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DIREITO

ADMINISTRATIVO
AGENTES PÚBLICOS
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Sumário

1. Conceito................................................................................................................................... 3

2. Classificação............................................................................................................................ 3

a) Agentes políticos..................................................................................................................................... 3

b) Servidor estatal....................................................................................................................................... 3

b.1) Servidor público.................................................................................................................................... 3

b.2) Servidor de ente governamental de direito privado..............................................................................4

b.3) Particulares em colaboração:............................................................................................................... 4

3. Acessibilidade/Admissão........................................................................................................5

- Requisitos do Concurso......................................................................................................................... 5

- Reserva de vagas para pessoas com deficiência.................................................................................6

- Psicotécnico............................................................................................................................................ 6

- Prazo de Validade.................................................................................................................................... 7

- Nomeação................................................................................................................................................ 7

- Estabilidade............................................................................................................................................. 8

- Sistema Remuneratório.......................................................................................................................... 9

Teto Remuneratório................................................................................................................................. 10

Subtetos................................................................................................................................................... 11

- Competência para julgamento das ações...........................................................................................12

- Acumulação (art. 37, XVI e XVII e art. 38, ambos da CF)....................................................................12

4. Seguridade Social.................................................................................................................. 14

1. Aposentadoria dos servidores públicos............................................................................................16

2. Regime Próprio de Previdência Social – RPPS.................................................................................17

2.1 Proventos........................................................................................................................................... 17

2.2 Emendas Constitucionais – Histórico..............................................................................................17

3. Aposentadoria Voluntária.................................................................................................................... 22

4. Aposentadoria Especial...................................................................................................................... 22

5. Regime Complementar........................................................................................................................ 26
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5. ESTUDO DA LEI Nº 8.112/90..................................................................................................27

1. Agente público..................................................................................................................................... 27

2. Regime jurídico único......................................................................................................................... 33

3. Cargo público....................................................................................................................................... 37

4. Emprego público................................................................................................................................. 39

5. Função.................................................................................................................................................. 39

6. Cargo de confiança (cargo em comissão).........................................................................................40

7. Cargo Público – Classificação:..........................................................................................................41

8. Formas de Provimento........................................................................................................................ 42

9. Direitos................................................................................................................................................. 46

1. Remuneração e vencimento............................................................................................................... 47

2. Vantagens............................................................................................................................................. 54

2.1. Indenizações..................................................................................................................................... 54

2.2. Gratificações e adicionais................................................................................................................ 55

3. Férias.................................................................................................................................................... 56

4. Licenças............................................................................................................................................... 56

5. Afastamentos....................................................................................................................................... 57

6. JURISPRUDÊNCIA SOBRE SERVIDOR PÚBLICO:..............................................................67

7. APOSENTADORIA DO SERVIDOR
PÚBLICO .................................................................................................77

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ATUALIZADO EM 21/05/2017

AGENTES PÚBLICOSi

1. Conceito

Todo aquele que exerce função pública, com ou sem remuneração, seja de forma
temporária ou permanente.

2. Classificação

a) Agentes políticos
Aqueles que manifestam a vontade do Estado. Estão no comando de cada um dos
poderes. Comando do poder executivo, legislativo e judiciário. Ex. Prefeito e vice,
Governador e Vice, auxiliares imediatos do poder executivo (Ministros de Estado,
Secretário estaduais e municipais). Poder Judiciário – magistrados, membros do MP. STF
diz que são agentes políticos não pelas escolhas, mas pela manifestação da vontade
estatal. Há divergência doutrinária. Ministros e conselheiros dos Tribunais de Contas.
Agente político é titular de cargo público, por isso estão no regime jurídico administrativo
(chamado de regime legal e também de regime estatutário) – não significa dizer que vão
seguir a lei 8112, mas que há previsão em lei (ex. LOMAN, Executivo - CF).

b) Servidor estatal
É todo aquele que atua no Estado, seja na administração direta ou indireta. Se ele
presta serviço em pessoa jurídica de direito público é servidor público. Se atua em pessoa
jurídica de direito privado (EP/SEM) é chamado de servidor de ente governamental de
direito privado.

b.1) Servidor público


O texto original falava em regime jurídico único. A EC 19/98 instalou o regime
múltiplo (dependia da lei de criação – se criasse cargo seria estatutário, se fosse emprego
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- CLT). O STF decidiu em sede cautelar (ADI 2135) que essa regra (Art. 39) é formalmente
inconstitucional. Voltamos ao regime jurídico único. Os efeitos são ex nunc. A partir do
julgamento não pode mais. O regime jurídico tem que ser único naquela ordem política.
União – regime jurídico único.

b.2) Servidor de ente governamental de direito privado


Titular de emprego. Regime trabalhista/CLT/contratual. É empregado. Equiparação
ao serviço público – I. Teto remuneratório, salvo no caso em que não há repasse para
custeio. II. Prestam concurso público. III. Estão sujeitos ao regime de não acumulação. IV.
Sujeitos à lei 8429/92 – improbidade administrativa. V. sujeitos a lei penal – art. 327 CP. VI.
Remédios constitucionais.

Dispensa – imotivada, diferentemente do servidor público. TST súmula 390 – não


tem estabilidade art. 41. OJ 247. ECT dispensa motivada. STF () – esses empregados não
tem realmente estabilidade do art. 41, mas se a EP/SEM for prestadora de serviço público,
elas terão regime híbrido – concurso público – dispensa motivada (processo
administrativo). Se entro com impessoalidade e isonomia, saio da mesma forma.

Dica:
# regime legal, regime jurídico administrativo, estatutário = cargo público =
PJDPúblico.
# regime contratual, regime trabalhista, celetista = emprego = PJDPúblico* e
PJDPrivado**.

*PJDPúblico = Servidor Público ou Empregado Público


**PJDPrivado = Servidor de Ente Governamental de Direito Privado ou
Empregado

b.3) Particulares em colaboração:


Equiparam-se aos servidores. Concurso público.

Categorias:

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 Requisitados ex. mesário, jurado, serviço militar obrigatório
 Voluntário ex. agente honorífico ( HELY), sponte própria
 Prestam serviços em concessionárias e permissionárias
 Delegação de função art. 236 CP
 Particulares que praticam atos oficiais ex. saúde, ensino

3. Acessibilidade/Admissão

É ampla. Brasileiros mais estrangeiros na forma da lei EC 19/98. Concurso público 1


– processo seletivo que privilegia a meritocracia, em homenagem ao princípio da
impessoalidade e da isonomia.

Obs.: diferencia-se do concurso modalidade de licitação que serve para escolha de


trabalho técnico, artístico, científico, em que a contraprestação é um prêmio.

* Exceções ao concurso:
→ mandatos eletivos;
→ cargos em comissão – livre nomeação e exoneração;
→ contrato temporário – excepcional interesse público (art. 37, IX, CF);
→ agentes comunitários de saúde e agentes de combate às endemias
(art. 198, CF);
→ hipóteses expressas na CF:
* Ministro do STF (Nomeação de Cunho Político);
* Cargos nos Tribunais Superiores (STJ, TST, TSE);
* Quinto Constitucional;
* Ministros e Conselheiros dos Tribunais de Contas;

Obs.: a CF fala que os agentes comunitários de saúde e agentes de combate às


endemias se submetem a processo seletivo. A hipótese em comento foi regulamentada
pela Lei n. 11.350/2006, que dispõe que será um processo seletivo de provas, ou provas e

1 A prova do TRF4/2016 considerou correta a seguinte alternativa em sede de concurso público: “Os candidatos em
concurso público não têm direito à prova de 2ª (segunda) chamada, nos testes de aptidão física, em razão de
circunstâncias pessoais, ainda que de caráter fisiológico ou de força maior, salvo contrária disposição editalícia”.
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títulos. Logo, uma crítica é feita: se a CF não falou em processo seletivo simplificado e a lei
regulamentadora fala em processo seletivo de provas ou provas e títulos, não seria, então,
caso de concurso público? Não é o que tem prevalecido. O que prevalece é que, de fato,
não se trata de concurso, mas processo seletivo.

*#DIZERODIREITO
O art. 236, § 3º, da CF é uma norma constitucional autoaplicável. Logo, mesmo antes da edição
da Lei nº 8.935/94, ela já tinha plena eficácia e o concurso público era obrigatório como
condição não apenas para ingresso na atividade notarial e de registro, como também nos casos
de remoção ou permuta. As normas estaduais que admitem a remoção na atividade notarial e
de registro independentemente de prévio concurso público, são incompatíveis com o art. 236, §
3º, da Constituição, razão pela qual não foram por essa recepcionadas. O prazo decadencial de
5 anos, de que trata o art. 54 da Lei nº 9.784/99, não se aplica à revisão de atos de delegação
de serventias extrajudiciais editados após a CF/88, sem o atendimento das exigências
prescritas no seu art. 236. Assim, se uma pessoa assumiu uma serventia notarial ou registral
sem concurso público após a CF/88, este ato poderá ser anulado mesmo que já se tenham
passado mais de 5 anos. A decisão que anula o ato de investidura em serventia notarial e
registral sem concurso público não viola o direito adquirido nem a segurança jurídica. STF. 1ª
Turma. MS 29415/DF, rel. orig. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. Luiz Fux, julgado em
27/09/2016 (Info 841).

- Requisitos do Concurso:
Deve haver previsão na lei da carreira;
Compatibilidade com as atribuições do cargo;
Previsão no edital.

Informativo 538 STF Maio/2014

*Não é possível a aplicação retroativa da regra de limitação de títulos de pós-graduação


trazida pela Resolução CNJ nº 187/2014 para concursos abertos antes dela, sob pena de
afronta à segurança jurídica. A criação de critério “ad hoc” de contagem de títulos de pós-
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graduação, depois da abertura da fase de títulos, implica violação à segurança jurídica. O
STF também entendeu que não foi legítima essa nova interpretação dada pela comissão
do concurso de não mais aceitar diplomas de especializações cursadas simultaneamente.
Isso porque a redação originária da Resolução 81/2009/CNJ não previa qualquer limitação
para a contagem de títulos de especialização, muito menos dispunha sobre formas de
evitar a sobreposição e acumulação de certificados. Logo, esse novo critério imposto pela
banca, depois de o concurso ter se iniciado, ofendeu o princípio da impessoalidade, pois
permitiu o favorecimento de alguns candidatos em detrimento de outros. STF. 1ª Turma.
MS 33.406/DF, rel. orig. Min. Marco Aurélio, rel. p/ o acórdão Min. Roberto Barroso, julgado
em 6/9/2016 (Info 838).

*#OUSESABER: O STJ já decidiu que destoa dos princípios da proporcionalidade e


razoabilidade o ato que exclui do certame candidato que possui nome negativado
em cadastro de restrição creditícia, já que nem ações penais ou inquéritos policias em
curso como regra possuem o condão de eliminar o candidato, com maior razão a simples
inscrição no SPC/SERASA também não detém essa capacidade. Vejamos julgado:
ADMINISTRATIVO. CONCURSO PÚBLICO. INABILITAÇÃO NA FASE DE
INVESTIGAÇÃO SOCIAL. EXISTÊNCIA DE INQUÉRITOS POLICIAIS, AÇÕES PENAIS
EM ANDAMENTO OU INCLUSÃO DO NOME DO CANDIDATO EM SERVIÇO DE
PROTEÇÃO AO CRÉDITO. PRINCÍPIO DA PRESUNÇÃO DE INOCÊNCIA. É desprovido
de razoabilidade e proporcionalidade o ato que, na etapa de investigação social,
exclui candidato de concurso público baseado no registro deste em cadastro de
serviço de proteção ao crédito. (RMS 30.734/DF, Rel. Ministra LAURITA VAZ, QUINTA
TURMA, julgado em 20/09/2011, DJe 04/10/2011)

*#OUSESABER: É legal a impossibilidade de recurso contra alterações nos


gabaritos preliminares prevista em concursos públicos? Firmado com supedâneo na
orientação jurisprudencial do Supremo Tribunal Federal e do Superior Tribunal de Justiça
tem-se que é LÍCITA a regra editalícia que veda a interposição de novo recurso
administrativo contra o gabarito definitivo porque não viola o princípio do
contraditório e, tampouco, do amplo direito de defesa. Deve-se considerar que já foi
elaborado um gabarito provisório, no qual os candidatos poderem se insurgir contra as
posições adotadas pela banca. Vejamos entendimento do STF sobre o tema:

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1. A modificação de gabarito preliminar, anulando questões ou alterando a alternativa
correta, em decorrência do julgamento de recursos apresentados por candidatos não
importa em nulidade do concurso público se houver previsão no edital dessa
modificação.
2. A ausência de previsão no edital do certame de interposição de novos recursos
por candidatos prejudicados pela modificação do gabarito preliminar não contraria
os princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa. (Negritei). (MS
27260, Relator(a): Min. CARLOS BRITTO, Relator(a) p/ Acórdão: Min. CÁRMEN LÚCIA,
Tribunal Pleno, julgado em 29/10/2009, DJe-055 DIVULG 25-03-2010 PUBLIC 26-03-2010
EMENT VOL-02395-02 PP-00454 RTJ VOL-00216- PP-00332)

# EMENTA: DIREITO CONSTITUCIONAL E ADMINISTRATIVO. MANDADO DE


SEGURANÇA. DECISÃO DO CONSELHO NACIONAL DE JUSTIÇA QUE INVALIDOU
CRITÉRIO ESTABELECIDO PELO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DE PERNAMBUCO PARA
AFERIÇÃO DE TÍTULOS DE ESPECIALIZAÇÃO EM CONCURSO PÚBLICO VOLTADO
À OUTORGA DE DELEGAÇÕES DE NOTAS E REGISTROS. DENEGAÇÃO DA
SEGURANÇA.
1. A criação de critério ad hoc de contagem de títulos de pós-graduação, após a
abertura da fase de títulos e da apresentação dos certificados pelos candidatos,
constitui flagrante violação ao princípio da segurança jurídica e da impessoalidade.
2. Impossibilidade de aplicação retroativa da Resolução nº 187/2014 do CNJ ao presente
concurso, em respeito à modulação dos efeitos efetuada pelo CNJ e aos precedentes
desta Corte sobre a matéria.
3. Denegação da segurança, com revogação da liminar anteriormente deferida e prejuízo
dos agravos regimentais. MS N.33.406-DF. REDATOR P/ O ACÓRDÃO: MIN. ROBERTO
BARROSO (Info 846)

Súmulas:

Limite de Idade = é possível limitação de idade para fins de concurso público,


conforme art. 7°, XXX, da CF, além de compatibilidade com a natureza das atribuições do
cargo (Súmula 683, STF). Saliente-se que o art. 7°, XXX, da CF, prevê que a limitação da
idade deve estar prevista em lei.

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Repercussão Geral – RE 600885: a discussão tinha como base o art. 142, §3°, X,
da CF, que exige que os requisitos devem estar previstos em lei, enquanto a Lei n.
6.880/80 prescreve que os requisitos devem estar previstos em regulamento. O STF
decidiu que a referida lei não foi recepcionada pela nova norma constitucional. Contudo, o
STF modulou os efeitos da decisão da não recepção da lei, com manutenção dos
concursos fundados em regulamento (art. 10, da Lei n. 6.880) até o dia 31 de dezembro de
2011.

Súmula nº 683, STF: o limite de idade para a inscrição em concurso público só se legitima
em face do art. 7º, XXX, da CF, quando possa ser justificado pela natureza das atribuições
do cargo a ser preenchido.

- Reserva de vagas para pessoas com deficiência:

*Súmula 552-STJ: O portador de surdez unilateral não se qualifica como pessoa com
deficiência para o fim de disputar as vagas reservadas em concursos públicos. STJ. Corte
Especial. Aprovada em 04/11/2015.

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*#OUSESABER: A CF/88, sobre o tema da previsão de reserva de vagas para pessoas
com deficiência, dispõe: Art. 37 (...) VIII — a lei reservará percentual dos cargos e
empregos públicos para as pessoas portadoras de deficiência e definirá os critérios de sua
admissão;
No âmbito federal, foram estabelecidas regras no art 5º, parágrafo segundo, da Lei
8.112/90 e do art. 37 do Decreto 3.298/99. Cumpre à cada Estado editar normas também
para assegurar tal reserva de vagas para as pessoas com deficiência. Quanto ao
enquadramento portador de surdez unilateral nas vagas para deficientes, a súmula do STJ
foi editada com base no Decreto 3.298/99, editado para regulamentar a Lei 7.853/99, a
qual dispõe sobre a Política Nacional para a Integração das Pessoas com Deficiência. Em
seu art. 4º, o Decreto assim define a deficiência auditiva: Art. 4º É considerada pessoa
portadora de deficiência a que se enquadra nas seguintes categorias: II — deficiência
auditiva — perda bilateral, parcial ou total, de quarenta e um decibéis (dB) ou mais, aferida
por audiograma nas frequências de 500HZ, 1.000HZ, 2.000Hz e 3.000Hz; (Redação dada
pelo Decreto nº 5.296/2004). Pelo fato, então, de o decreto estabelecer que deve ocorrer
a perda bilateral, e não apenas a unilateral, e em razão do princípio da legalidade,
não deve o portador de surdez unilateral concorrer nas vagas reservadas às pessoas
com deficiência, segundo o STJ.
*#OUSESABER: O STF entendeu que: “não há qualquer violação a direito líquido e certo
por parte da autoridade coatora em selecionar os candidatos melhores classificados em
número razoável, como ocorreu no presente caso, para prosseguimento nas demais fases
do certame, não se observando, no caso, qualquer afronta o percentual de 5% legalmente
previsto, para reserva de vagas destinadas aos portadores de deficiência. (Ag.Reg. em MS
30.195/DF). Resumidamente, é plenamente possível haver a imposição de cláusula de
barreira para prosseguimento em fases subsequentes de concurso público, ainda
que se trate de candidatos portadores de necessidades especiais.

- Psicotécnico: previsão em lei + critérios objetivos + garantia de recurso

Súmula nº 686, STF: só por lei se pode sujeitar a exame psicotécnico a habilitação de
candidato a cargo público.

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Súmula nº 684, STF: “é inconstitucional o veto não motivado à participação de candidato a


concurso público”.

Súmula nº 685, STF: é inconstitucional toda modalidade de provimento que propicie ao


servidor investir-se, sem prévia aprovação em concurso público destinado ao seu
provimento, em cargo que não integra a carreira na qual anteriormente investido.

Súmula nº 266, STJ: o diploma ou habilitação legal para o exercício do cargo deve ser
exigido na posse e não na inscrição para o concurso público.

É legal a cláusula de edital que prescreva que as atividades do cargo de perito


datiloscopista são de nível médio, desde que, à época da publicação do edital do concurso
para o referido cargo, haja previsão legislativa estadual nesse sentido. STJ. 1ª Turma.
AgRg no RMS 32.892-RO, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, julgado em 17/12/2015
(Info 576).
Ainda que o requisito da idade mínima de 18 anos conste em lei e no edital de
concurso público, é possível que o candidato menor de idade aprovado no concurso tome
posse no cargo de auxiliar de biblioteca no caso em que ele, possuindo 17 anos e 10
meses na data da sua posse, já havia sido emancipado voluntariamente por seus pais há 4
meses. STJ. 2ª Turma. REsp 1.462.659-RS, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em
1º/12/2015 (Info 576).

- Prazo de Validade
Prazo de validade é de até 02 anos, prorrogável por uma única vez, e por
igual período. A prorrogação deve ser dar durante o prazo de validade. A decisão de
prorrogação é discricionária (conveniência e oportunidade do interesse público).

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Não há direito adquirido à prorrogação do prazo de validade. Assim, o STF
decidiu que a prorrogação pode ser revogada, desde que o prazo não tenha começado a
fluir.

- Nomeação
A regra é de que o candidato tem mera expectativa de direito à nomeação.
Porém, em algumas hipóteses, o candidato tem direito subjetivo à nomeação. Vejamos:

1. Preterição do Candidato (Súmula 15, STJ)


2. Administração celebra vínculos precários
3. Aprovação dentro do número de vagas (RG – RE 598099)
4. Quando surgirem novas vagas, ou for aberto novo concurso durante a validade
do certame anterior, e ocorrer a preterição de candidatos de forma arbitrária e
imotivada por parte da administração nos termos acima. STF. Plenário. RE
837311/PI, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 09/12/2015 (repercussão geral) (Info
811)

INFO. 753, STF - 2015


CONCURSO PÚBLICO: A posse ou o exercício em cargo público por força de decisão
judicial de caráter provisório não implica a manutenção, em definitivo, do candidato que
não atende a exigência de prévia aprovação em concurso público (art. 37, II, da CF/88),
valor constitucional que prepondera sobre o interesse individual do candidato, que não
pode invocar, na hipótese, o princípio da proteção da confiança legítima, pois conhece a
precariedade da medida judicial. Em suma, não se aplica a teoria do fato consumado
para candidatos que assumiram o cargo público por força de decisão judicial provisória
posteriormente revista. STF. 1ª Turma. RMS 31538/DF, rel. orig. Min. Luiz Fux, red. p/ o
acórdão Min. Marco Aurélio, julgado em 17/11/2015 (Info 808). STF. Plenário. RE
608482/RN, Rel. Min. Teori Zavascki, julgado em 7/8/2014 (repercussão geral) (Info 753).

O mero surgimento de vagas ou a abertura de novo concurso para o mesmo cargo não
gera direito subjetivo à nomeação do candidato aprovado fora do número de vagas,
cabendo a ele demonstrar, de forma inequívoca, que houve preterição arbitrária e
imotivada por parte da administração pública. No caso concreto, o STF entendeu que isso
não ficou comprovado. Assim, para o Tribunal, a situação não se enquadra nas hipóteses
previstas no RE 837311/PI. STF. 1ª Turma. RMS 31478/DF, rel. orig. Min. Marco Aurélio,
red. p/ o acórdão Min. Edson Fachin, julgado em 9/8/2016 (Info 834).
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INFO. 567, STJ - 2015


Situação 1: o candidato aprovado fora do número de vagas previstas no edital de
concurso público tem direito subjetivo à nomeação quando o candidato imediatamente
anterior na ordem de classificação, aprovado dentro do número de vagas, for convocado e
manifestar desistência. Ex: eram 10 vagas e João passou em 11º lugar; ocorre que o 10º
colocado foi convocado e desistiu de assumir; João tem direito subjetivo de ser nomeado.
Em suma, tem direito subjetivo à nomeação o candidato aprovado fora do número de
vagas previstas no edital, mas que passe a figurar entre as vagas em decorrência da
desistência de candidatos classificados em colocação superior. Situação 2: o candidato
aprovado fora do número de vagas previstas no edital de concurso público tem direito
subjetivo à nomeação quando o candidato imediatamente anterior na ordem de
classificação, embora aprovado fora do número de vagas, for convocado para vaga surgida
posteriormente e manifestar desistência. Ex: João fez um concurso público para o cargo de
Procurador do Estado, cujo edital previa 10 vagas, tendo sido aprovado e, na classificação
final, ficou em 12º lugar. Os 10 candidatos aprovados nas primeiras posições foram
nomeados e empossados. Um ano depois, é aprovada uma lei criando uma nova vaga
para o cargo de Procurador do Estado. Pedro, o candidato aprovado em 11º lugar no
concurso, foi convocado para tomar posse no cargo, mas, por ter outros interesses,
acabou desistindo de assumir. STJ. 1ª Turma. AgRg no ROMS 48.266-TO, Rel. Min.
Benedito Gonçalves, julgado em 18/8/2015 (Info 567). STJ. 1ª Turma. AgRg noRMS
41.031-PR, Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado em 18/8/2015 (Info 567).
- Exceções: O STF, ao analisar o tema em sede de repercussão geral, identificou
hipóteses excepcionais em que a Administração pode deixar de realizar a nomeação de
candidato aprovado dentro do número de vagas, desde que se verifique a ocorrência de
uma situação com as seguintes características (RE 598.099/MS, Pleno, DJe de 3/10/2011):
 Superveniência: os eventuais fatos ensejadores de uma situação excepcional
devem ser necessariamente posteriores à publicação do edital do certame público;
 Imprevisibilidade: a situação deve ser determinada por circunstâncias
extraordinárias, imprevisíveis à época da publicação do edital;
 Gravidade: os acontecimentos extraordinários e imprevisíveis devem ser
extremamente graves, implicando onerosidade excessiva, dificuldade ou mesmo
impossibilidade de cumprimento efetivo das regras do edital;
 Necessidade: a solução drástica e excepcional de não cumprimento do dever de
nomeação deve ser extremamente necessária, de forma que a Administração somente

CICLOS R3 – G8 – MATERIAL JURÍDICO


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pode adotar tal medida quando absolutamente não existirem outros meios menos gravosos
para lidar com a situação excepcional e imprevisível.
- O candidato aprovado fora do número de vagas não tem direito subjetivo à
nomeação, mesmo que surjam ou sejam criadas vagas durante o prazo de validade do
concurso. Assim, o fato de terem sido criados novos cargos enquanto ainda vigente o
concurso não obriga, por si só, a Administração a nomear o candidato aprovado fora do
número de vagas. Somente existe direito subjetivo à nomeação dos candidatos aprovados
dentro do número de vagas inicialmente previsto no instrumento convocatório, restando à
Administração o exercício do seu poder discricionário para definir pela conveniência de se
nomear os candidatos elencados em cadastro de reserva. Tampouco obriga, a princípio, a
administração a prorrogar o prazo de validade do concurso, ato discricionário, submetido
ao juízo de oportunidade e conveniência administrativas. (STJ. 2ª Turma. AgRg no REsp
1263916/PR, Rel. Min. Castro Meira, julgado em 14/08/2012).
- Exceção: O candidato aprovado fora do número de vagas do edital adquire direito
subjetivo à nomeação caso consiga comprovar que: surgiram novas vagas durante o prazo
de validade do concurso público; e existe interesse da Administração Pública e
disponibilidade orçamentária para preencher essas vagas.

- Estabilidade

Aquisição

Previsão legal – art. 41, CF.

Requisitos (EC n. 19/98):

Prévia Aprovação em Concurso Público

Nomeação em Cargo Efetivo

03 anos de exercício

Avaliação Especial de Desempenho

Obs.: estabilidade para emprego público é uma matéria divergente. Contudo,


prevalece o entendimento de que somente titulares de cargos efetivos possuem
estabilidade, ou seja, a partir da EC n. 19/98 os empregados públicos perderam o direito a
adquirir estabilidade.

Perda

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Avaliação Periódica de Desempenho (EC 19/98) – Regulamentação
por LC

Processo Administrativo Disciplinar

Processo Judicial com Transito em Julgado

Racionalização da Máquina Administração (art. 169, CF).

* Estágio Probatório

Redação original da CF/1988 – 2 anos de exercício para adquirir estabilidade.

Art. 20, da Lei n. 8.112/90 – 24 meses (estágio probatório).

EC n. 19/98 – 3 anos de exercício para adquirir estabilidade (art. 41, CF).

Se a estabilidade e estágio probatório forem reconhecidos como institutos


dependentes, ambos devem ter o mesmo prazo, ou seja, 03 anos. Para quem adota essa
visão, o art. 20, da Lei n. 8.112/90, não foi recepcionado pela nova regra da CF trazida pela
EC n. 19/98 (não é materialmente competente) – AGU, STF, STJ.

Se a estabilidade e estágio probatório forem reconhecidos como institutos


independentes, ambos podem ter prazos distintos, permanecendo a estabilidade
alcançada em 03 anos e o estágio probatório com duração de 24 meses. Logo, quem
adota essa posição entende que o art. 20, da Lei n. 8.112 foi recepcionado pela CF –
Congresso Nacional.
Art. 19 do ADCT da CF/88 O ADCT da CF/88 previu que os servidores públicos
que estavam em exercício há pelo menos 5 anos quando a Constituição Federal foi
promulgada, deveriam ser considerados estáveis mesmo que não tivessem sido admitidos
por meio de concurso público. Desse modo, quem ingressou no serviço público, sem
concurso, até 05/10/1983 (5 anos antes da CF/88) e assim permaneceu, de forma
continuada, tornou-se estável com a edição da CF/88. Trata-se, contudo, de regra
excepcional e que somente vigorou para esses casos.
Veja a redação do dispositivo:
Art. 19. Os servidores públicos civis da União, dos Estados, do Distrito Federal e
dos Municípios, da administração direta, autárquica e das fundações públicas, em
exercício na data da promulgação da Constituição, há pelo menos cinco anos continuados,
e que não tenham sido admitidos na forma regulada no art. 37, da Constituição, são
considerados estáveis no serviço público. (...) § 2º — O disposto neste artigo não se aplica
CICLOS R3 – G8 – MATERIAL JURÍDICO
17
aos ocupantes de cargos, funções e empregos de confiança ou em comissão, nem aos
que a lei declare de livre exoneração, cujo tempo de serviço não será computado para os
fins do "caput" deste artigo, exceto se se tratar de servidor. § 3º — O disposto neste artigo
não se aplica aos professores de nível superior, nos termos da lei.

*O art. 19 do ADCT da CF/88 previu que os servidores públicos que estavam em exercício
há pelo menos 5 anos quando a Constituição Federal foi promulgada, deveriam ser
considerados estáveis, mesmo não tendo sido admitidos por meio de concurso público.
Desse modo, quem ingressou no serviço público, sem concurso, até 05/10/1983 e assim
permaneceu, de forma continuada, tornou-se estável com a edição da CF/88. É
inconstitucional Constituição estadual ou lei estadual que amplie a abrangência do art. 19
do ADCT e preveja estabilidade para servidores públicos admitidos sem concurso público
mesmo após 05/10/1983 (5 anos antes da CF/88). STF. Plenário. ADI 1241/RN, Rel. Min.
Dias Toffoli, julgado em 22/09/2016 (Info 840). O STF decidiu, contudo, modular os efeitos
da decisão. A Lei 6.697/94, do RN, foi declarada inconstitucional. Logo, como
consequência dessa decisão, todos os servidores públicos que estivessem nessa situação
deveriam ser exonerados imediatamente. Ocorre que o STF entendeu que isso iria gerar
graves consequências para o funcionamento da Administração Pública estadual que, de
uma hora para outra, ficaria privada de centenas de servidores. Diante disso, a Corte
decidiu que a decisão somente teria eficácia a partir de 12 meses contados da data da
publicação da ata de julgamento. Nesse período, haverá tempo hábil para a realização de
concurso público, nomeação e posse de novos servidores, evitando-se, assim, prejuízo à
prestação do serviço público de ensino superior na URRN. Além disso, o STF ressalvou
dos efeitos da decisão os servidores que já estejam aposentados e aqueles que, até a data
de publicação da ata do julgamento, tenham preenchido os requisitos para a
aposentadoria. Em outras palavras, se a pessoa se aposentou (ou reuniu os requisitos
para se aposentar com base na Lei 6.697/94), ela terá direito de continuar aposentada (ou
se aposentar) mesmo essa lei tendo sido declarada inconstitucional.

