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Lula e o projeto democrático e popular <T1>


Quando o mandato de FHC chegou ao fim, o PSDB apresentou como candidato à
presidência José Serra, que havia sido ministro da Saúde. O principal adversário de Serra era o
já conhecido Luiz Inácio Lula da Silva.
Lula, embora sempre tenha conseguido angariar um número expressivo de votos nas
eleições das quais participou, também sofria forte rejeição por parte do eleitorado devido à
vinculação de sua imagem ao socialismo, uma vez que sua carreira política estava atrelada ao
movimento sindical e ao enfrentamento à ditadura, no final da década de 1970.
Amparado por consultores de marketing, Lula apresentou uma nova imagem, marcada
por um discurso mais brando, no qual ficava claro que não pretendia tomar medidas radicais,
caso fosse eleito. Também alertava para a necessidade de um programa de redistribuição de
renda com vistas à diminuição da pobreza e violência no país, proposta que atendia ao anseio
geral da população. Essa nova postura contribuiu para que Lula vencesse a eleição em segundo
turno, com 61% dos votos. Desse modo, o governo de Lula buscou implementar o seu chamado
projeto democrático e popular, alicerçado pelo contato com os movimentos sociais e amparado
nos processos democráticos. Esse programa foi responsável pela consolidação do PT enquanto
governo, ao mesmo tempo que gerou duras críticas tanto no campo da direita, como da
esquerda.

Programas sociais <T2>


Em seu primeiro mandato, Lula manteve as promessas da campanha no que dizia
respeito à manutenção da política econômica neoliberal de seu antecessor, FHC, com seus altos
índices de juros e forte controle inflacionário. A escolha de Henrique Meirelles – executivo
reconhecidamente neoliberal – para o cargo de presidente do Banco Central inicialmente
assustou alguns setores petistas, ao mesmo tempo que foi aprovado por empresários e
banqueiros.
Porém, as grandes medidas de popularidade do governo Lula foram os programas
sociais, em uma ênfase muito maior do que a dada por governos antecessores. Garantindo
abertura e diálogo com minorias, o governo sancionou em 2003 a Lei n. 10.639/03, que
tornava obrigatório o ensino da história e cultura afro-brasileira e africana do Ensino
Fundamental até o Médio. A lei representou uma vitória do movimento negro e permite que a
história, herança e tradição afro-brasileira possa ser valorizada, reconhecida e analisada sob
uma luz positiva no país.

Ainda em 2003, Lula anunciou que o programa de distribuição de renda Comunidade


Solidária, criado no mandato de Fernando Henrique Cardoso, seria substituído pelo Fome Zero.
Esse programa consistia em uma série de ações direcionadas aos setores mais pobres da
população, com o objetivo de garantir o acesso à água potável e alimentos para todos. O Fome
Zero recebeu muitas críticas e foi acusado de ser ineficiente quanto à promoção de mudanças
sociais efetivas. Em 2013, o Fome Zero foi substituído pelo Bolsa Família.

Considerado um programa mais efetivo que o Fome Zero, pois abrangia cuidados não
apenas com a alimentação, mas também com a promoção da saúde e escolarização, o Bolsa-
Família é um programa de redistribuição de renda que repassa mensalmente valores em
dinheiro para famílias consideradas pobres ou extremamente pobres. O recebimento desses
valores, porém, está condicionado a fatores como a manutenção de crianças e adolescentes de
6 a 17 anos na escola, ao acompanhamento pré-gestacional das grávidas e à vacinação das
crianças.
Outros programas foram lançados, como o Programa Universidade para Todos, Prouni,
em 2005. Sua finalidade era a concessão de bolsas de estudo totais ou parciais para o Ensino
Superior em universidades privadas para jovens oriundos de famílias de baixa renda. O governo
PT ficou associado às cotas estudantis, em que vagas em universidades eram garantidas a
alunos com base em critérios étnicos. A iniciativa gerou intenso debate social, com resistência
acirrada de alguns setores que viam como “favorecimento injusto” a reserva de vagas a essas
pessoas. Acreditava-se também que estes alunos não acompanhariam o ritmo de estudos, o
que se provou errado. Por parte dos apoiadores da instituição de cotas há também críticas a
respeito de como apenas as cotas não são suficientes para uma educação mais igualitária, uma
vez que os estudantes mais pobres que entram na faculdade muitas vezes não conseguem se
manter estudando até se formarem, em virtude dos gastos e das dificuldades, como mostram
os dados sobre evasão estudantil nas universidades públicas.
Nesse mesmo ano ocorreu a primeira grande crise do governo de Lula, conhecida como
Mensalão. Ela se relacionou a denúncias de que deputados da base aliada do presidente
recebiam valores mensais para votar favoravelmente aos projetos do governo. A denúncia deu
início a uma investigação que acabou por indiciar criminalmente vários nomes importantes
ligados ao PT. Lula, porém, não chegou a ser citado.

