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[Contribuição de Sebastião Verly"]

Bordados e rendas
Como sempre faço, pedi às pessoas amigas sugestões de temas que despertem
lembranças nas memórias dos idosos do NAM para as palestras de todas as quinta feiras.
Minha sobrinha Vera Campos, pós-doutora em Odontologia orientadora das
doutorandas na Universidade do Rio de Janeiro. que já dera sugestões de “cantigas de roda”,
“serenatas”, “mensagens espirituais” e outras, mais uma vez, me deu atenção, oferecendo-me
ideia e dicas de pontos de bordados à mão e visitou comigo a Feira de Artesanato da Avenida
Afonso Pena, em Belo Horizonte para me mostrar alguns exemplos. Contou-me de enxovais
lindamente bordados, os quais até mesmo crianças de famílias pobres conquistavam de
madrinhas queridas e ainda.
Noutra oportunidade, complementaremos com palestras sobre tecidos e tecelagem,
costura, cochet, tricot e tapeçaria, pontos e matizes.
O bordado é um modo de decorar tecidos a partir de desenhos e artes, no geral, feitos
com diferentes tipos de agulhas linhas e fitas e, como quase todos os aspectos no nosso
cotidiano, tem origem na cultura europeia, indígena e africana e com múltiplas origens e em
diferentes momentos históricos como resultado do fluxo migratório de outros grupos humanos.
O manuseio de fios ou fibras se apresenta como uma constante na história da
humanidade. Os trabalhos de agulha (bordados e retículas) remontam a um passado remoto.
Existem, no antigo testamento, algumas passagens que descrevem o comércio de bordados e
outros produtos têxteis entre o oriente e o ocidente. os bordados, que utilizavam o tecido
pronto como base para uma série de adornos elaborados com diferentes tipos de técnicas e
linhas.
Entre os mitos mais conhecidos podemos citar o de Aracne, de origem grega. Aracne
era uma jovem muito habilidosa como bordadeira e seus trabalhos eram admirados por todos.
Tantos elogios levaram-na a se comparar à Atena, deusa da sabedoria, da inteligência e do
ofício. Esse fato logo chegou aos ouvidos da deusa, que considerou tal ato de extrema
petulância e resolveu desafiar Aracne em uma competição de bordados. Ambos os tapetes
ficaram tão belos e majestosos, que a competição terminou empatada. Atena ficou furiosa com
o resultado e transformou Aracne em uma aranha, condenando-a a tecer eternamente.
As artes em fios e tecidos foram desenvolvida para que as moças casadoiras tivessem
um requinte a mais e encantassem seus pretendentes com mais esta prenda de família.
Com o tempo, as habilidades se estenderam às amas e às empregadas e ganhou
terreno no meio do povo.
Fiar, tecer, bordar, fazer renda, tapetes, crochet e tricot passou a fazer parte do trabalho
de muita gente para ganhar dinheiro e até para agradar pessoas da família e da relação de
amizade.
Enxovais de batizados, primeira comunhão e completo de casamento. E as meinhas de
meninas, com bordados delicados e encantadores.
A roca de fiar, logo logo passou a ser apenas objeto de decoração. Os teares manuais,
praticamente despareceram. Talvez, exista em museus e acredito que em alguma exposição em
Fortaleza no Ceará.
O que define o tipo de bordado é técnica utilizada por meio de uma forma de ponto no
tecido. E assim como as linhas e as agulhas, os modelos de ponto também são bem
diversificados. Quem realiza trabalhos de bordados ou borda por hobby conhece as
peculiaridades dos principais pontos de bordado.
No século XX, tornou-se possível a reprodução mecânica de quase todos os tipos de
bordados, A tecnologia ciou cópias bem parecidas com a arte das mãos habilidosas de
bordadeiras, crocheteiras, tricoteiras, rendeiras e tapeceiras. Mas não chega nem aos pés da
arte de peças únicas e exclusivas de mulheres simples artistas do meio do povo com seus
delicados fios trançados tão valorizados pela moda romântica, artesanal e vintage.
No dia 23 de Janeiro de 2018, em manifestação pelo direito de Lula se candidatar,
conheci as mulheres da LINHAS DO HORIZONTE, um grupo de esquerda que borda política para
resistir ao golpe do impeachment que implantou o estado de exceção no Brasil. O grupo apoia e
homenageia pessoas, entidades ou causas que estejam sob ataques covardes e fascistas. Fiquei
fascinado com o trabalho deste coletivo de mulheres.