- Sistema Remuneratório

Modalidades

a) Remuneração (Vencimentos) = Salário Base (Vencimento) + Parcela Variável

b) Subsídio = Parcela Única

CICLOS R3 – G8 – MATERIAL JURÍDICO


18

→ Chefes do Executivo e Vices, Auxiliares Imediatos do Poder Executivo;

→ Membros do Poder Legislativo – SF, DF, DE, Vereadores;

→ Membros da Magistratura e Membros do MP;

→ AGU, Procuradores e Defensores;

→ Ministros e Conselheiros dos Tribunais de Contas;

→ Polícias
*#SELIGANAJURISPRUDÊNCIA: O art. 39, § 4º, da Constituição Federal não é
incompatível com o pagamento de terço de férias e décimo terceiro salário . Os
agentes políticos, como é o caso dos Prefeitos e Vice-Prefeitos, não devem ter um
tratamento melhor, mas também não podem ter uma situação pior do que a dos demais
trabalhadores. Se todos os trabalhadores em geral têm direito a um terço de férias e têm
direito a décimo terceiro salário, não se mostra razoável que isso seja retirado da espécie
de servidores públicos (Prefeitos e Vice-Prefeitos). STF. Plenário. RE 650898/RS, rel. orig.
Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. Roberto Barroso, julgado em 1º/2/2017 (repercussão
geral) (Info 852).

Obs.: procuradores municipais não são remunerados por subsídios.

Obs.: cargos de carreira PODEM receber subsídios.

Obs.: é possível o pagamento fora do subsídio das verbas indenizatórias (diárias,


ajuda de custo, transporte) e as verbas do art. 39, §3°, CF 2 (art. 7°, CF).

A fixação e modificação da remuneração devem ser feitas por meio de lei.

Exceções:

i) Congresso Nacional fixa por meio de Decreto Legislativo a remuneração


dos seus membros, do Presidente e Vice Presidente da República e Ministros de Estados
(art. 49, CF).

ii) Câmara Municipal fixa por meio de Decreto Legislativo a remuneração dos
seus membros.

Teto Remuneratório

2 § 3º Aplica-se aos servidores ocupantes de cargo público o disposto no art. 7º, IV, VII, VIII, IX, XII,
XIII, XV, XVI, XVII, XVIII, XIX, XX, XXII e XXX, podendo a lei estabelecer requisitos diferenciados de
admissão quando a natureza do cargo o exigir.

CICLOS R3 – G8 – MATERIAL JURÍDICO


19

O teto remuneratório foi inserido pela EC n. 19/98. Criou, porém, apenas o


teto geral que é o valor recebido pelos ministros do STF.

A EC n. 41/03 criou subtetos. Vejamos (art. 37, XI, CF):

XI - a remuneração e o subsídio dos ocupantes de cargos, funções e


empregos públicos da administração direta, autárquica e fundacional,
dos membros de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do
Distrito Federal e dos Municípios, dos detentores de mandato eletivo
e dos demais agentes políticos e os proventos, pensões ou outra
espécie remuneratória, percebidos cumulativamente ou não, incluídas
as vantagens pessoais ou de qualquer outra natureza, não poderão
exceder o subsídio mensal, em espécie, dos Ministros do Supremo
Tribunal Federal, aplicando-se como limite, nos Municípios, o
subsídio do Prefeito, e nos Estados e no Distrito Federal, o subsídio
mensal do Governador no âmbito do Poder Executivo, o subsídio dos
Deputados Estaduais e Distritais no âmbito do Poder Legislativo e o
subsídio dos Desembargadores do Tribunal de Justiça, limitado a
noventa inteiros e vinte e cinco centésimos por cento do subsídio
mensal, em espécie, dos Ministros do Supremo Tribunal Federal, no
âmbito do Poder Judiciário, aplicável este limite aos membros do
Ministério Público, aos Procuradores e aos Defensores Públicos
(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 41, 19.12.2003).

Subtetos

i) Âmbito da União = Ministro do STF

ii) Âmbito dos Estados

Poder Executivo = Governador


Poder Legislativo = Deputado Estadual
Poder Judiciário = Desembargador (90,25% do subsídio do Ministro do STF)

* ADI 3854 = 90,25% é limite de remuneração do cargo de desembargador.

Obs.: promotor, procurador de justiça, procurador de estado e defensores públicos


estaduais possuem como subteto o subsídio do desembargador.

CICLOS R3 – G8 – MATERIAL JURÍDICO


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iii) Âmbito dos Municípios = Prefeito

*#OUSESABER: O STF, no julgamento do ARE 652777, em sede de repercussão geral,


entendeu ser POSSÍVEL a publicação pela Administração Pública dos vencimentos de
servidores públicos na Internet, inclusive por meio de relação nominal. Confira-se: Ementa:
“CONSTITUCIONAL. PUBLICAÇÃO, EM SÍTIO ELETRÔNICO MANTIDO PELO
MUNICÍPIO DE SÃO PAULO, DO NOME DE SEUS SERVIDORES E DO VALOR DOS
CORRESPONDENTES VENCIMENTOS. LEGITIMIDADE. 1. É legítima a publicação,
inclusive em sítio eletrônico mantido pela Administração Pública, dos nomes dos seus
servidores e do valor dos correspondentes vencimentos e vantagens pecuniárias. 2.
Recurso extraordinário conhecido e provido”. A controvérsia relaciona-se ao embate entre
o direito fundamental ao acesso à informação e o direito fundamental à inviolabilidade da
intimidade e da vida privada. Entendeu a Suprema Corte que as informações em questão
são de INTERESSE DA COLETIVIDADE, estando a sua divulgação em consonância com
o PRINCÍPIO DA PUBLICIDADE que rege a Administração Pública. O agente público, ao
ingressar nos quadros da Administração, tem a sua esfera de privacidade MITIGADA, não
podendo pretender gozar da mesma proteção dada ao cidadão comum.

*SERVIDORES PÚBLICOS. PISO SALARIAL NACIONAL DE PROFESSORES. A Lei nº


11.738/2008, em seu art. 2º, § 1º, ordena que o vencimento inicial das carreiras do
magistério público da educação básica deve corresponder ao piso salarial profissional
nacional, sendo vedada a fixação do vencimento básico em valor inferior, não havendo
determinação de incidência automática em toda a carreira e reflexo imediato sobre as
demais vantagens e gratificações, o que somente ocorrerá se estas determinações
estiverem previstas nas legislações locais. STJ. 1ª Seção. REsp 1.426.210-RS, Rel. Min.
Gurgel de Faria, julgado em 23/11/2016 (recurso repetitivo) (Info 594).

- Competência para julgamento das ações


Se o servidor for do regime legal (estatutário) a justiça comum é competente.
Se o agente é do regime contratual (celetista) a justiça trabalhista é
competente.

CICLOS R3 – G8 – MATERIAL JURÍDICO


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A discussão voltou a surgir com a EC n. 45/04 (art. 114, I, CF). Contudo, na ADI 3395, o
STF reafirmou que o estatutário é da justiça comum e celetista da justiça do trabalho. E os
contratos temporários? O STF (Repercussão Geral – RE 573.202) decidiu que os contratos
temporários são regidos por regime jurídico administrativo especial. Logo, a competência
para julgamento é da justiça comum.

- Acumulação (art. 37, XVI e XVII e art. 38, ambos da CF)

XVII - a proibição de acumular estende-se a empregos e funções e abrange


autarquias, fundações, empresas públicas, sociedades de economia mista,
suas subsidiárias, e sociedades controladas, direta ou indiretamente, pelo
poder público;

Atividade + Atividade = horário compatível + teto remuneratório + hipóteses


da atividade.

XVI - é vedada a acumulação remunerada de cargos públicos, exceto,


quando houver compatibilidade de horários, observado em qualquer caso o
disposto no inciso XI:
a) a de dois cargos de professor;
b) a de um cargo de professor com outro técnico ou científico;
c) a de dois cargos ou empregos privativos de profissionais de saúde, com
profissões regulamentadas;

INF/STF 747 acumulação de cargos

CICLOS R3 – G8 – MATERIAL JURÍDICO


22

*Não é possível a acumulação de dois cargos públicos quando a soma da carga horária
referente aos dois cargos ultrapassar o limite máximo de 60 horas semanais. STJ. 2ª
Turma. REsp 1.565.429-SE, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 24/11/2015 (Info 576).
*#OUSESABER: A acumulação de cargos públicos remunerados pode resultar em jornada
superior a 60h semanais? A proibição de acumulação de cargos públicos remunerados e
suas exceções estão postas na CF: Art. 37. XVI - é vedada a acumulação remunerada de
cargos públicos, exceto, quando houver compatibilidade de horários, observado em
qualquer caso o disposto no inciso XI. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19,
de 04/06/98) a) a de dois cargos de professor; b) a de um cargo de professor com outro
técnico ou científico; c) a de dois cargos ou empregos privativos de profissionais de saúde,
com profissões regulamentadas; Pergunta: e se essa acumulação resultar em jornada
superior a 60h semanais, seria possível a acumulação? Consoante entendimento do
STJ, MS 19.336-DF, e inclusive modificando entendimento anterior, é vedada a
acumulação de cargos públicos quando a soma da carga horária referente aos dois
cargos ultrapassar o limite máximo de sessenta horas semanais. Razões: 1)
Necessidade de interpretação de modo restritivo da acumulação; 2) Atendimento ao
princípio da eficiência; 3) Necessidade de manutenção da higidez física e mental do
servidor.
Aposentado + Aposentado= hipóteses da atividade.
Aposentado + Atividade
a) hipóteses da atividade;
b) mandato eletivo;
c) cargo em comissão
d) anterior EC 20/98 – direito adquirido para acumulação interior

CICLOS R3 – G8 – MATERIAL JURÍDICO


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Atividade + Mandato Eletivo

Art. 38. Ao servidor público da administração direta, autárquica e fundacional,


no exercício de mandato eletivo, aplicam-se as seguintes disposições:
I - tratando-se de mandato eletivo federal, estadual ou distrital, ficará afastado
de seu cargo, emprego ou função;
II - investido no mandato de Prefeito, será afastado do cargo, emprego ou
função, sendo-lhe facultado optar pela sua remuneração;
III - investido no mandato de Vereador, havendo compatibilidade de horários,
perceberá as vantagens de seu cargo, emprego ou função, sem prejuízo da
remuneração do cargo eletivo, e, não havendo compatibilidade, será aplicada
a norma do inciso anterior;
IV - em qualquer caso que exija o afastamento para o exercício de mandato
eletivo, seu tempo de serviço será contado para todos os efeitos legais,
exceto para promoção por merecimento;
V - para efeito de benefício previdenciário, no caso de afastamento, os
valores serão determinados como se no exercício estivesse.

4. Seguridade Social

A União manterá plano de seguridade para os seus servidores e dependentes.


Compreendem as seguintes garantias: o servidor terá direito à aposentadoria, ao auxílio
natalidade (concedido pelo nascimento do filho, inclusive natimorto e parto múltiplo –
quantia equivalente ao menor vencimento do serviço público, acrescido de 50% por
nascituro), ao salário família (cônjuge ou companheiros, filhos até os 21 anos de idade ou
estudante até 24 anos, ou filho inválido em qualquer idade), licença para tratamento de
saúde do servidor* (com base em perícia médica, sem prejuízo da remuneração), licença
maternidade (durante 120 dias, com remuneração a contar do primeiro dia do 9º mês ou do
dia do parto em nascimento prematuro, podendo a licença ser prorrogada por mais 60 dias,
a pedido da servidora. Em caso de natimorto ou aborto, a servidora tem licença gestante
por 30 dias. A amamentação pode ser realizada em 1h de descanso), licença paternidade
(5 dias).
CICLOS R3 – G8 – MATERIAL JURÍDICO
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*A licença que exceder a 120 dias no período de 12 meses, a contar do primeiro dia
de afastamento, é preciso ser analisada por junta médica.

*#IMPORTANTE: O art. 210 da Lei nº 8.112/90, assim como outras leis estaduais e
municipais, prevê que o prazo para a servidora que adotar uma criança é inferior à licença
que ela teria caso tivesse tido um filho biológico. De igual forma, este dispositivo
estabelece que, se a criança adotada for maior que 1 ano de idade, o prazo será menor do
que seria se ela tivesse até 1 ano. Segundo o STF, tal previsão é inconstitucional. Foi
fixada, portanto, a seguinte tese: Os prazos da licença-adotante não podem ser
inferiores ao prazo da licença-gestante, o mesmo valendo para as respectivas
prorrogações. Em relação à licença-adotante, não é possível fixar prazos diversos
em função da idade da criança adotada. STF. Plenário. RE 778889/PE, Rel. Min.
Roberto Barroso, julgado em 10/3/2016 (repercussão geral) (Info 817). “Não existe
fundamento constitucional para tratar de forma desigual a mãe gestante e da mãe
adotante, assim como não há razão para diferenciar o adotado mais velho do mais novo.
Desse modo, se a Lei prevê o prazo de 120 dias de licença-gestante, com
prorrogação de mais 60 dias, tal prazo (inclusive com a prorrogação) deverá ser
garantido à mulher que adota uma criança (não importando a idade).”

Há também licença por acidente em serviço, tendo o servidor direito a remuneração


integral e ao tratamento.
O servidor tem direito à assistência à saúde e garantia de condições individuais e
ambientais satisfatórias de trabalho.
O dependente tem direito a pensão vitalícia e temporária, auxilio reclusão, auxilio
funeral e assistência à saúde.

Apenas concursos federais! As pessoas que tenham participado de operações bélicas


durante a Segunda Guerra Mundial, assim como seus dependentes, possuem direito a
uma pensão especial prevista no art. 53, II e III, do ADCT da CF/88 e na Lei 8.059/90.A
pensão especial é devida ao ex-combatente. Quando ele morre, a pensão é revertida para
os seus dependentes (art. 6º da Lei). O art. 5º da Lei 8.059/90 prevê o rol de dependentes
que têm direito ao benefício e nele não inclui o menor sob guarda. Mesmo com essa

CICLOS R3 – G8 – MATERIAL JURÍDICO


25
omissão, o STJ entendeu que, na hipótese de morte do titular de pensão especial de ex-
combatente, o menor de 18 anos que estava sob sua guarda deve ser enquadrado como
dependente para efeito de recebimento da pensão especial. Isso porque o art. 33, § 3º do
ECA prevê que a guarda confere à criança ou adolescente a condição de dependente, para
todos os fins e efeitos de direito, inclusive previdenciários. Além disso, dispensa-se o
exame de eventual dependência econômica, visto ser presumida por força da guarda do
menor pelo instituidor do benefício. STJ. 1ª Turma. REsp 1.339.645-MT, Rel. Min. Sérgio
Kukina, julgado em 3/3/2015 (Info 561). STJ. 2ª Turma. REsp 1.550.168- SE, Rel. Min.
Mauro Campbell Marques, julgado em 15/10/2015 (Info 572).

*A CF/67 e a CF/88 (antes da EC 20/98) não proibiam que o militar reformado voltasse ao
serviço público e, posteriormente, se aposentasse no cargo civil, acumulando os dois
proventos. Ex: João foi reformado como Sargento do Exército em 1980. Voltou ao serviço
público e se aposentou como servidor da ABIN (órgão público federal), concedida em
1995. Essa acumulação de proventos é possível. O art. 11 da EC 20/98 proibiu,
expressamente, a concessão de mais de uma aposentadoria pelo regime de previdência
dos servidores civis. No entanto, este dispositivo não vedou a cumulação de aposentadoria
de servidor público com proventos de militar. Sendo possível a cumulação de proventos, é
também permitido que o dependente acumule as duas pensões. Ex: Em 1996, João
faleceu e Maria, sua esposa, passou a receber duas pensões por morte, uma decorrente
de cada vínculo acima explicado. STF. 2ª Turma. MS 25097/DF, Rel. Min. Gilmar Mendes,
julgado em 28/3/2017 (Info 859)

1. Aposentadoria dos servidores públicos

Existem dois regimes: o regime próprio de previdência social e regime geral de


previdência social.
O RGPS está previsto nos artigos. 201 e seguintes da CF – administrado pelo
Ministério da Previdência e mantido pelo INSS. Quem estuda esse regime é o direito
previdenciário.
Quem se aposenta pelo RGPS são os empregados privados, assim como os
empregados públicos (pessoa jurídica de direito público – celetista), os servidores de entes
governamentais de direito privado (administração pública indireta de direito privado –

CICLOS R3 – G8 – MATERIAL JURÍDICO


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sociedade de economia mista e empresa pública), os contratados temporariamente e os
titulares de cargos em comissão.
A questão da aposentadoria dos cargos em comissão foi discutida na ADI 2024 – o
STF manteve a orientação de que tais cargos se submetem ao RGPS, apesar de serem
estatutários.
Por sua vez, o RPPS está previsto no art. 40 da CF. É estudado pelo Direito
Administrativo.
Quem se aposenta pelo RPPS são os servidores públicos titulares de cargos
efetivos e vitalícios.

Obs.: os notariais são particulares que colaboram com o Estado. Assim, não
perdendo a qualidade de particular, recebem apenas delegação de função (art. 236, CF), e,
portanto, se aposentam pelo RGPS. Estão fora, inclusive, da aposentadoria compulsória.

*Não se aplica a aposentadoria compulsória prevista no art. 40, § 1º, II, da CF


aos titulares de serventias judiciais não estatizadas, desde que não sejam
ocupantes de cargo público efetivo e não recebam remuneração proveniente
dos cofres públicos. STF. Plenário. RE 647827/PR, Rel. Min. Gilmar Mendes,
julgado em 15/2/2017 (repercussão geral) (Info 854).

Obs.: os militares de âmbito federal possuem um regime diferenciado próprio (nem


RPSS, nem RGPS) – eles não se aposentam propriamente, mas entram em reserva
remunerada. O custeio é realizado completamente pelo Estado.

*O servidor que trabalhou como "aluno-aprendiz" pode utilizar este período como tempo
de serviço para fins de aposentadoria? Sim, no entanto, para isso é necessário que ele
apresente certidão do estabelecimento de ensino frequentado. Tal documento deve
atestar a condição de aluno-aprendiz e o recebimento de retribuição pelos serviços
executados, consubstanciada em auxílios materiais diversos. Com a edição da Lei nº
3.353/59, passou-se a exigir, para a contagem do tempo mencionado, a demonstração de
que a mão de obra foi remunerada com o pagamento de encomendas. O elemento
essencial à caracterização do tempo de serviço como aluno-aprendiz não é a percepção
de vantagem direta ou indireta, mas a efetiva execução do ofício para o qual recebia
instrução, mediante encomendas de terceiros. Como consequência, a declaração emitida
por instituição de ensino profissionalizante somente comprova o período de trabalho caso
registre expressamente a participação do educando nas atividades laborativas
desenvolvidas para atender aos pedidos feitos às escolas. STF. 1ª Turma. MS 31518/DF,
Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 7/2/2017 (Info 853).

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A redação originária do art. 192, I, da Lei nº 8.112/90 previa que o servidor público federal,
ao se aposentar, deveria receber, como proventos, a remuneração da classe superior a
que pertencia. Esse art. 192 foi revogado em 1997 pela Lei nº 9.527. Determinado Juiz
Federal completou os requisitos para se aposentar em 1994. No entanto, optou por
continuar trabalhando até 2010, quando pediu a aposentadoria. O STF entendeu que,
como ele preencheu os requisitos para se aposentar em 1994, ou seja, antes da Lei nº
9.527/97, ele teria direito à regra prevista no art. 192, I, da Lei nº 8.112/90. Logo, ele, ao
se aposentar como Juiz Federal, tem direito de receber os proventos como se fosse
Desembargador Federal (classe imediatamente superior àquela em que ele se encontrava
posicionado). STF. 1ª Turma. MS 32726/DF, rel. orig. Min. Roberto Barroso, red. p/ o ac.
Min. Marco Aurélio, julgado em 7/2/2017 (Info 853).

2. Regime Próprio de Previdência Social – RPPS

O ato de aposentadoria é ato complexo, pois depende de duas manifestações de


vontades que ocorrerão em dois órgãos diferentes. Depende da manifestação da
Administração a que está vinculado o servidor + a manifestação do Tribunal de Contas.
Súmula Vinculante nº 3: nos processos perante o tribunal de contas da união
asseguram-se o contraditório e a ampla defesa quando da decisão puder resultar anulação
ou revogação de ato administrativo que beneficie o interessado, excetuada a apreciação
da legalidade do ato de concessão inicial de aposentadoria, reforma e pensão.
Em tese, o tribunal de contas não precisaria dar contraditório e ampla defesa ao
administrado, que já era garantido perante a Administração. Temperando a vinculante n. 3,
recentemente, o STF fez uma revisão da interpretação da súmula, entendendo que se o
tribunal de contas demorar demais para julgar a matéria deverá dar ao administrado
contraditório e ampla defesa (passados 05 anos) – j. MS 24781.

2.1 Proventos

Quando o servidor se aposenta (se torna inativo) passa a receber proventos.


A contagem do tempo não pode ser feita em duplicidade. A contagem de
tempo é feito pelo tempo de contribuição – regime contributivo.
Ademais, o princípio da reciprocidade vai permitir que o que foi contribuído
para o RPPS poderá ser aproveitado no RGPS (e vice versa).

2.2 Emendas Constitucionais – Histórico

CICLOS R3 – G8 – MATERIAL JURÍDICO


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→ No texto original de 1988
Para o servidor público se aposentar bastava preencher um único requisito:
tempo de serviço.
A CF não falava em limite de idade e tempo de contribuição.

→ EC n. 20∕98
A EC n. 20∕98 substituiu o tempo de serviço, passando a tratar como
requisitos para aposentadoria o limite de idade e o tempo de contribuição.
Instituiu o regime contributivo de repartição simples. Ou seja, todos
contribuem para a mesma conta, e, todos retiram da mesma conta.

Obs.:
Os servidores que na data da emenda n. 20/1998 já preenchiam os requisitos para
aposentadoria foi reconhecido a eles o direito adquirido de se aposentar pela regra antiga.
Por outro lado, os servidores que entraram no serviço público após a EC 20/98
devem se aposentar de acordo com a regra nova (idade + tempo de contribuição).
É importante salientar que a regra nova também atinge quem entrou no serviço
antes da EC n. 20/98, mas na data desta não tinha atingido os requisitos para
aposentadoria – não há direito adquirido a regime legal. Com efeito, foi criada uma regra
de transição (facultativa) para estes servidores (art. 8, da EC n. 20).

Regra de transição (art. 8 da EC n. 20/98):

Aplicável, facultativamente, aos servidores que entraram antes da EC n. 20/98,


mas que não preenchiam os requisitos da regra velha.

* Idade (intermediária) – 53 anos, homens; 48 anos, mulher.


* Tempo de contribuição + Pedágio

Proventos integrais:
35 anos de contribuição, homens; 30 anos de contribuição, mulher.
Pedágio: 20% do que faltava para o servidor se aposentar na data da
emenda.

CICLOS R3 – G8 – MATERIAL JURÍDICO


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Ex.: servidor do sexo masculino que na data da emenda já tinha contribuído por 15 anos.
Faltavam 20 anos de contribuição. O pedágio corresponde a 04 anos (20% sobre 20 anos
de contribuição). Assim, para se aposentar o servidor precisará ter 53 anos e 39 anos de
contribuição (35 anos de contribuição + 04 anos de pedágio).

Proventos proporcionais:
30 anos de contribuição, homem; 25 anos de contribuição, mulher.
Pedágio: 40 % sobre o tempo que faltava para o servidor se aposentar.

Ex.: servidor do sexo masculino que na data da emenda já tinha contribuído por 15 anos.
Faltavam 15 anos de contribuição. O pedágio corresponde a 06 anos (40% sobre 15).
Assim, para se aposentar o servidor precisa ter 53 anos e 36 anos de contribuição.

Abono de permanência da EC n. 20:

Tem natureza de isenção de contribuição e foi concedido aos servidores que na data da
EC n. 20/98 já preenchiam os requisitos, mas continuaram trabalhando. Evitar a
debandada geral.

*#DEOLHONAJURISPRUDÊCIA: A ocupação de novo cargo dentro da estrutura do Poder


Judiciário, pelo titular do abono de permanência, não implica a cessação do benefício. Ex:
determinada pessoa ocupa o cargo de Desembargador do Trabalho e está recebendo
abono de permanência; se ela for promovida ao cargo de Ministro do TST, terá direito de
continuar recebendo o abono, não sendo necessário completar cinco anos no cargo de
Ministro para requerer o benefício. STF. 1ª Turma. MS 33424/DF e MS 33456/DF, Rel. Min.
Marco Aurélio, julgado em 28/3/2017 (Info 859)

Modalidades de Aposentadoria3

31º Os servidores abrangidos pelo regime de previdência de que trata este artigo serão aposentados, calculados os seus
proventos a partir dos valores fixados na forma dos §§ 3º e 17: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 41,
19.12.2003)

I - por invalidez permanente, sendo os proventos proporcionais ao tempo de contribuição, exceto se


decorrente de acidente em serviço, moléstia profissional ou doença grave, contagiosa ou incurável, na forma da lei;
CICLOS R3 – G8 – MATERIAL JURÍDICO
30

As emendas seguintes não alteraram os requisitos para concessão de


aposentadoria.

1. Aposentadoria por invalidez: proventos proporcionais, salvo se decorrente de


acidente em serviço, moléstia profissional ou doença grave, contagiosa ou incurável 4, na
forma da lei.

*Os efeitos financeiros das revisões de aposentadoria concedida com base no art. 6º-A da
EC 41/2003, introduzido pela EC 70/2012, somente se produzirão a partir da data de
sua promulgação (30/3/2012). STF. Plenário. RE 924456/RJ, rel. orig. Min. Dias Toffoli,
red. p/ o ac. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 5/4/2017 (Info 860).
Atenção: não confundir direito a proventos integrais com direito à integralidade:
Quando se diz que o servidor tem direito a proventos integrais, o que se está afirmando é
que esse benefício não será calculado com base no tempo de contribuição do servidor. Se
a aposentadoria é com proventos proporcionais, significa dizer que no cálculo incidirá uma
fórmula matemática que consiste no número de anos de contribuição efetivamente
cumpridos dividido pelos anos de contribuição exigidos para se aposentar com proventos
integrais. Isso fará com que a aposentadoria com proventos proporcionais seja inferior à
aposentadoria com proventos integrais. Vale ressaltar, no entanto, que dizer que a
aposentadoria será com proventos integrais não significa afirmar que o valor do benefício

(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 41, 19.12.2003)

II - compulsoriamente, com proventos proporcionais ao tempo de contribuição, aos 70 (setenta) anos de idade,
ou aos 75 (setenta e cinco) anos de idade, na forma de lei complementar; (Redação dada pela Emenda
Constitucional nº 88, de 2015)

III - voluntariamente, desde que cumprido tempo mínimo de dez anos de efetivo exercício no serviço público e
cinco anos no cargo efetivo em que se dará a aposentadoria, observadas as seguintes condições: (Redação dada pela
Emenda Constitucional nº 20, de 1998)

a) sessenta anos de idade e trinta e cinco de contribuição, se homem, e cinquenta e cinco anos de idade e
trinta de contribuição, se mulher; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) (Vide Emenda
Constitucional nº 20, de 1998)

b) sessenta e cinco anos de idade, se homem, e sessenta anos de idade, se mulher, com proventos
proporcionais ao tempo de contribuição. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998)

4 A prova do TRF4/2016 considerou correta a seguinte alternativa: “É taxativo o rol de doenças graves na Lei do Regime
Jurídico Único para efeito de aposentadoria por invalidez permanente com proventos integrais.”
CICLOS R3 – G8 – MATERIAL JURÍDICO
31
será igual à remuneração que era recebida pelo servidor na atividade. Quando se fala em
direito à integralidade, ou princípio da integralidade, aí sim o que se está afirmando é que o
servidor terá direito a 100% da remuneração da ativa, ou seja, o benefício será igual ao
que ele recebia na atividade.
Como se vê, portanto, a EC 41/2003 endureceu o tratamento para os servidores que se
aposentarem por invalidez, mesmo que decorrente de doença grave. Os proventos,
mesmo sendo "integrais" (e não proporcionais), devem ser calculados com base na média
aritmética dos 80% dos maiores salários de contribuição. Isso faz com que o servidor, a
depender do caso, tenha uma grande diminuição no momento da aposentadoria. Viram
como proventos integrais é conceito diferente de integralidade?
Posteriormente, foi editada a EC 70/2012 prevendo que: - se o servidor ingressou no
serviço público antes da EC 41/2003 e - tornou-se inválido após a EC 41/2003 - ele terá
novamente direito à integralidade (terá direito de receber a aposentadoria no mesmo valor
da última remuneração em atividade). Importante chamar a atenção para o fato de que a
EC 70/2012 restabeleceu o direito à integralidade, mas não de forma geral e sim apenas
para aqueles servidores que ingressaram antes da EC 41/2003. Assim, o que ela fez foi
prever uma regra de transição:  Para aqueles que ingressaram no serviço público até a
EC 41/2003: foi restabelecido o direito à integralidade, ou seja, a aposentadoria por
invalidez, em caso de doença grave, será igual ao valor da última remuneração em
atividade (não importando quando ocorreu a invalidez).  Para aqueles que ingressaram no
serviço público após a EC 41/2003: continuam sem ter direito à integralidade. Os proventos
serão calculados com base na média dos 80% dos maiores salários de contribuição. Essa
previsão do art. 2º da EC 70/2012 que proibiu o pagamento retroativo é válida? SIM. A
retroatividade não é possível sem a indicação de uma fonte de custeio para fazer frente
aos novos gastos, pois pode representar um desequilíbrio atuarial com implicações
negativas no pacto federativo. É proibida a aplicação retroativa de norma previdenciária
sem fonte de custeio. Trata-se do chamado princípio da contrapartida, que tem por objetivo
garantir a situação econômico-financeira do sistema de Previdência. Esse princípio vincula
tanto o legislador quanto o administrador público, responsável pela aplicação das regras.
Dessa forma, a regra prevista na parte final do art. 2º da EC 70/2012 é válida e deverá ser
aplicada.

2. Aposentadoria compulsória: 70 anos de idade – proventos proporcionais.

CICLOS R3 – G8 – MATERIAL JURÍDICO


32

#ATUALIZAÇÃOLEGISLATIVA
Qual é a idade da aposentadoria compulsória no serviço público?

ANTES DA EC 88/2015:
70 anos (para todos os casos).

DEPOIS DA EC 88/2015:

• REGRA: continua sendo 70 anos.


Os servidores públicos, sejam eles federais, estaduais ou municipais, de qualquer dos
Poderes, incluindo magistrados de Tribunais de 2ª instância, continuam se aposentando
compulsoriamente aos 70 anos de idade.

• EXCEÇÃO 1: a Lei Complementar poderá prever que a aposentadoria compulsória seja


ampliada para 75 anos, segundo critérios que ela fixar e para todos ou determinados
cargos do serviço público.

Veja a nova redação do inciso II do § 1º do art. 40 dada pela EC 88/2015:


§ 1º Os servidores abrangidos pelo regime de previdência de que trata este artigo serão
aposentados (...):
(...)
II - compulsoriamente, com proventos proporcionais ao tempo de contribuição, aos 70
(setenta) anos de idade, ou aos 75 (setenta e cinco) anos de idade, na forma de lei
complementar;

Essa parte final do inciso II é norma constitucional de eficácia limitada, dependendo de lei
para produzir todos os seus efeitos.

