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ASSOCIAÇÃO DE AMIGOS DO CONSERVATÓRIO DE TATUÍ

"DR. CARLOS DE CAMPOS"

SETOR DE ARTES CÊNICAS

Seminário

SÉCULO DE OURO ESPANHOL

TATUÍ - SP
2017
ASSOCIAÇÃO DE AMIGOS DO CONSERVATÓRIO DE TATUÍ
"DR. CARLOS DE CAMPOS"
SETOR DE ARTES CÊNICAS

AUGUSTO GAISLER DE LIMA


GABRIEL ALMEIDA
GISELE DE FÁTIMA CAMARGO
RENATA NUNES

SÉCULO DE OURO ESPANHOL

SEMINÁRIO

Trabalho exigido como requisito


parcial de avaliação na disciplina de
História do Teatro do 2° semestre do
Curso de Teatro Adulto do
Conservatório de Tatuí.

Orientadora: Profª Érica Pedro.

TATUÍ - SP
2017
Introdução

O Século de Ouro Espanhol, período basicamente entre os anos 1492 e 1681, que
compreende os 30 anos finais do século XVI e os primeiros 30 do século XVII,
reconhecido logo no século posterior como a idade do ouro por tamanha grandeza e
ápice da cultura espanhola.

Toda essa cultura trouxe as ideias filosóficas dos iluministas, a ciência, a


matemática, física, medicina, psicologia e filosofia.

Na Península Ibérica, as tradições medievais ainda eram bastante fortes até o


século XVII, ao contrário do que acontecia em outras regiões da Europa. Então ao
mesmo tempo em que surgia as ideias humanistas, havia também um enorme
apego aos temas típicos do cristianismo da Idade Média.

O teatro e tantas outras artes do Século de Ouro também ajudaram a levar a língua
espanhola a um patamar internacional. Os principais representantes dessas áreas
foram Luís de Góngora, Calderón de la Barca e Lope de Vega. Entretanto, aquele
que é considerado o ícone dessa época fértil das artes na Espanha é Miguel de
Cervantes Francisco Saavedra, autor do famoso romance “Dom Quixote de La
Mancha”, publicado em duas partes, a primeira em 1605 e a segunda em 1615.

A expressão “século de ouro” foi popularizada pelo escritor Lope de Veja e pelo
discurso do personagem Don Quixote, no livro de Cervantes, que falava sobre esse
período.
Os Reis Católicos
Após o fim do Império Romano, a Península Ibérica foi conquistada pelos Visigodos
(séc. V ao início do séc. XIII). Com a conversão do rei visigótico Recareno I em 587
d.C. ao catolicismo, a sociedade conservou a influência romana. Em 711, os árabes
invadiram a Europa através do Estreito de Gibraltar e começaram sua expansão no
continente, sendo barrados pelos francos em 732. Com as Cruzadas, os reinos
católicos conseguiram empurrar os árabes, chamados de mouros, para o sul da
península. A situação dos reinos até o fim do século XV era a formação dos reinos
de Portugal, Leão e Castela, Navarra e Aragão (conhecidos também por reinos
hispânicos) e o reino mouro de Granada.

Com o casamento de Isabel de Castela e Fernando de Aragão, começou o início do


que seria o Estado Moderno Espanhol. Eles agregaram o reino de Navarra e, com o
apoio da Igreja Católica,
conquistaram Granada. Desde
quando os reinos católicos se
estabeleceram na península, os
mouros eram vistos como pagãos
e era praticamente nula a junção
de culturas (embora a influência
árabe exista até hoje na
arquitetura, língua e comércio
como exemplo). Através do
Tribunal do Santo Ofício da Inquisição, mouros e judeus foram perseguidos e
expulsos da região. Assim se formou um reino em que a unidade política foi
consequência de uma unidade religiosa, um reino que começou a sua época mais
gloriosa como nação, um reino dos “Reis Católicos”.

Expansão.Marítima

Antes de entendermos sobre a expansão marítima espanhola, precisamos entender


o contexto histórico ao qual se originou a expansão marítima, assim começaremos
com Portugal. A expansão ultramarina Europeia deu início ao processo da
Revolução Comercial, que caracterizou os séculos XV, XVI e XVII. Através das
Grandes Navegações, pela primeira vez na história, o mundo seria totalmente
interligado. Apenas os Estados efetivamente centralizados tinham condições de
levar adiante tal empreendimento, dada a necessidade de um grande investimento e
principalmente de uma figura que atuasse na coordenação de tais atos. Além de
formar um acúmulo prévio de capitais, pela cobrança direta de impostos, o rei
disciplinava os investimentos da burguesia, canalizando-os para esse grande
empreendimento de caráter estatal, ou seja, do Estado, que se tornou um
instrumento de riqueza e poder para as monarquias.absolutas.
As primeiras condições para o desenvolvimento deste processo podem ser datadas
ainda do século XVIII, quando ocorreram as invasões islâmicas na Península
Ibérica. Embora as tentativas por parte dos cristãos para expulsá-los tenham sido
frequentes nos séculos seguintes, é inegável que os muçulmanos contribuíram
imensamente para a cultura da região ao trazer consigo conhecimentos
anteriormente desconhecidos na Península. Entre estes, estavam a bússola e
o astrolábio. Estas inovações seriam muito úteis para os portugueses quando
procuraram encontrar um novo caminho para ter acesso às riquezas do Oriente que
não necessariamente passasse pelas cidades italianas e, consequentemente, o alto
preço que estas cobravam pelos produtos monopolizados – principalmente depois
da queda de Constantinopla perante os turcos
otomanos,.em.1453.........................................

A formação do Estado Nacional português está relacionada à Guerra de


Reconquista - luta entre cristãos e muçulmanos na península Ibérica. A primeira
dinastia portuguesa foi a Dinastia de Borgonha (a partir de 1143), caracterizada pelo
processo de expansão territorial interna. Entre os anos de 1383 e 1385, o Reino de
Portugal conhece um movimento político denominado Revolução de Avis -
movimento que realiza a centralização do poder político: aliança entre a burguesia
mercantil lusitana com o mestre da Ordem de Avis, D. João. A Dinastia de Avis é
caracterizada pela expansão externa de Portugal: a.expansão.marítima.
Sua posição geográfica privilegiada e centralização precoce tornaram possível que
ainda no século XV a Casa de Avis pudesse lançar as primeiras expedições oficiais,
atingindo o Oceano Índico.

