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Direito Medieval:

Canônico, Germânico e

Muçulmano.

Direito Medieval: Canônico, Germânico e Muçulmano.

Contexto Social:

Quando se trata da Idade Média remetemo-nos

também a alguns nomes, tais como Idade das

Trevas ou Idade da Escuridão. O que se sabe e o que a escola básica nos ensina pontualmente ora

pela Literatura, ora pela própria História, é que seu percurso temporal se inicia no século V d.C. e se

finaliza no século XVI, marcando essa época

como um momento da história da humanidade em

que a Igreja Católica exerceu seu maior poder de Estado e assumiu o papel de gestora das atividades humanas, isto é, de reguladora e

regulamentadora dela, aplicando leis e sansões

humanas e desumanas, sendo alvo (as desumanas) de um pedido de perdão por parte do Papa João Paulo II, pelo extermínio de milhares de judeus durante a Idade Média.

Nesse momento o direito assume um papel

restritivo e caracterizador de tais atividades humanas, regulando e regulamentando tais ações de acordo com interesses próprios da igreja

católica.O direito foi se consolidando nesse

contexto como uma espécie ferramenta inerente à propriedade privada, ou seja, sobre o direito de propriedade do senhor feudal, ao contrário do que

ocorreu anteriormente, na Antiguidade, cuja terra

era de todos e cuja coletividade era sistêmica e uma eficiente forma de sobrevivência humana. Na Idade Média perdura a ideia de que as terras

possuem donos e só se abrirá mão de tal bem se

for por questões puramente próprias, tais como receber o perdão do presbítero ou conseguir a própria salvação.

Direito Canônico
Direito Canônico
Direito Canônico

Trata-se do direito da comunidade religiosa. A religião católica se impôs como religião verdadeira e universal entre os séculos VIII e XV, o que facilitou a criação de um direito exclusivo, para uma igreja exclusiva. A unidade e a uniformidade do Direito Canônico foram proclamadas pelo papa Gregório VII. Certos domínios do direito privado foram regidos apenas pelo Direito Canônico durante vários séculos, em que todos os litígios eram resolvidos

pelos tribunais eclesiásticos. Por exemplo,

demandas envolvendo casamento ou divórcio

eram resolvidas unicamente pelo Direito Canônico. A ausência de uma legislação estatal e

a autoridade da igreja foram decisivos para a

grande influência do Direito Canônico.

Durante grande período da Idade Média, o Direito

Canônico foi o único direito escrito. Enquanto que o direito laico permaneceu essencialmente consuetudinário durante toda a Idade Média e as primeiras redações de costumes remontam ao

século XIII, o Direito Canônico passou a ser

redigido, comentado e analisado a partir do período da Alta Idade Média. No século XII o Direito Canônico começa a ser sistematizado, no formato de códigos. Não se

pode dizer que a Igreja estava criando o direito,

mas antes de tudo, ela desenvolvia um trabalho de

recolhimento, certificação e elaboração intelectual de uma tradição que remonta a uma igreja jurisdicizada. Com efeito, o Direito Canônico

durante longo período apresentava regulamentação para as relações pessoais de direito de família, situações eclesiásticas, testamentos e questões imobiliárias e sobre bens móveis.

O Direito Canônico é um direito religioso, como ocorre com o direito hebraico, hindu e mulçumano. Ele retira suas regras dos preceitos divinos revelados nos livros sagrados (Antigo e Novo Testamento). Mas ao contrário destes outros dois direitos, reconhece a existência de um direito laico, daí a distinção entre ius canonici e ius civile. A Igreja não se

identificou com qualquer Estado, porque pretendia se ocupar

apenas das almas. O Direito Canônico é ainda bem vivo, e continua a reger as relações entre membros da comunidade cristã, em que a hierarquia e organização do clero ainda são regidas pelo Direito Canônico.

membros da comunidade cristã, em que a hierarquia e organização do clero ainda são regidas pelo

Direito Germânico

A expressão direito germânico indica as instituições e os sistemas jurídicos existentes nas diversas nações bárbaras de origem teutônica que se apossaram da Europa após a queda do Império Romano do Ocidente, no ano 476. Predominava entre os invasores o direito de origem costumeira,

particularista, rudimentarmente desenvolvido e

fortemente impregnado de sentido comunitário. Os usos da tribo ascendiam à categoria de lei mediante sua definição pelo órgão judicial, a assembleia, no

julgamento dos casos concretos. As decisões

constituíam precedentes e se aplicavam com força legal. O direito era, ao mesmo tempo, de origem popular e judicial, conservado pela tradição oral.

Importante característica do direito germânico era

a chamada personalidade das leis. O direito

romano, pelo menos depois que o império atingiu a expansão máxima, no século II, consagrava,

ainda que com exceções, o princípio da

territorialidade, segundo o qual o direito aplicável

às pessoas que se acham no território do estado é

o direito do próprio estado, independentemente da

condição nacional ou da origem étnica de seus

habitantes. O direito germânico, ao contrário, principalmente depois que se generalizou a convivência com a população romana, nos séculos

IV e V, considerava que o estatuto legal da pessoa

era uma prerrogativa desta, determinada por sua procedência ou nacionalidade.

A coexistência entre romanos e bárbaros tornou- se ameaçadora para as instituições e os costumes

jurídicos destes últimos, ante o impacto de uma

civilização mais avançada. Por outro lado, com o curso do tempo e a ocorrência de frequentes migrações, com casamentos entre pessoas de

nacionalidades diferentes e o nascimento de

descendentes dessas uniões, a aplicação do direito foi-se tornando problema dos mais difíceis. Alguns reis bárbaros mandavam compilar os

direitos de seu povo e os dos povos vencidos, pelo

sistema romano de codificação, o que contribuiu para que, aos poucos, se firmasse o princípio da territorialidade das leis.