• EXCEÇÃO 2: para os Ministros do STF, dos Tribunais Superiores (STJ, TST, TSE, STM)
e do TCU a idade da aposentadoria compulsória já é agora 75 anos mesmo sem Lei
Complementar. A regra já está produzindo todos os seus efeitos.

Veja o art. 100 que foi acrescentado no ADCT da CF/88 pela EC 88/2015:
Art. 100. Até que entre em vigor a lei complementar de que trata o inciso II do § 1º do art.
40 da Constituição Federal, os Ministros do Supremo Tribunal Federal, dos Tribunais
Superiores e do Tribunal de Contas da União aposentar-se-ão, compulsoriamente, aos 75
(setenta e cinco) anos de idade, nas condições do art. 52 da Constituição Federal.

PLS 274/2015
Com o objetivo de regulamentar essa parte final do inciso II do § 1º do art. 40 da CF/88
(acima transcrito), o Senador José Serra (PSDB/SP) propôs projeto de lei complementar
(PLS 274/2015) ampliando para 75 anos a aposentadoria compulsória de todos os
servidores públicos.
CICLOS R3 – G8 – MATERIAL JURÍDICO
33
O projeto foi votado e aprovado pelo Congresso Nacional, tendo sido encaminhado para
sanção da Presidente da República.

VETO AO PROJETO APROVADO


Ocorre que a Presidente da República VETOU o PLS 274/2015 aprovado, conforme
mensagem publicada no Diário Oficial da União de 23/10/2015.
As razões invocadas para o veto foram jurídicas, tendo a Presidente afirmado que o projeto
aprovado seria inconstitucional porque a iniciativa para tratar sobre o tema seria exclusiva
do chefe do Poder Executivo, nos termos do art. 61, § 1º, II, da CF/88.

DERRUBADA DO VETO
Em 01/12/2015, o Congresso Nacional decidiu rejeitar (derrubar) o veto, nos termos do art.
66, § 4º da CF/88.
Como o veto não foi mantido, o projeto foi novamente enviado para a Presidente da
República (art. 66, § 5º), que o promulgou, transformando-o na Lei Complementar nº
152/2015, que iremos agora analisar.

LEI COMPLEMENTAR Nº 152/2015

O que prevê a LC 152/2015?


Determina que a idade da aposentadoria compulsória passa a ser de 75 anos para todos
os servidores públicos.

Quem está abrangido pela LC 152/2015? Quais entes?


A aposentadoria compulsória aos 75 anos vale para:
I - os servidores titulares de cargos efetivos da União, dos Estados, do Distrito Federal e
dos Municípios, incluídas suas autarquias e fundações;
II - os membros do Poder Judiciário;
III - os membros do Ministério Público;
IV - os membros das Defensorias Públicas;
V - os membros dos Tribunais e dos Conselhos de Contas.

A LC 152/2015 aplica-se também aos servidores policiais, ou seja, integrantes da


Polícia Civil, da Polícia Federal e da Polícia Rodoviária Federal? Eles também terão
direito de se aposentar somente aos 75 anos?
SIM. O art. 3º da LC 152/2015 revogou o inciso I do art. 1º da LC 51/85, que trata sobre a
aposentadoria dos servidores públicos policiais. Com isso, eles também passam a se
aposentar compulsoriamente com 75 anos. Compare:

Idade da aposentadoria compulsória dos integrantes da Polícia Civil,


da Polícia Federal e da Polícia Rodoviária Federal
Antes da LC 152/2015 ATUALMENTE
65 anos 75 anos

Regra especial para os servidores do Serviço Exterior Brasileiro


A LC 152/2015 previu uma regra especial de transição para os diplomatas e servidores do
Itamaraty que trabalham no exterior, como oficiais e assistentes de chancelaria. Veja:
CICLOS R3 – G8 – MATERIAL JURÍDICO
34
Art. 2º (...) Parágrafo único. Aos servidores do Serviço Exterior Brasileiro, regidos pela Lei
nº 11.440, de 29 de dezembro de 2006, o disposto neste artigo será aplicado
progressivamente à razão de 1 (um) ano adicional de limite para aposentadoria
compulsória ao fim de cada 2 (dois) anos, a partir da vigência desta Lei Complementar, até
o limite de 75 (setenta e cinco) anos previsto no caput.

O servidor aposentado compulsoriamente receberá proventos integrais ou


proporcionais?
Proporcionais ao tempo de contribuição.

Como vimos acima, o projeto que deu origem à LC 152/2015 foi vetado pela
Presidente da República em 23/10/2015, tendo o veto sido rejeitado e a LC 152/2015
publicada em 04/12/2015. Diante disso, indaga-se: os servidores que foram
obrigados a se aposentar compulsoriamente aos 70 anos depois do veto
(23/10/2015) e antes da LC (04/12/2015) poderão pedir para retornar ao serviço
público sob o argumento de que o veto foi derrubado?
NÃO. A aposentadoria compulsória se perfaz no momento do implemento da idade e o ato
administrativo que formaliza a concessão é meramente declaratório. Em outras palavras, a
pessoa se aposenta compulsoriamente no dia em que completa a idade-limite.
Some-se a isso o fato de que a rejeição de um veto não produz efeitos retroativos. A
rejeição de um veto obriga que o projeto aprovado seja promulgado, transformando-se em
lei. No entanto, essa lei somente passa a vigorar quando publicada. Assim, a LC 152/2015
somente entrou em vigor no dia 04/12/2015, data de sua publicação. Apenas neste dia foi
instituída a aposentadoria compulsória aos 75 anos para os servidores públicos em geral.
Concluindo: o servidor que completou 70 anos no dia 03/12/2015 está aposentado
compulsoriamente, independentemente de qualquer outra providência por parte da
Administração Pública. O ato administrativo de concessão da aposentadoria somente irá
declarar esse fato já ocorrido. Por outro lado, quem completou 70 anos de idade no dia
04/12/2015 pode continuar no serviço publico até atingir 75 anos.

A LC 152/2015 é uma lei editada pelo Congresso Nacional. Ela poderia ter tratado
sobre a aposentadoria de servidores dos Estados, do DF e dos Municípios?
SIM. A Lei Complementar mencionada pelo art. 40, § 1º, II, da CF/88 (com redação dada
pela EC 88/2015) deveria ser realmente, como o foi, uma lei complementar nacional, ou
seja, editada pelo Congresso Nacional.
O STF possui entendimento consolidado no sentido de que, embora a competência para
legislar sobre a previdência dos servidores públicos (RPPS) seja concorrente, a União tem
a competência para editar a lei complementar que funcionará como norma de caráter
nacional para regulamentar a matéria.

ADI PROPOSTA PELA AMB E ANAMATRA


No mesmo dia em que foi publicada, a Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), em
conjunto com a Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho (Anamatra),
ingressaram com uma ADI no STF contra a LC 152/2015 (http://www.amb.com.br/novo/?
p=25780)
O ponto questionado pelas entidades refere-se à aposentadoria compulsória dos membros
do Poder Judiciário.
Segundo trecho da petição inicial, “Na parte que toca aos magistrados, não poderia o
Poder Legislativo ou o Poder Executivo dar início à proposta legislativa de lei
complementar ou ordinária para tratar do limite de idade de aposentadoria”.
CICLOS R3 – G8 – MATERIAL JURÍDICO
35

*Os servidores ocupantes de cargo exclusivamente em comissão não se submetem à


regra da aposentadoria compulsória prevista no art. 40, § 1º, II, da CF, a qual atinge
apenas os ocupantes de cargo de provimento efetivo, inexistindo, também, qualquer idade
limite para fins de nomeação a cargo em comissão. Ressalvados impedimentos de ordem
infraconstitucional, não há óbice constitucional a que o servidor efetivo, aposentado
compulsoriamente, permaneça no cargo comissionado que já desempenhava ou a que
seja nomeado para cargo de livre nomeação e exoneração, uma vez que não se trata de
continuidade ou criação de vínculo efetivo com a Administração. STF. Plenário. RE
786540/DF, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 15/12/2016 (repercussão geral) (Info 851).

*#DEOLHONAJURISPRUDÊNCIA: Não viola o princípio da isonomia o implemento de


regra de transição de aposentadoria dos servidores integrantes do Serviço Exterior
Brasileiro (Lei nº 11.440/2006), como está previsto no parágrafo único do art. 2º da LC
152/2015, considerando-se as peculiaridades da carreira, as necessidades do Estado e a
ordem constitucional vigente. STJ. 1ª Seção. MS 22.394-DF, Rel. Min. Humberto Martins,
julgado em 9/11/2016 (Info 596)

3. Aposentadoria Voluntária
→ 10 anos no serviço público e 05 anos no cargo público.
→ Com proventos integrais:
Homens = 60 anos de idade + 35 anos de contribuição.
Mulheres, 55 anos de idade + 30 anos de contribuição.
→ Com proventos proporcionais (não há limite de contribuição)
Homens = 65 anos de idade.
Mulheres = 60 anos de idade.

4. Aposentadoria Especial

*#OUSESABER: Cuidado com a pegadinha: Segundo entendimento do STF (MI


833/DF), é sim possível que o legislador venha a estabelecer o direito à
aposentadoria especial aos oficiais de justiça, com base no art. 40, § 4º, II, da CF/88 .
O que NÃO existe – e aí está a pegadinha – é um direito subjetivo dos oficiais de
justiça a essa aposentadoria especial, tendo em vista que apenas EVENTUALMENTE
estão expostos a situações de risco no exercício de suas funções. Há, portanto,
DISCRICIONARIEDADE do legislador quanto à edição de lei complementar que garanta
esse direito aos oficiais, não se podendo falar em omissão se tal lei não for elaborada. De
outro lado, se fosse o caso de uma atividade perigosa por sua própria natureza, com

CICLOS R3 – G8 – MATERIAL JURÍDICO


36
periculosidade INERENTE ao ofício (ex. policiais), aí sim haveria o dever do legislador de
elaborar uma lei garantindo o direito à aposentadoria especial, sob pena de ser
caracterizada uma omissão inconstitucional.

4.1. Professor com exclusividade no magistério no ensino infantil, fundamental e


médio.
Com proventos integrais
Homens = 55 anos de idade e 30 anos de contribuição.
Mulheres = 50 anos de idade de 25 anos de contribuição.

Obs.: a matéria está disciplinada na Lei n. 11.301∕2006. A questão foi objeto de


controle de constitucionalidade (ADI 3772). Consolidou-se a constitucionalidade de que o
professor não perde a exclusividade quando exerce também atividades dentro da escola
(ex. diretor, coordenador).

4.2 Aposentadoria especial acrescentada pela EC. 47∕05

Obs.: ainda dependem de regulamentação.


Servidor com Deficiência.
Servidor que exerça atividade de risco.
Servidor que exerça atividade em condições especiais (saúde e integridade
física).

→ EC n. 41∕03
31 de dezembro de 2003.
Tramitava ao mesmo tempo a PEC paralela para emendar a EC n. 41/03.
Manteve o sistema contributivo de repartição simples.
Acrescentou a contribuição dos inativos.
Inserção de forma expressa do princípio da solidariedade – art. 40, caput, da
CF5.

5 Art. 40. Aos servidores titulares de cargos efetivos da União, dos Estados, do Distrito Federal e
dos Municípios, incluídas suas autarquias e fundações, é assegurado regime de previdência de caráter
contributivo e solidário, mediante contribuição do respectivo ente público, dos servidores ativos e inativos e
dos pensionistas, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial e o disposto neste
artigo. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 41, 19.12.2003)
CICLOS R3 – G8 – MATERIAL JURÍDICO
37
Cotização dos entes.
* Revogação do princípio da integralidade.
Inserção do princípio da média da vida laboral (art. 40, §1º, 3º e 17°).

Obs.: o período de remuneração utilizada para média da vida laboral apenas será
contabilizado quando houver incidência de contribuição. Assim, se houver isenção em
determinado período, este não será utilizado para cálculo da média da vida laboral.
* O princípio da paridade (princípio do espelho) foi substituído pelo princípio
da preservação do valor real (conservação do valor aquisitivo).

Art. 40, § 8º É assegurado o reajustamento dos benefícios para


preservar-lhes, em caráter permanente, o valor real, conforme
critérios estabelecidos em lei.

Teto de proventos igual ao do RGPS (R$ 4.159,00)

A EC n. 20/98 já tratava de regime complementar a ser implementado por LC.


Por sua vez, a EC n. 41/2003 substituiu a regra acima, exigindo para a criação de
regime complementar lei ordinária.
Assim, apesar da previsão do teto já existir, a sua aplicação estava condicionada à
criação de regime complementar, que foi instituído, por sua vez, pela Lei n. 12.618/2012
(ordinária).
Vale salientar que o regime complementar depende da criação de fundações.

Obs.: o legislador criou o regime complementar por lei ordinária, bem como seu
regramento. Assim, já há discussão no STF (ADI 4893) acerca da sua constitucionalidade,
pois, muitos ensinam que correta está a criação por lei ordinária, mas o seu regramento
deveria ser realizado por lei complementar – suposta violação do art. 40, §15º e 202, CF.

Contribuição dos inativos

Art. 40, § 18. Incidirá contribuição sobre os proventos de


aposentadorias e pensões concedidas pelo regime de que trata este

CICLOS R3 – G8 – MATERIAL JURÍDICO


38
artigo que superem o limite máximo estabelecido para os benefícios
do regime geral de previdência social de que trata o art. 201, com
percentual igual ao estabelecido para os servidores titulares de
cargos efetivos.

Art. 149, § 1º Os Estados, o Distrito Federal e os Municípios


instituirão contribuição, cobrada de seus servidores, para o custeio,
em benefício destes, do regime previdenciário de que trata o art. 40,
cuja alíquota não será inferior à da contribuição dos servidores
titulares de cargos efetivos da União.
Devem pagar contribuição os inativos anteriores ou posteriores a EC n. 41/2003
que superem o teto da RGPS, ou seja, a base de cálculo é 11% apenas sobre o que
ultrapassar o limite do RGPS.

Obs.: como dito acima a contribuição atinge os aposentados antes e depois da


EC, pois não há direito adquirido a regime legal (ADI 3105).

Servidores que na data da EC n. 41/03 já preenchiam os requisitos seguem a regra


velha. Servidores que entraram após a EC n. 41/03 devem observar a regra nova.

Duas Regras de Transição:


Aqueles que entraram antes da EC n. 41/03
Aqueles que entraram antes da EC n. 20/98 (revogou o art. 8º, da EC n. 20/98).

→ EC n. 47/2005 (PEC Paralela)

Trouxe uma nova transição (alternativa) para quem entrou antes da EC n. 20/98.
Criou a aposentadoria especial (deficiente, atividade de risco e atividades que
coloquem em risco a integridade e saúde) – essa matéria depende de LC que ainda não foi
regulamentada.
Assim, os servidores que desenvolvem atividade em condições especiais discutem
essa questão e levam a matéria ao STF. O STF discutiu essa matéria no MI 721 e 758

CICLOS R3 – G8 – MATERIAL JURÍDICO


39
esclarecendo que enquanto a matéria não for disciplinada, deve ser aplicada para tais
servidores a lei do regime geral de previdência social (Art. 57, §3º, da Lei n. 8.213/91 6).
Porém, o administrador não tem como aplicar aregra, pois não está adequada a
Lei n. 8.213
.
→ EC n. 70

Nova regra de transição.


Os servidores que ingressaram no serviço público até 31 de dezembro de 2003
tem a possibilidade de aposentadoria por invalidez com integralidade e paridade.

Cenário Atual –
Regras de Transição
1. Regra Velha (Art. 8º, da EC n. 20/98) – serve para aqueles que entraram antes
da EC 20/98.
2. Regra Nova – serve para aqueles que entraram após a EC n. 20/98.
3. Regra de Transição

a) art. 8, da EC n. 20/98.
b) art. 2º, da EC n. 41/2003 - servidores que entraram antes da EC n. 20/98.
Revogou o art. 8, da EC 20.

Idade:
53 anos de idade - homem
48 anos de idade - mulher

Contribuição para Aposentadoria Integral:


35 anos de contribuição – homem
30 anos de contribuição – mulher
+ Pedágio de 20% do que faltava para aposentadoria na data da emenda.

6§ 3º A concessão da aposentadoria especial dependerá de comprovação pelo segurado, perante o


Instituto Nacional do Seguro Social–INSS, do tempo de trabalho permanente, não ocasional nem
intermitente, em condições especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade física, durante o período
mínimo fixado.
CICLOS R3 – G8 – MATERIAL JURÍDICO
40
* sem integralidade e sem paridade

Redutor constitucional:
A cada ano que o servidor antecipar na idade (60/55 anos) sofrerá desconto
na remuneração (até 2005 – desconto de 3,5% por ano, a partir de 2006 – desconto de 5%
por ano).

c) art. 3º, da EC n. 47/05 - servidores que entraram antes da EC n. 20/98.


* com integralidade e paridade.
A cada ano que se ultrapassa no limite da contribuição (35/30 anos)
desconta-se um ano de idade (60/55 anos).

d) art. 6º, da EC n. 41/2003 – servidores que entraram antes da EC n. 41/2003.

* com integralidade e paridade, desde que respeitados os seguintes requisitos:


→ 20 anos no serviço público, 10 anos na carreira e 05 anos no cargo.
→ 60 anos de idade, 35 de contribuição: homem.
→ 55 anos de idade, 30 anos de contribuição: mulher.

Obs.: o servidor pode garantir integralidade e paridade mesmo com mudança de


cargo desde que não haja interrupção.

e) EC n. 47/200 criou, ainda, a aposentadoria especial (deficiente, atividade de


risco e atividades que coloquem em risco a integridade e saúde).

*#DIZER O DIREITO: #JURISPRUDÊNCIA:

SÚMULA VINCULANTE 33-STF:


Aplicam-se ao servidor público, no que couber, as regras do Regime Geral de
Previdência Social sobre aposentadoria especial de que trata o artigo 40, parágrafo
4º, inciso III, da Constituição Federal, até edição de lei complementar específica.

ENTENDENDO O SENTIDO DA SV 33-STF:

O que é aposentadoria especial?

CICLOS R3 – G8 – MATERIAL JURÍDICO


41
Aposentadoria especial é aquela cujos requisitos e critérios exigidos do beneficiário são
mais favoráveis que os estabelecidos normalmente para as demais pessoas.

Quem tem direito à aposentadoria especial no serviço público?

Onde estão previstos os


Quais servidores têm direito? requisitos e condições mais
favoráveis?
Professores exclusivos do magistério infantil e dos
Na própria CF/88.
ensinos fundamental e médio (art. 40, § 5º).
Servidores que sejam portadores de deficiência (art.
40, § 4º, I).
Servidores que exerçam atividades de risco (art. 40,
§ 4º, II). A CF exige que seja editada
uma lei complementar.
Servidores que exerçam atividades sob condições
especiais queprejudiquem a saúde ou a integridade
física (art. 40, § 4º, III).

Logo, com exceção dos professores, a CF/88 exige a edição de uma LEI
COMPLEMENTAR definindo os critérios para a concessão da aposentadoria especial aos
servidores públicos. A Lei deverá, inclusive, elencar as carreiras que se encontram em
situação de risco ou cujas atividades prejudiquem a saúde ou integridade física.

Essa lei complementar já foi editada?


NÃO.

O que acontece, já que não existe a LC?


Como ainda não há a referida lei complementar disciplinando a aposentadoria especial do
servidor público, o STF reconheceu que o Presidente da República está em “mora
legislativa” por ainda não ter enviado ao Congresso Nacional o projeto de lei para
regulamentar o art. 40, § 4º, III da CF/88.

Diante disso, o STF, ao julgar o Mandado de Injunção n.° 721/DF (e vários outros que
foram ajuizados depois), determinou que, enquanto não for editada a LC regulamentando o
art. 40, § 4º, III, da CF/88, deverão ser aplicadas, aos servidores públicos, as regras de
aposentadoria especial dos trabalhadores em geral (regras do Regime Geral de
Previdência Social - RGPS), previstas no art. 57 da Lei nº 8.213/91.

Assim, se o servidor público exerce suas atividades em condições insalubres, poderá


requerer aposentadoria especial e a Administração Pública deverá analisar o requerimento
com base nos requisitos do RGPS trazidos pelo art. 57 da Lei n.° 8.213/91. Veja o que diz
a referida Lei:

CICLOS R3 – G8 – MATERIAL JURÍDICO


42

Art. 57. A aposentadoria especial será devida, uma vez cumprida a carência exigida nesta
Lei, ao segurado que tiver trabalhado sujeito a condições especiais que prejudiquem a
saúde ou a integridade física, durante 15 (quinze), 20 (vinte) ou 25 (vinte e cinco) anos,
conforme dispuser a lei.
§ 1º A aposentadoria especial, observado o disposto no art. 33 desta Lei, consistirá numa
renda mensal equivalente a 100% (cem por cento) do salário-de-benefício.

Logo, os servidores públicos que exerçam atividades sob condições especiais que
prejudiquem a sua saúde ou integridade física (art. 40, § 4º, III da CF/88) terão direito de
se aposentar com menos tempo de contribuição que os demais agentes públicos.

Ex: a CF/88 prevê que o servidor homem possa se aposentar, voluntariamente, com 60
anos de idade e 35 anos de contribuição (art. 40, § 1º, III, a da CF/88). No entanto, se o
servidor público tiver trabalhado durante 25 anos sob condições insalubres, poderá ter
direito à aposentadoria especial, nos termos do art. 40, § 4º, III da CF c/c o art. 57 da Lei nº
8.213/91.

Vale ressaltar que a SV 33-STF somente trata sobre a aposentadoria especial do servidor
público baseada no inciso III do § 4º do art. 40 da CF/88 (atividades sob condições
especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade física), não abrangendo as hipóteses
do incisos I (deficientes) e II (atividades de risco).

Em rápidas linhas, é esse o sentido da SV 33-STF.

Espero que eu tenha conseguido me desincumbir do dever de ser claro e que você tenha
entendido, mas reconheço que não é um assunto fácil.

Agora, se você quiser/precisar aprofundar um pouco mais o tema, continue lendo abaixo.
Faço, porém, um alerta: vai ficar mais difícil.

APROFUNDANDO O TEMA:

As regras do RGPS aplicam-se aos servidores públicos apenas “no que couber”
A SV 33-STF afirma expressamente que as regras do RGPS sobre aposentadoria especial
aplicam-se ao servidor público, no que couber. Em outras palavras, nem todas as normas
do RGPS serão cabíveis para a aposentadoria especial do servidor público.

Um importante exemplo de regra que é válida para a aposentadoria especial no RGPS,


mas não se aplica aos servidores públicos é a CONVERSÃO DO TEMPO ESPECIAL EM
TEMPO COMUM.

Imagine a seguinte situação:

CICLOS R3 – G8 – MATERIAL JURÍDICO


43
A lei prevê a aposentadoria especial para aqueles que trabalharam durante 25 anos em
condições insalubres.
Maria trabalhou, em uma empresa privada, durante 20 anos em atividades especiais
(trabalho exposto a radiação) e 6 anos em atividade comum (não insalubres).
Logo, não terá direito à aposentadoria especial, que exige 25 anos de atividades especiais
para o caso de radiação (item 1.1.4 do Decreto nº 53.831/64).

Poderá ela somar os 20 anos de atividades insalubres com os 6 anos de atividades


comuns? SIM.

Ao converter estes 20 anos de atividades especiais em tempo de atividades comuns,


haverá algum tipo de acréscimo (contagem de tempo diferenciada)?
SIM. O tempo de trabalho exercido sob condições especiais consideradas prejudiciais à
saúde ou à integridade física será convertido em “tempo comum” (exercido em atividade
comum) e nesta conversão vão ser aplicados alguns índices matemáticos que farão com
que o tempo se torne maior. Ex: 20 anos = 7.300 dias de tempo comum. No entanto, como
esses 20 anos foram prestados em atividade especial, para serem convertidos em tempo
comum, eles devem ser multiplicados por 1,2. Assim, teremos 7.300 x 1,2 = 8.760.
Logo, 7.300 dias trabalhados sob o regime especial podem se transformar em 8.760 dias
caso este período de tempo especial seja convertido em tempo comum.

No exemplo que demos acima, Maria trabalhou 20 anos (7.300 dias) em atividades
especiais e 6 anos (2.190 dias) em atividade comum. Logo, não conseguirá a
aposentadoria especial (que exige 25 anos de atividade especial).
Maria irá, então, somar os períodos para ver se consegue a aposentadoria comum (não
especial).
Os 7.300 dias trabalhados irão virar 8.760 dias.
Dessa forma, ela irá somar 8.760 + 2.190 = 10.950 dias (30 anos) para fins de
aposentadoria.

Onde está previsto este índice de conversão de 1,20?


Os índices de conversão de “tempo especial” em “tempo comum” estão previstos no art. 70
do Decreto nº 3.048/99. Ressalte-se que há outros índices, além deste de 1,20 e eles irão
variar de acordo com a atividade especial (obs: há muitas polêmicas sobre isso, mas elas
não interessam para o que estamos discutindo aqui).

Feitos os esclarecimentos acima, indaga-se: os servidores públicos que exerçam


atividades sob condições especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade física
(art. 40, § 4º, III da CF/88) podem se valer destes índices para fazer a conversão do
“tempo especial” trabalhado em “tempo comum”?
NÃO. O STF afirmou que não se extrai da norma contida no art. 40, § 4º, III da CF/88 que
exista o dever constitucional de que o Presidente da República e o Congresso Nacional
editem uma lei, em favor dos servidores públicos, prevendo contagem diferenciada para

CICLOS R3 – G8 – MATERIAL JURÍDICO


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quem trabalhou parte de sua vida em atividades insalubres e, ao final, averbe (registre e
some) este período de forma maior para fins de aposentadoria.

Em outras palavras, para o STF, o art. 40, § 4º, III não garante necessariamente aos
servidores este direito à conversão com contagem diferenciada de tempo especial em
tempo comum. O que este dispositivo garante é apenas o direito à “aposentadoria
especial” (com requisitos e critérios diferenciados).

Dessa feita, não se pode aplicar as regras de conversão do tempo especial em tempo
comum, previstas para os trabalhadores em geral (RGPS), para os servidores públicos,
considerando que a lei que vier a ser editada regulamentando o art. 40, § 4º, III da CF/88
não estará obrigada a conceder este fator de conversão aos servidores. Foi assim que
decidiu o STF. Confira:

(...) A concessão do mandado de injunção, na hipótese do art. 40, § 4º, da Lei


Fundamental, reclama a demonstração pelo Impetrante do preenchimento dos requisitos
para a aposentadoria especial e a impossibilidade in concrecto de usufruí-la ante a
ausência da norma regulamentadora.
2. O alcance da decisão proferida por esta Corte, quando da integração legislativa do art.
40, § 4º, inciso III, da CRFB/88, não tutela o direito à contagem diferenciada do tempo de
serviço prestado em condições prejudiciais à saúde e à integridade física.
3. Não tem procedência injuncional o reconhecimento da contagem diferenciada e da
averbação do tempo de serviço prestado pelo Impetrante em condições insalubres por
exorbitar da expressa disposição constitucional. Precedentes. (...)
STF. Plenário. MI 3788 AgR, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 24/10/2013.
Daí, o enunciado da SV 33 dizer, corretamente, que aplicam-se ao servidor público, no que
couber, as regras do RGPS.

INFORMAÇÃO ADICIONAL: APOSENTADORIA ESPECIAL DE DEFICIENTE E LC


142/2013

A SV 33-STF somente trata sobre a aposentadoria especial do servidor público baseada no


inciso III do § 4º do art. 40 da CF/88 (atividades sob condições especiais que prejudiquem
a saúde ou a integridade física).

Infelizmente, as hipóteses de aposentadoria especial de servidores deficientes (inciso I) e


que exercem atividades de risco (inciso II) não foram objeto da SV.

Vale ressaltar que, no dia 09/11/2013, entrou em vigor a LC 142/2013, regulamentando o §


1º do art. 201 da CF/88 no tocante à aposentadoria da pessoa com deficiência
segurada do RGPS.

CICLOS R3 – G8 – MATERIAL JURÍDICO


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Em princípio, o regime jurídico da LC 142/2013 não se aplicaria aos servidores públicos,
porque a referida Lei é restrita ao RGPS (trabalhadores em geral, filiados ao regime
administrado pelo INSS). No entanto, como a Lei Complementar de que trata o art. 40, §
4º, I, da CF/88 ainda não foi editada, o STF, em um mandado de injunção, reconheceu que
o Presidente da República está em “mora legislativa” por ainda não ter enviado ao
Congresso Nacional o projeto de lei para regulamentar o art. 40, § 4º, I da CF/88
(aposentadoria especial para servidores deficientes). Com base nisso, determinou que
sejam aplicadas aos servidores públicos portadores de deficiência os critérios e condições
previstos nesta LC 142/2013. Nesse sentido: STF MI 5126-DF, DJe 02/10/2013.

5. Regime Complementar
Inserido pela Lei n. 12.618/2012.
O teto de proventos passa a ser aplicado para os servidores que entraram no
serviço após a criação das fundações do regime complementar.
O teto somente será aplicado aos servidores que entrarem a partir da criação
da fundação do regime complementar – 11% sobre o teto do RGPS. Se ele quiser receber
mais do que o teto, contribuirá para o regime complementar.
A contribuição pelo servidor para o regime complementar não tem limite.
Por sua vez, o ente público também contribui para o regime complementar,
porém, com o limite de 8,5% sobre a parcela que exceder o teto.
Os servidores anteriores ao regime complementar podem aderir ao este no
prazo de 24 meses da criação.

Obs.: a mudança de cargo após a instituição do regime complementar garante ao


servidor que fuja do teto (e do regime complementar) se não houver interrupção.

Entidades Fechadas de Previdência Complementar

Possuem caráter de fundação pública com regime jurídico de direito privado. A ADI
4893 discute a natureza das entidades.
Cada Poder terá a sua fundação. Contudo, por ato conjunto das autoridades, os
Poderes podem reunir os servidores. Ex.: fundação do executivo e legislativo no âmbito
federal.
Essas fundações compõem a administração indireta.
O quadro de pessoal das fundações é de empregado (CLT + Concurso).

CICLOS R3 – G8 – MATERIAL JURÍDICO


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Possuem Conselho Deliberativo e Conselho Fiscal.
A gestão é feita pela Diretoria Executiva (composta por representantes dos
poderes e servidores ocupantes de cargos efetivos escolhidos pelos pares)
A sede dessa fundação para o âmbito federal é o DF.
Ex.: FUNPRESP (Executivo) e FUNPRESP (Judiciário).

