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SEJA BEM VINDO AO MUNDO DO

SOUND-DESIGN COM O MASSIVE

O Massive (Native Instruments) é um dos VSTs mais


poderosos da atualidade.
Este instrumento virtual é utilizado pelos maiores nomes da
música eletrônica mundial.

E não é pra menos!

A qualidade dos seus timbres é absolutamente incrível e


com ele você pode criar praticamente qualquer coisa, desde
baixos, elementos percussivos, leads, pads, arpejos e muito
mais.

Entretanto, a enorme quantidade de recursos apresentados


em sua interface acaba intimidando os produtores que não
estão familiarizados.

O resultado é que, infelizmente, apesar de este VST


oferecer um mar de possibilidades de criação, a grande
maioria dos produtores acaba se rendendo aos presets.

Quero deixar claro que eu não sou contra o uso de presets.


Inclusive, eu acho que eles são uma poderosa fonte de
conhecimento.
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Mas, quando você se limita ao uso de presets, você
simplesmente transforma o seu processo de criação em
uma loteria.

Se encontrar um preset que seja perfeitamente adequado ao


contexto da sua música, bingo!

O problema é que, convenhamos, as chances de você


ganhar na loteria não são assim tão altas.
Sendo assim, limitar-se ao uso de presets irá fazer com que
você empaque completamente no mesmo loop.

Se você vive empacado no mesmo loop de 32, você está


sofrendo de Loopite Crônica. Essa "doença", em grande
parte dos casos, é causada por falta de habilidade em criar
os próprios timbres do zero.

Um outro cenário é que, mesmo que você não tenha muita


dificuldade em encontrar presets legais, a sua música acaba
ficando sem coerência entre os timbres.

É como um jogo de Tetris


em que você vai
encaixando as peças. A
sua música se torna uma
colcha de retalhos!

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E pior… Além de se tornar uma colcha de retalhos, você
está assassinando as chances de imprimir a sua própria
personalidade na música, ou melhor, a sua assinatura
sonora.

Desenvolver uma assinatura sonora é o primeiro


passo para a sua música se destacar e para tornar o
seu projeto reconhecível.

Você gostaria de se tornar uma


referência na música eletrônica?
Desenvolva a sua assinatura sonora!
Ponto!
Desenvolver a sua assinatura sonora é
a sua próxima meta a partir de agora!

E o Massive é uma das ferramentas mais poderosas


que você pode utilizar nesse processo!
Neste livro, você vai aprender o passo-a-passo para
desenvolver as habilidades de criação de qualquer timbre no
Massive e não depender mais de presets!

Não temos a pretensão de te ensinar sobre todos os parâmetros e funcionalidades


deste VST e sim fazer você pensar com um verdadeiro sound-designer!

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#1: Dominar as categorias de
presets
Quando você está surfando nos bancos de presets no
Massive, você já deve ter se deparado com termos como
"Lead", "Pad", "Arp", "Sequence", "Pluck", "Fx" e muitos
outros.

Pode ser que, passeando entre um preset e outro, você


tenha pensado "qual a diferença de um pad e um lead?".
Dúvidas como essas são bastante comuns na vida de um
produtor.

Porém, infelizmente, não existe uma convenção/


padronização que defina esses timbres. O que é pad para
um, pode ser lead para outro.
O que existe é basicamente o senso comum.

A boa notícia é que você pode aprender a reconhecer as


características principais de cada uma dessas categorias
de timbres simplesmente estudando os seus bancos de
presets.

A seguir, temos uma breve descrição de algumas


categorias de timbres.

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Arpeggio/Arp
✓ Arpejos são notas de um acorde tocadas em sequência, ou
seja, separadas (ao invés de simultaneamente). No
Massive, você pode criar arpejos automáticos utilizando o
LFO no modo Stepper.

Pad
✓ Um tipo de som que geralmente é mantido com um longo
tempo de attack, por exemplo, cordas orquestrais. As
principais características de um PAD são relacionadas ao
envelope. Ele é sutil, não é percussivo como um pluck, por
exemplo. O pad pode ser também um adjetivo "PAD-LIKE".
Quando um som é "PAD-LIKE" significa que as
características do seu envelope são parecidas com um pad
(attack lento, sustain elevado, release lento).

Lead
✓ O termo "lead" vem de "liderar". É basicamente aquele
timbre que irá compor a melodia ou algum riff principal na
sua música. É também frequentemente chamado de
"synth". Geralmente, o envelope possui uma característica
mais percussiva, diferente de um pad.

