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Dossier de Informação resumida sobre o Sahara Ocidental – Julho 2016

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República Árabe Saharauí


Democrática

Denominação oficial: República Árabe


Saharauí Democrática
Bandeira: consta de quatro cores:
vermelho, verde, negro, branco; com uma
meia lua e estrela vermelhas ao centro.
Capital: El Aaiún
Idioma: árabe; espanhol
Festa Nacional: 27 de Fevereiro,
proclamação da República Árabe Saharauí
Democrática
A República Árabe Saharauí Democrática
situa-se directamente em frente às Ilhas
Canárias.
As suas fronteiras têm uma extensão de
cerca 2.046 km.
O seu litoral é um doa mais importantes
de África, com cerca de 1200km.
A República Árabe Saharauí Democrática
é composta por cinco regiões geográficas, que se distinguem pelas suas características climáticas e
orográficas: região de Seguia El Hamra, região Zemour, região de Tires, região de Adrar Sataf e região
costeira.

Breve História até à conferência de Berlim em 1884

No início do séc. V a.C. (entre 500 e 480) - O cartaginês Hanón relata no “O Périplo” ter chegado à costa
do Sahara. Encontrou pessoas que viviam da pastorícia. Antes do final do século VII (d.C) - O Sahara
era povoado por negros, berberescos (Sanhadja). Já nos finais do séc. VII – primeira metade do séc.
VIII surgem relatos das primeiras incursões árabes no Sahara. Em Finais da idade média os
navegadores europeus começam a explorar a costa do Sahara. No século XI realiza-se a incursão árabe
protagonizada pelos Maguil, originários do Iemen, chegados do Egipto através da Tunísia. No principio
do séc. XIII os árabes Maguil, antepassados dos Saharauis, das tribos Hassan, instalam-se no território.

Em 1291 realiza-se a expedição dos irmãos Vivaldi originários do sul de Itália que desaparecem ao sul
de Uad Nun (Rio Nun). Em 1375 surgem pela primeira vez registos dos nomes Cabo Bojador e Cabo
Juby na obra de Abraham Cresques “Atlas de Carlos V o Francês” O primeiro registo do nome Rio de
Ouro surge no mapa de Nacia de Viladestes em 1405. De 1430 a 1466 registaram-se várias tentativas
de desembarque dos portugueses, entre os quais Gil Eanes, goradas pelos habitantes.

João Fernandez inicia o comércio de ouro e escravos com os habitantes em 1446 e em 1476 Diego
Herreta instala um entreposto comercial e edifica uma Torre em Santa Cruz de Mar Pequena (Sidi Ifni,
região de Tarfaya). O estabelecimento da primeira fortaleza espanhola na costa do Sahara Ocidental
foi em 1478. O Tratado hispano-português de Tordesilhas de 1494 consagra o “direito de conquista”
dos territórios entre Bojador e Cabo Branco a Espanha. Em 1524 a feitoria de Santa Cruz de Mar

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Pequena (Sidi Ifni) é destruída pelos saharauis e em 1566 os saharauis repelem as tropas do sultão
marroquino Mulay Mohamed El Mansur, que queria passar por Saguia el-Hamra, dirigindo-se à áfrica
negra (sub-sahariana) em busca de ouro e escravos.

Uma expedição enviada pelos canários chega a Saguia el-Hamra em 1572 antes de serem expulsos
pelos saharauis. Em 1591 os saharauis impedem a segunda expedição do sultão marroquino El
Mansur que altera o seu itinerário evitando o Sahara indo a Tombuctu. Em 1636 os holandeses
substituem os portugueses na exploração da costa saharaui.

A 28 de Maio de 1767 no tratado hispano-marroquino de Marraquexe , Marrocos reconhece no ter


nenhum controle a sul do rio Nun, e em 1799 no tratado de Meknes (1 de Março) entre Espanha e
Marrocos, o rei marroquino reconhece no ter nenhuma autoridade sobre os povos da ribeira de Nun.

De 1860-1861 o capitão francês Vincent explora a região saharaui de Adrar Setuf e Bu el Mojdad
atravessa o Sahara do sul ao norte, ao serviço dos franceses, atravessando o rio Draa a 14 de Janeiro
de 1861.

Em 1864 o espanhol Joaquín Gatel visita o Sahara e atesta a independência das tribos saharauis.

1884 – A “Sociedade espanhola de africanistas e colonialistas” ocupa a comarca de Rio de Ouro. No dia
26 de Dezembro, um decreto real coloca a região entre Bojador e La Guera, sob a autoridade
espanhola. Emilio Bonelli estabelece entrepostos na costa saharaui, sobretudo em Villa Cisneros
(Dahkla). Espanha informa Berlim e as potências europeias do estabelecimento do protetorado
espanhol nos territórios ente Bojador e Cabo Branco.

