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Automedicação

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.


Quarta – feira, 16 de março de 2011. Horário: 09:42 h

Medicamentos

A automedicação é a prática de ingerir medicamentos sem o aconselhamento e/ou


acompanhamento de um profissional de saúde qualificado, em outras palavras, é a
ingestão de medicamentos por conta e risco por um indivíduo.[1]

Cultura da automedicação
A cultura da automedicação, somada a geniosidade do marketing, expõem inúmeras
pessoas ao perigo. Pesquisa feita pelo Ministério da Saúde em novembro de 2008 relata
que apenas 30% dos pacientes internados em Unidades de Terapia Intensiva
conseguiram absorver os princípios ativos que necessitavam.[2]

As causas do problema seriam o uso incorreto de substâncias durante vários períodos da


vida, onde o sistema imune é perturbado, facilitando assim intoxicações,
hipersensibilidade e resistência de organismos nocivos.[2]

Em 2004, o Brasil era o quarto país do mundo na venda de medicamentos. A abertura


comercial, devido o Plano Real proporcionou ao país importações de vitaminas, sais
minerais e complementos alimentares.[3]

Os medicamentos são comprados, por indicações de amigos, matérias de jornais,


revista, Internet ou indicação do balconista. O culto à beleza impulsionou as vendas de
medicamentos para emagrecer e vitaminas. A onda das psicoses, fez a classe média
consumir antidepressivos sem recomendação médica.[3] Antitérmicos, antiinflamatórios
e analgésicos são os medicamentos mais utilizados, sem qualquer tipo de orientação.[2]

Tendo em vista os problemas decorrentes da automedicação e principalmente quando


esta é feita com uso de antibióticos (o que pode aumentar a resistência do
microrganismo e transforma-los em uma bactéria multirresistente),a Anvisa (Agência
Nacional de Vigilância Sanitária)em outubro de 2010, modificou algumas regras para a
venda de antibióticos, que a partir de então passaram a ser vendidos em farmácias e
drogarias apenas com receita médica.
http://www.clicrbs.com.br/especial/sc/donnadc/19,0,3205926,Uso-indiscriminado-
mulheres-sao-as-mais-adeptas-da-automedicacao-no-Brasil.html

Notícias
Saúde | 13/02/2011 14h12min

Uso indiscriminado: mulheres são as


mais adeptas da automedicação no
Brasil
Associações com outros medicamentos ou alimentos pode ser fatal

Tratar da saúde por conta própria é uma decisão arriscada e pode ser fatal, afirmam
especialistas. Além de todos os danos que uma interação medicamentosa pode causar,
como intoxicação e anulação no efeito dos princípios ativos, a automedicação pode
tratar os sintomas e mascarar a doença original.

A coordenadora da Comissão de Medicamentos do Hospital de Clínicas de Porto


Alegre, Leila Beltrami Moreira, lembra que o sucesso no tratamento de qualquer
enfermidade depende de vários fatores, que incluem uso de medicamentos, em alguns
casos, mas que depende também de um diagnóstico correto.

— Se o paciente tem uma dor e sai tomando o remédio que serve para o vizinho, pode
estar perdendo tempo de encontrar a melhor solução para o seu problema — , explica
Leila.

O que mais preocupa os profissionais da saúde

1) Uso indiscriminado de paracetamol: a substância, no fígado, é transformada em


metabólito intermediário, que pode resultar em lesões hepáticas. Na Grã-Bretanha, uma
pesquisa recente evidenciou que ele era o maior causador de transplante de fígado.

2) Associações com outros medicamentos ou alimentos: a melhor forma de tomar o


medicamento é com água. Café preto, refrigerante, sucos de frutas e leite podem alterar
a composição do medicamento ou o pH (acidez) do trato digestório, onde é absorvido,
minimizando ou aumentando os efeitos. Além disso, muitos remédios interferem na
ação do outro, podendo bloquear ou causar uma intoxicação.

3) Uso de medicamentos para qualquer problema: o remédio só deve ser administrado


em último caso. O colesterol é um bom exemplo. Só se começa a administração da
substância quando já se tentou regular com dieta e exercícios físicos.

