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Curso Básico de Metalurgia/Siderurgia

Módulo 01 - Introdução a Metalurgia com foco em Siderurgia

Aula 01 - Introdução a Siderurgia e Diagrama de Fases

1. Metalurgia

Na superfície da Terra há uma imensa variedade de substâncias


formadas ao longo de milhares de anos pela natureza. Essas substâncias são
chamadas de minerais.
Grande parte dos minerais contém metais em sua composição química.
Às vezes, dependendo da composição química e da abundância do mineral, é
possível a extração desses metais.
O minério é uma rocha que contém grande quantidade de um elemento
químico livre ou combinado com outro elemento. Uma rocha é considerada
minério quando tem importância econômica, o que depende da concentração
e da viabilidade econômica de extração de uma substância de interesse.
Acredita-se atualmente que a composição da crosta seja
aproximadamente a da Tabela abaixo:

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Como se pode notar o metal mais abundante na crosta terrestre é o


alumínio. No entanto, muitos metais de grande importância prática são bem
mais raros: cobre, tório, urânio, mercúrio, ouro.
Os elementos não se encontram uniformemente disseminados pela
crosta, havendo regiões mais ricas em um elemento do que outras.
------------------------------------------------------------------------------------------------
Os metais possuem, de um modo geral alta tendência a doar elétrons.
Assim, eles frequentemente são encontrados em seus minérios com número de
oxidação positivo, e para que se possa obter o metal a partir do minério, é
necessário que ele sofra uma REDUÇÃO.

Perceba que se trata exatamente do contrário da corrosão, um


processo natural que tende a oxidar os metais.

Metalurgia é a sequencia de processos que visa obter um metal a partir


do minério correspondente.
Podemos esquematizar a metalurgia da seguinte maneira:

Alguns poucos metais podem ser encontrados livres na Natureza na


forma de substância simples (ouro, platina, prata) devido a baixa reatividade

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destes metais. No entanto a maioria dos metais existe na forma de


compostos, que estão misturados a outras substâncias.
Exemplos de minérios importantes podem ser vistos na Tabela abaixo:

2. Siderurgia - A metalurgia do Ferro

Os materiais metálicos, assim como os estudos em metalurgia, são


divididos em duas classes: Ferrosos e Não Ferrosos.

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Neste primeiro momento iremos concentrar nosso estudo nos Materiais


Metálicos Ferrosos, ou seja, onde o principal componente é o ferro.

O ferro ocorre na natureza sob forma de óxidos, carbonatos e sulfetos:

As maiores jazidas de ferro do mundo localizam-se na Austrália, Brasil,


Estados Unidos, Rússia, França e Inglaterra

No Brasil as maiores jazidas encontram-se em Minas Gerais, Mato


Grosso do Sul, Pará, Amapá e Bahia. O principal minério encontrado no Brasil
é a hematita com 50 a 70 % de Ferro (8% das reservas mundiais) é de boa
qualidade devido aos baixos índices de fósforo e enxofre.

2.1 - As ligas de Fe-C

O ferro "combina-se" com o carbono podendo formar dois tipos de liga:

 Ferro Fundido - teores de carbono maiores que 2% em peso.


 Aço - teores de carbono até 2% em peso.
Mais adiante veremos as principais diferenças entre esses dois materiais
e o diagrama que descreve as "interações" entre o elemento ferro e o
elemento carbono.

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2.2 - O Aço

O quê é aço?

"Aço ou aço-carbono é uma liga metálica, formada essencialmente por


ferro e carbono, com porcentagens deste último variando entre 0,008 e 2,11%
além de outros elementos residuais (S, P, Mn, Si, etc...) provenientes do
processo de fabricação".

Para entendermos melhor esta definição e o efeito que a composição


química do aço pode ter nas propriedades do material, temos que ter em
mente alguns conceitos básicos sobre as estruturas dos materiais sólidos
cristalinos.

3. Conceitos e Definições Fundamentais

3.1 - Ligações Químicas

Toda matéria é composta por átomos e estes raramente podem ser


encontrados isoladamente, de forma que a maioria dos átomos forma ligações
fortes com átomos da própria espécie e com outros tipos de átomos.