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Cronologia

1884 – Conferência de Berlim aprova a colonização do Sahara Ocidental por Espanha

1963 – As Nações Unidas incluem o Sahara Ocidental na lista dos territórios não autónomos

1969 – As Nações Unidas confirmam o direito do Povo Saharauí à autodeterminação, em virtude da


resolução 1514

17 de Junho de 1970 – Rebelião histórica de Zemla, contra o colonialismo espanhol

10 de Maio de 1973 – Criação da Frente Polisario

20 de Maio de 1973 – Declaração da luta armada contra a ocupação espanhola

16 de Outubro de 1975 – O Tribunal Internacional de Justiça pronuncia o seu parecer consultivo,


onde nega toda e qualquer relação de soberania entre o Sahara Ocidental e o Reino de Marrocos e
ainda a Mauritânia.

31 de Outubro de 1975 – Invasão militar marroquina do Sahara Ocidental

14 de Novembro de 1975 - Acordo Tripartido de Madrid, pelo qual Espanha se retira do Sahara
Ocidental , o qual será dividido entre o Reino de Marrocos e a Mauritânia

27 de Fevereiro de 1976 – A Frente Polisario declara a proclamação da RASD (República Árabe


Saharauí Democrática) começa a guerra no Sahara Ocidental entre a Frente Polisario por um lado, e os
exércitos invasores de Marrocos e da Mauritânia, por outro.

Novembro 1979 – A Mauritânia retira-se do conflito, reconhecendo o direito do Povo Saharauí à


autodeterminação. Marrocos ocupa rapidamente a parte do território abandonado pela Mauritânia.

1980 – Marrocos inicia a construção do muro de separação finalizando a sua construção 1987,
dividindo o território em duas partes. O muro fica conhecido como o “Muro da Vergonha”.

1984 – A Organização da Unidade Africana (OUA) admite a República Árabe Saharauí Democrática
(RASD) como membro, enquanto que Marrocos se retira deste organismo africano.

1988 – 30 de Agosto, aceitação por parte da frente Polisário e de Marrocos das propostas conjuntas da
ONU e da OUA sobre o Sahara, cujo objectivo é realizar um referendo de autodeterminação do Povo
Saharauí , sobre a base do censo espanhol de 1974. Os Saharauís deverão escolher entre a
independência ou a integração em Marrocos.

1991 – A 29 de Abril , o Conselho de Segurança das NU adopta a resolução 690, que decide a criação
da MINURSO e aprova o relatório do Secretário Geral da ONU S/22464, completando as modalidades
de aplicação do Plano de Paz. A 6 de Setembro, o general canadiano Armand Roy, Comandante da
unidade militar MINURSO, proclama cessar fogo no Sahara. A 13 de Dezembro , o embaixador

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Johannes Manz informa o Secretário Geral da ONU Javier Perez de Cuéllar, o seu desacordo com as
modificações que este projecta fazer (a propósito dos critérios de identificação de eleitores) e da
“segunda marcha” marroquina sobre o Sahara, que constitui uma infracção ao plano de Paz, demite-se
a 20 de Dezembro, em sinal de protesto.

De 1991 a 1994 - Rabat desloca 170000 pessoas do interior de Marrocos para o Sahara.

1992 – em Janeiro, o referendo é agendado pela primeira vez.


De 17 a 23 de Outubro, novas manifestações em El Aaiún, seguidas de detenções. A 29 de Outubro,
resolução do Parlamento Europeu denunciando “a atitude brutal das forças de polícia marroquinas”
perante os Saharauís nas zonas ocupadas.

1993 – A 26 de Setembro, uma missão de investigação dos EUA dos institutos de estudos
internacionais dos partidos Democrata e Republicano recomenda ao governo dos EUA, após a sua
visita à região, que se comprometa a favor da independência do Sahara.

A 25 de Outubro, fracassa a segunda ronda de negociações Sahara/Marrocos organizadas pela ONU


em Nova Iorque.

1994 – A 9 de Fevereiro o Parlamento Europeu pede a Marrocos que levante o estado de sitio no
Sahara e permita o acesso de observadores independentes ao território.

1995 – O embaixador americano Frank Rudy, vice-presidente da Comissão de identificação da


MINURSO , de Fevereiro a Dezembro de 1994, a 25 de Janeiro, revela e denuncia perante a comissão
“ad hoc” do congresso dos EUA “os comportamentos de mafioso dos marroquinos”.

A 19 de Setembro, a organização de defesa dos direitos humanos Human Rights Watch intervém
diante do Conselho de Segurança da ONU para denunciar a ausência de controlo por parte deste
organismo sobre o processo de referendo.

1996 – A Amnistia Internacional denuncia, a 29 de Abril, “as graves violações dos direitos humanos”
cometidas “pelas forças de segurança marroquinas no Sahara Ocidental, apesar da presença da
MINURSO”.

1997 – A 17 de Março, é nomeado James Baker como enviado pessoal do Secretário Geral da ONU no
Sahara Ocidental.
De 14 a 16 de Setembro decorrem negociações e a assinatura dos acordos de Houston pelo Sahara
Ocidental e Marrocos.

1998 – Membros do Congresso dos EUA pedem, a 22 de Outubro, ao presidente Clinton para
reconhecer a RASD, se Marrocos não coopera com a ONU para a realização do referendo.

1999 – Continuam as manifestações de protesto contra a ocupação marroquina em todas as cidades


do Sahara Ocidental e no sul de Marrocos.