5. ESTUDO DA LEI Nº 8.112/90

1. Agente público

Dois são os requisitos para a caracterização do agente público: um, de ordem


objetiva, isto é, a natureza estatal da atividade desempenhada; outro, de ordem subjetiva:
a investidura nela. (C.A)
Agente público é aquele que exercefunção pública, seja de forma temporária ou
permanente, com ou sem remuneração, independentemente do tipo de vínculo.
Na classificação dos agentes públicos temos:

i. Agentes políticos: representam a vontade do Estado, comandam cada um


dos Poderes. Estão sujeitos a regime legal (regime jurídico-administrativo), exemplo: chefe
do Poder Executivo (Presidente, Governador e Prefeito), auxiliar imediato do Poder
Executivo (Ministros, Secretários), membros do Poder Legislativo, magistrados, membros
do Ministério Público, Conselheiros dos Tribunais de Contas. Não se submetem à Lei nº
8.112/90

Celso Antônio não inclui magistrados, membros do Ministério Público e dos


Tribunais de Contas na categoria dos agentes políticos; também não o faz José dos
Santos Carvalho Filho, que os chama de servidores especiais; R.F. já os integra.
“Apesar das divergências doutrinárias, entendo acertado o posicionamento de Hely,
para quem os agentes políticos são os componentes do governo nos seus primeiros
escalões, no exercício de atribuições constitucionais. Em tal categoria se enquadram os
Chefes do Executivo e seus auxiliares diretos, os membros do Legislativo, do Judiciário, do
CICLOS R3 – G8 – MATERIAL JURÍDICO
47
Ministério Público e dos Tribunais de Contas, bem como os representantes diplomáticos.
Celso Antônio e Maria Sylvia adotam uma posição mais restrita, incluindo como agentes
políticos apenas os Chefes do Executivo e seus auxiliares diretos, além dos membros do
Legislativo” - extraído do roteiro de estudo n. 8, de autoria do Des. Luiz Alberto Gurgel de
Faria.
A designação ‘servidor público’, já hoje, tem alcance mais restrito do que dantes.
Não é mais adequada para abarcar também os empregados das entidades da
Administração Indireta de Direito Privado, porquanto sob a rubrica constitucional ‘Dos
servidores públicos’ (que substituiu, desde a Emenda Constitucional 19, de 4.6.98, a
rubrica ‘dos servidores públicos civis’), é visível que só estão considerados os integrantes
de cargo ou emprego nas pessoas jurídicas de Direito Público.
Apesar da divergência doutrinária, o STF, no RE 228.977, entendeu que eles são
agentes políticos.

ii. Servidor estatal: é todo aquele que atua na Administração Direta ou Indireta.
Subdivide-se em servidor público (atua em pessoa jurídica de direito público. pode ser
estatutário ou celetista) e servidor de ente governamental de direito privado (atua em
pessoa jurídica de direito privado – são titulares de emprego, com regime trabalhista, CLT).
O empregado público está excluído da incidência da Lei nº 8.112/90.

1. [servidores públicos] compreendem as seguintes espécies:


a. Servidores titulares de cargos públicos na Administração Direta
(anteriormente denominados funcionários públicos), nas autarquias e
fundações de Direito Público da União, dos Estados, do DF e dos
Municípios, assim como no Poder Judiciário e na esfera administrativa do
Legislativo;
b. Servidores empregados das pessoas supra-referidas. (C.A)
c. Temporários

2. [Servidores das pessoas governamentais de Direito Privado] são os empregados


de empresas públicas, sociedades de economia mista e fundações de Direito Privado
instituídas pelo Poder Público, os quais estarão todos, obrigatoriamente, sob regime
trabalhista. (C.A)É O EMPREGADO PÚBLICO.

CICLOS R3 – G8 – MATERIAL JURÍDICO


48
ATENÇÃO: EMPREGO PÚBLICO – CELETISTA – ÀS VEZES SE REFERE AOS
SERVIDORES DA ADM DIRETA QUE OBEDECEM À CLT E OUTRAS VEZES AOS
EMPREGADOS DA ADM, INDIRETA.

Tratando da Lei 9.962/00 – empregado público da ADM DIRETA: O contrato só


pode ser rescindido quando houver: 1) prática de falta grave, tal como relacionado no art.
482, da CLT; 2) acumulação ilegal de cargos, empregos ou funções públicas; 3)
necessidade de redução de quadro, no caso de excesso de despesa, como previsto no
art.169 da CF; 4) insuficiência de desempenho apurada em processo administrativo.
Essas regras indicam que não só ficou excluída a hipótese de resilição unilateral do
contrato por parte do Estado-empregador, não sendo assim aplicável nesse aspecto o
art.479 da CLT, mas também que é vinculada à atividade da União no que tange às
hipóteses de desfazimento do vínculo: em nenhuma hipótese a rescisão contratual poderá
dar-se ao mero alvedrio da Administração Federal, decorrente de valoração de
conveniência e oportunidade.
A lei exclui da observância de tais exigências a extinção dos contratos de servidores
firmados com base na regra da autonomia da gestão, de que trata o art.37, §8º. CF.
Significa dizer que é mais frágil o vínculo trabalhista nesta hipótese e que , em relação a
tais contratações, será viável o exercício do direito à resilição unilateral do contrato pela
União, ainda quando o motivo tenha fundamento em razões de natureza discricionária.
O dirigente de empresa pública ou sociedade de economia mista (pessoas
qualificadas como de Direito Privado), ainda quando sejam elas meramente exploradoras
de atividade econômica, também podem ser enquadrados como ‘autoridade’ no que
concerne a atos expedidos para cumprimento de normas de Direito Público a que tais
entidades estejam obrigadas, como, ‘exempli gratia’, os relacionados às licitações públicas
que promovem. (C.A). Nesse sentido, temos a Súmula n. 333 do STJ: Cabe mandado de
segurança contra ato praticado em licitação promovida por sociedade de economia mista
ou empresa pública.

§ 8º A autonomia gerencial, orçamentária e financeira dos órgãos e entidades da


administração direta e indireta poderá ser ampliada mediante contrato, a ser firmado entre
seus administradores e o poder público, que tenha por objeto a fixação de metas de

CICLOS R3 – G8 – MATERIAL JURÍDICO


49
desempenho para o órgão ou entidade, cabendo à lei dispor sobre: (Incluído pela Emenda
Constitucional nº 19, de 1998)
I - o prazo de duração do contrato; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998)
II - os controles e critérios de avaliação de desempenho, direitos, obrigações e
responsabilidade dos dirigentes; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998)
III - a remuneração do pessoal. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998)

O STF entende que a despeito de o empregado público de prestadora de serviço


público não gozar de estabilidade sua demissão deve ser motivada, como noticiado no
Informativo nº 6997

iii. Particular em colaboração: exerce função pública (exemplo: mesários,


jurados, particulares voluntários, concessionário, delegados de função, etc).Esta
terceira categoria de agentes é composta por sujeitos que, sem perderem sua
qualidade de particulares – portanto, de pessoas alheias à intimidade do
aparelho estatal (com exceção única dos recrutados para o serviço militar) –
exercem função pública, ainda que às vezes em caráter episódico. (C.A)
7Servidores de empresas públicas e sociedades de economia mista, admitidos por concurso público,
não gozam da estabilidade preconizada no art. 41da CF, mas sua demissão deve ser sempre
motivada. Essa a conclusão do Plenário ao, por maioria, prover parcialmente recurso extraordinário
interposto pela Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos - ECT contra acórdão do TST em que
discutido se a recorrente teria o dever de motivar formalmente o ato de dispensa de seus empregados. Na
espécie, o TST reputara inválida a despedida de empregado da recorrente, ao fundamento de que “a
validade do ato de despedida do empregado da ECT está condicionada à motivação, visto que a empresa
goza das garantias atribuídas à Fazenda Pública” [...] o dever de motivar o ato de despedida de
empregados estatais, admitidos por concurso, aplicar-se-ia não apenas à ECT, mas a todas as
empresas públicas e sociedades de economia mista que prestariam serviços públicos, em razão de
não estarem alcançadas pelas disposições do art. 173, § 1º, da CF, na linha de precedentes do Tribunal..

CICLOS R3 – G8 – MATERIAL JURÍDICO


50

obs. Q – a súmula vinculante 13 – nepotismo - não alcança os serviços


extrajudiciais de notas e registros – CLT. Podem ser funcionários de cartórios.

obs. contratação por tempo determinado. Tratando do art. 37, IX, CF: IX - a lei
estabelecerá os casos de contratação por tempo determinado para atender a necessidade
temporária de excepcional interesse público; diz a Constituição que a lei estabelecerá os
casos de contratação desses servidores. Assim dizendo, só se pode entender que o
constituinte pretendeu caracterizar essa relação funcional como de natureza contratual.
Não obstante essa qualificação, a lei instituidora do regime certamente poderá incluir
algumas normas que mais se aproximem do regime estatutário. O que não poderá,
obviamente, é fixar outra qualificação que não a contratual. O STJ, aliás, já teve a
oportunidade de decidir, em processo de conflito de competência, que esse tipo de
contratação ‘não revela qualquer vínculo trabalhista disciplinado pela CLT’, sendo, pois, da
Justiça Federal a competência para dirimir questão de pagamento de verbas quando for ré
a União Federal8.

8CONFLITO DE COMPETÊNCIA. CONTRATAÇÃO TEMPORÁRIA. SERVIÇO EXCEPCIONAL DE


INTERESSE PÚBLICO. REGIME ESTATUTÁRIO. CONFIGURAÇÃO. CONTRATO REGIDO PELAS
NORMAS DE DIREITO PÚBLICO. COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA FEDERAL. 1. Compete à Justiça Federal
processar e julgar ação ordinária proposta por servidor público federal, contratado por prazo determinado,
nos termos da legislação que disciplina a contratação para atender excepcional interesse público.2. Tendo o
agente sido contratado por tempo determinado, para suprir necessidade temporária de excepcional interesse
público (art. 37, IX, CR), não compete à Justiça do Trabalho processar e julgar a ação, eis que a relação
jurídica estabelecida entre as partes deve ser regida pelas normas de Direito Administrativo e não pelas
normas de Direito do Trabalho. Precedentes do STJ.Conflito conhecido para declarar competente oJuízo
Federal da 2ª Vara de Ponta Grossa-PR, o suscitante. (CC 79.007/PR, Rel. MinistroCARLOS FERNANDO
MATHIAS (JUIZ CONVOCADO DO TRF 1ª REGIÃO), TERCEIRA SEÇÃO, julgado em 12.09.2007, DJ
01.10.2007 p. 210)

O STF definiu o tema:Repercussão Geral: Contratação Temporária e Competência da


Justiça Comum:
O Tribunal, por maioria, deu provimento a recurso extraordinário interposto contra acórdão
do Tribunal Superior do Trabalho - TST que entendera ser competente a Justiça do Trabalho para
julgar pretensão deduzida pela recorrida, admitida como professora, pelo Estado do Amazonas,
sob o regime de contratação temporária prevista em lei local (Lei 1.674/84). Na espécie, a recorrida
ajuizou reclamação trabalhista, na qual pleiteia o reconhecimento de vínculo trabalhista e as verbas
dele decorrentes, ao fundamento de que teria sido contratada pelo regime especial da Lei 1.674/84,
mas que, em decorrência das prorrogações sucessivas desse contrato, esse vínculo teria se
transmudado automaticamente num vínculo celetista. Aplicou-se a orientação fixada pelo Supremo
em vários precedentes no sentido de que compete à Justiça Comum estadual processar e julgar
CICLOS R3 – G8 – MATERIAL JURÍDICO
51

Funcionário de fato é aquele cuja investidura foi irregular, mas cuja situação tem
aparência de legalidade. Em nome do princípio da aparência, da boa-fé dos
administrados, da segurança jurídica e do princípio da presunção de legalidade dos atos
administrativos reputam-se válidos os atos por ele praticados, se por outra razão não
forem viciados.

Os agentes de fato podem ser agrupados em duas categorias: os agentes


necessários; e os agentes putativos.Teoria da aparência – convalidação – terceiro de boa-
fé.

a. Agentes necessários são aqueles que praticam atos e


executam atividades em situações excepcionais, como, por exemplo, as de

causas instauradas entre a Administração Pública e seus servidores submetidos ao regime


especial disciplinado por lei local editada antes da CF/88 com fundamento no art. 106 da CF/67, na
redação que lhe conferiu a EC 1/69. Asseverou-se que esse entendimento foi reafirmado em
inúmeros precedentes, já sob a égide da vigente Carta Magna. Enfatizou-se, ademais, que várias
decisões vêm sendo prolatadas no sentido de que o processamento de litígio entre servidores
temporários e a Administração Pública perante a Justiça do Trabalho afronta a decisão do Pleno na
ADI 3395 MC/DF (DJU de 10.11.2006), na qual referendada cautelar que suspendeu liminarmente
toda e qualquer interpretação conferida ao inciso I do art. 114 da CF, na redação dada pela EC
45/2004, que inclua, na competência da Justiça do Trabalho, a apreciação de causas que sejam
instauradas entre o Poder Público e seus servidores, a ele vinculados por típica relação de ordem
estatutária ou de caráter jurídico-administrativo. RE 573202/AM, rel. Min. Ricardo Lewandowski,
21.8.2008. (RE-573202).
Repercussão Geral: Contratação Temporária e Competência da Justiça Comum - 2
Mencionou-se, também, o que afirmado no julgamento da Rcl 5381/AM (DJE 8.8.2008), no
sentido de que, depois da decisão proferida na ADI 2135 MC/DF (DJE de 7.3.2008), que
suspendera os efeitos da EC 19/98 para retornar ao regime jurídico único, não haveria como, no
sistema jurídico-administrativo brasileiro constitucionalmente posto, comportar esse tipo de
contratação pelo regime da CLT. Por fim, asseverou-se que a prorrogação indevida no contrato
de trabalho de servidor temporário não transmuda esse vínculo original, de natureza
tipicamente administrativa, num vínculo trabalhista. Aduziu-se que a prorrogação do contrato,
nessas circunstâncias, seja ela expressa ou tácita, em que se opera a mudança do prazo de
vigência deste, de temporário para indeterminado, pode até ensejar nulidade ou caracterizar ato de
improbidade, com todas as consequências que isso acarreta, mas não alterar a natureza jurídica
do vínculo. Vencido o Min. Marco Aurélio que afirmava que a competência seria definida pela causa
de pedir e pelo pedido, e, tendo em conta que, no caso, a recorrida ajuizara uma reclamação
trabalhista, evocando, a partir do princípio da realidade, a existência do vínculo empregatício,
reputava ser da Justiça do Trabalho a competência para dirimir o conflito de interesses. Outros
precedentes citados: RE 130540/DF (DJU de 18.8.95); RE 102358/MG (DJU de 28.9.84); RE
136179/DF (DJU de 2.8.96); RE 215819/RS (DJU de 28.5.99); RE 367638/AM (DJU de 28.3.2003);
CJ 6829/SP (j. em 15.3.89); Rcl 4903 AgR/SE (DJE de 8.8.2008). RE 573202/AM, rel. Min. Ricardo
Lewandowski, 21.8.2008. (RE-573202
CICLOS R3 – G8 – MATERIAL JURÍDICO
52
emergência, em colaboração com o Poder Público e como se fossem
agentes de direito.
b. Agentes putativos são que desempenham uma atividade
pública na presunção de que há legitimidade, embora não tenha havido
investidura dentro do procedimento legalmente exigido.

Note-se, porém, que o agente de fato jamais poderá usurpar a competência


funcional dos agentes públicos em geral, já que este tipo de usurpação da função pública
constitui crime previsto no art. 328 do Código Penal.Usurpação de função – se passar por
um agente público – ato inexistente.
O servidor Público trabalha na pessoa jurídica de direito público, especificamente,
na Administração Direta, autarquias e fundações públicas de direito público.

2. Regime jurídico único

Regime jurídico é o conjunto de regras de direito que regulamentam determinada


relação jurídica.
A Constituição Federal, na sua redação originária, estabelecia que os servidores
deveriam estar submetidos a regime jurídico único. No Brasil, predominou o regime
estatutário, mas em alguns Estados foi escolhido o regime celetista. A União escolheu o
regime estatutário, promulgando a Lei nº 8.112/90.
Em 1998 foi introduzida no Brasil a EC nº 19, que alterou o art. 39, CF, abolindo o
regime jurídico único. Foi autorizado o regime múltiplo, de acordo com a lei de criação. A
definição do regime passa a ser estabelecida através da lei de criação (se criar cargo o
regime será estatuário, se criar emprego o regime é celetista). Então, em uma mesma
pessoa jurídica poderia haver dois regimes.

CICLOS R3 – G8 – MATERIAL JURÍDICO


53
[para titulares de cargos] No liame da função pública, composto sob a égide
estatutária, o Estado, ressalvadas as pertinentes disposições constitucionais impeditivas,
deterá o poder de alterar legislativamente o regime jurídico de seus servidores, inexistindo
a garantia de que continuarão sempre disciplinados pelas disposições vigentes quando de
seu ingresso. (C.A). É entendimento pacífico no STF a inexistência de direito adquirido a
regime jurídico.
Que atividades seriam estas, passíveis de comportar regime trabalhista, se a lei
assim decidir? Só poderiam ser aquelas que – mesmo desempenhadas sem as garantias
específicas do regime de cargo – não comprometeriam os objetivos em vista dos quais se
impõe o regime de cargo como sendo o normal, o prevalente.
Não se ignora que foram admitidas levas de servidores sob regime de emprego para
funções diversas das indicadas e que não comportariam dito regime. Cite-se, a guisa de
exemplo, a Lei 9.986, de 18.7.00, que inconstitucionalmente estabeleceu o regime de
emprego público para o pessoal das agências reguladoras (suspensão na ADIn 2.310-1-
DF, Rel. Min. Marco Aurélio).
Contudo, o STF decidiu na ADI 2135, em sede cautelar, que o art. 39 padecia de
inconstitucionalidade formal (vício de procedimento). Assim, o texto originário voltou a
vigorar, definindo, novamente, o regime jurídico único, seja celetista, seja estatutário. A
decisão cautelar, em regra, tem efeitos ex nunc.

A Lei nº 8.112/90 é aplicada a servidor público titular de cargo 9. Tratando-se de


emprego, o regime será trabalhista, contratual, regido pela CLT.

Regime estatutário
 Pluralidade normativa – cada ente com o seu
 Relação não contratual – não há direito à inalterabilidade da situação
funcional
 Iniciativa de lei de competência privativa do chefe do executivo

9 Crítica de Celso Antônio à Lei 8.112: Aliás, a sobredita lei não apenas instituiu tal regime como o geral,
aplicável a quaisquer servidores púbicos titulares de cargo público na órbita da União, mas, também,
conforme dantes se disse, inconstitucionalmente, colocou sob sua égide servidores não concursados que
haviam sido admitidos pela legislação trabalhista e transformou seus empregos em cargos públicos,
independentemente do tempo de serviço que tivessem (art.243 e §1º.) Nisto afrontou, à generala, tanto o
art.37, II, da Constituição, que exige o concurso público de provas ou de provas e títulos para acesso a
cargos públicos, quanto ofendeu ostensivamente o art.19 e §1º. do Ato das Disposições Constitucionais
Transitórias. Este último conferiu estabilidade à data da promulgação da Constituição, mas não autorizou
mudanças em seu regime jurídico e muito menos permitiu sua preposição em cargos públicos, pois, pelo
contrário, estabeleceu que sua efetivação dependeria de concurso público.
CICLOS R3 – G8 – MATERIAL JURÍDICO
54
 Desafia lei ordinária e não complementar
 Competência da Justiça Comum – Estadual ou Federal

Regime Trabalhista
 Unicidade normativa – todos os entes obedecem a CLT
 Natureza contratual
 Ocorrendo alteração para o regime estatutário (é opção do servidor), deve o
ente respeitar todos os direitos funcionais adquiridos pelo servidor sob o regime celetista.
 Competência da Justiça do Trabalho

Regime de emprego público – lei federal 9.962/00


 Nada mais é senão a aplicação do regime trabalhista comum às relações
entre Administração e servidor trabalhista. Aplicação primária da lei e subsidiária da CLT.
 Incidência: PESSOAS FEDERATIVAS, AUTARQUIAS E FUNDAÇÕES
PÚBLICAS FEDERAIS.
 Prévia aprovação em concurso público de provas ou provas e títulos
 Rescisão contratual – falta grave; acumulação ilegal; insuficiência de
desempenho apurada em processo administrativo. Não há hipótese de resilição unilateral,
como na CLT.

ATENÇÃO: NÃO CONFUNDIR COM O EMPREGADO PÚBLICO DAS SEM E EP –


SÓ HÁ INCIDÊNCIA DA CLT.

Regime especial – temporários

 Depende de lei própria do ente federativo


 Prazo determinado + necessidade tem de ser temporária + interesse público
excepcional
 É um contrato administrativo de caráter funcional
 Não revela qualquer vínculo trabalhista – Justiça comum
 Se não houver a lei – relação de emprego - Justiça do Trabalho
 Longa permanência do vínculo temporário (sucessivas prorrogações) – STF
diz que não vira relação de emprego. Continua sendo competente a Justiça Comum.
 A união publicou a sua lei – 8.745: calamidade, surtos endêmicos, assistência
e emergências em saúde pública, recenseamentos, admissão de professores estrangeiros.

CICLOS R3 – G8 – MATERIAL JURÍDICO


55
Informativo 740 STF

CICLOS R3 – G8 – MATERIAL JURÍDICO


56

*Lei que prevê hipóteses genéricas de contratação temporária é inconstitucional. Lei que
autoriza contratação temporária para projetos educacionais ordinários é inconstitucional. O
STF afirmou que, em tese, é possível a contratação temporária por excepcional interesse
público (art. 37, IX, da CF/88) mesmo para atividades permanentes da Administração
(como é o caso de professores). No entanto, o legislador tem o ônus de especificar, em
cada circunstância, os traços de emergencialidade que a justificam. As alíneas "a, b, c, d,
e" preveem a contratação temporária caso o titular se afaste para gozar de licenças ou
para fazer cursos de capacitação. O STF reputou que tais hipóteses são constitucionais já
que elas descrevem situações que são alheias ao controle da Administração Pública, ou
seja, hipóteses que estão fora do controle do Poder Público e que, se este não tomasse
nenhuma atitude, poderia resultar em desaparelhamento transitório do corpo docente.
Logo, para tais situações está demonstrada a emergencialidade. A alínea "f" previa que
poderia haver a contratação temporária para suprir "outros afastamentos que repercutam
em carência de natureza temporária". O STF entendeu que esta situação é extremamente
genérica, de forma que não cumpre o art. 37, IX, da CF/88. O parágrafo único do art. 3º
autoriza a contratação temporária para que a Administração Pública pudesse implementar
"projetos educacionais, com vista à erradicação do analfabetismo, correção do fluxo
escolar e qualificação da população cearense". O STF entendeu que esta previsão
também é inconstitucional porque estes são objetivos corriqueiros (normais, ordinários) da
política educacional. Desse modo, esse tipo de ação não pode ser implementado por meio
de contratos episódicos (temporários), já que não constitui contingência especial a ser
atendida. STF. Plenário. ADI 3721/CE, Rel. Min. Teori Zavascki, julgado em 9/6/2016 (Info
829).

CICLOS R3 – G8 – MATERIAL JURÍDICO


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*São inconstitucionais, por violarem o art. 37, IX, da CF/88, a autorização legislativa
genérica para contratação temporária e a permissão de prorrogação indefinida do prazo de
contratações temporárias. STF. Plenário. ADI 3662/MT, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em
23/3/2017 (Info 858).

*#OUSESABER: O STJ decidiu pela possibilidade de cumulação de proventos de


aposentadoria de emprego público com remuneração proveniente de exercício de cargo
temporário, conforme consta do informativo n° 559. Conforme aduz o artigo 118, §3°, da
Lei 8.112/90, tem-se por proibida a percepção de vencimento de cargo ou emprego público
efetivo com proventos da inatividade, salvo quando os cargos de que decorram essas
remunerações forem acumuláveis na atividade. Pois bem, o Tribunal Cidadão enfatizou
que a vedação contida nesse dispositivo diz respeito apenas à acumulação de
proventos de aposentadoria com remuneração de cargo ou emprego público efetivo,
categorias nas quais não se insere a função pública exercida por força de
contratação temporária, a qual é preenchida via processo seletivo simplificado, nos
moldes da Lei 8.745/1993. A esse respeito, é importante destacar que este diploma
normativo estabelece, em seu artigo sexto, a proibição de contratação de “servidores
temporários” que já sejam servidores da Administração direta ou indireta da União, dos
Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, bem como de empregados ou servidores de
suas subsidiárias e controladas, veja-se: Art. 6º É proibida a contratação, nos termos desta
Lei, de servidores da Administração direta ou indireta da União, dos Estados, do Distrito
Federal e dos Municípios, bem como de empregados ou servidores de suas subsidiárias e
CICLOS R3 – G8 – MATERIAL JURÍDICO
58
controladas.
Por último, o STJ destacou que o empregado público pertence ao RGPS, não se
aplicando, portanto, o disposto no § 10 do art. 37 da CF, segundo o qual: "É vedada a
percepção simultânea de proventos de aposentadoria decorrentes do art. 40 ou dos arts.
42 e 142 com a remuneração de cargo, emprego ou função pública, ressalvados os cargos
acumuláveis na forma desta Constituição, os cargos eletivos e os cargos em comissão
declarados em lei de livre nomeação e exoneração".

3. Cargo público

É a mais simples e indivisível unidade de competência.Submete-se ao regime legal


(regime jurídico-administrativo), sendo criado por lei, com número certo, denominação
própria e competência definida em lei. O cargo só está presente na pessoa jurídica de
direito público. Os serviços auxiliares do Poder Legislativo não são criados por lei, apenas
por resolução da Casa Legislativa.
Nomeação é o ato administrativo que materializa o provimento originário.
Acerca da ascensão e transferência, vide Súmula 685 do STF (É inconstitucional
toda modalidade de provimento que propicie ao servidor investir-se, sem prévia aprovação
em concurso público destinado ao seu provimento, em cargo que não integra a carreira na
qual anteriormente investido.). Em face do art. 37, inciso II, o STF já se manifestou pela
inconstitucionalidade de algumas formas de provimento derivado, tais como a ascensão e
a transferência, o que resultou na revogação dos incisos III e IV do art. 8º da Lei nº
8.112/90 (extraído do roteiro de estudo n. 9, de autoria do Des. Luiz Alberto Gurgel de
Faria).
No liame da função pública, composto sob a égide estatutária, o Estado,
ressalvadas as pertinentes disposições constitucionais impeditivas, deterá o poder de
alterar legislativamente o regime jurídico de seus servidores, inexistindo a garantia de que
continuarão sempre disciplinados pelas disposições vigentes quando de seu ingresso. É
entendimento pacífico no STF a inexistência de direito adquirido a regime jurídico.

CICLOS R3 – G8 – MATERIAL JURÍDICO


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Obs: Criação, extinção e transformação de cargos – competência do CN.

Extinção quando vagos – decreto do Chefe do Executivo

Transformação sem aumento de despesa é mera reorganização administrativa –


não precisa de lei.

CD e SF – resolução sem sanção do Presidente

CICLOS R3 – G8 – MATERIAL JURÍDICO


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4. Emprego público

É a unidade de competência com encargo (núcleo de encargo permanente). O


regime é contratual, trabalhista, regido pela CLT. Pode aparecer em pessoa jurídica de
direito público ou de direito privado.
Empregos públicos são núcleos de encargos de trabalho permanentes a serem
preenchidos por agentes contratados para desempenhá-los, sob relação trabalhista, como,
aliás, prevê a Lei 9.962, de 22.2.2000. Quando se trate de empregos permanentes na
Administração direta ou em autarquia, só podem ser criados por lei, como resulta do
art.61, §1º., II, a. Nas pessoas de Direito Privado da Administração Indireta, isto é, nas
empresas públicas e sociedades de economia mista e fundações governamentais de
Direito Privado, só há empregos.

5. Função

É um conjunto de atribuições e responsabilidades atribuídas a um servidor. Também


é criada por lei. Atualmente, na CF, a uma função especial permitida de confiança, servindo
à direção, cheia ou assessoramento. A função de confiança só pode ser atribuída aos que
tem cargo efetivo.
As funções públicas são plexos unitários de atribuições, criados por lei,
correspondentes a encargos de direção, chefia ou assessoramento, a serem exercidas por
titular de cargo efetivo, da confiança da autoridade que as preenche.
As atribuições decorrentes da função de confiança resultam em acréscimo
remuneratório, devido as maiores responsabilidades. É por isso que alguns denominam de
função gratificada.
Todo cargo tem função, mas nem toda função pressupõe cargo.

CICLOS R3 – G8 – MATERIAL JURÍDICO


61
Obs. servidor que realiza outras funções não designadas para o seu cargo – desvio
de função

6. Cargo de confiança (cargo em comissão)

Também é utilizado para direção, chefia e assessoramento, podendo ser exercido


por qualquer pessoa, atendidos os requisitos mínimos. É cargo de livre nomeação e livre
exoneração (ad nutum). A Constituição reservou um número mínimo para que sejam
nomeados os servidores de carreira para garantir a continuação do serviço público.

OBS. NOMENCLATURAS (O SAMBA DO CRIOULO DOIDO).

 Função gratificada, gratificação de função, função de confiança – são funções


específicas de direção, chefia ou assessoramento que acarretam uma vantagem
pecuniária. Só pode ser exercida por servidores ocupantes de cargo efetivo.
 Cargo em comissão, função comissionada, cargo de confiança– podem ser
ocupados por servidores ocupantes de cargo efetivo ou não.

CICLOS R3 – G8 – MATERIAL JURÍDICO


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7. Cargo Público – Classificação:

 Quanto à posição estatal

a) Cargo de carreira: é o cargo que possui plano de ascensão funcional; 1ª


classe, 2ª classe.
b) Cargo isolado: não há oportunidade de crescimento na carreira.

 Quanto à sua vocação para retenção (garantia de permanência)

a) Cargo em comissão: ocupação provisória. Baseado na confiança, de livre


nomeação e exoneração. Não há garantia de permanência;
b) Cargo efetivo:ocupação permanente. Depende de concurso público e há
garantia de permanência. É pressuposto para estabilidade. Se o servidor tem cargo efetivo
é preciso de processo administrativo ou judicial ou avaliação negativa de desempenho (EC
19/98)
c) Cargo vitalício: a perda do cargo vitalício depende de processo judicial
(magistrados, membros do Ministério Público e Conselheiros dos TC).Pode ser por
processo administrativo se for antes dos dois anos. A vitaliciedade é estabelecida na CF e
somente por EC pode ser criada nova hipótese.

CICLOS R3 – G8 – MATERIAL JURÍDICO


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8. Formas de Provimento

Provimento significa o preenchimento do cargo público. Pode ser subdividido em


duas categorias: provimento originário e provimento derivado.

i. Provimento Originário – não há vínculo anterior com o mesmo estatuto.


ii. Provimento Derivado Vertical - (é aquele em que há plano de elevação
funcional, com ascensão na carreira), exemplo: promoção. Derivado – há vínculo
anterior com o mesmo estatuto.
iii. Provimento Derivado Horizontal (há mudança de cargo, mas sem elevação
funcional), exemplo: readaptação.
iv. Provimento Derivado por Reingresso (é o retorno do servidor para a
mesma carreira)

Súmula 685: É INCONSTITUCIONAL TODA MODALIDADE DE PROVIMENTO


QUE PROPICIE AO SERVIDORINVESTIR-SE, SEM PRÉVIA APROVAÇÃO EM
CONCURSO PÚBLICO DESTINADO AO SEU PROVIMENTO, EM CARGO QUE
NÃO INTEGRA A CARREIRA NA QUAL ANTERIORMENTE INVESTIDO.