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Pluck
✓ Pluck é mais um adjetivo do que uma categoria de timbres,
uma vez que qualquer timbre pode ser pluck. Você pode
ter um baixo plucky, como os de psytrance ou um baixo
pad-like como no melodic-techno. O pluck refere-se àquele
envelope com attack e releases rápidos. Geralmente o
sustain é sutil, conferindo ao timbre uma característica
percussiva.

FX
✓ FX podem ser efeitos que aplicamos em um determinado
timbre (reverb, flanger, delay, chorus etc). Entretanto, é
comum chamarmos de FX elementos como sweeps,
downlifters, uplifters e noises.

Sequence
✓ Sequences se parecem com os ARPs, mas, geralmente,
não se tem as notas de um acorde sendo tocadas
ritmicamente. Através das modulações por LFO, podemos
criar sequências rítmicas em um determinado timbre.

Além dessas, você vai encontrar muitas outras denominações para os


presets. Mas essas são as principais. Se você ainda não está familiarizado
com esses termos, faça o exercício de navegar em seus bancos de presets
para aprender a reconhecer cada uma das categorias.

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#2: Entender o2 Fluxo de Sinal

Em qualquer VST, existe um caminho que é percorrido pelo


sinal sonoro.
Entender este percurso e tudo o que acontece desde
quando o som é gerado até o momento em que ele "sai" do
VST é o primeiro grande passo para a maestria no Sound-
Design.

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No Massive, o fluxo de sinal vai do lado esquerdo para o
direito.
Do lado esquerdo, ele possui 3 osciladores principais, cada
um com com dezenas de wavetables.

Os osciladores são as
fontes sonoras. É neles
que o som começa.
Sendo assim, a primeira
coisa que você olha
quando abre o Massive é
para os osciladores e para
as wavetables.

Além dos osciladores, ele


possui um Noise Oscillator,
um tipo de oscilador
especial que só gera ondas
do tipo noise.
Ou seja, temos nada mais,
nada menos do que 4
osciladores!

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A partir do momento em que o som é gerado, ele vai passar
pelo filtro, que está localizado no centro do VST. O Massive
possui 2 filtros que podem estar em série ou em paralelo.

Depois de filtrado, o sinal continua caminhando para o lado


direito e vai para o Amplificador e, depois de amplificado, ele
é direcionado à saída e aos nossos ouvidos. Durante esse
trajeto, o som pode ser modulado por 2 ferramentas
poderosas que são os LFOs e os Envelopes.
Os LFOs e os Envelopes podem modular diversos
parâmetros do Massive para deixar o timbre do jeito que
você quiser.

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#3: Desenvolver o ouvido
clínico

Um passo crucial para você criar ou recriar qualquer timbre


no Massive é desenvolver o seu ouvido clínico. Ouvido
clínico é um apelido que eu dei para a capacidade de
reconhecer as características espectrais e dinâmicas de
um timbre.
Sendo assim, quando você ouve um timbre, você deve
imediatamente pensar nessas determinadas características
para que possa reconhecê-las para depois recriá-las.

Caraterísticas Espectrais
Entende-se como características espectrais tudo aquilo que
é relacionado às frequências que um determinado timbre
ocupa no espectro.
Um timbre pode ser mais grave, médio ou agudo. Ele pode
ser rico ou pobre em harmônicos. Pode ser brilhante (rico
em frequências agudas) ou dark (pobre em frequências
agudas).
Pode ser mais metálico ou mais orgânico. Mais limpo ou
mais sujo (distorção).
A primeira coisa que você observa num timbre são essas
características.
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Caraterísticas Dinâmicas
É basicamente como o volume do timbre se comporta em
relação ao tempo.
E isso está relacionado ao envelope de amplitude (ADSR).
Sendo assim, o timbre pode ser mais percussivo, mais pad-
like (sustentado) ou até mesmo wobble (quando, devido à
uma modulação, a amplitude sofre variações, com aumento
e diminuição de forma rítmica).
É importante desenvolver o seu ouvido para identificar
rapidamente essas características.

Caraterísticas Espaciais
Já as características espaciais se resumem a como está o
posicionamento tridimensional do timbre. Estamos falando
de abertura estéreo e profundidade. Uma vez que você já
identificou essas características, você já pode definir quais
são os caminhos para alcançá-las.

Efeitos
Por fim, você vai identificar se o timbre possui delay, reverb,
flanger, chorus, etc…
Quanto mais você utiliza o Massive, mais de familiariza com
as ferramentas, os efeitos e o que cada alteração nos
parâmetros irá provocar no som.

