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MANIQUEISMO

Os Maniqueus ensinavam tanto Panteísmo quanto o Dualismo – bom e mau, luz e


trevas, a imanência de Deus em todas as coisas, o Princípio Criativo com seus aspectos negativos
e positivos. De acordo com Matter, os Carpocratas foram os comunistas mais universais; sua
teoria era: “A Natureza revela os dois Grandes Princípios, a comunidade e unidade de todas as
coisas. As leis humanas contrárias às leis naturais são violações culposas da ordem legítima
divina; assim, para restabelecer essa ordem é necessário instituir comunidades de terra, bens e
mulheres. “Maniqueu repudiava a guerra mesmo quando travada por motivos justos, e seus
seguidores condenavam os magistrados políticos e civis como sendo criados e estabelecidos
pelo Deus Mau. Maniqueu também condenava a posse de casas, terra ou dinheiro. Finalmente,
tanto Gnósticos quanto Maniqueus eram conhecidos por sua moral distorcida. Maniqueu
condenava o casamento enquanto permitia seus prazeres. Alguns se justificavam dizendo que
“para o puro tudo é puro.” De acordo com Baronio, os Maniqueus seduziram os homens com
palavras sublimes e grandes promessas que enredavam suas vítimas desafortunadas em redes
poderosas nas quais quando capturados, era quase impossível de ser livrar. Os discípulos se
ligavam pelo mais inviolável juramento de manter sua seita secreta. Era permitido que jurassem
e perjurassem, mas que nunca revelassem os segredos, de acordo com sua celebrada máxima:
Jura perjura secretum podere noli.

O Maniqueísmo foi uma derivação do Mitraísmo e seu nome veio de Maniqueu,


conhecido com Cubricus, um escravo e erudito Persa. Outros sustentam que Manes teria sido
educado por seu pai em Ctesiphon e crescera na religião dos “Batistas” do sul da Babilonia, que
eram ligados ao Mandeísmo. Eles teriam viajado até a China e Índia, espalhando suas crenças.
Com a oposição de Maniqueu aos Magos sacerdotes dominantes, ele foi eventualmente
crucificado. O Maniqueismo era um sistema descompromissado de dualismo sob a forma de
uma filosofia fantástica da natureza, completamente materialista. É um conflito entre a Luz e as
Trevas, Bem e Mau, masculino e feminino. Com a escuridão amarrando os homens pela
sensualidade, a luz tenta salvá-los através do conhecimento da Natureza e de suas forças. O
Maniqueísmo não tinha “redentor”, mas se consistia de um processo de redenção gnóstico
físico, que libertava a centelha de luz da escuridão ou matéria, isto é, do interior do corpo,
retornando à luz universal. Nisso se encontra a base das seitas Cabalisticas e Gnósticas
modernas.

Em História Crítica de Maniqueu e do Maniqueismo, 1734, M. De Beausobre sumariza


esse sistema: Maniqueu clama autoridade como Apóstolo e Profeta de Jesus Cristo, diretamente
iluminado pelo Paracleto, com o objetivo de reformar todas as religiões e revelar ao mundo as
verdades que foram retidas pelos primeiros discípulos. Ele rejeitou o Velho Testamento e
reformou o Novo. Negando a inspiração dos Profetas Hebreus, se opunha aos livros de Seth,
Enoch e outros Patriarcas, que se afirmaram como verdades recebidas de anjos bons. Essa
sabedoria ainda existe em livros e escolas de Filosofia Oriental. No pensamento de Maniqueu a
Divindade como Luz Vivente, Pai de todas as Luzes, imaterial, eterno, residia no Supremo Céu
Luminoso, também eterno, já que nada poderia ser feito do nada, e era sempre acompanhado
de Éons, emanações da essência divina, porém inferiores. Deus era a causa em perpétua e
eterna ação (Princípio Criativo). Dessa essência do Pai emanava o Filho e o Espírito Santo, co-
substanciais, mas subordinados ao Pai. Desde a criação do mundo até sua consumação, o Filho
tem residido no Sol como um poder, e na Lua como um reflexo da sabedoria da Mãe da Vida; o
Espírito Santo reside no ar e ambos executam as ordens do Pai. Aqui temos uma aparente
variação da Tábula Esmeraldina de Hermes.

M. de Beausobre explica então sobre as


Trevas. Numa esquina do vasto espaço há um
poder maligno, também eterno, chamado
filosoficamente de matéria, misticamente de
Trevas e vulgarmente de Demônio. Luz e Trevas
são ambas divididas em cinco elementos: água,
fogo, terra, ar e Luz ou Trevas, mas as Trevas só
tomaram conhecimento da Luz quando
aconteceu uma revolta dentro de seu reino
(Lúcifer). Nessa revolta as Trevas invadiram a
Luz e apesar do Homem Primevo (Cristo),
assistido pelo Espírito Vivente dos cinco
elementos, se opor e derrotar as Trevas, parte da Luz foi roubada e Trevas e Luz se misturaram.
O Espírito Vivente separou a substância luminosa que não foi capturada pela matéria e a formou
dentro do Sol e da Lua e outros planetas, nosso céu inferior. O restante formou nosso mundo
sublunar onde luz e matéria se misturaram. Desejoso de reter a centelha de Luz, o Príncipe das
Trevas ou matéria, formou dois corpos semelhantes ao Homem Primevo, mas de sexo
diferentes. Ele encantou essas centelhas ou almas com as emoções dos sentidos e à medida que
as gerações se sucederam aumentou esse aprisionamento e a humanidade acabou por beber da
taça do esquecimento.

Então, de acordo com Maniqueu, anjos bons, Sábios e Profetas apareceram para ensinar
as verdades esquecidas e finalmente surgiu o Salvador fantasma. Ele sustentava a crença
Docética que sendo a matéria o mal, o corpo de Cristo era apenas um fantasma. Que seus atos e
sofrimentos incluindo a Crucificação, Ressurreição e Ascensão, foram apenas aparentes e na
realidade apenas ensinamentos místicos. Ele também renegava a Encarnação. Aos eleitos ele
desaprovava o casamento como coisa inventada pelas Trevas para retardar o retorno à Luz
(força sexual não usada é necessária para esse retorno!). Austeridades, vegetarianismo,
abstenção de álcool eram advogadas para despertar e libertar da carne a centelha interna. O
eleito tinha de abraçar a pobreza e os únicos prazeres permitidos eram a música e os perfumes
que auxiliavam na libertação da centelha. Quando suficientemente purificada, essa alma
passava pela lua recebendo iluminação superficial e de lá era arrojada dentro do sol, onde se
tornava luminosa e era finalmente remetida para o “Pilar da Glória”, livre de toda matéria.
Transmigração era admitida já que uma única existência podia não ser suficiente para a
libertação da centelha da corrupção da matéria.
A consumação final ocorrerá quando toda a substância luminosa se separar da matéria e
o fogo maligno for libertado das cavernas; e o anjo que sustenta a terra a deixará se consumir
em chamas, e toda a massa restante será relegada às Trevas Exteriores. Aqueles que falharem
no processo de libertação serão transformados em guardiães dos demônios para prevenir que
tragam a matéria para o reino da Luz. Essa é a maravilhosa fábula sob a qual se encontra a
adoração da natureza da Magia antiga e moderna, conhecida como Iluminismo e
freqüentemente chamada Cristã! - como, por exemplo, a Antroposofia ou Steinismo, com suas
forças opostas, Lúcifer e Arimã, luz e matéria, e seu Cristo solar e iluminado. Para eles, a
redenção se consiste de um processo físico e gnóstico de libertação, através da retenção da
força sexual, o elemento da luz na matéria e no corpo, e pela união com o agente magnético
universal exterior, e freqüentemente ligando uma mente à outra numa corrente magnética, os
mais fracos dominados pelos mais fortes, produzindo uma inundação mundial de comunicação
dos chamados “Sábios e Profetas” destrutivos tanto para Cristianismo quanto para a civilização
Ocidental.

Em Escolas Arcanas, Yaker descreve os graus do Maniqueísmo: Discípulo, Auditor ou


místico e o Perfeito ou eleito, os sacerdotes. Com os sacerdotes era formado o Magistri ou
Conselho dos Doze com um décimo terceiro como Presidente, como no sistema Caldeu. Eles
tinham formas secretas para se reconhecerem: palavras, aperto de mãos e abraço. Finalmente é
dito que, já que o corpo era considerado mal, ele deveria ser corrompido ou humilhado, daí
advinham as praticas eróticas e sexuais encontradas entre os Maniqueus e Gnósticos, e
especialmente suas danças frenéticas, as quais visavam libertar a centelha e acelerar a
deificação.

Como Gibbon declarou, o grande sistema Maniqueísta floresceu na era Bizantina da


Pérsia a Espanha, apesar da perseguição dos Imperadores Arianos Ortodoxos e afins. E Spingett
nos conta em Seitas Secretas da Síria:

“As doutrinas maniqueístas foram difundidas durante o período em que os Templários estavam
no auge de sua prosperidade e poder, e King devotou várias páginas de seu trabalho considerando as
grandes semelhanças entre essas Ordens. O Gnosticismo, de uma forma ou outra sobrevivia dentro dos
quartéis generais da Ordem, entre seus inimigos e aliados mais íntimos, os montanheses da Síria.”

ISMAELITAS

De Acordo com von Hammer, em sua História da Ordem dos Assassinos, 1835, o
fundador da seita foi Abdallah, filho de Maimoun, profundo estudioso de todas as ciências que
ensinado pelas revoltas sangrentas de seu tempo, concluiu como era perigoso abrir guerra
contra a religião e as Dinastias reinantes, mais especificamente quando apoiadas pelo povo e
um poderoso exército. Assim, ele criou cuidadosamente um esquema para minar secretamente
o que não podia atacar abertamente. Sua doutrina, subversiva ao Kalifa, teve de ser velada em
mistério e revelada apenas quando por intriga secreta o poder tivesse sido capturado.
Finalmente, ele sonhou em destruir não apenas o que ele chamava de dogma de erros e religião
positiva, mas também a base de todas as religiões e morais. Ele dividiu sua doutrina em sete
degraus, para dessa maneira capturar e subverter a mente de seus seguidores. De sua doutrina
surgiu a seita dos Karmatitas, mais abertos e violentos em sua revolta contra o Kalifa, tanto
política quanto moralmente. Por um século as assustadoras doutrinas dos Karmatitas
mantiveram sua influência até que a seita se extinguiu em seu próprio sangue. Por fim, o mais
zeloso dos seguidores de Abdallah, que clamava ser descendente de Mohamed, filho de Ismail,
escapou da prisão e se apoderou do trono, fundando a Dinastia dos Fatímidas em Kairwan, cerca
de 910 D.C., sob o nome de Obeidallah.

CASA DA SABEDORIA

As autoridades nos nove degraus da Iniciação da forma como foram dadas pelos Ismailis
na Grande Loja da Casa da Sabedoria, Cairo, são, von Hammer e a Exposição da Religião dos
Druzos, por Silvester de Sacy, 1838; ambos citando Macrisi e Nowairi. Como von Hammer
escreve:

“Os detalhes que Macrisi nos transmitiu sobre a origem dessa doutrina e seus diferentes degraus
de iniciação, os quais foram expandidos de sete para nove, são os mais preciosos e antigos que possuímos
na história das sociedades secretas do Oriente, e foram os mesmos degraus que o Ocidente seguiu mais
tarde. O próximo entendimento entre essa doutrina e a dos Assassinos merece nota.”

Desde a fundação do Império Fatímita, a doutrina de Abdallah, filho de Maimoun,


dominou tanto a corte quanto o governo, primeiro em Mahadia e depois no Cairo. O chefe do
Darol–Hikmet, ou Casa da Sabedoria, era conhecido como Daial-Doat ou o Grande Prior da Loja.
Eles sustentavam Ismail como o fundador do “caminho”, e admitiam homens e mulheres. Sob o
reinado de El Hakem, o sexto Kalifa, um verdadeiro monstro de crueldade e crime, que hoje é
venerado pelos Druzos como um deus feito homem, a doutrina foi ensinada e criados os nove
degraus.

Resumidos por Sacy, que cita Macrisi e Nowairi, que aparentemente buscaram suas
informações na mesma fonte, temos: 1. O Dai ou missionário, afetava
devoção para seduzir seu prosélito (convertido). Com os eruditos ele
concordava e aplaudia suas opiniões, cuidadoso que seus objetivos e
segredos não fossem traídos. Para os de mente simplória, facilmente
seduzíveis, ele explicava que religião era uma ciência oculta obtusa, e
da qual o significado interno era conhecido apenas dos Imãs. Através
de perguntas sobre as contradições da religião positiva e sua razão, as
obscuridades e absurdos do Corão, ele provocava dúvidas e
perplexidades como também curiosidade violenta. O Dai se recusava a
satisfazer essa curiosidade e se recusava a dar novos ensinamentos a
não ser que o prosélito fizesse um juramento inviolável, no qual ele
jurava não trair o segredo, não mentir nem agir contra a Loja. Se ele
concordasse, um empenho em dinheiro do qual o valor era determinado pelo Dai, era exigido.
Se ele se recusasse, era deixado com suas perplexidades e nada mais lhe era dito. 2. O prosélito
era então persuadido de que apenas através de Imãs apontados divinamente, ele poderia
receber a doutrina. 3. Aprendia que o número desses Imãs “revelados” era de sete,
contrariamente aos doze da religião oficial, desacreditando assim o Imamato e seu líder em
Mousa. 4. O prosélito era informado que desde o início do mundo sempre houve sete
legisladores ou profetas – Adão, Noé, Abraão, Moisés, Jesus, Mohamed (Maomé) e Ismail filho
de Djafar – que por comando divino anularam a religião anterior e a substituíram pela nova. A
cada um desses profetas estava ligado outro, que recebera sua doutrina e o sucedia após a
morte. Sete profetas mudos sucederam os primeiros profetas e transmitiram a religião anterior
até que finalmente o sétimo deles anulou todas as religiões anteriores. De acordo com os
Ismaelitas, esse foi Mohammed filho de Ismail, que instituiu e revelou a nova ciência do
significado interno e místico de todas as coisas. Ele sozinho era o mestre e o mundo inteiro deve
segui-lo e obedecê-lo. Ao concordar com isso o prosélito renunciava à Lei do Profeta Maomé e
assim se tornava um apóstolo. 5. Ele aprendia as virtudes dos números e alguns princípios de
geometria e também aprendia que cada Ímã tinha doze ministros – os doze signos do Zodíaco. O
Dai então, preparava o prosélito para abandonar todas as religiões estabelecidas pelos profetas,
conduzindo-o às doutrinas dos filósofos. 6. Certo de seu silêncio e tendo reorientado suas
crenças, o Dai começava a minar sua fé, caricaturando os preceitos da fé, o dízimo, as
peregrinações e outras práticas religiosas, fazendo-as parecer meramente meios para dominar
as massas. O Dai então glorificava os princípios de filósofos com Platão, Aristóteles e outros,
falando com gentileza sobre aqueles que criaram as novas práticas religiosas e tratando os Imãs
com desdém. Privado de todas as suas crenças o prosélito se tornava presa fácil. 7. Ele passou
da filosofia ao misticismo, o panteísmo Oriental místico dos Sufis. Ele saiu da Unidade de Deus
para o dualismo e o materialismo. 8. O Dai então expunha a verdadeira missão do profeta, a
qual era estabelecer certas instituições políticas formando um governo bem constituído, um
sistema filosófico e doutrinas espirituais aplicadas alegoricamente às coisas intelectuais, e
finalmente um sistema religioso baseado na autoridade desse profeta. Os ensinamentos do
Corão eram explicados com sem significado algum a não ser “pela revolução periódica das
estrelas e do universo, a produção e destruição de todas as coisas, conforme a disposição e
combinação dos elementos, de acordo com a doutrina dos filósofos” (Forças Cósmicas e
Geração Universal). 9. Tendo chegado tão longe, alguns adotavam os ensinamentos de
Maniqueu, o Mago, ou dos filósofos, ou uma mistura deles, e terminavam por abandonar todas
as religiões reveladas. Para adaptar a nova doutrina, o Dai, através de interpretações alegóricas,
torcia as palavras que qualquer religião professasse sempre em favor do profeta Mohammed,
filho de Ismail, por ser este o único profeta inspirado por Deus. Com relação a esse profeta, foi
dito inicialmente que ele poderia retornar ao mundo, e depois se falou que “ele poderia ser
contatado espiritualmente através da meditação nas doutrinas místicas. Quanto a sua
manifestação, o importante era pregar suas doutrinas, comunicando-as aos homens pela língua
de seus servos fiéis.
Como von Hammer escreveu:

”Assim que o prosélito chegava ao nono degrau ele estava pronto para servir com instrumento
cego a todas as paixões, e acima de tudo à ilimitada ambição por dominação. O conjunto dessa filosofia
pode ser resumido em duas palavras: creia em nada e ouse tudo. Esses princípios destruíam de cima a
baixo, todas as religiões e toda moral e tinham apenas o objetivo de realizar projetos sinistros, executados
por ministros astutos para os quais nada era sagrado. Assim, aqueles que deveriam ser os protetores da
humanidade se consumiram numa ambição insaciável. Enterrados sob as ruínas de tronos e altares e em
meio aos horrores da anarquia, após terem trazido a desgraça sobre as nações e merecendo ser
amaldiçoados pela humanidade.”

