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No final do século XIX, o mundo passa por inúmeras crises.

É o surgimento de novos valores


sociais, do novo jeito de produzir, com base na produção setorizada e em grande escala, no
fordismo. Este período histórico é caracterizado pela Segunda Revolução Industrial. É um
momento de transformações sociais, políticas e econômicas, em que não cabe mais aquele
modelo tradicional de educação. E é neste contexto que surge a Escola Nova.

Segundo Aranha (1996): “Escola Nova surge no final do século XIX justamente para propor
novos caminhos à educação, que se encontra em descompasso com o mundo no qual se acha
inserida. Representa o esforço de superação da pedagogia da essência pela pedagogia da
existência. Não se trata mais de submeter o homem a valores e dogmas tradicionais e eternos
nem de educá-lo para a realização de sua 'essência verdadeira'. A pedagogia da existência
volta-se para a problemática do indivíduo único, diferenciado, que vive e interage em um
mundo dinâmico”. (ARANHA, 1996, p. 167).

Há uma inversão de valores; agora, a criança deve ser tratada como criança, e não como um
pequeno adulto. Passa-se a valorizar o caráter psicológico, a respeitar o tempo da criança. O
importante, para esta tendência, é atender às especificidades da natureza infantil. O objetivo é
o homem integral, isto é, deve-se pensar no sujeito como um todo, valorizando não somente o
aspecto racional, mas também os emocionais, sensoriais e físicos.

Para cumprir seus princípios, a pedagogia escola novista entende que, na relação professor-
aluno, "não há lugar privilegiado para o professor; antes, seu papel é auxiliar o
desenvolvimento livre e espontâneo da criança; intervém-se, é para dar forma ao raciocínio
dela." (Libâneo, 1994, p. 58).

Nesse sentido, o método de ensino está baseado no aprender a aprender, ou no aprender


fazendo. Deve-se levar o aluno a resolver problemas, a pesquisar, a estudar o meio social e
natural. Dedica-se ao trabalho individual, enquanto o trabalho em grupo serve apenas para
garantir a socialização das experiências.

Os conteúdos a serem ensinados são estabelecidos de acordo com o interesse e a experiência


que resultou do processo de resolução de problemas. O importante não é o que se aprende,
mas aprender a aprender, segundo (Libâneo, 1994, p. 58) "é mais importante o processo de
aquisição do saber do que o saber propriamente dito".

Entendendo a Escola Nova em seu contexto, percebemos que ela vem para garantir o
fortalecimento dos ideais liberais na formação dos indivíduos. Isso fica claro nas palavras de
Aranha (1996): “Compreende-se o ideário escola novista a partir da situação social e
econômica em que foi gerado. Nesse sentido, a escola nova é típica representante da
pedagogia liberal. (...) A crescente industrialização da sociedade contemporânea, com suas
rápidas transformações, requer a ampliação da rede escolar, bem como uma escola que
prepara para o novo; além do mais, as esperanças de superação das desigualdades sociais
encontram na adequada escolarização uma promessa de mobilidade social”. (ARANHA, 1996,
p. 168).

Essa tendência é implementada no Brasil no século XX, a partir da década de 20, mas
encontramos seus princípios claramente expostos no Manifesto dos Pioneiros da Educação,
publicado em 1932. Nessa época, a Escola Nova é fortemente criticada pelos católicos
conservadores que, na época, detinham o monopólio da educação elitista e tradicional no país.
Com o Estado Novo (1937 a 1945), a Escola Nova perde sua força, e somente volta à tona na
década de 50, com o objetivo de ampliar os ideais do liberalismo brasileiro, como a ampliação
da escolarização e a formação de trabalhadores para a indústria, em plena ascensão no Brasil.

Mesmo pregando uma educação universal, gratuita e democrática, a Escola Nova mantém os
ideais liberais jamais questionando a estrutura social. Reproduz, assim, a diferença na
educação dos filhos de operários e na dos filhos da elite, com a maior elitização do ensino,
pois, ao dar ênfase à alta qualificação dos professores e às altas exigências das escolas
particulares, acabou desqualificando as escolas públicas, que eram impossibilitadas de
introduzir as novidades didáticas, por falta de estrutura e dinheiro.