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IT CEPD 001

Centro de Estudos e Pesquisa de Desastres.

IT CEPD 001
ESTIMATIVA DO QUANTITATIVO DE
INDIVÍDUOS EM MULTIDÕES.
MARÇO de 2006

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IT CEPD 001

PORTARIA No de 30 de março de 2006.

Aprova a Instrução Técnica CEPD 001 – ESTIMATIVA


DO QUANTITATIVO DE INDIVÍDUOS EM MULTIDÕES,
1a Edição, 2006.

O Coordenador Geral do Sistema de Defesa Civil, no uso


de suas atribuições resolve:

Art. 1o: Aprovar a Instrução Técnica CEPD 001 –


ESTIMATIVA DO QUANTITATIVO DE INDIVÍDUOS EM
MULTIDÕES, 1a Edição, 2006.

Art. 2 o: Determinar que esta Portaria entre em vigor na


data de sua publicação.

João Carlos Mariano Santana Costa


Coordenador Geral do Sistema de Defesa Civil.

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IT CEPD 001

IT CEPD 001
ESTIMATIVA DO QUANTITATIVO DE INDIVÍDUOS EM
MULTIDÕES.
Centro de Estudos e Pesquisa de Desastres.

Autor: Bruno Engert Rizzo


Ilustrações: Bruno Engert Rizzo
Revisão técnica: Alexander Georgiadis
Davi Figueiredo Becker
Josenir dos Santos
Luiz Claudio Macedo Tranin
Luis Fernando de Oliveira Teixeira
Manoel Augusto Santos de Oliveira
Silvana Maria Malízia Alves Ferreira

NOTA.

Solicita-se aos usuários desta Instrução Técnica a


apresentação de críticas e sugestões que tenham por
objetivo aperfeiçoa-la ou corrigir eventuais erros.

A correspondência pode ser enviada ao Centro de


Estudos e Pesquisa de Desastres na Av. Visconde de
Santa Isabel, 32, Vila Isabel. CEP 20560-120 Rio de
Janeiro – RJ, ou via correio eletrônico ao endereço
cepd_defesacivil@rio.rj.gov.br.

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IT CEPD 001

PREFEITURA DA CIDADE DO RIO DE JANEIRO


SECRETARIA DE GOVERNO
COORDENAÇÃO GERAL DO SISTEMA DE DEFESA CIVIL
CENTRO DE ESTUDOS E PESQUISA DE DESASTRES

COORDENADOR: Evandro Sarno Couto


DIRETOR ADMINISTRATIVO: Josenir dos Santos
DIRETOR TÉCNICO: Bruno Engert Rizzo
EQUIPE TÉCNICA: Alexander Geordiadis
Davi Figueiredo Becker
Luiz Claudio Macedo Tranin
Luis Fernando de Oliveira Teixeira
Manoel Augusto Santos de Oliveira
Silvana Maria Malízia Alves Ferreira

Copyright 2006 do autor.


Todos os direitos desta edição reservados à Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro

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IT CEPD 001

AGRADECIMENTO.

Agradecemos a Guarda Municipal, que com elevado espírito de


cooperação colocou à disposição seu pessoal. O
profissionalismo e a disciplina dos funcionários foram
relevantes para elaboração dessa IT.

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IT CEPD 001
ÍNDICE
1 – Introdução 07
2 – Objetivo 07
3 – Conceitos básicos 08
3.1 – Cartografia 08
3.1.1 – Croqui 08
3.1.2 – Aerofoto 10
3.1.3 – Ortofoto 12
3.1.4 – Ortofotocarta 13
3.1.5 – Planta cadastral 14
3.1.6 – Fotografia aeroespacial 15
3.1.7 – Projeto de empreendimento 15
3.1.8 – Planta de arquitetura e mapa 16
3.1.9 – Recursos cartográficos no município do RJ 16
3.2 – Escala 16
3.3 – Escala gráfica 17
4 – Noções de fotografia 18
4.1 – Foto vertical 19
4.2 – Foto oblíqua baixa 20
4.3 – Foto oblíqua alta 21
4.4 – Minimizando distorções 22
4.5 – Reconhecimento de fotos 24
5 – Referências para montagem da escala 25
5.1 – Ruas, avenidas e construções como referências 26
5.2 – Veículos como referências 27
5.3 – O corpo humano como referência 29
6 – Definições 31
6.1 – Estimativa de T (densidade ou taxa de ocupação) 32
6.2 – Taxas de ocupação típicas 33
6.3 – Emprego de fotos aéreas verticais 43
6.4 – Estimativa de M (mancha) 46
7 – Estimativa oficial do quantitativo de indivíduos numa
multidão 47
8 – Estimativa expedita com foto oblíqua 49
9 – Exemplos 49
9.1 – Foto vertical 49
9.2 – Foto oblíqua 55
9.3 – Show dos Rolling Stones em Copacabana 56

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1 – INTRODUÇÃO.

Cidades como Rio de Janeiro, São Paulo, Salvador e Recife, entre


outras, têm sido palco de grandes eventos que concentram público
com cada vez mais freqüência.

Estimar o número de indivíduos que compõe uma multidão é de


fundamental importância para a COSIDEC e mesmo para
administradores de eventos.

A experiência tem mostrado que os quantitativos têm sido


superestimados o que pode levar a conseqüências indesejadas.

Quanto mais precisa essa estimativa, tanto mais eficiente será o


planejamento das medidas de resposta numa eventual crise.

Além disso, é importante avaliar com relativa precisão o quantitativo


de pessoas em aglomerações, sejam elas decorrentes de eventos
ou situações emergenciais, de forma a evitar a desinformação que
pode conduzir a resultados não desejados, especulações ou mesmo
a manipulações.

Também é fundamental, para comparações e estudos, que exista


uma padronização técnica da metodologia para essas avaliações.

Cabe mencionar que a literatura sobre o assunto é muito escassa. O


assunto é dominado por analistas de foto interpretação,
principalmente da área militar, porém não existem métodos
ostensivamente divulgados.

2 - OBJETIVO.

A presente Instrução Técnica – IT CEPD 001 tem o objetivo de


apresentar técnicas para estimar o quantitativo de indivíduos em
multidões e criar uma metodologia para gerar informações oficiais
confiáveis.

Os princípios quais reunidos também se aplicam a planejamentos


que envolvam aglomerações de pessoas e demandem estimativas
de ocupação de área em função de público esperado.

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3 - CONCEITOS BÁSICOS.