Experientes pescadores, os portugueses aplicaram o uso de pequenos barcos, os


barinéis, além das caravelas e naus. A precisão náutica foi favorecida pela bússola e
o astrolábio, itens já usados pelo muçulmanos no século XII e o astrolábio aponta a
direção dos corpos celestes.
Com tecnologia e necessidade econômica de ir ao mar, os portugueses ainda
somaram a meta de evangelizar e levar a fé católica para outros povos. As
condições políticas também eram bastante favoráveis.
Portugal foi a primeira nação a criar um Estado-nacional associado aos interesses
mercantis. Em paz, enquanto outras nações guerreavam, houve concentração para
as incursões marítimas que supririam a falta de mão-de-obra, de produtos agrícolas
e metais preciosos.
Portugal contava, também, com vantagem geográfica. Era ponto de escala comercial
para os navios que saíam da Itália em direção ao Mediterrâneo com destino ao
Norte da Europa. A posição estratégica permite acesso à África através do Oceano
Atlântico.
O primeiro sucesso português nos mares foi a Conquista de Ceuta, em 1415. Sob o
pretexto de punição religiosa, no porto viviam muçulmanos, os portugueses
dominaram o destino das expedições comerciais árabes.
Assim, Portugal "estabeleceu-se" na África, mas não foi possível interceptar as
caravanas carregadas de escravos, ouro, pimenta, marfim, que paravam em Ceuta.
Os árabes procuraram outras rotas e os portugueses foram obrigados a procurar
novas rotas em direção às mercadorias que tanto aspiravam.
Na tentativa de chegar à Índia, os navegadores portugueses conquistaram a África e
contornou todo o continente durante o século XV. Criaram feitorias, fortes e
estabeleceram pontos para negociação com os nativos.
A essas incursões deu-se o nome de périplo africano, tendo por parte dos
portugueses o claro objetivo de obter lucros. Não havia o interesse em colonizar ou
organizar a produção dos locais explorados. O comércio de escravos africanos já
era uma realidade em 1460, com retirada de pessoas do Senegal até Serra Leoa.
Foi em 1488 que os portugueses chegaram ao Cabo da Boa Esperança sob o
comando de Bartolomeu Dias. Essa está entre as importantes marcas das
conquistas marítimas de Portugal, que chegou ao Oceano Índico.

As primeiras grandes navegações permitiram a superação das barreiras comerciais


típicas da Idade Média, permitiram o desenvolvimento da economia mercantil e o
fortalecimento da classe burguesa. Tais como:
- A necessidade do europeu lançar-se ao mar resultou de uma série de
fatores sociais, políticos, econômicos e tecnológicos.................................
- A Europa saía da crise que fora herdada do século XIV e as monarquias
nacionais eram levadas a novos desafios que resultariam na expansão para
outros territórios.
- O Ocidente tornou-se dependente do comércio do restante do mundo e a
Europa comprava mais que vendia. No continente europeu, a oferta era de
madeira, pedras, cobre, ferro, estanho, chumbo, lã, linho, frutas, trigo, peixe,
carne.
- Os países do Oriente, por sua vez, dispunham de açúcar, ouro, cânfora,
sândalo, porcelanas, pedras preciosas, cravo, canela, pimenta, noz-moscada,
gengibre, unguentos, óleos aromáticos, drogas medicinais e perfumes.

Cabia aos árabes o transporte dos produtos até a Europa em caravanas realizadas
por rotas terrestres. O destino eram as cidades italianas de Gênova, Veneza e Pisa,
que serviam como intermediárias para a venda das mercadorias ao restante do
continente.
Esse intermédio significava, na verdade, um monopólio sobre o comércio pelo Mar
Mediterrâneo e era necessária a existência de uma rota alternativa. As rotas
precisavam ser mais rápidas, seguras e, principalmente, econômicas. Paralela à
necessidade de novos caminhos, também era preciso solucionar a crise dos metais
e pedras preciosas na Europa, onde as minas já estavam esgotadas.
Uma reorganização social e política também impulsionava à busca de mais rotas.
Eram as alianças entre reis e burguesia, formando as monarquias nacionais. O
capital burguês financiaria a infraestrutura cara e necessária para o feito ao mar.
Afinal, eram precisos navios, armas e mantimentos. Os burgueses pagavam em
troca da participação nos lucros e essa foi, também, uma forma de fortalecer os
Estados nacionais e impor à sociedade a submissão à monarquia.
No campo da tecnologia, uniram-se a cartografia, a astronomia e a engenharia
náutica. Os portugueses deram a partida e, por meio da Escola de Sagres. Era
dessa escola o lema "Navegar é preciso, viver não é preciso".

Fatores.que.provocaram.a.expansão
A expansão marítima teve um nítido caráter comercial, daí definir este processo
como uma empresa comercial de navegação, ou como grandes empreendimentos
marítimos. Para o sucesso desta atividade comercial, o fator essencial foi a
formação do Estado Nacional.

 Formação do Estado Nacional e a centralização política: as Grandes


Navegações só foram possíveis com a centralização do poder político, pois
fazia-se necessária uma complexa estrutura material de navios, armas,
homens, recursos financeiros. Estado Centralizado reuniu riquezas para
financiar a navegação.

 A aliança rei-burguesia possibilitou o alcance destes objetivos, tornando


viável a expansão marítima.

 Avanços técnicos na arte náutica: o aprimoramento dos conhecimentos


geográficos, graças ao desenvolvimento da cartografia; o desenvolvimento de
instrumentos náuticos - bússola, astrolábio, sextante - e a construção de
embarcações capazes de realizar viagens a longa distância, como as naus e
as caravelas.

