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Fichamento de Signos, Maquinas, subjetividades, de Maurizio Lazzarato (2014)

p 14 - “O capitalismo ‘lança modelos (subjetivos) do mesmo modo como a industria automobilística


lança uma nova linha de carros’. Portanto, o projeto central da política do capitalismo consiste na
articulação de fluxos econômicos, tecnológicos e sociais com a produção de subjetividade de tal
maneira que a economia política se mostre idêntica a economia subjetiva”

p 17 - “no capitalismo, a produçnao de subjetividade opera de duas maneiras, que Deleuze e


Guattari denominam dispositivos de sujeição social [assujettissement sociaux] e servidão maquinica
[asservissement machinique].
A sujeição social nos dota de uma subjetividade, atribuindo a nós uma identidade, um sexo,
um corpo, uma profissão, uma ncionalidade e assim por diante. Em resposta às necessidades da
divisão social do trabalho , ela fabrica sujeitos individuados, sua consciência, representações e
comportamtento.
(…) A servidão maquínica desmantela o sujeito individuado, sua consciência e suas
representações, agindo sobre níveis pré-individual e supraindividual.
(…)os maquinismos invadiram nossas vidas cotidianas e agora ‘assistem’ nossos modos de
falar, ouvir, ver, escrever, sentir ao constituir o que poderíamos chamar de ‘capital social constante’.
Máquinas técnicas e maquinas sociais, nas quais humanos e não humanos funcionam juntos
como partes componentes no agenciamento corporativo, no agenciamento do estado de bem-estar
social e no agenciamento midiático...”

p 27 - “Ao nos equipar com uma subjetividade individual, ao nos atribuir uma identidade, um sexo,
uma profissão, uma nacionalidade e assim por diante, a sujeição social produz e distribui lugares e
papéis dentro e para a divisão do trabalho. Através da linguagem, ela constitui uma armadilha
semiótica significante e representativa da qual niguém escapa. A sujeição social produz um ‘sujeito
individuado’ cuja forma paradigmática no neoliberalismo tem sido a do ‘capital humano e do
‘empresário de si’. O último avatar do individualismo, que fez da pessoa o centro e a fonte da ação,
emergiu com a crise financeira, durante a qual a injunção para se tornar ‘capital humano’
foiinvertida na figura negativa e regressiva do homem endividado.”

P 28 - “(…) num processo de ‘servidão maquínica’, que, diferentemente da sujeição social, se dá


através da dessubjetivação ao mobilizar semióticas não representativas ou linguajeiras, mas
funcionais e operacionais (a-significantes e não representativas.
Na servidão maquínica, o indivíduo não é mais instituído como um ‘sujeito individuado’,
um ‘sujeito economico’ (capital humano, empresario de si mesmo) ou como um ‘cidadao’. Ao invés
disso, ele é considerado uma engrenagem, uma roda dentada, uma parte componente do
agenciamento ‘empresa’, do agenciamento ‘sistema financeiro’, do agenciamento mídia, do
agenciamento ‘estado de bem estar-social e de seus ‘equipamentos coletivos’ (escolas, hospitais,
museus, tetros, televisão, internet, etc.). Servidão é um conceito que Deleuze e Guattari tomaram
explicitamente emprestado da cibernética e da ciência da automação; ela significa a ‘pilotagem’ ou
o ‘governo’ dos componentes de um sistema. Um sistema tecnológico subjuga (‘governa’ ou
‘pilota’) variáveis (temparatura, pressão, força, velocidade, resultado etc.) assegurando a coesão e o
equilíbrio funcional do todo. A servidão é o modo de controle e regulação (‘governo’) de uma
máquina social ou técnica, como uma fábrica, uma empresa ou um sistema de comunicações. Ela
recolocar a ‘servidnao humana’ dos antigos sistemas imperiais (egípcio, chinies etc.) e por
sonseguinte é um modo de comando de regulação e de governo assistido pela tecnologia,
constituindo, como tal, uma especificidade do capitalismo.
(…) enquanto na servidão ‘individuos se tornam ‘dividuais’ e as masssas se tornam amostras,
dados, mercados ou bancos”
p29 - “o dividual não é apenas uma peça conectada ao agenciamento maquinico, mas também
aquele que é despedaçado pelo agenciamento amquinico: os componentes de sua subjetividade
(inteligencia, afetos, sensações, cognição memoria, força fisica) não são mais unificadas em um
‘eu’, não possuem mais um sujeito individuado como referente. Inteligencia, afetos, sensações,
cognição, memoria, força fisica são agora componenetes cuja sintese não reside mais na pessoa,
mas sim, no agenciamento ou no processo (empresa mídia, serviços públicos, educação escolar)”

p 32 - “’objetos’, maquinas, protocolos, diagramas, gréaficos e software perdem sua ‘objetividade’ e


se tornam capazes de constituir vetores de protossubjetivação ou focos de protoenunciação. Que
máquinas, objetos (e signos) procedam desse modo significa que eles sugerem, capacitam,
solicitam, incitam, encorajam e impedem certas ações, pensamento e afetos ou promovem outros. É
muito significativo que Foucault utilize os mesmos verbos para descrever o modo como as relações
de poder funcionam. Máquinas, objetos (e signos) agem precisamente da mesma maneira que uma
‘açnao sobre uma ação’ (Foucault). Isto não deve ser entendido meramente como uma relação de
um ser humano com outro. Não humanos contribuem tanto quanto os humanos na definiçnao, no
enquadramento e nas condições da açnao. Age-se sempre dentro de um agenciamento, um coletivo
em que máquinas, objetos e signos são ao mesmo tempo ‘agentes’”

p 35 - “As ciências sociais nasceram para facilitar a produçnao de sujeitos individuados.


