente necessidade de restauro. Com a possibilidade de intervenção
tornou-se necessário entender as relações sociais estabelecidas na Câmara e no cenário no
qual a instituição está inserida, a Praça Minas Gerais.

O estudo realizado de Randall Manson, publicado pelo Getty Conservation Institute, vem
nos auxiliar a realizar a “leitura” dos valores atribuídos a um bem patrimonial. O
planejamento e a gestão encontram um triplo desafio, primeiro em identificar todos os
valores do patrimônio em questão, seguido da descrição destes valores e por fim, como
integrá-los e classificá-los, ou seja, criar uma espécie de ranque de prioridades destes
valores. Vale ressalva, que a maior dificuldade se dá na presença de valores conflitantes, o
que exige o desafio da não sobreposição. A metodologia proposta para avaliar a
significância cultural e os valores subdivide em três etapas, a primeira de identificação e
descrição dos valores que define os objetivos e os agentes envolvidos, ou seja, as partes
interessadas “stakeholders”, culminando em um local de descrição e documentação que se
distribui para a segunda etapa, de avaliação e análise, que considera os condicionantes
físicos, o contexto da gestão e principalmente os significados e valores culturais em um
conjunto integrado para a avaliação; por fim, evoluem para a terceira etapa, as respostas,
que estabelece políticas, fixa objetivos, desenvolve estratégias e sistematiza e prepara o
plano de ação. Esta metodologia envolve o procedimento de acompanhar, revisar e
examinar as etapas descritas durante todo o processo. Desta forma, as tarefas envolvem:
identificar, elaborar/descrever, declarar/revelar, tendo como ferramentas a consulta das
partes interessadas e envolvidas e a busca por métodos de análise (econômicos, culturais,
etc), trabalhos em grupos; onde ambos culminarão na integração das avaliações e
estabelecerão as políticas correlatas entre os valores e os recursos físicos, baseando-se no
princípio da sustentabilidade e, portanto, orientarão as tomadas de decisões.

A avaliação completa de valores do patrimônio vai exigir um conjunto diversificado de


métodos e uma abordagem flexível, o que Manson define como ‘caixa de ferramentas’. O
objetivo da abordagem ‘caixa de ferramenta’ é considerar todos os valores patrimoniais
relevantes sobre a mesa, construir o balanço mais praticável possível para informar a

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formulação de políticas e tomada de decisão utilizando para isso uma variedade de
ferramentas na sua avaliação.

Para a identificação dos valores além da necessidade de definição do método de pesquisa a


ser aplicado devemos também nos atentar, conforme apontado por Manson, em definir
quem são os atores que se relacionam com o bem em questão para que estes participem
dos grupos de estudo. Assim, identificando os grupos de interessados, que sejam capazes
de representar o todo, e empregando métodos destinados a alcançar e ouvi-los à luz de seu
caráter particular e capacidade são necessários em qualquer metodologia para avaliação do
valor do patrimônio. Para garantir a melhoria tanto no processo como no resultado,
circunscrição análise e identificação das partes interessadas é tarefa extremamente
importante.

O estudo é fundamentado ainda no atual conceito atribuído ao termo “patrimônio” e na teoria


de valores proposta por Aloïs Riegl e reafirmada pela Carta de Burra do ICOMOS da
Austrália. E parte do pressuposto que qualquer processo de intervenção em um bem
patrimonial deve ir além da estrutura física, sendo obrigatório um estudo sobre os valores
atribuídos ao bem por diversos segmentos da sociedade, e não mais apenas pelos técnicos.

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3. Os atores, os valores e os métodos aplicados

3.1 O uso e seus conflitos

Atualmente o prédio da Câmara é utilizado pela parte administrativa da Câmara, além dos
serviços de apoio como recepção, faxina, cozinha e gerais. Há ainda uma sala para o
presidente da Casa, com uma antessala para sua secretária. O plenário onde se realizam as
reuniões ordinárias, extraordinárias e sessões solenes, com uma sala anexa, utilizada,
principalmente para as reuniões de comissão e outras reuniões de vereadores.

A limitação do espaço físico permite apenas a sala para o presidente da Câmara; os demais
vereadores não possuem salas dentro do prédio da Câmara. Este fato levou, em 2009, à
decisão de alugar dez imóveis na cidade, para que cada um deles pudesse ser utilizado por
um vereador, como gabinete parlamentar.

Havia ainda outro agravante, uma notificação do Ministério Público, solicitando providências
quanto ao estado físico do prédio e orientando a restauração. Segundo relatório de vistoria
técnica do IPHAN, emitido em 24 de novembro de 2009, o prédio apresenta vários
problemas na sua estrutura. A partir desse cenário e do alto custo da manutenção dos
aluguéis surgiu a ideia, que é o ponto fundamental deste trabalho, de criar uma forma de
reunir todos os vereadores em um só espaço. Essa necessidade já podia ser percebida nas
conversas entre os próprios edis e entre os funcionários da Casa.

Sendo assim, definimos os grupos que deveriam representar a sociedade. Iniciamos por
aqueles que utilizam o prédio como local de trabalho e, portanto, possuem um grande
vínculo com o espaço: os vereadores e funcionários administrativos da Casa. Para esse
grupo definimos o método ZOPP para nos orientar.

O segundo grupo de interesse foi a sociedade de Mariana, representada por três subgrupos:
os moradores do entorno da Câmara, as pessoas que frequentemente acompanham as
reuniões de trabalho da Câmara e o subgrupo que chamamos de agentes de patrimônio,
composto por pessoas que possuem vínculo com a questão do patrimônio, seja através de
estudo ou como forma de trabalho. Para este grupo definimos o método conhecido como
Mapa Mental.

O nosso terceiro grupo selecionado foi composto por turistas, e para estes, trabalhamos
com a aplicação de um questionário com duas perguntas descritivas. Nosso objetivo foi
analisar se o prédio da Câmara é relevante como ponto turístico.

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3.2 A Câmara no imaginário dos edis e funcionários

Nesta fase dos trabalhos adotamos o método ZOPP como ferramenta de trabalho. ZOPP é
uma sigla alemã que significa Ziel (objetivos), Orientierte (orientado), Projekt (projeto) e
Planung (planejamento), ou seja, planejamento de projeto orientado por objetivos.

Através desse método é possível gerenciar o desenvolvimento de projetos de grande


complexidade por terem múltiplas dimensões. O ZOPP utiliza instrumentos de forma
participativa, para isso são aplicadas técnicas de trabalho chamadas "moderação", que
permitem a maior compreensão dos conteúdos trabalhados, especialmente através de
visualização em oficinas e, com isso, melhor comunicação entre os envolvidos. Sua
característica mais importante encontra-se na efetiva participação dos atores envolvidos,
facilitada por uma boa comunicação, e, quando a participação funciona, as decisões são
mais facilmente compreendidas e compartilhadas o que, por sua vez, leva a maior
compromisso com o projeto.

Em síntese, podemos dizer que os problemas levantados durante a realização das oficinas
de diagnóstico podem ser listados e organizados em grupos, o primeiro diz respeito às
condições físicas do prédio da Câmara Municipal de Mariana, aspectos relevantes
apontados pelos participantes apontam: a falta espaço interno do prédio (insuficiente e
inadequado para instalação dos gabinetes dos vereadores); instalações elétricas e
sanitárias danificadas, colocando o edifício em situação de risco principalmente risco de
incêndio; o telhado danificado e infiltrações.

Quanto ao funcionamento do prédio, destacamos a falta de espaço adequado para abrigar


os gabinetes dos vereadores, espaço do plenário reduzido, acessibilidade limitada com
predominância de escadas ou acessos com obstáculos.

O prédio da Câmara Municipal não tem sistema de segurança patrimonial e o


estacionamento não atende as necessidades dos vereadores e funcionários da Câmara.

A manutenção dos gabinetes dos vereadores em casas particulares alugadas, em diferentes


endereços na cidade, além de ter um custo elevado, dificulta o atendimento aos cidadãos e
a possibilidade de prestar serviços coletivos à cidade. Os custos de manutenção dos
gabinetes contrariam as orientações do Tribunal de Contas e do Ministério Público.

Os participantes apontaram a falta de espaço para a preservação da memória da cidade e


da Câmara como um problema sério, e junto com esta preocupação demonstraram

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interesse de recuperar o arquivo do Legislativo, hoje, sob controle da Universidade Federal
de Ouro Preto.

Apontaram a reforma (restauro) do prédio da Câmara Municipal como prioridade e, na


mesma ordem, a necessidade de se construir um espaço adequado para abrigar a Câmara
Municipal e os gabinetes dos vereadores.

Sendo assim, chegamos às representações que seguem para a árvore de problemas e


árvore de objetivos:

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Figura 1 Árvore de objetivos
Fonte: CARVALHO, 2012. p. 82

Entre todos os participantes, vereadores e funcionários, foi unanimidade o fato de que o


atual prédio da Câmara não pode perder, pelo menos por completo, a função de abrigar o
legislativo, uma vez que a Câmara de Mariana é a primeira Câmara de Minas Gerais e,

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dentre as Câmaras fundadas em 1711 – Mariana, Ouro Preto e Sabará – é a única ainda em
funcionamento no primeiro prédio construído com o propósito de abrigá-la.

A partir desse consenso foram apresentadas três possibilidades de modificação, com vistas
a solucionar o problema central – inadequação do espaço da Casa de Câmara e Cadeia de
Mariana às necessidades do Poder Legislativo. Nessa fase do trabalho, a orientação
recebida do mediador do grupo, era que a cada sugestão apresentada, os demais
participantes deveriam discutir quatro pontos positivos e quatro pontos negativos inerentes a
ela.

A alternativa um aponta para a construção do anexo nos fundos do prédio histórico da


Câmara para abrigar os gabinetes parlamentares, arquivo histórico da Câmara e outras
funções administrativas, liberando espaço no prédio principal para abrigar o centro de
Memória do Legislativo Municipal.

A alternativa dois aponta a mudança dos gabinetes parlamentares para o novo prédio que
está sendo construído para atender a Prefeitura Municipal de Mariana, no bairro São
Cristovão, uma vez que, durante a legislatura 2005-2008 o poder executivo chegou a propor
que os três poderes: legislativo, executivo e judiciário, fossem transferidos para este novo
prédio.

E a alternativa três aponta para a restauração de um dos imóveis que o município possui no
centro histórico para abrigar os gabinetes parlamentares. Os imóveis apontados foram o
Casarão dos Morais localizado na Praça da Sé ou o casarão da Rua Direita.

Ressaltamos ainda que tanto a segunda quanto a terceira alternativas são baseadas no fato
de levar, para esses prédios, os gabinetes parlamentares e realizar a construção de um
auditório maior que o existente no prédio Casa de Câmara e Cadeia. Parte das atividades
administrativas hoje desenvolvidas na Câmara, assim como a sala do Presidente da Casa
continuariam da mesma forma que hoje.

Nessa fase, obtivemos unanimidade referente a uma questão: independente da solução


adotada, o prédio da Casa de Câmara e Cadeia de Mariana precisa passar por um processo
de restauro.

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3.3 A Câmara no imaginário da população Marianense

Os mapas mentais representam como determinado lugar é vivido e compreendido pelos


cidadãos. “No mapa mental, a representação do saber percebido, o lugar se apresenta tal
como ele é, com sua forma, histórias concretas e simbólicas, cujo imaginário é reconhecido
como uma forma de apreensão do lugar” (Nogueira apud OLIVEIRA, 20--, p. 2).

A partir do momento em que, em um projeto de intervenção em um monumento, o foco


principal deixa de ser a materialidade do edifício e passa a ser os valores atribuídos ao
monumento, valores esses atribuídos pela sociedade e não mais por técnicos apenas, a
técnica de ‘mapa mental’ vem de encontro à questão deste trabalho. Essa é a metodologia
que irá nos permitir fazer a leitura dos valores atribuídos, pela sociedade, à Câmara de
Mariana.

O trabalho de campo foi realizado no período de um mês, quando tivemos contato direto
com os entrevistados. A amostra total é composta por 25 indivíduos segmentados da
seguinte forma: 10 moradores da Rua Dom Silvério (entorno); 10 pessoas que
frequentemente acompanham as reuniões da Câmara e 05 agentes de patrimônio.

Kozel (apud KASHIWAGI, 2004, p. 130) aponta a metodologia para análise e interpretação
dos mapas mentais que tem como parâmetros: a interpretação quanto à forma de
representação dos elementos na imagem; a distribuição dos elementos da imagem, quanto
à especificação dos ícones (pela representação de elementos da paisagem natural, da
paisagem construída, dos elementos móveis e humanos) e, por último, a apresentação de
outros aspectos ou particularidades. O resultado da aplicação dessas interpretações nos
mapas mentais, aliados a uma abordagem fenomenológica do espaço, revelam uma nova
forma de abordagem, que tem o intuito de contribuir nas análises espaciais, de forma a
compreender a lógica dos atores, desde as aspirações individuais aos sistemas de valores
dos grupos sociais.