Combinações explosivas

:: Amoxicilina (antibiótico) + anticoncepcional oral = risco de gravidez indesejada.


:: Diurético + lítio (estabilizador de humor usado para tratar transtorno bipolar) =
potencializa os efeitos adversos do lítio, podendo causar náuseas, fraqueza muscular,
tremores, vômitos, perda de função renal, alteração da função da tireoide e confusão
mental.

:: Aspirina + anticoagulantes orais = aumenta o risco de sangramento, podendo levar à


hemorragia.

:: Omeprazol (antiácido) + Varfarina (anticoagulante): o primeiro aumenta a


concentração sanguínea da varfarina, podendo causar hemorragia.

:: Captopril (anti-hipertensivo) + sucos = absorção prejudicada.

:: Tetraciclina antibiótico + leite ou antiácidos = o leite tem cálcio que, associado ao


antibiótico, pode anular o efeito do medicamento.

:: Dexametasona Oral (corticoide, antiinflamatório) + medicamentos para o diabetes = a


dexametasona aumenta a glicemia, ou seja, eleva o açúcar no sangue.

:: Paracetamol + diclofenaco, nimesulida (antiinflamatório) = pode potencializar ou


agravar doenças hepáticas e renais.

Fontes: professora da Faculdade de Farmácia da Pontifícia Universidade Católica do


Rio Grande do Sul Flávia Valladão Thiesen, coordenadora da Comissão de
Medicamentos do Hospital de Clínicas de Porto Alegre, Leila Beltrami Moreira, chefe
das Emergências da Santa Casa de Porto Alegre, Leonardo Fernandez.

Mal necessário?

O farmacêutico-fiscal do Conselho Regional de Farmácia do Rio Grande do Sul,


Éverton Borges, acredita ser fundamental um investimento na qualificação do
farmacêutico. Afinal, diz ele, nem sempre é possível esperar pela data da consulta
clínica, principalmente no sistema público de saúde. E aí entra o farmacêutico:

— O paciente precisa do máximo de informações sobre aquele medicamento antes de


tomá-lo. Cabe ao farmacêutico dar todas os subsídios para que o cliente possa optar pela
forma mais segura.

Conforme os manuais médicos americanos, de 10% a 20% das internações hospitalares


nos Estados Unidos são em decorrência de reações adversas a medicamentos, que
podem ser naturais ou por administração indevida.

— No Brasil, as mulheres praticam mais frequentemente a automedicação do que os


homens, com um percentual de 59% contra 41% — explica Flávio André Cardona
Alves, médico intensivista e Coordenador da Área Clínica da Emergência do Hospital
Moinhos de Vento.
Os efeitos adversos mais comuns da prática de escolher o próprio tratamento são os
gastrointestinais, como náusea, vômito e diarreia. Os psicoativos podem dar sonolência
e a causar a perda dos reflexos. A maior parte pode provocar alergias na pele.

— Todo tipo de substância utilizada para tratar um determinado problema pode ter
efeitos que não são os esperados ou os desejados. Quanto mais adequada for a indicação
de determinado fármaco, menores as possibilidades de risco, mas eles sempre poderão
existir— , explica o chefe de emergências Leonardo Fernandez.

Apesar dos riscos, Alves lembra que a Organização Mundial da Saúde (OMS) considera
que, algumas vezes, a automedicação pode ser benéfica:

— Se considerarmos países com sistemas de saúde ineficientes, em que as pessoas têm


de aguardar várias horas ou até dias para serem atendidas, o uso sem prescrição médica
de um antibiótico para uma infecção, que teria consequências graves, pode ser
justificável.

O que não fazer:

Antibióticos: O uso indiscriminado pode causar resistência antimicrobiana, levando a


maior dificuldade de tratar infecções atuais e futuras.

Antiinflamatórios: Aumentam a produção de ácido clorídrico e reduzem a de muco, que


protege o estômago. Se o paciente já tem gastrite ou úlcera, pode causar sangramento. O
abuso pode provocar insuficiência renal.

