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LIÇÃO 01

O QUE É JNANA-YOGA

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YOGA AVANÇADO LIÇÃO 01

PREZADO ESTUDANTE:

Em nossos cursos de Hatha-Yoga, Raja-Yoga e Mantra-Yoga falamos acerca da


origem do termo Yoga. Agora cabe-nos aprofundar nessa palavra sânscrita que contém
muito mais do que é entendido no Ocidente.

No Brasil e também em muitas partes do mundo o termo “yoga” transformou-se em


sinônimo de Hatha-Yoga. Quando alguém diz que pratica Yoga, pensa-se somente em
ásanas (posturas) e pranayamas (respirações). Ocorre que tal visão é incompleta. O
termo reveste-se de uma profundidade muito maior conforme explicaremos mais adiante.

OPINIÃO DE UM SWAMI

Swami Sivananda, médico, filósofo, escritor hindu em sua obra “Perfeição pelo Yoga”
(Livraria Freitas Bastos, Rio de Janeiro, 1967) afirma o seguinte:

“O Yoga para o Homem Moderno deve ajustar-se a seu gênio, adaptar-se às suas
necessidades e ser re-interpretado em sua própria linguagem. A Verdade é sempre a
mesma. Os princípios básicos do Yoga permanecem inalterados e inalteráveis, pois
encontram-se além da influência do tempo e do espaço. O objetivo em mira, isto é, a
Verdade Transcendental, também é Eterna e Imutável. Entretanto, esses princípios têm
agora de ser revistos do ponto de vista do Homem Moderno, e o caminho para alcançar o
objetivo está juncado de ideologias modernas. Então o Homem Moderno prontamente
aceita a Verdade. Yoga não é transcendentalismo – é introspecção. Yoga não é
descuidar-se do cumprimento dos nossos deveres. É o devido e incessante cumprimento
dos mesmos. Yoga não é fugir de casa e do convívio humano para as florestas e
cavernas. É encarar a família e a sociedade por um novo prisma. Yoga não é evitar a
sociedade, é o cultivo de um amor todo envolvente. Yoga não é ter visão pessimista da
vida, é a mais otimista. Yoga não concerne apenas a alguns, mas a todos.”

Por meio das explicações de Swami Sivananda, uma verdadeira autoridade atual no
assunto, vemos o que não é Yoga. O fragmento exposto a seguir também foi extraído da
mesma obra acima mencionada.

“Yoga é preliminarmente um processo que tende a transformar esse ângulo de visão


em uma perspectiva mais ampla. A vida é mantida por uma consciência divina comum e é
o ego quem a oculta. Esse véu tem de ser removido a fim de se discernir o mundo como
uma manifestação da Divindade.”

Após a definição de Swami acerca do Yoga torna-se necessário sabermos a origem do


vocábulo Yoga.

YOGA: ETIMOLOGIA DA PALAVRA

O termo “yoga” aparece freqüentemente na literatura sânscrita. A palavra pode ser lida
desde a milenar obra hindu “Rig-Veda”. Essa se compõe de uma coletânea de hinos

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arcaicos. Supõe-se que alguns tenham sido compostos a cerca de três a cinco mil antes
de Cristo.

A palavra “yoga”, etimologicamente, deriva-se da raiz verbal sânscrita “yug” cuja


tradução é conjugar, juntar, jungir, emparelhar. Pode também significar união, conjunção
de dois astros, regra gramatical, ocupação, empenho, equipamento, equipe, meio para
um fim, artimanha, somatória, agregado, etc. A palavra também possui similaridades com
o “yoke” inglês, “zugos” grego, “yugo” espanhol “ok” sueco, “joug” francês, “iugum” latino,
“igo” russo e o jugo português.

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YOGA: COSMOVISÃO

O termo “yoga” sob o ponto de vista técnico refere-se ao grande conjunto de valores,
atitudes, preceitos e técnicas espirituais e místicas que se desenvolveram na Índia ao
longo de mais de sete mil anos. A palavra Yoga é, portanto, o nome genérico de vários
caminhos ou métodos indianos de autotranscendência ou transformação metódica da
consciência até alcançar a libertação final do Espírito divino encarnado no ser humano.

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O termo Yoga sob o ponto de vista específico refere-se ao sistema de Yoga Clássico
proposto pelo sábio hindu Patanjali (veja em nosso curso de Raja-Yoga).

O vocábulo Yoga também foi utilizado, por influência indiana, em sistemas não
hinduistas como o Yoga Tibetano (equivalente ao Budismo Vajrayâna), o Yoga Japonês
(equivalente ao Zen), e o Yoga Chinês (equivalente ao Ch’an).

Os sanscritistas opinam que o Yoga parece ter sido a prática de interiorização


disciplinada ou da concentração meditativa associadas a rituais de sacrifício. É dessa
forma que o Yoga é apresentado nos quatro Vedas. Como já sabemos os Vedas são as
mais antigas obras sagradas indianas. Os ritos sacerdotais védicos eram exigentes e
deveriam ser executados com máxima precisão e intensa concentração. Dos sacerdotes
era-lhes exigido uma disciplina mental rigorosa. Foram essas as raízes do Yoga posterior.
Devido a tais exigências, após uns dois mil anos, surgiu uma espécie de psicotecnologia
da consciência que ficou bem marcada nos Upanishads. Esses são um conjunto de obras
hindus com conteúdos metafísicos e esotéricos elaborados, provavelmente, por volta de
600 anos a.C.

No decorrer de vários séculos os Yogas dos Upanishads originou uma fabulosa


quantidade de práticas e sistemas cujo objetivo final seria a iluminação espiritual. As
tradições do Yoga foram transmitidas de mestre a discípulo ao longo dos milênios.

É preciso ficar claro que a doutrina do Yoga não é um todo homogêneo, uma vez que
variou de mestre a mestre e de escola a escola. Há diferenças tão marcantes que
parecem filosofias completamente distintas. Desse modo quando falamos de Yoga
referimo-nos a uma gama imensa de caminhos e tendências em várias situações
completamente divergentes cuja meta final é a realização espiritual.