A - Interpretação quanto à forma de representação dos elementos na imagem

Com relação à forma de representação dos elementos na imagem Kozel (apud


KASHIWAGI, 2004, p. 130) observa, numa primeira análise das representações, uma
diversidade de formas representativas, que são identificadas por ícones ou formas de
representação gráfica por meio de desenho; letras, isto é, palavras complementando as

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representações gráficas; e mapas, formas de representação cartográfica que evidenciam a
espacialização do lugar.

Moradores da Frequentadores
Agentes de
Rua Dom das reuniões da TOTAL
Patrimônio
Silvério Câmara

Número Porcenta- Número Porcenta- Número Porcenta- Número Porcenta-


Absoluto gem Absoluto gem Absoluto gem Absoluto gem

Ícone 10 100% 9 90% 5 100% 24 96%

Letra 4 40% 6 60% 1 20% 11 44%

Mapa 3 30% 2 20% 1 20% 6 24%

Total
17 56,67% 17 56,67% 7 46,67% 41 54,67%
Geral

Tabela 1 Mapas Mentais - Forma de apresentação da imagem


Fonte: CARVALHO, 2012, p. 102

A partir da nossa análise, pudemos observar a predominância dos ícones em todos grupos,
seguido da predominância das letras. A representação por meio de mapa foi considerada
pequena; isso se deve ao fato de termos solicitado às pessoas que representassem a Praça
Minas Gerais, diferente de outros trabalhos que utilizam a técnica de mapa mental, mas têm
como objeto de estudo um bairro ou uma cidade, nos quais se espera uma recorrência de
representação de mapas mais significativa.

B – Interpretação quanto à distribuição dos elementos da imagem

Neste item Kozel (apud KASHIWAGI, 2004, p. 136) diz que a partir da forma, verificou-se
que as representações diferiam também quanto à disposição da imagem. Assim identificou
alguns aspectos que classificou:

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Moradores da Frequentadores
Agentes de
Rua Dom das reuniões da TOTAL
Patrimônio
Silvério Câmara
Número Porcenta- Número Porcenta- Número Porcenta- Número Porcenta-
Absoluto gem Absoluto gem Absoluto gem Absoluto gem
Perspectiva 1 10% 1 10% 0 0 2 8%
Horizontal 1 10% 0 0 1 20% 2 8%
Circular 1 0 0 0 0 0 1 4%
Quadros e
5 50% 7 70% 2 40% 14 56%
quadras
Dispersa 4 40% 0 0 2 40% 6 24%
Isolada 1 10% 0 0 1 20% 2 8%
Total Geral 13 21,67% 8 13,33% 6 20% 27 18%
Tabela 2 Mapas Mentais – Distribuição da imagem
Fonte: CARVALHO, 2012, p. 104

Observamos que a forma predominante de distribuição dos elementos da imagem foi a


representação em quadros, tanto no somatório geral, quanto se considerarmos a
representação por grupos, tendo maior peso no grupo dos frequentadores das reuniões de
Câmara. Observamos ainda que a representação de forma dispersa teve o mesmo peso
tanto no grupo dos moradores da Rua Dom Silvério, quanto no grupo dos agentes de
patrimônio. No grupo dos frequentadores das reuniões da Câmara não há nenhuma
representação de forma dispersa. Tivemos apenas um registro de representação circular
feito por um representante do grupo dos moradores da Rua Dom Silvério. Interessante
perceber que nas duas representações feitas em perspectiva, os autores são artistas
plásticos que trabalham com esculturas entalhadas na madeira.

C – Interpretação quanto à especificação dos ícones

Nesta interpretação, Kozel (apud KASHIWAGI, 2004, p. 143) especificou os ícones que
compõem as imagens, em quatro grupos:

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Moradores da Frequentadores
Agentes de
Rua Dom das reuniões da TOTAL
Patrimônio
Silvério Câmara
Número Porcenta Número Porcenta- Número Porcenta No
%
Absoluto -gem Absoluto gem Absoluto -gem .
Paisagem
Natural
Montanha 0 0 0 0 0 0 0 0
Sol, lua e
0 0 0 0 1 20% 1 4%
nuvens
Flores e jardins 0 0 1 10% 1 20% 2 8%
Árvores 1 10% 0 0 0 0 1 4%
Paisagem
construída
Casas 4 40% 3 30% 1 20% 8 32%
Ruas e
6 60% 6 60% 3 60% 15 60%
calçadas
Eq. Transporte 0 0 0 0 0 0 0 0
Parques e
8 80% 6 60% 2 40% 16 64%
Praças
Igrejas 10 100% 9 90% 5 100% 24 96%
Câmara 6 60% 9 90% 4 80% 19 76%
Pelourinho 6 60% 4 40% 1 20% 11 44%
Capela de
1 10% 0 0 0 0 1 4%
equipamentos

São Jorge
Outros

Escadas 3 30% 3 30% 0 0 6 24%

Cemitério 0 0 1 10% 0 0 1 4%
Elementos
móveis
Transporte
0 0 0 0 0 0 0 0
terrestre
Outras formas
0 0 0 0 0 0 0 0
de transporte
Elementos
humanos
Homem, mulher
0 0 0 0 0 0 0 0
e crianças
Tabela 3 Mapas Mentais – Especificação do ícones
Fonte: CARVALHO, 2012, p. 110

Desta forma, podemos observar que poucos foram os ícones que integram o item ‘paisagem
natural’. Esse aspecto foi reforçado durante as entrevistas. Nos depoimentos o foco de

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atenção maior é das Igrejas e da Câmara. Porém, apesar da baixa incidência de elementos
naturais, o item aparece em todos os subgrupos.

Quanto aos elementos da ‘paisagem construída’ percebemos que os ícones de maior


representatividade são as Igrejas. Na sequência, observamos a Câmara como segundo
elemento da paisagem construída mais representado nos desenhos. Em seguida, o ícone de
maior representação foi a Praça. Vale ressaltar que consideramos o elemento ‘praça’ em
todos os desenhos que o contorno da Praça Minas Gerais foi evidenciado. E a incidência de
pessoas que fizeram referência às ruas foi constante (60%) nos três subgrupos.

Quanto ao pelourinho, podemos afirmar que sua representatividade, na totalidade, foi baixa
(44%), se comparada com a representação dos outros elementos. Na totalidade, as Igrejas
obtiveram uma representatividade de 96%, a Câmara de 76%, a Praça de 64% e as ruas de
60%. O pelourinho não é original desta Praça, foi montado na Praça em 16 de julho de
1981, segundo texto afixado no monumento.

Interessante analisar ainda que não houve representação de nenhum elemento humano por
nenhum dos entrevistados, apesar de nas entrevistas as pessoas reconhecerem a Praça
como espaço de uso. Porém o uso frequentemente relatado refere-se a datas específicas,
comemorações pelo aniversário da cidade, evento do Dia de Minas e procissões.

Após toda essa análise podemos concluir que há, pelo menos, um traço comum em todas
as entrevistas, independente do grupo de entrevistas a qual pertença: a beleza da Praça
Minas Gerais. Ficou claro, para nós, que a população reconhece esse espaço como
detentor de uma beleza singular. O caráter etéreo do espaço, de algo que eleva
espiritualmente, foi fortemente destacado nas entrevistas.

A proposta deste trabalho é justamente entender todos esses valores e integrá-los em um


projeto de intervenção arquitetônica que vise solucionar os problemas vivenciados no dia-a-
dia da Câmara, apontados durante a pesquisa com os vereadores e funcionários, sem
perder de vista os valores atribuídos ao conjunto arquitetônico da Praça Minas Gerais como
um todo. Uma vez que o prédio da Câmara integra este espaço e qualquer intervenção
neste bem poderia refletir na Praça. Procuramos uma proposta que pudesse reforçar esses
valores, não poderíamos entrar em conflito com os valores apontados durante as
entrevistas.

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3.4 A Câmara no imaginário dos turistas que a visitam

Para trabalhar o grupo dos turistas, optamos por um questionário com uma pergunta central:
“quais são os pontos turísticos de Mariana?”. Tínhamos por objetivo avaliar a relevância da
Câmara Municipal de Mariana como ponto turístico. Por isso, optamos por uma questão
‘aberta’; entendíamos que a resposta deveria ser fornecida de forma espontânea.

A amostra foi composta por quarenta entrevistados. A aplicação da pesquisa foi realizada no
período de 13 a 15 de janeiro de 2012 sendo, os dias da semana respectivamente, sexta–
feira, sábado e domingo. Os locais de abordagem dos turistas foram: espaço em frente à
Igreja da Sé, na Rua Direita, Praças Minas Gerais e Gomes Freire.

Quando questionados sobre os pontos turísticos de Mariana, 42,5% dos entrevistados


responderam as Igrejas, sem citar especificadamente qual Igreja. A segunda resposta de
maior relevância, representando 27,5% dos entrevistados, é a referência à Igreja de São
Francisco de Assis e ao Santuário Nossa Senhora do Carmo. Em terceiro lugar,
representando 25% dos entrevistados, o ponto turístico apontado é a Casa de Câmara e
Cadeia de Mariana. Em seguida, empatados com a mesma representatividade nas
respostas, 22,5% dos entrevistados, apontaram a Igreja da Sé e Praça Minas Gerais.
Seguidos de 20% dos entrevistados que indicaram a Igreja de São Pedro e 12,5% dos
entrevistados indicaram os Museus. Os demais pontos turísticos apareceram como menos
significativos na visão dos entrevistados e seguem representados no gráfico abaixo:

Gráfico 1 Indicação espontânea dos pontos turísticos em Mariana


Fonte: CARVALHO, 2012, p. 146
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É interessante perceber que os itens elencados segundo, terceiro, quarto e quinto lugar-
Santuário de Nossa Senhora do Carmo (as pessoas, em geral, utilizam o termo Igreja do
Carmo), Igreja de São Francisco de Assis, Praça Minas Gerais e Casa de Câmara, estão
inseridos em um mesmo espaço. A Praça Minas Gerais engloba as Igrejas e a Casa de
Câmara.

A partir desta percepção surge um novo desafio para o nosso trabalho: como conciliar os
usos dos espaços no projeto de intervenção no prédio?

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4. O PROJETO PROPOSTO
Baseados nos métodos de pesquisa aplicados conseguimos comprovar que o prédio da
Casa de Câmara e Cadeia é reconhecidamente um símbolo do poder civil valorizado,
principalmente, pela beleza arquitetônica da construção e testemunho da história de Minas
Gerais, atribuindo-lhe também a função de ponto turístico.

A localização da Câmara, na Praça Minas Gerais, juntamente com as igrejas – Igreja do


Carmo e Igreja de São Francisco de Assis - caracteriza uma conformação urbana única no
Brasil. E torna este largo um palco de celebrações cívicas e religiosas relevantes para a
população local, conforme apontado nas entrevistas. Temos, a um só tempo, as
representações dos poderes civil e religioso, que permanecem, até hoje, ‘vivos’, exercendo
a mesma função que lhes foi atribuída no passado, desde as suas construções.

Transferir as funções da Câmara para outro endereço, como foi aventado no decorrer do
processo, seria o mesmo que esvaziar o prédio de significado, provocando-lhe um corte
abrupto na história.

Porém para garantirmos essa simbologia na sua completude, a atualidade exige algumas
adaptações. Precisamos ampliar a estrutura física da Câmara de forma que o valor
simbólico seja mantido, conciliando os usos – local de trabalho e espaço turístico - e, sem
permitir, no entanto, que a construção atual seja diminuída pela concorrência visual com
novos elementos arquitetônicos ao seu redor.

O projeto de intervenção arquitetônica foi elaborado pelos arquitetos Professor Doutor Flávio
de Lemos Carsalade, Doutor Benedito Tadeu de Oliveira, Mestre Bernardo Nogueira
Capute, Gustavo Kamino, sob a coordenação do Professor Doutor Leonardo Barci Castriota.

Ao propormos que a Câmara continue funcionando no mesmo endereço, avaliamos que o


edifício principal consegue continuar absorvendo algumas atividades da Câmara: o plenário
atende às reuniões de menor porte; a sala do presidente e sua secretária, o que contribuirá
para manter o caráter solene do prédio, além de conseguir manter algumas estruturas
administrativas, como a assessoria jurídica próxima ao plenário, por exemplo. O desafio de
readequação do uso reúne três aspectos principais: ausência dos gabinetes dos vereadores;
necessidade de ampliação do espaço para o apoio administrativo e espaço limitado do
plenário para as reuniões mais concorridas. Somado a isso, temos a necessidade de
melhoria no conforto básico e de garantir a acessibilidade.