Finalmente uma ordem curiosa foi dada ao


Dai por seus superiores: “Você deve praticar e atingir
grande habilidade manual (prestidigitação) a ponto
de fascinar os olhos (ilusão hipnótica) para executar
os milagres que são esperados de você.” Como já
mostramos, entre os Dáctilos e os Coribantes e nos
Grandes Mistérios, ilusões, truques e evocações
eram os meios empregados para enganar, não
apenas os epoptes e mystes, como também o povo
ignorante .

Nos dias de hoje, nas numerosas seitas


cabalistas e iluminati, muitos desses métodos como
os dos Ismaelitas são usados, e a mesma doutrina é
ensinada. É sempre uma re-orientação gradual,
primeiro uma tentativa de adaptar essas doutrinas dos Magos, Maniqueus e filósofos ao
Cristianismo, destruindo a essência das crenças Cristãs, levando assim ao panteísmo, dualismo e
materialismo, freqüentemente terminando num panteísmo místico. Através da meditação
mística e yoga, eles atingem uma união magnética que é controlada por seus mestres sinistros,
dos quais eles recebem os ensinamentos universais necessários para o “Grande Trabalho” de
unificação de seus mestres – o controle do mundo – religioso, político e intelectual.

Falando da Casa da Sabedoria, Springett cita o livro “Uma breve História dos
Sarracenos”, de Ameer Ali, que diz: “O relato de Makrisi sobre os diferentes degraus de iniciação
adotados na Loja, formam um valioso registro da Maçonaria. A Loja do Cairo se tornou o modelo
de todas as Lojas criadas a seguir nos reinos Cristãos.”

ASSASSINOS E TEMPLÁRIOS

Como vamos mostrar, as idéias subversivas modernas tiveram sua origem no Oriente
Próximo, e tem-se espalhado grandemente entre as seitas cabalistas primitivas junto com seus
empréstimos ancestrais. No livro “O Judeu, o Judaísmo e a Judaização dos Povos Cristãos”, 1869,
George des Mousseaux, falando dos Maniqueus, Gnósticos, Yezidis, Druzos, etc., escrevem:
“O cabalismo primitivo era o que os sectários de hoje são, já que eles permanecem Sabeistas,
adoram o sol, as estrelas, o espírito das estrelas e o princípio do mal, chamado pelos Persas Arimã... Entre
os sectários, todas as paixões, mesmo as mais vergonhosas, eram consideradas sagradas... Esse
despotismo absoluto dos Grandes Mestres Caldeus cabalistas, foi preservado pelo Príncipe dos Assassinos
e os Druzos em suas doutrinas e morais. E esse segredo é que o Grande Mestre da Alta Maçonaria é
governado pelos Judeus.”

Os Ismaelitas ou Assassinos do Oriente foram fundados em cerca de 1090 por Hassan


Sabah, que após ser admitido na Casa da Sabedoria do Cairo, teve de fugir por conta de intrigas.
Percebendo que por ser uma sociedade política, ela precisava possuir uma fortaleza, Hassan,
através de outras intrigas comprou o Castelo de Alamoot, no mar Cáspio, onde fundou sua
ordem. Ele conquistou muitos castelos na Pérsia, adquirindo assim grande poder, inspirando o
terror nos corações de todos pelos assassinatos súbitos de califas e vizires. Seu chefe ou Xeque
era conhecido como “O Velho Homem na Montanha”, e era dito que “os iniciados trabalhavam
com suas cabeças e deixavam que os braços dos Fedavis executassem as ordens do Xeque que
com sua caneta guiava as adagas.” Mais tarde eles se dispersaram, mas grupos ainda existem na
Índia e em outros países.

Em Seitas Secretas da Síria, Springett traça a influência dos filósofos judeus da celebrada
Escola de Alexandria sobre os Gnósticos e Maniqueus e através deles sobre os Templários. Ele
cita King e von Hammer para provar que a constituição da Ordem dos Templários

“é uma cópia servil da dos Assassinos. Os estatutos dessa última provam o fato além de qualquer
dúvida. Eles foram encontrados entre os cativos de sua capital Alamoot por Mogul Halakoo no ano de
1335, quando por uma coincidência singular, o Califa e o Papa estavam simultaneamente ocupados em
exterminar esse modelo e suas cópias tanto no Leste quanto no Oeste.”

Nesses documentos verificaram-se os “Oito Degraus da Iniciação” como estabelecidos


por Hassan, o primeiro Grão Mestre ou “Príncipe ou O Velho Homem na Montanha”, onde
encontramos: no número 3. A negação das verdades do Corão e de todas outras escrituras
sagradas; em 4. O teste de silêncio e perfeita obediência; 5. A revelação dos nomes dos Grandes
Irmãos da Ordem, real, sacerdotal e patrício, em todas as partes do mundo; 7. A interpretação
alegórica do Corão e de todas as outras escrituras. Nessa Ordem, a divindade de todos os
fundadores de sistemas religiosos era também negada. A religião era mostrada como um mero
passo para o conhecimento, suas narrativas eram apenas alegóricas e exibiam o progresso civil
da sociedade; assim a Queda do Homem tinha o significado político de escravidão; Redenção
seria a restauração de sua liberdade e igualdade. Em 8. Todas as ações eram indiferentes, a não
ser quando o bem da Ordem estava em questão, não havendo algo assim como vício ou virtude
absolutas. Esses preceitos são praticamente iguais aos dogmas dos Iluminati.

Em Histórias dos Assassinos, von Hammer elucida o “Catecismo da Ordem”, como ele o
chama. Depois do quarto degrau, após fazer o juramento, o candidato prometia obediência
cega, e ao mesmo tempo jurava “comunicar apenas a seus superiores qualquer dúvida que
viesse a ter sobre os mistérios e doutrinas dos Ismaelitas. Curiosamente, quando o ex Chefe da
Stella Matutina Dr. Felkin, desejou em 1909, saber mais sobre os “chefes Ocultos”, ele foi
informado que teria primeiro de fazer uma promessa “por tudo que ele considerasse mais
terrível e sagrado, de nunca contar o método a nenhum ser vivente.” Parte da promessa era
assim: “Se após isso eu for assaltado por dúvidas eu as revelarei apenas aos Mestres... “Caso eu
me sinta, a qualquer momento incapaz de manter essa promessa, não contarei nada a meus
irmãos ou irmãs da Ordem que possa enfraquecer sua fé, mas passarei silenciosamente à
suspensão de minhas atividades.” Assim a promessa foi feita.

Com relação ao sétimo degrau, encontramos a mesma


idéia na Escola Judaica de Alexandria, pois como já falamos,
Aristóbulo declarou que todos os fatos e detalhes das Escrituras
Judaicas eram alegorias que ocultavam os significados mais
profundos. Philo também seguiu a mesma teoria e buscou
mostrar que os escritos judeus, por seu sistema de alegorias,
eram a verdadeira fonte de todas as religiões e doutrinas
filosóficas. O significado literal era para o público vulgar apenas.
Como Philo, Steiner da Antroposofia, ensinou a mesma
interpretação, de que a Bíblia era apenas uma alegoria da deificação gradual e mística do
homem como simbolicamente retratada em todos os mistérios antigos e modernos. Essa
deificação é simbolizada pelo “Deus oculto” Amoun dos Egípcios e a Crux Ansata, essa último
sendo o símbolo central Teosófico que significa as forças duais da geração – a kundalini,
novamente, o Caduceu de Hermes, colocado na parte inferior da figura panteísta de Baphomet
do culto dos Templários, que representa as forças geradoras dentro do homem e o meio para a
deificação.

Também, entre os Khlysty e outros gnósticos primitivos, é encontrada a mesma


interpretação alegórica dos Evangelhos e Velho Testamento, com a mesma deificação e criação
do “Cristo” em mente. Como M. Ribot diz, há muitas maneiras de se produzir êxtase artificial ou
ter a divindade dentro de si – danças rítmicas, soma, vinho, sangue, orgias e intoxicação por
drogas, incluindo é claro, o haxixe, como era usado pelo “Velho Homem na Montanha”, que
assim preparava seus fanáticos Fedavis, intoxicados pelo encantamento dos sentidos, o assim
chamado antegozo do paraíso, (ou talvez fossem hipnotizados), o que os colocava prontos para
executar os planos de assassinatos, pela adaga ou veneno, das vítimas de seu Grão Mestre.

De acordo com Hammer havia sete graus dos Assassinos semelhantes ao dos
Templários:

1. Grão Mestre ou “O Velho Homem na Montanha”


2. Daikebir, ou Grão Prior
3. Dais ou Mestres iniciados, recrutadores
4. Refik ou companheiros
5. Fedavis, instrumentos cegos, os guardas da Ordem
6. Lassiks, aspirantes
7. Batini, ou irmãos secretos, afiliados
Entre os sete Imans silenciosos estava o “Imam Invisível”, em nome de quem o Grão
Mestre extraía obediência de seu povo. Como os instigadores secretos da Revolução Francesa,
de acordo com Louis Blanc, Grão Mestre dos Templários ligado aos Iluminati de Weishaupt’s,
Hassan desejava derrubar os tronos e altares, mas reconhecia que a anarquia, apesar de ser
usada com os governados não devia ser jamais o objetivo dos governantes. Sua ambição era a
fundação de um império sobre as ruínas do Califado e da família Abbas.

Os Assassinos não eram um principado, apenas uma confraria ou Ordem semelhante a


dos Cavaleiros de São João, os Cavaleiros Teutônicos ou os Templários. Como von Hammer diz:

“A natureza das funções da Ordem dos Templários era preenchida por seu Grão Mestre ou Grão
Prior, suas instituições religiosas, a tendência política de seu espírito e doutrinas, tudo, até suas
vestimentas tinham semelhanças com a Ordem dos Assassinos... A regra fundamental das duas Ordens
era tomar fortalezas e castelos nos países vizinhos para controlar mais facilmente as pessoas; ambos eram
rivais perigosos de príncipes e formaram um estado dentro do estado.”

Hoje não é meramente um estado dentro do estado governado por seitas secretas, mas
um Estado Mundial Universal, governado por um desconhecido “Superhomem.”

DRUZOS

De acordo com Springett, os Druzos tomaram seu


nome de Mohammed Ibn, Ismail el-Dorazi, um Persa que veio
ao Egito em 1071. Ao proclamar a divindade do Califa El-
Hakem, El-Dorazi foi forçado pelo povo a fugir e foi enviado
ao Líbano por El-Hakem, onde sob suas instruções, os Druzos
reconheceram a divindade de El-Hakem. Alguns anos depois,
o verdadeiro fundador de sua religião, Hamzed, um Dai ou
missionário da Casa da Sabedoria, enviou Moktana Baha-
edeen para substituir Dorazi, e com isso passou a prevalecer
entre os Druzos o sistema de iniciação da Grande Loja do
Cairo, assim formando a religião como ela é hoje. A Estrela dos Druzos

Os ensinamentos de Dorazi eram uma forma de mistérios no quais “lançavam um manto


de indulgência sobre as piores paixões da natureza humana”, e isso prevalece até certo ponto
ainda hoje, dividindo, porém os Druzos em duas seitas – uma com os ensinamentos religiosos
mais ortodoxos e morais de Hamzeh e outra com a licenciosidade de Dorazi. Mackenzie
descreve essa religião como composta de Judaísmo, Cristianismo e Mohammedismo; eles
possuem um sacerdócio, um tipo de hierarquia, senhas e signos, e ambos os sexos são
admitidos.

Como estabelecido por Madame Blavatsky, que era membro dos Druzos, a Ordem é
gnóstica e mágica; eles acreditam na Unidade de Deus, que é a essência da vida, invisível, mas
que se dá a conhecer ocasionalmente em manifestações na forma humana. Ela considera os
Druzos como a última forma em que sobreviveu o conhecimento arcaico chamado hoje como
“Cabalismo, Teosofia e Ocultismo.” É panteísta. Externamente, como inculcado em seus livros,
eles professam ler o Corão e os Evangelhos, enquanto secretamente seguem suas doutrinas
misteriosas. Ela também afirma que há uma afinidade entre os Lamaistas da Turania e os
semíticos El-Hamistas ou Druzos. Segundo Yaker os Turaneos da Índia são uma raça de
construtores, adoradores das árvores e serpentes. Num número da revista O Teosofista,
Madame Blavatsky cita Laurance Oliphant quando escreve:

“Os Druzos tem a firme convicção de que o fim do mundo está próximo... isso será sinalizado
pelo surgimento de um poderoso exército do Oriente que lutará contra os poderes do Islã e da
Cristandade... sob o comando de uma Mente Universal (Iluminismo!) e se consistirá de milhões de
Chineses Unitários. Cristãos e Mulçumanos capitularão e marcharão para Meca, El-Hakem então
aparecerá (a ultima encarnação divina)... Os Druzos esperam ardentemente pelo Armagedom no qual eles
acreditam, representarão um papel proeminente.”