Formas de provimento:

a) Nomeação: atribuição de um cargo a um servidor. Com a posse, há aceitação


do cargo com o compromisso de bem servir. É nesse momento que a relação jurídica é
constituída (investidura- POSSE). O servidor tem 30 dias para tomar posse, que se não
for feita no prazo legal, ficará sem efeito. Após, o servidor tem 15 dias para entrar em
exercício (com o exercício passa a ter direito à remuneração ).Se não o fizer, o servidor
será exonerado. O candidato nomeado tem direito à posse (Súmula 16 STF). Há
nomeação para cargo efetivo e há nomeação para cargo em comissão.
b) Promoção: sai de uma classe para outra no âmbito da sua carreira.
Obsascensão – servidor vai da maior classe de sua carreia para a menor de carreira
diversa. Transferência – servidor vai para classe de mesmo nível em carreira diversa.
NÃO é mais possível ocorrer a transferência nem a ascensão.

Obs.cessão de servidor – empréstimo temporário. É discricionário. Não há direito


subjetivo do servidores. Pode ser com ônus (ele paga a remuneração) ou sem
ônus para o cedente (cessionário arca com a remuneração).

CICLOS R3 – G8 – MATERIAL JURÍDICO


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c) Reintegração: acontece quando comprovada a ilegalidade da desinvestidura


do servidor (exemplo: ilegalidade da demissão). O retorno pode ocorrer por processo
judicial ou administrativo para cargo de origem. Se o cargo for transformado, o servidor
vai retornar para o resultado da transformação. Vai receber todas as vantagens do
período em que esteve afastado (art. 28, da Lei nº 8.112/90);

d) Recondução: acontece quando ocorrer a reintegração do antigo ocupante do


cargo ou quando for inabilitado no estágio probatório de outro cargo. O servidor
retornará ao cargo anterior (de origem) se estiver vago, caso esteja ocupado retornará
para cargo equivalente vago. Não havendo cargo equivalente vago, ele ficará em
disponibilidade e será remunerado proporcionalmente ao tempo de serviço (art. 29, da
Lei nº 8.112/90);A reintegração e a recondução são garantias do servidor estável, OU
SEJA, não sendo estável ele pode ser exonerado caso o servidor volte por meio da
reintegração.

CICLOS R3 – G8 – MATERIAL JURÍDICO


65
e) Aproveitamento: é o retorno do servidor em disponibilidade. O servidor fica
em disponibilidade quando o seu cargo é extinto por ser considerado desnecessário. É
disponibilidade remunerada. (art. 30 a 32, da Lei nº 8.112/90);

Obs.disponibilidade

 Extinção do cargo (lei) OU declaração de desnecessidade (STF - lei).


 Incidência – servidores: estatutários e trabalhistas (empregados públicos)
 Efeitos: servidor percebe remuneração proporcional ao tempo de serviço
(e não ao tempo de contribuição) + dever da Administração em promover o
seu aproveitamento em cargo compatível.

f) Reversão: acontece quando insubsistentes os motivos da aposentadoria por


invalidez, declarado por junta médica.

Também cabe reversão a pedido do servidor, mas no interesse da Administração


(art. 25, da Lei nº 8.112/90) – acrescentado por MP de 2001. José considera
inconstitucional.

Não cabe mais a readmissão.

CICLOS R3 – G8 – MATERIAL JURÍDICO


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g) Readaptação: servidor ocupa cargo diverso que se compatibiliza com a
limitação ocorrida em sua capacidade física ou psíquica.
São formas de reingresso – reintegração, reversão e aproveitamento.

Formas de Deslocamento
Ficam dentro do mesmo quadro. Diferentemente do provimento derivado.
1. Remoção: é o deslocamento do servidor de acordo com as necessidades do
serviço. Pode ser uma remoção de ofício ou a pedido (art. 36, da Lei nº 8.112/90);]

*#OUSESABER: No EREsp 1.157.628-RJ, julgado em 07/12/2016 e publicado no DJe de


15/02/2017, a Corte Especial do STJ decidiu que: "A 'teoria do fato consumado' não pode
ser aplicada para consolidar remoção de servidor público destinada a acompanhamento de
cônjuge, em hipótese que não se adequa à legalidade estrita, ainda que tal situação haja
perdurado por vários anos em virtude de decisão liminar não confirmada por ocasião do
julgamento de mérito". No mesmo sentido, o STJ já havia se manifestado no acórdão
paradigma, o AgRg no REsp 1.453.357-RN, segundo o qual "a teoria do fato consumado
visa preservar não só interesses jurídicos, mas interesses sociais já consolidados,
não se aplicando, contudo, em hipóteses contrárias à lei, principalmente quando
amparadas em provimento judicial de natureza precária".

*#DEOLHONAJURISPRUDÊNCIA: A “teoria do fato consumado" não pode ser aplicada


para consolidar remoção de servidor público destinada a acompanhamento de cônjuge, em
hipótese que não se adequa à legalidade estrita, ainda que tal situação haja perdurado por
vários anos em virtude de decisão liminar não confirmada por ocasião do julgamento de
mérito. Em outras palavras, se a pessoa consegue uma decisão provisória garantindo a ela
a remoção e, posteriormente, esta decisão é revogada, esta remoção terá que ser desfeita
mesmo que já tenha se passado muitos anos. Não se aplica a "Teoria do Fato
Consumado" em relação a atos praticados sob contestação das pessoas envolvidas, que o
reputam irregular e manifestam a existência da irregularidade nas vias adequadas, ainda
que, pela demora no transcurso do procedimento destinado à apuração da legalidade do
ato, este gere efeitos no mundo concreto. Verificada ou confirmada a ilegalidade, o ato
deve ser desfeito, preservando-se apenas aquilo que, pela consolidação fática irreversível,
não puder ser restituído ao status quo ante. Se a Administração Pública, mesmo após a

CICLOS R3 – G8 – MATERIAL JURÍDICO


67
decisão liminar, continuou questionando no processo a legalidade da remoção do
servidor/autor, não se pode aplicar a teoria do fato consumado, devendo o ato ser
desfeito, salvo se tivesse havido uma consolidação fática irreversível (ou seja, se
não fosse mais possível voltar ao " status quo ante"). STJ. Corte Especial. EREsp
1.157.628-RJ, Rel. Min. Raul Araújo, julgado em 7/12/2016 (Info 598).

2. Redistribuição: deslocamento do servidor em razão de uma reorganização


dos quadros (normalmente quando extingue órgão ou entidade), art. 37, da Lei nº 8.112/90.
3. Substituição: depende da Lei de Organização da carreira (art. 38 e 39, Lei nº
8.112/90);
Desinvestidura:
a) Demissão: é pena, sanção pela prática de infração grave;
b) Exoneração: o servidor deixa o cargo, é um desligamento sem caráter
punitivo. Ocorre a pedido do servidor; ou quando o servidor tomou posse em 15 dias e não
entrou em exercício; ou exoneração “ad nutum” nos cargos em comissão; ou quando for
inabilitado no estágio probatório; ou nos casos de excesso de despesa com pessoal (art.
169, CF); ou na acumulação ilegal de cargos, escolhendo o servidor o cargo que quer
permanecer.Se estiver de boa-fé haverá exoneração, se ficar comprovada a má-fé será
demitido.
Com a desinvestidura ocorre a vacância do cargo (art. 33, da Lei nº 8.112/90).
Hipóteses de vacância
 Exoneração
 Demissão
 Promoção
 Readaptação
 Aposentadoria
 Falecimento do servidor

O filho de membro do Ministério Público do Trabalho tem, em razão da mudança de


domicílio de seu pai para tomar posse no cargo de Desembargador Federal do Trabalho,
direito a ser transferido para instituição de ensino superior congênere, nos termos do art.
49 da Lei nº 9.394/96, c/c art. 1º da Lei nº 9.536/97. STJ. 2ª Turma. REsp 1.536.723-RS,
Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 13/10/2015 (Info 571).

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Art. 169. A despesa com pessoal ativo e inativo da União, dos Estados, do Distrito Federal
e dos Municípios não poderá exceder os limites estabelecidos em lei complementar.

§ 2º Decorrido o prazo estabelecido na lei complementar referida neste artigo para a


adaptação aos parâmetros ali previstos, serão imediatamente suspensos todos os
repasses de verbas federais ou estaduais aos Estados, ao Distrito Federal e aos
Municípios que não observarem os referidos limites.

§ 3º Para o cumprimento dos limites estabelecidos com base neste artigo, durante o prazo
fixado na lei complementar referida no caput, a União, os Estados, o Distrito Federal e os
Municípios adotarão as seguintes providências: I - redução em pelo menos vinte por
cento das despesas com cargos em comissão e funções de confiança;
II - exoneração dos servidores não estáveis.

Atualmente vige a Lei Complementar 101, de 4.5.2000, conhecida como Lei de


Responsabilidade Fiscal, cujo art.19 fixou, para a União, o limite de tais dispêndios
[despesa com pessoal ativo e inativo, nos termos do art.169 da CF] em 50% da receita
corrente líquida (a qual é definida no art.2º., IV, dessa lei), e para Estados, DF e
Municípios em 60%. (C.A)
A determinação da perda dos cargos por parte dos servidores estáveis, com
indenização correspondente a um mês de remuneração por ano de serviço, parece-nos
flagrantemente inconstitucional, por superar os limites do poder de emenda. (C.A)

#OUSESABER: O que é desenquadramento no Direito Administrativo? Em tempos de


crise financeira e orçamentária em alguns Estados da Federação, faz-se necessário falar
em desenquadramento, que nada mais é do que a exoneração de servidores públicos,
com o espoco de adequar as despesas com pessoal ao limite da Lei de
Responsabilidade Fiscal. Ressalta-se que se trata de medida dura e que, portanto, a CF
veda a criação de cargo, emprego ou função com atribuições iguais ou
assemelhadas pelo prazo de quatro anos, bem como prevê uma indenização para os
servidores estáveis à época da exoneração.

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9. Direitos

1. Remuneração e vencimento

 Direito à remuneração (vencimentos) - Subdivide-se em duas modalidades


diferentes: remuneração/vencimentos (vencimento/salário base + parcela variável*) ou
subsídio (parcela única). O subsidio é auferido pelos chefes do Executivo, vices e
auxiliares imediatos, membros do Poder Legislativo, magistrados, membros do Ministério
Público, ministros e conselheiros dos Tribunais de Contas, AGU, policiais e cargos de
carreira organizados com elevação funcional. Fora do subsídio, é admitido o pagamento de
garantias do art. 39, §3º, CF, e das verbas indenizatórias (exemplo: diária, transporte etc.).
*Depende das condições de cada servidor.
Incorporações: vantagem percebida por determinado tempo que é incorporado ao
vencimento base.

§ 3º Aplica-se aos servidores ocupantes de cargo público o disposto no art. 7º, IV, VII, VIII,
IX, XII, XIII, XV, XVI, XVII, XVIII, XIX, XX, XXII e XXX, podendo a lei estabelecer requisitos
diferenciados de admissão quando a natureza do cargo o exigir.
IV - salário mínimo, fixado em lei, nacionalmente unificado, capaz de atender a suas
necessidades vitais básicas e às de sua família com moradia, alimentação, educação,
saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e previdência social, com reajustes periódicos
que lhe preservem o poder aquisitivo, sendo vedada sua vinculação para qualquer fim;
VII - garantia de salário, nunca inferior ao mínimo, para os que percebem remuneração
variável;

CICLOS R3 – G8 – MATERIAL JURÍDICO


70
VIII - décimo terceiro salário com base na remuneração integral ou no valor da
aposentadoria;
IX - remuneração do trabalho noturno superior à do diurno;
XII - salário-família pago em razão do dependente do trabalhador de baixa renda nos
termos da lei;(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998)
XIII - duração do trabalho normal não superior a oito horas diárias e quarenta e quatro
semanais, facultada a compensação de horários e a redução da jornada, mediante acordo
ou convenção coletiva de trabalho
XV - repouso semanal remunerado, preferencialmente aos domingos;
XVI - remuneração do serviço extraordinário superior, no mínimo, em cinqüenta por cento à
do normal;
XVII - gozo de férias anuais remuneradas com, pelo menos, um terço a mais do que o
salário normal;
XVIII - licença à gestante, sem prejuízo do emprego e do salário, com a duração de cento
e vinte dias;
XIX - licença-paternidade, nos termos fixados em lei;
XX - proteção do mercado de trabalho da mulher, mediante incentivos específicos, nos
termos da lei;
XXII - redução dos riscos inerentes ao trabalho, por meio de normas de saúde, higiene e
segurança;
XXX - proibição de diferença de salários, de exercício de funções e de critério de admissão
por motivo de sexo, idade, cor ou estado civil;

A Emenda Constitucional nº 19/98 criou o teto remuneratório (parâmetro do Ministro


do STF) e a Emenda Constitucional nº 41/03 criou o subteto remuneratório de cada esfera
de poder.

CICLOS R3 – G8 – MATERIAL JURÍDICO


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obs. A EC 41/03 mandou que fossem reduzidas todas as remunerações que


ultrapassassem o teto, desrespeitando o direito adquirido. STF considerou constitucional.

# TETO REMUNERATÓRIO As vantagens pessoais do servidor também devem respeitar o


teto, mesmo que sejam anteriores à EC 41/2003. STF. Plenário. RE 606358/SP, Rel. Min.
Rosa Weber, julgado em 18/11/2015 (repercussão geral) (Info 808).

INF/STF - 747 julho/2014.

Súmulas Vinculantes nº 4, 6 e 15.


Súmula Vinculante 4: Salvo nos casos previstos na Constituição, o salário mínimo
não pode ser usado como indexador de base de cálculo de vantagem de servidor público
ou de empregado, nem ser substituído por decisão judicial.
Súmula Vinculante 6: Não viola a Constituição o estabelecimento de remuneração
inferior ao salário mínimo para as praças prestadoras de serviço militar inicial.
CICLOS R3 – G8 – MATERIAL JURÍDICO
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Súmula Vinculante 15: O cálculo de gratificações e outras vantagens do servidor
público não incide sobre oabono utilizado para se atingir o salário mínimo.
Súmula Vinculante 16: Osartigos 7º, IV, e 39, § 3º (redação da EC 19/98), da
Constituição, referem-se ao total da remuneração percebida pelo servidor público.
Súmula Vinculante 20: A Gratificação de Desempenho de Atividade Técnico-
Administrativa – GDATA, instituída pela Lei nº 10.404/2002, deve ser deferida aos
inativos nos valores correspondentes a 37,5 (trinta e sete vírgula cinco) pontos no
período de fevereiro a maio de 2002 e, nos termos do artigo 5º, parágrafo único, da Lei nº
10.404/2002, no período de junho de 2002 até a conclusão dos efeitos do último ciclo de
avaliação a que se refere o artigo 1º da Medida Provisória no 198/2004, a partir da qual
passa a ser de 60 (sessenta) pontos.

# SUSPENSÃO CAUTELAR DE GRATIFICAÇÃO SUPOSTAMENTE INDEVIDA Durante o


processo administrativo instaurado para apurar a legalidade de determinada gratificação, a
Administração Pública pode determinar, com fundamento no poder cautelar previsto no art.
45 da Lei nº 9.784/1999, a suspensão do pagamento da verba impugnada até a decisão
definitiva do órgão sobre a sua validade no âmbito do procedimento aberto. STF.2ª
Turma.RMS 31973/DF, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 25/2/2014 (Info 737).

Irredutibilidade da remuneração (art. 37, XV, CF; art. 41, §3º - estendeu aos
servidores públicos regidos pela legislação trabalhista – emprego público ). A remuneração
não pode ser reduzida, salvo para adequação ao teto. Não se incluem as gratificações e
adicionais de caráter transitório.

# Lei estadual de 2007 fixou aumento na remuneração dos servidores públicos estaduais.
A Lei entrou em vigor na data de sua publicação, mas estabeleceu que os efeitos
financeiros desse aumento seriam contados somente a partir do primeiro dia do ano
seguinte. Ocorre que, antes que chegasse a data prevista como início do reajuste, a
referida Lei foi revogada por uma outra. O STF entendeu que esta Lei revogadora é
inconstitucional por violar o direito adquirido (art. 5º, XXXVI, da CF/88) e o princípio da
irredutibilidade dos vencimentos (art. 37, XV). A Lei que concedeu o reajuste entrou em
vigor na data de sua publicação. Apenas os efeitos financeiros é que foram postergados
para o dia 1º/1/2008. No momento em que a Lei entrou em vigor, os servidores passaram a

CICLOS R3 – G8 – MATERIAL JURÍDICO


73
ter direito adquirido ao reajuste, ainda que os efeitos financeiros somente fossem em data
futura. STF. Plenário. ADI 4013/TO, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 31/3/2016 (Info
819).

O art. 1º da Lei nº 10.698/2003 concedeu reajuste aos servidores públicos federais de


todos os Poderes, porém em percentuais diferentes. A diferença entre o maior e o menor
reajuste foi de 13,23%. Os servidores que receberam o menor percentual alegaram que o
mencionado art. 1º representou uma revisão geral anual, tendo, no entanto, violado o art.
37, X, da CF/88, considerando que foi feita com índices diferentes, o que não é permitido
por esse dispositivo constitucional. Diante disso, pediram que fosse concedida a
incorporação dos 13,23% em sua remuneração. A 1ª Turma do TRF1 (órgão fracionário do
Tribunal) concedeu a incorporação pedida. Para o STF, esta decisão violou as súmulas
vinculantes 10 e 37. A 1ª Turma do TRF1, mesmo sem dizer isso expressamente, fez um
controle de constitucionalidade do art. 1º da Lei nº 10.698/2003 concluindo que este
dispositivo incidiu em inconstitucionalidade por omissão parcial. No entanto, como se trata
de órgão fracionário do TRF, houve violação ao art. 97 da CF/88 e da SV 10: "Viola a
cláusula de reserva de plenário (CF, art. 97) a decisão de órgão fracionário de tribunal que,
embora não declare expressamente a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do
Poder Público, afasta a sua incidência no todo ou em parte." Além disso, houve violação da
SV 37: "Não cabe ao Poder Judiciário, que não tem função legislativa, aumentar
vencimentos de servidores públicos sob fundamento de isonomia." STF. 2ª Turma. Rcl
14872, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 31/5/2016 (Info 828).

*O término da incorporação dos 11,98%, ou do índice obtido em cada caso, oriundo das
perdas salariais resultantes da conversão de cruzeiro real em URV, na remuneração do
servidor, deve ocorrer no momento em que a carreira passa por uma restruturação
remuneratória. STJ. 3ª Seção. EREsp 900.311-RN, Rel. Min. Felix Fischer, julgado em
22/2/2017 (Info 598).

CICLOS R3 – G8 – MATERIAL JURÍDICO


74

Salário mínimo – remuneração não pode ser inferior.

Obs. revisão remuneratória – lei específica, anual, geral.


- Ausência de lei – incondicionalidade por omissão, mas não pode o Judiciário
determinar a revisão.
- Índico de reajuste – Súmula 681 STF

- revisão geral x específica.

STF – Informativo 721


Conversão monetária: competência e irredutibilidade de vencimentos
O direito de servidor público a determinado percentual compensatório em razão de
incorreta conversão do padrão monetário — de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor -
URV — decorre exclusivamente dos parâmetros estabelecidos pela Lei 8.880/94, e o
CICLOS R3 – G8 – MATERIAL JURÍDICO
75
quantum debeatur deve ser apurado no momento da liquidação de sentença. Ademais,
esse percentual não pode ser compensado ou abatido por aumentos remuneratórios
supervenientes e deve incidir até reestruturação remuneratória de cada carreira, que, ao
suprimir o índice, não poderá ofender o princípio da irredutibilidade de vencimentos. Essa a
conclusão do Plenário, que proveu parcialmente recurso extraordinário no qual se discutia
a conversão dos vencimentos de servidora pública estadual, tendo em conta a diferença de
padrões estabelecidos entre a Lei 8.880/94 e a Lei 6.612/94, do Estado do Rio Grande do
Norte. No mérito, explicou-se que a Lei 8.880/94, instituidora do Plano Real, regulara a
conversão do Cruzeiro Real em URV, parâmetro viabilizador da criação do Real. Afirmou-
se que, no momento da conversão, inúmeros servidores públicos teriam sido prejudicados
em decorrência dos critérios adotados, haja vista o decréscimo em seus vencimentos.
Destacou-se haver casos específicos em que o prejuízo teria sido ainda maior, em
decorrência de leis estaduais que teriam modificado os parâmetros de conversão firmados
pela lei nacional. Sublinhou-se o art. 22, VI, da CF (“Art. 22. Compete privativamente à
União legislar sobre: ... VI - sistema monetário e de medidas, títulos e garantias dos
metais”) e aduziu-se que essa competência privativa da União seria tema pacífico.
Asseverou-se que a Lei 8.880/94 trataria de sistema monetário, ao passo que seu art. 28
cuidaria da conversão da remuneração de servidores públicos de maneira geral, e não
apenas federais. Assim, salientou-se o caráter nacional dessa norma. Concluiu-se que
estados-membros e municípios não estariam autorizados a legislar sobre a matéria em
detrimento do que previsto na Lei 8.880/94. Demonstrou-se que esse entendimento estaria
de acordo com a jurisprudência da Corte. No caso, apontou-se que a Lei potiguar 6.612/94
não poderia ter disciplinado a conversão do padrão monetário a ser observado em relação
aos servidores estaduais de forma distinta daquela disposta na Lei 8.880/94. Portanto,
seria formalmente inconstitucional. Assim, a Corte declarou, incidenter tantum, a
inconstitucionalidade da referida Lei 6.612/94, do Estado do Rio Grande do Norte.
Reputou-se que a simples conversão de padrão monetário seria distinta de aumento
da remuneração, pois naquele caso os vencimentos permaneceriam no mesmo patamar,
conforme precedentes do STF. Assim, nos termos do art. 169, § 1º, I e II, da CF, a
concessão de vantagem ou aumento de remuneração é que dependeriam de prévia
dotação orçamentária. No particular, não se cuidaria de qualquer dessas duas hipóteses,
porquanto a incorporação do índice compensatório representaria apenas medida a evitar
perda remuneratória, e não acréscimo nos vencimentos. Rememorou-se que o índice de

CICLOS R3 – G8 – MATERIAL JURÍDICO


76
11,98% fora reconhecido aos servidores federais no âmbito do Legislativo, do Judiciário e
do Ministério Público (ADI 2323 MC/DF, DJU de 20.4.2000). No caso do Executivo Federal,
por exemplo, o servidor não teria direito ao aludido percentual, nos termos do que já
decidido pela Corte. Sublinhou-se que o direito a diferença decorrente da conversão do
Cruzeiro Real em URV incidiria quando o cálculo considerasse valor discrepante do
correspondente à data do efetivo pagamento, conforme também já reconhecido pelo STF.
Explicitou-se que a incorporação de determinado índice decorrente de conversão
equivocada seria medida legítima e necessária, sob pena de a supressão originar ofensa
ao princípio da irredutibilidade da remuneração dos servidores públicos. Eventual exclusão
do índice durante período em que não alterada a estrutura remuneratória do servidor
representaria medida ofensiva ao direito adquirido. Consignou-se que esse índice seria
devido em decorrência de equívoco na conversão da moeda, o que não impediria seu
acúmulo com índice de aumento posterior concedido a servidores para assegurar poder de
compra. Entretanto, a incorporação do índice compensatório não poderia subsistir quando
a carreira tivesse sofrido reestruturação, pois o percentual não poderia permanecer
indeterminadamente. Assim, por exemplo, com a entrada em vigor da Lei 10.475/2002, a
reestruturar as carreiras dos cargos efetivos da Justiça Federal, os valores das parcelas
decorrentes de decisões administrativas e judiciais teriam sido absorvidos pela nova tabela
de vencimentos. Nesse sentido, a possibilidade de o regime jurídico de servidor público
sofrer alterações obstaria a tese de que o montante compensatório devesse ser mantido
indefinidamente. Portanto, seria correto vedar a compensação desse percentual com
aumentos supervenientes concedidos a servidores públicos. RE 561836/RN, rel. Min. Luiz
Fux, 25 e 26.9.2013.

A CF veda a equiparação e a vinculação da remuneração do servidor (art. 37, XIII,


CF) – vinculação à remuneração de outro cargo ou vinculação ao salário mínimo. A
remuneração é fixada por lei.
Descontos: falta sem motivo justificado (é possível a compensação de faltas);
atrasos (proporcional ao atraso), consignação em folha de pagamento (a critério da
administração e com autorização do servidor), débito ao erário (débito do servidor pode ser
até cinco vezes o valor da remuneração – prazo de 60 dias para o pagamento se for
demitido ou exonerado. Se não for pago nesse prazo será inscrito na dívida ativa).

CICLOS R3 – G8 – MATERIAL JURÍDICO


77
A remuneração do servidor não pode ser objeto de penhora, arresto e sequestro,
salvo se for débito alimentar.
Obs. Pagamento com atraso = dívidas de valor – correção monetária e juros de
mora. Sobre os juros não incide I.R. (natureza indenizatória).
Obs. Pagamento a maior = é descabido o desconto, quando constatada a boa fé do
servidor.

*GREVE: A administração pública deve proceder ao desconto dos dias de paralisação


decorrentes do exercício do direito de greve pelos servidores públicos, em virtude da
suspensão do vínculo funcional que dela decorre. É permitida a compensação em caso de
acordo. O desconto será, contudo, incabível se ficar demonstrado que a greve foi
provocada por conduta ilícita do Poder Público. (STF, Info 845).

*Não se mostra razoável a possibilidade de desconto em parcela única sobre a


remuneração do servidor público dos dias parados e não compensados provenientes do
exercício do direito de greve. STJ. 2ª Turma. RMS 49.339-SP, Rel. Min. Francisco Falcão,
julgado em 6/10/2016 (Info 592)

*#OUSESABER: A greve é um direito entabulado constitucionalmente, no artigo 37, inciso


VII, da CF/88. Trata o citado artigo de norma constitucional de eficácia limitada, pois
inexiste para o agente público lei regulamentando o procedimento para a instauração de
greve. Diante da omissão legislativa, o STF pacificou o entendimento, por meio dos MIs n.
708, 670, aplicando analogicamente a Lei nº 7783/1989 ao caso, visando a efetivar este
direito. De acordo com o novel entendimento do Supremo à luz do REXT 693456/RJ, o
desconto em folha de pagamento dos servidores públicos passa a ser consectário lógico
da suspensão do vínculo funcional decorrente da instauração dos movimentos grevistas.
Não se deve admitir que, na reivindicação de direitos, o movimento paredista prejudique as
atividades de outros setores e extirpe os cidadãos dos direitos fundamentais que
circundam o exercício pleno de suas atividades. Assim, a possibilidade do desconto
passa a ser regra geral , sendo despicienda a prévia decretação de ilegalidade da
greve para tal fim, somente sendo vedado quando a paralisação dos serviços for
decorrente de conduta ilícita imputável ao Poder Público, como o atraso de
salários. Em que pese a prevalência que deve ser conferida às soluções consensuais dos

CICLOS R3 – G8 – MATERIAL JURÍDICO


78
conflitos em torno do direito de greve, NÃO há norma cogente à luz da legalidade estrita
(art.37/CF/88) que vincule o Poder Público em condicionar eventual desconto dos dias não
trabalhados por servidores grevistas à frustração prévia de medidas compensatórias
ofertadas, conforme entendimento do Supremo Tribunal Federal. (RE 693456/RJ, rel. Min.
Dias Toffoli, 27/10/2016) Neste sentido, entende-se que a compensação dos dias não
trabalhados como meio mais brando que o desconto salarial está no âmbito da
discricionariedade administrativa, sendo portanto terreno insindicável ao Poder
Judiciário. Por fim, é imperioso salientar que não se mostra razoável a possibilidade
de desconto em parcela única sobre a remuneração dos dias parados e não
compensados provenientes do direito de greve, sendo legítimo o parcelamento nas
folhas de pagamento vindouras, conforme entendimento recente do STJ. (RMS
43.339-SP).

2. Vantagens

 Vantagens: podem ser indenizações (não se incorpora à remuneração do


servidor) ou gratificações e adicionais.
O valor de cada verba indenizatória será fixado em regulamento.

CICLOS R3 – G8 – MATERIAL JURÍDICO


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*Concursos federais: Independentemente da categoria profissional, todos os servidores da


União, civis e militares, e os empregados de entidades paraestatais de natureza autárquica
que operam, de forma habitual, diretamente com raios X e substâncias radioativas,
próximo às fontes de irradiação, têm o direito à redução da duração máxima da jornada de
trabalho de 40 para 24 horas semanais prevista no art. 1º da Lei nº 1.234/50. STJ. 2ª
Turma. AgInt no REsp 1.569.119-SP, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 7/4/2016
(Info 581).

2.1. Indenizações

Na verdade, não são vantagens. Não integram a remuneração. Não incide I.R. nem
contribuição social.
a) Ajuda de custo é a indenização paga ao servidor quando é deslocado no
interesse da Administração Pública. É paga durante o período de 03 meses. Restituir se
não se deslocar em 30 dias.

#INF. 569 - STJ


A fixação de limitação temporal para o recebimento da indenização prevista no art.
51, I, da Lei 8.112/1990, por meio de normas infralegais, não ofende o princípio da
legalidade. STJ. 1ª Seção. REsp 1.257.665-CE, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em
8/10/2014 (recurso repetitivo) (Info 569).
- O art. 52 da Lei nº 8.112/90 determina de forma expressa que os critérios para a
concessão da ajuda de custo sejam regulamentados por norma infralegal. Confira: Art. 51.
Constituem indenizações ao servidor: I - ajuda de custo; (...) Art. 52. Os valores das
indenizações, assim como as condições para a sua concessão, serão estabelecidos em
regulamento.

b) Diária: se o deslocamento é eventual ou temporário, o servidor tem direito à


diária (compensar o afastamento da sede de forma transitória). A diária depende de
regulamento, de regra da carreira.
c) Transporte: é uma verba indenizatória por estar o servidor executando o
serviço com o carro pessoal. Destina-se a compensar as despesas com a utilização de
veículo próprio para prestação do serviço. Ex. Oficial de Justiça.

CICLOS R3 – G8 – MATERIAL JURÍDICO


80
d) Auxílio-moradia: serve para compensar despesas com aluguel ou hotel. Nem
todas as carreiras têm direito ao auxílio-moradia. É pago no prazo de um mês da
comprovação da despesa. Art. 60-B, Lei nº 8.112/90. Limitado a 25% da remuneração do
servidor. Se tiver apartamento funcional, o servidor tem que fazer uso dele.