As ligações interatômicas podem ser classificadas quanto à suas


intensidades em ligações primárias ou fortes e ligações secundárias ou fracas.

As ligações primárias são cerca de dez vezes mais fortes que as ligações
secundárias. As suas energias de ligação são da ordem de 100 kcal/mol
(lembre-se que 1 cal = 4,184 J). As ligações primárias podem ser de três tipos:
iônica, covalente e metálica.

As ligações secundárias envolvem energias de ligação da ordem de


apenas 10 kcal/mol. Embora existam alguns tipos de ligações fracas, elas são
geralmente englobadas dentro da designação de ligações de Van der Waals.

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3.2 - Ligação Iônica

Na ligação iônica um ou mais elétrons são transferidos de um átomo


eletropositivo para outro mais eletronegativo. A ligação pode ser entendida
como resultado da atração entre os íons negativo (ânion) e positivo
(cátion).Em uma ligação iônica ideal ocorre uma transferência completa de
carga eletrônica de um átomo para outro.

3.3 - Ligação Covalente

Na ligação covalente, um ou mais elétrons são compartilhados entre


dois átomos, gerando uma força de atração entre os átomos que participam

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da ligação. Este compartilhamento é muito comum na maioria das moléculas


orgânicas.

3.4 - Ligação Metálica

Os metais têm um, dois ou no máximo três elétrons de valência. Estes


elétrons não estão ligados a um único átomo, mas estão mais ou menos livres
para se movimentar por todo o metal. A figura 3.6 ilustra a ligação metálica
entre átomos de sódio.

Os elétrons que não são de valência e o núcleo formam um “caroço”


eletricamente positivo que é envolvido por uma “nuvem”, “mar” ou ainda
“gás” de elétrons. Os elétrons da nuvem atuam como uma “cola” mantendo
os caroços positivos unidos. A ligação metálica apresenta uma ampla faixa de

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energias de ligação que vão desde o mercúrio, com 68 kJ/mol e ponto de


fusão –39°C, até o tungstênio, com 850 kJ/mol e ponto de fusão 3410°C.

3.5 - Estrutura Cristalina

Vimos anteriormente as três principais formas dos átomos se ligarem


entre si (Ligações iônicas, covalentes e metálicas).

Além da forma com que eles se ligam, é importante entender a maneira


com que eles se estruturam, ou seja, como eles se posicionam quando
arranjados uns em relação aos outros.

Para nossos estudos daqui em diante, os átomos (ou íons) serão


considerados como esferas sólidas com diâmetros bem definidos. Isso é

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conhecido como modelo atômico da esfera rígida onde as esferas que


representam os átomos vizinhos mais próximos se tocam uma nas outras.

Os materiais sólidos podem ser classificados de acordo com a


regularidade segundo o qual os átomos ou íons estão arranjados uns em
relação aos outros. Um material cristalino é aquele em que os átomos estão
posicionados em um arranjo repetitivo ou periódico ao longo de grandes
distâncias atômicas.

Alguma das propriedades dos sólidos cristalinos dependem da estrutura


cristalina do material, ou seja, da maneira segundo a qual os átomos estão
espacialmente arranjados.

Os gases e a grande maioria dos líquidos não apresentam


periodicidade nos seus arranjos atômicos.

A figura ao lado representa o


arranjo entre átomos em um
líquido (figura superior) e a o
arranjo em um sólido cristalino
(figura inferior). A essa ordenação
encontrada no sólido, damos o
nome de estrutura ou rede
cristalina.

A ordenação dos átomos nos sólidos cristalinos indica que pequenos


grupos de átomos formam um padrão repetitivo. Dessa forma, ao descrever as
estruturas cristalinas, com frequência torna-se conveniente subdividir a
estrutura em pequenas entidades que se repetem, chamadas de células
unitárias.

Para a maioria das estruturas cristalinas as células unitárias tem o


formato de um cubo. Uma célula unitária é escolhida para representar a
simetria da estrutura cristalina.