2002 – A Polisario procede, a 17 de Janeiro, à libertação de 115 prisioneiros marroquinos, sob os


auspícios do Comité Internacional da Cruz Vermelha, CICR.
A 29 de Janeiro, depois dos contratos de prospecção de hidrocarbonetos assinados por Marrocos com
empresas estrangeiras, o conselheiro jurídico das Nações Unidas, salienta que Marrocos não é

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potência administrativa, que os Acordos de Madrid não transmitiram nenhuma soberania aos seus
signatários, que o estatuto do Sahara Ocidental como território não-autónomo não é afectado e que
toda a exploração das riquezas naturais do território, sem o consentimento do Povo Saharauí é
contrária aos princípios de Direito Internacional.

19 de Janeiro – Koffi Annan entrega o seu relatório ao Conselho de Segurança, onde sugere as
seguintes opções:
1ª opção: As Nações Unidas tentam aplicar o plano de Paz sem o consentimento de ambas as partes;
2ª opção Revisão do acordo-base sem o consentimento das partes – o Conselho de Segurança
apresentará o documento como não-negociável.
3ª opção – Conselho de Segurança põe fim as actividades da MINURSO

A 27 de Fevereiro o Conselho de Segurança adapta a resolução 1394, na qual prorroga o mandato da


MINURSO até 30 de Abril de 2002, decide estudar activamente as propostas apresentadas e pede ao
Secretário Geral que o informe antes do fim do mandato em curso.
2003/2004 – Resoluções do Conselho de Segurança apelando as partes em conflito a cooperação com
o enviado especial em busca de uma solução política que garanta o direito de autodeterminação do
Povo Saharauí.
Maio de 2005 - Inicio do movimento de protesto pacífico (INTIFADA) em todas as cidades ocupadas
do Sahara Ocidental e sul de Marrocos, contra a ocupação marroquina e respeito pelo Direito
Internacional.
2008 - Têm lugar diversas rondas de negociações falhadas entre as partes. Marrocos insiste na via da
autonomia, enquanto a Frente Polisario defendo o direito à autodeterminação

2009: Em Agosto, a ONU promulga a Resolução 1871 (2009) de 30 de Abril adoptada pelo Conselho
de Segurança das Nações Unidas - onde se reafirma a necessidade de implementação das resoluções
anteriores e decide prolongar o mandato da MINURSO até 30 de Abril de 2010

Parlamento Português aprova a 27 de Novembro voto de solidariedade relacionado com a situação da


activista Aminetu Haidar, obtendo como resposta um comunicado do Ministério dos Negócios
Estrangeiros e Cooperação marroquino dizendo-se “espantado” e “decepcionado” com tal acto.

2010 - Resolução 1920 (2010) de 20 de Abril de 2010 adoptada pelo Conselho de Segurança das
Nações Unidas - onde se reafirma a necessidade de implementação das resoluções anteriores e decide
prolongar o mandato da MINURSO até 30 de Abril de 2011, não é incluído o alargamento do mandato
da MINURSO aos direitos humanos.
A 9 de Outubro inicia-se o acampamento de Gdeim Izik que reúne mais de 40.000 civis saharauis a
13km de El Aaiun, no deserto, que se manifestam pelos seus direito sociais e direitos humanos. Dia 8
de Novembro, desmantelamento, assalto e destruição por parte das forças militares e militarizadas
marroquinas do acampamento da Dignidade Saharaui Gdeim Izik. Marrocos é acusado de violação dos
direitos humanos e censura aos meios de Comunicação Social.
Visita a Portugal de Amenitou Haidar (8, 9 e 10 de Novembro) que denúncia a vários órgãos de
comunicação social o desmantelamento brutal de Gdaim Izik.
Em Dezembro, a Assembleia-geral da ONU aprova uma resolução que reafirma o direito inalienável de
todos os povos à livre determinação e à independência. Marrocos e a Frente Polisário concluem sem
progressos a sua 5a ronda de negociações sobre o Sahara na ONU.

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2011 - Abril – O secretário geral das Nações Unidas Ban Ki-moon recomenda que a MINURSO inclua a
monitorização dos direitos humanos no seu mandato.
2012 - 18 de Abril – O Parlamento Europeu aprova uma resolução, com 84,04% votos a favor,
denunciando as graves violações dos direitos humanos cometidos pelo Reino de Marrocos e exigindo o
respeito pelos direitos fundamentais de associação, expressão e manifestação, a libertação dos presos
políticos, em particular os 23 presos (grupo Gdaim Izik) aguardando julgamento desde Novembro de
2010 e apela a criação de um mecanismo internacional de vigilância dos direitos humanos nos
territórios.