#OUSESABER: O auxílio alimentação se estende aos servidores inativos? NÃO!!!! A


resposta da controvérsia em comento - que já era objeto da súmula 680 do STF - foi
recentemente cristalizada na súmula vinculante n. 55 segunda a qual "o direito ao
auxílio alimentação não se estende aos servidores inativos". Isso se dá em razão do
auxílio ter natureza de verba indenizatoria "propter officium", posto que se destina a cobrir
os custos de alimentação que o servidor deve arcar durante a jornada de trabalho . Assim,
não há razão jurídica para fundamentar a sua extensão para os inativos. A mesma lógica
já foi usada pelo STF para afastar pleito de procuradores de justiça aposentados que
desejavam seguir recebendo auxílio moradia na inatividade, muito embora a SV se limite
ao auxílio refeição.

Súmula vinculante 55: O direito ao auxílio-alimentação não se estende aos


servidores inativos.
STF. Plenário. Aprovada em 17/03/2016, DJe 28/03/2016.
Obs.: trata-se da conversão em súmula vinculante da antiga súmula "comum" 680 do STF.

#INFO. 839/STF – 2016


Servidor que recebeu auxílio-moradia apresentando declaração falsa de que havia se
mudado para outra cidade terá que ressarcir o erário e devolver os valores recebidos
mesmo que já se tenha passado mais de 5 anos desde a data em que o pagamento foi
autorizado. STF. 1ª Turma. MS 32.569/DF, rel. orig. Min. Marco Aurélio, rel. p/ o ac. Min.
Edson Fachin, julgado em 13/09/2016 (Info 839).
Vejamos os comentários do Dizer o Direito:
Quais os argumentos invocados pelo STF para a decisão? Os Ministros ficaram
divididos. A 1ª Turma do STF é composta por 5 Ministros, que votaram assim:  Ministros
Marco Aurélio e Luiz Fux: votaram pela concessão do mandado de segurança com base no
princípio da segurança jurídica e por não vislumbrarem a ocorrência de má-fé da servidora.
 Ministro Edson Fachin: votou pela denegação do mandado de segurança. Defendeu que

CICLOS R3 – G8 – MATERIAL JURÍDICO


81
deveria ser aplicado o art. 37, § 5º da CF/88, que, em sua visão, prevê a imprescritibilidade
das ações de ressarcimento propostas pelo Estado contra o agente que tenham causado
prejuízos ao erário. Além disso, afirmou que analisar se a servidora estava ou não de boa-
fé é algo que significa reexame de fatos e provas e, portanto, não pode ser tratado em
mandado de segurança, sendo necessária a propositura de uma ação ordinária.  Ministros
Roberto Barroso e Rosa Weber: votaram pela denegação do mandado de segurança.
Sustentaram, no entanto, uma tese diferente do Min. Fachin. Para os Ministros Barroso e
Weber, no caso concreto ficou caracterizada a evidente má-fé da servidora, considerando
que ela já residia em Brasília (DF) há muitos anos e simulou que havia se mudado do Rio
de Janeiro para lá com o objetivo de receber o benefício. Assim, como ficou provada a má-
fé, não se aplica o prazo de 5 anos do art. 54, caput, da Lei nº 9.784/99 por causa da parte
final do dispositivo: Art. 54. O direito da Administração de anular os atos administrativos de
que decorram efeitos favoráveis para os destinatários decai em cinco anos, contados da
data em que foram praticados, salvo comprovada má-fé.
Não confundir com o que foi decidido no RE 669069/MG: No RE 669069/MG, um
julgado que foi bastante comentado, o STF decidiu que é "é prescritível a ação de
reparação de danos à Fazenda Pública decorrente de ilícito civil." (STF. Plenário. RE
669069/MG, Rel. Min. Teori Zavascki, julgado em 3/2/2016. Info 813). Dito de outro modo,
se o Poder Público sofreu um dano ao erário decorrente de um ilícito civil e deseja ser
ressarcido, ele deverá ajuizar a ação no prazo prescricional previsto em lei. Vale ressaltar,
entretanto, que essa tese não alcança prejuízos que decorram de atos de improbidade
administrativa que, até o momento, continuam sendo considerados imprescritíveis (art. 37,
§ 5º). Desse modo, o caso decidido no RE 669069/MG, por envolver "ilícitos civis" não se
aplica à situação acima explicada, que tratava de uma conduta administrativa da servidora
que, em tese, poderia até mesmo configurar improbidade administrativa.

2.2. Gratificações e adicionais

As gratificações e adicionais incorporam-se ao vencimento do servidor, nos casos e


condições indicados em lei.
a) Gratificação por função de direção, chefia e assessoramento: a função de
confiança depende de lei específica e define o seu valor.

CICLOS R3 – G8 – MATERIAL JURÍDICO


82
b) Gratificação natalina: 1/12 da remuneração mensal do servidor por cada mês
trabalhado. O pagamento deve ser feito até o dia 20 de dezembro de cada ano. É possível
receber o 13º salárioparcelado.
c) Adicional por atividade insalubre, perigosa e penosa: o trabalho deve ser
habitual nessas condições especiais. É preciso de lei específica para regulamentar a
situação.
d) Adicional por serviço extraordinário (hora extra): é remunerada com
acréscimo de 50%. O horário extraordinário não pode ser realizado todos os dias, tem que
ser feito fora do normal. A hora extra é limitada por duas horas a cada jornada.
e) Adicional noturno: é o horário entre as 22h às 05h. É paga com acréscimo de
25% da hora normal. A hora trabalhada corresponde a 52,30 da hora normal.
f) Adicional de férias: corresponde a 1/3 da remuneração do período das férias.
g) Gratificação por encargo de curso ou concurso: pago ao servidor que ministra
curso (instrutor), compõe a banca examinadora de concurso ou é fiscal do concurso.

HORA EXTRA. GRATIFICAÇÃO NATALINA. SERVIDORES PÚBLICOS FEDERAIS.


O adicional pela prestação de serviço extraordinário (hora extra) não integra a base
de cálculo da gratificação natalina dos servidores públicos federais, pois não se enquadra
no conceito de remuneração do caput do art. 41 da Lei n. 8.112/1990. , Rel. Min. Luiz Fux,
julgado em 28/9/2010.
Não há garantia à continuidade de recebimento de adicional por tempo de serviço
em percentual superior àquele previsto em legislação posterior sob o fundamento de direito
adquirido. STF. Plenário. MS 22423/RS, rel. orig. Min. Eros Grau, red. p/ o acórdão Min.
Gilmar Mendes, julgado em 26/11/2015 (Info 809).

3. Férias

30 dias de férias, podendo ser acumulada por no máximo dois períodos, salvo casos
previstos em lei específica. Se o trabalho é realizado com Raio-X ou substâncias
radioativas é concedido 20 dias consecutivos de férias a cada seis meses, sendo vedada a
acumulação.
O período aquisitivo é de 12 meses e o pagamento das férias deve ser feito com 2
dias de antecedência do início do período de férias. O pagamento das férias também pode
ser feito de forma parcelada, em até três parcelas, a pedido do servidor e no interesse da
Administração Pública.

CICLOS R3 – G8 – MATERIAL JURÍDICO


83
Em caso de exoneração, o servidor tem direito à indenização do período de férias,
recebendo proporcionalmente ao tempo trabalhado (1/12 para cada mês de exercício).
A interrupção das férias do servidor pode ocorrer por calamidade pública, por
comoção interna, para trabalhar no Júri, em caso de serviço militar, justiça eleitoral ou
necessidade do serviço declarada pelo chefe.

INFO. 566, STJ - 2015


Maria, servidora pública, estava grávida. A criança nasceu em março/2015. A partir
daí, ela começou a usufruir a licença-maternidade (que é de 180 dias). Em setembro/2015,
a servidora retornou ao trabalho. Quando voltou a trabalhar, Maria foi até o departamento
de recursos humanos do órgão e explicou o seguinte para a diretora do setor: "minhas
férias estavam marcadas para julho/2015. Ocorre que neste período eu estava de licença-
maternidade. Logo, minhas férias foram interrompidas e eu quero agora remarcar esse
período de férias referente a julho/2015 para dezembro/2015." O pedido de Maria poderá
ser aceito? NÃO. A Lei nº 8.112/90 não assegura à servidora pública o direito de usufruir,
em momento posterior, os dias de férias já gozados em período coincidente com o da
licença à gestante. Ao contrário do que afirma Maria, houve sim o gozo das férias, ainda
que ao mesmo tempo em que ela fazia jus à licença-maternidade, visto que a referida
licença não é causa interruptiva das férias. STJ. 2ª Turma. AgRg no RMS 39.563-PE, Rel.
Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 6/8/2015 (Info 566).

4. Licenças

i. Licença por doença em pessoa da família: doença de cônjuge, companheiro,


pais e filhos, madrasta, padrasto, enteado ou dependente (registrado no assento
funcional). A cada período de 12 meses, tem direito à licença de 60 dias, consecutivos ou
não, mantida a remuneração do servidor; e até 90 dias, consecutivos ou não, sem
remuneração. O início do período de 12 meses é computado a partir da data de concessão
da primeira licença.
ii. Licença por afastamento do cônjuge ou companheiro deslocado por interesse
da Administração Pública: o cônjuge ou companheiro foi deslocado para outro ponto do
território nacional ou do exterior ou para exercício de mandato eletivo. Sem remuneração.
É possível exercício de cargo provisório.

CICLOS R3 – G8 – MATERIAL JURÍDICO


84
iii. Licença para serviço militar: depende lei específica e, após a conclusão do
serviço militar, o servidor tem até 30 dias para descanso, mas sem remuneração.
iv. Licença para atividade política: é concedida da escolha na convenção
partidária até a véspera do registro da candidatura, sem remuneração. Após o registro da
candidatura até 10 dias depois da eleição, a licença é concedida pela Justiça Eleitoral, com
remuneração.
v. Capacitação: a cada 5 anos, o servidor poderá gozar de licença de até 3
meses para participar de curso de capacitação profissional, recebendo a sua remuneração.
vi. Licença para tratar de interesses particulares: é concedida por até 3 anos,
sem remuneração. Não pode ser concedida durante o estágio probatório. O vínculo
subsiste.
vii. Licença para mandato classista: é concedida para o exercício de mandato em
órgão de representação de classe (confederação, federação, associação de classe de
âmbito nacional, sindicato, entidade de fiscalização profissional ou gerência de sociedade
cooperativa constituída por servidores). A licença tem o prazo de duração do mandato,
sem remuneração. A reeleição só é admitida uma única vez.

5. Afastamentos

a) Servir em outro órgão ou entidade: para cargo em comissão, função de


confiança ou em hipóteses previstas em lei específica. O ônus da remuneração é do
cessionário, mantendo o ônus do cedente quando as demais questões. Se o servidor for
para empresa pública ou sociedade de economia mista, quem vai pagar é o órgão cedente,
mas garante-se o reembolso por parte do cessionário.
b) Para mandato eletivo: se afasta e depois retorna ao cargo de origem.
c) Participação em curso de pós-graduação (stricto sensu): depende do tipo de
programa exercido (afastamento por 03 anos para o mestrado, desde que conte com três
anos de exercício no cargo; afastamento de 04 anos para o doutorado ou pós-doutorado,
desde que conte com quatro anos de exercício no cargo).
d) Para estudo ou missão no exterior: concedido por até 04 anos, devendo voltar
ao serviço por tempo igual ao que ficou afastado.

 Concessões
a) Um dia de folga em caso de doação de sangue.
b) Dois dias de folga para o alistamento eleitoral.
c) Oito dias em caso de casamento ou de falecimento de cônjuge, companheiro,
pais, madrasta, padrasto, filhos, enteados, menor sob sua guarda, irmãos.

CICLOS R3 – G8 – MATERIAL JURÍDICO


85
d) Direito a horário especial, previsto para o servidor estudante, com regime de
compensação de horas.
e) Direito a horário especial, previsto para o servidor portador de deficiência, não
sendo necessário o regime de compensação de horas.
f) Direito a horário especial quando o servidor tem cônjuge, filho ou dependente
deficiente, com regime de compensação de horas.
g) Direito a horário especial para servidor que participa de curso ou concurso
(instrutor, participante de banca examinadora ou fiscal).
h) O servidor tem direito à matrícula em instituição congênere, independente de
vaga, quando é deslocado por interesse da Administração Pública. Essa concessão se
estende ao cônjuge, aos filhos e enteados e ao menor sob sua guarda.

SERVIDORES FEDERAIS COM DIREITO A HORÁRIO ESPECIAL

O servidor terá que


Situação fazer
compensação?

SIM
Será exigida
1) Servidor que for ESTUDANTE
compensação de
(deverá ser comprovada a incompatibilidade
horário, respeitada
entre o horário escolar e o da repartição)
a duração semanal.

2) Servidor com DEFICIÊNCIA


NÃO precisa
(deverá ser comprovada a necessidade por junta
compensar.
médica oficial)

NÃO
3) Servidor que tiver CÔNJUGE, FILHO
(novidade da
ou DEPENDENTE com DEFICIÊNCIA.
Lei 13.370/2016)
SIM
4) Servidor que atuar como INSTRUTOR em curso de Será exigida
formação, de desenvolvimento ou de treinamento compensação de
regularmente instituído no âmbito da administração horário a ser
pública federal. efetivada no prazo
de até 1 ano
SIM
5) Servidor que participar de BANCA EXAMINADORA Será exigida
ou de comissão para exames orais, para análise compensação de
curricular, para correção de provas discursivas, para horário a ser
elaboração de questões de provas ou para julgamento efetivada no prazo
de recursos intentados por candidatos. de até 1 ano
CICLOS R3 – G8 – MATERIAL JURÍDICO
86

*#NOVIDADELEGISLATIVA: A Lei nº 13.370/2016 alterou o § 3º do art. 98 da Lei nº


8.112/90. A alteração imposta foi a seguinte:

Antes da Lei 13.370/2016 *ATUALMENTE

O servidor que tivesse CÔNJUGE, Com a mudança, o servidor que tenha


FILHO ou DEPENDENTE com CÔNJUGE, FILHO ou DEPENDENTE
DEFICIÊNCIA já possuía direito a com DEFICIÊNCIA possui direito a
horário especial, mas precisava fazer horário especial, sem necessidade
compensação de horário. de fazer compensação.

*As regras acima alteradas pela Lei 13.370/16 aplicam-se aos servidores públicos
estaduais e municipais? Depende. Os servidores públicos estaduais ou municipais
só terão direito a horário especial nas condições acima expostas se isso for previsto
na respectiva lei estadual ou municipal. Exemplo: a Lei Complementar 053/2001, do
Estado de Roraima, concede aos servidores públicos estaduais regras de horário especial
semelhantes às que estão previstas na legislação federal. Vale ressaltar que, se não
houver previsão na respectiva lei, entendo que o servidor público estadual ou
municipal não terá direito a horário especial, não sendo possível invocar, por
analogia, a Lei nº 8.112/90, sob pena de violação à autonomia administrativa dos entes.

 Tempo de Serviço
A apuração é feita em dias, convertida em anos, sendo considerado um ano o
período de 365 dias. Existem duas regras diferentes: a) período computado para todos os
efeitos (exemplo: exercício de uma vantagem); b) período computado apenas para fins de
aposentadoria (exemplo: algumas licenças; trabalho exercido na iniciativa privada; tiro de
guerra). Art. 102 e 103, Lei nº 8.112/90.
É vedada a contagem cumulativa de serviço prestado no exercício de cargos
distintos.

 Direito de petição
É o direito de pedir e obter uma resposta. O prazo prescricional tem como termo
inicial a ciência do ato ou publicação da decisão e é de 05 anos no caso de demissão,
cassação ou que afetem direitos patrimoniais e créditos da relação de trabalho. Para os
demais casos, o prazo é de 120 dias.
CICLOS R3 – G8 – MATERIAL JURÍDICO
87
Obs. se a ADM reconhece o débito após o prazo prescricional, considera-se como
ato de renúncia. Em consequência, o prazo prescricional conta do ato do reconhecimento–
STJ/2012.

ALGUNS ACÓRDÃOS:

1. OMISSÃO DE LEI PREVENDO REVISÃO GERAL ANUAL. NÃO CABIMENTO


DE INDENIZAÇÃO

CONSTITUCIONAL. ADMINISTRATIVO. TUTELA ANTECIPADA EM AÇÃO


RESCISÓRIA. SERVIDOR PÚBLICO CIVIL. REVISÃO GERAL ANUAL DA
REMUNERAÇÃO. ART. 37, X, DA CF/88. PROJETO DE LEI DE INICIATIVA PRIVATIVA
DO PRESIDENTE DA REPÚBLICA. OMISSÃO LEGISLATIVA. DANO MATERIAL.
INCABIMENTO. PRESENTES OS REQUISITOS AUTORIZADORES DA TUTELA.

1 - A recomposição das perdas inflacionárias na remuneração dos servidores


públicos federais depende de iniciativa de projeto de lei do Presidente da República (art.
37, X, da CF/88).

2 - O Supremo Tribunal Federal, em recentes decisões, tem acolhido


Reclamações no sentido de que, não cabendo ao Judiciário cominar prazo para o
exercício da iniciativa privativa do Chefe do Poder Executivo Federal para lei de reajuste
anual da remuneração dos servidores públicos da União, não pode também condenar este
ente federativo ao pagamento de indenização por danos morais ou patrimoniais
decorrentes da mora.

3 - Precedentes do Pleno desta Corte favoráveis à rescisão, por ofensa a literal


disposição de lei: AR 6028/CE, Rel. Des. Fed. Rogério Fialho Moreira, AR 5714/AL, Rel.
Des. Federal Manoel de Oliveira Erhardt, AR 5504/RN, Rel. Des. Fed. Luiz Alberto Gurgel
de Faria.

Tribunal Regional Federal - 5ª Região, Data do Julgamento: 09/11/2011, Órgão


Julgador: Pleno Relator: Desembargador Federal Élio Wanderley de Siqueira Filho
(Convocado)

CICLOS R3 – G8 – MATERIAL JURÍDICO


88
2. GRATIFICAÇÃO DE DESEMPENHO. CRITÉRIOS PARA EXTENSÃO A
INATIVOS COM DIREITO À PARIDADE. ADMINISTRATIVO, CONSTITUCIONAL E
PROCESSUAL CIVIL. PRELIMINARES REJEITADAS. SERVIDOR PÚBLICO
APOSENTADO. GDAFTA. PRESCRIÇÃO. SÚMULA Nº 85 DO STJ. PARIDADE ENTRE
ATIVOS E INATIVOS. POSSIBILIDADE ENQUANTO A VANTAGEM NÃO TIVER
NATUREZA PROPTER LABOREM.

1. A pretensão exposta na inicial não é pela concessão de aumento de vencimento


não previsto em lei, mas pela extensão aos servidores inativos da mesma pontuação da
GDATFA conferida aos servidores em atividade, em respeito ao princípio constitucional da
isonomia. Embora a parte autora já receba a gratificação objeto da demanda, pleiteia o
pagamento em montante superior, bem como as diferenças financeiras pelo irregular
pagamento. Preliminares de impossibilidade jurídica do pedido e de ausência de interesse
processual rejeitadas.

2. Tratando-se o caso dos autos de uma típica relação jurídica de trato sucessivo,
estão prescritas tão somente as parcelas anteriores ao quinquênio antecedente ao
ajuizamento da ação, nos termos da Súmula nº 85 do STJ.

3. Em respeito ao disposto no art. 40, parágrafo 8º, da Constituição Federal, no


período em que a GDATFA ainda não tinha caráter propter laborem, ante a inexistência de
norma regulamentadora dos critérios de avaliação dos servidores - entre a edição da Lei
nº 10.484/2002 e do Decreto nº 5.008/2004, os aposentados e pensionistas fazem jus à
GDATFA nas mesmas condições pagas aos servidores em atividade.

4. Só após a edição do Decreto nº 5.008/2004, quando a GDATFA perdeu o seu


caráter de generalidade e impessoalidade, recuperando a natureza propter laborem, é que
deveria a gratificação ser paga aos aposentados e pensionistas com base no regramento
previsto no art. 5º da Lei nº 10.484/2002.

5. Em 2005, com a edição da Medida Provisória nº 216/2004, posteriormente


convertida na Lei nº 11.090/2005, restou estabelecido que, após a conclusão dos efeitos
financeiros do primeiro ciclo de avaliação - realizado em função do Decreto nº 5.008/2004
-, a GDATFA perderia novamente seu caráter propter laborem, pois deixava de ser paga

CICLOS R3 – G8 – MATERIAL JURÍDICO


89
em função de efetiva avaliação de desempenho e passaria a ser paga aos servidores da
ativa no valor correspondente a 80 pontos.

6. Apenas em março de 2010, por força do Decreto nº 7.133/2010, a


Administração finalmente regulamentou de forma sistemática e contínua os critérios de
avaliação de desempenho institucional e individual. Somente após os resultados destas
avaliações é que poderão ser atribuídos critérios diferenciados para pagamento da
GDATFA aos servidores ativos e inativos, sem que se configure ofensa à regra da
paridade.

7. Na hipótese dos autos, considerando que as parcelas anteriores a 17/11/2005


estão fulminadas pela prescrição, deve ser reconhecido o direito do autor, servidor público
aposentado, a partir desta data, a receber a GDATFA no valor correspondente a 80
pontos, e, após o processamento das primeiras avaliações determinadas pelo Decreto nº
7.133/2010, nos termos da atual redação do art. 5º da Lei nº 10.484/2002, descontadas as
parcelas já percebidas.

8. No tocante ao pagamento das diferenças das parcelas atrasadas, deve incidir


correção monetária conforme o Manual de Orientação de Procedimentos para os Cálculos
na Justiça Federal, desde quando as parcelas se tornaram devidas. A partir do dia
30/06/2009, os juros e a correção monetária devem ser computados de acordo com o art.
1º-F da Lei nº 9.494/1997, com a redação dada pela Lei nº 11.960/2009, observando-se
que os juros de mora são devidos apenas a partir da citação.

Tribunal Regional Federal - 5ª Região, data do Julgamento: 12/01/2012 Órgão


Julgador: Primeira Turma Relator: Desembargador Federal Frederico Pinto de Azevedo
(Convocado).

PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. PROVENTOS DE


APOSENTADORIA. SERVIDOR QUE PRESTOU SERVIÇOS NO EXTINTO DNER. DNIT.
SUCESSOR DO DNER. VINCULAÇÃO DO INATIVO AO MINISTÉRIO DOS
TRANSPORTES. PLANO DE CARGOS E SALÁRIOS DO DNIT. APLICAÇÃO.
PRECEDENTES. JULGAMENTO PELO STJ EM RECURSO REPETITIVO. JUÍZO DE

CICLOS R3 – G8 – MATERIAL JURÍDICO


90
ADEQUAÇÃO (ART. 543-C, PARÁGRAFO 7º, II, DO CPC). PRECEDENTE DO DISTINTO
STF. AUSÊNCIA DE VÍCIOS. REDISCUSSÃO. DESCABIMENTO.

1. Os embargos de declaração não são meio próprio ao reexame da causa,


devendo limitar-se ao esclarecimento de obscuridade, contradição ou omissão, in casu,
inexistentes no acórdão embargado.

2. Matéria do recurso foi devidamente analisada, com motivação clara e nítida.


Questões enfrentadas conforme as legislação e jurisprudência.

3. Deveras apreciado que:

- "o colendo STJ, ao julgar o REsp nº 1244632/CE, Rel. Min. Castro Meira, DJe
13/09/2011, submetido ao regime do art. 543-C do CPC, decidiu que:

- 'o servidor aposentado do extinto DNER, ainda que passe a integrar o quadro de
inativos do Ministério dos Transportes, deve ter como parâmetro de seus proventos a
retribuição dos servidores ativos do DNER absorvidos pelo DNIT, pois esta autarquia é
que é a sucessora do DNER, não havendo razão jurídica para justificar qualquer
disparidade. Precedentes;

- não é dado ao Poder Público criar subterfúgio para deixar de cumprir regramento
expresso existente no Regime Jurídico Único dos Servidores Públicos Civis da União (arts.
189 e 224) que impõe a paridade de vencimentos e proventos entre os servidores ativos e
inativos e pensionistas;

- assim, o fato de ter a lei transferido ao Ministério dos Transportes a


responsabilidade pelo pagamento dos inativos do extinto DNER não pode tornar sem
efeito a norma que determina a paridade entre ativos e inativos oriundos do mesmo
quadro de pessoal, ainda que atualmente estejam vinculados a entidades distintas por
força de legislação superveniente.'

- precedente do Pretório Excelso no RE nº 549931/PE na mesma esteira."

CICLOS R3 – G8 – MATERIAL JURÍDICO


91
4. Desnecessário o exame dos arts. 113 e 117 da Lei nº 10.233/01, 1º e 3º da Lei
nº 11.171/05 e 61, parágrafo 1º, II, "a", da CF/88, pois a decisão impugnada basilou-se em
matéria pacificada nos colendos STF e STJ.

5. Embargos de declaração não-providos.

(PROCESSO: 20068100002570501, EDAC392902/01/CE, RELATOR:


DESEMBARGADOR FEDERAL MARCELO NAVARRO, Terceira Turma, JULGAMENTO:
10/10/2013, PUBLICAÇÃO: DJE 16/10/2013 - Página 215)

STF – Informativo 721


REPERCUSSÃO GERAL
Gratificação de desempenho a ativos e inativos
Os servidores inativos e pensionistas do Departamento Nacional de Obras Contra
as Secas - DNOCS têm direito à Gratificação de Desempenho do Plano Geral de Cargos
do Poder Executivo - GDPGPE, prevista na Lei 11.357/2006, em percentual igual ao dos
servidores ativos, até a implantação do primeiro ciclo de avaliação de desempenho. Com
base nessa orientação, o Plenário, por maioria, negou provimento a recurso extraordinário
em que discutida, à luz dos artigos 2º; 40, § 8º; 61, § 1º, II, a; e 169, parágrafo único, da
CF, a constitucionalidade de se fixar pagamento de gratificação de desempenho nos
mesmos patamares a ativos e inativos. Na espécie, o acórdão recorrido estabelecera que,
enquanto não adotadas as medidas para a avaliação de desempenho dos servidores em
atividade, a gratificação revestir-se-ia de caráter genérico. O Tribunal destacou que,
embora a mencionada gratificação tivesse sido prevista com base no trabalho
individualmente desenvolvido pelo servidor, norma de transição teria disposto que,
independentemente da avaliação e até que esta ocorresse, seriam atribuídos aos
servidores, indistintamente, oitenta pontos, de um máximo de cem. Referida pontuação
também seria concedida aos pensionistas, aos que tivessem se aposentado de acordo
com a regra de transição e àqueles que preenchessem os requisitos para a aposentadoria
quando da publicação da EC 41/2003.
Aduziu-se que o acórdão recorrido não conflitaria com a Constituição porque, no
período a anteceder a avaliação dos servidores, a gratificação revestiu-se de natureza
linear, a ser observada de forma abrangente para ativos e inativos. Asseverou-se que,
inexistente a avaliação de desempenho, a Administração não poderia conceder vantagem

CICLOS R3 – G8 – MATERIAL JURÍDICO


92
diferenciada entre servidores ativos e inativos porque não configurado o caráter pro
laborefaciendo da GDPGPE.Pontuou-se que, adotadas as medidas para as referidas
avaliações, seria possível tratar diferentemente ativos e inativos dentro dos critérios legais.
Fixou-se, como termo final do direito aos oitenta por cento pelos inativos e pensionistas, a
data em que implementado o primeiro ciclo avaliativo.

RE 631389/CE, rel. Min. Marco Aurélio, 25.9.2013. (RE-631389)

3. REMOÇÃO E UNIDADE FAMILIAR. INTERPRETAÇÃO RESTRITA DA


LEGISLAÇÃO FEDERAL DE SERVIDORES.

ADMINISTRATIVO. SERVIDOR PÚBLICO FEDERAL. REMOÇÃO PARA


LOCALIDADE ONDE RESIDE O GRUPO FAMILIAR. NÃO PREENCHIMENTO DOS
REQUISITOS LEGAIS. IMPOSSIBILIDADE.

1. Apelado, escrivão da Polícia Federal, nomeado para exercer suas funções junto
à Superintendência Regional do Amapá, tendo tomado posse em 04 de junho de 1997.
Esposa, também servidora pública, lotada no Hospital da Universidade Federal do Ceará -
UFC- desde 19 de janeiro de 1995, que não logrou ser liberada para acompanhá-lo, sob a
justificativa de carência de pessoal. O servidor então requereu, administrativamente, a sua
remoção para a Superintendência da Polícia Federal em Fortaleza/CE, o que foi negado.
Impetrou, assim, Mandado de Segurança, que tramitou na 8ª Vara da Seção Judiciária do
Distrito Federal, tendo sido concedida a liminar (em 1998), a qual culminou na sua
remoção para a capital Cearense.Em 2007, a liminar foi cassada, tendo sido determinado
o seu retorno imediato ao órgão de origem, o que ocorreu em 29 de agosto de 2007.

2. O servidor, mais uma vez, buscou administrativamente obter sua remoção


definitiva para a cidade de Fortaleza/CE, sob a alegação de necessidade de manter a
unidade do núcleo familiar, eis que durante os 10 (dez) anos que permeou a concessão da
liminar e a sua cassação, nasceram suas três filhas, crianças em idade escolar.

CICLOS R3 – G8 – MATERIAL JURÍDICO


93
3. Pedido novamente indeferido pela Administração, o que motivou o casal a
intentar a presente ação, com base na manutenção da integridade do núcleo familiar, nos
termos do art. 226 da Carta Magna e interpretação extensiva do art. 36, III, 'a', da Lei nº
8.112/90.

4. Inexistência de violação à coisa julgada, eis que a presente ação tem causa de
pedir diversa.

5. A remoção do servidor público federal, a pedido, independentemente do


interesse da Administração Pública, só é possível nas hipóteses elencadas nas alíneas "a"
a "c", do art. 36, da Lei nº 8.112/90.

6. Situação do Autor/Apelado que não se subsume as hipóteses legais de


remoção. Cuida-se de investidura primária de candidato aprovado em concurso público,
ato caracterizado pela voluntariedade do cidadão e não pelo interesse da Administração.
Cônjuge que também não foi deslocada no interesse da Administração, sendo sua lotação
em Fortaleza-CE decorrente também de primeira investidura em cargo público.

7. Em que pese não se desconhecer a devida importância e a proteção


constitucional dispensada às entidades familiares, inclusive pelo 'caput' do art. 226, da
CF/88, faz-se necessário consignar que tais garantias não detêm caráter absoluto, de
modo a se sobrepor às normas objetivas que regem o regime jurídico dos servidores
público federais.

ACÓRDÃO - AC464383/CE (08/05/2012) Origem: Tribunal Regional Federal - 5ª


RegiãoData do Julgamento: 26/04/2012 Relator: Desembargador Federal Frederico
Dantas (Convocado

4. RECONHECIMENTO DO DIREITO AO TEMPO DE SERVIÇO EM CONDIÇÕES


ESPECIAIS

ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL. PRELIMINARES: DECADÊNCIA E


SENTENÇA EXTRA PETITA. MANDADO DE INJUNÇÃO. SERVIDOR PÚBLICO.