Alinguistica faz da pessoa a origem da enunciaçnao, a psicanálise constroi um incosciente familiar
para ela (um incosciente ‘estruturado como linguagem’) e que serve para equipar o sujeito
individual com um incosciente representativo e personológico. Por sua vez, a economia dota o
indivíduo de uma racionalidade que o institui como livre para escolher e decidir, enquanto a ciencia
política o torna depositário de direitos individuais, que devem ser imperativamente transferidos para
os representates a dim de evitar a guerra de todos contra todos. Mas talvez sejam os direitos de
propriedade que constituem os mais bem sucedidos dispositivos de subjetivação individualizantes.
Ao dividir o agenciamento entre sujeitos e objetos, os ultimos (natureza, animal maquinas, objetos,
signos etc.) são escaziados de toda criatividade, da capacidade de agir e de produzir, que é atrbuída
apenas aos sujeitos individuados cuja principal caracteristica é ser um proprietário (ou um não
proprietário)”

p 37 - “com o avanço da propaganda nos anos 1920 e, posteriormente, com o advento da televisão,
uma máquina cada vez mais bem organizada se desenvolveu, da qual o Google e o Facebook podem
ser considerados o coroamento: imensos ‘bancos de dados’ que funcionam como dispositivos de
marketing. Eles reúnem, selecionam e vendem milhoes de dados sobre nosso comportamento,
aquisiçnoes hábitos de leitura, filmes favoritos, gostos, roupas e preferencias de comida, assim
como sobre o modo como passamos nosso ‘tempo livre’. Essas informações concernem os
dividuais, sujos perfis, compostos pelo cruzamento desses dados, são meros reles de estradas e
saidas, de imput e output nas máuqinas de produção-consumo”
Os dividuais tem uma existencia estatistica controlada por dispositivos cujas operações
diferem da individualizaçnao, levada a cabo pelo poder pastoral, que se exerce sobre indivíduos
reais. A governamentabilidade de dividuais, gerenciada por fluxos, redes e máquinas, não apenas
desempenha um papel nas representações do indivíduo e no comportamento consciente, mas em
desejos, crenças e na realidade sub-representativa da subjetividade. A governamentabilidade é
praticadana junção do indivíduo e do dividual, tanto na subjetivação individual quanto na dividual.
A servidão não opera através da repressão ou da ideologia. Ela emprega técnicas de
modelização e de modulação que incidem sobre o que seria exatamente o ‘espirito da vida e da
atividade humana’. Ela assume o controle dos seres humanos ‘por dentro’, no nível pré-pessoal (no
nível pré-congnitivo e pré-verbal) e ‘ por fora’ no nível suprapessoal, ao atribuir a eles certos modos
de percepção e sensibilidade e fabricar um inconsciente. A formatação exercida pela servidão
maquínica intervem no funcionamento básico do comportamento perceptivo, sensitivo, afetivo,
cognitivo e linguistico”
p 39 - “ Semióticas a-significantes agem sobre coisas. Eas conectam um órgão, um sistema de
percepção, uma atividade intelectual, e assim por diante, diretamente à máquina, a procedimentos, a
signos, ignorando a representação de um sujeito )funcionamento diagramático). Elas desempenham
um papel muito especifico no capitalismo, pois, ‘essencialmente, o capitalismo depende de
màquinas a-significantes’”

p 41- “O que importa no capitalismo é controlar os dispositivos semióticos a-significantes


(economicos, cientificos, tecnicos, contábeis, do mercada do ações, etc.) através dos quais ele busca
despolitizar e despersonalizar as relações de poder. A força das semióticas a-significantes reside
nofato de que, por um lado, elas são formas de avaliação e mesuração automática e, por outro lado,
elas unem e tornam ‘formalmente’ equivalentes esferas heterogeneas de força e podem assimétricos
ao integrá-las e relacioná-las para a acumulação economica. Na crise economica, taxas financeiras
a-significantes e indices de mercado de ações dominam, decidindo a vida e morte dos governos e
impondo programas sociais e economicos que oprimem os governados. As semióticas significantes
das midias, dos politicos e dos especialistas são mobilizadas a fim de legitimar, de apoiar e de
justificar, diante dos sujeitos individuados – com suas consciências e representações – o fato de que
“não há alternativa’”

sujeição social – semiologias significantes (linguagem, histórias, discursos):“Ao nos equipar com
uma subjetividade individual, ao nos atribuir uma identidade, um sexo, uma profissão, uma
nacionalidade e assim por diante, a sujeição social produz e distribui lugares e papéis dentro e para
a divisão do trabalho. Através da linguagem, ela constitui uma armadilha semiótica significante e
representativa da qual niguém escapa. A sujeição social produz um ‘sujeito individuado’ cuja forma
paradigmática no neoliberalismo tem sido a do ‘capital humano e do ‘empresário de si’.

