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ENFOQUE SOBRE

O DESLOCAMENTO
INTERNO
EM TEMPOS DE CONFLITO ARMADO
E OUTRAS SITUAÇÕES DE VIOLÊNCIA
FOLHETO
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M-C. Catalina/CICV
PROTEÇÃO E ASSISTÊNCIA PARA
OS DESLOCADOS INTERNOS
Na última década, os conflitos armados e assistência e proteção às pessoas deslocadas
outras situações de violência obrigaram internamente nos territórios que controlam.
mais e mais pessoas a fugirem das suas Com muita frequência, no entanto, os
casas e buscarem refúgio em outros lugares Estados carecem de leis, políticas e sistemas
dentro dos seus países. dotados de recursos e financiamento
adequados para atender às necessidades
Isso acontece, por exemplo, quando as dessas pessoas. Como resultado, elas
partes em conflito violam o seu dever de enfrentam dificuldades para reconstruir as
proteger os civis e não atacá-los, quando suas vidas no novo lugar onde se instalaram.
não conseguem mitigar o sofrimento deles Enfrentam ameaças ao seu bem-estar físico
e, em vez disso, causam mais danos ou - e mental. E as dificuldades vivenciadas pelas
no pior dos casos - cometem atrocidades pessoas que deixaram para trás e as novas
deliberadamente. O deslocamento causa comunidades que os acolhem complicam
privações extremas, desestrutura as vidas ainda mais o problema.
e os meios de subsistência das pessoas,
põe em perigo comunidades e países e A falta de uma abordagem ao problema e as
desestabiliza regiões inteiras. No final de soluções encontradas de último momento
2016, havia mais de 40 milhões de pessoas são alarmantes. Organizações humanitárias
deslocadas internamente no mundo. e de outra natureza - ao ajudarem as
autoridades a cumprirem com as suas
Segundo o Direito Internacional, os Estados obrigações e intervirem diretamente para
têm a responsabilidade básica de proteger proporcionar o apoio tão necessário - têm,
e assistir os deslocados internos sob sua portanto, um papel vital a desempenhar.
jurisdição. E em conflitos armados, todas
as partes em conflito (incluindo grupos
armados não estatais) devem prestar

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QUEM SÃO AS PESSOAS INTERNAMENTE DESLOCADAS?
A definição globalmente aceita de pessoa
internamente deslocada vem da Organização
das Nações Unidas (ONU):

Pessoas ou grupos de pessoas compelidas a fugir de seus domicílios


ou dos locais em que residam habitualmente, em consequência
de conflitos armados, tensões internas, violações sistemáticas dos
direitos humanos e desastres naturais ou provocados pelo homem, e
que não atravessaram a fronteira de um Estado internacionalmente
reconhecido.

- Princípios Orientadores relativos aos Deslocados Internos,


11 de fevereiro de 2016

A definição esclarece dois pontos importantes. Esta é uma definição descritiva e não
Primeiro, uma pessoa internamente jurídica já que ser deslocados internos não
deslocada é alguém que foi “forçado ou confere estatuto legal especial. As pessoas
obrigado a fugir”. Em outras palavras, o internamente deslocadas são cidadãs ou
deslocamento é sempre o resultado de residentes habituais de um Estado onde se
circunstâncias externas persuasivas - encontram e, como tais, gozam dos mesmos
do contrário, a pessoa em questão teria direitos e liberdades - sem discriminação -
escolhido permanecer na sua casa. Segundo, como qualquer pessoa no seu país.
a pessoa não atravessou “a fronteira de um
Estado reconhecido internacionalmente”,
o que significa que esse movimentação
acontece dentro do próprio país.
P. Yazdi/CICV