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Nesse sentido, a célula unitária é a unidade estrutural básica da


estrutura cristalina em virtude de sua geometria e das posições dos átomos no
seu interior.

Os átomos metálicos podem ser considerados esferas rígidas e disto


decorre a grande propensão que eles têm à cristalização. A sua grande
maioria se cristaliza com estruturas cristalinas muito simples, conforme
ilustra a tabela abaixo:

Vários elementos apresentam no estado sólido diferentes estruturas


cristalinas. A denominação para isto é alotropia. Quando o sólido é uma
substância composta, a denominação habitualmente usada é polimorfismo.
Estas mudanças de estruturas geralmente ocorrem em função de
variações de temperatura e pressão.

A figura abaixo apresenta as células unitárias cúbica de faces centradas


(a) e cúbica de corpo centrado (b), supondo-se serem os átomos esferas
rígidas.

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O ferro puro apresenta as seguintes transformações de fase:

Observa-se que o ferro sólido, ao ser aquecido a partir da temperatura


ambiente, muda a sua estrutura cristalina a medida que há o aumento da
temperatura.

Mas para que é importante saber qual é a estrutura cristalina do


material?

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Até o momento, estamos assumindo que existe uma ordem perfeita nos
materiais cristalinos. Contudo esse sólido ideal não existe.

Todos os materiais contêm inúmeros defeitos ou imperfeições na


estrutura cristalina e na realidade, muitas das propriedades dos materiais são
profundamente sensíveis a desvios da perfeição cristalina.

"Os metais mais familiares não são altamente puros,


em vez disso, eles são ligas, onde átomos de impurezas
foram adicionados intencionalmente para conferir
características específicas ao material".

Ordinariamente, a formação de ligas é utilizada nos metais para


melhorar a resistência mecânica e a resistência à corrosão. Por exemplo, a
prata de lei é uma liga composta por 92,5% de prata e 7,5% de Cobre. Sob
condições ambientes normais a prata pura é altamente resistente à corrosão,
mas também é muito mole. A formação de uma liga com cobre aumenta
significativamente a resistência mecânica, sem diminuir de maneira
apreciável a sua resistência à corrosão.

A adição de átomos de impurezas em um metal irá resultar na formação


de uma solução sólida e/ou de uma nova segunda fase, dependendo do tipo
de impurezas, de suas concentrações e da temperatura da liga.

Vários termos relacionados às impurezas e às soluções sólidas merecem


menção. Em relação às ligas, os termos soluto e solvente são comumente
empregados. "Solvente" representa o elemento ou composto que está presente
em maior quantidade; ocasionalmente, os átomos de solvente também são
chamados de átomos hospedeiros. "Soluto" é usado para indicar um elemento
ou composto que está presente em menor concentração.

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3.6 - Soluções Sólidas

Uma solução sólida se forma, quando a medida que átomos de soluto


são adicionados ao material hospedeiro, a estrutura cristalina e nenhuma nova
estrutura é formada.

Talvez seja útil desenvolver uma analogia com uma solução líquida. Se
dois líquidos solúveis um no outro (tais como água e álcool) forem
combinados, será produzido uma solução líquida quando as moléculas de
ambos se misturarem e sua composição se manterá homogênea em todo
líquido restante. Uma solução sólida também é homogênea em termos de
composição. Os átomos de impurezas estão distribuídos aleatória e
uniformemente no interior do sólido.

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4 - Diagrama de Fases

A compreensão dos diagramas de fases para sistemas de ligas é


extremamente importante pois existe uma forte correlação entre a
microestrutura e as propriedades mecânicas, e o desenvolvimento da
microestrutura de uma liga está relacionado às características do seu
diagrama de fases. Adicionalmente os diagramas de fase fornecem
informações valiosas sobre fusão, fundição e cristalização, entre outros
fenômenos.

É necessário estabelecer uma base de definições e conceitos básicos


relacionados a ligas, fases e equilíbrio antes de estudar a interpretação e a
utilização de diagramas de fases. O termo componente é frequentemente
usado nesta discussão; componentes são metais puros e/ou compostos dos
quais uma liga é constituída. Por exemplo, num latão de cobre-zinco, os
componentes são Cu e Zn. O conceito de uma solução sólida foi introduzido
anteriormente. À guisa de revisão, uma solução sólida consiste de átomos de
pelo menos 2 diferentes tipos; os átomos de soluto ocupam posições quer
substitucionais quer intersticiais na rede do solvente, e a estrutura cristalina
do solvente é mantida.