YOGA: PRINCIPAIS DIVISÕES

Há inúmeras Yogas, entretanto no bojo do Hinduismo podemos destacar sete grandes


divisões. São elas o Hatha-Yoga, o Raja-Yoga, o Mantra-Yoga, o Jnana-Yoga, o Karma-
Yoga o Bhakti-Yoga e o Tantra-Yoga. Em nosso curso básico do Yoga estudamos os
três primeiros Yogas da das sete principais. Nessa lição iniciaremos o estudo do Jnana-
Yoga. Vejamos a descrição de cada uma delas.

HATHA-YOGA: É o primeiro degrau no estudo e prática do Yoga. Os ásanas ou


posturas do Hatha-Yoga limitam-se ao equilíbrio das energias físicas e vitais do
organismo humano. Infelizmente, no Ocidente houve uma supervalorização dessa classe
de Yoga por alguns “yogues”, crendo estes que somente por meio de exercícios físicos ou
algo similar conseguiriam atingir a auto-realização espiritual. Não negamos o valor
positivo do Hatha-Yoga para a saúde física, contudo não passa daí. Quem, de fato, quiser
atingir a suprema iluminação terá que avançar nos estudos e práticas profundas de
autoconhecimento.

RAJA-YOGA: Destina-se à união com a divindade através do domínio da mente e do


desenvolvimento dos poderes psíquicos, alcançados através do Ashtanga-Yoga (união
em 8 partes), sistema organizado por Patanjali no século II a.C.

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Neste tipo de Yoga busca-se o fortalecimento da Vontade, tendo como passo inicial o
cultivo da atenção. Praticam-se muitas técnicas de concentração e meditação, mantrans,
além de alguns ásanas que, em conjunto, criam condições internas para o trabalho com o
subconsciente. Assim, pouco a pouco, vai-se melhorando a qualidade do Ser.

MANTRA-YOGA: Este ramo estuda o som universal, o poder do verbo. Um "mantra" é


um som vocálico capaz de produzir efeitos transcendentais. Assim, através dos tempos
foram divulgados sons especiais para os mais variados fins: desenvolver os chacras,
curar doenças, atrair fortuna, adquirir uma virtude, abrir canais para outras dimensões,
etc... No curso “Saber é Poder” há dezenas e dezenas de mantras que fazem parte da
área de estudo.

KARMA-YOGA: De todas as leis cósmicas, a do Karma é a mais conhecida no


Ocidente, contudo é muito mal compreendida. Esta palavra sânscrita significa "ação". A
cada causa corresponde uma conseqüência. Daí, a Lei do Karma é a lei da ação e
reação. "A cada ação corresponde uma reação igual e contrária", já dizia Newton.

A vida prática nos mostra que cada qual colhe o que planta. A Lei do Karma não é boa
nem má. Apenas equilibra as ações, sejam estas no nível do pensamento, palavra ou
obra. Mais adiante entraremos em maiores detalhes acerca desse Yoga.

O KARMA-YOGA destina-se àquelas pessoas que anelam chegar a um crescimento


espiritual, porém não podem abster-se de estar no mundo, participando diariamente da
"Roda de Samsara" ou "Roda da Vida", cumprindo suas obrigações para com a família e
a sociedade.

Na verdade, o fundamento do Gita assenta-se no Karma-Yoga. Quem quiser libertar-


se da roda de nascimentos e mortes terá, inequivocamente, que praticar os
ensinamentos que o Senhor Krishna transmite a Arjuna, sobretudo nesse capítulo que
estamos estudando.

JNANA-YOGA: Esta disciplina volta-se para a realização da Verdade através do


conhecimento intuitivo-filosófico. A palavra Jnana traduz-se por "conhecimento". A Jnana-
Yoga busca a Realidade Absoluta, que está acima de toda e qualquer dualidade.

Para este ramo de Yoga todos os fenômenos dualistas são ilusórios, tendo como
realidade única o Espírito, sendo que tudo o que existe está imbuído da substância
espiritual.

Prega Deus como a Realidade única, presente em todas as coisas. Desta forma, o
que importa é conseguir a União ou Yoga da Alma com o Espírito, libertando-nos do Ego
e suas manifestações subjetivas (imperfeições, limitações, defeitos, debilidades, etc).

O Gita também ensina o Jnana-Yoga quando dá orientações precisas sobre como


devemos nos dedicar ao Ser Interior Profundo, ao Atman.

BHAKTI-YOGA: Esta linha de Yoga está baseada na devoção, ensinando que a


suprema união com Deus se consegue com o cultivo do Amor. Está destinada àquelas
pessoas altamente religiosas e místicas.

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A palavra Bhakti vem de "bhaj", que quer dizer "devoção". O seguidor do Bhakti-Yoga
vê Deus em todas as coisas, aceitando todas as manifestações como reflexo de Seu
eterno amor.

Existem muitos graus de adoração a Deus, desta forma inferimos que todos nós
somos seguidores do Bhakti. Os níveis mais baixos de devoção relacionam-se aos ídolos,
isto é, às representações de Deus em figuras, imagens, monumentos, obras, etc. Quanto
mais profundo se torna um seguidor desse caminho, mais ele se liberta do reflexo exterior
da Divindade, não necessitando de ícones ou rituais para encontrar-se com Deus, pois já
o realizou em si mesmo, tendo-se tornado a viva manifestação Dele.

Krishna também ensina o Bhakti-Yoga. Caso dediquemos nossa atenção à matéria,


nela ficaremos aprisionados. O Ser Iluminado instrui a Arjuna sobre como o Espírito deve
triunfar sobre a matéria.

TANTRA-YOGA: No último bloco de nosso curso do Yoga Avançado explicamos


abundantemente acerca do Tantra-Yoga, pois esse está intimamente associado ao sexo.
O Tantra-Yoga também pode ser chamado de Kundalini-Yoga.

Na verdade, os níveis mais profundos de consciência podem ser conseguidos


mediante o despertar da Kundalini. Esta energia é muito especial e se encontra no
Chacra Muladhara, situado no cóccix. Dita energia tem origem em Shiva (o Espírito
Santo) e é a chave magna de todos os poderes.