 Interesses econômicos: a necessidade de ampliar a produção de alimentos,


em virtude da retomada do crescimento demográfico; a necessidade de
metais preciosos para suprir a escassez de moedas; romper o monopólio
exercido pelas cidades italianas no Mediterrâneo que contribuía para o
encarecimento das mercadorias vindas do Oriente; tomada de
Constantinopla, pelo turcos otomanos, encarecendo ainda mais os produtos
do Oriente. Objetivo da Elite da Europa Ocidental em romper o monopólio
Árabe-Italiano sobre as mercadorias orientais. A busca de terras e novas
minas (ouro e prata) com o objetivo de superar a crise do século XIV;

 Sociais: o enfraquecimento da nobreza feudal e o fortalecimento da


burguesia mercantil.

 Religiosos: a possibilidade de conversão dos pagãos ao cristianismo


mediante a ação missionária da Igreja Católica. Expandir a fé.
Espansão Marítima Espanhola

Tão logo completou a sua centralização monárquica, em 1492, a Espanha inicia as


Grandes Navegações Marítimas. O motivo pelo qual os espanhóis iniciaram suas
explorações marítimas pouco depois de Portugal foi pois em meados do século XV,
eles tentavam reconquistar territórios da própria Espanha que estavam sob o
domínio dos mulçumanos, a prioridade dada à reconquista da Península Ibérica,
numa luta que se prolongou por 781 anos, a guerra mais longa de que se tem
notícia. A vitória castelhana sobre o Califado de Granada, último reduto muçulmano
na península, data exatamente de 1492. Outro motivo foi a unificação tardia dos
reinos cristãos de Leão, Castela, Aragão e Navarra. O passo mais importante nessa
direção foi dado somente em 1469, quando o casamento de Fernando de Aragão e
Isabel de Castela deu origem ao Reino Católico de Fernando e Isabel, núcleo inicial
do que viria a ser a Espanha. Após reconquistar tais territórios, a unificação da
Espanha se deu e o mesmo passou a investir também na exploração dos mares.
Essas explorações tinham o foco voltado para as possibilidades de encontrar novas
rotas para o comércio na busca de uma para o comércio de especiarias (itens como
cravo, canela, gengibre, pimenta, entre outras, que na época eram altamente
valorizados.) que não passasse pelo Mediterrâneo, (controlado pelas cidade-estado
de Gênova e Veneza), nem pela costa africana, conhecida pelos portugueses até o
Cabo da Boa Esperança, no extremo sul do continente.

Em meados do século VX, o senso comum ainda afirmava que a Terra era um disco,
redondo e plano, mas os estudiosos já sabiam que nosso planeta era um globo. Por
esse motivo é que Colombo, que mantinha contatos com alguns dos sábios da
época, defendia a ideia de chegar às Índias perseguindo o pôr do sol
Na verdade, as teorias que serviam de base para os argumentos de Colombo eram
de origem árabe e judaica (esses povos eram os herdeiros diretos da cultura da
Antiguidade greco-macedônica) mas em um período histórico no qual predominavam
a luta contra os árabes e a perseguição da Inquisição inclusive contra os judeus, era
quase impossível aos cientistas o reconhecimento público de que a Terra era um
globo. Mesmos assim, a ideia de atingir o Oriente pelo Ocidente foi arduamente
defendida por Colombo. Um debate travado entre ele e os padres da Universidade
de Salamanca, em 1486, custou-lhe a exposição ao ridículo, a pecha de louco e
quase a uma condenação à fogueira da Inquisição, braço jurídico da Igreja Católica
desde o Concílio.de.Trento.

Depois, ainda que tivesse conseguido a adesão de algumas pessoas influentes ao


seu projeto de navegação, foi graças à influência do banqueiro judeu Santagel que
Colombo ganhou a confiança da própria rainha Isabel de Castela. Finalmente,
depois que a coroa espanhola obrigou a família Pinzón, de grandes navegadores, a
se unir a Colombo, a viagem foi aprovada. Apoiado pelos reis católicos Fernando
Aragão e Isabel de Castela, cederam ao navegador Cristóvão Colombo três
caravelas. Com elas, Colombo pretendia chegar às Índias, navegando na direção do
oeste. Ao aportar nas Antilhas, ele chega em Cuba, El Salvador e Santo Domingo
acreditando ter chegado ao arquipélago do Japão. Com a entrada da Espanha no
ciclo das grandes navegações, criou-se uma polêmica entre esta nação e Portugal,
pela posse das terras recém-descobertas da América. Essa questão passa pelo
Papa, que escreve a Bula "Inter Colétera" (as terras da América seriam divididas por
uma linha a 100 léguas das Ilhas de Cabo Verde, em que Portugal ficaria com as
terras orientais e a Espanha ficaria com as terras ocidentais). Portugal fica
insatisfeito, recorre ao Papa e ao Tratado de Tordesilhas.

As viagens ibéricas prosseguiram até que a descoberta de ouro na América, pelos


espanhóis, aguçou a cobiça de outras nações europeias que procuravam completar
seu processo de centralização monárquica, pois passam a contestar o Tratado de
Tordesilhas, ao mesmo tempo em que tentavam abrir novas rotas para a Ásia,
através do Hemisfério Norte, e se utilizavam da prática da Pirataria. Afirmavam ainda
que a posse da terra descoberta só se concretizava quando a nação reivindicasse a
ocupasse efetivamente, o princípio do "Uti Possidetis" (usucapião). França foi uma
das mais utilizarias desse pretexto. Durante seu processo de expansão, os
espanhóis adentraram o interior das terras conquistadas em busca de metais
preciosos. Nesse contexto, encontraram diversas civilizações contra as quais
travaram um sangrento processo de conquista e dominação. E assim, pela cobiça e
a força das armas, os espanhóis formaram um grande império colonial que fortalecia
a Coroa Espanhola. A organização da mão de obra indígena - chamada de mita no
Peru e de quatequil no México - submeteu, sob a influência espanhola, grandes
contingentes de nativos a jornadas desumanas nas minas. Havia também o
chamado sistema de encomendas (ou repartimento), criado pelos espanhóis nas
regiões em que não existisse um Estado indígena que já explorasse a mão de obra
local ou dos povos dominados. Não raro essas jornadas de trabalho terminavam em
morte por exaustão. Ao redor dessas regiões, a agricultura e o pastoreio
destinavam-se exclusivamente ao abastecimento dos polos de mineração. No mais,
havia um quase vazio demográfico entre ambos. O impacto do derrame de metais
preciosos na Europa deu capacidade de importação de manufaturados à Espanha,
em detrimento de seu próprio setor manufatureiro. Em toda a Europa, o significativo
aumento da circulação de moedas provocou sua desvalorização e,
consequentemente, um aumento generalizado nos preços. Praticamente sem
manufaturas, e com o declínio da produção das minas americanas, a Coroa
espanhola viu-se em apuros em meados do século 17. A aventura e os lucros da
expansão marítima alçaram o país ibérico à condição de maior potência da Europa e
do mundo. Mas esse posto foi ameaçado e tomado por duas potências ascendentes,
Inglaterra e Holanda, antes que a primeira metade do século chegasse ao final.