4.1 - Limite de Solubilidade

Para muitos sistemas de ligas e alguma temperatura específica, existe


uma máxima concentração de átomos soluto que podem se dissolver no
solvente para formar uma solução sólida; isto é denominado um limite de
solubilidade. A adição de soluto em excesso a este limite de solubilidade
resulta na formação de uma outra solução sólida ou um composto que tenha
composição distintamente diferente.

Para ilustrar este conceito, considere-se o sistema açúcar-água


(C12H22O11-H2O). Inicialmente, à medida em que açúcar é adicionado à água, a
solução açúcar-água ou xarope se forma. À medida em que mais açúcar é
introduzido, a solução se torna mais concentrada, até que o limite de

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solubilidade seja atingido ou a solução se torna saturada com açúcar. Neste


ponto a solução não é mais capaz de dissolver nenhum açúcar mais e novas
adições simplesmente sedimentam-se na base do recipiente.Assim, agora o
sistema consiste de 2 substâncias separadas: uma solução líquida açúcar-água
e cristais sólidos de açúcar não dissolvidos.

O limite de solubilidade do açúcar em água depende da temperatura da


água e pode ser representado na forma gráfica num gráfico de temperatura ao
longo da ordenada e composição (porcentagem em peso de açúcar) na
abscissa, como mostrado na Figura abaixo. Ao longo do eixo da composição, o
aumento da concentração de açúcar é da esquerda para a direita e a
porcentagem de água é lida da direita para a esquerda. Uma vez que apenas 2
componentes estão envolvidos (açúcar e água) a soma da concentrações em
qualquer composição será iguala 100% em peso. O limite de solubilidade está
representado na Figura abaixo como uma linha quase vertical. Para
composições e temperaturas no lado esquerdo da linha de solubilidade, existe
apenas solução líquida de xarope; no lado direito da linha, coexistem xarope e
açúcar sólido. O limite de solubilidade numa temperatura é a composição que
corresponde à interseção da coordenada da dada temperatura e a linha do
limite de solubilidade. Por exemplo, a 20oC a máxima solubilidade de açúcar
em água é 65% em peso. Como a Figura indica, o limite de solubilidade cresce
levemente com a elevação da temperatura.

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4.2 - Fases

O conceito de fase é também crítico para o entendimento de diagramas


de fases. Uma fase pode ser definida como uma porção homogênea de um
sistema que tem características química e físicas uniformes. Todo material
puro é considerado como sendo uma fase; assim é também toda solução
sólida, solução líquida e solução gasosa. Por exemplo, a solução de xarope
açúcar-água justo discutida é uma fase e o açúcar sólido é uma outra. Cada
uma tem diferentes propriedades físicas (uma é um líquido, a outra é um
sólido); além disso, cada uma é diferente quimicamente (isto é, tem uma
composição química diferente); uma é um açúcar virtualmente puro, a outra é
uma solução de água e C12H22O11. Se mais de uma fase estiver presente num
dado sistema, cada uma terá suas propriedades distintas e existirá um limite
separando as fases através do qual haverá uma descontínua e abrupta
mudança em características físicas e/ou químicas. Quando 2 fases estiverem
presentes num sistema, não é necessário que haja uma diferença
simultaneamente em propriedades físicas e químicas; uma disparidade num ou
outro conjunto de propriedades é suficiente.

Quando água e gelo estão presentes em um recipiente, existem duas


fases separadas; elas são fisicamente diferentes (uma é um sólido, a outra um
líquido), porém ambas são idênticas em constituição química. Além disso,
quando uma substância pode existir em duas ou mais formas polimórficas (por
exemplo, quando possui tanto estrutura CFC como CCC), cada uma dessas
estruturas consiste em uma fase separada, pois suas respectivas
características físicas são diferentes.