Todas as técnicas aqui apresentadas demandam conhecimentos


elementares de cartografia e fotointerpretação.

Segue uma breve apresentação de conceitos básicos sobre esses


tópicos, onde só serão abordados os aspectos estritamente
essenciais ao entendimento e aplicação dessa IT.

3.1 – Cartografia.

Cartografia é um conjunto de técnicas que visam à elaboração,


redação e reprodução de cartas geográficas e mapas.

Atualmente existe uma imensa gama de produtos e informações


acessíveis no mercado. Com a banalização da imagem obtida por
fotos aeroespaciais, existem hoje fotos de boa resolução disponíveis
gratuitamente na Internet através de site como o Google Earth.

Para aplicação dessa IT é importante conhecer os seguintes


recursos.
- Croqui ou desenho esquemático.
- Aerofoto.
- Ortofoto.
- Ortofotocarta.
- Planta cadastral.
- Fotografia aeroespacial.
- Projeto de empreendimento.

Segue uma breve apresentação desses meios.

3.1.1 - Croqui.

Nessa IT croqui será definido como uma representação local de uma


área, sem fidelidade de escala. Pode ser retirada de um guia de
ruas e complementado com medidas locais ou obtido por um
levantamento de campo expedito feito com trena, bússola ou outro
instrumento.

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Figura 1 - Reprodução parcial de guia de ruas. (Guia 1998 Quatro


Rodas)

Atualmente guias de ruas são desenvolvidos com base em plantas


cadastrais. Entretanto, podem apresentar distorções de medidas
que levam a erros grosseiros. A escala da maioria dos guias é da
ordem de 1 : 12000 a 1 : 15000.

Na falta de uma fonte mais confiável o guia de rua pode ser um


instrumento valioso, desde que seja complementado com medidas
locais como largura de ruas, dimensões de quarteirões entre outras.

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3.1.2 – Aerofoto.

A aerofoto é uma foto tirada de uma aeronave, podendo ter escala


definida ou não. As fotos tiradas com equipamento profissional,
controle de altitude, verticalidade e objetiva especial produzem fotos
verticais em escala. As fotos tiradas com equipamento amador, sem
controle de altitude e com objetiva comum, produzem fotos sem
escala definida.

Figura 2 – Parte de uma foto aérea feita com câmera profissional.

Quando são conhecidos altitude do vôo e objetiva da câmera, a


escala da foto é determinada pela relação f (objetiva) / H (altura de
vôo). Normalmente todas essas informações vêm impressas na
foto.

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Cabe ressaltar que a foto em preto e branco, apesar de


normalmente menosprezada pelo fotografo amador, permite
trabalhar com seu negativo, o que facilita a contagem de pessoas
numa multidão. As áreas próximas ao chão, pouco expostas à luz,
porém não ocupadas por pessoas ficam escuras numa foto normal.
No negativo essas áreas ficam brancas e as cabeças das pessoas,
mais expostas a luz que os ombros, ficam pretas e sobressaem no
fundo claro. Além disso, as cabeças ocupam uma projeção menor
que o restante do corpo e as áreas de sombra, o que as realça.

Figura 3 – parte da foto da figura 2 em negativo.

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3.1.3 – Ortofoto.

A ortofoto é uma fotografia aérea restituída de forma a corrigir


distorções decorrentes de relevos e da projeção cônica inerente ao
processo fotográfico. Na ortofoto, a projeção cônica da foto aérea é
transformada em uma projeção ortogonal. Através desse processo,
todos os objetos fotografados mantém suas proporções com os
objetos homólogos. Um conjunto de ortofotos permite montar um
mosaico através do qual se cobre grandes áreas.

Figura 4 – Reprodução parcial da ortofoto 17B-043 fornecida pelo


IPP.

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3.1.4 – Ortofotocarta.

A ortofotocarta é a reprodução de uma ortofoto ou de um mosaico


complementados com informações tais como curvas de nível,
altimetria, reticulado, identificação de acidentes, dados marginais e
outras.

Figura 5 – Reprodução parcial de uma ortofotocarta.

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3.1.5 - Planta cadastral.

A planta cadastral é a reprodução de uma carta a partir de fotos


aéreas restituídas. Normalmente são utilizadas para cadastro
imobiliário ou outras aplicações que demandem fidelidade e
precisão.

Figura 6 - Reprodução parcial da planta cadastral 287F-1-I


fornecida pelo IPP.

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3.1.6 - Fotografia aeroespacial.

A fotografia aeroespacial é um recurso que vem se popularizando e


atualmente já existem até fotos de áreas urbanas disponíveis
gratuitamente na internet. O Google Earth é uma ferramenta de
trabalho interessante nesse sentido.

Figura 7 – Foto aeroespacial de Copacabana obtida no Google


Earth.

3.1.7 - Projeto de empreendimento.

Grandes empreendimentos como vilas olímpicas, complexos


comercias e outros, demandam projetos específicos que permitam
ter uma visão global de todas as instalações e construções.

Apesar de ser um documento de precisão boa é necessário verificar


se tudo que foi projetado efetivamente foi construído. Para tal é
interessante consultar um documento denominado “como

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construído” que normalmente é elaborado no final da execução e
tem por objetivo documentar a obra como efetivamente foi
executada.

3.1.8 - Planta de arquitetura e mapa.

A planta de arquitetura é pouco útil como material de consulta para o


trabalho objeto essa IT, pois normalmente é desenvolvida para
empreendimentos isolados.

O mapa praticamente não tem utilidade no âmbito dessa IT, pois é


elaborado para cobrir grandes áreas e sua escala não tem a
precisão necessária.

3.1.9 - Recursos cartográficos no município do Rio de Janeiro.

No Rio de Janeiro o Instituto Municipal de Urbanismo Pereira


Passos é o órgão responsável pela cartografia da cidade.

Todo território do município do Rio de Janeiro encontra-se mapeado


em escala 1: 10000 e 1:2000. O acervo de fotos, plantas e mapas
pode ser consultado pela Internet ou diretamente no Instituto Pereira
Passos.

3.2 – Escala.

Escala é a relação constante entre as medidas de um modelo (li) e


as medidas homólogas do objeto (Li) representado por esse modelo.