Segundo mandato de Lula <T2>


A despeito da queda de sua popularidade ao final de seu primeiro mandato, Lula se
candidatou à reeleição em 2006. Seu principal adversário na disputa foi Geraldo Alckmin, do
PSDB, que foi derrotado por Lula no segundo turno com cerca de 60% dos votos. Sua vitória foi
muito criticada e atribuída, principalmente, a suas políticas de redistribuição de renda, que
passaram a ser vistas por muitos como manobras para manter sua popularidade perante a
população mais pobre do país.
Lula iniciou seu segundo mandato politicamente enfraquecido devido ao afastamento
de grande parte de sua base aliada em virtude das investigações do Mensalão. O foco do
segundo período de seu governo foi o desenvolvimento de setores de infraestrutura
fundamentais para o crescimento econômico do país, negligenciados em seu primeiro
mandato. Seus planos de investimento foram detalhados no Programa de Aceleração do
Crescimento (PAC), anunciado em 2007. De acordo com o PAC, cerca de 500 bilhões de reais
deveriam ser investidos durante os próximos anos em obras de construção e manutenção nos
setores de transporte, geração de energia, saneamento básico e habitação. Esses investimentos
seriam diretos, por meio de desoneração tributária, agilização de regulamentação ambiental e
estímulo ao crédito.
O PAC, no entanto, foi alvo de várias críticas, dentre elas a de que era moroso e
ineficiente. Em 2010 um novo pacote de medidas foi anunciado com o nome de PAC 2, voltado
principalmente para obras de infraestrutura social e urbana. Nele se destacavam o programa
Minha Casa Minha Vida, que previa a construção e financiamento de moradias populares a
baixas taxas de juros para reduzir o déficit habitacional do país, e o PAC da Copa, que previa
investimentos em obras relacionadas à Copa do Mundo de 2014, que seria realizada em
algumas cidades no Brasil.

Dilma Roussef <T1>


Ao final de seu mandato, Lula apresentava altos níveis de aprovação por parte da
população, chegando a máximas de 83%. Suas ações pela distribuição de renda e pelo fim da
pobreza levaram o presidente a ser reconhecido internacionalmente pelas iniciativas tomadas
em seu governo.
Para as eleições de 2010 ele anunciou que apoiaria a candidatura de Dilma Rousseff, do
PT, que havia sido ministra de Minas e Energia em seu governo nos anos de 2003 a 2005 e,
posteriormente, ministra da Casa Civil entre 2005 e 2010. Contra ela concorreu José Serra do
PSDB. Dilma foi eleita em segundo turno, com cerca de 56% dos votos, tornando-se a primeira
mulher presidente do Brasil.

<inserir imagem>

https://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Dilma_Lula_Temer_Conven%C3%A7%C3%A3o_PT.jpg
<Legenda> O presidente Lula participa da convenção nacional do PT, que confirmou a candidatura da ex-ministra Dilma Rousseff à
Presidência da República e Michel Temer (PMDB), como vice na chapa.

Dilma deu continuidade à política econômica adotada por Lula, preservando traços
neoliberais com foco em questões sociais. Seu governo, no entanto, teve início em um período
de recessão mundial, decorrente da crise de 2008. A economia, que até então avançava em
franco crescimento, começou a dar sinais de estagnação.
O governo Dilma deu continuidade ao PAC 2, herdado do governo anterior. Dilma
também iniciou uma política de redução das taxas de juros para facilitar o acesso ao crédito
para pessoas e empresas, de forma a amenizar a crise econômica. Outros programas, porém,
como o PAC da Copa, foram altamente criticados.
A dimensão do descontentamento das pessoas se tornou visível em junho de 2013,
quando ocorreu uma série de manifestações populares pelo Brasil, muitas vezes chamadas de
Jornadas de Junho. Iniciadas em São Paulo, onde a população fez diversos protestos contra o
aumento dos valores nas passagens de ônibus, elas rapidamente se espalharam por outros
estados. O lema “não é só por vinte centavos” indicava que muitas outros problemas estavam
sendo apresentados: queda na qualidade de vida, desemprego, falta de estrutura,
precariedade da educação, corrupção e outros mais que foram se apresentando
gradativamente. Essas mobilizações foram violentamente reprimidas pelas polícias militares. A
reação policial desmedida foi transmitida ao vivo pela internet, mobilizando ainda mais
pessoas às ruas.