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A. Liohn/CICV
A. Synenko/CICV
NOSSO ENFOQUE
O Comitê Internacional da Cruz Vermelha parcos recursos e serviços sobrecarregados
(CICV) vê o deslocamento interno como um com elas. Tentamos impedir que as pessoas
processo que consiste de diferentes fases se desloquem tratando as causas dos
cujo impacto vai muito além das pessoas deslocamentos no contexto em questão -
deslocadas em si. mediante a promoção e o fortalecimento
do Direito Internacional Humanitário (DIH)
O nosso trabalho com os deslocados em tempos de conflito armado, garantindo
internos está orientado pelo nosso mandato que as partes em conflito protejam os
de proteger as vidas e a dignidade das civis e mantendo os serviços básicos em
pessoas afetados por conflitos armados funcionamento. Trabalhamos em conjunto
e outras situações de violência. O foco é com as autoridades, lembrando-lhes da
ajudar as pessoas internamente deslocadas sua responsabilidade de proteger e assistir
a atenderem as suas necessidades em os deslocados internos, e oferecendo
todas as fases do seu deslocamento e experiência e apoio adicionais quando
apoiar as famílias e as comunidades necessário.
acolhedoras que compartilham os seus

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J. Arredondo/CICV
AS FASES DO
DESLOCAMENTO
•• Pré-deslocamento: as circunstâncias
que levam ao deslocamento e o evento
Buscamos complementar os esforços de que faz com que as pessoas fujam.
outros atores envolvidos na resposta. •• Deslocamento agudo: inclui tanto a
Por exemplo, ajudamos as pessoas fuga como a chegada ao novo lugar,
deslocadas que vivem fora dos campos onde as pessoas podem enfrentar
- em comunidades acolhedoras ou situações de ameaça à vida e podem
lugares remotos aonde outras agências
precisar de assistência.
humanitárias não conseguem chegar.
•• Deslocamento estável (que pode se
tornar um deslocamento prolongado):
Também estamos envolvidos na elaboração
estadias de longa duração com famílias
de políticas e decisões que afetem as
acolhedoras, alojamentos particulares
pessoas deslocadas. Participamos de fóruns
regionais e globais sobre deslocamento ou campos.
interno, nos quais apresentamos as nossas •• Soluções duradouras: retorno e
opiniões e recomendações com base na reintegração, integração local aos
nossa experiência em primeira mão no lugares de origem ou reassentamento
terreno. em outras partes do país.
ATENDER AS NECESSIDADES recentemente enfrentam ameaças físicas e
DAS PESSOAS a falta de necessidades básicas. Aquelas que
se deslocaram há mais tempo precisam de
assistência à saúde, educação, moradias
O deslocamento tende a tornar as pessoas adequadas e meios para sobreviver para
vulneráveis. Elas são separadas do seu recuperar a sua independência e um pouco
entorno familiar e das suas redes sociais de normalidade nas suas vidas.
de apoio, impedindo-as de atender até
mesmo às suas necessidades mais básicas. Levamos essas circunstâncias mutáveis
E quando as famílias são destroçadas ou em consideração quando respondemos,
quando os familiares são mortos ou estão combinando assistência emergencial e
desaparecidas, o sofrimento é ainda maior. esforços iniciais de recuperação, equilibrando
ações de curto e longo prazos. Por
Cada pessoa vivencia o deslocamento de entender que cada pessoa deslocada e cada
forma diferente. Algumas encontram mais comunidade acolhedora têm necessidades
dificuldades devido ao gênero, à idade diferentes e que essas são quase sempre
ou a alguma deficiência. As mulheres e multifacetadas e inter-relacionadas, o
meninas correm um risco maior de serem nosso trabalho está orientado tanto para
vítimas de violência e exploração sexuais. a assistência como para a proteção, ambas
Muitas crianças são recrutadas à força para vitais para uma resposta humanitária efetiva.
grupos armados ou são privadas de acesso Às vezes, as pessoas deslocadas tomam
à educação. Mais do que isso, a forma como medidas desesperadas - como o trabalho
as pessoas vivenciam o deslocamento ou a prostituição infantis - para sobreviver.
muda com o tempo. As pessoas deslocadas Por isso, temos iniciativas microeconômicas