4.3 - Microestrutura

Muitas vezes, as propriedades físicas e, em particular, o


comportamento mecânico de um material, dependem da microestrutura. A
microestrutura está sujeita a uma boa observação direta através de um
microscópio, utilizando-se microscópio óptico ou eletrônico. Nas ligas
metálicas, a microestrutura é caracterizada pelo número de fases

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presentes, por suas proporções e pela maneira segundo a qual elas estão
distribuídas ou arranjadas. A microestrutura de uma liga depende de
variáveis tais como os elementos de liga que estão presentes, suas
concentrações e o tratamento térmico a que a liga foi submetida (isto é, a
temperatura, o tempo de aquecimento à temperatura do tratamento e a taxa
de resfriamento até a temperatura ambiente).

Por exemplo, no caso de uma liga bifásica, uma fase pode aparecer
clara, enquanto a outra fase aparece escura, como é o caso para a figura
abaixo:

Quando somente uma única fase ou uma única solução sólida está
presente a textura é uniforme, exceto pelos contornos dos grãos que podem
estar revelados, como é mostrado na figura abaixo:

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4.4 - Diagrama de Fases Binários

Quando dois metais formam uma fase líquida homogênea, isto é, eles
são completamente solúveis um no outro, eles não necessariamente se
solidificarão para formar uma fase sólida homogênea. Quando solidificados
dois metais podem ser:

* completamente solúveis um no outro;

* completamente insolúveis um no outro;

* parcialmente solúveis um no outro;

* combinados para formar um composto intermetálico.

Os diagramas de equilíbrio ou de fase (algumas vezes chamados curvas


de solubilidade) são usados para mostrar a percentagem de cada metal na liga
com o eixo das ordenadas indicando a temperatura.

Possivelmente, o tipo de diagrama de fases binário mais fácil de ser


compreendido e interpretado é aquele caracterizado pelo sistema cobre-
níquel.

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A temperatura é traçada ao longo da ordenada; enquanto a abscissa


representa a composição da liga, em porcentagem de peso na escala inferior e
porcentagem atômica na escala superior, de níquel.

A composição varia de 0%p Ni (100%p Cu) na extremidade horizontal


esquerda e 100%p Ni (0%p Cu) na outra extremidade, à direita.

Três regiões, ou campos, de fases diferentes aparecem no diagrama,


um campo alfa (α), um campo líquido (L), e um campo bifásico α + L.

Cada região é definida pela fase ou pelas fases que existem ao longo
das faixas de temperaturas e de composições que estão delimitadas pelas
curvas de fronteira entre as fases.

O líquido L consiste em uma solução líquida homogenia, composta tanto


por cobre quanto por níquel. A fase α consiste em uma solução sólida
substitucional que contém átomos tanto de Cu quanto de Ni e que possui uma
estrutura cristalina CFC.

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A temperaturas abaixo de aproximadamente 1080ºC, o cobre e o níquel


são mutuamente solúveis no estado sólido para toda e qualquer combinação
de composições. Essa solubilidade completa é explicada pelo fato de que
tanto o Cu como o Ni possuem a mesma estrutura cristalina (CFC), raios
atômicos e eletronegatividades praticamente idênticos, e valências
semelhantes.

5 - Diagrama de Fases Ferro-Carbono (Fe-Fe3C)

De todos os sistemas de ligas binárias, a que possivelmente seja a mais


importante é o sistema ferro e carbono. Tanto os aços quanto os ferros-
fundidos, principais materiais estruturais em todas as culturas
tecnologicamente avançadas, são essencialmente ligas ferro-carbono.

Uma parte do diagrama de fase ferro-carbono está apresentada na


Figura abaixo. O ferro puro, no aquecimento, experimenta duas mudanças em
sua estrutura cristalina antes de se fundir. À temperatura ambiente em sua
forma estável, chamada ferrita ou ferro α, possui uma estrutura cristalina

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CCC. A ferrita experimenta uma transformação, após aquecimento, mudando


de fase, de ferrita (α) para austenita (γ) CFC, ou ferro γ, a 912ºC. Esta
austenita persiste até 1394ºC, temperatura na qual a austenita CFC se reverte
de volta para a fase CCC conhecida como ferrita (δ), que finalmente se funde
a 1538ºC. Todas estas mudanças são visíveis ao longo do eixo vertical
esquerdo do diagrama de fases.