Remédios para emagrecer: Hipertensos não devem tomar, pois aumentam a pressão
arterial.

Relaxantes musculares: Provocam sonolência. É preciso evitar ao praticar atividades


que exijam atenção.

Fitoterápicos: Também podem oferecer riscos com superdosagem e interferir no efeito


de outros medicamentos.

Ansiolíticos: Seu uso crônico causa dificuldade de concentração e raciocínio, além de


dependência.

>>> Saiba mais

—A cada 20 dias, um novo medicamento entra no mercado.

— O Brasil está entre os cinco maiores consumidores de medicamentos no mundo.

— Os gastos com medicamentos representam 12% do orçamento familiar.

— Somente 50 % dos pacientes, em média, tomam corretamente seus medicamentos

Quarta – feira, 16 de março de 2011. Horário: 09:43 h


http://www.bancodesaude.com.br/user/2029/blog/automedicacao-no-brasil

Sábado, 27 de março de 2010 [13:29]

A automedicação no Brasil: um sintoma a ser analisado

Como pode o Brasil apresentar um quadro precário de saúde pública e, no


entanto, estar no ranking dos países que mais consomem medicamentos no mundo?

A automedicação crescente no país é um fato verídico. Mas seria um sintoma da


cultura ou um sintoma na cultura?

A indústria farmacêutica utiliza-se de todas as ferramentas do marketing para


vender medicamento como mercadoria qualquer. Obscenidade?

Questões como essas é que vão direcionar o estudo desse trabalho,


desenvolvido a partir das aulas de Semiótica Psicanalítica, ministrada pelo Prof. Dr
Oscar Cesarotto, na PUC de São Paulo.

A indústria farmacêutica mundial é considerada como o segundo melhor negócio


do planeta, ficando atrás apenas de companhias de petróleo. Segundo a revista inglesa
“Focus”,o setor faturou em 2002, 406 bilhões de dólares (Revista SuperInteressante,
fev. 2003, p 44).

O Brasil está entre os 5 maiores consumidores de medicamentos no mundo,


pudera, são mais de 32 mil rótulos de medicamentos, com 12 mil substâncias, quando
na verdade bastariam 300 itens. Há uma drogaria para cada 3 mil habitantes, mais que
o dobro recomendado pela Organização Mundial de Saúde.

O sintoma capitalista se faz presente no país, pela comunicação mercadológica,


onde um medicamento vale mais que seu valor terapêutico, já que o invólucro que
protege a substância, a embalagem, a distribuição, a propaganda, enfim, as
ferramentas utilizadas pelo mercado da indústria farmacêutica, encarecem, e muito, o
medicamento. Fato que não ocorre, por exemplo, em Cuba.

O Brasil está longe de ser um país de primeiro mundo, é rotulado como país em
desenvolvimento, mas teoria à parte, os números mostram a verdadeira realidade e são
números alarmantes, quando comparados ao consumo de medicamentos da população
de países de primeiro mundo. Aqui, vende-se mais remédio do que pão!

Medicamentos de venda livre, também conhecidos como OTC e mesmo os


éticos, que deveriam ser vendidos apenas sob prescrição dos médicos, são vendidos
por telefone ou internet (Revista SuperInteressante, fev. 2003, p44). Os próprios
balconistas de farmácias, incentivados pela poderosa indústria farmacêutica, receitam
analgésicos e indicam medicamentos de tarja vermelha (éticos) aos consumidores,
prováveis doentes.

E como se não bastasse a falta de fiscalização ou controle, o Brasil é


considerado culturalmente, como a população que adora se automedicar, ou seja, toma
desde o chá da vovó até analgésicos e antiinflamatórios disponíveis em farmácias e
drogarias. Também é considerado um dos maiores consumidores de ansiolíticos, onde
75% das mulheres são responsáveis por uso indiscriminado de tranqüilizantes.