Um trabalho correto com a Kundalini implica adotar a castidade científica como norma
de vida, juntamente com um trabalho sério de auto-purificação. O domínio das paixões
animais é de extrema importância nessa linha de Yoga.

Quando falamos de castidade científica não estamos nos referindo ao celibatarismo.


Existe uma forma de canalizar a energia criadora durante a pratica sexual visando o
desenvolvimento espiritual. Nesta forma especial de lidar com o ato sexual (Sahaja
Maithuna) busca-se a transmutação das energias criadoras. Esse tema será estudado
detalhadamente no módulo de Tantra-Yoga.

JNANA-YOGA: O QUE É

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JNANA É GNOSIS

O termo “jnana” pode ser entendido como vocábulo grego “gnosis”. Dr. Georg
Feuerstein, fundador do “Yoga Research Center” da Califórnia, EUA e pesquisador da
cultura hindu, em sua obra “A Tradição do Yoga” (Pensamento, São Paulo, 2001) no
Capítulo 2 afirma que:

“A palavra jnâna significa “conhecimento”, “intuição” ou “sabedoria”, e no contexto


espiritual significa especificamente aquilo que os gregos chamavam de gnosis, um tipo
especial de conhecimento ou intuição libertadora. Com efeito, os termos jnâna e gnosis
têm em comum, sobre ponto de vista etimológico, a raiz indo-européia gno, que significa
“conhecer” ou co-gnoscere. O Jnâna-Yoga praticamente
não se distingue do caminho espiritual do Vedânta, a
tradição hindu do não – dualismo.”

A propósito, ao longo do nosso curso é possível que


você se depare com a mesma palavra grafada com ou
sem acento, às vezes com acréscimo de uma letra, etc.
Isso se deve ao fato de que a tradução do sânscrito para
o português varia de autor para autor e nem sempre
seguindo o padrão formal de nosso idioma.

Jnana e Gnosis, em síntese nos transmitem o mesmo


conceito e conteúdo. Para aclarar esse ponto vamos Todos os Yogas conduzem a um
transcrever alguns trechos da lição 01 do nosso curso único fim: Deus. A divindade é a
“Saber é Poder”. causa causorum de todos os
Universos. A divindade cria e recria
incessantemente. A divindade é
(...) O saber autêntico e real é a própria GNOSIS, nomeada por uma infinidade de
termo grego que se traduz como Conhecimento ou palavras tais como: Allá, Brahma,
Jeová, Tao, Osíris, Amon, Aton,
Sabedoria. Prezado leitor, queremos aclarar que a Zeus, etc. Todas querem afirmar o
palavra GNOSIS, por si mesma, é poliabrangente. No mesmo princípio inteligente, muito
português, as palavras prognóstico (saber com além da humana compreensão.

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antecedência), diagnóstico (saber através de um exame), agnosis (em Filosofia significa


ignorância, principalmente a universal, ou perda da capacidade em reconhecer os objetos
através dos sentidos), contém a raiz temática "Gnosis". Várias instituições do passado e
do presente utilizam a palavra GNOSIS ou GNÓSTICO, portanto o termo não rotula uma
determinada linha específica, podendo ser utilizado por qualquer pessoa. Se essas linhas
são autênticas ou não, só o tempo responderá. (...)

No sagrado livro dos gnósticos, intitulado "PISTIS SOPHIA", Capítulo 139,


encontramos o seguinte:

"E vos darei todos os mistérios e toda a Gnosis, para que sejais conhecidos como os
filhos da plenitude, perfeitos em toda a Gnosis, em todos os mistérios". (...)

Eliphas Levi, filósofo, esoterista, abade do século passado, em seu livro intitulado
"DOGMA E RITUAL DA ALTA MAGIA" afirma:

“A ciência é a posse absoluta e completa da verdade. Por isso, os sábios de todos os


séculos tremeram diante desta palavra absoluta e terrível; temeram arrogar-se o primeiro
privilégio da divindade, atribuindo a si a ciência, e se contentaram, em lugar do verbo
saber, que exprime o conhecimento, e a da palavra da ciência, com a de GNOSIS, que
exprime somente a idéia do conhecimento por intuição. Que sabe, com efeito, o homem?
Nada e, entretanto, nada lhe é permitido ignorar. Nada sabe e é chamado a tudo
conhecer".

O Dr. Raymond Ruyer, cientista, escritor contemporâneo e professor universitário em


Nancy, França, em seu livro intitulado "A Gnose de Princeton", afirma o seguinte:

“A tese fundamental da Nova Gnose e de toda Gnose: o mundo é dominado pelo


Espírito, feito pelo Espírito, ou por Espíritos delegados. O Espírito encontra (ou, antes,
cria para si mesmo) uma resistência, uma oposição: a Matéria. O homem, através da
ciência, mas de uma ciência superior, transposta ou espiritualizada, pode chegar ao
Espírito - ou Mente Cósmica e, se for sábia e ao mesmo tempo inteligente, nela
encontrará a salvação".

(...) O Dr. Arnoldo Krumm-Heller, coronel-médico do exército mexicano, professor na


Universidade de Berlim, esoterista, escritor de numerosas obras gnósticas, relata o
seguinte em seu livro "La Iglesia Gnostica":

"Gnosis, em conseqüência, vem a ser como um conhecimento mais profundo de todas


as verdades reveladas, dentro do campo religioso, vista pela luz destas duas fontes que
se chamam ESCRITURA e TRADIÇÃO. Segundo um Iniciado da Idade Média, é a Gnosis
uma espécie de visão imediata da verdade, em oposição à sabedoria adquirida pelo
estudo".

(...) De acordo com a Dra. Elaine Pangels, da Universidade de Harvard, EUA, a


palavra grega GNOSIS, literalmente, significa conhecimento.

É preciso deixar claro que GNOSIS é um conhecimento que não se adquire com
leitura de livros, raciocínio filosófico, etc. Gnosis se aplica ao conhecimento obtido por
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OBSERVAÇÃO DIRETA e EXPERIÊNCIA PRÓPRIA. Na prática, equivale a uma


penetração ou intuição da realidade, muito além do intelecto.