17 de Setembro visita do relator especial das Nações Unidas contra a tortura, Sr. Juan Méndez, foram-
lhe apresentadas mais 200 denúncias, dezenas de activistas e membros de comités de defesa dos
direitos humanos manifestaram-se pacificamente exigindo o direito a autodeterminação nas ruas de El
Aaiún. As autoridades marroquinas atacaram violentamente a manifestação.
3 de Novembro - Christopher Ross, enviado especial para o Sahara Ocidental do Secretário Geral das
Nações Unidas, terminou a visita oficial a Marrocos e ao Sahara Ocidental, seguindo para a Argélia.
5 de Dezembro o Parlamento Sueco aprovou, em sessão extraordinária, a sua decisão de reconhecer
oficialmente a RASD e uma moção que urge o governo a reconhecer a RASD. O governo sueco não
reconheceu a RASD.
2013 - 8 a 16 de Fevereiro – Julgamento do grupo de Gdaim Izik, presos políticos saharauis no
tribunal militar de Rabat. O julgamento contou com mais de 40 observadores internacionais entre os
quais duas representantes da ACOSOP de Portugal. As penas atribuídas vão de 20 anos a prisão
perpetua. Vários juristas internacionais classificam o processo Nulo de Pleno Direito.
Abril – Conselho de segurança das Nações Unidas veta a inclusão da monitorização dos direitos
humanos no mandato da Minurso. EUA votam contra apesar de dias antes terem dito que iriam votar a
favor, após essa declaração o governo marroquino cancelou manobras militares conjuntas e iniciou
um trabalho de pressão internacional com França.
4 de Maio – maiores manifestações das últimas 4 décadas nos territórios ocupados. Milhares de
manifestantes e grande repressão das autoridades marroquinas.

Deslocação e reforço de contigente militar nos territórios ocupados que passam a viver em estado de
sitio, jornalistas e repórteres de imagem são perseguidos como nunca antes.
Aprovação no Parlamento Europeu do acordo de Pescas entre a UE e o Reino de Marrocos que inclui
águas territoriais do Sahara Ocidental, uma grave violação do direito internacional.
2014 – Janeiro . violentos ataques das forças de ocupção marroquinas contra a população Saharauí
nos territórios ocupados, verificando-se dezenas de sequestros, detenções arbitrárias, feridos e
destruição de casas.
Visita oficial do enviado especial do Secretário Geral da ONU, Christopher Ross.

2015 - Recortes na ajuda humanitária ao campos de refugiados agrava a situação da população.

Aumento de repressão nos territórios ocupados em resposta à resistência pacifica e às manifestações


diárias da população.

Abril Prolongamento da missão da MINURSO por mais um ano.

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26 de Junho - Conselho Federal Suíço aceita a adesão da Frente Polisario à de Convenção de Genebra
de 1949

Outubro - Cheias torrenciais que provocam emergência humanitária nos campos de refugiados

10 de Dezembro - Acórdão do Tribunal de Justiça Europeu que anula o acordo entre a UE e o Reino de
Marrocos, devido à inclusão de produtos e recursos do Sahara Ocidental.

2016 - Aumento da repressão nos territórios ocupados, detenções arbitrárias e torturas. Contingente
militar Marroquino aumenta em número.

5 de Março - RASD declara os limites exteriores da sua zona económica exclusiva (ZEE) de 200 milhas

5 e 6 de Março - visita de Secretário Geral da ONU aos campos de refugiados , provocando uma crise
entre ONU e Marrocos que leva Marrocos a expulsar o contingente Civil da MINURSO

Abril - prolongamento do mandato da MINURSO por mais um ano.


Conselho de Segurança reúne de urgência e estabelece prazo de 90 dias para que Marrocos permita o
regresso dos funcionários expulsos.

31 de Maio - Falece Mohamed Abdelaziz, Secretário-Geral da Frente Polisário e presidente da


República Árabe Saharauí Democrática entre 1976 até a sua morte.

9 de Julho - Eleito Brahim Gali para Secretário-Geral da Frente Polisário e presidente da República
Árabe Saharauí Democrática

26 de Julho - prazo de 90 dias terminou tendo apenas regressado 25 dos 73 funcionários expulsos.

27 de Julho - Tribunal supremo de Marrocos aceita recurso interposto pelo grupo de presos políticos
de Gdeim Izik e transfere o processo para o tribunal civil

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Recursos naturais

O Sahara Ocidental é um território riquíssimo em recursos naturais, tem um dos maiores depósitos de
fosfatos do mundo, um banco pesqueiro enorme, reservas de petróleo, gás, zircónio, ferro, cobre e
urânio.

Estes recursos têm sido sistemática e ilegalmente explorados e espoliados pelo Reino de Marrocos,
não havendo qualquer retorno ou beneficio para a população saharaui.

Este roubo é condenado e viola inúmeras disposições legais internacionais. As Nações Unidas
emitiram um vasto número de resoluções e convenções que definem estas actividades como ilegais. A
cumplicidade do comércio internacional permite a Marrocos espoliar e enriquecer à custa dos
recursos naturais saharauis, enquanto milhares de saharauis estão desempregados, no exílio ou a
viver nos campos de refugiados.

A União Europeia celebrou um acordo com Marrocos em 2015 que incluía os recursos e produtos
originários do Sahara Ocidental , em dezembro de 2015 o Tribunal Europeu de Justiça publica o
acórdão que invalida esse mesmo acordo por incluir recursos e produtos originários do Sahara
Ocidental, e viola a lei internacional.