Segundo publicação na revista brasileira “Terra”, a questão cultural da


automedicação do brasileiro é constatada pela Organização Mundial de Saúde (OMS).
Pois ainda nos tempos atuais, em algum momento, as pessoas recorrem à prática de
curar-se por meio de plantas medicinais (Revista Terra, jun. 2004, p 61). No norte e
nordeste do país é comum a venda de “garrafadas” (feitas à base de plantas e rezas)
que prometem verdadeiros milagres. Em cada parte do país, seja por uma questão
geográfica e até cultural, as pessoas encontram novas formas de se automedicar, seria
um sintoma da cultura.

Nesse sentido, há de se preocupar com o uso abusivo de medicamentos e


processos voluntários de cura, que colocam o país também com índices alarmantes de
morte por intoxicação, cerca de 30% das intoxicações são causadas por medicamentos
(Revista Superinteressante, fev 2003, p 45).

Esse alto índice de automedicação da população brasileira também tem forte


relação com o mercado ocupado pela indústria farmacêutica, que não mede esforços
através das ferramentas de marketing, das propagandas e das drogarias adaptadas a
verdadeiros supermercados. Tudo para vender medicamentos e até criar uma cultura
desenfreada de consumo excessivo dos mais variados medicamentos. Seria então, o
sintoma na cultura.

Medicamento é droga, portanto os remédios têm efeitos colaterais. Os


antialérgicos causam sonolência; antibióticos fazem mal aos rins; cortisona provoca
pressão alta e por aí vai...Sendo assim, nenhum medicamento poderia ser consumido
sem o acompanhamento de um médico.

A automedicação no Brasil já é um problema grave de saúde pública.O


medicamento é visto como mercadoria comum, os doentes como meros clientes e
apenas um terço dos medicamentos vendidos por ano vem de prescrições médicas.

No Brasil, o número exagerado de lançamentos feitos ano a ano amplia as


prateleiras e ao tratarem medicamentos como produto qualquer (às vezes prometendo
efeitos irreais), a propaganda conseguiu aumentar as vendas em 21% em apenas um
ano (Revista SuperInteressante, fev. 2003, p 46). Mais uma vez, uma obscenidade sem
controle!
A farmácia, considerada como ponto de venda, também pode ser uma das
grandes responsáveis pela automedicação no país. Quase 55 mil estabelecimentos
desse tipo, nem sempre tem o profissional farmacêutico, mas sim balconistas
inexperientes, alvo certo de laboratórios que oferecem prêmios, brindes na conhecida
“empurroterapia”, aonde o paciente chega com a receita, e sai com o medicamento
indicado pelo balconista, que muitas vezes vende medicamentos controlados sem
receita (Revista Isto É, 10 de out. 2001, p 84).

São inúmeros fatores que fazem parte desse contexto, mas sem dúvida o
sintoma cultural e a falta de informação fazem com que a população brasileira seja
vítima da situação. A indústria farmacêutica, que investe milhões em pesquisas
buscando a cura das pessoas, é a mesma que não mede esforços ao recorrer a todo
tipo de marketing e propaganda para esvaziar as prateleiras das farmácias. Essa atitude
que pode ser considerada obscena, muitas vezes é analisada como um simples sintoma
na cultura e, portanto, desprezada por autoridades.

Em quem confiar?

Como se não bastasse o poder da indústria farmacêutica em altos investimentos


de marketing, ela encontra como parceira: muitos médicos e a mídia de massa, que
legitima algumas informações e divulga muitas vezes, sem responsabilidade,
medicamentos a leigos, que não deveriam receber determinada informação sem
orientação de um profissional da saúde.

Como disse Cesarotto em uma de suas aulas (05/05/2004), a indignação está


na percepção de que o medicamento passou a ser “super-fluo”, ou seja, além da
necessidade e do supérfluo. Passou a ser utilizado a qualquer momento, por qualquer
um, como mercadoria qualquer. Na verdade, uma automedicação que tende a crescer
ainda mais, caso não haja boa vontade de órgãos fiscalizadores em cumprir leis e
controlar a situação.