“ as significações dominantes (identidade, sex, profissão, nacionadade etc.) das


quais é dificil escapar (individualmente escapa-se através da loucura, da
infancia, do alcool, das drogas, da criação, da paixão amorosa ou coletivamente
através da ação política), são produzidas na intersecçnao de um duplo processo
de formalização: da máquina linguistica que automatiza essas expressões,
interpretações e respostas impostas pelo sistema, e da formação de poderes que
produzem significados”

servidão maquínica – semióticas a-significantes (economicos, cientificos, tecnicos, contábeis, do


mercada do ações): Ao invés disso, ele é considerado uma engrenagem, uma roda dentada, uma
parte componente do agenciamento ‘empresa’, do agenciamento ‘sistema financeiro’, do
agenciamento mídia, do agenciamento ‘estado de bem estar-social e de seus ‘equipamentos
coletivos’ (escolas, hospitais, museus, tetros, televisão, internet, etc.)
(cotaçnoes da bolsa, do cambio, contabilidade corporativa, orçamentos
nacionais, linguagem de computador, matemática, funções cientificas e
equações, mas também as semióticas a-significantes da música, da arte, etc)

p 44 - “da mesma maneira, nunca é um indivíduo que pensa ou que cria, mas um indivíduo dentro
de uma rede de instituições (escolas, teatros, museus, bibliotecas etc.) de tecnologias (livros, redes
eletrônicas, computadores, etc.), de fontes de financiamento público e privado, imerso em tradições
de pensamento e práticas estéticas, engolfado em uma circulação de signos, ideias e obras que o
forçam a pensar e criar”

p 51 - “com a crise, a formataçnao semiótica e disciplinar operada pelas sujeições e servidões


convergem na produção e reprodução da relação devedor/credot. A integração desses papeis e
funções passa pela dívida e por sua expressão subjetiva: o homem endividado”
Cap 2 – SEMIOLOGIAS SIGNIFICANTES E SEMIOTICAS A-SIGNIFICANTES NA
PRODUǘAO E NA PRODUǘAO DE SUBJETIVIDADE

p 58 - “Para cartografar as ‘linguagem de infraestruturas’ e os modos de subjetivação/enunciaçnao


maquinocentrica, devemos seguir o conselho de Guattari, ‘deixar a linguagem para trás’ operando
um duplo descentramento: dissociar a subjetividade do sujeito, do indivíduo e até mesmo do
humano e para de considerar o poder da enunciação uma exclusividade do homem e de sua
subjetividade”

p59 - “A invenção do cinema deu a ver uma realidade que se expressa sem passar pela
representação ou mediação linguística. Não era mais necessário traçar signos e simbolos pra mostrar
um objeto, seres e relações. A realidade significava a si mesma. Na arte, uma ruptura radical ocorreu
no início do século XX, quando o ready-made, seguindo o exemplo do cinema, foi significado por
meio do próprio objeto e sem o auxilio do signo ou da linguagem. Os ready-mades não são
propriamente representações, mas apresentação.”

p 62 - “Guattari distingue diferentes tipos de smióticas, que não são medidas ou hierarquizadas
segundo a linguagem humana: codificações a semióticas naturais (sistema cristalinos e DNA, por
exemplo), semiologias significantes, incluindo smiologias simbólicas (ou pré-significantes,
gestuais, rituais, produtivas, corporais, musicais, etc.), semiologias de significação e, finalmente,
semióticas a-significantes (ou pós significantes). Isto representa a mais importante contribuição de
Guattari para a compreensão do capitalismo e da produção de subjetividade”

p66: “No neocapitalismo (pasolini), esse processo de racionalizaçnao e empobrecimento da


expressão se intensifica progressivamente. O ‘princpio tecnológico de clareza, de exatidão na
comunicação, de cientificidade mecanica, de eficiencia’ trabalha a linguagem por dentro. Para
Pasolini, esses principios constituem um estrato que não é simplesmente adicionado a outros
estratos historicamente registrados na linguagem (estrato latim, estrato humanista etc.). O ultimo
estrato significante a evoluir na direação da eficiencia sinalética da ciencia aplicada veio dominar os
demais, tornando-os homologos aos fins e as necessidades das linguagens de produção/consumo”

p68: “ as significações dominantes (identidade, sex, profissão, nacionadade etc.) das quais é dificil
escapar (individualmente escapa-se através da loucura, da infancia, do alcool, das drogas, da
criação, da paixão amorosa ou coletivamente através da ação política), são produzidas na
intersecçnao de um duplo processo de formalização: da máquina linguistica que automatiza essas
expressões, interpretações e respostas impostas pelo sistema, e da formação de poderes que
produzem significados”

p70: “as sinteses disjuntivas inclusivas das sociedades arcaicas (‘eu sou um jaguar’) não são mais
encontradas senão entre loucos, crianças, artistas e poetas (‘eu sou um outro’). A maquina de
significaçnao linguistica opera e impoe disjunções exclusivas (você é um homem, você é uma
mulher, ) que impedem devires, processos heterogeneos de subjetivação; reconhece apenas
identidade definidas por essas significações (homem, criança, animal) e por funções especializadas
(operario, patrao, estudante) A estrutura da máquina de significaçnao moderna combate as sistenses
disjuntivas inclusivas, concentrando toda subjetividade e expressividade no homem ao reduzir o
outro (natureza, objeto, cormos) a um objeto”

p 72: “as semióticas a-significantes (cotaçnoes da bolsa, do cambio, contabilidade corporativa,