Os fosfatos
A extração de cerca 2,4 milhões de toneladas, deste importante componente dos
fertilizantes para a agricultura é feita na minas de fosfatos de Bou Craa, das quais são
transportados ao longo de mais de 100 quilómetros até El Aaiún (capital do Sahara
Ocidental). É a partir de El Aaiún, que os fosfatos são transportados para vários países
do mundo. A venda dos fosfatos é uma enorme fonte de receitas para o Reino de
Marrocos. Dos quase 2000 trabalhadores da empresa Bou Craa, apenas cerca de 10%
são saharauis, os restantes são colonos marroquinos. Em 1969 os trabalhadores
existentes eram todos saharauis. Actualmente os trabalhadores saharauis ainda em funções em Bou
Craa sofrem discriminações salariais e de condições de trabalho em relação aos trabalhadores
marroquinos.

O banco Pesqueiro

O Sahara Ocidental possui uma costa de 1500km e um banco pesqueiro


de 150.000km2, com 200 espécies piscícolas e 60 espécies de moluscos e
crustáceos. Os sucessivos acordos de pesca estabelecidos entre o Reino
de Marrocos e a União Europeia permitiram durante anos o saque destas
águas territoriais por parte de frotas estrangeiras, entre as quais
Portugal. A 14 de Fevereiro de 2013 Marrocos assinou um acordo de
pesca com a Rússia, mais um país a adicionar aos muitos que apoiam financeiramente a ocupação
marroquina. Dos cerca de 200.000 trabalhadores ligados aos sector da pesca no Sahara Ocidental e
nos dois principais portos (Dahkla e El Aaiún) apenas uma minoria são Saharauis. As caríssimas
licenças de pesca para os saharauis, são emitidas pelo governo de Marrocos que limita ao máximo a
atribuição das mesmas. Em Março de 2016 RASD a declara os limites exteriores da sua zona
económica exclusiva (ZEE) de 200 milhas.

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O petróleo

A carta enviada ao Conselho de Segurança a 29 de Janeiro de 2002, pelo então adjunto para os
assuntos jurídicos/legais da ONU, o Sr. Hans Corell é clara ao afirmar que "se desenvolverem mais
actividades de exploração que vão contra os interesses e desejos do povo do Sahara Ocidental, todas
essas actividades constituiriam uma violação dos princípios do direito internacional”. Ficando muito
claro que a exploração petrolífera neste território seria ilegal.

Mais uma vez o Reino de Marrocos ignora a ONU e desrespeita a lei internacional montando quatro
locais para a exploração petrolífera no Sahara Ocidental, e vai mais longe ao emitir licenças de
exploração através da empresa estatal ONHYM, das quais 3 se destinam a empresas estrangeiras.

A licença para a exploração na costa, no alto mar de Bojador, é da empresa Kosmos Energy Offshore
Morocco HC (subsidiaria da empresa Kosmos Energy Ltd, registada nas Bermudas). As licenças para a
exploração em terra são das empresas San Leon Morocco Ltd, da Irlanda, da Longreach Oil and Gas
Ventures do Reino Unido e da empresa estatal marroquina ONHYM, na bacia de Tarfaya no nordeste
do Sahara Ocidental. As empresas estatais San Leon/ONHYM em conjunto com a Longreach detêm
uma licença de exploração no território Zag, no nordeste do Sahara Ocidental onde se suspeita de
existência de depósitos de gás natural.

Em 2011 Marrocos criou mais 4 zonas de exploração petrolífera novas que até agora não foram
concedidas a nenhuma empresa.

Actividade Económica

Agricultura

Estima-se que a área de produtividade agrícola do Sahara Ocidental abrange cerca de 1 milhão de
hectares, estando já explorados mais de 500ha e foram irrigados cerca de 1400ha a 70 km de Dakhla.
Nos últimos anos milhares de colonos marroquinos têm sido levados para trabalhar nas plantações de
frutas e verduras dos territórios ocupados.

São especialmente as zonas no sul do Sahara Ocidental, nomeadamente a região de Dakhla, que desta
forma são integradas na estratégia marroquina de colonizar ainda mais este território. Os saharauis
não beneficiem deste “desenvolvimento”, nem a nível económico, nem através de postos de trabalho,
uma vez que estes são quase exclusivamente para os colonos. As águas extraídas para irrigação
provêm de profundidades de 300-600m de um extenso extrato subterrâneo de águas fosseis, não
renováveis. Os produtos são exportados para a Europa e países de Leste. Dois dos maiores produtores
são as companhias francesas Azura e Idyl que empregam mais de 10.000 trabalhadores a grande
maioria colonos marroquinos.

A areia

Toneladas das finas areias das praias do Sahara também têm sido ilegalmente exportadas para
ampliar e reforçar praias existentes ou como no caso da Ilha da Madeira para criação de praias
“artificiais”.

O Turismo

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O contraste geográfico do território (paisagem desérticas, praias, dunas, a vida nómada e sedentária
oferece grandes possibilidades de fomentar o turismo) o governo marroquino promove actualmente
iniciativas neste sector que se some à exploração ilegal dos recursos naturais.