Quarta – feira, 16 de março de 2011. Horário: 09: 45 h


http://www.scielo.br/scielo.php?
script=sci_arttext&pid=S0104-42302001000400001

Revista da Associação Médica Brasileira


Print version ISSN 0104-4230

Rev. Assoc. Med. Bras. vol.47 no.4 São Paulo Oct./Dec. 2001

doi: 10.1590/S0104-42302001000400001

Editorial

AUTOMEDICAÇÃO

A automedicação é uma prática bastante difundida não apenas no


Brasil, mas também em outros países. Em alguns países, com
sistema de saúde pouco estruturado, a ida à farmácia representa a
primeira opção procurada para resolver um problema de saúde, e a
maior parte dos medicamentos consumidos pela população é
vendida sem receita médica. Contudo, mesmo na maioria dos
países industrializados, vários medicamentos de uso mais simples e
comum estão disponíveis em farmácias, drogarias ou
supermercados, e podem ser obtidos sem necessidade de receita
médica (analgésicos, antitérmicos, etc).

Debate-se se um certo nível de automedicação seria desejável, pois


contribuiria para reduzir a utilização desnecessária de serviços de
saúde. Afinal, dos 160 milhões de brasileiros, 120 não têm
convênios para assistência à saúde.

A decisão de levar um medicamento da palma da mão ao estômago


é exclusiva do paciente. A responsabilidade de fazê-lo depende, no
entanto, de haver ou não respaldo dado pela opinião do médico ou
de outro profissional de saúde.

Para encurtar os caminhos para a obtenção do alívio dos incômodos


que o afligem, em inúmeras ocasiões, diante de quaisquer
sintomas, especialmente os mais comuns como aqueles decorrentes
de viroses banais, o brasileiro se vê, de pronto, impulsionado a
utilizar os medicamentos populares para gripe, febre, dor de
garganta, etc; ou a procurar inicialmente orientação leiga, seja dos
amigos íntimos ou parentes mais experientes ou até mesmo do
farmacêutico amigo, à busca de solução medicamentosa ("vou lá na
farmácia do Sr. Paulo para tomar uma injeção para gripe"). A mídia
televisiva e vários outros meios de comunicação e propaganda
como o rádio ou "outdoors" insistem com seus apelos a estimular a
todos a adotar tal postura, inserindo no final da propaganda a sua
tradicional frase "persistindo os sintomas um médico deve ser
consultado", como se isso os isentasse de toda e qualquer
responsabilidade. Antes esta advertência do que nenhuma.

No Brasil, embora haja regulamentação da Agência Nacional de


Vigilância Sanitária (ANVISA) para a venda e propaganda de
medicamentos que possam ser adquiridos sem prescrição médica,
não há regulamentação nem orientação para aqueles que os
utilizam. O fato de se poder adquirir um medicamento sem
prescrição não permite o indivíduo fazer uso indevido do mesmo,
isto é, usá-lo por indicação própria, na dose que lhe convém e na
hora que achar conveniente. Dados europeus indicam que, em
média, 5,6 pessoas por farmácia e por semana fazem uso indevido
de algum tipo de medicamento.

Em nosso país, a extensão da automedicação não é conhecida com


precisão, mas apenas em caráter anedótico ou por meio de
levantamentos parciais e limitados. A Pesquisa por Amostragem
Domiciliar de 1998 do IBGE oferece alguns elementos de
informação. Entre as pessoas que procuraram atendimento de
saúde, cerca de 14% adquiriram medicamentos sem receita
médica; percentual que parece muito subestimado, talvez em
função da pesquisa não ter sido desenhada com a finalidade de
avaliar a automedicação.

As razões pelas quais as pessoas se automedicam são inúmeras. A


propaganda desenfreada e massiva de determinados medicamentos
contrasta com as tímidas campanhas que tentam esclarecer os
perigos da automedicação. A dificuldade e o custo de se conseguir
uma opinião médica, a limitação do poder prescritivo, restrito a
poucos profissionais de saúde, o desespero e a angústia
desencadeados por sintomas ou pela possibilidade de se adquirir
uma doença, informações sobre medicamentos obtidos à boca
pequena, na internet ou em outros meios de comunicação, a falta
de regulamentação e fiscalização daqueles que vendem e a falta de
programas educativos sobre os efeitos muitas vezes irreparáveis da
automedicação, são alguns dos motivos que levam as pessoas a
utilizarem medicamento mais próximo.

