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TEMA: ASSENTAMENTOS HUMANOS

O USO LEGAL OU ILEGAL DE ÁREAS ÚMIDAS NA AMAZÔNIA:


ANÁLISE DE ÁREAS DE RESSACAS NA CIDADE DE MACAPÁ
(AP)

Alice Agnes Weiser José Alberto Tostes


( Weiser, Alice A.: Acadêmica do curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal
do Amapá, weiser.alice.a@gmail.com

TOSTES, José A.: Arquiteto e Urbanista, Professor Associado III da Universidade Federal do
Amapá no curso de Arquitetura e Urbanismo, tostes.j@hotmail.com )

Resumo:

O estado do Amapá localiza-se na Amazônia Setentrional Brasileira, tem 72% da sua


cobertura vegetal preservada, sua capital, Macapá, objeto de estudo, é a única da
federação que é banhada pelo Rio Amazonas, situa-se de frente para o arquipélago do
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Marajó, estado do Pará. Segundo a estimativa do IBGE (2015), Macapá tem 456 171
habitantes, constituindo 59,50% do estado, sendo a maior cidade, bem como o
principal centro econômico, cultural e político.
Sendo a cidade mais atrativa, Macapá absorve todos os impactos urbanos e
ambientais, fato que é percebido com a ocupação das áreas úmidas (rios, canais,
igarapés e áreas de ressacas) que desempenham papel primordial no controle do
microclima e das bacias de acumulação de águas naturais, são áreas descritas no
Plano Diretor como patrimônio natural e paisagístico da cidade. Com o crescimento
populacional das últimas décadas, impulsionadas pela forte migração e escassez de
políticas públicas urbanas, tais áreas foram alvo de invasões e ocupações de forma
ilegal.
Atualmente, cerca de 20% da população, de acordo com o IBGE (2014), vivem nestas
áreas, ocasionando sérias problemáticas de natureza social, econômica e ambiental.
Na tentativa de oferecer melhores condições de vida aos habitantes. O estado em
conjunto com o município tem dotado esses lugares com infraestrutura de
abastecimento de água e rede elétrica, legitimando a permanência dos moradores. A
oferta de habitação formal através de programas oficiais não tem sido compatível com
a diminuição das ocupações em áreas úmidas (ressacas), o que é grave.
A desordenada ocupação e as consequentes construções, aliadas ao lixo e resíduos
sólidos e o desenfreado processo de aterramento tem acarretado consequências
danosas, que vão desde alagamentos, enchentes, contaminação da água, doenças de
veiculação hídrica, a inibição dos canais de drenagem e as mudanças climáticas no
âmbito urbano.
O artigo pretende analisar a evolução da ocupação das áreas úmidas, entre o período
de 1980 a 2015, em função do crescente aumento do número de habitantes e a
consequente invasão desses espaços ambientais e legalmente protegidos, busca-se
assim, compreender como a ocupação ilegal impacta nos setores sociais, econômicos
e ambientais e na estruturação urbana da cidade.
O artigo será desenvolvido por meio de pesquisas e pela produção cientifica já
existente na Universidade Federal do Amapá, relatórios e documentos oficiais, e na
análise do Plano Diretor de Macapá, Lei de Uso e Ocupação do Solo do município de
Macapá, do Estatuto da Cidade e o Relatório para áreas úmidas na Amazônia. Como
suporte conceitual serão discutidas as ideias do “Direito à Cidade”, de Henri Lefebvre.
Os resultados esperados tendem a apontar a necessidade de novas ações e
estratégias com a participação da própria comunidade local em parceria com a
Universidade Federal do Amapá. Na elaboração de parâmetros que possam
proporcionar outros referenciais sobre a melhor e mais adequada alternativa de
preservação e organização no processo de ocupação em áreas úmidas, bem como a
construção de uma metodologia de reeducação ambiental para o lugar.

Palavras-chave: Amazônia, Áreas úmidas, Ressacas, Macapá.

1. Introdução
A Amazônia possui a maior rede hidrografica do mundo, além de uma vasta
quantidade de ecossistemas, incluindo as áreas úmidas. O Amapá, o estado mais
preservado da Amazônia, tem 72% da sua cobertura vegetal preservada, sua capital
Macapá, é a única da federação brasileira que é banhada pelo rio Amazonas, tendo na
estrutura urbana um corpo hídrico (lagos, igarapés e áreas de ressacas) diretamente
ligado a ele. Em decorrência do intenso fluxo migratório das últimas três décadas e da