O muro da vergonha

O muro erguido pelo Reino de Marrocos é mais uma violação do Direito Internacional, numa tentativa
desesperada de controlar o povo saharaui e impedir a sua livre circulação. O objectivo do muro é
confinar a população saharaui a viver em apenas um terço do seu território, de forma a não terem
acesso nem as explorações mineiras nem à zona litoral, ambas exploradas ilegalmente por Marrocos
com o apoio de países terceiros, nomeadamente da União Europeia.

A construção do muro iniciou-se em 1980 tendo


actualmente 2720km de comprimento, 60 vezes o
tamanho do muro de Berlim. Ao longo do muro estão
estrategicamente colocados bunkers, campos de minas e
valas repletas de arame farpado. A
cada 5km encontram-se grupos
militares e a cada 15km existe um
radar.

Existem várias estimativas sobre o número de soldados marroquinos que estão


colocados ao longo do muro e todas apontam para um número igual ou
superior a 100.000 soldados. O custo diário de manutenção do muro é de
aproximadamente 2 milhões de dólares.

Este muro divide e separa membros da mesma família, que são obrigados a viver eternamente
afastados.

Está em curso uma campanha internacional pelo desmantelamento do muro.

As minas

Estima-se que existam cerca de 9.000.000 de minas colocadas ao


longo do muro. Trata-se de minas antipessoais e minas antitanque. A
vida nómada dos saharauis é assim muito limitada e existem
inúmeras vitimas destas minas.

A Frente Polisario assinou o Tratado de Ottawa (proibição de uso,


armazenamento, produção e transferências de minas antipessoais) e
nunca colocou minas de qualquer tipo, Marrocos não assinou o acordo
e colocou 9.000.000 de minas nos territórios saharauis.

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Apesar das inúmeras campanhas internacionais apelando ao desmantelamento das minas, e de terem
passado mais de duas décadas após o cessar-fogo, Marrocos continua a recusar fazer a desminagem do
Sahara Ocidental.

A desminagem feita nos territórios libertados está a cargo da Frente Polisário e conta com um grupo
de jovens mulheres saharauis em cooperação com organizações internacionais.

Campos de Refugiados – Tindouf, Sul da Argélia

Em 1975 o ataque e a invasão por parte de Marrocos do Sahara Ocidental foi de tal ordem violento que
levou ao êxodo de milhares de saharauis na sua maioria mulheres, crianças e idosos que tentavam
fugir aos bombardeamentos com Napalm e fósforo branco.

Esta fuga em massa levou os saharauis até ao sul da Argélia, ao deserto dos desertos, único local onde
os Marroquinos não os conseguiam atingir.

Iniciou-se então a construção de 5 campos que adoptaram os nomes das 5 maiores Wilayas
(cidades/distritos) saharauis: El Aaiún, Smara, Ausserd, Dahkla e Bojador (antigo 27 de Fevereiro).
Existem ainda outros aglomerados/campos mais pequenos que albergam escolas e centros
administrativos.

Cada Wilaya é divida em Dairas (municípios) e essas por sua vez em bairros (freguesias). Os/as
governadores/as e os restantes representantes são eleitos pela população.

A população dos campos que era até há pouco tempo composta essencialmente por mulheres, crianças
e idosos, tem vindo a mudar, visto a situação se prolongar já há mais de 3 décadas. No entanto as
mulheres continuam a desempenhar um papel fundamental na administração e gestão dos campos e
todas as suas valências.
Todos os campos têm jardins de infância, escolas primárias e secundárias,
escolas de educação especial, escolas de mulheres, dispensários, hospitais,
museus, centros culturais e várias outras organizações locais que ajudam a
formar e desenvolver a população.

O analfabetismo foi erradicado dos campos saharauis e muitos jovens


prosseguem os seus estudos, em Argélia, Cuba, Espanha e outros países que os
acolhem temporariamente.

As famílias vivem em Jaimas (tendas) e com o passar do tempo iniciaram a construção de pequenas
habitações de adobe. Alguns dos campos já têm luz elétrica, mas recorre-se à energia solar rudimentar
na maioria dos lares. A água é fornecida em camiões cisterna que depois fazem a distribuição pelos
vários tanques de plástico que são divididos entre várias famílias. A Frente Polisario através dos
comités locais assegura a distribuição da água e dos alimentos de forma equitativa. Todas as crianças
são vacinadas.

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Estando os campos localizados num meio de um deserto inóspito onde quase nada cresce, e onde não
existe praticamente actividade comercial, os seus habitantes estão dependentes da ajuda alimentar
internacional para sobreviver.

A crise na Europa, assim como a prolongamento desta situação há mais de três décadas fez com que os
apoios têm vindo a diminuir significativamente expondo a população a graves deficiências
alimentares.

A organização exemplar dos campos é referida e elogiada a nível mundial, o facto de o governo da
RASD ter optado por este modelo de campos, que são uma réplica da sua terra natal ocupada, permite
que a população esteja preparada para regressar às suas cidades do Sahara Ocidental e assumir em
qualquer altura a administração do seu território legitimo.

Territórios libertados

Os territórios libertados consistem numa franja de cerca de 90.000 Km2.


Este território controlado pela Frente Polisario e a RASD faz fronteira a
norte com a Argélia, a leste, a sul com a Mauritânia e a oeste com o muro
de separação marroquino.

