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UNIVERSIDADE FEDERAL DA BAHIA


FACULDADE DE FILOSOFIA E CIÊNCIAS HUMANAS
INSTITUTO DE PSICOLOGIA E SERVIÇO SOCIAL

STEPHANY FIGUEIREDO CARNEIRO

AMBIENTES VIOLENTOS DE TRABALHO

SALVADOR-BA
2017
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STEPHANY FIGUEIREDO CARNEIRO

AMBIENTES VIOLENTOS DE TRABALHO

Trabalho sobre Ambientes violentos de


trabalho apresentado na disciplina Saúde
e Trabalho do curso de Serviço Social da
Universidade Federal da Bahia para
obtenção de nota parcial.

Orientadora: Yasmin Cunha de Oliveira

SALVADOR/BA
2017
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SUMÁRIO

1. INTRODUÇÃO……………………………………………………………………….3

2. TIPOS DE VIOLÊNCIAS RELACIONADAS AO TRABALHO…………………...5

3. AMBIENTES VIOLENTOS DE TRABALHO X SAÚDE MENTAL DO


TRABALHADOR………………………………………………………………………..7

4. VIOLÊNCIA E SAÚDE PÚBLICA………………………………………………….8

5. ESTUDO DE CASO………………………………………………………………...9

6. CONCLUSÃO……………………………………………………………………….12

REFERÊNCIAS………………………………………………………………..15
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1. INTRODUÇÃO

A violência já pode ser considerada um elemento do cotidiano. Desde os

primórdios a humanidade lida com a violência, porém o homem é protagonista

desse contexto e nunca como um sujeito que propõe a erradicação desse problema.

Atinge etnias e classes sociais em diversas proporções, sendo um fenômeno que

cresce a cada dia, apresentando formas diversificadas.

Ferreira (2011), relata que, o debate sobre a violência no local de trabalho

entrou nas discussões de forma tardia pois os conceitos de violência e local de

trabalho sofreram alterações. Segundo o autor, a violência pode ser entendida,

inicialmente, como aquela de ordem física; e local de trabalho por um espaço com

máquinas e pessoas trabalhando

no entanto, qualquer espaço físico onde alguém trabalhe é um

local de trabalho, como nossas próprias casas, as ruas e becos

patrulhados pelos policiais, os quartéis, os veículos conduzidos

por taxistas, as salas de aula, os presídios, os hospitais etc

(FERREIRA, 2011).

A violência no local de trabalho, é destacada por Ferreira (2011) como

“qualquer ação, incidente ou comportamento tido como fora dos padrões aceitáveis

como conduta normal, onde o trabalhador, durante o seu trabalho ou como resultado

direto do mesmo, é assaltado, ameaçado, ferido ou injuriado”. Warshaw (1998),

indica o conceito de violência trazido pela Organização Internacional do Trabalho


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(OIT) como “qualquer tipo de comportamento agressivo ou abusivo que possa

causar um dano ou desconforto físico ou psicológico em suas vítimas, sejam esses

alvos intencionais ou envolvidas de forma impessoal ou incidental” (apud OLIVEIRA;

NUNES, 2008, p. 30). No Brasil, o Ministério da Saúde elaborou a Política Nacional

de Redução da Morbimortalidade por Acidentes e Violência (Brasil, 2000). Tal

documento assume violência como evento representado por ações realizadas por

indivíduos, grupos, classes ou nações que ocasionam danos físicos, emocionais,

morais e/ou espirituais a si próprio ou a outros – por exemplo: agressão física,

abuso sexual, violência psicológica, violência institucional (Brasil, 2000, p. 427).

Segundo Minayo (2015), a discussão acerca da violência começa no século XVIII,

mais precisamente com a Revolução Francesa, transição da monarquia para o

capitalismo. Inicia-se com a instituição dos direitos humanos, na Europa. A autora

relata que a discussão no nosso país começa na década de 1980, com abertura

política no país.

A violência de gênero é considerada um problema de saúde pública pela

Organização Mundial da Saúde (OMS) e conceituada como qualquer ato que resulta

ou possa resultar em dano ou sofrimento físico, sexual ou psicológico à mulher,

inclusive ameaças de tais atos, coerção ou privação arbitrária de liberdade em

público ou na vida privada, assim como castigos, maus-tratos, pornografia, agressão

sexual e incesto.

Moreira e Monteiro (2012) trazem em seu artigo, dados de uma pesquisa

realizada com profissionais do sexo, em Leeds, na Inglaterra, Glasgow e Edimburgo,

na Escócia, revelou que 30% foram esbofeteadas ou chutadas por um cliente, 11%
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foram estupradas e 22% sofreram tentativa de estupro, dessas, somente 34%

denunciaram à polícia.