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Assentamento Humanos

escassez de políticas públicas urbanas, este corpo hídrico, mesmo sendo legalmente
protegido, vem sendo invadido e ocupado, acarretando em sérias consequências
ambientais e urbanas.
A discussão do uso legal e ilegal destes espaços, tanto na Amazônia, quanto em
Macapá, vem sendo vinculada a uma perspectiva puramente de natureza cultural.
Todavia, neste processo é evidente o descumprimento, por parte administrativa, da
legislação ambiental e urbana. Atualmente, cerca de 20 mil famílias vivem em áreas
úmidas em Macapá, correspondendo a aproximadamente 100 mil pessoas. Esta
temática já vem sendo objeto de estudo nos últimos anos, seus diagnósticos
evidenciam que estas invasões e suas resultantes afetam as bacias de acumulação de
águas naturais, assim como o microclima da cidade, impedindo o cumprimento da
função pelo qual tais áreas são destinadas.
Este artigo tem como objetivo a análise do uso legal e ilegal especificamente das
áreas de ressacas situadas na rede urbana de Macapá, visto que esta questão não
engloba apenas fatores de natureza cultural ou técnica, pois representam um conflito
entre a espacialidade da cidade e o modo de viver riberinho do homem amazonida. A
importância desta discussão nos coloca diante da pespectiva do pensar a cidade de
forma mais integral e integradora, em que a participação social se torna
imprescindível.
Metodologicamente, o artigo foi desenvolvido por meio de pesquisas e pela produção
cientifica já existente na Universidade Federal do Amapá, além da análise de relatórios
e documentos oficiais, como o Plano Diretor de Macapá, a Lei de Uso e Ocupação do
Solo do município de Macapá, o Estatuto da Cidade e o Relatório para áreas úmidas
na Amazônia. O suporte conceitual se dá através da discussão das ideias do “Direito à
Cidade”, de Henri Lefebvre.
O artigo divide-se em seis tópicos: (1) Localização do objeto de estudo, (2) As áreas
úmidas na Amazônia, (3) Aplicabilidade do Estatuto da Cidade em contexto
amazônico, (4) Planejamento urbano: O uso legal e ilegal do solo e (5) Considerações
finais.

2. Localização do objeto de estudo


Este estudo foi realizado no município de Macapá, capital do estado federativo do
Amapá (Brasil), localizado no sudeste do mesmo e disposto em frente ao arquipélago
do Marajó, estado do Pará. Segundo a estimativa do Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística (IBGE), Macapá tem 456 171 habitantes, constituindo 59,50% do estado,
sendo a maior cidade, bem como, o principal centro econômico, cultural e político [1].
A cidade de Macapá desde sua gênese tem uma forte relação com a sua rede
hidrográfica, tendo as áreas úmidas ou áreas de ressacas como patrimônio natural e
paisagístico. Entretanto, em decorrência do intenso fluxo migratório e da escassez de
políticas públicas urbanas, tais áreas foram sendo invadidas e ocupadas por pessoas
de baixa e média renda, fruto do mal gerenciamento da estrutura social, econômica e
urbana.
A partir deste contexto, direcionou-se o presente estudo para análise do uso legal e
ilegal das áreas de ressacas situadas na rede urbana de Macapá (Ver mapa 1).
Atualmente, milhares de pessoas vivem de forma precária nestes espaços e acabam
por ocasionar sérias problemáticas de natureza social, econômica e ambiental.

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Mapa 1: Localização das áreas de ressacas situadas na rede urbana de Macapá.

Como pode ser evidenciado no mapa 1, o ambiente urbano de Macapá é composto


por uma grande quantidade de áreas úmidas (elementos em verde). Além disto, nota-
se também, por meio dos variados conjuntos habitacionais (elementos em vermelho),
o crescimento espraiado da cidade que também é resultante do crescimento
populacional.

3. As áreas úmidas na Amazônia


A Amazônia é conhecida mundialmente por sua disponibilidade hídrica e pela
quantidade de ecossistemas que possuí. De acordo com a Agência Nacional de Águas
(ANA), a rede hidrográfica da Amazônia é a maior do mundo no quesito de
disponibilidade de água [2]. Destaca-se dentro desta rede hidrográfica as áreas
úmidas (AUs), que são ecossistemas de fundamental importância para o equilibrio do
meio ambiente.
As áreas úmidas são bacias de acumulação de água diretamente ligadas ao regime de
rios, mares e ao ciclo sazonal das chuvas, o que as caracteriza como ecossistemas
complexos e distintos [3]. Segundo o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em
Áreas Úmidas (INAU ou INCT), as AUs podem ser compostas por diversos
ecossitemas como pântanos e charcos, mangues, turfas, lagos rasos, lagoas
costeiras, várzeas, matas ciliares e as veredas do cerrado [4].
Estas áreas exercem funções vitais como a providência de alimentação para uma
grande variedade de espécies e comunidades humanas tanto rurais quanto urbanas, o
estoque e a regularização do fluxos de água, o abrigo de uma grande biodiversidade,
o sistema de drenagem natural e a regularização climática, pois atuam como grandes
reservatórios de carbono. Sendo assim, o seu manejo sustentável e a sua proteção
tem alta prioridade.