Enquanto a presidente lidava com essa situação, sinalizando o início de uma possível
reforma política, começaram a vir a público investigações feitas pela Polícia Federal, parte da
operação chamada Lava-Jato, que acusavam vários membros do governo de Lula e Dilma de
estarem envolvidos em esquemas de corrupção. O primeiro alvo da operação foi a Petrobras,
cujo corpo diretor acabou caindo, afetando as ações da empresa na Bolsa de Valores.
Segundo mandato de Dilma, Impeachment e governo Temer <T3>

Dentro da esquerda, há setores que criticam duramente os rumos tomados pelos


governos petistas. Ao terem se dobrado aos banqueiros, o PT representaria não um aliado dos
trabalhadores, mas sim um partido conciliador, que buscou manter a ordem estabelecida. Além
disso, segundo as críticas, o PT faz parte de um modo de agir político que se tornou
hegemônico na esquerda e seria prejudicial aos trabalhadores, uma vez que teria
institucionalizado e burocratizado as lutas sociais.
Nesse clima de instabilidade política, as eleições de 2014 se aproximavam. Dilma
Rousseff se candidatou à reeleição e seu principal concorrente foi o político mineiro Aécio
Neves, do PSDB. Os eleitores estavam altamente polarizados entre os dois candidatos, o que
fez com que essa fosse a eleição mais disputada desde a redemocratização do país em 1985,
com apenas 3 milhões e meio de votos de diferença entre ambos. Dilma venceu em segundo
turno com pouco mais de 51% dos votos.
O segundo mandato de Dilma começou em meio a um clima de instabilidade política e
econômica. A crise econômica se agravou, fábricas fecharam e os níveis de desemprego e
pobreza aumentaram. A inflação começou a crescer. A presidente encontrou muita dificuldade
para sanar esses problemas, pois sua base de apoio político havia diminuído diante dos últimos
acontecimentos e sua posição perante o Congresso era muito frágil, o que inviabilizava sua
governabilidade, já que não conseguia mais aprovar seus projetos.
Vários pedidos de impeachment foram protocolados contra a presidente e, um deles -
que a acusava de maquiar o orçamento nacional, manipulando o repasse de verbas e
pagamento de títulos a bancos, de forma a aparentar maior equilíbrio fiscal, manobra chamada
de “pedalada fiscal”, - foi aceito pelo presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha,
que posteriormente seria preso por corrupção. Em 31 de agosto de 2016, o Senado se decidiu
pelo impeachment da presidente, assumindo em seu lugar o vice- -presidente Michel Temer do
PMDB. Muitas pessoas, no entanto, acreditam que não havia provas suficientes para a
condenação da presidente e que ela foi vítima de um golpe político, cujo objetivo era afastar o
PT do governo do país, já que mesmo com todas as denúncias, o partido continuava vencendo
as eleições para presidente.
Michel Temer assumiu a presidência em 12 de maio de 2016. Em seu mandato, o
político tem tentado viabilizar reformas muito impopulares, como a Reforma da Previdência.
Outras medidas já foram instituídas, como a trabalhista (que altera e retira direitos adquiridos
dos trabalhadores) e o congelamento de gastos em diversos setores por 20 anos. De maneira
geral, especialistas apontam que o governo Temer apresenta medidas de caráter impopular, o
governo possui fraco desempenho econômico, além da incapacidade de reverter os índices de
desemprego. Com 7% de aprovação em outubro de 2017, Temer é considerado o presidente
com o maior índice de rejeição da atualidade.
QUESTÕES
<Resolvidos>

