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Fases da digestão

Fase cefálica
Durante a fase cefálica da digestão, o olfato, a visão, o pensamento ou o gosto inicial da
comida ativam centros neurais no córtex cerebral, no hipotálamo e no tronco encefálico. O
tronco encefálico então ativa os nervos facial (NC VII), glossofaríngeo (NC IX) e vago (NC
X). Os nervos facial e glossofaríngeo estimulam as glândulas salivares a secretar saliva,
enquanto o nervo vago estimula as glândulas gástricas a secretar suco gástrico. A
finalidade da fase cefálica da digestão é preparar a boca e o estômago para o alimento
que está prestes a ser ingerido.

ÓRGÃO FUNÇÃO(ÕES)
Língua Manobra os alimentos para a mastigação,
modela o alimento em um bolo alimentar,
manobra os alimentos para a deglutição,
detecta sensações de paladar e inicia a
digestão dos triglicerídios
Glândulas salivares A saliva produzida por essas glândulas
amacia, hidrata e dissolve os alimentos;
limpa a boca e os dentes; inicia a digestão
do amido
Dentes Cortam, dilaceram e pulverizam os
alimentos sólidos em partículas menores
para serem deglutidas
Pâncreas O suco pancreático tampona o suco
gástrico ácido no quimo, interrompe a ação
da pepsina do estômago, cria o pH
apropriado para a digestão no intestino
delgado e participa na digestão de
carboidratos, proteínas, triglicerídios e
ácidos nucleicos
Fígado Produz a bile, que é necessária para a
iemuls ificação e a absorção dos lipídios no
intestino delgado
Vesícula biliar Armazena e concentra a bile e libera-a para
o intestino delgado
Estômago Ondas de mistura combinam a saliva, os
alimentos e o suco gástrico, o que ativa a
pepsina, inicia a digestão de proteínas,
mata microrganismos dos alimentos, ajuda
a absorver a vitamina B12, contrai o
esfíncter esofágico inferior, aumenta a
motilidade do estômago, relaxa o músculo
esfíncter do piloro e move o quimo para o
intestino delgado
Intestino delgado A segmentação mistura o quimo com os
sucos digestórios; o peristaltismo
impulsiona o quimo para o óstio ileal; as
secreções digestórias do intestino delgado,
pâncreas e fígado completam a digestão
dos carboidratos, proteínas, lipídios e
ácidos nucleicos; as pregas circulares,
vilosidades e microvilosidades ajudam a
absorver aproximadamente 90% dos
nutrientes digeridos
Intestino grosso A agitação das saculações do colo, o
peristaltismo e o peristaltismo em massa
dirigem o conteúdo do colo para o reto;
bactérias produzem algumas vitaminas do
complexo B e a vitamina K; ocorre a
absorção de um pouco de água, íons e
vitaminas; defecação

Fase gástrica
Quando o alimento chega ao estômago, começa a fase gástrica da digestão. Mecanismos
neurais e hormonais regulam esta fase, a fim de promover a secreção e motilidade
gástrica.

➢ Regulação neural: O alimento de qualquer tipo distende o estômago e estimula os


receptores de estiramento em suas paredes. Os quimiorreceptores no estômago
monitoram o pH do quimo no estômago. Quando as paredes do estômago são
distendidas ou o pH aumenta porque proteínas entraram no estômago e
tamponaram um pouco do seu ácido, os receptores de estiramento e
quimiorreceptores são ativados, e um ciclo de feedback negativo neural é acionado
Os impulsos nervosos resultantes causam ondas de peristaltismo e continuam
estimulando o fluxo de suco gástrico das glândulas gástricas. As ondas peristálticas
misturam os alimentos com o suco gástrico; quando as ondas se tornam fortes o
suficiente, uma pequena quantidade de quimo passa pelo esvaziamento gástrico
para o duodeno.
➢ Regulação hormonal: A secreção gástrica durante a fase gástrica também é
regulada pelo hormônio gastrina. A gastrina é liberada pelas células secretoras de
gastrina das glândulas gástricas em resposta a vários estímulos Quando é
liberada, a gastrina entra na corrente sanguínea, percorre todo o corpo e, por fim,
chega a seus órgãos-alvo no sistema digestório. A gastrina estimula as
glândulas gástricas a secretar grandes quantidades de suco gástrico. Ela
também reforça a contração do esfíncter esofágico inferior para impedir o
refluxo do quimo ácido para o esôfago, aumenta a motilidade do estômago e
relaxa o músculo esfíncter do piloro, que promove o esvaziamento gástrico. A
secreção de gastrina é inibida quando o pH do suco gástrico cai abaixo de 2,0; é
estimulada quando o pH aumenta. Este mecanismo de feedback negativo ajuda a
proporcionar o baixo pH ideal para o funcionamento da pepsina, a matar
microrganismos e a desnaturar proteínas no estômago.

Fase intestinal
A fase intestinal da digestão começa quando o alimento entra no intestino delgado. Ao
contrário dos reflexos iniciados durante as fases cefálica e gástrica, que estimulam a
atividade de secreção e motilidade do estômago, os reflexos que ocorrem durante a fase
intestinal têm efeitos inibitórios que retardam a saída do quimo do estômago
➢ Regulação neural: A distensão do duodeno pela presença de quimo causa o
reflexo enterogástrico. Os receptores de estiramento da parede duodenal enviam
impulsos nervosos para o bulbo, onde inibem o estímulo parassimpático e
estimulam os nervos simpáticos que inervam o estômago. Como resultado, a
motilidade gástrica é inibida e há um aumento na contração do músculo esfíncter
do piloro, o que diminui o esvaziamento gástrico
➢ Regulação hormonal: A fase intestinal da digestão é mediada por dois hormônios
principais secretados pelo intestino delgado: a colecistocinina e a secretina. A
colecistocinina (CCK) é secretada pelas células CCK das glândulas intestinais no
intestino delgado em resposta ao quimo contendo aminoácidos de proteínas
parcialmente digeridas e ácidos graxos de triglicerídios parcialmente digeridos. A
CCK estimula a secreção de suco pancreático, que é rico em enzimas digestórias.
Também provoca a contração da parede da vesícula biliar, que comprime a bile
armazenada na vesícula biliar para o ducto cístico e ao longo do ducto colédoco.
Além disso, a CCK provoca o relaxamento do esfíncter da ampola
hepatopancreática, que possibilita que o suco pancreático e a bile fluam para o
duodeno. A CCK também retarda o esvaziamento gástrico por meio da promoção
da contração do músculo esfíncter do piloro, produz saciedade pela ativação do
hipotálamo no encéfalo, promove o crescimento normal e manutenção do
pâncreas, e incrementa os efeitos da secretina. O quimo ácido que entra no
duodeno estimula a liberação de secretina pelas células S das glândulas intestinais
no intestino delgado. Por sua vez, a secretina estimula o fluxo de suco pancreático
que é rico em íons bicarbonato (HCO3–) para tamponar o quimo ácido que entra
no duodeno a partir do estômago.a secretina inibe a secreção de suco gástrico,
promove o crescimento normal e a manutenção do pâncreas, e incrementa os
efeitos da CCK. De modo geral, a secretina causa o tamponamento do ácido do
quimo que chega ao duodeno e diminui a produção de ácido no estômago