As caravelas Santa Maria, Pinta e Nina Finalmente, em 3 de agosto de 1492, a


bordo da caravela Santa Maria, Cristóvão Colombo partiu do porto de Palos rumo ao
oeste, seguido pela Pinta e pela Nina. Setenta dias depois, a esquadra chegou à ilha
de Guanahani, nas Antilhas, rebatizada como San Salvador pelo próprio "Almirante
das Índias". Colombo faria, nos doze anos seguintes, mais três viagens à América.
Na segunda (1493 a 1496), atingiu as ilhilhas de Cuba, Jamaica, Espanhola (Haiti e
República Dominicana), Borinquén (Porto Rico), Guadalupe, Dominica e Martinica.
Na terceira viagem (1498 a 1500), enquanto os portugueses. Vasco da Gamae
Pedro Álvares Cabral chegavam, respectivamente, à Índia e ao que viria a ser a
costa brasileira, Colombo desembarcava na ilha de Trinidad e na costa norte da
América do Sul.

Na quarta e última viagem (1502 a 1504), Colombo navegou pela costa da América
Central, ainda na esperança de encontrar uma passagem para regiões produtoras
de especiarias. Morreu em 1504, acreditando ter atingido um braço da Ásia e
contrapondo-se à teoria de que, na verdade, as terras descobertas eram um novo
continente.

Dinastia de Habsburgo
Também conhecida como a Casa da Áustria, foi aquela que reinou na Áustria entre
os anos de 1278 até 1918 foi a titular coroa Imperial do Sacro Império Romano.

O governo dessa dinastia começou com o rei Rodolfo I que saiu da sua região da
Alsácia região que agora é atual França e Suíça e conquistou a Áustria, e continuou
assim expandindo as suas posses nos territórios vizinhos. Frederico III recebeu o
título Imperial em 1452, reforçando assim essa dinastia, fazendo com que o seu filho
Maximiliano I se case com Maria de Borgonha que dessa união nasce Felipe I “o
belo” como era conhecido; ele herdou as terras de Habsburgo da Espanha, na
Europa e até na América dando origem então a um vasto Império dessa dinastia.

A família Habsburgo é originária de Aargau. Na Suíça ela passou a integrar a


nobreza Europeia no século 11 quando Rodolfo I foi nomeado imperador do sacro
Império romano-germânico, essa família reinou durante 645 anos sobre muitos
povos da Europa central e teve ramificações também até na América espanhola e
também no Brasil; Maria Leopoldina que era dessa casa real foi esposa de Dom
Pedro I o e mãe de Dom Pedro II.

Essa dinastia ocupou o trono austríaco até o fim da Primeira Guerra Mundial e
dominou vários outros territórios como de Gibraltar a Hungria e da Sicília a
Amsterdã. Um Império gigantesco superando em tamanho até mesmo do império de
Carlos Magno 700 Anos antes deles.
Os Habsburgos tinham uma habilidade incrível de aumentar os seus territórios por
meio de dois fatores: casamento e herança. Para conquistar mais terras eles se
casavam; como por exemplo Maximiliano I que se casou duas vezes a primeira vez
com a herdeira dos países baixos e depois com a filha do Duque de Milão que deu
acesso a ele a que hoje é atual Itália.
Mas sua a mais extensa ginástica aliança foi feita pelo casamento de seu filho Felipe
I com Joana filha de Fernando e Isabel de Espanha essa união fez os Burgos
tomarem posse de praticamente toda Espanha.
Surge então como um absoluto senhor desse vasto Império Carlos I de Espanha e
Carlos V da Alemanha, campeão do catolicismo contrarreforma símbolo do apogeu
dos Burgos a mais poderosa família Europeia.

Principais Reis da Dinastia dos Habsburgo:


- Rodolfo I da Germânia
- Frederico III
- Carlos V
- Felipe I
- Felipe II
- Leopoldo I
- José I
- Carlos VI
- Francisco José I
- Fernando II

 Carlos I - começou a Reforma da Religião para proteger a Igreja Católica dos


Protestantes. Era filho de Joana e Felipe. Ele controlou Borgonha, Espanha,
Itália, América e França. Em 1516, ele foi declarado Rei da Espanha como
Carlos I e em 1519, foi nomeado imperador do Sacro Império Romano
Germânico. Casou com Isabel de Portugal em 1526 e juntos tiveram três
filhos. Cansado das guerras e das lutas contra os protestantes, abdicou em
1556 e se retirou para um mosteiro. Então ele dividiu seus territórios entre seu
filho Felipe II e seu irmão Fernando.
 Felipe II foi chamado de "O Prudente Rei" porque todo o seu povo o
admirava. Ele conquistou Castela, Aragão e Sicília e os Países Baixos. Se
casou quatro vezes e teve oito filhos no total. Ele foi responsável pela
falências e o colapso da economia espanhola.
 Felipe III - filho de Felipe II e sua esposa Anna. Ele foi chamado de "Felipe El
Religioso". Pois estabeleceu paz com a Holanda que durou de 1609 a 1621 e
trouxe a Espanha para a Guerra dos Trinta Anos de 1618 para 1648.
 Felipe IV – reina entre 1621 a 1640. Sucessor a seu pai, Felipe III, em 1621 e
tinha um valente (o ministro-chefe), o duque de Olivares, que controlava a
Guerra dos Trinta Anos. O duque de Olivares colocou muitos impostos sobre
as pessoas e causou muita rebelião no país, ele também fora muito corrupto
e severo em suas tentativas de restaurar a economia da Espanha. O Rei
Felipe IV aumentou muito o exército para proteger a Espanha.
 Carlos II - O último rei de Habsburgos, nasceu em Madrid em 1661.Filho de
Felipe IV de Espanha. Neste período a economia estava muito ruim e a
Espanha era fraca. Quando Carlos II morreu em 1700, o trono é dado a
Felipe, duque de Anjou, neto de Luís XIV (rei de Frances).
Passando o trono para os Bourbón.