1. (IFCE - 2014)
Em relação ao Brasil do início do século XXI, é correto afirmar que:
a) teve, com a eleição do presidente Lula, a continuidade das propostas neoliberais, tendo em
vista ser este presidente forte defensor das ideias do Partido da Social Democracia Brasileira.
b) no segundo governo Lula, 2007 a 2010, o programa social Bolsa - Família foi extinto, tendo
em vista o modelo econômico brasileiro ter ultrapassado a inclusão social, não necessitando
mais de ações assistencialistas.
c) com a eleição de Dilma Rousseff à Presidência da República, os partidos PSDB e PFL
passaram a compor o governo, apoiando o novo programa de desenvolvimento econômico do
país, o PRONATEC, que defende a nacionalização de todas as empresas estrangeiras.
xd) o governo de Dilma Rousseff sofreu uma forte crise de contestação às suas ações, como
contra a corrupção em diversos setores e esferas no país, no período que antecedeu a Copa
das Confederações em 2013.
e) em atitude semelhante à de Getúlio nos anos de 1950, ao criar a PETROBRÁS, a Presidente
Dilma Rousseff conseguiu, com apoio do Congresso Nacional, garantir a exclusiva exploração do
Petróleo na camada Pré-Sal, impedindo o loteamento desta camada para empresas
estrangeiras.

Comentário:
A ex-presidente Dilma de fato sofreu uma série de manifestações de desagrados por parte dos
brasileiros na ocasião da realização de jogos da Copa das Confederações em 2013,
marcadamente sendo vaiada antes dos jogos. Quanto as outras alternativas, o ex-presidente
Lula, embora tenha mantido políticas neoliberais em seu governo, defendidas pelo PSDB, é
simpatizante das ideias socialistas; o Bolsa - Família não foi extinto; o Pronatec nada tem a ver
com nacionalização de empresas, caracterizando-se como um programa voltado para a
empregabilidade de jovens e o a exploração do pré-sal foi leiloada durante a gestão da ex-
presidente Dilma para empresas estrangeiras, fato que é contrário aos ideais socialistas que
regem seu partido, o PT e que gerou muitas críticas a ela.

2. (UEM)
Depois de perder três eleições consecutivas à presidência, finalmente o candidato do Partido
dos Trabalhadores, Luiz Inácio Lula da Silva, venceu o pleito em 2002 e elegeu-se Presidente da
República. A respeito do Governo de Luiz Inácio Lula da Silva, assinale a alternativa correta.

a) Assim que assumiu o governo, o presidente Lula desencadeou um amplo programa de


privatização e, por isso, passou a ser acusado, pelos partidos de oposição, de prática de
corrupção.
xb) A proposta de acabar com a fome no Brasil, divulgada como Fome Zero, foi uma das
principais bandeiras de campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
c) Por sua orientação socialista, o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva enfrentou muitas
dificuldades para iniciar seu governo, uma vez que os militares de direita tentaram de várias
maneiras impedir que ele tomasse posse.
d) Ao assumir o governo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tomou medidas imediatas para
mudar radicalmente a política econômica praticada por seu antecessor e suspendeu
unilateralmente o pagamento da dívida externa brasileira.
e) Na gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o Brasil tem sido atuante no campo da
política externa, participando, inclusive, da força de coalizão que hoje ocupa o Iraque.

Comentário:
O combate à fome foi uma bandeira permanente do governo de Lula. O programa Fome Zero
foi sua primeira medida nesse sentido. Posteriormente o programa foi abarcado pelo Bolsa -
Família. Sobre a opção B, o presidente conhecido pelo grande número de privatizações foi FHC;
Lula nunca enfrentou oposição de militares para governar nos anos 2000; Lula manteve a
política neoliberal adotada por Fernando Henrique Cardoso; Lula foi, de fato, bastante atuante
em sua política externa, no entanto forças brasileiras foram enviadas para o Haiti e não para o
Iraque.

<Praticando>

1. (UFSC)

Assinale a(s) proposição(ões) VERDADEIRA(S) referente(s) a acontecimentos históricos


relevantes ocorridos no Brasil nos primeiros anos do século XXI.

FOLHA DE SÃO PAULO. São Paulo: 29 jun. 2003 p. A2

01) No Brasil um cidadão nordestino e metalúrgico foi eleito pelo Partido dos Trabalhadores,
aliado a outros partidos, para ocupar o cargo de Presidente da República.
02) Com a eleição de um presidente filiado ao Partido dos Trabalhadores, as mulheres
passaram a ter seus salários equiparados aos dos homens quando no exercício da mesma
profissão. E os estudantes negros passaram a ter direito a cotas nas universidades públicas.
04) Mesmo pertencendo aos quadros do Partido dos Trabalhadores, Luiz Inácio Lula da Silva, já
no exercício da presidência, não conseguiu impedir que as lideranças do Movimento dos
Trabalhadores Sem Terra, descontentes com o ritmo da reforma agrária, promovessem
invasões de propriedades rurais.
08) Os trabalhadores, empresários e o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra demonstraram
publicamente seu apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva evitando críticas, greves e
invasões de propriedades rurais após sua posse.
16) Os servidores públicos descontentes com a proposta de reforma da Previdência,
encaminhada ao Congresso Nacional pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, manifestaram
publicamente o seu descontentamento.