Elas já ofereceram colchas, lindamente bordadas, ao Chico Buarque e ao José Dirceu,
em momentos oportunos.
As atividades de bordar e a de fazer rendas estão ligadas ao domínio feminino e essa
imagem se encontra presente no imaginário de diversos povos.
Apesar da crença de que bordado é coisa para mulheres velhinhas, praticamente todos
nós um dia fomos tentados a fazer, pelo menos, o ponto cruz. No século XX, a tecnologia
tornou possível a reprodução mecânica de quase todos os tipos de bordados, bem parecidos
com a arte das mãos habilidosas de bordadeiras e rendeiras mas não chega nem aos pés da
arte de peças únicas e exclusivas de mulheres simples artistas do meio do povo.
O Dia do Artesão no Centro de Arte Popular – Cemig, apresentou mostra na Exposição
de Bordado Original com um acervo de aproximadamente 100 tipos de bordados produzidos
por mulheres de comunidades e núcleos artísticos de diversos territórios.
Em conversa com o sociólogo Frederico Maia, ele me sugeriu pesquisar sobre O GRUPO
MATIZES DUMONT formado por integrantes de uma família de Pirapora, Minas Gerais, que se
dedica há mais de trinta anos às artes visuais e gráficas e ao desenvolvimento humano. Usam o
bordado espontâneo, feito a mão, como linguagem artística e instrumento de transformação
social e cultural. temas relacionados as águas, as florestas, as lembranças da infância na
fazenda, as danças e a cultura brasileira de um modo geral como uma das formas de contribuir
com a arte no Brasil e no mundo!
Com o passar do tempo, os bordados se aperfeiçoaram e se sofisticaram. Certos
gêneros caíram em desuso. Por outro lado ocorreu um fenômeno de revalorização dos
bordados manuais, à branco ou de aplicações complementares, que se tornaram símbolos de
alto nível social. Até a década de 1960, inclusive, era costume bem amplo o uso de peças
bordadas em branco sobre branco: lençóis, toalhas de mesa e lenços.
O bordado da ilha da Madeira, executado em fio azul bem claro sobre tecido branco,
durante muitas décadas fazia parte do enxoval dos bebês.
Nesta palestra, apresentamos os tipos principais empregos dos bordados, tecidos mais
usados, materiais necessários e as figuras mais comuns, lembrando que para cada ponto exige-
se materiais, agulhas e apoios específicos.
É uma beleza bordar desenhos de pessoas, animais, flores, objetos, casas, carros, letras e
muito mais em enxovais de casamentos e batizados, toalhas, colchas, lençóis, fronhas, toalhas
de mesa, panos de prato; roupas, vestidos, blusas, camisolas, pijamas, lenços e meias, fraldas,
tapetes, capas de almofadas;. Empregam-se as linhas meadas finas e delicadas como a Cléa e
mais grossas como a Anne; bastidores quadrados retangulares e circulares, agulhas comuns ou
especiais e papel com os desenhos desejados. Jandira que Nasceu em Monte Azul, MG, no
domingo 28 de março de 1926, às 5 horas da manhã. Ela não fala idade, mas v. pode fazer
contas e chegar a 92.
Com a mente lúcida ela conta de sua vida, casada com um pracinha da FEB, teve duas
lindas filhas, Jane e Denise e já tem um bisneto.
Mas, o que mais me chamou a atenção foi a renda que ela fazia e que sua filha
ficou de trazer para os demais conhecerem: Nhanduti.
Minha mãe fala sempre como renda mais linda do mundo.
O Brasil já teve e ainda em muitas artistas neste campo dos tecidos. Em Pompéu,
temos a menina que vi nascer e crescer, a Lindalva Maciel Rocha que nos presenteia com os
bordados mais criativos e encantadores. Nos anos 1950, na cidade de Pompéu, quando uma
moça tinha a mão dada a um pretendente, juntavam-se bordadeiras e costureiras para fazer o
mais lindo enxoval. Ainda nos anos 90, a esposa de meu irmão, A Terezinha Moreira Campos,
fazia conjuntos de cama e mesa com os bordados mais bonitos do mundo, como as
personagens de Mauricio Souza. .