A tabela 1 indica algumas escalas usuais:

Finalidade Escalas usuais


Planta de arquitetura 1:50 a 1:200
Planta de empreendimento 1:500 1:1000 1:2000
Aerofoto 1:1000 1:8000 1:20000
Ortofoto 1:2000 1:10000
Planta cadastral 1:2000 1:10000

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Foto aeroespacial 1:1000 a 1:20000
Mapa 1:200000 a 1:10000000
Tabela 1 – Escalas usuais

Note-se que essas são escalas usuais, podendo-se encontrar


escalas menores ou maiores. Muitas vezes, de acordo com a
necessidade a escala é determinada pelo usuário.

No trabalho de fotointerpretação, quando são empregadas fotos sem


escala conhecida, a escala é determinada de acordo com elementos
disponíveis, o que, via de regra, leva a escalas com números
decimais.

3.3 - Escala gráfica.

A representação gráfica de uma escala numérica é chamada de


escala gráfica. Sua utilidade se torna evidente quando é colocada
em local apropriado no desenho, pois nos casos de reprodução,
eventuais deturpações, ampliações ou reduções do mesmo,
mantém-se as mesmas proporções. Tal também ocorre com
dilatação e retração do papel, no qual o desenho foi realizado.

Além disso, a escala gráfica fornece, rapidamente, sem necessidade


de cálculos, o valor real das medidas executadas sobre o desenho,
qualquer que tenha sido a redução ou ampliação sofrida por este.

Figura 8 – Construção de escala.

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A figura 8 é um problema típico onde a partir de um desenho ou foto
qualquer com dimensões reais conhecidas, calcula-se a escala que
depois é representada graficamente.

É fundamental saber identificar objetos na foto que não tenham


sofrido distorções que deturpem demasiadamente a escala.

4 – NOÇÕES DE FOTOGRAFIA.

Um dos recursos mais importantes para estimar o número de


pessoas que compõem uma multidão é a fotografia.

A fotografia combinada com qualquer recurso cartográfico e


informações de campo, permitem fazer estimativas bastante
precisas.

Não se trata aqui da foto aérea para confecção de mosaicos ou


ortofoto, que demanda equipamento caro e sofisticado, mas sim das
fotos amadoras tiradas com câmeras comuns como fonte
complementar de informação. Essas fotos podem ser tiradas do alto
de edificações, elevações naturais ou mesmo de helicópteros.

A seguir serão apresentadas algumas noções de fotografia para


evitar que esse recurso tão importante seja mal utilizado e induza a
erros.

A foto para esse trabalho deve ser de boa qualidade, com o mínimo
de distorções possível.

São requisitos fundamentais:


- nitidez (foco);
- contraste;
- iluminação adequada;
- em máquinas digitais: boa resolução (quanto maior melhor);
- objetiva adequada.

Atualmente, tanto as câmeras digitais como as analógicas


disponíveis no mercado resolvem foco, iluminação e contraste
automaticamente com bom resultado.

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Quanto à objetiva, é preciso lembrar que algumas lentes geram
distorções inaceitáveis.

Quanto mais curta a objetiva, tanto maior será o ângulo por ela
coberto. Entretanto, maior será também a distorção radial.

Figura 9 – Cobertura com objetivas 35 mm, 50 mm e 80 mm.

Quanto à inclinação do eixo ótico as fotos podem ser:


- vertical.
- oblíqua baixa.
- oblíqua alta.

4.1 - Foto vertical

Considera-se vertical a foto cujo eixo ótico tenha uma inclinação


máxima de até 3o com a perpendicular ao plano do solo. A foto
vertical é facilmente identificável pois no ponto que coincide com o
centro ótico só é visível a projeção horizontal do objeto fotografado.
Com equipamento amador, dificilmente se consegue tirar fotos
verticais, pois nivelar a câmera fotográfica dentro da aeronave sem
recursos é praticamente impossível. Ainda assim, com um pouco de
prática, é possível tirar fotos quase verticais, principalmente com
câmeras adaptadas a níveis de bolha.

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Conforme já mencionado, a fotografia aérea vertical é uma projeção
cônica, ou seja, os objetos deformam-se no sentido radial a partir do
centro da fotografia. Quanto mais curta a objetiva, tanto maior será a
distorção. A figura 10 ilustra essa distorção em apenas um plano.

Figura 10 – Distorção radiais de proporções na foto.

4.2 - Foto Oblíqua baixa.

A foto obliqua baixa é utilizada para reconhecimentos locais. Permite


avaliar proporções e principalmente elevações. Tecnicamente
considera-se oblíqua baixa, a foto cuja inclinação do eixo ótico em
relação à horizontal seja próximo a 30o.

Figura 11 - Foto oblíqua baixa.

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4.3 - Foto oblíqua alta.

É excelente para mostrar em profundidade aquilo que se deseja


registrar. No caso específico do registro da mancha formada por
uma multidão de pessoas, a foto oblíqua alta fornece informações
referenciais que permitem localizar a mancha e seus diversos
planos em profundidade.

Figura 12 – Foto oblíqua alta

As fotos oblíquas são facilmente identificáveis, pois sempre mostram


um plano de elevação dos objetos fotografados e distorções de
paralelismo com pontos de fuga e uma linha de horizonte.

A figura 13 ilustra uma foto vertical, onde proporções e ângulos se


mantém constantes e uma foto oblíqua, onde linhas paralelas se
tornam convergentes e os ângulos distorcem.

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Figura 13 – Distorção de dimensões e geração de desproporções.

4.4 - Minimizando distorções.

Conforme mencionado, cada tipo de foto tem seu emprego. Fotos


verticais mantém proporções e são apropriadas para contagem de
pessoas numa mancha, principalmente na determinação da
densidade.

Fotos oblíquas são mais acessíveis e permitem definir limites da


mancha com relativa precisão, desde que não sejam muito baixas.

Em fotos verticais tiradas com máquinas como aquelas normalmente


encontradas no mercado, para minimizar erros de escala devido à
distorções radiais, uma regra simplificada, porém prática consiste
em dividir a foto em 5 partes. A área central gera poucas distorções,
as adjacentes, distorções aceitáveis. O perímetro externo deve ser
desprezado.

Recomenda-se também não empregar objetivas curtas como grande


angular ou “olho de peixe”.

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Figura 14 – Proporções de aproveitamento de fotos.

Caso seja necessário cobrir uma área maior que aquela visível na
parte central da foto, recomenda-se tirar várias fotos com
superposição de aproximadamente 50% e depois fazer a montagem
como se fosse uma foto panorâmica.

Figura 15 - Composição de foto.

Para montagem da foto, corta-se a metade da área superposta em


cada uma das fotos.

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Para que essa fotocomposição tenha resultados minimamente
satisfatórios, é necessário que todas sejam tiradas da mesma altura,
com a mesma objetiva e que sejam o mais verticais possíveis.