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Para atender a tais necessidades, mantendo a Câmara em funcionamento no mesmo sítio,
faz-se necessário uma ampliação na sua estrutura física. Porém tal ampliação deve ocorrer
de maneira ‘solta’ ao edifício principal. Um acréscimo na estrutura existente comprometeria
drasticamente as características do edifício atual. A proposta de intervenção preza ainda por
não criar novos elementos que possam competir com a magnitude do prédio existente,
retirando-lhe a primazia no espaço ou que venha a competir visualmente.

Propõe a ampliação de modo discreto e utilizando os espaços disponíveis: a área abaixo do


estacionamento e a porção de terreno, em declive, atrás da capela e armazém. O espaço do
subsolo, abaixo do espaço do estacionamento, será utilizado para a criação de um auditório
para 150 pessoas, conforme necessidade apontada nas reuniões com vereadores e
funcionários. O segundo espaço disponível a ser utilizado é um filete de terreno em desnível
descendente, localizado atrás das construções históricas identificadas como “Capela de São
Jorge” e “Armazém”, e limitado por um extenso muro. Neste espaço será inserida uma
construção para abrigar quinze gabinetes para vereadores no primeiro piso e nas
extremidades do segundo piso serão criadas salas de trabalho para atender as reuniões das
comissões da Câmara e demais reuniões internas. O acesso à Capela será respeitado e no
espaço do antigo armazém será criada uma recepção alternativa de acesso aos gabinetes,
permitindo assim que as pessoas circulem também por ali. Caso tivéssemos apenas o
acesso pelo prédio principal, provocaríamos uma forte tendência das pessoas se
esquecerem das construções históricas dos fundos, principalmente aquelas pessoas que
não fizessem o uso do estacionamento. Os acessos buscam atender a dois princípios:
acessibilidade universal e valorização.

Com a transferência de alguns serviços da Câmara, hoje realizados no prédio histórico, para
a nova edificação conseguiremos liberar algumas salas do prédio histórico, principalmente
as salas que já foram as celas da cadeia. Desta forma, atenderemos a outro ponto
levantado durante as entrevistas: o reconhecimento da Câmara como ponto turístico. A
proposta é criar no segundo pavimento do prédio histórico uma exposição permanente que
retrate a história da Câmara, e no primeiro pavimento, uma exposição permanente que
retrate a história da cadeia.

A proposta de ampliação da Câmara Municipal de Mariana é um ato de respeito à


continuidade da história, à vitalidade urbana do trecho protegido e ao patrimônio material e
intangível, personificados no edifício que, dignamente, atravessa os tempos, integrando, em
um único logradouro, todas as atividades relacionadas à Câmara, contando ainda com um

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espaço voltado à pesquisa e divulgação da história desta instituição que representa o início
das atividades legislativas em Minas Gerais.

Figura 2 Planta do 1º pavimento do Anexo da Câmara Municipal de Mariana


CARVALHO, 2012, p. 157

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Figura 3 Planta do nível do subsolo do Anexo da Câmara Municipal de Mariana
CARVALHO, 2012, p. 158

Figura 4 Fachada Principal da Câmara Municipal de Mariana com o 1º pavimento do Anexo ao fundo
CARVALHO, 2012, p. 158

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5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Na proposta apresentada acreditamos que estamos priorizando o contexto


urbanístico no qual o prédio da Casa de Câmara e Cadeia está inserido, levando em
consideração a dinâmica da cidade e do próprio bem que necessita passar por uma
ampliação do espaço físico a fim de comportar toda a estrutura administrativa, e
adquirir novos recursos de trabalho; espaços projetados que visem melhor
desempenho profissional; infraestrutura tal como banheiros, auditório, salas de
reunião, gabinetes parlamentares.

O projeto de intervenção no prédio da Casa de Câmara e Cadeia está baseado no


estudo de percepção deste bem sob o ponto de vista dos moradores e usuários do
espaço, no intuito de conhecer quais os valores estas pessoas atribuem ao prédio
através da forma como eles utilizam e valorizam o espaço. Garantindo que o projeto
de intervenção conserve, em primeiro lugar, os valores atribuídos ao bem. Além
disso, a projeto de construção do anexo foi elaborado juntamente com os usuários
principais do prédio: vereadores e funcionários.

Paralelamente a essa ampliação [do conceito de patrimônio], hoje percebe-


se, muito mais que no passado, que o fim último da conservação não vai ser
a manutenção dos bens materiais por si mesmos, mas muito mais a
manutenção (e a promoção) dos valores incorporados pelo patrimônio,
sendo as intervenções ou tratamentos físicos aplicados a esses bens
apenas um entre muitos meios para se obter este fim. (CASTRIOTA, 2009,
p. 101)

O projeto apresentado para solucionar o problema da insuficiência do espaço físico


da Câmara de Mariana vai de encontro ao conceito apresentado pelo professor
Castriota, a proposta vai além da conservação apenas do bem material,
representado pelo edifício, propõe a manutenção e a promoção dos valores
incorporados, uma vez que a atividade legislativa desenvolvida nesse prédio será
mantida e, através da construção do novo anexo, ganhará ainda mais força.
Conseguiremos unir todos os edis e funcionários em um só local, além e promover a
valorização da história da instituição através da criação do centro de memória do
legislativo.

As políticas públicas na área do patrimônio se baseiam, ou pelo menos deveriam se


basear, no processo de escuta da comunidade. Se o tombamento é fundamentado

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por defender que o direito da coletividade está acima do direito privado da
propriedade, nada mais justo que em um processo de restauro a população
detentora do bem seja convocada e tenha voz ativa nas escolhas deste processo. O
Estado não pode mais ser o único responsável, ou o único a ter direito de decisão,
em um processo de restauração um bem patrimonial de uso coletivo.

Apesar dos avanços na discussão dos valores no campo do patrimônio cultural para
o Getty Conservation Institute (GCI), citado por Castriota (2009, p. 108 e 109), a
ênfase dada às três perspectivas encontradas no campo do patrimônio, a
“conservação física”, o “contexto de gestão” e a “significância cultural e valores
sociais”, ainda encontram-se em desequilíbrio, com claro predomínio as duas
primeiras. Para o GCI, cabe reconhecer que, infelizmente, as pesquisas na área da
conservação ainda estão centradas no aspecto físico, raramente envolvendo as
discussões dos valores entorno do bem. O presente estudo parte exatamente da
perspectiva que possui menor peso na maioria das outras pesquisas, a “significância
cultural e valores sociais”.

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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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%20NilzaApdaSilvaOliveira.ED2I.b.pdf>. Acesso em: 05 nov. 2011.

REVISTA DO ARQUIVO PÚBLICO MINEIRO. Creação de villas no Periodo Colonial.


Ouro Preto, ano 2, fascículo 1, pp. 81-83, jan/mar 1897. Disponível em
<http://www.siaapm.cultura.mg.gov.br/modules/rapm/brtacervo.php?cid=51>. Acesso
em: 11 ago. 2011.

RIEGL, Aloïs. O culto moderno dos monumentos: sua essência e sua gênese./ Aloï
Rielg; Tradução Elaine Ribeiro Peixoto e Albertina Vicentine. Goiânia: Ed. UCG,
2006.

IX Mestres e Conselheiros Agentes Multiplicadores do Patrimônio


Belo Horizonte/MG de 21 a 23/06/2017.
A PRESERVAÇÃO DO PATRIMÔNIO EDIFICADO EM COLATINA E
SUA TRAJETÓRIA

ALMEIDA, ALEXANDRE VALBUZA

Arquiteto e Urbanista formado pelo Centro Universitário do Espirito Santo (UNESC)


alexandrevalmeida@gmail.com

RESUMO
O presente trabalho tem a intenção de pesquisar a respeito do processo de desenvolvimento das
politicas públicas de preservação do patrimônio cultural em Colatina, Espirito Santo, especificamente
o patrimônio edificado. Posteriormente averiguar como o desenvolvimento urbano da cidade,
influenciou na condição atual do patrimônio arquitetônico da área central da cidade. Devido as fortes
chuvas que atingiram Colatina entre os anos de 2013 e 2014, grande parte dos registros e
documentações a respeito da história e desenvolvimento da cidade foram perdidos, tornando a coleta
de dados mais árdua. Observa-se, desde então, o aumento dos percalços à obtenção de
informações. Cabe salientar que o trabalho está baseado em análise bibliográfica e sistematização de
informações obtidas através de documentos, material iconográfico, entrevistas e levantamento de
campo. A pesquisa apresenta-se como um campo vasto de possibilidades, uma vez que há pouco
autores e pesquisadores do tema. Nota-se também que a falta de revitalização dos prédios históricos
tem acarretado situações para a desvalorização dos imóveis em nível patrimonial. Por fim, considera-
se que a relevância acadêmica deste trabalho se dá na perspectiva de poder contribuir como fonte
para outras pesquisas voltadas para essa temática.

Palavras-chave: Patrimônio, historia, memoria, cultura, arquitetura.

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CONSIDERAÇÕES INICIAIS

Colatina é um município localizado na região Noroeste do Estado do Espírito Santo, com


uma população estimada em aproximadamente 120 mil habitantes. A sede do município
está situada no Vale do Rio Doce, aproximadamente 135 quilômetros da capital, Vitória. O
surgimento de Colatina remonta ao final do século XIX, com a chegada de colonizadores
italianos à região. Mas foi somente em 1921 que a então Vila de Colatina foi promovida a
município. Atualmente, Colatina é polo regional de referência no Estado, com destaque nas
áreas de saúde e educação. Destaca-se, também, na economia do município, a indústria do
vestuário, seguida pela indústria moveleira. A agricultura tem o café conilon como seu
principal produto, além da fruticultura e hortigranjeira (IBGE, 2010).

O município é cortado pelas rodovias ES-080 e BR-259 e pela ferrovia Vitória a Minas, o que
criou condições para a cidade crescer e desenvolver economicamente, como centro regional
de comércio e serviços. Colatina comercializa grande parte da produção cafeeira de
municípios vizinhos, além de possuir um terminal de cargas que integra os modais
ferroviário e rodoviário, dando suporte à produção de rochas ornamentais e eucalipto da
região (IBGE, 2010). Um dos períodos de grande crescimento da cidade foi após a
construção da Estrada de Ferro Vitória a Minas (EFVM), que propiciou ao município
comunicação direta com a capital do Estado, Vitória.

A aceleração do processo de urbanização e de adensamento das áreas urbanas, em função


do capital imobiliário, faz com que os bens históricos se percam em meio ao crescimento
urbano, favorecendo a descaracterização, abandono e até mesmo a perda do patrimônio
histórico da maioria das cidades, bem como Colatina. Este trabalho tem como objetivo
compreender a origem e formação do patrimônio histórico, artístico e cultural colatinense e
posteriormente, averiguando o estado de conservação e originalidade do patrimônio
arquitetônico apresentado.

Em termos metodológicos, o trabalho está fundamentado em pesquisa bibliográfica sobre o


tema abordado, levantamento e sistematização de informações obtidas através de pesquisa
em documentos e periódicos da época, material iconográfico, entrevistas e levantamento de
campo. As informações obtidas foram estruturadas segundo o tema, que norteia o objetivo
do trabalho: a preservação do patrimônio edificado em Colatina e sua trajetória. Partindo
dessa premissa, buscou-se analisar o patrimônio histórico enquanto fenômeno na formação
e desenvolvimento da cidade.

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A relevância acadêmica deste trabalho se dá na perspectiva de poder contribuir como fonte
para outras pesquisas voltadas para essa temática. Dentro da relevância social, destaca-se
a possibilidade de ser feita uma divulgação à sociedade em geral, via digital ou impressa,
levando as pessoas a terem outro olhar, interesse e curiosidade a respeito do
desenvolvimento de Colatina e seu patrimônio.

GÊNESE DO MUNICÍPIO

A história do desbravamento do município de Colatina está intimamente ligada às tentativas


de colonização do Vale do Rio Doce e à retirada das aldeias indígenas dessa região. A
presença dos primeiros imigrantes italianos na região de Colatina começou a ocorrer em
1889, e foi essencial para que as ocupações dessas terras ocorressem efetivamente.
Segundo Teixeira (1974), na área hoje ocupada pelo distrito de Boapaba, antiga Vila de
Mutum, estava localizado o núcleo colonial Senador Antônio Prado, criado pelo Governo
Imperial, a fim de receber os primeiros imigrantes italianos. A partir desse núcleo colonial, as
seções começaram a se desenvolver; no entanto, uma prosperou mais que as outras: o
chamado Barracão ou Arraial do Rio Santa Maria.

Quanto à formação da Vila de Colatina, seu início se deu principalmente em


1888 com a chegada do vapor Adria, que trouxe os primeiros colonos
italianos. Os vapores eram praticamente os únicos meios de transporte para
a nascente Vila de Colatina, encravada na localidade denominada Arraial de
Santa Maria, hoje bairro Colatina Velha (MADURO, 2001, p. 13).