O eixo de composição no diagrama se estende apenas até 6,70%C, em


peso. Nesta concentração o composto intermediário carbeto de ferro ou
cementita (Fe3C), é formada, sendo ela representada por uma linha vertical
no diagrama de fases. Assim o sistema ferro-carbono pode ser dividido em 2
partes: uma porção rica em ferro, como mostrado no diagrama e a outra (não
mostrada) para composições entre 6,70%C e 100%C em peso (grafita pura).

Na prática, todos os aços e ferros-fundidos têm teores de carbono


menores do que 6,70%C, em peso; portanto, nós consideramos apenas o
sistema ferro-carbeto de ferro.

A austenita, ou a fase γ do ferro, quando em liga justamente com o


carbono, não é estável abaixo de 727ºC, como indicado na figura abaixo.

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Como demonstrado nas discussões que se seguem, transformações de fase


envolvendo austenita são muito importantes no tratamento térmico dos aços.

A figura a seguir mostra duas micrografias, uma da fase ferrita (α) outra
da fase austenita (γ).

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A cementita (Fe3C) se forma quando o limite de solubilidade de carbono


no ferro α é excedido a uma temperatura abaixo de 727ºC. Como indicado no
diagrama, Fe3C também coexistirá com a fase δ entre 727 e 1148ºC.
Mecanicamente cementita é muito dura e frágil; a resistência de alguns
aços é grandemente melhorada pela sua presença.

As regiões bifásicas estão expostas no diagrama. Pode-se notar que


existe uma transformação de uma fase líquida em duas fases sólidas, reação
esta titulada de Reação Eutética para o sistema ferro-carboneto de ferro, em
4,30%C e 1148ºC. Segue a Reação:

Pode-se também notar a existência de outra transformação de fase,


onde uma fase sólida se transforma em duas fases outras fases sólidas, reação
titulada de Reação Eutetóide para o sistema ferro-carbono numa composição
de 0,77%C, em peso, e numa temperatura de 727ºC. Esta reação eutetóide
pode ser representada por:

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Portanto, ligas ferrosas são aquelas nas quais ferro é o principal


componente, mas o carbono bem como outros elementos de liga podem estar
presentes. No esquema de classificação de ligas ferrosas baseadas em teor de
carbono, existem 3 tipos: ferro, aço e ferro fundido. Ferro comercialmente
puro contém menos do que 0,008%C, em peso, e, a partir do diagrama de
fases, é composto quase que exclusivamente de fase ferrita à temperatura
ambiente. As ligas ferro-carbono que contém entre 0,008 e 2,11%C, em peso,
são classificadas como aços. Na maioria dos aços a microestrutura consiste das
fases tanto α quanto Fe3C. Embora um aço possa conter até 2,11%C, em peso,
na prática, raramente as concentrações de carbono excedem 1,0%C, em peso.
Ferros fundidos são classificados como ligas ferrosas que contém entre 2,11 e
6,70%C, em peso. Entretanto, ferros fundidos comerciais normalmente
contém menos do que 4,5%C, em peso.

Resumindo:

Aço: denominação genérica para ligas de ferro-carbono com teores de


carbono de 0,008 a 2,11%, contendo outros elementos residuais do processo
de produção e podendo conter outros propositalmente adicionados (elementos
de liga).

• Aço-carbono: aço sem adição de elementos de liga.

• Aço-liga: aço com adição de elementos de liga.

• Ferro fundido: designação genérica para ligas de ferro-carbono com teores


de carbono acima de 2,11%.

6 - Efeitos de Elementos de Liga

Vimos anteriormente que o aço é uma liga Ferro-Carbono podendo


conter até 2,11% de Carbono.

No entanto, quando se deseja atribuir uma determinada característica


ou uma melhora na propriedade, adiciona-se intencionalmente elementos a
essa liga Fe-C. Estes elementos são chamados de Elementos de Liga.

