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FICHAMENTO DE CITAÇÕES

MORAN, José Manuel. Ensino e aprendizagem inovadores com


tecnologias audiovisuais e telemáticas. In: BEHRENS, Marilda Aparecida;
MASETTO, Marcos T; MORAN, José Manuel. Novas tecnologias e mediação
pedagógica. 15 ed. Campinas, SP: Papirus, 2009. p.11-65

Como em outras épocas, há uma expectativa de que as novas tecnologias nos


trarão soluções rápidas para o ensino. Sem dúvida as tecnologias nos
permitem ampliar o conceito de aula, de espaço e tempo, de comunicação
audiovisual, e estabelecer pontes novas entre o presencial e o virtual, entre o
estar juntos e o estarmos conectados a distância. Mas se ensinar dependesse
só de tecnologias já teríamos achado as melhores soluções há muito tempo.
Elas são importantes, mas não resolvem as questões de fundo. Ensinar e
aprender são os desafios maiores que enfrentamos em todas as épocas e
particularmente agora em que estamos pressionados pela transição do modelo
de gestão industrial para o da informação e do conhecimento. (p.12)

Na educação o foco, além de ensinar, é ajudar a integrar ensino e vida,


conhecimento e ética, reflexão e ação, a ter uma visão de totalidade. Educar é
ajudar a integrar todas as dimensões da vida, a encontrar nosso caminho
intelectual, emocional, profissional, que nos realize e que contribua para
modificar a sociedade que temos. (p.12)