Acede-se a este território através da Argélia na Estrada que liga Tindouf a Bir Moghrein e a
Mauritânia. Existe um posto de fronteira na Argélia e outro da RASD.
A diferença paisagística dos territórios libertados é quase
imediatamente notada uma vez que há árvores, colinas e riachos , mais
flora e também fauna, com um clima mais húmido e as temperaturas
mais temperadas.

Muitos dos beduínos que por aqui passam, vivem nos campos de
refugiados e apenas alguns meses por ano se dedicam à vida nómada, a
“badía ”.
Esta percurso também é feito muitas vezes para se encontrarem com familiares residentes na
Mauritânia e para conseguir melhorar um pouca a alimentação.

Existem campos definitivos em Bir Lehlu , Mheiriz , Miyek , Tifariti e Agü enit . Em Miyek, Tifariti e
Agü enit foram construídos hospitais com energia elétrica e solar e em Agüenit existe um poço com um
caudal de cerca 40 000 litros por dia.
Em Tifariti onde convergem nómadas, militares e refugiados sedentários, o governo da RASD
construiu estruturas duradouras. Aí esta instalada a sede do Conselho Nacional Saharaui .

A sede provisória do governo saharaui está localizada em Bir Lehlu.

Recursos Naturais e actividade económica

Apenas há alguns anos a esta parte se tem vindo a analisar as possibilidades de desenvolvimento deste
território. Entre os recursos naturais existentes e por explorar pode-se contar com diamantes,
petróleo, ferro, vários minerais valiosos, areia de alta qualidade, granito, gesso, cal, água, energia solar

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(210/ 250wats por metro quadrado por dia) e energia eólica (os ventos saharauis costumam atingir
uma velocidade de 3,6 a 11metros por segundo).

Os territórios libertados também oferecem possibilidades na área da cultura e do turismo.

Existem vários percursos interessantes como as sepulturas dos Hilaliín, e a caverna do diabo, ou o
parque arqueológico de Erqueyez, entre outros.

Esta zona é conhecida como o neolítico do deserto do Sahara, onde se podem encontrar vestígios
vários dessa época.

Já se realiza com regularidade o ARTIFARITI, um evento cultural de artes plásticas, com a participação
de artistas a nível internacional.

Este território tem muitas possibilidades mas para poderem ser devidamente desenvolvidas é
necessária não só o apoio e capacidade do ponto visto económico como a desminagem.

Territórios ocupados

A população saharaui que vive nos territórios ocupados está sujeita a


constantes ataques por parte das forças de ocupação marroquinas.
Através da mobilização e colocação de milhares de soldados nos
territórios a par com as centenas de milhares de colonos marroquinos
a população saharaui está votada a um apartheid político, social e
económico.

Todos os dias os direitos humanos nos territórios ocupados são


violados pela força de ocupação, que reprime, espanca, sequestra,
tortura, todos os saharauis que ousam afirmar a sua identidade.

Os alunos saharauis são vetados a um apartheid dentro da sala de aula


e nos recreios da escolas é habitual estarem militares marroquinos.

Apesar da brutal ofensiva assiste-se desde 2005 a uma intifada (revolta) pacífica da população
saharaui que quase diariamente vem à rua expressar os seus anseios, exigindo a realização do
referendo de autodeterminação e o respeito pelos direitos humanos.

Em Outubro de 2010 cerca de 40.000 saharauis,


homens, mulheres e crianças, juntaram-se num
acampamento de protesto pacífico, no deserto a 13km
da cidade de El Aaiun. Este acampamento ficou conhecido como o acampamento
de Gdaim Izik e foi brutalmente desmantelado no dia 8 de Novembro, do mesmo
ano, pelas forças marroquinas que aproveitaram para sequestrar várias dezenas de activistas
saharauis. Muitos destes activistas ainda se encontram em prisão cumprindo penas perpetuas, após
um julgamento ilegal por um tribunal militar.

A livre circulação e liberdade de expressão nos territórios ocupados não existem. Quaisquer
estrangeiros que consigam entrar nos territórios ocupados são constantemente vigiados pelas

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autoridades marroquinas e muitas vezes expulsos do território. Não existe liberdade de imprensa e os
jornalistas são perseguidos.

As forças de ocupação arrombam as casas dos saharauis, destruem os seus parcos pertences,
incendeiam lojas e veículos. Os activistas e as suas famílias sofrem ataques verbais e físicos,
espancamentos, sequestros, torturas e violações e a comunidade internacional continua silenciosa.

As crianças não são poupadas aos maus-tratos e torturas por parte da ocupação marroquina, havendo
denuncias junto das Nações Unidas de casos de tortura de crianças com 4 anos.

As imagens e os relatos dos ataques sofridos, das manifestações pacíficas e da sua subsequente
repressão brutal, sucedem-se dia após dia.

A determinação e vontade do povo saharaui de reaver a sua terra, realizar o referendo e viver em paz
é inquestionável e é proclamada diariamente em cada esquina dos territórios ocupados.

Presos Políticos e Desaparecidos

Desde a invasão que Marrocos se empenha à erradicação total de qualquer tipo


de resistência nos território ocupados.