4.5 - Reconhecimento de fotos.

Quando se obtém uma foto, sem que se tenha informações sobre


altura do vôo, objetiva e ângulo de inclinação do eixo da objetiva,
uma análise da mesma permite algumas conclusões.

Fotos verticais sempre apresentam um ponto onde só se vê uma


projeção horizontal, sem qualquer elevação. Ver figura 16.

Nessa foto o centro ótico é provavelmente o ponto marcado com


uma cruz vermelha. A foto é vertical, pois conforme se pode notar,
na lateral direita é possível ver um trecho da parede em elevação.
Na lateral esquerda idem. No centro apenas se vê uma linha grossa
que é provavelmente um muro, do qual não se vê nada a não ser a
projeção horizontal.

Além disso, pelo fato da elevação ser pouco visível, conclui-se que
essa foto foi tirada de um ponto relativamente alto.

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Figura 16 – Foto vertical com centro marcado com uma cruz


vermelha.

Fotos verticais baixas apresentam grande distorção das linhas


paralelas verticais.

Fotos oblíquas sempre apresentam elevações e pontos de fuga, ou


seja, linhas que na realidade são paralelas, na foto são
convergentes.

5 – REFERÊNCIAS PARA MONTAGEM DE ESCALAS.

Quando a foto não tem escala definida, o que é recorrente em fotos


tiradas sem controle ou equipamento profissional, é necessário
montar a escala em função de referências conhecidas.

Qualquer referência que apareça na foto com poucas distorções e


tenha medidas conhecidas serve para montar a escala. Nesse
sentido, as referências foram agrupadas em 3 categorias:

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- referências excelentes que permitem a construção de escalas
muito precisas;
- referências de média precisão;
- referências de baixa precisão.

Referências excelentes:
- larguras de avenidas, ruas e calçadas;
- comprimentos de trechos de ruas entre quarteirões;
- grandes dimensões que podem ser identificadas na carta e na
foto do evento.

Referências de média precisão:


- veículos
- mobiliário urbano;

Referências de baixa precisão:


- corpo humano.

Estimativas oficiais devem ser feitas com referências excelentes.

Nota: especificamente no estudo de fotos oblíquas, o corpo humano


apesar de ser uma referência de baixa precisão, gera bons
resultados.

A seguir serão fornecidas algumas referências típicas, que podem


ser empregadas na falta de medida de referência aferida.

5.1 – Ruas, avenidas e construções como referências.

Essas referências são tidas como excelentes pelo fato de


apresentarem dimensões maiores e por ser fácil conhecer a
verdadeira grandeza com precisão, bastando para tal consultar uma
aerofoto ou carta em escala 1:2000 ou em caso de necessidade
obter a medida “in loco”.

Convém lembrar, que quanto maior o trecho identificado como


referência, tanto menor será o erro associado a escala montada.

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5.2 - Veículos como referências.

Veículos são referências de média precisão. Uma vez identificado o


modelo e a marca, suas dimensões podem ser obtidas em catálogos
ou bancos de dados. A precisão fica prejudicada apenas pelas
dimensões dos veículos que não sendo muito grandes numa foto,
podem produzir erros de grafismo da ordem de 3% a 5%
dependendo da escala.

Dentre os veículos mais interessantes para referência de escala


estão os ônibus urbanos. A única dificuldade é a identificação do
modelo através da foto aérea.

O ideal seria manter um banco de dados com fotos verticais e fichas


técnicas com perfis e dimensões fornecidas pelo fabricante.

A tabela 2 de dimensões de veículos não está completa e apresenta


apenas alguns dos veículos atualmente em fabricação.

Exemplo de fichas para banco de dados:

Figura 17 – Dimensões de veículos com foto aérea

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Dimensões (mm)
Veículo
A B C D
Chevrolet Vectra 1458 1728 2703 4618
Fiat Stilo 1540 1756 2600 4253
Fiat Marea 1434 1741 2540 4393
Fiat Pálio 1434 1634 2373 3827
Ford Focus 1447 1840 2640 4342
Ford Ranger Super Cab. 1755 1763 3192 5154
Ford Ranger Cab. Dupla 1779 1763 3192 5125
Ford Ecosport 1620 1730 2490 4230
GM Corsa Sedan 1420 1608 2443 4056
GM Celta 1439 1614 2360 3735
Renault Mégane Sedan 1435 1698 2580 4436
Renault Scénic 1615 1719 2580 4169
Renault Trafic Longo 2545 1905 3200 4890
Renault Clio 1425 1639 2472 3772
Renault Zafira 1629 1742 2703 4317
Renault Picasso 1637 1751 2760 4276
Toyota Hilux 1810 1835 2085 5255
VW Kombi 2040 1720 2400 4505
VW Golf 1580 1759 2578 4206
VW Gol 1410 1650 2460 3930
Tabela 2 – Dimensões de veículos.

Nota: As dimensões fornecidas na tabela 2 podem apresentar


pequenas variações. (Em alguns casos foram encontradas
informações conflitantes em fichas técnicas dos veículos aqui
apresentados).

É interessante notar, que a dimensão da largura dos veículos varia


pouco dentro das categorias. Ou seja, Um veículo de passeio tem
largura aproximada de 1,65 m e os utilitários 1,80 m.

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Figura 18 – Dimensões de ônibus

Dimensões (mm)
Veículo
A B C D
CAIO Apache S21 3260 2500 Variável Variável
CAIO Apache STD 3150 2500 5950 12100
Tabela 3 – Dimensões de ônibus.

5.3 - O corpo humano como referência.

O corpo humano é uma referência de baixa precisão, pois suas


dimensões variam consideravelmente de um indivíduo para o outro,
de acordo com genotipo, sexo, idade, e etnia. O povo brasileiro
ainda não apresenta um padrão antropométrico típico. A maioria dos
brasileiros têm a altura entre 1,65 m até 1,80 m, podendo se
encontrar indivíduos mais altos e mais baixos que esses extremos.
Além disso as dimensões do corpo humano são pequenas em
relação à dimensão da foto, o que por si gera um erro de grafismo
grande na construção da escala.

Entretanto, no âmbito dessa IT, as medidas médias se aplicam,


principalmente na análise de fotos oblíquas com um primeiro plano

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muito próximo da câmera. Nesse caso, a medida da largura do
crânio (C) é a mais útil e sempre que possível, na falta de
referências mais precisas, deve ser aquela escolhida.