Eruditos da Universidade de Sorbone, Paris, opinam que GNOSIS É UM FENÔMENO


QUE OCORRE DENTRO DO HOMEM. É uma Sabedoria Transcendental que ocasiona
profundas mudanças no indivíduo, podendo ocorrer em qualquer época ou lugar, uma vez
que está dentro do próprio homem. Podemos afirmar, sem sombra de dúvidas, que
GNOSIS é uma PHILOSOPHIA PERENNIS ET UNIVERSALIS. Inquestionavelmente,
GNOSIS é CONHECIMENTO SUPERIOR DAS COISAS.

O Dr. Samael Aun Weor, filósofo, esoterista, escritor diz o seguinte em sua obra "A
Doutrina Secreta de Anahuac":

"Como os estudos gnósticos progrediram enormemente nesses últimos tempos,


nenhuma pessoa culta incorreria hoje, como outrora, no erro simplista de atribuir o
aparecimento das correntes gnósticas a uma única latitude espiritual.
"Embora seja correto que devamos levar em consideração em qualquer sistema
gnóstico seus elementos helenístico-orientais, incluindo Pérsia, Mesopotâmia, Síria,
Palestina, Egito, etc., nunca deveríamos ignorar os princípios perceptíveis nos sublimes
cultos religiosos dos nahuas, maias, chibchas, incas, quíchuas e outros da América
indígena. Falando franca e diretamente, diremos: Gnose é uma função bastante natural
da consciência; uma Philosophia Perennis et Universalis.
"É, fora de toda e qualquer questão, o conhecimento iluminado dos Mistérios Divinos
reservados a uns poucos, a uma elite. A palavra Gnosticismo encerra em sua estrutura
gramatical a idéia de sistemas ou correntes dedicados ao estudo da Gnose.
"Este Gnosticismo implica uma série coerente, clara, precisa, de elementos
fundamentais, verificáveis através da experiência mística direta como: a Maldição, do
ponto de vista científico e filosófico; o Adão e a Eva do Gênese hebraico; o Pecado
Original e a saída do Paraíso; o Mistério do Lúcifer nahuatl; a Morte do Mim Mesmo; os
Poderes Criadores; a essência do 'Salvador Salvandus'; os Mistérios Sexuais; o Cristo
interno; a serpente ígnea de nossos Mágicos Poderes; a descida aos Infernos; o retorno
ao Éden; o dom de Mefistófeles.

A Esfinge do Egito é um poderoso símbolo da


Sabedoria Gnóstica. É a representação viva da Mãe
Natura.

“Somente as Doutrinas Gnósticas que impliquem os fundamentos Ontológicos,


Teológicos e Antropológicos acima citados fazem parte do Gnosticismo autêntico.
"PRÉ-GNÓSTICO é o sistema que, de forma concreta, evidente e específica,
apresenta um caráter que é, de certo modo, detectável nos Sistemas Gnósticos, tendo

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porém esse aspecto integrado em uma concepção "in totum" alheia ao Gnosticismo
revolucionário. Um pensamento que certamente não é e todavia é gnóstico.
“PROTOGNÓSTICO é todo Sistema Gnóstico em estado incipiente e germinal;
movimentos dirigidos por uma atitude bastante similar àquela que caracteriza as
correntes gnósticas definidas.
“O adjetivo 'Gnóstico' pode e até deve ser aplicado inteligentemente tanto a
concepções que de uma ou outra forma se relacionem com a Gnose como com o
Gnosticismo.
“O termo 'gnostizante' encontra-se bem próximo de Pré-gnóstico por seu significado, já
que a palavra, na realidade e 'stricto sensu', relaciona-se com aspectos intrínsecos que
têm certa similaridade com o Gnosticismo Universal, embora integrados em uma corrente
não definida como Gnose.
“Estabelecidos firmemente estes esclarecimentos semânticos, passemos agora a
definir com total clareza meridiana o Gnosticismo.
“Cabe explicar aqui, neste trabalho, com ênfase, que o Gnosticismo é um processo
religioso muito íntimo, natural e profundo. Esoterismo autêntico essencialmente,
desenvolvendo-se de instante a instante, com vivências místicas muito particulares e com
Doutrina e ritos próprios. Doutrina extraordinária que, fundamentalmente, adota a forma
mítica e, às vezes, mitológica. Liturgia Mágica inefável com viva ilustração para a
Consciência Superlativa do Ser.
“É evidente que o conhecimento gnóstico escapa sempre às análises normais do
racionalismo subjetivo. O correlato deste conhecimento é a intimidade infinita da pessoa,
ou seja, o Ser.
“A razão de ser do Ser é o mesmo Ser. Só o Ser pode conhecer-se a si mesmo. O Ser,
portanto, se Auto-conhece na Gnose.
“O Ser, revalorizando-se e conhecendo-se a si mesmo é a AUTO-GNOSE, e esta,
indubitavelmente, em si mesma, é a Gnose. (...)
O trecho que apresentamos anteriormente é apenas um pequeno extrato de nosso
curso “Saber é Poder”. Caso se interesse pelo tema sugerimos inscrever-se no
mencionado curso.

Faça um resumo do texto lido nesse tópico na lição online.


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AMRITA-BINDU-UPANISHAD

O Amrita-Bindu-Upanishad é um texto sagrado do Hinduísmo. Trata-se do vigésimo na


lista tradicional dos 108 Upanishads.

O termo sânscrito “amrita” significa néctar, ambrósia, alimento dos deuses, o alimento
gerador da imortalidade.

A palavra “bindu” traduz-se como gota, ponto. Nessa obra “bindu” pode ser melhor
traduzido como ponto de partida ou mais exatamente vertido como semente.

“Upanishad” pode ser entendido como doutrina sagrada, ensinamento divino. Os


Upanishads são documentos hinduistas milenares. Os sábios hindus dizem que os
Upanishads são os ensinamentos que destroem a ignorância favorecendo o advento da
iluminação do Espírito por meio da verdade suprema, entretanto oculta.