A. Synenko/CICV

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S.Tarabishi/CICV
para ajudá-las e instamos as autoridades a até a elaboração e a implementação
melhorarem os seus meios de sobrevivência. da resposta. Interagimos com elas em
Ao fazermos isso, buscamos manter essas diversas maneiras para discutir as suas
pessoas longe do perigo. preocupações, entender as suas prioridades
e saber o que pensam sobre as atividades
Entendemos que as pessoas internamente implementadas para apoiá-las. Fazemos
deslocadas quase sempre têm as suas o que está ao nosso alcance para chegar
próprias maneiras de lidar com o à maior quantidade possível de pessoas
deslocamento e reconstruir as suas vidas. com mensagens que podem salvar vidas e
Aproveitando iniciativas como essas, informações sobre os serviços disponíveis.
podem aumentar a resiliência das pessoas E também reconhecemos a importância do
- e ter um impacto muito mais duradouro. papel que os prestadores locais de serviços
Por isso temos como objetivo envolver as e das organizações da sociedade civil podem
pessoas deslocadas e as comunidades que representar ao trabalhar os desafios do
as acolhem em todos os nossos programas deslocamento interno.
e atividades, da análise da situação

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CICV
COMO AJUDAMOS
Nós:
•• Conversamos com as autoridades e os •• Trabalhamos com as autoridades para
grupos armados organizados envolvidos apresentar procedimentos para que
no conflito sobre a sua responsabilidade as pessoas internamente deslocadas
de prevenir o deslocamento, proteger possam ter documentos de identidade e
as pessoas internamente deslocadas outros papéis oficiais;
e assegurar que elas recebam a •• Ajudamos as comunidades em perigo de
assistência que precisam; deslocamento a fortalecerem sistemas
•• Ajudamos as forças armadas e os grupos locais de aviso e preparação para a
armados organizados a cumprirem com fuga (proteção dos seus pertences,
o Direito Internacional Humanitário e identificação de rotas de fuga,
outros conjuntos de normas; garantia de que mantenham contato
•• Assessoramos os governos nos com familiares e que tenham os seus
aspectos técnicos das leis e políticas documentos pessoais);
para proteger e assistir as pessoas •• Ajudamos os familiares a manterem
internamente deslocadas; contato e organizamos a reunião de
familiares separados em decorrência do
deslocamento;

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CICV
•• Distribuímos ajuda emergencial como •• Financiamos centros de saúde,
alimentos, água, utensílios domésticos mantemos as redes de abastecimento
básicos, abrigo, sementes e ferramentas de água em funcionamento e
agrícolas aos recém-chegados ou aos outros serviços públicos básicos nas
deslocados que retornam aos seus lares; comunidades acolhedoras;
•• Gerenciamos programas de primeiros •• Promovemos campanhas de
socorros, cirurgias, higiene e assistência conscientização sobre minas terrestres
à saúde para facilitar a vida das pessoas para manter os deslocados internos em
internamente deslocadas no lugar onde segurança ao retornarem;
se instalaram; •• Organizamos palestras informativas (ou
•• Prestamos apoio aos meios de usamos outros meios de comunicação,
subsistência mediante iniciativas de p. ex.: redes sociais) para que os
microeconomia, agricultura e gado deslocados internos possam entender
para ajudar os deslocados internos a os seus direitos e conhecer os serviços
recuperarem a sua independência e locais.
reconstruírem as suas vidas;