O Barracão do Rio Santa Maria, que se localizava no atual Bairro Colatina Velha, município
de Colatina, prosperou devido à facilidade no escoamento da produção agrícola, através do
Rio Doce. Esse Barracão serviu para que o Governo conduzisse e alojasse os imigrantes,
logo à sua chegada, e onde, em geral, permaneciam por muitos meses. Posteriormente, o
Barracão, possibilitou a escolha do local da primeira igreja e residências na região, por volta
de 1892. Em 1899, quando já havia um número bastante considerado de casas próximas ao
Barracão do Rio Santa Maria, foi criada a Vila de Colatina, subordinada ao município de
Linhares (Teixeira, 1974).

No início do século XX, a Vila de Mutum era considerada o núcleo mais importante da
região. A Vila de Colatina, entretanto, logo passou a se transformar no principal núcleo,
devido à facilidade do transporte agrícola através do Rio Doce; a Vila também se tornou
referência dos imigrantes no caminho para a colonização das terras ao norte do Estado.
Contudo, segundo Ribeiro (1996), a perda de importância e o declínio da Vila de Mutum

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ocorreram, principalmente, com a chegada da Estrada de Ferro Vitória a Minas (EFVM), em
1906. O escoamento da produção do café tornou-se mais viável pelo trem, que tinha parada
na Vila de Colatina.

A CHEGADA DA MARIA FUMAÇA

De acordo com Ribeiro (1986), a ligação ferroviária entre o interior de Minas Gerais e o
Porto de Vitória teve origem na segunda metade do século XIX. Em fevereiro de 1902, o
Governo Federal concedeu, através de um Decreto-Lei, a criação da Companhia Estrada de
Ferro Vitória a Minas (CEFVM), e do primeiro trecho ferroviário, que ligava a cidade de
Vitória-ES a Natividade-MG. No início do século XX, a primeira estação ferroviária de
Colatina era inaugurada, mais precisamente em 20 de dezembro de 1906, localizada no
quilômetro 128 da ferrovia, bem próxima à Vila de Colatina, onde hoje se encontra a Praça
Municipal. Inicialmente, as cidades mais beneficiadas com a EFVM foram: Colatina-ES,
Aimorés-MG, Conselheiro Pena-MG e Governador Valadares-MG, locais do surgimento das
primeiras estações ferroviárias.

No dia imediato, ordenamos a roçada da capoeira e locamos a estação. A


Vila edificada aquém, no espigão à margem direita do rio Doce, desde então
passou a chamar-se Colatina Velha e a que, rapidamente, foi nascendo nas
vizinhanças da estação, denominou-se Colatina Nova. A 20 de dezembro
daquele ano de 1906, inaugurou-se o novo trecho construído ali (ALMEIDA,
apud, MADURO, 2001, p. 10).

A Vila de Colatina começa a se desenvolver a partir de 1906, com a inauguração da Estação


Ferroviária e da EFVM, que propiciou à Vila comunicação direta com a capital do Estado,
por meio de transporte rápido e barato para sua produção, principalmente de madeira e
café. O desenvolvimento econômico acelerado da Vila acabou abalando diretamente o
município de Linhares, fazendo com que todo o comércio de grande parte de Minas Gerais e
do Espírito Santo, que era feito em Linhares, passasse a ser feito em Colatina. Tal fato
contribuiu para que, em 1907, a Vila de Colatina se transformasse na sede do município de
Linhares. Essa situação dura até 1921, quando foi criado o município de Colatina,
compreendendo todo o território que pertencia a Linhares, que passou a ser uma Vila,
subordinada a Colatina (Ribeiro, 1996).

Outra importante ferramenta no desenvolvimento da cidade foi a construção da Ponte


Florentino Ávidos, inaugurada em 1928, determinante na expansão norte de Colatina. A
construção da ponte, segundo Teixeira (1974), estava prevista no plano de construção de

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uma estrada de ferro, que deveria fazer a ligação entre Colatina e o município de São
Mateus, uma área até então pouco explorada no norte do Estado. Diante do malogro da
implantação da estrada de ferro, a ponte passou a ser utilizada por pedestres, e,
posteriormente para circulação rodoviária.

Antes da construção da ponte, a travessia do Rio Doce era somente feita de canoa, e o
trajeto tinha duração de mais de uma hora. A região à margem norte do Rio era chamada de
Francilvânia, e possuía algumas fazendas, onde habitavam poucos colonos. Aos poucos,
após a construção da ponte, os fazendeiros foram vendendo suas terras para a implantação
de novos loteamentos na cidade (Ribeiro, 1996). A ponte também foi um importante
instrumento que facilitou o escoamento da produção de madeira e, com isso, expandindo
ainda mais esse setor. A produção do café, a partir de então, ganha mais importância no
município, pois se aproveitava também das grandes áreas desmatadas com a produção da
madeira.

Contudo, segundo Ribeiro (1986), somente a partir de 1942, com a criação da Vale, então
Companhia Vale do Rio Doce (CVRD), diversas melhorias foram realizadas na EFVM. A
primeira melhoria teria ocorrido na década de 40, com a remodelagem do traçado da
ferrovia, entre Vitória e Colatina. Segundo Maduro (1989b), um fato importante ocorrido
nesse período, teria sido a relocação do Rio Santa Maria, através da remoção do “Morro das
Cabritas” (elevação de terra, que existia onde hoje se encontra o Hospital e Maternidade
Doutor Sílvio Ávidos), do centro da cidade. A fim de transpor o Rio, que tinha como leito
natural a passagem pelo centro da Cidade, a CVRD se aproveita das terras formadoras da
elevação montanhosa, levando as águas do Rio para o curso atual. Essa manobra serviu
para encurtar o trecho da ferrovia pelo centro da cidade e na construção de uma área para a
nova estação ferroviária, e, posteriormente, na formação de um novo bairro para a Cidade, o
Esplanada.

Na intenção de melhorar as condições da linha férrea, em 1951, a CVRD inaugurou a nova


Estação Ferroviária no Bairro Esplanada. A primeira estação localizada na Praça Municipal
é desativada e demolida, abrindo caminho para o desenvolvimento no centro da Cidade,
juntamente com a nova área criada (Ribeiro, 1986). Com o crescimento e desenvolvimento
da cidade, a passagem do trem passa a ser prejudicial para os moradores e comerciantes
locais, devido ao crescimento do fluxo de automóveis na região central, não dimensionada
para o tráfego crescente, além do incômodo do pó de minério; passa-se, então, a cogitar de
uma nova modificação na trajetória da EFVM em Colatina.

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Assim em 24 de outubro de 1975, a CVRD, em parceria com o Município, retira os trilhos da
EFVM do interior da cidade, levando a ferrovia para uma variante pela região sul, longe do
centro de Colatina, que já se encontrava “asfixiado”. A relocação da ferrovia teve como
principal objetivo o alisamento do território para a passagem dos fluxos da produção local.
Sem dúvidas, a EFVM promoveu um grande desenvolvimento econômico em Colatina e
além disso, o crescimento da cidade. Porem esse crescimento teria sido desordenado, sem
qualquer planejamento urbanístico que projetasse a abertura de novas vias e a localização
de áreas públicas, como praças (MADURO, 1985)

O DESAFIO DA PRESERVAÇÃO PATRIMONIAL COLATINENSE

De acordo com Choay (2010), a importância de se fazer o resgate cultural, incluindo-se aí os


valores e as tradições de determinada localidade se dão pela possibilidade de manter ativas
as referências de identidade de um grupo social. A compreensão da história, de modo geral,
está ligada às intervenções do homem com os bens considerados “patrimônio históricos”, no
sentido de preservar, fazendo com que o passado interaja com o presente.

Para se preservar, é necessário, de antemão, delimitar, definir e esclarecer o que compunha


o patrimônio histórico colatinense; para tal, foi aprovado o Decreto-Lei nº 5.257, de 14 de
dezembro de 2006, onde ficaria criado o Conselho Municipal de Patrimônio Histórico,
Artístico, Ambiental e Cultural, com a finalidade de promover, em todo território municipal, a
permanência, o tombamento, a conservação, o enriquecimento e o conhecimento do
patrimônio histórico e artístico.

Desde então, a política de proteção patrimonial municipal, veio se intensificando ao longo


dos anos e consolidou-se com a elaboração de estudos, documentos, orientações jurídicas
administrativas, além do efetivo uso dos diversos instrumentos de acautelamento
disponíveis e previstos nas Leis Estaduais e Federais, que resultaram na elaboração de
diversas leis preservacionistas ao longo dos anos.

Atualmente, a cidade já possui homologados, em esfera municipal, cerca de dez Decretos


de Leis que declaram como patrimonial histórico, cultural e artístico, a preservação de áreas
e edificações urbanas, que, de algum modo, caracterizarão a sociedade colatinense em seu
contexto existencial.

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Quadro 1: Patrimônio Histórico e Arquitetônico de Colatina.

EDIFICAÇÃO LEI DE PRESERVAÇÃO

Catedral Sagrado Coração de Jesus Decreto de Lei nº 5.246, de 25 de outubro de 2006

Câmara Municipal Decreto de Lei nº 5.915, de 18 de dezembro de 2012

Escola Aristides Freire Decreto de Lei nº 5.915, de 18 de dezembro de 2012

Iate Clube Decreto de Lei nº 5.915, de 18 de dezembro de 2012

Estátua do Cristo Redentor Decreto de Lei nº 6.167, de 07 de abril de 2015

Igreja Nossa Senhora Auxiliadora Decreto de Lei nº 6.168, de 07 de abril de 2015

Casario da Avenida Getúlio Vargas Decreto de Lei nº 6.172, de 22 de abril de 2015

Hospital e Maternidade Dr. Sílvio Ávidos Decreto de Lei nº 6.173, de 22 de abril de 2015

Ponte de Ferro Agenor Alves Decreto de Lei nº 6.174, de 27 de abril de 2015

Biblioteca Municipal Decreto de Lei nº 6.175, de 27 de abril de 2015

Antiga Estação Ferroviária Decreto de Lei nº 6.176, de 27 de abril de 2015

Antigo Vagão de Trem Decreto de Lei nº 6.183, de 20 de maio de 2015

Fonte de dados: Prefeitura Municipal de Colatina (PMC). Elaborado pelo Autor.

Apesar da preocupação da política público municipal, relacionado a preservação do


patrimônio histórico, Colatina em seu âmbito jurídico não possui oficialmente nenhum
patrimônio tombada, em todo seu território urbano. Porém, deve-se ressaltar que, em 2013,
é criada a Resolução CEC nº 003 Estadual, que determina como Área de Proteção
Ambiental e Cultural (APAC), a constituída formada pelo Sítio Histórico Urbano de Itapina e
áreas de entorno, que se encontram no distrito de Itapina, que dista aproximadamente 36
km da sede do município de Colatina. O vilarejo possui um conjunto histórico e paisagístico,
resultante dos tempos áureos do café, que foi implantado ao longo do Rio Doce,
apresentando casario em sua maioria datado da primeira metade do século XX, com
relevante importância para a história capixaba (SECULT, 2016).

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QUATRO CONJUNTOS HISTÓRICOS E ALGO A MAIS

Para Lynch (2014), a cidade tem a capacidade de se transformar a cada instante que passa;
estruturada por uma mistura complexa de construções geológicas, biológicas, sociais e
linguísticas que não são mais do que mera acumulação de matérias moldadas e enrijecidas
pela história. O contexto contemporâneo se depara, cada vez mais, com transformações
sociais, econômicas e culturais, gerando uma sobrecarga de informações e percepções de
difícil digestão para a sociedade na compreensão do passado (NARDI, 2015).

As edificações abordadas a seguir, representam as obras arquitetônicas que


testemunharam a evolução histórica e urbana de Colatina. O patrimônio arquitetônico, está
dividido em conjuntos, baseadas na proximidade entre os edifícios e no critério histórico de
cada um. Importante ressaltar que é possível aumentar o grau de importância histórica de
uma edificação quando a tratamos como um componente de um conjunto arquitetônico.
Colatina não possui um patrimônio construído com apelo ou valor arquitetônico nacional, e
poucos possuem um destaque estadual, a formação de conjuntos aumenta a importância
dessas edificações isoladas.

O Conjunto I é formado pelas edificações resultantes da colonização do Município e se


localiza no Bairro Colatina Velha. O Conjunto II traz consigo os edifícios formados a partir
dos arredores da primeira Estação Ferroviária, inaugurada em 1906, que ficava localizada
na Praça Municipal, representante da expansão territorial da Vila de Colatina. Já o Conjunto
III, localizado no centro da Cidade, representa a expansão do Município a partir da Linha
Férrea, que, posteriormente, deu origem à Avenida Getúlio Vargas e, consequentemente, à
formação do comercio e novas edificações. O Conjunto IV marca a importância que a EFVM
teve no desenvolvimento da cidade, servindo, assim, como um memorial, situado na Praça
Sol Poente.