Assim, “Amrita-Bindu-Upanishad” pode ser traduzido como “Doutrina Sagrada da


Semente da Imortalidade” ou “Doutrina Sagrada do Néctar da Imortalidade”. Vejamos o
texto com alguns comentários do autor do curso.

1 – Afirma-se que a mente dividida em duas: pura e impura. A mente impura é movida
pelo desejo e pela volição. A mente pura está destituída de desejos.

A mente impura é a mente é egóica e a mente pura é a mente-cristo, isto é, a mente


limpa de todos os aspectos, enganosos da matéria, do mundo ilusório.

2 – Só a mente é a causa da escravidão e da libertação dos seres humanos. Atada


aos objetos, a escravidão. Liberada dos objetos e apegos conduz a emancipação.

3 – A mente deve ser sempre esvaziada de todos os objetos e apegos para quem
busca a libertação, pois a libertação da mente vazia de objetos e apegos é a meta.

A mente impura atada a ilusões do mundo sensorial crê somente que é real aquilo que
pode ser visto, ouvido, cheirado, degustado ou tateado. Está presa aos cinco sentidos
(visão, audição, olfato, paladar e tato). Dessa forma, torna-se escrava dos sentidos. A
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mente pura conduz ao caminho da libertação espiritual das correntes férreas da matéria
em seus mais infinitos graus de manifestação.

4 – Quando a mente, livre do contato com os objetos e confinada no coração, atinge o


não-ser, é esse o Estado supremo.

5 – A mente deve ser controlada até encontrar, no coração, a destruição. Isto é gnose,
isto é contemplação. Tudo o mais é especulação nebulosa.

A mente livre dos objetos é a mente que está destituída de todos os apegos
mundanos, de todos os defeitos e imperfeições como luxúria, ira, orgulho, cobiça inveja,
preguiça ou gula. A mente ao estar livre de todos os defeitos encontra a morada no Ser
que habita o coração.

6 – O Absoluto Brahman não é nem concebível nem inconcebível; não é concebível e


mas é concebível. Quando a pessoa está liberta dos pontos de vista parciais, o Absoluto,
o Todo, é alcançado.

7 – Deve-se associar o Yoga ao som. Deve-se realizar o Supremo na qualidade do


sem-som. Através da realização do sem-som, não pode haver não-ser. O Ser é desejável.

8 – É este, em verdade, o Absoluto sem partes, o qual é sem forma e sem mancha.
Pelo conhecimento de que “Eu sou o Absoluto”, O Absoluto é certamente alcançado.

9 – Ela é sem forma, infinito, sem causa, sem precedente, sem medida e sem
princípio. Por este conhecimento, o sábio é libertado.

10 – Não há nem dissolução nem composição, nem o escravo nem senhor, nem o que
busca a libertação nem o liberto. É esta a verdade suprema.

11 – O Ser deve ser concebido como único e o mesmo durante a vigília, o sonho e
sono profundo. Não há renascimento para aquele que transcendeu os três estados de
vigília, sonho e sono profundo.

12 – A Centelha Divina que reside em todos os seres é única. É vista como uno e
múltiplo, à semelhança do reflexo, da lua na água.

13 – Assim como o espaço ocupado por um jarro não muda de lugar quando o jarro é
movido, ou assim como esse espaço não é afetado quando o jarro é destruído, - assim
também, o Espírito da Vida assemelha-se ao espaço.

14 – À semelhança do jarro, o ser individual assume diversas formas que se


desintegram continuamente. Quando ele se desintegra, não é mais conhecido, e no
entanto é conhecido eternamente como o Ser.

Como você pôde notar os versos acima parecem contraditórios e sem nexo. Ocorre
que é impossível explicar o inexplicável. Explica-se por meio de palavras aquilo que é
possível, ou seja, usa-se frases para transmitir idéias. Essas serão sempre imprecisas,
visto que somente a experiência direta da verdade fará luz e tudo será perfeitamente

12 VOPPUS STELLA MARIS


LIÇÃO 01 JNANA-YOGA

compreendido. Somente a vivência do real produzirá compreensão transcendente, tudo o


demais é mera tentativa.

15 – Aquele que está rodeado da ilusão da palavra, obcecado pelas Trevas, não chega
à Fonte da Abundância. Quando se dissipam, ele contempla, em verdade, somente a
Unidade Eterna e Imutável.

16 – O som imperecível é o Supremo Absoluto. Quando isso por sua vez diminui, o
que resta é o Imperecível em si mesmo. Se o conhecedor tem o desejo da paz do Si
Mesmo, deve contemplar esse Imperecível.

17 – As duas formas de conhecimento a serem conhecidas são o Absoluto Sonoro e


aquilo que o transcende. Aquele que conhece o Absoluto Sonoro chega ao Absoluto
Supremo.

18 – O sábio que, depois de estudar os livros, ancora-se no Absoluto por meio da


Gnose e da intelecção iluminada, deve desfazer-se de todos os livros como a pessoa que
busca o trigo se desfaz da palha.

19 – As vacas de várias cores só dão leite de uma única cor. Assim, o sábio concebe a
gnose como o leite, e as diversas manifestações como vacas.

20 – O conhecimento autêntico está oculto em todos os seres do mesmo modo que a


manteiga no leite. Usando a mente como uma batedeira de manteiga, todo o ser deve
bater constantemente para produzir esse conhecimento dentro da mente.

21 – Empregando-se o olho da sabedoria , deve-se extrair o Supremo como o fogo é


extraído da madeira por fricção, com a recordação de que “Eu sou aquele Absoluto sem
partes, imóvel e tranqüilo.”

22 – Aquele que, embora resida nos seres, é a morada de todos os seres e favorece
todos os seres – Eu sou esse Vâsudeva.

Aquele que quiser alcançar o “JNANA” ou a “GNOSIS” não deve esperar que ninguém
o explique. Nosso dever é fornecer-lhe as ferramentas, mas a obra deve ser executada
por você mesmo. Ao longo de nossos cursos esclarecemos detalhadamente os métodos,
técnicas e fornecemos instrumentos práticos para a realização da obra, mas a execução
está em suas mãos. Assim, mãos a obra.

