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Projetos Pedagógicos na Educação Infantil Maria Carmen Silveira

Barbosa e Maria da Graça Souza Horn. Porto Alegre: Artmed, 2008.

O livro é uma contribuição para a pedagogia da infância no Brasil, apresenta


de maneira detalhada o trabalho por projetos em uma perspectiva sociocontrutivista
e sociointeracionista. Entende a aprendizagem como uma experiência coletiva e
cooperativa, e percebe o professor como co-criador de saber e de cultura com os
seus educandos.

CAPÍTULO 1 – Era uma vez…

Trajetos e projetos. A vida dos seres humanos é construída por uma


constante elaboração e reelaboração de projetos. O planejamento docente cumpre
três etapas: observação, associação e expressão.

Entende-se que os seres humanos são dotados do desejo de conhecer, de


aprender, afinal existem dúvidas e necessidades, que os levam constantemente a
enfrentar problemas de ordem teórica ou prática, procurando a partir dessas, a
construção de respostas e explicações válidas.

John Dewey levantava os seguintes princípios fundamentais para a


elaboração de projetos na escola:

- Princípio da intenção – toda ação para ser significativa precisa ser


compreendida e desejada pelos sujeitos deve ter um significado vital, isto é, deve
corresponder a um fim, ser intencional, proposital.

- Princípio da situação problema – o pensamento surge de uma situação


problemática que exige analisar a dificuldade, formular soluções e estabelecer
conexões, constituindo um ato de pensamento completo.

-Princípio da ação – a aprendizagem é realizada singularmente e implica a


razão, a emoção e a sensibilidade, propondo transformação no perceber, sentir, agir,
pensar.
- Princípio da real experiência anterior – as experiências passadas formam a
base na qual se assentam as novas.

- Princípio da investigação científica – a pesquisa se constrói a partir da


ciência.

- Princípio da integração a diferenciação – e preciso partir de situações


fragmentadas e construir relações.

- Princípio da prova final – observar se houve aprendizagem e se algo se


modificou no final do projeto.

- Princípio da eficácia social – a escola deve dar oportunidade de


aprendizagem que fortifiquem o comportamento solidário e democrático.

Assim, os projetos pedagógicos ajudam na organização, no tempo e na


proposição das atividades. É importante que os projetos ocorram de acordo com a
realidade socioeconômica e cultural em que se inserem os educandos.

Então, é preciso observar as necessidades das crianças com temas diversos


resolvendo ou amenizando problemas, dificuldades e necessidades.
A aprendizagem ocorre por meio do diálogo e das trocas sociais. Por meio de
assimilação numa sequência repetitiva por meio da descoberta e relações
significativas.

CAPÍTULO 2 – Por que voltar a falar em projetos?

Para tentar resolver os vários problemas que a humanidade constrói como:


pobreza, epidemias, terrorismo, aquecimento global, entre outros. É preciso que
cada vez mais as disciplinas entrem em conexão, compartilhem os seus
conhecimentos, estabeleçam confrontos e compreendam melhor suas tomadas de
decisão.

O socioconstrutivismo por Wallon e Vygostsky, entende que a aprendizagem


nasce com o indivíduo e o ambiente, afirmando que o conhecimento é construído
socialmente, a partir das possibilidades de interações entre os sujeitos e o ambiente
físico e social onde estão inseridos. Não só a escola, mas todo o ambiente ensina; e
aprender significa criar a cultura.
É preciso auxiliar os alunos a interpretar e compreender o mundo que os
circunda e a si mesmo, esse auxílio ocorre ao provocar aprendizagem; é preciso
fazer conexões e relações entre sentimentos, ideias, palavras, gestos e ações.
A inteligência se forma quando o ser humano se vê frente a situações desafiadoras,
enfrentando problemas reais ou abstratos que se formam na dinâmica cotidiana das
relações dos indivíduos com o meio.

As crianças são capazes de criar teoria, interpretações, perguntas, e são co-


protagonistas na construção dos processos de conhecimento.

CAPÍTULO 3 – Mas o que é projetar?