2. (UEFS)
A charge faz uma crítica:
a) à utilização da máquina administrativa na campanha presidencial, associada a uma crítica
irônica aos interesses da elite, contrariados no governo Fernando Henrique Cardoso;
b) à política de distribuição de renda e de recomposição do poder de compra da classe
trabalhadora do presidente Fernando Henrique Cardoso, o que lhe garantiu grande apoio
popular;
c) aos acordos estabelecidos entre Fernando Henrique Cardoso e a elite econômica para buscar
apoio político na campanha para presidente da República;
d) à política econômica do governo Fernando Henrique Cardoso, de acordo com os ideários
neoliberais e as diretrizes do Fundo Monetário Internacional;
e) ao financiamento ilegal e à compra de votos no Congresso para a campanha à presidência da
República de Fernando Henrique Cardoso.

3. (IFCE - 2016)
O movimento dos caras pintadas ocorreu no ano de 1992, quando milhões de brasileiros foram
às ruas, liderados por jovens estudantes, pressionando pelo impeachment do então presidente
da república Fernando Collor de Melo. Na atualidade, dois grandes movimentos de
repercussão nacional levaram novamente milhões de jovens às ruas, sendo eles

a) a luta contra o aumento das passagens de ônibus urbanos em 2013 e contra o fechamento
de escolas em São Paulo em 2015.
b) a luta contra a privatização da Petrobras em 2014 e pela derrubada do Presidente da Câmara
dos Deputados em 2015.
c) a luta contra a realização da Copa do Mundo e das Olimpíadas no Brasil em 2013 e a favor da
permanência de Renan Calheiros na Presidência do Senado em 2014.
d) a luta contra a tomada de empréstimos do FMI em 2014 e contra a adesão do Brasil à guerra
ao terrorismo do Estado Islâmico em 2015.
e) a luta contra a emenda da reeleição para Presidente da República em 2013 e a favor
do impeachment da Presidente Dilma Rousseff em 2015.
<Desenvolvendo habilidades>

1. C1:H4 (Enem – 2012)

Texto I

O que vemos no país é uma espécie de espraiamento e a manifestação da agressividade


através da violência. Isso se desdobra de maneira evidente na criminalidade, que está presente
em todos os redutos — seja nas áreas abandonadas pelo poder público, seja na política ou no
futebol. O brasileiro não é mais violento do que outros povos, mas a fragilidade do exercício e
do reconhecimento da cidadania e a ausência do Estado em vários territórios do país se
impõem como um caldo de cultura no qual a agressividade e a violência fincam suas raízes.
(Entrevista com Joel Birman. A Corrupção é um crime sem rosto. IstoÉ. Edição 2099, 3 fev.
2010).

Texto II

Nenhuma sociedade pode sobreviver sem canalizar as pulsões e emoções do indivíduo, sem
um controle muito específico de seu comportamento. Nenhum controle desse tipo é possível
sem que as pessoas anteponham limitações umas às outras, e todas as limitações são
convertidas, na pessoa a quem são impostas, em medo de um ou outro tipo.
(ELIAS, N. O Processo Civilizador. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1993.)

Considerando-se a dinâmica do processo civilizador, tal como descrito no Texto II, o argumento
do Texto I acerca da violência e agressividade na sociedade brasileira expressa a

a) incompatibilidade entre os modos democráticos de convívio social e a presença de aparatos


de controle policial.
b) manutenção de práticas repressivas herdadas dos períodos ditatoriais sob a forma de leis e
atos administrativos.
c) inabilidade das forças militares em conter a violência decorrente das ondas migratórias nas
grandes cidades brasileiras.
d) dificuldade histórica da sociedade brasileira em institucionalizar formas de controle social
compatíveis com valores democráticos.
e) incapacidade das instituições político-legislativas em formular mecanismos de controle
social específicos à realidade social brasileira.