Faça um resumo do texto lido nesse tópico na lição online.


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VOPPUS STELLA MARIS 13


YOGA AVANÇADO LIÇÃO 01

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OS QUATRO PONTOS DO JNANA

Segundo os sábios hindus o caminho do Jnana-Yoga é uma via reta, mais íngreme. O
iluminado hindu Sadânanda em seu texto “Vedânta-Sâra” escrito no século XV descreve
os quatro pontos fundamentais do Jnana.

Para ele os quatro ponto são: “viveka” (discernimento), “virâga”(renúncia), “shat-


sampatti”(seis perfeições) e “mumukshutva” (busca da libertação). Segundo o filósofo
“shat-sampatti “ (seis perfeições) são: “shama” ( tranqüilidade), “dama”(controle dos
sentidos) “uparati” (interrupção), “titikshâ” (resignação), samâdhâna (concentração
mental) e “shraddhâ”(Fé). Vejamos cada um desses pontos com mais detalhes.

Primeiro Ponto: Viveka – É o discernimento entre o real e o ilusório, entre o


permanente e o impermanente, entre o imutável e transitório. O janin (praticante do
Jnana-Yoga) deve ver o mundo tal qual é ou seja, uma eterna dança de formas. Deve
compreender que o Real está muito além dessa dança fantasmagórica da matéria
mutante.

Segundo Ponto: Virâga – É a renúncia ao resultado das próprias ações. Esse ponto
será amplamente detalhado em lições posteriores quando estudarmos o Karma-Yoga.
Em síntese, virâga é praticar boas obras sem esperar nenhuma recompensa.

Terceiro Ponto: Shat-sampatti – Corresponde as seis perfeições que


apresentaremos a seguir:

1) Shama: É a arte de permanecer tranqüilo perante as mais diversas


adversidades do mundo e da vida pessoal ou qualquer ocorrência.
2) Dama: Controle total dos sentidos (visão, audição, olfato, paladar e tato).
Esses estão sempre em busca de novos estímulos. Na verdade os sentidos são

14 VOPPUS STELLA MARIS


LIÇÃO 01 JNANA-YOGA

insaciáveis, caso não haja domínio a criatura torna-se um fantoche dos estímulos
externos.

3) Uparati: Refere-se a negação de todas as ações que não estejam


vinculadas a conservação e manutenção do corpo e tampouco a busca de iluminação
espiritual.

4) Titkshâ: É a busca do autodomínio não se deixando abalar pela dança dos


opostos que ocorre tanto na mente como na vida cotidiana. A mente vive em eterna
comparação entre os oposto como calor-frio, alegria-tristeza, sucesso-fracasso,
elogio-crítica, prazer-dor, etc.

5) Samâdhâna: É a concentração mental em um único objeto. Corresponde a


direção da atenção, sobretudo nas instruções e ensinamentos que esteja recebendo.

6) Shraddhâ: É a Fé autêntica, é a confiança plena e total de uma Realidade


Maior e Transcendente. A Fé não é um ato frio, irracional e destituído de fundamento,
mas sobretudo uma resposta, uma atitude do “jnanin” a mensagem divina na qual ele
descobre o sentido profundo de sua existência e a grandeza de seu destino.

Quarto Ponto: Mumukshutva – É a busca incansável da libertação espiritual. É o


cultivo da aspiração de unir-se ao Ser Interior Profundo.

JNANA-YOGA: NOSSO OBJETIVO

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VOPPUS STELLA MARIS 15


YOGA AVANÇADO LIÇÃO 01

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DIFERENTES PERCEPÇÕES

O tema consciência será abordado por diferentes ângulos. Não nos deteremos apenas
no caráter acadêmico ou psicológico. Vamos enfocá-lo sob o ponto de vista metafísico,
filosófico, místico e esotérico.

Todos os fenômenos ocorridos em nossa existência, estando encarnado ou não ficam


indelevelmente gravado em nossa consciência. Sob o ponto de vista esotérico sabemos
que em nossa consciência há a memória do Universo desde seu surgimento na aurora da
criação, entretanto, são raros os seres humanos que têm acesso a esse banco de dados
tão primitivo.

O Dr. Joel L. Whitton, M.D., Ph.D., professor de psiquiatria e o jornalista Joe Fisher, no
livro “Vida-Transição-Vida” postulam um estado de consciência denominado
metaconsciência. Vejamos um trecho no qual o conceito é abordado:

“Esse estado abençoado, que o Dr. Whitton chamou de metaconsciência, pode ser
definido como a percepção de uma realidade além de qualquer estado conhecido de
existência. Ele difere dos estados de sonho, das experiências extracorpóreas, do reviver
de vidas passadas e de todos os outros estados alterados de consciência. Ser
metaconsciente é fundir-se na quintessência da existência, ceder no sentido da
identidade para, paradoxalmente, tornar-se mais auto-consciente de um modo mais
intenso. Ser metaconsciente é estar livre de constrangimentos corporais, sentir-se em
unidade com o universo, tornar-se uma nuvem dentro de uma nuvem sem fim. E embora
isso possa sugerir uma atmosfera de vazio, de flutuação de nuvens de algodão, a vida
entre a vida não é um mundo como o dos contos de fada. Os que provaram suas
riquezas sabem que visitaram a realidade definitiva, o plano da consciência de onde
embarcamos em sucessivas experiências de encarnação e para onde voltamos quando
da morte do corpo”.

Na verdade a consciência é um tipo de energia integrante do ser humano. É preciso


saber que no homem e na mulher existem sete tipos básicos de energias. Os sete níveis
possuem vários outros sub-níveis.

AS SETE ENERGIAS HUMANAS

O termo "mente" provém do latim "mens, mentis", significando "entendimento". As


definições encontradas nos diversos compêndios são muito abrangentes e insatisfatórias.
No dicionário Aurélio encontramos "mente" como sinônimo de Alma, Espírito. A nível

16 VOPPUS STELLA MARIS


LIÇÃO 01 JNANA-YOGA

genérico ou popular é até aceitável, todavia quando buscamos elucidar e compreender a


palavra e o conceito por detrás dela, é necessário ir mais longe.