CONJUNTO I

A área formada pelo Conjunto abriga o núcleo histórico de fundação da Vila de Colatina. O
Conjunto I possui como principal e único componente a Igreja Nossa Senhora Auxiliadora,
marco inicial da ocupação do solo colatinense, situada no Bairro Colatina Velha, nas
imediações onde fora construído o Barracão do Rio Santa Maria, que abrigou os primeiros
imigrantes italianos, em 1888. Assim como ocorre na maior parte das cidades brasileiras, as
primeiras residências da colônia foram construídas em torno da igreja erguida no final do
século XIX, fato que ocorre também com as edificações públicas que até 1913 estavam
todos situados na então Vila de Colatina, hoje Bairro Colatina Velha (MADURO, 2001).
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Figura 01: Mapeamento do Conjunto I.
Fonte de dados: Prefeitura Municipal de Colatina [PMC] e acervo do autor. Elaborado pelo Autor.

Como já mencionado, na década de 40 ocorreu uma remodelagem no traçado da EFVM, em


todo o trecho que cortava o centro da cidade de Colatina. Durante as melhorias da ferrovia,
ocorreram constantes explosões de rochas, na área próxima à Igreja, devido às
necessidades de locação da linha férrea. As explosões acabaram por acarretar o
comprometimento da estrutura da Igreja Nossa Senhora Auxiliadora, construída no final do
século XIX. Em meados do século XX, o templo religioso foi completamente demolido
devido às suas más condições estruturais. Na década de 1950, se inicia a construção de
uma nova igreja, erguida no mesmo local, porém com a fachada principal não mais voltada
para o Rio Doce e com partido arquitetônico mais moderno, quando comparada com a
antecessora (MADURO, 1988).

Apesar de a igreja não ser a mesma construída no início da congregação da Vila de


Colatina, e não possuir o mesmo valor histórico de sua antecessora, o templo atual
representa o marco da iniciação do núcleo de colonização, que, posteriormente, deu origem
ao município.
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CONJUNTO II

Fruto do desenvolvimento econômico da Vila de Colatina, o Conjunto II começa a ser


formado a partir das imediações da estação ferroviária, inaugurada em 1906. Com Colatina
se tornando oficialmente a sede municipal de Linhares, em 1907, a Câmara Municipal, bem
como a Comarca e todo o aparelhamento judiciário, são transferidos para o Vilarejo, que
exercia comunicação direta com a capital do Estado através da EFVM (RIBEIRO, 1996).

Figura 02: Mapeamento do Conjunto II.


Fonte de dados: PMC e acervo do autor. Elaborado pelo Autor.

Até 1913 todos os órgãos públicos funcionavam na Vila de Colatina, próximo a Igreja Nossa
Senhora Auxiliadora. Com a expansão territorial da Vila, através da linha férrea e o
desenvolvimento constante do comercio às margens da estação ferroviária, os
equipamentos públicos deixam o núcleo de colonização e partem para o atual Centro da
Cidade, denominando o local de “Colatina Nova”. Assim, por volta de 1913, se inicia a
construção do edifício que servia para abrigar a Comarca de Colatina, e, posteriormente,
serviria para a Câmara Municipal. O lugar escolhido para a construção da edificação foi
exatamente às sombras da estação ferroviária, área bastante movimentada durante as
paradas de trem, e ponto principal na formação do comércio local (MADURO, 1988).

O edifício da Câmara Municipal representa a introdução do ecletismo à Vila de Colatina,


sendo um dos mais belos exemplares arquitetônicos da cidade, que se encontra em bom
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estado de conservação e originalidade. Sua fachada exuberante traz, em si, a marca do
ecletismo através de alguns elementos decorativos, como: coluna dórica, balaústre,
molduras, concha, rocalha, voluta, cachorro, entre outros.

A partir de 1913, começou a se formar, nos redores da estação ferroviária, um importante


conjunto histórico, que teve como origem o edifício da antiga estação ferroviária,
posteriormente, a edificação da Câmara Municipal. Com a instalação da Comarca na nova
edificação construída, outras obras públicas também foram erguidas ao redor da estação,
como a Escola Aristides Freires.

A primeira escola da Vila de Colatina teria sido a “Escola Reunidos”, que ficava localizada
próxima a Igreja Nossa Senhora Auxiliadora. Devido ao crescimento constante da Vila e,
consequentemente, do aumento da demanda por matrículas, em 1918, uma nova escola é
erguida, agora, na Praça Municipal, ao lado da Comarca, o Grupo Escolar Aristides Freires.
No início, a escola contava apenas com quatro salas de aula; mais tarde, foi ampliada e
passou por várias reformas ao longo dos anos para suprir as necessidades do corpo
acadêmico. Apesar das mudanças na edificação, a obra é considerada um importante
patrimônio histórico para a cidade, já que ocupa o posto de uma das primeiras escolas da
Vila de Colatina e única até 1939, quando foi fundado o Ginásio Conde de Linhares
(MADURO, 1989).

Por fim, para encerar o Conjunto, o Iate Clube, obra arquitetônica inaugurada em 1958, que
tem como criador o arquiteto e engenheiro capixaba Marcelo Vivácqua. O clube foi inspirado
na sinuosidade das obras de Oscar Niemeyer e conta com uma casca de concreto – quatro
paraboloides hiperbólicos - com a ausência de vigas, toca o chão em apenas oito pontos,
mostrando a complexidade estrutural da obra de concreto armado, que é seu atrativo
(COSTA, 2015)

Devido a sua localizado de grande valor comercial, no centro da cidade, em outubro de


2010, um grupo de associados do clube, decidiram durante a madrugada, demolir
clandestinamente a construção, ocasionando a destruição de duas das oito pétalas que
formam a cúpula principal. Tal fato ocorreu devido a um acordo firmado entre a Prefeitura e
os antigos sócios, durante a construção do Clube, cujo terreno pertencente ao município, e
foi doado para os associados, a fim de manter a obra para uso público. Logo após a
tentativa de demolição do edifício, foi elaborado um projeto de tombamento do imóvel, o
Decreto-Lei n. º 62/2010, porém este não foi aprovado, devido aos problemas judiciais que o
edifício vem sofrendo desde então.

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O Clube é o mais importante exemplar do movimento moderno no município, devido ao seu
aspecto formal singular; porem ele se encontra num estado de grande deterioração, devido
ao processo de demolição. Percebe-se que a degradação e abandono da obra, representa a
degradação da memória sociocultural e patrimonial de Colatina, privando a população do
usufruto de todas as possibilidades oferecidas pelo local.

CONJUNTO III

A área ocupada pelo Conjunto III representa a expansão da Vila de Colatina, a partir de
1906, com a inauguração da estação ferroviária. Até então, tudo estava concentrado no
núcleo de colonização, em Colatina Velha. A linha férrea propiciou a ocupação de novas
terras, partindo da estação em direção ao Rio Santa Maria. Essa urbanização, às margens
da ferrovia, consequentemente veio a definir a Avenida Getúlio Vargas e, posteriormente, o
centro da cidade. E é no centro que estão as obras formadoras do Conjunto III, que possui
dois dos pontos mais emblemáticos do Município: a Catedral Sagrado Coração de Jesus e o
Hospital e Maternidade Dr. Sílvio Ávidos.

Figura 03: Mapeamento do Conjunto III.


Fonte de dados: PMC e acervo do autor. Elaborado pelo Autor.

Segundo Maduro (1989), o projeto da Matriz, hoje denominada Catedral, foi criação do
engenheiro Calixto Benedito, o mesmo que teria projetado o Santuário de Aparecida,
localizado em São Paulo. A pedra fundamental foi lançada em 1952, pela mão do então
pároco Geraldo Meyers. Anos depois da construção concluída, no final da década de 80, foi

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criada a Diocese de Colatina e a então igreja matriz passou a ser chamada Catedral do
Sagrado Coração de Jesus.

O edifício da Catedral é a única igreja da cidade que possui uma arquitetura peculiar,
voltada para os princípios do movimento art déco. Suas fachadas são marcadas por traços
fortes, estilizados através de linhas retas e circulares, com formatos geométricos e repetição
de alguns elementos cúbicos. As paredes possuem enormes vãos de janelas, recobertos
por vitrais coloridos, confeccionados e trazidos da Europa, que retratam passagens bíblicas
e outros motivos religiosos.

Segundo Coêlho (2004), outra obra de importância histórica para o Município é o Hospital e
Maternidade Dr. Sílvio Ávidos, localizado no centro da cidade é considerado um dos
primeiros exemplares da arquitetura neocolonial no Estado do Espirito Santo. Inaugurado
em 11 de setembro de 1949, pelo então presidente da República Marechal Eurico Gaspar
Dutra, o hospital foi construído pelo Governo Federal, em parceria com o Governo Estadual
e a Legião Brasileira de Assistência (LBA). Após já ter passado 67 anos de sua
inauguração, atualmente o hospital está vinculado ao Instituto Estadual de Saúde Pública
(IESP).

O hospital está localizado no mesmo local onde existia o Morro das Cabritas, retirado na
década de 40 pela CVRD, durante a relocação do Rio Santa Maria. A fachada principal do
edifício, ainda apresenta as esquadrias originais, de madeira e vidro do tipo de abrir, com
bandeiras em veneziana, com arcos e círculos variáveis. A cobertura é constituída de telhas
cerâmica, que marcam um diferencial entre os anexos que já apresentam telhas de
fibrocimento.

A partir das necessidades que surgiam de modernização dos equipamentos e instalações


hospitalares, o edifício acabou passando por uma série de adaptações, tendo a de maior
contraste visual ocorrido em 1954, na instalação do anexo para abrigar o pronto socorro,
que já apresentava um estilo modernista com tendências para o funcional, destacando-se da
mais antiga, em estilo neocolonial (COÊLHO, 2004).

CONJUNTO IV

O Conjunto IV também pode ser chamado de “Conjunto Ferroviário”, devido à sua formação
diretamente ligada à construção da EFVM, especificamente a partir da década de 40, na
remodelagem do trecho que liga Colatina a Vitória, marcando, assim, a história do
desenvolvimento da cidade. Na década de 80, após a retirada dos trilhos de trem do centro

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da cidade, a Vale, então Companhia Vale do Rio Doce, doa ao município de Colatina toda a
área pertencente a ela, bem como os edifícios da antiga estação, o terminal de cargas, a
ponte Agenor Alves e um antigo vão de trem, que formam, assim, o Conjunto Histórico
Ferroviário.

Figura 04: Mapeamento do Conjunto IV.


Fonte de dados: PMC e acervo do autor. Elaborado pelo Autor.

Em 1989, toda a área que pertencia à Vale passa por mudanças no caráter de reforma,
onde foi construída uma área de lazer no pátio da antiga estação ferroviária, que viria a se
chamar Praça Sol Ponte. O projeto inicial contava com a implantação de uma biblioteca
municipal, que foi instalada no antigo armazém de cargas da Vale. Na edificação, foram
preservadas as características originais do armazém em seu exterior; as principais
mudanças foram feitas apenas na estrutura interna do prédio, para adaptá-lo à
funcionalidade da biblioteca (MADURO, 1989).

Já o edifício da antiga estação ferroviária, apresenta algumas das características do


movimento moderno, encontrados facilmente na fachada da edificação como a utilização de
formas simples, geométricas, e desprovida de ornamentação, traçado retilíneo como ideal
de industrialização, uso estrutural de concreto armado, panos de vidro contínuos nas
fachadas em vez de janelas tradicionais. Ao longo dos anos, a edificação, já servil de apoio
a diversas atividades do setor públicas, ocorrendo a última de 2002 a 2015, sendo um
Centro Regional de Educação Aberto a Distância (CREAAD), que era coordenado pela

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Universidade Federal do Espirito Santo (UFES). Hoje, a edificação encontra-se abandonada,
e recentemente foi interditado pela Defesa Civil, devido as, mas condições da estrutura do
edifício.

Outros dois elementos remanescentes da EFVM, que estão inseridas no Conjunto


Ferroviário são a Ponte Agenor Alves e o antigo vagão de trem, também doações feitas pela
Vale ao município. A ponte Agenor Alves, que transpõe o rio Santa Maria, é a terceira ponte
construída pela Companhia Vale do Rio Doce na cidade. Feita em 1949 para a remodelação
da nova ferrovia juntamente com a construção da estação e do terminal de cargas, a ponte
com mais de 60 anos, vem sofrendo por um processo continuo de correção em toda sua
estrutura, devido a falta de manutenção da obra.

O antigo vagão, também marco da EFVM no desenvolvimento do município; foi doado pela
Vale à PMC após a retirada dos trilhos, em 1975. Atualmente o vagão encontra-se aos
fundos da biblioteca (exatamente localizado sobre o eixo original da EFVM), e funciona
como um memorial, porem completamente abandonado, servido de abrigo a moradores de
rua.