Partindo desse pressuposto, o objetivo deste trabalho é abordar o que são

ambientes violentos de trabalho, quais são os tipos de violência que podem ocorrer

com trabalhadores, quais são os órgãos que se preocupam com essa temática,

além de dar visibilidade ao cotidiano da vida de uma profissional do sexo e as

violências associadas ao seu trabalho através de um estudo de caso.

2. TIPOS DE VIOLÊNCIA RELACIONADAS AO TRABALHO

A violência relacionada ao trabalho é um tema pouco abordado em estudos

relacionados a saúde do trabalhador. É importante entender os conceitos de

violência e suas subcategorias para que auxilie no reconhecimento de infrações de

princípios fundamentais, de direitos dos trabalhadores, e se evite a negligência

quanto às condições de trabalho; omissão de socorro, falta de cuidados e

solidariedade para com trabalhadores. Autores como Roberval Nunes e Monica

Oliveira (2008), no artigo “Violência Relacionada ao Trabalho: uma proposta

conceitual” classificam violência relacionada ao trabalho em subcategorias como

Violência das relações de trabalho; Violência na organização do trabalho; Violência

nas condições de trabalho; Violência de resistência. Violência de delinquência e

Violência Simbólica (OLIVEIRA; NUNES, 2008).

A “violência nas relações de trabalho” são consideradas situações de abuso

de autoridade nas relações de trabalho; quando a autoridade é transformada em

uma situação de hierarquia de desigualdades explicitadas em agressões físicas,


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repreensões, constrangimentos e humilhações dos superiores hierárquicos com

seus subordinados, tratando o ser humano como coisa e não como sujeito.

Podemos entender como “violência na organização do trabalho” quando a forma de

organização do trabalho coloca os trabalhadores em situação de risco à saúde.

Já com o conceito de “violência nas condições de trabalho”, pode-se

perceber quando as condições de trabalho são insalubres e inseguras, causando

exposições de riscos físicos, químicos, biológicos, ergonômicos ou de acidentes aos

trabalhadores. Em casos de “violência de resistência” as atitudes são marcadas por

ações dos trabalhadores em resposta à violência no trabalho. Seja ela com a

intenção de minimizar esforços no trabalho, ou para resistir ao poder de controle dos

superiores. Os atos que são identificados como criminosos, realizados por pessoas

externas, internas ou que tenham algum tipo de relação com o trabalho é conhecida

como “violência de delinquência”. A “violência simbólica” ocorre quando os

trabalhadores são inferiorizados por conta da ausência de qualificação profissional,

da cor da pele, da baixa escolaridade, por estigmas vinculados à categoria

profissional a qual pertencem e/ou estarem trabalhando informalmente.

Já violência no local de trabalho, é definida por Ferreira (2011) como “qualquer

ação, incidente ou comportamento tido como fora dos padrões aceitáveis como

conduta normal, onde o trabalhador, durante o seu trabalho ou como resultado direto

do mesmo, é assaltado, ameaçado, ferido ou injuriado”, ou seja, não podemos

esquecer de que a violência externa também é fator que corrobora para com os

danos causados a saúde mental do trabalhador quando se trata da violência sofrida

por ele dentro, fora e o percurso de chegada do seu ambiente de trabalho


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Assim, podemos considerar que todo e qualquer tipo de injúria para com o

trabalhador, seja ela ameaças, agressões físicas e verbais; assédio moral e sexual

são danosas à saúde física e mental e faz-se necessário reconhecer atitudes

violentas, por menores que sejam, como infrações graves dentro das organizações.

Vale ressaltar que as interseccionalidades são fatores decisivos para a classificação

de violências relacionadas ao trabalho e precisam ser debatidas, consideradas

relevantes em casos de violência com trabalhadoras e trabalhadores negros, de

classe média baixa, homossexuais, transsexuais e mulheres.