Espírito, Alma e Mente são manifestações cósmicas completamente diferentes. Cada


uma delas possui características próprias. Seria o mesmo que afirmar que todos os
idiomas usam letras. Sabe-se que o chinês, o japonês, o coreano , etc., usam símbolos
ou ideogramas ao invés de letras. Além do mais, muitas formas de escrita antiga foram
ideográficas, como os hieróglifos egípcios, a escrita cuneiforme sumeriana, os
ideogramas maias, etc. Por esta analogia aclaramos a urgente necessidade de sermos
precisos na afirmação e profundos na análise.

É preciso compreender o funcionalismo da estrutura humana. Existem sete tipos de


energias circulantes pelo organismo do homem:

Primeira: energia mecânica, física;


Segunda: energia vital, etérica;
Terceira: energia psíquica;
Quarta: ENERGIA MENTAL;
Quinta: energia volitiva;
Sexta: energia conscientiva;
Sétima: energia átmica.

Cada uma destas energias pode ser desdobrada em vários subtipos, com
multiplicidades de manifestações.

A ENERGIA MECÂNICA humana é responsável por toda a mobilidade do organismo,


desde o pulsar do coração até o movimento de andar, levantar pesos, correr, enfim, todo
e qualquer ato cinesiológico. Os anatomistas e fisiologistas bem sabem da complexidade
desta energia.

MECÂNICA - responsável por toda a mobilidade do organismo.

VITAL - responsável pela sustentação bioenergética do corpo


físico.
PSÍQUICA - responsável pelos processos psicológicos,
emocionais, sentimentais e afins.

MENTAL - responsável por todos os pensamentos.

VOLITIVA - responsável pelos atos da vontade.


CONSCIENCIAL - responsável pela percepção existencial.

ÁTMICA - dirigida do Ser para o Ser.

A ENERGIA VITAL humana é responsável pela sustentação bioenergética do corpo


físico. Quem melhor estudou a circulação desta energia foram os chineses, através de
sua Medicina Tradicional que remonta há mais de 6 milênios.

VOPPUS STELLA MARIS 17


YOGA AVANÇADO LIÇÃO 01

A ENERGIA PSÍQUICA humana é responsável pelos processos psicológicos,


emocionais, sentimentais e afins. Qualquer tristeza, alegria, riso, choro, etc., está
intimamente associado à energia psíquica.

A ENERGIA MENTAL humana é responsável por todos os pensamentos, idéias,


conjecturas, lógicas, inferências, raciocínios, conceitos, teorias, teses, suposições e
hipóteses, teses e antíteses.

A ENERGIA VOLITIVA humana é responsável pelos atos da vontade. A vontade dos


seres humanos é pavorosamente débil. Revise sua vida e verifique quantas vezes você
abandonou certos objetivos ou deixou incompleta alguma tarefa por falta de força de
vontade.

A ENERGIA CONSCIENCIAL humana é responsável pela percepção existencial.


Dizem-nos que o homem e a mulher vulgares possuem apenas uns 3% de consciência.
Esta pequena percentagem de consciência, ao invés de ser incrementada, normalmente
é desperdiçada com atividades inúteis. Quando nos identificamos com os acontecimentos
de nossa vida, malgastamos a energia da consciência. Deveríamos ver a vida como um
filme, sem nos identificarmos jamais com qualquer fato, drama, comédia ou tragédia
existencial. Assim, economizaríamos a energia da consciência. Esta energia é muito
especial, possuindo elevadíssima freqüência vibratória.

A ENERGIA ÁTMICA é dirigida do Ser para o Ser. Raríssimas pessoas manifestam


esta poderosa energia. Todos os que cristalizaram fisicamente a energia átmica foram
grandes mestres espirituais, como: Buda, Krishna, Jesus, Maomé, São Francisco de
Assis, Saint Germain, Cagliostro, etc.

As energias mecânicas (corpo físico) e vital (corpo vital ou etérico) são facilmente
identificáveis.

Para um estudante novato é extremamente difícil fazer distinção entre as energias


psíquicas (corpo emocional ou astral) e mentais (corpo mental ou do pensamento).

Ocorre que essas duas energias se manifestam de modo tão mesclados sendo, em
muitos casos, quase impossível separá-las. É algo semelhante a corda e a caçamba para
se tirar água do poço. Uma sem a outra não funciona, entretanto, são manifestações
completamente diferentes.

Há momentos em que as energias da consciência, mental e psíquica operam de forma


praticamente simultâneas, tornando impraticável a percepção das diferenças.

Na rememoração de vidas passadas com as respectivas descrições de cenas


pretéritas podem se manifestar as energias psíquicas, mentais, conscienciais e às vezes,
de modo muito raro, a energia átmica.

Na intervida, ou rememoração da intervida, há o predomínio da energia da


consciência. É também possível a manifestação da energia do Ser, mas alertamos que
não é tão freqüente na maioria das pessoas.

18 VOPPUS STELLA MARIS


LIÇÃO 01 JNANA-YOGA

Não é nosso objetivo discorrer amplamente acerca dessas energias, pois o tema foge
ao objetivo desse curso. Esse assunto está diretamente associado aos estudos da
metafísica e alto esoterismo. Caso você tenha interesse sugerimos os nossos cursos
Saber é Poder e Estudos Avançados Opus.

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VOPPUS STELLA MARIS 19


YOGA AVANÇADO LIÇÃO 01

CONSIDERAÇÕES GERAIS

PRAXIS é uma série de exercícios especiais que lhe serão ensinados para o seu
crescimento mental, material e espiritual. Você deverá seguir as orientações
correspondentes a cada um deles. Busque esforçar-se e coloca-los em prática, no
decorrer da sua vida diária.