Yaker diz a respeito de Madame Blavatsky: “Blavatsky que foi iniciada na seita dos
Druzos, nos informa... que sua base é o antigo Gnosticismo Ofita (ou Nasseni). Ela também, nós
sabemos, pertenceu aos revolucionários Carbonari, que era dominado por judeus, e depois
afirmou estar em contato com Mestres no Tibet. ...Alguns pontos a respeito dela merecem nota,
como dados pelo orientalista francês René Guenon, em O Teosofismo. Antes de fundar a
Sociedade Teosófica ela fora influenciada fortemente por Palos Metamom, um Copta, ou como
alguns dizem, um Caldeu, que trabalhava com mágica e espiritismo. Sinnet declara que
“Madame Blavatsky coroou sua carreira de trinta e cinco a quarenta anos de estudos místicos se
retirando por sete anos na solidão do Himalaia”; isso antes de ir para a América em 1873,
tempo no qual ela tinha apenas quarenta e dois anos! Como René Guenon observa, “Somos
forçados a concluir que ela deve ter começado seus estudos ao nascer, senão um pouco antes!”
Revendo sua vida e as informações dadas, ele conclui que sua visita ao Tibet era pura invenção.
Ela foi membro da Irmandade Hermética de Luxor por um tempo, onde aprendeu que “certos
fenômenos não ocorrem pela intervenção de espíritos de mortos, mas pelo uso de certas forças
dirigidas por homens vivos.” Mais a diante René explica que seus “espíritos guias” – John king,
Serapis e os Irmãos Kashimir – representavam simplesmente as influencias que se utilizavam
dela e que é legítimo concluir que Madame Blavatsky foi, acima de tudo, em muitas
circunstâncias, um ‘sujeito’, um instrumento nas mãos de indivíduos ou grupos ocultos, que se
abrigavam atrás da personalidade dela, do mesmo modo que outros foram instrumentos em
suas mãos.” E isso é o que encontramos através de toda a história, antiga e moderna, dessas
seitas – ilusão, truques, mágica – o uso do “fluido mágico, que é o fogo roubado dos Deuses por
Prometeu”, indo até o mais remoto passado.
SUFIS E DERVIXES

Aprendemos novamente com Springett, em Seitas


Secretas da Síria, que “os Sufis eram uma sociedade
secreta de filósofos místicos e ascetas da Pérsia, que
tiveram por religião original a dos Caldeus e Sabeistas.
Acreditavam na unidade de Deus, mas adoravam as
hostes celestes (Tsaba), especialmente os sete planetas,
como representantes de Deus. Os Mestres Sufis
entendiam Deus como o poder que sustenta o fenômeno
e que está em todos os lugares e coisas. É misticismo
panteísta. Os princípios sufis são guardados entre os
Dervixes dos graus mais elevados. A doutrina Sufi, King
diz, envolve a idéia de um credo universal que poderia ser
mantido secretamente mesmo se professando outra fé
externamente. O Dervixe guia instrui o candidato na
filosofia mística, e se isso choca o pupilo de qualquer
maneira, sempre há um segundo sentido que pode
Sufis em êxtase ser utilizado para colocar qualquer objeção ou medo de
lado. Da mesma maneira, os ensinamentos panteístas da Stella Matutina de hoje poderiam ser
distorcidos de maneira que até mesmo um padre Cristão fosse persuadido a ver o Cristianismo
neles.

Falando da Iniciação dos Dervixes, Springett diz da Ordem Kadiri, que após muitos
meses de provações no monastério, o Xeque, na assembléia dos irmãos, colocava um boné de
feltro branco na cabeça do candidato, que tinha atado a ele uma rosa de tecido de dezoito
pétalas com triângulos do Selo de Salomão entrelaçados no centro – o símbolo judaico das
forças duais da natureza, como é acima assim é embaixo. Antes de ser totalmente aceito como
Dervixe, ele passava por estágios intermediários sob a orientação de um Superior ou iniciado
nos degraus superiores.

“Ele é ensinado a concentrar seus pensamentos completamente em seu Guia a ponto de tornar-
se mentalmente absorvido por ele numa ligação espiritual com o supremo objeto de todas as devoções. O
Guia deve ser o escudo do neófito contra os desejos e pensamentos mundanos; seu espírito deve auxiliá-
lo em todos seus esforços, o acompanhando onde quer que ele fosse, e estando sempre presente em sua
visão mental. Esse estado de espírito é chamado ‘aniquilação dentro do Murshis (o guia)’. Assim, por meio
de suas próprias visões, o Guia descobre o grau de espiritualidade que o discípulo atingiu, e até que ponto
sua alma foi absolvida pela dele próprio.”

O discípulo entra então no “Caminho”, e conforme sua aptidão e disposição em aceitar


a filosofia mística do Guia, mesmo que contra seus sentimentos religiosos, seu avanço será
correspondentemente rápido.

“Ele agora está supostamente pronto para se colocar sobre a influência do Pir ou fundador da
Ordem, em quem ele se tornará mentalmente absorvido ao ponto de se tornar virtualmente uno com ele,
adquirindo seus atributos e poder para executar atos sobrenaturais. O próximo estágio da vida mística é
chamado pelos Dervixes de ‘Conhecimento Espiritual’, e o discípulo... o Xeque acredita... se tornou
inspirado... Ele agora entra em comunhão espiritual com o Profeta, em cuja alma, a sua própria foi
absorvida.”

Finalmente no quarto degrau, “durante quarenta dias de jejum e reclusão... em um


estado extático ele acredita ter se tornado parte da Divindade, e a vê em todas as coisas”. O
Xeque então, “gentilmente desperta o discípulo de seu êxtase, e o tendo restaurado a sua
condição normal, concede a ele o posto de Khalifeh (sucessor). O místico agora retoma sua
observância externa dos Ritos do Islã e prepara-se para a peregrinação às Cidades Sagradas.”

O mundo de hoje se tornou uma verdadeira colméia de seitas cabalistas e gnósticas, e


em cada uma e em todas encontramos o mesmo sistema de absorção mental gradual da
personalidade do adepto à medida que ele avança no processo exatamente como com os
Dervixes. O adepto passa sucessivamente do professor oficial da Ordem ao Professor no plano
astral (conhecido nas Ordens Rosacruzes com seu fundador Christian Rosenkreutz), e finalmente
completa a absorção em algum Poder Central desconhecido, ainda em seu corpo material.
Assim, oráculos aparentemente inspirados, são treinados para divulgar ensinamentos os quais
são passados através dos vários graus da ordem, orientando seus membros. Por fim eles vão às
ruas espalhando entre as pessoas suas idéias, sempre em nome da Liberdade, Igualdade e
Fraternidade, colocando-as sob a influência direta ou indireta dessas seitas e suas manifestações
exteriores, internacional, universal, socialista, comunista e ateísta.

YEZIDIS

Como Springett escreve:

“Conta a tradição que os Yezidis vieram originalmente de Basrah e do país banhado pelas águas
da parte baixa do Eufrates. E que, após emigrarem se estabeleceram primeiramente na Síria e depois
tomaram posse da montanha Sindjar e os distritos onde hoje habitam no Kurdistão... Há neles uma
estranha mistura de Sabeismo, Cristianismo e Islamismo, com uma tintura das doutrinas Gnósticas e
Maniqueístas. O Sabeismo, entretanto, aparece como traço prevalente.”

Eles têm um grande respeito pelo Sol e seu símbolo, o fogo. Em O Judeu, des
Mousseaux, citando autoridades nos conta que a Caldéia foi o berço da demoníaca cabala,
descendendo dos Cananitas e Sabeistas, que adoravam o sol, as estrelas, os espíritos das
estrelas e o princípio do mal. Essa cabala penetrou entre os Yezidis e os Druzos.

Em Aventuras na Arábia, W. B. Seabrook diz que no “Livro Negro” dos Yezidis, Shaitan
comanda: “Não fales meu nome nem mencione meus atributos, para que não te tornes culpado,
pois tu não possuis o verdadeiro conhecimento disto, mas honre meu símbolo e imagem.”
Seabrook veio a saber, que “Shaitan” era o “Espírito Brilhante MelekTaos” (Anjo Pavão), o
“Espírito do Poder e verdadeiro regente do mundo” – Lúcifer! Ele também fala das sete Torres
de Shaitan ou “casas de poder”, as quais formam uma corrente através da Ásia, desde a
Manchúria ao norte, através do Tibete, a oeste através da Pérsia e terminando no Kurdistão. Em
cada torre há um sacerdote que faz mágica mundial. Ele viu uma dessas torres em Sheik - Adi.
Era caiada de branco com uma bola de ouro ou latão polido no pináculo, que faiscava aos raios
do sol. Com freqüência um trabalhador mágico passava muitos dias sozinho, lá. Na entrada do
santuário havia uma serpente negra!

De acordo com des Mosseaux, os Yezidis


eram governados por um Emir Supremo que era
Patriarca e Pontífice, com poder absoluto, e através
de emires subordinados, transmitia suas ordens a
todos os Yezidis espalhados pelo Kurdistão, Media,
Mesopotâmia e Montes Zindjar. “É provável que
através de ramificações misteriosas, suas ordens
atingissem as remotas extremidades da Ásia e talvez,
até mesmo da Europa.” E ainda,

“todas as paixões, mesmo as mais vergonhosas, era consideradas sagradas… o demônio de cada
uma delas é apenas um anjo caído... Deus, eles diziam, era infinitamente bom, incapaz de fazer qualquer
mal. O demônio, por outro lado, é infinitamente malvado, e em sua malícia seu único prazer é torturar os
homens. Era, portanto, prudente acima de tudo, se alguém desejasse ser feliz aqui embaixo, abandonar o
culto de Deus, que não podia fazer nenhum mal... e se colocar sobre a proteção do ser que sozinho pode
eximir os homens dos males dessa vida, já que só ele era capaz de infringi-los...”

É dito que eles abriam mão das práticas teúrgicas mais extraordinárias em favor de
mágicas e bruxarias diabólicas. Para confirmar isso, Springett escreve mais a frente:

“Se de fato a crença dos Yezidis é no indecente Demônio, e se, como Mr. Layard intima, o pavão
seria um símbolo de Satã, que a seus olhos é o chefe único dos anjos rebeldes, então Malek Taoos
representa o mau ao invés do bom princípio, e assim seria semelhante ao touro dourado dos Druzos o
que implicaria também na origem Persa da seita, nas idéias arcaicas de Ahura Mazda (ou Ormuzd) e
Arimã.”

O próprio chefe Yezidi disse que "Malek Taoos" era um símbolo grandemente
reverenciado.

Springett estabelece que os Yezidis eram governados por dois Xeques, um dirigindo os
assuntos civis e o outro presidindo os ritos religiosos, especialmente transmitidos de seu
Santuário cujo nome vem de seu chefe Santo, Xeque Adi. A hierarquia inclui quatro ordens de
sacerdotes – Pirs, Xeques, Kawals, e Faquires, que são cargos hereditários e havendo mulheres
na linha de sucessão elas são aceitas. Com relação a suas crenças, eles acreditavam em um Ser
Supremo, a essência da bondade,

“e também reverenciavam Satã, apesar de nunca pronunciarem seu nome ou nada que se
aproximasse disso… Portanto parece que eles adoravam tanto as Boas quanto as Más deidades dos Persas
antigos, mas como dizem que os Maus podem às vezes fazer o bem, enquanto o Bom jamais pode fazer
nenhum mal, é com princípio do Mal que eles devem se conciliar.”
Ele também fala de “um estimado livro sagrado” possuído pelos Yezidis, que de acordo
com Badger e Layard, está escrito em árabe, e consiste de uma rapsódia poética sobre os
méritos e atributos do Xeque Adi.

Como relatado na Revista Internacional das Sociedades Secretas, 1o de Maio de 1932,


Pierre van Passem, do Toronto Daily Star, descreve uma Missa Negra que ele testemunhara no
Templo da Rue de Montparnasse, Paris. Ele conta que existem onze templos e estima-se que
existam 10.000 adoradores do Demônio em Paris – homens e mulheres que passaram por um
longo aprendizado. Esses adoradores do Demônio estão em comunhão com uma seita que ainda
existe no deserto da Síria, nas vizinhanças de Bagdá, que adoram Shaitan, cujo nome nunca
deve ser falado, nem mesmo palavras que comecem com as duas primeiras letras. Durante dez
ou vinte anos houve reclamações externas, mas sob um decreto de “liberdade de culto”, ele foi
permitido pelo governo Francês com a condição de não se fazer propaganda aberta.

CAPÍTULO III

ROSACRUZES E ILUMINADOS
AS origens dos Rosacruzes ainda é um mistério, como Disraeli escreveu em 1841: “Essa
Ordem mística espalhou-se entre os alemães, um povo místico. Lá também sua origem é
debatida como a de outras sociedades secretas. De fato, suas origens ocultas desafiam a
pesquisa.”

Por outro lado, a R.R. et A.C. - Rosae Rubeae et Aureae Crucis – em seu ritual 5/6 clama
que advêm de remota e mística era da antiguidade, diz:

“Saibam que a Ordem da Rosa e da Cruz


existe desde tempos imemoriais e que seus ritos
místicos eram praticados e sua sabedoria ensinada no
Egito, Eleusis, Samotracia, Pérsia, Caldeia, Índia e
outras terras ainda mais antigas, e assim trouxe até a
posteridade a Sabedoria Secreta das Eras Antigas.
Muitos foram seus Templos e entre muitas nações eles
foram estabelecidos, apesar de que no processo do
tempo algo da pureza de seu conhecimento primitivo
se perdeu.”

Os misteriosos Irmãos da Rosacruz designavam a si mesmo Invisíveis, e sua história


lendária era brevemente assim: a Fraternidade foi fundada por Cristão Rosacruz nascido em
1378 em uma família nobre alemã. A partir dos cinco anos de idade e por doze anos ele foi
educado em um convento. Depois disso viajou a Damasco e de lá para Dacar na Arábia, onde foi
recebido pelos Magos. Esses homens sábios acreditavam que ele fosse aquele do qual se falava,
viria para regenerar o mundo, e assim eles o iniciaram na magia Arábica. Depois de visitar Fez e
a Espanha ele retornou à Alemanha onde junto com seus discípulos fundou a Fraternidade. Eles
construíram a casa chamada “Domus Sancti Spiritus”, na qual C.R. viveu até sua morte. Lá, de
acordo com Dr. Wyn Westcott, ele escreveu o livro “M” – Magicon, compilado da magia
aprendida dos árabes de Dacar. Escreveu também os livros Axiomata, Rota Mundi e Proteus.

Cristão Rosacruz teria morrido em 1484 com a idade de cem ou mais anos e por cento e
vinte anos o local de seu túmulo permaneceu desconhecido. Em 1604, ao fazerem reparos na
casa, encontraram a porta de um cofre que quando aberta revelou o corpo de seu fundador e
diversos manuscritos e muitos objetos de mágica. Após sua morte os Irmãos devotaram-se ao
estudo dos segredos da natureza e suas forças ocultas, além da prática da medicina gratuita na
qual usavam remédios misteriosos. Os acordos entre eles eram: 1. Nenhum deles deveria
professar outra coisa do que a cura dos doentes e isso de graça. 2. No futuro nenhum deles
deveria usar qualquer tipo de hábito, mas vestir-se de acordo com os costumes do país. 3. A
cada ano, no dia C (Dia de Corpus Christi, solstício de verão), deveriam encontrar-se na Casa
Sancti Spiritus, ou escrever sobre a causa da ausência. 4. Cada Irmão deveria encontrar uma
pessoa de valor que após seu falecimento pudesse sucedê-lo. 5. As letras R.C. deveriam ser o
selo, a marca e o caráter. 6. A Fraternidade deveria permanecer secreta por cem anos.

Os Invisíveis esperavam o que chamavam de purificação da Igreja, quando, antes do fim


do mundo, eles esperavam restabelecer todas as coisas à sua integridade primitiva. Depois da
abertura do túmulo, os cento e vinte anos tendo mais que passado, eles publicaram dois
manifestos – Fama Fraternitatis R.C., 1614 e Confessio Fraternitatis Rosae Crucis, 1615, e os
enviaram aos eruditos e governantes da Europa, convidando-os para ingressar com a Ordem na
reforma universal. Por um tempo isso criou um grande furor, mas com poucos resultados
concretos. A autoria desses documentos era creditada a Johan Valentin Andrea apesar das
negativas do mesmo.