orçamentos nacionais, linguagem de computador, matemática, funções cientificas e equações, mas
também as semióticas a-significantes da música, da arte, etc) não ficam prisionaieras das
significações e dos sujeitos individuados que as carregam. Elas deslizam em vez de produzir
significações ou representações. Elas envolvem modos de semiotizaçnao mais abstratos do que a
linguagem. Manifestam-se nos domínios das ciências, das corporações industriais, da indústria de
serviços, do mercado de ações, das máquinas militares, artísticas e comunicacionais em vez de no
mundo da sociedade civil, da representação política ou da democracia.
O ‘conceito de máquina’ se mostra vantajoso para a análise das semióticas a-significantes.
Desde a extraordinária expansnao do maquinismo em cada aspecto da vida, isto é, não mais
limitado à produção, como era o caso nos tempos de Marx, nenhuma teorizaçnao adequada sobre a
máquina avançou, exceto nas obras de alguns autores, entre os quais Guattari.
Para entender o conceito de máquina, devemos abandonar as oposições sujeito/objeto,
natureza/cultura, pois é apenas descondiderando a màquina que é possível separa-la da ‘natureza
humana’. A maquina faz parte da essencia do homem. Não se trata de um subconjunto da tecnica;
em vez de ser uma ramficação da tecnica, a maquina é seu pré-requisito.
Devemos ir alem do modelo clássico baseado na ferramenta, que torna a maquina uma
extensao e projeção do ser vivo. Pois esse modelo é ainda fundado no modelo ‘humanista e
abstrato’ no qual a maquina serve coo um órgão ou uma prótse. O mquinismo de Guattari não opoe
o homem à maquina para avaliar ‘as correspondencias, os prolongamentos, as substituições
possíveis ou impossíveis entre ambos, mas sim para coloca-los ‘a comunicar entre si para mostrar
como o homem compoe peça com a maquina, ou compoe peça com outra coisa para constituir
maquina. A outra coisa pode ser uma ferramento, ou mesmo um animal, ou outros homens.
O conceito de maquina stricto sensu deve, portanto, ser expandido para o todo funcional que
o conecta não apenas com o homem, mas também com a multiplicidade de outros elementos
materiais, semióticos, incorporeos, etc.
É completamente insuficiente conceber a maquina apenas em termos de tecnica. A maquina
é imediatamente um agenciamento material e semiótico, atual e virtual. Por um lado, antes de ser
uma tecnica, a maquina é diagramatica, isto é, habitada por diagramas, planos e equaçoes. Por outro
lado, na máquina há dimensões visiveis, sincrónicas (o agenciamento dos componentes, planos,
equações), mas também há dimensões virtuais, diacrónicas, uma vez que ela se situa na intersecção
de uma série de máquinas do passafo e de uma infinidade de máqunas por vir. A fábrica, por
exemplo é uma máquina na qual homens e máquinas técnica nada mais são do que elementos,
componentes. Ela se tona um agenciamento que os ultrapassa. As instituiçnoes públicas, a midia, o
estado de bem estar social devem ser considerados – sem metafora – maquinas, pois ele agenciam
(maquinam) multiplicidades (pessoas, procedimentos, semióticas, técnicas, regras etc.) A arte
também é uma máquina, um agenciamento cujos temos – o artista e a obra – podem ser extraídos do
agenciamento apenas pela abstraçnao. Não há um operados ou um material que é o objeto da
operação, mas um agenciamento coletivo que envolve o artista individualmente e seu publico, e
todas as instituições a sua volta – criticos, galerias, museus”

p 75: “com as semióticas a-siguinificantes, não estamos mais no refime pré-significante de


expressão polivoca das sociedades primitivas, que misturam e transversalizam as semióticas de
dança, canção, fala e assim por diante, nem estamos no regime significante em que o signo remete a
outro signo por meio da representação, da consiencia e do sujeito. Semióticas a-significantes
remetem a agenciamentos em que o homem, a linguagem e a consciência não gozam mais de
nenhuma prioridade.

P 78: “através de semióticas a-significantes, as máquinas ‘falam’, ‘se expressam’ e se ‘comunicam’


com o homem, com outras meaquinas e com fenômenos ‘reais’.
(…)
As semióticas a-significantes e as máquinas operam da mesma maneira com o mundo pré-verbal da
subjetividade humana, habitado por semióticas não verbais, afetos, temporalidades, intensidades,
movimentos, velocidades, relações impessoais e não atribuíveis a um eu ou a um sujeito
individuado e, desse modo, dificilmente apreensiveis pela linguagem”
p 79: “As semióticas a-significantes e as máquinas (economicas, cientificas etc) que elas fazem
funcionar, se agenciam com a subjetividade e a consciência. Mas não se trata unicamente, nem
principalmente de uma questão de consciência reflexiva ou de subjetividade humana. Acima de
tudo, elas mobilizam subjetividades parciais e modulares, consciências não reflexivas e modos de
enunciaçnao que não se origina, no sujeito individuado. Guattari sempre utiliza o mesmo exemplo
da direção de um carro para descrever como a subjetividade e a consciência funcionam nos
agenciamnetos maquinicos
Quando dirigimos um carro, ativamos uma subjetividade e uma multiplicidade de
consciências parciais concetadas aos mecanismos tecnologicos do carro. Não há sujeito individuado
que diz ‘você deve apertar esse botão, apertar esse pedal’. Se sabemos dirigir, agimos sem pensar
sobre isso, sem engajar a consciência reflexiva, sem falar ou representar o que se faz. Somo guiados
pelo agenciamento maquinico do carro. Nossas açnoes e componenetes subjetivos (memoria,
atenção, percepção etc) são automatizados e se compoem com os dispositivos mecânicos,
hidraulicos, eletronicos etc. E como os componentes mecanicos (não humanos), constituem partes
do agenciamento. Dirigir um veiculo mobiliza processos diferentes de conscientização, um
sucedendo ao outro, sobrepondo-se ao outro, conectando-se ou desconectando-se de acordo com os
eventos. Frequentemente, quando dirigimos, estramos em um estado de devaneio diurno, sob fundo
de uma pseudo-sonolencia, que ‘permite que vários sistemas de consciência funcionem em paralelo,
alguns como luzes de navegação, enquanto outras mudas para o primeiro plano’
O pensamento e a consciência do sujeito individuado entram em jogo quando há um
obstáculo, perturbação ou qualquer ‘acontecimento’. Então o sujeito, a consciência e a
representação são utilizados a fim de modificar as relações de feedback entre os componenetes
humanos e não humanos do automóvel máquina para restabelecer os mecanismos automaticos e as
operações maquinicas”