O declínio masculino dos Habsburgos da Áustria acaba em 1740 com Carlos VI. A
filha mais velha deste, Maria Teresa (1740-1780), depois da Guerra de Sucessão da
Áustria, fica com os domínios hereditários do ramo alemão, sendo seu marido,
Francisco, duque da Lorena (atual França), eleito imperador germânico em 1745.
Com este casamento a família passa a dominar a Toscânia (Itália).
Assim a família adota o nome de Habsburgo-Lorena, mantendo a coroa do Sacro
Império até à sua dissolução em 1806.
No século XVIII, a família começa a perder territórios, mesmo no ramo espanhol,
principalmente na Europa, como a Silésia (na Polónia) e Itália. Em 1804, o
imperador Francisco II aclama-se imperador da Áustria, renunciando a 6 de agosto
de 1806 ao Sacro Império, fim de quase mil anos de História.
Entretanto, os Habsburgos continuaram a reinar no Império da Áustria. A perda de
territórios mantém-se no século XIX, junto com a cedência a Itália, em 1859, do
Lombardo-Véneto (região entre Milão e Veneza). Reinava então Francisco José,
imperador que fundará em 1867 a monarquia austro-húngara. Ele assiste ao
assassinato de seu sucessor, Francisco Fernando, em 1914, fazendo com que se
apresse o deflagrar da Primeira Guerra Mundial, a derrota da Áustria e o
desmembramento do último império habsburgo. O seu último monarca, Carlos I,
abdica em novembro de 1918, encerrando a dinastia alemã que durante séculos
dominou os destinos da Europa, acumulando riquezas e um património territorial
imenso, cujo auge fora atingido por Carlos V, senhor do maior império da História.

Idade Média e Renascimento

Como sabemos, depois da queda do império romano o teatro teve uma decaída; ele
não deixou de existir totalmente mas perdeu muita força por conta da igreja que
considerava o teatro pagão por conta dessa visão teocêntrica medieval. Com o
crescimento das cidades do Comércio e da burguesia a própria igreja enfrentou o
teatro como uma ferramenta de ligação entre o homem e Deus então por meio do
teatro os próprios homens do clero encenavam passagens bíblicas. As primeiras
apresentações eram dramas litúrgicos cantos de louvor e geralmente era
apresentado dentro da igreja.
O período do Renascimento é a quebra então do teocentrismo, cedendo lugar para o
antropocentrismo; mostrando que o centro das atenções deixa de ser o céu e se
volta à Terra. O homem como centro de tudo, essa é a base do Renascimento.
Essa característica que compõe a identidade do Renascimento; aos poucos os
humanistas foram tirando o teocentrismo de vários elementos doutrinais. A
valorização da potencialidade humana e também as grandes navegações e
descobertas de um mundo novo como por exemplo o descobrimento do continente
americano, o acesso a todas essas civilizações e culturas diferentes foram também
decisivas para configurar o renascimento como uma época de experiências novas e
de enriquecimento cultural.
Esse movimento de renovação intelectual e artística proporcionou progressos
técnicos e conceituais gigantescos e questionamentos para uma reforma religiosa.
A commedia dell arte que teve origem é caracterizada por utilizar uma linguagem do
povo e para o povo. Esta faz a transição junto com o a idade média para
Renascença. Os teatros populares eram apresentados nas ruas fora da igreja e
geralmente os temas eram comédias antigas contos peças populares e eruditas;
eles utilizavam a princípio máscaras e figurinos específicos para representar cada
personagem.
As principais características do teatro desenvolvido durante o período da
Renascença eram primeiramente o antropocentrismo como já dito, também
tínhamos os textos improvisados, uma linguagem coloquial, peças de caráter
popular e cômico e os temas eram diversos.

Essa transição da era medieval para o renascimento trouxe uma reforma protestante
ou seja o humanismo trouxe novos elementos as representações teatrais dessa
época surge também a herança da commedia dell arte e também o teatro começa a
ser profissionalizado.

É claro que a idade média apesar de um período dito como “obscuro”, ela ofereceu
sim ao renascimento um universo significativo de cultura. Ainda havia vários
elementos da cultura cristã que foi florescida na Idade Média, assim como elementos
também da cultura clássica greco-latina que passou a ter grande importância para
os autores dessa época do Renascimento.

Como o próprio Historiador Thomas Woods disse que o Renascimento é mais do


que essa ruptura total com o passado ele pode ser considerado o auge da idade
média conforme ele cita em um de seus livros: é na Idade Média que encontramos
as origens das técnicas artísticas que viriam a ser aperfeiçoadas no período
seguinte.” (WOODS, Thomas. Como a Igreja Católica Construiu a Civilização
Ocidental. São Paulo: Quadrante, 2008. p. 119)

Ou seja, uma das características muito importantes da renascença foi a


redescoberta dos textos clássicos sobretudo os textos gregos filósofos como de
Aristóteles e Platão eram lidos na Idade Média por meio de traduções latinas com
pouca precisão; os eruditos então no Renascimento como Leonardo Bruni foi um
grande responsável por esse resgate das fontes primárias de textos gregos, entre
outros.

A partir do século XVI já no auge do renascimento ocorreram dois acontecimentos


importantíssimos para o quesito intelectual, moral, político e religioso da Europa.
Primeiramente a invenção da Imprensa por Johannes Gutenberg e a reforma
protestante que foi desencadeada por Martinho Lutero. Esses dois acontecimentos
juntos mudaram aos poucos a relação entre o homem com o intelectual. A tradução
da Bíblia por Martinho Lutero e a invenção de Gutenberg facilitou a reprodução e a
leitura de livros no caso como a Bíblia para um público leigo abrangendo assim
ainda mais essa reforma de pensamentos.