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Assentamento Humanos

Entretanto, com o processo de urbanização da Amazônia, acelerado nas últimas


décadas pelas instalações de grandes empreendimentos, há uma ameaça sob estas
áreas, dado que as políticas habitacionais não foram e não vêm sendo suficientes para
atender o índice populacional existente [5]. Mesmo com a criação dos planos diretores,
exigidos pelo Estatuto da Cidade, estes não foram colocados em prática o que fez com
que as cidades crescessem tendo as margens de rios, lagos, igarapés e áreas úmidas
ocupadas gradativamente.
A cidade de Macapá é um exemplo desta ocupação com forte pressão urbana. Desde
sua gênese tem uma forte relação para com o rio Amazonas, pois sua configuração
urbana iniciou-se as suas margens, motivada por uma política de fortificação das
áreas fronteiriças, destacando-se a construção da Fortaleza de São José de Macapá.
De acordo com o artigo [5],
a ocupação as margens do rio deu-se como uma estratégia de
defesa por possibilitar uma boa visibilidade da área de entorno
e foi a partir da construção do Forte que a ocupação se
expandiu para os eixos norte e sul da cidade no processo de
crescimento urbano.
Conforme o mesmo artigo, o primeiro governador do estado do Amapá, Janari Gentil
Nunes, definiu o rio como um dos pontos cardeais para se traçar um paralelo com a
cidade. A relação com o rio se fez ainda mais intensa quando o Trapiche Eliezer Levi
era o ponto de atracação dos barcos vindos das ilhas das redondezas e da capital do
Pará, Belém [5]. O rio Amazonas, além de ter influenciado a ocupação e a
configuração urbana da cidade de Macapá, desempenhava um papel significativo nas
relações comerciais. O que explica em parte o processo histórico da formação e
ocupação das margens do rio e da rede hidrográfica que adentra o perímetro urbano.
O processo de ocupação das áreas úmidas na cidade de Macapá teve início por volta
da década de 1950. Entretanto, é a partir da segunda metade da década de 1980 que
este processo se intensifica, fazendo com que os impactos ambientais, sociais e
econômicos acontecessem de forma acelerada [6]. Desta forma, enfatiza-se os últimos
35 anos, de 1980 a 2015, no processo de análise histórica dado que, é neste período
que há um crescente aumento do número de habitantes (217%) e as consequentes
invasões das AUs, ou “áreas de ressacas”, expressão regional utilizada para designar
estes espaços.
A transformação do Território do Amapá para uma Unidade Federativa do Brasil, por
meio da Constituição Federal de 1988, e a implantação da Área de Livre Comércio de
Macapá e Santana (ALCMS) pelo Decreto Federal n° 8.387 de 30/12/91, foram
eventos significativos para o aumento populacional do estado e para a expansão da
malha urbana de Macapá, pois a cidade passou a receber um considerável
contingente de migrantes [6]. Na década de 1990, o Amapá foi o estado federativo
brasileiro que apresentou o maior índice de crescimento relativo a população não
natural, em torno de 108% em 2000.
Na busca por maior infraestrutura, novas oportunidades e postos de trabalho, tanto
nas esferas executiva, legislativa e judiciária, quanto no setor comercial, migraram
para o Amapá, principalmente para a capital (Macapá), pessoas de diferentes
unidades da federação, em maior número aquelas que deixaram o campo, bem como,
indivíduos sem qualificação profissional, oriundos do Nordeste e principalmente, do
estado do Pará e de outras regiões da Amazônia [6].
A partir deste aumento populacional, tem-se a desorganização urbana definida por
constantes problemáticas, tais como o crescimento urbano desarticulado, a exclusão
social e a ocupação clandestina em áreas inadequadas ou de preservação ambiental,
no caso, as ressacas. Com isso, houve o agravamento dos problemas sociais e
ambientais que são marcados por questões de exclusão social e segregação
ambiental.

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Diversas moradias continuam sendo construídas nas áreas úmidas e a ocupação


cresce de forma desordenada e sem o controle do processo de antropização. Isto se
deve à falta de políticas públicas voltadas a realidade local e por serem espaços sem
proteção efetiva, mesmo estes possuindo uma vasta legislação de proteção. Essa
questão deve ser compreendida não apenas no seu caráter de estrutura física e sim
no social, dado que é fruto da dinâmica urbana estabelecida pelas relações e
oportunidades desiguais.
De acordo com o IBGE (2014), atualmente vivem cerca de 20% da população em
áreas de ressacas, o que vem desenvolvendo sérias questões de natureza social,
econômica e ambiental [1]. “É exatamente nas áreas úmidas que as condições de
moradia são precárias, na maioria dos domicílios as instalações sanitárias são
externas e demonstram o desconforto e insalubridade em que vivem os moradores”.
[5]. Cerca de 70% dos domicílios têm seus dejetos humanos lançados diretamente na
água, o que coloca em risco a saúde dos moradores, além de poluir o meio ambiente
[1].
Na tentativa de melhorar as condições de vida destes habitantes, o estado e o
município têm promovido, por um lado, o abastecimento de água e a instalação da
rede elétrica, legitimando a permanência destes, e, por outro lado, realocando as
pessoas em outros lugares, por meio do Programa Federal Minha Casa Minha Vida
[7]. Destaca-se que a oferta de habitações formais através de programas oficiais não
tem reduzido as ocupações em áreas úmidas.
Outra característica deste processo de ocupação é o sistemático aterro, seja para a
constituição de novos bairros, seja para a ampliação dos já existentes, este processo é
realizado tanto pelo poder público, quanto pelos investimentos privados. Enfatiza-se
também, a questão do lixo e resíduos sólidos evidentes nas áreas de ressacas.
Todas estas ações têm suscitado diversos problemas, que vão desde a supressão da
flora e fauna, alagamentos e enchentes, contaminação da água, doenças de
veiculação hídrica, até mudanças climáticas do núcleo urbano, afetando diretamente
aqueles que habitam as áreas úmidas e indiretamente o restante da população. Em
simultâneo, os milhares de habitantes destes espaços, além das condições de
insalubridade, têm de lidar com a informalidade, com a violência e insegurança, e com
precária infraestrutura disponibilizada. Acresce a esta situação a baixa qualidade das
moradias e as dificuldades na obtenção de renda, resultando em sérias debilidades
socioeconômicas.
A ocupação das áreas úmidas é um grave problema no contexto urbano, ambiental,
social e econômico, necessitando de maior atenção por parte da administração pública
que deve procurar atender as necessidades e aspirações presentes sem comprometer
a possibilidade de atendê-las mais adiante.