Parei para pensar. Outros países que me perdoem, pela distinção da cultura
brasileira em têxteis, fios coloridos e tramas artísticas. A Ilha da Madeira considere-se
homenageada pela língua comum, e bordados igualmente lindos.
Pontos mais usados:
1- Ponto cruz é um dos mais conhecidos e fica muito delicado e cheio de detalhes. Os
pontos são bem fechados, por isso, é preciso bastante cuidado e delicadeza na hora de bordar.
A folha com o desenho imprescindível principalmente para os iniciantes deve ser posta embaixo
de tecido pode ser feita livremente ou adquirida nas casas que vendem as linhas.
2- Ponto Russo é um dos mais fáceis de fazer e dá para bordar todo tipo de desenho
feitos livremente ou moldes comprados em casas de costura ou até mesmo pela internet.
3- Vagonite/Iugoslavo: De linha Bem diferente da técnica do bordado livre com ponto
russo, o vagonite de linha permite formas mais retas, simétricas e simples, como desenhos
geométricos, por exemplo. A simplicidade faz com que essa técnica seja a favorita de iniciantes.
Pode ser em tecidos específicos para tal, mas também é viável fazer os bordados em outras
variações de panos. O vagonite de linha é bastante usado para dar acabamento delicado e fino
em toalhas de banho, roupas e roupões, toalhas de mesa;
4- Vagonite de fita como o próprio nome já adianta, o vagonite de fitas utiliza materiais
feitos de fitinhas finas para compor o bordado, mas pode criar também artes a partir de fitas
grossas. O destaque é que o bordado de fita em vagonite fica em alto relevo. O material
preciso para fazer esse acabamento, além de fitas, é agulha, tecido próprio de vagonite e
também gráficos que servem como base para os desenhos.
5- Bordado com Fita - fitinhas finas ou grossas – é uma técnica é bem diferenciada, fácil
de fazer. Precisa-se de linhas de bordado de fita, As cores e tonalidades completamente
diversas fazem com que seja viável criar peças bem diferentes e coloridas.
6- Ponto de Cetim feito direto no tecido ou ainda criar formas de desenhos na fita
usando alfinetes para depois apenas costurar o bordado no tecido com fitas de cetim fininhas,
médias ou grossas em partes da peça a fim de construir composições bem delicadas.
Outros pontos do bordado feito à mão: vazados, livres, cheios, retos, de nó, de
contorno, de entremeio, de cadeia, de cobertura ajours e compostos, palestina, bainha, , filé,
rococó, de contornos, vagonite, chatos, de laçada, haste, alinhavo, atrás, pequinês, de amarra,
cordoné, partido, matiz, de folha, pétala, renascença, treliça, de feixe, de areia, tela de aranha,
entrelaçado, cruz maltesa, ajour, pé de galinha, russo e richelieu Biquinhos em Ponto de Nó,
Fios Estendidos presos por pontinhos, Coberturas de Elos de Ponto, em Forma de Casa de
Abelha, em Forma de Mosaico, em Forma de Onda, Cobertura em Pontos de Feixes, em Teia
de Aranha, Cruz Malteza, Entremeio em Ponto de Roseta, de Casear, Gross Point Tramado,
Ilhose, Meio Ponto Turco, Nozinhos Franceses, Petit Point ou Ponto Oblíquo, Palitos, de
Areia, de Ponto de Casear, de Cadeia, de Cerzir ou Gênova, Ponto Apanhado, Rumeno, Ponto
Ponto Atado, Sombra, Coral, Punção, Quadrilátero, Triangular Ziguezague, Ponto Repôlego
ou de Amarra, Ponto Tijolo, Arraiolos, Vandyke, ...
E também as Barras: Enroladas, Cerzidas, Diagonal, Entrelaçada, de Listras Tecidas,
Ponto Português, Suspensa e Ponto Cadeia, ...
Os bordados sobre fundos claros, em tecidos como tule ou musselina, constituem a
primeira tentativa de dar maior leveza e transparência aos trabalhos de agulha. Em seguida,
passou-se a cortar pedaços do fundo (tecido), entre os motivos bordados, constituindo os
pontos denominados point coupé, punto tagliato ou o 'ponto cortado' característicos do
bordado aberto. A partir desse processo, de recortar o tecido que serve de base para o
bordado, desenvolveu-se a técnica do desfiado. Nela, ao invés de se cortar o tecido, retiravam-
se dele determinados fios, conservando apenas aqueles necessários à sustentação do bordado.