CICLOS R3 – G8 – MATERIAL JURÍDICO


94
MOTORISTA. RECONHECIMENTO DE TEMPO DE SERVIÇO EM CONDIÇÕES
ESPECIAIS. PERÍODO COMO ESTATUTÁRIO. LEI COMPLEMENTAR. POSSIBILIDADE.

1. Cuida-se de remessa obrigatória e de apelação cível interposta pela UFPB


contra a sentença que, rejeitando a preliminar de decadência, concedeu a segurança para
determinar que a autoridade administrativa competente proceda à análise da situação
fática do impetrante, à luz dos arts. 57 e 58 da Lei 8.213/91, e do respectivo regulamento,
para fins de aferimento do exercício laboral sob condições especiais, com a conseqüente
averbação do tempo adicional conforme o resultado da apuração administrativa (fl. 81/82).

(...)

5. (...) "As questões discutidas neste mandado de segurança giram em torno da


possibilidade de os efeitos do julgado no Mandado de Injunção nº 1.554/DF, ajuizado por
Sindicato, serem ampliados para pessoas que integram a categoria beneficiada, mesmo
que não sejam filiadas ou associadas da entidade autora daquela ação constitucional."

6. (...)"O impetrante, embora não seja sindicalizado, pertence à categoria dos


trabalhadores das Universidades brasileiras (fls. 13 e seguintes), o que, por si só, já lhe
garante o direito de ser beneficiado pela decisão favorável proferida no Mandado de
Injunção nº 1.554/DF, em que se reconheceu a mora legislativa em dar concretude ao art.
40, parágrafo 4º da Constituição Federal, determinando-se às autoridades administrativas
competentes que procedam à análise da situação fática dos substituídos, para fins de
aposentadoria especial, à luz do art. 57 da lei 8.213/1991."

7. (...) "Ou seja, é descabida a exigência da UFPB, contida no Parecer DLCP nº


547/2012, exarado com base na Orientação Normativa nº 10/2010, no sentido de que o
impetrante deve apresentar cópia da decisão proferida no Mandado de Injunção nº
1.554/DF na qual conste o seu nome como substituído."

8. (...)" O art. 40, parágrafo 4º, da CF veda a possibilidade de concessão de


aposentadoria a servidor público com a adoção de critérios diferenciados, salvo se houver
o exercício exclusivo de atividades em condições especiais, ou seja, de atividades que
prejudiquem a saúde ou a integridade física, assim definidas em Lei Complementar. Em
função desse dispositivo, servidores públicos que desempenharam suas atividades

CICLOS R3 – G8 – MATERIAL JURÍDICO


95
exclusivamente sob condições especiais provocaram a jurisdição da Corte Suprema,
através de Mandados de Injunção, requerendo a declaração da omissão parlamentar, bem
como a aplicação da Lei 8.213/91 (RGPS) a seus benefícios."

9. "Foi diante desse contexto que o STF, nos autos do MI 721/DF, reconheceu a
omissão do Parlamento na regulação do art. 40, parágrafo 4º, CF, impondo, neste caso, a
aplicação do art. 57, parágrafo 1º, da Lei 8.213/91, à servidora impetrante. Posteriormente,
houve inúmeros pronunciamentos iterativos nessa mesma linha.(...)"

10. (...) "A matéria é pacífica, portanto. E, tratando-se de decisões plenárias da


Suprema Corte, a quem cabe dar a última palavra em matéria constitucional, é
recomendável que o entendimento seja prestigiado pelas instâncias inferiores do Poder
Judiciário."

Apelação e remessa obrigatória improvidas.

(PROCESSO: 00072226120124058200, APELREEX28733/PB, RELATOR:


DESEMBARGADOR FEDERAL JOSÉ MARIA LUCENA, Primeira Turma, JULGAMENTO:
17/10/2013, PUBLICAÇÃO: DJE 24/10/2013 - Página 35)

5. SERVIDOR PÚBLICO, DESVIO DE FUNÇÃO. EXISTÊNCIA DE DIREITO Á


INDENIZAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE DIREITO À INDENIZAÇÃO QUANDO A ASSUNÇÃO
DE CARGO COMISSIONADO OU FUNÇÃO DE CONFIANÇA.

ADMINISTRATIVO. DESVIO DE FUNÇÃO. SERVIDOR PÚBLICO DE NÍVEL


MÉDIO EXERCENDO ATRIBUIÇÕES DE MAIOR COMPLEXIDADE. NÃO
COMPROVAÇÃO DO DESVIO EM PERÍODO DE DESEMPENHO DE FUNÇÃO
COMISSIONADA. PAGAMENTO DAS DIFERENÇAS SALARIAIS APENAS NOS DEMAIS
PERÍODOS. APELAÇÃO PROVIDA EM PARTE.

1. A hipótese é de apelação interposta pelo DNOCS contra o capítulo da sentença


que julgou procedente o pedido formulado por coautor de indenização por desvio de

CICLOS R3 – G8 – MATERIAL JURÍDICO


96
função, em razão de ter percebido remuneração de nível médio e desempenhado funções
de nível superior.

2. São devidas as diferenças salariais decorrentes do desvio de função do servidor


público, sob pena de locupletamento indevido da Administração, mas, desde que,
efetivamente se verifique o exercício das atribuições essenciais de um cargo, por pessoa
investida em cargo distinto. Precedentes do STJ: ADRESP 200802837556, NAPOLEÃO
NUNES MAIA FILHO, STJ - QUINTA TURMA, DJE DATA:25/10/2010; AGA 200700765081,
NILSON NAVES, STJ - SEXTA TURMA, DJE DATA:24/05/2010; EDRESP 200802161869,
MARIA THEREZA DE ASSIS MOURA, STJ - TERCEIRA SEÇÃO, DJE DATA:19/06/2009.

3. Quando há a assunção de um cargo comissionado ou função gratificada por


parte do servidor, sendo ele remunerado por esta atribuição, não há que se falar em
indenização pelo exercício de cargo distinto, já que ocorre a remuneração pelo exercício
do cargo comissionado ou da função gratificada.

4. In casu, não há desvio de função durante o período em que o apelado percebeu


gratificação pelo desempenho de função de direção, apenas havendo que se reconhecer o
desvio de função pelo desempenho de atribuições de nível superior (Engenheiro) quando
não recebeu remuneração correspondente à atividade exercida.

ACÓRDÃO - Tribunal Regional Federal - 5ª Região data do Julgamento:


10/04/2012 Segunda Turma Relator: Desembargador Federal Walter Nunes da Silva Júnior
(Convocado)
PENSÃO VITALÍCIA À VIÚVA DE EX-PREFEITO
STF – Informativo 696, 2ª Turma
Lei municipal que concedera à viúva de ex-prefeito, falecido no curso do mandato,
pensão vitalícia equivalente a 30% dos vencimentos por ele percebidos, encontra base
material de apoio na Constituição. Essa a conclusão da 2ª Turma que, por maioria, proveu
recursos extraordinários interpostos contra acórdão do Tribunal de Justiça do Estado do
Rio de Janeiro que, em ação civil pública proposta pelo Ministério Público estadual,
considerara imoral e lesiva ao patrimônio público a mencionada norma local. Na espécie, o
acórdão recorrido condenara solidariamente o prefeito que sancionara a lei, os vereadores
que a aprovaram e a viúva a restituir ao erário os valores recebidos.
Asseverou-se que, não obstante a mencionada lei local não se revestir de
CICLOS R3 – G8 – MATERIAL JURÍDICO
97
normatividade geral, não haveria empecilho constitucional a que fossem editadas leis de
efeitos concretos ou mesmo individualizados. Destacou-se que, em determinados casos,
apenas lei em sentido formal seria instrumento apto a dispor sobre certas matérias,
inclusive pensões especiais. Afastou-se alegação de nulidade formal da lei pelo só fato de
dispor sobre situação concreta. Ponderou-se que, na espécie, tanto a petição inicial,
quanto os atos decisórios das instâncias ordinárias teriam se limitado a considerar “imoral”
a lei por ter conferido tratamento vantajoso a uma pessoa, sem qualquer juízo sobre a
razoabilidade ou não, em face das circunstâncias de fato e de direito, da concessão do
privilégio. Aduziu-se que se lei concessiva de tratamento privilegiado a destinatários
específicos fosse considerada imoral, seriam inconstitucionais, por exemplo, as leis que
estabelecessem isenções fiscais. Verificou-se que, em hipóteses como a dos autos,
aplicar-se-ia a imunidade, no que tange a opiniões, palavras e votos de vereadores.
Pontuou-se que, embora se tratasse de lei somente em sentido formal, sem densidade
normativa geral e abstrata, não deixaria de ser norma, submetida ao correspondente
processo legislativo próprio, com aprovação da Câmara de Vereadores e sanção do
Prefeito. Vencida a Min. Ellen Gracie, relatora, que conhecia em parte dos recursos e, na
parte conhecida, negava-lhes provimento. O Min. Teori Zavascki participou da votação por
suceder ao Min. Cezar Peluso, que pedira vista dos autos. RE 405386/RJ, rel. orig. Min.
Ellen Gracie, red. p/ o acórdão Min. Teori Zavascki, 26.2.2013. (RE-405386)

Seguridade Social

A União manterá plano de seguridade para os seus servidores e


dependentes. Compreendem as seguintes garantias: o servidor terá direito à
aposentadoria, ao auxílio natalidade (concedido pelo nascimento do filho, inclusive
natimorto e parto múltiplo – quantia equivalente ao menor vencimento do serviço público,
acrescido de 50% por nascituro), ao salário família (cônjuge ou companheiros, filhos até os
21 anos de idade ou estudante até 24 anos, ou filho inválido em qualquer idade), licença
para tratamento de saúde do servidor* (com base em perícia médica, sem prejuízo da
remuneração), licença maternidade (durante 120 dias, com remuneração a contar do
primeiro dia do 9º mês ou do dia do parto em nascimento prematuro, podendo a licença ser
prorrogada por mais 60 dias, a pedido da servidora. Em caso de natimorto ou aborto, a

CICLOS R3 – G8 – MATERIAL JURÍDICO


98
servidora tem licença gestante por 30 dias. A amamentação pode ser realizada em 1h de
descanso), licença paternidade (5 dias).
*A licença que exceder a 120 dias no período de 12 meses, a contar do primeiro dia
de afastamento, é preciso ser analisada por junta médica.
Se a servidora adotar criança com até 1 ano, tem licença de 90 dias, se tiver
mais de 1 ano, terá licença de 30 dias.
Há também licença por acidente em serviço, tendo o servidor direito a
remuneração integral e ao tratamento.
O servidor tem direito à assistência à saúde e garantia de condições
individuais e ambientais satisfatórias de trabalho.
O dependente tem direito a pensão vitalícia e temporária, auxilio reclusão,
auxilio funeral e assistência à saúde.

6. JURISPRUDÊNCIA SOBRE SERVIDOR PÚBLICO:

DENÚNCIA ANÔNIMA É possível a instauração de processo administrativo com base em


“denúncia anônima”? SIM. Segundo o STJ, não há ilegalidade na instauração de processo
administrativo com fundamento em denúncia anônima, por conta do poder-dever de
autotutela imposto à Administração e, por via de consequência, ao administrador público.
STJ. 2ª Turma. AgRg no REsp 1307503/RR, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado
em 06/08/2013.

PROVA EMPRESTADA É possível a utilização, em processo administrativo disciplinar, de


prova emprestada validamente produzida em processo criminal? SIM. A jurisprudência do
STJ e do STF são firmes no sentido de que é admitida a utilização no processo
CICLOS R3 – G8 – MATERIAL JURÍDICO
99
administrativo de “prova emprestada” do inquérito policial ou do processo penal, desde que
autorizada pelo juízo criminal e respeitados o contraditório e a ampla defesa. STJ. 1ª
Seção. MS 17.472/DF, Rel. Min. Arnaldo Esteves Lima, julgado em 13/6/2012. Este
“empréstimo” da prova é permitido mesmo que o processo penal ainda não tenha
transitado em julgado? SIM. É possível a utilização, em processo administrativo disciplinar,
de prova emprestada validamente produzida em processo criminal, independentemente do
trânsito em julgado da sentença penal condenatória. Isso porque, em regra, o resultado da
sentença proferida no processo criminal não repercute na instância administrativa, tendo
em vista a independência existente entre as instâncias. STJ. 2ª Turma. RMS 33.628-PE,
Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 2/4/2013 (Info 521).

UTILIZAÇÃO NO PAD DA INTERCEPTAÇÃO TELEFÔNICA DECRETADA NO JUÍZO


CRIMINAL É possível utilizar, em processo administrativo disciplinar, na qualidade de
“prova emprestada”, a interceptação telefônica produzida em ação penal, desde que
devidamente autorizada pelo juízo criminal e com observância das diretrizes da Lei nº
9.296/1996. (Lei de Interceptação Telefônica). STJ. 1ª Seção. MS 16.146-DF, Rel. Min.
Eliana Calmon, julgado em 22/5/2013. (não divulgado em Info)

DEFESA TÉCNICA Súmula Vinculante nº 5 do STF: A falta de defesa técnica por advogado
no processo administrativo disciplinar não ofende a Constituição.

AUSÊNCIA DE ALEGAÇÕES FINAIS Após o relatório ter sido produzido pela comissão,
ele deverá ser apresentado ao servidor processado para que este possa impugná-lo?
Existe previsão na Lei nº 8.112/90 de alegações finais a serem oferecidas pelo servidor
após o relatório final ter sido concluído? NÃO. Segundo entende o STJ, NÃO é obrigatória
a intimação do interessado para apresentar alegações finais após o relatório final de
processo administrativo disciplinar. Isso porque não existe previsão legal nesse sentido.
STJ. 1ª Seção. MS 18.090-DF, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 8/5/2013. (Info 523)
IMPOSSIBILIDADE DE APROVAÇÃO DO RELATÓRIO FINAL POR SERVIDOR QUE
PARTICIPOU DAS INVESTIGAÇÕES O servidor que realizou a sindicância pode também
determinar a instauração de processo disciplinar, designando a comissão processante, e,
ao final dos trabalhos, aprovar o relatório final? NÃO. O STJ decidiu que o servidor que
participou das investigações na sindicância e concluiu que o sindicado havia cometido a
infração disciplinar, tanto que determinou a instauração do PAD, não pode, posteriormente,

CICLOS R3 – G8 – MATERIAL JURÍDICO


100
ser a autoridade designada para aprovar o relatório final produzido pela comissão no
processo administrativo, uma vez que ele já formou seu convencimento no sentido da
culpabilidade do acusado. STJ. 3ª Seção. MS 15.107-DF, Rel. Min. Jorge Mussi, julgado
em 26/9/2012 (Info 505).

APLICAÇÃO DA PENA DE DEMISSÃO, EM PAD, PELA PRÁTICA DE IMPROBIDADE


ADMINISTRATIVA É possível a demissão de servidor por improbidade administrativa em
processo administrativo disciplinar. Infração disciplinar grave que constitui ato de
improbidade é causa de demissão do servidor, em processo administrativo, independente
de processo judicial prévio. STJ. 3ª Seção. MS 14.140-DF, Rel. Min. Laurita Vaz, julgado
em 26/9/2012 (não divulgado em Info).

SERVIDOR JÁ PUNIDO NÃO PODE SER NOVAMENTE JULGADO PARA AGRAVAR SUA
PENA Depois do servidor já ter sido punido, é possível que a Administração, com base na
autotutela, anule a sanção anteriormente cominada e aplique uma nova penalidade mais
gravosa? NÃO. A decisão administrativa que põe fim ao processo administrativo, à
semelhança do que ocorre no âmbito jurisdicional, possui a característica de ser definitiva.
Logo, o servidor público já punido administrativamente não pode ser julgado novamente
para que sua pena seja agravada mesmo que fique constatado que houve vícios no
processo e que ele deveria receber uma punição mais severa. Assim, a anulação parcial
do processo administrativo disciplinar para adequar a penalidade aplicada ao servidor,
consoante pareceres do órgão correspondente, ensejando aplicação de sanção mais grave
ofende o devido processo legal e a proibição da reformatio in pejus. STJ. 3ª Seção. MS
10.950-DF, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 23/5/2012 (não divulgado em Info). Tal
posicionamento tem por base a Súmula 19 do STF, que dispõe: “É inadmissível segunda
punição de servidor público, baseada no mesmo processo em que se fundou a primeira.”
INTIMAÇÃO DO PROCESSADO Em processo administrativo disciplinar não é considerada
comunicação válida a remessa de telegrama para o servidor público recebido por terceiro.
STJ. 3ª Seção. MS 14.016-DF, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, julgado em
29/2/2012.

EXCESSO DE PRAZO PARA CONCLUSÃO DO PAD É pacífica a jurisprudência do STJ no


sentido de que o excesso de prazo para a conclusão do processo administrativo disciplinar
não gera, por si só, qualquer nulidade no feito. O excesso de prazo só tem o condão de

CICLOS R3 – G8 – MATERIAL JURÍDICO


101
macular o processo administrativo se ficar comprovado que houve fundado e evidenciado
prejuízo, pois não há falar em nulidade sem prejuízo (pas de nulitésansgrief). STJ. 2ª
Turma. RMS 33.628-PE, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 2/4/2013 (Info 521).

NÃO SE APLICA O PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA NO CASO DE INFRAÇÃO


DISCIPLINAR Deve ser aplicada a penalidade de demissão ao servidor público federal que
obtiver proveito econômico indevido em razão do cargo, independentemente do valor
auferido (no caso, eram apenas R$ 40,00). Isso porque não incide, na esfera
administrativa, o princípio da insignificância quando constatada falta disciplinar prevista no
art. 132 da Lei 8.112/1990. STJ. 1ª Seção. MS 18.090-DF, Rel. Min. Humberto Martins,
julgado em 8/5/2013 (Info 523).

PAD E DESTITUIÇÃO DE CARGO EM COMISSÃO Deve ser aplicada a penalidade de


destituição de cargo em comissão na hipótese em que se constate que servidor não
ocupante de cargo efetivo, valendo-se do cargo, tenha indicado irmão, nora, genro e
sobrinhos para contratação por empresas recebedoras de verbas públicas, ainda que não
haja dano ao erário ou proveito pecuniário e independentemente da análise de
antecedentes funcionais. STJ. 1ª Seção. MS 17.811-DF, Rel. Min. Humberto Martins,
julgado em 26/6/2013 (Info 526).

PRESCRIÇÃO DA INFRAÇÃO ADMINISTRATIVA Para infrações disciplinares praticadas


por servidores públicos: A regra geral do prazo prescricional para a punição administrativa
de demissão é de 5 anos, nos termos do art. 142, I da Lei nº 8.112/90, entre o
conhecimento do fato e a instauração do processo administrativo disciplinar. Quando o
servidor público comete infração disciplinar também tipificada como crime, somente se
aplicará o prazo prescricional da legislação penal se os fatos também forem apurados em
ação penal. Se não há notícia de apuração criminal, deve ser aplicado o prazo
prescricional de 5 (cinco) anos, previsto no art. 142, I da Lei nº 8.112/90. Para outras
infrações administrativas apuradas pela Administração Pública: Aplica-se o mesmo
raciocínio acima exposto. Desse modo, a pretensão punitiva da Administração Pública em
relação à infração administrativa que também configura crime em tese, somente se sujeita
ao prazo prescricional criminal quando instaurada a respectiva ação penal. STJ. 1ª Turma.
REsp 1.116.477-DF, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, julgado em 16/8/2012 (Info 502).

CICLOS R3 – G8 – MATERIAL JURÍDICO


102
TERMO INICIAL DO PRAZO PRESCRICIONAL Para que o prazo prescricional tenha
início, é necessário que a irregularidade praticada pelo servidor chegue ao conhecimento
da autoridade competente para instaurar o PAD ou o prazo já se inicia caso outras
autoridades do serviço público saibam do fato? O prazo de prescrição da pretensão
punitiva estatal começa a fluir na data em que a irregularidade praticada pelo servidor
tornou-se conhecida por alguma autoridade do serviço público, e não, necessariamente,
pela autoridade competente para a instauração do processo administrativo disciplinar. STJ.
1ª Seção. MS 20.162-DF, Rel. Min. Arnaldo Esteves Lima, julgado em 12/2/2014 (Info 543).

ART. 170 DA LEI 8.112/90 É INCONSTITUCIONAL O art. 170 da Lei nº 8.112/90 é


compatível com a CF/88? NÃO. O art. 170 da Lei nº 8.112/1990 é INCONSTITUCIONAL.
Para o STF, esse dispositivo viola os princípios da presunção de inocência e da
razoabilidade, além de atentar contra a imagem funcional do servidor. STF. Plenário. MS
23262/DF, rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 23/4/2014 (Info 743).

Tema muito importante!!! Pode ser cobrado também na prova discursiva: Art. 170. Extinta a
punibilidade pela prescrição, a autoridade julgadora determinará o registro do fato nos
assentamentos individuais do servidor.

INDEPENDÊNCIA DAS INSTÂNCIAS Não deve ser paralisado o curso de processo


administrativo disciplinar apenas em função de ajuizamento de ação penal destinada a
apurar criminalmente os mesmos fatos investigados administrativamente. As esferas
administrativa e penal são independentes, não havendo falar em suspensão do processo
administrativo durante o trâmite do processo penal. STJ. 1ª Seção. MS 18.090-DF, Rel.
Min. Humberto Martins, julgado em 8/5/2013 (Info 523).

CONDENAÇÃO PELO TRIBUNAL DE CONTAS INDEPENDE DO RESULTADO DO PAD


Se o servidor público responder a processo administrativo disciplinar e for absolvido, ainda
assim poderá ser condenado a ressarcir o erário, em tomada de contas especial, pelo
Tribunal de Contas da União. STF. 1ª Turma. MS 27867 AgR/DF, rel. Min. Dias Toffoli,
18/9/2012 (Info 680).

PAD É INDEPENDENTE EM RELAÇÃO À AÇÃO DE IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA


As punições aplicáveis no PAD são independentes em relação às sanções determinadas
na ação judicial de improbidade administrativa, não havendo bis in idem caso o servidor

CICLOS R3 – G8 – MATERIAL JURÍDICO


103
seja punido nas duas esferas. STJ. 1ª Seção. MS 15.848/DF, Rel. Min. Castro Meira,
julgado em 24/04/2013.

POSSIBILIDADE DE EXECUÇÃO IMEDIATA DE PENALIDADE IMPOSTA EM PAD


Determinado servidor público federal recebeu pena de demissão em processo
administrativo disciplinar contra si instaurado. O servidorinterpôs recurso administrativo
com a decisão proferida. Ocorre que, antes mesmo de ser julgado o recurso, a
Administração Pública já cessou o pagamento da remuneração do servidor e o afastou das
funções. É possível que a sanção aplicada seja desde logo executada mesmo que ainda
esteja pendente recurso interposto no âmbito administrativo? SIM. É possível o
cumprimento imediato da penalidade imposta ao servidor logo após o julgamento do PAD e
antes do julgamento do recurso administrativo cabível. Não há qualquer ilegalidade na
imediata execução de penalidade administrativa imposta em PAD a servidor público, ainda
que a decisão não tenha transitado em julgado administrativamente. STJ. 1ª Seção. MS
19.488-DF, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 25/3/2015 (Info 559).

PROCESSO ADMINISTRATIVO DISCIPLINAR E SÚMULA VINCULANTE 14 STF A SV 14


NÃO pode ser aplicada para os casos de sindicância, que objetiva elucidar o cometimento
de infrações administrativas. Pela simples leitura da súmula percebe-se que a sindicância
não está incluída em seu texto já que não se trata de procedimento investigatório realizado
por órgão com competência de polícia judiciária. STF. 1ª Turma. Rcl 10771 AgR/RJ, rel.
Min. Marco Aurélio, julgado em 4/2/2014 (Info 734).

As informações obtidas por monitoramento de e-mail corporativo de servidor público não


configuram prova ilícita quando relacionadas com aspectos "não pessoais" e de interesse
da Administração Pública e da própria coletividade, especialmente quando exista, nas
disposições normativas acerca do seu uso, expressa menção da sua destinação somente
para assuntos e matérias afetas ao serviço, bem como advertência sobre monitoramento e
acesso ao conteúdo das comunicações dos usuários para cumprir disposições legais ou
instruir procedimento administrativo. STJ. 2ª Turma. RMS 48.665-SP, Rel. Min. Og
Fernandes, julgado em 15/9/2015 (Info 576)

CICLOS R3 – G8 – MATERIAL JURÍDICO


104

“Diante do trânsito em julgado de sentença penal condenatória que decreta a


perda do cargo público, a autoridade administrativa tem o dever de proceder à demissão
do servidor ou à cassação da aposentadoria, independentemente da instauração de
processo administrativo disciplinar, que se mostra desnecessária. Isso porque qualquer
resultado a que chegar a apuração realizada no âmbito administrativo nãoterá o condão de
modificar a força do decreto penal condenatório.
2. Em conseqüência, nesses casos, não há falar em contrariedade aodevido processo
legal e aos princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório, já plenamente
exercidos nos rigores da lei processual penal, tampouco na ocorrência de prescrição da
pretensão punitiva do Estado ou de bis in idem, sendo esta última oriunda de eventual
apuração, na esfera administrativa, do ilícito praticado.
3. Do administrador não se pode esperar outra conduta, tendo em vista a possibilidade de,
em tese, incidir no crime de prevaricação ou de desobediência, conforme for apurado,
segundo os arts. 319 e 330 do Código Penal. O fato poderá, ainda, constituir ato de
improbidade administrativa, conforme art. 11, II, da Lei 8.429/92.

4. Qualquer modificação dos efeitos da sentençacondenatória, bem como a extensão de


qualquer benefício ou vantagem, deve ser buscada e solucionada na própria esfera penal.
Em mandado de segurança impetrado contra ato que, em cumprimento à sentença que
decreta a perda da funçãopública, aplica a servidor público a pena de cassação de
aposentadoria, não cabe a reforma da decisão proferida no juízo criminal. (RMS
22.570/SP, Rel. Ministro ARNALDO ESTEVES LIMA, QUINTA TURMA, julgado em
18/03/2008, DJe 19/05/2008)”

Não constitui requisito legal para a concessão de pensão por morte à companheira que a
união estável seja declarada judicialmente, mesmo que vigente formalmente o casamento.
Assim, é possível o reconhecimento de união estável de pessoa casada que esteja
comprovadamente separada judicialmente ou de fato, para fins de concessão de pensão
por morte, sem necessidade de decisão judicial neste sentido. STF. 1ª Turma. MS
33008/DF, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 3/5/2016 (Info 824).

CICLOS R3 – G8 – MATERIAL JURÍDICO


105

“A exoneração de servidor público aprovado em concurso público e ainda em estágio


probatório não prescinde do procedimento administrativo específico, descabendo, contudo,
a instauração de processo administrativo disciplinar com todas as suas formalidades”.
(Informativo 418 do STJ)

“A sindicância prescinde de contraditório ou ampla defesa, visto ser procedimento


inquisitorial prévio à acusação e ao PAD, fase a tramitar sem a presença obrigatória de
acusados.(atenção: essa conclusão somente ocorrerá no caso de sindicância investigativa,
ou seja, aquela que conclui pelo arquivamento, ou pela instauração do PAD. Se for
hipótese de sindicância investigativa e punitiva, aquela que aplica pena de advertência ou
pena de suspensão de até 30 dias, será necessário respeitar o contraditório e a ampla
defesa” (Informativo 419 do STJ)

STJ: Não é nulo processo administrativo disciplinar – PAD conduzido por


servidores que não possuam estabilidade no atual cargo que ocupam, desde que já
tenham adquirido a estabilidade no serviço público. A Lei n. 8.112/1990, ao disciplinar o
exercício do servidor em estágio probatório (art. 20, §§ 3º, 4º e 5º, Lei n. 8.112/1990) não
veda sua participação em comissão de sindicância ou disciplinar. MS 17.583-DF, Rel. Min.
Napoleão Nunes Maia Filho, Rel. para acórdão Min. Mauro Campbell Marques, julgado em
12/9/2012. 1ª SEÇÃO. INFO 504.

Apenas o presidente da Comissão (e não os demais membros) precisarão ser ocupantes


de cargo efetivo superior ou de mesmo nível, ou ter nível de escolaridade igual ou superior
ao do indiciado. Terceira Seção. MS 14.797-DF, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em
28/3/2012.

INFO. 565, STJ – 2015

CICLOS R3 – G8 – MATERIAL JURÍDICO


106
O art. 170 da Lei n. 8.112/90 prevê que, mesmo estando prescrita a infração
disciplinar, é possível que a prática dessa conduta fique registrada nos assentos funcionais
do servidor. O STF e STJ entendem que esse art. 170 é INCONSTITUCIONAL por violar
os princípios da presunção de inocência e da razoabilidade. STF. Plenário. MS 23262/DF,
Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 23/4/2014 (Info 743). STJ. 1ª Seção. MS 21.598-DF, Rel.
Min. Og Fernandes, julgado em 10/6/2015 (Info 564).
- Art. 142. A ação disciplinar prescreverá: I – em 5 (cinco) anos, quanto às
infrações puníveis com demissão, cassação de aposentadoria ou disponibilidade e
destituição de cargo em comissão; II – em 2 (dois) anos, quanto à suspensão; III – em 180
(cento e oitenta) dias, quanto à advertência.
- O status de inocência deixa de ser presumido somente após decisão definitiva na
seara administrativa, ou seja, não é possível que qualquer consequência desabonadora da
conduta do servidor decorra tão só da instauração de procedimento apuratório ou de
decisão que reconheça a incidência da prescrição antes de deliberação definitiva de
culpabilidade.

DIREITO ADMINISTRATIVO. INAPLICABILIDADE DA APOSENTADORIA


COMPULSÓRIA POR IDADE ASERVIDOR PÚBLICO OCUPANTE
EXCLUSIVAMENTE DE CARGO EM COMISSÃO.

Não é aplicável a regra da aposentadoria compulsória por idade na hipótese


de servidorpúblico que ocupe exclusivamente cargo em comissão. Com efeito, a
regra prevista no art. 40, § 1º, II, da CF, cujo teor prevê a aposentadoria compulsória
do septuagenário, destina-se a disciplinar o regime jurídico dos servidores efetivos,
não se aplicando aos servidores em geral. Assim, ao que ocupa exclusivamente
cargo em comissão, aplica-se, conforme determina o § 13 do art. 40 da CF, o regime
geral de previdência social, no qual não é prevista a aposentadoria compulsória por
idade. , Rel. Min. Castro Meira, DJe 26/4/2013.

DIREITO ADMINISTRATIVO. DESNECESSIDADE DE INTIMAÇÃO DO


CICLOS R3 – G8 – MATERIAL JURÍDICO
107
INTERESSADO APÓS O RELATÓRIO FINAL DE PAD.