4. Aplicabilidade do Estatuto da Cidade no contexto


amazônico
A política urbana é redefinida pela Constituição de 1988 passando a competência para
os três níveis de governo: Federal, Estadual e Municipal. O principal executor dessa
política é o município, visto que está diretamente ligado à população. Essa
descentralização e democratização do poder de decisões de intesse do Estado e da
sociedade foi de fundamental impotância para o fortalecimento do direito à cidadania
[8]. Entretanto, em muitos casos, nem a União e nem o município sabem como lidar
com os fenômenos urbanísticos, principalmente quando se trata do processo de
expansão desordenada.

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A lei 10.257 de 2001, denominada de Estatuto da Cidade, surgiu com a intenção de


regulamentar o capítulo “Política Urbana” da Constituição Federal, detalhando e
desenvolvendo os artigos 182 e 183 da mesma [9]. Esta lei tem o objetivo de dar
garantia ao direito à cidade como um dos direitos fundamentais da pessoa humana,
para que todos tenham acesso às oportunidades que a vida urbana oferece. Por meio
de sua promulgação, vem sendo aplicado nos diversos municípios brasileiros ações e
estratégias vinculadas ao planejamento e gestão urbana, dentre estas, a elaboração
dos planos diretores participativos.
O Estatuto da Cidade vem recebendo muitas críticas acerca do limite minímo de
habitantes (20 mil) para que as cidades devam ser de fato planejadas, este parâmetro
desconsidera o perfil predominante das cidades brasileiras, o urbano-rural, deixando
mais de um terço das cidades excluídas. No contexto amazônico, cerca de 73,41%
das cidades não se encaixam neste parâmetro, ou seja, 4,8 milhões de pessoas são
excluídas da oportunidade de ter um lugar com melhores condições de vida [8].
Os municípios da Amazônia, no geral, possuem uma grande extensão territorial onde
há diferentes formas de aglomerações, tanto no meio urbano, quanto no rural. Tendo
em vista esta característica, há necessidade de reconhecer e incorporar estas
aglomerações no planejamento e gestão municipal por meio do plano diretor, com
isso, evita-se os desmembramentos espaciais e políticos. Deve-se analisar também a
condição dos diversos agentes que estão dispostos na organização do espaço
municipal, pois desempenham um papel de suma importâcia no âmbito social.
As divergências entre os poderes federal, estadual e municipal tem gerado sérias
consequências para sociedade. De acordo com a literatura [8],
... a falta de cumplicidade entre as esferas administrativas e de
poder tem contribuído para a queda da qualidade de vida seja
pela não oferta de serviços urbanos seja pela não melhoria dos
indicadores dos serviços de transporte coletivo, água, esgoto,
pavimentação, sistema de trânsito entre outros.
A passividade do legislativo para com as questões urbanas e de planejamento,
somada a restrição das câmaras municipais na discussão de assuntos e projetos
superficiais e a falta da participação social agravam ainda mais esta situação caótica
em que se encontram as cidades amazônicas. Acresce-se a este quadro o
desconhecimento por parte dos gestores públicos municipais do que realmente
representa o estatuto enquanto lei que direciona a perspectiva da política de
desenvolvimento urbano.
O Estatuto da Cidade não pode ser visto como um limitador para o desenvolvimento
de políticas públicas coerentes e continuadas, sua aplicação é fundamental,
independentemente se há ou não 20 mil habitantes em um determinado núcleo
urbano. As políticas e projetos devem ser desenvolvidas conforme o mosaíco da
diversidade presente em cada cidade, envolvendo também características regionais,
socioeconômicas, ambientais e, principalmente, culturais. Apesar de não contemplar
boa parte da realidade amazônica, esta lei não deixa de ser uma ferramenta essencial
para gestores municipais.

5. Planejamento urbano: O uso legal e ilegal do solo


O planejamento urbano é um procedimento técnico e político que idealiza, cria e
desenvolve soluções buscando o controle do uso da terra e a formação do desenho
urbano de um determinado núcleo. Este processo tem como finalidade proporcionar
maior qualidade de vida aos habitantes do mesmo, e sua ausência acaba por
comprometer a harmonia do ambiente urbano.

