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UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO

Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT);


Instituto de Ciências Humanas e Sociais (ICHS)
Departamento de Filosofia
Curso de Filosofia - Bacharelado – 7.o Semestre
Disciplina: Filosofia da Mente
Docente: Beatriz Sorrentino Marques
Discentes: Fábio Lázaro Oliveira Queiroz, Wilhiam Adriano de Queiroz, Kátia
Haddad Gárcia, Allan Rodrigues Ferreira, Gonçalo Antunes de Barros Neto

1. Explique com suas palavras qual é o problema da


mente-corpo na Filosofia da Mente
Em seu aspecto central, o problema mente-corpo é sobre questão de se
é possível reduzir o conceito de mente ao conceito de físico, ou vice-versa.

2. O que é o dualismo e o que propõe essa teoria? (Para


responder levem em consideração qual problema
filosófico a teoria visa responder.)
O dualismo é uma visão filosófica, desenvolvida por Descartes, em que
se propõe a ideia de que existem duas substâncias. Esse argumento de
Descartes se radica na ideia de que essas substâncias são o espírito e o corpo
e que um não se reduz ao outro.
Para fundamentar sua visão, Descartes negou tudo o que é exterior ao
mental através da dúvida hiperbólica e chegou à conclusão de que a única
certeza é que por duvidarmos, pensamos, e por pensarmos, existimos. Portanto,
é mais fácil fundamentar a existência da substância do pensamento do que a
substância do mundo.

3. Explique o problema da interação causal. Qual teoria é


fortemente atingida por esse problema?
A interação causal é o problema de explicar como, por exemplo, decisões
mentais podem causar efeitos no mundo físico, e vice-versa.

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O dualismo é a teoria atingida pelo problema da interação causal. Uma


vez que o dualismo não fornece uma explicação sobre como algo que não é
físico pode causar um efeito físico, isso torna o dualismo incompleto.

4. O que são teorias fisicalistas reducionistas?


O fisicalismo é a ideia de que todas as entidades seriam físicas ou
ontologicamente dependentes de entidades físicas.
A discussão ampla que cabe dentro do fisicalismo é sobre a existência e
natureza das propriedades, relações e fatos. Já o fisicalismo reducionista segue
a ideia de que todas as leis da ciência podem ser reduzidas às leis fundamentais
da física. Assim, mesmo as propriedades mentais um dia serão descobertas
como redutíveis a um estado fisiológico.

5. Como as teorias fisicalistas não-reducionistas diferem


das reducionistas? Exemplifique.
As teorias fisicalistas não-reducionistas são, por exemplo, o funcionalismo
e o epifenomenalismo. A primeira, apesar de defender a existência de apenas
entidades físicas, diz que a mente (propriedades mentais) surge a partir de
organizações complexas de entidades físicas. Já a segunda defende apenas,
adicionalmente, que as propriedades mentais não causam efeitos nas entidades
físicas.

6. Explique com suas palavras uma crítica conhecida ao


funcionalismo.
Uma crítica conhecida é feita através do experimento mental do quarto
chinês, concebido por J. Searle. Nesse experimento, supõe-se que uma pessoa
foi trancada em um quarto e a ela foi dada um livro de equivalências de uma
língua desconhecida dela (chinês). A partir disso, ela recebia dos guardas da
cela certos símbolos chineses e devia responder com o símbolo equivalente,
conforme o seu livro. Após um certo período, essa pessoa sabia todas as

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equivalências de cabeça, mas ainda assim relutamos em atribuir a ela a


capacidade de entender o chinês.
A ideia por trás disso, e o porquê dela ser uma crítica ao funcionalismo, é
a questão de que os estados funcionais, de acordo com esse exemplo, parecem
não serem capazes de carregar o significado (semântica) das coisas, mas
apenas certas relações entre elas (sintaxe).

7. O que são qualia e qual a sua relação com o problema


difícil da consciência?
O problema do qualia reside na dificuldade de se estudar objetivamente
alguns aspectos que são essencialmente subjetivos da consciência. Por
exemplo, a vermelhidão do vermelho e o doloroso da dor. Esse aspecto nos
remete a um problema que foi formulado por Nagel através de seu experimento
mental sobre como seria para nós sermos um morcego. O interessante desse
experimento é que, apesar de sabermos como funciona o sistema de navegação
de um morcego, nós não conseguimos saber como é perceber as coisas como
o morcego percebe.

8. O que são atitudes proposicionais e qual a sua relação


com as teorias internalistas e externalistas?
As atitudes proposicionais indicam estados mentais que ligam as
proposições (enunciados que dizem coisas sobre o mundo) às atitudes que certo
indivíduo tem em relação a essas proposições. Exemplos são crer, querer,
duvidar, etc.
As teorias internalistas e externalistas acerca da mente discutem a
inclusão ou não nos eventos e estados mentais de conteúdos que estão além
daquilo que se encontra na consciência. Para uma concepção externalista,
aquilo que desejamos, cremos, queremos, etc, dependeria, portanto, do que
realmente são as coisas que desejamos, cremos e queremos. Para o
internalismo, por outro lado, não é necessária essa ligação entre o mundo e o
que queremos.

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9. Por que a identidade pessoal pode ser considerada um


problema para a Filosofia da Mente?
O problema da identidade pessoal pode ser visto sob vários aspectos. Em
um deles, temos a dificuldade em determinar até que ponto podemos dizer que
uma mesma pessoa continua a ser ela mesma ao longo do tempo, mesmo com
todas as mudanças que acontecem, interior e exteriormente.
Sob outro aspecto, o problema da identidade está em identificar quais
seriam os critérios para se estabelecer a identidade pessoal. Nesse sentido,
estabelecer essa identidade pode depender critérios que vão além das
propriedades físicas, como a memória, a vontade, as crenças, os desejos, etc.

10. Qual das teorias estudada apresenta a solução mais


convincente para o problema da mente-corpo? Por quê?
(Explique usando argumentos.)
O monismo, pois essa teoria defende a tese da identidade entre mente e
corpo. Ou seja, não existe separação esse dois. Dentro da teoria monista,
estuda-se apenas o corpo e suas afecções (afetos) dentro de uma substância
única chamada natureza.