Além de estabelecerem ordens que proíbem a livre circulação, o direito de associação, a utilização e
exibição da bandeira nacional saharaui, recorrem ao impedimento da liberdade de expressão e de
imprensa e intimidam de forma violenta a população e os activistas saharauis.

As forças marroquinas sequestram activistas saharauis que permanecem longos


períodos desaparecidos, até que a família seja informada do seu paradeiro e sejam
levados a “julgamento” ou tenham o primeiro contacto com um representante legal.

Existem centenas de desaparecidos, não há registos fiáveis por parte das autoridades
marroquinas e muitas das famílias que se separaram durante a guerra não sabem se os
familiares estão vivos, o que torna complicado o recenseamento de todas as situações.

Em Dezembro de 2013 foram descobertas duas valas comuns nos territórios ocupados com 8
saharauis desaparecidos há dezenas de anos. Com a ajuda de uma equipa forense
espanhola foi possível determinar a identidades dos cadáveres e ossadas.

As dezenas de presos políticos encarcerados nas prisões marroquinas sofrem as


piores condições imagináveis, sendo frequentemente sujeitos a tratamento
desumano, torturas e falta de assistência médica.

Os procedimentos legais não são respeitados pelo reino de Marrocos, que detêm
de forma arbitrária quem quer, e recusa informar as famílias do paradeiros dos
detidos que raramente são julgados no tempo legal após a sua
detenção/sequestro. A representação legal muitas vezes só lhes é concedida
após meses ou anos de encarceramento.

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Os presos políticos são enviados para várias prisões dentro e fora dos territórios ocupados, as visitas
de familiares e amigos são raramente concedidas e as visitas por parte de associações de direitos
humanos internacionais impedidas.

Os julgamentos são particularmente cruéis, com erros processuais graves. A presença em alguns
destes julgamentos de observadores internacionais tem permitido a denuncia desta situação.

O julgamento dos 25 presos políticos saharauis do grupo de Gdeim Izik, que teve lugar num tribunal
militar foi denunciado por vários juristas como nulo de pleno direito e com violação de várias leis
nacionais e internacionais. As penas atribuídas foram de 20 anos a prisão perpetua.

Em Dezembro de 2013 o grupo de trabalho das detenções arbitrárias das Nações Unidas em visita a
Marrocos denunciou todas estas situações, e no caso dos presos de Gdeim Izik recomendou a sua
libertação ou novo julgamento.

Em Julho de 2016 o tribunal supremo marroquino transfere o processo destes presos para o tribunal
civil.

MINURSO - Missão das Nações Unidas para a manutenção da paz no Sahara


Ocidental
A Missão das Nações Unidas para o referendo no Sahara Ocidental conhecida por
MINURSO é a missão para a manutenção da paz no Sahara Ocidental criada após a
resolução 690 de 29 de Abril de 1991 do Conselho de Segurança das Nações
Unidas. O nome é o acrónimo francês para "Mission des Nations unies pour
l'Organisation d'un Référendum au Sahara Occidental".
O plano de acção da MINURSO estabelecia um período de transição para preparar a celebração de um
referendo em que o povo saharaui poderia escolher entre a integração no Reino de Marrocos ou a
independência.
O representante especial do secretário geral da ONU tem a única e exclusiva responsabilidade sobre os
assuntos relacionados com a celebração do referendo, tendo o apoio de um grupo constituído por
civis, militares, pessoal da policia civil que ficou conhecido como MINURSO - A Missão das Nações
Unidas para o referendo no Sahara Ocidental.
O mandato original da MINURSO era:

• Sobre visionar o cessar fogo;


• Verificar a redução de tropas de Marrocos no Território;
• Sobre visionar a restrição das tropas de Marrocos e da Frente POLISARIO aos lugares assinalados;
• Tomar medidas com as partes para assegurar a libertação de todos os prisioneiros políticos ou
detidos do Sahara Ocidental;
• Sobre visionar o intercâmbio de prisioneiros de guerra (Comité Internacional de da Cruz Vermelha);
• Implementar o programa de repatriamento (Alto Comissariado das Nações Unidas para os
Refugiados);
• Identificar e registar as pessoas com direito a voto;

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• Organizar e assegurar a realização de um referendo livre e justo, e dar a conhecer os resultados.

Apesar da realização do referendo ainda não ter sido possível devido aos obstáculos e recusa continua
de Marrocos até à data, o mandato da MINURSO neste momento limita-se a :

• Sobre visionar o cessar fogo;


• Reduzir a ameaça das minas e as munições sem as detonar;
• Apoiar as medidas de fomento de confiança.
O mandato da MINURSO não tem incluído a monitorização dos direitos humanos no Sahara Ocidental
o que leva a completa impunidade por parte de Marrocos que viola sistematicamente a carta dos
direitos humanos da ONU e todas as convenções que tem vindo a ratificar a nível internacional, entre
elas a convenção contra a tortura.
É urgente que a MINURSO veja incluída a proteção dos direitos humanos no seu mandato e cumpra o
seu objectivo inicial, a realização do referendo de autodeterminação.

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