Nenhum acontecimento especial marca o fim do Renascimento. As descobertas que


definiram aquela época fabulosa levou as pessoas a buscar e a experimentar novas
ideias, em todos os aspectos da vida. Aos poucos, os artistas inventaram novos
estilos, temas e formas. Começaram a surgir novos modos de pensar, em todas as
áreas, inclusive em política. O Renascimento preparou o terreno para a Idade
Moderna, que começou a partir das grandes navegações e dos grandes
descobrimentos.

Lingua Castelhana
Atualmente, o castelhano e o espanhol são considerados sinônimos. O termo
castelhano vem do antigo reino de Castela, um dos reinos que formou a atual
Espanha, sendo assim, em termos de estudo, a língua castelhana foi um dos
dialetos que formou o atual espanhol (assim como o galego-português foi para o
nosso português). Tem se assim esse suposto contraste da língua castelhana ser
algo da Europa e o espanhol como algo mais genérico.

No século de Ouro Espanhol, o castelhano então era a língua mais falada em uma
nação formada por diversos reinos no decorrer da história. Antes do Império
Romano havia diversos povos habitando na península, como os celtas, os iberos e
os cartaginenses; com a imposição do latim pelos romanos, surge uma mistura
dessas línguas com a língua oficial do Império, surgindo um latim “popular”. Nesse
latim foram agregadas influências árabes e bárbaras, tendo no momento dos reinos
católicos na península ibérica idiomas particulares mas com uma mesma raiz
histórica, sendo o mais falado o castelhano pelo falto de Castela ser o maior.

Considerado por muitos como marco inicial do século mais brilhante da história
espanhola, em 1492 foi publicado a Gramática Castellana por Antonio Nebrija, sendo
o primeiro estudo em que a língua castelhana é compilada. Naquela época a
Espanha já estava bem semelhante ao que é atualmente, pela unificação
proveniente dos Reis Católicos.

A poesia épica foi a primeira manifestação de importância literária em castelhano.


Era transmitida via oral, em versos acompanhados de canto, com finalidades
didáticas e moralizantes, tendo seus autores anônimos (um grande exemplo é Los
cantares de gesta).

Os romances também começaram com caráter oral e cantado. Havia os romances


épicos (originados pelo Los cantares de gesta), os históricos (informativos), os
novelescos (aventuras), líricos (sentimentalismo com caráter popular), bíblicos, com
temas da antiguidade clássica, e até mesmo com temática do ciclo arturiano.

Além das novelas de cavalaria do século XV, surgem com o século de ouro espanhol
as novelas pastoris (Jorge de Montemayor e Gaspar Gil Polo), as novelas mouriscas
(retratam a época dos mouros na Idade Média), as novelas bizantinas (com herança
clássica, onde o casal se separa e passa por jornadas até se reencontrarem, tendo
obras de Miguel Cervantes nesse exemplo). A novela picaresca foi um gênero de
grande importância na literatura espanhola, de caráter crítico e divertido com a
jornada de um anti-herói (tendo Lazarillo de Tormes como um autor de destaque).

Miguel de Cervantes (1547-1616) foi o escritor que mais influenciou a literatura


castelhana, tanto com suas famosas novelas como no gênero lírico e teatral.
Escreveu novelas pastoris (La Galatea), novelas bizantinas (Los trabajos de Persiles
e Sigismunda). Mas a sua novela mais importante é classificada como moderna:
Don Quijote de la Mancha, obra escrita em duas partes onde apresenta quatro
narradores diferentes, uma mistura de realidade e ficção, com metalinguagem na
crítica às histórias de cavalaria e onde há uma crítica a situação da sociedade, e que
mostra a loucura como uma liberdade.

No Renascimento surge também a lírica petrarquista, com uma temática mitológica e


de amor cortes não correspondido, com exaltação da beleza, de caráter pastoril.
Grandes representantes são Juan Boscán (1493-1542) e Garcilaso de La Vega
(1501-1533).

Há também a lírica religiosa, onde as temáticas eram de um anseio pela pós vida,
lamentando as preocupações terrenas, de caráter espiritual. Um grande
representante é o frei Luis de León (1527-1591), professor de teologia na
Universidade de Salamanca e fora perseguido pela Inquisição ao traduzir a Bíblia.
Dentro da lírica religiosa há uma com temática mais mística, onde a amada (a alma)
busca por seu amado (Deus), tendo São João da Cruz como um representante.

No século XII, o Barroco trás duas correntes: o conceptismo e o cultismo. O


conceptismo, com uso de hipérboles e antíteses, busca grande expressão com
pouco uso de palavras. Francisco de Quevedo (1580-1645) foi um grande escritor
conceptista, tendo obras de caráter filosóficas-morais (dor e sofrimento), amorosas
(bebe do petrarquismo) e satíricas-burlescas (ironiza de forma popular e divertida os
costumes e vícios de sua época). No cultismo temos Luis de Góngora (1561-1627),
onde há uma intelectualização da palavra. A novela pitoresca ganha uma influência
barroca, trazendo uma visão pessimista da realidade, como as obras de Francisco
de Quevedo (1580-1645), autor que produziu também prosas satíricas.
Teatro no Século de Ouro Espanhol

Os séculos XVI e XVII foram os chamados Séculos de Ouro da literatura espanhola.


O período mais brilhante é o que compreende os últimos 30 anos do século XVI e os
primeiros 30 do século XVII. Foi esta a época das gerações de Cervantes, Lope de
Vega e Quevedo.

Do ponto de vista do teatro, foi a grande época clássica da Espanha, aquela em que
o teatro nacional atravessou um período cuja importância é comparável ao da Grécia
Antiga, da Inglaterra elizabetana e da França clássica.

Na Espanha, como nos outros países europeus, o teatro formou-se nas igrejas. Os
primeiros espetáculos eram cerimônias e textos litúrgicos, sendo os cônegos,
diáconos e subdiáconos os primeiros atores. A introdução cada vez maior de
elementos profanos nas representações religiosas - frases e atos satíricos - teve
como resultado a proibição de qualquer representação teatral dentro das igrejas.
Passou, então, do interior para o exterior dos templos e dali para os palácios dos
príncipes e para os mosteiros.

Lope de Vega, também conhecido como a fênix dos engenhos; autor de cerca de
1500 obras teatrais, novelas, poemas épicos e narrativos, além de várias coleções
de poesia lírica, profana, religiosa, e humorística. Lope se destacou como
consumado mestre do soneto. Sua contribuição ao teatro universal foi
principalmente de uma poderosa imaginação.