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De acordo com a literatura [10], o planejamento urbano deve levar em consideração o


direito à cidade, tendo-o como um instrumento complementar na busca pela garantia
de melhores condições de vida, assim como, na manutenção dos direitos humanos.
Conforme a mesma, o direito à cidade pode ser compreendido como um mecanismo
capaz de potencializar todas as riquezas que podem ser produzidas no espaço urbano
em benefício da população, deste modo torna-se também uma ferramenta de proteção
que assegura o desenvolvimento sustentável, com a conservação dos ambientes
naturais e a preservação do patrimônio histórico e cultural dos habitantes.
O processo de planejamento urbano sustentável necessita de contribuições
metodológicas que promovam uma operacionalidade processual efetiva [5]. Este
trabalho deve proceder por meio da definição de objetivos, coleta e análise de
informações dos componentes ambientais, econômicos e sociais, para,
posteriormente, determinar a capacidade de carga do meio e a elaboração de cenários
que permitam identificar qual o caminho mais eficiente em termos globais e locais.
Os princípios do desenvolvimento sustentável devem ser apoiados em um processo
de integração holística de análise e ações, tendo como visão a integração do ambiente
com base nos quatro aspectos: (1) Futuro: consequências a longo tempo para as
gerações futuras; (2) Ambiente: totalidade dos custos ambientais; (3) Igualdade:
distribuição das consequências das ações para presente e futuras gerações e; (4)
Participação: máximo envolvimento da participação individual e dos diferentes
interesses no processo de tomada de decisão e implementação [11].
Deste modo, o planejamento urbano sustentável deve proceder mediante a
valorização dos aspectos temporais, ambientais e participativos. Deve-se buscar
também a integração da paisagem urbana, visto que é o reflexo das relações entre o
homem e o meio ambiente.
Essa questão de sustentabilidade é um dos princípios do direito à cidade, estabelecido
no Art. 225 da Constituição Federal de 1988 [12]. Outro princípio a ser destacado é o
da função social da cidade e da propriedade urbana, também promulgada pela
Constituição em seu Art. 182 da política de desenvolvimento urbano. O pleno
desenvolvimento destes dois princípios depende da forma com que o município lida
com suas atribuições e competências de planejamento e controle do uso,
parcelamento e ocupação do solo urbano.
O direito à cidade se assegura como um apelo, uma exigência, que por considerar sua
natureza acaba tornando-se um pseudodireito, ou seja, é um direito que deve envolver
de forma minuciosa as necessidades sociais, políticas e culturais existentes em um
determinado ambiente construído [10]. A garantia deste direito não é absolutamente
concreta, pois o Estado não consegue fornecer tais garantias (planejamento, gestão e
recursos para investimento de curto, médio e longo prazo).
No contexto das cidades amazônicas, observa-se a inaplicabilidade deste direito, pois
o processo de urbanização desordenado e acelerado a que foram submetidas gerou
inúmeros impactos socioeconômicos, ambientais e estruturais, refletindo a
insustentabilidade urbana.
A grande maioria das cidades, assim como Macapá, em seu processo de expansão,
recebeu um número de pessoas muito acima das taxas da capacidade de geração de
empregos do setor econômico. Acresce-se a este quadro a falta de investimentos em
infraestrutura e ofertas de serviços públicos, o que acaba por desenvolver um
processo de exclusão social e consequentemente a exclusão territorial. De acordo
com dissertação [13], esta exclusão econômica força os grupos excluídos a invadirem
áreas irregulares, que no geral, encontram-se perto dos centros urbanos, onde há
proximidade dos locais de trabalho e dos equipamentos urbanos.
Conforme a mesma, entre os problemas geradores da exclusão social e da
segregação ambiental no ambiente urbano destacam-se a inadequação das moradias
e o déficit habitacional. Neste contexto a literatura [10], enfatiza que o elevado déficit

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Assentamento Humanos

habitacional e a inadequação das moradias não são problemas isolados, recentes e


restritos apenas aos estados da federação brasileira. Ao contrário, são problemas
mundiais e históricos que surgem com o processo de urbanização provocado pela
Revolução Industrial e que desde lá vêm se agravando e se propagando. Entretanto,
cabe aos dirigentes formular estratégias que minimizem ao máximo estas
problemáticas, uma vez que, na produção espacial há um complexo jogo de interesses
que deve chegar a um equilíbrio.
Os investimentos em habitações, realizados pelo Programa de Aceleração do
Crescimento (PAC), não solucionaram está questão do déficit habitacional e a
consequente ocupação das áreas irregulares. Mesmo com a construção de vários
conjuntos habitacionais pelo Programa Federal Minha Casa Minha Vida, o crescimento
do número de habitações informais em áreas de ressaca apenas aumentou, isto se
deve a incompatibilidade destes conjuntos com a realidade local.
Macapá é constituída na sua essência por rios, lagos e igarapés, tendo sua estrutura
urbana cortada pelas áreas de ressacas. Estes espaços foram sendo ocupados
gradativamente nas últimas três décadas devido a inadequada gestão do crescimento
urbano que, dificultou a implementação de um desenvolvimento sustentável,
condenando os moradores destes assentamentos a viverem sob a negligência e sem
o mínimo necessário ao seu bem-estar, conforto e saúde (Ver figura 1).

Fig. 1: As oucpações das áreas de ressacas.