Desde então, surgiram diversas modalidades de retirada de fios, dentre as quais, as mais
conhecidas no Brasil são: o labirinto e o crivo.
...
Pela afinidade, especialmente por serem feitas à mão, incluímos as rendas de agulha e de
bilros:
A origem da renda, tanto a “de agulha” como a “de bilros”, tem sido motivo de disputa
entre artistas e autores de diferentes nacionalidades. Há alusões a focos de criação da renda
por toda a Europa e para além dela. A referência histórica mais antiga que se conhece, às
rendas de bilros, está num documento de partilha, feita em Milão, de duas irmãs, em 1493,
onde se fala no italiano da época, em uma binda lavorata a poncto de doii fuxi per uno lenzolo,
“uma faixa trabalhada a ponto de doze bilros para bordar um lencol”
Veneza foi o berço da renda de agulha.
A criação à renda de bilro ocorreu em Flandres como “prova” um quadro de Quentin
Mesisys, de 1495, que retrata uma jovem fazendo rendas em uma almofada semelhante àquelas
utilizadas na Bélgica.
A renda difundiu logo por toda Europa. No início do século XVI, o contexto italiano de
centro comercial e cultural, favoreceu para que essa nova técnica se propagasse para além do
continente europeu. Ramos ressalta que além dos negociantes e comerciantes, muitos artistas
belgas iam à Itália estudar pintura e dessa maneira, a renda teria chegado rapidamente à
Bélgica. Em 1533 Catarina de Médicis, filha do duque de Florença, casou-se com Henrique II,
levou consigo para a França um artista já célebre na Itália, Vinciolo, por desenhar os motivos
utilizados pelas bordadeiras e rendeiras. Na França, ele passou a criar modelos de rendas
destinadas a enfeitar grandes golas, perneiras e bustos. Num primeiro período, o uso da renda
era predominantemente masculino: Henrique II fez uso das golas para ocultar uma cicatriz que
tinha no pescoço
A renda foi incorporada como item de diferenciação social e seu uso tornou-se indicativo
de status, distinção e poder. A renda “virou moda” em toda Europa e além da qualidade, a
quantidade de rendas que ornava uma vestimenta estava diretamente relacionada à posição
social de quem a trajava. A gola é um bom exemplo, uma vez que ganhou grandes proporções
que, associado ao seu formado cilíndrico, “praticamente afogavam o pescoço, mal deixando
virar a cabeça”. O exagero e a ostensividade no uso da renda fizeram com que a Igreja lançasse
éditos suntuários, visando coibir tal “abuso”.
Reis e nobres, rainhas e damas, sacerdotes e neófitos, todos utilizaram grandemente a
renda no seu vestuário, quer exterior quer de uso interno, e o produto encareceu, tornando-se
objeto de luxo para os que podiam utilizá-lo. A Revolução Francesa arrefeceu o ardor da moda
e o uso da renda entrou em declínio por ser associada àquilo que então se combatia: o luxo e a
ostentação. Passado esse período voltou a ocupar função de distinção social, e recrudesceu tão
forte ou mais do que antes. Todos se sentiam embelezados com as rendas: punhos, golas,
“colerettes”, “fraises”, peitilhos, blusas, vestidos inteiros enroupavam numa nebulosidade
vaporosa de contos de fada, nas festas fidalgas ao som das valsas vienenses, as silhuetas
delgadas das donzelas, os talhes padronizados dos cavaleiros.
Como resultado do desejo “de quebrar a monotonia do bordado fechado sobre um
fundo compacto de tecido. De maneira gradual, os bordados foram se 'expandindo' para além
do limite do tecido que lhe servia de base e surgiram as beiras serrilhadas. Essas eram
'construídas' sem necessidade de um fundo prévio de tecido (suporte), ou seja, eram feitas 'no
ar'. O “ponto no ar'. era realmente uma coisa inteiramente nova, pois enquanto que os vários
pontos do bordado a jour ainda exigiam um tecido prévio, mesmo que este praticamente
desaparecesse depois de trabalhado nos pontos cortados e fios, tirados, o “ponto no ar”
trabalhava sem nenhum tecido pré existente; era feito, como dizia a expressão, “no ar”, e daí
em diante a renda logrou uma autonomia completa do bordado, distinguindo a rendas de
agulha, rendas especiais, rendas de bilro e rendas diversas. A articulação e o trançado de fios
soltos, característica da renda de bilro também vem da antiguidade, conforme atesta a imagem
de vaso grego – de uma mulher cruzando fios esticados por pesos de chumbo presos à sua
extremidade Em sua caracterização atual, a renda de bilro surgiu juntamente com a renda de
agulha.