A tabela 4 apresenta medidas antropométricas básicas .

Figura 19 - Dimensões médias do corpo humano utilizadas em


projetos. Ver tabela 4.

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Dimensão Adulto
(mm)
A 410
B 900
C 160
D 1750
E 2250
F 820
G 180
H 1610
I 300
Tabela 4 – Dimensões médias

O ideal seria conhecer as variações máximas dessas medias para


homens e mulheres. Tais variações permitiriam conhecer o erro
máximo na construção da escala.

6 – DEFINIÇÕES.

Para evitar falhas na comunicação relativa ao assunto objeto dessa


IT ou mesmo interpretação inadequada de termos, esses serão
tecnicamente definidos. Essas definições valem apenas para essa
IT.

Multidão – Aglomeração de pessoas.


T (densidade ou taxa de ocupação) – Quantidade de pessoas por
m2.
M (mancha) – Área delimitadas pela projeção horizontal coberta
pela multidão.
Q (quantitativo de pessoas) – Número total de pessoas que
compõem a multidão.
E (erro) – Erro máximo esperado.

Estimar o quantitativo de pessoas que formam uma multidão pode


ser feito por métodos precisos ou expeditos.

Seja qual for o método, tudo se resume a uma relação que envolve
a área da mancha e a taxa de ocupação na mesma.

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De forma genérica:

Independente do método escolhido, a dificuldade será avaliar com


precisão os parâmetros M e T.

Caso a mancha seja composta por áreas com densidades distintas,


é necessário subdividir a mancha em áreas menores, cada uma
correspondendo a um taxa de ocupação.

6.1 – Estimativa de T (densidade ou taxa de ocupação)

A densidade é o parâmetro que pode induzir ao maior erro no


quantitativo final, pois uma pequena variação nessa taxa propaga
um erro percentual elevado.

Uma densidade estimada de forma equivocada facilmente leva a um


erro inaceitável e não é difícil cometer tal erro. A diferença entre 5
pessoas/m2 e 8 pessoas/m2 aparentemente é pequena, mas
representa um erro de 60%. Quando multiplicado por uma área
grande pode significar um erro da ordem de centenas de milhares.

A densidade pode ser estimada por observação “in loco” ou por


fotointerpretação. Essa última técnica traz resultados bastante
precisos, porém necessita de referências de escala que permitam
determinar a verdadeira grandeza de elementos constantes da foto.
A foto tem uma vantagem adicional uma vez que gera
documentação incontestável.

Conforme já mencionado, servem como referências de escala


veículos, fachadas, ou qualquer padrão cujas dimensões reais
sejam conhecidas e apareçam na foto.

Uma vez construída a escala é possível estimar a densidade com


bastante precisão.

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6.1.1 - Taxas de ocupação típicas.

Considerando ambientes abertos e indivíduos adultos de estatura


média, é praticamente impossível atingir a taxa de 10 pessoas/m2.

Excepcionalmente, em ambientes confinados como veículos de


transportes coletivos superlotados talvez seja possível chegar a
essa taxa por um reduzido espaço de tempo.

Portanto, em nenhuma hipótese será considerada densidade igual


ou superior a 10 pessoas/m2 para aglomerações de adultos.

Público mesclado, composto por crianças e adultos também não


chega a 10 pessoas/m2.

A única exceção é o público composto exclusivamente por crianças


onde podem ocorrer densidades ligeiramente superiores. Entretanto
é rara a ocorrência de grandes eventos onde o público seja
exclusivamente infantil.

Segue uma descrição das taxas passíveis de ocorrência em


diversas situações com fotografias tiradas numa área de 3,0 m x 3,0
m indicada por um reticulado vermelho nas fotos.

33
IT CEPD 001
9 pessoas /m2 – ocorrência excepcional em áreas confinadas.

Essa taxa excepcionalmente ocorre em transportes coletivos


superlotados ou pequenas áreas em ambientes confinados e por
pouco tempo. Em áreas abertas essa taxa é impossível de ser
atingida. Além de ser fisicamente difícil, essa densidade chega a ser
claustrofóbica.

Portanto, em nenhuma hipótese essa densidade será utilizada em


áreas abertas ou grandes eventos.

8 pessoas /m2 – ocorrência raríssima em áreas confinadas.

Essa taxa não ocorre em eventos muito menos em grandes


extensões, porém é possível em condições excepcionais e
transitórias, como áreas de acesso a estádios ou situações similares
em locais confinados. Na prática, 8 pessoas/m2 chega a ser
extremamente incômodo e insuportável por um período prolongado
uma vez que as pessoas ficam completamente imobilizadas.

Do ponto de vista do controle de uma multidão essa taxa deve ser


evitada, pois qualquer incidente pode se transformar em desastre.

Vale lembrar também que é praticamente impossível retirar uma


pessoa de uma mancha dessa densidade em caso de emergência.

Essa taxa é tão difícil de ser atingida em áreas desconfinadas, que


não foi possível obter uma foto.

34
IT CEPD 001
7 pessoas /m2 – ocorrência rara em áreas confinadas.

Essa taxa é rara em áreas confinadas e raríssima em áreas


desconfinadas, onde só ocorre de forma pontual e localizada.

Em eventos dificilmente ocorre a não ser no perímetro


imediatamente adjacente ao acontecimento e em condições
excepcionais.

A figura 21 mostra uma área com uma taxa de 7 pessoas/m2, onde é


possível notar que as pessoas já estão espremidas e sem
mobilidade. A foto também mostra que é praticamente impossível
aumentar a densidade.

Figura 20 - Densidade = 7 pessoas /m2.

35
IT CEPD 001
6 pessoas /m2 – ocorrência máxima em áreas desconfinadas.

A observação tem mostrado que na prática, essa é a taxa máxima


que ocorre em áreas desconfinadas. É rara, porém ocorre em
eventos disputados no cinturão de pessoas que formam o perímetro
imediatamente adjacente ao acontecimento. Essa densidade não se
sustenta em profundidade numa mancha.

Figura 21 – Densidade = 6 pessoas /m2

Essa densidade talvez ocorra num perímetro máximo de 5 m a 10 m


em torno do local onde o evento acontece.

36
IT CEPD 001
5 pessoas /m2 – ocorrência pouco freqüente em áreas extensas.

Essa taxa ocorre em eventos concorridos, porém somente no


perímetro privilegiado adjacente ao cinturão de pessoas que cerca o
acontecimento. Nas áreas mais afastadas a densidade tende a ser
menor. O espaço entre as pessoas é reduzido, ficando a mobilidade
extremamente reduzida.

