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ESCOLA BÍBLICA – IEQ ARSENAL

Classe: GIDEÃO

O DIABO PODE TOCAR NO CRISTÃO?

“Sabemos que todo aquele que é nascido de Deus não peca; mas o que de Deus é gerado conserva-se a si mesmo, e
o maligno não lhe toca”. (1 João 5:18)

A Bíblia fala a respeito da ação de Satanás como acusador dos filhos de Deus. Ele tem liberdade de rodear a
terra (Jó 1:7; 1 Pe 5:8) e até mesmo de ir à presença de Deus no céu (Jó 1.6; 2.6,7).
No livro de Jó vemos pela primeira vez que Satanás tem acesso aos céus e com permissão de Deus pôde tocar
no servo do Senhor que era o próprio Jó (Jó 1.12).
Mas e no Novo Testamento? E assim da mesma forma? Vejamos:
- O caso do apóstolo Paulo: “E, para que não me exaltasse pela excelência das revelações, foi-me dado um
espinho na carne, a saber, um mensageiro de Satanás para me esbofetear, a fim de não me exaltar”. (2 Co 12.7). O
termo significa "bater, acertar com o punho". O tempo do verbo indica que essa dor era constante ou repetitiva.
Quando paramos para pensar que Paulo tinha cartas a escrever, viagens a fazer, sermões a pregar, igrejas a visitar,
perigos a enfrentar enquanto ministrava, podem os entender como se tratava de um problema sério. Não é de
admirar que o apóstolo orasse três vezes (como Jesus havia feito no jardim [Mc 14:32-41]) pedindo que a aflição fosse
removida (2 Co 12.8) [1].
- Jesus nosso advogado: “Meus filhinhos, estas coisas vos escrevo, para que não pequeis; e, se alguém pecar,
temos um Advogado para com o Pai, Jesus Cristo, o justo.” (1 Jo 2.1). Observa-se que João não está dizendo que eles
estão vivendo em pecado, pois sua comunhão com Deus impede que isso aconteça. João está completamente ciente
da fragilidade humana e do poder sedutor de Satanás. O apóstolo faz referência a assuntos que enfatizou no capítulo
anterior e diz: “escrevo isso para vocês a fim de que não pequem”. Ele está ao lado de seus leitores, encorajando-os
em sua luta contra o pecado. Sabe que eles desejam viver uma vida santificada, mas que por vezes caem em pecado.
O pecado separa e aliena o pecador de Deus.
João fala com palavras de consolo. “Contudo, se alguém pecar, aquele que fala com o Pai em nossa defesa é
Jesus Cristo, o Justo”. Se um crente comete um pecado, continua sendo um filho de Deus. A comunhão entre o Pai e
seu filho ou filha é interrompida por causa do pecado, mas o relacionamento Pai-filho continua, a menos que o filho
se recuse a reconhecer seu pecado. De que maneira, então, esse relacionamento é restaurado?
De acordo com João, “aquele que fala com o Pai em nossa defesa é Jesus Cristo, o Justo”. Na versão NVI amplia
o conceito de advogar e explica-o com a frase “aquele que nos defende”. Imagine um tribunal no qual o culpado é
intimado a comparecer. O pecador precisa de um advogado indicado pela corte para representá-lo. Deus, que é o
queixoso, indica seu Filho para ser intercessor e ajudador da defesa.
Nosso defensor é Jesus Cristo, que João descreve como “o Justo” (comparar com At 3.14). Como pecadores,
temos o melhor ajudador possível, pois ele é justo, ou seja, em sua natureza humana, Jesus é nosso irmão (Hb 2.11),
está a par de nossas fraquezas (Hb 4.15), salva-nos (Hb 7.25) e é nosso intercessor. Ele também é o Messias de Deus,
o Cristo, que cumpriu as exigências da lei por nós e, portanto, recebeu o título de Justo. É como advogado sem pecado
que ele nos representa no tribunal. [2]
- Jesus advoga o caso de Pedro: “Simão, Simão, cuidado! Satanás pediu para peneirá-los como trigo. Eu,
porém, orei por você, para que sua fé não desfaleça totalmente; e você, quando tiver voltado [para mim], fortaleça
seus irmãos.” (Lc 22.31,32).
O ato de peneirar o trigo se refere basicamente ao ato de sacudir repetida, rápida e violentamente o trigo na
peneira. Alguém - com frequência uma mulher - toma a peneira com ambas as mãos e passa a agitá-la vigorosamente
de um lado para o outro, a fim de que a moinha venha à superfície. Então esta é lançada fora. Em seguida, ela faz
movimento giratório com a peneira, para um lado e para o outro, para baixo e para cima, soprando ao mesmo para
que a moinha restante forme montes para poder tirá-la facilmente. Naturalmente, o propósito é guardar o trigo que