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Quando mencionado elementos de liga, deve ficar subentendido que


são outros elementos além do ferro e do carbono, uma vez que estes últimos
são os constituintes básicos do aço.

Vejamos algum desses elementos e seu efeito nas propriedades do aço:

- Alumínio (Al): é usado em pequenas proporções como desoxidante;

- Chumbo (Pb): não se liga ao aço mas, quando adicionado, distribui-se na


estrutura em forma de partículas microscópicas, o que resulta em maior
facilidade de usinagem. Entretanto, devido ao baixo ponto de fusão (cerca de
327°C), aços com chumbo não devem ser usados em temperaturas acima de
250°C.

- Cobalto (Co): aumenta a dureza do aço sob altas temperaturas.

- Cobre (Cu): melhora a resistência à corrosão por agentes atmosféricos, se


usado em teores de 0,2 a 0,5%.

- Cromo (Cr): melhora a resistência à corrosão (aço com cerca de 12% Cr


resiste à ação da água e de vários ácidos), aumenta a resistência à tração (em
média, 80 MPa para cada 1% de cromo), melhora a facilidade de têmpera,
aumenta a resistência à alta temperatura e ao desgaste.

- Enxofre (S): é, na maioria dos casos, um elemento indesejável, oriundo do


processo de produção. Se combinado com o ferro na forma de sulfeto, deixa o
aço quebradiço. Entretanto, se combinado com o manganês no forma do
respectivo sulfeto, favorece a usinagem com a formação de cavacos que se
quebram facilmente.

- Fósforo (P): é considerado um elemento prejudicial, resultante do processo


de produção. Torna o aço frágil, efeito que se acentua com o aumento do teor
de carbono. Assim, os teores máximos permitidos devem ser controlados com
rigor em aços para aplicações estruturais ou críticas.

- Manganês (Mn): em média, para cada 1% de manganês, a resistência à


tração aumenta 100 MPa. Para aços temperáveis, aumenta a dureza após o
processo de têmpera.

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- Molibdênio (Mo): melhora a resistência a altas temperaturas, a resistência


ao desgaste e a dureza após a têmpera. Para aços inoxidáveis, melhora a
resistência à corrosão.

- Níquel (Ni): em média, para cada 1% de níquel, a resistência à tração


aumenta 40 MPa, mas o limite de elasticidade é mais favorecido. Melhora
significativamente a capacidade de têmpera, possibilitando redução da
velocidade de resfriamento. O níquel altera a alotropia do ferro e teores
acima de 25% fazem reter a austenita em temperaturas usuais, fazendo um
aço austenítico, que é não magnético e bastante resistente à corrosão. Com
36% de Ni, o aço tem o menor coeficiente de dilatação térmica e é usado em
instrumentos de medição. Em conjunto com o cromo, o aço pode ser
austenítico com a combinação 18% Cr e 8% Ni.

- Silício (Si): é um agente desoxidante na produção do aço. Aumenta a


resistência à corrosão e a resistência à tração, mas prejudica a soldagem. O
silício aumenta significativamente a resistividade elétrica do aço e, por isso,
aços com silício são amplamente usados em núcleos magnéticos (motores,
transformadores, etc) devido às menores perdas com as correntes parasitas

que se formam.

- Tungstênio (W): aumenta a resistência à tração em altas temperaturas.


Forma carbonetos bastante duros e é usado em aços para ferramentas (aços
rápidos).

- Vanádio (V): refina a estrutura do aço, impedindo o crescimento dos grãos.


Forma carbonetos duros e estáveis e é usado em aços para ferramentas para
aumentar a capacidade de corte e dureza em altas temperaturas.

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7 - Nomenclatura dos Aços

Existem várias entidades que estabelecem normas para codificação de


aços de acordo com o teor de carbono e dos elementos de liga. Na tabela
abaixo, alguns códigos da SAE (Society of Automotive Engineers). Obs.: os dois
últimos algarismos (xx) indicam o teor de carbono em 0,01%.

Exemplo: um aço SAE 1020 tem 0,20 % de carbono.

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