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LÓGICA

• Lógica – sentido comum = conduta lógica,


comportamento regido pelo bom senso
• Sentido originário = “palavra”, “expressão”,
“pensamento”, “conceito”, “discurso”,
“razão” (grego=logos)
• Ilógico – contrário de razoável, absurdo,
inaceitável
• Histórico – Aristóteles (séc. IV a . C.) =
instrumento, método, ferramenta, caminho
rigoroso por onde percorre o filósofo. A
lógica estuda a forma do pensamento
(raciocínio) e não o seu conteúdo 1
• Até séc. XIX: apesar das críticas, a lógica
aristotélica permanece inalterada
• Idade Moderna: busca de um novo
método que possibilite a invenção e a
descoberta, não se restringindo à
demonstração do já sabido.
• Também a física moderna exigia um
instrumento diferente da lógica formal.
Surgem Descartes (geometria analítica) e
Leibniz (cálculo infinitesimal). Bacon se
opõe à lógica aristotélica.

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• Lógica matemática ou simbólica: visa
superar as dificuldades e ambigüidades
de qualquer língua. Para tanto, criou-se
uma linguagem simbólica artificial: letras
(p, q, r, p1, q1, r1 etc) para indicar as
proposições e sinais para designar os
conectivos:
não
ou
e
implica ou “se...então”
logo
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• Exemplo:
O país está em guerra ou a situação
externa é calma
O país não está em guerra
Logo, a situação externa é calma

Simbolizando, temos:
p q
p
q

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Conceitos básicos:
• Raciocínio – sequência de
pensamentos ou sentenças
• Inferência – processo pelo qual se
alcança uma conclusão. A lógica
examina a sua forma para justificá-la
(se é correta ou não)
• Argumentação – é a representação
lógica, discursiva do raciocínio
• Conceito ou termo – é uma entidade
abstrata, ideal (Ex.: homem)
• Juízo – descrevem fatos, estado de
coisas, situações (ex.: a neve é branca)
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• Proposição – é a representação
lógica do juízo
• Silogismo – é a ligação de dois
termos por meio de um terceiro.
• Premissas – proposições que
antecedem à conclusão
• Ex:
P1: Todo maranhense é brasileiro
P2: João é maranhense P1: Todos os cariocas são
C: Logo, João é brasileiro brasileiros
P2: Todos os mineiros são
brasileiros
C: Todos os cearenses são
brasileiros 6
PRINCÍPIOS DA LÓGICA FORMAL
1. Identidade = todo objeto é igual a si mesmo ( o que é, é)
Todo X é X
2. Não Contradição = uma sentença não pode ser,
simultaneamente, verdadeira e falsa
X é falso ou X é verdadeiro
3. Tríplice Identidade = se duas coisas são idênticas a uma
terceira, são idênticas entre si
Se X é semelhante a Y
Se Z é semelhante a Y
Então, X é semelhante a Z
4. Exclusão do Terceiro Termo = é a aplicação do princípio
de Não Contradição: ou uma coisa é ou não é, visto que
não há um terceiro termo. Uma conclusão é verdadeira
ou falsa, não havendo uma terceira possibilidade
Ou X é semelhante a Y ou não é
Ou Z é semelhante a Y ou não é
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ARGUMENTAÇÃO LÓGICA: DEDUÇÃO E
INDUÇÃO
• “Argumento é a construção
intelectual, que segue uma ordem
própria, servindo-se de materiais
conceituais dados pelas diversas
experiências humanas. Argumentar
é estruturar estes materiais. A
estruturação destes materiais é que
torna possível diferenciar um
argumento logicamente válido ou
correto de uma falácia ou
sofisma”(BASTOS, 1998, p. 37)
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TIPOS DE ARGUMENTAÇÃO LÓGICA:
DEDUÇÃO E INDUÇÃO

1. Dedução = infere-se uma conclusão a partir de


premissas. Parte de princípios gerais para chegar
a uma conclusão particular.
X=Y P1=Todos os homens são mortais
Y=Z P2=João é homem
Logo, X = Z C= Logo, João é mortal
Neste exemplo, Y é o termo médio que faz a
ligação entre X e Z, de modo que a conclusão se
torne necessária, isto é, tem que ser esta e não
outra. O conteúdo da conclusão não excede o
conteúdo das premissas.
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2. Indução = parte-se de dados particulares
suficientemente enumerados, para inferir
uma proposição geral. O conteúdo da
conclusão excede o das premissas. “ Ou
seja, enquanto a conclusão da dedução está
contida nas premissas, e retira daí a sua
validade, a conclusão da indução tem
apenas probabilidade de ser correta” (ARANHA,
2000, p.81).

O cobre é condutor de eletricidade


O ouro é condutor de eletricidade
O zinco é condutor de eletricidade
O ferro, a prata também...
Logo, todos os metais são condutores de
eletricidade
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TIPOS DE INDUÇÃO:
1. Por semelhança ou analogia = é uma
indução parcial ou imperfeita. Parte-se
de fatos singulares para inferir um
outro caso singular, a partir da
comparação entre objetos que, embora
diferentes, apresentam algumas
semelhanças. “Critério de julgamento
baseia-se na expectativa que a
experiência anterior lhe projeta” (BASTOS,
1998, p.39). Fonte de muitos equívocos.

Ex: Automedicação
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2. Por enumeração completa suficiente =
enumerar todas as partes de um todo
(=tautologia: vício de linguagem; erro
lógico que consiste em demonstrar uma
tese repetindo-a com palavras
diferentes).
Ex.:
Primavera, outono, inverno e verão são estações do ano
Primavera, outono, inverno e verão se intercalam a cada
3 meses
Logo, as estações do ano se intercalam a cada 3 meses

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2. Por enumeração incompleta insuficiente = as
partes enumeradas não são representativas.
Também chamada de estatística insuficiente.
Origina o sofisma generalização apressada.
3. Por enumeração incompleta mas suficiente = a
amostragem é significativa, existindo um
número suficiente de casos que permitam a
passagem do particular para o geral.
Ex.: pesquisas eleitorais/controle de qualidade de
produção.
4. Argumento de autoridade = indução baseada
em afirmação de pessoas que respeitamos.
Raciocínio passível de enganos.
Ex: médico, escritor etc.
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Exercícios
1. Identificar e justificar (mencionando o tipo)
se os argumentos abaixo indicados são: falácia, indução ou
dedução.
a) Esta ação é injusta porque é condenável
é condenável porque é injusta.
a) Como todo professor, você deveria saber um pouco de
psicologia.
b) O caiçara disse que não vai pescar porque as nuvens
estão baixas e escuras, a água com azul embaçado e o
horizonte um pouco prateado; e isto significa que vai
chover.
c) A filosofia de Francis Bacon foi desconsiderada, visto
que o mesmo cometeu atos de desonestidade quando
foi Chanceler da Inglaterra.
d) Depois de ter feito várias experiências com fígado de
macaco, Claude Bernard concluiu que o fígado tem uma
função glicogênica.
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