então fica separado da moinha e de outras matérias indesejáveis. Satanás queria esmagar Simão Pedro e os demais
discípulos como grãos de trigo. Ele esperava encontrar somente cascas, e poder soprá-las.
O que Jesus está querendo dizer, pois, é isto: os discípulos também estão para ser submetidos a uma prova
muito severa. Essa prova irá ocorrer naquela mesma noite, e provavelmente com bastante frequência depois ao longo
da vida deles. Mas a ênfase está nos acontecimentos daquela mesma noite.
“Mas tenho orado por você”. Note aqui o singular você, isto é Simão. Não significa que Jesus não tivesse orado
também pelos outros discípulos. Ele orou por eles naquela mesma noite (Jó 17.6-19), e deve ter orado por eles muitas
vezes anteriormente. Mas na presente passagem a referência é à intercessão de Jesus por Simão, exclusivamente por
ele. Não sabemos qual a razão disso. Teria sido, talvez, porque Simão era o líder reconhecido, um homem de quem
se esperava pudesse exercer influência sobre os demais? Outras sugestões que se têm formulado são: porque Simão
era muito teimoso, impetuoso, portanto um caso difícil. [3]
A substância da oração de Cristo era “para que sua fé não desfaleça completamente”, em outros termos, para
que por fim sua fé prevaleça. Neste caso, por mais que Pedro viesse a sofrer naquela noite, Jesus não deixou de
advoga-lo. Nesse sentindo, Deus pode permitir que Satanás toque no crente mas sob sua permissão e Jesus continua
intercedendo por nós, observe que Jesus orou pela fé de Pedro e não pela remoção da tentação.
Mas então como entender João 5.18 – “Sabemos que todo aquele que é nascido de Deus não peca; mas o
que de Deus é gerado conserva-se a si mesmo, e o maligno não lhe toca”.
Aparentemente esta passagem parece estar em conflito com que já estudamos, vamos entendê-la. A versão
NVI é bem-sucedida na formulação clara do provável significado desse versículo tão difícil: que não somente
nascemos da graça de Deus, mas somos guardados pelo poder de Cristo. O sentido depende de se ‘o’ (NVI, ARA) ou
“a si mesmo” (ARC) deve ser lido com ‘protege’. O versículo então significa que os cristãos não podem viver uma vida
pecaminosa, porque o Filho de Deus guarda os filhos de Deus (Jo 17.12,15), e o Maligno não pode tocá-los, e Cristo,
o gerado (nascido) de Deus, que guarda o cristão. “Nossa segurança não reside no fato de nos segurarmos em Cristo,
mas de Ele nos segurar. [4] Portanto, há diferença entre “peneirar” (Lc 22.31) e destruir o trigo (os cristãos). Deus pode
permitir peneirar mas nunca deixará Satanás destruir nenhum de seus filhos (Rm 8.38,39), assim entendemos que “o
maligno não lhe toca” quer dizer o maligno não pode arrebatar o crente genuíno de Deus ou seja não pode fazê-lo
pecar para destruí-lo.[5]
Pergunta-se: O diabo tocou em Jesus para levá-lo ao monte muito alto? (Mt 4.8).
Há debates sobre a identificação desse monte, mas esses debates são inúteis; em primeiro lugar, porque não
há identificação alguma sobre a localidade, nem mesmo se era um monte literal; e, em segundo lugar, provavelmente
essa parte assumiu a forma de visão. Não há no mundo nenhum monte tão alto que possibilite a contemplação de
todos os reinos do mundo. Por causa dessas palavras, a tentação inteira foi em forma de visão, algo subjetivo, e não
objetivo. [6]. E em terceiro lugar ao realizarmos a análise semântica da palavra “transportou” é “paralambano” que
tem o sentido de enganar, iludir, logo, isso contribui para a interpretação de que Satanás não tocou em Jesus mas
sim o iludiu com uma visão, da mesma forma deve ser entendido Mateus 4.5 (que além de conter o mesmo verbo
transportar) aqui há também o verbo “colocar” (coloco-o) que é uma variante de “paralambano” mas com o mesmo
sentido de apresentar (como em uma visão). [7]
Referencias Bibliográficas
[1] Comentário Expositivo Wiersbe Volume 5 - página 878
[2] Comentário de Simon Kistemaker - Tiago e Epístolas de João - páginas 334 e 335
[3] Comentário de William Hendriksen - Lucas vol. 2 - páginas 580 e 581
[4] Comentário Beacon Vol. 10 - Hebreus a Apocalipse - página 318
[5] Manaul de Dificuldades Bíblicas - página 441
[6] Comentario de Champlin Versiculo por versículo - NT Volume 1 - página 300
[7] Bíblia de Estudo Palavras Chave Hebraico Grego - páginas 2242 e 2340