As leis bárbaras ordenaram os usos e costumes

das tribos na forma escrita, recolhendo a influência

de princípios do direito romano, mediante compilações do período pós-clássico, das constituições imperiais e da jurisprudência.

Nessas codificações, as leis ou a jurisprudência

romana podiam aparecer justapostas, sem modificações, ou resumidas, modificadas e intercaladas.

ou a jurisprudência romana podiam aparecer justapostas, sem modificações, ou resumidas, modificadas e intercaladas.

Direito Muçulmano

Direito Muçulmano O Islã ou Islão é uma religião abraâmica monoteísta articulada pelo Alcorão, um texto

O Islã ou Islão é uma religião abraâmica monoteísta articulada pelo Alcorão, um texto considerado pelos seus seguidores como

a palavra literal de Deus (Alá) e pelos ensinamentos e exemplos normativos (a chamada suna , parte do hadith ) de Maomé, considerado pelos fiéis como o último profeta de Deus. Um

adepto do islamismo é chamado de muçulmano.

A principal característica do direito mulçumano é a sua profunda base religiosa. Dessa forma, diferente de outros ordenamentos jurídicos que consolidaram a separação entre direito e religião, a melhor forma de entender o direito mulçumano é a partir de sua dimensão religiosa, no caso, o Islã. Segundo Flávia Lages de Castro, professora da Universidade Federal Fluminense (UFF) afirma que “sendo um direito intrinsecamente religioso, ou é atualmente o Direito efetivo de alguns países de religião islâmica ou é a base do direito dos países islâmicos”. Portanto, não faz sentido analisar o direito muçulmano sem contextualizá-lo com a religião islâmica. A imutabilidade é um traço característico do direito muçulmano. Isso porque como a sua base é religiosa, e a religião é o princípio estruturador da vida do fiel, não se pode advogar em nome de modificações da lei. Também são limitadas as possibilidades de interpretação do direito mulçumano . A infalibilidade também é um dogma do Islamismo. Novamente, por derivar de revelação divina, não se pode duvidar/contestar os ensinamentos do livro sagrado.

A doutrina costuma identificar quatro principais fontes do direito muçulmano: a) Alcorão (livro sagrado); b) Suna (tradição relativa ao profeta

Maomé, sua vida e decisões); c) Idjmâ (acordo

unânime da comunidade de doutores) e d) Qiyâs (raciocínio por analogia).

A mensagem alcorânica pode ser dividida, de

forma simplista, em duas partes: o corpo de

mensagens de Meca (82 suras) e o de Medina (28

suras). A principal mensagem do Alcorão refere-se à ocorrência do juízo final e à conduta de

comportamento que deve ser seguida pelo fiel

para evitar a sua condenação. Para o professor René David (1996) “o Corão é incontestavelmente, a primeira fonte do direito muçulmano”.

A Suna, por sua vez, “relata a maneira de ser e de

se comportar do Profeta, cuja memória deve servir para guiar os crentes”. Em termos substantivos, a Suna agrupa um conjunto de tradições relativas às

ações de Maomé. Ou seja, conglomera diferentes

elementos que norteiam a conduta do crente muçulmano.

relativas às ações de Maomé. Ou seja, conglomera diferentes elementos que norteiam a conduta do crente

O Idjmâ é constituído pelo acordo unânime dos doutores e se baseia nos referidos pressupostos

(imutabilidade e infalibilidade). Dessa forma, o espírito

da lei não se refere à vontade do povo, mediada pelos

representantes eleitos. Nas palavras do professor René David, “a unanimidade exigida é das pessoas competentes, daquelas cuja função própria é destacar

e revelar o direito: os jurisconsultos do islã (fuqahâ)”.

Comparativamente, o Alcorão, a Suna e o Idjmâ são as

principais fontes do direito muçulmano. É importante notar, todavia, que o Alcorão e a Suna constituem o que os doutores do islã denominam de châ’ria. Em

termos práticos, no entanto, “são apenas os livros de

Fiqh Al Sunnah, aprovados pelo Idjmâ, que devem, por isso, ser consultados nos nossos dias para conhecer o direito muçulmano”.

Por fim, tem-se o raciocínio por analogia (Qiyâs). Para entender o papel da analogia no direito muçulmano é importante compreender o conceito

de lacuna. Isso porque é exatamente a partir da

inexistência de uma norma para regular o caso concreto que se recorre ao raciocínio por analogia.

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É importante registrar, entretanto, que a analogia no direito muçulmano é bastante diferente da analogia

no direito de tradição germânica e de common law. A

analogia no direito muçulmano não pode criar novas regras (pressuposto da imutabilidade), nem tampouco pode modificar a interpretação das regras já existentes. De acordo com David (1996), “com a

ajuda do raciocínio por analogia, pode-se, na maior

parte das vezes, partindo das regras do Fiqh Al Sunnah, descobrir a solução que deve ser admitida

numa espécie particular”. Ou seja, diferente não só

do sistema romano-germânico em que decisões

reiteradas no mesmo sentido podem ter força de lei, mas também se distanciando do sistema de common law em que a decisão dos tribunais inaugura lei nova, a analogia no direito muçulmano desempenha

um papel mais limitado.

Referências Bibliográficas

Livros:

I. CASTRO, FLÁVIA LAGES DE. História do

direito geral e Brasil. Rio de Janeiro, Lumen

Juris, 2007.

II. DAVID, René (1996). Os Grandes Sistemas do Direito Contemporâneo. São Paulo: Martins

Fontes.

Sites:

I. www.juristasdofuturo2011c.blogspot.com.br

II. www.estudantedefilosofia.com.br

III. www.jus.com.br