Projetar é a definição do problema, o planejamento do trabalho, a coleta, a


organização e o registro das informações, a avaliação e a comunicação. Projetar é
também introduzir o inédito, um novo desejo em uma história.

Os projetos são feitos exatamente para as crianças aprenderem a estudar, a


pesquisar, a procurar informações, a duvidar, a argumentar, a opinar, a pensar, a
gerenciar as aprendizagens, a refletir coletivamente, e o mais importante, são
elaborados e executados COM as crianças e não para as crianças.

CAPÍTULO 4 – Projetualidade em diferentes tempos: na escola e na sala de


aula

A aprendizagem deve ser marcante para as crianças e também para os


professores. Os projetos ajudam a aprender os diferentes conhecimentos
construídos na historia da humanidade, proporcionando às crianças o aprender
através de múltiplas linguagens.

O calendário de festividade é um importante trabalho, portanto menos datas,


e mais significação, como por exemplo: por que comemorar o Natal? (Nascimento de
Jesus), as crianças acham que o Natal é só para ganhar presente e não sabem o
significado principal.
Para organizar um trabalho pedagógico por meio de projetos é preciso partir
de uma situação, de uma interrogação, de um problema real, de uma questão que
afete ao grupo tanto do ponto de vista socioemocional quanto cognitivo. Várias
perguntas podem ser feitas e para respondê-las serão necessárias às áreas de
conhecimento ou das disciplinas.

O importante para montar o projeto é que o professor dever ter um amplo


conhecimento do tema ou problema. Podendo ser construído aos poucos, junto com
as crianças, por meio de pesquisas, estudos, discussões e assessoria de colegas.
Conforme avançam nas pesquisas, nas atividades que vão sendo construídas as
crianças têm acesso a diferentes áreas do conhecimento.

A projetualidade na sala de aula é ampla, compõe esse contexto as relações


de tempo, de espaço, de interações entre crianças e crianças, crianças e professor,
crianças e comunidade escolar. É importante lembrar que uma mesma turma de
alunos pode desenvolver vários e distintos projetos ao longo do ano e muitos deles
podem acompanhar ou manifestar ao mesmo tempo e que nem todos os projetos
precisam necessariamente ser desenvolvidos por todos os alunos.

CAPÍTULO 5 – Tramando os fios e estruturando os projetos

Todo projeto é um processo criativo para alunos e professores, ajudando e


estabelecendo ricas relações entre ensino e aprendizagem. A pedagogia de projetos
indica uma ação concreta, voluntária e consciente.

- Definindo o problema

A procura do tema ou do problema para um projeto pode surgir das


experiências anteriores das crianças, de projetos que já foram realizados ou que
ainda estejam em andamento e das próprias interrogações que as crianças colocam.

Os professores, os pais e a comunidade também podem propor projetos para


o grupo de crianças.

- Estruturas – Alternativas de projetos


Para a elaboração de um projeto não existe uma única estrutura a ser seguida, nem
tampouco um modelo predeterminado. O mais importante e significante nessa
metodologia é o relatório que vai sendo construindo dia após dia e a documentação
dos novos planos que vão sendo registrados.

CAPÍTULO 6 – Diferenças de Projetos na Creche e na pré-escola

Os projetos podem ser usados nos diferentes níveis de escolaridade.

- Projetos na Creche

Os estudos de Piaget, Wallon e Vygotsky demonstram que as crianças


aprendem desde que nascem. Os projetos devem ser pensados a partir do grupo
real de crianças, suas potencialidades aparentes e experiências significativas
vivenciadas, pois delas podem irradiar novas experiências e situações de ensino.

Em projetos com bebês é fundamental a observação sistemática, da leitura


que o educador realiza do grupo e de cada criança. O professor deve prestar muita
atenção ao modo como as crianças agem e procurar dar significado as suas
manifestações. A partir dessas observações que é possível encontrar os temas, os
problemas, e definir a questão referente aos projetos.