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CICV/GETTY IMAGES
O QUE DIZ O DIREITO
As pessoas internamente deslocadas estão Se as pessoas se tornarem deslocadas,
protegidas pelo Direito Internacional elas são tratadas como civis e têm direito
dos Direitos Humanos e pela legislação às mesmas proteções que aqueles que não
nacional em todas as circunstâncias. E o participam - ou que deixaram de participar
Direito Internacional Humanitário oferece - diretamente das hostilidades segundo o
proteção adicional aos deslocados internos Direito Internacional Humanitário. Como
em Estados afetados por conflitos. O os civis, os deslocados devem ser protegidos
deslocamento forçado está proibido tanto contra os efeitos dos conflitos armados.
pelas normas dos tratados e do direito Além disso, as partes em conflito têm o
internacional humanitário consuetudinário, dever de proteger as pessoas deslocadas
a menos que seja excepcional e e atender as suas necessidades básicas no
temporariamente justificado pela segurança território que controlam.
dos civis envolvidos ou imperiosas razões
militares (como a descontaminação de uma Uma vez que as razões que levaram aos
zona de combate). As normas deixam claro deslocamento deixem de existir, as pessoas
que os civis e os bens de caráter civil devem internamente deslocadas têm direito a
ser protegidos contra os efeitos do conflito retornar com segurança às suas casas ou
armado. Quase sempre são essas violações lugar de residência, se assim o desejarem.
às normas que fazem com que as pessoas As partes em conflito devem tomar todas
tenham de fugir das suas casas. as medidas para apoiar o retorno e a
reintegração às suas comunidades de origem.
CICV

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CICV
As seguintes normas do Direito
Internacional Humanitário são
particularmente relevantes para a
situação das pessoas internamente
deslocadas:
•• É proibido atacar diretamente os civis •• É proibido fazer represálias contra
ou bens de caráter civil ou atacar de os civis e os objetos protegidos pelas
maneira indiscriminada; Convenções de Genebra;
•• É proibido fazer padecer de fome a •• É proibido usar os civis como escudos
população civil como um método de humanos;
combate; •• É proibido aplicar punição coletiva,
•• É proibido atacar, destruir, remover como a destruição de casas, o que pode
ou inutilizar os bens indispensáveis à levar ao deslocamento;
sobrevivência da população civil; •• As partes de um conflito têm
obrigações relacionadas com a
assistência e o acesso humanitários.

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Não existe nenhum instrumento Internacional Humanitário. Por exemplo,
internacional universalmente vinculante os princípios deixam claro que os Estados
que aborde a difícil situação dos deslocados têm o dever de proporcionar às pessoas
internos. Porém, os Princípios Orientadores deslocadas soluções duradouras de retorno,
relativos aos Deslocados Internos da ONU reassentamento e reintegração, e que as
contam com amplo apoio da comunidade pessoas deslocadas devem estar envolvidas
internacional, tendo sido incorporados no planejamento e na gestão de medidas
por muitos Estados aos sistemas jurídicos referentes a elas.
nacionais. Além disso, diversas normas
contidas nos Princípios Orientadores
também constam no Direito Internacional
dos Direitos Humanos e no Direito

CICV

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CONVENÇÃO DE KAMPALA
No dia 23 de outubro de 2009, os Estados de negociação que levou à sua adoção. E
africanos adotaram a Convenção da União desde então incentivamos os Estados a
Africana sobre a Proteção e Assistência às ratificarem a convenção e os ajudamos
Pessoas Deslocadas Internamente na África a implementar as suas disposições na
(Convenção de Kampala). A Convenção de íntegra. Em 2016, publicamos um relatório
Kampala, que entrou em vigor em 2012 e que faz um levantamento dos avanços
foi inspirada nos Princípios Orientadores dos Estados e das suas experiências em
relativos aos Deslocados Internos, é o termos de implementação, estabelecendo
primeiro instrumento regional legalmente lições aprendidas e promovendo melhores
vinculante no mundo referente à proteção práticas. O relatório ressalta a importância
e à assistência de pessoas internamente de dar às pessoas deslocadas uma voz
deslocadas. É um marco nos esforços para significativa na hora de tomar decisões
abordar o deslocamento interno na África e que lhes afetem, garantindo acesso aos
serve de modelo para outras regiões. serviços básicos, e o papel vital da União
Africana e de outras partes interessadas
A Convenção de Kampala oferece diretrizes regionais na promoção da Convenção
detalhadas sobre como os Estados africanos em todo o continente. Também contém
devem lidar com o deslocamento interno. uma série de recomendações para os
Também ressalta como os Estados devem Estados e outros atores para uma ampla
cooperar entre si e se apoiar mutuamente variedade de questões como a prevenção
para tratar os desafios do deslocamento. de deslocamentos, gestão e coordenação
Algumas normas da Convenção - como de uma resposta nacional e local, maior
as que se referem ao retorno seguro e proteção e assistência para as pessoas
voluntário, e o acesso à indenização e deslocadas, e proposição de soluções
outras formas de reparação – vão além das duradouras.
que constam nos tratados existentes.