Figura 22 – Densidade = 5 pessoas/m2.

37
IT CEPD 001
4 pessoas /m2 – ocorrência normal em áreas extensas.

Essa densidade ocorre em shows e eventos que concentram grande


público. Normalmente essa é a taxa da grande massa de público na
área intermediária da mancha. Note-se que não há espaço que
permita a passagem de pessoas, mas é possível ver algumas áreas
vazias. Essa densidade dificilmente ocorre em deslocamentos de
massas.

Figura 23 – Densidade = 4 pessoas/m2.

38
IT CEPD 001
3 pessoas /m2 – ocorrência mais freqüente em áreas extensas.

Essa é a densidade média mais freqüente em shows e eventos que


concentram grande público. Normalmente ocorre nas áreas
periféricas da mancha. Eventualmente ocorre em blocos de
carnaval ou outros eventos similares.

Figura 24 – Densidade = 3 pessoas/m2.

39
IT CEPD 001
2 pessoas /m2 – ocorrência freqüente em deslocamentos.

Essa taxa normalmente ocorre em multidões em deslocamentos


como passeatas e comícios. Eventualmente ocorre em eventos, nas
áreas mais afastadas dos acontecimentos.

Figura 25 – Densidade = 2 pessoas/m2.

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IT CEPD 001
1 pessoas /m2 – ocorrência freqüente em formaturas.

Essa taxa normalmente ocorre em formaturas ou mesmo


deslocamentos para comícios.

Figura 26 – Densidade = 1 pessoas/m2.

É interessante notar que essas taxas são dinâmicas. Uma passeata


que durante o deslocamento tem uma densidade que varia de 1 a 2
pessoas/m2, quando chega ao local ou ponto de encontro se
concentra passando a assumir o comportamento de massa estática
com densidade que chega a 3 pessoas/m2 e no máximo 4
pessoas/m2.

A figura 27 mostra as diversas densidades de forma a permitir uma


comparação visual mais clara.

Uma das técnicas expeditas para estimar a densidade da mancha é


exatamente a comparação visual, onde se procura identificar os
vazios e as distancias entre cabeças.

41
IT CEPD 001

Figura 27 – Comparação visual de densidades.

Quando são analisadas fotos oblíquas é importante lembrar que não


cabem 2,5 pessoas de frente, lado a lado em um metro.

Na figura 28 algumas das pessoas na primeira linha estão


desalinhadas e algumas estão semiperfiladas, o que mostra que
não cabem sete pessoas de estatura média numa linha de 3,0 m.

42
IT CEPD 001

Figura 28 – Foto frontal mostrando densidade máxima em uma


linha.

6.2 - Emprego de fotos aéreas verticais.

O emprego de fotos aéreas verticais para estimativa da densidade é


um método de boa precisão e de fácil aplicação.

O método consiste em identificar na foto da mancha qualquer


dimensão cuja verdadeira grandeza seja conhecida. Com base
nessa dimensão e na escala da foto é possível construir um
reticulado, que uma vez plotado sobre a mancha permite fazer uma
contagem precisa.

Na prática, como a mancha dificilmente apresenta uma densidade


homogênea, é necessário subdividi-la em áreas representativas e
estimar as respectivas densidades médias.

As áreas podem ser calculadas eletronicamente ou por processos


geométricos, com subdivisão em reticulados.

43
IT CEPD 001
A mancha deve ser dividida no mínimo em três áreas distintas. A
saber:
- área adjacente aos acontecimentos;
- área principal;
- periferia.

O critério para essa divisão é a densidade representativa.

6.3 - Emprego de fotos oblíquas.

As fotos oblíquas apresentam uma dificuldade adicional, pois as


grandezas se deformam conforme a profundidade do plano
apresentado na foto devido ao efeito de perspectiva com um ponto
de fuga no horizonte.

Tal dificuldade implica em construir uma escala que varia com a


profundidade dos planos apresentados na foto. Essa escala em
forma de teia de aranha depende da inclinação da foto e pode levar
a erros grosseiros, principalmente quando o final da mancha se
confunde com o ponto de fuga.

44
IT CEPD 001
Figura 29 – Foto obliqua com mancha terminando próximo ao ponto
de fuga.

A construção da escala é um processo gráfico e na prática só serve


para estimativas expeditas, pois só é possível visualizar bem os
primeiros planos.

O processo gráfico consiste em:


- identificar o ponto de fuga e o horizonte na foto.
- traçar uma linha do centro na parte inferior da foto ao ponto de
fuga. Este é eixo da foto;
- lançar as linhas de fuga, espaçadas de metro em metro. Quando
a largura da rua é conhecida, esse processo é simples, pois
basta escolher dois planos em profundidades distintas, traçar
linhas perpendiculares ao eixo da rua e dividir a rua em
segmentos proporcionais a 1 m;
- sobre o eixo, no primeiro plano, marcar profundidades de 1,0 m.
O mais fácil é utilizar cabeças visíveis de frente na foto e em fila
na direção das linhas de fuga;
- marcados os três ou cinco primeiros metros é possível verificar em
que proporção as distâncias relativas a um metro diminuem sobre o
eixo da foto;
- desenhar o reticulado nas linhas de fuga centrais.
- contar o número de segmentos entre linhas de fuga e o número de
teias desenhadas sobre o eixo central;
- estimar a densidade média de um retículo;
- multiplicar o número de segmentos entre linhas de fuga pelo
número de retículos, pela densidade média.

Na prática esse processo só é empregado quando não se dispõe de


outras informações que permitam calcular a área da mancha com
mais precisão.

6.4 – Estimativa de M (mancha).

A mancha pode ser estimada por métodos mais expeditos ou


precisos conforme o objetivo desejado.

Uma estimativa oficial para divulgação de um balanço de um evento


ou mesmo para estudo que venha a subsidiar futuros planejamentos

45
IT CEPD 001
deve ser feita com cálculo preciso de áreas e determinação de
densidades médias em pelo menos 25 áreas representativas.

Uma estimativa local para avaliação de uma situação emergencial


pode ser menos precisa, desde que a informação seja empregada
com critério.

Para plotar a mancha é necessário lançar mão de informações de


campo que podem ser obtidas por reconhecimento local com
fotografias terrestres ou com fotografias aéreas.

O reconhecimento consiste em fotografar vários trechos ao longo da


mancha de forma a documentar toda sua extensão e densidades. É
importante registrar pontos facilmente identificáveis na planta
cadastral ou base cartográfica utilizada.