p 80: “se a maquina não é, como no modelo inspirado pela ferramenta, uma prótese ou um órgão,
então a relação humanos-maquinas não pode ser reduzida nem a uma incorporação, nem a uma
exteriorização. As relações homem-maquinas são sempre da ordem de um acoplamento, de um
agenciamento, de uma conexão, de uma captura. Varias geraçnoes de ativistas italianos cresceram
lendo os Grundisse de Marx, cujo titulo na tradução italiana é Frammento sulle macchine. Porém
hoje as maquinas parecem ter desaparecido da teoria crítica”

pp80-82 descriçao das maquinas q nos assistem hoje

p82: “Poderíamos continuar a lista de nossas relações problemáticas, indiferentes ou agradáveis


com as máquinas qe nos assistem diariamente mesmo nos menores atos do dia a dia. No capitalismo
contemporaneo, certamente não somos confrontados a um modelo de produção economica, social e
po´ltica do homem pelo homem, como parece sustentar a teoria do capitalismo cognitivo. Somo
confrontados com um imenso filo maquinico que, de um modo ou de outro, nos afeta e nos arrasta
para além do logocentrismo”

Capítulo 3 – As semióticas mistas

p85 - “ Embora possamos distinguir diferentes semióticas para as necessidades de análise, os modos
de expressão são sempre o resultado de semióticas mistas, que são ao mesmo tempo significantes,
simbólicas e a-significantes”

p 86 - “dizer que os signos (máquinas, objetos, diagramas etc.) constituem focos de


protoenunciaçnao e protosubjetividade significa dizer que eles sugerem, capacitam, solicitam,
instigam, encorajam, impedem certas ações, pensamentos, afetos, enquanto promovem outros.
Máquinas, objetos e signos fazem mais que influenciar certas ações, pensamentos ou afetos; através
das semióticas a-significantes, as máquinas se comunicam diretamente com outras máquinas
produzindo efeitos diagramáticos frequentemente imprevisíveis sobre o real.”

p 89: “o sujeito individual, sua soberania e seu comportamento racional, aniquilados pelo
funcionamento real do mercado de ações, deve literalmente ser reconstruído e refabricado por
semiologias significantes, pela comunicação e pela congnição. O discurso dos economistas, da
mídia, dos experts e juízes cria a crença de que é, de fato, o sujeito individual que age e que deve,
por isso, ser remunerado. Através das semióticas de significação são produzidos as histórias, a
informação, os comentários e os discursos que constrõem e legitimam a funçnao e o papel desses
sujeitos individuados (os operadores financeiros) diante da opinião publica.

“a força ideoleogica das semiologias significantes não reside no fato de que ela nos impede
de pensar ou da mera manipulação que ela exerce (embora possa fazer ambas as coisas), mas antes,
em sua habilidade de efetuar uma mutaçnao na subjetividade. Os ritornelos do neoliberalismo (seja
produtivo, seja um empreendedor de si, fique rico etc) estão lá exatamente para empreender essa
situação. Eles não escondem a realidade de nós; em vez disso, nos dotam de uma relação com o
tempo, com o espaço e com os outros, fazendo com que existamos em qualquer lugar do mundo,
desde que nossa subjetividade seja arrematada pela desteritorializaçnao capitalista e devolvida na
forma do empreendedor, do indivíduo bem sucedido, do competidor e assim por diante.

P94: “Da mesma maneira que uma economia do desejo supostamente indiferenciada necessita de
semióticas significantes e de leis para se estruturar, nos processos de subjetivação política,
precisaríamos, segundo as diferentes teorias, do estado, do soberano ou do partido e seu cetralismo
democratico para organizar e disciplinar a espontaneidade anárquica das subjetividades.

P95 “a questão não é desvalorizar a linguagem e as semióticas significantes, mas, antes, em


oposiçnao à linguistica e à filosofia analitica, se colocar entre o discursivo e o não-discursivo a fim
de fazer a enunciação e a subjetivação crescerem pelo meio.

P96: “o cinema, cujos efeitos derivam, sobretudo, do uso que é feito de semióticas simbolicas a-
significantes (encadeamentos, movimentos internos de figuras visuais, cores, sons, ritmos, gestos,
fala, etc., como diz Guattari), representa por um breve momento a possibilidade de ir além das
semiologias significantes, de contornar individuações personológicas e abrir-se para devires que não
estavam inscritos nas subjetivações dominantes”

p98: “as imagens e os movimentos já nãomais dependem do movimento do objeto ou do cerebro;


em vez disso, elas se tornam produtos automaticos de um agenciamento maquinico. A montagem,
por sua vez, rompe os liames entre situações comuns, imagens e movimentos ordinários ao nos
compelir a entrar em blocos de espaço-tempo diferentes”

“O redirecionamento das semióticas multirreferenciais e polissêmicas do cinema na direção