PRAXIS foi elaborado de forma didática e progressiva para que, cada vez mais, você
possa vivenciar os ensinamentos teoricamente ministrados. Não se permita deter-se tão
somente na teoria exposta. Pratique os exercícios, porque você só será beneficiado. Não
se esqueça: TEORIA SEM PRÁTICA É ESTÉRIL. Nada poderá mudar em seu interior
somente com teorias. O máximo que pode ocorrer é você estar mais informado. Portanto,
não permita o congelamento da teoria exposta em seu cérebro. Pratique para extrair o
supra-sumo do ensinamento. Para ter o máximo de proveito nos exercícios siga as
seguintes orientações:

1) A cada nova lição você receberá um novo PRAXIS.

2) O PRAXIS deverá ser praticado por SEIS DIAS CONSECUTIVOS, descansando-se


no sétimo. Não é possível obter resultados sólidos praticando-os esporadicamente. Os
exercícios produzem uma série de mudanças internas que só se solidificam quando
repetidos muitas vezes.

3) Para cada semana há um PRAXIS. Ao avançar para a semana seguinte abandone


o PRAXIS anterior e dedique-se a praticar o novo exercício proposto. Caso você esteja
obtendo bons resultados com o PRAXIS anterior, divida o seu tempo de prática em duas
partes. Na primeira, faça o exercício de seu agrado; na segunda, pratique o experimento
proposto. Não deixe de praticar o novo PRAXIS, pois eles estão encadeados de tal forma
a produzir determinados resultados no final de certo tempo. Os exercícios posteriores
sempre têm algo a ver com o anterior; é como se fossem os elos de uma corrente.

PRAXIS 01

Este exercício é para você desenvolver a sua concentração. Saiba que a concentração
é um poder fantástico quando inteligentemente dirigido. Um homem ou uma mulher de
inteligência normal, com uma concentração altamente desenvolvida, pode realizar mais
trabalhos do que um intelectual que possua uma fraca atenção.

20 VOPPUS STELLA MARIS


LIÇÃO 01 JNANA-YOGA

O maior empecilho ao nosso triunfo pessoal, social, mental ou espiritual deve-se,


principalmente, a falta de atenção. Se você prestar atenção em uma só coisa por vez,
você poderá conhecer os seus vários aspectos e características. A pessoa comum do
mundo, sem nenhum treinamento, realiza várias coisas ao mesmo tempo. Ela permite
que muitas coisas entrem pelas portas de sua mente ao mesmo tempo. Devido a isto, seu
pensamento é confuso, nublado ou desordenado. Não há clareza no pensamento. A
pessoa é incapaz de analisar e sintetizar. Está confusa, perplexa com a multidão de
idéias e pensamentos. Não pode expressar-se claramente. Em contra-posição, uma
pessoa disciplinada pode se ater em um assunto único pelo tempo que julgar necessário.
Ela extrai a informação completa e detalhada sobre o tema ou coisa e então passa para
outro. Um indivíduo buscador do AUTOCONHECIMENTO deve desenvolver a faculdade
da CONCENTRAÇÃO.

Você não pode prestar atenção em duas coisas, dois assuntos, ao mesmo tempo.
Embora a mente seja muito rápida, ela só pode cuidar de um assunto por vez. Devido à
velocidade tremenda com que a mente se desloca para frente e para trás, deixa a
sensação falsa de prestar atenção em vários assuntos ou coisas ao mesmo tempo. Você
só pode ouvir ou ver uma coisa de cada vez.

A disciplina proposta para essa semana é a seguinte:


PRAXIS
1) Você deverá realizar
este exercício antes de ir
para a cama dormir, após
um dia de rotina;
2) Sente-se
confortavelmente em uma
cadeira, poltrona, sofá, no
chão ou na cama. Atenção,
não faça esta prática
deitado;
3) Feche os olhos.
Relaxe todos os músculos
de seu corpo;
4) Concentre-se nas
solas dos seus pés e diga
MENTALMENTE:
"músculos dos pés,
relaxem, relaxem, relaxem";

5) Concentre-se na barriga das pernas e repita mentalmente: "músculos da barriga das


pernas, relaxem, relaxem, relaxem";
6) Concentre-se nas coxas e repita mentalmente: "músculos das coxas, relaxem,
relaxem, relaxem";
7) Concentre-se na cintura e repita mentalmente: "músculos da cintura, relaxem,
relaxem, relaxem";

VOPPUS STELLA MARIS 21


YOGA AVANÇADO LIÇÃO 01

8) Concentre-se nos músculos de abdômen e repita mentalmente: "músculos do


abdômen, relaxem, relaxem, relaxem";
9) Concentre-se nos músculos do peito e ordene mentalmente: "músculos do peito,
relaxem, relaxem, relaxem";
10) Concentre-se nos músculos das costas e repita mentalmente: "músculos das
costas, relaxem, relaxem, relaxem";
11) Concentre-se nos músculos dos braços e ordene mentalmente: "músculos dos
braços, relaxem, relaxem, relaxem";
12) Concentre-se nos músculos do pescoço e repita mentalmente: "músculos do
pescoço, relaxem, relaxem, relaxem";
13) Concentre-se nos músculos do rosto e ordene mentalmente: "músculos do rosto,
relaxem, relaxem, relaxem";
14) Concentre-se nos músculos da cabeça e repita mentalmente: "músculos da
cabeça, relaxem, relaxem, relaxem";
15) Depois que você chegou à cabeça repita novamente o exercício, começando pelos
pés;
16) Repita pela terceira vez todo o relaxamento, começando pelos pés;
17) Esta é a prática para a primeira semana.

ATENÇÃO:

De agora em diante, sempre que você encerrar seu período de prática diária, faça-o
obedecendo aos sete pontos seguintes:
1) Mova suavemente as articulações dos pés;
2) Abra e feche as mãos com suavidade;
3) Sinta suas pernas, braços e tronco;
4) Sinta sua cabeça;
5) Abra suavemente os olhos;
6) Tome consciência do lugar em que se encontra;
7) Movimente-se como de hábito.

Atenciosamente,
O SEU INSTRUTOR DE CLASSE.

22 VOPPUS STELLA MARIS