O Conjunto IV, formado pelas obras consequentes da EFVM, são de importância histórica e
cultural, pois trazem consigo a memórias de uma época que marcou o desenvolvimento e
progresso de Colatina, fazendo parte do contexto histórico, e somente puderam ser
integrados ao município, graças à retirada dos trilhos da ferrovia ao longo da área central da
cidade. Sua arquitetura, como já mencionado, foi pouco modificada, conservando, assim, as
características originais das obras. Porém, nota-se um grande descaso do Poder Público e
da própria sociedade, relacionado à preservação e valorização do Conjunto Férreo, devido a
todas as edificações formadoras desse conjunto terem alguma parte de sua estrutura
comprometida ou deformada.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Com a inundação ocorrida no fim do ano de 2013 e início de 2014 (que invadiu o centro da
cidade), grande parte dos arquivos públicos relacionados às edificações históricas citadas
nos conjuntos, como a Câmara Municipal, Escola Aristides Freires, Iate Clube, entre outras,
foram perdidos. Desse modo, tornou-se praticamente impossível a obtenção de materiais
originais referentes a essas obras, o que levou, consequentemente, à utilização de
entrevistas a antigos moradores da cidade, na busca de maiores informações. Uma vez que
a cidade não para no tempo estagnando seu progresso, crescimento e desenvolvimento, a
falta de documentação histórica tornou a coleta de dados mais fastidiosa, evidenciando a
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importância das entrevistas ou narrativas na formação do trabalho, a fim de compreender
melhor o contexto histórico do patrimônio.

O trabalho abordou a contemporaneidade e a relação que está exerce ao patrimônio


histórico de Colatina, que muito se modificou ao longo de seu surgimento e crescimento. A
ocupação do Município originou-se pela busca de novas terras produtivas na região norte do
Espírito Santo, no final do século XIX, e o desenvolvimento da cidade foi impulsionado pela
construção da ferrovia EFVM, em 1906, e da Ponte sobre o Rio Doce, em 1928, como
fatores de seu crescimento disperso, determinado pelas vias de transporte.

A pesquisa revelou que os estilos arquitetônicos, bem como os traçados geométricos


presentes nas fachadas dos edifícios históricos remetentes à formação e crescimento do
município, parte tem desaparecido de forma lenta e gradativa de algumas obras. Outros têm
passado por total ou parcial descaracterização, causando, naqueles que já aprenderam a
preservar, um sentimento de perda visual da história local.

Nota-se também que a falta de revitalização dos prédios históricos tem acarretado situações
para a desvalorização dos imóveis, em nível de patrimônio; nessas circunstâncias, as leis
que dizem respeito ao assunto precisam ser executadas rigorosamente e coordenadas por
indivíduos que sejam aptos para tal e tenham um comprometimento com a história. Talvez a
falta de esclarecimento sobre a restrição dos bens históricos tenha contribuído para esse
agravante.

Infelizmente, na Prefeitura Municipal de Colatina, não há ainda, órgãos, setores ou


instituições, responsáveis pelos registros documentais, recuperação, repristinação,
catalogação, mapeamento, restauro ou manutenção do patrimônio municipal, aplicando-se a
gravidade das ausências documentais de edificações ou quaisquer identificadores culturais
da cidade, prejudicando a manutenção da memória cultural local.

Diante de tudo o que foi exposto, podemos concluir que a falta de informações sobre as
obras tornou o trabalho mais árduo, o que reforça a importância da criação de um banco de
informações patrimoniais no Município. Consequentemente, nota-se que o patrimônio
histórico ora apresentado ainda é uma inesgotável fonte de pesquisa social e econômica,
como citado anteriormente, não pelo que somente foi, mais pelo que cada obra representa
atualmente. Principalmente socialmente, pois neles estão inseridas a história colatinense,
atuada com os mais diversificados atores. Porém o que mais tem se destacado é a falta de
preservação desse patrimônio, o bem cultural que tanto representa a sociedade colatinense.

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Instituto Estadual de Saúde Pública, 2004.

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preservação e proteção do patrimônio histórico, artístico, ambiental e cultural do município
de Colatina e dá outras providencias. Prefeitura Municipal de Colatina.

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repristinação. In. SEMINÁRIO IBERO-AMERICANO, 4, 2015, Belo Horizonte. Arquitetura e
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A PROTEÇÃO LEGAL É SUFICIENTE?. ENGENHOS
PUBLICITÁRIOS: UMA AMEAÇA AO PATRIMÔNIO
ARQUITETÔNICO DO EIXO PILOTO COMERCIAL RUA DO
COMÉRCIO - CENTRO DE MACEIÓ.

CALHEIROS, KARLA RACHEL JARSEN DE MELO.

1. Universidade Federal de Alagoas – Faculdade de Arquitetura e Urbanismo


Rua Deputado José Lages n°658 – Maceió/AL
karlaarachel@hotmail.com

RESUMO
O artigo tem como propósito analisar e compreender as intervenções publicitárias no patrimônio
arquitetônico da Rua do Comércio localizado na Zona Especial de Preservação 2 (ZEP-2) no Centro
de Maceió, situada no Setor de Preservação Rigorosa 1 (SPR-1) – bem como sua normativa vigente
n° 4.545/1996 que institui normas gerais a respeito da edificação ou conjunto de edificações para as
Zonas Especiais de Preservação (ZEPs) e especifica paramentos para a publicidade em imóveis
situados em área de proteção municipal desde 1997 através da regulamentação do Decreto n°5.700.
A análise abrange a rua após a implementação do Projeto de Requalificação (2001-2009) realizado
pela Secretaria Municipal de Planejamento (SEMPLA), atual Secretaria de Desenvolvimento
Territorial e Meio Ambiente (SEDET).

Para o desenvolvimento do artigo que fundamentou a análise do eixo piloto comercial Rua do
Comércio foram explorados as legislações municipais n°4.545/1996 (Normas gerais de proteção ao
patrimônio ou conjuntos urbanos na qual a ZEP faz parte), lei n° 3.538, de 23 de dezembro de 1985
(Código de Posturas de Maceió), a Lei Municipal 4.954 de 06 de janeiro de 2000 sobre a Veiculação
de propaganda nos logradouros públicos ao ar livre ou em locais com visibilidade dos espaços
públicos e o Plano Diretor de Maceió. Como também foram realizadas percepções diretas que
possibilitou reconhecer as peculiaridades existentes nas edificações como os detalhes dos elementos
arquitetônicos e o modo como os anúncios ou engenhos publicitários (placas e letreiros) interferiam
na visualização das construções.

A partir das informações obtidas in loco, compilaram-se os dados que serviram para mapeamento de
uso e ocupação do solo da rua e comparações de registros fotográficos obtidos das edificações da
Rua do Comércio entre os séculos XX e XXI para investigar o uso atual dos imóveis que permeiam a
rua e analisar as principais modificações na fachada das edificações.

Dessa maneira, buscou-se averiguar/avaliar a atual situação de preservação das edificações da Rua
do Comércio para então propor medidas como uma cartilha e um aplicativo para frear as
descaracterizações do patrimônio edificado com o intuito de possibilitar a melhoria na paisagem
urbana e proporcionar a contemplação das edificações históricas por parte da população e incentivar
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a denúncia às possíveis falhas da fiscalização referente aos anúncios publicitários no patrimônio
arquitetônico. Tendo em vista que o instrumento jurídico é incapaz de manter na integra as
particularidades estilísticas dos exemplares arquitetônicos, pois ela apenas é um meio de nortear as
ações que devem ser seguidas após a sua implementação. Assim, entendendo, acredita-se que um
bom uso e uma boa conservação do imóvel por parte de seu proprietário/inquilino, quer particular,
quer institucional pública, contribua para a preservação do patrimônio edificado.

Palavras-chave: Patrimônio Arquitetônico; anúncios publicitários; fiscalização; aplicativo; cartilha

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INTRODUÇÃO

O presente artigo focaliza anúncios publicitários no patrimônio edificado da Rua do


Comércio, após a implementação do Projeto de Requalificação (2001-2009) do Centro
de Maceió, realizado pela antiga Secretaria Municipal de Planejamento1 (SEMPLA). O
trabalho visa averiguar o cumprimento das normativas n° 4.545/1996 (Normas gerais
sobre as Zonas Especiais de Preservação), lei n°4.954/2000 (Norma sobre os veículos
de divulgação) e a lei n° 3.538/1985 Código de Posturas por parte do setor de
fiscalização atual Secretaria de Desenvolvimento Territorial e Meio Ambiente (SEDET).

O interesse pelo tema surgiu a partir da observação de como as edificações em


áreas centrais comerciais brasileiras estão encobertas pela publicidade. Gradativamente,
essa situação foi se estabelecendo devido ao processo de industrialização que se
desencadeou no Brasil a partir dos anos 1950 e 1960. As edificações localizadas em
áreas centrais deixaram de ser atrativas para a habitação da classe média que buscava
outras formas para morar e, mediante essa situação, houve um deslocamento
populacional do Centro o que somou para o esvaziamento das áreas centrais brasileiras,
instauradas entre o uso comercial e de serviços nas edificações. A maioria das
edificações passou então a sofrer modificações em trechos das ruas que, por
conseguinte, descaracterizavam a paisagem urbana existente (NOBREGA; PEREIRA,
2016). Estas ocorrências acarretaram alguns questionamentos quanto à participação do
poder público em coibir as interferências no patrimônio edificado diante das normativas
existentes para a proteção do bem imóvel em prol da preservação de construções
históricas para a sociedade alagoana.

Como uma tentativa de controle a esta circunstância em Maceió, alcançada por


grande degradação do patrimônio cultural na sua área central do comércio, foi
implantado o Projeto de requalificação das edificações do Centro de Maceió instituída
pela Prefeitura de Maceió, em 2009 que, entre outras, especificou propostas para
higienização das fachadas no eixo piloto Rua do Comércio, que detém um “acervo
relevante enquanto conjunto edificado” e posteriormente, em outro trecho e edificações
do bairro.

1 Em decorrência das modificações na gestão pública de Maceió o Setor de Patrimônio que localizava-se na
SEMPLA atualmente integra a SEDET.

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A Rua do Comércio foi escolhida como objeto de estudo por corresponder ao centro
histórico da cidade e contemplar um acervo arquitetônico secular edificado entre meados
do século XIX e XX e, ainda, por fazer parte da Zona Especial de Preservação 2 (ZEP)
instituída através do Decreto Municipal 5.700/1997 e inserido no Plano Diretor de Maceió
em 2005.

O motivo que mais impulsionou esta escolha foi o fato das construções locadas na
Rua do Comércio sofrerem constantemente com reformulações nas fachadas das
edificações por parte de seus proprietários e o abuso da inserção de elementos visuais
como placas e letreiros de modo a mascarar os exemplares arquitetônicos protegidos
em nível municipal (ZEP-2). Tendo em vista que o projeto de qualificação das
edificações fora elaborado há oito anos sentiu-se a necessidade em verificar se a lei
vigente n° 4.545/1996 que foi utilizada durante o projeto de requalificação das
edificações. Também é seguida perante os setores responsáveis pela fiscalização:
Departamento de Fiscalização de Edificações e Urbanismo (DFEU), Departamento de
Fiscalização de Publicidade (DFP) e a Coordenação de Exame de Controle de Alvarás
de Publicidade (CECAP) ambos da SEDET.

Dessa maneira, buscou-se averiguar/avaliar a atual situação de preservação das


edificações da Rua do Comércio para então propor medidas para frear as
descaracterizações do patrimônio edificado com o intuito de possibilitar a melhoria na
paisagem urbana e proporcionar a contemplação das edificações históricas por parte da
população.

Para a construção do artigo, foi necessário traçar objetivos para norteá-lo. A primeira
parte do trabalho, consistiu em pesquisar diversos conceitos fundamentais para o objeto
de estudo, associado a uma sequência de teóricos referente ao assunto. Examinou-se,
também, as interferências publicitárias no espaço público da rua, refletindo sobre sua
relação com as edificações históricas locadas em sítios históricos voltados ao uso
comercial e, como isso, foi refletido em São Paulo e em Maceió. O estudo mais acurado
sobre o uso da publicidade ocultando o patrimônio cultural serviu para compreender a
atual realidade das edificações históricas de cunho comercial no bairro central das
cidades brasileiras e o seu rebatimento no centro “histórico” de Maceió.

A fase subsequente buscou conhecer o local de estudo. Isso ocorreu através do


estudo do bairro e da própria Rua do Comércio, observação do espaço, pesquisa em
órgãos públicos, entrevistas com antigos moradores, frequentadores e profissionais

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vinculados ao patrimônio e à fiscalização dos engenhos publicitários, como também
realizou-se registros fotográficos e vídeos da área em questão.