Em seu livro, Os Rosacruzes de Lion no Sec. XVII, 1929, Paul Vulliaud aprofundou-se nos
manifestos ligando-os com Paracelso e Cornélio Agripa, Teosofistas e Iluministas. Falando do
Livro do Mundo de Fauvety, Vulliard escreve:

“Em um estudo muito interessante Fauvety sustenta que os manifestos tratam do Magnetismo…
Eles mostram a importância atribuída no tempo de Paracelso, ao fluido magnético citado nas doutrinas
Teosofico-científicas... Depois de observar que os seguidores de Paracelso e van Helmont faziam mistério
disso, Fauvety acrescenta que o poder magnético deve com certeza, ter sido o segredo da Rosa Cruz, que
no século dezesseis dizia possuir o remédio universal. O que apóia essa suposição é o fato de que mesmo
os adversários do magnetismo abordaram os médicos seguidores de Paracelso, que curam com processos
magnéticos semelhantes aos da Rosacruz.”

Como Gustave Bord escreveu em A Franco-Maçonaria na França, 1908:

“A doutrina de Paracelso adveio da Cabala, da filosofia Hermética e alquimia. Ele assumia saber e
expor o inteiro sistema das forças misteriosas que agem na natureza e no homem... O homem deve unir-
se as forças necessárias para que possa produzir fenômenos tanto físicos quanto espirituais. O Universo
era o Macrocosmo e o homem o Microcosmo, e eles são muito semelhantes (como é acima é abaixo).”

Mais adiante Vulliaud diz que J.J. Monnier também sabia que certas lojas de iniciados
praticavam o magnetismo. De Acordo com Monnier, “eles magnetizavam pela graça divina *sic+,
por força da fé e vontade, através de paredes à grandes distancias, de Paris até mesmo à
Dominica.” Finalmente, Vulliaud conclui:

“Em resumo, o Rosacrucianismo é composto de iluminismo místico em combinação com


alquimia, astrologia, magnetismo e comunicação com espíritos (astral!), ou com o próprio Mundo, e
compõe-se às vezes de uma, as vezes de várias dessas formas ocultas maravilhosas...Em algumas
lojas...eles praticam ardentemente a teurgia.”

No livro anônimo, Mistérios da Rosacruz, publicado em 1891, que contem muitas


informações documentadas, lemos:

“A respeito das origens e significados do termo Rosacruz, muitas opiniões tem sido sustentadas e
expressadas. Alguns pensaram que ele fosse feito de rosa e crux (a rosa e a cruz), mas outros sustentam
com aparente autoridade que é composta por ros (orvalho) e crux (cruz)... Uma cruz na linguagem dos
filósofos do fogo é o mesmo que Lux (luz), porque a figura da cruz † exibe as três letras da palavra Lux ao
mesmo tempo... Dessa forma, um Rosacruz é um filósofo que através do orvalho busca a luz, isto é pela
substancia da pedra filosofal” –

a quintessência ou cinco elementos, terra, ar, fogo, água e éter; o homem iluminado! O
ritual da R.R. et A.C. nos informa sobre a interpretação da Rosacruz:

“A Tumba de Osiris On-nopheris, O Justificado (iluminado), é o local simbólico do túmulo de


nosso Místico Fundador Cristão Rosacruz, o qual ele criou para representar o universo... é a forma da Rosa
e da Cruz, a Crux Ansata ancestral, o símbolo egípcio da vida, o qual resume a Vida da Natureza e os
poderes ocultos nas palavras I.N.R.I”

Como sabemos, I.N.R.I é Igne Natura Renovatur Integra – a natureza inteira é renovada
pelo fogo. Isso representa as três fases da geração-criação, destruição e regeneração universal.
O signo L.V.X. representa a mesma idéia e no mesmo ritual é falado: Tendo chegado à porta da
Tumba,

“e após examiná-la atentamente, percebe-se... que abaixo da inscrição CXX foram colocadas as
letras LVX, sendo a inscrição completa `Post CXX Annos LVX Crucis Patebo' – ao final de 120 anos eu a luz
da cruz me revelarei. Lembrando que as letras LVX são feitas do desmembramento e reunião dos ângulos
de uma cruz †"

Além disso, os Rosacruzes eram estudiosos cabalistas, e Adolphe Franck, em A Cabala,


cita Simon ben Jochai em Zohar, falando do Ancião dos Dias, o primeiro Sephira da Árvore da
Vida:

“Ele está sentado num trono faiscante que submete à sua vontade... De sua cabeça ele espalha
um orvalho que desperta os mortos e dá nascimento a uma nova vida. É por isso que está escrito: Teu
orvalho é o orvalho da luz. É a alimentação dos santos mais elevados da ordem. É o maná preparado para
os justos para a vida que há de vir. Ele desce nos campos dos frutos sagrados (adeptos da Cabala). Esse
orvalho é branco como um diamante, cuja cor inclui todas as outras.”

Esse orvalho é a “Luz Branca Divina ou Brilhante” da Rosacruz, o fluido magnético de sua
mágica. É ainda dito no ritual da R.R. et A.C.: “Cores são forças e assinaturas das forças, e a
Criança das Crianças das Forças age em ti, e assim no trono do Todo Poderoso há um arco-íris de
Glória e a seus pés um Mar de Cristal. É a força do Iluminismo, a luz da Natureza!

Jean Lead, chefe inspiradora da Sociedade Panacéia, falando da Árvore da Vida Cabalista
descreve o quinto Sephira como: “A doçura do orvalho que repousa sobre os galhos da Árvore...
isso é poder paradisíaco iluminador.” Esse mesmo poder, o fluido magnético, é a base do
remédio universal Rosacruz. De acordo com o escritor de Os Mistérios da Rosacruz: “Um
trabalho extraordinário foi publicado em Estrasburgo no ano de 1616, intitulado O Romance
Hermético, ou O Casamento Alquímico, escrito em holandês superior por Cristão Rosacruz. Esse
livro... é dito existiu em manuscrito... remontando a 1601, tornando-se assim o mais antigo livro
Rosacruz.” Alguns dizem ser trabalho de Valentin Andrea. O livro descreve a união do adepto
com o agente Universal, e é possível que a lenda de Cristão Rosacruz apenas represente a
mesma idéia mística encontrada entre os yogis e místicos, do despertar de poderes misteriosos.

Como Gustav Brode escreveu:

“Seitas secretas de todos os tempos afirmam compreender as leis pelas quais o Universo é
regulado. Algumas acreditam que possuem realmente o segredo inefável, outras, mais engenhosas, fazem
de seus mistérios uma isca para o povo, no desejo de liderá-los e dominá-los, outras ainda encontram
assim, um modo de se utilizar disso para lucro próprio.”

No prefácio do curioso livro Os Perenes Viventes, de Robert Samber, que escreve sob o
pseudonimo "Eugenius Philalethes Junior," e que foi dedicado à Grande Loja de Londres em
1772, e já foi citado pelos historiadores maçônicos Mackay, Whytehead e Yaker, indica-se
claramente que além dos três graus tradicionais há uma iluminação e uma hierarquia da qual a
natureza não é revelada, mas da qual a linguagem usada é inteiramente da alquimia e da
Rosacruz. Falando da Maçonaria na Revolução Francesa, Louis Daste, observa:

“Essas iluminações misteriosas dos graus inferiores da Maçonaria, essa hierarquia a qual
Philalethes Junior tão vigilantemente guardou secreta, esses Superiores Desconhecidos venerados pelos
Martinistas Judaizantes e Philalethes, que reividicam o domínio sobre as outras lojas – não é tudo isso a
corrente inquebrável que conecta a Cabala Judaica à Maçonaria? Não teríamos então o direito de
suspeitar que o Poder Oculto sob as Lojas Maçônicas seja o cérebro do Judaísmo que anseia conquistar e
dominar o mundo inteiro?”

MARTINES DE PASQUALLY

Em seu livro sobre a Ordem Elus Coens do século dezoito, R. Le Forestier, nos conta que
ela foi fundada 1760 por Martines de Pasqually e continua até hoje como uma Ordem
Martinista. Martines de Pasqually era um judeu português. Sua ordem veio a ser um dos grupos
mais interessantes de seu tempo, “que se constituiu sob a capa da Maçonaria, uma das últimas
conexões da longa corrente das misteriosas e sigilosas associações das quais os membros diziam
que, através de processos mágicos se comunicavam com o divino para assim participarem de
uma imortalidade abençoada – Iluminismo! O nome Coen dado por Pasqually a seus membros é
uma adaptação do termo Hebraico Cohanim que designava a casta sacerdotal mais alta,
constituída em Jerusalém no reinado de Salomão, para assegurar o serviço divino no Templo.
Eles eram tidos como descendentes em linha direta de Aarão. Os Coen se consideravam
herdeiros e depositários do segredo da tradição Judaica. Pasqually construiu um curioso sistema
místico e metafísico “emprestado dessas tradições secretas, que representava um fraco, porém
claro eco das diversas doutrinas esotéricas originadas no Oriente durante os primeiros anos de
nossa era e que adotaram outras tradições ainda mais antigas que posteriormente penetraram
no Ocidente através da Cabala Judaica.” Seus discípulos foram os sucessores dos mystes da Ásia,
Egito, da Grécia, dos Valentinos, Órficos e seguidores de Mitras. Eles professavam as doutrinas
místicas dos Neo Platonistas, Gnósticos e Cabalistas e cultivavam, nos tempos da Enciclopédia, a
“Sabedoria Secreta dos Antigos.”

A Cabala Teórica, como sabemos, trata da natureza da Deidade


em relação ao homem e a suas origens. A Cabala Prática ou Cabala
Mágica, por outro lado, trabalha com “a dinâmica e a teurgia mágica,
ensina a arte de comandar os espíritos, adivinhar o futuro, clarividência
à distância, e a feitura de amuletos.” Em suas correntes místicas se
encontra a influência da astrologia e demonologia da Caldéia, filosofia
Iônica natural, Mazdaismo, Sabeismo e conceitos Mitraicos, como
também aritmética e geometria de Pitagóricas. Era um resíduo dos
cultos primitivos fundados na “Mágica Fluídica” – o fluído magnético
mágico dos alquimistas, Rosacruzes e Iluministas – o qual desde o
Cativeiro persistiu nas religiões Babilônicas e Persas. No século
dezessete J.B. van Helmont, em Hortus Medicine, escreveu: “A força
mágica adormecida pelo pecado é latente no homem. Ela pode ser despertada pela graça de
Deus ou pela arte da Cabala.” É o despertar da kundalini por processos mágicos ou yoga! Esses
ritos teurgicos da Cabala Prática existiram até o século dezoito no coração das seitas judaicas
conectadas com os Franquistas e foram largamente difundidos na Europa Central.

Finalmente Le Forestier diz que o processo teurgico, defendido pela Cabala Prática, foi
fundamentado sobre o maravilhoso poder dos nomes divinos. Ela deriva-se do fundamento
único de toda mágica, remontando ao passado ancestral. Pasqually também enfatizava a idéia
familiar aos cabalistas de que o nome, acima de tudo, manifesta seu poder quando pronunciado
em voz bem alta. Aqui temos o “modo vibracional de pronunciar nomes divinos”, usado na
Stella Matutina e R.R. ET A.C., uma ordem Martinista, da qual os compromissos nunca deveriam
ser revelados! O poder aumenta muito, como nas conjurações mágicas, ao pronunciar o nome
junto com todos seus correspondentes, como mostrado no livro 777 de Crowley. Ademais, nas
operações dos Coens, com seus diagramas, estimulações, queima de incenso, prostrações,
invocações e conjurações, mostram claramente a que tipo de ritual mágico os discípulos de
Pasqually se devotavam. Encontramos as mesmas operações na Stella Matutina e R.R. ET A.C.
nos dias de hoje.

Citemos Eliphas Levi, outro Martinista tardio, quando ele escreve em sua História da
Mágica:

“Sobretudo, a lei do equilíbrio, em analogia, leva a descoberta do agente universal que era o
Grande Segredo dos alquimistas e magos da Idade Média. Tem sido falado que esse agente é a luz da vida
pela qual os seres animados se tornam magnéticos, sendo que a eletricidade é apenas uma perturbação
transitória. A prática dessa Cabala maravilhosa repousa inteiramente no conhecimento e uso desse
agente. A Prática Mágica abre o Templo Secreto da Natureza a esse poder da vontade humana o qual é
sempre limitado, porém progressivo,”

The Zohar, ele diz, é a Genesis da luz (da natureza). O


Sephira Yetzirah é a escada para a realização e aplicação. Ela tem
doze degraus – dez Sephiroth ou centros de luz, vinte e dois
caminhos ou canais ligando os Sephiroth, e através dos quais a luz
ou fluido mágico flui. É a Árvore da Vida Cabalista, assim com se
apresenta nas Ordens mágicas. Ela é cheia de perigos e ilusões
mentais, morais e físicas para Microcosmo ou cérebro humano e
sistema nervoso. Eliphas Levi diz que a ciência do fogo e suas leis
eram o segredo dos Magos, dando a eles domínio sobre os
poderes ocultos da natureza. “Em todas as partes encontramos com o encantador que mata o
leão e controla serpentes. O leão é o fogo celestial (cósmico ou estrelado), e as serpentes são as
correntes elétricas e magnéticas da terra. A esses mesmos segredos dos Magos se referem
todas as maravilhas da Mágica Hermética.”

Finalmente, esses “Superhomens” que controlam por trás das cenas são ao que
parecem, mestres antigos no conhecimento e trabalho dessa Cabala Prática, construída sobre
cultos do passado remoto. Assim, seria correto supor que esses Superhomens são os Judeus, os
trabalhadores mágicos, cabalistas e revolucionários?

PERNETY

Joanny Bricaud, em Os Iluminados de Avingnon, 1927 nos dá alguns detalhes no


crescimento desse movimento:

“Coisa estranha! A era dos Enciclopedistas e filósofos foi também a era dos profetas e
taumaturgos. Para enfrentar Voltaire, Diderot e D’Alembert, incrédulos e céticos, surge Swendenborg,
Matines de Pasqually, Saint-Martin, Mesmer e Cagliostro, fundadores de grupos místicos dados a todas as
práticas da teurgia, mágica e iluminismo.”

Como disse Bricaud, Dom Pernety, o fundador do grupo de Avignon, nascido na Roanne,
em Forez, 1716, se tornou um Beneditino de Saint-Maur. Enquanto estava na Abadia Saint
Germain-des-Pres, ele encontrou vários livros sobre
Hermetismo e Alquimia, e se deixou inocular com a febre da
era. Por achar a vida monástica intolerável, abandonou-a e
foi para Avignon onde fundou seu Rito Hermético em 1766.
Mais tarde ele vai para Berlim, mas mantém o contato com
seus discípulos. Gradualmente seu hermetismo se deixa
invadir pelo misticismo de Swendenborg e Boehme e ele se
torna vidente e iluminado, tendo por guia o chamado Anjo
Assadai, e recebendo comunicações de um poder invisível
conhecido com Saint-Parole.