O projeto pode iniciar durante as atividades de exploração dos materiais da


sala. O educador observa, anota dados relevantes - data, criança, espaço, materiais,
canais sensoriais, tipo de jogo e após um período inicial de observação, pode
preparar um projeto. Vídeos e fotos das ações da criança também auxiliam na coleta
de informações sobre o grupo, pois nessa faixa etária (0 a 2 anos) o projeto escrito é
muito mais uma necessidade do educador do que das crianças.

A construção de projetos para crianças pequenas pode ter duração


diferenciada como, por exemplo, uma semana, um ano, alguns meses, etc.

- Projetos na pré-escola

As crianças de 3 a 6 anos, já desenvolveram a oralidade, já têm domínio do


seu próprio corpo, e suas experiências vão aumentando em seu cotidiano. Isso
ajuda na participação ativa para a escolha das temáticas, e consequentemente na
construção do projeto. Essa é uma das diferenças de abordagem com relação ao
trabalho com projetos na creche.
CAPÍTULO 7 – Comunidade de Aprendizagem

Nas escolas quando se trabalha com projetos, aprendem os alunos, os


professores, os funcionários, os pais, as instituições e a sociedade. O caminho de
construção de um projeto é uma forma, um conteúdo de aprendizagem, de
solidariedade, de argumentação, de negociação, de trabalho coletivo e de escolhas.

- O professor na pedagogia de projetos

O papel do professor não é só estar na escola na hora da aula, é ter outro tipo
de presença. É paixão, é encantamento com o mundo e as pessoas. É ligar o mundo
e o conhecimento à vida dos alunos na escola. O papel do professor junto ao grupo
é o de intermediar as ações das crianças e os objetos do conhecimento.

CAPÍTULO 8 – As marcas deixadas no caminho

É importante que todos participem dos projetos elaborando o registro,


acompanhando a construção, deixando marca ao longo do percurso. Os registros
dos fazeres das escolas, dos professores e das crianças da educação infantil são
muito importantes como documentação pedagógica.

- A avaliação na Educação Infantil

O desafio na avaliação da educação infantil é construir uma avaliação


apropriada, autêntica, significativa e dinâmica, baseada no conhecimento de um
grupo de crianças e na experiência real de cada criança particularmente. O ensinar e
o aprender estão ligados no contexto da diversidade social e cultural.

O acompanhamento das aprendizagens é uma forma de verificar o resultado,


o percurso construído pelo grupo e pelo sujeito em seu processo de aprendizagem.
CAPÍTULO 9 – Da avaliação ao acompanhamento

Para podemos acompanhar as crianças precisamos conhecer sua cultura,


como vivem, como é seu cotidiano, etc. O professor deve entender o que está
acontecendo no trabalho pedagógico e o que a criança é capaz de dizer sem
classificá-la.

Alguns instrumentos de planejamento, acompanhamento e registro:

- o diário de campo: caderno de registro do professor, podendo registrar seus


sentimentos sobre o que aconteceu.

- os anedotários: são fichas individuais das crianças, podendo registrar


aspectos afetivos, emocionais e sociais dos relacionamentos, frases, pensamentos,
etc.

CAPÍTULO 10 – Projetos em Reggio Emilia: Pensamento e ação

Na dimensão da Reggio Emilia projetar significa preve r e antecipar ideias. Os


conteúdos são relacionados e determinados por fatos que nascem da própria
experiência do grupo com o objetivo sempre presente de dialogar, de negociar e de
organizar ideias.

O livro deixa bem clara, a importância de se tentar comp reender as crianças e


seus conhecimentos antes de qualquer projeto pedagógico. Para desvendar seus
mistérios e seus pensamentos é fundamental escutá-las, registrar e documentar
suas falas, suas produções e suas brincadeiras.

O projeto deve ter caminhos diversos. É importante que o ponto de partida


seja sempre o diálogo, e aconteça a partir da observação do que eles já sabem
sobre o tema a ser estudado. As aprendizagens nos projetos acontecem a partir de
situações concretas de interações construídas em um processo contínuo e dinâmico.
Para alcançar uma educação de qualidade se faz necessária à construção de uma
proposta pedagógica, sendo esse o documento norteador de todo o trabalho na
escola.