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Capítulo III – Equações Diferenciais Lineares de 1ª Ordem

dy
Uma equação da forma  yP( x )  Q ( x ) (*) é dita equação
dx
diferencial ordinária de 1ª ordem linear; nela, P(x) e Q(x) representam
funções só da variável x, ou são constantes, enquanto que y é uma função
implícita de x; com isto, existe a derivada de y em relação a x, representada
por dy/dx.
Exemplos: 1º) y’ + y.sen(x) = 4x³ (é uma EDL)
2º) dy/dx + yln(x² -1) = sen(y) (não é uma EDL)
3º) (y’)² - y tg(x) = 3 7 x 5  3x 7 (não é uma EDL)
4º) dy/dx + e 2 x = x³ - 4x² + 7 (não é uma EDL)
5º) y’ + ycos(xy) = 42 (não é uma EDL)

dy
Solução de uma EDL da forma  yP( x )  Q( x ) (*)
dx
 dy 
  dx  yP( x)dx   Q( x)dx (I)
Verificamos que resolver a integral do 2º membro é relativamente fácil,
sendo que o mesmo não se pode afirmar a respeito da integral que aparece
no 1º membro da equação (I). Entretanto, se considerarmos a expressão:
y  e (II) P ( x ) dx

onde y é função implícita de x, existindo, pois, a derivada y’ = dy/dx, e se


derivarmos aquela expressão (II), em relação à variável x, obteremos:
d   P ( x ) dx  dy P ( x ) dx  dy 
 ye   P ( x)  e   e
P ( x ) dx P ( x ) dx
 ye     yP ( x) (III)
dx   dx  dx 
Portanto, se derivarmos a expressão (II), chegaremos na expressão
(III) e, por conseguinte, se integrarmos a expressão (III), chegaremos na
expressão (II), já que derivação e integração são operações inversas uma da
outra.
Notamos, também, que na expressão (III), o conteúdo que está entre
parênteses, ao final, é igual à função integranda do 1º membro da expressão
(I). Assim, se multiplicarmos a expressão (*), ou a(I), por e  P ( x ) dx , o seu
1º membro ficará igual à expressão (III), cuja integral é a expressão(II):
 dy 
 yP( x ) dx   e 
P ( x ) dx
  Q( x)
 dx 
 dy  yP( x ) dx   P ( x ) dx
dx   e 
P ( x ) dx
  dx 

e Q ( x ) dx

ye   e  Q ( x )e. 
P ( x ) dx P ( x ) dx P ( x ) dx
 dx
(dessa última equação, sairá a solução geral)
dy
Exemplo:  2 xy  4 x Solução: ye   2 xdx 4 xdx
2 xdx

dx
 e
ye x  2  e x 2 xdx
2 2

(sol. geral)
2 2 2
ye x  2e x  C y  2  Ce  x

Exercícios
1º) dy/dx + 2xy = 0 Sol.:
2
y  Ce  x
dy y
2º)   2( x  2) 2 y = (x² - 4x + C)(x – 2)
dx x  2
dy
3º) t  y  t 3  3t 2  2t y = t³/2 + 3t² - 2t[ln(t)] + Kt
dt
4º) y’ + ysen(t) = 0 y = Ke cos(t )
5º) y’ + 2ty = t, com y(0) = 2,5 y = 2e t  0,5
2

dy 2 xy 1 xK
6º)   y
dx 1  x 2
1 x2 1 x2
7º) y’ – 2ycotg(2x) = 1 y = sen(2x)[K + 0,5ln(tg(x))]
sen( x ) K
8º) y’ + ycotg(x) = cos(x) y= 
2 sen( x)
dy y
9º)   sen( x) y  1  Ke cos( x )
dx cos ec( x )
x2 K
10º) y’ = x – 2y/x y 
4 x2

3.2 Equação Diferencial de Bernouille


É toda equação diferencial ordinária de 1ª ordem e do 1º grau que possa ser
dy
colocada na forma:  yP( x)  y n Q ( x)
dx
onde P(x) e Q(x) são funções só de x, ou constantes, y é uma função
implícita de x, tendo como conseqüência a existência da derivada de y em
dy
relação à variável x, representada por dx
e n é um número real (diferente
de 1 e de 0, caso em que se transformaria em uma E.D.L.).
Solução: como, no 2º membro, há uma potência de y, divide-se toda a
equação por essa potência, para que aquele membro fique idêntico ao 2º
membro de uma E.D.L.:
dy
 yP( x)  y n Q( x)  yn
dx
dy
y n  y 1 n P ( x)  Q( x) (*)
dx
Examinando o 1º membro da E.D. resultante, observamos que a variável
que multiplica P(x) possui expoente 1 – n, quando este deveria ser 1 (como
na E.D.L.); então, faz-se uma mudança de variável, de tal modo que essa
nova variável atenda àquela necessidade (de ter expoente 1):
y 1 n  v , onde y e v são funções implícitas de x.
Derivando, ambos os membros, em relação à variável x:
dy dv
(1  n) y  n  , e dividindo por (1 – n), suposto n  1 :
dx dx
dy 1 dv
y n 
dx 1  n dx
Substituindo a relação acima na expressão (*):
1 dv
 vP( x)  Q( x) que, multiplicada por (1 – n), fornece:
1  n dx
dv
 v(1  n) P( x)  (1  n)Q ( x)
dx
A qual resultará em uma E.D.L., se considerarmos
(1- n)P(x) = L(x) e (1 – n)Q(x) = S(x), obtendo:
dv
 vL( x )  S ( x)
dx
cuja solução geral será encontrada a partir de:
ve    e
L ( x ) dx L ( x ) dx
S ( x )dx

Exemplo: y’ – ycos(x) = -y²cos(x)


Tem-se n = 2; L(x) = (1 – n)P(x) = -1[-cos(x)], logo L(x) = cos(x)
S(x) = (1 – n)Q(x) =-1[-cos(x)], logo S(x) = cos(x) e v = y 1
Então: ve    e y 1e 
L ( x ) dx L ( x ) dx cos( x ) dx
S ( x ) dx   e cos( x ) dx cos( x ) dx

e sen( x ) e sen( x )
y 1e sen( x )   e sen( x ) cos( x)dx  e sen( x )  C y
y e sen( x )  C

Exercícios:
1
1º) y’ + y = 3xy² Sol.: y
3( x  1)  Ke x
1
2º) y’ + ysen(x) = y 4 sen( x ) y3
1  Ke 3 cos( x )
x
3º) y’ = y + y y = [ Ke 2
 1]2
y y4
1
4º) 5y’ +  , com y(0) = 1 y =3 3 x
2 x x e 5
2
1
5º) 2y’ + y e x  y 6e x y= 5 5e x
1  Ke 2

1
6º) 3y’ + yln(x) = y 3 ln( x ) y= 2[ x ln( x )  x ]
1  Ke 3

1
7º) y’ + y – y²[cos(x) – sen(x)] = 0 y= Ke  sen( x)
x

8º) y’ - 4ty (1  t 2 ) 1  4t y y = (t² + 1)[K(t² + 1) + ln²(t² + 1)]