M. Bricaud diz que existe na Biblioteca Calvet em


Avignon, um estranho manuscrito de 155 páginas na própria
caligrafia de Pernety, que foi encontrado em sua casa
durante a Revolução. A data do manuscrito é Berlim, 1779-
1783 e Avignon 1783-1785 e é um relato das evocações e
questões de seus iniciados, a Saint-Parole e as respostas desse poder. Os iniciados são indicados
por números ocultos, que formam a base de sua operação cabalística ao consultar Saint-Parole.
Nada era feito sem o aval desse poder desconhecido. Como Weishaupt disse: ”Nós não
podemos usar os homens como eles são; eles precisam ser modelados de acordo com o uso que
faremos deles.” Desse mesmo modo Pernety e seus iniciados eram testados, admoestados e
distraídos até que o poder adquirisse sua fé e obediência absolutas. Eles eram consagrados
numa colina de Berlim, regenerados e iluminados. Pernety estava destinado a fundar uma
sociedade para o “novo povo de Deus” e construir uma nova cidade para um “novo céu e uma
nova terra.” Ele seria o centro e pontífice, e outro adepto, Conde Grabianka seria o rei. A filha de
seis anos do Conde Grabianka seria isolada de seus pais e do país por sete anos para ser
preparada para ser o oráculo através do qual ele reinaria. Finalmente, o templo chamado
Thabor, foi estabelecido em Avignon e o grupo se tornou conhecido como os Ilumidados de
Avignon. Seu culto era absolutamente secreto e de uma maneira geral suas idéias eram como as
de Swendenborg, mas também professavam o culto à Virgem, aparentemente a Grande Mãe
dos Gnósticos. Don Pernety morreu em 1796 e os iniciados sobreviventes entraram para o
Martinismo.

SAINT-MARTIN

O Iluminismo Martinista foi fundado, com vimos, por Martines de Pasqually que
ensinava a doutrina da reintegração. Entre 1754 a 1768 ele propagou seus graus superiores
entre as Lojas Maçônicas da França. M. de Maistre escreveu em 1810 que os Martinistas
chamavam seus altos iniciados e sacerdotes pelo nome hebraico de Cohen, e observa que todos
esses grandes iniciados atuaram na revolução, apesar de não a um ponto excessivo. Saint-
Martin, um filósofo desconhecido, era discípulo de Pasqually e posteriormente desenvolveu
bastante o movimento, estabelecendo sua Loja Maçônica dos Cavaleiros da Benevolência em
Lion. De acordo com Louis Blanc:

“O Martinismo fez rápido progresso em Paris e reinou em Avignon. Em Lion teve um centro de
onde irradiou para a Alemanha e Rússia. Implantado na Maçonaria, as novas doutrinas se constituíram em
um rito que se compunha de dez graus... através dos quais os adeptos tinham de passar sucessivamente.
Numerosas escolas foram formadas com o propósito de encontrar a chave para o código místico e
divulgá-la. De um livro chamado Dos Enganos e Verdades, por um Filósofo Desconhecido, surgiu uma
grande quantidade de... esforços que contribuíram para alargar as minas colocadas sob as velhas
instituições.” Ele acrescenta: “Em nome de pio espiritualismo o filósofo desconhecido levantou-se contra
a tolice dos cultos humanos. Pelos caminhos da alegoria ele conduz ao coração do Reino Misterioso que a
humanidade habitou em seu estado primitivo.”

Os Iluminados, organizados sob a lei do segredo, exerceram importantes influências nos


movimentos revolucionários. Martinistas e Swendenborgianos se aliaram aos Iluminatti de
Weishaupt, como visto na Convenção de Wilhelmsbad de 1872, no qual o objetivo era expressar
por um horrorizado delegado, o Conde de Virieu, que havia sido iludido pelo misticismo de
Saint-Martin: “Há uma conspiração planejada tão bem e tão profundamente que será muito
difícil para a religião e os governos não sucumbirem a ela.”

Em Ritual da Ordem Martinista, editado por Teder em 1913, o adepto do terceiro


degrau é advertido a não revelar os mistérios:

“Mas se, pelo poder do livre arbítrio e das bênçãos do Divino, chegares a contemplar a Verdade
face a face, lembra-te que deves manter silêncio sobre o Mistério no qual penetrou, mesmo que tua
fidelidade te custe a vida. Lembre-se sempre do destino dos Grandes Iniciados que mesmo com as
melhores intenções, tentaram levantar diante da multidão, o sagrado Véu de Ísis.”

Seguem alguns nomes: Jesus, Jacques de Molay, Paracelso, Cazotte, Cagliostro, Saint-
Martin, Wronski, Eliphas Levi, Saint Yves d’Alveydre e centenas de outros. E eles continuam:

“Caso reveles uma mínima coisa das Artes Secretas ou qualquer parte dos mistérios ocultos que
a meditação possa ter revelado a ti, não haverá tortura física que não seja doce, comparada à punição
que tua estupidez acarretará sobre ti.”

Não há um símbolo material que possa expressar o horror da aniquilação espiritual e


física que espera o miserável, que a Verdadeira Palavra, porque Deus (sic) não tem misericórdia
por aquele que profanar Seu santuário e expor brutalmente aos que não merecem o
impronunciável Segredo.

Finalmente, O Superior Inconnu (Superior Desconhecido) no Segundo Templo, tem de


jurar “trabalhar com todas as forças na terra, na Associação de todos os Lucros, a Federação de
todas as Nações, a Aliança de todos os cultos e a Solidariedade Universal.” Em 1913 Papus (Dr.
G. Encausse), era o grão Mestre e Presidente do Conselho Supremo dos Martinistas.
SWEDENBORG

Quanto ao Swendenborguismo, em As Sociedades Secretas, pela


pena de Le Couteulx de Canteleu, encontramos um esboço curto, mas
interessante de Swendenborg e seu sistema: Emanuel Swendenborg era
filho de um bispo Luterano de Skara, Suécia, e nasceu em Upsala em
1688. Em 1743 ele começou a espalhar suas crenças, uma mistura de
misticismo, magnetismo e mágica. Como com todas as doutrinas do tipo,
ele tinha dois sistemas: um para os tolos e incautos que era uma aparente
reforma do Cristianismo por um deísmo fanático e uma fé reinante na
nova Jerusalém. Seus seguidores acreditavam em suas visões
maravilhosas e profecias, suas conversas com anjos e espíritos. O outro sistema levava direto à
ausência de Deus, ao ateísmo e materialismo, e como no Hermetismo, Deus era apenas um sol,
um espírito de luz, um calor vivificante do corpo. Ele também apresentava a doutrina a seus
adeptos como sendo dos Egípcios e Magos, e assim eles entravam de peito aberto na Revolução
para com ela restaurar no homem o seu estado original de Igualdade e Liberdade.

Só na Inglaterra, em 1780, ele tinha 20.000 seguidores, que esperavam pela revolução
para derrubar todas as outras crenças. O Deus de Swendenborg seria o único Rei! Em Avignon
ele teve muitos adeptos que se misturaram aos Martinistas, sendo conhecidos como Teosofistas
Iluminados, entre os quais foram encontrados os mesmos votos de uma Revolução anti-social e
anti-religiosa.

Num prefácio de um dos livros de Emanuel Swedenborg, A Doutrina da Nova Igreja – a


Nova Jerusalém, traduzida do Latim da edição de 1769, Amsterdam, explica-se essa doutrina:

“Estar ao mesmo tempo no mundo natural e no mundo espiritual, viver no mundo espiritual e na
sociedade dos homens e se encontrar na sociedade dos anjos, vê-los, falar com eles, mover-se no reino
das substancias espirituais. Isso, sem dúvida, é desconcertante à compreensão materialista dos homens
sábios dos dias atuais.”

Assim, não nos surpreende que deLuchet considerasse que “Teosofistas,


Swedenborgianos, Magnetizadores e Iluminados fossem um perigo nacional.”

TEMPLÁRIOS

À medida que a Revolução Francesa se aproximava, o terreno ia sendo minado e


preparado para a revolta sinistra de 1789, por, entre outros, o poder ainda ativo dos Cavaleiros
Templários. Eliphas Levi nos informa que apesar de externamente Católico, o culto dos
Templários era o Joanismo, e seu anseio secreto era reconstruir o Templo de Salomão nos
moldes da visão de Ezequiel – os braços dos Maçons do Templo, uma quarta parte leão, uma
parte touro, uma parte homem e uma águia eram as bandeiras das quatro tribos líderes
Hebraicas. Os Joanitas, que eram gnósticos e cabalistas, adotaram parte das tradições Judaicas
e relatos Talmúdicos. Ele considerava os fatos dos Evangelhos como alegorias, das quais São
João possuía a chave, e seus Grãos Pontífices assumiam o título de Cristo. Com o tempo os
Templários se tornaram um perigo para a Igreja e o Estado, ameaçando o mundo inteiro com
uma revolução gigante, e assim foram suprimidos. Como o alto Maçom Albert Pike escreveu em
Moral e Dogmas:

“A Ordem desapareceu de uma vez… No entanto ela


sobreviveu sob outros nomes sendo governada por Chefes
Desconhecidos que se revelavam apenas àqueles que passassem por
uma série de degraus para provar seu valor, para que pudessem
receber esse perigoso segredo... Os manipuladores secretos da
Revolução Francesa haviam jurado derrubar o Trono e o Altar sobre o
túmulo de Jacques de Molay (líder Templário que foi morto pela intriga
da coroa e igreja da França, na Idade Média).”

De acordo com Louis Blanc em História da Revolução


Francesa, 1848, Cagliostro foi iniciado em Frankfurt, 1781, sob
autoridade dos “Grandes Mestres dos Templários”, os Iluminatti
de Weishaupt, de quem ele recebeu instruções e fundos para levar a frente suas intrigas
diabólicas contra Maria Antonieta na preparação para a tomada posterior do poder através das
Lojas do Grande Oriente iluminadas. Falando dos projetos de Weishaupt, Louis Blanc escreveu:

“Pela simples atração ao mistério, pelo simples poder da associação, submeter à mesma
vontade, animar com o mesmo sopro milhares de homens em cada país do mundo... fazer desses seres,
novos homens por lenta e gradual educação, transformados, até ao ponto do frenesi ou mesmo até a
morte, obedientes aos Chefes Desconhecidos e invisíveis. Com tal legião secretamente pesando sobre a
Corte, cercando os soberanos, sem o conhecimento direto dos Governantes, e para levar a Europa ao
ponto onde toda a superstição seja aniquilada, todos os monarcas derrubados, todos os privilégios por
nascimento declarados injustos, o direito a propriedade abolido, tal era o plano gigantesco dos
fundadores do Iluminismo.”

Em Ortodoxia Maçônica, 1853, o judeu e autoridade Maçônica, J.M. Ragon, dá detalhes


dos dois graus da Ordem “Juízes Filósofos Desconhecidos”, um regime Templário. Ele os coloca
como pertencentes, provavelmente, à “Ordem de Cristo”, a qual após a supressão dos
Templários foi constituída em Portugal pelo Rei Denis e na qual, Templários reformados eram
admitidos, sem, entretanto, suas imunidades anteriores e completamente dependentes da
Cabeça do Estado. Admite-se que os Templários modernos tenham usado o véu da Maçonaria
para melhor espalharem suas idéias, que são Maçônicas apenas na forma. A jóia do adepto é
uma adaga e seu trabalho a vingança. O grau de Noviço desses “Filósofos Desconhecidos” é o
primeiro no último grau da Maçonaria-Kadosh, 30º grau – o irmão tem de ser pelo menos
Rosacruz 18º grau e estar instruído na arte real. O Presidente se dirige ao adepto:

“… Voce foi objeto de nossa longa observação e estudo... assim que você tomar posse de suas
novas obrigações voce deixará de pertencer a si mesmo, até sua vida terá se tornado propriedade da
Ordem. Professará a mais absoluta obediência, a completa abnegação de sua vontade, a execução
imediata, sem reflexão, das ordens as quais lhe serão transmitidas por parte do Poder Supremo, esses são
seus principais deveres. As mais terríveis punições estão reservadas para os perjuros... e quem é um
perjuro aos olhos da Ordem? Aquele que mesmo nas coisas mais simples infringe as ordens recebidas de
seu Chefe ou se recusa a executá-las, pois nada é sem importância para a sublime Ordem... Seu trabalho
no futuro será o de formar homens... Voce tem de aprender aqui como os pés e mãos daqueles que
usurpam os direitos dos homens podem ser atados, você tem de aprender a governar os homens e
dominá-los não pelo medo, mas pela virtude (sic). Voce tem de consagrar-se completamente à Ordem a
qual se submeteu para restabelecer o homem à sua dignidade primitiva... O governo Secreto, mas não
menos poderoso, tem de conduzir os outros Governos em direção a esse nobre objetivo sem, entretanto,
permitir que seja percebido, a não ser pelo consentimento universal da sociedade. Existe um considerável
numero de irmãos, estamos espalhados até as terras mais distantes, todos conduzidos por uma força
invisível... se você deseja ser apenas um perjuro e um falso irmão, não se confirme entre nós, você será
amaldiçoado e infeliz, nossa vingança o atingirá aonde quer que vá.”

Se ele hesitava, ele era vendado e levado embora, se ele consentia, tomava as
obrigações e era recebido. Após três anos de estudos e preparações, o grau final de Juiz-
Comandante poderia ser concedido. Ele então tomava uma nova obrigação na qual jurava
trabalhar na propagação da Ordem e na sua segurança, obedecer a seus Superiores
irrestritamente, sendo eles seus conhecidos ou não. Finalmente lhe era dito:

“Voce jura e promete guardar invioláveis os segredos que vou agora confiar-lhe; nunca perdoar
traidores, e submetê-los ao destino que a Ordem reserva para eles... Guardar-se dos excessos do vinho,
da mesa e mulheres, as causas comuns das indiscrições e fraquezas” (no caso, trair os segredos da
Ordem).

No final desses dois graus um resumo da historia da destruição dos Cavaleiros


Templários era lida para o adepto. Era dito:

“Não se pode mais negar que em tempos anteriores não reconhecíamos mais de cinco graus de
conhecimento. O numero de vinte e cinco e trinta e três que formam o arcabouço da Maçonaria Escocesa
é o resultado do amor às inovações ou produto de elevadas auto-estimas; porque é certo que dos trinta e
três degraus praticados nos dias de hoje, vinte e oito são apócrifos que não merecem qualquer
confiança.”

Em suas regras, Artigo 32, é dito:

“As penalidades contra os irmãos que sejam culpados de qualquer ofensa são: reprimenda,
expulsão, e até penas mais graves se o crime comprometer a Sociedade. Sentenças dessa natureza não
podem ser executadas sem a confirmação do julgamento pelo Poder Supremo.”

No discurso final sobre o destino infeliz dos Templários, o Chefe dos Filósofos
Desconhecidos dizia:

“... Como o numero de Templários que escaparam das espadas assassinas das perseguições era
muito pequeno, e para que pudessem vingar esse crime abominável do qual foram vítimas, foi necessário,
para reparar as perdas, que admitissem na Ordem homens de mérito reconhecido que foram procurados
e encontrados entre os Maçons... A iniciação da Ordem foi oferecida e avidamente aceita, e em troca os
Templários foram iniciados nos mistérios Maçônicos.”

Para concluir, damos duas passagens de Le Couteulx de Canteleu, que em seu livro tão
bem documentado se refere aos Templários:
“Longe de mim, certamente, defender os procedimentos cruéis dos quais foram vítimas muitos
membros da Ordem e a tortura aplicada nos interrogatórios. Longe de mim acreditar nos absurdos dos
quais eles eram acusados. Mas em meio a todas essas crueldades e infâmias, a base das acusações eram
verdadeiras. Eles sabiam disso e isso fez com que mais de 300 membros que ainda não tinham sido
submetidos às torturas, admitissem fatos os quais nos parecem tão extraordinários, mas que eram
compreendidos quando se conhecia a fundação de sua doutrina, revivida das iniciações Egípcias e
Hebraicas, e também, suas afiliações aos Maçons do Oriente (os Assassinos), e os vícios que os Grãos
Mestres permitiram ser introduzidos na Ordem, como meio talvez, de aumentar seu poder.”