2. C1:H3 (Enem – 2016)

Participei de uma entrevista com o músico Renato Teixeira. Certa hora, alguém pediu para listar
as diferenças entre a música sertaneja antiga e a atual. A resposta dele surpreendeu a todos:
“Não há diferença alguma. A música caipira sempre foi a mesma. É uma música que espelha a
vida do homem no campo, e a música não mente. O que mudou não foi a música, mas a vida
no campo”. Faz todo sentido: a música caipira de raiz exalava uma solidão, um certo
distanciamento do país “moderno”. Exigir o mesmo de uma música feita hoje, num interior
conectado, globalizado e rico como o que temos, é impossível. Para o bem ou para o mal, a
música reflete seu próprio tempo.
(BARCINSKI, A. Mudou a música ou mudaram os caipiras? Folha de São Paulo, 4 jun. 2012
(adaptado.))
A questão cultural indicada no texto ressalta o seguinte aspecto socioeconômico do atual
campo brasileiro:

a) Crescimento do sistema de produção extensiva.


b) Expansão de atividades das novas ruralidades.
c) Persistência de relações de trabalho compulsório.
d) Contenção da política de subsídios agrícolas.
e) Fortalecimento do modelo de organização cooperativa.

3. C2:H10 (Enem – 2014)

Parecer CNE/CP n° 3/2004, que instituiu as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação
das Relações Étnico-Raciais e para o Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana.

Procura-se oferecer uma resposta, entre outras, na área da educação, à demanda da população
afrodescendente, no sentido de políticas de ações afirmativas. Propõe a divulgação e a
produção de conhecimentos, a formação de atitudes, posturas que eduquem cidadãos
orgulhosos de seu pertencimento étnico-racial — descendentes de africanos, povos indígenas,
descendentes de europeus, de asiáticos — para interagirem na construção de uma nação
democrática, em que todos igualmente tenham seus direitos garantidos.

(BRASIL. Conselho Nacional de Educação. Disponível em: www.semesp.org.br. Acesso em: 21


nov. 2013 (adaptado.))

A orientação adotada por esse parecer fundamenta uma política pública e associa o princípio
da inclusão social a

a) práticas de valorização identitária.


b) medidas de compensação econômica.
c) dispositivos de liberdade de expressão.
d) estratégias de qualificação profissional.
e) instrumentos de modernização jurídica.

4. C3:H15 (Enem – 2014)

Existe uma cultura política que domina o sistema e é fundamental para entender o
conservadorismo brasileiro. Há um argumento, partilhado pela direita e pela esquerda, de que
a sociedade brasileira é conservadora. Isso legitimou o conservadorismo do sistema político:
existiriam limites para transformar o país, porque a sociedade é conservadora, não aceita
mudanças bruscas. Isso justifica o caráter vagaroso da redemocratização e da redistribuição da
renda. Mas não é assim. A sociedade é muito mais avançada que o sistema político. Ele se
mantém porque consegue convencer a sociedade de que é a expressão dela, de seu
conservadorismo.
(NOBRE, M. Dois ismos que não rimam. Disponível em: www.unicamp.br. Acesso em: 28 mar.
2014 (adaptado.))

A característica do sistema político brasileiro, ressaltada no texto, obtém sua legitimidade da

a) dispersão regional do poder econômico,


b) polarização acentuada da disputa partidária.
c) orientação radical dos movimentos populares.
d) condução eficiente das ações administrativas.
e) sustentação ideológica das desigualdades existentes.

5. C3:H13 (Enem – 2017)

A participação da mulher no processo de decisão política ainda é extremamente limitada em


praticamente todos os países, independentemente do regime econômico e social e da
estrutura institucional vigente em cada um deles. É fato público e notório, além de
empiricamente comprovado, que as mulheres estão em geral sub-representadas nos órgãos do
poder, pois a proporção não corresponde jamais ao peso relativo dessa parte da população.
(ABAK, F. Mulheres públicas: participação política e poder. Rio de Janeiro: Letra Capital, 2002.)

No âmbito do Poder Legislativo brasileiro, a tentativa de reverter esse quadro de sub-


representação tem envolvido

a) leis que combatem a violência doméstica.


b) cotas de gêneros nas candidaturas partidárias.
c) programas de mobilização política nas escolas.
d) propaganda de incentivo ao voto consciente.
e) apoio financeiro às lideranças femininas.