A associação de saúde como uso de medicamentos faz com que os


pacientes abusem das drogas. Os profissionais da área de saúde
devem orientar os pacientes e os seus familiares no sentido de
evitar os abusos dos medicamentos ("overuse") pelos eventos
adversos. Com o fator limitante do tempo, há uma deterioração nas
consultas médicas e "não fazer" consome mais tempo que "fazer",
isto é, não solicitar exames nem prescrever medicamentos de
validade duvidosa obriga ao médico um esclarecimento a respeito
da conduta expectante.

É necessário também voltar os olhos para o passado remoto e


lembrar que à arte de curar juntam-se muitos outros ingredientes
compostos por crenças e tradições populares que se confundem
com as propriedades curativas de muitas plantas silvestres.

As plantas medicinais têm lugar garantido no "folclore" brasileiro.


Quem não conhece a babosa, chá de quebra pedra, pata de vaca,
chá de picão e extratos de outras numerosas plantas? O efeito da
maioria delas é desprovido de qualquer fundamentação científica
(evidências) e a sua manipulação por leigos pode comprometer a
qualidade. Pretensiosamente pleiteiam uma vaga na chamada
medicina alternativa (ou terapia não convencional).

Considerando-se que as doenças psicossomáticas têm grande


prevalência, permite-se até admitir que as chances de erro ao
trilhar por este comportamento são pequenas, alegando-se que os
produtos disponibilizados, em sua maioria, não oferece grandes
riscos. Contudo, os riscos existem e devem ser considerados.
Produtos sem o devido controle de qualidade como prosaicos
cosméticos aplicados sobre o couro cabeludo mostraram efeito
teratogênico, devido a contaminação por chumbo.O uso tópico não
é isento de efeitos indesejáveis. Cremes "rejuvenescedores", muito
populares, podem causá-los, além de quase nunca cumprirem o
prometido.

Recentemente, o misoprostol, de uso muito comum entre as


mulheres brasileiras para a prática abortiva, chamou a atenção da
comunidade científica internacional desde que se observou
associar-se a malformações como a Síndrome de Möbius
(malformação crânio-facial) e malformações de membros. Estas
foram observadas nos filhos de pacientes que tiveram o
abortamento frustrado com a utilização desta droga. Além dessas
anormalidades, em um estudo colaborativo latino-americano de
4673 casos de malformações fetais (4980 controles), outras
malformações foram atribuídas ao uso do misoprostol: artrogripose,
hidrocefalia, holoprosencefalia e extrofia de bexiga.

O uso das isoflavonas é um exemplo atual da indicação imprópria e


exagerada de agentes ditos "homeopáticos" ou "naturais". A partir
de estudos que mostram uma menor sintomatologia de climatério
em mulheres asiáticas atribuída ao consumo de soja, muitas
mulheres começaram a utilizar comprimidos de soja sem controle
de qualidade e sem supervisão médica. O uso indevido de
isoflavonas, manipuladas de maneira no mínimo descontrolada, tem
causado efeitos colaterais importantes e alterações discrásicas
sangüíneas.

Além disso, recentes estudos mostram que uma série de


substâncias ditas "inocentes", como cremes de ginseng, têm ação
proliferativa endometrial, podendo levar a quadros hiperplásicos
que algumas vezes podem representar lesões precursoras de
adenocarcinoma.

A automedicação pode mascarar diagnósticos na fase inicial da


doença. Exemplo marcante é no diagnóstico de apendicite aguda. O
doente inicia com um quadro frusto, se automedica com
antibióticos. Como conseqüência, a apendicite aguda em fase
inicial, que se resolveria com uma apendicectomia tecnicamente
fácil, pode evoluir para um quadro de peritonite grave com
consequências às vezes funestas.

