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9/30/2017

PROTEÇÃO RADIOLÓGICA 2017/1018 Exposição a Radiações Ionizantes 1

EXPOSIÇÃO A RADIAÇÕES 
IONIZANTES

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DECAIMENTO RADIOATIVO
ATIVIDADE DE UMA AMOSTRA RADIOATIVA
O número de núcleos presentes numa amostra radioativa
diminui a uma taxa que decresce exponencialmente com
o tempo (descoberto por Rutherford em 1900), e não a
uma taxa constante. Esta dependência exponencial é
indicativa de que o decaimento radioativo é um processo
estatístico.

Para um processo estatístico, no qual o


decaimento de qualquer radionuclídeo
particular é aleatório (i.e., não se pode

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prever ao certo quando é que um certo radionuclídeo se


vai desintegrar, existindo apenas uma determinada
probabilidade, por unidade de tempo, da ocorrência do
processo), o número de radionuclídeos de uma dada
amostra de material radioativo que decaem numa dado
intervalo de tempo é diretamente proporcional a e
ao número radionuclídeos presentes na amostra.

 Considere‐se que, num dado instante t, uma amostra


contém radionuclideos.

 Em resultado do decaimento, o número de


radionuclídeos na amostra diminui com o tempo,
passando‐se passado um tempo a ter ,

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com .

A variação do número de radionuclídeos presentes na


amostra durante o intervalo de tempo é, então,

(note‐se que é negativo, pois o número de


radionuclídeos presentes na amostra diminui com o
tempo).

O número de radionuclídeos que decaem no intervalo de


tempo é

(o sinal aqui é negativo pois dN t é negativo).

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Como se tinha já referido, para um processo estatístico, o


número de radionuclídeos que decaem no
intervalo de tempo dt é diretamente proporcional ao
número de núcleos radioativos presentes na amostra
e ao intervalo de tempo :

A taxa de variação do número de núcleos radioativos


presentes na amostra, , é então diretamente
diretamente proporcional a :
dN t
λN t
dt

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A constante de proporcionalidade , designada por


CONSTANTE DE DECAIMENTO, dá‐nos a probabilidade de
decaimento de um núcleo, por unidade de tempo.
 é uma característica da amostra (e é independente do
tempo).

A ATIVIDADE de uma amostra radioativa é o simétrico da


sua taxa de decaimento:
dN t
A t λN t
dt
A atividade exprime, por isso, o potencial para produção
de radiação de uma determinada amostra radioativa.

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UNIDADES DE ATIVIDADE
A unidade tradicionalmente usada para exprimir a
atividade é o CURIE (Ci):
1 Ci = 3,70 × 1010 desintegrações/segundo

A unidade de atividade do Sistema Internacional de


unidades (S.I.) é o BECQUEREL (Bq):
1 Bq = 1 desintegração/segundo

1 Ci = 3,70 × 1010 Bq = 37 GBq

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LEI DO DECAIMENTO RADIOATIVO

Integrando a expressão λN t entre o instante t =


0 s , em que havia N núcleos radioactivos na amostra, e o
instante t genérico, em que existem N t núcleos na
amostra, obtém‐se a LEI QUE GOVERNA O DECAIMENTO
RADIOACTIVO:
N t N e

A lei do decaimento radioativo é uma função que descreve


quantos núcleos radioativos estão presentes numa
amostra num instante a partir do conhecimento do nú‐

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mero inicial de núcleos radioactivos e da constante de


decaimento.

N(t)  t
e
N0

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O número de núcleos radioativos da amostra que decaem


durante um tempo t é, então:

N t N N t N 1 e

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VARIAÇÃO DA ATIVIDADE COM O TEMPO

Atendendo a que λN T , se se derivar a


expressão em ordem ao tempo obtém‐se:

A t A e
onde

é a atividade inicial da amostra (atividade no instante t


0 s).

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SEMIVIDA (PERÍODO DE SEMI-


DESINTEGRAÇÃO ou MEIA-VIDA) - /

A SEMIVIDA, / , define‐se como sendo o tempo que


decorre até que o número inicial de átomos radioativos
presentes numa amostra ou a atividade da amostra se
reduzam a metade do valor inicial:
/ /

Fazendo‐se / e / na expressão
, obtém‐se

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o que permite ainda concluir que, ao fim de

 /a amostra contém
/ núcleos radioativos;
 / a amostra contém
/ núcleos radioativos;
etc
 / a amostra contém
/ núcleos radioativos.

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Note‐se que

Assim, ao fim de:


 / a atividade da
amostra é / ;
 / a atividade da
amostra é / ;
etc
 / a atividade da
amostra é / .

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RELAÇÃO ENTRE A CONSTANTE DECAIMENTO E


A SEMIVIDA
Como ao fim de T / a amostra contém N /2 núcleos
radioativos, fazendo‐se t T / e N T / N /2 na
expressão e obtém‐se
1
e /
2
de onde se tira
ln 2 0,693
λ
T/ T/

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TEMPO DE VIDA-MÉDIA DE UM
RADIONÚCLIDO, 
O tempo de VIDA‐MÉDIA DE UM RADIONUCLÍDEO (mean
lifetime) , , indica o tempo que, em média, um núcleo
pode sobreviver antes de decair. A vida média indica, por
isso, duração média de um radionuclídeo instável. A vida‐
média pode calcular‐se usando‐se métodos matemáticos
cujo resultado final é
1


Atendendo a que , pode ainda escrever‐se


/

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/ · ,

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SEMIVIDA BIOLÓGICA
Quando um elemento químico, radioativo ou não
radioativo, é introduzido no organismo, sofre
metabolização e é eliminado pelas vias normais. Como tal,
a semivida física / não leva em linha de conta a perda
de núcleos radioativos que ocorre, não apenas em
consequência do decaimento, mas por processos
biológicos quando o radioisótopo está inserido num
organismo vivo.

Chama‐se SEMIVIDA BIOLÓGICA, , ao tempo necessário


para que metade dos átomos incorporados no organismo

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sejam eliminados pelas vias normais, independentemente


do nuclídeo ser ou não radioativo.

EXEMPLO: O 131I, que tem uma semivida física de 8,1 dias,


é expelido do organismo de uma forma muito
mais lenta, sendo a sua semivida biológica na
tiroide, para um indivíduo normal, de 80 dias.

Assim, se iodo não radioativo fosse inserido no


organismo, apenas 1/2 do valor inicial no
organismo, apenas 1/2 do valor inicial
permaneceria no organismo ao fim de 80 dias;
1/4 ao fim de 160 dias, etc.

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SEMIVIDA EFETIVA
A dose de radiação recebida por um órgão quando nele
existe um material radioativo agregado, depende da
semivida física, isto é, das características do decaimento
radioativo do elemento, e da semivida biológica.

A combinação da semivida física T1/2 e da semivida


biológica Tb dá‐nos a SEMIVIDA EFETIVA, Te.
1 1 1
T T/ T

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