Além dos itens mencionados foram realizados questionários, previamente


estabelecidos, para profissionais arquitetos e fiscais dos setores responsáveis pela
fiscalização da SEDET no que diz respeito à edificação e a publicidade. Foram
contactados os respectivos setores para a entrevista: Departamento de Fiscalização de
Edificações e Urbanismo (DFEU), Departamento de Fiscalização de Publicidade (DFP) e
a Coordenação de Exame de Controle de Alvarás de Publicidade (CECAP). O
questionário contou com quinze perguntas abertas tendo como tema: A publicidade nas
edificações localizadas na ZEP-2.

Após as informações copiladas sobre os engenhos publicitários no patrimônio


arquitetônico da Rua do Comércio, foi possível propor instrumentos que pudesse
minimizar as constantes intervenções nos imóveis do centro comercial de Maceió dentre
elas a confecção de um aplicativo e uma cartilha educativa.

DESENVOLVIMENTO

Perante o crescimento, desenvolvimento e visando melhorias na infraestrutura do


Centro Comercial de Maceió iniciaram-se no ano de 2001 os estudos preliminares a
cerca do “Projeto de Requalificação do Centro de Maceió” tendo como corpo técnico
Gardência Caetano ex arquiteta da antiga Secretaria Municipal de Planejamento e
Desenvolvimento (SEMPLA) junto com as arquitetas e urbanistas Adeciany Souza
(responsável pelo setor de Patrimônio da SEMPLA) e Edith Nogueira além do arquiteto,
urbanista e professor Leonardo Bittencourt da Universidade Federal de Alagoas (UFAL).

O objetivo do Projeto era revitalizar o Centro de Maceió a fim de proporcionar


melhorias para a população e solucionar os principais problemas na área central, entre
eles: ordenação do trânsito; melhoria dos espaços públicos do Centro; reparos na
drenagem, rede elétrica, rede de telefonia e esgotamento sanitário; transferência dos
camelôs para o Shopping Popular; criação da casa de passagem masculina e feminina;
formação de um centro ambulatorial para tratamento de dependentes químicos;
reestruturação da legislação a fim de conter as intervenções irregulares no patrimônio
edificado; projeto de Urbanização (reordenamento das calçadas, vias e calçadões,
padronização das bancas de revistas, melhorias na iluminação pública (nova posteação),
nova paginação de piso, paisagismo, mobiliários urbanos).

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A principio, as etapas que iniciaram em 2005 focaram principalmente a infraestrutura
como modernização das instalações elétrica subterrânea, quatro anos após a realização
da primeira etapa (trecho Rua do Comércio) a SEMPLA iniciou-se, em 2009, a proposta
de higienização das fachadas intitulada “Projeto de Qualificação das Edificações”, a fim
de ordenar os veículos de divulgação nos estabelecimentos comerciais locados na ZEP-
2 que estivessem obstruindo o patrimônio cultural edificado.

Na tentativa de evidenciar o excesso de vedações publicitárias nas fachadas das


edificações da Rua do Comércio, foi solicitada à Faculdade de Arquitetura e Urbanismo
(FAU-UFAL) a realização de um inventário das platibandas da Rua do Comércio, qual foi
elaborado durante as atividades da disciplina Prática de Restauro da FAU/UFAL no ano
de 2008 a 2009, coordenada pela arquiteta e urbanista, docente Josemary Omena
Passos Ferrare.

A partir do inventário realizado, foi possível averiguar os imóveis históricos que se


encontravam encobertos por placas e letreiros em desacordo com o padrão estabelecido
mediante as leis de preservação (lei 4.545/1996; capítulo V). Dessa forma, foram
escolhidas quatro quadras (65, 66, 77 e 78 na Rua do Comércio e parte da quadra 49 na
Rua 2 de Dezembro; contemplando cerca de 73 imóveis) que ainda continham um
conjunto de imóveis que poderiam sofrer intervenções nas suas fachadas como pode ser
visto na imagem 1:

Imagem 1– Fotografia aérea da Rua do Comércio e Mapa da rua com as quadras


selecionadas durante o inventário das platibandas.

Fonte: Acervo Pessoal.

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A arquiteta e urbanista responsável por propor o projeto foi Maria Adeciany André de
Souza (Diretora de patrimônio cultural da SEMPLA). Durante o estudo como uma forma
de conscientizar os comerciantes e proprietários, foram realizadas oficinas sobre o
Patrimônio Cultural na área do Centro, no ano de 2008. Com as palestras ministradas
por docentes da FAU-UFAL, e obteve-se, junto à sociedade e Associação Comercial dos
Retalhistas uma relação mais próxima com os proprietários e informando-os sobre o
patrimônio.

O intuito do projeto era promover a apropriação do patrimônio cultural existente na


área central – comercial pela população e frequentadores do Centro que estavam
ocultados pelos veículos de comunicação visual, postos de maneira inadequada,
impossibilitando a contemplação do conjunto urbano – histórico da cidade.

Contudo na comparação dos registros fotográficos dos imóveis após o projeto de


qualificação das edificações em 2009, notou-se que na Rua do Comércio se destaca em
primeiro plano os anúncios publicitários seguidos das edificações que atuam como um
suporte para a comunicação visual. Ou seja, na prática o projeto voltado para proteger o
bem material dos engenhos publicitários não foi implantado na prática.

Observa-se então que as edificações passaram a ser consideradas mais um meio de


informação do que espaço, onde a publicidade ocupa os elementos arquitetônicos e a
paisagem urbana. Nas palavras de Venturi “a Arquitetura não é suficiente, uma vez que
as relações espaciais são feitas mais por símbolos do que por formas. A arquitetura,
nessa paisagem, se torna mais símbolo no espaço do que forma no espaço” (2003,
p.40), ou seja, a Arquitetura torna-se segundo plano, enquanto que os anúncios
publicitários estão em primeiro, pois são mais valorizados do que a Arquitetura, como
pode ser observado nas imagens abaixo.

Imagem 2- Fachada dos imóveis da Rua do Comércio

Fonte: Acervo Pessoal.

Além do projeto voltado para coibir intervenções no patrimônio arquitetônico não ser
posto em prática o órgão responsável pela fiscalização SEDET e que o órgão

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responsável pela fiscalização não está cumprindo a lei municipal (n° 4.545/1996)
designada para os imóveis locados nas ZEP.

Mediante as constatações realizadas verificou-se que nos dez trechos da Rua do


Comércio, a maioria das edificações que deveriam ter sua arquitetura preservada por
está localizada em área de proteção municipal ZEP-2 e SPR-1 encontra-se ocultada por
placas e letreiros, além de conter um número excessivo de publicidade nas fachadas,
tendo em vista que a normativa n° 4.545/1996 permite apenas um anúncio publicitário
por imóvel e/ou estabelecimento.

A situação que ocorre no eixo piloto – Rua do Comércio é semelhante aos demais
eixos comerciais das cidades brasileiras: patrimônio edificado, encoberto pelos
engenhos publicitários.

No caso da Rua do Comércio – Centro de Maceió – essa situação agrava-se, na


prática, devido ao descumprimento das legislações vigentes referentes ao patrimônio
n°4.545/1996 e aos veículos de divulgação lei n° 4.954/2000 e lei n°3.538/1985 (Código
de Posturas).

Analisando as legislações mencionadas, constatou-se que ambas não estabelecem


uma relação entre si, ou seja, não existe uma complementação de fácil entendimento
para com as normativas; que corresponde à lei 4.954/2000 que dispõe sobre a
veiculação de propaganda nos logradouros públicos e ao ar livre. A publicidade nessa
legislação é tratada, especificadamente, no artigo 52 “Nas Zonas Especiais de
Preservação, ou qualquer Zona especial que dispuser de normas próprias para
instalação de engenhos publicitários prevalecem as normas regulamentadas nessas
Zonas”. Isto é, não faz menção ao arcabouço legal n°4.545/96 que menciona os
parâmetros adequados a serem seguidos para a publicidade em construções inseridas
nas ZEP. Como consequência, o artigo 52 acaba passando despercebido por parte da
gestão pública e de seus respectivos profissionais da SEDET junto aos departamentos
responsáveis (DFEU, DFP e CECAP) por fiscalizar as irregularidades patrimônio
edificado.

No Código de Posturas (lei n°3.538/1985) de Maceió, também não consta nenhum


artigo específico no que diz respeito à publicidade na ZEP. Apenas convêm medidas e

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padrões para a publicidade de maneira mais ampla. Percebe-se também, que o código2
supracitado não sofreu nenhuma alteração ou complemento em seus artigos para inserir
as normativas municipais que tratam da publicidade nos imóveis locados na ZEP até o
ano de 2016. Mas em entrevista a arquiteta e urbanista Adeciany Souza responsável
pelo setor de Patrimônio da antiga SEMPLA, foi elaborada a revisão do Código de
Posturas e contempladas as áreas históricas da cidade de Maceió, porém ainda se
encontram ainda nos trâmites legais para posteriormente ser regulamentado.

No entanto, o problema dos anúncios publicitários não se resume apenas à falta de


compatibilização entre as leis existentes, mas também à não execução do Projeto de
Qualificação das Edificações (SEMPLA- 2009), à não implantação de multas para
reprimir as irregularidades dos anúncios nos imóveis da ZEP-2 conforme os padrões
estabelecidos na lei n° 4.545/1996 e o desconhecimento do arcabouço legal por parte do
órgão responsável pela fiscalização (SEDET- setores DFEU/DFP/CECAP) em relação
aos engenhos publicitários em sítios históricos na qual a lei 4.545/1996 engloba o eixo
piloto Rua do Comércio.

Em entrevista realizada aos profissionais do setor DFEU, para adquirir informações,


acerca da fiscalização, constatou-se que eles desconhecem a normativa n° 4.545/96 a
qual especifica diretrizes e parâmetros para os engenhos publicitários na ZEP contidas
no capítulo V, no aporte normativo citado.

Todavia, na notificação utilizada pelos fiscais durante as idas a campo, consta que
compete ao setor da DFEU atuar e punir com multas os imóveis que se encontram em
desacordo com a lei corrente 4.545/96, fato que os atuais fiscais descordam. Para eles,
o assunto publicidade é competência do DFP. Entretanto, a notificação utilizada por eles
para atuar nas irregularidades consta na lei n° 4.545/1996.

Assim como o setor DFEU desconhece a legislação, o setor DFP também


desconhece a normativa 4.545/1996. Em entrevista realizada em 6 de maio de 2016 com
o Diretor do CECAP, Manoel Francisco de Santos, fiscal há 35 anos no setor de
publicidade da SEDET, esclareceu não ter conhecimento da normativa referente à
publicidade na ZEP existente. Apenas sabia da existência da ZEP, porque na Lei
4.954/2000 consta o artigo 52, mas em relação a medidas e diretrizes a serem

2O código de Posturas (lei n°3.538/1985) evidencia apenas no artigo 193 a proibição de colocar anúncios sobre
as bandeiras nas sacadas, ou saliências de edifícios; mas nada em específico sobre os imóveis tombados ou
ZEP, já que o código antecede a normativa n°4.545/96.
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implantadas e seguidas relatou não ter conhecimento assim como os demais fiscais
recém contratados para lidar, com a publicidade no setor da DFP. E no que diz respeito
às fiscalizações da DFP, eles, atualmente, vem fazendo operações para apreender
placas, letreiros, cartazes em locais inadequados nos bairros de Ponta Verde,
Mangabeiras área nobre da cidade de Maceió. Porém, no Centro de Maceió, nenhuma
operação foi efetuada para coibir a publicidade nas edificações históricas, apenas ações
direcionadas para a remoção de ambulantes.

Outra falha que foi constatada é que; a notificação utilizada pelos fiscais de postura,
não contém nenhuma menção à Lei 4.545 de 1996. Somente menciona o Código de
Posturas (Lei n° 3.538/1985) e Lei Municipal n°4.954/2000. Quer dizer, apenas o setor
DFEU contempla essa normativa, todavia o DFP lida diretamente com a publicidade.

Diante do exposto, constata-se que os setores DFEU e DFP não possuem o


conhecimento da legislação, favorecendo que não sejam efetivadas as medidas para
conter danos ao patrimônio cultural da Rua do Comércio e demais imóveis localizados
na ZEP no que diz respeito aos engenhos publicitários. Fato esse comprovado com a
realização das entrevistas nos órgãos DFEU, DFP e CECAD. Diante dos itens
explanados, nota-se que os setores não atuam simultaneamente em prol da fiscalização,
o que dificulta um maior entendimento e contribuição para que as vistorias ocorram
adequadamente nos imóveis tombados em nível municipal.

É necessário salientar, também, que essa situação ocorre devido à falta de


reconhecimento do patrimônio cultural por parte da população e dos gestores públicos,
fato esse constatado através das entrevistas realizadas no setor DFEU onde as
denúncias e irregularidades feitas ao órgão da SEDET são direcionadas, na maioria às
construções irregulares, enquanto as denúncias ao patrimônio edificado, ocorrem em
menor frequência e geralmente os que denunciam são os alunos ou profissionais que
atuam na área de Arquitetura e Urbanismo. Porém, foi verificado, in loco, que as
denúncias em relação às intervenções publicitárias em fachadas históricas não
costumam ocorrer na SEDET.