de valores domintes e da domesticaçnao do mostro onirico e seu elemtnos racionais se deu com a
redução das semiologias simbólicas e das semióticas a-significantes aos modelos de subjetividade
capitalista.
O cinema comercial é ‘inegavelmente familialista, edipiano e reacionário...sua missão é
educar as pessoas aos modelos exigidos pelo consumo de massa’. Se ele for incapaz de estabelecer
significações tão invariáveis e estáveis como na língua, ele pode ainda produzir modelos de
subjetividade que tem a força de exemplos, a evidência da presença física. O cinema age nas
profundezas da subjetividade, pois pode lhe fornecer identidades, modelos de comportamento, ao
explorar as semióticas a-significantes e simbólicas. Dessa maneira, ele funciona como uma
psicanálise de massa, normalizando intesidades, hierarquizando semióticas e as confinando no
interior do sujeito individuado.
O efeito do cinema sobre o insconsciente é ainda mais poderoso do que o da psicanálise,
pois seu inconsciente, ‘povoado por cowboys e indios, policiais e gangster’ (em outras palavras, pou
uma consciência não edipiana, um incnsciente igual ao mundo a nossa volta) e seu espectro de
macanismos semióticos ‘se conecta diretamente com os processos de semiotizaçnao do espectador’
O efeito produzido pelo cinema comercial e , em seguida pela televisão, nada tem a ver com
ideologia, pois não envolve consciência reflexiva e representaçao
Todos os seus elementos irracionais, elementares, oniricos e barbaros foram mantidos abaixo
foram mantidos abixo do nível da consciência: isto é, foram explorados como elementos
incoscientes de choque e de persuasão pela industria cultural e pela industria em geral.
A conscientização não é uma resposta suficiente porque imagens nos afetam e se organizam
em relação direta com os três ‘sis’ que precedem o si linguistico. As semioticas a-significantes,
simbolicas, não agem sobre a consciência, mas diretamente sobre a ‘variação continua e a força de
existir e a potencia de agir’”

p101: “as ordens não são primeiramente emitidas por meio do discurso, mas por meio de
dispositivos que utilizam semióticas a-significantes”

“Apenas idiotas como Alain Finkielkraut ainda pensam que a responsabilidade pela
‘degradaçnao’ da língua reside nas crianças pobres das escolas, nos filhos de imigrantes, na
juventude etc., quando , como Pasolini já havia mostrado nos anos 1960, isto é responsabilidade da
empresa privada e de seu marketing”

p109: “os dois modos de funcionamento se combinam e se complementam: as semióticas


significantes organizam um tratamento e um funcionamento molar da subjetividade que atinge,
solicita e interpela a consciência, a repsentação e o sujeito individuado, enquanto as semióticas a-
significantes organizam um tratamento e um funcionamento molecular dessa mesma subjetividade,
que mobiliza subjetividades parcais, estados de consciência não reflexiva, sistemas percptivos e
assim por diante. Devemos mais uma vez enfatizarque a destituiçãodo sujeito e de suas semiologias,
através da desterritorializaçnao capitalista, ainda não invalida as semióticas humanas. O recurso as
semióticas humanas tem uma finalidade bem precisa: controlar e modular os processos de
desterritorializaçnao e reterritorialização, empreendidos e organizados pelas semióticas a-
significantes de sistemas tecnico-cientificos, de economia e de equipamentos coletivos do estado
que destroem anigos territorios existenciais, seus valores e seus modos de vida”

p 113: “De acordo com Deleuze e Guattari, o neocapitalismo se caracteriza pela univocidade do
conceito de produçnao: produção de mercadorias e de modos de subjetivaçnao. “ele lança modelos
(subjetivos) da mesma forma que a industria automobilistica lança uma nova linha de carros”. O
capitalismo fabrica o indivíduo, moldando seu corpo e sua psique, equipando-o com modos de
percepçnao e semiotização, e com um incosciente que se esforça em introduzir um proprietário
burguês em cada trabalhador”

Cap IV – o conflito e os sistemas de signos

p125: “a batalha travada pelos intermitentes sobre a questão da enunciação, das cateogiras e dos
discursos se insurge contra uma nova estratégia e contra novas técnicas semióticas: silenciar os
leigos, o cidadão e o publico ao faze-lo falar; preparar sua exclusão ao faze-los participar; mante-los
a distancia consultando-os, ouvindo suas queixas através de um exercito de jornalistas, de experts e
pesquisadores. Vivemos em um mudo comum projetado pelas semitocias do marketing,
publicidade, consumo, televisão e internet. O acesso a essas semióticas comuns não só não é
negado, mas é incentivado: devemos nos integrar, devemos participar de maneira ativa. A esclusão
dos goernados e a neutraliação de sua fala singualr são poduzidas a partir da inclusão de suas
modalidades de expressão dentro de um espaço semiótico comum. Nas sociedades de segurança, o
problema não é a escassez de fala, mas a sua superabundancia, o consenso e o conformismo que sua
circulação pressupoe e produz.
O espaço público está saturado com a circulação de signos, imagens e palavras e com a
proliferaçnao de dispositivos de sujeição que, ao encorajar e solicitar que falem e se expressem,
impedem a enunciaçnao singular e neutralizam processos heterogeneos de subjetivação. Pois, para
que uma enunciaçnao, uma fala singular seja possível, a comunicaçnao compartilhada deve ser
interrompida, deve-se deixar a infinita tagarelice do consenso midiativo forçar rupturas no espaço
publico, do mesmo modo como, para poder ver, devemos nos retirar do incessante bombardeio de
clichês visuais. Em outras palavras, para existir politicamente, para simplesmente existir, mais que
integrarmos o mundo comum, devemos singularizá-lo, esto é, devemos impor uma diferenciaçnao
existencial e política por meio da criação de novas clivagens, novas divisões. A especificidade de
um mundo comum, sua singularidade e sua diferença devem ser afirmadas ‘num tempo em que os
efeitos de nivelamento de informaçnao e de participaçao social são reforçados diariamente’. A
singularidade , a divisão e a diferença não estão dadas de antemão: elas tem que ser inventadas,
construídas.”