Tirso de Molina

Seu teatro polimétrico rompeu com as unidades de ação, tempo, e espaço, e


também os modelos de estilo, mesclando o trágico e o cômico.Além de tudo isto,
também criou o modelo da chamada Comédia de Capa e Espada.

Junto a ele, destacaram-se os seus discípulos: Guillén de Castro que se abstém do


personagem cômico e gracioso, e elabora grandes dramas cavaleirescos sobre a
honra, junto às comédias de infelicidade conjugal ou tragédias nas quais trata do
tiranicídio. Merecem menção também, Juan Ruiz de Alarcón que contribuiu com seu
grande sentido de ética crítica dos problemas sociais e um grande mestre na
construção e caracterização dos personagens; Luis Vélez de Guevara que se
sobressaiu com seus dramas históricos e de honra; Antonio Mira de Amescua, muito
culto e fecundo em questões de história e ideias filosóficas. Além de Tirso de
Molina mestre na arte de complicar diabolicamente a trama e criar caracteres como
o de Don Juan em El Burlador de Sevilla.

Outro grande dramaturgo áureo em criar uma escola própria foi Pedro Calderón de
La Barca; suas personagens são frios racionais e com frequência obsessivos; sua
versificação reduz conscientemente o repertório métrico de Lope de Vega, e também
o número de cenas, pois as estruturas dramáticas estão mais elaboradas e tendem
à síntese. Calderón se preocupa também mais que Lope com os elementos
cenográficos, e reelabora comédia anteriores, corrigindo, suprimindo, adicionando, e
aperfeiçoando. Ele é um mestre na arte do raciocínio silogístico e utiliza uma
linguagem abstrata, retórica, e elaborada, que no entanto, representa uma
vulgarização compreensível do cultismo. Não obstante, destacou em particular o
auto sacramental, gênero alegórico que trazia suas qualidades, o qual levou à
perfeição, assim como a comédia.

As companhias populares de teatro, populares e mambembes, eram conhecidas


como:

- Bululu: designação dada ao ator que andava sozinho, perambulando por toda
parte, declamando textos curtos e pedindo esmola em um chapéu;

-Naque: designação dada a dois atores que andavam juntos e apresentavam


entremezes (trata-se de comédias curtas cuja conotação corresponde a “manjar
servido entre dois pratos principais” ou “entretenimento intercalado em um ato
público”).

-Cangarilla: nome dado às companhias formadas por quatro homens – que


representavam inclusive as personagens femininas – em peças curtas;

-Carambaleo ou Cambaleo: nome dado às companhias formadas por cinco homens


e uma mulher que representavam peças em troca de coisas. Do repertório regular
dessas companhias constavam dois autos e quatro entremezes (comédias curtas).

-Garnacha: nome dado às companhias compostas por seis homens, uma prima-
donna e um rapazote para o papel de ingênua. Essas companhias ficavam nos
locais de apresentação uma semana inteira e fazia parte do seu repertório: quatro
peças, três autos e três entremezes;

-Bogiganga: nome dado às companhias formadas por sete homens, duas mulheres
e um rapazote com repertório variado.

Farândula: nome dado às companhias formadas por dezesseis atores e quatorze


figurantes. O repertório dessas companhias era composto por aproximadamente
cinquenta peças, sem grandes preparações anteriores. Isto é, apesar de o repertório
ser grande, o elenco poderia apresentar qualquer uma das peças, de acordo com
interesses ou pedidos dos espectadores.

-Folla: nome dado aos espetáculos que apresentavam exclusivamente entremezes.

Alterações

Durante todo o século XVI, o drama religioso continuou a ser cultivado sob a forma
de Autos Sacramentais, mas já contando com notáveis alterações e com a
introdução de elementos completamente alheios à Igreja. Ao lado desse teatro
religioso, coexistiam algumas formas de teatro profano, como farsas cômicas, peças
alegóricas e até textos imitados do teatro italiano. Aliás, a influência italiana na
formação teatral da Espanha foi muito grande, assim como foi na França e na
Inglaterra. As situações mais características da comédia italiana, como as cenas
noturnas, com a inevitável confusão de personagens no escuro, foram habituais nas
comédias de Capa e Espada.

Corrales

Este primitivo teatro, à medida que se popularizou, foi deixando os palácios


aristocráticos e os mosteiros, como já havia deixado o interior das igrejas, para se
localizar nas praças públicas e finalmente nos pátios das casas. Aos poucos foram
sendo construídos locais fechados lateralmente, denominados "corrales". Os
"corrales", no início, não tinham teto, e as janelas das casas vizinhas, quando altas,
eram aproveitadas como "torrinhas", e quando baixas, como "aposentos"
(correspondente aos nossos camarotes). O pátio (a nossa platéia), era o lugar mais
barato e ali o povo assistia aos espetáculos, de pé. Só os homens podiam entrar no
pátio, e, constituindo o elemento mais barulhento da assistência, eram chamados de
"mosqueteiros". As mulheres ocupavam uma galeria alta, "la cazuela", no fundo do
teatro, em frente do palco. Este se erguia um pouco acima do nível do chão e nele
costumavam sentar-se alguns homens, de costas para os atores. Os cenários eram
os mais simples possíveis, e as mudanças de lugar anunciadas pelos próprios
atores ou "cômicos". Na Espanha, desde o século XVI, era permitido às mulheres
trabalhar como atrizes, coisa que na Inglaterra só ocorreu depois da Restauração, e
na Alemanha a partir do século XVIII.

Os espetáculos

As representações teatrais davam-se aos domingos e duas ou três vezes por


semana. Logo antes da Quaresma - período em que os "corrales" permaneciam
fechados - havia espetáculos diariamente. Começavam às 2 horas da tarde, no
inverno, e às 3, no verão. Primeiro, havia uma espécie de prólogo, em verso, onde
eram explicadas as cenas que iriam ser apresentadas e onde se faziam alusões aos
acontecimentos do momento. Seguia-se a "comédia", propriamente dita, que
constava de três atos ou jornadas. Nos intervalos, representavam-se alguns
"entremeses", que eram pecinhas curtas e engraçadas, ao mesmo tempo em que se
cantavam e dançavam músicas da época. Muitas vezes os atores eram os próprios
autores, como ocasionalmente o foram Juan de Enzina, Gil Vicente, Lope de Rueda,
Pedro Navarro e outros.