Fonte: Tostes e Dias, 2016 [5].
É evidente que houve e há uma disputa por investimentos públicos na questão da
produção de novas moradias, do acesso a moradia legal e da cidade com todos seus
serviços e infraestrutura. Nesta disputa nota-se também, o privilégio de determinados
grupos sociais e a privatização da esfera pública, impulsionando ainda mais as
ocupações ilegais.

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Milhares de pessoas vivem na ilegalidade em Macapá, pagando um alto preço por


isso, pois morar de forma irregular faz com que estas pessoas sejam tratadas de uma
forma excludente, com isso, seus direitos básicos são violados, gerando assim uma
degradação da vida urbana e das condições da cidade. A falta de investimentos na
Cidade Ilegal tem agravado os problemas de natureza social e ambiental, como a
violência urbana, o aumento da criminalidade e a ineficiência do sistema de
saneamento.
Acresce a este quadro os conflitos existentes nestas áreas, englobando diferentes
atores sociais: o Poder Público Municipal, o Ministério Público, o setor judiciário, as
associações dos moradores, os órgãos institucionais e as organizações não
governamentais [5]. Estes agentes, muitas vezes invertem os papéis e disputam entre
si, deixando de lado o interesse coletivo e constituindo um espaço sem uma
organização participativa (Ver quadro 1).

Quadro 1: Os conflitos dos atores sociais na cidade de Macapá


Atores Classes
Papel Conflitos
sociais de poder
Promoção da justiça Divergências de
social de forma interesses no acesso à
sustentável e habitação formal. Áreas
Poder legalmente protegidas
ordenamento da Poder
Público sendo ocupadas e a
ocupação do território, Fragilizado
Municipal consequente ocorrência
garantindo o acesso à
habitação e serviços de impactos ambientais.
públicos.
Salvaguardar a ordem Inversão de seu papel
jurídica e fiscalizar o com a Prefeitura, uma
cumprimento da vez que fornece
Ministério garantias que competem Poder
Constituição de 1988,
Público a ela. Protagonista
defendendo aos
interesses sociais
individuais e coletivos.
Zelar pelo cumprimento Não vem garantindo o
dos princípios presentes princípio da função
na Constituição de 1988 social da cidade e da
propriedade urbana, Poder
Judiciário e das demais leis
divergindo com o Poder Interventor
complementares nos
âmbitos: Federal, Público Municipal e o
Estadual e Municipal. Ministério Público.
Divergências com a
Prefeitura, dado a
Participação popular de
Associações ocupação das áreas
forma democrática,
dos irregulares pela Poder Local
defendendo aos
moradores comunidade e a sua
interesses coletivos.
relação com o uso e
ocupação do solo.

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Assentamento Humanos

Gerir as áreas de Sobreposições das


proteção ambiental em áreas protegidas cabidas
esfera estadual de forma individual e a
(Secretária Estadual do crescente ocupação
Órgãos destas áreas seguidas Poder
Meio Ambiente – SEMA)
Institucionais dos conflitos sociais. Legalista
e federal (Instituto Chico
Mendes de Conservação
da Biodiversidade –
ICNBio).
Atuam como
Trabalhar apenas com
fiscalizadores das Poder
ONGs determinados setores da
entidades públicas e Dividido
sociedade.
privadas.
Fonte: TOSTES e DIAS, 2016 [5]. Adaptação WEISER e TOSTES, 2016.

A fragilidade em que se encontra a estrutura social mostra a desestruturação da


cidade de Macapá. A maneira como ocorreu o processo de ocupação da cidade revela
por que ela se encontra em situação de vulnerabilidade ambiental e social, sujeitando
o espaço urbano e seus residentes. Esta atual configuração urbana com todos os seus
conflitos e necessidades de reconfiguração do espaço revela a importância de se
atender os princípios que fundamentam o direito à cidade.
Um dos problemas do acesso à terra urbana é a dificuldade do processo de
regularização fundiária e o consequente acesso a propriedade de lotes urbanos
legalizados. O uso ilegal do solo e a ilegalidade são alternativas encontradas por
pessoas que não encontram soluções no valorizado e excludente mercado imobiliário
[14]. Estas pessoas possuem a propriedade apenas no que se refere à edificação e
não às terras que ocupam.
A ilegalidade passou a ser um grave problema na política urbana, dado que as
ocupações irregulares são as alternativas mais comuns de moradia de grande parte da
população de baixa e média renda. Sendo assim, o processo de legalização assume
um papel de destaque na justiça social, visto a necessidade da construção de uma
nova ordem urbanística redistributiva e includente. Pois este processo, deve atender
aos interesses de todos os segmentos da sociedade, possibilitando o acesso à terra e
a propriedade do imóvel.
A reforma urbana deve andar de mãos dadas com a reforma jurídica e pública dentro
do quadro referencial de uma agenda progressista de governança urbana [13]. A
noção constitucional da função social da propriedade precisa ser materializada
mediante políticas urbanas e ambientais que combatam a especulação imobiliária, e
que promovam também o acesso a infraestrutura, a democratização do acesso à terra
e a habitação e a regularização dos assentamentos informais.
Esta estratégia de planejamento e ação deve ser bem explicita na legislação
urbanística e ambiental do município, pois, de acordo com o Estatuto da Cidade, o
município é o principal executor da política de desenvolvimento urbano. Conforme esta
lei, para que haja a superação desta ordem urbanística excludente o município deve
elaborar seu plano diretor, vinculando o direito de propriedade a sua função social,
tendo em seu texto instrumentos que viabilizem a norma pública e o interesse social,
aplicando as penalidades a terra urbana ociosa e fazendo o combate à especulação
urbana.
O Plano Diretor se apresenta como uma ferramenta determinante no processo de
planejamento, dado que busca garantir condições dignas e de segurança jurídica da
propriedade imobiliária, assegurando o direito constitucional de moradia e garantindo,
desta forma, o pleno desenvolvimento das funções sociais da cidade e da propriedade.