O CICV apoia a Convenção de Kampala desde


o início. Participamos da elaboração da
minuta da Convenção, prestando assessoria
jurídica relativa ao Direito Internacional
Humanitário (DIH) e apoiando o processo
T.Sengwe/CICV/C BY-NC-ND

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CICV
VILAREJOS E CIDADES
À medida que a população mundial se No entanto, os deslocados internos quase
torna cada vez mais urbana, as pessoas sempre são muito mais pobres e mais
que fogem dos conflitos armados e outras vulneráveis que os seus vizinhos não
situações de violência se deslocam cada deslocados. Após vivenciar privações tanto
vez mais para vilarejos, cidades e zonas antes como durante as suas jornadas, em
próximas. Nesses lugares, elas tendem a geral, eles chegam com nada ou quase nada
morar em acomodações particulares ou de pertences. Encontram dificuldade para
com famílias que as acolhem, em vez de conseguir emprego pois não tem vínculos
campos. Nesses contextos, os deslocados familiares ou sociais, conhecem muito
internos e os residentes enfrentam desafios pouco do novo lugar onde vivem e carecem
parecidos no seu dia a dia: más condições de habilidades necessárias, sobretudo
de moradia, acesso limitado aos serviços se fogem do campo para a cidade. Eles
básicos e insegurança econômica. não possuem documentos oficiais, o que
significa que têm de se empenhar para

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CICV

ter acesso a serviços básicos como saúde um conjunto de desafios. E esses desafios
e educação - e a discriminação piora singulares requerem soluções singulares.
tudo. É mais difícil chegar às pessoas Não basta simplesmente replicar o que
internamente deslocadas em vilarejos e funciona em contextos rurais. Assim como
cidades pois elas tendem a se dispersar prestar apoio direcionado às pessoas
entre as comunidades que as acolhem. internamente deslocadas - em termos de
E, sobretudo, nos lugares afetados pela abrigo, documentos e soluções duradouras
violência urbana, o medo pode levá-las - as agências humanitárias e de promoção
a ocultar a sua verdadeira situação ou de desenvolvimento também devem
mesmo se esconder. trabalhar com autoridades locais para
melhorar a infraestrutura e os serviços
Levar apoio vital aos deslocados internos e públicos para beneficiar não somente
às comunidades acolhedoras em vilarejos aos deslocados internos, mas também à
e cidades, portanto, vem acompanhado de comunidade como um todo.