Literatura e Pinturas

Talvez um ponto inicial mais consensual, então, seja o nascimento daquele que se
tornaria um dos pintores mais importantes do período, Juan de Juanes (1510-79),
autor de obras como A Sagrada Família e O Martírio de São Estevão. Outro pintor
notável deste século seria Luis de Morales (1515-86), cujas obras mais conhecidas
são Piedade e Cristo ante Pilatos. Já no século XVII, um dos pintores mais
representativos da contrarreforma em geral seria o espanhol Francisco de Zurbarán
(1598 – 1664), autor de A Anunciação, Agnus Dei e Santa Isabel de Portugal. Um
dos mais famosos de todos os pintores da era seria Diego Rodríguez y Velásquez
(1599 – 1660), que se consagrou ao retratar a família de Felipe IV em diversos
retratos, como aquele que é considerado a sua maior obra: Las Meninas. Em uma
época anterior, também foi célebre Doménikos Theotokópoulos (1541 – 1614) –
melhor conhecido como El Greco -, autor de El Expolio e A Abertura do Quinto Selo.
O século de ouro espanhol também produziria grandes obras literárias. Entre
diversos exemplos, podem ser citadas as centenas de peças de teatro e comédias
escritas por Félix Lope de Vega (1562 – 1635), como La Arcadia e La Gatomaquia,
as análises e biografias escritas por Francisco de Quevedo (1580 – 1645),
como Vida de Marco Bruto e Grandes anales de quince días, além da coleção
de poesias El Parnaso Español. Não deve deixar de ser citado ainda Miguel de
Cervantes (1547 – 1616), autor do clássico Dom Quixote e outras obras menos
conhecidas, como as comédias El gallardo español e El Rufián Dichoso.

Decadência

Com a morte de Calderón, começou a decadência do teatro espanhol, como


consequência da decadência política e militar do país. Dilui-se a inspiração nacional
e as obras surgidas são apenas imitações de peças de Lope, Tirso e Calderón. Além
disso, a perseguição dos moralistas contra os abusos que se cometiam nas
representações ocasionaram o fechamento de teatros importantes em Sevilha,
Valença, Pamplona e Córdoba, com a destruição dos edifícios e a proibição de
qualquer tentativa de reconstrui-los. As pessoas começaram a abandonar os
espetáculos, as companhias decresciam, cessando, por conseguinte, todo e
qualquer estímulo ao autor teatral. A Guerra da Sucessão transformou-se em guerra
civil e durou 13 anos, acabando de arruinar a nação.
Finalmente, as novas doutrinas literárias francesas foram postas ao alcance de
todos, em boas traduções, nos jornais, nas obras didáticas e satíricas. Essa
expansão trouxe novas formas de dramaturgia.
Chega, deste modo, o Século de Ouro ao fim de suas experiências teatrais, tendo
criado definitivamente a verdadeira tradição clássica espanhola.

Conclusão

Para se entender por completo manifestações artísticas e suas obras, tanto peças
teatrais como pinturas, livros, poesias e entre outros, é fundamental entender seu
contexto. Ao estudar sobre o Século de Ouro Espanhol, pudemos adentrar com
detalhes as motivações e a situação dos autores de grandes obras, não somente do
autor de Dom Quixote (Cervantes), mas outros que conhecemos ao estudar o
assunto. Preparamos terreno para a compreensão de dramaturgos como Calderón
de La Barca, Lope de Vega e Fernando Rojas. A Espanha é uma país rico
culturalmente, linguisticamente e historicamente; entender sua origem é entender
um povo que mesmo sendo datado há milênios demorou a se tornar um, talvez de
forma não justa com todos os responsáveis por essa riqueza. Assim como
praticamente todas as potencias europeias, a Espanha teve seus destaques e pode
se enriquecer através da exploração de suas colônias. Cada reinado teve sua
influencia para o crescimento e muitas vezes decrescimento dessa nação ibérica. No
momento estudado foi possível analisar a convivência de ideologias juntas que
teoricamente são contrastantes mas na sociedade se refletia de forma viva,
mostrando que embora a teoria ajude a entender é analisando a prática e os frutos
das vivencias dentro do contexto que podemos enxergar a essência artística do
período.

Referencias Bibliográficas
 http://lionel-fischer.blogspot.com.br/2009/03/teatro-no-seculo-de-ouro-
espanhol-os.html
 http://www.portalsaofrancisco.com.br/historia-geral/teatro-renascentista
 https://www.infoescola.com/historia/seculo-de-ouro-espanhol/
 https://www.resumoescolar.com.br/historia/seculo-de-ouro-espanhol/
 http://www.cidadedasartes.org/noticias/interna/403
 https://pt.m.wikipedia.org/wiki/Hist%C3%B3ria_de_Espanha
 https://www.youtube.com/watch?v=nPcfZLaMoAo
 https://pt.wikipedia.org/wiki/Reino_Visig%C3%B3tico
 http://fabiopestanaramos.blogspot.com.br/2011/03/os-reis-catolicos-
inquisicao-e-colombo.html
 https://www.youtube.com/watch?v=_TrTOiOgTHg
 https://www.youtube.com/watch?v=FGO4MUdUPWw
 https://pt.slideshare.net/jsanleon/historia-de-la-literatura-espaola

Descrição das atividades

Augusto: levantar tópicos referente ao Século de Ouro Espanhol para o


seminário; Os Reis Católicos; Língua Castelhana; apoio na formatação, ideias para a
apresentação; Conclusão.

Gabriel: Expansão Marítima; Teatro; ideias para a apresentação; sugestão de


músicas para a apresentação.

Gisele: formatação da parte escrita; Introdução; Dinastia Habsburgos; Idade


Média e Renascimento; ideias para a apresentação; tirar as músicas no violão para
a apresentação.

Renata: Pintura e outras manifestações artísticas; Teatro; ideias para a


apresentação; sugestão de músicas e de figurino para a apresentação.