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Em janeiro de 2004, o município de Macapá elaborou o seu Plano Diretor de


Desenvolvimento Urbano e Ambiental, assim como, suas leis complementares,
estabelecendo diretrizes e regras gerais para o ordenamento territorial e para que a
propriedade urbana cumpra sua função social [15,16]. Esta legislação determina a
implementação de sistemas de regularização fundiária e imobiliária e políticas
habitacionais.
Todavia, tais princípios se conflitam com o processo vigente, o que obriga os poderes
constituídos a tomarem outras medidas, mesmo contrariando os instrumentos legais
[5]. Esse descumprimento da legislação para tratar de forma imediata uma
problemática complexa simplesmente com ações isoladas, pontuais e descontinuas,
evidencia o despreparo por parte das instituições públicas.
A questão das ocupações das áreas de ressacas precisa ser debatida sob o enfoque
da não aplicabilidade da legislação. Essa discussão deve abranger o direito à cidade e
a gestão urbana, dois fatores que não podem ser dissociados. Além disto, ela deve ser
discutida amplamente entre os gestores, pois é necessário começar a planejar
conforme manda a normalização legal.
A revisão do plano diretor, que já está em vigência a 12 anos, se faz necessária.
Alterações, como na Planta de Valores do Município, visando a elevação dos índices
de regularização de imóveis da cidade, para obter maiores recursos nos investimentos
do setor imobiliário, podem contribuir nesta questão de ilegalidade. Mudanças como
esta podem fazer grande diferença no contexto atual, pois assim, todos saem
ganhando, a prefeitura passará a arrecadar mais impostos, o setor construtivo estará
mais ativo e a sociedade terá maiores benefícios com a geração de emprego e renda.
A ocupação das áreas úmidas é um grave problema para a gestão urbana, sendo
assim, o Poder Público Municipal necessita melhor articular para conseguir
investimentos junto ao governo Federal e Estadual e passar a investir em projetos que
utilizem metodologias participativas, tanto no desenvolvimento, quanto na execução.
Deve-se também categorizar o processo de planejamento, estabelecendo metas de
curto, médio e longo prazo, conforme o nível de complexidade de cada projeto.
Promover ações que sensibilizem a sociedade quanto a importância destas áreas na
configuração urbana, ambiental e social também é fundamental. O cuidado de hoje
com as áreas de ressacas, garantirá que as presentes e futuras gerações usufruirão
destes espaços tão importantes aos meios ambiente e urbano.

6. Considerações finais
As áreas úmidas desempenham um papel de suma importância para no âmbito
urbano. Mesmo sendo legalmente protegidas, o que, em condições normais, inibiria a
construção de qualquer tipo de habitação, elas vêm sendo invadidas e ocupadas,
constituindo um grave problema para a gestão urbana. Há uma grande pressão sob o
poder público para dotar as áreas de ressacas com infraestruturas, serviços e
equipamentos urbanos, o que, acabaria por legitimar a permanência destes
habitantes. O estado por meio de programas federais, financiados pela União, tem
procurado contornar este problema, mas não tem sido eficiente na sua ação devido a
incompatibilidade destes investimentos com a realidade local.
O planejamento previsto para as áreas de ressacas não vem sendo cumprido,
evidenciando o despreparo por parte das instituições públicas, que buscam solucionar
esta questão com ações isoladas, pontuais e descontinuas. O uso legal e ilegal das
áreas úmidas abrange também uma complexidade cultural do homem ribeirinho,
acostumado com a convivência da proximidade de rios, lagos, igarapés e áreas de
ressacas, se acresce a este fato o desconhecimento de boa parte da população sobre

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Assentamento Humanos

a importância destas áreas para a cidade. O quadro em que se encontra a cidade de


Macapá é desfavorável no ponto de vista do acesso ao direito à cidade, demandando
novas atuações que integrem a sociedade civil organizada para a elaboração de
projetos que proporcionem a preservação e organização do processo de ocupação em
áreas úmidas, bem como a construção de uma metodologia de reeducação ambiental
para o lugar.