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CICV
DESLOCAMENTO INTERNO
E MIGRAÇÃO
O deslocamento interno e a migração O CICV instou repetidamente os
quase sempre impõem desafios inter- Estados, doadores e outras organizações
relacionados. Muitos refugiados vêm humanitárias a reconhecerem a possível
de países afetados por conflitos onde o conexão entre o deslocamento interno e
deslocamento interno já é comum. E para a migração. Acreditamos que quando for
algumas pessoas, o deslocamento interno é esse o caso, requer uma resposta holística,
meramente o primeiro passo de uma árdua tomando medidas para proteger e ajudar os
jornada de mudar-se para outro país em refugiados e outros migrantes vulneráveis
busca de segurança e de uma vida melhor, em trânsito ou que estão voltando, fazendo
depois de não conseguir encontrar proteção mais para proteger e ajudar a todas
e soluções duradouras no seu próprio país. pessoas afetadas por conflitos armados
Da mesma maneira, alguns dos migrantes e outras situações de violência, incluindo
e refugiados retornados terminam se os deslocados internos, e fortalecendo
tornando deslocados no seu próprio país o respeito pelos Direito Internacional
devido a que voltar seria inseguro ou Humanitário e pelo Direito Internacional
perderiam o acesso aos serviços básicos e dos Direitos Humanos nos países de origem
oportunidades de recuperar os seus meios para tratar as causas do deslocamento
de subsistência. Portanto, além de serem forçado.
obrigados pelas mesmas circunstâncias
ou outras muito parecidas, os deslocados Porém, o deslocamento interno não
internos, os refugiados e outros migrantes deve ser visto necessariamente como um
vulneráveis têm de lidar com os mesmos precursor da migração. Atualmente, a
problemas que qualquer pessoa que é maioria das pessoas deslocadas devido
desarraigada do seu entorno familiar. à violência terminam deslocadas no

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CICV

seu próprio país. Acreditamos que a fronteira internacional e muitos não têm
comunidade internacional deve tratar o vontade de fazê-lo. Em vez disso, devemos
sofrimento como uma questão preocupante nos concentrar em proteger e assistir essas
em si, não somente como uma maneira de pessoas e oferecer soluções duradouras, de
reduzir ou conter a migração. Ao rotular os modo que possam reconstruir as suas vidas
deslocados internos como os refugiados nos seus próprios países.
ou migrantes de amanhã, deixamos de
levar em consideração os seus desejos
e prioridades. Nem todos os deslocados
internos terminam atravessando uma

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CICV
O MOVIMENTO INTERNACIONAL DA CRUZ VERMELHA
E DO CRESCENTE VERMELHO
O Movimento Internacional da Cruz Vermelha O Movimento está ativo há tempos para
e do Crescente Vermelho (o Movimento) atender as necessidades dos indivíduos e
está formado pelas Sociedades Nacionais comunidades afetados pelo deslocamento
da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho interno. A Política do Movimento sobre
(Sociedades Nacionais), pela Federação Deslocamento Interno, adotada pelo
Internacional de Sociedades da Cruz Conselho de Delegados em novembro
Vermelha e do Crescente Vermelho (FICV) de 2009, reafirmou o envolvimento
e pelo CICV. As três partes do Movimento do Movimento com essa questão e o
usam os mesmos emblemas e são orientados seu trabalho para ajudar as pessoas
pelos mesmos princípios. É uma rede neutra internamente deslocadas e as comunidades
e imparcial que alivia o sofrimento das que as acolhem. Também reconhece o valor
pessoas afetadas por desastres, conflitos de uma resposta coordenada por todo o
armados e outras situações de violência. Movimento. Em linha com essa política,
As Sociedades Nacionais apoia autoridades sempre que possível, o CICV prioriza as
públicas nos seus países. O conhecimento e a parcerias com as Sociedades Nacionais na
experiência delas, o acesso às comunidades e elaboração e implementação de atividades
a redes com as quais contam permitem que para os deslocados internos e comunidades
o Movimento receba o tipo de ajuda onde é no mundo todo.
necessário e rápido.

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CICV

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Ajudamos pessoas afetadas por conflitos armados e outras situações
de violência no mundo inteiro, fazendo todo o possível para
proteger a dignidade e aliviar o sofrimento delas, com frequência
em conjunto com os nossos parceiros da Cruz Vermelha e do
Crescente Vermelho. Buscamos também evitar as privações com a
promoção e o fortalecimento do Direito Internacional Humanitário
(DIH) e a defesa dos princípios humanitários universais.

0867/007  04.2018  100  Foto da capa: CICV

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Comitê Internacional da Cruz Vermelha


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© CICV, abril de 2018

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