Ele também considerava como positivo o fato do templário Guillaume de Monthard ter
recebido a iniciação Maçônica do Velho Homem na Montanha, em uma caverna do Líbano, e
que os Assassinos mantinham as crenças Ophitas e eram adoradores da serpente, Baphomet!
Também ele diz que o Papa Clemente V demorou em acreditar nessa heresia formidável:

“Apenas depois do interrogatório de setenta e dois Cavaleiros em sua presença, como um


homem interessado em achá-los inocentes, sem extrair deles nenhum juramento, mas resposta às
perguntas feitas. Foi apenas depois que suas admissões foram feitas na presença de tabeliães, que o Papa
reconheceu a culpa e revogou a suspensão da ordem (que havia sido ordenada anteriormente pelos
Bispos), permitindo que eles fizessem arranjos com Philippe Le Bel, para que pudessem ir a julgamento.”

CAPÍTULO IV

OS ILUMINNATI DE WEISHAUPT E A REVOLUÇÃO FRANCESA

Escrevendo sobre os Iluminatti em seu Ensaio sobre a Seita dos Iluminados, publicado
em 1789, o Maçom de Luchet diz:

“Existe certo número de pessoas que chegaram ao mais alto grau de impostura. Eles conceberam
um projeto para reinar sobre as opiniões, e para conquistar não reinos ou províncias, mas a mente
humana. Esse projeto é gigantesco e tem algo de loucura, o que não causa nem alarme nem incomodo,
mas quando entramos nos detalhes, quando percebemos o que passa diante de nossos olhos, quando
percebemos uma revolução repentina que favorece a ignorância e a incapacidade, e vemos os princípios
escondidos, temos que olhar a causa disso. E quando vemos que um sistema revelado e conhecido explica
todos os fenômenos que se sucedem com rapidez terrível, somos forçados a acreditar!... Observe que os
membros da Confederação Mística são numerosos o bastante, mas não são tantos quanto o numero de
homens que devem enganar... Para compreender essa proporção temos de entender a idéia da força de
homens reunidos (como comandava Mazzini: Associem-se! Associem-se!). Uma linha não consegue
levantar um quilo de peso, mas milhares de linhas podem levantar a ancora de um navio... o homem
também é um ser fraco, imperfeito... mas se misturarmos meias-qualidades dos homens e temperá-los,
eles se fortalecem... o fraco torna-se forte, o mais hábil toma de cada um, o que ele tem a oferecer.
Alguns observam enquanto outros agem, e esse formidável arranjo atinge seu objetivo, qualquer que seja
ele... Foi de acordo com esse preceito que a seita dos Iluminatti foi formada. Ninguém pode, é fato, dizer
quem foram os fundadores ou provar desde quando a seita existe, ou ainda descrever os passos de seu
crescimento, pois sua essência é o segredo. Seus atos ocorrem na escuridão, seus evasivos Grandes
Sacerdotes estão perdidos na multidão. Entretanto, ela penetrou em coisas suficientes para surpreender
e tomar a atenção dos observadores, amigos da humanidade, até encontrar os passos de seus sectários.”

De acordo com o livro de R. Le Forestier, Os Iluminados da Bavária e a Maçonaria


Alemã, 1914, Jean Adam Weishaupt, fundador da Ordem dos Iluminatti, nasceu em Ingolstadt,
Bavária, em 6 de fevereiro de 1748. Desse mesmo livro citamos os seguintes detalhes: seu pai,
que era professor na Universidade da Bavária, se casara com uma sobrinha de Mme. Ickstatt, de
quem o marido era o Curador da mesma Universidade.

Em 1756 o Barão Ickstatt garantiu uma bolsa de estudos para seu filho Adam, no Colégio
Jesuíta de Ingolstadt, que entrou na Universidade aos quinze anos como estudante de Direito e
também estudou a literatura dos filósofos ateístas da época. Os eleitores da Bavária eram de fé
católica e Ingostadt tornou-se gradualmente uma fortaleza da educação Jesuíta desde 1556 até
que foram suprimidos por Clemente XIV em 1773, mas mesmo assim, pela falta de outros
homens qualificados, eles foram mantidos em suas cadeiras de Teologia. A Universidade de
Ingolstadt e todas as escolas secundárias equivalentes da Bavária estavam nas mãos dos
Jesuítas. Foi em 1775 que Weishaupt, então professor de Lei Canônica em Ingolstadt, “planejou
uma associação na qual ele fosse o lider... a qual se oporia as forças das superstições e mentiras
reunidas nos grupos (religiosos), de forma cada vez mais libre-pensée e progressista.”

Ele e seus colaboradores acreditavam “que os adversários


de todo o progresso, intelectual e moral, eram os padres e
monges... desejosos de lutar contra a Religião de Estado, e acima
de tudo, contra os soldados mais vigilantes do Catolicismo, os
Jesuítas, era necessário manter a existência da Ordem no
anonimato... Historiadores que viram na Ordem dos Iluminatti
uma máquina de guerra inventada por um ex-pupilo dos Jesuítas
para lutar contra eles com suas próprias armas, não estavam longe
da verdade. Rene Fiilop-Miller, em seu livro O Poder e Segredos
dos Jesuítas, 1930, apóia essa opinião. Ele nos conta que os
Enciclopedistas “usaram muitas idéias dos Jesuítas para construir uma filosofia revolucionária
inimiga a todas as crenças da Igreja.”

Ele diz:

“Além dos Maçons, surgiu uma associação semelhante, a ‘Ordem dos Iluminatti’, cuja intenção
desde seu início era a de uma organização anti-Jesuíta. Seu fundador, Weishaupt, um professor de
Ingolstadt, odiava profundamente os Jesuítas, e formou a liga Iluminatti com a intenção expressa de ‘usar
para bons fins os meios que a ordem Jesuíta empregava para o mal’; esses meios consistiam
principalmente na introdução de um compromisso de obediência incondicional, reminiscente da
Constituição de Loyola; de abrangente vigilância mútua entre os membros da ordem; e um tipo confissão
auricular, que cada membro tinha de fazer a seu superior.”

Sobre o poder Judeu nas sociedades secretas, Bernard Lazare, em O Antisemitismo,


1894, escreve:

“É certo que havia Judeus no berço da Maçonaria – judeus cabalistas, como se comprova em
certos ritos; muito provavelmente nos anos que precederam a Revolução Francesa entraram em grande
número nos conselhos da sociedade, e fundaram eles mesmos, sociedades secretas. Havia Judeus em
torno de Weishaupt; e Martinez de Pascaly, um judeu de origem portuguesa, organizou numerosos
grupos de Iluministas na França.”
Em um número de A Velha França, 31 de Março-6 de Abril, 1921, declarou-se que cinco
judeus estavam envolvidos na organização e inspiração dos Iluminatti - Wessely, Moses
Mendelssohn, e os banqueiros Itzig, Friedlander e Meyer. Mais adiante, curiosamente
encontramos que o importante Iluminatus Mirabeau, sob a influência dos discípulos de
Mendelssohn, escreveu o livro Sobre Moses Mendelssohn; sobre a Reforma Política dos Judeus,
1787. A Maçonaria terminou por exercer um papel considerável na Ordem dos Illuminati.
Weishaupt se afiliou a Maçonaria em 1777 e em 1778 decidiu ligar sua Ordem a ela. Nos
Grandes Mistérios dois graus eram extremamente importantes, os de Sacerdote e Regente. “O
Colégio de Sacerdotes deveria constituir um seminário de ateístas... o grau de Regente
correspondia na política ao de Sacerdote na religião.”

“Weishaupt, entretanto, considerou o primeiro como “incomparavelmente menos


importante que o último.” O encontro de cúpula da hierarquia era o Conselho Supremo do
Colégio dos Aeropagites, mantido de acordo com Weishaupt, em Munique, sendo composto de
sete membros, três dos quais eram diretores. Junto com outras normas, Weishaupt, estabeleceu
que sem permissão especial, “judeus, pagãos, mulheres, monges e membros de outras
sociedades estavam excluídos da Ordem.” Com relação aos Judeus, Louis Dasté fala de
documentos que mostram que apesar das primeiras Lojas Maçônicas Inglesas admitirem todas
as religiões, posteriormente, os chefes secretos da Maçonaria na Holanda, Alemanha e França,
devido a obstáculos transitórios, reservou suas Lojas apenas para Cristãos. Mas, no Congresso
de Wilhemsbad, 1782, resolveu-se que os Judeus não poderiam mais ser excluídos. Existe,
entretanto uma grande quantidade de evidências que provam a influência dos Judeus sobre e
por trás de todas as sociedades secretas, como Disraeli disse em Lothair em 1870:

“Se voce entende por liberdade política os esquemas dos Iluminatti e da Maçonaria os
quais torturam o Continente incessantemente, através de todas as conspirações obscuras das
sociedades secretas, então eu admito que a Igreja antagonize com tais aspirações de liberdade...
Os poderes civis se separaram da Igreja… A escolha não foi deles; eles foram forçados a isso por
um poder invisível que é anticristão, o qual é o verdadeiro, natural e implacável inimigo da Igreja
Universal visível.”

Em Maria Antonieta e o Complô Maçônico, 1910 Louis Dasté cita uma brochura rara, O
Papel da Maçonaria no Século XVIII, de F. Brunelliere, o qual diz:

“Weishaupt ansiava por nada menos que a completa destruição


da autoridade, nacionalidade e de todo o sistema social, em outras
palavras, a supressão da propriedade, etc... Quanto a seu princípio, esse
era o da obediência cega e absoluta, espionagem universal, os fins
justificam os meios. Esse sistema de conspiração tão fortemente
organizado e que sublevaria o mundo, espalhou-se pela Alemanha onde
tomou praticamente todas as Lojas Maçônicas. Weishaupt enviou à França
Joseph Balsamo, chamado Conde Cagliostro, para iluminar a Maçonaria
Francesa. Em 1782 ele promoveu o Congresso de Wilhelmsbad para o qual
foram convocadas todas as Lojas alemãs e estrangeiras... Em 1785 os
Iluminatti se revelaram ao Governo da Bavária, o qual, aterrorizado,
apelou a todos os Governos, mas os Princípes Protestantes demonstraram
pouca vontade em suprimi-los. Weishaupt encontrou refúgio com o Príncipe da Saxe-Gotha. “Ele cuidou
de não contar tudo ao Príncipe ou até mesmo a muitos iniciados, ele ocultou deles o apelo à força das
massas como também a Revolução” (informativo Maçonico, A Ordem de Nantes, 23 de Abril de 1883).

As suspeitas do Governo da Bavária, de acordo com Le Forrestier, aumentaram muito, e


buscava-se continuamente por documentos de Zwack que o conectasse com a Ordem. Foram
encontrados e confiscados documentos em duas ocasiões, na posse de Bassus. O Eleitor – o
Príncipe ordenou que os documentos fossem publicados como se segue:

Em 26 de Março de 1787:

1. “Alguns documentos originais da Ordem dos Iluminatti foram encontrados na casa de Zwack,
ex Conselheiro Governamental, durante uma busca feita em Landshut em 11 de Outubro de 1786 e
publicados por ordem da Alteza Eleitoral.”

O Prefácio convidava a todos que duvidassem da autenticidade dos documentos a irem


aos Arquivos Privados, onde os originais poderiam ser vistos.

2. “Suplementos aos documentos originais relativos à Seita dos Iluminatti em geral e a seu
fundador Adam Weishaupt em particular, ex-professor em Ingolstadt, documentos encontrados no
Castelo do Barão Bassus em Sandersdorf durante a busca realizada nesse celebrado esconderijo dos
Iluminatti, publicados imediatamente por ordem do Eleitor e depositados nos Arquivos Privados para
serem examinados por todos aquele que o desejem.” (Duas Partes, Munique, 1787)

Exterminados externamente, os Iluminatti continuaram minando subterraneamente.


Como dito por Cretineau-Joly, Cardeal Caprara, em suas memórias confidenciais, em Outubro de
1787: “O perigo se aproxima, pois, dos sonhos loucos do Iluminismo, Swedenborgismo e
Maçonaria, se desenvolverá um realidade aterradora. Os visionários tiveram seu dia, a
revolução que eles predizem terá seu dia.”

Foi na loja dos Amigos Reunidos que Mirabeau e Bonneville introduziram os Illuminati
de Weishaupt. Um de seus chefes era o famoso revolucionário Savalette de Langes, Guardião do
Tesouro Real, mas em segredo profundamente envolvido em cada mistério e cada loja, e em
todos os planos contra a religião e a Realeza. Eles se chamavam Philalethes – buscadores da
verdade; era uma forma de Martinismo e, de acordo com Clavel, levava a uma deificação do
homem, sendo uma mistura dos dogmas de Swedenborg e de De Pasqualis. Para encobrir suas
intrigas, Savallete de Langes, de tempos em tempos, permitia o ingresso nas Lojas, de adeptos e
irmãos e irmãs de alto escalão, que dançavam e cantavam igualdade e liberdade, enquanto
desconheciam que na Loja superior estava o comitê secreto, guardado abaixo e acima por dois
irmãos terríveis. Entre os membros principais do comitê estavam Willermoz, Chappe de La
Heuziere, Mirabeau, Conde de Gebelin e Bonneville. Lá, a correspondência codificada do Grande
Oriente era recebida por Savalette de Langes e trabalhada pelo comitê. Para serem admitidos a
esses conselhos, eles tinham de jurar como Cavaleiros do Sol, ódio à Cristandade e como
Cavaleiros Kadosch, ódio à Coroa e ao Papado. Eles tinham um ramo em Paris que era
freqüentado por Saint-Germain, Raymond, Caliostro, Condorcet, Dietrich, os irmãos Avignon e
estudantes de Swedenborg e Saint-Martin. Externamente passavam como charlatães,
visionários, invocadores de espíritos que faziam prodígios, enquanto secretamente buscavam
por cúmplices nas Lojas Maçônicas.

Junto com os principais discípulos de Weishaupt, Mirabeau foi iniciado em Brunswick


nos Mistérios finais do Iluminismo. Ele já sabia do valor da Maçonaria nas revoluções e quando
retornou a França, introduziu esses mistérios entre os Philalethes. Decidiu-se então iluminar as
lojas da França e para esse propósito foram enviados os Iluminati Bode ou Aurelius e o Barão de
Busque ou Bayard, pupilo de Knigge, como assistentes. Depois de muita discussão resolve-se
adotar os mistérios Bávaros sem mudar as velhas formas das lojas, iluminar sem revelar o nome
da seita de onde os mistérios eram recebidos e apenas usar o código de Weishaupt se fosse para
deslanchar a revolução. (Le Couteulx de Canteleu).

A partir disso os ânimos políticos se acentuaram, um novo grau foi acrescentado,


preservando os ritos e emblemas Maçonicos, e assim, espalhado pelas províncias. A aliança mais
próxima foi concluída e uma Convenção geral dos Maçons na França e no estrangeiro foi
convocada pelo comitê secreto em 15 de Fevereiro de 1785. Savalette de Langes foi eleito
prsidente, e entre os deputados estavam: Saint-Germain, Saint-Martin, Etrilla, Mesmer,
Cagliostro, Mirabeau e Talleyrand, Bode, Dalberg, o Barão de Gleichen, Lavater, o Principe Louis
Hesse e também deputados da França, e seu comitê tinha jurisdição e lojas da ordem em 282
cidades na França e no estrangeiro (Mirabeau). Nesse Congresso da Revolução Francesa e
através de sua propagação pela Europa, foi resolvido até o decreto de execução da realeza.