p137: “a mídia faz mais do que tranmitir palavras de ordem. Ela as atualiza, as desdobra em
mundos e universos de imagens, de palavras e de signos, através de histórias e narrativas que não
descrevem o real, mas o instituem. Michel de Certeau sintetiza de maneira muito eficaz essa nova
funçnao narrativa da semiótica significante: “o grande silencio das coisas muda-se no seu contrário
através da midia. Ontem constituido em segredo, agora o real tagarela. Só se veem por todo o lado
noticias, informações, estatisticas e sondagens. Jamais houve uma história que tivesse falado ou
mostrado tanto … os rlatos do que esta acontecento constituem a nosso ortodoxia. Os debates de
numeros são as nossas guerras teológicas. Os combatentes não carregam mais as armas de ideias
ofencivas ou defensivas. Avançam camuflados em fatos, em dados, em acontecimentos.
Apresentam-se como os mensageiros de um real… Mas, de fato, elas o fabricamsimulam-no usam-
no como mascara, atribuem a si o crédito dele, criam assim a cena da sua lei’. A injunção veiculada
pelas semióticas significantes de números, estatisticas e deficits é posta em discurso e enuncia
imperiosamente: ‘cale-se’. Isso é o que exprimem, nas entrelinhas, o jonalista da impresan, o
apresentador de televisão e o representante político, com a ajuda de estatisticas e pesquisas: ‘estes
são os fatos. Eis os dados, as circunstancias etc. Portanto, vocie deve...’ A realidade narrada
constantemente nos diz o que deve ser acreditado e o que deve ser feito”

p 139: “ a analise de Deleuze e guattari acerca da psicanálise pode nos ajudar a compreender como
as maquinas de sujeiçnao semiotica funcionam. A psicaálise representa um processo de sujeiçnao
securitária pois funciona como um dispositivo que, na sua incitaçnao a fala, por uma lado, fixa a
funçnao sujeito no corpo do indivíduo e, por outro, impede que enunciados singulares sejam
formulados. A psicanálise surgiu e se desenvolveu no momento em que as sociedades disciplinares
começaram a bascular em direçnao as sociedades de controle. Assim, enquanto o hospital
psiquiátrico é um dispositivo disciplinar que exerce suas técnicas sobre os corpos e a realidade
mental do doente num espaço fechado, a psicanálise é um dispositivo de segurança que excerce,
através da la, um poder sobre os corpos e a realidade mental do doente num espaço aberto”

p143: “A fim de articular uma enunciação ‘verdadeira’ que re-singulariza uma ‘semiótica comum’,
com capacidade para criar novas clivagens, pontos de vista ‘polemicos’ com os quais fosse possível
se exprimir, devemos interromper a circulaçnao de linguagem, signo e semióticas midiáticas
destinadas a ‘todos, mas verdadeiras para ninguém’”

Cap V – A escoria e a critica dos performativos

p150 “assim como o performativo codifica enunciações, enunciados e seus efeitos, ele também
institucionaliza locutores e ouvintes, com seus respectivos papeis e status, bem como o espaço
público de seus atos. Os sujeitos que surgem aqui não correm riscos, não se envolvem
pessoalmente. Eles encaixam sua fala e suas subjetividades nas formas estabelecidas das conveções
linguisticas.

Cap VI – Critica da ‘representação’ linguageira e política

p 173: “As formas coletivas de mobiliação política contemporânea, sejam manifestações de rua ou
lutas ‘sindicais’, sejam pacíficas ou violentas, são atravessadas por uma mesma problemática: a
recusa da representaçnao e da experimentação e a invenção de formas de organização e de
expressão que rompem com a tradiçnao política moderna baseada na atribuição do poder a
representates do povo ou das classes.
A democracia representativa se transformou progressivamente numa articulaçnao do estado,
já que os partidos políticos e os sindicatos, atraves de um processo que foi se desenrolando ao longo
do sec xx, tornaram-se parte integrante de suas instituições. “

p 174: “na realidade, tanto a representaçnao linguageira quanto a representaçnao política constituem
uma tomada de poder que sobrecodifica, hierarquiza, subordina as outras semióticas e as outras
modalidade de expressão. As duas formas de representação nos sistemas de singose nas instituições
políticas, são solidárias, e toda ruptura poítica requer que tanto uma quanto a outra se desfaçam.

P185: “o essencial da ‘crise atual’ está na incapacidade das forças capitalistas em articular a
dimensão discursiva e existencial; na impossibilidade de agenciar conjuntos de fluxos economicos,
sociais, tecnologicos atualizados e a dimensão virtual e incorporal da produção de subjetividades,
territorios existenciais e universos de valores. Se a produçnao de subjetividade não se articula a um
campo social, a uma produçnao, a uma política, a uma língua e assim por diante, teremos como
acontece atualmente, uma patologia da subjetividade (racista, xenofoba, individualista, voltada para
seus próprios interesses) as pavras de ordem sobre emprego, pleno emprego, salario, trabalho,
defesa do bem estar social e assim por diante, que deveriam se articular com a subjetividade, não
geram processos de subjetivaçnao, pois não se abem para novos mundos, não constituem uma
matéria de escolha para a subjetividade contemporanea.

P 189: “é menos uma questão de capitalismo cognitivo, de capitlismo cultural de sociedade do


conhecimento, do que de relaçnoes de poder e de saber que visam a uma modelizaçnao da
subjetividade da população no seu conjunto, de forma que ela seja capaz de adaptar e de se
submeter a tecnicas, a modos de organizaçnao de trabalho, de consumo, de comunicaçnao e a
ambientes urbanos e de vida regidos pela rentabilidade e pela estupidez
A criação e a produção do novo são possíveis, não a partir do conhecimento, da informação
ou da comunicaçnao, mas de uma mutação existencial e de uma transformação que tocam no foco
não discursivo da subjetividade, nesses territórios existenciais, nos seus modos de subjetivação.