3. AMBIENTES VIOLENTOS DE TRABALHO X SAÚDE MENTAL DO


TRABALHADOR

Oliveira e Nunes (2008) citam Minayo ao retratar o tema para além de

“causas externas”, pois tal autor apresenta uma tipologia diferente das formas de

violência, distinguindo “a violência estrutural, a violência de resistência e a violência

da delinquência” (OLIVEIRA; NUNES, 2008 apud MINAYO, 1997). Partindo do

princípio que as violências possuem tipologias e graus de gravidade, podemos

considerar, por exemplo, o trabalhador agredido moralmente com freqüência tem

sua auto-estima deteriorada. Os maiores sintomas apresentados por trabalhadores

que sofrem com os reflexos da violência são depressão (mesmo não sendo pré

diagnosticada, desestimulação, e consequentemente, baixo rendimento. Isso reflete

no âmbito familiar, afetando a boa relação com a família e trazendo desequilíbrio

emocional para lidar com as dificuldades. Como alternativa de fuga, esses

trabalhadores, muitas vezes, fazem uso de álcool, de tabaco e até mesmo de

drogas, na esperança de se estabilizarem emocionalmente, dentro e fora do

ambiente de trabalho. Em casos contrários aos supracitados, o trabalhador recorre a


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demissões voluntárias ou provoca sua dispensa em nome de uma “paz de espírito”,

todavia, sua volta para o mercado trabalho se torna mais complicada,

comprometendo assim sua estrutura financeira e familiar.

É possível percebermos também como o impacto da criminalidade atinge a

saúde mental dos trabalhadores de forma devastadora. A exposição a riscos

iminentes durante toda a jornada de trabalho requer um cuidado e atenção

redobrados levando assim uma exaustão física e mental do trabalhador. Abaixo,

podemos ver um relato de um bancário sobre algumas horas do seu dia e a

dificuldade de lidar com ele:

“A impotência de não poder questionar uma ordem disfarçada de


pedidos dos superiores, tornava o dia a dia mais difícil do que já era,
ao final de sua jornada de trabalho, ainda deveria passar algumas
horas no trânsito até chegar em sua faculdade. Trabalhar mais do que
deveria e prestar serviços que não eram de responsabilidade do
empregado, se tornava corriqueiro. Não se podia questionar, pois não
faltava mão de obra disposta a ocupar o seu lugar e fazer o que lhe
era mandado. Só restava-lhe acatar e comprometer seu horário que
deveria ser livre e que era utilizado para o desenvolvimento pessoal,
para um trabalho extra e não remunerado.” (M. C. B., 32 anos,
bancário)

Assim como a classe dos bancários, enfermeiras, domésticas, motoristas,

cobradores de coletivos, policiais, professores e vários outros profissionais

reclamam da vulnerabilidade em que eles estão inseridos na sociedade e da pouca

assistência que lhes é oferecida dentro das organizações e da omissão do Estado

em relação a violência externa.


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4. VIOLÊNCIA E SAÚDE PÚBLICA

No setor saúde, a violência tem sido estudada sob a categoria de “causas

externas” (OMS, 2000) de morbidade e mortalidade da Classificação Internacional

das Doenças e Problemas Relacionados à Saúde (CID) da Organização Mundial de

Saúde (OMS). Essa classe agrega ocorrências causadoras de lesões,

envenenamentos e outros efeitos adversos, incluindo os agravos relacionados ao

trabalho. Segundo Minayo (1994, 1997), essa categoria é muito limitada para o

estudo da violência, pois sua operacionalização ocorre apenas através dos efeitos

que se apresentam sobre as pessoas.

Tendo como mecanismo a desigualdade de poder, a violência constitui

violação dos direitos humanos e gera problemas de ordem social, de saúde pública

e de saúde da mulher principalmente pensando pelo viés das interseccionalidades,

colocando-a à mercê de outros tipos de violência, como a prostituição, gravidez

indesejada e doenças sexualmente transmissíveis.

5. ESTUDO DE CASO

A pesquisa foi realizada na cidade de Teresina, Piauí, Brasil, com 11

mulheres, membros da Associação das Prostitutas do Piauí. Os dados foram

produzidos por meio da entrevista aberta, conduzida por um roteiro com perguntas

acerca da vivência como prostituta e sua relação com a violência.


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O método utilizado foi o fenomenológico de Martin Heidegger, sendo ele

dividido em três etapas: a descrição, quando se interrogou o sujeito sobre o

fenômeno pesquisado; a redução, momento em que se buscou afastar julgamentos

acerca de concepções pré-estabelecidas sobre o tema em investigação, para dar

início à leitura das descrições e selecionar partes essenciais, com o objetivo de

constituir as unidades de significação. Após essa etapa, houve a análise

compreensiva, cuja interpretação analítica e hermenêutica teve como base

conceitos do referencial filosófico de Martin Heidegger.

Para a produção de dados, utilizou-se a entrevista aberta conduzida por um

roteiro com perguntas acerca da vivência como prostituta e sua relação com a

violência. Tais questões possibilitaram o conhecimento ontológico do fenômeno,

naquilo que parte da consciência e do vivido em relação ao pesquisado.