Segundo Mirabeau, o papel do povo na revolução foi assim descrito em suas Memórias
de Marmontel:

“Será que devemos temer a grande parte da nação que não conhece nossos projetos e pode não
se dispor a nos apoiar? Se eles nos desaprovarem será apenas timidamente, sem clamor. Para o resto,
será que a nação sabe o que quer? Nós os faremos querer e dizer o que eles jamais imaginaram...A nação
é um grande rebanho que pensa apenas em pastar e com bons cachorros os pastores o levam a onde
querem… Alguem deve se impor sobre os burgueses que não tem nada a perder mas tudo a ganhar por
sorte. Como motivação existem poderosos razões: pobreza, fome, dinheiro, rumores alarmantes e medo,
o frenezi do terror e a raiva com a qual atacaremos suas mentes... O que faremos com todas essas
pessoas enquanto amordaçamos seus princípios de honestidade e justiça? Homens bons são fracos e
tímidos; os vilões é que são determinados. É vantajoso para as pessoas, durante revoluções, que não
tenham moral... não há um única de nossas velhas virtudes que possa nos servir... Tudo o que é
necessário à revolução, tudo o que é útil a ela é apenas o grande princípio.”

No início da revolução um manifesto foi emitido pelo comitê do grande Oriente


endereçado a todas as Lojas e Conselhos Maçonicos, para ser usado em toda a Europa. Consta
de seu conteúdo:

“todas as lojas estão intimadas a unir seus esforços para a manutenção da revolução, buscar por
seguidores, amigos e protetores, para propagar sua chama, atiçar os espíritos, excitar o zelo e ardor por
ela e seu poder, em todos os países e de todas as formas.”
Após receberem o manifesto, idéias anti Monarquistas e Republicanas se tornaram
dominantes em todos os lugares, e idéias anti religiosas foram usadas para minar
nacionalidades. (Deschamps, As Sociedades Secretas e a Sociedade, vol II).

O Judeu e alto Maçon, Cremieux, fundador e presidente da Aliança Israelita Universal,


disse em seu manifesto, 1860:

“A rede que Israel lança agora sobre o globo terrestre aumenta e se extende… Nosso poder é
imenso, aprenda a usar esse poder para sua causa. O dia não está longe quando todos os ricos, todos os
tesouros da terra, se tornarão propriedade das crianças de Israel.”

Em seu livro Maria Antonieta e o Complô Maçonico, Louis Daste mostra como a rede se
espalhou antes e depois da Revolução Francesa de 1789. Ele escreve: “De 1774 a 1783 vimos a
Maçonaria cobrir Maria Antonieta incessantemente com a lama de seus panfletos. Chegara a
hora da seita desfechar o golpe com o qual a Rainha morreu.”

Foi o Caso do Colar que foi, de acordo com G. Bord, “organizado pelas Seitas
Observancia Estrita e Amigos Reunidos de Paris.” “O Judeu Cagliostro”, disse o ex Maçon Doinel
33º , “foi o desprezível agente dessa intriga na qual a popularidade da Rainha afundou e o
prestígio do desafortunado Louis XVI foi arruinado. Louis Blanc escreveu, 1848:

“A inciação de Cagliostro aconteceu a pouca distancia de Frankfurt em uma caverna


subterrânea... (mostraram a ele) um livro manuscrito no qual podia-se ler na primeira página: Nós os
Grão Mestres dos Templários; seguido por um juramento escrito em sangue. O livro... mantinha que o
Iluminismo era uma conspiração planejada contra tronos, que os primeiros ataques ocorreriam na França,
que após a queda da Monarquia Francesa eles atacariam Roma. Cagliostro aprendeu com seus iniciadores
que a sociedade secreta da qual ele de agora em diante pertencia, possuía uma enorme quantidade de
dinheiro espalhada em bancos de Amsterdam, Rotterdam, Londres, Genova e Veneza... Foi entregue a ele
uma grande soma destinada às despesas de propaganda, recebida com instruções da Seita, e assim partiu
para Estrasburgo.”

Nos selos da Loja fundada por ele em Lion, havia três letras
L.P.D. – Lilia pedibus destrue, pisotear e esmagar os lírios (os
Bourbon). (veja Bernard Picard, ritual, 1809). Essa era então sua
diabólica missão. Assim, quando Caligostro chegou em Estrasburgo,
1781, seu primeiro cuidado foi colocar suas ferramentas em ação. O
Cardeal Príncipe de Rohan, enganado por ele e a Condesa de La
Motte, sua cúmplice, foram apresentados um ao outro, sendo que a
Condesa que se encontrava em situação difícil foi aconselhada pelo
Cardeal a falar diretamente com a Rainha, e ao mesmo tempo, ele
confessou suas ambições e contrariedade em relação a rainha que se
recusava a recebê-lo. À partir disso Mme. de La Motte, fingindo
estar em contato com a Rainha, sob as instruções de Caligostro, agiu como intermediária numa
correspondência forjada,entre a Rainha e o Cardeal. Essa correspondência tratava da
restauração do Cardeal junto aos favores Reais e a realização de suas ambições, mas o que se
intensionava era manchar a reputação e comprometer a Rainha sem que ela soubesse. Nada era
feito sem que Cagliostro fosse consultado. Em Maio, Junho e Julho de 1784, as cartas forjadas se
multiplicaram, escritas por Retaux de Villette e ditadas por Mme. de La Motte. Assim, à meia
noite de 2 de Agosto, aconteceu a suposta entrevista no parque de Versailles ente a Rainha e o
Cardeal. Nicole d’Oliva vestida como a Rainha, assemelhava-se muito a ela, e o cardeal acreditou
ter visto e falado com Maria Antonieta. A seguir duas cartas forjadas pediam a ele que
arranjasse 60.000 livres como presentes para a Rainha, ambas as somas foram emprestadas ao
Cardeal pelo Judeu Cerfberr. O dinheiro foi retido por Mme. de La Motte!

Em Dezembro, após ter entrado em contato com o joalheiro da Corte, Boehmer, que
estava ansioso por vender um colar de diamantes no valor de 18.000 livres, La Motte
demonstrou interesse em comprá-lo da para si mesma. Seguiram-se mais cartas forjadas da
Rainha, junto com um conselho de Cagliostro que reassegurava o Cardeal e então em 1º de
Fevereiro de 1785, as negociações com Boehmer se completaram e o colar foi entregue a Mme.
de La Motte. As finíssimas pedras foram vendidas em Londres por seu marido. Boehmer não
recebeu o primeiro pagamento de 100,00 ecus que deveria acontecer em 30 de Julho e então
percebeu a fraude. A Rainha foi informada de tudo e em Agosto, o Cardeal, Mme. de La Motte e
Cagliostro foram presos, mas não antes de terem queimado a maioria das cartas
comprometedoras. O Rei ofereceu ao Cardeal o cargo de Juiz, mas ele não aceitou. Assim eles
foram julgados pelo Parlamento, que era amplamente Maçonico. O Cardeal e Cagliotro foram
absolvidos, Mme. de La Motte foi condenada a ser banida como ladra, espancada e obrigada a
se calar, mas foi secretamente auxiliada numa fuga.

De Londres ela travou uma campanha para caluniar Maria Antonieta; em 1788 publicou
sua Memória Justificatória, formada, segundo de Nolhac, de raiva e mentiras, arrastando a
Rainha pela lama da infâmia. O livro foi quase compeltamente retocado por M. de Calonne num
ódio fermentado contra a Rainha, a quem ele culpava por seu fracasso como Ministro. Em 1789
apareceu a Segunda Memória Justificatória, novamente atribuída à repudiada Mme. de La
Motte, o qual excedia-se em imundícies e veneno. Aí, seguiu-se uma avalanche de panfletos
indecentes, todos baseados na Memória com o duplo objetivo de vilificar a Rainha e sujar as
mentes com imagens imundas, matando por antecedência a piedade dos corações do povo e
dos carrascos da Rainha – Lilia pedibus destrue. Mas com tudo isso Cagliostro se acabou e o
Poder Secreto, temendo que ele revelasse alguma coisa, o faliu sem misericórdia e forçou-o
assim a deixar Londres. Passou a ser perseguido por toda Europa e foi finalmente preso em
Roma pela Policia Pontificial. Após longo julgamento, anotado em Vie de Joseph Balsaro, 1791,
ele foi condenado a morte, reduzida a prisão perpétua e morreu em 1795. Mme. de La Motte
terminou sua vida em sofrimento terrível e abandonada por todos, em 1791, num sótão
deplorável de Londres. O Poder Secreto não tendo uso para ferramentas quebradas, deixou de
protegê-los.

Em A Revista, de 1º de Março de 1909, o editor escreveu sobre um panfleto indecente,


O Marquez de Bacalhoa, publicado em Fevereiro de 1908, um mês antes do assassinato de Don
Carlos:
“Foi publicado na forma dos romances que apareceram em torno de 1780 sobre a vida privada
de Louis XVI e Maria Antonieta... enlameava o Rei e não poupava nem a Rainha Amélia de Portugal... As
páginas consagradas à Rainha eram um tecido de mentiras infames...”

E a Revolução Portuguesa de 1910 foi trabalho dos Judeus da Aliança Israelita Universal
unida à Maçonaria. Novamente Proudhon escreve:

“Que mistérios de iniqüidade seriam revelados se os Judeus, como os espiões, não fizessem
questão de trabalhar nas sombras.”

LIVRE - MAÇONARIA FRANCESA

A Livre Maçonaria, originada e organizada na Inglaterra,


onde os Cabalistas Judaizantes da Rosa Cruz a tinham enxertado
nas Antigas Corporações de Trabalhadores Maçons, foi
introduzida em toda a Europa entre 1725 e 1730. E como de
Poncis escreve: “Na França, onde as mentes fermentavam, a Livre
Maçonaria encontrou um terreno favorável e sob a dupla
influência dos Enciclopedistas e dos Illuminati da Baviera, evoluiu
rapidamente ao ponto de se tornar um dos elementos preponderantes dos grandes movimentos
revolucionários de 1789.” No relatório do encontro das Lojas Paz e União e A Livre Consciência,
no Oriente de Nantes, em 23 de Abril de 1883, foi dito: “Foi entre 1772 a 1789 que a Maçonaria
elaborou a grande Revolução que mudaria a face da terra... Foi então que os Livres Maçons
popularizaram as idéias que haviam absorvido em suas Lojas” (ver Dasté). Dasté acrescenta: “De
fato, foi em 23 de Dezembro de 1772, que a formação do Grande Oriente foi proclamada. Nesse
dia, ocorreu uma concentração de todos os ramos Maçonicos para tomar de assalto a França.”
Ragon, a autoridade Maçonica Judaica, nos conta que nessa data foi “solenemente
declarado que a antiga Grande Loja da França deixava de existir e fora substituída pela nova
Grande Loja Nacional que seria parte integral de um novo corpo que administraria a Ordem, sob
o nome de Grande Oriente da França” (Ortodoxia Maçonica, 1853).

E em Verdade Israelita, 1861, foi escrito: “O espírito da Maçonaria é o espírito do


Judaismo em suas crenças mais fundamentais.”

“Assim é, portanto,” - escreve Freiherr von Stolzinger, 1930 – “perfeitamente compreensível que
o Judaismo tenha se inclinado para a Livre Maçonaria desde o início, e que, graças a seu incrível poder de
adaptação, se tornou uma influência crescente dentro dela. Dificilmente se erra ao afirmar que a grande
maioria das Lojas hoje estão submetidas à influência Judaica e que elas formam as tropas de assalto
espirituais do Judaismo.”

Finalmente, como explicado no Freinnaurer-Zeitung, de 15 de Dezembro de 1866:

“Em uma palestra sobre os elementos religiosos da Livre Maçonaria… F. Charles de Gargen
declarou o seguinte: Estou firmemente convencido que chegará o tempo no qual o ateísmo será a opinião
geral da humanidade, e o Deísmo será coisa do passado, assim como os Livres Maçons Deístas estão
acima de qualquer divisão religiosa. Devemos nos colocar acima não apenas de diferentes religiões como
também acima da crença em qualquer Deus.”

GRAU MAÇONARIA AZUL

A seguir faremos uma breve descrição dos Graus mais importantes da Maçonaria do
Grande Oriente: os graus Maçonaria Azul, Rosa Cruz e Kadosh são praticados na França. Neles
encontramos as mesmas idéias panteístas e naturalistas como expressadas por seu simbolismo.

De acordo com Bazot, Secretário Geral do Grande Oriente, 1812:

“A Maçonaria é meramente um culto primitivo, que surge assim que as necessidades básicas do
homem são satisfeitas. Os sacerdotes Brahmas e Egípcios transmitiram esses mistérios a Salomão. Com a
destruição de Jerusalém causada por revoluções, a dispersão do povo Judeu ocasionou também a
dispersão da Maçonaria por toda a Terra.”

O lugar do homem nesse culto é assim expressado no documento oficial da Maçonaria


Holandesa: unidade sagrada reina e governa no vasto firmamento. Há apenas uma missão, uma
moral, um Deus… nós, homens, formamos um todo com o Grande Ser. Tudo termina nessa
revelação: Nós somos Deus!” Aqui encontramos a idéia panteísta do Judaísmo, sua raça e seu
Deus Jeová. Como Claudio Jannet e Louis d’Estampes escreveram em A Franco-Maçonaria e a
Revolução, 1884:

“Essa deificação da humanidade não é colocada abertamente pela Franco-Maçonaria, em


princípio, mas é insinuada em todos seus ritos e expressada em todos seus símbolos. Um grande templo
está sendo construído, aprendizes, artesãos e Mestres trabalham nele; Hiram ou Adoniram, um desses
Mestres, é morto por três artesãos para que obtenham a palavra de Mestre; o corpo de seu Mestre,
escondido na terra, deve ser encontrado e substituído e sua morte deve ser vingada; a construção deve
continuar e ser concluída; essa é a alegoria universal fundamental, a base e a essência da Franco-
Maçonaria e de todas as sociedades secretas. Assim estabelecem todos seus ritos e manuais, assim
ensinam seus intérpretes e oradores. Essa alegoria é aplicada nos graus de Aprendiz e Artesão e é
desenvolvida durante o grau de Mestre, é completada e explicada nos graus Rosa Cruz e Kadosh, e nos
graus do rito Misraim atinge seu desenvolvimento final.”

Os três assassinos que devem ser perseguidos e exterminados são as superstições, os


preconceitos e a tirania; ou seja, religião, controle moral, monarquia e toda autoridade, família,
propriedade e nacionalidade.

Como já demonstramos anteriormente, a Franco-Maçonaria fora capturada por


Weishaupt, pouco antes da Revolução Francesa de 1789, e secretamente iluminada por alguns
de seus adeptos de nível superior. Dessa maneira Weishaupt tomou a direção de todas as lojas e
até os dias de hoje a marca de seu sistema pernicioso permanece entre eles e entre todos os
que de alguma forma estão ligados a eles. O pensamento fundamental desse sistema é
expressado pelo próprio Weishaupt:

“Igualdade e liberdade são direitos essenciais que o homem em sua perfeição primitiva original
recebeu da natureza. O primeiro ataque a essa liberdade foi feito pela propriedade. O primeiro ataque a
liberdade foi feito pelas sociedades políticas ou Governos. As leis civis e religiosas são o esteio do Governo
e da propriedade, assim, para que possamos restabelecer os direitos primitivos à igualdade e liberdade ao
homem, precisamos começar por destruir toda religião, toda sociedade civil e terminar por abolir a
propriedade.”