Podem servir como referência local:ruas, construções, monumentos,


pontos de inflexões de avenidas ou quaisquer outras informações
que constem das plantas e sejam identificáveis no campo.

Uma vez identificados os limites da mancha, ela pode ser plotada


numa planta cadastral 1:2000 ou em outro meio de forma que se
possa calcular a área com precisão.

No caso das plantas cadastrais digitalizadas, é possível calcular a


área eletronicamente.

A situação mais simples é uma mancha com contornos claramente


definidos e uma taxa de ocupação T, uniforme.

Caso a mancha apresente áreas com taxas de ocupações distintas,


que é o mais comum, a mancha deve ser subdividida em áreas
menores, cada uma correspondendo a uma taxa de ocupação.

Nesse caso a quantidade de pessoas Q será calculada pela


expressão que se segue:

Onde:

46
IT CEPD 001
Q = quantidade de indivíduos
Mi = subárea i
Ti = taxa de ocupação correspondente subárea i.
i = 1 até número total de áreas subdivididas.

Não existe limite máximo para o número de subdivisão de áreas,


sendo 3 o mínimo.

7 - ESTIMATIVA OFICIAL DO QUANTITATIVO DE INDIVÍDUOS


NUMA MULTIDÃO NO MUNICÍPIO DO RIO DE JANEIRO.

O objetivo dessa IT é criar um padrão de informação confiável


baseado numa metodologia técnica.

As estimativas oficiais deverão seguir o padrão a seguir descrito.

Base cartográfica
Podem ser utilizados os seguintes recursos:
- planta cadastral 1:2000 ou
- foto aérea 1:2000 ou
- ortofotocarta na escala 1:2000.

Delimitação da mancha

A mancha pode ser delimitada por:


- fotografia aérea sem controle de escala ou
- reconhecimento local de todo perímetro com documentação de
fotos oblíquas.

Determinação das densidades médias

Para definir as densidades médias devem ser escolhidos no mínimo


25 pontos. Em manchas superiores 100000 m2 esse número deve
aumentar na proporção de 1 foto adicional para cada 10000 m 2. As
fotos serão tiradas de forma representativa, devendo ter no mínimo:
- 5 fotos do cinturão que cerca o evento
- 5 fotos na área adjacente de alta densidade
- 5 fotos na área de média densidade;
- 5 fotos da área de baixa densidade;
- 5 fotos da área periférica da mancha.

47
IT CEPD 001

Processo de contagem.

A mancha deverá ser plotada na planta, carta ou foto. Os pontos das


fotos relativas às densidades representativas, devem ser indicados
na carta.

As áreas serão dividias segundo as densidades representativas para


cálculo da quantidade de indivíduos.

O valor final representado pelo somatório de áreas x densidades


deverá ser indicado juntamente com o erro provável associado a
estimativa.

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IT CEPD 001
8 - ESTIMATIVA EXPEDITA COM FOTO OBLÍQUA.

Fotos oblíquas não servem para estimativas precisas, pois a


perspectiva dificulta a construção do reticulado.

Entretanto para estimativas expeditas, a foto obliqua pode ser


empregada, sendo necessário construir um reticulado em forma de
teia de aranha.

9 - EXEMPLOS

Para ilustrar a aplicação dos métodos aqui descritos foram inseridos


três exemplos que foram parcialmente desenvolvidos.

9.1 - Exemplo 1 – Foto vertical

A figura 31 representa uma fotografia aérea reduzida que mostra


uma zona urbana, onde na área demarcada em vermelho, existe um
comício com aglomeração de público.

A foto original foi tirada na escala 1:4000. Entretanto, a título de


exercício a foto será ampliada e sua escala será construída com um
veículo como se não fosse conhecida a priori.

Figura 30 – Foto aérea reduzida de comício em zona urbana.

A área onde há concentração de público foi ampliada e está


representado na figura 31.

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IT CEPD 001

Figura 31 – Área A1 ampliada, onde existe concentração de público.

Nesta foto foram ampliadas e demarcadas com contornos vermelhos


três áreas distintas, denominadas B1, B2 e B3.

A primeira – B1 – no centro da foto é a área em torno do palanque


onde será determinada a densidade máxima da mancha.

A segunda – B2 – no quadrante inferior direito, mostra uma área de


estacionamento de veículos. Nela será destacado um veículo para
determinação da escala gráfica.

50
IT CEPD 001
A terceira – B3 – na parte inferior da foto, indica uma área com
densidade visivelmente menor que a área B1.

Construção da escala a partir de um veículo.

O ideal e mais preciso seria partir de uma largura de avenida para


construção da escala. Entretanto, estamos supondo que essa
dimensão seja desconhecida em verdadeira grandeza.

Figura 32 – Área B2 delimitada por contorno vermelho, ampliada.


Na lateral esquerda da foto está indicado o veículo de passeio
utilizado para montagem da escala gráfica.

Note-se que essa foto mostra detalhes como veículos, largura de


avenida e calçada que permitem estabelecer uma escala gráfica
precisa, desde que suas dimensões sejam conhecidas em
verdadeira grandeza. Sendo essa foto de um local desconhecido,
não existem grandezas como largura de ruas ou outras conhecidas.

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IT CEPD 001

Figura 33 – Construção de escala gráfica e reticulado a partir de


uma dimensão conhecida. Nesse caso, largura padrão média de um
veículo de passeio.

A partir dessa escala, constrói-se um reticulado no qual é feita uma


contagem amostral de pessoas por área, chegando-se a uma
densidade média.

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IT CEPD 001

Figura 34 – Desenho do reticulado em escala sobre a foto.

Caso seja necessário e a foto tenha qualidade, a mesma pode ser


ampliada para facilidade da contagem.

Figura 35 – Retículo de 5,0 m x 5,0 m


ampliado, onde cada unidade mede 1,0 m.

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IT CEPD 001

Figura 36 – Retículo com contagem de pessoas.

Neste reticulado de 5,0 m x 5,0 m, há 78 a 82 pessoas, sendo 80


pessoas o quantitativo mais provável, com um erro de 2,5%.

Considerando a área de 25 m2 chega-se a uma densidade de 3,2


pessoas/m2 o que é uma densidade normal em comícios.

Esse processo teria que ser repetido em outras áreas


representativas conforme aquela delimitada como B3 na figura 32.

Feita a contagem das densidades representativas, seria necessário


identificar as áreas representativas na mancha para multiplicar
densidades x áreas.