Referências

[1] Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). “Macapá”. Disponível em:


<http://www.ibge.gov.br/home/> Acessado dia 01 de agosto de 2016.
[2] Agência Nacional de Águas (ANA). “Região hidrográfica Amazônica”.
Disponível em: <http://www2.ana.gov.br/Paginas/portais/bacias/amazonica.aspx>
Acessado dia 03 de novembro de 2016.
[3] Oliveira, Mario. “Áreas de Ressacas de Macapá e Santana: o fim de um
ecossistema”. 2013. Disponível em: <http://blogln.ning.com/profiles/blogs/reas-de-
ressacas-de-macap-e-santana-o-fim-de-um-ecossistema> Acessado dia 03 de
novembro de 2016.
[4] Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Áreas Úmidas (INAU). “O
projeto”. Disponível em: <http://www.inau.org.br/conteudo/?SecaoCod=1> Acessado
dia 03 de novembro de 2016.
[5] Tostes, José A.; DIAS, Simone F. “As fragilidade urbanas e ambientais de
áreas de ressaca na Amazônia”. IV Encontro da Associação Nacional de Pesquisa e
Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo, Porto Alegre, 2016. Disponível em:
<https://enanparq2016.files.wordpress.com/2016/09/s18-06-tostes-j1.pdf> Acessado
dia 03 de novembro de 2016.
[6] Portilho, Ivone dos Santos. “Áreas de ressaca e dinâmica urbana em
Macapá/AP”. VI Seminário Latino-Americano de Geografia Física, Coimbra, 2010.
Disponível em: <http://www.uc.pt/fluc/cegot/VISLAGF/actas/tema4/ivone> Acessado
dia 03 de novembro de 2016.
[7] Weiser, Alice A.; Uliana, Brenda B.; Tostes, José A. “Áreas úmidas na
Amazônia: Macapá, uma cidade entre rios, lagos e igarapés”. Disponível em:
<https://www.amigosdanatureza.org.br/publicacoes/index.php/gerenciamento_de_cida
des/article/download/1022/1045> Acessado dia 03 de novembro de 2016.
[8] Tostes, José A. “A aplicabilidade do Estatuto da Cidade nas cidades
Amazônicas. In: Gaio, Daniel. Direito ambiental e políticas públicas na Amazônia”.
Macapá: UNIFAP, 2014. 212 p. ISBN 978-85-62359-11-8.
[9] Brasil. “Estatuto da Cidade: guia para a implementação pelos municípios e
cidadãos”. Lei n. 10.257, de 10 de julho de 2001, que estabelece as diretrizes gerais
da política urbana. Brasília: Câmara dos Deputados, Coordenação de Publicações,
2001.
[10] Lefebvre, Henry. “O direito à cidade”. São Paulo: Centauro, 2001.
[11] Amado, Miguel P. “Planejamento Urbano Sustentável”. 3 ed. Vale de Cambra:
Editora Caleidoscópio, 2005.
[12] BRASIL. “Constituição da República Federativa do Brasil de 1988”. b
[13] Girelli, Cristiane C. “Ocupações irregulares em áreas úmidas: análise da
moradia na ressaca Chico Dias e as consequências para o ambiente urbano”.
Dissertação (Mestrado em Direito Ambiental e Políticas Públicas). Universidade
Federal do Amapá, Macapá, 2009. Disponível em:
<http://www2.unifap.br/ppgdapp/files/2013/04/disser.-CRISGIRELLIfinal.pdf> Acessado
dia 03 de novembro de 2016.

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Porto | Covilhã | Portugal - 5 a 10 Março de 2017

[14] Tostes, José A. “Além da linha do horizonte”. João Pessoa: Sal da Terra
Editora, 2012. ISBN 978-85-8043-158-2.
[15] Prefeitura Municipal de Macapá (PMM). “Plano Diretor do Município de
Macapá”. Prefeitura Municipal de Macapá, 2003.
[16] _______. Lei Complementar. “Lei Complementar do Uso e Ocupação do solo
do município de Macapá”, n°0029/2004 de 24 de junho de 2004.

Notas Bibliográficas e fotografias

Weiser, Alice A.: Acadêmica do curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade


Federal do Amapá. Bolsista do Programa de Iniciação Científica PROBIC/UNIFAP,
coordenado pelo Departamento de Pesquisa/PROPESPG/UNIFAP, desenvolvendo
estudos sobre as transformações urbanas no corredor transfronteiriço entre o Amapá e
a Guiana Francesa, do Porto de Santana (AP) a Caiena (GF), sob a orientação do
Profº. Dr. José Alberto Tostes. Atualmente, desenvolve o trabalho de pesquisa sobre
as cidades na Amazônias como parte da programação do Grupo de Pesquisa
Arquitetura e Urbanismo na Amazônia (GAU), coordenado pelo Dr. José Alberto
Tostes.
Tostes, José A.: Professor Associado III do Curso de Arquitetura e Urbanismo e do
Mestrado em Desenvolvimento Regional da Universidade Federal do Amapá. Mestre e
Doutor em História e Teoria da Arquitetura pelo ISA/CUBA e Estágio e Pós-doutorado
em Arquitetura pela Universidade do Porto e em Estudos Urbanos Regionais pela
Universidade de Coimbra/Portugal. Atualmente é o coordenador operacional do
Doutorado em Urbanismo através da parceria da Universidade Federal do Rio de
Janeiro e da Universidade Federal do Amapá, coordena também, o Grupo de
Pesquisa Arquitetura e Urbanismo na Amazônia (GAU). Publicou diversos livros e
artigos cientificos e administra o blogspot: www.josealbertostes.blogspot.com.

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