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O FEDERALISTA (1788)

James Madison, Alexander Hamilton e John Jay

 FEDERALISMO
“Em primeiro lugar, cabe lembrar que o governo geral não deverá ser imbuído do too o poder de
fazer a aplicar leis. Sua jurisdição limita-se a certos números de itens, que dizem respeito a todos
os membros da república, mas não podem ser atendidos pelas medidas isoladas de nenhum deles.
Os governos subordinados, que podem estender seus cuidados a todos os demais assuntos passiveis
de ser separadamente atendidos, conservarão sua devida autoria e atividade.
[...] Uma segunda observação a fazer é que a finalidade imediata da Constituição federal é
assegurar a união dos treze Estados primitivos, que sabemos ser viável; e acrescentar a eles aqueles
Estados que possam surgir em seu próprios seios ou em suas vizinhanças, o que sem dúvida é
igualmente viável.”
“A ideia de um governo nacional envolve não só uma autoridade sobre os cidadãos individuais,
mas uma supremacia ilimitada sobre todas as pessoas e coisas, na medida em que são objetos de
um governo legítimo. Em meio a um povo consolidado numa única nação, essa supremacia é
inteiramente conferida ao legislativo nacional. Entre comunidades unidas com finalidades
particulares, é conferida em parte ao legislativo federal e em parte aos legislativos municipais. No
primeiro caso, todas as autoridades locais são subordinadas à autonomia suprema, podendo esta
controlá-las, dirigi-las ou aboli-las à vontade. No segundo, as autoridades locais ou municipais
constituem porções distintas e independentes da supremacia. Em suas respectivas esferas, não
estão mais sujeitas à autoridade geral do que a autoridade geral está sujeita a elas em sua própria
esfera. Nessa relação, portanto, o governo proposto não pode ser considerado um governo
nacional, uma vez que sua jurisdição abrange apenas certos objetos especificados e deixa aos
vários Estados uma soberania residuária e universal sobre todos os demais objetos.”
“Finalmente, se avaliarmos a Constituição por sua relação com o poder que deve emenda-la,
verificamos que ela não é nem inteiramente nacional, nem inteiramente federal. Se fosse
inteiramente nacional, o autoridade suprema e final iria residir na maiori do povo da União, e seria
uma autoridade competente em todas as ocasiões, como a que possui a maioria de toda sociedade
nacional de alterar ou abolir seu governo estabelecido. Por outro lado, se fosse inteiramente
federal, a concordância de cada Estado da União serial essencial para cada alteração que fosse
afetar a todos. [...] Ao exigir mais do que a maioria simples, e particularmente ao computar a
proporção por Estados, não por cidadãos, ele se afasta da modalidade nacional e avança em direção
à federal; ao tornar suficiente a concordância de menos do que o número total dos Estados, ele
novamente perde o caráter federal e participa do nacional.”