Educar é colaborar para que os professores e alunos – nas escolas e


organizações – transformem suas vidas em processos permanentes de
aprendizagem. É ajudar os alunos na construção da sua identidade, do seu
caminho pessoal e profissional – do seu projeto de vida, no desenvolvimento
das habilidades de compreensão, emoção e comunicação que lhes permitam
encontrar seus espaços pessoais, sociais e profissionais e tornar-se cidadãos
realizados e produtivos. (p.13)
Ensinar é um processo social (inserido em cada cultura, com suas normas,
tradições e leis), mas também é um processo profundamente pessoal: cada um
de nós desenvolve um estilo, seu caminho, dentro do que está previsto para a
maioria. A sociedade ensina. As instituições aprendem e ensinam. Os
professores aprendem e ensinam. Sua personalidade e sua competência
ajudam mais ou menos. Ensinar depende também de o aluno querer aprender
e estar apto a aprender em determinado nível (depende da maturidade, da
motivação e da competência adquiridas). (p.13)
Nosso desafio maior é caminhar para um ensino e uma educação de
qualidade, que integre todas as dimensões do ser humano. Para isso
precisamos de pessoas que façam essa integração em si mesmas no que
concerne aos aspectos sensorial, intelectual, emocional, ético e tecnológico,
que transitem de forma fácil entre o pessoal e o social, que expressem nas
suas palavras e ações que estão sempre evoluindo, mudando, avançando.
(p.15)
[...] somente podemos educar para a autonomia, para a liberdade com
processos fundamentalmente participativos, interativos, libertadores, que
respeitem as diferenças, que incentivem, que apoiem, orientados por pessoas
e organizações livres. (p.16)
O conhecimento não é fragmentado mas interdependente, interligado,
intersensorial. Conhecer significa compreender todas as dimensões da
realidade, captar e expressar essa totalidade de forma cada vez mais ampla e
integral. Conhecemos mais e melhor conectando, juntando, relacionando,
acessando o nosso objeto de todos os pontos de vista, por todos os caminhos,
integrando-os da forma mais rica possível. (p.18)
Na sociedade atual, em virtude da rapidez com que temos que enfrentar
situações diferentes a cada momento, cada vez utilizamos mais o
processamento multimídico. Por sua vez, os meios de comunicação,
principalmente a televisão, utilizam a narrativa com várias linguagens
superpostas, que nos acostuma, desde pequenos, a valorizar essa forma de
lidar com a informação, atraente, rápida, sintética, o que traz consequências
para a capacidade de compreender temais mais abstratos de longa duração e
de menos envolvimento sensorial. (p.20)
Quanto mais mergulhamos na sociedade da informação, mais rápidas são as
demandas por respostas instantâneas. As pessoas, principalmente as crianças
e os jovens, não apreciam a demora, querem resultados imediatos. Adoram as
pesquisas síncronas, as que acontecem em tempo real e que oferecem
respostas quase instantâneas. (p.20)
[...] cada vez são mais difundidas as formas de informação multimídia ou
hipertextual e menos a lógico-sequencial. As crianças e os jovens estão
totalmente sintonizados com a multimídia e quando lidam com texto fazem-no
mais facilmente com o texto conectado através de links, de palavras-chave, o
hipertexto. (p.21)
Não podemos permanecer em uma ou em outra forma de lidar com a
informação: podemos utilizar todas em diversos momentos, mas provavelmente
teremos maior repercussão se começarmos pela multimídia, passarmos para a
hipertextual e, em estágios mais avançados, concentrarmo-nos na lógico-
sequencial. (p.21)
Tornamo-nos cada vez mais dependentes do sensorial. Isso é interessante,
mas muitos não partem do sensorial para vôos mais ricos, abertos, inovadores.
Muitos se deixam seduzir pelo atrativo de poder tocar, sentir, ver, ouvir. Uma
das tarefas principais da educação é ajudar a desenvolver tanto o
conhecimento de resposta imediata como o de longo prazo; tanto o que está
ligado a múltiplos estímulos sensoriais como o que caminha em ritmos mais
lentos, que exige pesquisa mais detalhada, e tem de passar por decantação,
revisão, reformulação. Muitos dados, muita informação não significam
necessariamente mais e melhor conhecimento. O conhecimento torna-se
produtivo se o integrarmos em uma visão ética pessoal, transformando-o em
sabedoria, em saber pensar para agir melhor. (p.22)
Um dos grandes desafios para o educador é ajudar a tornar a informação
significativa, a escolher as informações verdadeiramente importantes entre
tantas possibilidades, a compreendê-las de forma cada vez mais abrangente e
profunda e torná-las parte do nosso referencial. (p.23)
Aprendemos melhor quando vivenciamos, experimentamos, sentimos.
Aprendemos quando relacionamos, estabelecemos vínculos, laços entre o que
estava solto, caótico, disperso, integrando-o em um novo contexto, dando-lhe
significado, encontrando um novo sentido. (p.23)
Aprendemos mais quando estabelecemos pontes entre a reflexão e a ação,
entre a experiência e a conceituação, entre a teoria e a prática; quando ambas
se alimentam mutuamente. (p.23)
Aprendemos quando interagimos com os outros e o mundo e depois, quando
interiorizamos, quando nos voltamos para dentro, fazendo nossa própria
síntese, nosso reencontro do mundo exterior com a nossa reelaboração
pessoal. (p.23)
Aprendemos pelo prazer, porque gostamos do assunto, de uma mídia, de uma
pessoa. O jogo, o ambiente agradável, o estímulo positivo podem facilitar a
aprendizagem. (p.24)
O conhecimento depende significativamente de como cada um processa as
suas experiências quando criança, principalmente no campo emocional. Se a
criança sente-se apoiada, incentivada, ela explorará novas situações, novos
limites, expor-se-á a novas buscas. Se, pelo contrário, sente-se rejeitada,
rebaixada, poderá agir com medo, com rigidez, fechando-se defensivamente
diante do mundo, não explorando novas situações. (p.26)
A aquisição da informação, dos dados, dependerá cada vez menos do
professor. As tecnologias podem trazer, hoje, dados, imagens, resumos de
forma rápida e atraente. O papel do professor – o papel principal – é ajudar o
aluno a interpretar esses dados, a relacioná-los, a contextualizá-los. (p.30)
Moran (2009, p.31) afirma que para ser um bom educador, algumas ações
pedagógicas podem fazer a diferença, tais como: integrar tecnologias,
metodologias, atividades. Integrar texto escrito, comunicação oral, escrita,
hipertextual, multimídia. Aproximar as mídias, as atividades, possibilitando que
transitem facilmente de um meio para o outro, de um formato para o outro.
Experimentar as mesmas atividades em diversas mídias. Trazer o universo do
audiovisual para dentro da escola.
O professor tem um grande leque de opções metodológicas, de possibilidades
de organizar sua comunicação com os alunos, de introduzir um tema, de
trabalhar com os alunos presencial e virtualmente, de avalia-los. (p.32)
Cada docente pode encontrar sua forma mais adequada de integrar as várias
tecnologias e os muitos procedimentos metodológicos. Mas também é
importante que amplie, que aprenda a dominar as formas de comunicação
interpessoal/grupal e as de comunicação audiovisual/telemática. (p.32)
Não se trata de dar receitas, porque as situações são muito diversificadas. É
importante que cada docente encontre sua maneira de sentir-se bem,
comunicar-se bem, ensinar bem, ajudar os alunos a aprender melhor. É
importante diversificar as formas de dar aula, de realizar atividades, de avaliar.
(p.32)
A educação escolar precisa compreender e incorporar mais novas linguagens,
desvendar os seus códigos, dominar as possibilidades de expressão e as
possíveis manipulações. É importante educar para usos democráticos, mais
progressistas e participativos das tecnologias, que facilitem a evolução dos
indivíduos. (p.36)