Contudo, visando a reverter a situação dos anúncios publicitários nas edificações no


eixo piloto – Rua do Comércio – Centro de Maceió e aproximar a sociedade do
patrimônio cultural, buscaram-se desenvolver meios que pudessem contribuir para que a
população interagisse junto ao órgão público SEDET em prol da preservação das
edificações, denunciando e fiscalizando.

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Tendo em vista a atual situação dos anúncios publicitários no patrimônio cultural
localizados na ZEP-2, Rua do Comércio – Centro de Maceió – averiguou-se a
necessidade em cooperar, em parceria com a SEDET e seus setores, na
conscientização da população e dos profissionais responsáveis pelo setor de
fiscalização sobre a importância da preservação do patrimônio edificado para a cidade.

Para isso pensou-se em criar uma cartilha e um aplicativo para que ambos
pudessem colaborar para que a população denunciasse as irregularidades ocasionadas
pela publicidade no patrimônio edificado localizado na ZEP-2 junto às administrações
públicas.

No caso específico da Cartilha informativa intitulada: Zeca e Alice : Entendendo o


patrimônio, Um olhar sobre os anúncios publicitários em imóveis no Centro de Maceió.
Buscou-se estimular o aprendizado e a importância sobre o patrimônio arquitetônico e o
mascaramento de edificações por parte dos anúncios publicitários no Centro de Maceió-
Rua do Comércio. Além de instruir ao público meios de auxiliar a gestão municipal
SEDET na fiscalização das intervenções publicitárias nos imóveis de valor histórico
arquitetônico cultural.

A cartilha foi formulada como uma história em quadrinhos em uma sala de aula do
Centro Educacional de Jovens e Adultos Paulo Freire- CEJA, tendo como público alvo
adolescentes (faixa etária a partir dos 15 anos) e adultos ou profissionais da área. Dessa
forma, além de fornecer informações, diante do patrimônio possibilita, uma maior
comunicação entre a sociedade e os órgãos responsáveis da SEDET: Setor de
Patrimônio e os demais departamentos DFEU, DFP, CECAD, gerando uma
compreensão mais simples da lei 4.545/1996.

Tratando-se da impressão gráfica da cartilha dirigida à população pensou-se em


imprimir em dois modelos: ambos em folha A5, sendo um em preto e branco para que os
alunos possam colorir e outro já colorido para que despertasse o interesse dos adultos e
profissionais em ler a história.

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Imagem 3- Cartilha educativa.

Fonte: Acervo Pessoal, 2016.

Associada à cartilha criou-se o aplicativo: Fiscalize Já. Para que a população possa
denunciar as irregularidades no patrimônio em áreas comerciais formuladas pela
publicidade.

Aplicativo (app)

O fácil acesso ao aplicativo permite ao usuário, antes de realizar a denúncia,


encontrar um resumo da lei n° 4.545 de 1996 que dispõe de medidas para a divulgação
de comunicação visual, ambas ilustradas com desenhos para maior compreensão do
usuário.

O aplicativo possibilita identificar o tipo de irregularidade, descrever, localizar o ponto


de referência, endereço e foto do local da denúncia, de forma rápida e anônima. As
informações registradas passam para ambos setores da SEDET onde são recebidas –
via correio eletrônico – e passam por um processo de triagem e posteriormente segue
para as equipes responsáveis pela fiscalização, no o setor SEDET (DFEU e DFP, Setor
de Patrimônio). Como também, serão expostas maiores informações acerca do tema e
contato dos órgãos responsáveis e endereços eletrônicos do local onde a população
pode adquirir a legislação.

Para os usuários, o aplicativo facilita a comunicação e a relação da sociedade com a


gestão pública. Como os smatrsphones estão sendo mais utilizados pela população, é
uma forma de interagir com os cidadãos alagoanos tendo em vista que ambos os lados

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ganham com essa interação. Nas palavras de Aloisio de Magalhães; “a comunidade é a
melhor guardiã de seu patrimônio” (MAGALHÃES, 1985, p.67).

A princípio, o aplicativo está disponível para celulares com sistema android e para o
funcionamento do aplicativo é necessário está conectado com a internet.

Imagem 4- Interface do aplicativo Fiscalize Já

Fonte: Acervo Pessoal.

CONCLUSÃO

Como podemos observar, ao longo da construção desta monografia, as ruas são


espaços públicos onde prevalece o uso coletivo e que incorpora, no decorrer dos
séculos, as transformações sociais, econômicas e políticas vigentes, além de serem
detendoras de uma comunicação própria de seus usos que evidencia, de forma
identidária, os percursos que definem o espaço na qual interferem diretamente no modo
de vida dos seus habitantes.

Com o advento e consolidação da industrialização e do capitalismo, em meados de


1950 e 1960, nota-se que ocorreram mudanças no modo como a sociedade mantém
uma relação com a rua e os bens de consumo, ou seja, o homem que era visto como
um ser social passou a ser um consumidor perante a demanda capitalista. Fato esse que
não ocorria anteriormente em meados do século XIX e início dos XX. A forma como a
rua e as edificações, casa térrea e sobrados característicos do período colonial, eram
concebidas favorecia e reforçava o padrão existente como a contemplação da
arquitetura e do espaço. A publicidade era pintada geralmente acima das vergas no
pavimento térreo ou era posta uma placa perpendicular à fachada sem interferir na
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observação, bem como os encontros espontâneos de pessoas oriundas de outras
localidades, manifestações políticas, atividades de cunho cultural

Nesse segmento, com a solidificação da industrialização, ruas e seus respectivos


eixos pilotos localizados em áreas centrais que detinham uso misto (comercial e
residencial) passaram a abrigar o comércio varejista e de serviços, usos os quais exigem
uma nova organização fato esse que contribuiu para o deslocamento da população para
outras localidades da cidade tornando a área central das cidades brasileiras estritamente
comercial. Como consequência da contemporaneidade, a era do movimento, as ruas dos
centros urbanos das áreas centrais voltadas ao uso comercial passam a não se
organizar em favor das relações sociais existentes, mas a criação de espaços e
construções atrativas para a população consumidora, interferindo dessa maneira, na
relação urbana entre homem e o espaço, ou seja, os símbolos utilizados pelos anúncios
passaram a ser mais a atenção do que a forma das construções.

Acarretando a essas modificações das atividades comerciais e de serviços, exigirem


uma nova organização em que as novas tecnologias, dentre elas a publicidade, passam
a interferir no cotidiano da população como também na forma de se comunicar com o
espaço. Dessa forma, observou-se que tantos as ruas como as edificações passaram a
contemplar elementos visuais como placas e letreiros que, em muitos casos, ocultam as
construções, gerando poluisão visual na paisagem urbana, como é o caso do objeto de
estudo eixo piloto Rua do Comércio – Centro de Maceió.

Através das pesquisas realizadas, identificou-se que, no âmbito municipal a


normativa que regulamenta a gestão da preservação dos centros históricos da cidade de
Maceió é a Lei 4.545 de 1996, criada junto ao projeto de revitalização do bairro de
Jaraguá (1996), sendo o único arcabouço legal que instituiu norma de proteção
especifica para as Zonas Especiais de Preservação e estabelece diretrizes próprias para
divulgação de publicidade em imóveis localizados em área de proteção municipal. No
caso do da Rua do Comércio– Centro de Maceió, está inserido na ZEP-2 e no Setor de
Preservação Rigorosa 1 (SPR-1) desde 1997 através do Decreto n°5.700.

A partir da observação, in loco, após o Projeto de Qualificação das Edificações


realizado pela SEMPLA (2008-2009), observa-se que o projeto, na prática, não foi
realizado. Nota-se que os exemplares arquitetônicos locados na Rua do Comércio
encontram-se encobertos pelos anúncios publicitários parcial ou totalmente, interferindo
na visualização dos imóveis e seus elementos.

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Os anúncios, na maioria, são fixados defronte às edificações da via supracitada e
servem para identificar os estabelecimentos e camuflar os condensadores de ar
condicionado que são postos na fachada frontal dos estabelecimentos. Em todos os
trechos da via, em questão. Além disso, grande parte das edificações possui dois
anúncios publicitários por estabelecimento sendo um paralelo e outro perpendicular ao
imóvel, configurando a irregularidade conforme o que a legislação n° 4.545/1996
estabelece. Consta na própria legislação que para cada ponto comercial localizado na
ZEP é permitido apenas um veículo de divulgação sendo ele perpendicular ou paralelo;
exceto os imóveis de esquina que podem conter dois anúncios. Em alguns casos
verificados em campo, perceberam-se fachadas contendo até três publicidades em um
mesmo imóvel.

Essa situação acarreta não apenas o agravamento da poluição visual na paisagem


urbana, mas, como também mascara o patrimônio cultural (arquitetônico) que todos os
cidadãos alagoanos têm o direito de contemplar e observar.

No entanto, como constatado durante as visitas realizadas na artéria, Rua do


Comércio, a modificação nas fachadas não se delimita à inserção de engenhos
publicitários, mas como nas adequações decorrentes de atualizações estilísticas
vigentes como abertura de porta larga no pavimento térreo, marquises, alteração no
número de vãos, adesão de novas esquadrias e a utilização da porta meia cana para
fechamento, criando lojas com arquitetura arrojada e vitrines mais elaboradas,
incorporando uma nova linguagem arquitetônica. Em casos mais graves, observa-se que
os empresários e/ou proprietários não alteram apenas a volumetria do imóvel como
também são demolidos para a construção de um novo imóvel.

Outro fator que agrava a situação é que alguns dos imóveis dessa artéria são
alugados, isto interfere na conservação e preservação do patrimônio tendo em vista que
como os inquilinos dos imóveis não são proprietários. Eles não têm interesse em
preservar. Apenas têm o objetivo de utilizar-se do imóvel para atender as necessidades
logísticas, acarretado a isso a publicidade. Nesse processo, atuam como um fator
determinante para identificar o estabelecimento, tornando-o como primeiro plano e,
posteriormente, as fachadas do patrimônio cultural em segundo.

Nesse caso, a arquitetura passa a ser vista como “representação da construção”


(PEIXOTO, 1990, p.361) e não como uma construção. Ou seja, o edifício passa a ser
função de comunicação para a publicidade. Diante das necessidades e tendências do
uso comercial, verifica-se que não há nenhuma relação de pertencimento com as
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edificações e seus significados para com a cidade. Por isso, o que teria de ser
preservado sofre um processo contrário. O descaso por parte dos proprietários/inquilinos
que optam pela destruição das construções se destruam ao decorrer do tempo, do que
realizar os reparos e reformas precisas. E não se deparam com a importância de deter o
descaso de um patrimônio de relevância para a arquitetura e história alagoana.

Por esses motivos é que existem imóveis fechados, em arruinamento, na Rua


anteriormente mencionada. Essa situação é evidenciada em toda a Rua do Comércio,
gerando assim, uma divergência entre a política de preservação do patrimônio edificado
contida na normativa n° 4.545/1996.

No que diz respeito à legislação para conter essa situação, observa-se que a
normativa específica n° 4.545/1996 não é cumprida pelos proprietários. No entanto,
apesar de estar vigente há vinte anos, vê-se crescente uma descaracterização dos
imóveis localizados no eixo comercial Rua do Comércio que fazem reformulações,
aplicação de anúncios, colocação de elementos na fachada inadequadamente, sem que
exista qualquer consentimento por parte da gestão pública SEDET.

Analisando, com atenção a referida Lei, encontraram-se várias falhas. Uma delas é
que o aporte normativo n° 4.545/1996 não contém nenhum meio punitivo para os
infratores sendo tal situação uma falha gravíssima. Assim se entendeu, já que não existe
uma conscientização preservacionista inata nem ensinada à população. Uma aplicação
de multa seria um recurso viável para preservar o patrimônio, tendo em vista que se o
cidadão não sofre nenhuma punição em realizar determinada intervenção indevida no
patrimônio edificado protegido e não é punido por lei. A tendência é sempre repetir, já
que, a rigor, não foi sequer cobrado no “bolso” com uma sifra vultosa.

Mas, detectou-se, também, que, além dessa legislação, atua na cidade de Maceió o
Código de Posturas de 1985 e a Lei 4.954/2000 gerindo o espaço público e as
edificações referentes à publicidade. Porém, somente a Lei 4.954/2000 cita no artigo 52
prevalece para a ZEP as normas já regulamentadas. Todavia, não salienta qual o
arcabouço legal deve ser seguido para a fiscalização direcionada aos centros históricos.
O modo como está redigido a normativa não especifica, de forma clara, o que
compreende e quais são a ZEP, nem qual é a legislação municipal que as rege.

Tal situação prejudica a efetividade da lei e o desconhecimento da Legislação