Complementares <T3>

1. (UFU)

A foto anterior, publicada na "Folha de S. Paulo", em 07 de maio de 2005, mostra imagens de


uma marcha dos trabalhadores sem-terra, entre Goiânia e Brasília. Ao final da marcha,
representantes do movimento foram recebidos em audiência pelo Presidente Luiz Inácio Lula
da Silva.

Sobre os significados políticos dessa marcha e sobre o relacionamento entre o Movimento dos
Trabalhadores Sem-Terra e o governo Lula, assinale a alternativa correta.
a) A defesa do "impeachment" do Presidente Lula, em função das denúncias de corrupção no
seu governo, foi a principal bandeira levantada pelo movimento dos trabalhadores sem-terra,
na marcha de Goiânia a Brasília.
b) Na audiência com o Presidente da República, os representantes do movimento dos
trabalhadores sem-terra entregaram-lhe um documento que continha, entre outras
reivindicações, a necessidade do governo aumentar significativamente o número de famílias
assentadas até o fim de seu mandato, além de liberar crédito especial para os trabalhadores
assentados.
c) A marcha de Goiânia a Brasília unificou as organizações dos trabalhadores sem-terra que
externaram, em documento, a sua completa desconfiança em relação ao Presidente da
República, considerando-o representante dos setores conservadores da sociedade brasileira,
portanto, sem nenhuma credibilidade para implementar os assentamentos de reforma agrária
pretendidos.
d) A decisão do Presidente Lula de compor seu governo com ministros do campo progressista
foi determinante para lhe assegurar maioria no Congresso Nacional, possibilitando o
cumprimento das promessas de campanha relativas ao número de assentamentos de reforma
agrária e colocando fim aos conflitos e à violência no campo. Por isso, a marcha objetivou
explicitar o apoio do movimento ao Presidente da República.

2. (PUCRS)

Considere as afirmativas a seguir, sobre fatos relacionados à política interna do Governo Luís
Inácio Lula da Silva.

I. Foi criado o programa "Primeiro Emprego", como forma de combater o trabalho infantil e o
escravo, em expansão em várias regiões do país.
II. Ampliaram-se, através do Prouni, as vagas no ensino superior, para acolher alunos
provenientes do ensino público e com renda familiar reduzida.
III. O Programa Fome Zero, taxado por vários representantes da sociedade civil de
assistencialista, tem sido criticado pelos entraves burocráticos e pela forma de controle
adotada para a concessão dos benefícios, que dificultam a expansão do programa.
IV. O Governo Federal reduziu significativamente os impostos visando a diminuir a carga
tributária sobre a classe média e a produção industrial.

Estão corretas as afirmativas


a) I e II
b) I e III
c) II e III
d) II e IV
e) III e IV

3. (Fuvest)

A partir da redemocratização do Brasil (1985), é possível observar mudanças econômicas


significativas no país. Entre elas, a
a) exclusão de produtos agrícolas do rol das principais exportações brasileiras.
b) privatização de empresas estatais em diversos setores como os de comunicação e de
mineração.
c) ampliação das tarifas alfandegárias de importação, protegendo a indústria nacional.
d) implementação da reforma agrária sem pagamento de indenização aos proprietários.
e) continuidade do comércio internacional voltado prioritariamente aos mercados africanos e
asiáticos.
4. (PUC Minas)

O PAC (Programa de Aceleração do Crescimento, do governo Lula), lançado em 2007 pela


Ministra da Casa Civil Dilma Rousseff, tem inspiração nas teses de desenvolvimentistas criadas
na década de 60:

a) pela OEA (Organização dos Estados Americanos).


b) pela UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura).
c) pela CEPAL (Comissão Econômica para América Latina).
d) pelo FMI (Fundo Monetário Internacional).

5. (Fuvest – 2017)
As imagens mostram a situação do local da Barragem de Fundão, em Mariana/MG, antes e
depois do acidente de 05 de novembro de 2015. Essa ocorrência consistiu no rompimento da
barragem, que resultou em mortes e na liberação de milhões de toneladas de lama, que
acabaram por atingir o distrito de Bento Rodrigues, no vale do rio Doce.

a) Do ponto de vista econômico, qual é a importância da região de Mariana/MG onde se


encontrava a referida barragem? Explique, apontando dois exemplos.
b) Indique uma consequência do acidente em relação ao meio ambiente e outra quanto ao
impacto social no vale do rio Doce.