Aspectos importantes.

A título de exercício a escala foi construída por um processo gráfico


através de comparações de medidas reais de um veículo com suas
dimensões correspondentes na fotografia. A medida mais confiável
seria uma largura de rua conhecida ou aferida no local. Vale lembrar
novamente, que quanto maior a referência, tanto menor será o
provável erro da escala.

54
IT CEPD 001

Além disso, uma vez calculadas as densidades médias, é


conveniente comparar os resultados obtidos com densidades típicas
para avaliar a consistência dos resultados.

9.2 - Exemplo 2 – Foto oblíqua.

Este exemplo tem o objetivo de mostrar a contagem de indivíduos


através de uma foto em perspectiva.

Seguidos os passos

Figua 37 – Reticulado em forma de teia de aranha.

Nesta foto que aqui aparece reduzida, foram contados 22 segmentos entre
linhas de fuga e 40 planos em profundidade (Nessa foto os 40 planos não
são visíveis). A densidade média é da ordem de 4,0 pessoas /m2 a 4,5
pessoas /m2, não chegando em nenhuma hipótese a 5 pessoas /m2.

Tal levaria a estimativa dessa mancha a um número provável de 22


x 40 x 4,5 = 3960 indivíduos com um erro de aproximadamente
10%.

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IT CEPD 001
Nesse exemplo, a contagem dos planos em profundidade não é
muito precisa, pois o final da mancha quase coincide com o ponto
de fuga.

Havendo informação local, quanto a profundidade e largura da


mancha, essa estimativa pode ser checada pelo simples cáclulo da
área da mancha multiplicada pela densidade média.

9.3 - Exemplo 3 – Show dos Rooling Stones em Copacabana.

A título de exercício foi feita uma avaliação do show dos Rolling


Stones, pois tal evento gerou estimativas com diferenças de até 100
%. Alguns jornais divulgaram um público estimado da ordem de 2
milhões de indivíduos, outras organizações divulgaram 1,5 milhão
de expectadores e outras ainda 1 milhão de expectadores.

Lamentavelmente não foi feito o trabalho de campo para coleta de


informações que possam levar a uma estimativa precisa. O presente
exercício foi feito com base em fotografias de jornais e depoimentos
com o objetivo de chegar a um número máximo, que dificilmente
teria sido ultrapassado.

As informações coletadas e a seguir descritas, serviram como base


para geração das hipóteses que levaram as contorno.
- A mancha se estendeu do Copacabana Palace até o Meridien
chegando nesse ponto com densidade reduzida.
- Após o Meridien havia pessoas, porém a densidade era muito
baixa.
- Densidade máxima no cinturão em torno do palco dificilmente
chegou a taxa de 5,5 pessoas/m2.

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IT CEPD 001
A análise dessa foto leva
à conclusão que mesmo
no cinturão em torno do
palco, a densidade
dificilmente chegou a 5,5
pessoas/m2. Pessoas
com braços levantados e
acenando, ocupam mais
espaço que pessoas com
braços abaixados.

Figura 38 - Cinturão em torno do palco.

Figura 39 – Mancha em toda extensão.

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IT CEPD 001

Figura 40 – Trecho na areia com baixa densidade de multidão.

Seguem as hipóteses que compõem a condição de contorno.

1 - O reticulado foi lançado desde a linha d’água até a fachada dos


prédios. Essa hipótese não ocorre ao longo de toda extensão da
mancha. Muitos prédios têm grades e poucas pessoas se dispõem a
ficar na água, como mostra a foto da figura 40.

2 – A faixa de areia junto à linha d’água foi considerada ocupada.

3 – Todas as áreas como palco, instalações e aquelas destinadas a


serviços foram consideradas integralmente ocupadas.

4 – A área foi calculada por processo de discretização em áreas de


20m x 20m. (Poderia ter sido feito por processo eletrônico).

Todas essas hipóteses tendem a maximizar o número de indivíduos


presentes. Tal foi feito de forma a calcular o limite superior.

As áreas foram divididas em:

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IT CEPD 001
azul claro – densidade muito baixa
cinza claro - baixa densidade
cinza escura – média densidade
azul – alta densidade

Figura 41 – Mancha de público dividia em áreas de diferentes


densidades.

Cor Área( m2)


Azul claro 27200
Cinza claro 84800
Cinza escuro 76800
Azul escuro 44800
TOTAL 233600
Tabela 5 – Quadro de áreas.

Número máximo de indivíduos presentes.

O número máximo de pessoas presentes é uma hipótese remota,


porém foi estimado de forma a servir como limite superior. Nessa

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IT CEPD 001
hipótese foi considerada a densidade de 5,5 pessoas /m2 em toda
área azul, o que seria muito pouco provável.

Cor Área( m2) Densidade Indivíduos


Azul claro 27200 1 27200
Cinza claro 84800 4 339200
Cinza escuro 76800 5 384000
Azul escuro 44800 5,5 246400
TOTAL 233600 996800
Tabela 6 – Número máximo de indivíduos.

Número mais provável de indivíduos presentes.

O número mais provável é aquele que considera taxas de ocupação


normais em eventos muito concorridos. Nessa hipótese adotou-se
uma taxa média de 5 pessoas/m2 para toda área azul. A área mais
densa junto ao palco é compensada pela área de palco onde a
densidade é praticamente nula.

Cor Área( m2) Densidade Indivíduos


Azul claro 27200 1 27200
Cinza claro 84800 3 254400
Cinza escuro 76800 4 307200
Azul escuro 44800 5 224000
TOTAL 233600 812800
Tabela 7 – Número mais provável de indivíduos.

Número mínimo de indivíduos presentes.

Esse é o número que pode ser considerado o limite inferior.

Nessa hipótese a densidade da área azul foi considerada igual a 5


pessoas/m2 e 2 pessoas/m2 na área cinza claro. Na foto 39 a
densidade média seria ainda menor.

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Cor Área( m2) Densidade Indivíduos


Azul claro 27200 1 27200
Cinza claro 84800 2 169600
Cinza escurao 76800 4 307200
Azul escuro 44800 5 224000
TOTAL 233600 728000
Tabela 8 – Número mínimo de indivíduos

Conclusão.

A avaliação do público estimado na mancha seria de 812800 12%


pessoas.

Considerando indivíduos presentes nos prédios no trecho da orla


próximo ao Copacabana Palace e em embarcações, a estimativa
máxima de público total talvez chegue a pouco mais de 1000 000 de
indivíduos.

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