Cap VII – Enunciaçnao e politica. Uma leitura em paralelo da democracia Foucault e ranciere

p195: “a resposta do capitalismo para essa questão é a constituição de um mercado da vida, emque
cada pessoa adquire a existencia que lhe convem. Não são mais as escolas filosoficas, como na
grecia antiga, nem o cristianismo, nem o projeto revolucionário dos seculos XIX XX que propoem
modos de existencia, modelos de subjetivaçnao, mas as empresas, a midia, a industria cultural, as
intituições financeiras do estado de bem estar social, o seguro-desemprego”

p199: “Para Foucault, a parresia, para tomar emprestada uma fórmula de Guattari, sai da língua,
mas da pragmática, tal como a filosofia analítica a define. Não há racionalidade ou lógica
discursiva, porque a enunciação não está indexada as regras da língua ou da pragmática, mas ao
risco de uma tomada de posição, a autoafirmaçnao existencial e política. Não há uma língua; há
uma estética da enunciaçnao, no sentido de que a enunciação não verifica o que já existe
(igualdade) mas se abre a algo de novo, que surge pela primeira vez através do próprio ato de falar”

p201 “Como Guattari, Foucault nos previne de que não é possível se opor a liberdade neoliberal
que, na realidade, exprime a vontade política de restabelecer hierarquias, desigualdes e privilégios,
unicamente atraves da politica igualitária. Isso seria fazer a economia das críticas dos movimentos
políticos ao igualitarismo socialista, bem antes dos liberais”

p 204: “ no modelo de Foucault, a questão não é fazzer contar os sem parte, nem demonstrar que
eles falam a mesma língua dos seus mestres. A questão é de uma transvaloração de todos os calores
que concerne também, e sobretudo, aqueles sem parte e o seu modo de subjetivaçnao. Na
transvaloraçnao a igualdade se conjuga com a diferença, a igualdade politica com a diferenciação
ética. Encontramos nietzsche novamente através dos cinicos, aqueles que foram celebrados na
historia da filosofia como falsificadores, como aqueles que alteraram o valor.
A divisa dos cinicos, mudar o valor da moeda, se refere tanto a alteração da moeda
(nomisma, quanto a alteração da lei (nomos). Os cinicos não pedem reconhecimento, não procurarm
se fazer contar ou incluir. Eles criticam e interrogam as instituições e os modos de vida de seus
pares através da autoexperimentaçnao e do autoexamene, da exprimentaçnao e da analise dos outros
e do mundo”

p205: “Ao inves de uma cena, os cinicos nos fazem pensar nas performances da arte
contemporanea, em que a exposiçnao publica (no duplo sentido de se manifestar e se colocar em
perigo e risco) não se faz necessariamente pela linguagem, ela fala ou atraves de semioticas
significantes, nem mesmo pela forma da dramaturgia teatral da encenaçnao de personagens,
interlocução e diálogo. Como funciona o processo de subejetivaçnao que se abre para uma vida
outra e um mundo outro.? Não apenas atraves da fala e da razão. Os cinicos não são apenas seres
falantes, mas também corpos que enunciam algo, mesmo se essa enunciaçnao não passa pelas
cadeias significantes. Satisfazer suas necessidades (comer, defecar) e seus desejos (se masturbar,
fazer amor) em público, provocar, escandalizar forçar os outros a pensar e a sentir – são todas elas
tecnicas performáticas que convocam uma multiplicidade de semióticas.
O cajado, as vestes, a pobreza, a errancia, a mendicancia, as sandálias, os pés nús etc. Pelos
quais os cinicos exprimem seu modo de vida, são modalidades não verbais de enunciaçnao. Os
gestos, as ações, o exemplo, o comportamtneo, a presença fisica constituem práticas e semioticas de
expressão dirigidas aos outros atraves de outros meios que não a fala. Nas performances cinicas, a
língua tem mais que uma funçnao denotativa e representativa; ela tem uma funçnao existencial. Ela
afirma um ethos e uma politica, ela ajuda a constuir territorios existenciais, para usar os termos de
guattari”

p208: “é impossivel compreende o capitalismo contemporaneo sem problematizar a relaçnao que o


molar (as grandes oposições dualistas – capital trabalho, ricos/pobre, aqueles que comandam e os
que obedecem, os que tem as credenciais para governar e os que não tem) entretem com a
microfiisica e os agenciamentos maquinicos.

P 210: “a politica não deve ser buscada na instituiçnao democrática (sob a forma representativa ou
grega), já que o capitalismo em sua dupla implicação da subjetividade (sujeição e servidão) que
constitui o ponto e o vetor de subjetivaçnao. É impossível pensar e praticar a subjetivaçnao se esta
ultima não se articula e não rompe com os fluxos economicos, sociais, maquinicos, semióticos do
capital. Apenas na rptura com a economia e a partir das possibilidades de mutação da subjetividade,
aberta por essa ruptura, é que os agenciamentos coletivos de enunciação sernao capazes de destitui
as subjetivações personológicas (trabalhador, consumidor, telespectador, etc. ) nas quas os
indivíduos se alienam.
P 211: “se a politica é indistinguivel da formação do sujeito ético, então a questão da organizaçnao
se torna central, embora de uma maneira diferente daquela presente no modlo comunista. A
reconfiguraçnao do sensível, a constituição de si, é um processo que deve ser objeto de um trabalho
militante que guattari, prolongando uma intuição de foucault define como trabalho politico analitico

p 213: “A questão politica é , portantoL como podemos inventar e praticar a igualdade sob essas
novas condiçnoes de subjetivaçnao? Com guattari podemos colocar a questão olhando diretamente
para a nossa situação atual. Como podemos inventar e praticar tanto a ingualdade quanto a
diferenciaçnao ética (singularizaçnao) rompendo, ao mesmo tempo, com as servidões maquinicas e
as sujeições sociais do capitalismo contemporaneo, que exercem esse duplo domínio sobre a nossa
subjetividae?