Do mesmo modo, neoplasias gástricas e intestinais podem ter


diagnósticos mascarados e retardados pela melhora de sintomas
promovida por bloqueadores de bomba de próton ou outros
medicamentos que agem no tubo digestivo.
Outro exemplo relevante é o uso abusivo de antibióticos, sem
qualquer critério. Além de freqüentemente ser desprovido de
eficácia, pode facilitar o aparecimento de cêpas de microorganismos
resistentes, com óbvias repercussões clínicas e prognósticas.

Embora deva ser veementemente combatida, não há nenhum gesto


objetivo para o desestímulo à automedicação por parte das
autoridades públicas no contexto nacional, o que faz pressupor não
ser este assunto de relevância na visão dos órgãos responsáveis.
Todavia, há que se louvar a atitude e o discernimento do Ministério
da Saúde em decretar o controle de inúmeras drogas seguramente
teratogênicas como a talidomida, a isotretionina e diversos
quimioterápicos.

O problema é universal, antigo e de grandes proporções. A


automedicação pode ser considerada uma forma de não adesão às
orientações médicas e de saúde. Nesse sentido, Hipócrates já
sentenciou: "Toda vez que um indivíduo diz que segue exatamente
o que eu peço, está mentindo". Não há como acabar com a
automedicação, talvez pela própria condição humana de testar e
arriscar decisões. Há, contudo, meios para minimizá-la. Programas
de orientação para profissionais de saúde, farmacêuticos,
balconistas e população em geral, além do estímulo a fiscalização
apropriada, são fundamentais nessa situação.

Quarta – feira, 16 de março de 2011. Horário: 09: 47 h


http://g1.globo.com/bom-dia-brasil/noticia/2010/09/automedicacao-e-um-habito-
perigoso-alertam-especialistas.html

Edição do dia 07/09/2010

07/09/2010 07h50 - Atualizado em 07/09/2010 09h54

Automedicação é um hábito perigoso,


alertam especialistas
Brasileiros costumam comprar remédios por conta
própria para resolver pequenos problemas de saúde,
mas isso pode agravar as doenças.
imprimir

Ao primeiro sinal de resfriado ou gripe a maior parte dos brasileiros não têm dúvida:
toma remédio por conta própria. Uma pesquisa mostra que a maioria dos pacientes não
tem informações corretas sobre as doenças, mas apesar disso insistem na
automedicação.

A farmácia faz parte do roteiro de compras de Ana Guerra de Souza. quase todo dia ela
está lá.

7076 ana guerra de souza - aposentada


"Hoje eu estou bem, não tenho nada", diz dona Ana, que admitiu que estava comprando
remédios para guardar.

Uma pesquisa feita com mais de duas mil pessoas em todo o país revela que, assim
como dona Ana, quase metade dos entrevistados têm o hábito de comprar e tomar
remédios sem indicação médica. Os mais usados são: contra febre, contra gripe e para
dor.

Nao é de hoje que o brasileiro toma remédio por conta propria e muita gente até faz isso
com boa intenção. A automedicação é um esforço para não faltar ao trabalho, para
manter os compromissos do dia. Mas quando o assunto é saúde não dá para ter só boa
intenção. Tem que ter também informação porque o hábito é perigoso.

"Por exemplo, antiinflamatórios, no idoso, principalmente pode causar lesão renal.


Antibióticos podem levar a resistecia bacteriana. No momento que ele ta tomando
aquele antibiótico inadequado a infecção pode evoluir", diz o médico Roberto Stirbulob.
O brasileiro que foge do médico também acredita que o ar condicionado e a poeira
podem causar ou piorar gripes, resfriados e até pneumonias. E para maioria, a melhor
prevenção é simplesmente não fumar.

"Fumar piora qualquer doença, respiratória ou não. Mas o fato é que as pessaos têm que
entender que gripe e resfriado é causada por vírus e existe uma transmissão", explica
doutor Roberto Stirbulob.

Vale lembrar que só um médico pode dar o diagnóstico certo e que é preciso sim, resistir
à tentação de bancar o especialista.

Quarta – feira, 16 de março de 2011. Horário: 09:49 h