A isso, Claudio Jannet acrescenta: “Essas poucas linhas indicam a idéia raiz da Maçonaria
e de todas as sociedades secretas; o germe se encontra nos graus simbólicos, é desenvolvido
cientificamente nos graus mais elevados e brutalmente concluído no comunismo da
Internacional e no anarquismo de Bakunin e na democracia Socialista.” E nós acrescentamos,
ainda: no Sistema soviético da Rússia dos dias atuais, na Espanha, na América do Sul e outros
lugares, onde regimes totalitários tentam se implantar.

Em resumo, os três graus representam geração, putrefação e regeneração. O templo, o


templo da natureza, é mantido, com Clavel diz, por dois Pilares, “Boaz e Jakin, os princípios
geradores, o primeiro, a luz, a vida e o bem, o segundo a escuridão, a norte e o mal; eles
mantêm o equilíbrio do mundo.” É o dualismo dos Gnósticos, Maniqueístas, da Cabala Judaica
Mágica e de todos os mistérios ancestrais. Em cada grau um juramento de segredo é feito. No
primeiro grau, nem vestido nem ainda despido, o candidato entra como o homem da natureza
que receberá a luz; ele é a pedra bruta na qual deve trabalhar sob a direção de seus chefes, para
libertar a si mesmo dos preconceitos, vícios e superstições.

O Aprendiz então passa livre do Pilar Jakin para o Pilar Boaz, da ciência natural para a
sabedoria, à medida que adentra ao segundo grau, o Artesão, no qual aprenderá a conhecer a
letra G, o Deus da Maçonaria. Falando sobre a consagração do triângulo nas lojas, Ragon
escreve: “No centro há a letra Hebraica Yod, o espírito doador da luz, ou fogo, principio gerador,
representado pela letra G, a inicial da palavra God – Deus nas linguagens do norte, da qual o
significado filosófico é geração.” Ainda, de acordo com Ragon, o grau de Mestre representa
alegoricamente a morte do Deus-Luz, solar, filosófico ou a putrefação, já que a vida cessa, como
na palavra do grau Macbenac – a carne deixa os ossos e dela surge a forma regenerada.
Finalmente, como Ragon explica:

“O triângulo tem sempre significado Deus ou a natureza e as alegorias das verdades, as bases dos
primeiros mistérios, os sucessivos e eternos atos da natureza: 1. Que tudo se forma pela geração; 2. Que a
destruição se segue a geração em todos seus trabalhos; 3. E que a geração restabelece sob outras formas
os atos da destruição.”

Na Maçonaria revolucionária e nas sociedades secretas esse credo panteísta e cabalista


é aplicado a todos os aspectos da vida; velhas idéias e opiniões são destruídas, e outras, novas e
subversivas são insinuadas e absorvidas mais ou menos inconscientemente e estabelecidas;
crenças Cristãs são pervertidas e nulificadas; o homem, iluminado, se torna aparentemente seu
próprio redentor, e Deus, escravizado à hierarquia invisível – alguns acreditam que a kundalini é
o redentor do homem! Reis são destronados e substituídos por alguma forma desintegrante de
república ou democracia socialista. É a morte de todas as antigas tradições e civilizações, e do
caos inevitável e da putrefação surgirá “Um Novo Céu e uma Nova Terra,” a Fraternidade
Universal de todas essas seitas subversivas judaicas.
GRAU ROSA CRUZ

Como Gaston Martin nos conta: “Todos os Franco-Maçons das três obediências
pertencem ao que em política se chama “a Esquerda”. Os tons na doutrina não são capazes de
impedir o acordo reinante entre todos os membros. As três obediências são: O Grande Oriente,
a Grande Loja e a Droit Humain.

“Como os três graus da Maçonaria comum (Louis Blanc), incluem um grande número de homens
de posições e princípios opostos à subversão social, os inovadores multiplicaram os degraus da escada
mística a ser subida; eles criaram lojas secretas reservadas para as almas ardentes; eles instituíram graus
elevados de eleitos, cavaleiros do sol, Rosa Cruz, Observancia Estrita, de kadosh ou homem regenerado,
santuários misteriosos nos quais as portas só se abrem após o adepto passar por uma série de testes
calculados para estabelecer o progresso de sua educação revolucionária, para provar a firmeza de sua fé,
para temperar seu coração. Não havia, porém, no meio dessa múltiplas práticas, algumas pueris, algumas
sinistras, nada que se relacionasse as idéias de liberdade ou igualdade” (História da Revolução Francesa).

No grau Rosa Cruz, ao iniciar a Sessão, a loja deve estar envolvida em vermelho, estando
ao Leste um altar triangular com uma das faces voltada para o Oeste. Nesse altar deve estar
uma grande pintura transparente representando o Calvário; duas cruzes dos lados (o bom e o
mal, a luz e as trevas dos Maniqueus), e no centro a rosa entrelaçada em drapeados. Acima dela
a inscrição I.N.R.I. Abaixo, em frente à pintura, pilares quebrados e nessas ruínas estão os
guardiães adormecidos; e no meio de tudo isso um tipo de túmulo do qual a pedra superior está
removida e saindo de dentro dele, um sudário. Quando há uma recepção, tudo isso deve ser
coberto por um pano preto salpicado de lágrimas. Deve haver também três grandes pilares
triangulares sobre os quais repousam as três virtudes: Fé, Esperança e Caridade, ou como Ragon
sugere: ativo, passivo e manifestação do Princípio Criativo.

Na abertura da Loja o “Tres-sage” (muito sábio), está sentado no terceiro dos sete
degraus do altar com cabeça apoiada em sua mão. Após as primeiras ordens ele diz: “Meu
irmão, você me vê sobrecarregado de tristeza; tudo mudou; o véu do templo está rasgado, os
pilares da maçonaria estão quebrados, a pedra cúbica sua sangue e água, o Mundo está
perdido, et consummatum est.” O primeiro e segundo cavaleiros são requisitados e com a ajuda
de outros cavaleiros valorosos, vão até aos pilares procurar pelo Mundo perdido. Então, cada
irmão sussurra no ouvido do outro que o Mundo foi encontrado e prestando homenagem ao
Arquiteto Supremo todos se levantam e se viram para o Leste, fazem um sinal e ajoelham. No
Leste está a Estrela Flamejante, o Delta e a letra G ou J, signo do fogo. A sessão é aberta.

O candidato preparado é levado até a loja, agora embrulhada em preto, e quando


questionado responde que ele é nascido de nobres pais da Tribo de Judá, seu país é a Judéia e
ele professa a arte da Maçonaria. Contam a ele que o Mundo está perdido e que esperam que o
Mundo seja encontrado através de sua coragem e o perguntam se ele está disposto a usá-la
para esse propósito. Consentido ele faz um juramento e finalmente, na loja agora toda vestida
de vermelho, ele responde a perguntas novamente e diz que veio da Judéia passando por
Nazaré, trazido por Rafael e que ele é da Tribo de Judá. Unindo as iniciais desse quatro nomes
ele forma I.N.R.I – ele encontrou o Mundo perdido. O candidato então se ajoelha aos pés do
altar e o “Tres sage” coloca sua espada na cabeça do candidato e o admite, o recebe e o
constitui agora e para sempre, Cavaleiro príncipe da águia e do pelicano, Maçon de Heredon
livre e perfeito, sob o título soberano da Rosa Cruz. Ele então se levanta e recebe o cordão, a
palavra, o sinal e o gesto; a Palavra é I.N.R.I (Recueil precieux, Avignon, 1810; Teissier, Manuel,
1854). Tal é o grau da Rosa Cruz do Rito Escocês. O rito Francês difere apenas no aspecto e
acessórios. As recepções dos graus Rosa Cruz acontecem nas Sextas-feiras Santas (Deschamps,
1881).

Algumas explicações sobre o simbolismo dadas pelo escritor judeu Ragon, autoridade do
“sagrado” Grande Oriente, em seu Cours philosophique, etc., 1841, são esclarecedoras:

“Três eventos principais chamam a atenção no grau Rosa Cruz: a criação do mundo (geração), o
dilúvio de Noé (destruição), e a redenção da humanidade (regeneração). Essa tripla consideração deveria
estar presente na mente de todos os Maçons, já que essa arte real como nos mistérios ancestrais, tem
como único objetivo o conhecimento da natureza, onde todos nascem, morrem e se regeneram... Essa
regeneração do homem foi e sempre será o trabalho da filosofia praticada nos mistérios... a águia é a
liberdade e a Rosa Cruz, a humanidade simbolizada pelo pelicano...A rosa era também o emblema da
mulher, e a cruz ou falo triplo, simbolizavam a virilidade ou o sol em toda sua força. A combinação desses
dois emblemas oferece mais um significado expressando, como o lingan indiano, a união dos dois sexos,
símbolo da regeneração universal... O Fogo (ou energia vital), está oculto em todos os lugares, envolve
toda a natureza, produz, renova, divide, consome e mantém o corpo todo... o calor e a luz são
modificações do fogo, são a fecundidade, o movimento e a vida, os efeitos das letras I.N.R.I. Essa
combinação formava um significado misterioso desde muito antes da Cristandade e os sábios da
antiguidade uniram a isso um dos grandes segredos da natureza; a regeneração universal.”

E assim se diz: Igne Natura Renovatur Integra – a natureza inteira é renovada pelo fogo.
Por fim, acontece a ceia:

“Todos os ritos místicos da antiguidade se encerravam com a partilha do pão e do vinho bebido
em uma taça comum, para relembrar a comunidade dos bens e que os iniciados não possuíam nada. O
pão e o vinho eram consagrados. Esse alimento místico, que deveria nutrir corpo e alma, era o emblema
da imortalidade.”

Forças ativas e passivas!

Assim conclui-se que o grau Rosa Cruz é uma perversão completa do simbolismo Cristão
e suas crenças sagradas. É um culto da natureza da qual as forças de geração, destruição e
regeneração agem sobre o adepto, sob a máscara da deificação ou do desenvolvimento de
poderes latentes, e que o leva à escravidão do iluminismo, através do qual ele se torna um
instrumento nas mãos dos poderosos e inescrupulosos líderes desconhecidos, que professam
como meta a emancipação da humanidade e através de quem esperam governar o mundo.
GRAU KADOSH

Em Tuileur de l’ecossisme, 1821, é dito:

“30º grau, grande inquisidor, grand elu (eleito), cavaleiro Kadosh, também chamado a Águia
Branca e Preta. Apesar do rito Escocês, dizem, nunca conferir esse grau exceto por comunicação, e o fato
dele ocupar no rito ancestral, apenas o trigésimo degrau, ele deve ser considerado como objetivo final do
Rito Escoses, já que é o nec plus ultra da Maçonaria Templária. Nesse grau se comemora a abolição da
Ordem dos templários por Philippe Le Bel e o Papa Clement V, e a punição do primeiro Grão Mestre
Jacques de Molay, que pereceu em chamas em 11 de Março de 1314.”

Como escreve Deschamps, 1881:

“Em vão eles repetem, com complacência, que o grau Kadosh da França é apenas filosófico...
Guerra ao trono e ao altar é o grande grito da Ordem. O feroz Nekain Adonai (Senhor da Vingança!)
produziu os Illuminati e os Carbonari. Nas mãos de homens fanáticos, ajudados por circunstâncias
favoráveis, ele traz constantemente resultados similares.”

De acordo com os manuais de Willaume e Tessier, autorizados pelo Grande Oriente o


grito, quando feito o sinal do grau é Nekam Adonai, e todas as três senhas para a entrada no
Conselho Supremo começam por Nekam – Vingança!

Ragon escreve:

“A aplicação, desenvolvimento e extensão dados


à vingança, introduz no grau Kadosh muitas variantes, ou
melhor, ela ocorre dos mais variados modos (alguns se
admitem terríveis). Em antigos manuscritos da Maçonaria
Inglesa o Kadosh é chamado Matador.”

Um grau como esse aparentemente existe


nos mais variados ritos: no 30º degrau do Rito
Escocês, no 66º grau do Rito Egípcio ou Misraim, no
25º grau do Rito Heredon ou Rito da Perfeição ou Ordem do Templo, que acredita ter como
fonte o grau Loth do Rito de Saint-Martin da loja de Lion, a qual serviu posteriormente como
berço do iluminismo Francês e onde cunhou-se o nome de Cavaleiros Beneficiários da Cidade
Santa, 1743 (Deschamps). Novamente, em Cours d'initiations, 1842, Ragon escreve:

“O título nec plus ultra (no Kadosh), é usado com razão pois os graus anteriores são apenas
administrativos... o Kadosh não é apenas o Maçom das Lojas, os Maçom das Sessões, mas admitido no
terceiro santuário, é para ele que os dois preceitos da iniciação antiga são endereçados. Entregue-se a
ciência da natureza, estude a política para o bem da humanidade. Penetre nos segredos da religião e das
ciências elevadas, e comunique suas ideais com prudência...”

A seguir Ragon nos conta que existem quarto “salas” no grau Kadosh e que a iniciação
se realiza na quarta. Ele diz: “A palavra hebraica Kadosh significa santo, consagrado, purificado.
Não se deve pensar, porém, que os Cavaleiros da Águia Branca e Preta possuam qualquer
pretensão à santidade, o que eles desejam expressar com essa palavra é que eles são os únicos
eleitos, homens por excelência, purificados de todas as máculas dos preconceitos.”

Na quarta sala, toda vermelha, senta-se o Conselho Supremo.

“Ao alcançar o santuário divino, o candidato aprende sobre os juramentos que ele fará. Nesse
santuário, há uma cruz e uma serpente de três cabeças que usa na primeira cabeça uma coroa, na
segunda uma tiara e na terceira uma espada. Eles entregam ao candidato uma adaga que possui uma
lamina branca e preta. A cruz, segundo Ragon é o fálico Tau. A serpente representa os princípios do mal,
suas três cabeças são emblemáticas dos abusos e do mal que penetrou nas três classes altas da
sociedade. A cabeça que usa a coroa indica as Monarquias, a que usa a tiara indica o Papado e a que usa a
espada, o Exército...”

A adaga Mitraíca ou foice de Saturno, “relembra moralmente ao grande eleito que ele
deve batalhar continuamente na oposição e destruição dos preconceitos, ignorância e
superstição, ou seja, contra o que está sobre as cabeças da serpente.”

Finalmente é dito ao grande eleito Kadosh:

Conheçe a ti mesmo, nunca esqueças que não existe nada não possa alcançar, para aquele que
adquire novamente em seus direitos primitivos. Não esqueças que carregas contigo a preciosa corrente
(kundalini), que te permite sair do labirinto das cosias materiais... “Reintegrado hoje (pelo Iluminismo),
em teus direitos naturais (primitivos), observe-se para que estejas sempre livre do fardo dos preconceitos;
aplique-se sem cessar no auxílio à humanidade para que ela também se livre dos preconceitos.” (Ragon,
Willaume and Tessier).

No artigo do Morning Post, 14 de Julho de 1920, A Causa da Intranqüilidade Mundial, ao


se falar da Maçonaria revolucionária, é dito: “Quando o candidato é admitido no 30º grau após
passar por terríveis provas para testar sua obediência e discrição, ele torna-se um Cavaleiro
Kadosh, ele aprende que quem clama por vingança não é nem Adorinam ou Hiram.” E seu
catecismo diz:

“Entenda que esse grau não é como a assim chamada Maçonaria, uma simulação sem significado
e que nada acrescenta... Agora engajastes no que é real e que demandará de ti o desempenho do dever,
exigirá sacrifício, o exporá ao perigo, e que essa Ordem lida com os assuntos das nações e é uma vez mais
um Poder no mundo.”