O projeto e os objetivos foram apresentados aos participantes, e as

entrevistas foram gravadas depois que os sujeitos leram e assinaram o termo de

consentimento livre e esclarecido. As entrevistas foram realizadas no período de

abril a maio de 2009. Considerando exigências formais contidas na Resolução

196/96, o projeto foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade

Federal do Piauí (nº 0007. 0.045.000-09).

As autoras do artigo, Moreira e Monteiro (2012) trazem as seguintes

considerações sobre a pesquisa:

Na primeira unidade de significação, foi possível agrupar termos


essenciais que destacavam um cotidiano de agressões, imposição de
quebra de acordos que levaram as entrevistadas a descreverem o
mundo da prostituição como de risco e gerador de medo. O mundo
constitui-se para além de um espaço geográfico, é todo o contexto no
qual se está inserido, no qual permeiam as relações que se
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estabelecem entre os seres, e que se encontra imerso na


cotidianidade, envolvido em situações ora previsíveis ora inusitadas (9).
[...] se vai fazer programa tem três perigos: o cara matar a gente, ser
estuprada, ser assaltada (D 7). Uma vez, na hora lá ele queria que eu
fizesse tudo, eu não fiz ele me deu dois tapas e ainda roubou meu
dinheiro (D 11). Eu estou saindo com um moço por precisão, mas ele
que fazer sexo daqueles que pessoa bate no outro, dando pancadas,
machucando (D 8).

Nesse mundo da prostituição, a violência ocorre em uma realidade na


qual a mulher se encontra, que foi se tecendo, caracterizando o
mundo próprio desse vivido. [...] tem deles que quer dar até na cara
da gente, mas tem deles que pergunta qual preço para nos
espancarem, só que eu nunca aceitei, mas já fui espancada de várias
maneiras, de cinto, de palmadas na bunda (risos), de mordida na
vagina, na perna, só não fui violentada, só não fui estuprada [...] (D 1).
Nesse cotidiano, embora não sendo aceito, mas previsível, está a
mulher em situação de prostituição e violência. O mundo da
prostituição é um mundo relacional, no qual, por constituir-se em troca
de satisfação e fantasias sexuais, por dinheiro e sem contrato formal,
é previsível que haja quebras nessa relação. Nessa quebra, a
violência pode vir-junto-a(9), levando o homem à prática de atos
agressivos para satisfazer seus desejos mais íntimos. [...] Tem é
muito que só quer dar 10 reais, aí diz assim: ah, tô pagando, tem que
fazer o que eu quero. É humilhação, tem que ter sangue na veia, e
estômago para sair com esses homens [...] .
A relação prostituta/cliente é expressa como encontro permeado de
humilhação, repulsa e aversão, pois, além de ser agredida, é obrigada
a fazer "coisas" contra sua vontade e aceitar qualquer cliente. A gente
fica pelo dinheiro, uns querem beijar na boca, agarrar, quer beijinho,
eu apresso logo, eu boto é o travesseiro na cara [...].
[...] Na segunda unidade de significação, as mulheres relatam um
cotidiano de desprezo, discriminação e acusações da sociedade,
autoridades policiais e outros. A sociedade também faz violência com
a gente desde o momento que ela nos discrimina. Tem muitas
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pessoas que passam por ali de carro, são universitários, tudo filho de
"papaizim", jogando xixi na gente.
Esse comportamento da sociedade parece ser reforçado pelas
representações preconceituosas que o senso comum detém da
imagem da prostituta e estão relacionadas aos comportamentos
considerados como imorais pela sociedade, conforme mostram as
depoentes. [...] todo mundo, do maior ao menor, sabe o que a gente
faz, tem muitos que não gosta da gente, não fala, não encosta perto,
acha que vamos roubá-los, dizem que estamos com HIV, doente .
[...] Nos discursos, as mulheres consideram a rua um espaço ruim e
expressam que todos sabem de suas atividades. Diariamente, são
chamadas de vagabundas e desocupadas, o que torna evidentes, no
discurso, a discriminação e o preconceito nas relações vividas por
elas na prática da prostituição. [...] os policiais são os mais
preconceituosos, muitas vezes não quer transar, acha que a mulher
prostituta é vagabunda [...] .
Essa atividade é percebida como espaço de sofrimento e verbalizada
pela maioria como perigosa para exercer essa prática. Algumas
deixam claro que diante das dificuldades, das agressões e do
desrespeito vivenciados no mundo circundante, gostariam de exercer
outra atividade, mas, por falta de qualificação, não visualizam
possibilidades, sendo obrigadas a permanecer na atividade de
prostituta. A gente sofre, sofre mesmo. Se eu pudesse sair dessa vida
aqui eu sairia. Aqui é uma bola-de-neve. A gente não escolhe esse
caminho (D 8). [...] na hora que eu arrumar um serviço, algo que saiba
fazer, eu saio e não quero nem lembrar que isso existe. (MOREIRA,
MONTEIRO, 2012)