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#4: Dominar a Engenharia
Reversa

A engenharia reversa é uma técnica muito poderosa para


você desvendar qual a ciência por trás da criação de cada
timbre, entender qual a lógica que envolve a criação dos
elementos e como funciona a cabeça dos sound-designers.

A técnica é simples, mas exige disciplina. Você vai


simplesmente escolher um preset que te agrade e anotar
todas as configurações desse preset em um papel.
Posteriormente, é tentar recriar do zero com as suas
anotações.

Parece um exercício sem fundamento, mas se você o fizer,


irá começar a desvendar, por conta própria, os padrões de
criação de inúmeros timbres.

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#1: Tone Generation

Neste primeiro passo, você irá configurar o Massive para


gerar o som que você busca. Este passo é crucial e um dos
mais importantes.

Este processo envolve:

✓ Escolher as wavetables e noise: É importante conhecer


bem as wavetables disponíveis no Massive para que você
possa, logo no início do processo, chegar mais próximo do
timbre que você busca.

✓ Voicing: Aqui você vai escolher se o seu timbre será


monofônico ou polifônico. Uma recomendação importante
é que, quando você for criar timbres monofônicos, como
certos leads, utilize somente um oscilador. Já timbres
polifônicos ficam, na maioria das vezes, melhores com
mais de um oscilador. Na seção “Voicing Tab”, você tem
diversas opções para trabalhar com a mono ou polifonia.

✓ Mod Osc: Este oscilador não gera som, mas ele modula e
confere novas características aos sons dos osciladores.

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#2: Filtro

A partir do momento em que o som já foi gerado, é hora de


retirar (filtrar) os harmônicos indesejados, chegando o mais
próximo possível do que estamos buscando. O Massive
possui 2 filtros, com várias opções cada um. É importante
que você se familiarize com cada um deles. Segue abaixo
uma breve descrição de cada um.

✓ DAFT: tem uma cara mais analógica. Ele é parecido com


o LOWPASS 4, porém mais analógico. 


✓ LOW e HI-Pass: são os mais comuns para sons do tipo


virtual-analógico. 


✓ ALLPASS e DOUBLE-NOTCH: são legais para PADS. 


✓ SCREAM: é tem uma característica bem digital, "growly". 


✓ COMB: traz o efeito de comb-fitering.

✓ ACID: Auto-explicativo. Proporciona uma característica


ácida aos timbres.

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#3: Controles dinâmicos

A partir do momento em que o som já foi gerado e filtrado, é


hora de moldar a dinâmica do mesmo. Para isso, temos 2
ferramentas principais:

✓ ENVELOPE: O Massive possui 4 envelopes e é


importante lembrar que o Envelope 4 é o envelope de
amplitude. Você pode modular diversos parâmetros
com o envelope, dentre eles o volume, o filtro, o pitch
etc. Isso permite que você tenha um controle preciso
sobre a dinâmica do som que está sendo gerado. Se
você quer um som mais plucky (percussivo), você vai
definir o envelope com attack e releases rápidos.Já um
pad, por exemplo, é o oposto, com attack e releases
lentos.

Envelope Plucky

Envelope Pad-like

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✓ LFO: O LFO permite que você crie variações rítmicas e
oscilações em praticamente qualquer parâmetro do
Massive. Um exemplo clássico são os baixos wobble.
Para criar esses timbres, basta designar o LFO para
modular o volume do oscilador e/ou o cutoff. Depois
disso, é só definir, no LFO, a intensidade e a frequência
das oscilações, bem como a onda. No Massive, você
pode transformar o LFO em um Performer ou Stepper, o
que permite que você tenha novas possibilidades de
modulação.

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#4: Efeitos

Seu timbrão está quase pronto! Só falta dar os toques finais


com efeito e equalização.

Você pode escolher até 2 efeitos ao mesmo tempo, além de


um equalizador básico. Este é o tempero final que você dá
ao timbre, utilizando, para tanto, delay, reverb, chorus,
flanger, phaser, dimension expander ou distorção.

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Agora que você já conhece as 4 habilidades essenciais para
o sound-design com o Massive e os 4 passos essenciais
para a criação de qualquer timbre, o céu será o limite!

Se você está realmente sério na decisão de se tornar um


Sound-Designer com o Massive, sugiro que conheça o
treinamento Mestre do Massive 2.0.

Clique aqui para conhecer mais!

Ou visite o link: http://topprodutor.com.br/mestre-do-


massive-2

Um grande abraço, e nos vemos em breve!

#EvoluçãoSempre

Fundador da PME-Experts

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