Dessa maneira, na Europa entre os séculos XV e XVI nasceu a renda na forma como as
encontramos atualmente.
No primeiro momento, o uso da renda era símbolo de distinção e nobreza. Com o passar
o tempo, fazer renda tornou-se parte da instrução formal apropriada às moças 'de família'
europeias, sendo ensinadas em escolas e conventos de Portugal, Espanha, Alemanha, entre
outros.
No Brasil, a renda desembarcou do Reino juntamente com prendadas senhoras
portuguesas que vinham acompanhando seus maridos, mas se difundiu de maneira específica.
1- Renda chantilly É um bordado em cima de um tule bem fininho e geralmente tem
um pouco de elasticidade. Pode chegar a valores astronômicos. É uma das mais nobres e
conhecidas é um misto de viscose e poliamida, o que a deixa com um caimento incrível e um
toque aveludado.
2- Renda Filé é como se fosse uma versão feminina das redes de pesca feitas pelos
homens e muito usada em saídas de praia, xales e lenços. Preenche os espaços vazados sobre
uma rede. As feitas com fibras naturais, como seda, linho e fios de algodão, são as mais
valiosas.
3- Renda guipir, de origem francesa, é formada por arabescos em ponto túnel, unidos
por finas correntes de fios, com o fundo vazado. Pode ser artesanal ou industrial e, em geral, é
feita de linho, algodão ou qualquer outro fio bem fino. É muito usada em vestidos de noiva e
roupas de festa.
4- Renda Renascença é muito trabalhosa, feita à mão com agulha de costura, é uma
das rendas mais valiosas. Comum em Recife, a Renascença está ainda mais apreciada hoje por
causa da moda artesanal e é exportada para muitos países da Europa, Emirados Árabes,
Estados Unidos e Japão.
5- Renda Richelieu, usada em saídas de praia e mantas, ela lembra um crochê bem
fino. É formada em tela, com formas arredondadas e desenhos delicados, como um bico. O
ponto é feito enrolando a linha na agulha, com um fio passando por dentro e formando
cordões em diferentes volumes.
6- Renda de bilro, originária da Itália, esta renda é muito popular no Nordeste
brasileiro. Totalmente artesanal, é feita com o uso de uma almofada onde as agulhas são
fixadas para guiar a trama, elaborada pelos movimentos dos bilros (pecinhas de madeira presas
aos fios), orientadas pela posição das agulhas. Presença forte na moda e na exportação.
7- Renda Soutache, feita de materiais sintéticos, é uma renda rebordada com o fio
soutache, um fio chato e fino, evidenciando os contornos da renda de baixo. É uma renda em
alto-relevo e, embora cubra apenas pedaços do tecido, tem um caimento pesado. Fica ótima
em detalhes, como golas e punhos.
8- Renda tenerife ou renda sol, também conhecida como nhanduti, é uma dentre as
rendas de trama radial que se aculturaram na América e que adquiriram características próprias
em cada região em que se aculturaram.
Ao longo do processo de difusão, a renda foi aprendida por mulheres de todas as
camadas sociais e, assim, teve seu uso e significado radicalmente alterados. De inicio, permitia a
domesticação feminina, o confinamento da mulher no espaço doméstico.
Tal conhecimento deixou de representar um elemento de status e distinção social
próprio das mulheres das camadas sociais mais elevadas, sendo incorporado pelas demais
mulheres e representando uma possibilidade de obtenção de renda. Dessa maneira, uma
mesma atividade adquire significados e importância distintos em cada situação social na qual se
apresenta. Assim, aquilo que antes era produzido por imposição social, ou por prazer, se inseriu
em outra ordem, na qual tornou-se necessária por outro motivo que não a distinção, mas pelo
dinheiro ao qual dá acesso.