A prostituição é um tema muito estigmatizado e não é tida como profissão

pela grande maioria. Fica evidente a partir dos dados expostos acima a violência

que esse grupo sofre e está exposto. Com isso, as profissionais do sexo preferem

se proteger e torna o acesso a elas gradual, complexo e muito mais prolongado

devido ao receio de se expor para uma sociedade que as condenam por exercerem

sua função.
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A violência pode ser considerada um dos berços da prostituição, mas pode

ser também contexto para que ela exista. A mulher, sendo profissional do sexo ,não

foge ao cenário de violência historicamente construído. O tipo de ambiente de

trabalho também a deixa mais vulnerável, pois, na rua, está sujeita às agressões

arbitrárias da polícia, dos agenciadores, dos clientes, principalmente em relação ao

acerto do "programa" e uso da camisinha e no caso de instituições que usam do

trabalho desta mulher são coercitivas e dados comprovam o assédio também moral

sofridas por elas por parte de seus “chefes”. O que vale ressaltar aqui é que essas

agressões ainda não são contabilizadas nos serviços de saúde deixando assim a

classe cada vez mais vulnerável.

6. CONCLUSÃO

A violência em ambientes de trabalho e a saúde do trabalhador, física e

mental, precisam ser pautas de discussões em setores de saúde pública. Pouco se

é debatido a respeito desse assunto. As formas de fiscalização para empresas não

são eficazes e na maioria das vezes inexistentes, o que promulga uma ideia de que

profissionais podem ser tratados de qualquer maneira por seus superiores

simplesmente por estarem em condições de subordinados. Vale ressaltar que a

segurança dos trabalhadores pouco ou nada são asseguradas, principalmente em

locais de trabalho que possuem maior exposição a violência externa, ou seja, além

dos profissionais estarem expostos às violências que partem do princípio do assédio

moral, precisam lidar com o medo advindo da sociedade violenta que os cercam,

tratando-se de agressões físicas especificamente.


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No caso das profissionais do sexo, mulheres oferecem satisfação sexual em

troca de remuneração e vão, aos poucos, perdendo seu 'corpo' e seu 'destino',

passam a desconstruir as relações de proteção e direito individual e coletivo,

surgindo, nesse cenário, os fatores de risco. Entre os vários riscos, estão aqueles

relacionados às agressões, pois as mulheres não escolhem os clientes e a violência

nesse cenário é constante, tanto física como abusos sexuais, tráfico de mulheres,

estupros, roubos, insultos, xingamentos e outros, manifestados por humilhações,

ofensas verbais e morais. Outro risco pelo qual passa essas profissionais, diz

respeito às questões de saúde pública, no que se refere à vulnerabilidade para as

doenças sexualmente transmissíveis (DST), exatamente pelo sexo sem proteção.

Há, ainda, o risco da quebra do sigilo de sua atividade, pois muitas delas escondem

de seus familiares e estas informações são utilizadas como formas de chantagens

para com as profissionais.

Se faz necessário academias e instituições governamentais pensarem em

políticas públicas mais eficazes e programas de conscientização que assegurem a

saúde e a vida dos trabalhadores e trabalhadoras, além de abordar temáticas de

reconhecimento de profissões estigmatizadas, como é o caso das profissionais do

sexo, reconhecendo assim, a falha gravíssima do Estado em tratar desse assunto

como trivialidade.

REFERÊNCIAS
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BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Políticas de Saúde. Política nacional


de redução da morbimortalidade por acidentes e violência. Revista de Saúde
Pública, SãoPaulo, v.34, n.4, p. 427-430, 2000.

B, M. C. Entrevista realizada com bancário em Salvador no dia 29 de janeiro 2018.

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Rio de Janeiro: Atheneu, 2003. p. 1641-1655.

FERREIRA, José Carlos. Violência no local de trabalho – assédio moral.2011.


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Krug EG, Dahlberg JA, Merci AB. Zwi RL.World report on violence and health.
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prostitution of women: invisibility and ambiguities. Revista Latino-Americana de
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OLIVEIRA, Roberval Passos de; NUNES, Mônica de Oliveira. Violência


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17

OMS - ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DE SAÚDE. Classificação Estatística


Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde: 10. revisão (CID-
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