Não é obrigatória a intimação do interessado para apresentar alegações


finais após o relatório final de processo administrativo disciplinar. Isso porque não
existe previsão legal nesse sentido. Precedentes citados: RMS 33.701-SC, Primeira
Turma, DJe 10/6/2011; e MS 13.498-DF, Terceira Seção, DJe 2/6/2011. , Rel. Min.
Humberto Martins, julgado em 8/5/2013.

DIREITO ADMINISTRATIVO. UTILIZAÇÃO DE INTERCEPTAÇÃO


TELEFÔNICA EM PAD.

É possível utilizar, em processo administrativo disciplinar, na qualidade de


“prova emprestada”, a interceptação telefônica produzida em ação penal, desde que
devidamente autorizada pelo juízocriminal e com observância das diretrizes da Lei
9.296/1996. Precedentes citados: MS 14.226-DF, Terceira Seção, DJe 28/11/2012; e
MS 14.140-DF, Terceira Seção, DJe 8/11/2012. , Rel. Min. Eliana Calmon, julgado em
22/5/2013.

CONSTITUCIONAL. ADMINISTRATIVO. SERVIDOR PÚBLICO. ACUMULAÇÃO DE


CARGOS. PROFISSIONAIS DE SAÚDE. ART. 37, XVI, "C", DA CF/88.
COMPATIBILIDADE DE HORÁRIOS. LIMITAÇÃO OBJETIVA. AUSÊNCIA DE AMPARO
LEGAL. AFRONTA À CONSTITUIÇÃO. AFERIÇÃO DA COMPATIBILIDADE DE
HORÁRIOS APÓS O ATO DE APOSENTAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. SEGURANÇA
JURÍDICA. NÃO PROVIMENTO.

1. A Constituição Federal prevê a hipótese de acumulação de dois cargos ou empregos


privativos de profissionais de saúde, havendo compatibilidade de horários e observância
ao teto remuneratório do funcionalismo público.

2. Por padecer de amparo legal e afrontar a Constituição da República, não pode


prevalecer a estipulação, pela União, de uma carga horária máxima de 60 (sessenta) horas

CICLOS R3 – G8 – MATERIAL JURÍDICO


108
semanais, devendo ser analisado em cada caso se o exercício das atividades passíveis de
serem acumuladas na Administração Pública sofre o empecilho decorrente da
incompatibilidade de horários. (Precedentes do Supremo Tribunal Federal, do Superior
Tribunal de Justiça e deste Tribunal).

3. Na hipótese vertente, o cancelamento do ato de aposentação da apelada, para que esta


pudesse optar pela redução da carga horária, implicaria em grave ofensa à segurança
jurídica, tendo em vista o exercício dos dois cargos conjuntamente por mais de vinte e
cinco anos, sem que a Administração aferisse a compatibilidade de horários. Nesse
diapasão, tendo a servidora passado à inatividade, tal questionamento, feito somente
agora, afigura-se inoportuno.

4. Apelação e remessa oficial desprovidas. (PROCESSO: 00062811420124058200,


APELREEX26401/PB, RELATOR: DESEMBARGADOR FEDERAL EDÍLSON NOBRE,
Quarta Turma, JULGAMENTO: 05/03/2013, PUBLICAÇÃO: DJE 07/03/2013 - Página 340)

No caso em que o servidor público foi impedido irregularmente de acumular dois cargos
públicos em razão de interpretação equivocada da Administração Pública, o Estado deverá
ser condenado e, na fixação do valor da indenização, não se deve aplicar o critério
referente à teoria da perda da chance, e sim o da efetiva extensão do dano causado,
conforme o art. 944 do CC. STJ. 2ª Turma. REsp 1.308.719-MG, Rel. Min. Mauro Campbell
Marques, julgado em 25/6/2013 (Info 530).

CICLOS R3 – G8 – MATERIAL JURÍDICO


109

Importante!!! Os herdeiros devem restituir os proventos que, por erro operacional


da Administração Pública, continuaram sendo depositados em conta de servidor público
após o seu falecimento. STJ. 2ª Turma. AgRg no REsp 1.387.971-DF, Rel. Min. Mauro
Campbell Marques, julgado em 15/3/2016 (Info 579). - O STJ possui entendimento
pacífico no sentido de que é incabível a restituição ao erário dos valores recebidos de
boa-fé pelo servidor público em decorrência de errônea ou inadequada interpretação da
lei por parte da Administração Pública. Em virtude do princípio da legítima confiança, o
servidor público, em regra, tem a justa expectativa de que são legais os valores pagos
pela Administração Pública, porque jungida à legalidade estrita. Assim, diante da
ausência da comprovação da má-fé no recebimento dos valores pagos indevidamente por
erro de direito da Administração, não se pode efetuar qualquer desconto na remuneração
do servidor público, a título de reposição ao erário. STJ. 1ª Seção. REsp 1.244.182-PB,
Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado em 10/10/2012 (recurso repetitivo). - Súmula 249
do TCU: É dispensada a reposição de importâncias indevidamente percebidas, de boa-fé,
por servidores ativos e inativos, e pensionistas, em virtude de erro escusável de
interpretação de lei por parte do órgão/entidade, ou por parte de autoridade legalmente
investida em função de orientação e supervisão, à vista da presunção de legalidade do
ato administrativo e do caráter alimentar das parcelas salariais. - Vale ressaltar, no
entanto, que, segundo a posição majoritária no STJ, este mesmo entendimento deve ser
aplicado nos casos em que o servidor recebe as quantias indevidas por força de erro
operacional da Administração.” (...) Esta Corte firmou entendimento no sentido de não ser
devida a devolução de verba paga indevidamente a servidor em decorrência de erro
operacional da Administração Pública, quando se constata que o recebimento pelo
beneficiado se deu de boa-fé, como no caso em análise. (...)”. STJ. 2ª Turma. AgRg no
REsp 1560973/RN, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 05/04/2016. - Os salários ou
proventos do servidor possuem natureza alimentar somente em relação ao próprio
servidor. Se ele já morreu, tais valores são considerados como herança e herança não é
remuneração nem aposentadoria. Logo, não é uma verba alimentícia. Pelo princípio da
saisine, com a morte, houve a transferência imediata da titularidade da conta bancária da
CICLOS R3 – G8 – MATERIAL JURÍDICO
110
falecida aos seus herdeiros e os valores que foram nela depositados (por erro) não
tinham mais qualquer destinação alimentar. Logo, por não se estar diante de verbas de
natureza alimentar, não é nem mesmo necessário analisar se os herdeiros estavam ou
não de boa-fé ao sacar o dinheiro. A boa-fé aqui não importa. Os herdeiros têm o dever
de restituir as quantias porque eles não possuem nenhum direito sobre as verbas. O
fundamento aqui para que ocorra a devolução está baseado no princípio da proibição do
enriquecimento sem causa, previsto no art. 884 do CC.

MATERIAL EXTRA:
2.12. Regime Previdenciário do Servidor Estatutário. Normas e Princípios Constitucionais. O Novo Regime
Previdenciário.
2.12.1. Normas e Princípios Constitucionais do Regime Previdenciário dos Servidores Públicos.
Base normativa: art. 40 da CFRB/88 e as alterações promovidas pelas ECs
03/1993, 20/1998, 41/2003 e 47/2005.
EC 03/1993: passou a exigir contribuição dos servidores públicos ao RPPS. Antes,
o benefício previdenciário concedido ao servidor público era tido como um benefício de
natureza estatutária ou administrativa e dependia apenas do vínculo funcional e do tempo
de serviço prestado ao Estado. Por isso, não se exigia contribuição.
Art. 40, da CRFB/88: trata do regime de previdência social aplicável aos titulares de cargos
efetivos da União, Estados, DF e Municípios, incluídas suas autarquias e fundações. O RPPS
não contempla servidores públicos ocupantes apenas de cargos em comissão (art. 40,§ 13, da
CFRB/88), os servidores temporários contratados com base no art. 37, inciso IX , da
CFRB/88(art. 40,§ 13, da CFRB/88) e titulares de serventias extrajudiciais (notários e
registradores) (STF,Plenário, ADI 4639/GO e ADI 4641/SC, Rel. Min. Teori Zavascki, julgados em
11/03/2015).
O regime tem caráter contributivo e solidário, mediante contribuição do servidor
ativo, do ente público, dos inativos e dos pensionistas, observados os critérios que
preservem o equilíbrio financeiro e atuarial do sistema. Não importa apenas o tempo de
serviço do servidor, mas o tempo de efetiva contribuição, sendo vedado ao legislador o
estabelecimento de algum tempo de contribuição fictício.
A contribuição da União é regulamentada na Lei 10.887/2004: corresponde ao
dobro da contribuição do servidor ativo, cuja arrecadação será contabilizada em conta
específica. A União deverá cobrir, ainda, eventuais insuficiências financeiras para
pagamento dos benefícios.

CICLOS R3 – G8 – MATERIAL JURÍDICO


111
Contribuição dos servidores ativos: A contribuição social do servidor público ativo de
qualquer dos Poderes da União, incluídas suas autarquias e fundações, para a
manutenção do respectivo regime próprio de previdência social, será de 11%, incidentes
sobre a sua remuneração (art. 4º da Lei 10.887/2004).
Não é possível a instituição de alíquotas progressivas para a contribuição
previdenciária dos servidores públicos para o RPPS, sob pena de ofensa ao princípio
da vedação à utilização de qualquer tributo com efeito de confisco (STF, RE 346197
AgR/DF, 1ª Turma,Rel. Min. DIAS TOFFOLI, julgado em 16/10/2012).
Contribuição dos aposentados e pensionistas: obrigatória a partir da EC
41/2003. A contribuição incide sobre aposentadorias e pensões, concedidas pelo RPPS,
que superem o limite máximo para os benefícios do RGPS, com percentual igual ao
estabelecido para os servidores ativos (11%). É constitucional a cobrança de
contribuição previdenciária sobre aposentadorias e pensões do RPPS, não havendo
que falar em direito adquirido, de modo que todos devem se sujeitar ao novo regramento,
inclusive aqueles já beneficiários de aposentadorias e pensões, quando da entrada em
vigor da EC 41/2003 (STF, ADI 3105/DF, Rel. Min. ELLEN GRACIE Rel. p/ Acórdão
Min.CEZAR PELUSO, julgamento em 18/08/2004; e ADI 3128/DF, Rel. Min. ELLEN
GRACIE Rel. p/ Acórdão Min. CEZAR PELUSO, julgamento em 18/08/2004).
O art. 4º da EC 41/03: estabelecia uma contribuição maior para os que já fossem
aposentados ou pensionistas ou tivessem direito adquirido ao benefício, ao tempo de sua
publicação: a contribuição incidiria sobre o que ultrapassasse 50% do teto do RGPS para
beneficiários dos Estados, Distrito Federal e Municípios e 60%, para os da União. Para o
STF, essa discriminação é inconstitucional, devendo a contribuição ser idêntica, em
qualquer caso, e incidir sobre aquilo que ultrapassar o teto do RGPS. As alíquotas
cobradas pelos Estados, Distrito Federal e Municípios, tanto de seus servidores quanto de
seus aposentados e pensionistas não poderão ser inferiores à cobrada pela União (art.
149, §1º,da CFRB/88, com redação dada pela EC 41/2003).
Aposentado ou pensionista portador de doença incapacitante: a contribuição
incidirá apenas sobre as parcelas de aposentadorias em pensões que superem o dobro do
teto do RGPS, na forma da lei(art. 40, §21, da CFRB/88, incluído pela EC 47/2005).
Abono de permanência (art. 40, §19, incluído pela EC 412003): O servidor que
completar os requisitos para aposentadoria voluntária não proporcional (art. 40,§1º, inciso
III, a), da CFRB88), mas que decidir continuar em atividade, fará jus a um abono

CICLOS R3 – G8 – MATERIAL JURÍDICO


112
correspondente à dispensa do pagamento da contribuição previdenciária. Também, têm
direito a esse abono (EC 41/2003) os servidores que: a) ingressaram no serviço público
antes da EC 20/1998 e que, podendo requerer aposentadoria voluntária, nos termos da
regra de transição prevista no art. 2º da EC 41/2003, não o façam; b) tinham direito
adquirido à aposentadoria na data da publicação da EC 41/2003 e permaneçam na ativa.
É vedada a existência de mais de um regime próprio para os titulares de
cargos efetivos e de mais de uma unidade gestora (art. 40,§20, da CFRB/88) no âmbito
de cada ente federado, à exceção do regime de previdência dos militares, que deve ser
disciplinado em lei própria.
Ressalvadas as aposentadorias decorrentes dos cargos acumuláveis na forma
desta Constituição, é vedada a percepção de mais de uma aposentadoria à conta do
regime de previdência previsto neste artigo(art. 40, §6º, da CFRB/88).
É vedada a adoção de critérios diferenciadores para concessão de
aposentadoria para os abrangidos pelo RPPS, ressalvados os definidos em lei
complementar para os servidores: a) portadores de deficiência; b) que exerçam atividades
de risco; c) cujas atividades sejam exercidas em condições especiais que prejudiquem a
saúde ou integridade física. (art. 40,§4º, da CFRB/88).
2.12.2. Cálculo dos Benefícios
2.12.2.1. Aposentadorias do RPPS
A lei em vigor no momento da concessão da aposentadoria é que definirá o
valor dos proventos (STF, RE 359043-AgR, Rel. Min. Min. Eros Grau, julgado em
03/10/2006, 2ª Turma).
Espécies de aposentadoria:
1) Aposentadoria por invalidez (art. 40, § 1º,inciso I da CFRB/88): Ocorre
quando o servidor público for acometido por uma situação de invalidez permanente,
atestada por laudo médico, que demonstre que ele está incapacitado de continuar
trabalhando.
Proventos: em regra, o servidor aposentado por invalidez receberá proventos
proporcionais ao tempo de contribuição. Exceção: ele terá direito a proventos integrais se
a invalidez for decorrente de: a) acidente em serviço;b) moléstia profissional; ou c) doença
grave, contagiosa ou incurável, na forma da lei. A concessão de aposentadoria por
invalidez com proventos integrais exige que a doença incapacitante esteja prevista
em rol taxativo da legislação de regência. O art. 41, § 1º, I, da CFRB/88 é claro ao exigir

CICLOS R3 – G8 – MATERIAL JURÍDICO


113
que a lei defina as doenças e moléstias que ensejam aposentadoria por invalidez com
proventos integrais. Logo, esse rol legal deve ser tido como exaustivo (taxativo) (STF,
Plenário. RE 656860/MT, Rel. Min. Teori Zavascki, julgado em 21/08/2014).Na esfera
federal, o art 186, §1º, da Lei 8112/1990 estabelece o rol (taxativo) de doenças
consideradas graves, contagiosas ou incuráveis para efeitos de aposentadoria por
invalidez.
Forma de cálculo dos proventos da aposentadoria por invalidez: os proventos
serão calculados tendo como base as contribuições dos servidores e sua apuração
considerará a média aritmética simples das maiores remunerações, utilizadas como base
para as contribuições do servidor aos regimes de previdência a que esteve vinculado,
correspondentes a 80% (oitenta por cento) de todo o período contributivo (Lei
10.887/2004). Todos os valores de remuneração, considerados para o cálculo dos
proventos, serão devidamente atualizados na forma da lei (art. 40,§17, da CFRB/88). Os
proventos não podem exceder a remuneração do servidor no cargo em que se deu a
aposentadoria.
Aposentadoria por invalidez e EC 70/2012: a) os servidores efetivos que tenham
ingressado no serviço público até a data da publicação da EC 70/2012 (31/12/2012) terão
os proventos de sua aposentadoria por invalidez calculados com base na
remuneração do cargo efetivo em que se der a aposentadoria; e não das demais
contribuições vertidas para o RGPS ou RPPS; e b) as aposentadorias por invalidez dos
servidores que ingressaram no serviço público depois da data da publicação da EC
70/2012 (31/12/2012) serão revistas na mesma proporção e na mesma data, sempre que a
remuneração dos servidores ativos for modificada (princípio da paridade), sendo esta regra
aplicável às pensões por morte decorrentes dessas aposentadorias.
2) Aposentadoria voluntária (art. 40, § 1º,inciso III, da CFRB/88): Ocorre
quando o próprio servidor público, mesmo tendo condições físicas e jurídicas de continuar
ocupando o cargo, decide se aposentar. A aposentadoria voluntária pode ser com
proventos integrais ou proporcionais, dependendo do tempo de contribuição que o servidor
tiver no serviço público.
2.1) Aposentadoria voluntária por idade: idade de 65 anos, se homem, ou de 60,
se mulher. Os proventos serão proporcionais ao tempo de contribuição.
2.2) Aposentadoria voluntária por idade e tempo de contribuição: Para fazer
jus a essa aposentadoria é necessário: a) tempo mínimo de 10 anos de efetivo exercício

CICLOS R3 – G8 – MATERIAL JURÍDICO


114
no serviço público; b) tempo mínimo de 5 anos no cargo efetivo em que se dará a
aposentadoria; e c)30 anos de contribuição, se mulher, e 35 anos de contribuição, se
homem ; e d) 55 anos de idade, se mulher, e 60 anos de idade, se homem. Os proventos
serão integrais. Quanto ao item “b)”, não é necessário que os cinco anos de efetivo
exercício no cargo efetivo em que se dará a aposentadoria sejam ininterruptos (STF, RE
591467-AgR,Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 10/04/2012).
Forma de cálculo dos proventos da aposentadoria voluntária: Os proventos
serão calculados tendo como base as contribuições dos servidores e sua apuração
considerará a média aritmética simples das maiores remunerações, utilizadas como base
para as contribuições do servidor aos regimes de previdência a que esteve vinculado,
correspondentes a 80% (oitenta por cento) de todo o período contributivo (Lei
10.887/2004). Todos os valores de remuneração, considerados para o cálculo dos
proventos, serão devidamente atualizados na forma da lei (art. 40,§17, da CFRB/88).Os
proventos não podem exceder a remuneração do servidor, no cargo em que se deu a
aposentadoria.
3) Aposentadoria compulsória (art. 40, § 1º,inciso II, da CFRB/88): Atingida
determinada idade, o servidor público, independentemente de ainda possuir condições
físicas e mentais de continuar exercendo o cargo, deve ser obrigatoriamente aposentado.
Há aqui uma presunção absoluta de que, a partir daquela idade, o rendimento físico e
mental do servidor público sofre um decréscimo e, por razões de interesse público, ele
será aposentado, mesmo que, por sua vontade, ainda quisesse continuar no serviço
público.
Idade limite: a EC 88/2015 aumentou de 70 para 75 anos a idade limite para a
aposentadoria compulsória. A EC 88/2015 aumentou imediatamente para 75 anos a
idade da aposentadoria compulsória para os cargos de Ministros do STF, dos
Tribunais Superiores e do TCU, independentemente de qualquer intermediação
legislativa (art. 100 ao ADCT).A EC 88/2015 autorizou que fosse editada Lei Complementar
aumentando para 75 anos a idade da aposentadoria compulsória para os demais
servidores públicos. Em 03/12/2015, foi publicada a LEI COMPLEMENTAR Nº 152/2015
aumentando a idade da aposentadoria compulsória para 75 anos de todos os
servidores públicos de todos os poderes dos entes federados.

CICLOS R3 – G8 – MATERIAL JURÍDICO


115
Princípio da integralidade: garantia de que o servidor público, quando se
aposentasse, receberia o mesmo valor que já auferia na sua última remuneração. Tal
garantia foi extinta pela EC 41/2003.
Forma de cálculo dos proventos da aposentadoria compulsória: os proventos
serão proporcionais e calculados na forma da Lei 10887/2004.
Aposentadoria especial do servidor público: como ainda não foi editada a lei
complementar regulamentadora do art. 40, §4º, inciso III, da CFRB/88, o STF firmou
entendimento de que: “Aplicam-se ao servidor público, no que couber, as regras do
regime geral da previdência social sobre aposentadoria especial de que trata o artigo
40, § 4º, inciso III da Constituição Federal, até a edição de lei complementar
específica.”(Súmula Vinculante 33). Esta súmula abrange apenas as hipótese em que
o servidor trabalhou exposto a condições especiais prejudiciais à sua saúde e a
integridade física; não sendo aplicável aos casos do servidor com deficiência ou que
trabalhou exposto a atividades de risco.
Conversão do tempo especial em comum para aposentadoria do servidor
público: a Súmula Vinculante 33 não garantiu aos servidores o direito à conversão
do tempo especial em comum para fins de aposentadoria. Para o STF, não se extrai da
norma contida no art. 40, § 4º, inciso , III da CFRB/88 o dever constitucional de que o
Presidente da República e o Congresso Nacional editem uma lei prevendo contagem
diferenciada para quem trabalhou parte de sua vida em atividades insalubres e, ao final,
averbe (registre e some) este período de forma maior para fins de aposentadoria(STF, MI
3162 ED/DF, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 11/09/2014).
Aposentadoria do servidor com deficiência: Foi editada a Lei Complementar
142/2013, regulamentando a aposentadoria especial para os segurados com deficiência
filiados ao RGPS. Entretanto, não existe ainda manifestação dos Tribunais Superiores
sobre a aplicação dessa lei complementar aos servidores públicos com deficiência.
Aposentadoria do professor: Ao professor que comprove exclusivamente tempo
de efetivo exercício das funções de magistério na educação infantil, no ensino fundamental
ou no ensino médio, haverá redução e cinco anos tanto na idade quanto no tempo de
contribuição, para homens e mulheres. Tempo de serviço prestado fora da sala de aula:
são consideradas funções de magistério aquelas exercidas por professores e especialistas
em educação no desempenho de atividades educativas, quando exercidas em
estabelecimento de educação básica, incluídas, além da docência, as de direção e unidade

CICLOS R3 – G8 – MATERIAL JURÍDICO


116
escolar e as de coordenação e assessoramento pedagógico, na forma do art. 1º da Lei
11301/2006, norma validada pelo STF(ADI 3.772, julgada em 29/10/2008). A Súmula 726
do STF (“Para efeito de aposentadoria especial de professores, não se computa o tempo
de serviço prestado fora da sala de aula.”) não se aplica, pois, àqueles que desempenham
funções de direção e unidade escolar e as de coordenação e assessoramento
pedagógico.
2.12.2.2. Pensão por morte do RPPS
A pensão por morte é um benefício previdenciário concedido aos
dependentes do servidor público quando este morre, desde que preenchidos os
requisitos legais. Com a EC 41/2003, foi criado um “redutor” para as pensões que
superem o teto do RGPS. A renda corresponderá ao valor da totalidade dos proventos do
servidor falecido ou o total de sua remuneração no cargo efetivo em que se deu o óbito,
até o limite máximo estabelecido para os benefícios do RGPS, acrescido de 70% da
parcela excedente a este limite. Esta nova regra aplica-se às pensões concedidas com
base em óbitos ocorridos a partir de 21/06/2004, data em que entrou em vigor a Lei
10887/2004, em homenagem ao princípio tempus regit actum. A EC 41/2003 também
extinguiu o princípio da paridade, o qual consistia numa garantia que os servidores
públicos aposentados possuíam segundo a qual todas as vezes que havia um aumento na
remuneração recebida pelos servidores da ativa, esse incremento também deveria ser
concedido aos aposentados. Assim, o princípio da paridade enunciava que os proventos
deveriam ser iguais à remuneração da ativa. Os pensionistas (os dependentes dos
servidores públicos falecidos beneficiados com pensão por morte) também tinham direito
à paridade. A regra da paridade estava prevista no art. 40, § 8º, da CFRB/88, incluído pela
EC 20/1998. No lugar da paridade instituiu-se o chamado “princípio da preservação do
valor real”, previsto no art. 40, § 8º, da CFRB/88, segundo o qual os proventos do
aposentado devem ser constantemente reajustados para que seja sempre garantido
o seu poder de compra. Em homenagem ao princípio tempus regit actum, os
pensionistas de servidor falecido após a EC 41/2003, em regra, não têm direito à paridade
com servidores em atividade. Exceção: fazem jus à paridade os pensionistas de servidor
falecido posteriormente à EC 41/2003 caso a situação do instituidor da pensão se
enquadre na regra de transição prevista no art. 3º da EC 47/2005(STF, Plenário, RE
603580/RJ com repercussão geral, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgado em
20/05/2015).

CICLOS R3 – G8 – MATERIAL JURÍDICO


117
2.12.3.As regras de transição
As principais regras de transição são:

APOSENTADORIA VOLUNTÁRIA (por tempo e idade)


Art. 2º da EC 41/03
Ingresso no Serviço Público anterior à EC. Nº 20, completando as
exigências após a EC 41.

Categorias HOMEN MULHERES


S
Critérios Integral Integral
Idade Mínima 53 anos 48 anos
Tempo Mínimo no 05 anos 05 anos
cargo
Tempo de 35 anos 30 anos
Contribuição
Tempo de pedágio 20% 20% sobre o
sobre o tempo tempo faltante para
faltante para completar o tempo de
completar o contribuição em
tempo de 16/12/98
contribuição em
16/12/98
Tempo Mínimo no -0- -0-
Serviço Público
Redução dos Aplicaçã Aplicação do
proventos para cada ano o do FATOR FATOR REDUTOR,
antecipado, nos termos do REDUTOR, para para cada ano que
art. 2º da EC. 41/03 cada ano que faltar para atingir a
faltar para atingir idade de 60 anos,
a idade de 60 homem e 55, mulher:
anos, homem e 3,5% (para quem
55, mulher: 3,5% completar os requisitos
(para quem até dez/05) e 5% )para
completar os quem completar a
requisitos até partir de 1º/jan/06)

CICLOS R3 – G8 – MATERIAL JURÍDICO


118
dez/05) e 5%)
para quem
completar a partir
de 1º/jan/06)

Base de Cálculo Médias Médias das


das Contribuições a partir
Contribuições a de jul/94
partir de jul/94
Forma de Reajuste Sem Sem paridade
paridade

Os Magistrados, membros do Ministério Público e dos Tribunais


de Contas, se homem, terão o tempo de serviço até 16/12/98 contado
com acréscimo de 17%.

Magistério, na Educação Infantil, Ensino Fundamental e Médio,


se homem, terá o tempo de serviço até 16/12/98 contado com acréscimo
de 17%. Se mulher, o acréscimo será de 20%.

Ressalvada a opção pela Regra Geral do Artigo 40 da


Constituição Federal

ABONO DE PERMANÊNCIA para o servidor que, a partir de


01/01/04, tenha completado as exigências para a aposentadoria (quadro
acima), e optou por permanecer em atividade, até completar a exigência
para a compulsória - §5º, art. 2º da EC 41.

APOSENTADORIA VOLUNTÁRIA (por tempo e idade)


Art. 6º da EC 41/03
Ingresso no Serviço Público anterior à EC. Nº 41, completado as
exigências a partir de 01/01/04.

Categorias HOMENS MULHERES


CICLOS R3 – G8 – MATERIAL JURÍDICO
119
Critérios Integral Integral
Idade Mínima 60 anos 55 anos
Tempo Mínimo 05 anos 05 anos
no cargo
Tempo de 35 anos 30 anos
Contribuição
Tempo Mínimo 10 anos 10 anos
de Carreira
Tempo Mínimo 20 anos 20 anos
no
Serviço Público
Base de Última Última
Cálculo Remuneração Remuneração
Forma de Com Com paridade
Reajuste paridade

Nas Aposentadorias ESPECIAL de Magistério, será reduzido 5


anos na Idade e no Tempo de Contribuição - § 5º do art. 40 da CF.

Ressalvada a opção pela Regra Geral do art. 40 da CF, ou pela


Regra de Art. 2º da EC. 41.

APOSENTADORIA VOLUNTÁRIA (por tempo e idade)


Art. 3º da EC 47/05
Ingresso no serviço público até 16/12/98, completando as
exigências a partir de 01/01/2004.

FÓRMULA 85/95

Categorias HOMENS MULHERES


Critérios Integral Integral
Tempo
Mínimo no
25 anos 25 anos
Serviço
Público
Tempo
Mínimo de 15 anos 15 anos
Carreira
CICLOS R3 – G8 – MATERIAL JURÍDICO
120
Tempo
05 anos 05 anos
Mínimo no Cargo
Tem Tem
po de Ida po de I
Cont de Con dade
Tempo ribuição tribuição
36 59 31 5
4
37 58 32 5
3
Idade 38 57 33 5
2
39 56 34 5
1
40 55 35 5
0
41 54 36 4
9
Base de Última Última
Cálculo remuneração remuneração
Forma de Com paridade Com paridade
Reajuste

Na tabela acima, no que se refere tempo/Idade, aplicou-se a


REDUÇÃO de IDADE prevista no art. 3º, III da EC 47/05, relativamente
aos limites do art. 40, § 1º, III, alínea “a”, da CF, de um ano de idade
para cada ano de contribuição que exceder o tempo mínimo previsto
(não aplicável para benefícios especiais, ex.: professores).

Fórmula 85/95 – Significa que, cumprido o estabelecido no


quadro acima, o tempo de contribuição + idade, deve ser = 85 para
mulheres e = 95 para homens.

Ressalvado o direito de opção à aposentadoria pela Regra Geral


do art. 40 da CF ou pelas Regras estabelecidas pelos arts. 2º e 6º da EC.
41/03.

CICLOS R3 – G8 – MATERIAL JURÍDICO


121
Revisão de benefício previdenciário concedido pelo RPPS: O prazo para que o
servidor público proponha ação contra a Administração Pública pedindo a revisão do ato
de sua aposentadoria é de cinco anos, com base no art. 1º do Decreto 20.910/1932.
Após esse período ocorre a prescrição do próprio fundo de direito (STJ. 1ª Seção. Pet
9.156-RJ, Rel. Min. Arnaldo Esteves Lima, julgado em 28/05/2014).
2.12.3. O sistema de previdência complementar
A previsão para instituição de um regime de previdência complementar foi
trazida pela EC 20/98, que acrescentou o §14 ao art. 40 da CFRB/88. Ao instituir o regime
de previdência complementar para os servidores de cargos efetivos, a União, Estados,
Distrito Federal e Municípios poderão fixar o limite máximo do RGPS para o pagamento de
aposentadorias e pensões do RPPS. Esse regime de previdência complementar: a) deverá
ser instituído por lei de iniciativa do Poder Executivo; b) será instituído por intermédio de
entidades fechadas; c) terá natureza pública; e d) somente poderá adotar modalidade de
contribuição definida.
Para os servidores que tiverem ingressado antes da criação do regime de
previdência complementar só se aplicará este regime mediante prévia e expressa opção.
Aos servidores que mudarem de cargo efetivo não será aplicado o novo regime, desde que
não ocorra interrupção do vínculo funcional com qualquer ente federado, visto que não há
qualquer restrição constitucional nesse sentido.
No âmbito federal, foi editada a Lei 12.618/2012 instituindo a previdência
complementar dos servidores efetivos federais da Administração Direta e Indireta de
todos os Poderes da União.

CICLOS R3 – G8 – MATERIAL JURÍDICO


iEste material foi produzido pelos coaches com base em anotações pessoais de aulas,
referências e trechos de doutrina, informativos de jurisprudência, enunciados de súmulas,
artigos de lei, anotações oriundas de questões, entre outros, além de estar em constante
processo de atualização legislativa e jurisprudencial pela equipe do Ciclos R3.